Últimas indefectivações

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

A mensagem de uma vitória

"Nem tanto ao mar nem tanto à terra. Nem a pré-época poderia prenunciar o descalabro, nem a goleada frente ao Estoril poderá garantir o tri. Como disse Rui Vitória -com o bom senso que o caracteriza -, o triunfo na 1.ª jornada do campeonato foi apenas isso: um triunfo, embora com o extra de ter sido por 4 golos de diferença (três deles bem bonitos) e sem sofrer algum. Fechada esta página, é como sublinha o técnico encarnado, uma vez mais com toda a propriedade: "'Este caminho tem muitas etapas'.
Vitória terá de se preocupar mais com o futuro do Benfica do que nós. Por isso, detemo-nos naquilo que se passou ontem na Luz: Por um lado, assinale-se a capacidade de resposta que foi dada à onda de desconfiança que se criou à volta da equipa. E essa resposta veio primeiro dos adeptos que encheram a Luz e foram inexcedíveis no apoio. Depois, da equipa. Montada em 4X4X2, com vontade de fazer depressa e bem, mas além de a pressa ser muitas vezes má conselheira também houve uma equipa do outro lado que só se desmoronou no último quarto de hora. Finalmente, a resposta do banco. E a duas dimensões. A do treinador, que soube ler o jogo e perceber o que era preciso para o desbloquear; e a dos jogadores que entraram, designadamente Talisca e Victor Andrade, que aceleraram e projectaram o Benfica para um jogo mais dominador e contundente.
O Benfica é dos novos, clamarão os defensores da formação. Calma. O tempo deles chegará, mas a verdade é que por enquanto o Benfica ainda é dos 'velhos'. Do patrão Luisão, do salvador Júlio César, do fiável Jonas e do genial Gaitán. Sem eles, não teria havido goleada."

O caminho vai ser longo, mas a confiança ganha-se, vencendo...!!!

Benfica- 0 Estoril
Mitroglou, Jonas(2), Semedo


Após muito sofrimento, lá conseguimos desbloquear a baliza do adversário. Depois de vários jogos sem marcar, e a criar poucas jogadas de perigo, em pouco mais de 17 minutos, marcámos 4 golos!!! O resultado esconde as dificuldades que tivemos, mas ao contrário do que já ouvi e li, também não foi tudo mau nos primeiros 73 minutos!!! O Mitro falhou dois golos feitos, o Luisão mandou uma bola à barra, o Jonas também podia ter marcado 2 ou 3 vezes... tudo isto com 0-0.
A primeira variável que deve ser considerada, foi a estratégia do Estoril: pressão alta, avançados e extremos do Estoril a fazerem sprint's atrás de sprint's,  linhas subidas, marcações individuais no meio campo... o que me leva a acreditar, que apesar de jogarem de branco hoje, a dose de amarelinha deve ter sido grande!!! Independentemente disso, o Estoril defendeu de forma muito organizada... fazendo lembrar o Benfica-Estoril que nos custou o Campeonato de 2012/13: o posicionamento dos canarinhos fez lembrar a equipa do Marco Silva.
Tal como na Supertaça o Benfica sentiu muitas dificuldades, em ultrapassar a primeira linha de pressão. Uma das principais criticas que tenho feito ao Benfica de Rui Vitória, é a forma pouca segura como fazemos a 1.ª fase de construção. Hoje, várias das oportunidades do Estoril, nasceram de perdas de bola parvas, algumas com toques de calcanhar suicidas, em zonas proibidas. Temos que melhorar muito neste aspecto...
Acabou por ser a entrada do Talisca a desbloquear o jogo. O 1.º golo, começa com o Baiano, a ser pressionado em zona defensiva, e mesmo assim, a descobrir uma linha de passe para o Eliseu, que desequilibrou o Estoril... Foi isto que o Pizzi, não conseguiu fazer... e o Fejsa não sabe fazer!!!
O Estoril 'rebentou' fisicamente (era inevitável...), e mentalmente, e o Benfica, com esta injecção de confiança, não perdoou...
Não é normal, o guarda-redes do Benfica 'levar' com os avançados adversários, pela frente, praticamente isolados!!! Este é outro dos pormaiores que temos que melhorar... Com todo o respeito (muito mesmo) pelo nosso Capitão, neste momento, sem lesões, a dupla de Centrais deve ser o Lisandro e o Jardel. O Nelsinho tem muito para melhorar, principalmente no 1x1 defensivo, mas como é muito ofensivo precisa de um Central rápido ao seu lado...
Antecipando a próximo polémica, acredito que vai ser feito um aproveitamento da nossa Formação, para a guerra contra o Judas!!! Creio que é importante ir com calma, tal como o nosso treinador fez, na conferência de imprensa: existe talento, potencial, mas o caminho ainda é longo...
Dito isto: Vítor Andrade entrou muito bem, com uma total disponibilidade física. Quem viu os seus primeiros jogos no Benfica, quase nem acredita que é o mesmo jogador!!! Direi mesmo, com o Carcela recuperado, ficarei descansado com a ala direita!!!
O Gonçalo Guedes, teve menos minutos, mas esteve activo... Contra o Guedes, continuo a achar que não é um extremo, mas...
O Nelsinho, não cometeu erros graves defensivamente, foi apanhado algumas vezes fora de posição, mas mais por culpa de colegas que perderam a bola, quando não deviam... Faz bem a linha defensiva, quando a bola está no outro flanco... Como é rápido, recupera bem, mas pode ser mais agressivo, no 1x1 defensivo. A atacar, é quase uma cópia do Mini, talvez com mais técnica... e com as rotinas da equipa B, completou-se perfeitamente com o Andrade.
Independentemente das analises individuais, opções do treinador, esquemas de jogo e afins, há uma coisa que neste momento nenhum Benfiquistas se pode queixar: a atitude dos jogadores tem sido muito boa. Isto numa semana, onde se tentou dividir o balneário do Benfica (de fora para dentro), é muito importante realçar...!!!
Júlio César acabou por ser decisivo, mas será bom sinal se no futuro tiver menos trabalho...!!! Lisandro muito rápido, muito agressivo, às vezes podia ter mais calma, mas está  a conquistar a titularidade no suor...; tal como já disse, o Luisão fez uma pré-época com algumas falhas pouco habituais, e hoje na 1.ª parte voltou a hesitar...; o regresso do Eliseu, mostrou o mesmo Eliseu de sempre, com os mesmos defeitos e as mesmas qualidades...; Fejsa, acabou por ser a surpresa do onze, esperava que o titular fosse o Samaris... foi muito útil a compensar os erros nas transições defensivas, mas falta-lhe a qualidade de passe do Samaris...; Pizzi, fez um dos seus piores jogos no Benfica; Ola John voltou a ser apupado, não tem qualquer tolerância, mas curiosamente, tal como aconteceu na Supertaça, apesar dos erros, lutou e até recuperou algumas bolas...; o Nico cometeu alguns erros parvos, tal como sempre fez, a diferença é que ainda não tem um colectivo defensivamente forte para lhe cobrir os 'calcanhares'!!! Curiosamente o Jonas foi outro, dos que perdeu algumas bolas proibidas... mas melhorou bastante, com o Mitro ao lado...; o Mitroglou falhou dois golos feitos, mas acabou por desbloquear o jogo, nota-se que ainda não sabe as movimentações dos colegas, teve dificuldades em segurar a bola, tentou quase sempre jogar de primeira, mesmo quando não devia... mas como os grandes ponta-de-lança, sabe movimentar-se na área... Tenho a certeza que vai ser muito útil durante a época, mas provavelmente vai rodar com o Jiménez.
Irei rever o jogo na televisão, e amanhã regressará a Lixívia, com uma opinião mais lúcida!!! Mas no Estádio não gostei nada desta nova vedeta da arbitragem nacional. Este Internacional, sem apitar um único jogo dos 'grandes', errou em demasia, principalmente contra o Benfica. Perdi a conta às faltas não assinaladas que deram contra-ataques perigosos, aliás no 1.º tempo para marcar uma falta a favor do Benfica, em zona de ataque, foi quase um milagre!!! Quando cheguei ao carro, liguei a rádio, e lá ouvi os avençados a tentarem 'sacar' polémica da boca do treinador do Estoril... mas tiveram azar!!!
Era importante vencer, marcar golos, convencer. E será muito importante 'transportar' este minutos finais, para Aveiro no próximo Domingo. Confiança. Temos que jogar com mais confiança. Além dos melhoramentos, nos aspectos técnicos ou tácticos, era preciso um impulso psicológico... Espero que isso tenha sido conseguido...


