Últimas indefectivações

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Roleta russa

"Podemos dizer que muitos atletas russos andaram, ao longo dos tempos, a 'brincar' com coisas sérias. Ser desportista profissional, mas fazer depender o respectivo rendimento do consumo de produtos proibidos é lamentável. E, sinceramente, nem estou a pensar nos problemas que isso acarreta para a sua saúde. Hoje, aliás, ninguém desconhece os perigos que enfrenta. Quem julga que é por aí que deve seguir... siga. A questão é que essas práticas são sinónimo de batotice. Quantos títulos e medalhas, em Europeus, Mundiais ou Jogos Olímpicos, nas mais diversas modalidades, podiam mudar de dono caso todos jogassem 'limpos'... ou 'sujos'. Assim sendo, defenso que muitos russos não compitam no Rio de Janeiro.
Mas ser contra os trapaceiros não significa, por si só, apoiar esta verdadeira 'caça às bruxas' que se está a tentar fazer no desporto russo. Como é que se pode considerar legítimo, por exemplo, que se impeça alguém que nunca teve um controlo positivo de marcar presença nos Jogos Olímpicos?
Mais interessante: quantos atletas, de outras nações, vão ao Brasil lutar por medalhas depois de, no passado, terem sido castigados exactamente por consumo de 'doping'? Vários! Mas, defendem alguns, após cumprir castigo estão aptos a competir. Pelos vistos, mais aptos do que um qualquer russo da equipa de atletismo, toda ela barrada. Este critério não se compreende e vai fazer com que Putin esteja atento aos outros batoteiros. Vai começar um jogo perigoso, uma autêntica roleta russa."


PS: Até pode ser injusto para alguns atletas, mas o 'castigo' neste caso, é contra os dirigentes Russos, que organizaram durante todos estes anos, um esquema mafioso... e quando foram descobertos (ainda não pediram desculpa...), tentaram encobrir e desvalorizar tudo!!! Este é um problema cultural, na Rússia... e se não houvesse castigo, os batoteiros seriam premiados!!!!
Haverá outos Países com esquemas idênticos?!
Claro que sim: China... os EUA na velocidade no passado... o meio-fundo Inglês neste momento é muito suspeito (a team Salazar...)... os espanhóis no passado... Outras modalidades como a Canoagem, o Halterofilismo...etc... Mas o facto de existirem outros batoteiros, não invalida, que os batoteiros que foram apanhados, não sejam penalizados!!!!

Nem o Brexit travou loucura...

"Nada trava pura loucura, pulverizando recordes, no futebolístico mercado de transferências. Nem o Brexit, que se supunha ir preocupar os clubes ingleses, face à desvalorização da libra. Mas eles são tão ricos que mais 11% por causa do novo câmbio parece ser-lhes igual.
Chegada de Guardiola ao City e do Mourinho ao United intensificou labaredas (até por implicar reacções na Premier Liga, vide Chelsea, Arsenal, Liverpool...). Guardiola sonha, por exemplo, tirar Kroos ao Real Madrid e Thiago Alcântara ao Bayern. Mourinho já conseguiu Ibrahimovic e estará pertinho de chamar a si Pogba, médio francês que nem brilhou no Europeu mas obriga a fasquia de €120 milhões, varrendo transferências de Bale e de Ronaldo!
A Juventus, toda poderosa na Itália e decidida a tudo por tudo para voltar à máxima glória europeia, nada se incomodou com cláusula de rescisão de Higuain no Nápoles: 90 milhões, já está!
Crise financeira na Europa? Nem ao de leve no futebol; acima de €1000 milhões já movimentados! E vá lá saber-se até onde irá este recorde, no final de Agosto... Os clubes portugueses procuram aproveitar. Benfica vai em 60 milhões, de Renato + Gaitán (estranho é o Atlético de Madrid pagar só 25 milhões por Gaitán e, em sentido inverso, Jiménez ter custado 22 milhões), decide saída de Talisca (20 milhões?) e hesita em arrecadar mais cerca de 60 milhões por Lindelof, Salvio e Jardel. Sporting coloca em píncaros o valor de João Mário, William, Patrício, Slimani (proeza seria nenhum sair!). FC Porto tem muito menor potencial no plantel, mas só comprar não deverá ser-lhe possível... Quer Rafa. Mas o SC Braga, até porque nem metade dos direitos económicos são seus, insiste na bitola 20 milhões."

Santos Neves, in A Bola

Benfiquismo (CLXXIV)

Grand Torino
3 de Maio de 1949
Jamor

A tarde em que a morte desceu do céu...

"Já se cumprem 67 anos sobre o desastre de Superga. Regressado de Lisboa, o avião que transportava o «Grande Torino» despenhou-se quando se aproximava de Turim. Nesse dia, o clube deu um passo definitivo para a eternidade das lendas. Agora, o Torino regressa a Lisboa.

