Últimas indefectivações

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Nação encarnada deve acreditar

"O regresso dos treinos abertos ao público ao Seixal marcou o dia do Benfica. Mais de 3 mil pessoas rumaram à margem sul para ver os craques encarnados em acção, num dia que tinha tudo para ser de depressão por ver Maxi chegar à Invicta. Um bom spin da inteligência do clube acabou assim por marcar a agenda, transmitindo vivacidade em vez de acrescentar a transferência do subcapitão ao lote de perdas iniciado com a saída de Jorge Jesus para o rival de Alvalade.
Mas o estado depressivo em que se encontram alguns adeptos tem razão de ser?
Não. Entende-se, claro. Ver sair um treinador icónico como JJ para o Sporting e perder Maxi para o FC Porto só pode deixar marcas. Mas para isso serve a razão.
O Benfica poupa mais de 2 milhões de euros/época com a troca Jesus-Vitória. E o salário oferecido pelo FC Porto ao uruguaio é obsceno. Ficam leões e dragões mais próximos da vitória? Talvez. Mas está condenado o Benfica? Outra vez não.
O único jogador importante que saiu da Luz foi Maxi. Artur, Sulejmani e Benito não deixam saudades e a relação entre JJ e a estrutura do clube já não era a mesma. Não é à toa que o técnico não se sentia desejado. Melhor assim para todos.
Cabe agora a Rui Vitória provar ter mão para um clube grande. E a Vieira poupar, sim, mas sem comprometer os desafios desportivos do Benfica. Até agora apenas 8 milhões foram investidos. Mais do que o Sporting, mas pouco para quem gastava mais de 40 milhões por temporada. Encontrar o equilíbrio entre a poupança e a competitividade é o mais difícil ao bicampeão. Chegar ao 35.º título só será possível batendo um FC Porto fortíssimo e um novo leão. Mas não é impossível."


PS: Aqui está como os Lagartos vivem a pré-época!!! Para eles os Benfiquistas estão em depressão!!! É um facto, que nem merece discussão..!!!
Obrigado pela preocupação Bernardo, mas nós estamos a precisar de alento... Nós somos Bicampeões, vocês por outro lado...

Artur Moraes

"Há tempos, falei aqui da gratidão. Ou melhor, da ingratidão. Volto ao tema, mas agora pela positiva. Falando de Artur Moraes que terminou o seu contrato de 4 anos com o Benfica e vai para um modesto clube turco. Na Luz, passou por momentos empolgantes, sobretudo na 1.ª época (2011/12), com portentosas exibições, como a do play-off da Champions contra o Twente. Na 2.ª época, ficou marcado por um título perdido no fim dos fins, em que muitos tiveram responsabilidade, mas em que os olhares fulminantes de culpa se voltaram apenas para ele. Aliás, naquela altura, não se cuidou suficientemente de acompanhar o drama pessoal do homem que está sempre antes do futebolista.
Na 3.ª época, é substituído, a partir de uma lesão em Olhão, por um novato tão competente, quanto ultra ambicioso: Oblak. Sem um murmúrio de Artur. Vem a sua última época e volta a ser suplente do consagrado Júlio César, depois do golo consentido contra o Sporting, na Luz. Quase humilhante foi a correnteza de opiniões quando ele voltou à baliza por lesão de Júlio César. Na véspera do jogo de Alvalade, parecia que o SLB iria jogar apenas com 10. Mas ele soube ultrapassar esse handicap, com carácter, brio e competência.
Partiu para a Turquia. Agradecendo os seus tempos no Benfica. Sem azedume. Com gratidão. Jogar futebol não é só dar chutos ou defendê-los em jeito de contador monetário.
Prefiro um razoável jogador como Artur a um melhor jogador como Maxi Pereira. A este não nego categoria e não me esqueço do que foi no Benfica. Pena é que ele se esqueça de que foi o Benfica que o inventou. Na despedida, Artur foi Maxi e Pereira foi Mini."

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Treino

Após praticamente duas semanas de treinos, sem jogos particulares, tivemos um cheirinho de bola, na nova época, com um treino à porta aberta, antes da partida para a digressão Americana.
Os melhoramentos no relvado principal do Caixa Futebol Campus impediram que este treino, tivesse sido efectuado nos primeiros dias da nova época, tivemos que esperar um pouco mais... mas assim, já apanhámos os jogadores com outro ritmo. Mas ainda longe da melhor forma...
Além da boa disposição e da adesão em massa dos Benfiquistas, a única nota de destaque do treino, foi a vontade do treinador em dar intensidade à peladinha, dando constantes incentivos, para se jogar rápido e pressionar rápido!!!
Não deu para tirar muitas ilações individuais e tácticas, apesar de me parecer ver as equipas dispostas em 442 (com algumas variações...), e com o Carcela a destacar-se entre as novidades... e com os jovens, a mostrar vontade em ganhar o lugar. Com um excelente golo do Guedes a fechar o treino.
A minha inquietação neste momento, é o tamanho do plantel. Já devíamos ter definido algumas situações. Hoje tivemos 3 equipas, e ainda faltaram alguns jogadores, que ficaram no ginásio (Fejsa), além das possíveis contratações...

Gr: Julio Cesar/Elderson/P. Lopes
DD: Almeida/ Semedo/Silvio/Lindelof
DE: Eliseu/Marçal
DC: Luisão/Lisandro/Jardel/César
MC: Fejsa/Samaris/Cristante/Pele/Amorim
8: Pizzi/Teixeira
M10: Muhktar/Talisca/Djuricic/Guzzo/Taarbat
MD: Salvio/Carcela/Ola John /Murillo
ME: Gaitan /Guedes/N. Santos/Bilal
PL: Jonas/Lima/N. Oliveira/ Jonathan/Derley


Umas notas simples: o Sílvio rende muito mais na esquerda; ainda não sabemos a táctica, mas temos 5 jogadores com características de '10', e podemos não ter essa 'posição' no esquema; as ausências do Amorim e do Derley dão a entender que não vão ficar...

Na madrugada de Sábado, em Toronto, contra um PSG mais rodado, já vamos ver mais...



PS1: A equipa B efectuou o primeiro jogo treino no Seixal, antes de viajar para o estágio em Inglaterra. Contra o Estoril (I Liga), acabámos por perder 1-2, com o golo a ser marcado pelo Sarkic.


PS2: O Atlético Madrid confirmou hoje o empréstimo do Sìlvio por uma ano.

