Últimas indefectivações

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Incoerências coerentes

"No futebol, a incoerência sempre foi um ponto forte de coerência. A fronteira entre verdade e mentira, realidade e imaginação, esperança e ilusão, coração e carteira é tão ténue quanto a espessura de um fio de cabelo.
Hoje vou reportar-me ao folhetim à volta do(s) treinador(es) do Sporting. O treinador Marco Silva fez muito bem em recusar um acordo que, aparentemente leonino (como convinha), limitava o direito constitucional da liberdade de trabalho. Logo, ilegal por via da lei, mas também ilegítimo por via da ética. Quer dizer, o clube põe o técnico na rua com um processo por alegada justa causa e quer impor-lhe a renúncia de vir a treinar um dos rivais. Mas há mais: tem que guardar confidencialidade (?) do seu trabalho no SCP. «Despedido, limitado e calado», eis empolgante nova categoria laboral.
Mas qual é o problema de Marco Silva um dia poder estar no Benfica ou no Porto? Pois se ele foi corrido - diz a entidade patronal - por justa causa, qual o receio de ele ir para outro clube? Não percebo... E não foi o Sporting que contratou - com legitimidade laboral - o seu novo treinador, que acabava o contrato com o Benfica? E agora quer impedir o contrário para um técnico também livre? Com que coerência?
Uma última nota neste imbróglio: Jorge Jesus, que admiro, deveria ter evitado entrar nas instalações do Sporting e trabalhar já para o novo clube, ainda que informalmente, até ontem, 30 de Junho, pois estava vinculado ao SLB que, certamente, lhe pagou o ordenado. E já agora: o SCP gostaria que o SLB lhe exigisse confidencialidade dos seis anos na Luz?"

Bagão Félix, in A Bola

B's

Começou a época para a nossa equipa B, com os habituais exames médicos. Acredito que até ao inicio da época vamos ter mais algumas entradas (e se calhar algumas 'promoções'!!!), mas para já temos um grupo, praticamente todo oriundo da nossa Formação, com vários jogadores ainda Juniores(7)!!!

GR: Miguel Santos, André Ferreira
Defesa: Alfaiate, Nunes, Lystcov, Dias, Lima, Yuri, Rebocho
Meio-campo: Dawidowicz, Gilson, Pedro Rodrigues, Sanches, Elbio
Médio-ofensivos: Andrade, Clésio, Gonçalves, Dino, Filipe Ferreira, Carvalho
Avançados: Sarkic, Flávio Silva, Berto

Não temos nenhum defesa-direito de origem, para já o Alfaiate (DC) e o Rebocho (DE), são as opções. Aliás a juventude da nossa defesa, numa II Liga com muitos 'manhosos', pode ser um problema...
Recordo que o Varela, o Lindelof, o Semedo, o Valente, o João Teixeira, o Nuno Santos, o Gonçalo Guedes, o Jonathan são alguns dos jovens jogadores que na época anterior, jogaram nesta equipa, mas já cá não estão!!!
Existem ainda algumas ausências 'estranhas': Thierry, Ricardo Carvalho, Kevin, Isaac, Gonçalo Maria...!!!
Jhon Murilo e Francisco Vera duas novas contratações, parece que vão ser emprestados...

O Renascer dum Bicampeão

PizziX

terça-feira, 30 de junho de 2015

Não se pode confiar no coração

"É antigo o fascínio dos adversários do Benfica pelos treinadores que passaram pela Luz. Fernando Riera foi um deles. Feliz no Belenenses, foi por duas vezes técnico dos 'encarnados' com sucesso. O sucesso que não teve depois nas Antas e em Alvalade.

Não há quem o negue: Fernando Riera era um «gentleman». Homem educadíssimo e de fino trato.
Fernando Riera Bauzá: nascido em Santiago do Chile no dia 27 de Junho de 1920. Estaria agora à beira de cumprir 95 anos. A morte levou-o pelo caminho em Setembro de 2010.
Filho de espanhóis, de Maiorca, avançado nos seus tempos de jogador, no Unión Española e no Universidad Católica, tornou-se no primeiro chileno a assinar por uma equipa europeia, o grande Stade de Reims dos anos 50, onde actuou duas épocas antes de se transferir para o FC Rouen. Jogava na esquerda, mas não era canhoto. Como Chalana, por exemplo.
«Usava o 11  nas costas», contou numa entrevista, «mas fui sempre dentro. Alguns supunham-se esquerdino, mas o meu movimento preferido era puxar a bola para dentro e rematar com o pé direito. Fiz muitos golos assim!».

Fernando Riera jogou pelo Chile no Campeonato do Mundo de 1950, no Brasil, mas seria o Mundial de 1962 a marcá-lo para a vida. Aí já era treinador. E dos bons!
Ao pôr um ponto final na carreira de jogador, em 1954, no FC Rouen, dedicou-se à tarefa de treinar os Juniores do clube francês. Por pouco tempo. Portugal e Lisboa chamaram-no. Torna as rédeas do Belenenses e distingue-se. Perde o campeonato para o Benfica a três minutos do fim da última jornada, no célebre empate com o Sporting (2-2) dos golos de Martins. É com ele que os 'azuis' do Restelo disputam a Taça Latina, no Parque dos Príncipes, frente ao Real Madrid, AC Mlan e Stade de Reims - o campeão Benfica abdicara de participar, atraído por uma extraordinária digressão ao Brasil.