Quando fez o avião correr pela pista da Portela e elevar-se molemente como uma gaivota preguiçosa nos céus de Lisboa, o comandante Pier Luigi Meroni estava longe de pensar que esse poderia vir a tornar-se num voo complicado. Aliás, Meroni era um piloto com experiência e conhecida amplamente o trimotor G.212 I-ELCE que comandava, bem como o percurso que previa uma escala técnica em Barcelona.
E estava um dia bonito, ainda por cima. Tanto assim que a primeira etapa da viagem decorreu de forma agradável e absolutamente sem incidentes. É claro que os tempos eram outros. Em 1949 não se ia de Lisboa a Turim nas poucas mais de duas horas de hoje. Às 9h45, o controlador aéreo do aeroporto de Lisboa registou, muito provavelmente, a partida do aparelho da companhia Avio-Lire-Italiana com satisfação de mais um dever cumprido. A chegada a Turim estava programada para cerca das 17h15. O voo não cumpriria o seu destino.
Convenhamos que Pier Luigi Merino já não saiu de Barcelona com a mesma tranquilidade com que tinha iniciado a sua manhã portuguesa. Sobre o norte de Itália chovia há três dias. Na véspera, uma intempérie terrível abatera-se sobre a Ligúria e o Piemonte cortando estradas, danificando edifícios, deixando gente sem abrigo. Razões mais do que suficientes para um redobrar lógico de todas as atenções.
Superga dista meia dúzia de quilómetros de Turim. É um local aprazível, de passeios domingueiros em redor de uma colina onde se ergue a basílica e o cemitério onde repousam os velhos reis italianos de casa de Sabóia. Mas talvez sejam precisamente os sossegos as atracções milenares das tragédias.
Em Maio os dias já são longos. Todavia, nessa tarde escurecera cedo por causa das nuvens negras que se acautelaram nos horizontes e foram descendo do céu como um prenúncio de morte. Por volta das cinco horas da tarde um nevoeiro espesso atravessou-se no caminho da aeronave que já deixara Lisboa há tanto tempo. Pier Luigi Merino e os seus coadjuvantes, o co-piloto Cesare Banciardi, o telegrafista Antonio Tangrazi e o mecânico Caleste D'Inca, iam fazendo os possíveis e impossíveis para se orientarem dentro de um «cockpit» no qual o altímetro deixara pura e simplesmente de funcionar. Diria mais tarde o relatório do inquérito levado a cabo pelo governo italiano que as fortíssimas rajadas de vento terão provocado a deslocação do aparelho para uma rota diferente da habitual. Merino continuou a descida de aproximação ao aeroporto, tudo indica que convencido de já ter ultrapassado os montes de Superga e a colina da basílica que se ergue até praticamente setencentos metros de altura. Seria um erro terrível e irremediável. Quando os recortes da igreja surgiram, aterradores, na frente de uma tripulação ansiosa, era já demasiado tarde. A máquina choca contra a cúpula do templo e despenha-se em chamas pelo derredor.
Tudo terá sido, porventura, demasiado rápido para o drama colectivo dos pânicos, das preces e das certezas inequívocas do fim. Exactamente às 17h20 a notícia caiu, taxativa e crua, nas redacções dos jornais italianos: «O avião-especial - um trimotor da companhia Avio-Lire-Italiane - no qual viajava de regresso a equipa do Torino caiu perto de Superga. Morreram todas as pessoas que seguiam a bordo da aeronave - 31, incluindo a tripulação». Os adjectivos tinham ainda de esperar mais um pouco. Aliás, os próprios jornais sentiram na intimidade a extensão dessa noite de desgraça. Renato Casalbore, director do «Tuttosport», Renato Tosatto e Luigi Cavallero, redactores da «Gazzeta del Popolo» e do «La Stampa», eram três dos cadáveres carbonizados que se espalhavam por entre uma amálgama de ferros entortecidos. Como se o infortúnio fizesse questão de abraçar a todos.
A equipa que fez nascer a lenda
Chamavam-lhe em Itália, «Il Grande Torino». E os jornais e jornalistas, sempre dispostos a promover heróis, referiam-se-lhe como «uma das mais poderosas e maravilhosas equipas que o futebol italiano jamais soube exprimir». Falava-se, ao tempo, das extraordinárias proezas de uma «squadra» capaz de marcar 125 golos no campeonato de 1947-48 e de golear o Alessandria por 10-0 na mesma época. E ninguém punha em causa que tal obra de arquitectura futebolística tinha sido obra de um industrial turinense, Ferrucio Novo, conhecido por «commendatore Novo», chegado à presidência do Torino aos 42 anos, em 1939, com vontade de transformar o clube num exemplo de organização à... inglesa.
Ferrucio Novo rodeou-se de sábios. Sobretudo dois: Roberto Copernico e Ernst Egri-Erbstein, um trânsfuga húngaro que chegou a ser por mais de uma vez treinador da equipa. Foram eles os responsáveis pelo reforço de um conjunto que sonhava com o título italiano. E a obra foi ganhando corpo com a aquisição, a pouco e pouco, daquela que seria a sua constelação de estrelas: o médio de ataque Ossola, do Varese; o ponta-de-lança Gabetto, da Juventus; os alas Menti, da Fiorentina, e Ferraris, do Inter, Mas o passo decisivo deu-se no momento em que Novo garantiu o concurso da dupla de contro-campistas do Veneza, Ezio Loik e Valentino Mazzola. E Mazzola rapidamente se transformou na grande figura do Torino, «capitão» e símbolo de uma «squadra» que venceria nada menos de cinco «scudetos» consecutivos, embora interrompidos pelas épocas de 43/44 e 44/45 durante as quais as sequelas da II Grande Guerra impediram a disputa do campeonato italiano.
O Torino era um clube de ideias futuristas e de uma dinâmica imparável. Pretendia formar dois conjuntos de igual qualidade, um para disputar as competições internas, outro com nomes mais sonantes para viajar pelo Mundo como «Globetrotters», recebendo os «cachets» elevados que esses nomes garantiam. Seria o «Torino Esportazione». E a curiosidade do mundo para ver esta «squadra da sognare» ia-se fermentando na maneira como ela se passeava nas Taça Latina e sobretudo no «calcio» onde conseguira manter-se invencível em casa durante nada menos de 88 jogos consecutivos.
Quando a mecânica da morte, da forma brutal como geralmente funciona, pôs um fim a esta sede insaciável de vitórias do Grande Torino, a equipa então treinada pelo inglês Leslei Lievesley seguia na frente da classificação e, no domingo anterior à sua viagem a Lisboa, empatara 0-0 no campo do Inter, obtendo dois novos recordes para a época: 19 jogos seguidos sem perder no campeonato e dando 10 jogadores titulares à selecção italiana. Seria esse empate, que lhe garantia praticamente o título de 48/49, que faria o presidente Novo dar a autorização definitiva para a deslocação a Portugal onde o Torino defrontou o Benfica num jogo de homenagem a Francisco Ferreira, «capitão» dos 'encarnados' e da selecção portuguesa.
O Benfica venceria por 4-3 num confronto espectacular. Para o Torino seria a última derrota antes daqueloutro, dolorosa e irrevogável. A Federação Italiana, com o acordo expresso de todos os outros clubes, declarou o Torino campeão a título póstumo. A «squadra granata» respeitou os seus derradeiros compromissos apresentando a equipa júnior.
Os adversários, cavalheirascamente, jogaram contra eles com jogadores da mesma idade. Seriam precisos vinte e sete anos para que o Torino voltasse a ser campeão de Itália. A calamidade de Superga pusera fim ao que o «L'Equipe» chamava «orgulho do desporto latino». A morte destruíra a técnica e a beleza plástica de um grupo de futebolista extraordinária mas dera-lhes, em troca, um lugar único na lenda e no catálogo dos heróis. Porque, como toda a gente sabe, só a morte nos dá a eternidade.
No Jamor, antes de Superga
A última derrota do Torino
«A vitória do Benfica sobre o Torino foi nítida, regularíssima e teve brilho», escrevia-se em «A Bola». E logo abaixo: «Mas a categoria dos italianos em nada ficou apoucada». A equipa redactorial era de luxo: José Olímpio, Cândido de Oliveira e Alberto Valente. E, como é lógico, os elogios a uma equipa e a outra multiplicaram-se. Aos italianos porque eram... o Grande Torino; aos portugueses porque foram capazes de vencer o... Grande Torino. Por curiosidade, a ficha do jogo aqui fica: 
Estádio Nacional
Árbitro: Harry Pearce (inglês)
Benfica: Contreiras (depois, Pinto Machado); Jacinto e Fernandes; Moreira, Félix e Francisco Ferreira «cap»; Corona, Arsénio, Espírito Santo (depois, Júlio e logo Vítor Baptista por lesão deste), Melão e Rogério.
Torino: Bacigalupo; Ballarin e Martelli; Gregor, Rigamonti e Castigliano; Menti, Loik, Gabetto (depois, Bongiorni), Mazzola «cap.» e Ossola
Na primeira parte: 3-2
0-1 por Ossola; 1-1 por Melão; 2-1 por Arsénio; 2-2 por Menti; 3-2 por Melão; 4-2 por Rogério e 4-3 por Menti, de «penalty».
Resultado final:4-3.
Entre os 31 mortos
18 jogadores para a história
A catástrofe de Superga matou dezoito jogadores. A saber: os guarda-redes Bacigalupo e Ballarin II; os defesas Ballarin I, Maroso, Rigamonti e Operto; os centro campistas Grezar, Castigliano, Loik, Mazzola, Martelli e Fadini; os avançados Menti II, Gabetto, Ossola, Grava, Schubert e Bongiorni. Com eles desapareceram igualmente os técnicos Ernest Egri-Esbstein e Leslie Liesvseley; os dirigentes Agnisetta e Civalleri; o massagista Cortina; os responsáveis pelos equipamentos, um agente de viagens, três jornalistas e, logicamente, a tripulação do aeroplano. O funeral dos homens do Grande Torino foi uma terrível imagem de dor de todo um país."

Afonso de Melo, in O Benfica

Os sorrisos que precederam as lágrimas

"A vinda do Torino a Lisboa, em 1949, não se resumiu apenas a futebol e tragédia. Houve alegria, convívio e... atum.

É com bastante pesar que se recorda, anualmente, o 'desaire de Superga' e, consequentemente, a vinda da equipa de honra do Torino a Lisboa, em 1949, para o jogo com o Benfica. Igualmente, todos os anos, são lembrados e homenageados os que, aí, viram findada a sua vida. No entanto, a viagem da comitiva turinense a Lisboa não se resumiu apenas a futebol e tragédia. Houve alegria, passeio e convívio. Mazzola, capitão do Torino, quando questionado pelo Mundo Desportivo se estava satisfeito coma visita a Lisboa, respondeu: 'Oh! Muitíssimo'.
O Torino chegou a Lisboa na tarde de 1 de Maio para participar na festa de homenagem a Francisca Ferreira. Nesse mesmo dia, antes de se instalar no Hotel do Parque do Estoril, foi conhecer o Estádio Nacional: 'Como é belo o vosso estádio!', exclamou Mazzola.
No dia seguinte, depois de 'um «galope» de treino no campo do Estoril', foi a vez das visitas oficiais. Começaram por ir à secretaria do Benfica, onde se de moraram 'a admirar os centenares de troféus que o clube dos «encarnados» guarda na sua monumental «Sala das Taças»', e seguiram para a Câmara Municipal de Lisboa. Antes do regresso ao Estoril, houve ainda tempo para uma passagem por Sintra.
O dia 3 foi o dia do jogo. Ao Jamor 'acorreram simpatizantes de todos os clubes' para ver o encontro 'entre os «encarnados» da Itália e de Portugal'. O desafio terminou a favor do Benfica mas, sem ressentimento, rumaram ao Restaurante Alvalade, para um banquete de confraternização, em que não faltaram brindes e trocas de lembranças.
Na manhã seguinte, bem cedo, estava marcado o regresso a Itália. Já no aeroporto, pouco antes da partida, 'Francisco Ferreira abraçou o capitão do grupo italiano (...) e ofereceu-lhe (...) pacotes de latas de atum'. 'E foi entre abraços e risos de satisfação que os homens do Torino entraram no avião', levando consigo as conversas portugueses 'que eles muito tinham gabado'.
Na exposição permanente do Museu Benfica - Cosme Damião a tragédia do Torino não foi esquecida. Na área 15. No caminho do tempo, está representada através de um galhardete do clube italiano, da Taça Olivetti e de um fragmento dos destroços do avião."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

terça-feira, 26 de julho de 2016

Luís Filipe Vieira: o melhor reforço

"O presidente do Benfica cativou a minha admiração, por se poder acreditar nele, uma raridade nos dias de hoje, no desporto como na política.