PS3: Confirmou-se hoje, a contratação de Mini Pereira pelos Corruptos. Não me quero alargar muito nas palavras, por isso deixo aqui o link para o post do Pedro do Mágico SLB: identifico-me totalmente. Como já escrevi anteriormente, quem paga os ordenados aos jogadores (treinadores, dirigentes, empresários, jornalistas...) são os adeptos. Sem a militância clubística o negócio do Futebol, valia ZERO euros!!! Quando se pede militância, que os adeptos gastem dinheiro em viagens, bilhetes... quando se beija camisolas, quando se 'salta' e grita, não se pode mudar para o outro lado da barricada, alguns dias depois, a desculpa do profissionalismo não cola. Uma coisa são jogadores que são dispensados pelos seus clubes, outra coisa são traições... Neste caso, é claramente uma traição, espero que a família do Mini não morra à fome, se calhar temos que fazer uma colecta...

Mercado da Luz MA15

Limpeza!!! Pedia-se uma limpeza na secção, e a Direcção fez o que lhe competia... o ano passado, já tínhamos mudado alguma coisa, começando pelos dirigentes, este ano fechámos o 'ciclo'. Jogadores com salários altos e sem o rendimento esperado, saíram: Carneiro, Dario, Pedroso, Puyol, Asier, Zé Costa e ainda o Álamo que terminou a carreira devido às lesões.
Além do capitão Álamo, o único que na minha opinião podia ter ficado era o Zé Costa, de resto...
Entraram: Mitrevski (GR), Hugo Lima (C) - regresso -, Dragan Vrgoc (Pivot), Uelington Silva (LE) e Belone Moreira (LD).

Com o investimento enorme dos Corruptos (com o dinheiro da Liga dos Campeões), e com o igualmente alto investimento dos Lagartos, a tarefa do Benfica não será fácil. O ano passado com a entrada do novo treinador notou-se uma melhoria significativa nos processos de jogo, principalmente no ataque... Algo que nos momentos decisivos da época, tanto no Campeonato, como na Taça, não conseguimos materializar, com alguns erros infantis, tanto ao nível da eficácia ofensiva, como com alguns erros primários defensivos...
Nunca é fácil fazer um prognóstico, espero uma equipa com bastante atitude, como tivemos muitas vezes na época anterior, mas o sucesso vai depender muito da qualidade dos reforços estrangeiros, que neste momento são uma incógnita...

Nos últimos dias, tivemos mais um caso na secção!!! Parece que o António Areia quer ir para os Corruptos!!! Tem mais um ano de contrato com o Benfica, mas se não for este ano, deverá ir para o ano!!! A decisão final ainda não é conhecida, mas não será fácil ter um jogador no Benfica, que já manifestou a vontade de se juntar aos Corruptos...
A falta de respeito pelos adeptos, aparentemente está-se a tornar regra, se calhar em vez de dar-mos todas as condições de trabalho aos nossos jogadores, e de lhes pagarmos bons ordenados, a tempo e horas, devíamos fazer exactamente o contrário...

Pelo meio do defeso ainda tivemos um 'caso' com 3 jogadores emprestados ao Belenenses, com uma reacção absolutamente absurda por parte de alguns dirigentes do Belém... Depois de as coisas acalmarem, os jogadores acabaram mesmo por ser emprestados... o Ivo Santos se calhar devia ter ficado (até porque o Belone e o Flávio podem jogar na Ponta)!!! Também vamos ter muitos jogadores no Passos Manuel...

GR: Figueira, Mitrevski
C: Pereira, Lima
Pivot: Moreno, Vrgoc
LE: Semedo, Uelington, Cavalcanti
LD: Borragan, Belone, Fortes
PE: Pais, Ferro
PD: Areia, Carvalho

Uma questão de identidade

"Foi sem dúvida um dos argumentos mais importantes do Benfica campeão da época passada e, esta temporada, existe um esforço claro dos três grandes portugueses para conseguirem contratar jogadores que permitam não só formar uma equipa de qualidade mas também, e se calhar sobretudo, forte do ponto de vista emocional. Neste domínio, o Benfica leva um soco forte com a iminente troca de Maxi Pereira da Luz pelo Dragão, mas é preciso não esquecer que por lá ficam Luisão, Lima, Gaitán, Salvio, ou mesmo Júlio César e Jonas, todos importantes para ajudar a casar as ideias que existiam com outras novas que terá Rui Vitória. E é preciso não perder de vista que a janela de mercado fecha apenas no final de Agosto e não é difícil adivinhar que muita coisa vai ainda mudar no reino da águia...
No Porto já havia muito talento, mas ficou claro que faltava personalidade. Quaresma está de saída e por mais que seja um jogador à Porto confirmou que não tem estabilidade para se confirmar como referência e liderar um balneário. Helton renovou, Maicon tem anos de casa e a chegada de Casillas pode representar a chegada também de um verdadeiro patrão, além do enorme potencial que passará a encher a baliza. 
Finalmente, o Sporting de Jesus tem muitos jovens, uns que prometem, outros já certezas, mas o treinador deve desesperar por experiência e personalidade num grupo ainda sem peso. A contratação de João Pereira corresponde a esta necessidade, mas Jesus continua a tentar garantir centrais e avançados uns degraus acima dos que já tem.
Ou seja, se em matéria de transferências este defeso tem sido estranhamente sossegado na Luz, o Benfica continua a parecer aquele que está mais preparado para a época, acreditando que os que lá estão vão render o mesmo que rendiam com Jesus"

Nelson Feiteirona, in A Bola

Hasta siempre Pablito...

Classe pura, dentro e fora do relvado... Foi um enorme privilégio ter visto, sentido, saboreado o génio de Pablo Aimar com o Manto Sagrado vestido... Uma carreira que ficou marcada pelas lesões, mas mesmo assim, será sempre um Imortal para mim... Numa era onde o futebol tem cada vez menos arte, e cada vez mais 'mecanizações' aborrecidas, a reforma deste Mago tem que ser um dia triste para quem gosta de futebol...

Manual de trato

"Cada vez mais, vamos ouvindo entrevistas de treinadores e jogadores a responder por tu aos que os questionam. Uma espécie de espanholização do trato, a que não será alheia a quantidade de jogadores que falam castelhano e derivados sul-americanos.
«Vai usar a mesma táctica no jogo de domingo?», pergunta o jornalista. Responde o treinador, mesmo que perante um profissional jamais visto por ele: «Se tu pensares no adversário, dirás que não».
Por culpa de um língua que - ao contrário do democrático inglês you - teima em separar as águas no tratamento de outrem, entre o tu familiar, o você como genérico e o senhor ou senhora como distinção, esta prática linguística do futebol doméstico está a alastrar no meio. Confesso que me divirto, eu que até sou incapaz de tratar logo pela segunda pessoa do singular alguém que não conheça antes, seja graúdo ou miúdo.
Ao invés, não acho piada nenhuma à hoje comum expressão com vocês em vez de convosco. Não que esteja gramaticalmente errada, mas é esteticamente feia. Pergunto-me, também, se, um dia, não se passará a generalizar o com nós (até já ouvi com nóis...) em vez de connosco (que, no Brasil, se escreve conosco antes e depois do Acordo Ortográfico supostamente homogeneizador)?
Bem, entre nós e nozes, entre vós e vozes, por aqui me fico. Em futebolês: «o Bagão gostou de estar com vocês. Ou contigo. Ou convosco»."

