Últimas indefectivações

sábado, 29 de março de 2014

Remontada !!!

Benfica 3 - 2 Sp. Espinho
25-20, 32-34, 25-27, 25-20, 17-15

Apesar da alegria da vitória, com remontada e tudo, não posso deixar de sentir, que hoje perdemos 1 ponto (vitórias por 3-2 só dão 2 pontos...).
Estive a ver o diferido do jogo na Benfica TV, e naquele 2.º Set tivemos várias oportunidades para fechar o Set a nosso favor... Já no jogo com o Castêlo, aconteceu o mesmo: estamos com dificuldade em fechar Set's equilibrados.
Agora temos 3 pontos de vantagem, mantendo esta diferença até ao jogo dos Açores, mesmo perdendo (por 3-0 ou 3-1), a Fonte do Bastardo igualará nos pontos, e o desempate será pelos Set's perdidos e ganhos, nesta 2.ª fase, e neste momento estamos também em vantagem: 18-2 contra 15-7. Portanto a 'coisa' está controlada. Mas para que assim se mantenha é necessário, não levar para a 'negra' mais nenhum jogo, começando por amanhã, na recepção ao Vitória de Guimarães.

PS: Foi bonita a homenagem do Sp. Espinho antes do jogo, ao Eusébio, ao Coluna e ao António Leitão (Espinhense), pena que estes comportamentos sejam as excepções....

Está complicado !!!

Reus 5 - 2 Benfica

Seguir o jogo através de Infos na Net, não dá para se ter uma ideia definitiva do que se passou. Mas o ano passado vencemos aqui, com algum à vontade, e goleámos na Luz!!!
Independentemente da arbitragem - e pelo número de faltas deve ter sido um fartar de vilanagem -, o Benfica não está a jogar bem...
O ano passado vencemos por 7-1 na Luz, por isso, em condições normais, não estaria preocupado para o jogo da 2.º mão na Luz, mas a defender assim, duvido muito da passagem às Meias-finais... Ainda por cima, continuamos a não marcar 'bolas paradas', e para se juntar à festa, por solidariedade talvez, o Trabal deixou de defender 'bolas paradas'!!!

3 pontos

Benfica B 2 - 1 Chaves

Jogo pouco conseguido da nossa equipa B. O Chaves marcou um grande golo na 1.ª parte, a realidade é que o Benfica não estava tão dominante como costuma fazer no Caixa Futebol Campus, mesmo assim criámos algumas oportunidades estranhamente desperdiçadas: Cancelo!!! E no último minuto da 1.ª parte, num lance raro, o árbitro marcou penalty a favor do Benfica... O problema é que o árbitro enganou-se no jogador que fez a falta. O guarda-redes no Chaves não fez nenhuma falta, é o defesa do Chaves, Miguel Ângelo que empurra o Cavaleiro no momento do remate, mas quem levou Vermelho foi o guarda-redes!!!
Após o intervalo, com o resultado em 1-1, esperava-se um Benfica dominador à procura do golo da vitória, e nos primeiros minutos foi isso que aconteceu... mas depois do golo do Hélder Costa, o Benfica estranhamente perdeu o controle da partida. É verdade que o árbitro - Jorge Tavares -, tudo fez para corrigir o erro da 1.ª parte, mas permitimos demasiados contra-ataques ao Chaves, que acabavam sempre com pontapé de canto, ou livre lateral ou frontal perigoso...
Fomos demasiados lentos, e pouco práticos, nos últimos 20 metros...

PS: Uma nota para os jogadores do Chaves, alguns até bastante experientes: depois do erro do árbitro, durante toda a 2.ª parte, assistimos a um festival de má educação épico, o árbitro condicionado, permitiu tudo... Ainda por cima o erro, foi na identificação do faltoso. Não vi o jogador que cometeu a falta, tentar falar com o árbitro, chamado-lhe a atenção para o erro... Recentemente em Inglaterra, no Chelsea-Arsenal, houve protestos na altura, mas no resto do jogo os jogadores souberam comportar-se... Em Portugal isso é impossível.

Ao Grande Capitão

"TABRIZ - Regresso a Tabriz, neste final de semana, depois de jogarmos no campo do líder do campeonato, o Foolad, onde o Tractor esteve a vencer por 1-0 e veio a perder por 1-2. Sofremos dois golos de penalty diante de um adversário muito forte, que é, agora, o principal candidato ao título, à frente das poderosas equipas do Esteghal e do Persepolis. Volto a Tabriz e comigo voltam a chuva e o tempo invernoso, depois de muito sol na maioria de Março. Estou de volta a Tabriz e a minha primeira mensagem não pode deixar de ir para o Grande Capitão. É a mensagem do Filho Branco para o Grande Capitão Mário Wilson, que recupera (e oxalá recupere para muitos e bons anos ainda) de mais uma etapa difícil na vida do seu coração. Sem o Grande Capitão eu não estava aqui e nada que eu possa dizer fará mais justiça à minha inesquecível gratidão...
Na onda de euforia vivida em Tabriz pela popularidade que a equipa do Tractor trouxe à cidade, volta à oportunidade que tive de viver, pela segunda vez, a experiência de que vos falei na minha primeira crónica... a visita intensa e emotiva a um hospital oncológico de crianças.
Pude estar na inauguração de uma exposição de trabalhos feitos por essas crianças e tive oportunidade de falar aos pais e às crianças, deixando-lhes uma mensagem de esperança e de perseverança, de que vale a pena lutar com todas as forças e acreditar sempre... A exposição visava obter receitas com a venda de muitas pinturas, azulejos, artesanato, enfim... Foi um dia diferente, mas um daqueles dias em que deixamos de pensar em tácticas, em treinos, e coisas supérfluas e nos envolvemos nas brutais rasteiras que a vida prega e quem está só a dar os primeiros passos na vida.
Outra experiência recente, mas que não pode nem deve ser misturada com a anterior, foi a de ter sido convidado para a entrega de prémios de provas desportivas na Universidade de Tabriz, uma das mais conceituadas de todo o Irão. Num pavilhão multiusos de grandes dimensões, com as bancadas cheias de rapazes de um lado e de raparigas do outro, foi anunciado que o convidado era Toni Oliveira... Ninguém pode imaginar o que foi a recepção que tive e o impressionante entusiasmo que se vivei naquele pavilhão.
Fantástica a forma como todos os jovens de Tabriz vibram com a equipa do Tractor, e fantástica também a forma espantosamente carinhosa, e eufórica até, como sou recebido seja onde for.
Experiências surpreendentes e marcantes, numa vida felizmente repleta de emoções..."

