Últimas indefectivações

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Cadomblé do Vata (mercado)

"Comentário aos boatos de pré época
1. Edinson Cavani - nem interessa a idade (é só 1 ano mais velho que Lewandovski e tem menos 1 do que Jonas na última vez que foi melhor marcador), seria um reforço brutal, ressalvando que falhar a contratação dele não envergonha ninguém... mas sendo uruguaio, caso assine pelo SL Benfica tem que ser por 5 anos, para só ir para o FC Porto a caminho das 39 primaveras.
2. Gilberto - lateral direito que há 1 mês marcou um golo ao Flamengo jesusiano... Jorge Jesus a pegar no Manual de Contratações do SLB 95/96 "se hoje a mim me marcas / amanhã por mim jogas" (em 95/96 o Glorioso contratou Panduru, Paulão, Hassan, Marcelo e Mauro Airez, batendo o recorde de jogadores que assinaram por um clube depois de contra ele terem facturado)
3. Rúben Semedo - seria LFV a dar tudo pela reeleição... no final de uma temporada que termina com os adeptos a dizerem que o que os jogadores do Benfica precisam, eram uma boas pazadas no lombo, Vieira adicionava o cadastrado central ao plantel.
4. Everton Cebolinha - craque que sozinho consegue fazer todo o lado esquerdo ofensivo e defensivo... venceu a Libertadores, a Recopa Sul Americana, a Copa do Brasil e o Campeonato Gaúcho tendo como lateral do seu flanco Bruno Cortez.
5. Koch e Waldschmidt - para um amante do estilo de futebol alemão, dois actuais seleccionados da Mannschaft no Glorioso seria um sonho... e depois da desilusão que foi a não inclusão no plantel de Friesenbiechler em 14/15, significava uma nova oportunidade de ouvir Jorge Jesus pronunciar nomes germânicos."

João & David... Inglaterra!

A democracia, os benfiquistas e as eleições

"Ponto prévio: Este texto não visa apoiar nenhuma das candidaturas apresentadas até à presente data. 
Faltam cerca de três meses para mais um ato eleitoral no nosso Clube. Enquanto associado não tenho dúvidas, o ato eleitoral é o dia mais importante para qualquer Benfiquista. E porquê? Porque é a oportunidade suprema de todos associados expressarem a sua opinião sobre quem os deve representar à frente dos destinos do clube.
Recuemos então uns anos para que melhor possamos entender a importância deste dia. Desde os primórdios da sua história que o Benfica se tem afirmado como a instituição desportiva mais democrática do país. Mesmo durante os tempos do Salazarismo, onde o país se via oprimido por uma ditadura fascista, o Sport Lisboa e Benfica era um autêntico oásis democrático onde os sócios eram livres de expressar a sua opinião, as eleições eram livres e os candidatos tinham as mais variadas cores politicas.
Foi, portanto, esta força democrática e esta união dos sócios que permitiram ao Benfica tornar-se naquilo de que tanto nos orgulhamos, um clube popular, de pessoas para pessoas. Um clube agregador de todas as classes, géneros e raças. Um clube que edificou o maior estádio do país com a contribuição e esforço de todos os sócios, que eliminou fronteiras por essa Europa fora dominando a década de 60 do futebol do Velho Continente com a contribuição de talentosos jogadores provenientes das ex-colónias. Um clube que se fez grande sem favores de ninguém. Cabe-nos a nós todos manter esse espírito democrático nos tempos eleitorais que se avizinham. Para isso que isso aconteça não devemos ter preconceitos em relação a qualquer ideia/opinião de qualquer candidato. Devemos ter a noção de que o nosso único desejo comum é do ganhar. Nenhum de nós é deste ou daquele candidato, todos somos Benfica e todos devemos ouvir todas as propostas, entendê-las e debatê-las.
Nunca na nossa história tivemos um ato eleitoral tão concorrido. E acreditem que não se trata de ganhar este ou aquele, trata-se de honrar o Benfiquismo com civismo e elevação para que no final o maior vencedor seja o Sport Lisboa e Benfica.
Com a participação e elevação de todos, temos o dever de manter a chama democrática do clube acesa e de o fazer ganhar com a pluralidade de opiniões. Somos nós que não podemos permitir que o Clube se continue a fechar sobre si mesmo como tem acontecido nos últimos tempos. O Benfica estará sempre acima de todos nós, mas será sempre nosso."

O dinheiro no desporto: amadorismo e profissionalismo

"A questão é legítima e qualquer um de nós poderá colocá-la: será que o dinheiro é um problema no desporto? Nas práticas desportivas como o futebol, o basquetebol, o ténis, o golfe, as corridas de automóveis, o ciclismo, entre outras, podemos pensar que sim. Quanto maior for o cálculo económico desta actividade humana, podemos dizer que maior é o risco de fazer desaparecer a cultura desportiva, caracterizada pela incerteza fundamental produzida pela competição entre iguais e pela lógica de identificação que liga uma equipa ou um clube a um determinado território. A dopagem, a corrupção e a violência não são fenómenos novos no desporto. No entanto, eles agravaram-se nas últimas décadas. O olimpismo constrói-se no final do século XIX contra o nascente profissionalismo e contra as derivas pressentidas do desporto-espectáculo. Ora, o dinheiro permite engendrar uma vantagem, não permitindo organizar a competição entre dois atletas iguais: o profissional recebe um rendimento que lhe permite treinar, enquanto o amador trabalha para ganhar a vida ou ocupa-se de outras actividades. A presença do dinheiro choca a moral aristocrática desse tempo, que considera o desporto como uma actividade desinteressada e de alto valor educativo. O olimpismo pretende construir, assim, uma contra-sociedade, que seria, no fundo, a imagem idealizada da sociedade moderna. Na realidade, ele coloca em prática um sistema desportivo onde a igualdade é entre os melhores, traduzindo-se pelo carácter socialmente exclusivo dos clubes e as interdições feitas aos operários de entrar nas associações desportivas. E isso leva à separação do desporto amador e do desporto profissional. Esta filosofia é sustentada ao mesmo tempo que a democratização do desporto ao longo do século XX, pela intervenção, em nome de diversas concepções de interesse geral, dos Estados, dos municípios ou das igrejas. A partir dos anos 1930, e depois a Guerra Fria, a competição política entre os totalitarismos e as democracias, assim como a vontade de colocar em evidência a grandeza nacional graças ao desporto, concorre para o desenvolvimento do desporto-espectáculo e da profissionalização dos seus actores, esbatendo as fronteiras que parecem evidentes entre amadorismo e profissionalismo."