Bagão Félix, in A Bola

terça-feira, 14 de julho de 2015

Taça Latina, o último torneio oficial pré-UEFA

"A Taça Latina é um dos torneios mais polémicos do palmarés português. Um contraste com a percepção da competição mediterrânica no resto do mundo. Prelúdio fundamental para a Taça dos Campeões Europeus, foi um dos dois torneios oficiais mais importantes do futebol no Velho Continente antes da Europa se unir à volta de uma bola.

Um torneio oficial num mundo sem UEFA
O triunfo, em 1950, do SL Benfica na segunda edição da Taça Latina condenou para sempre o torneio aos olhos dos portugueses. No caso dos adeptos encarnados, a competição foi exaltada como aquilo que, no fundo, era, o primeiro titulo continental do futebol luso, mais de uma década antes da vitória em Berna na final da Taça dos Campeões Europeus. Aos seus rivais, o triunfo encarnado naquela segunda final no Jamor foi recebido á época com desinteresse e no presente com desprezo. A crítica habitual é recorrente. A Taça Latina não era um torneio oficial. E no entanto, uma mentira dita mil vezes raramente se converte em verdade. A verdade que diz que a UEFA não deu o seu selo à competição, homologando-a aos seus títulos reconhecidos, não significa que o mesmo careça de oficialidade.
A confusão de termos – que só existe em Portugal, ironicamente – tem servido para ocultar a herança de uma competição fascinante na sua época de concepção e que marcou profundamente a evolução do futebol europeu. Em 1955, quando arrancou o torneio que ia mudar para sempre a história do jogo, poucos podiam antecipar esse impacto que se fez sentir meses depois. A final da primeira edição foi também a final entre dois campeões da Taça Latina. Nos sete anos seguintes, todos os campeões da Europa do torneio organizado pela UEFA tinham sido, também, vencedores da Taça Latina. Finalistas vencidos como o Barcelona ou o Stade Reims também pertenciam a esse grupo. Aliás, até 1964 só houve dois finalistas – em dezoito equipas possíveis – que não participaram no torneio. Um reflexo perfeito da sua relevância desportiva e social. Na Europa destroçada do pós-guerra não havia um espelho a que olhar. O nascimento desta competição despertou um sonho antigo. Talvez sem ela a ideia de um torneio continental tivesse demorado mais anos a concretizar-se.

A última grande competição regional
A Taça Latina foi fundada em 1949. Foi, desde o primeiro dia, um torneio oficial. Oficialidade garantida pelas quatro federações que lhe deram vida, a italiana e a espanhola, grandes protagonistas da sua concepção, e a francesa e portuguesa. Todos os jogos, regulamentos e participantes partiram de convites e gestões das respectivas federações. Em 1949, quando tudo começou, a UEFA era uma miragem e não havia uma autoridade superior ao das federações nacionais, salvo a FIFA. Mas esta, como era habitual com Jules Rimet, não se imiscuía em organizações salvo o seu Campeonato do Mundo, dando poder ás federações nacionais de oficializar ou não torneios. A Taça Latina – como a Mitropa ou a Home Nations – era portanto uma competição oficial desde o primeiro dia, altura em que dirigentes das respectivas federações – alentados por alguns influentes periodistas onde se encontrava o português Ribeiro dos Reis – colocaram mãos á obra. A ideia era, precisamente, a de emular a Mitropa, um torneio fundado em 1927 e que se prolongou até ao inicio da II Guerra Mundial. A Taça Mitropa – com a Taça Dr. Gero – deu profissionalismo e consistência a uma ideia de um torneio continental ainda que tenha sido iminentemente uma competição regional. O mesmo passaria com a Taça Latina com a diferença de que se uma tinha potenciado a grande linha desportiva que se desenvolvia á volta da bacia do Danúbio, a segunda fazia-o com a emergência do poder do futebol mediterrânico. As semelhanças acabavam aí. A Taça Latina seria disputada com os Mundiais, com sede fixa, durante uma semana, e com quatro participantes que deveriam ser os campeões nacionais. No caso destes recusarem as federações deveriam convidar os segundos classificados e assim sucessivamente. Nem sempre participaram os campeões mas estes receberam sempre o convite oficial em primeiro lugar. Os jogos seriam disputados num pais sede que se alternaria anualmente e a organização ficaria á cabo da federação anfitriã. As regras foram redigidas pela federação espanhola, a responsável por receber a primeira edição, depois de um sorteio com a congénere italiana. Foi criado um troféu próprio e anunciou-se a competição como um duelo entre a nata do futebol europeu. Á época, salvo pelo futebol inglês, essa era efectivamente a realidade. A Taça Mitropa seria recuperada mas longe do seu historial inicial, por culpa da Guerra-fria. Nenhum outro torneio regional teve eco e foi a Taça Latina que devolveu aos europeus, uma década depois, o desejo de ver as grandes equipas do continente a medirem-se umas contras as outras.

Os reis da Taça Latina
A primeira edição da competição iria colocar frente a frente o grande Barcelona de finais dos anos quarenta, o Sporting dos “Cinco Violinos”, os franceses do Stade Reims e o Torino de Mazzola e companhia. Lamentavelmente, semanas antes do arranque da competição – agendada para Madrid – a equipa italiana pereceu ao completo no acidente de Superga. O campeão português eliminou as reservas italianas e deu luta ao Barcelona até ao fim. Os catalães foram o primeiro vencedor do torneio. Ainda hoje o incluem no seu currículo de títulos oficiais, ao contrário das competições amigáveis e torneios de verão em que participam. Uma tendência transversal que nenhum outro país, salvo Portugal, questiona. Tudo, talvez, porque no ano seguinte, na edição organizada em Lisboa, o Benfica saiu vencedor.
Foi um triunfo polémico. Nas meias-finais a Lazio italiano utilizou uma equipa repleta de baixas por culpa de uma intoxicação alimentar. O Benfica apurou-se sem apuros mas precisou de duas finais – e três prolongamentos, um recorde histórico – para vencer com um tento polémico, aparentemente da autoria de Julinho, ainda que ninguém o possa confirmar. Essa vitória, a primeira de uma equipa portuguesa a nível internacional, foi exaltada pelo regime politica e ninguém a questionou á época. Foi também a única das equipas lusas que acabariam por ocupar o ultima lugar no ranking final do torneio. Seguiram-se triunfos italianos (AC Milan, em 1951), espanhóis (Barcelona, 1952) e franceses (Reims, 1953, na segunda edição disputada em Portugal com uma meia-final no Jamor e outra nas Antas) antes da interrupção por culpa do Mundial de 1954. Á época o torneio já era o mais popular a nível mundial, de clubes, que a própria FIFA solicitou ás federações que o cancelassem para evitar que os melhores jogadores das respectivas selecções estivessem indisponíveis para o Campeonato do Mundo. Quando foi reatado, em 1955, o Real Madrid, já com Di Stefano, saiu vencedor. Os merengues venceriam a última edição, em 1957, depois de um interregno em que o AC Milan saiu triunfante, somando o segundo titulo – os mesmos que Barcelona e Real – mas nessa altura a importância do troféu tinha sido relegada para um inevitável segundo plano. A UEFA tinha nascido – em Março de 1955 – e com ela uma nova competição que, a principio, a confederações europeia não queria organizar: a Taça dos Campeões Europeus.