Regressa a casa, a Santiago do Chile, para se tornar «o homem que revolucionou o futebol chileno». Como seleccionador levou o Chile ao terceiro lugar do Campeonato do Mundo de 1962 graças a um Futebol vistoso e ofensivo, baseado numa defesa de quatro em linha e com dois avançados fixos. O Benfica estava atento...
Substituindo Guttmann / substituído por Guttmann
Cabia-lhe agora o árduo compromisso de substituir Béla Guttmann. Tarefa impossível!
O Benfica domina o campeonato nacional a seu bel-prazer e continua enorme na Europa. Mas Riera fica marcado por duas derrotas fundamentais.
A primeira no Estádio da Luz, frente ao Santos, para a Taça Intercontinental, quando resolve deixar Pelé à solta sem marcação específica. Espalhou-se a lenda de que Fernando Riera considerava um crime lesa-Futebol marcar Pelé. Já no Chile, o seu estilo «limpo», de jogo sem faltas, se tornara inacreditável para um público habituado à raça sul-americana.
Depois, apesar de amplamente favorito, o Benfica perde a final da Taça dos Campeões Europeus contra o AC Milan, em Wembley. Golpe duro. Duríssimo! Por pouco, por muito pouco, não é tri-campeão da Europa.
Nesse tempo, a Taça dos Campeões era um ponto de ordem para os dirigentes do Benfica. Fernando Riera está condenado à saída. Vai para o Universidad Católica e, em seguida para o Nacional de Montevidéu.
Em 1966 está de regresso ao Benfica e de novo para substituir Béla Guttmann. A história pode repetir-se, mas a nossa vida não.
Volta a ganhar o campeonato mas, na época seguinte, vê-se sujeito a um processo disciplinar e no despedimento. Declara publicamente que há pagamentos de prémios em atraso no Benfica. A Direcção do Clube, presidida por Adolfo Vieira de Brito não lhe perdoa. Solidários, Eusébio, Torres, Simões, Cavém, Costa Pereira e mais alguns jogadores vão despedir-se dele ao aeroporto.
Não esquecem a sua personalidade gentil e afável.
Em 1972, vindo do Boca Juniors, aterra no Porto.
Não é de hoje essa atracção irresistível dos adversários do Benfica pelos treinadores 'encarnados'. Mas falamos de homens e não de mágicos ou de seres divinos.
O afastamento do Barcelona na 1.ª eliminatória da Taça UEFA (3-1 e 1-0) foi o ponto brilhante da época portista. E único. Eliminado pelo Sp. Farense da Taça de Portugal e pelo Dínamo de Dresden da prova europeia, o FC Porto não vai além do quarto lugar no campeonato, atrás de Benfica, Belenenses e Vitória de Setúbal.
Riera sai. Entre Béla Guttmann para o seu lugar.
Irónico destino! Não fará melhor. Novamente um quarto lugar na época seguinte.
Depois de ter sido feliz no Belenenses e no Benfica, o cavalheiro Riera volta a Lisboa em 1974, ano da Revolução. O Sporting acabara de se sagrar campeão nacional com Mário Lino e substituira-o por Di Stéfano que não chegou a começar o campeonato. Osvaldo Silva orienta a equipa até à 13.ª jornada e Riera entra mesmo a tempo de se sentar no banco no Estádio da Luz. Empata 1-1 (golos de Móia e Yazalde) e volta a empatar em Alvalade, na segunda volta, pelo mesmo resultado (golos de Fraguito e Diamantino). De pouco serve. O Benfica é campeão, com cinco pontos de avanço sobre o FC Porto e seis sobre o Sporting. Nem a Taça de Portugal se salva (0-1 na meia-final frente ao Boavista).
Fernando Riera não voltará a Portugal nem à Europa. A sua carreira continuará no Monterrey, no Palestino, no Universidad do Chile.
Fica a imagem de um senhor tranquilo, incapaz de um gesto pouco digno.
O coração traiu-o em Anunciación, não longe do local onde nasceu.
Não se pode confiar no coração."

Afonso de Melo, in O Benfica

O Santo António, o São João e o São Pedro em Benfica

"Há pouco tempo inaugurada, a nova sede do Benfica foi também palco de animadas festas dos Santos Populares.