Especialização desportiva precoce

"Passadas que estão as desconfianças que muitos educadores, desde princípios do século passado, colocavam relativamente aos valores pedagógicos e educativos do desporto, o entendimento de que, no âmbito da disciplina de Educação Física, a educação desportiva deve fazer parte do processo de desenvolvimento motor das crianças e dos jovens é uma realidade que se tem vindo a afirmar ao longo dos últimos anos, muito embora, com frequência, surjam desentendimentos. Regra geral, os desentendimentos surgem porque os protagonistas argumentam em diferentes posições e/ou planos de análise que implicam diferentes conceitos, lógicas e discursos pelo que se torna impossível compreender aquilo que o outro está a dizer. Se quando se observa um sistema de dentro para fora ou de fora para dentro vêm-se dois sistemas diferentes, assim também quando se analisa um sistema na sua base de funcionamento, na sua estrutura intermédia ou no seu vértice estratégico têm-se diferentes maneiras de ver a questão. Posto o problema desta maneira o objectivo desta reflexão circunscreve-se à análise do ensino do desporto de dentro do Sistema Educativo e do seu vértice estratégico. Portanto, vamos olhar para o sistema de cima para baixo no sentido de estabelecermos o desenho daquilo que entendemos deve ser a sua superestrutura.
De uma maneira geral, as questões relativas à organização da educação física a partir da base do sistema há muito que são realizadas. Por exemplo, sobre esta problemática a primeira referência surgiu em 1762 com o livro intitulado “Dissertation sur l'Éducation Physique des Enfans, Depuis Leur Naissance Jusqu'à l'Âge de Puberté” da autoria do médico suíço de seu nome Jacques Ballexserd. Desde então, surgiram milhares de trabalhos de investigação que, podemos dizer, culminaram na vasta obra de Jean Piaget. As questões relativas à estrutura intermédia começaram a surgir desde 1958 com o trabalho seminal de March e Simon intitulado “Organizations” e, mais tarde, em 1979, com “The Structuring of Organizations” de Henry Mintzberg que permitiram estudar os sistemas educativos tendo como foco as suas estruturas intermédias, quer dizer, da organização escolar. Todavia, têm sido praticamente inexistentes os trabalhos sobre os sistemas educativos tendo em atenção a sua configuração superestrutural, ou seja, do desenho geral dos princípios, dos valores, dos objectivos, dos recursos, dos destinatários, dos fluxos, dos mecanismos de coordenação e conjugação do trabalho, tendo em vista apurar a eficiência e eficácia do seu funcionamento.
Após a queda do Muro de Berlim, devido ao declínio acelerado do estado-nação, os regimes de muitos países do mundo começaram a olhar para o desporto como um instrumento de afirmação do seu poder político, tanto interno quando externo, através da obtenção de resultados desportivos nas grandes competições internacionais. E, para o efeito, sem qualquer sentido estratégico no que diz respeito à educação desportiva que deve estar na base do desenvolvimento desportivo dos países e no completo desrespeitos pelos mais elementares princípios da psicologia infantil e da correspondente pedagogia, começaram a implementar programas de especialização desportiva dirigidos a crianças a partir dos seis anos de idade que atentam contra a Declaração Universal dos Direitos das Crianças ONU/UNICEF. Ora, esta declaração, no seu princípio II, diz: “A criança gozará de proteção especial e disporá de oportunidade e serviços, a serem estabelecidos em lei ou por outros meios, de modo que possa desenvolver-se física, mental, moral, espiritual e socialmente de forma saudável e normal, assim como em condições de liberdade e dignidade”.
Considerando o caso português, o desporto, enquanto actividade física promotora de valores para a vida, no âmbito do sistema educativo, deve ser entendido no:
- 1º Ciclo do Ensino Básico (1º, 2º 3º e 4º anos de escolaridade); Um processo contínuo de educação motora curricular;
- 2º Ciclo do Ensino Básico (5º e 6º anos de escolaridade); Iniciação desportiva numa sistematização eclética da aprendizagem das várias modalidades, de acordo com as possibilidades de oferta dos estabelecimentos de ensino, através da execução rigorosa de programas para o ensino das diferentes modalidades individuais e colectivas, por ciclos de actividade em função dos espaços desportivos escolares existentes. O objectivo primordial, para além dos aspectos psicomotores, deve ser a aprendizagem dos gestos técnicos fundamentais e sua interligação nas situações de jogo bem como a aquisição do conhecimento das regras e sua arbitragem nas diferentes modalidades desportivas tendo em vista a compreensão prática e teórica do próprio jogo;
- 3º Ciclo do Ensino Básico (7º, 8º e 9º anos de escolaridade); Orientação desportiva possibilitando a escolha vocacional de um conjunto de duas ou três modalidades a desenvolver ao longo do ano lectivo numa progressão técnico-prática ao longo do Ciclo.
- Ensino Secundário (10º, 11º e 12º anos de escolaridade); Aperfeiçoamento desportivo em regime de livre opção para a vida e para a competição formal em função da oferta dos estabelecimentos de ensino. O aperfeiçoamento desportivo, deve ser realizado na Escola Secundária e complementado nos Clubes Desportivos, se estes tiverem instalações apropriadas e técnicos habilitados para o desempenho dessas funções. A especialização desportiva deverá ser a derradeira etapa da formação desportiva e, por esse facto, só deverá, abranger jovens com idade de acordo com as especificações técnicas das modalidades sob um rigoroso controlo pedagógico e médico-desportivo, por solicitação dos responsáveis técnicos e com a aprovação dos respectivos pais.
A especialização desportiva pode acontecer em regime opcional através de projectos especiais a articular numa perspectiva sistémica e protocolar com as organizações do associativismo desportivo onde o estudante está enquadrado e já a desenvolver a sua prática desportiva federada.
O Desporto Escolar deve responder à evolução da disciplina de educação física tendo em atenção o seu programa e o projecto desportivo da escola.
Do ponto de vista sistémico as competências e os conhecimentos a adquirir no âmbito da motricidade infantil nos cursos de formação inicial para professores do 1º ciclo do ensino básico, a fim de se cumprir o direito constitucional à cultura física e ao desporto, devem ser estabelecidos a nível nacional através de um programa plurianual para a disciplina de educação física que abranja o primeiro Ciclo do Ensino Básico a fim de poder ser objecto de monitoragem e controlo da eficiência relativa do funcionamento e da correspondente eficácia dos resultados conseguidos.
Em simultâneo, deve ser desencadeada a institucionalização de uma Carta Desportiva a produzir relatórios em tempo real que permita apurar as necessidades de recursos humanos, formação, instalações e apetrechamento.
A política desportiva de um país considerando que a educação desportiva deve começar no 1º Ciclo do Ensino Básico deve ser equacionada tendo em atenção ciclos longos de planeamento no mínimo de 12 anos correspondentes a três Ciclos Olímpicos. É tempo do desporto em Portugal numa visão estratégica do seu desenvolvimento, ao contrário daquilo que tem vindo a acontecer com fracos resultados, comece a ser equacionado e programado na sua base, isto é, nos locais e das organizações onde ele deve acontecer quer dizer, nas escolas do ensino básico e das famílias. Nunca nenhum país do mundo atingirá um nível desportivo decente com estratégias de especialização precoce que atentam contra os direitos das crianças."