Uma nota final para os adeptos, Estádio composto, bom ambiente, sem assobios, mesmo com a jogo bloqueado... parabéns a todos, principalmente aos emigrantes presentes (pelas matriculas dos carros no parque do Colombo, acho mesmo que o Luxemburgo deve estar vazio neste momento)!!!


domingo, 16 de agosto de 2015

Os erros e os eixos do Benfica

"A pré-temporada sem vitórias e a pobre exibição na Supertaça não parecem estar a abalar a confiança dos adeptos do Benfica. Veremos se o número se confirma, mas a presença de 50 mil adeptos no Estádio do Luz num domingo à noite - e em Agosto! - poderá ser o sinal de que a nação benfiquista aprova o protejo de Luís Filipe Vieira.
sempre quem não resista à tentação de tirar conclusões a partir das pré-épocas. São entusiasmos próprios da silly season, que não devem merecer grande importância. Já se percebeu que o planeamento das primeiras semanas de trabalho, na América do Norte, teve erros de cálculo. Por uma questão de justiça, no entanto, seria bom tirar Rui Vitória deste filme. É o menos culpado.
TAMBÉM parece óbvio que - independentemente da digressão, das lesões de jogadores fulcrais e dos reforços por integrar - quer o modelo quer o sistema tático já poderiam estar melhor definidos nesta fase. E aí, sim, é o treinador quem tem de resolver o problema. Hoje à noite se verá se, como o próprio diz, o Benfica começa a entrar nos eixos.
EXCELENTE entrada em cena do FC Porto. Dragão lotado, vitória tranquila, Aboubakar em destaque. Tudo azul! Teremos ainda de deixar passar uma boa meia dúzia de jornadas, no entanto, para poder dizer se esta equipa é, ou não, superior à da época passada. A diferença na produção pode estar nas ilações que Lopetegui terá tirado do seu primeiro ano em Portugal. Conhece hoje melhor a nossa Liga (e isso tem importância na tomada de decisões estratégicas) e também deve ter aprendido que há limites para a rotatividade. É isso que faz do FC Porto o mais forte candidato ao título."

Vida e mar

"1.(...)

2. Tempo e oportunidade são palavras, igualmente, deste tempo desportivo. Deste singular arranque de época. De uma época em que nenhum dos grandes pode perder. Em rigor o que estaria menos pressionado seria - será! - o Benfica. Apenas tem a pressão de, neste tempo, aproveitar a oportunidade para conquistar, de novo, e ao fim de muitos e muitos anos, um tricampeonato. Mas a presença de Jorge Jesus no Sporting está a pressionar o Benfica. Diria que exageradamente. A mostrar, a evidenciar, que Jorge Jesus foi importante no Benfica. Mas importa que, a partir de hoje, se evidencie - que é bem mais do que mostrar! - que o Benfica, este Benfica, vence claramente para além de Jorge Jesus. E este desafio tem um tempo concreto - estes primeiros jogos - e é uma oportunidade única para a estrutura organizacional do Benfica e para Rui Vitória. Oportunidade que exige, na linha do grande orador romano Cícero, dedicação ao trabalho, capacidade de decisão nas situações perigosas, energia na ação, rapidez na execução, comunicação eficiente, bom senso e... também sorte. Daí que seja determinante que não se percam mensagens, que se escutem atentamente os outros, se lhes responda prontamente e que se utilize um discurso aberto e claro.

3. A este respeito e a propósito da questão das mensagens - porventura recebidas mas porventura não enviadas - não deixo de lhes trazer, neste tempo intercalar de Agosto, uma pequena história do tempo de Júlio César. Não deste tempo e do grande guarda-redes do Benfica. Mas sim do general - e ditador - romano que há muitos séculos e numa certa vez «tentava introduzir uma mensagem num acampamento aliado que estava sitiado». E como o entendeu fazer? Ordenou a um soldado que atirasse uma lança para dentro da fortificação à qual estava presa uma carta. E mais tarde, nas suas Guerras da Gália aquele Júlio César escreveu que «infelizmente a lança ficou presa numa torre, não sento detetada pelas nossas tropas durante dois dias. Ao terceiro dia, foi vista por um soldado, retirada e devidamente entregue!» Decerto não foi isto que aconteceu estas últimas semanas. Mas o que aconteceu é que ao terceiro dia houve resposta. No tempo considerado oportuno.

4. O tempo do Sporting concentra-se, sem mensagens, nos próximos dez dias. À euforia da Supertaça sucedeu-se a vitória em cima da linha, em Aveiro, face a um Tondela personalizado. Mas frente à equipa conhecida, no tempo soviético, pelo clube do exército russo, o CSKA, o Sporting de Jorge Jesus terá um dos grandes desafios da época. A sua presença, bem necessária em termos financeiros, na fase de grupos da Liga dos Campeões. É evidente que se tal não se concretizar a vida não acaba. E a nova oportunidade será a Liga nacional. E a sua conquista. Que, de verdade, não deixa de ser relevante nas próximas épocas desportivas em termos de ranking da UEFA. Mas importa saber conviver sempre com o sucesso e fazer frente aos erros. Há duas regras importantes neste aspeto: não deixar que o sucesso suba à cabeça e saber que o elogio de si mesmo está sempre condenado a suscitar ressentimentos. Ontem como hoje. Como nos ensinam os clássicos aqui hoje citados. Seja Júlio César, seja, agora, Alexandre, o Grande.

