Últimas indefectivações

quinta-feira, 15 de julho de 2021

Comunicado


"A Direção do Sport Lisboa e Benfica informa que recebeu do Presidente da Mesa da Assembleia Geral a carta de renúncia ao mandato enviada por Luís Filipe Vieira.
A Direção reunirá amanhã, sexta-feira, durante a manhã, para formalizar as necessárias alterações à sua composição, de acordo com os estatutos.
A Direção do Sport Lisboa e Benfica apela à união de todos os Benfiquistas em torno dos objetivos comuns e na salvaguarda dos superiores interesses do Clube."

Análise: Crise Directiva no Benfica

João Mário...

O quadrado imaginário de Volante


"Na frente dos centrais, o lugar era dele. Os treinadores começaram a ensinar: ‘Vê? Joga como o Volante!’ A gente cá chama-lhe trinco.

A maneira como fazia de conta que ia para lá e, de repente, saía pelo lado contrário era desconcertante. Mas não abusava. Na maior parte do tempo ficava sobriamente vigiando o adversário mais próximo e pronto para o deitar abaixo se preciso fosse. Volta e meia dava um berro, em italiano como o pai, Giuseppe Volante, ferreiro ferroviário, uma profissão que mete mais erres pelo meio do que o falar de um pescador de Setúbal. Giuseppe tinha sete filhos e a certeza de que o mais novo era o mais esperto de todos. Mas José Peppe Norberto Volante queria mesmo era jogar futebol na equipa do Lanús, clube que nascera num dos subúrbios de Buenos Aires e cujo dono fora um francês misturado de basco e grego, Anacarsis Lanús. O Clube Atlético Lanús nasceu aí mesmo, fruto da fusão do Lanús Athletic Club e do Lanús United. José jogou lá. Depois foi treinador. Finalmente presidente. Era mesmo um tipo esperto.
Já Carlos, o filho número quatro de Giuseppe, andava de um clube para o outro. Não era fixado no Lanús como o irmão. Só jogou lá um ano. Chegou para ficar para sempre como um dos mais importantes futebolistas que por lá passaram. É preciso dizer que os outros clubes de Lanús também tinham todos Lanús no nome, não eram só o Athletic e o United. Havia o Argentino de Lanús e o Lanús Central. Carlos andou por todos. Mas quando se tornou jogador a sério, profissional de papel carimbado e assinatura reconhecida, foi no Atlético ao qual os adeptos chamam carinhosamente de Granate por causa da cor grená das camisolas.
Inquieto, Carlos seguiu para o Adrogué. Recrutado para o serviço militar saiu da tropa e passou a ser galucho do San Martín. Ninguém dava muito por ele. Carlos Martín Volante, nascido no dia 11 de novembro de 1910, volta e meia dava aqueles gritos em italiano, recompondo os meios-campos em que jogava, mas era mais de ficar do que de ir e o povo gostava mesmo era aquele jeito de não ir e ir mesmo. Tornou-se um jogador fixo. Desenhava mentalmente um quadrado em frente dos centrais e esse quadrado era dele._Mas mesmo dele, como se lhe pertencesse. Quem entrasse no seu quadrado não ouvia apenas os urros em italiano. Às vezes tombava no chão como um pinheiro cortado pela raiz.
Em 1928, Carlos estava no Platense, sempre sem saber para onde iria a seguir. Quando calhou jogarem com o Lanús, combinou com o irmão, José, que estava no primeiro ano da carreira, que não jogaria. Não ficava bem irmão contra irmão. Então foi a vez de a mãe Volante dar um berro: «Jogam os dois!». E que dessem tudo pela vitória que era assim que os tinha ensinado. O jogo não correu bem a Carlos. Ficou lá no seu quadrado e viu José empurrar o Lanús para um triunfo por 5-2. O público, esse, gritava contra Carlos, acusando-o de traidor. O público dos dois clubes: do Lanús por ter saído de lá; do Platense por achar que estava a fazer um frete aos da sua terra. Encolheu os ombros. Uns dias depois era chamado à seleção argentina pela primeira vez.
Nesse mesmo verão, o Gimnasia de La Plata fez uma excursão pela Europa. Um sucesso. Ganhou ao Real Madrid e ao Barcelona e foi jogar a Nápoles onde o médio-centro José María Minella encheu o campo. Os italianos quiseram ficar com ele, mas de pouco valeu a insistência. Acabaram por perguntar-lhe que jogador argentino se parecia mais com ele no estilo._Minella não teve dúvidas e indicou Carlos Volante. O convite chegou e a gritaria também. A mãe tinha os filhos todos presos pelos fundilhos e proibiu Carlos de assinar contrato. Então ele propôs: «Vou pedir 150 mil Liras por dois anos e mais quatro mil por mês. Ninguém paga tanto. Mas se pagarem, vou». Pagaram. E viagem e casa para ele e para o pai. Continuou inquieto: Nápoles, Livorno, Torino... Casou com uma filha de família rica de Turim, Maria Luísa, mas, quando soube que Mussolini tinha dado ordens para que todos os estrangeiros naturalizados, os ‘oriundi’, fossem chamados para o serviço militar, decidiu que já tinha tido tropa que chegasse e passou a fronteira para França. Tomou conta do seu quadrado imaginário com a perseverança de sempre, no Rennes, no Lille e no CA Paris. Durante o Mundial de 1938, ofereceu-se para ser massagista da seleção brasileira. No regresso foi junto e assinou pelo Flamengo. Mas para jogar.
Em 1939, o Flamengo tinha uma equipa cheia de argentinos: Arturo Naón, Agustín Valido, Alfredo González, Raimundo Orsi (que foi campeão do mundo pela Itália) e Carlos Volante. Carlos finalmente aquietou: ficou no clube até 1943.
Manteve-se um defensor feroz do seu quadrado. Naquela zona do campo só havia lugar para ele. Depois, quando o adversário vinha ao seu encontro, ou lhe roubava a bola e saía naquela simples complexidade do vai não vai e vai mesmo, ou derrubava o mamífero logo ali, sem piedade. Os treinadores começaram a ensinar os seus jogadores: «Tá vendo o Volante? Joga como ele. Joga como Volante». O nome ficou. A gente por cá chama-lhe trinco._ Mas, no Brasil, quem está na frente dos centrais é sempre o Volante."

Treino...

Modalidades #55 - Semanada...

Leonor...

Lanças...

105x68...

Práticas corporais desportivas


"Pensar sociologicamente o desporto em Portugal não se afigura fácil. É estar exposto a um conjunto de saberes e de crenças que se impõem sub-repticiamente. O interesse socialmente reconhecido da prática desportiva leva a que fiquem num estado do não pensável. O sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002) recorre a uma metáfora para explicar o bom uso que convém fazer da teoria sociológica geral e que pode ser transposta para uma sociologia do desporto, lembrando-nos que os indivíduos se vergam a regularidades nas suas práticas quotidianas sem ter consciência explícita de obedecer às regras. É importante conhecer as regras de um desporto para compreender o que se joga realmente. Isso não significa que os atletas/praticantes tenham consciência de “obedecer às regras” na sua ação. O domínio das regras é, antes de mais, algo que tem a ver com a competência prática antes de ser uma operação intelectual. A aquisição pela aprendizagem de uma prática consiste na incorporação de códigos sociais múltiplos.
Um exemplo ajuda a melhor compreender os atos em função dos códigos simbólicos do desporto. Em agosto de 2014, num campeonato europeu de atletismo, o francês Mahiedine Mekhissi retirou a sua camisola antes de chegar aos 3000 metros. Foi advertido pelo comité de controle das provas. O seu comportamento não era admissível, mas não foi colocado em causa o resultado da prova. No dia seguinte, veio a desqualificação, depois de uma reclamação da delegação espanhola, transformando o se ato em “falta desportiva total”. O atleta foi acusado pela sua atitude de não ter respeitado as regras técnicas.
Existe uma dupla codificação da prática desportiva, que releva das próprias regras e das relações com o espaço social. É preciso ter em atenção a forma de praticar, o contexto, a situação competitiva e o “label” institucional. Existe um etnocentrismo nacional, reforçado pelo eurocentrismo dos “guardiães” do espaço desportivo. É sobre a base do poder de inculcação moral ligado ao desporto que as principais instituições, encarregadas de assegurar as funções de programação mental, tais como Escola, as religiões e os Estados, que se ampararam desta prática tão particular, para colocar ao serviço as suas visões do mundo."