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Vão Arrasar

"A convicção é de Jorge Jesus, que garantiu também um Benfica a jogar três vezes mais.
Para tal, garantidamente que não bastará apenas trabalho do treinador encarnado, mesmo que este mantenha a excelência de sempre. O nível individual do Benfica decresceu significativamente desde o tempo em que Jesus era o treinador, e tendo em conta a forma e as características específicas com que Jesus olha para cada jogador para integrar o seu modelo, percebe-se que estará o Benfica longe de proporcionar ao seu treinador as opções ideais.
A ida ao mercado é garantida, mas quantos poderão ser mesmo adquiridos, em função da “saúde” financeira do clube, e quantos terão de ser aproveitados?
Um possível 11:
Odysseas. Até pela própria estatura, o grego não é o tipo de guarda redes que Jesus aprecia. Contudo, por tantas posições por preencher, e depois de uma temporada globalmente positiva, melhor até que a do título, o grego deverá ser o guarda redes do Benfica em 20/21.
André Almeida. Com Jorge Jesus foi sempre uma opção aos habituais titulares. Contudo, está dentro do processo, conhece bastante bem as ideias do seu treinador e denota competência defensiva importante. Com a exigência própria de Jesus deverá apresentar-se a nível mais alto, e provavelmente só na segunda temporada o Benfica investirá na posição de lateral direito.
Rúben Dias. O central já é uma referência nacional na posição. Jogador de selecção portuguesa tem a competência defensiva necessária, bem expressa nos movimentos, posicionamentos e forma como utiliza o corpo. É um porto seguro na defesa do Benfica e deverá manter a posição, desta feita ao lado de quem possa acrescentar.
Central – Contratação. Garay / Cabrera / Koch? A chegada de um central de nível indiscutível é uma obrigatoriedade. Muito provavelmente chegarão até dois. Um para acompanhar Rúben Dias, outro que possa ser a primeira opção à dupla titular. É esperado nada menos que um jogador de grande dimensão física, técnica e táctica, que possa ser um indiscutível não apenas no Benfica mas também na Liga. Se atrás se colocam os pilares que sustentam toda a obra, a chegada de defesas centrais é uma obrigatoriedade.
Grimaldo. Tal como André Almeida e Odysseas, o espanhol está muito longe de ser o jogador que Jorge Jesus idealiza na posição. Baixa estatura, débil nos duelos defensivos, sejam no ar ou no solo, não tem também presença defensiva na protecção à baliza em situações de cruzamento. Porém, tem uma qualidade inegável e indiscutível no momento ofensivo, e porque será ai que o Benfica impactará grande parte das partidas, dificilmente passará pela posição de Lateral Esquerdo a revolução. Pelo menos no primeiro ano de Jesus, tendo em conta necessidades muito mais urgentes no meio campo ofensivo.
Florentino. Competência defensiva extraordinária, à excepção do jogo aéreo que Jesus tanto valoriza na posição 6, para que equilibre o centro da defesa em situação de cruzamento, ou quando central sai na bola, Tino tem todos os traços pretendidos para a posição. Capacidade de recuperação da bola assombrosa, cadência de passada elevadíssima que lhe permite chegar rapidamente atrás para auxiliar última linha, é um dos que mais promete valorizar-se e tornar-se um jogador de eleição com o novo treinador.
Weigl. Falou-se de Gerson, um jogador mais completo tendo em conta as ideias próprias de Jorge Jesus para a posição 8, mas o brasileiro parece inacessível ao “bolso” encarnado. Tendo em conta a qualidade do alemão, não é expectável que o Benfica use recursos financeiros quando tem no próprio plantel quem possa crescer na posição e tornar-se bastante mais competente. Com um conforto e critério elevadíssimo em posse, a Weigl faltará comer metros em condução provocando desequilíbrios ofensivos pelo corredor central como tanto Jesus gosta (recorde Gerson, Witsel, Enzo e até Adrien Silva), mas tem as características técnicas e físicas para ser moldado e atingir um rendimento de alto quilate.
Ala Direito – Contratação. Cebolinha? Sem um único jogador no actual plantel capaz de trazer velocidade, verticalidade e rupturas tão apreciadas e tão necessárias na posição, ainda para mais quando o lateral também não tem tais traços, o reforço da posição torna-se obrigatório. O mais próximo que há em casa é Tiago Gouveia, mas o jovem ainda passará pela Equipa B antes de poder ser opção para Jesus. Para ala direito o Benfica terá de encontrar no mercado um jogador que seja verdadeiramente diferenciado capaz de criar, finalizar, mas também dar-se às tarefas colectivas da equipa, fechando espaços e participando defensivamente. Um perfil técnico elevado mas também físico.