5. No FC Porto, Lopetegui tem de ganhar. É a sua obrigação. Mas é, igualmente, a sua pressão. A sua continuidade foi, ao mesmo tempo, motivação e risco. E nele se concentra a recriação ou a perda da habitual agregação da nação azul e branca. Agora também castanha. E esta transição de cores é o desafio deste seu novo tempo. Ou agarra todas as oportunidades ou tudo começa a ficar castanho. Como as cores da nova camisola! E, aqui, recordo sempre Alexandre, o Grande, o grande conquistador macedónio que partindo da Grécia dominou parte do Mediterrâneo chegando ao interior do atual Afeganistão! Num tempo bem difícil, em que já não era possível controlar os seus homens, escreveu-se que «as coisas que estavam a acontecer não passavam despercebidas a Alexandre, mas compreendeu que a solução para a presente situação era fingir desconhecimento em lugar de ter de dar o seu consentimento». Ontem como hoje. Tempo e oportunidade. E, também, vida e mar."

Fernando Seara, in A Bola

Hoje, joga o Benfica...

sábado, 15 de agosto de 2015

Vitória...

Benfica B 1 - 0 Penafiel


Boa 1.ª parte, com o Benfica a jogar bonito, e a marcar... No 2.º tempo começamos cedo a gerir a vantagem mínima, e temos que admitir que tivemos alguma sorte: grande defesa do Miguel, logo a seguir bola na barra, e logo a seguir falhanço do avançado adversário...!!!
É verdade que em contra-ataque também podíamos ter marcado (o Diogo que o diga...!!!), mas praticamente desistimos de ter a bola nos pés...
O Penafiel é um dos principais candidatos à subida, tem um plantel de 1.ª, um bom treinador... que se estreou o ano passado na Luz, deixando boa imagem, portanto excelente teste aos nossos miúdos...
Se no empate em Olhão merecíamos ter ganho, hoje se calhar o Penafiel merecia o empate!!!

Destaco o Pawel, grande evolução; o Renato está mais controlado no que faz; o Diogo continua a marcar; o Joãozinho continua a fazer jogar (recordo que é um dos mais novos); estão a faltar os golos ao Sarkic; os Centrais quase sempre bem; Rebocho evoluiu muito a defender...; Alfaiate continua adaptado. Tirar Clésio e o Berto do banco, é com largar duas 'bombas' para o relvado...!!!
Uma nota para o regresso à titularidade do Dino, pois o Vítor Andrade foi convocado para a equipa principal, como é habitual fez coisas muito boas (assistência para o golo...), misturadas com paragens cerebrais incríveis...!!!

O Hugo Miguel esteve quase a ter um orgasmo, quando 'assistiu' o matacão do ponta-de-lança, para este marcar um golo ao Benfica, mas o Fiscal-de-linha marcou, bem, fora-de-jogo!!! No resto, fartou-se de fazer merda, o critério nos contactos a meio-campo foi do mais inclinado possível, este é outro dos bois que não pode ver o vermelho à frente, nem quando jogamos de branco!!!

De cavalo para burro

"O treinador do Sporting mal chegou e já ganhou uma Supertaça. Não se pode dizer que tenha andado de cavalo para burro do ponto de vista dos resultados práticos, visto que prossegue na sua senda de sucesso, apesar de ter mudado de clube. Foi com uma vitória por 1-0 sobre o Benfica no campo de jogo e com uma goleada por 3-0 no campo das telecomunicações que o novo treinador do Sporting viu cimentada esta semana a sua reputação de 'O Cérebro'. Três jogadores do Benfica terão revelado os conteúdos intencionalmente desanimadores das mensagens que o seu ex-treinador lhes enviou para os respectivos números de telemóvel nas vésperas da decisão da Supertaça. Ora aqui está uma coisa nova no futebol português, um passo em frente no capítulo dos 'mind games' que evoluem agora para a intimidade forçada do contacto unipessoal em detrimento das grandes tiradas para toda a gente ouvir.
QUE fique claro que isto não configura qualquer tipo de ilegalidade punível com prisão. Aliás, o Jorge Jesus do Sporting anda muito mais à solta do que andava à solta o Jorge Jesus do Benfica, ou não anda? Do lado dos três jogadores do Benfica também nada há de reprovador a apontar-lhes. Foram vítimas de 'bulling' por SMS e nada mais. E não foi por isso que o Benfica perdeu o jogo com o rival. O Benfica só perdeu o jogo porque uma bola sem grande direcção rematada de longe por Carrillo foi embater num tornozelo de Gutiérrez, acabando por trair Júlio César, que não teve maneira de prever o inesperado desvio.
NO entanto. a opção pelo serviço de SMS demonstrou (como se fosse preciso...) a sagacidade do treinador do Sporting. E tal como, no Estádio do Algarve, Júlio César não teve maneira de prever a trajectória da bola desviada pelo tornozelo de Gutiérrez, também não haverá ninguém neste mundo que disponha de maneiras de prever ou, sobretudo, de impedir a chegada de uma mensagem no telemóvel. Trata-se de uma incontornável funcionalidade da vida moderna. Jorge Jesus, em função dos seus interesses, fez o melhor ao mandar mensagens escritas aos seus ex-jogadores. Mensagens escritas são palavras que não voam. Se tivesse optado pelo corriqueiro e inocente telefonema, quem lhe garantiria que Jonas, Eliseu, Talisca e outros considerariam sequer a hipótese de lhe atender a chamada?
ORA aqui está um caso, bastante curioso por sinal, que vai certamente obrigar o departamento de telecomunicações da estrutura do Benfica a agir com a máxima sabedoria e, se possível, sem perda de tempo, não se vá perder a rede. E o resto."