A confirmação da candidatura de Luís Filipe Vieira às eleições do Benfica, em Outubro próximo, deve ter sido a melhor notícia que associados e adeptos receberam nesta fase de preparação para nova temporada desportiva. Atrevo-me a dizer que mais importante do que a contratação do reforço A ou B para atacar o tetra, foi a certeza de que o actual presidente não vai desistir da concretização do fabuloso projecto por ele iniciado, na companhia de Manuel Vilarinho, como teve cuidado de recordar na declaração feita na última sexta-feira, e ainda não concluído. Se é que, em empreendimento de tamanha envergadura e complexidade, definido o ponto de partida, em 2003, alguém será capaz de estabelecer a linha de chegada, o termo de uma coisa cuja grandiosidade o tempo não consegue medir.

É assim num clube com a dimensão e a ambição do Benfica: nada acaba, tudo evolui, e Filipe Vieira transporta essa invulgar capacidade de querer renovar, todos os dias. Sem outro alcance que não o do engrandecimento da instituição a que preside e consequente fortalecimento do espírito solidário entre os ramos da imensa nação encarnada. A qual, dada a inflamada natureza crítica que a caracteriza e a torna diferente das outras, não pode ser obediência cega ou de resignação. Por ser questionadora, impertinente, intolerante até, sem jamais perder a noção da universalidade do emblema, nem temer as consequências dos conflitos que provoca ou das decisões que assume. Há suficientes exemplos no passado que o testemunham.
Vieira sabe, por isso, que vai continuar obrigado a dar muito de si para corresponder às enormes expectativas que nele estão depositadas. Acredito que se resolveu avançar para outro mandato é porque se sente com disponibilidade física e psicológica para seguir em frente e ampliar a obra que em uma dúzia de anos tirou o Benfica do charco do descrédito e da humilhação.

Por entre avanços e recuos, travando batalhas que muito boa gente não acreditava que pudesse vencer, é irrecusável que, mais pela acção, pela perseverança, pela discrição e pela coragem e menos pela promessa fácil e pela fama dos holofotes, recolocou o clube no lugar devido, não só pelo magnífico complexo desportivo que ali está, na Segunda Circular, para ser visitado e apreciado, que nasceu em substituição do outro igualmente gigantesco, quando Fernando Martins ordenou  fecho do terceiro anel, mas também por recuperado o respeito que a história do emblema da águia reclamava. Além de, paralelamente, ter valorizado sempre o espírito de família que deve existir entre a massa adepta, proclamando que cada passo que se dá ou cada conquista que se festeja só é possível com a participação de todos, como deixou vincado na sua declaração: «Hoje como ontem sinto que posso fazer muito por esta família, a família benfiquistas. Atletas, dirigentes e técnicos, sócios e adeptos aqui as vitórias são celebradas por todos».
A segunda ideia basilar incide sobre as opções que cada qual toma para construir o seu caminho. Nesse sentido, mantendo-se se fiel à coerência que tem sido uma das suas principais bandeiras, foi cristalino noutra parte mensagem de recandidatura. «O Benfica mudou muito, mas uma coisa não mudou e são os meus princípios e valores», acentuou, garantindo que não abdicará de lutar por uma fronteira de diferença, porque, como já lhe ouvi, uma coisa é uma pessoa não se deixar enganar, outra é fazer de conta a alinhar na promoção um futebol sem verdade,

A minha admiração por Luís Filipe Vieira não é de hoje, como quem faz o favor de me ler já deve ter percebido. Falo com ele duas ou três vezes por ano, em encontros institucionais com conversas de circunstância, sem espaço para segredos,nem segredinhos... O presidente do Benfica cativou a minha admiração pela qualidade do trabalho, pelo sentido de futuro, por se preocupar com os problemas dos outros, por utilizar um discurso que é poderoso pela simplicidade. Enfim, por se poder acreditar nele, uma raridade nos dias de hoje, no desporto como na política."

Fernando Guerra, in A Bola

Vídeo-árbitro - Gestão de expectativas

"O universo do futebol espera que o vídeo-árbitro possa resolver todos os erros de arbitragem, mas a realidade será outra.

O órgão que analisa e aprova alterações às Leis do Jogo, o IFAB, deu luz verde à realização de testes (durante dois anos) para avaliar se o Vídeo-Árbitro deve ou não ser aplicado no futebol. O objectivo é claro: perceber se beneficia o jogo e o espectáculo, diminuindo erros grosseiros de arbitragem. Importa ainda perceber se o futebol português, um dos seis que testará este sistema, terá capacidade e vontade em investir nesta área, suportando os seus custos logísticos, financeiros e humanos.
Presume-se que sim, visto que se posicionaram, desde o início, como protagonistas activos na introdução deste projecto. E bem.
Mas a mensagem que hoje quero passar-vos refere-se a um assunto que considero crucial para o sucesso desta inovação: a gestão de expectativas.
O universo do futebol espera que o Vídeo-Árbitro possa resolver todos os erros de arbitragem, mas a realidade será outra.
A intervenção do VAR (Vídeo Assistant Referee) só acontecerá em situações de excepção. Este só poderá actuar a pedido do árbitro ou por sua recomendação a este, perante erros cruciais e evidentes. Erros que possam ter influência directa nas equipas e na partida em si. Referimo-nos a qualquer circunstâncias que envolva grandes penalidades, expulsões (apenas por vermelho directo), decisões sobre legalidade na obtenção de golos e erros na identidade de jogadores/equipa, para efeitos disciplinares.
Todos os outros incidentes, que sejam menos graves e que não tenham impacto directo na partida, não serão revistos pela imagem televisiva. Porquê?
Primeiro, porque podem resultar da interpretação dada a um lance, em função do posicionamento e da forma como o árbitro conduz o jogo. Depois, porque caso houvesse recurso à imagem em cada situação de eventuais falha (pontapés de canto, lançamentos laterais, pontapés livre, foras-de-jogo, amarelos ou pontapés de baliza, só para mencionar alguns), o jogo seria interrompido dezenas e dezenas de vezes para a respectiva vídeo-análise.
Isso tornaria o futebol num jogo constantemente interrompido, monótono e previsível. Despia-lhe a dinâmica, a sua verdadeira alma e essência. E seguramente nenhum clube, adepto ou apaixonado do desporto-rei deseja isso.
Vem aí uma nova forma de ver e viver o futebol. E vem aí porque o mundo inteiro assim o exige há anos. Vamos dar-lhe então tempo, espaço e oportunidade para que cresça de forma sustentada e eficaz.
Para bem do próprio jogo."