Ala Esquerdo – Rafa Silva. Muito longe de ser a opção idealizada por Jesus, pela inépcia defensiva e dificuldades a definir de forma associativa em espaços curtos, o ideal seria uma transação que viabilizasse a chegada de um jogador mais próximo do que Jesus pretenderá. Um extremo capaz de servir em cruzamento a área adversária, veloz mas também com poder de finalização e definição no último terço. Ainda assim, permanecendo em Portugal e no Benfica, Rafa é um dos que tem potencial para aumentar bastante o seu rendimento se inserido numa equipa que lhe permita muitas possibilidades para iniciar criação.
Pedrinho. Poderá ser o segundo Avançado do Benfica, desde que bem enquadrado por Jorge Jesus que até já revelou que o ex Corinthians não o encanta partindo da ala. De drible curto eficaz, o dez da selecção olímpica canarinha tem argumentos técnicos para jogar nos espaços mais curtos, e ainda finaliza com eficácia. Denota também traços agressivos e disponibilidade defensiva que é sempre obrigatória em todos os jogadores do Modelo Jesus. Terá de crescer na decisão e na objectividade do seu jogo, mas quantos com potencial não já o fizeram sob a alçada do agora treinador do Benfica? 
Ponta de Lança – Contratação. Cavani? Ainda que Vinícius se tenha sagrado o melhor marcador da Liga, a posição de avançado centro esteve sempre orfã de qualidade. Um ponta de lança que seja simultaneamente o primeiro jogador da equipa quando esta não tem bola, proporcionando condições para a tão amada pressão alta, e que ao mesmo tempo tenha recursos de finalizador dentro da grande área e capacidade para definir os lances em zona de criação, mesmo quando tem de servir os colegas. A chegada do Uruguaio seria um upgrade incrível numa posição onde só marcar golos já não é suficiente no futebol mundial. Comportamento defensivo e capacidade para servir os colegas é o que garante a toada do jogo e mais oportunidades para se chegar aos tais golos.
Posições como a de defesa direito, defesa esquerdo, guarda redes e extremo esquerdo precisarão também de retoques. Contudo, tendo em conta a qualidade vigente deverão ser tidas como menos prioritárias e muito provavelmente serão apenas alvo de reforços em outra janela de transferências. Afinal, é impossível em apenas uma transformar todo um plantel. A menos que sejas o Manchester City.
Na zona de criação muito possivelmente todos os jogadores serão novos no plantel. E se não chegar Cavani e ficar Vinícius, possivelmente reforçar-se-à o Benfica com outro extremo. Jogadores mais capazes e eficientes tecnicamente mas também fisicamente com outras valências que lhes permita não apenas os desequilíbrios ofensivos, mas também mostrar disponibilidade defensiva e capacidade para tornar a pressão encarnada efectiva no que concerne ao roubar a posse ao adversário."

Os 5 derradeiros momentos da época do SL Benfica

"Acabou. Finalmente acabou a época mais longa da história do futebol português, 361 dias após ter começado. Uma época atípica, pelas condições que todos nós conhecemos, e que finalmente chegou a um termo após o FC Porto ter conquistado a Taça de Portugal frente ao SL Benfica, ao vencer os encarnados por 2-1.
Foi uma época de altos e baixos para os rapazes da Luz, sendo que os momentos baixos se superiorizaram aos momentos altos. De facto, a época que agora findou deverá servir de reflexão, assim como também deverá servir para os adeptos e sócios tirarem ilações sobre o trabalho que tem vindo a ser feito nos últimos tempos, onde, em três anos, o Benfica perdeu dois campeonatos e uma Taça de Portugal para um FC Porto intervencionado e falido.
Esta semana, apresentamos, entre os inúmeros altos e baixos, cinco momentos que marcaram a época encarnada.

SL Benfica 5 – 0 Sporting CP – Comecemos, então, pelo princípio. No dia 4 de Agosto de 2019, o Benfica defrontava o Sporting no primeiro jogo oficial da época. Após uma pré-época positiva, onde conquistou a International Champions Cup, os encarnados encaravam a época com expectativas elevadas face ao futebol que a equipa apresentou na época passada e, a espaços, na pré-época.
Após uma época em que o impossível se transformou na Reconquista, os encarnados dissiparam as dúvidas que pairavam antes da Supertaça. Dúvidas essas que se focavam, maioritariamente, na seguinte questão: será que o fosso de qualidade entre “águias” e “leões” se mantinha? Os homens de Bruno Lage responderam paulatinamente dentro das quatro linhas, ao ganhar por 5-0.

Primeira volta do campeonato – O Sport Lisboa e Benfica realizou uma das melhores primeiras voltas da sua história, ao ganhar 16 dos 17 jogos disputados, tendo sido apenas derrotado pelo FC Porto, na terceira jornada. Os encarnados chegavam a dezembro com uma vantagem de sete pontos sobre os rivais do norte, que se encontravam moribundos e com um treinador na porta de saída, pelo que não seria de esperar outra coisa senão o 38º título da história das “águias”.