Para Jesus o 'fair play' ainda é uma treta

"Parece ter nascido por aí uma polémica artificial sobre os SMS de Jorge Jesus enviados a alguns dos seus antigos jogadores do Benfica. A notícia surgiu publicamente depois de ter andado a ser disseminada, numa acção conspirativa, por todos os bas fonds do jornalismo nacional e, ao que parece, a ideia do denunciante teria em mente a propagação de uma imagem de condicionamento do treinador aos seus antigos jogadores, influenciando o seu rendimento (não se percebe de que forma) para o jogo da final da Supertaça.
Houve mesmo quem anunciasse que um dos SMS avisava um determinado jogador de que antes mesmo de jogar a final de Faro, «já perdeste o jogo».
Anteontem, na conferência de imprensa sobre o desafio de abertura do campeonato, os jornalistas saíram algo desiludidos porque Jorge Jesus não confirmou nem desmentiu a existência dessas mensagens, mantendo a dúvida. Ou seja: ouviram o que ele disse, mas não souberam interpretar.
Basta conhecer Jorge Jesus para perceber que ele confirmou. Primeiro, porque não recusou a veracidade da informação, depois porque disse algo que parece ter passado despercebido, mas que é essencial para o completo esclarecimento do caso. E o que disse Jorge Jesus? Que sempre agiu da mesma maneira no Benfica, no Belenenses, no Braga, clubes por onde, antes, tinha passado. O que Jorge Jesus tentava fazer entender é que ao longo dos seis anos que trabalhou no Benfica agira da mesma forma e certamente que teria enviado SMS para outros jogadores seus conhecidos e eventuais adversários.
Coloca-se, agora e antes, a questão da ética. É aceitável e compreensível que se discuta a questão nesse plano, mas não podemos é fingir que não sabemos o que pensa e sempre pensou Jorge Jesus sobre a ética e o fair play no futebol de alta competição: «É UMA TRETA!»
Isso prova que Jorge Jesus não é um bom rapaz e que tudo lhe serve para ganhar? Talvez sim, mas isso não o diferencia de outras grandes referências do futebol português, algumas, dadas como esplendorosos exemplos de inteligência e de sagacidade.
Outra questão diferente é admitir que essas mensagens possam mesmo ter resultado em menor rendimento de alguns dos jogadores do Benfica no jogo da final da Supertaça. E isso é mais um problema interno do Benfica do que de Jorge Jesus.
O Benfica soube da existência dessas mensagens antes do jogo? Soube. E não as denunciou porque certamente entendeu que seria melhor lidar com elas sem dar conhecimento público antes da final, mantendo, aliás, o perfil de reserva e de silêncio que tem tido resultados alarmantes.
O problema é que o Benfica não conseguiu transformar essa manifesta acção psicológica do adversário numa vantagem sua. E a ser verdade que as mensagens de Jesus tiveram, de facto, influência, então só se pode concluir que a estratégia do Benfica, tivesse sido ela qual fosse, falhou.
Há, no entanto, um facto a registar sobre esta súbita mudança de relação do Benfica e dos benfiquistas com Jorge Jesus. Ficou claro no Estádio do Algarve que os adeptos do Benfica abominam o treinador. Não pelas suas capacidades técnicas, mas pelo que representa, neste momento, em imagem de ingratidão e, muito pior do que isso, de traição. Julgo que é esse o sentimento da maioria dos adeptos benfiquistas. Ninguém parece querer saber das circunstâncias, mas todos, ou quase todos, o atacam como se de um verdadeiro desertor se tratasse. É aí, devemos reconhecer, o trabalho desenvolvido pela comunicação oficial e oficiosa do clube teve inteiro sucesso."

Vítor Serpa, in A Bola

PS: O Vitinho dos Croquetes, consegue na mesma crónica: ironizar com as teorias conspirativas; e logo a seguir especula (conspirando), insinuando que Jesus no Benfica, também enviava SMS's...
E termina com nova 'conspiração': Sr. Croquete, os Benfiquistas não precisam de conspirações manipuladoras de gabinetes de comunicação, para abominarem o Judas, é algo perfeitamente natural...

Águias não brincam

"A vinda de norte-americanos para Portugal nem sempre é sinónimo de qualidade, mas o 'shooting guard' Daequan Cook, um virtuoso no lançamento exterior, é mesmo reforço para o Benfica, que viu sair este ano o seu mais influente jogador, Jobey Thomas. Trata-se também da resposta de um clube que não brinca em serviço quando procura a conquista do pentacampeonato e tem a frente europeia. É que as contratações, de peso, do rival FC Porto tinham de ser levadas em linha de conta. E ainda bem que o mercado se agitou, pois a Liga promete, finalmente, uma competitividade a sério, depois de muitos anos de vazio."

Alexandre Reis, in Record

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Um futuro de Vitória(s)

"Sem meio termo. No Benfica ou estamos em euforia desmedida ou depressão colectiva. A paixão dos adeptos pelo clube não compreende meio termo nem racionalidade. Também sou assim um pouco, não fujo por isso à regra, embora tente.
Não gostei de perder e o Benfica não jogou bem a final do Torneio do Guadiana no passado domingo. Custa mais quando se perde para adversário tão fraco. Parabéns por isso a quem venceu com justiça. Vivemos uma altura em que se espera sangue frio de quem decide. Há jogadores que vão entrar, há jogadores a recuperar de lesões, há métodos de Rui Vitória que estão a ser assimilados e por isso vamos melhorar. Até Rui Vitória tem que estar a aperfeiçoar a sua ideia de jogo. O treinador, mais que ninguém, percebe que o Benfica exige muito mais: no Benfica só se pode jogar para ganhar.
Por isso, domingo, contra o Estoril, um jogo que já é a sério só pode ser melhor e para vencer.
Nos últimos 15 anos, poucas foram as vitórias no primeiro encontro do campeonato. Ganhar domingo é, para o Benfica de Rui Vitória, o começar a inclinar a história a nosso favor.
Escrevo de Sevilha onde um adepto andaluz me descreve Jiménez como «um assassino de golo silencioso». Estando confirmada a contratação é, mais uma solução. Sozinho não vai resolver problemas colectivos, mas numa boa equipa, com rotinas e motivada, pode ser muito útil. Até dia 31 de Agosto é construir. Mas agora já tem que ser construir a ganhar, porque somos o Benfica e temos uma ambição clara: ser tricampeões. Feito que já só se lembram adeptos mais antigos. Rui Vitória sabe disso, nós também, e por isso merece todo o nosso apoio.
Domingo todos à Luz para começar a construir um futuro de Vitória (s) juntos."

Sílvio Cervan, in A Bola

Vitória, Jiménez e o tridente...

"Confesso que sempre senti maior admiração pelos treinadores que procuram encontrar o sistema de jogo que melhor potencie os jogadores que têm à disposição, do que pelos técnicos que encaixam os pupilos no modelo de que mais gostam.
A chegada de Raúl Jiménez ao Benfica merece que se pare um pouco para pensar que tipo de utilização lhe deverá ser dada por Rui Vitória, uma vez que não é crível que uma aposta como a que Luís Filipe Vieira fez no mexicano não tenha sido feita no pressuposto de que este será titular. Se assim for, e porque também não se vislumbram razões para que Jonas, o melhor jogador da última edição da Liga, não entre no melhor onze; nem se pensa, a priori, que Mitroglou, outra das novas estrelas da companhia encarnada, tenha rumado a Lisboa para apreciar as vistas do banco de suplentes da Luz, conclui-se que existe uma forte probabilidade de Rui Vitória vir a engendrar um sistema que acolha a presença deste tridente.
Se assim for, e tendo em conta os jogadores que presentemente constam do plantel encarnado, o equilíbrio a meio-campo, torna-se essencial. Parece pacífico que Gaitán e Samaris são claramente titulares neste Benfica, ficando em aberto mais um lugar no miolo, quiçá para Fejsa, se Samaris atuar como interior direito, ou para Pizzi ou Carcela, caso a cabeça da área seja entregue ao internacional grego. Este é, com a chegadade Raúl Jiménez, o grande desafio que se coloca a Rui Vitória. Será que vem a caminho um Benfica desenhado a partir de um 4x4x2 losango? Não será ainda no próximo domingo que se conhecerá a resposta a esta questão, uma vez que o ponta-de-lança mexicano ainda não estará operacional para a receção ao Estoril. Mas o assunto fica, desde já, em cima da mesa..."

José Manuel Delgado, in A Bola

PS: Creio que a estratégia do Rui, não passa por usar os 3 em simultâneo, mas...

Travões a fundo!

"Com Jorje Jesus sabia que tinha que alterar o projecto; o Benfica queria o caminho inverso mas arrependeu-se!...