Estávamos em Junho de 1917, mês dos Santos Populares e, apesar das dificuldades provocadas pela I Guerra Mundial, organizavam-se um pouco por toda a Lisboa várias festas e arraiais. Em Benfica não foi excepção. Uma comissão de Sócios do Benfica decidiu organizar um programa de festas dos Santos Populares que incluía várias iniciativas desportivas e recreativas. Iniciou-se, desta forma, um período de grande animação que levou muitas pessoas aos terrenos da nova sede na Avenida Gomes Pereira,, inaugurada há poucos meses, que oferecia excelentes condições para um mês em grande festa.
Houve animação em todos os fins de semanas de Junho e foram muitas as pessoas que se deslocaram nestes dias para passar uma belas horas de agradáveis divertimentos. Foi no recinto de patinagem, à época o maior do País, que decorreram os tradicionais arraiais dos Santos Populares, sempre abrilhantados por uma banda de música. A ladear todo o rinque foram colocadas barracas de quermesse e venda, onde gentis senhoras e meninas vendiam rifas, manjericos, cravos, doces e os tradicionais amendoins e pevides.
Sendo um clube que já mostrava grande ecletismo, não poderiam faltar as iniciativas desportivas. Organizaram-se desafios de Futebol e de Hóquei em Patins, uma modalidade que estava a dar os seus primeiros passos, conquistando cada vez mais adeptos. Realizaram-se, também, sessões de patinagem e de tiro à bala e um torneio de ténis.
Na véspera de S. João organizou-se uma animado baile de gala no magnífico salão de festas, que se prolongou até manhã, tal foi o entusiasmo.
Coroadas de êxito e bastante elogiadas na imprensa da época, as festas encerraram no dia de S. Pedro no mesmo ambiente de entusiasmo que começaram, com um leilão de quermesse, um concerto musical e com a representação da comédia A Voz do Sangue pelo grupo dramático do Clube no salão-teatro.
Poderá conhecer um pouco mais sobre esta sede e outros espaços do Clube na área 17. Chão Sagrado do Museu Benfica - Cosme Damião."

Ana Filipa Simões, in O Benfica

A autonomia de Vitória

"Já ficou claro que esta época marcará uma ruptura face ao Benfica dos anos anteriores. Há um par de dimensões em que os sinais de mudança são, aliás, visíveis: na forma como treinador se vai integrar na organização e no aproveitamento da formação feita no Seixal. Mas se é preciso que alguma coisa mude para que se mantenha a dinâmica vencedora, é fundamental que se preserve parte importante do legado.
Desde logo manter uma ideia de jogo assertiva. Se olharmos retrospectivamente, a marca deixada por Jesus é a nota artística, mas a diferença mais duradoura é inequivocamente uma alteração na atitude com que o Glorioso passou a enfrentar os jogos. Com consequências: hoje, quem joga com o Benfica joga para não perder. Na Luz, mas, também nos jogos fora. Para que o Benfica continue a ser uma equipa temida, é preciso preservar uma ideia de jogo ofensiva.
Tão importante como ter um modelo coerente com a natureza ganhadora do Benfica, é Rui Vitória, à imagem do que aconteceu com Jesus, preservar uma autonomia total para impor o seu sistema. A questão não é de somenos. Depois de Jesus ter concentrado muito poder e de ter tido uma margem de manobra significativa para decidir (quase) tudo (o que teve, aliás, também custos - vide o não-aproveitamento do Bernardo), é tentador para o novo treinador procurar auscultar as várias sensibilidade da estrutura antes de decidir. Seria um erro tremendo. Se, por força das circunstâncias, as decisões de Rui Vitória passarem a ser uma espécie de federação de opiniões, o Benfica está condenado a falhar.
Quando se fala da necessidade de Rui Vitória ter as mesmas condições de Jesus, é bom que se tenha presente que não basta ter jogadores com igual qualidade. Tem também de lhe dar garantida a autonomia e a capacidade de decidir a seu bel-prazer de que Jesus gozou."

Se avançar, andamos para trás

"Golpe de teatro: o FC Porto - que há 10 dias, na AG da Liga, tinha sugerido a nomeação de árbitros, embora com algumas condições - mudou de ideias e propôs ontem o sorteio puro, no momento em que a discussão entrou na especialidade. O que mereceu a aprovação da maioria dos clubes não deixa de ser surpreendente. É mais ou menos consensual que a arbitragem nacional é francamente melhor hoje do que era há 15 anos. E o que poderá vir a acontecer, se esta proposta for ratificada na AG da FPF (que irá decorrer já em Julho), será o regresso ao sistema que existiu entre 1998 e 2003. Um sistema, já agora, que não existe em nenhuma grande campeonato europeu.
O próprio Sporting, que tinha começado por propor o sorteio condicionado, acabou por ser ultrapassado pelo FC Porto, que defendeu o sorteio, sim, mas em estado puro. De qualquer forma, e no essencial, há legitimidade para se falar numa aliança entre dragões e leões - porque a vontade de ambos, percebe-se agora, era provocar a mudança. E esse cenário é que passa a estar em cima da mesa. Se avançar, andamos para trás. O mais bizarro de tudo isto é que, com sorteio puro, até pode dar-se o caso, imagine-se, de voltarmos a ser Bruno Paixão apitar o FC Porto e Manuel Mota dirigir jogos do Sporting.
O seleccionador Rui Jorge e todos os jogadores da Selecção Nacional de sub-21 vivem hoje aquele que pode ser o primeiro dia do resto das suas vidas. Vencer um Europeu marca qualquer carreira e esta noite, na Rep. Checa, é isso que está em aberto: a possibilidade de um daqueles feitos que resistem ao passar dos anos, como sucedeu em 89 e 91, com a conquista dos Mundiais de Riade e Lisboa. Que Praga também faça parte, a partir de amanhã, da história do futebol português. Boa sorte!"