Fevereiro, o início do fim – O mês de Fevereiro foi, indubitavelmente, o início do fim do sonho do “38”. Um mês muito difícil no calendário encarnado, com as “águias” a terem de se deslocar ao terreno de FC Porto e Gil Vicente FC, assim como a recepção ao SC Braga de Rúben Amorim. Nestes três jogos, os comandados de Bruno Lage apenas somaram três pontos, resultado da vitória sobre o Gil Vicente, em partida a contar para a 22ª jornada. Além disso, foi também no mês de Fevereiro que os encarnados se despediram da Liga Europa, ao serem eliminados pelo FC Shakhtar de Luís Castro, após empatarem a três bolas na Luz, na segunda mão dos dezasseis avos de final. Os comandados de Bruno Lage demonstravam um futebol desgarrado, sem fio de jogo visível, e em que a consistência defensiva era praticamente inexistente. De resto, a única boa notícia em Fevereiro foi a passagem à final da Taça de Portugal, após dois jogos difíceis (e sofríveis) frente ao FC Famalicão.

Despedimento de Bruno Lage – De bestial a besta. O reinado de 17 meses de Bruno Lage no comando da equipa técnica dos encarnados foi do oito ao oitenta, sem que nada fizesse esperar tal hecatombe. Os primeiros doze meses foram marcados por um estilo de jogo atrativo, que trouxe bons resultados e que voltou a trazer a ânsia de ver o Benfica jogar.
O técnico setubalense destacou-se também pela sua boa capacidade de comunicação, sendo que as suas conferências de imprensa eram uma lufada de ar fresco no ambiente muitas vezes tóxico que é o futebol português. Lage reconquistou os adeptos, e depois conquistou o 37º título de Campeão Nacional e a 8ª Supertaça do palmarés encarnado.
No entanto, a partir de Fevereiro as coisas complicaram-se. As lacunas no jogo das “águias” começaram a ser expostas, resultando numa queda de rendimento absolutamente inacreditável, com os homens da Luz a somar apenas três vitórias nos últimos 14 jogos de Bruno Lage à frente do comando técnico encarnado.
A sua saída era inevitável, pelo que era perceptível que Bruno Lage já não tinha condições para desempenhar o cargo. O técnico setubalense não soube quando sair, pelo que acaba por abandonar o clube pela porta pequena, tendo sido demitido (e desmentido) em direto por Luís Filipe Vieira, na conferência de imprensa após o jogo contra o CS Marítimo.

Dobradinha do FC Porto – O maior feito do SL Benfica esta temporada foi a dobradinha do FC Porto. Sem querer tirar qualquer mérito a Sérgio Conceição e à restante equipa técnica, assim como aos seus jogadores, mas o sucesso desportivo dos azuis e brancos aconteceu porque a “estrutura” do Benfica demonstrou, mais uma vez, que é capaz de ressuscitar mortos.
É bom relembrar que em Dezembro/Janeiro, a contestação para os lados do FC Porto era tanta que se chegou a avançar que Sérgio Conceição estava com um pé e meio fora do Dragão. Não é aceitável que um clube intervencionado pela UEFA, com um dos plantéis mais fracos das últimas décadas, consiga ganhar dois campeonatos e uma Taça de Portugal em três anos, dado que enfrenta um Benfica com a maior saúde e estabilidade financeira da sua história.
Não é aceitável que se continue a construir plantéis sem qualquer planeamento lógico. Gastaram-se mais de 37 milhões de euros em dois pontas de lança, 20 milhões num médio defensivo, mas não se gastou qualquer dinheiro nas posições em que, de facto, era preciso gastar dinheiro. Falo de um defesa direito, um médio centro box-to-box ou, por exemplo, um segundo avançado com golo, tal como era João Félix.
Agora corre-se atrás do prejuízo, tal como é possível observar pelas ocorrências dos últimos dias. Foi-se buscar Jorge Jesus e espera-se um forte investimento no plantel. É pena que tal só aconteça em ano de eleições, e depois de se ter dado três títulos aos rivais do norte. Proponho uma alteração nos estatutos: que as eleições para a presidência do Benfica se tornem anuais. Desta forma, pode ser que o Sport Lisboa e Benfica consiga ter sempre plantéis competitivos…"