SPORTING e Benfica queriam seguir uma direcção e agora, como já se esperava, mudam de rumo. O Sporting pela óbvia razão de ter agora Jorge Jesus e, tendo Jorge Jesus, ter, também, de perceber que não é a pensar nos mais jovens jogadores que pode aspirar a ganhar títulos; quanto ao Benfica, estava mesmo a ver-se que mudaria a direcção logo que mudasse o vento e passasse o vento a soprar desfavorável como soprou no Algarve.
Queria o Sporting, na última época, convencer a malta que o essencial do projecto era apostar em jovens como Tobias Figueiredo ou Ricardo Esgaio ou Carlos Mané ou Ryan Gould, e por diversas vezes fez o clube leonino passar a mensagem que Marco Silva tinha dificuldade em entender esse projecto e que por essa razão parecia tornar-se um treinador incompatível com o projecto dos leões e do presidente Bruno de Carvalho mais os seus acólitos. Pois ao contratar Jorge Jesus, ao contratar o melhor treinador que está em Portugal e um dos melhores treinadores da Europa, o Sporting vê-se obrigado a mudar o projecto, porque o projecto do Sporting é agora, como não podia deixar de ser, o projecto de Jorge Jesus, o projecto de quem quer discutir e conquistar títulos e não o projecto de quem passou muito tempo a dizer que tinha um projecto sem se saber exactamente que projecto era esse a não ser que era um projecto que passava, antes de mais, pela aposta em JOVENS JOGADORES lá formados ou entretanto contratados!
Só contrata Jorge Jesus quem aposta tudo nos títulos, mete as fichas todas na conquista de campeonatos. Se não é isso que se quer, então não se precisa de um treinador como Jesus.
Como o Sporting foi a correr atrás de Jesus assim que lhe cheirou que era uma possibilidade Jesus não continuar no Benfica, então lá teve o Sporting de meter na gaveta o tal projecto que dizia que tinha na última época. Uma coisa é PODER contar com Esgaio, Tobias Figueiredo, Mané ou Gelson Martins, outra coisa é TER de contar com eles para chegar aos títulos.
Seja com Jorge Jesus, seja com qualquer outro treinador, jogar para ganhar uns jogos é uma coisa, jogar para chegar ao topo é outra.
Como diz um amigo meu, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
E assim nos entendemos.
Para chegar ao topo, o Sporting precisa de um Naldo, é melhor dispor da experiência de João Pereira, é indispensável não deixar sair Jefferson, mais William, Adrien ou Slimani, é absolutamente essencial a qualidade de um Bryan Ruiz e a competitividade de um Teo Gutiérrez, mais a cabeça limpa de um Carrillo. Portanto, com Jorge Jesus lá se foi o projecto que o presidente do Sporting dizia que tinha, e fez bem o presidente do Sporting, porque com o projecto que dizia que tinha dificilmente poderia torná-lo um prometo verdadeiramente ganhador.
Claro que nem mudando o rumo tem a garantia de ganhar títulos; mas pelo menos assim ganha mais certeza de os discutir; ganha uma equipa com dimensão para se bater, mano a mano, com qualquer dos rivais, habituados, nos últimos anos, a discutir os títulos convenientemente pouco incomodados pelo leão.
Pelo menos assim, o presidente do Sporting ganha mais fichas para poder rir no fim; ganha poder e ganha qualidade. E ganha, como se viu no Algarve. E ganhando, ganha confiança. E com mais confiança, ganha mais motivação. E quanto maior motivação, maior a probabilidade de vencer. E quanto mais vencer, mais hábito cria. E quanto mais habituada a ganhar uma equipa fica, mais perto estará sempre de chegar ao topo.
Fez, pois, muito bem o presidente do Sporting ao concluir que no futebol os melhores projectos são os que vencem. E os que melhor se preparam para vencer. Fez bem o presidente do Sporting. Não diga é que o projecto é o mesmo. Porque não é.
Também se ganham títulos com jovens jogadores, claro que sim; mas não se ganham títulos com uma maioria de jovens jogadores.
Está provado que dificilmente dá!

QUERIA o Benfica inverter a loucura financeira dos últimos anos e desinflacionar a massa salarial. Anunciou o Benfica um outro projecto, a mudança de paradigma. Desinvestir e apostar num outro treinador e num outro rumo.
Passou o Benfica a mensagem que iria ao mercado apenas para operações cirúrgicas. Foi buscar alguns reforços e chegou a pensar-se que fecharia a loja com a substituição de Lima por outro avançado. Pois saiu Lima e entrou Mitroglou.
Acontece que o Benfica perdeu aquela primeira batalha do Algarve, e perdeu-a no campo e fora dele, e foi logo a correr fechar o acordo com Raúl Jiménez, e, pelo que sabe, está a desenvolver contactos para mais uma ou duas contratações e para um investimento global que no fim poderá muito bem ascender a mais de 20 milhões de euros.
Estava o Benfica a querer fazer o caminho inverso ao do Sporting. Passar a apostar mais na prata da casa e num treinador mais sereno, menos exigente, e que mais facilmente se adaptaria ao novo projecto que o Benfica anunciava.
Mas não é a verdade como o azeite?
Pois bastou perceber o que sucedeu no Algarve - numa Supertaça tão claramente ganha pelo Sporting como claro foi aquele penalty sobre o Gaitán que Jorge Sousa terá sido dos poucos a não ver... - que o Benfica logo meteu travões a fundo para mudar de direcção e de projecto. Qual formação, qual carapuça!... Venha de lá o Mitroglou, mais a qualidade de um internacional como Jiménez, e de preferência a experiência de um Fábio Coentrão (que apesar do desejo muito dificilmente regressará à Luz) ou demais algum valor esquecido que por aí ande no mercado até 31 de Agosto, como bem deixou entender Rui Costa logo após o insucesso algarvio.
Quem quer ganhar desinveste como?

AGORA em contramão, Sporting e Benfica parecem finalmente remar para o mesmo lado, alertados para uma batalha que não tem lugar para meninos de coro. O Sporting já sabia que com Jesus a conversa seria outra, e o Benfica passou a sabê-lo ao perceber o trabalho que tem pela frente se não quer ficar irremediavelmente para trás e se quer proteger o seu inocente nesta guerra sem tréguas.

PS: Começa hoje a Liga seguramente mais controversa dos últimos dez anos em Portugal. E não é a entrar «receoso» que o Benfica lá vai. Nem a usar o Mitroglou acabadinho de chegar. Isso foi o pior!"