A polémica decisão da UEFA
A principio as federações organizadoras da Taça Latina pensaram em manter o troféu. A Mitropa estaria vigente até aos anos noventa, por exemplo. Mas foi a própria UEFA quem colocou o prego no caixão da Taça Latina. Em 1955 o arranque da Taça dos Campeões Europeus foi visto por alguns com suspeita, a começar pelo Barcelona que não quis sequer candidatar-se á vaga espanhola que era, como todas, por convite. Mas o êxito das duas primeiras edições convenceu o mundo do futebol de que a nova competição era, realmente, o futuro. E que qualquer torneio regional perdia relevância. A UEFA, que a principio desdenhara a ideia de Hanot, abraçou o novo torneio e preparou o seu próprio de selecções. Anunciou igualmente a todas as federações que qualquer competição regional não seria oficialmente homologada por eles. Sabedores da situação – e também porque eram os dominadores do novo torneio – espanhóis, franceses e italianos decidiram abortar a Taça Latina quando esta se preparava para a sua nona edição. Os portugueses pouco tiveram a dizer sobre o assunto. A UEFA negou-se a dar oficialidade ao torneio dentro dos seus quadros, reclamando que a mesma tinha sido criada fora do seu âmbito, algo inevitável, tendo em conta que nascera seis anos antes que a própria UEFA. A confederação faria o mesmo com a Taça das Cidades com Feiras – quando a adquiriu em 1971 e transformou em UEFA – e esteve a ponto de o fazer com a Taça das Taças, outro torneio que não inventou, sendo que os dois primeiros vencedores foram apenas oficializados á posteriori por intermediação de Otorino Barassi, federativo italiano.
A Taça Latina ficou, portanto, fora do livro de honra da UEFA mas não perdeu a oficialidade para as quatro federações e todos os clubes que a ganharam continuam a reivindicar a mesma no seu currículo. Em Espanha, França ou Itália essa realidade não gera qualquer tipo de debate. Em Portugal a situação é radicalmente diferente. Se por um lado é certo que a dificuldade e valia da Taça Latina é incomparável com qualquer torneio da UEFA posterior não menos verdadeiro é que este foi o torneio que despoletou a revolução das competições continentais sendo, á época da sua fundação, a mais importante competição continental de clubes. A sua oficialidade é inquestionável bem como a sua relevância a todos os sentidos. Sem a Taça Latina o futebol mundial teria sido, seguramente, mais pobre e talvez o sonho de conquistar a Taça dos Campeões Europeus tivesse tido que esperar uns bons anos."

O ano em que Eusébio esteve em parte nenhuma

"Entre o Benfica e o Monterrey há muito em comum - Fernando Riera, Otto Glória, um grupo famoso de arquitectos. E claro, a Pantera Negra que foi em busca do tesouro da Sierra Madre e acabou numa profunda tristeza. Tempo, portanto, para um reencontro definitivo.

«O Ano em que Estivemos em Parte Nenhuma» é um livro extraordinário. Conta o tempo em que Ernesto Cuevara de La Serna, o Che, esteve em África, no Congo na altura dito belga, liderando um grupo revolucionário de mais de mil homens.
Esse ano de estar em parte nenhuma foi 1965.
Em 1965, ainda Eusébio não era o Eusébio-EUSÉBIO, o Eusébio-completo. Porque para que Eusébio seja inteiro como só ele, é preciso que exista o ano de 1966 e o Campeonato do Mundo de Inglaterra mais os quatro golos à Coreia do Norte.
Em 1967, Che Guevara deixou de ser Che Guevera homem e passou a ser o Che Guevera mito. Fuzilado em La Higuera, na Bolívia, pelo temente Mário Terán, deceparam-lhe as mãos e fizeram com que o mundo ecoasse o seu nome desde as montanhas por onde o condor passa.
Em 1975, Eusébio também estava, por assim dizer, em parte nenhuma.
Ou seja, estava em Monterrey, no México. Muito longe das revoluções. Até longe das revoluções. Até longe da revolução que, em Abril de 1974, em Portugal, lhe abrira finalmente a porta de saída do Benfica e do país.
Monterrey é uma cidade árida, não longe da fronteira com os Estados Unidos, ali porta a porta com Saltillo (outras histórias para outras crónicas), dinâmicas e capital do empreendimento privado, industrial e dada ao progresso. Não de agora, mas de há muito. Como os próprios mexicanos dizem: «Longe de Deus, mas tão perto dos Estados Unidos!».
Eusébio já tinha estado em Monterrey em Julho de 1974. No Estádio Universitário, o Benfica de Milorad Pavic venceu por 4-2 o Club de Fútbol Monterrey perante 25 mil espectadores. «El Volcán», como os mexicanos apelidavam o Universitário, extinguiu-se perante o futebol encarnado.
Pouco mais de um depois, Eusébio vestiria a camisola azul e branca às riscas de «Los Rayados» de Cerro de La Silla.
Parece que lhe ficava mal. Ou, pelo menos, estranha...
Tanta gente em comum!
O Club de Fútbol de Monterrey foi fundado no dia 27 de Junho de 1945 - acabou de cumprir mais um redondo aniversário.
Hoje em dia é propriedade da FMSA (Fomento Económico Mexicano S.A.) maior empresa mexicana de bebidas.
Em 1945, no dia 19 de Agosto, também foi um Che que marcou o primeiro golo do novo clube contra o San Sebastián de León: José «Che» Gomez.
O clube não tem o peso do Chivas de Guadalajara ou do América do México, por exemplo, mas já venceu por três vezes a Liga dos Campeões da CONCACAF e agora prepara-se para deixar de vez o velhinho Estádio Tecnológico, o segundo mais antigo em actividade no país, com capacidade para cerca de 38 mil espectadores, transferindo-se para os arredores da cidade, para Guadaloupe, e para o Estádio BBVA Bancomer.
É sair de casa alugada para casa própria. Durante 63 anos a fio, o CF Monterrey foi fiel inquilino do Instituto Tecnológico y de Estudios Superiores de Monterrey, uma das maiores universidades privadas da América Latina, dona do Tecnológico - no qual Portugal venceu a Inglaterra (1-0) no Mundial de 1986. Agora inaugura com pompa e circunstância uma nova arena, moderníssima, desenhada pela Popolous, a mesma agência de arquitectos que planeou o Estádio da Luz, o novo Emirates de Londres, o Novo Wembley, o Millenium de Cardiff ou o Estádio Olímpico de Londres, entre outros.
Convide-se, portanto, o Benfica porque faz todo o sentido.
Como se vê, as ligações existem entre ambos os clubes e são variadas. Metem inclusive Fernando Riera que esteve por duas vezes no Benfica (1962/63 e 1966/67) e três vezes no Monterrey (1975/76, com Eusébio, que impôs como «capitão» de Equipa, 1977/79 e 1989), e Otto Glória que passou pelo Benfica duas vezes (1954/59 e 1967/70) treinando o Monterrey em 1978/79.
A Sierra Madre abraça Monterrey.
Lembram-se do filme de John Huston? Humphrey Bogart a fazer de Fred Dobbs, mendigando em redor até que o sonho amarelo do ouro o leva à Sierra Madre.
Eusébio no sopé da Sierra Madre estreando-se frente ao Laguna: 2-2.
Estádio repleto. Um dos golos é de Eusébio.
Eusébio e o Monterrey são campeões estaduais. Mas, de repente, bate uma tristeza.
Fernando Riera sai. A Pantera Negra lamenta-se à sombra da igreja da La Puríssima Concepción: «Talvez tenha sido o pior bocado que passei em toda a minha vida: quando entrei no estádio deserto, sem ninguém, sem amigos, sem companheiros de trabalho. Eu e a minha solidão. Ia ali, àquele campo modesto, perto da minha casa, só para me treinar, pois as minhas relações com o clube estavam más. Queriam pagar-me menos do que estava no contrato e eu não estava disposto a aceitar. Para não perder a forma, saía de casa, metia à montanha e corria, corria, sozinho com os meus pensamentos. E quando corria. pensava: 'Sou um tipo chamado Eusébio, andei no futebol maior, fui aplaudido por multidões, e estou agora no México, abandonado, incompreendido, longe dos meus, com a minha família desambientada. Isso merecerá a pena? Em que me vim eu meter?'».
Passaram-se, entretanto, quarenta anos.
O Benfica regressa a Monterrey e Eusébio também.
A disputa da taça que leva o seu nome é uma forma de fazer a pazes definitivas com esse ano em que, também ele, esteve em parte nenhuma."