Defeso atípico

"Terminada a temporada 2019/20 e feita a apresentação do novo treinador, Jorge Jesus, encontramo-nos agora numa fase em que se ultima intensamente a preparação da próxima época. Este será um defeso atípico, o mais curto de sempre, com a pré-época a ter início muito em breve: os exames médicos serão feitos já no dia 8, os testes físicos a 9 e os treinos arrancarão no dia 10.
Tal deve-se ao prolongamento da temporada transacta devido à pandemia, que obrigou à recalendarização das competições, agravado pela circunstância de, no final de 2020/21, se ter de disputar o Campeonato da Europa, o qual foi adiado um ano, delimitando assim, significativamente, o período disponível para o desenrolar das várias provas.
No caso do Benfica, a necessidade de disputar, num jogo apenas, a terceira pré-eliminatória de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões, sendo que haverá ainda o play-off, já disputado a duas mãos, para se conseguir a qualificação, impõe o regresso à competição mais cedo do que a generalidade dos clubes.
As datas previstas para a realização destes jogos são as seguintes: 15 ou 16 de Setembro para a terceira pré-eliminatória; 22 ou 23 de Setembro para a primeira mão do play-off e 29 ou 30 de Setembro para a segunda mão do play-off. Relativamente ao Campeonato Nacional, o início está previsto para 20 de Setembro.
Todo o foco da preparação da nossa equipa está já direccionado para a realização destas partidas, sabendo-se que o primeiro obje tivo da época será marcar presença, pela 11.ª temporada consecutiva, na fase de grupos da Liga dos Campeões. Relembramos que, além do Benfica, só Real Madrid, Barcelona e Bayern Munique disputaram as dez últimas edições da fase de grupos da maior prova do futebol europeu.
É com ambição redobrada que será abordada a próxima temporada. Ao longo das últimas sete épocas, conseguimos vencer mais competições que todos os nossos adversários juntos (15 triunfos em 28), reconhecendo-se que, em 2019/20, vencer somente a Supertaça foi manifestamente escasso. Ganhar será a palavra de ordem, já assumida pelo Presidente Luís Filipe Vieira e pelo treinador Jorge Jesus.
O regresso às competições está marcado pela incerteza, não se sabendo ainda se será permitida a afluência de público aos estádios ou, caso seja, se haverá limitações relativamente ao acesso, nomeadamente no que diz respeito à ocupação dos estádios.
Uma nota ainda para a realização, em Lisboa, da fase final da Liga dos Campeões da corrente temporada. Como se sabe, o Estádio da Luz albergará, pela segunda vez, a final da prova, constituindo-se como mais um sinal do reconhecimento da excelência das nossas instalações.
A News Benfica entrará agora num período de férias, com regresso agendado para o final do mês. Poderá continuar a acompanhar toda a actualidade benfiquista através da BTV, sítio oficial, jornal, redes sociais e BPlay.
Até breve!"

Rui Gomes da Silva...

João & Leonardo... Brasil!

Benfica Podcast #375 - Ready for what's next

terça-feira, 4 de agosto de 2020

As senhoras fugiram assustadas!

"Em 1931, o Benfica conquistava o seu segundo Campeonato de Portugal consecutivo. Ano complicado, em guerras contínuas com os órgãos federativos, mas uma vitória inatacável frente ao FC Porto, no Campo do Arnado, em Coimbra, por 3-0.

Um Benfica - FC Porto não tem o peso de um Benfica - Sporting. Falta-lhe aquele cheiro a Lisboa que a Amália cantava, o cheiro a rosmaninho das procissões, das iscas com elas e a vinho das vielas mais escondidas, das rosas a florirem na tapada, enfim, cheiros de flores e de mar. Mas é, ainda assim, um momento de disputa intensa, estóica. Dói fundo a cada um que perde o peso da derrota.
No dia 28 de Junho de 1931, houve um Benfica - FC Porto em Coimbra: final do Campeonato de Portugal. Vitória encarnada por 3-0. Era um mês de Junho como este que vivemos, cheio de sol ardente, mas havia pessoas aos magotes como agora não há por via desse mal sinistro que nos entrou pela vida e nos deixou cada vez mais distantes uns dos outros. Um tempo ainda tranquilo, embora pela Europa já pairasse o insuportável fedor a pólvora de mais uma guerra que devoraria o planeta.
'Honra ao glorioso Benfica. Nunca este adjectivo teve tanta razão de ser como agora!', lia-se nas páginas de um periódico. Afinal, as águias defendiam o título conquistado um ano antes de demonstravam cabalmente que não tinham adversário à altura. 'Para trás, detractores! Afastem-se os mal-intencionados! Aqueles que passam a vida a dizer mal de um clube lá porque defendem outras cores. Neste ano, a competição máxima foi ganha pelo melhor grupo, pelo melhor de todos, pelo melhor que nela entrou'.

Se o jornalista presente no velho Campo do Arnado viu tudo decorrer na frente dos seus olhos, como negar a sua versão dos acontecimentos? Aliás, como recusar que, com uma vitória por 3-0, o Benfica tenha sido absolutamente superior ao seu rival da Invicta? Lá está! Para trás, detractores!
'Coimbra, uma fidalga terra acolhedora, que sabe receber as pessoas que a visitam, tinha ontem o aspecto dos dias de festa, de grande festa. Além dos comboios especiais que conduziram muita gente a todo o momento, de um lado e do outro, chegavam automóveis transportando desportistas. Viam-se bandeiras azuis e vermelhas por toda a parte. E por toda a parte se ouvia gritar: 'Viva o Benfica!' 'Viva o Porto!'

Já não se escreve assim por entre as páginas dos nossos jornais desportivos carregadas de erros de ortografia e de sintaxe. Há coisas que não voltam mais...


Superioridade total!
Nem sempre é vulgar, mas, enfim, das margens do Douro às margens do Mondego a distância é mais curta que a que dista o Tejo: havia mais adeptos do FC Porto do que do Benfica. E ouviram-se mais alto, mais pujantes. Pelo menos no início, antes de o jogo começar a correr ao contrário das suas vontades. O Campo do Arnado estava pela hora da morte. Bancadas de madeira improvisadas, ameaçando ruir quando os espectadores resolviam bater com os pés, senhoras assustadas fugindo, ignorando a peleja, com medo, um medo compreensível, natural.

O Benfica não tinha Pedro Silva, lesionado. Jogou João Correira, vindo directamente das terceiras categorias. E cumpriu!

O domínio dos vermelhos foi total. Do princípio ao fim. Vá lá, durante um pedacinho do segundo tempo, os azuis e brancos equilibraram a contenda. Mas insuficiente. Completamente insuficiente!
Aos 37 minutos, 1-0. Vítor Silva tem um remate poderoso, a bola bate num poste com tanta violência, que, em seguida, vai bater no do outro lado. Parecia um jogo de flippers. Com a felicidade que fez por merecer, Vítor Silva surge por entre os defesas contrários com rapidez e, tanquilo, executa e recarga como se tivesse tido ordens divinas para tal. O FC Porto treme. Está metido numa camisa de onze varas.