Sem redenção


"E o veredicto chegou sob a forma de um cruel sintagma – “elevada probabilidade de eventos coronários”. E ele, com a alma vestida da mais despida desilusão, fez passar em flashback o filme da sua vida onde o herói não tem as moças para salvar, mas unicamente o desejo de se salvar a si próprio. Como se salvou ele? Ouçamos esta versão muito resumida da sua estória. Tudo começou lá longe, no estreito corredor do quintal das traseiras de sua casa, onde os duros talos de couve substituíam eficazmente os sticks de hóquei que nunca teve. Ele num lado, o seu amigo de sempre do outro, e toca a despachar uma bola feitas de trapos no afã de viver em ilusão a saga dos heróis de hóquei em patins que nos tinham dado mais um título mundial.
A partilha das aventuras desportivas tinha um especial momento de emulação quando se embrenhavam, em luta um contra o outro, na nobre modalidade desportiva de alta competição que se denominava – o vira. Passo a explicar para os disfuncionais de todos os teclados eletrónicos. O vira, era uma modalidade de alto risco, em que através de um rápido movimento da mão em concha se tentava virar para cima as imagens dos jogadores da bola. Tal conseguindo ficava-se com a quantidade de jogadores virados. Alguns utilizavam “escupe” para facilitar o viranço o que entrava no campo dos procedimentos ilegais condenados pelo tribunal ad hoc construído no momento. Certo dia, daqueles dias em que saímos à rua e tudo nos sai bem, na pugna “virística” contra o amigo ganhou-lhe todos os jogadores. Ele ainda lhe perguntou: - Ouve lá, tu puseste “escupe” na mão? Logicamente negou. Foi jogo limpo. O seu adversário de ocasião quase chorava pois tinha perdido os jogadores do seu panteão particular, a saber, Pinho, Acúrcio, Jaburu, Pedroto, Hernâni, Monteiro da Costa, Virgílio e outros. Passaram-se os dias e o derrotado continuava fechado na sua vil tristeza até que o nosso herói lhe pediu para copiar as contas de multiplicar e dividir que eram trabalho de casa exigido pelo professor Vasconcelos da escola do Bomfim. Como já se disse noutro lado, em relação às contas de “sumir” e “substramir” o nosso herói lá se ia safando, mas os confusos algoritmos das contas de multiplicar e dividir ultrapassavam a sua capacidade de processamento e, no âmbito das contas, ia de mau em mau até ao péssimo terminal. Logicamente que o amigo recuperou todos os jogadores perdidos pois a aselhice e a iliteracia matemática têm um preço.
Nas suas pugnas desportivo-guerreiras mimoseavam-se com vocábulos tais como camurço (metade camelo, metade urso) e naburço (metade nabo, metade urso). Estes insultos inenarráveis eram condimentados à pedrada, cada um protegido pela sua árvore. Só que o homem-que-sabia-fazer-contas já tinha alguns conhecimentos rudimentares de balística e, em vez de arremessar a pedra em linha reta, projetou-a, um dia, através de uma parábola invertida. A pedra subiu no éter e aterrou no cocuruto do “inimigo” transformando a face risonha e irónica do autor destas letras numa imensa catarata de lágrimas que, como o poeta dizia, se acrescentaram em imenso e caudaloso rio. “Vou fazer queixa à tua mãe”. “Não, por favor, não vás”. Foi. E mal ele começou a alombar com a ira punitiva da mãe logo a dor lacrimosa terminou e se transmutou num riso de satisfação vingativa na face do ofendido.
Quando por volta dos 14 anos começou a praticar basquetebol e remo na Mocidade Portuguesa o nosso herói levava no alforge o capital de experiências motoras que a infância e os anos pré-pubertários lhe tinham propiciado. Algumas das proezas físicas envolveram enorme risco. Um dia, por volta dos seus doze anos, subiu a uma das tílias que cobriam o recinto das suas brincadeiras e com os braços a tremer do esforço começou a chorar até que os funcionários do tribunal da rua Formosa o ouviram e o foram acudir.
No meio de tanta pobreza material nunca ninguém foi mais rico que ele em vivências motoras. Não, não era brincar, era verdadeira paixão pela brincadeira e movimento que o transformaram num émulo de Sísifo. Cada dia recomeçava com o afã de levar o pedregulho até ao cimo do monte. Em cada dia renascia renovado preparado para a tarefa nunca conseguida de se satisfazer com o jogo. O jogo, o desporto, entrou-lhe na vida pela porta mais robusta e duradoura – a porta da emoção e nunca mais de lá saiu.
Acreditem por favor. Exame de Contabilidade. A coisa não lhe estava a correr muito bem. Através da janela vê o diretor da escola a pintar o campo de basquetebol. Sai do exame e vai ajudar o diretor na nobre tarefa de pintar o campo para o jogo que aconteceria de tarde. Só fez Contabilidade na segunda época.
Acabou o curso comercial e começou logo a trabalhar. Isto nos seus 16 anos. Era o funcionário com mais habilitações escolares no escritório, mas o que ganhava menos – 500 escudos. Dava todo o dinheiro à mãe e ela “semanava-o” com 50 escudos. Aproxima-se o verão e as provas de canoagem em Espanha. Diz ao patrão: - O meu pai não quer que eu trabalhe mais”. Diz ao pai: - O patrão mandou-me embora pois tinha de me meter no quadro”. Com estas mentiras repetidas, com variações ad hoc a cada ano, ficava com os meses de verão disponíveis para o remo e canoagem. O basquetebol começou mais organizado nos seus 17 anos nos juniores do Clube Fluvial Portuense.
Entretanto vem a tropa e o desporto ficou suspenso quatro anos, mas não a atividade física levada aos limites. Não desenrolando em vaidades avulsas a sua competência motora, eis uma só traduzida em realizações militares. Na recruta, nas Caldas da Rainha, bateu o recorde da pista de obstáculos que pertencia ao Rui Rodrigues, jogador da bola da Académica. Pronto, para gabarolice já chega.
Importa referir a sua saga desportiva na Guiné. Um dia, muito debilitado psicológica e emocionalmente pelas acontecências da guerra, veio a Bissau tirar um dente. Tratar o dente era ir e regressar no mesmo dia. Dente fora dava uma semana a coçar a micose em Bissau. Decidiu tirar o dente mesmo contra a vontade do médico que disse que tal não se justificava. Com medo após atitude intempestiva do nosso ranger, o dentista lá se decidiu pela extirpação que mais tarde foi revertida à base de 1500 euros cada implante. No fim de semana alguém se lembrou de fazer uma jogatana de basquetebol entre a malta guerreira no decrépito campo da escola secundária. Só para matar saudades, mas a coisa foi difícil e redundou em entorses e ruturas. Um jogo e regresso à mata. O correspondente do Norte Desportivo, militar de ar condicionado na capital da Guiné, amigo do nosso herói e que com ele tinha jogado basquetebol no Fluvial, enviou para a metrópole uma notícia que terminava com algo parecido com: “O craque do Académico continua a espalhar na Guiné a magia do seu basquetebol”. Para notícia forjada não esteve nada mal. É assim que se constroem famas indevidas.
Regressado a penates mergulhou nas profundezas de um Banco a que acedeu facilitado pelas habilidades basquetebolísticas tão bem expressas na Guiné através de um jogo entre gordos e ancilosados. Durou pouco (um ano) a sua punição “banquística”. Abandonou o banco e entrou de alma e coração no Olimpo, aquele lugar no éden Grego que tem o Desporto e da Educação Física como forma de realização existencial. Da sua folha de serviços tendo a prática desportiva como referência algumas se salientam: (i) férias da Páscoa de 1996. Descida em solitário do rio Douro. O rio ia bravo pelas chuvas de inverno. Uns 50 km abaixo de Almazán rio tapado por árvore caída. O canoísta aventureiro embrulha-se emergido nos ramos e não sabe como escapa do afogamento. O rio poupou-o, pois, ainda era cedo. A ele há de regressar um dia, definitivamente, reduzido à sua dimensão quântica. (ii) maio de 2005. Rio Tejo. Lá para cima onde o rio é reserva natural protegida. Pagaia todo o dia e a noite caiu sem povoado à vista. Toca a dormir na margem, no saco de dormir. Por volta da meia-noite, barulhos estranhos acordam-no. Noite cerrada e perscrutando silhuetas contra a luz das estrelas divisa uns cornos bem afiados. Veados, a quem tinha fechado o acesso à água. Levanta-se rápido e vai dormir fora do trilho dos animais. Foi por pouco. (iii) junho de 2008. Um companheiro de longa data pretende um parceiro para fazer uma prova em França – o Dordogne integral, 135 km seguidos em competição. Quem quer casar com a Carochinha? Quem? Ninguém. Alguém se lembrou do único João Ratão possível. Só há um que vai contigo de certeza. Quem? O seu nome foi a resposta. Bem, foi coisa dura pois foi sempre a dar-lhe sem parar. Mais de sete horas seguidas de esforço. Ficaram em segundo da geral, mas para sobreviver, além dos geles que iam colados a fita-cola no casco do K2, iam também colados três comprimidos de Voltaren rapid que atenuaram as dores musculares e da artrose da anca no decurso da prova.
Ficamos por aqui, mas muito mais haveria a acrescentar ao filme deste jovem que agora se depara com o veredicto da morbilidade coronária. Que fazer? Haverá redenção para os “crimes” desportivos que cometeu? Querem-no condenar agora à imobilidade. Não é justo. Os deuses têm que ter piedade e permitir-lhe que continue a saga maravilhosa que deu sentido à sua vida. Há sempre redenção para quem pecou por amor. Já diz o aforismo popular que de popular tem pouco – mais vale ser rei por um dia que vassalo toda a vida. O nosso herói tem sido rei neste curto lapso de tempo que é uma vida. Tem toda a eternidade para ser vassalo.
Uma prática desportiva totalmente absorvente e com viagens frequentes ao excesso não tem redenção. Há sempre um preço a pagar. O coração fraqueja? Sim. As articulações claudicam? Sim. Mas a alma viceja na fruição duma vida em que o desporto foi fautor de transcendência."