Duarte Gomes, in A Bola

Vida e morte do ruço Artur

"Morreu o Artur. Agora, ao seu nome próprio era sempre acrescentado o nome de família, Correia. No entanto, no tempo em que o Artur jogava e entusiasmava multidões de adeptos, para o diferenciar de outros jogadores com o mesmo nome chamavam-lhe o ruço. Era loiro, de olho azul, e, quando jovem, tinha uma força que nos fazia prever uma vida eterna. Afinal, tinha apenas 66 anos quando a morte, piedosa perante as cruéis circunstâncias da vida, chegou.
No frio desenrolar do seu currículo de futebolista, se falará de títulos e de clubes. Da Académica, onde cresceu e, depois, do Benfica e do Sporting. Porém, os números nada dirão sobre aquele que foi uma força da natureza do futebol português. Um defesa lateral de enorme raça, que vivia cada jogo de futebol com uma intensidade inesgotável. O seu auge, nos anos setenta, altura em que o futebol se submeteu aos desígnios da revolução, que, obviamente, o condicionou, foi por mim acompanhado de perto e pelos jornalistas da minha geração. Era o tempo em que os jogadores de futebol não estavam distantes dos jornalistas, o tempo em que nos conhecíamos, nos admirávamos e nos respeitávamos.
Que o Artur viveu a vida com o mesmo excesso de vibração e de intensidade que colocava num jogo de futebol, é verdade. Que o Artur foi muitas e muitas vezes avisado por amigos e simples conhecidos de que as consequências poderiam ser graves, sobretudo depois do último acidente vascular cerebral que sofrera e que tanto o limitou, também é verdade, mas como recriminar quem vive a vida conforme sempre a desenhou?
Que descanse em paz."

Vítor Serpa, in A Bola

Descontrolo

"1. O mercato costuma dar roda livre à fantasia e criatividade dos cronistas, mas este ano até eles têm sido ultrapassados pelos acontecimentos. Como o descontrolo é total, raros têm sido os tiros na mouche. Quem diria que o Manchester United poderia pagar 110 milhões (!) à Juventus pelo francês Paul Pogba, que na final do Euro pouco se viu em campo? Ou que o Barcelona de Luís Enrique iria resgatar por 35 milhões (mais possíveis 20) André Gomes ao Valência, que há dois anos pagou 15 por ele ao Benfica e que cresceu como jogador nos juniores do FC Porto, onde esteve três anos e donde foi enxotado por nada prometer? Este e outros casos mostram bem que ali só há olho para a remela. Outro negócio já fechado é a passagem de Higuain, dito El Pepita, do Nápoles à Juventus por 94 milhões. Os goleadores estão pelo preço de ouro e este, na ultradefendiva Série A, marcou 36 na época finda. Ainda assim, quem souber procurar ainda encontra pechinchas para as exigências da nossa Liga. Vejam-se os exemplos do leão Slimani e das águias Mitroglou e Jonas. Não é o caso do dragão que, após anos de ostentação e pujança, vive há três órfão de um ponta de lança, cuja falta até um cego vê. Não por masoquismo, mas sim por falta de dinheiro que desbaratou no tempo das vacas gordas. E, para a desgraça ser maior, viu o valor do plantel reduzido a pó. O recurso ao esforçado e voluntarioso camaronês Aboubakar não passa de uma solução anedótica.

2. Como na política, onde florescem partidos anti-sistema, também no futebol se adivinha novos tempos, em que não serão os milhões a ditar leis. Olhem só: o Leicester foi campeão inglês, a Islândia afastou a Inglaterra do Europeu, o vilipendiado Lopetegui é o novo seleccionador de Espanha, o Lincoln de Gibraltar, que ninguém conhecia, venceu em casa o Celtic..."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

Endireitas da mente

"Os endireitas foram recurso para pôr ossos e músculos no lugar. Os atletas de antigamente também os utilizavam para tratar as mazelas do desporto. Por vezes resultava. Aprendiam as habilidades observando os que antes deles se dedicavam ao ofício e experimentando a manipulação de esqueletos nos clientes. Mas também faziam muitas asneiras quando mexiam onde não deviam. Nenhum atleta de bom senso se deixa agora tratar por quem não tenha adequada preparação científica e técnica.
Recente artigo na prestigiada revista científica de psicologia, Fronteiers in Phychology, trata da relação entre depressão e desempenho desportivo, revelando que a primeira é inicialmente escondida pela prática desportiva, mas tende a reaparecer com gravidade. Sabe-se que esta combinação pode ser dramática, até fatal, como comprovam profundas depressões de atletas famosos, e algumas tentativas de suicídio que por vezes levaram à morte. Nem todos estes atletas evidenciam a crise profunda por que passavam. Os pedidos de ajuda para melhor a perfomance podiam, todavia, estar neste quadro. Só um profissional da saúde mental, psicológico ou psiquiatra, tem competências para entender a gravidade da situação e evitar o seu aproveitamento.
Há quem centre o trabalho psicológico dos atletas simplesmente na optimização da perfomance, baseada em técnicas que não consideram a globalização psicológica do caso. Não são profissionais com formação científica específica que, por isso, não detectam graves desadaptações psicológicas que podem estar na origem da quebra de desempenho. Tão-pouco têm consciência de que o que fazem pode desencadear, a prazo, problemas muito graves. A ignorância é muito atrevida!... As coisas às vezes resultam. Pelo menos no imediato, mas, como revela a investigação, as depressões podem regressar, ou surgir, mais tarde dramaticamente. Lamentavelmente, as gentes do desporto ainda não entenderam que os endireitas da mente podem quebrar a estrutura psicológica do atleta."

Sidónio Serpa, in A Bola

Jonas/Mitroglou: a bomba atómica

"Três pontas de lança como os do Benfica na I Liga equivalem a caçar ratos com uma bazuca

1 - O trio de pontas de lança topo de gama do Benfica já era inédito em Portugal. Caso se mantenha, como parece que acontecerá, passará de inédito a excêntrico. Ninguém defenderá que é normal, para um clube português, ter no banco um jogador pelo qual pagou 22 milhões de euros (Raúl Jiménez). Mas funciona na I Liga, tal como caçar ratos com uma bazuca funcionaria. A parceria Jonas/Mitroglou (as outras combinações possíveis do trio serão mais duvidosas) é uma bomba atómica à qual não foi dado o devido relevo no último campeonato. Como ontem se viu no jogo com o Wolfsburgo, aquele par de canhões está para o Benfica como o tridente (Messi, Suárez e Neymar) está para o Barcelona. O resto da equipa é apenas o acompanhamento.
2 - Presumir a inocência dos atletas russos que o controlo antidoping não apanhou é apenas respeitar o Estado de Direito. Luís Horta, antigo director da Autoridade Antidopagem portuguesa, defendia que o Comité Olímpico Internacional devia banir a Rússia por inteiro, porque seria a única forma de garantir "a integridade" dos Jogos Olímpicos do Brasil. Ao invés, o COI optou por entregar a decisão a cada modalidade. Estará nas mãos delas a possibilidade de lavrar sentenças sem provas, impedindo, ou não, os atletas russos não indiciados de participarem. Ao contrário do que diz Horta, a integridade dos Jogos também ficará afetada se uma só medalha for entregue porque um inocente não pôde competir. De resto, já não sobra integridade: a chuva de positivos (98) saída das reanálises de 2008 e 2012 desfez a ilusão. E estão dezenas de países envolvidos, para além da Rússia."

Clough na BTV !!!

Benfiquismo (CLXXIII)

Estava frio...!!!

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Francisco Lázaro nem Francisco Lázaro se chamava

"O primeiro atleta a morrer durante os Jogos Olímpicos virou lenda em Portugal e o neto que não se sabia que existia conta o que nunca se contara: «a verdade das mentiras». Garante que a história do sebo foi criada como «nuvem» para esconder os responsáveis pelo drama do maratonista.