Contrastes

"1. Lá por ser o país onde no séc. XVIII teve início a criminalidade organizada - primeiro na Sicília (cosa nostra), depois na Campânia (camorra) e por fim na Calábria (ndrangheta) - que em seguida floresceu por todos os recantos do Mundo, isso não significa que a Itália seja mais criminosa do que muitos outros territórios do globo. Também a Inglaterra é a pátria do futebol e não é lá que a modalidade tem mais meritória expressão. Sirvo-me destes exemplos para concluir que, apesar dos escândalos que todas as semanas abalam enxovalham o 'calcio', não creio que as Séries A e B sejam mais corruptas do que muitas outras Ligas europeias. E já nem falo nas sul-americanas. O que acontece é que no bel paese todas as tramóias são passadas a pente fino e escarrapachadas a toda a hora na comunicação social que, até por conta própria, faz a sua investigação. A última no tempo diz mais uma vez respeito a resultados combinados e comprados (mas também há casos de salários em atraso) e incrimina quase toda a Série B (filão de Catânia) e parte da Liga Pro (filão de Messina), cujos epicentros, como se vê, estão e duas cidades sicilianas.

2. As inquirições (há escutas sobre tudo ou quase) só agora começaram, mas já há clubes despromovidos e dirigentes e jogadores suspensos e presos. Até o Carpi, recém-promovido à Série A, corre o risco de ir parar à Liga Pro (mesmo assim dois escalões acima do vizinho Parma, que perdeu o título desportivo e foi arremessado para os regionais). Entretanto, com a venda no todo ou em parte de vários clubes (Roma, Inter, Milan...), as coisas estão a dar sinais de mudança para melhor. Entre nós, vive-se na santa paz do Senhor e na mais completa e irresponsável indiferença, mesmo quando o presidente do Gil Vicente denuncia urbi et orbi que há duas equipas da I Liga com dívidas de milhões à Segurança Social. E, que se saiba, nem a Federação nem a Liga se dão sequer ao trabalho de esclarecer ou desmentir tão grave acusação. São coisas que lhes passam ao lado. O poleiro é para ser usufruído e não para dar chatices."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

Hino

Os dias do Bicampeonato

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Todos serão postos à prova

"A proliferação de articulistas e comentadores é reflexo do nosso tempo, ruidoso e impreciso. Vem isto a propósito do muito que foi dito e escrito precisamente há um ano. Do desastre previsto e das previsões falhadas. Vem igualmente a propósito do novo exercício que os mesmos hoje fazem sobre o futuro do Benfica e do seu treinador.
Há um ano, havia quem avançasse com os graves problemas que a queda do BES iria trazer ao Benfica. Questionaram a sustentabilidade do projecto e anteciparam incumprimentos em relação a obrigações assumidas pela SAD. Depois, foi a PT e a ameaça que pairava sobre os clubes em função da retirada da marca como main sponsor. Pelo meio disto tudo, não faltaram as repetidas referências ao 'monstro' do passivo.
Curiosamente, neste tempo, o Benfica conseguiu reduzir passivo, reestruturar dívida, substituir a PT pela Emirates, consolidar a BTV como player no mercado televisivo e, ao mesmo tempo, fazer a época mais conseguida do ponto de vista desportivo da sua história. Mais, o Benfica superou os 200 milhões de facturação, uma marca nunca antes atingida em Portugal. E tudo isto assumindo juros de mercado (e não de favor) pelos seus encargos financeiros, o que neste caso não é um pormenor irrelevante.
Falharam as previsões, mas ninguém, dos que anunciaram o desastre, fez qualquer errata. Repito, sinal dos tempos, ruidosos e imprecisos, que vivemos.
Há um ano, o Benfica tinha feito o inédito triplete, mas dois meses depois sentia-se um ambiente depressivo no ar. A 'desconstrução' do plantel alimentava o pessimismo que se tinha instalado entre os sócios e adeptos do clube. Este ano, com mais três títulos no futebol profissional, a história repete-se. Diz a sabedoria popular que não há duas sem três. Para o ano, voltaremos a ganhar e a entrar em depressão. Há coisas piores.
Quanto à 'desconstrução' do plantel, tão apregoada nos media, ela não é mais o que uma opção assumida, sem complexos nem equívocos, que tão bons resultados tem dado. Uma fórmula bem-sucedida nos últimos anos por parte de, pelo menos, dois clubes portugueses e que se traduz na descoberta de novos talentos, na sua valorização e na consequente renovação dos seus plantéis.
É uma realidade transversal a todos os clubes e, mais do que um problema, tem sido assumida como uma oportunidade. A história já nos provou que, quando lutamos contra o assédio de clubes europeus financeiramente mais apetrechados, perdemos sempre, quer do ponto de vista financeiro, quer do ponto de vista desportivo.
Ultrapassado o BES, a PT, a "desconstrução", segue-se, este ano, a mudança de treinador e a aposta na formação. Dois problemas na perspectiva de muitos, duas oportunidades do ponto de vista do Benfica. 
Agosto ainda vem longe, mas os comentadores já alinharam o discurso apontando para a herança e para o enorme desafio de Rui Vitória. E é, efectivamente, mas, mais do que uma situação conjuntural, o desafio de Rui Vitória é uma inevitabilidade. Chegar ao Benfica é sempre um tremendo desafio, independentemente de como ou quando se chega.
Mas, se quisermos ser sérios e factuais, o desafio não é menor para nenhum dos outros treinadores dos chamados 'grandes'. Um deles teve ao seu dispor - e a afirmação não é minha, mas do seu presidente - o melhor plantel dos últimos 30 anos e nada ganhou. Há dois anos que o clube não conquista o título mais desejado, o que é um lastro difícil de gerir. Não há nada pior de combater que a desconfiança das bancadas, esse será o seu maior desafio nos próximos meses.
O outro treinador aparece envolto numa espécie de mito sebastianista, desafiando as limitações financeiras e o regime de austeridade em que o clube vivia há vários anos.
Também não é irrelevante o facto de suceder a um treinador que sai em ruptura com a administração do clube, mas que é querido pelos seus jogadores. Não é, igualmente, saudável tentar importar de forma maciça know-how, porque isso é sinal de que o novo treinador não reconhece competência aos actuais quadros e, pior, não vê neles capacidade para o acompanharem no desenvolvimento interno do projecto. Afastar pessoas também não é a melhor forma de chegar a uma nova casa. O sebastianismo, como sabemos, não acabou bem! Perdeu-se a independência.
Todos vão ter desafios diferentes, mas todos vão ser postos à prova. Focar apenas em Rui Vitória essa responsabilidade não só é absurdo como totalmente falso.
Finalmente, a formação. Rui Vitória não chega ao Benfica com a obrigação de fazer entrar em campo cinco jovens do Seixal na equipa titular. Vem apenas com a missão de não os bloquear no seu processo de crescimento, de os conhecer, de lhes dar as oportunidades que merecem. Tão simples como isto."