quarta-feira, 14 de julho de 2021

Sporting CP revolta-se contra Sporting CP


"Hoje fomos brindados com um comunicado da Sporting CP Futebol, SAD a insurgir-se contra a transferência de João Mário do Internazionale Milano para o Sport Lisboa e Benfica.
Considera o Sporting que "foi usado um expediente para que o Inter e o jogador João Mário se procurassem eximir ao que contrataram com o Sporting em 2016" e então decidiu avançar para tribunal.
Certamente o mesmo Sporting CP se lembrará ter defendido em tribunal que não tinha de pagar qualquer valor à Sampdoria relativo aos 10% da mais-valia do negócio de Bruno Fernandes para o Manchester United, isto é, 4,6 milhões de euros, na sequência da transferência deste para o clube inglês.
A Sporting CP Futebol, SAD defendeu, na altura, que o facto de Bruno Fernandes ter rescindido o seu primeiro contrato com o Sporting CP e ter assinado um novo contrato com o mesmo Sporting CP tinha extinguido o direito da Sampdoria de auferir quaisquer valores da transferência do jogador.
Ou seja, aquele tipo de malabarismos e de contorno das regras que adoram aplicar para benefício próprio mas repudiam na praça pública quando não lhes é favorável nem conveniente. Talvez os comunicados que deixamos em anexo estimulem a fraca memória do clube leonino."

Benfica Podcast #411 - Just when you thought is was safe

terça-feira, 13 de julho de 2021

Comunicado


"O plenário dos Órgãos Sociais do Sport Lisboa e Benfica esteve reunido esta tarde. Foi analisada em pormenor a situação do Clube e de todo do grupo Benfica, em clima de coesão e unidade.
Comum a todos os intervenientes a preocupação de defender os interesses da instituição acima de quaisquer outros.
Ficaram unanimemente identificados os objetivos de curto prazo a que se torna imperativo dar resposta:
- Preparação da época desportiva no futebol;
- Qualificação para a Champions League;
- Preparação da época desportiva nas diversas modalidades;
- Garantir a normalidade na gestão;
- Assegurar um adequado fecho do mercado de contratações e vendas;
- Conclusão, com sucesso, do empréstimo obrigacionista em curso;
- Unidade no universo Benfiquista.
Foi sublinhado que a Direção do Sport Lisboa e Benfica está seriamente empenhada em garantir que esses objetivos sejam alcançados, pelo que terá uma atuação intransigente em relação às matérias abordadas.
Nessa perspetiva irá trabalhar, com dedicação, firmeza e sentido das responsabilidades para garantir a estabilidade e tranquilidade necessárias a fim de que as prioridades definidas sejam resolvidas com sucesso no tempo estritamente indispensável.
O Presidente da Direção, Sr. Rui Costa, sublinhando a unanimidade de todos os vice-presidentes, informou o plenário que, finda essa missão, irá promover todas as diligências tendentes à realização de uma consulta aos sócios.
O ato eleitoral deverá ocorrer até ao final do corrente ano.
O plenário faz um apelo à união e ao sentido de responsabilidade de todos os benfiquistas na construção de um Benfica cada vez maior."

Entrevista...

João Mário | O “8” já chegou!


"Acaba finalmente a novela João Mário, com os benfiquistas a saírem por cima dos rivais leoninos na disputa pelo jogador que foi campeão nacional 2020-21, e com papel preponderante no sistema de Rúben Amorim.
A famosa cláusula “2.7” do contrato que ligava João Mário ao Inter de Milão – a tal anti-rival – foi contornada com uma rescisão de contrato, método que Steven Zhang, o jovem proprietário do Inter, interpôs como de mais abonatório às partes interessadas: ficou, assim, o jogador livre de assinar pelas águias e a dívida italiana ao empresário do jogador, Federico Pastorello (quatro milhões de euros pelos negócios de Lukaku e Candreva).
Seria também assumida pelo SL Benfica o custo de intermediação, como a totalidade do mesmo salário que auferia em Milão – 3,5 milhões de euros anuais, qualquer coisa como 5,5 milhões brutos. Contas feitas, 7,5 milhões que saem já dos cofres da Luz e aproximadamente 20 milhões de euros em salários, estes divididos pelos cinco anos de contrato.
Entre Inter e Sporting CP, a comunicação não foi fluída e a interação não foi completamente amigável. Na origem da discórdia está a intransigência leonina em fazer cumprir a cláusula anti-rival imposta aquando da venda de João Mário aos italianos em 2016, que obrigaria o clube italiano a compensar o Sporting CP em 30 milhões caso o jogador fosse transferido para um dos rivais portugueses.
Foi até à última que Frederico Varandas alertou Zhang para essa condição, o que obrigou ao proprietário chinês do Inter a render-se à tentação de outros caminhos, de mais fácil resolução e que desbloqueassem o processo junto do SL Benfica: ao dois interessava a célere conclusão do negócio, que se arrastava já há semanas.
À pergunta do Inter sobre se era pretendido igualar a oferta dos encarnados (7,5 milhões de euros), o Sporting CP respondeu sempre negativamente, ficando-se pelos cinco milhões: inflexibilidade que levou a que os italianos optassem pela via negocial concretizada ontem.
Rescindindo com o jogador, evitam-se futuras complicações, ainda que o clube leonino não desista e já tenha vindo a público com comunicado que denuncia a utilização de “um expediente para que o Inter e o jogador João Mário se procurassem eximir ao que contrataram com a Sporting Clube de Portugal – Futebol, SAD em 2016“, acrescentando ainda que “todas as partes sabiam as obrigações que assumiram” nesse mesmo ano e a que, volvidos outros cinco, “pretendem furtar-se“.
Depois de uma experiência falhada em Itália, onde nunca se conseguiu assumir, tendo sido emprestado consecutivamente a West Ham United FC, Lokomotiv de Moscovo e Sporting CP, João Mário era visto como excedentário para o plantel nerazurro.
A ausência do Euro 2020 terá certamente pesado na decisão controversa do jogador – a vontade de continuar em Portugal obrigou-o a ambicionar voltar a trabalhar com Jorge Jesus, o técnico que o projetou em termos internacionais e que lhe permitiu a carreira acima da média em 2015-16, que lhe justificou a titularidade naquele Euro, de onde saiu com a medalha de campeão.
Trocando Sporting CP por SL Benfica, João Mário tenta repetir esse capítulo da sua história, até porque em 2022 há Mundial do Catar, certamente ao qual o jogador, já com 29 anos, não aceita ficar de fora.
Todo este processo foi concluído ontem, permitindo ao jogador aterrar em Tires ao final da tarde. Hoje já trabalhou às ordens de Jorge Jesus no Seixal, depois de uma breve apresentação nas redes sociais, onde surgiu Rui Costa como representante presidencial, continuando o ex-jogador a assumir as vezes de dirigente máximo dos encarnados."

Treino...

João Mário


Admito que quando li pela primeira vez o suposto interesse do Benfica no João Mário, pensei que seria mais uma das muitas tretas do mercado... na pior das hipóteses, uma estratégia dos italianos para fazer o Sporting pagar mais...!
Mas com o passar do tempo, a notícia ganhou credibilidade... nessa altura, liguei o facto do Jesus já ter sido treinador do João Mário, e fiquei convencido que este deveria ser um pedido expresso do treinador!
O problema é que o João Mário hoje não é o mesmo jogador que já foi... principalmente aquele que foi treinado pelo Jesus no Sporting! Nunca foi um jogador com muita intensidade, e hoje fisicamente já deixa alguma coisa a desejar...
Tecnicamente e tacticamente tem qualidade... e poderá ajudar o Benfica no último passe! A definição das jogadas nos últimos metros tem sido um dos problemas do Benfica nas últimas épocas... Mas temos que esperar para ver como se irá adaptar aos novos colegas, e ao novo esquema!

Benfica After 90 - Worldwide...