O telemóvel tocou. No outro lado da linha, Rosa Mota. Coutou-me que acabara de encontrar-se, ela e José Manuel Constantino, o presidente do COP, com o neto de Francisco Lazáro. De espanto, foi a minha reacção:
- Mas como? Se o único familiar que se lhe conhece é uma sobrinha-neta? Será que é mesmo verdade?!
Marcado, de pronto, encontro com ele, mal cheguei, de uma pasta retirou medalhas e documentos, recortes e fotografias - e exclamou:
- Para quem desconfie de que sou mesmo neto de Francisco Lázaro, aqui tem a certidão a prová-lo. Eduardo Lázaro da Silva. E repare: no meu avô materno tem: Francisco da Silva ou Francisco Lázaro. Sabe porquê? Porque o meu avô não se chamava Francisco Lázaro, chamava-se Francisco Silva, filho de Lázaro da Silva. Quando ele começou a ganhar as corridas, lá em Benfica, o povo, em euforia, dizia: «Olha o Francisco do Lázaro». Nos jornais passou a ser tratado por Francisco Lázaro - e, depois, foi a um cartório mudar de nome, de Francisco da Silva para Francisco Lázaro...
Nasceu em 1888, em Benfica. O pai era carpinteiro e, pequeno, foi trabalhar para seu aprendiz numa oficina do Bairro Alto onde se fabricavam carroçarias para automóveis:
- Como não tinham dinheiro para o bilhete ia de Benfica para o Bairro Alto ou do Bairro Alto para Benfica a correr atrás do eléctrico. Uma vez, no eléctrico estava o dono de um jornal chamado Tiro & Sport e vendo que nunca mais lhe faltava o fôlego, saiu do carro, perguntou-lhe onde era atleta. Ficou de boca aberta ao saber que não era atleta, desafiou-o para uma corrida que ia organizar...
Foi em 1908, chamou-lhe Maratona Portuguesa, teve apenas 24 quilómetros por temer que ninguém conseguisse fazer 40 - e Lázaro arrasou toda a concorrência.
- Logo depois, meu avô ficou doente dos pulmões. Durante mais de um ano, não pôde voltar às corridas. Só em 1910 fez a primeira maratona a sério, correu os 42.800 metros num tempo que teria dado para ser campeão olímpico, dois anos antes...
Na época seguinte, Cosme Damião levou-o para o Benfica - venceu o primeiro crosse que se organizou em Portugal e os 30 Km do Progresso:
- Está aqui a medalha dessa vitória. A propósito vou contar-lhe coisa que me chocou muito. Em 2003, vim do Brasil a Portugal mostrar que não era verdade o que se dizia que Francisco Lázaro não tinha descendentes directos. Pedi audiência a Vicente da Moura, presidente do Comité Olímpico para lhe provar que tinha, tinha-me a mim e à minha irmã. Emocionei-me vendo no COP uma camisola que o meu avô usara, uma das poucas coisas suas que não ficara com a minha avó. Decidi, então, a doar a primeira medalha que ele ganhou para colocar sobre a camisola. Deixei todos os contactos para que se alguém quisesse saber a verdade sobre Francisco Lázaro não continuasse a ir pela mentira. Não serviu de nada. Pior: em Dezembro de 2012, o Secretário de Estado do Desporto, Alexandre Mestre, foi à Suécia para suposta homenagem ao meu avô e levaram como familiar senhora que disseram ser sua sobrinha-neta, mas que nós, na família, nem conhecíamos. Tentei contactar a senhora através do Facebook, nunca me respondeu. Ou seja, para nós isso, lá na Suécia, não foi uma homenagem a Francisco Lázaro, foi uma farsa. Porque a homenagem que a verdadeira família de Francisco Lázaro - é a resposta à pergunta que nos atormenta há 100 anos: quem é o responsável pela sua morte? E quando, agora, voltei ao COP e fui recebido por José Manuel Constantino e Rosa Mota tive mais uma tremenda decepção: ninguém sabia onde estava a primeira medalha que o meu avô ganhou, a medalha que eu tinha deixado a Vicente de Moura. Mas, repito-o: o que nós queremos é a verdade, o fim das mentiras com que se continua a fazer a história de Francisco Lázaro...

«Mentira, a história do sebo...»
Eduardo Lázaro remexe documentos, mostra, emocionado, o cartão de acreditação do avô nos Jogos Olímpicos. Depois, passa os olhos pelo livro que Romeu Correia escreveu sobre a saga. Para no pedaço onde Armando Cortesão, que lá correu os 800 metros, conta: «Ainda há pessoas que me fala nisto: que o Lázaro fora envenenado, que lhe fizeram essa patifaria para ele perder a corrida. Um disparate! O Lázaro morreu por dois motivos: primeiro, porque se untou de sebo. Fui eu e o Fernando Correia, quando ele não aparecia à partida da maratona, que o procurámos no balneário e o encontrámos a besuntar-se com sebo. Não faço a menor ideia como o Lázaro conseguiu arranjá-lo, ele que mal falava português. Ainda tentámos que ele tomasse banho, mas não havia tempo. E ele lá foi correr a maratona todo besuntado com sebo, com os poros da pele tapados, o que impedia a transpiração. E outro coisa: só ele e um japonês é que foram de cabeça descoberta àquele sol». Para num suspiro, dispara, sem pestanejar:
- Sim, a história do sebo é pura invenção. Mito. Mentira. Aliás, nessa passagem do tal livro fica desmontada quando Cortesão diz que não sabia como é que o meu avô tinha arranjado o sebo. Não arranjou, nem usou, nunca tal usou. A minha avó, passou toda a sua vida contando que um dos participantes nos Jogos, penso que o António Pereira da luta, que era com quem o meu avô se dava melhor, lhe disse, uma vez: «Sofia, o melhor é você aceitar o destino e não mexer mais com isso porque eles são pessoas muito influentes, pode dar problemas, mas o que eu quero dizer-te é: não, o Chico não passou sebo no corpo. O que o matou foi não terem aceite o que até os médicos exigiam: que a prova fosse mudada para o fim da tarde...»
Eduardo abre páginas de O Século do Desporto de A BOLA, onde se vê a frase: Ou ganho ou morro! - onde se diz que o largou ao fugir do balneário quando Armando Cortesão e Fernando Correia pensaram passá-lo pelo duche para lhe retirar o sebo (e isso também foi o que eles disseram...):
- Com 'Ou ganho ou Morro' se despediu o meu avô da minha avó no cais de Lisboa. Mas, nesse livro de Romeu Correia e em toda a história do meu avô também se fala de Sofia como sua mulher - e não, não era. Sim, estava grávida da minha mãe, mas não eram casados, ele tinha pulado a cerca, deixara-lhe, porém, a promessa: quando voltar, casamos, mas já com a medalha que vou trazer dos Jogos Olímpicos. Chegou atrasado à partida? Isso é verdade, mas não o fez por ter acontecido o que se disse. Também foi contado à minha avó: diante aquele calor, o meu avô decidiu: «Já que não vão adiar a prova, não corro». Convenceram-no, dizendo que era a grande esperança de Portugal para a medalha, que não podia abandonar assim o sonho de uma nação, enfim, essas coisas que se imagina e, então, ele disse: «Está bem, eu vou... ou ganho ou morro!» E já a correr para a largada, ainda afirmou: «Já que não querem adiar, por revolta não vou botar nada na cabeça, vou sem nada...»

Estranho remédio para dentes
Os Jogos de Estocolmo começaram a 6 de Julho de 1912 - e a Francisco Lázaro foi dada a honra de levar a bandeira de Portugal à cerimónia de abertura. Cortesão também o revelou: 'Como víamos todos os atletas a levar massagens, resolvemos comprar as emborcagens. O farmacêutico, que era um pirata qualquer, vendeu-nos um frasco com um líquido incolor. Depois dum treino, o Joaquim Vital começou a dar-me massagens com o tal líquido. Espantado pergunta-me um sueco: «O que estão a fazer?» Respondi-lhe que quisermos comprar emborcagens e foi o que nos deram na farmácia. Ao que retorquiu: «Mas isso é remédio para os dentes!»'
Acreditava-se, então, que a emborcação, mistela que metia mistura de ovos e vários ácidos, dava aos músculos «perfeita elasticidade», tornando-os «insensíveis à dor e à fadiga». Não, Eduardo também não aceita a ideia de que possa ter sido o erro no modo como se fez a emborcação que arrastou Francisco para a tragédia:
- Se já se tinham apercebido de que era remédio para os dentes o que lhes tinham vendido na farmácia, iam usá-lo no meu avô?! Aliás, a minha avó também passou toda a vida a negar isso: que nunca viu o meu avô com essa coisa da emborcação...

Corpo esteve 60 dias numa capela por falta de dinheiro
Do fígado que parecia numa pedra à dúvida óbvia: «Se houvesse sebo, os médicos não falavam?!...»