João Bonzinho, A Bola

Sem medos

"Domingo à noite, apito final, Supertaça decidida e começa o chorrilho de asneiras. Na entrevista em pleno relvado, o treinador da equipa que ganhou o jogo dedica as primeiras palavras ao SL Benfica. E as segundas, as terceiras e por aí adiante. Tem sido assim desde que mudou de clube. Por dá cá aquela palha, lá vem ele falar na obra feita no Benfica, troca os nomes dos clubes, elogia os adeptos rivais, enfim nada que me possa espantar depois de seis anos em que andei a tentar encontrar desculpas para tanta fanfarronice. No Algarve não foi diferente. Já se tinha atirado a Rui Vitória, atual treinador da equipa Bicampeã Nacional (só para os mais distraídos não se esquecerem), ficou sem resposta e resolveu continuar na sua senda egocêntrica, falando das 12 finais que os seus antigos jogadores disputaram em meia dúzia de épocas e do "medo" que o Benfica terá tido. Ó homem, tenha calma, respire fundo e faça o seu trabalho na nova empresa enquanto ainda há dinheiro para pagar ordenados. Deixe o SL Benfica em paz na sua caminhada para o Tri. Lembra-se do Nélson Semedo? Bela exibição do rapaz a quem nunca deu uma oportunidade. E o Lisandro López, sabe quem é? O argentino ex-emprestado ao Getafe com quem embirrou fez uma boa dupla com Jardel - só foram traídos pelo bilhar às três tabelas. Sim, ainda não houve tempo para se deliciar com as capacidades do Mitroglou, mas é só esperar até ao início de Outubro, mais precisamente à oitava jornada quando visitar a Catedral.
Por essa altura vamos ver quem é que tem medo de quem. E agora repita comigo: «Já não sou treinador do Benfica, já não sou treinador do Benfica...»"

Ricardo Santos, in O Benfica

É cedo para se tirar conclusões

"A Supertaça tem um valor reduzido. É importante, na medida em que se trata de um troféu oficial, mas de âmbito limitado, por se tratar de um jogo apenas. No entanto, valerá certamente mais que as ilações tiradas sobre o desempenho dos seus intervenientes, geralmente extemporâneas e caracterizadas pela euforia entre os vencedores e o alarmismo entre os vencidos. Em suma, é cedo para se chegar a conclusões.
Não sabemos, por exemplo, se o mau desempenho do árbitro Jorge Sousa é indicador de má forma física ou se se tratará do regresso, passados alguns anos, de uma certa tendência da sua parte para nos prejudicar.
Desconhecemos, também, os índices físicos das equipas, sendo que me pareceu que o nosso adversário se apresentou mais solto e pressionante, talvez devido a uma preparação física mais acelerada por ter que disputar a eliminatória de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões.
Da mesma forma ignoramos o valor dos plantéis, numa altura em que subsiste alguma indefinição, seja por estarem ainda em aberto, seja por existirem novos jogadores a precisarem de tempo para se adaptarem a uma nova realidade.
O jogo, enfim, se é verdade que jogámos mal (no capítulo ofensivo), não menos o é que, ainda assim, dispusemos de oportunidades para nos adiantarmos no marcador e fomos penalizados por um lance fortuito do ataque sportinguista e um erro clamoroso de Jorge Sousa, como que a materializar uma espécie de malapata nesta prova, na qual, em 17 presenças, saímos derrotados em 12. Recordo, aos mais pessimistas, que Rui Vitória apenas orientou a nossa equipa numa delas..."

João Tomaz, in O Benfica

A tempo de corrigir

"Era importante conquistar a Supertaça. Era importante entrar na temporada a vencer. Era importante ganhar moral. Era importante responder, em campo, ao discurso arruaceiro que ouvimos do outro lado. Os nossos jogadores deram tudo, mas esse tudo não foi suficiente para derrotar um adversário muito reforçado e muito confiante. Ficámos sem um troféu, mas julgo que percebemos o que há a fazer para que os principais objectivos da época possam vir a ser alcançados.
O onze escalado foi o mais forte do momento. As substituições até melhoraram a equipa. Mas não podemos ignorar que, para esta temporada, ficámos sem três titulares indiscutíveis (com Luisão, quatro neste jogo), e que a única contratação à altura do onze base (Mitroglou), com poucos dias de trabalho, evidenciou uma condição física ainda deficiente. Do outro lado tivemos um rival que apresentou quatro reforços como titulares, aparentemente já bem integrados nos mecanismos colectivos. Não custa a admitir que o Sporting ganhou com justiça.
Há mercado até ao fim do mês. Estou seguro de que o mesmo vai ser aproveitado para corrigir os desequilíbrios que se notam, e que no Campeonato (pai de todos os objectivos) teremos um Benfica forte e afirmativo, capaz de se superiorizar a adversários bastante bem apetrechados. Também o Bayern de Guardiola, e o Chelsea de Mourinho, perderam as suas Supertaças. Nem por isso hipotecaram o que quer que fosse, e estão aí, prontos para os combates que têm pela frente. Tal como nós.
Uma palavra final para Jonas: a sua atitude no final foi de Homem, de Líder, e de Capitão. Destes é que precisamos."

Luís Fialho, in O Benfica

Para melhorar

"Que ainda há muito a melhorar, sem dúvida que há. Que os jogadores ainda têm de assimilar os processos e as ideias do mister Rui Vitória, certamente que sim.
A derrota do último fim-de-semana, na Supertaça Cândido de Oliveira, face ao Sporting e ao nosso ex-treinador, deve servir sobretudo como um processo de motivação e aprendizagem. Tudo ingredientes que nos levarão, certamente, à conquista do tricampeonato.
A aprendizagem é evidente e o próprio Rui Costa o afirmou no final do jogo. O plantel tem ainda ajustes a realizar, quer a nível defensivo, quer a nível ofensivo. O reposicionamento de Jonas, a plena integração de Mitroglou e a possível chegada de Raúl Jiménez vão, certamente, dar os seus frutos a breve trecho. A revelação de Nélson Semedo foi outra excelente notícia que brotou do campo no último domingo. A motivação é ainda mais clara e os Benfiquistas compreendem-na claramente. Esteve bem Rui Vitória em não responder a Jesus. Um treinador do Benfica apenas responde a quem e quando quer, atento o património e a história da instituição que representa. Esteve muitíssimo bem Vieira, que deixou a imprensa e os críticos literalmente a falar sozinhos. Tudo muito bem, até aqui. 
Mas dentro, cá dentro da alma Benfiquista, incendeia-se uma chama de motivação e orgulho de reerguer o nome do Sport Lisboa e Benfica. Dentro, bem cá dentro, nem eles sabem o animal feroz que voltaram a despertar. Sem certamente o querer, o Sporting até nos fez bem: tenho a certeza de que o SLB que jogará já este fim-de-semana com o Estoril, na Luz, será um verdadeiro furacão do Futebol. Todos - mas todos sem excepção - vão temer jogar com o Glorioso!"

André Ventura, in O Benfica

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Jiménez

Ameaçou transformar-se numa novela mexicana, mas no final, Raúl Jiménez acabou por ser oficializado como jogador do Benfica!!!
Depois do Mitroglou, novo avançado, para se juntar ao Jonas e ao Jonathan. Se não houver mais alterações no plantel, parece-me evidente que esta contratação confirma a vontade do treinador em jogar num 442.