Toni, in A Bola

sexta-feira, 28 de março de 2014

A voz da serpente

" 'Águia voa para o título', 'Perto do Céu', 'Festa Rija', 'Campeões à vista'. Estes são alguns dos cabeçalhos que pudemos ler em diários desportivos nos últimos tempos. Paralelamente, nas televisões, comentadores mais ou menos isentos atribuem o Campeonato ao Benfica como se a respectiva conquista se tratasse de uma mera formalidade. A tal ponto que a partida entre Sporting e FC Porto foi abordada por muitos como uma simples luta pela segunda posição. Isto passa-se há já várias semanas. Porém, se o Benfica não tivesse ganho os jogos que entretanto foi disputando, nesta altura já nem sequer estaria no primeiro lugar da tabela classificativa. Provavelmente, era essa a intenção de tão vistoso foguetório.
Não nos deixemos iludir. Juntamente com uma campanha de pressão, condicionamento e coacção de árbitros, existe uma outra que visa o adormecimento da nossa equipa. Sem ponta de inocência, os nossos adversários tentam, de uma penada, alimentar o deslumbramento da família benfiquista, e criar condições para, ao mais pequeno deslize, derramarem sobre nós o ónus desse mesmo deslumbramento - à semelhança do que fizeram na época passada, a propósito dos festejos de um simples vitória no Funchal.
Faltam seis jornadas para terminarem o Campeonato Nacional, e, caso cheguemos às Finais de todas as provas em que estamos inseridos, faltarão ainda quinze jogos para concluir a temporada futebolística. Muitos jogos. Muitas dificuldades. Muitos perigos. Demasiados perigos!
Em Maio do ano passado faltavam apenas três partidas para erguer três troféus. Sabemos o que aconteceu. Ninguém nos convencerá agora que, com quinze longas e duras batalhas pela frente, poderemos baixar as guardas e dar o sucesso por adquirido.
Não! Ainda não ganhámos nada! E se pensarmos o contrário, corremos sérios riscos de repetir dramas passados, satisfazendo a ânsia dos rivais. A 'guerra' trava-se jogo a jogo, e só no fim se fazem as contas. Até que a matemática dite leis, a mínima dose de triunfalismo poderá ser fatal."

Luís Fialho, in O Benfica

Brilhante goleada do FC Porto...

"A vitória sobre a Académica foi mais um passo seguro rumo ao 33.º título de campeão nacional. Faltam seis jornadas e a margem é muito boa. Uma vitória em Braga colocava o título a salvo de catástrofes mais imaginativas.
Com tanta poupança no Dragão não se pode pedir outra coisa. O Benfica, ao prescindir de seis titulares contra o FC Porto, ficou seis vezes mais longe de ganhar a Taça de Portugal. O FC Porto, ferido e com uma cicatriz de doze pontos, conseguiu uma brilhante goleada sobre o Benfica e tem motivos para festejar. São justos todos os festejos azuis e brancos.
O Benfica não deve, na minha opinião, fazer uma gestão tão audaz na Liga Europa, tendo chegado aos quartos de final. O AZ Alkmaar é pior que o melhor Benfica, mas pode eliminar menos utilizados. Mudar um ou dois jogadores é gerir recursos, mudar seis é prescindir de ganhar. Nos quartos-de-final de uma prova europeia os adeptos pendem... o sonho. E têm razão.
Os adeptos do Benfica esperam ganhar títulos e não tirar cursos de gestão. Jorge Jesus terá experiência, e vontade, para contrariar os meus receios, mas transformar uma excelente época, numa coisa mais ou menos, é um erro. Vamos então dar mais um passo para ser campeões, já no domingo. Porque, na verdade, perto do final de Março continuamos a ambicionar ganhar tudo. Se esse feito não pode ser ignorado, e mostra o valor de técnico e equipa, por outro lado não pode ser desperdiçado.
Reconheço que jogar mais seis semanas à quinta-feira e ao domingo, sem descanso, deixa marcas, mas no fundo é isso que se ambiciona quando começa a época. Dirão os pessimistas que ainda estamos numa época do sonho, dirão os optimistas que é uma época de sonho. Venha a realidade dar razão aos optimistas."