Tudo o que Eduardo Lázaro da Silva guarda do avô talvez desse já para um pequeno museu. «Quem sabe, um dia faça isso, o que está vendo aqui é só uma parte minúscula de tudo, de toda a história». Do rol de documentação, solta-se mais uma revelação: que 8 dos 11 médicos encarregados dos Jogos de Estocolmo tentaram em vão que a organização passasse a maratona para o fim do dia. O tiro de partida foi às 13.48 horas. A temperatura andava pelos 36 graus - e subiu para lá dos 40. O resto foi o que se sabe:
- Ao entrar no hospital, percebeu-se logo que só por milagre é que meu avô se salvava. Sofrera uma meningite, à meia-noite ainda lhe deram injecções de água salgada, pareceu que melhorou, mas não: entrou em delírio, fazendo movimentos como se ainda estivesse a correr a maratona, às 6 horas e 20 minutos do dia 15 de Julho de 1912 ouviram-lhe o último suspiro. Pierre de Coubertin tinha estado lá à sua beira, pouco antes, saiu do hospital com a ideia de nunca mais deixar que se corresse a maratona nos Jogos...
Na autópsia, descobriu-se que o fígado de Francisco Lázaro «estava completamente minado, do tamanho de um punho fechado e rijo, a tal ponto que só se conseguira partir a escopro, como se fosse uma pedra».
- Provavelmente foi o que levou à mentira do sebo. E eu digo: se a história do sebo fosse verdade, se o meu avô tivesse chegado ao hospital com o sebo no corpo, o sebo no equipamento, os médicos não teriam falado disse? Teriam, decerto. Porém, na certidão de óbito só se fala da meningite causada pela insolação - e nenhum documento médico diz que foi achado produto estranho ou químico no corpo do meu avô. Por isso, o sebo, a emborcação, a estricnina só podem ser nuvens para esconder os responsáveis por não se ter mudado a hora da maratona.
Fez-se um festival desportivo para angariar fundos para a filha que estava para nascer. Nasceu quatro meses depois. Sofia baptizou-a como Francisca. Colheram-se 14.040 coroas suecas, que valiam cerca de 3500 escudos - ou seja mais ou menos aquilo que Lázaro ganharia em 20 anos de trabalho na oficina do Bairro Alto:
- Dos Reis da Suécia, a minha avó foi tendo ajudinha, uma pequena pensão durante algum tempo. Mas nada com que pudesse viver não digo bem, mas assim-assim. Passou, pois, por muitos sacrifícios. Por estar grávida do meu avô e não estar casada, a minha avó foi abandonada pela família dele até. A minha mãe não teve condições de estudar, só aprendeu a ler e escrever. Por isso, acho que as 14 mil coroas não foi a minha mãe que as recebeu, pelo menos na totalidade...
Sabendo que Portugal não tinha dinheiro para transladar o corpo, o Rei ordenou que navio da marinha sueca o trouxesse para Lisboa, pagando a Coroa todas as despesas fúnebres:
- Com o caixão mandaram latinha de terra do local onde o meu avô caiu - e uma fotografia da capela católica onde o corpo dele esteve à espera que o trouxesse, durante 60 dias.
A foto da capela também a mostrou, Eduardo.

O fantasma que não o deixou ser atleta
Eduardo Lázaro revela o sentido da sua luta e o que aconteceu à avó e à mãe, onde elas estão

Eduardo Lázaro vive no Brasil. É dono da Lázaro's Representações, empresa do Estado do Espírito Santo com negócios que passam por cafés e papéis, esponjas e colas, azeites e azeitonas:
- Como vê, essa ligação é tão forte, tão forte que mesmo que o nome de baptismo do meu avô não fosse Francisco Lázaro, a nossa empresa tem o seu nome.
Eduardo nasceu em Lisboa, foi para Moçambique, com um ano e três meses:
- Francisca, a minha mãe só passou a ter vida melhor quando se casou com o meu pai que era secretário da Embaixada de Cuba. De lá saiu para gerente de uma madeireira na Gorongosa. Da Gorongosa saltou para a Beira, a minha avó continuou morando com a minha mãe. E, claro, eu cresci a ouvi-la falar da história do meu avô, a verdadeira história do meu avô.
Não desporto nunca fiz a sério, apesar de ter vontade. Em Moçambique, aos 14 anos, cheguei a correr no colégio, acharam que tinha jeito, mas a minha mãe pediu-me para deixar. Tinha a ver com o drama, vivei sempre com o fantasma da morte do meu avô na cabeça. Dizia-me: corrida não, escolhe o que quiseres: natação, futebol. Mas aí não tinha jeito.
Aos 16 anos, mudou-separa o Brasil:
- Com a guerra colonial, meu pai ficou com medo que me mandassem para o exército, fomos embora da Beira. Com seis ou sete anos de Brasil, minha mãe faleceu. E a minha avó logo depois. Estão ambas enterradas no Rio de Janeiro, ambas morreram com o fantasma que continua em mim - mas diferente: eu quero espantá-lo para sempre. Por isso é que luto para que acabem as mentiras em torno do meu avô. Ou seja, só quero que quem foi responsável pela sua morte assuma a sua responsabilidade, o Comité Olímpico, o Comité Organizador. Assim, ficaremos todos pacificados - e a história de Francisco Lázaro mais honrada, sem o sebo, a emborcação, a estricnina. Apenas se contando que morreu porque não quiseram adiar a hora da maratona, a fizeram à torreira do sol, a 40 graus...

Estricnina? Mais uma mentira!
Naquele tempo não era 'doping', mas nenhum relatório médico fala desse outro mistério...

O salário médio diário de um operário em Portugal andava, em 1912, pelos 6 tostões. Era, mais ou menos, o que Francisco Lázaro recebia pelo seu trabalho de carpinteiro no Bairro Alto. Com os Jogos Olímpicos à porta, D. José de Mascarenhas, e excêntrico Marquês de Fronteira, que com Lázaro correra no Velo Clube de Lisboa, prometeu-lhe: «Vou dar-te condições de preparação, de higiene de vida e de alimentação que possam fazer de ti campeão olímpico...» Exigiu-lhe, apenas que deixasse o Benfica, passasse a correr pelo clube que criara para si: Lisboa Sporting Clube - e ele disse-lhe que sim. Foi já com a nova camisola Lisboa Sporting Clube que, a 1 de Abril de 1912, se lançou ao ataque do recorde mundial da meia-hora de Jean Bouin. Não o bateu, mas deixou Lisboa em euforia. E ainda mais quando, a um mês do início dos Jogos de Estocolmo, correu a Maratona Nacional em 2.52.08 horas, o segundo classificado só chegou 15 minutos depois. Quatro anos antes, em Londres, num percurso de 42.196 metros (que a partir e então haveria de ficar como distância uniformizada para a maratona), o americano John Haynes ganhara a medalha de ouro em 2.55.18 - para cortar a meta pelo seu pé, teve de receber nos últimos quilómetros três doses de brandy misturado com um miligrama de estricnina. Mais um e tê-lo-ia matado, se soube. A estricnina virou moda - e houve quem lançasse essa suspeita também: que talvez tenha sido o truque fatal de Francisco Lázaro. Eduardo Lázaro garante que não:
- É mais uma mentira. Basta só pensar: se a causa da morte fosse a estricnina, o médico ia omitir isso na autópsia? Claro que não. Também tenho documentação que fala dos relatórios médicos que estão nos arquivos do Comité Olímpico Sueco. Todos eles são categóricos no que afirmam: que Francisco Lázaro morreu vítima de insolação, não morreu por outra coisa qualquer. Ou seja, nesses relatórios só se fala da insolação, nunca se fala de estricnina, se sebo, de emborcações..."

Entrevista de António Simões, a Eduardo Lázaro, in A Bola

Benfiquismo (CLXXII)

R.I.P.

O grande Ruço, juntou-se hoje a outros Gloriosos...
... até sempre!

domingo, 24 de julho de 2016

Evolução...