A estreia na Europa, o ano passado, acabou por não correr bem. Foi pouco utilizado no Atlético de Madrid, e assim os números foram escassos... O Atlético Madrid de Simeone, tem algumas características especiais, que diferem muito do tipo de jogo do Benfica, portanto não creio que este insucesso, seja importante...
Foi estrela no América do México (nosso adversário na pré-época), marcou muitos golos, conseguiu mesmo ganhar o lugar ao Chicharrito na Selecção!!!
Vi os jogos na última Copa América, e admito que não fiquei deslumbrado. Isso não quer dizer que em Portugal, bem enquadrado, não possa render:
Lutador, rápido, possante, bom jogo aéreo. Jogou como 2.º avançado, móvel, atrás de um avançado mais fixo. Parece-me limitado tecnicamente, mas tem capacidade física para compensar...
Numa época longa, com muitos jogos, em várias competições, com o Jonas um ano mais velho (e a levar muita porrada!!!), é avisado ter alternativas de qualidade...
Prevejo que vai dar muito trabalho aos Centrais adversários, e assim abrir espaços para os colegas...
O Benfica tinha uma tradição de pontas-de-lança cabeceadores (Águas, Torres, Artur Jorge, Filipovic, Maniche, Magnusson, Rui Águas), mas nas últimas épocas nem por isso, depois do Rui Águas, talvez o Brian Deane, e mesmo esse, era alto tal como o Cardozo e o Van Hooijdonk, mas nem por isso marcaram muitos golos de cabeça... O Raúl tem claramente esse potencial...

Neste momento, em comparação com as últimas épocas, temos provavelmente, o melhor grupo de avançados. Falta fazer o mesmo no Meio-campo... e na defesa!!! As decisões tardaram, mas parece que a Administração percebeu o contexto... espero que tenha sido ainda a tempo!!!

Só o Benfica. Claro!!!

"Maior que Portugal, muito devido aos seus adeptos, que enchem qualquer estádio. Atravessem Portugal, a Europa, o Mundo.

EM cada jogo, em cada incentivo, em cada grito, ouve-se, muitas vezes, «o maior de Portugal». Mas ouve-se, escreve-se e lê-se que o Benfica é «maior que Portugal». Porque - queiram ou não - maior que o Benfica... «nem a vossa inveja»!
Ou quase tão grande como o Benfica, só o Anti-Benfica!
Um clube de vitória, de paixão e de adeptos, que tem, desde a sua fundação (como o conta a sua História), um adicional de alma e de mística.
A grandiosidade do Benfica não lhe advém, apenas, das vitórias no futebol, nem da capacidade de ser um clube ecléctico, único e com capacidade de ser... grande! A dimensão única do Benfica está gravada nos princípios da sua existência, porque quem o imaginou, quem o criou, quem lhe deu vida e lhe deu a força para resistir a todos os ataques, o desejou enorme. Um clube com a capacidade de ter uma equipa sua, em qualquer modalidade, a competir em qualquer zona do país!
Maior que Portugal, muito devido aos seus adeptos, que enchem qualquer estádio. Aqueles que atravessam Portugal, a Europa, o Mundo, em cada jogo, e que sofrem por paixão a um colectivo. Uma paixão que é muito mais que um festejo de um golo... é o querer deixar a vida em campo.
Maior que Portugal.
Esta é a força do Benfica... 'milhões numa só alma'!

COSME DAMIÃO
Fundador, Capitão, Atleta, Treinador, Dirigente, entre tantas outras funções, foi 'o Homem que sonhou o Sport Lisboa e Benfica'. Um vencedor sem igual, que nos deu esta chama imensa e dimensão, mística e alma. Um Homem que nos ensinou a ser grandes, humildes e desportistas - valores que muitos desvalorizam hoje no futebol como na vida.
Deixou-nos um dos maiores ensinamentos: que, acima de tudo, haja ambição e... dedicação!
À Benfica!
E resumindo essa lição, numa célebre frase, dita por ele mesmo, na primeira crise do clube - rapidamente superada - a propósito de um clube rival:
«O... tem dinheiro. Nós temos dedicação. No imediato o dinheiro vence a dedicação. No futuro, a dedicação goleia o dinheiro».
Foi sempre assim.
Como hoje continua a ser.
Como não deixará de ser amanhã e sempre.
Por ele - que, à semelhança de Eusébio, Coluna e de tantos outros, está sempre presente no Inferno da Luz - por Eles e por Nós.
Porque... o nosso destino é Vencer!

BELLA GÚTMANN
Marcou indiscutivelmente a História do Sport Lisboa e Benfica. Com orgulho muito seu - como canta fervorosamente Luís Piçarra - e com uma ambição desmesurada, deixou a Europa aos nossos pés.
Deixou-nos de herança as suas conquistas e a indiscutível preferência pelo jogo ofensivo, de ataque, e... a suposta maldição (que só os que julgam não merecer ganhar na Europa entendem como susceptível de ser verdadeira).
Ensinou-nos, a par de Cosme Damião, o que é a Mística, que resumiu de forma brilhante quando elogiou os admiráveis adeptos do Benfica. «Chove? Faz Frio? Faz Calor? Que Importa, nem que o jogo seja no fim do mundo, entre as neves das serras ou no meio das chamas do inferno... Por terra... Por mar... Ou pelo ar, eles aí vão, os adeptos do Benfica atrás da equipa... Grande Incomparável... Extraordinária massa associativa!».
Cedo percebeu o que é ser do Benfica: a presença e o apoio constantes, ainda que isso significasse muitos quilómetros percorridos.
Não importava onde - norte, sul, ilhas ou além fronteiras - porque ele sabia que eles iam lá estar - como, cada vez mais, estão - com a paixão de sempre, a vibrar com cada jogada, em cada golo.
Como ainda hoje e, estou certo, cada vez mais acontecerá: apoiarmos nas vitórias e ajudarmos nos (poucos, muito poucos) momentos mais difíceis.
À Benfica.
Bella Gúttman cedo também percebeu que isso não acontecia em mais nenhum clube e que, também por isso, teríamos de venerar as pessoas que sofrem pelo Benfica. Eles, sim, são os verdadeiros ídolos, os que merecem ficar para sempre na nossa memória.
Convencendo-nos a todos, adeptos, que os que apenas jogam só poderão passar à nossa História quando viverem o Benfica como cada um de nós.

EUSÉBIO
Muita da grandeza do Benfica - passe a paixão, o esforço, a classe, o profissionalismo e a dedicação de muitos, tantos outros - deve-se a Eusébio!
Tive a sorte de o ver jogar muitas vezes. Mas mesmo para quem nunca teve essa sorte, ele é, foi e será o melhor jogador português de sempre!
Um dos melhores... do Mundo, com improviso e técnica únicos, com dribles e fintas sucessivas inesquecíveis, com remates indefensáveis, com golos de levantar estádios.
Um dos nossos, que viveu o Benfica com uma paixão imensa!
Aquele que também contribuiu para que o Benfica fosse ainda... Maior!
Um exemplo para quem está no Benfica e para todos os que hão-de fazer com que o Benfica volte a tornar realidade os sonhos que sabíamos que Eusébio tinha.
Um dos exemplos de que a paixão por um clube pode ser eterna.
Um jogador que sempre entrou em campo com a mesma humildade, alegria e respeito pela História e por todos os que tiveram a honra de representar o Benfica.
No fundo, o Homem que sempre quis ganhar à Benfica.
Hoje está presente no quarto anel - onde só alguns têm o privilégio de estar -, a vibrar com cada golo, com cada vitória, com cada título... com a certeza de que olhará pelos jogadores, para que todos possamos festejar todas e cada uma das vitórias e conquistas... iguais às que ele conseguiu!
Também por ele, temos a obrigação de voltar a ganhar tudo o que ele... ajudou a ganhar!