PS: Estou de regresso após uma curtas mas saborosas férias - como é habitual nesta altura do ano -, este ano o estaminé ficou a cargo do grande Capitão Redheart, que a boa hora regressou ao Indefectível... Publicamente, dou-lhe os parabéns pelo excelente trabalho.
As alterações/melhoramentos no Indefectível vão continuar, para já o agendamento dos post's é a principal novidade... hoje, devido ao meu regresso, e com muitos post's em 'espera', o tempo de intervalo entre artigos é curto, mas a partir de amanhã iremos voltar ao ritmo da última semana...

O recomeço

"Os benfiquistas, pelo menos alguns, vivem tempos de angústia. Entre certezas e dúvidas, casos como as possíveis partidas de Maxi, Gaitán, Jonas ou Lima constituem, depois da saída de Jorge Jesus, um autêntico desespero.
Nada de mais. Como se viu no FC Porto, equipas vencedoras têm de ser desmembradas: porque se completam ciclos, porque é preciso realizar mais-valias, porque não se podem 'cortar as pernas' a jogadores que tentam fazer um último contrato melhorado, que lhes garanta o futuro. Por outro lado, a chegada de outro treinador sempre agita as águas. Vem à tona o inevitável 'modelo de jogo', que talvez implique uma aposta nas alas, maior consistência no miolo, um número 10 mais criativo, uma dupla de pontas-de-lança, dois trincos, três centrais e só não dois guarda-redes porque os regulamentos não o permitem. Enfim, a mudança dispensa muita gente e tira outra tanta da zona de conforto, mas é com ela que as coisas avançam e o futuro começa. E não existe mudança que não traga alguma instabilidade.
A hora da verdade impõe ao Benfica - e eu diria ainda mais a outros - diminuição da despesa e controlo apertado de tudo o que não seja essencial para comprar melões. Mas a experiência de gestão da era LF Vieira dá garantias de que se privilegiará o investimento inteligente, que é aquele que pode conduzir ao sucesso desportivo sem dar cabo do equilíbrio das contas.
A incerteza criada com a contratação do novo técnico, a quem foi atribuída a difícil missão de substituir um colega carismático e que apresentou resultados, é normal. Problema seria se a estrutura que o amparasse fosse amadora e não lhe desse os meios de que necessita para ser bem sucedido."