Wolfsburg 0 - 2 Benfica


Aquilo que se quer das pré-temporadas, é 'evolução'... e hoje foi notória a melhoria da equipa, em relação ao jogo com o Sheffield... Fisicamente mais soltos, e assim com maior disponibilidade para cumprir o posicionamento táctico....
Contra um adversário de 'Champions' (foram eliminados o ano passado, nos Quartos-de-final, pelo futuro campeão Europeu... e acho que no 2.º jogo, em Madrid, se tivessem sido mais ambiciosos, podiam ter feito história...!!!), com muito músculo, e qualidade... entrámos a pressionar alto, compactos, mas no início do jogo falhámos alguns posicionamentos o que obrigou o Paulo Lopes a algumas boas defesas, mas com o passar dos minutos, melhorámos... diria mesmo, que melhorámos muito!
Ofensivamente, fomos mais directos do que em jogos anteriores, como os Alemães também tentavam pressionar alto, fomos aproveitando o espaço entre linhas que ia aparecendo...
Ao intervalo, com as alterações, ficámos com mais potencial ofensivo, principalmente no lado direito, com a dupla Semedo/Salvio... O golo acabou por aparecer naturalmente...
Nos últimos minutos, baixámos as 'linhas' com Fejsa e Celis a fecharem os caminhos... mas nunca nos esquecemos do contra-ataque. O golo no último minuto é disso exemplo...
Foi claramente o nosso melhor jogo desta pré-época, contra o adversário mais competente. As movimentações defensivas sem bola, já estão afinadas... falta alguma consistência na construção ofensiva...
Também se notou a diferença de andamento, para os jogadores que chegaram mais tarde...
O Guedes continua em grande forma... o Fejsa continua a limpar tudo... Grimaldo tem tudo para ser estrela do 3.º anel ao jeito do Fábio Coentrão!!! Nelsinho está de 'regresso'... o Salvio está mesmo de volta, creio que hoje fisicamente tirou as dúvidas a todos (eu era um dos cépticos!!!)... Lisandro/Jardel já estão afinados e o Lindelof para lá caminha: hoje na 1.ª parte, além do Paulinho, os Centrais 'safaram' muita bola!!!
Creio que neste momento, dos jogadores mais utilizados, o mais longe da forma ideal é o Carrillo... e compreende-se as razões... O Cervi raramente jogou a extremo na Argentina, está a adaptar-se à posição e aos colegas... o talento está lá, só falta afiná-lo com o resto da equipa...!!!

Temos mais dois jogos, antes da Supertaça, o plantel começa a ficar definido... e o crescimento é notório.

O maravilhoso silêncio

"A venda de André Gomes ao Barcelona por uma fortuna, cabendo ainda ao Benfica uma porção significativa dessa fortuna, é, para já, a notícia maior deste mercado de verão que muito promete em encaixes para os lados da Luz.
Entretanto, a imprensa nacional e internacional vai-nos dando conta do interesse de grandes emblemas em muitos jogadores do quadro actual do Benfica. Estamos, portanto, naquele período do ano em que Domingos Soares de Oliveira sorri, vendo entrar milhões às cabazadas pela porta, e em que os adeptos se preocupam vendo sair pela mesma porta jogadores que foram fundamentais nas saborosas conquistas transactas. É a nossa vida na periferia da Europa do futebol.
Nestas ocasiões em que o capital fala mais alto é importante não ceder às urgências da tesouraria, vincando com firmeza o valor das cláusulas estipuladas, e mais importante ainda é conduzir todas as negociações em sintonia permanente com a 'mercadoria', de modo a evitar que permaneçam forçadamente no grupo uns quantos atletas que se sintam contrariados ou, pior ainda, que se sintam completamente enganados nos pressupostos com que rubricaram os seus acordos com o clube vendedor.
Pela serenidade que transparece não há crise de vontades nem disputas de egos neste mercado de verão no que ao Benfica diz respeito. Gaitán saiu em lágrimas e grato e, pelo que dizem os próprios, serão mais os jogadores que querem ficar do que os que querem sair. Assim é que é bonito. Para além de ser um sossego.
Por falar em bendito sossego, o Benfica tem um novo director de comunicação desde o início do mês e a sua actuação para o exterior tem-se pautado pela filosofia que já faz escola na Luz: o silêncio, o maravilhoso silêncio.
Dos árbitros que apitaram na Liga principal em 2015/16 calhou a Cosme Machado ser o despromovido. 'Não tem qualidade para estar na primeira divisão', já tinha anunciado Octávio Machado em Janeiro deste ano. 'E gostaria que nunca mais, mas nunca mais o nomeassem para jogos do Sporting', recomendou o mesmo Octávio Machado depois de o outro Machado, o árbitro, ter dirigido o Sporting-Académica do último campeonato.
Está, assim, o assunto definitivamente resolvido a contento de Alvalade. Aguarda-se agora e a todo o momento a entrevista do indignado árbitro bracarense a um qualquer jornal espanhol responsabilizando os tipos do outro lado da rua pelo que lhe aconteceu."

A Rússia fora dos Jogos Olímpicos

"O Tribunal Arbitral do Desporto de Lausanne (CAS) emitiu decisão no passado dia 21 de Julho referente à deliberação da Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF) que considerou todos os atletas russos inelegíveis para participação nos Jogos Olímpicos deste ano, mesmo que participassem enquanto «membros neutros». O CAS confirmou tal deliberação.
Em causa estavam as regras 22.1a) e 22.1A das regras de Competição da IAAF que, em suma, referem que os atletas cuja federação foi suspensa da IAAF (caso da Rússia) são inelegíveis para as competições onde se apliquem as regras da IAAF (22.1a)), a não ser que consigam demonstrar o preenchimento de determinados requisitos, caso em que competiriam como «membros neutros» (22.1A).
Entre outras questões que do ponto de vista jurídico se levantam (como saber a posição que o COI, que não é parte neste litígio, deve adoptar face a esta decisão ou o facto de todos os atletas, tendo falhado em controlos anti doping ou não, recorrentes ou não neste processo, serem afectados por esta decisão), uma importa destacar.
A regra 22.1A entrou em vigor a 17 de Junho de 2016 - precisamente o dia em que a deliberação da IAAF foi confirmada. A regra deve ser aplicada ao caso dos atletas russos? O CAS afirma que não. Mas numa interpretação fiel aos princípios de aplicação das leis no tempo, de aplicação da norma mais favorável e mesmo por questões de justiça e igualdade, deveria, pelo menos, ter sido deixada aberta a possibilidade dos atletas russos tentarem demonstrar que lhes pode ser aplicada a regra 22.1A."

Marta Vieira da Cruz, in A Bola

Benfiquismo (CLXXI)

Recordar...

sábado, 23 de julho de 2016

Futsal 2016/17

Plantel fechado. Algumas mudanças, mas a base manteve-se... Dentro do orçamento, acho que estamos mais fortes.
Vão-se fazer muitas comparações com o plantel Lagarto, mas muito sinceramente, é impossível avaliar 'diferenças', quando uma das equipas, opta por deixar de 'fora' 3 estrangeiros em cada convocatória (a não ser que arranjem um esquema para mudar o regulamento!!!)...

A saída do Juanjo é aquela que custa mais. Já sabíamos antes do final da época, mas... O Cristian jogava pouco no Barça, vamos esperar para ver...
O Miguel Ângelo, foi o único português contratado. Em final de contrato com os Lagartos, foi uma boa opção... Mas suspeito que vai ter poucos minutos... Falou-se também no Tiago Brito, que acabou por não se concretizar, pessoalmente, acho que devemos ter os melhores portugueses, mesmo que isso não seja suficiente...
O Franklin tem tudo para ser estrela no Benfica, jogador muito talentoso, que gosta do 'um-para-um', vamos ver se tem cabeça/atitude para jogar no Benfica.
A última contratação foi o Elisandro. Depois da saída do Brandi, era óbvio que o Benfica queria reforçar a posição de Pivot. O Brandi é um daqueles 'avançados' muito lutadores, que é impossível não gostar, mas acaba sempre as épocas com poucos golos!!! As informações sobre o Elisandro são muito boas... Vai dar capacidade física à equipa, algo que faltava...

Uma das variáveis da época, vai ser a 'adaptação' do Fábio Cecílio à posição de Fixo. O Gonçalo está a chegar aos 'quarenta'; o Fernando nos jogos 'grandes' não chega... sendo assim, sem nenhum Fixo contratado, alguém teria que ser adaptado. Parece óbvio que a aposta será no Cecílio...