Em cima do intervalo, 2-0.
Canto. A bola vai na grande área, Siska sai com bravura, o embate com Emiliano Sampaio é inevitável. A bola sobra para Augusto Dinis, que, expedito, a chuta para as redes. Os portistas reclamam. O árbitro está a pouco mais de um metro do lance. Chama-se António Palhinhas. Considera que, sendo fora da pequena área, não há motivos para castigar o avançado benfiquista.
Os encarnados entram para o segundo tempo com uma confiança inabalável. Vítor Silva era verdadeiramente supimpa: com os seus recursos extraordinários, não havia nada que não conseguisse fazer. Foi o autor do terceiro golo.
65 minutos - à entrada da área, dribla um adversário de forma tão surpreendente, que o faz tombar. De imediato aplica um pontapé forte e colocado, indefensável para Siska - 3-0.
O resto do encontro será um passeio. O Benfica descansa sobre a vantagem larga, o FC Porto equilibra as forças por alguns momentos, mas nem Lopes Carneiro, nem Raul Castro, nem o inglês Norman Hall conseguem pôr em risco a baliza de Artur Dyson.
'Honra, portanto, ao clube que soube, defendendo um título que ostentava, contra tudo e todos, colocar bem alto a região mais categorizada do foot-ball português'. Pois: é que não foi qualquer um a assinar essas palavras. Foi Tavares da Silva, um dos maiores jornalistas de sempre em Portugal, no tempo em que o jornalismo não admitia o analfabetismo nem a ignorância, como agora..."

Afonso de Melo, in O Benfica

"O Coluna das coisas simples"

"Era vaidoso, gostava de filmes de acção e de bolos e guardava com estima a bola que tinha rolado no seu jogo de despedida

Mário Coluna nasceu a 6 de Agosto de 1935, em Moçambique, e cresceu a brincar na rua. Desportista nato, deu um pezinho em várias modalidades antes de se decidir pelo desporto-rei. No início da adolescência descobriu o boxe e começou a entrar em combates amadores. Antes em Moçambique, foi um grande corredor e recordista de salto em altura e também jogou basquetebol! O futebol foi a modalidade que sempre esteve presente na sua vida, desde pequenino. O seu pai fundou o Grupo Desportivo de Lourenço Marques, uma filial do Benfica, e ali Coluna jogava a júnior de manhã e nos seniores à tarde. O seu talento chegou a Lisboa e os dois grandes, Sporting e Benfica, queriam-no nas suas equipas. A proposta foi igual: 100 contos. O factor decisivo foi o coração de Coluna, vermelho por natureza.

No dia da viagem para Portugal, Coluna sentia-se particularmente vaidoso, por isso escolheu vestir um fato de linho e até comprou uns sapatos especialmente para aquela ocasião. Mas a viagem durou umas intermináveis 34 horas e quando, finalmente aterrou, tinha o fato todo amarrotado e os pés tão inchados que não cabiam nos sapatos!
Jogou 16 épocas de águia ao peito, 7 das quais com a braçadeira de capitão. Venceu 10 Campeonatos Nacionais, 6 Taças de Portugal, 3 Taças de Honra e foi o primeiro africano a erguer a Taça dos Clubes Campeões Europeus. Mas, longe as luzes da ribalta, Coluna era um homem como os outros. Gostava de batatas fritas, de laranjas, de filmes de acção e de bolos. Numa entrevista dada ao Diário de Lisboa, no fim da sua carreira, foi apelidado de 'Coluna das coisas simples'. E era-o, de facto. Humilde, era muito apegado às memórias, mas já tinha perdido o rasto aos objectos acumulados. 'Tinha centenas de galhardetes que já nem sei onde andam', inclusivamente uma medalha de ouro, 'que o Brasil só dá por grandes feitos aos brasileiros que se tornam a modos que heróis. Eu tenho-a, deve estar por aí, numa dessas gavetas'. Mas havia um objecto que guardava com grande carinho: a bola que tinha rolado na sua festa de despedida do Benfica, autografada por todas as vedetas que foram jogar à Luz, '(...) tem um valor inestimável', confessou.

Saiba mais sobre os feitos de Coluna na área 23 -Inesquecíveis, no Museu Benfica - Cosme Damião."

Marisa Furtado, in O Benfica

Ambição à Benfica

"O novo ciclo, com o comando técnico da nossa equipa de futebol agora entregue a Jorge Jesus, não poderia ter começado da melhor forma. Os objectivos foram expressos de forma muito clara e estes passam por ganhar as competições domésticas, recuperando a hegemonia do futebol português, e devolver o prestígio internacional ao Benfica.
Na apresentação do novo treinador estiveram presentes membros da Direcção do Clube e da SAD, elementos da estrutura do futebol profissional, os capitães de equipa e alguns ex-jogadores cuja passagem pelo Benfica ficou marcada pelo sucesso sob as ordens de Jorge Jesus.
O Presidente Luís Filipe Vieira deu o mote de uma cerimónia em que sobressaiu a enorme vontade, partilhada por todos os Benfiquistas, de recolocar o Benfica no trilho das vitórias, após uma temporada aquém das expectativas.
Dirigindo-se a Jorge Jesus, Luís Filipe Vieira garantiu que tudo será feito para que a Família Benfiquista seja feliz nos próximos anos e recordou que, como em 2009, surgem novamente juntos, acompanhados por Rui Costa ("Curiosamente somos os três bairristas e o Benfica, na realidade, é o povo", realçou), para trabalharem arduamente em prol do sucesso do Clube.
Por seu turno, Rui Costa salientou que o sucesso de Jorge Jesus será o sucesso de todos os Benfiquistas e manifestou o desejo de que o nosso treinador aumente o palmarés obtido na sua passagem anterior pelo Benfica.
Jorge Jesus, igual a si próprio, foi a personificação da enorme ambição, da inabalável confiança e da máxima exigência que lhe reconhecemos desde o seu primeiro ato enquanto treinador do Benfica. Revelando-se muito satisfeito por voltar à Luz e ao Seixal, vincou que a equipa terá de jogar o triplo para atingir os objectivos preconizados, manifestou a sua crença, sem quaisquer reservas, de que lhe serão proporcionadas todas as condições para alcançar o desejado sucesso, prometeu que a equipa irá arrasar e revelou que já trabalha, com Luís Filipe Vieira, Rui Costa, Tiago Pinto e Luisão, na construção de um plantel muito forte.
Deixou ainda claro que "só um clube e uma pessoa" o podiam convencer a regressar a Portugal, que acredita que o Benfica dá todas as condições a qualquer treinador para melhor desenvolver o seu trabalho e lutar pelo triunfo em todas as competições. A união de todos os benfiquistas foi também um dos aspectos vincados pelo nosso treinador, sabendo-se que é fundamental para o sucesso. E frisou que a competência será sempre o que norteará o reforço do plantel, fazendo-se uma simbiose das várias proveniências, incluindo da Formação.
Jorge Jesus está de volta e só nos resta desejar, ao nosso novo treinador, que, como na sua primeira passagem pelo Benfica, ajude o Clube a conquistar muitos títulos e troféus!
#PeloBenfica"