Bernardo e Telma

"1. O futebol jovem português está de parabéns. Depois da campanha relevante dos sub-20 no Mundial da Nova Zelândia conquistámos, ontem, com brilhantismo, a presença, vinte e um anos depois, na final do Europeu de sub-21. Terça-feira em Praga poderemos ambicionar, legitimamente, a conquista de um troféu que ficaria, e muito bem, na sala de troféus da nossa Federação e seria uma das peças mais emblemáticas da futura - e cada vez mais próxima Cidade do Futebol, ali bem perto do complexo desportivo do Jamor e, naturalmente, do Estádio Nacional.
2. Na tarde de ontem a nossa selecção de sub-21 pareceu-me, em certos momentos, o Barcelona de Pep Guardiola. Ou, agora, e em certos jogos, também o Bayern de Munique. Uma contínua troca de bola. Cada jogador sabendo onde está o colega. Geografia no passe e no jogo. Visão global do relvado. Passes curtos e eficazes. Um sentido colectivo impressionante. E com notas de brilhantismo e de magia proporcionadas por Bernardo Silva e de eficácia e posicionamento únicos em William Carvalho. E a segurança de José Sá e de Paulo Oliveira. E o sentido posicional de Sérgio Oliveira e de João Mário. O faro de golo de Ricardo e de Ivan Cavaleiro. Sem esquecermos todos os outros jogadores que ajudaram a projectar, na Europa e no Mundo, e nestes dias, o futebol português. Foram momentos de verdadeiro esplendor na relva. Um tarde para repetir na próxima terça feira em Praga. E, no final dessa noite, um abraço imenso reunirá, desejo-o convictamente, e como ontem, toda a estrutura de uma equipa que é, de verdade, uma equipa de todos nós. E que tem em Pedro Pauleta um verdadeiro e permanente elo de ligação. Entre todos. A começar no seleccionador nacional Rui Jorge. Que bem merece uma referência particular pela sua liderança e, acima de tudo, pela excelência que o seu percurso vitorioso nesta e desta selecção evidencia. Com a certeza de que no próximo ano, no torneio olímpico de futebol, Rui Jorge liderará um conjunto de jogadores que poderão erguer, bem alto, o nome de Portugal. O que também é uma boa notícia, na linha e na sequência dos Jogos Europeus de Baku, para o Comité Olímpico de Portugal.
3. Peço desculpa mas neste Europeu de sub-21 as exibições de Bernardo Silva deixaram-me, ao mesmo tempo, feliz e triste. Feliz pelo talento que deixou nos relvados nestes quatro jogos. Talento e virtuosismo. Capacidade e eficácia. E triste por saber que partiu do seu clube do coração - e de sempre - sem ter uma oportunidade de evidenciar no Seixal ou na Luz estas exibições que agora deixam muitos da Europa do futebol a olhar para o Mónaco. Sei bem que Bernardo Silva foi vendido por um valor bem significativo. Tal como João Cancelo e, ao que se sabe, Ivan Cavaleiro. Mas nem o relevante valor da transferência afasta a minha legítima tristeza. Que só é vencida pela certeza de que o futuro próximo de Bernardo Silva nos proporcionará tardes e noites de vitórias, tardes e noites de portentosas exibições. E alguns de nós que sabemos combinar paixão com razão o que desejamos, com Rui Vitória, é que os novos Bernardos Silvas - dos sub-19 e sub-20 das nossas selecções nacionais - tenham muitas oportunidades no Seixal e, em crescendo, algumas outras no Estádio da Luz. Conheço, mesmo que seja de forma indirecta, - mas através de vozes de amigos de sempre e que são de uma dedicação única! - o imenso benfiquismo da dedicada família de Bernardo Silva. E é também, e em razão deste facto singular, que continuo a conciliar a alegria com a tristeza. Com a convicção que a sua transferência para o Mónaco de Leonardo Jardim foi no tempo, no momento e nas circunstâncias adequadas. É, aqui, bem verdadeira a frase de Ortega y Gasset, que «somos nós e as nossas circunstâncias».
4. No desporto aprendemos, e muito, o que são, na e de verdade, as pessoas. Percebemos a angústia daqueles que nunca foram dirigentes desportivos benévolos mas proclamam, sistematicamente, os valores mais profundos do desporto. Sentimos a imensa tristeza que invade a pretensa alma de alguns que enriquecem à custa do desporto mas não percebem, acreditem, as lágrimas vertidas no bonito rosto de Telma Monteiro quando conquistou a medalha de ouro nos primeiros Jogos Europeus que estão a terminar na capital do Azerbaijão. Aquelas lágrimas ao escutar o hino nacional, como ontem na sua sempre bela escrita o nosso director evidenciava, levam-nos, sempre, às lareiras do nosso passado. Com os nossos saudosos entes mais queridos aprendemos a sentir o hino, a ter orgulho nas nossas conquistas, a partilhar a alegria dos atletas vitoriosos. Telma Monteiro, que é também um dos símbolos do actual e correto ecletismo do Benfica, mostrou-nos, como todos os outros medalhados, que temos razões, e muitas, para os felicitarmos vivamente, para reconhecermos o esforço das respectivas Federações e das suas estruturas de apoio e para acreditarmos no empenho organizativo do nosso Comité Olímpico. E olharmos, com esperança mas com realismo, para os próximos Jogos Olímpicos que decorrerão na atractiva e histórica cidade do Rio de Janeiro. Que continua sempre linda!
5. Um dos princípios que ensinei a muitos no âmbito do Direito Internacional era o da não ingerência nos assuntos internos de outros Estados. Principio cheio de permanentes e constantes violações. Por mim, e neste domingo em que o Sporting concretiza uma assembleia geral para abordar auditorias realizadas às últimas gestões, não vou violar aquele princípio. Os indícios quase se assemelham ao referendo grego acerca das posições europeias. Mas, aqui, o problema toca-nos, a todos, em razão da moeda comum, o euro. Que é, também, e em números relevantes, a questão implícita às auditorias em ponderação!
6. Parabéns a Miguel Oliveira o homem do momento no nosso motociclismo!"