Vamos partir para uma nova época, sem ser favoritos. O investimento Lagarto é uma coisa nunca vista na modalidade. Mas em Portugal ninguém acha estranho um Clube falido, que não cumpre as suas obrigações, gastar dinheiro desta maneira, numa modalidade, onde nunca terá o retorno (a obsessão em ganharem o título Europeu, algo que o Benfica já fez, é demasiado tentadora para o Babalu!!!)
Mas, apesar das diferenças, o Campeonato resolve-se num Play-off... portanto!

Guarda-Redes
Cristian
Bebé
Cristiano

Fixo
Gonçalo
Cecílio

Universal
Jefferson
Fernando
Tiaguinho

Ala
Franklin
Chaguinha
Miguel Ângelo
Bruno Coelho
Henmi
Mário Freitas

Pivot
Patias
Elisandro

Benfiquismo (CLXX)

Mais uma grande dupla...!!!

Candidato...

Lanças... com Afonso de Melo

Cervi em directo

sexta-feira, 22 de julho de 2016

As bases estão lançadas

"Ainda faltam três jogos de pré-época e muitas das peças essenciais do plantel nem sequer jogaram, mas já se percebe a qualidade existente e até onde faria falta um ou outro retoque. As bases do Benfica de 2016/2017 estão lançadas e agora é preciso afinar. Domingo na Áustria e quarta na Eusébio Cup teremos adversários de valor e só as dificuldades podem ser verdadeiros testes.
Ao contrário de alguns sportinguistas e vários programas de televisivos, as pesadas derrotas do Sporting não revelam nenhuma fraqueza leonina, antes sim a qualidade dos seus adversários. Se a pré-época fosse para fazer jogos a golear, jogava-se contra o Tourizense e o Cabeça Gorda. Quem opta por adversários melhores pode não ganhar, mas sai melhor preparado.
A este respeito diga-se que os ingleses de Carvalhal me pareceram uma boa equipa, bem orientada e com excelentes possibilidades de subida, quando comparados com o Derby County a quem vencemos no torneio do Algarve. Esta fase da época deve pôr a nú todas as dificuldades e fragilidades dos plantéis e jogadores, sob pena dos treinadores não conseguirem corrigir. Temos vasta experiência de grandes temporadas com pouco resultados nos jogos treino iniciais e do seu inverso.
Este Benfica mostra qualidade individual, mas é óbvio que Lindelof, Jiménez e Jonas na equipa darão uma noção mais próxima daquilo que vai ser a época. Há dúvidas que já são certezas: Grimaldo lutará pela titularidade; Zivkovic mesmo muito novo, acrescenta qualidade; Cervi mostrou bons detalhes e Fejsa é definitivamente um jogador fabuloso, além disso foi sempre campeão. O clube de Fejsa (foi assim sempre) ganha, e isso é talismã precioso.
Eu já renovei o meu Red Pass, com o ânimo de sempre. Adepto que se preze sofre e protesta, ralha e vocifera, mas não hesita no apoio."

Sílvio Cervan, in A Bola

Mais um treino...

Tal como já tinha acontecido no CFC com o Cova da Piedade, o Benfica efectuou hoje em Inglaterra um treino de conjunto, à porta fechada, com uma equipa do 3.º escalão Inglês, o Port Vale.
5-0 foi o resultado final, com golos de Benitez, Carcela, Fonte e Jonas(2).
O Benfica começou assim:
Zoblin; Semedo, Lisandro, Kalaica e Reinildo; Samaris, Teixeira, Benitez, Carrillo; Jovic, Fonte.

Formar e ganhar

"Celebrar a conquista da selecção e evidenciar o contributo, enquanto formador, para a mesma, é legítimo. Torna-se, no entanto, ridículo querer fazer suas proezas alheias, típico de quem pouco ou nada ganhar. Os clubes alimentam-se de vitórias, levando a que a míngua das desportivas seja colmatada com as morais, na maior parte dos casos demagogicamente. É o caso do Sporting e o seu regozijo, a roçar o triunfalismo, pela presença, entre os 23 campeões europeus em França, de dez atletas formados por si.
O que é diligentemente escamoteado em Alvalade, além de só Quaresma, 'apaixonado' pelo FC Porto, ter sido campeão pelo Sporting, é o facto de o mais novo desses jogadores ter 24 anos de idade e rarearem cada vez mais os internacionais em escalões etários anteriores.
No caso do Benfica, Danilo com 24, é o mais velho, seguindo-se André Gomes, com 22, e Renato Sanches, 18. Se a estes dados forem acrescentados os das convocatórias das várias selecções jovens, torna-se evidente que a bandeira da formação deixou de ser exclusiva dos 'leões', para não afirmar mesmo que o direito a hasteá-la transitou integralmente para a Luz. E com um mérito indiscutível: 'Apesar' dos miúdos, o Benfica é tricampeão nacional.
Sem bola, mas com discos, martelos, varas, saltos e corridas, o Benfica, apesar de desfalcado, venceu, pela sexta temporada consecutiva, o Campeonato Nacional de Atletismo (formando e ganhando).
À semelhança do Futebol e Hóquei em Patins, o Benfica cumpriu o seu desígnio: ganhar! No Basquetebol, Andebol, Futsal e Voleibol, não obstante os vários troféus e a presença na final dos respectivos campeonatos, faltaram as faixas de campeão. Há que melhorar!"

João Tomaz, in O Benfica

Evidências

"Para lá do saboroso triunfo português, o Europeu de França deixou ainda duas evidências difíceis de contrariar. Em primeiro lugar a de que o Futebol tem uma larga componente de aleatoriedade, tantas vezes negada pelos analistas (têm de ganhar a vida...), mas que define campeões. Há ciência na preparação dos atletas, na organização das equipas, e no estudo dos adversários, mas, entre conjuntos equilibrados, é muitas vezes a fortuna que decide. Por mais que nos seja agradável teorizar acerca da superior capacidade dos jogadores nacionais, a verdade é que se aquela bola, aos 91 minutos, se tem aconchegado um ou dois centímetros mais para dentro, estaríamos agora a lamentar nova desilusão portuguesa. Isto é válido para a final, para os penáltis com a Polónia, mas também para o Alemanha-França, para a fase de grupos, para a final da Champions, e para quase todas as grandes decisões futebolísitcas.
Outra evidência é a de que jogar bonito, jogar ao ataque, e empolgar plateias, não interessa nada. Para os puristas do jogo belo isto pode ser um drama. Mas, de entre as várias formas de ganhar finais, o realismo e a contenção parecem ser as preferidas das principais equipas do futebol internacional. É uma tendência que se nota desde 1982, mas talvez nunca como neste Europeu ela tenha estado tão patente.
Aliás, o desporto vive actualmente com um grave problema de falta de espectacularidade, que a médio prazo o poderá matar. Nota-se no Futebol, no Ciclismo, na Fórmula 1, no Ténis, e na generalidade das modalidades, onde o dinheiro abunda na mesma proporção em que o risco e a coragem escasseiam."

Luís Fialho, in O Benfica

Luisão

"Capitão do Benfica representa um desafio enorme para Rui Vitória

O Benfica perdeu um jogo de pré-época com uma equipa do segundo escalão inglês e a primeira coisa a saltar à vista foi a presença de Luisão. Não tanto pelo porte, mas pela facilidade com que se percebe agora não se lhe ter sentido a longa ausência na época passada. E o decorrer da partida com o aguerrido Sheffield Wednesday de Carlos Carvalhal continuou a fazer do capitão benfiquista um corpo estranho à equipa. O facto de o adversário ter um treinador português, sabendo quais os pontos fracos a explorar, e dando indicações nesse sentido, também foi uma traiçãozinha nesta altura.
Ao longo de 12 anos, Luisão tornou-se uma figura do Benfica. É um líder, uma autoridade no balneário e no final da época passada, quando ficou apto e sem espaço no onze, teve um comportamento digno. Só que ontem quem o viu jogar não se lembrou do Luisão de outros tempos, mas sim do acerto da defesa sem ele, o que não deixa de ser uma crueldade para quem foi tão importante ao longo de tantos anos. Um jogador com o passado do brasileiro merece respeito, mas na alta competição não se joga por currículo ou caridade. Rui Vitória tem pela frente um desafio enorme. Resolve-o com facilidade se conseguir repor-lhe o rendimento de outrora."

Benfiquismo (CLXIX)

Uma 'aula' do Mestre...