Filip Krovinovic | Cansado, afastado e agastado


"O SL Benfica é neste momento uma casa a arder, adquirindo a expressão “Inferno da Luz” um novo e indesejado significado. Entretanto, as fugas de gás que vão acentuando a intensidade do incêndio parecem ocorrer em catadupa. Uma dessas fugas de gás surgiu na forma de uma fuga de informação privada de Filip Krovinovic.
Em conversa informal com um “amigo” (chamemos-lhe assim por conveniência vocabular), Filip Krovinovic desabafou sobre a delicada situação desportiva em que se vê inserido no SL Benfica. No áudio que tem circulado pela Internet e não só, ouve-se o médio croata a revelar ao interlocutor do outro lado da chamada que Jorge Jesus não lhe havia dado qualquer minuto de jogo na partida de pré-época frente ao SC Covilhã.
Audivelmente melindrado pela situação, o jogador de 25 anos insulta o treinador das águias de forma leviana. A punição foi imediata e o croata foi afastado dos trabalhos do plantel. Verdade seja dita, parece que antes já não estava propriamente dentro dos mesmos. Talvez importe perguntar: “a punição justifica-se ou trata-se de uma reação exagerada perante uma situação normal?”.
Antes de responder, deixo apenas a nota de que o “amigo” de Krovinovic teve uma atitude absolutamente reprovável segundo qualquer padrão moral e, acima de tudo, segundo qualquer código de amizade. No entanto, o áudio é agora público e as consequências para o médio dos encarnados já se fizeram sentir.
Mas, justifica-se a punição? Sim e não. Isto é, do ponto de vista da gestão externa do grupo (ou seja, a gestão de dentro para fora) é compreensível que se puna o futebolista, visando assim dar um sinal de que estão bem estabelecidas no grupo de trabalho as hierarquias de autoridade.
Ao castigar o jogador, o SL Benfica mostra que atitudes que possam ser nocivas para o grupo de trabalho serão alvo de escrutínio e sanção, transmitindo uma mensagem para fora (mas também para dentro) centrada na imposição de respeito para com quem, dentro do grupo, goza de mais autoridade.
Jesus, como treinador, tem mais autoridade do que os jogadores sob a sua alçada e, ao ser desrespeitado, será protegido e o desrespeitador será punido – é, no fundo, esta a mensagem. Por outro lado, numa visão meramente interna da gestão do grupo, muito provavelmente não se justificava tão dura sanção.
Haveria, natural e necessariamente, uma conversa entre treinador e jogador (eventualmente com a presença do restante grupo de trabalho), mas tudo seria sanado, acredito eu. Em condições normais, a expressão do seu descontentamento – ainda que com um insulto nada agradável – não seria suficiente para que o jogador fosse alvo de consequências desta magnitude e este continuaria, acredito eu mais uma vez, a trabalhar junto do grupo.
O problema é que as condições que circundam o caso não são normais. A conversa, idealizada por Krovinovic como privada, tornou-se pública num ato de má-fé e gerou uma onda de reações e de pressões externas que acentuaram a necessidade de haver uma reação dura da parte da estrutura e da equipa técnica encarnadas.
Posto isto, não sou capaz de dar uma resposta que não seja híbrida, considerando que talvez não fosse preciso aplicar tão duro castigo a Filip Krovinovic, mas compreendendo que quiçá essa aplicação tenha sido a única forma de manter a estabilidade da relação treinador-jogadores."

segunda-feira, 12 de julho de 2021

O que espera Jorge Jesus de João Mário?

Manual de instruções para uma transição


"E onde havia fumo surgiu, enfim, o fogo.
Durante demasiado tempo, ouvimos insinuações e suspeitas em torno de Luís Filipe Vieira; agora, temos factos e acusações – e se de insinuações fomos educados a não falar, aos factos não podemos fechar os olhos. A justiça fará o seu caminho e Vieira procurará provar a sua inocência como melhor entender, mas, independentemente disso, não mais poderá voltar a ser Presidente do Benfica. Não é compatível; não é aceitável.
Agora, ao abrigo dos estatutos e com total legitimidade e naturalidade, a direção do Benfica continua em funções e o seu vice-Presidente ascende a Presidente, mas se o Rui Costa e esta direção querem verdadeiramente o melhor para o Benfica, há um conjunto de ações que têm absolutamente de fazer nesta etapa de transição:
1. Convocar eleições num prazo máximo de seis meses. O Benfica tem de estar unido; neste momento, não está unido e nunca estará sem eleições que sufraguem um novo programa.
2. Preparar a próxima época e mantê-la totalmente estanque, impermeável à menor hipótese de contaminação pela situação diretiva do clube. Isto significa: criar condições para entrar no campeonato a liderar, garantir o acesso à Liga dos Campeões, colocar as modalidades na esteira do regresso ao êxito e concluir, com sucesso, o empréstimo obrigacionista, já que dele depende a estabilidade financeira do Benfica. Há muito trabalho a fazer neste defeso e início de temporada e é por isso que não se pode (ou não deve) querer convocar mais cedo eleições e, com elas, correr o mais que provável risco de paralisar tudo o que de urgente há a fazer.
3. Solicitar uma auditoria externa para que todos nós, família benfiquista, percebamos onde falhou a instituição Benfica, se é que houve alguma falha na instituição Benfica. E convidar a integrar a comissão que dirija esta auditoria os candidatos às últimas eleições, isto é: Rui Gomes da Silva e Noronha Lopes.
4. Apresentar um regulamento eleitoral no prazo máximo de 90 dias. O Benfica não o tem e não pode continuar a não o ter. Assim que termine a preparação da época desportiva, esta terá de ser a primeira prioridade de Rui Costa.
5. Assumir o compromisso – não só esta direção, mas quem quer se que se candidate às próximas eleições – de fazer obrigatoriamente uma revisão dos estatutos do clube nos 100 primeiros dias de mandato.
Uns já vão aos telejornais da noite aproveitar a detenção de Vieira para atacar Rui Costa e lançarem-se em campanha eleitoral. E pior: para criticar a equipa técnica, sem pensar que podem ter de vir a conviver com ela e sem que lhes preocupe, por um momento, se estão a desestabilizar a equipa e a divorciar dela os adeptos numa fase tão embrionária da época.
Outros vão-se deixar ficar na cínica posição de quem espera para ver no que isto vai dar e logo decidir o que fazer.
Da minha parte, quero deixar bem claro o meu apoio a Rui Costa. O Rui foi e é uma enorme figura do clube, mas nunca teve pela frente um desafio com a responsabilidade daquele que agora se lhe coloca. Torço por ele agora como torcia quando perfumava os relvados com a magia dos seus passes e a inteligência da sua visão de jogo. Quem me dera, quem nos dera, que ele seja também um 10 da liderança.
Porém, mais do que o Rui isoladamente, defendo uma solução conjunta com José Eduardo Moniz. A arte e a ciência; o homem do futebol e o gestor. São estes os vetores estruturantes para uma transição que coloque depressa o Benfica, de novo, no caminho do sucesso.
Mas que não fiquem dúvidas: esta direção não pode por um momento pensar que lhe basta o formalismo legal para se legitimar. Não pode esconder-se atrás dela. Rui Costa está onde deve estar como número 2 de um bilhete eleitoral votado há menos de um ano, mas tem de convocar eleições assim que esta temporada esteja preparada e lançada.
Ser líder não é uma herança que se recebe; é um direito que se conquista quando se ganha. E estou certo de que ninguém sabe disso melhor do que um campeão português, italiano, europeu e mundial.
Vamos, Rui. O povo benfiquista está de novo todo aos teus ombros."