Fernando Seara, in A Bola

Relatórios, notas e árbitros

"A despromoção de Marco Ferreira, o árbitro que ajuizou a final da Taça de Portugal, para além da surpresa e da interrogação, trouxe a lume o funcionamento do Conselho de Arbitragem (CA) presidido por Vítor Pereira e, em especial, o relacionamento entre a Secção Profissional e a Secção de Classificações (em que avulta a figura do vice-presidente Ferreira Nunes). Esta será a oportunidade para superar uma crise evidente e clarificar (ou cumprir...) os procedimentos que respeitam às nomeações e às avaliações dos árbitros. E também melhorar. O que salta à vista é demasiada opacidade e conflitualidade pessoal. O "meio" não ajuda mas há necessidade de comunicar e mostrar transparência - custe o que custar, será sempre o melhor caminho num terreno cheio de egos. Digo eu.
Comecemos pelo pecado original, que reside na eleição dos membros do CA através do "método de Hondt" (vício reiterado pelo Governo-legislador na última revisão da lei), que acabou por resultar numa vivência em regime de facção. Prova-se que não resulta. Continuemos pelo meio dos regulamentos, norteados pela distinção entre quem nomeia e quem avalia e classifica. A Secção Profissional designa os árbitros tendo em conta a classificação da época anterior, a "avaliação do seu desempenho na época em curso" e o "grau de dificuldade dos jogos". Para esse efeito, deve ter acesso aos "relatórios de avaliação técnica" dos árbitros existentes em "plataforma electrónica" e às decisões sobre as reclamações dos relatórios apresentadas junto da Secção de Classificações pelos árbitros. Por outro lado, essa Secção de Classificações estabelece os critérios de nomeação dos "observadores" e de classificação dos árbitros e desses observadores, designa os "observadores" que avaliam as equipas de arbitragem, recebe e valida os relatórios dos observadores e transmite-os aos árbitros, dá nota à prestação dos árbitros com base nesses relatórios e faz a respetiva classificação final. Neste quadro bipartido de competências e obrigações, o que está a correr mal? O que é que se deve conhecer e não se conhece porque não se dá a conhecer ou não se solicita? Será só o "grau de dificuldade dos jogos" declarado pela Secção de Classificações, omissão que, ao que relata a imprensa, motivou interpelação da FPF ao Governo? Ou será que falta informação para acompanhar com igualdade de armas o desempenho dos árbitros ao longo da época e traduzir isso nas nomeações? Dar respostas com clareza "será sempre melhor do que a habitual especulação do "meio". Digo eu."

Obrigados a ganhar

"Aproxima-se um dos campeonatos mais interessantes dos últimos anos. O Benfica está sob forte pressão. Depois de Vieira ter deixado sair Jesus para ir buscar Rui Vitória, se não for campeão toda a gente lhe apontará o dedo acusador. Há seis anos, nenhum benfiquista lhe exigiria o título. Depois da conquista do bicampeonato, porém, todos querem o tri. E se, além de não o conseguir, o Benfica ficar atrás do Sporting, então será o fim da picada.
O Sporting também está sob forte pressão. Depois da "loucura" de ter ido buscar Jesus, as expectativas dos adeptos ficaram altíssimas. Noutras circunstâncias, ninguém pediria à equipa mais do que um 2.° ou 3.° lugar. Mas tendo em conta o que se passou, todos pensam no título. E se o Sporting não o ganhar (e, por hipótese, não se apurar para a Champions), então a operação-Jesus será vista como um fiasco e Bruno de Carvalho ficará com a cabeça a prémio.
O FC Porto está igualmente sob forte pressão. Depois de dois anos a ver navios, Pinto da Costa tem de ser campeão. E ao insistir na continuidade de Lopetegui contra a vontade de muitos adeptos, o velho presidente pôs a cabeça no cepo. Se perder a aposta, a hegemonia portista no futebol português terá mesmo acabado - e o homem que fez do Porto uma potência futebolística acabará por sair pela porta baixa.
As circunstâncias conjugaram-se, pois, para que os presidentes dos três grandes, Luís Filipe Vieira, Bruno de Carvalho e Pinto da Costa, estejam obrigados a ganhar no mesmo ano. Como não podem ganhar todos, a pressão sobre cada um será fortíssima - prometendo um dos campeonatos mais disputados de sempre."

Conta, conta...!!!



Numa pré-época, com tanta turbulência, não deixa de ser significativo, que umas declarações, com este teor, passem praticamente despercebidas... Seria estranho, mas vendo bem as coisas, até não é!!!

Joel...