Sílvio Cervan, in A Bola

O Destino não nos dá tréguas

"Quando, após aquele final de época 2012/13 em que do tudo nos restou o nada, a Direcção do Benfica renovou com Jorge Jesus, eles, os especialistas, garantiram que se acabara de perder o actual campeonato. Nós, que vivemos o benfiquismo, não acreditámos. O mesmo aconteceu quando Cardozo ficou no plantel e tantos peroravam como isso seria fatal para a época corrente. Com a derrota na primeira jornada, acentuou-se a ladainha do apocalipse. À terceira jornada e com apenas uma vitória, eles, os especialistas, já nos tinham feito a extrema-unção e encomendado a alma. Quando estivemos a cinco pontos do primeiro lugar (à época ocupado pelo FCP da estrutura perfeita) aconselharam-nos a começar a preparar a nova época. Os empates caseiros com Arouca e Belenenses fizeram com que os especialistas garantissem a infalibilidade das suas teses.
A suspensão de Jorge Jesus por um mês deu aos especialistas permanentes e aos abutres de ocasião a oportunidade para fazer sangue, acertar contas antigas com o treinador e garantir a falência desportiva da época. Mais tarde, foi a lesão de Cardozo a dar-lhes o alento para agoirarem (vindo dos especialistas, até os agoiros são científicos) a época. Atendendo a que a realidade sempre se encarregou de desmentir os seus desejos disfarçados de opiniões, esperaram pela saída de Matic para garantir que isso é que faria com que deixássemos de contar para a vitória no campeonato. Sempre que eles, os especialistas, garantiram que tínhamos o campeonato perdido, nós, os que vivemos o benfiquismo, não acreditámos e continuámos, com os nossos, a lutar.
Agora, porque faltam seis jornadas e temos sete pontos de avanço para o segundo classificado e doze para o terceiro (o FCP da estrutura perfeita), eles, os especialistas, querem convencer-nos de que temos o campeonato ganho. E nós, os que vivemos o benfiquismo, continuamos a não acreditar neles, pois sabemos que em Portugal só há um clube que ganha de véspera e nós, Benfica, não ganhamos nem perdemos de véspera. Lutamos sempre para construir permanentemente um destino que não nos dá tréguas."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Amibas

"1. Sempre me fez espécie a canina adoração que algumas figurinhas devotam ao Madaleno. A vacuidade da personagem e a sua convicção de que vivemos num mundo em que a lei vale tanto como a Oeste de Pecos (e em Portugal vivemos mesmo!) faz-me crer que os seus apóstolos têm a consistência intelectual de uma amiba que, como sabemos, não prima pela complexidade do raciocínio.

2. Mais estranho é ver que há quem queira copiá-la, no tiques de caudilho e na propagação das arruaças. Seria divertido se não fosse triste. Este espalhafato diário do presidente do Sporting, que fala por tudo e por nada e ameaça por nada e por nada, traz-me à memória um exemplo botânico: o tropismo. Só com uma variante, neste caso: não necessita de estímulos. Como dizem os brasileiros: há gente que em silêncio é poeta...

3. O presidente dos árbitros - o tal que o presidente do FC Porto queria deixar de cócoras no Estádio das Antas - teme pela vida e saúde dos seus rapazes. A saúde sabemos que não se recomenda - e as baixas estão directamente ligadas à inconveniência dos jogos. Quanto à preocupação do personagem: deve ser esse o motivo que o leva a publicar as nomeações logo à terça-feira. Sempre fornece mais uns dias de trabalho aos energúmenos que gostam de destruir talhos."

Afonso de Melo, in O Benfica

Qual é a dúvida?

"Num mundo ingrato, peço apenas que me façam uma justiça. Essa que tem muitos anos, não apenas os mais recentes. E qual é? A minha ligação estreita àquela que reputo a tribo do futebol. Quem inclui? Jogadores e treinadores. Do Benfica? Do Benfica, do Sporting , do FC Porto, de outros emblemas, de muitos emblemas.
Qual a razão da pergunta? Simples, tão simples, mesmo simples. Não conheço nenhum profissional da bola que não considere o Benfica a equipa que melhor futebol pratica em Portugal na paisagem da actualidade. Esse entendimento comummente aceite, no país e fora dele, desmente a tese do menor valimento do avanço encarnado no Campeonato por razões extrafutebol. Que razões? Favorecimentos das equipas de arbitragem? Não há maior dislate, maior atoarda. Só o presidente do Sporting, porventura secundado por alguns antibenfiquista primários, assume e desenvolve a tese. Caí no ridículo, protagoniza o quixotesco.
O Benfica, na Liga nacional tem feito uma demonstração inequívoca de superioridade a todos os níveis. Cultiva, nas palavras, a humildade. Cultiva, na função, a maioridade. Tem valido mais, muito mais do que os antagonistas. Merece a vantagem folgada que usufrui.
Como vai ser até ao termo da competição? Como até agora, seguramente. Há mais vermelho, muito mais vermelho nos recintos nacionais. Mas também há vermelho, vermelho de raiva, nos nossos oponentes. O trilho está traçado. A festa mais próxima. Só depende da nossa proficiência, da nossa prédica. No campo e fora dele. Uma certeza? Há um grande Benfica no campo, não há menor Benfica fora dele."

João Malheiro, in O Benfica

Faltam 11 pontos...

"1. Bom jogo e importante vitória (mais uma!...) no jogo com a Académica, que se previa complicado. Faltam agora seis jornadas, correspondentes a 18 pontos, dos quais precisamos de ganhar 11. Domingo, em Braga, seria bem importante conquistar mais três. Também na Liga Europa as coisas estão a correr bem... mas será necessário passar a formação holandesa do AZ Alkmaar, que não terá chegado aos quartos-de-final por acaso. O excesso de confiança na parte final do jogo com o Tottenham foi um aviso...