Uns Jogos Olímpicos bem diferentes


"Os Jogos Olímpicos constituem a competição desportiva de maior prestígio mundial. Nela participam mais de 200 países.
Os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, depois de adiados por um ano, vão mesmo em frente. Como é sabido, enfrentaram sérias complicações devido à pandemia. Tal facto não impedirá a ocorrência de uma realidade inequívoca consubstanciada no facto de, durante duas semanas, cerca de 11.000 atletas poderem exibir, em condições de segurança, a excelência atlética do planeta.
De facto, a situação pandémica no Japão não se constituiu como obstáculo intransponível. Os Jogos iniciar-se-ão no dia 23 de julho e terminarão a 8 de agosto, mesmo que a cidade esteja sob estado de emergência. O mesmo se verifica para os Jogos Paralímpicos, que decorrerão entre 24 de agosto e 5 de setembro.
Qual a situação Covid 19 no Japão?
Sabe-se que o número de casos é relativamente baixo, mas uma nova onda de infecções teve início em abril passado e algumas áreas enfrentaram fortes restrições.
O Japão só começou a vacinar as pessoas em fevereiro, relativamente tarde. Até agora, apenas cerca de 5% da população japonesa está totalmente vacinada.
Neste contexto, que medidas estão em vigor para estes Jogos Olímpicos?
Atletas internacionais e equipas de apoio serão submetidos a protocolos de testagem rigorosos, antes da partida e na chegada ao Japão, e também durante o evento. Não se vislumbra que tenham necessariamente que ficar em quarentena, mas deverão permanecer em bolhas e evitar contactos com os locais e é claro que não existirão exceções para os atletas e equipas de apoio. Algumas destas decisões poderão ser alvo de reconsideração.
Apesar da vacinação não ser obrigatória, o Comité Olímpico Internacional (COI) espera que cerca de 80% dos participantes sejam portadores da vacinação concluída.
Uma pesquisa recente de um dos principais jornais do Japão estima que cerca de 80% da população se manifestou a favor do adiamento ou cancelamento dos Jogos Olímpicos. Esta situação também foi suportada pelas instituições representantes da comunidade médica japonesa.
No entanto, nenhum país com representatividade através de delegações numerosas se manifestou contra os Jogos, apesar de se terem emitido alguns alertas, caso dos EUA.
Será que a hipótese de cancelamento consubstanciava alguma viabilidade?
Sim, no plano meramente hipotético. De acordo com a história dos Jogos Olímpicos, só em circunstâncias limite e excecionais, como ocorreu no período das guerras mundiais, o cancelamento teve lugar. Por outro lado, sabe-se que o regime contratual entre o COI e a cidade-sede de Tóquio deixa claro que apenas o COI pode cancelar o evento.
O COI não poupou esforços no sentido de se criarem as condições para uns Jogos em segurança. Tal facto está bem patente nos conteúdos das três edições dos playbooks, já do conhecimento publico.
Serão uns Jogos Olímpicos como os outros?
Não, serão bem diferentes.
Os atletas terão condições para atingir as suas melhores prestações?
Estamos em crer que sim, desde que se consciencializem do que vão encontrar neste Jogos e saibam lidar com as condições particulares decorrentes dos procedimentos a adoptar.
Serão espetaculares?
Seguramente menos do que outras edições anteriores.
O verdadeiro atleta é aquele que vence as adversidades e vale o que a situação exige. Este Jogos ficarão indubitavelmente na História, pelos motivos que conhecemos, mas seria desejável que o ficassem também pelo brilho que os atletas, mercê das suas prestações, lhes poderão emprestar."

Euro2020: Itália 1 (3) - (2) 1 Inglaterra

Dobradinha...


Parabéns às nossas hoquistas, que conquistaram hoje a Taça de Portugal, confirmando a dobradinha e o domínio da nossa secção na modalidade...
Hoje com o Infante de Sagres, o jogo até foi fácil, mas ontem na Meia-final com o Sporting, foi novamente desnecessariamente difícil...

PS: Excelente participação dos nossos jovens atletas nos Europeus de Atletismo de sub-23, com duas medalhas de Prata: Etson Barros nos 3000m, Leandro Ramos no Dardo; e o Bronze do Isaac Nader nos 1500m...

sábado, 10 de julho de 2021

Uma Semana do Melhor...

SL Benfica | Um 11 feito de novelas de mercado


"Muitos nomes ficaram de fora por falta de espaço e não de mérito: Ansaldi ou Santíago Garcia, por exemplo, novelas de verão intermináveis e que não se chegaram a consumar no SL Benfica.
Seguem-se, então, onze representantes máximos das peripécias do mercado de transferências, sempre prodigioso na Luz, de ritmo acelerado onde os nomes se sucedem em catadupa e nunca há certezas até pisarem o relvado de camisola vestido – e mesmo assim.
Em jeito de 2-3-5, voltando ao primórdios do futebol jogado, obrigados pela acumulação de pontas de lança – pois há sempre mais para contar sobre os homens do golo que sobre aqueles que os evitam. Pelas naturais barreiras que o tempo impõe, não nos afastámos mais do que 1994, com 26 anos a separar o exemplo mais antigo do mais recente.

Guarda-Redes
Mattia Perin Bruno Lage reconhecia qualidades a Vlachodimos, mas avisava para a necessidade de não pôr o grego demasiado confortável. “A concorrência é muito interessante, porque nos ajuda a crescer, a ser mais competitivos e a aprender uns com os outros. Termos concorrência é sempre muito interessante. Ajuda a equipa a funcionar e a termos um plantel ainda mais rico. Por isso é muito importante haver concorrência não só para o Ody, mas para todos”.
Surge então o nome de Mattia Perín, terceiro guarda-redes da Juventus FC, como forte candidato e o processo da sua contratação é agilizado de forma célere. O italiano desembarca em Lisboa para os habituais testes médicos: ups, surgem problemas. Afinal o jogador está ainda a contas com um problema físico (lesão no ombro) e só estará disponível daqui a quatro meses, ou seja, em dezembro.
Numa primeira fase é noticiado que o negócio ficaria em ‘águas de bacalhau’ e que o SL Benfica esperaria pela recuperação do atleta para logo, então, integrá-lo nos seus quadros. O que acabou por não acontecer, obviamente, assim como nunca surgiu o tão pretendido concorrente de Vlachodimos, pedido expresso de Bruno Lage.
O grego faria época a grande nível e o treinador português seria despedido, mas o tempo dar-lhe-ia razão – Jesus chegou, analisou a perfomance do guarda-redes durante uns meses e não tardou em dar a titularidade a Helton Leite, o concorrente desejado por Lage que só chegou depois da sua saída.

Defesa-Direito
Dedé Uns anos antes já o SL Benfica se tinha interessado por um Dédé, aquele que cumpriria 13 anos ao serviço do Borussia Dortmund. Não deu, assim como não deu novamente noutra versão da novela – desta vez o Dédé era a promessa do Vasco da Gama, central duro que se distinguia no Brasileirão na viragem da década.
A sua novela com os encarnados alongou-se por três anos, até 2013, sempre com o seu nome a servir de alternativa à saída de David Luiz – porém, quando se consumou a sua venda, em janeiro de 2011 ao Chelsea FC, quem chegou foi Jardel, repescado ao SC Olhanense.
Sidnei subia na hierarquia e o capitão retirado há pouco mais de um mês ficaria com a vaga de suplente. Nesse verão chegava alternativa real – Ezequiel Garay, que passava à frente de Dedé, mantendo-se este no radar encarnado como alternativa à saída do argentino. Tanto se considerou o atleta brasileiro, tanta observação houve que se perdeu o timing – nunca se consumando o enlace entre clube e jogador.
Acumulou prémios nos primeiros anos de carreira, integrando o onze do ano do Brasileirão de 2010, 2011 e 2013, sendo considerado o “Zagueiro do Cariocão 2011”, ano em que venceu a Copa brasileira. Tanto sucesso adivinhava aventura europeia, fosse pelo SL Benfica ou por qualquer outro dos muitos interessados no Velho Continente.
Por razões pessoais, decidiu manter-se na América do Sul, tornando-se a maior contratação de sempre do Cruzeiro EC, em 2014 – 14 milhões de reais, qualquer coisa como 2,5 milhões de euros. Numa tentativa de justificar o amor incondicional aos vascaínos, alegou a saída como necessária para as contas debilitadas do clube.
Na Toca da Raposa, porém, chegariam as lesões e com elas perdeu-se todo o élan criado no inicio da carreira, ficando sempre longe das promessas de glória feitas pelo seu talento precoce. Seria 11 vezes internacional pelo Brasil.

Defesa-Esquerdo
Timothee Atouba Na primeira época em que era responsável pela construção do plantel, José António Camacho pretendia reforçar o lado esquerdo da defesa. Ricardo Rocha, adaptado, tinha sido dono do lugar em 2002-03, fruto da inconsistência de Cristiano.
Timothee Atouba, do FC Basileia, e Júnior, campeão do mundo pelo Brasil na Coreia e Japão e jogador do Parma, eram as hipóteses em cima da mesa. Da Suíça respondiam às pretensões benfiquistas com uma etiqueta de cinco milhões de euros – de Lisboa houve resposta negativa, que não havia cofres para isso.
A 25 de julho, os suíços condescendiam com novo preço, cifrando o passe de Atouba nos 3,5 milhões e 20% de uma futura transferência. Voltaram a levar uma nega. A impaciência do jogador quanto ao desenrolar do processo vinha ao de cima no mesmo dia: “Eles não querem que eu saia, mas não podem prender-me aqui se eu não quiser ficar aqui. Há um mês que ando a falar nisto, que digo que quero ir para o Benfica e que não quero ficar mais aqui”, transcrevia o Público.
Já havia pré-acordo entre atleta e SL Benfica, no valor de 450mil euros por época, mas a intransigência suíça e as dificuldades financeiras encarnadas impossibilitaram a consumação do namoro. Seguiriam caminhos diferentes.
O SL Benfica esperaria até janeiro para recrutar Fyssas ao Panathinaikos AO; Atouba faria mais uma época no St. Jakob Park, sendo contratado no verão seguinte pelo Tottenham Hotspur, por quatro milhões de euros. Faria carreira por Inglaterra, Alemanha (Hamburgo SV), Holanda (AFC Ajax) e Espanha (UD Las Palmas), tendo sido 42 vezes internacional pelos Camarões.