PS: Com algum atraso, aqui fica a entrevista do Joel, que no seu primeiro ano no Benfica, ganhou tudo... com competência, e com um discurso, que deixa os Benfiquistas orgulhosos...

domingo, 28 de junho de 2015

A decisão

O que se sabe das negociações entre Benfica e Maxi Pereira (ou o seu empresário) para a renovação do contrato do jogador é que o clube lhe apresentou proposta de três anos de contrato no valor de um milhão e meio de euros líquidos por ano. O que também se sabe é que o FC Porto subiu a parada, apresentando a Maxi (ou ao seu empresário) um ano mais de contrato e mais meio milhão de euros líquido por ano. O que não se sabe é porque Maxi ainda não decidiu nem se sabe do que está à espera ou se está realmente à espera de alguma coisa.
Por outro lado, e já no domínio de alguma especulação, é certo, consta que a possível opção de Maxi Pereira pelo FC Porto poderá vir a custar ao FC Porto, com salários nos quatro anos (16 milhões de euros brutos sensivelmente), mais prémios e comissão ao empresário, qualquer coisa como um total aproximado de 20 milhões de euros brutos, o que não deixará de marcar substancial diferença para a oferta do Benfica, que na proposta de três anos de contrato (e um ano menos faz também muita diferença) poderia/poderá ter de vir a pagar qualquer coisa como 12 milhões de euros brutos (nove de salários mais três de comissão e prémios).

Que Maxi Pereira faça o seu jogo, claro que se compreende, ele é um profissional de futebol que procura o melhor para si depois de ter vivido oito anos da carreira no Benfica, os últimos dois dos quais em muito bom plano. Deixaram que Maxi pudesse ficar com a faca e o queijo na mão na hora de renovar o contrato e o que ele faz, e disse, é apenas aproveitar o momento para negociar melhor o que será certamente o último grande contrato da vida.
O FC Porto faz igualmente bem o seu papel de querer roubar o jogador ao Benfica, como o fez quando se tratou de ir à Luz convencer o compatriota de Maxi, o médio ofensivo Cristian Rodríguez, a mudar-se para o Dragão. É discutível o que oferecerá a Maxi Pereira mas só os responsáveis portistas sabem as linhas financeiras com que se devem coser.
Quanto ao Benfica, depois de ter ido, segundo parece, a reboque do empresário do jogador nos últimos dois anos, vendo-se o clube mais ou menos impedido de negociar com a antecedência a eventual renovação do jogador, agora parece ir a reboque do próprio Maxi Pereira, de quem está, há demasiado tempo, à espera duma resposta.
E isso não é fácil de entender.

Não se esperava que fosse o Benfica a dar a Maxi Pereira um prazo para dar resposta final? Não se esperava que passado já tempo suficiente viesse o Benfica a dar por terminadas as negociações com o jogador por não obter um sim ou sopas?
Pelos dados que vieram a público parece esperar o Benfica que Maxi Pereira se deixe convencer não pelo dinheiro mas pelo eventual sentimento. Faz mal. O próprio Maxi disse que, por mais que lhe custasse, se tivesse de jogar noutro clube em Portugal jogaria.
Talvez espere Maxi que a incerteza leve o Benfica a subir a parada e jogará na eventual angústia encarnada de poder voltar a passar pela sempre dura experiência emocional de perder um dos maiores símbolos do campo e do balneário para o rival do Porto um mês depois de perder o treinador para o rival de Lisboa.
Deveria o Benfica esperar pela decisão do jogador?
Não. Maxi já teve tempo para decidir. Se não decidiu, devia decidir o Benfica.
É fácil perceber porquê!

PS: "Paulo Sousa regressa ao futebol italiano, agora como treinador. Estará como peixe na água. Entra pela porta da Fiorentina mas aposto que só pára na Juventus. Para lá de todos os talentos e capacidades, Paulo Sousa tem outro mérito excecional: como jogador e agora como treinador, construiu sempre a carreira sozinho. Sabem o que quero dizer."

João Bonzinho, in jornal A Bola

Vistas curtas

O grande problema do campeonato português é ser pouco competitivo. Só três clubes da primeira liga sonham ser campeões. Isso retira a todos os restantes adeptos, receitas e, por consequência, recursos para se aproximarem dessa possibilidade. É um círculo vicioso que acaba por prejudicar todos. Qualquer competição depende, para continuar atrativa, de algum equilíbrio entre os concorrentes. Tudo o que se faça no futebol nacional deve favorecer o reforço dos clubes médios. É por isso que tenho defendido que os direitos das transmissões televisivas devem ser centralizados e distribuídos conforme os resultados desportivos, permitindo que uma equipa que num determinado ano se afirme tenha um retorno financeiro que a permita continuar esse caminho. Só isto favorecerá o investimento para crescer.
Na Alemanha, em Inglaterra e em Itália a venda de direitos está centralizada. E Espanha acabou de o fazer, através de uma lei do Estado. Ao que parece, a direção do Sporting aprecia o modelo italiano, que tem em conta vários fatores, nem todos dependentes do mérito. Eu gosto mais do modelo inglês. Contam os resultados e a taxa de ocupação do estádio. Parece-me excelente. Ganha quem conquista, não quem se senta à sombra da bananeira. de passados gloriosos ou de muitos adeptos. É isto que espicaça a competição, de que o futebol depende para ser sustentável. Infelizmente, as vistas curtas nacionais estão a encaminhar tudo para uma solução bipartida, em que Benfica e Porto dividem o bolo entre si. Já nem se trata de desprezar os clubes médios, mas de reforçar ainda mais o afunilamento da competição. Só que um campeonato a dois não é um campeonato. São dois jogos por ano em que perdem todos.

Daniel Oliveira, in jornal Record