Afonso de Melo, in O Benfica

Uma viagem à Jugoslávia bastante musical

"Benfica faz furor na Jugoslávia e Eusébio mostra os seus dotes musicais no intervalo do jogo frente ao Hajduk Split
Foi em Abril de 1970 que, a convite de clubes locais, o Benfica visitou pela primeira vez a Jugoslávia. Depois de defrontar num primeiro jogo o Dínamo de Zagreb, a equipa benfiquista deslocou-se até à cidade costeira de Splot para um encontro com o Hajduk, então o clube mais antigo no território jugoslavo.
A fama do Benfica europeu despertou imensa curiosidade nos populares em Split, que se juntarem nas ruas e praças só para verem passar os jogadores, recebendo-os calorosamente com acenos, aplausos, pedidos de autógrafos, fotografias e entoando o nome de Eusébio.
O desafio serviu para inaugurar a iluminação eléctrica do estádio, tendo sido batidos todos os recordes de lotação e bilheteira. Estavam cerca de 28 mil pessoas na assistência e mais algumas do lado de fora, que treparam telhados, árvores, candeeiros e muros protegidos com pedaços de vidro, enchendo as mãos de sangue, tal não era o entusiasmo em ver o jogo.
A entrada das duas equipas no relvado e a abertura das luzes fizeram-se acompanhar por morteiros e fogo-de-artifício. Entrou também em campo o grande actor jugoslavo Boris Dvornik, que daria o pontapé de saída, acompanhado pelos Trovadores de Dubrovnic, uma banda pop folk jugoslava que tinha feito grande sucesso no Festival Eurovisão da Canção de 1968. O conjunto composto por seis jovens jugoslavos, que já havia sido bastante atencioso para a equipa do Benfica ao dar um concerto para os jogadores no hotel, ofereceu ainda, no relvado, um disco a cada um.
No intervalo do desafio, os Trovadores de Drubrovnic regressaram ao relvado para uma magnífica actuação e até convidaram Eusébio para dar uma 'ajudinha' na bateria.
Como recordação e agradecimento da sua presença, o Hajduk ofereceu ao Benfica um gusle, instrumento musical tradicionalmente utilizado nos países dos Balcãs como acompanhamento de canções épicas. Este objecto de características únicas pode ser encontrado na área 26. Benfica universal do Museu Benfica - Cosme Damião."

Ana Filipa Simões, in O Benfica

Vencer duas vezes

"Os outros bicampeonatos
Em 111 anos de história, é fácil perder a conta aos títulos duplos que se amealharam e aos seus mentores. De Cosme Damião a Bela Guttmann, de Janos Biri a Jorge Jesus: uma incursão ao mundo plural do nosso vencer.

Depois da conquista do bicampeonato em 2014/2015, muito se tem dito e escrito sobre o assunto. A quebra de um jejum tão inquinado só podia dar nisto. Afinal, à excepção dos anos 20, as décadas que decorreram até à de 80 não acostumaram ninguém a ver no Benfica um vencedor aos soluços.
Por outro lado, o endeusmaento de Jorge Jesus após o grande feito não é menos compreensível do que, por exemplo, a catarse provocada por Trapattoni no seio dos adeptos com o regresso aos títulos em 2004/2005. O treinador transalpino desfez uma inquietude sebastianista de 11 anos e devolveu-nos o que nos faltava para nos reencontrarmos. Devolveu-nos, afinal, o principal traço distintivo da nossa identidade: vencer.
Mas esse vencer era só a metade do todo. Vencer duas vezes era preciso, para nos sentirmos inteiros e reconhecermo-nos ao espelho. Por isso mesmo, embora num plano distinto, o que fez Jesus, mais ou menos como Trapattoni, foi vestir a pele do 'desejado'. Devolveu-nos, portanto, a outra metade, que se tinha evolado há 31 anos, com Sven-Goran Eriksson.
Hoje - sabemos que não é possível ganharmos sempre porque nunca foi -, pede-se, obviamente, um futuro de vitória. Ao jeito, se possível, dos anos 60 e 70, quando ganhar duas vezes até era pouco.
Mas o tema dos bicampeonatos e dos treinadores que os fizeram tem pano para mangas. Não se esgota em Jesus. Não se esgota no 'nacional'. Não se esgota nas épocas douradas.
Vale a pena, antes de esmiuçar o assunto, enquadrar outros 'bis' e outros contextos.
Saiba-se, por exemplo, que, cá em casa, foi Cosme Damião o primeiro técnico bilaureado - no Campeonato de Lisboa 1912/1913, prova, à época, rainha do futebol português.
Mais tarde, o inglês Arthur John alargou a proeza à primeira competição de carácter nacional. Acrescente-se que o Campeonato de Portugal - assim designado até mudar de nome para Taça de Portugal, em 1939 - só conheceu um 'bis' ao longo das suas 17 edições (1921/1922 a 1937/1938), precisamente o do Benfica de Arthur John, em 1930/1931.