2. Muito se falou nas (tristes) atitudes de Jorge Jesus no jogo de Londres, com o Tottenham. Foi bastante infeliz. Não vale a pena regressar ao assunto. Volto apenas para salientar a diferença de tratamento que na nossa comunicação social é dada às infelizes atitudes de Jorge Jesus e José Mourinho. Enquanto o nosso treinador, que (infelizmente) ferve em pouca água, é sempre fortemente criticado, ao actual treinador do Chelsea, que guerreia com meio mundo, muitas vezes em infelizes jogadas estratégicas que de desportivismo nada têm, tudo é perdoado pois é o 'melhor treinador do Mundo'. Não o contesto, mas, como português, não me orgulho nada das suas atitudes. Enquanto Jorge Jesus é genuíno, é ele próprio, 'passa-se' com facilidade (o que não o desculpa), José Mourinho é 'jogador', prepara aquilo que vai dizer e contra quem o diz. Para ele vale tudo, desde que sirva para a sua equipa ganhar. De desportista nada tem.

3. Faleceram na semana passada dois benfiquistas que foram figuras públicas (Medeiros Ferreira e Manuel Barbosa) e um terceiro, porventura menos conhecido do grande público mas com décadas de grande dedicação ao Clube e ao nosso râguebi - Carlos Nobre. É daqueles benfiquistas que, anonimamente (ou quase), trabalham para o Clube dia após dia. Foi jogador, treinador, dirigente, foi tudo no nosso râguebi, desde o tempo do Campo Grande nos anos cinquenta e sessenta. E sempre cem por cento amador. É (também) com homens como Carlos Nobre que o Benfica se tornou no grande Clube que é hoje nas mais variadas modalidades."

Arons de Carvalho, in O Benfica

Já faltou mais...

"Muito mais. Já faltou tudo. Quando faltavam 29 jornadas, o Benfica tinha zero pontos, um derrota; quando faltavam 28, o Benfica dera a volta a um resultado em cima dos 90 minutos; quando faltavam 27, o Benfica empatara com um penalti a favor ignorado e um golo contra marcado irregularmente pelos 'campeões' da demagogia e da choraminguice. E assim por diante. Agora que já faltou mais, muito mais, já faltou tudo, agora que na verdade faltam simplesmente seis jornadas, o Benfica está confortável na liderança e a exibir um futebol de elevada qualidade - como se viu no jogo frente à Académica, onde o maior obstáculo a uma goleada foram os postes - mas na verdade ainda não ganhou nada.
Para ganhar, o Benfica só depende de si próprio. O campeonato, que é certamente o objectivo mais desejado porque dá o título de Campeão, está ao alcance da mão, isto é, aqui ao pé. Já não há jogos fáceis, especialmente para o Benfica, contra o qual todos se arreganham. Mas o Glorioso tem equipa e futebol para ganhar todos os desafios. E tem bancadas como nenhum outro, a transbordar de boa e generosa gente e de entusiasmo.
E tem - é justíssimo que se diga - uma direcção, uma organização, uma estrutura única no desporto português. Não é por acaso nem por favores que o Benfica disputa todos os títulos, em todas as modalidades. E como na verdade há mais desporto para além do futebol, no fim-de-semana em que derrotou a Académica, o Benfica também venceu em casa do CAB Madeira, no basquetebol, do reduto do Castêlo da Maia, em voleibol, e na Luz bateu o Sporting no futsal, o Paço de Arcos, no hóquei em patins, o SC Horta no andebol.
Este é de facto o Clube Lutador, do qual os adeptos constituem a Chama Imensa. Já não falta tudo..."

João Paulo Guerra, in O Benfica

A queda dum anjo

"Ninguém admira mais Oscar Tacuara Cardozo do que eu. Quando o nosso ponta de lança enfiou o terceiro ao Sporting na Luz eu fui visto a gritar: “AMO-TE, CARDOZO!!! AMO-TE, CARALHO! AMO-TE!”. Uma pessoa que grita isto no meio de uma multidão só pode ser levada a sério. No Benfica da minha vida adulta, Tacuara Cardozo foi o homem que mais admirei, o jogador que nunca teve um assobio meu, a quem aplaudi mesmo todos os falhanços.
Não me interessa se é desengonçado, se não parecia capaz de ganhar os Jogos Sem Fronteiras. Oscar Cardozo é o maior marcador estrangeiro do Sport Lisboa e Benfica. E, ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, é um ponta de lança além da quantidade estúpida de golos que já marcou.
Foi-me penoso ver Cardozo ontem. Doeu-me. Cardozo, no Dragão, fez uma exibição tão péssima – fruto da sua gritante falta de ritmo e entrosamento neste novo Benfica – que eu sofri como sofrem os pais quando vêem os filhos a serem goleados num jogo de infantis. Tive vontade de o tirar dali, não só para o bem do Benfica (que era o mais importante), como por ele. Cardozo não merece não estar à altura do Benfica.
No livro de Camilo de Castelo Branco, Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda é um miguelista provinciano e conservador que, chegado à capital, se torna um liberal um bocado para o devasso. A sátira da vida política portuguesa faz de Calisto um anjo caído, personagem cómica de costumes caricaturados. Cardozo merece tudo menos ser uma personagem cómica, um corpo estranho que os adeptos querem ver fora dali. Cardozo merece o nosso carinho, as nossas palmas, a nossa paciência, mas devido ao seu estilo de jogo – e à mudança de estilo do Benfica – só pode voltar em condições físicas que agora, obviamente, não tem.
No entanto, se o Sport Lisboa e Benfica se encontra líder do campeonato com 7 pontos de avanço, em todas as frentes e num estado anímico que faz quase esquecer que ao minuto 90 da segunda jornada com o Gil Vicente corríamos o sério risco de acabar a segunda jornada com zero pontos, muito se deve a Oscar Cardozo. Foi ele que marcou a Belenenses, Académica, Olympiakos, Nacional e aqueles 3 ao Sporting (cada um melhor que o outro). Numa fase da época onde o Benfica não jogava o que joga agora e onde tudo estava por um fio, Jorge Jesus incluído, Cardozo – como um anjo – manteve-nos vivos e permitiu-nos chegar a Março com o campeonato mesmo à mão.
Cardozo, neste momento, tem de estar no banco. Até Funes Mori teria sido mais útil que o grande Tacuara ontem. Mas é nosso dever não deixar cair Cardozo. Se Cardozo tantas vezes segurou o Benfica, agora é o Benfica que o deve segurar. Um matador destes não merece assobios e não pode ser exposto assim. Se há coisa que eu considero fatal para um clube e os seus adeptos é a falta de memória. E Cardozo deve perdurar sempre na nossa pelas melhores razões. Para mim, serás sempre um anjo."