Médio Ala Esquerdo
Christian WilhelmssonDe estrela em ascensão no RSC Anderlecht chegaria o seu nome à Luz como possibilidade de reforço das extremas atacantes, numa altura que tanto Simão como Geovanni não tinham alternativas credíveis.
Os responsáveis benfiquistas insistiam muito junto dos belgas e, coincidência, os mesmos calham em sorte aos portugueses na pré-eliminatória de acesso à Liga dos Campeões 2004-05. Zahovic assina o 1-0, que dava vantagem aos encarnados para a segunda mão, jogada uma semana depois num Constant Vanden Stock à pinha.
Num SL Benfica já pouco habituado àquelas andanças, não houve estofo para aguentar o ímpeto belga, suportado nas qualidades do sueco, de Aruna Dindane ou Baseggio: o 3-0 final era justo e pecava por escasso. O RSC Anderlecht rumaria à Fase de Grupos, acabando por cumprir recorde igualado pelo mesmo SL Benfica (seis derrotas). O interesse em Christian esfumava-se aí, naturalmente.
Wilhelmsson seria aposta do FC Nantes, um ano depois. Em França duraria apenas seis meses, sendo emprestado à Roma no mercado de janeiro. Nesse verão de 2007, piscava o olho ao SL Benfica – “Gostava de ter ido mas, infelizmente, os clubes não chegaram a acordo“, recordando o interesse inicial. Inconsequente, já que o SL Benfica tinha outras preocupações.
Seguiria para a Premier League, onde representaria o Bolton Wanderers FC, para logo depois rumar a sul, ao Deportivo. Estava mais perto de Lisboa e talvez isso tenha reacendido o interesse encarnado. No verão de 2008, enquanto chegavam Aimar, Reyes ou Suazo à Luz, a contratação do internacional sueco seria novamente cogitada nos seus corredores, já que o FC Nantes queria recuperar o investimento inicial.
Os mesmos 3,5 milhões que pagou ao RSC Anderlecht foram recuperados, entretanto, numa venda ao Al-Hilal FC, sem que o SL Benfica se chegasse verdadeiramente à frente. Era demasiado tarde e o interesse já não era tão forte.
Ao serviço da seleção sueca participou no Euro 2004 e no Mundial 2006, cumprindo 80 internacionalizações e nove golos.

Médio Ala Direito
Alexander Hleb Ramires e Di María tinham saído naquele verão de 2010 e alas vertiginosos eram imprescindíveis no losango de Jesus. Ao SL Benfica, já com Gaitán assegurado, interessava ter mais alternativas e surgia o nome de Hleb – que era descartável para Guardiola no seu Barça, depois de ter sido contratado ao Arsenal FC por 15 milhões de euros dois anos antes.
Tinha passado 2009-10 emprestado ao Estugarda, clube que anteriormente o revelara para ribalta europeia, e procurava agora nova colocação. A novela envolvendo jogador e SL Benfica começa com uma notícia do Sport, jornal catalão com ligações inquestionáveis aos Culés, datada de 26 de agosto.
Ou seja, a novela não foi longa, mas as peripécias que se sucederam até ao fecho de mercado, dia 31, e especialmente pela dimensão do nome e pela correspondência entre o talento e as necessidades da equipa tornaram Hleb na grande esperança dos benfiquistas naquele verão – até ser anunciado, nos últimos instantes, que o Bielorusso preferia continuar a sua carreira ao serviço do Birmingham City FC. O SL Benfica teria que se contentar com o empréstimo de Eduardo Salvio, contratado seis meses antes pelo Atlético de Madrid ao CA Lanús. O resto é história.

Médio Ofensivo/Avançado
Francesco TottiEsta história começa a 15 de agosto de 1999, era Jupp Henyckes treinador e Vale e Azevedo o presidente. O Record noticiava, em primeira mão, que Totti e Sávio (Real Madrid CF) interessavam ao SL Benfica, numa operação de charme que envolvia José Manuel Capristano, por estes dias comentador televisivo, e à altura vice-presidente para a área desportiva.
A expectativa era imensa, o universo encarnado entrou em polvorosa com a possibilidade de recrutar um dos melhores jogadores do mundo. Era Totti quem recolhia toda a atenção mediática, dizia-se por aí que a transferência até podia ser feita por valores acessíveis – isto apesar do jogador italiano ser um dos grandes nomes do Calcio, a melhor liga do mundo. Aparentemente, tinha-se deixado render pelo ambicioso projeto encarnado. Era um sonho tornado realidade.
Surpreendentemente, cinco dias depois, a 21 de Agosto, chegava à Luz um tal de Tote, um “prodígio” do Real Madrid CF que vinha para a Luz ganhar experiência. Tinha cumprido 23 jogos na época anterior pela equipa B madridista, assegurando nove golos. Na Luz faria três em 11 jogos, não jogando a seu favor as caricatas circunstâncias da sua contratação.

Médio/Extremo Esquerdo
Robinho 27 de outubro de 2004. O Record anunciava que o SL Benfica, por intermédio de José Veiga, tinha chegado a acordo com o Santos FC para a transferência da sua maior pérola, tendo inclusive recusado uma proposta do 20 milhões do PSV por, supostamente, não ser do agrado do jogador prosseguir carreira na Eredivisie.
Os encarnados, à semelhança do negócio Luisão, garantiriam apenas uma percentagem do passe – sendo o resto assegurado por um fundo. Do Brasil vinham notícias que apontavam a um modelo de negócio em tudo semelhante ao praticado na contratação de Ramires uns anos depois, com o jogador a fazer uma época de ambientação à Europa antes de seguir para Londres, onde o esperavam os responsáveis do Chelsea FC.
Robinho era uma das principais figuras do grande Santos campeão brasileiro 2002 e finalista da Libertadores 2003, junto de outros craques como Diego, Léo ou o capitão Paulo Almeida – que entretanto já estava na Luz, o lateral chegaria no ano seguinte – sendo dos últimos a manter-se no Vila Belmiro, retardando a sua saída à procura do contrato perfeito.
A histeria em volta da história foi tanta que chamou à atenção do Real Madrid CF, que se intrometeu e provocou a queda do acordo entre lisboetas e paulistas, como reconheceu o jogador em 2020.
“É verdade. O Benfica foi um dos primeiros clubes a fazer-me uma proposta, quando eu tinha 20 anos e jogava no Santos. Antes de chegar ao Real Madrid, quase fui jogador do Benfica! Esperei um pouco, depois apareceu o Real Madrid. Com todo o respeito pelo Benfica, mas o Real Madrid naquele momento era um clube com maior visibilidade. Eu cheguei até a estudar o Benfica, a olhar o número de adeptos, de benfiquistas. O Benfica tem uma “torcida” muito grande em Portugal, mas acabou por não dar certo”.
Em 2010, nova aproximação: desta vez já Robinho era estrela internacional, jogador do Manchester City FC. O salário era incomportável para aquele SL Benfica e o jogador seguiu então até Milão, para representar o AC Milan.

Ponta de Lança
Edinson Cavani Dois meses de pura adrenalina. Vem, não vem, afinal está quase para depois estar longe. Seguiram-se trajetos de aviões, analisaram-se ao pormenor diretos de Instagram à procura do detalhe exclusivo, surgiram fontanários a cada esquina que confirmavam a transferência – “Chega quarta feira!”, foi previsão que se tornou slogan.
Alguém impaciente foi esperá-lo ao aeroporto com o icónico cartaz onde se lia “Tazonde, Cavani?”, horas intermináveis de debates televisivos sobre o futuro do jogador e como ia Jorge Jesus aproveitá-lo. A novela da década do futebol português que acabou na subtileza e descontração do Manchester United FC e de Solskjaer, a confirmarem o jogador já depois do fecho de mercado – e que, desconfiados da condição física do craque, lhe ofereceram apenas um ano de contrato: entretanto já prolongado, após 17 golos em 39 jogos.