'Bis' inteiros e outros 'bis'
Voltando ao 'Nacional', saiba-se, desde já, que foram nove os bicampeonatos do Benfica, cinco deles transformados em 'tri'. Quanto aos inteiros, ou seja, isolados no tempo, é curioso verificar que são, cada um deles, de um só treinador. Foi o húngaro Janos Biri quem debutou, vencedor em 1941/1942 e 1942/1943. De novo um húngaro desta feita o 'velho mago' Bela Guttmann, selou os títulos de 1959/1960 e 1960/1961, logo secundados em 1961/1962 pelo mais importante bicampeonato da nossa história: o dos Clubes Campeões Europeus. Sven-Goran Eriksson, o sueco que veio para transformar o nosso futebol, deixou para a história os títulos gémeos de 1982/1983 e 1983/1984. E, finalmente, Jorge Jesus assinou a retoma.
É verdade que Jesus foi o único treinador português a conquistar um duplo campeonato no Benfica. Mas um duplo é algo em que o primeiro não vive sem o segundo nem o segundo sem o primeiro. Nesta perspectiva, o também português Vítor Gonçalves, antigo jogador benfiquista e da selecção portuguesa, conduziu o clube ao seu primeiro título no 'Nacional' (1935/1936). Na época seguinte, conseguiríamos o bicampeonato, agora pela mão do húngaro Lippo Herckzka (seria dele o 'tri', na temporada seguinte). Numa situação semelhante estariam mais tarde o chileno Fernando Riera e o húngaro Lajos Czeizler, respectivamente campeões em 1962/1963 e 1963/1964. Mais um 'bi' que resultaria em 'tri', mas desta feita boa a batuta de um terceiro, o técnico sueco Elek Schwartz. Fernando Riera regressaria à ribalta em 1966/1967, abrindo as portas para um novo 'bi', rubricado em 1967/1968 a três mãos: a do próprio Riera, a do português Fernando Cabrita e a do brasileiro Otto Glória (desaguaria em 'tri' sob a sua liderança na época seguinte). Veio depois um demónio: Jimmy Hagan. Com os triunfos de 1970/1971, 1971/1972 e 1972/1973, o antigo ídolo do Shefield United tornou-se entre nós o único técnico a transformar um 'bi' num 'tri' absoluto.

Os 'bis' na Taça
Seguir-se-iam o jugoslavo Mirolad Pavic (1974/1975) e o português Mário Wilson (1975/1976), num tempo em que os treinadores do Benfica ainda se arriscavam a ser bicampeões. O 'velho capitão' encerraria o ciclo dos 'bis' partilhados ou não inteiros.
Para terminar, é preciso dizer que na Taça de Portugal também houve 'bis'. O já referido Janos Biri foi o motor de arranque, depois de vencer as edições de 1942/1943 e 1943/1944. Foi Biri, aliás, o único técnico a conseguir um 'bi-bi', se me é permitida a expressão - um 'bi' inteiro no campeonato e outro na taça. O inglês Ted Smith venceu as edições de 1948/1949 e 1959/1951 (em 1949/1950 não se realizou), transformadas, dois anos volvidos, no único 'tetra' da competição. Otto Glória (1968/1969 e 1969/1970) e José Augusto (1969/1970) dividiram as despesas do duplo seguinte. Em 1980/1981, o húngaro Lajos Baroti concluiu a obra de Mário Wilson (1979/1980), assinando o penúltimo. E, finalmente, o treinador magiar Paul Csernai (1984/1985) e o britânico John Mortimore (1985/1986) encerraram as contas.

Foi assim...
Imbatível
O inglês Jimmy Hagan conquistou para o clube, em 1971/1972, o sexto bicampeonato, transformado em 'tri' na época seguinte. O título de 1972/1973, alcançado sem derrotas, constitui ainda hoje a melhor performance na competição."

Luís Lapão, in Mística

Sport Cultura e Benfica

"Mais do que património desportivo
Mais do que património desportivo, a colecção de troféus, ofertas e documentação do Benfica assume-se como elemento fundamental da identidade do clube e da divulgação da sua história e cultura. Com os olhos postos no triplo objectivo da preservação, estudo e divulgação da colecção, a equipa do Património Cultural é hoje uma realidade no SLB, continuando o caminho percorrido pelos seus antecessores.

Dia 17 de Abril. A antecipar o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, o Património Cultural do Benfica abriu as suas portas e deu oportunidade ao público de conhecer os seus bastidores. O Museu Benfica - Cosme Damião é já bem conhecido, aberto todos os dias desde 29 de Julho de 2013. Mas, para lá do museu, um mundo chamamos, hoje, Património Cultural do Sport Lisboa e Benfica.

O renascer de um conceito
Muitos interrogar-se-ão se fará sentido que o Benfica, um clube desportivo, tenha uma área de património cultural. Sem dúvida que sim, e este não é um conceito novo. Os estatutos do clube consagram, desde 1948, que é também função do Benfica, a par do primordial papel desportiva, o fomento da cultura entre os seus associados.
Este empreendimento foi abraçado definitivamente em 1955, com a criação da Secção Cultural. Joaquim Ferreira Bogalho, presidente da direcção do Benfica, o 'Homem do Estádio', foi também o 'Homem da Cultura': foi graças ao seu impulso e da direcção que liderava que a cultura tomou forma, de pleno direito, para todos os adeptos e associados. Nas suas sábias palavras de abertura do novo suplemento da secção, 'Desporto e Cultura', alerta que 'aqueles que vão trabalhar nas actividades culturais devem ter noção das dificuldades que por vezes nascem à sua volta; das incompreensões de muitos e até, da animosidade de alguns', mas frisa o apoio que a direcção dispensa a quem abraçou esta iniciativa.
Durante largos anos, a Secção Cultural, que mais tarde se chamaria Comissão de Estudos e Cultura, manteve uma actividade constante de exposições, palestras, conferências, visitas e outras manifestações no âmbito da literatura, da música, do cinema, do teatro e do coleccionismo. Foi por sua mão que o orfeão se estreou em 1957 e por sua iniciativa que se reactivou a biblioteca.
Com o passar do tempo, a sua acção dilui-se numa nova forma de gestão do clube, mas o século XXI, e novamente a vontade e apoio da direcção, permitiu o renascimento de um conceito de promoção e fomento da cultura nas suas variadas funções.