quinta-feira, 27 de março de 2014

Trata-se de prioridades. Por mim, tudo bem.

"Lima está a fazer uma época notável. Não só pelos golos que marca. Mas também pelo seu esforço contributivo em todo-terreno nos momentos em que a equipa se vê obrigada a defender.

ONTEM ninguém se lesionou. Má figura propriamente dita também não fez o Benfica embora, nos tempos que correm, uma derrota por 1-0 fora de casa não seja nunca fácil de virar no segundo jogo. Está assim em perigo a Taça de Portugal para o Benfica? Ah, pois está.
Não será, no entanto, um caso desesperado. Ainda há menos de um ano conseguiu o Benfica uma reviravolta nesses precisos termos. Aconteceu nas meias-finais da Liga Europa com os turcos do Fenerbahce que venceram por 1-0 em Istambul e que depois viriam a soçobrar na Luz perdendo por 3-1. Coisas que acontecem, na verdade.
Perdendo para o FC Porto o jogo da primeira-mão da Taça de Portugal o Benfica pôs fim a uma série de 27 vitórias consecutivas sempre a marcar golos em todos os 27 jogos. Ontem nem um conseguiu marcar e foi pena até porque, na segunda parte, fez por isso.
Não fez muito por isso. Mas fez um bocadinho. E não foi preciso que Gaitan, Lima e Markovic, deixados no banco, saltassem para o terreno, já ia adiantada a hora, para que o Benfica tomasse conta de si próprio a um nível aceitável por toda a segunda parte do encontro.
Já na primeira parte não foi minimamente aceitável a primeira meia hora do Benfica muito lento na procura da bola, perdendo sistematicamente todos os ressaltos para um FC Porto desejoso de mostrar aos seus adeptos que os 12 pontos que leva de atraso são uma grande injustiça.
A explicação, diga-se de passagem, não terá sido a mais convincente, resultado à parte, porque o FC Porto entrou com tudo e com todos enquanto o Benfica entrou com poucochinho e sem cinco titulares indiscutíveis: Oblak, Siqueira, Enzo, Gaitan e Markovic.
Mas poderia ter jogado Oblak que o golo do FC Porto não tinha defesa. Fique registado para moralizar Artur. Já com os outros quatro de início, o Benfica teria tido certamente outra disposição para assumir o jogo.
Trata-se de prioridades. Por mim, tudo bem.

O Benfica, tal como o FC Porto, segue em frente na Liga Europa. Tottenham e Nápoles ficaram para trás e o sorteio que se seguiu colocou no caminho das duas equipas portuguesas, nos quartos-de-final da prova, equipas de aparente menor valia do que as que as encontradas e eliminadas nos oitavos-de-final.
A Liga Europa é uma competição à medida da península Ibérica representada por quatro emblemas nesta fase já adiantada da corrida. Benfica, FC Porto, Sevilha e Valência estão lá e, com toda a legitimidade, pensam ser capazes de conquistar o troféu.
O futebol espanhol, no entanto, está uns valentes furos acima do futebol português porque consegue não só ter duas equipas nos quartos-de-final da Liga Europa como também consegue ter duas equipas, Real Madrid e Barcelona, nos quartos-de-final da Liga dos Campeões que, como todos sabemos, é outra música.
No jogo da semana passada, com o Tottenham na Luz, o Benfica marcou cedo e dispôs-se convenientemente a gerir o agregado de 4-1 a seu favor. Geriu, geriu, geriu tanto até adormecer na forma o que lhe valeu um final inesperadamente sobressaltado e a iminência de um prolongamento, que não vinha nada a calhar.
No entanto, valha a verdade, os 30 minutos a mais, evitados por uma defesa milagrosa do jovem Oblak, seriam castigo justo para quem, fiando-se no conforto, jogou 30 minutos a menos na segunda parte expondo-se a uma reacção fortuita do adversário. E foi precisamente isso que aconteceu. Felizmente acabou tudo em bem.
Chegado aos quartos-de-final e tendo pela frente o Az Alkmaar, que não é propriamente um colosso do futebol holandês, exige-se agora ao Benfica que afaste os holandeses e siga com toda a naturalidade até às meias-finais da Liga Europa.
A questão é que, não sendo, de facto, o Az o supra-sumo dos Países Baixos e arredores, há que não contar decididamente com essa garantia do «com toda a naturalidade de que, frequentemente, padecemos».
O treinador do AZ Alkmaar é Dick Advocaat, uma figura histórica do futebol europeu. Advocaat ficou em êxtase por lhe ter calhado o Benfica e não o escondeu. Não é apenas pelo passeio a Lisboa que Advocaat ficou contente com o sorteio. É porque, certamente, entende que poderá surpreender um Benfica excessivamente confiante.
E também porque, lá no fundo, está doidinho para conhecer Jorge Jesus, o Special Three, tal como ficou conhecido por essa Europa fora depois da rábula de White Hart Lane.
A propósito, deixem-me que vos diga que o treinador do Tottenham, o senhor Tim Sherwood, se portou em Lisboa com um verdadeiro palhacinho. 