SE EU FOSSE...
...TREINADOR DO BENFICA
Começaria por dizer, neste (re)início de época, que temos a obrigação de relembrar quem sonhou o Benfica à dimensão que hoje o Benfica tem. Recordando a todos - velhos e novos - a responsabilidade para com milhões de adeptos.
Responsabilidade que vai para além do profissionalismo, do querer ganhar enquanto eu, de desejar ter mais títulos pessoais.
Recordaria que, no Benfica, cada título pessoal é o resultado de uma vitória colectiva, muito especialmente de quem, não jogando, os ajuda a jogar e a ganhar. Em cada jogo entrará, sim, um símbolo maior do que cada jogador, do que cada treinador, do que cada dirigente. Em cada jogo, jogarão, por cada um deles, dos que entram em campo, milhares nas bancadas, milhões espalhados por cada canto do Mundo. No fim, ao ganharem, só eles aparecerão nas fotografias, mas terão tido muitos a gritar, a apoiar e a aplaudir, de forma a todos ganharmos. Eles serão a representação da mística do clube, eles serão a continuação da História que Eusébio e Coluna fizeram! E se houver jogadores que - na sua língua - não percebam o que lhes diria e o que isso significa, então perceberia que não mereceriam ser... jogadores do Benfica! Mas saberia que eles merecem e vão fazer por o merecer, cada vez mais!

... JOGADOR DO BENFICA
Depois de saber o que é ser do Benfica e de sentir a Mística, percebia que é mais que um clube de futebol, que existe o Benfica e contra o Benfica e que este é um ano, mais um ano, em que ninguém pode falhar. Sentiria o peso do Manto Sagrado a cada entrada em campo, pelo que tudo faria para honrar o passado de 111 anos de Glória e para que o futuro fosse de Vitória. Os 111 anos de História que me acompanhariam, no número romano (CXI) que está gravado na gola de cada uma das camisolas que, com um orgulho imenso, mas com uma responsabilidade infinita, teria a honra de envergar. Sabendo das dificuldades que cada um dos adeptos fez para me apoiar, porque, se para mim, poderia ser apenas um jogo, para eles é uma questão de felicidade,... de vida! E se houvesse algum dos novos jogadores que não percebesse o que isso poderia significar, então perceberia que não mereceriam ser... jogadores do Benfica! Mas todos - no balneário - percebem isso e vão fazer por o merecer, cada vez mais! A Benfica!!!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Os trabalhos de Rui Vitória

"Rui Vitória tem um mês para afinar o Benfica. Precisa de proceder aos acertos devidos já com a competição em andamento - Estoril, Moreirense e Belenenses em casa e Arouca, fora, em Aveiro - e sem perder pontos, de forma a chegar ao primeiro duelo da Champions e à visita ao Dragão com todas as hipóteses intactas. A primeira fase do novo treinador do Benfica não correu bem: a equipa mostrou-se retraída na digressão pela América do Norte e deu uma pálida imagem do que pode valer na final da Supertaça. Demasiadas dúvidas e hesitações, a que se juntaram algumas lacunas no plantel, não deixaram que a nova identidade dos encarnados se mostrasse ao mundo. Fica-se, pois, à espera que, a começar já no domingo, na Luz, o Benfica diga ao que vem, como vem e com quem vem.
Sejamos absolutamente francos: Rui Vitória é um bom treinador do futebol com provas dadas por onde passou, fiável, competente e sério. E não é por ter tido uma falsa partida no Benfica que deixa de ser o que é. Precisa de tempo, por duas razões distintas: a equipa, formatada de maneira diferente, precisa de assimilar as novas ideias e isso não se faz de um dia para o outro; e acertar o melhor discurso para liderar o Benfica também carece de assimilação e aprendizagem.
Mas, a verdade é que o Benfica não dá tempo. A exigência na casa encarnada é sempre muito alta e para ontem, o que obriga Rui Vitória a trabalhos forçados. Não só tem de apostar num sistema próprio de uma equipa que joga 90 por cento do tempo ao ataque, como necessita falar a um só tempo, para dentro e para fora, de forma galvanizadora.
Luís Filipe Vieira está a dar sinais de ter percebido que sem ovos não se fazem omeletas (uma máxima de Otto Glória, com mais de meio século mas de uma actualidade flagrante) e que não pode fugir, por excesso, ao que estabeleceu como razoável para esta temporada, a integração de quatro ou cinco jovens da formação no plantel principal.
Vai ser contra um Sporting mais forte (um novo treinador, uma nova filosofia para o futebol do clube e duas mãos cheias de aquisições) que o Benfica vai bater-se; e contra um FC Porto com bolsos fundos, que possui o melhor plantel da Liga portuguesa. É a esta parada alta que Rui Vitória tem de dar resposta, devendo alinhar como prioridade número um o ataque vencedor aos quatro primeiros jogos do campeonato, ao mesmo tempo que transforma os jogadores de que dispõe numa equipa. Fácil? Nem por sombras. Mas quem é que disse que é fácil ser treinador do Benfica?"

José Manuel Delgado, in A Bola

O campeonato regressa

"O campeonato vai começar! Tudo a postos! Esta época, ainda e exageradamente, com 18 clubes. Provindos de sete distritos do Continente e com o pleno da Madeira. Distritos há que nunca tiveram um representante na 1.ª Divisão: Bragança, Viana do Castelo, Guarda e Beja, que, aliás, nem no 2.° escalão estão. O Algarve ausente, ainda que Olhanense, Portimonense e Farense, espreitem a possibilidade de lá regressar. Portalegre há muito fora, depois de 'O Elvas' (1988) e do Campomaiorense (2001). Vila Real, por um minuto, não tem como primodivisionário o D. Chaves. Castelo Branco (através do Sp. Covilhã) também não, por um dedo. Évora já por lá não passa desde o seu Lusitano, em 1966. Bem como Santarém, a derradeira vez, em 1976, através do União de Tomar. Leiria com o seu União, e até como Caldas e Ginásio de Alcobaça, já lá não mora. Açores e o Santa Clara estão ausentes desde 2003. Setúbal resiste com o Vitória. Aveiro, sem o histórico Beira-Mar e um estádio às moscas, fixa-se no Arouca. Em suma, tudo reduzido à faixa oceânica, não fora o saudado regresso de Viseu através do Tondela, depois de 26 anos de ausência por via do Académico.
Disparidades muitas, ilusões bastantes. Os de sempre na esperança do título, uns poucos medianos na luta por um honroso lugar europeu, ainda que não perceba, por vezes, qual o interesse de uma breve passagem pela UEFA, sem vitórias e com encargos.
Os restantes terão como meta aguentarem-se na principal divisão e tirar pontos no mais desejado jogo que é contra o Benfica. Arrisco a minha previsão: Benfica e Porto, um dos dois será campeão, apesar das legítimas ambições leoninas."

Bagão Félix, in A Bola