Impulso para o património cultural
Em 2009, quando Luís Filipe Vieira se recandidata à presidência do Benfica, assume um sonho há muitos anos adiado: construir o museu do Sport Lisboa e Benfica. O clube tinha já uma longa tradição de salas de troféus e exposições temporárias, mas faltava a esta instituição centenária um espaço que comunicasse a sua história.
Ao iniciar este projecto ambicioso, tomou-se consciência de que o clube precisava de investir, em primeiro lugar, na preservação do seu património material e imaterial e que estas seriam as bases em que assentaria um projecto de qualidade. Assim, os primeiros passos levaram à criação do departamento de Reserva, Conservação e Restauro (RCR) e do Centro de Documentação e Informação (CDI). Os seus objectivos passam pelo apoio ao Museu Benfica - Cosme Damião, mas não se esgotam nele. Em conjunto, estas áreas são o Património Cultural do Benfica, que salvaguarda e comunica a sua história e a sua identidade e promove actividades de âmbito cultural.

Reserva, Conservação e Restauro: um Mundo de troféus
Ao entrar no amplo espaço ocupado pelo RCR, os visitantes encontram quatro salas de reserva, onde os troféus e ofertas do clube - uma colecção de 30 mil objectos - estão organizados e acondicionados. Uma monitorização regular assegura as condições de preservação. Na sala de restauro desenrolam-se acções de restauro em materiais orgânicos e tarefas de gestão da colecção. No laboratório intervencionam-se objectos metálicos. E há um mundo de troféus para preservar.

Centro de Documentação e Informação: do físico ao digital
No espaço do CDI predominam os computadores. Dois grandes scanners planetários captam a atenção dos visitantes. Na sala de arquivo, ao lado, os documentos encontram o conforto necessário. Aqui trata-se não só de preservar os documentos mas também de os tornar acessíveis, passo que é dado ao transformar o físico em digital.
Uma equipa de documentalistas é responsável pela organização, digitalização e tratamento da documentação. A par deste trabalho, uma equipa de investigadores históricos utiliza os recursos do CDI para investigar e produzir conteúdos para diversos propósitos. É também aqui que se gere os conteúdos que enriquecem a exposição permanente do museu.

Museu Benfica - Cosme Damião: a face visível
Este é, sem dúvida, o espaço privilegiado de encontro entre a historia e a cultura benfiquista e o público. De portas abertas todos os dias, o museu dá a conhecer aos visitantes as principais conquistas do clube nas muitas modalidades que já se praticaram e as figuras que engrandeceram o Benfica.
Mas a visita ao museu vai além das fronteiras desportivas e transforma-se numa viagem no tempo: aí podemos também conhecer a história de Lisboa, de Portugal e do mundo e encontrarmos-nos, inesperadamente, com personalidades como o rei D. Carlos, Albert Einstein, Fernando Pessoa ou Júlio Pomar. Mas nem só de visitas vive o museu... Ali também se desenvolve um conjunto de actividades que tem como base a exploração de várias vertentes históricas e artísticas. As crianças podem participar em ateliês temáticos, enquanto os adultos encontraram novas formas de entretimento em concertos e outras manifestações culturais. Na construção de um diálogo entre o mundo das artes, do desporto e da educação, contamos com a participação de personalidades do meio cultural português. Da diversidade, um objectivo único: valorizar a dimensão histórica do património do Benfica.
(...)"

Rita Costa, in Mística

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Menos mística, por favor

"Durante muitos anos o Benfica teve um problema: excesso de mística. Não me entendam mal, não sou contra o conceito de 'mística'. Bem pelo contrário, o Benfica é também uma ideia que assenta, em importante medida, numa comunhão com uma realidade espiritual, 'ser benfiquista'. Há neste movimento, é claro, muito de misticismo. Uma verdade que só alcançamos através da história daqueles que vestiram e honraram as camisolas vermelhas.
A questão é outra: a mística sugere uma certa passividade, algo que surge num momento de dificuldade, que nos ultrapassa e que compensa os nossos falhanços na vida real. Enquanto apostamos na mística, num qualquer recurso redentor, passa para segundo plano tudo aquilo que nos pode guiar à vitória. E o Benfica andou demasiados anos a depender da mística, de um conjunto de ideias salvíficas, que surgiriam para contrariar todos os sinais que iam sendo dados em campo, mas também na organização do futebol.
Não digo que não seja fundamental transformar o Benfica numa comunidade de pertença, baseada na história popular e corajosa dos nossos fundadores e na glória dos que fizeram do SLB um clube grandioso. Aliás, quando fizermos o balanço da actual direcção, a forma como soube recuperar as velhas glórias e dar-lhes o papel central que merecem no presente do Benfica será certamente um dos seus legados mais relevantes.
Estamos perante mais um daqueles casos em que a asserção de George Orwell é verdadeira: 'Quem controla o presente, controla o passado, controla o futuro'. No caso não se trata de nenhuma distopia, mas sim da construção de um futuro que só será feito de vitórias se estiver ligado intimamente ao nosso passado: ao Cosme Damião, ao Rogério Pipi, ao Zé Águas, ao Mário Coluna, ao Eusébio, ao Simões, ao Toni, ao Humberto, ao Shéu Han, ao Nené, ao Bento, ao Chalana, ao Diamantino, ao Vítor Paneira, ao Rui Costa.
Mas as ideias místicas não são a matéria de que são feitas as vitórias. Um presente e um futuro ganhadores constroem-se com opções estratégicas claras, com rumo, com trabalho e uma fidelidade ao clube que vai bem para além daqueles que transitoriamente representam as nossas cores.
Precisamos de menos mística, porque precisamos de mais talento, profissionalismo e suor em campo, de mais capacidade estratégica de quem dirige, de estabilidade nas escolhas que vão sendo feitas e de fervor dos adeptos. Enquanto dependíamos do manto protector da mística perdíamos; o bicampeonato que ainda celebramos e que abre portas para o 'tri' não foi conquistado com mística. Ela, é verdade, esteve presente e fez diferença. Mas o que nos colocou na senda vitoriosa que hoje nos acompanha de novo foi o suor do Maxi, o talento do Gaitán, a liderança do Luisão, a estabilidade das escolhas estratégicas da direcção e, claro, o colinho dos adeptos.
Tudo realidades bem materiais e que de pensamento mágico nada têm."

Pedro Adão e Silva, Mística

Renovações...