MIGUEL ROSA, o tal jogador que ficou de fora no último Belenenses-Benfica sem que, estranhamente, ninguém sentisse necessidade de explicar porquê, já não ficou de fora no último FC Porto-Belenenses e acabou por ser protagonista de um lance envolto em polémica e que passou sem castigo.
Aos 8 minutos de jogo, persistindo ainda o 0-0 no placard, o ex-benfiquista agrediu com uma forte cabeçada o cotovelo do braço direito de Mangala e não viu sequer um cartão amarelo. Miguel Rosa escapou também ao sumaríssimo, que sorte a dele.

A Académica, que nos últimos anos vinha fazendo bons resultados no Estádio da Luz, soçobrou no domingo perante um Benfica que só desacelerou quando o resultado chegou aos 3-0. Assim é que deve ser.
Lima marcou o primeiro e o segundo golo do Benfica sendo que o segundo golo foi o culminar de uma jogada nascida perto da baliza de Oblak, um envolvimento que progrediu colectiva e verticalmente pelo campo fora, com 35 toques sem perder a bola para o adversário, até à conclusão certeira do avançado brasileiro chegado há dois anos de Braga.
Lima está a fazer uma época notável. Não só pelos golos que marca. Mas também pelo seu esforço contributivo em todo-o-terreno nos momentos em que a equipa se vê obrigada a defender.

NO domingo o Benfica joga em Braga para o que verdadeiramente interessa, o campeonato nacional.
A expectável nomeação de Pedro Proença suscitou um não menos expectável coro de «ai, ai, ai» por parte do grosso da nação encarnada logo acrescido do relambório das maldades feitas por Proença às nossas cores, algumas com efeitos decisivos em questões importantes como a atribuição de títulos.
Deixemos esse tipo de choradeira para os nossos vizinhos de Alvalade, imparáveis, de facto, no relambório das maldades dos árbitros que os impediram, no ano passado, de se qualificarem para a Europa (quando, na verdade, andaram sempre mais perto da linha-de-água), que os impedem, este ano, de liderar confortavelmente a tabela (em função de um muito discutível somatório de crimes de lesa-Sporting) e que não os impedem de celebrar vitórias à Porto contra o FC Porto (como sucedeu recentemente graças a um golo tão solitário quanto irregular).
Voltemos a Braga. Porque em Braga é que é.
Não nos fica bem, francamente, eleger Proença como um adversário mais temível do que o próprio Sporting de Braga. É falta de respeito pelo adversário e, mais grave, é falta de respeito pela equipa do Benfica que se tem saído tão bem, em termos de resultados, mesmo quando os árbitros se enganam em seu desfavor.

PARTIU Manuel Barbosa que foi uma figura ímpar do nosso futebol. No domingo, no Estádio da Luz, foi sentidamente cumprido o minuto de silêncio em memória do empresário. Outra coisa não seria de esperar. Nem todas as 55 mil almas presentes conheceram de perto Manuel Barbosa mas História é História e dessa disciplina todos conhecem, pelo menos, os fundamentos."

Leonor Pinhão, in A Bola

quarta-feira, 26 de março de 2014

Para recuperar na 2.ª parte...!!!

Corruptos 1 - 0 Benfica

Pedi rotação do plantel, e foi isso que o Jesus fez. Foram 6 jogadores actualmente titulares que ficaram de fora: Oblak, Siqueira, Enzo, Gaitán, Markovic e Lima (o único reparo que tenho a fazer a esta gestão, é que sabendo do castigo do Enzo em Alkmaar, é preciso gerir bem a utilização do Fejsa nos próximos jogos). E apesar da derrota, acho que foi a decisão correcta. Neste momento o jogo mais importante, será Domingo em Braga. Quando for tempo de jogar a 2.ª mão desta Meia-final da Taça de Portugal, logo se verá, quais são as prioridades nessa altura...

A forma relativamente 'calma' como os Corruptos, aceitaram a derrota em Alvalade, deixou claro que a prioridade deles, até final da época, vão ser as Taças, começando pela Taça de Portugal. Portanto a agressividade com que entraram neste jogo não foi surpresa para ninguém... aquilo que acabou por desequilibrar, foi o golo sofrido num pontapé de canto - escolhemos uma má altura para voltarmos a sofrer um golo de canto!!! -, deu confiança aos Corruptos, e retirou confiança ao Benfica...
Tivemos dificuldade em segurar o meio campo, até porque os nossos alas jogaram muito presos nos flancos. O Nico por exemplo, neste tipo de jogos, em posse de bola, desliza muitas vezes para o meio, fazendo de 3.º homem do meio-campo, igualando assim o número de centro-campistas e relação ao adversário... algo que o Salvio e o Sulejmani fazem menos.
Mesmo assim, na 1.ª parte, a melhor oportunidade para os Corruptos, é na sequência de uma entrada para vermelho directo, do Fernando (o Herrera durante o jogo, também o fez por merecer...), que mais uma vez, passou impune... Nada de novo, aqui!!!
Adenda: Tanto o Danilo, como o Alex Sandro fartaram-se de fazer faltas impunemente... Se tivessem levado amarelo no inicio da partida, tal como o Maxi levou, talves não tivessem feito mais faltas, sendo assim, ambos - mais o Danilo... - mereciam ter visto vários amarelos!!!