Ponta de Lança
John Dahl Tomasson Nome de respeito no futebol europeu, campeão da Taça UEFA pelo Feyenoord em 2001-02 e recrutado pelo AC Milan logo a seguir, Jon Dahl Tomasson passaria em San Siro três intermitentes épocas: na última, cumpriria os 90 minutos apenas cinco vezes em 30 participações, derivado da competição apertada com Shevchenko ou Pippo Inzaghi.
O SL Benfica, recém-campeão português, iniciava 2005-06 com aspirações europeias. Trapattoni tinha saído e para o seu lugar tinha sido recrutado Ronald Koeman. A pré-época encheu-se de grandes jogos, como aquele contra a Juventus FC ou o de apresentação, frente ao Chelsea FC de José Mourinho. Luís Filipe Vieira, com intenções de tornar a festa ainda mais grandiosa, prometia apresentar dois craques mundiais. Um deles era Léo, lateral do Santos FC, e o outro seria Jon Dahl Tommasson. Faltava confirmar o segundo.
Foi uma semana muito atarefada para José Veiga, a que principiou a 11 de julho, sábado. O jogo com o Chelsea FC era a 17, domingo, portanto a contratação do avançado dinamarquês era uma corrida contra o tempo: Galliani, chefe-executivo do AC Milan, pedia 5 milhões de euros pelo passe do jogador, valor incomportável para o SL Benfica, que pensava noutro tipo de manobras financeiras que se tinham de moldar também ao salário principesco – 3,5 milhões por época.
A operação foi avançando a bom ritmo, chegou-se a acordo total com o clube italiano a 14, terça feira, por valores a rondar os 3 milhões. Faltava acordo com o jogador e Galliani determinou sábado como prazo final para os benfiquistas: depois disso, seriam ouvidas outras propostas.
Paralelamente, Trappatoni, agora treinador do Estugarda, não se tinha esquecido de Liedson e procurava substituto para Kevin Kuranyi, de malas feitas para Gelsenkirchen (Schalke 04). O avançado leonino tinha sido melhor marcador do campeonato ganho pelo técnico, com 25 golos, tendo ajudado o Sporting CP a alcançar a final da UEFA – era, portanto, peça invejada por toda a Europa.
O técnico tentou usar a sua influência para convencer os antigos rivais, mandou o Estugarda oferecer 8 milhões pelo ‘Levezinho’ – mas o Sporting foi intransigente no seu “não”.
É aqui que se dá o golpe de teatro. O SL Benfica continuava sem conseguir convencer Tomasson, que hesitava, matreiro, esperando outras propostas de campeonatos mais vistosos (era ano de Mundial e não convinha perder o comboio da seleção). Juntou-se a fome à vontade de comer: no sábado, 16, rebenta a bomba – Trapattoni, resignado com a nega de Liedson, roubava Jon Dahl ao SL Benfica pelos mesmos 8 milhões oferecidos ao Sporting CP.
Todos os envolvidos satisfeitos menos o SL Benfica que, no jogo com o Chelsea FC, apresentou Léo e… mais ninguém. O avançado de classe internacional pretendido chegaria em cima do fecho de mercado, um gigante de 1,68m de altura emprestado pela Juventus FC. Chamava-se Fabrizio Miccoli. 

Ponta de Lança
Sigurd Rushfeldt Era a figura daquele Rosenborg, presença assídua na fase de grupos da Liga dos Campeões. Rushfeldt tinha sido o melhor marcador das duas edições anteriores da Eliteserien e procurava provar habilidades noutro futebol mais técnico. Jupp Heynckes pedia a José Capristano um ponta-de-lança de área, fulcral para o seu 4-2-3-1, e a aproximação deu-se naturalmente.
Noticiado por Record a 27 de junho, da Noruega pedia-se 750 mil contos pelo passe – e é neste valor que começa a história rocambolesca. O acordo parece ter sido alcançado pouco antes do dia 12 de julho, dia em que Sigurd chega a Lisboa e é anunciado como jogador do SL Benfica. Veste a camisola entregue por Vale e Azevedo e vai com o presidente ao relvado, dar os habituais toques na bola perante centenas de adeptos. Logo a seguir parte para a Áustria, onde já estagiava a equipa principal.
Uma semana depois, o escândalo – o Rosenborg tinha ido a Viena buscar o avançado, alegando não existirem garantias bancárias. Ao que parece, os responsáveis encarnados tinham adiado os pagamentos relativos à transferência do jogador, ignorando os prazos impostos, e, portanto, os direitos desportivos mantinham-se na posse do clube norueguês. O caso chegou à FIFA, arrastou-se por semanas e acabou num sequência de atitudes incompreensíveis dos responsáveis encarnados, que tentavam a todo o custo disfarçar o calote.
O dinheiro nunca tinha chegado aos cofres noruegueses, claro. Primeiro, a de José Capristano, que contextualizaria a situação de forma caricata, alegando que afinal tinha sido o SL Benfica a desistir da transferência.
O SL Benfica, supostamente, tinha enviado um fax ao Rosenborg a informar isso mesmo, no dia 13 de agosto, ao 12h30: “Devido às burocracias, a verba não chegaria ao Rosenborg antes das 14h30. O dinheiro ia via Nova Iorque e demoraria dois ou três dias a chegar à Noruega. Mas o Rosenborg foi irredutível, pressionou e o meu presidente é radical neste tipo de situações. Foi isto que aconteceu. Se fosse ao contrário, preferia receber em ‘cash’ daqui a dois dias do que esperar pelas garantias bancárias. Para mim, era suficiente saber que o montante estava depositado. Foi falta de confiança deles. Não estou a dizer que foi combinado, mas é de um rigor…”
Segundo, aquela tomada por Vale e Azevedo, de forma a responsabilizar o jogador pelo fracasso: organizou uma conferência de imprensa onde afirmou, sem qualquer pudor, que todas as complicações se tinham originado no momento em que Rushfeldt, nervoso com a dimensão do clube, tinha feito “chichi nas calças” em plena apresentação!
“O Benfica não ficou com o jogador não por não haver garantias bancárias, que as havia. Mas por outra razão, que revelo agora pela primeira vez: dois ou três dias antes da partida para estágio da equipa, o Rushfeldt é apresentado na Luz. Passa pelo campo número três e, pela pressão de ver três mil espectadores à frente, faz chichi pelas pernas abaixo. Antes da apresentação na sala de Imprensa, chorou que nem uma madalena”.
Sigurd acabaria por assinar pelo Racing Santander, onde não foi feliz. Ao serviço da seleção seriam 38 jogos e 7 golos marcados.

Ponta de Lança
Jürgen KlinsmannA hipótese Klinsmann no SL Benfica surge em 1994, depois de uma época abaixo do esperado sob comando de Ársene Wenger no AS Mónaco. Diz-se que quando Gaspar Ramos propôs a contratação do alemão a Artur Jorge, este lhe respondeu de pronto que “com esse dinheiro vamos buscar meia dúzia de bons reforços”, juntando assim a nega a outras, dadas descomplexadamente a Kennet Anderson ou Zamorano.
À Luz chegaria Cannigia, por intermédio da Parmalat, e Jürgen rumaria a White Hart Lane, com o Tottenham a pagar 2 milhões de libras pelo seu passe. Um ano passou. Em 1995, um SL Benfica já em processo de desmaterialização da mística qualificava-se para a terceira ronda da Taça UEFA.
Pelo caminho ficavam Lierse e Roda e o próximo adversário, ditava o sorteio, era o FC Bayern Munchen. O ‘9’ dos bávaros? Sim, era Jurgen, regressado à pátria mãe depois de uma curta mas agradável estadia em Inglaterra. Vingando-se da rejeição, conscientemente ou não, Klinsmann esmerou-se no ataque à baliza de Preud’Homme – poker na primeira mão (4-1), mais um bis na segunda (3-1) e a este esfrangalhar da águia reagiu a imprensa portuguesa: Kataklinsmann!"

Análise BTV: Rui Costa...

O caso Krovinovic


"O talento croata voltou ao Benfica para fazer a pré temporada, com expectativa de poder integrar a versão 2021-2002 da equipa de Jorge Jesus.
A dificuldade defensiva que revela no momento do roubar a posse para que a sua equipa possa ser ofensiva será o entrave maior a integrar o meio campo do Benfica – Num sector a dois, exige-se maior capacidade de deslocamento, raio de acção largo e equilíbrio entre tarefas com e sem bola – Porque sem bola se jogam 87 minutos de cada partida!

O talento e capacidade para reter a bola, e contribuir para que o ataque posicional das suas equipas seja fluido é uma marca de Krovinovic que mesmo actuando diversas vezes em zonas de criação – Entre Defesas e Médios adversários – tem níveis absurdos de (não) perda da bola.

Apanhado numa conversa que não poderia ter sido divulgado publicamente, ainda para mais em tempos conturbados, o médio croata poderá ter definitivamente encerrado as chances que teria de fazer parte do novo Benfica. Contudo, alguém acredita que o valor da pena seria igual para diferentes jogadores?"

Presidente...

Comunicado


"O Sport Lisboa e Benfica informa que, nos termos que se encontram estatutariamente previstos e em virtude da comunicação realizada hoje pelo Presidente da Direção, Luís Filipe Vieira, o Vice-Presidente Rui Manuel César Costa, assume, com efeitos imediatos, a Presidência do Sport Lisboa e Benfica, nos termos da alínea a do número 3 do artigo 61 dos estatutos do Clube.
Esta nomeação tem o apoio unânime dos membros da Direção do Sport Lisboa e Benfica."