São boas notícias, as renovações dos nossos jovens, ainda por cima quando dois destes jogadores (Teixeira, Semedo), têm quase garantida a presença no plantel principal, e o próprio Nuno Santos vai ter a pré-época para se apresentar...
Pessoalmente, acho que o Guzzo vai ser emprestado, porque temos muitos jogadores para aquela posição, e porque em comparação com as outras alternativas, o Guzzo, defensivamente, não tem a intensidade e a velocidade para jogar a '8'...

Branco...

De sonho!

"A nossa imensa ambição e vontade de conquistar sempre algo mais não deve toldar o espírito ao ponto de não perceber e rejubilar com a presente época desportiva do nosso Benfica.
Desde que nasci, e infelizmente já vai algum tempo desta era de Cristo, que nunca nenhum clube português conseguiu algo parecido.
O Futebol foi campeão (e venceu a Taça da Liga e a Supertaça). O Basquetebol foi campeão (e venceu todas as cinco provas nacionais). O Voleibol foi campeão (ganhando tudo em Portugal e chegando a uma final europeia pela primeira vez na nossa história). O Futsal foi campeão, fazendo a 'dobradinha'. O Hóquei em Patins foi campeão, fazendo também a 'dobradinha'. O Atletismo foi campeão nacional.
É impressionante!
De sonho esta época desportiva de futebol e modalidades. Deixem-nos festejar e festejem connosco.
Nunca uma edição da Mística foi tão pequena para tantos títulos que precisa de cotar e cantar. Neste número, que festeja êxitos e relança expectativas para os da próxima época, não deixem de ler o artigo de opinião de um dos nossos melhores, Pedro Adão e Silva, que vem a estas páginas com uma 'censura' ao nosso título. A não perder a pena afiada de um dos benfiquistas com mais 'mística'.
Sincero obrigado a todos os campeões, de todas as modalidades, em todos os escalões, que fizeram deste ano um ano de sonho para a nação encarnada.
E como por vezes cantam os nossos adeptos: 'Para o ano há mais'."

Sílvio Cervan, in Mística

domingo, 12 de julho de 2015

Tempo pede reforços

"A menos de uma semana da partida para o estágio/digressão de pré-temporada, são várias as dúvidas que persistem no Benfica. Normal, nesta altura da época, num clube que olha para o mercado com limitações financeiras, mas condicionante para quem trabalha diariamente uma equipa. Rui Vitória tem o primeiro teste já no sábado, diante de um PSG milionário e que constitui um teste de grau de dificuldade elevado. Para o treinador, nesta fase, os resultados são a menor das preocupações, mas uma pré-época desastrosa poderá condicionar os jogadores naquilo que segue... a Supertaça.
O momento que vive Gaitán e o facto de ter o 'selo' de vendido pode ser contraproducente. Em situações normais, o argentino é titularíssimo neste Benfica. Pode o treinador preservá-lo dos jogos - a lesão de Salvio ainda está viva - e aguardar notícias do que vai acontecendo no mundo dos negócios? Pode! Mas talvez não compense o risco. O de dar um sinal ao mercado que, apesar das intransigências de Luís Filipe Vieira, o extremo é mesmo para vender; mas, ainda mais, o de preparar a equipa para um início de época que vale um troféu, e fazê-lo sem aquele que é o seu jogador mais valioso.
A mais de um mês e meio do fecho do mercado de transferências na Europa, Rui Vitória é obrigado a esperar. Tem sido prática recorrente nos últimos anos. E tal como Domingos Soares Oliveira afirmou sexta-feira na CMVM, as saídas do Benfica no final da cada temporada fazem parte normal da actividade. A realidade do futebol português explica esse facto, ao qual a grande maioria dos adeptos já se habituou. Discordo, porém, quando o responsável dá a imagem de o grupo não precisar de reforços. Certa a ideia de não cobiçar o que está a ser feito na casa dos rivais, mas, nessa observação interna, os responsáveis do Benfica têm identificadas as lacunas. E faltam soluções de primeiro plano para as alas, sobretudo se Gaitán sair, e um substituto para Maxi Pereira (tarefa difícil). O trabalho que tem vindo a ser feito na formação e equipa B são mais-valias a que Rui Vitória pode recorrer mais vezes do que vinha sendo habitual. Apenas. Trabalhar jovens requer tempo e paciência; já é positivo para o clube ter quem queira fazê-lo."

Vanda Cipriano, in Record

Mercado da Luz MF15

Tudo 'fechado' na secção de Futsal. Não foi preciso muito tempo para definir o plantel, após todos os sucessos da época anterior. Com o regresso à UEFA Futsal Cup, e com um limite de 'estrangeiros' (não formados localmente...), o Benfica foi obrigado a algumas mudanças...
Entraram: Cecilio (Braga), Wilhelm (Asti), Freitas (Fundão)... com o Tiaguinho a fazer parte do plantel principal. Saíram: Vítor Hugo, Pablito, Mancuso e Xande... com o Ivo Oliveira a ser emprestado ao Fundão.
Em Portugal só vão poder jogar 5 jogadores não-formados localmente, nós temos 6 no plantel. Na UEFA podem jogar todos, nas competições internas vamos ter que 'rodar'... Com uma época longa, com bastantes competições, com as Selecções pelo meio, creio que vai ser 'fácil' ao Joel escolher quem fica de fora, sendo que ainda existem as inevitáveis lesões. Na última época, tivemos o Henmi muito tempo de fora, e acabámos com o Chaguina condicionado... só para recordar estes dois!!!

O Fábio Cecílio e o Mário Freitas foram duas contratações esperadas (daquelas que os adeptos exigiam!!!), já que foram dois destaques da época, inclusive com chamadas à Selecção. O Fernando Wilhelm foi uma boa surpresa, um internacional Argentino (colega do Brandi...), com muita experiência do Futsal Italiano...

Com o fortíssimo investimento dos Lagartos, parece que o Campeonato vai reforçar a diferença das duas principais equipas, para o resto... Sabendo que o Braga, o Fundão, o Modicus e o Olivais vão ter plantéis interessantes...

Com o Joel no banco, é garantia de entrega, concentração e eficácia, tal como no Hóquei, estou totalmente tranquilo com estas duas secções... Além das contratações, efectuamos várias renovações de contrato no final da época, garantido assim estabilidade do plantel nos próximos anos, só falta o Chaguinha renovar...!!!

Nota para a pré-época, onde vamos defrontar o Inter do Ricardinho (Campeões de Espanha...), e o Barcelona no Meo Arena, e ainda destaque para a nova competição nacional: Taça da Liga, que como é óbvio é para ganhar...

GR: Juanjo, Bebé, Cristiano
Fixo: Gonçalo, Cecílio
Universal: Jefferson, Wilhelm, Tiaguinho
Ala: Henmi, Coelho, Chaguinha, Ré, Freitas, Pinto
Pivot: Patias, Brandi

Taarabt...