Melhorámos na 2.ª parte, o jogo foi mais repartido, os Corruptos mandaram uma ao poste, mas nós podíamos ter marcado em algumas ocasiões. Notou-se claramente uma melhoria com as substituições, com a entrada principalmente do Nico e do Lima... isto apesar do Rodrigo, que estava a ser um dos melhores, ter saído.
É verdade que voltámos a sofrer um golo de canto, algo que não acontecia à bastante tempo, mas o mais 'estranho' é mesmo, não termos marcado golos, algo muito raro, na era Jesus...

O Cardozo continua a demonstrar estar fora de forma, mas o Salvio está quase a chegar ao nível que já nos habituou... Quando vi o cartão ao Maxi logo no início temi o pior, mas pelo menos saímos deste jogo sem castigos... e aparentemente sem lesões.

Resumindo, eliminatória aberta, que vai ser decidida na Luz, tal como era previsível... Um resultado aceitável, tendo em conta o que se passou. Estou seguro, que o melhor Benfica, pode perfeitamente dar a volta ao resultado, apesar do 1-0 ser um resultado difícil de recuperar num 2.º jogo... tudo vai depender da vantagem que o Benfica vai ter no Campeonato, quando jogar novamente com os Corruptos. Aliás a nomeação do Desdentado para o próximo jogo na Pedreira, foi feita como esse objectivo: um Benfica praticamente Campeão na altura do 2.º jogo, fará com que o Jesus aposte tudo nesse jogo, e se isso acontecer, estaremos na final da Taça de Portugal, seguramente.

Inacreditável...

Sporting 30 - 30 Benfica

A menos de 5 minutos do final estávamos a vencer por 25-29 - não foi a primeira vantagem de 4 golos durante a 2.ª parte!!! -, tudo parecia encaminhado, mas mais uma vez uma 'branca' das grandes, e sofremos 5 golos consecutivos!!! Sim, o Sporting passou para a frente (30-29), e foi preciso um golo nos últimos segundos, em desespero, para empatar uma partida, que devia estar ganha...
Estava com uma esperança escondida para este jogo, alguns jogadores que estiveram lesionados, parece que estão a recuperar o ritmo, e o Sporting teve um jogo desgastante no fim-de-semana para a Taça EHF... quando soube qual seria a dupla de Ladrões, fiquei imediatamente preocupado (5-1 em livres de 7 metros; 3-1 em exclusões!!!), o Sporting conseguiu acabar a 1.ª parte somente com 2 amarelos!!!
Mas tendo em conta como o jogo decorreu, tivemos, mais uma vez o pássaro na mão. Com este empate estamos cada vez mais longe do título, e ainda por cima, facilitámos o trabalho aos Corruptos, que com a vantagem que já têm, dificilmente a vão perder... Resta a Taça!!!

Os holandeses e o relógio

"Sempre apreciei o futebol holandês. Seja o das laranjas mecânicas que brilharam desde os tempos de Cruyff e Cª que se eternizaram apesar de vices, seja o dos clubes-escola como o notável Ajax, sem esquecer o Feyenoord e o PSV. Na Holanda pratica-se um futebol alegre, viçoso, colorido como as tulipas.
Na Holanda, o futebol sempre exprimiu um matrimónio feliz entre o gosto pelo espectáculo e fantasia e o sentido de eficácia que se mede pela exuberância dos golos que se marcam.
Tal como na Inglaterra, nos Países Baixos os jogadores não entram em campo com um relógio de pulso para gerir o tempo em função do resultado. Jogam o primeiro minuto tal qual o último. Jogam a ganhar por um golo tal e qual se estivessem a ganhar por seis. Jogam quando estão a perder com o mesmo ânimo e esperança como se estivessem a ganhar. Jogam com a mesma têmpera, tenham uma semana para descansar ou dois dias de pausa para o jogo seguinte.
Fiquei satisfeito com o que o sorteio designou como oponente do Benfica: o AZ Alkmaar. Dizem os entendidos que foi favorável, considerando outros hipotéticos confrontos. Veremos no relvado. Mas a minha satisfação tem sobretudo a ver com o fascínio que a escola holandesa sempre me suscitou. Como regra, sugere jogos entusiasmantes sem a indolência táctica de tantos outros. A última vez que o Benfica jogou com holandeses (Twente), tivemos dois belos encontros com oito golos.
Em qualquer caso, o Benfica que se acautele. E que tire todas as (boas) lições de ter usado relógio de pulso contra o Tottenham. Nunca há certezas antes dos jogos terminarem..."

Bagão Félix, in A Bola

Fejsa, o Muro !!!

terça-feira, 25 de março de 2014

A alma vermelha do «Luvas Pretas»

"Muitas vezes esquecido como um dos grandes jogadores da história do futebol português, João Alves marcou uma época: no Boavista, no Salamanca e no Benfica.