2021/22


"Já com a época a dar os primeiros passos, terminámos a anterior com dois triunfos, atletismo e hóquei em patins feminino, esperados em função da respectiva hegemonia e competência dos plantéis. Que sirvam de mote para as muitas conquistas benfiquistas que todos desejamos em 2021/22.
A informação que te sido veiculada oficial e oficiosamente deixa-me optimista. Muito carece ainda de confirmação, mas, pelo que é possível antever, parece-me evidente que as nossas equipas estarão mais bem apetrechadas para os desafios que se avizinham. Já não estamos habituados a temporadas caracterizadas pelo insucesso, como foi o caso das nossas equipas masculinas, excepção à de voleibol, em 2020/21. É justo reconhecer que essa não é a norma no Sport Lisboa e Benfica na última década, pelo que não se tratará de benevolência, mas de uma visão realista, pensar que o rumo ao triunfo não sofreu qualquer desvio, apenas um percalço.
Creio que a política seguida é, de forma genérica, a correcta, aliás trata-se mesmo da receita ideal, e quaisquer circunstâncias: identificação dos pontos fortes e fracos, preservação dos primeiros, eliminação ou mitigação dos segundos, sempre com uma perspectiva de estabelecimento das bases de um futuro que se pretende vitorioso de forma regular.
Estou entusiasmado para 2021/22. Tudo indica que estaremos mais competitivos e, por isso, mais próximos de conquistarmos títulos.

P.S.: Euro(4): A participação benfiquista terminou. Vertonghen foi um esteio na defesa belga, Seferovic evidenciou-se na surpreendente Suíça, e Rafa, apesar de decisivo na única vitória portuguesa (participou nos três golos), ficou na bancada nos oitavos-de-final, vá-se lá perceber isto."

João Tomaz, in O Benfica

Maratona de futebol


"No espaço de 15 dias, a equipa masculina de futebol do SL Benfica vai disputar ainda mais seis encontros de preparação para a temporada 2021/22. Entre jogos particulares e o Torneio do Algarve, os jogadores vão ter seis oportunidades para conquistar um lugar no plantel e mostrar que o último ano e meio foi apenas um acidente de percurso. Tudo para que a máquina esteja oleada quando a competição a sério tiver início.
Depois dos embates com a equipa B e com o SC Covilhã, o Benfica joga (amanhã, sábado) com o SC Farense e, no dia 13, terça-feira, com a Belenenses SAD. Ambas as partidas no Benfica Campus.
Depois virá o Torneio do Algarve, onde os adversários serão KAA Gent (Bélgica) e Boavista FC (16 e 18 de julho). Ainda no Estádio do Algarve, o SL Benfica vai defrontar (dia 22) os franceses do Lille OSC. Vamos lá ver se Renato Sanches ainda estará na equipa campeã de França na temporada passada.
Para terminar o ciclo de preparação, a equipa regressa a casa, ao Estádio da Luz, para jogar com o Olympique de Marselha. Será no domingo, 25 de julho, ainda em hora a designar. Será desta que os adeptos regressam às bancadas? Essa é a grande pergunta, mas até lá vai haver muito para ver.
Como adepto, acima de tudo quero ver entrega. Bem sei que os índices físicos não serão os melhores, mas para quem torce por fora não há maior alegria do que ver jogadores que deixam tudo em campo, nos treinos e nos jogos a doer. É só isso que se quer: atitude. O resto está lá tudo - qualidade, capacidade, técnica, valor, experiência.
Carrega Benfica!"

Ricardo Santos, in O Benfica

Sou Franco, vou ter saudades


"Contam-se pelos dedos das mãos - ou dos pés, se o leitor fizer as contas irá perceber que vai dar ao mesmo - os jogos do Benfica que não tive possibilidade de assistir ao vivo ou pela TV ao longo dos últimos dez anos. O Benfica 3-0 SC Braga da Supertaça, em Agosto de 2016, foi um desses jogos. Aos 10 minutos, o telemóvel apitou. Uma boa nova em formato de notificação a anunciar que Franco Cervi, argentino que fazia a estreia absoluta com o manto sagrado vestido, tinha feito o 1-0. Cinco anos, 172 jogos e 21 golos depois, lá vai ele brilhar para outro estádio. Conquistou dois campeonatos, uma Taça de Portugal, duas Supertaças e o meu coração. Foi titular absolutamente suplente utilizado, reserva, e em nenhuma dessas condições me desapontou. O Cervi vai embora da Luz, mas deixa momentos inesquecíveis. Abriu o marcados nos 5-0 ao Vitória SC. Deixou os benfiquistas em euforia com aquele golaço de livre em Portimão - num jogo onde bisou. Entrou para arrancar, sozinho, uma grande penalidade naqueles 3-3 com o Boavista. E, sobretudo, ganhou - com uma confortável distância para o segundo classificado - o prémio de maior borrachão na festa do tetra, em 2017. Cabe imenso talento naqueles 1,65m, mas álcool nem por isso.
Ágil como um boneco de PlayStation, intenso como os preservativos da Durex, competitivo como qualquer profissional que tenha tanta vontade de ganhar como um adepto. Enquanto cá esteve, Cervi cumpriu sempre as expectativas: foi um jogador de equipa, de ataque, de imprevisibilidade. De dribles e tabelas. De qualidade. Um jogador à Benfica. A tua genica vai deixar saudades, craque. Boa sorte, Franco!"

Pedro Soares, in O Benfica

Campeãs!


"A conquista de título de hóquei em patins selou uma temporada notável do desporto feminino do Benfica.
Triunfámos no futebol, no basquetebol, no futsal, no polo aquático e agora também no hóquei. E se estes três últimos títulos estavam mais ou menos anunciados, chegando na sequência de amplo domínio das nossas equipas (respectivamente 4., 2.º e 8.º consecutivos), os de futebol e básquete foram absolutamente inéditos - por sinal, conquistados no último jogo, em cada dos rivais directos (no caso, Sporting e União Sportiva). De notar que vencemos também as Taças de Portugal de basquetebol e de polo (a de hóquei joga-se neste fim-de-semana), bem como as Taças da Liga de futebol e futsal. Um excelente lote de troféus. Uma temporada feminina verdadeiramente gloriosa.
Acrescente-se que ao andebol disputámos o campeonato até à última jornada, e no voleibol, em época de estreia no primeiro escalão, atingimos as meias-finais do playoff. Duas promessas para o imediato.
Há sensivelmente cem anos, a Federação Inglesa de Futebol proíba os jogos entre mulheres, alegando tratar-se de um desporto inadequado para o corpo feminino. Hoje tal soa-nos a ridículo, não sendo difícil adivinhar que dentro de poucas décadas os estádios possam encher-se do mesmo modo para competições masculinas e femininas.
O Benfica, como sempre, viaja à frente do seu tempo. E a aposta nesta vertente é também um sinal para o futuro.
Embora haja ainda muito por fazer, caminhamos rumo à desejada igualdade entre homens e mulheres. Lá chegaremos, e nesse dia talvez se compreenda melhor o dignificado de todas estas vitórias."

Luís Fialho, in O Benfica

Vinte e uma estrelas


"Foi chegar a Guimarães, ver e vencer. Ana Oliveira preparou tudo ao mais ínfimo pormenor. Montou a estratégia para o SL Benfica revalidar o Campeonato Nacional de Clubes ao ar livre, e todas as suas decisões surtiram efeito. Conseguiu esconder a lesão do seu principal atleta, Pedro Pablo Pichardo, que foi inscrito na prova como se estivesse operacional. Sem o capitão Diogo Antunes (100m), sem Paulo Conceição, recordista do salto em altura, sem António Vital e Silva (martelo) e sem Raidel Arcea (400m), Ana Oliveira escolheu 21 atletas para escreverem uma das páginas mais brilhantes do atletismo. As semanas que antecederam a competição foram fervilhantes, com Isabel Oliveira, secretária técnica, e Miguel Barrigana, team manager, a roubarem horas ao sono, para que nada falhasse. Ana Oliveira olhou para as 21 provas e previu tudo o que aconteceu - 17 vitórias e 4 derrotas. Duas previsíveis face às ausências de Pedro Pichardo e Diogo Antunes. A derrota no disco era previsível face à aposta de Francisco Belo no peso, modalidade em que irá representar Portugal em Tóquio. Restavam os 5000m de marcha, que tem sido dominado por João Vieira, do Sporting. O resto... só deu Benfica. Impressionantes os desempenhos de Marcos Chuva (comprimento), Diogo Ferreira (vara), Ricardo dos Santos (400m), Francisco Belo (peso), Isaac Nader (1500m), Leandro Ramos (dardo), Samuel Barata (5000m), Décio Andrade (martelo), João Vítor Oliveira (110m barreiras), Gerson Baldé (altura), José Carlos Pinto (800m), Mikael Jesus (400m barreiras), Frederico Curvelo (200m), André Pereira (3000m obstáculos) e Etson Barros (3000m). Tal como impressionantes foram as vitórias nas estafetas 4x100 ee 4x400."

Pedro Guerra, in O Benfica