Esta é uma ideia pessoal, muito pessoal, mas também acho que é por isso que a direcção do jornal me faz o obséquio de atribuir a responsabilidade de escrever nesta página praticamente aquilo que me dá na real gana.
Foi bom ver o João Alves a comentar na televisão do Benfica; foi bom encontrar o João Alves nos corredores da Luz e dar-lhe o abraço que ele merece.
João António Ferreira Alves é meu quase conterrâneo: de Albergaria-a-Velha, terra onde nasceu o meu pai.
Sempre foi baixinho, mas um jogador enorme. O que conseguiu no Boavista, por exemplo, sendo o grade artífice de um segundo lugar histórico no Campeonato Nacional, é de ficar registado a ouro nos cadernos sublimes do futebol português. Mário Wilson que o diga. E Nelinho. Um dia destes trarei aqui o episódio: Nelinho no FC Porto a estudar a foram de jogar de Alves; no Bessa a marcar o «Luvas Pretas» num jogo decisivo para o título... Não perdem por esperar.
«Luvas Pretas»: herdou-as do avô, Carlos Alves, jogador do Carcavelinhos, do Académico do Porto, do FC Porto e da Selecção Nacional. Foram uma homenagem ao homem que durante muitos anos comandou os destinos do Alba, um daqueles clubes-empresa que existiram por cá antes do 25 de Abril.
Dirão os mais novos, talvez com um toque depreciativo: o Alves só jogou quatro épocas do Benfica. Isso! Mas, primeiro: que épocas! E, segundo: houve Alves para além do Benfica. Um Alves tremendo!
No Salamanca, por exemplo, foi considerando o melhor estrangeiro a actuar em Espanha. No Salamanca!!! E à frente de Cruyff e Neeskens e Kempes. Esteve vai não vai para se transferir para o Real Madrid, em 1978, mas o limite imposto aos estrangeiros por equipa impediu uma contratação que seria, à época, sensacional.

O homem dos contratos milionários
Veio para a Luz. Onde já tinha estado como júnior. Depois, sem oportunidades, viajaria pelo Varzim e pelo Montijo antes de encontrar porto seguro no Boavista de José Maria Pedroto. «Saí pela porta pequena, entrei pela porta grande», dizia João Alves aos jornais.
Falava-se de verbas fantásticas: 25 milhões de pesetas para o Salamanca, um ordenado na ordem dos 200 contos mensais para Alves.
Falava-se que o presidente do FC Porto tudo fizera para o desviar para as Antas.
Sobre as verbas, eram tempos em que não se publicavam abertamente.
Sobre o presidente do FC Porto, foram coisas que sempre fez abertamente.
João Alves ficou uma época no Benfica antes de voltar a emigrar. Novos valores milionários: o Paris Saint-Germain pagou 32 mil contos por ele.
Foi infeliz. Lesionou-se gravemente. Depois sim, novo regresso. Para a Luz e com brilho.
Tenho a memória cheia de grandes momentos de João Alves com a camisola encarnada: aquela vitória por 5-0 ao Sporting, por exemplo, com todos os golos marcados na primeira parte. 1-0, Reinaldo; 2-0, Nené; 3-0, Reinaldo; 4-0, João Alves; 5-0, João Alves, de «penalty». Novembro de 1978: eu estive lá e vi. E não me esqueço.
E depois aquele jogo de Roma, entre tantos e tantos e tantos outros, os italianos rendidos ao futebol ofensivo do Benfica e jogava em qualquer estádio da Europa como se estivesse nas suas sete quintas de Sete Rios.
Passes longos, teleguiados, a bola colada ao pé como se houvesse a ligá-los um elástico invisível, a absorção dos ritmos de jogo, a velocidade mágica nos metros curtos da entrada da área para o remate sempre colocado, não em força, em classe.
João Alves não tem tido as lembranças colectivas a seu factor. Foi dos GRANDES (mas é de meter maiúsculas nisso!) que vi jogar e vi-o jogar tantas vezes.
É bom reencontrar aqueles que nos deram momentos especiais.
Seja nos corredores do Estádio da Luz, seja nos corredores da vida."

Afonso de Melo, in O Benfica

Aviso

A nomeação do Desdentado para Braga, só confirma os meus receios. Tal como afirmei na crónica ao jogo com a Académica, amanhã, para a Taça, no Dragay, temos que poupar jogadores.
Em condições normais as Meias-finais da Taça vão ser decididas no 2.º jogo, só com um resultado anormal amanhã, é que alguma coisa ficará resolvida.
Podia descrever todas as roubalheiras que o Desdentado efectuou ao longo da sua carreira, mas basta relembrar a forma canestra como no último Sporting-Corruptos, o Desdentado, mais uma vez, conseguiu 'construir' o resultado, invertendo o vencedor... Quando alguém depois de fazer o que fez, continua a ser nomeado, para jogos importantes, é porque o 'resultado', agradou!!!
O Sistema não dorme. Uma vitória do Benfica em Braga, praticamente decide o Campeonato. Com 7 pontos de vantagem, e 5 jogos para jogar, sendo 3 na Luz, e só 2 fora, o Benfica ficaria só a precisar de vencer os jogos na Luz... Isto se o Sporting vencer todas as partidas que faltam, algo que não é liquido.
Os Corruptos, querem adiar ao máximo a decisão do Campeonato, os Corruptos querem jogar a 2.ª mão das Meias-finais da Taça de Portugal, com o Campeonato ainda em aberto, porque nesse caso o Benfica teria ainda prioridades mais altas do que a Taça de Portugal... Este é o seu primeiro objectivo, e se depois conseguirem criar uma onda negativa no Benfica, ainda melhor...

Amanhã, descansava o Siqueira, o Fejsa, o Marko, do Gaitán e o Rodrigo. Sendo que o Luisão e o Lima também podiam ficar de fora. Como o Enzo para a semana em Alkmaar não vai jogar, jogaria com o Rúben no meio, o Maxi regressava, o Sílvio passava para a esquerda, o Salvio e o Sulejmani nas alas, o Jardel podia entrar e só tenho dúvidas no companheiro do Cardozo lá na frente: André Gomes, Cavaleiro ou até o Djuricic... qualquer um, podia jogar. E teríamos excelentes probabilidades de vencer. Mas a convocatória do Jesus parece não acompanhar a minha opinião...

O jogo da Pedreira vai ser uma autêntica final...

Emoção