Cadomblé do Vata (Jesus)

"A apresentação de Jorge Jesus.
1. Para começar, fico feliz por a cerimónia não ter decorrido no relvado da Luz... parece-me claro que só a falta de espaço evitou que ao lado dos dois "troféus" de finalista vencido da Liga Europa, não estivesse o hat trick de "títulos" de vice campeão nacional.
2. Jorge Jesus guardou para o fim a expressão orelhuda "Vamos Arrasar"... não deu foi para perguntar se era com o campeonato, com as finanças do clube ou vá, com "ambos os dois que formam um triângulo".
3. Já antes, o treinador do SLB tinha demonstrado a sua peculiar confiança, afirmando que os jogadores "vão jogar o triplo"... tendo em conta as dificuldades que tivemos este ano na meia e longa distância, eu duvido, mas somos o clube do Carlos Lisboa, portanto vale a pena tentar.
4. Excelentes noticias na constituição da equipa técnica com a inclusão do treinador de guarda redes Fernando Ferreira, agora coadjuvado pelo Paulo Lopes... isto se entretanto Jorge Jesus não o trocar pelo Muhktar.
5. "Como temes par cima da águia, um sames todes"... agora quero ver os nossos adeptos na China a dizerem isto."

"Vamos jogar o triplo"

"Hoje, 3 de Agosto, começa uma nova época. Aquilo que todos esperávamos, sem esquecer o que fica para trás, para memória e aprendizagem, mas virar a página, voltar ao trabalho, recuperar o foco e lutar pelos nossos pergaminhos: dominar em Portugal e ser grandes na Europa.
Pode ser mais ou menos consensual, uns gostam mais, outros gostam menos, mas Jorge Jesus é o eleito. Jorge Jesus é o treinador do Sport Lisboa e Benfica. Jorge Jesus é o nosso treinador. A quem desejamos toda a sorte. É hora de trabalho. É hora de união.
É hora de voltar a ser brilhante dentro de campo e inexcedível fora dele, na luta pela verdade desportiva e na defesa intransigente do SL Benfica.
O caminho é longo. E mais do que nunca, todos contam. Pelo Benfica."

Jorge Jesus é o maior

"O Benfica já saiu a ganhar da apresentação

Jorge Jesus assumiu que está diferente e, em boa verdade, as últimas declarações no Brasil já apontavam nesse sentido: falava mais na primeira pessoa do plural, mencionava frequentemente a equipa técnica e atribuía várias vezes o mérito das vitórias aos jogadores.
O treinador pode, por isso, ter alterado a perspectiva com que olha para as coisas. Já a gestão das expectativas, essa, permanece igual. O que é uma excelente notícia para o Benfica.
Se não, veja-se.
Na apresentação, por exemplo, Jorge Jesus disse que «jogar o dobro não chega, o Benfica vai jogar o triplo», garantiu que é «muito mais treinador do que era» quando saiu da Luz e reclamou que não está habituado a ganhar o campeonato, está habituado «a ganhar tudo».
«Não tenham dúvidas: vamos fazer uma grande equipa e vamos arrasar.»
Ora isto, meus senhores, é Jorge Jesus. Podia ser mais cauteloso e apostar num discurso mais conservador, mas aí não estaria a ser ele. Ele é assim: não sabe jogar com expectativas moderadas.
O Benfica, sabe-se depois disto, não ficará satisfeito em ser bom ou ser bonzinho. O Benfica vai ter de ser espectacular. Vai atirar lá para cima, tão alto como os sonhos possam chegar.
Para uma equipa não haverá maior motivação que essa.
Jorge Jesus é assim: chega e agita as coisas. Grita, esperneia e desassossega. Podia ser como os outros, podia ser razoável e politicamente correto.
Era seguramente muito mais cómodo e barato. Não haveria tanta cobrança, tantas críticas, tantos olhares. Provavelmente também não haveria tanta gente a querer que ele falhasse.
Mas não se chega ao céu com os pés presos na terra. E Jorge Jesus não tem medo de voar."

A importância da formação

"Já se passaram cinco anos desde que Jorge Jesus saiu do Benfica, mas parece que a ideia da aposta da formação já se esqueceu. Acho que é uma boa altura de relembrar porque é que há cinco anos começámos a apostar tanto na formação, como a aposta na formação deu bons resultados em alguns clubes e porque é que a aposta na formação não tem dado esses resultados no Benfica. O pior que o Benfica poderia fazer era deixar de apostar na formação neste momento. A formação é o único caminho para o sucesso à disposição dos clubes fora das quatro grandes Ligas.
A necessidade de apostar na formação é francamente simples de entender. As futuras estrelas do futebol mundial têm hoje 15, 16, 18 anos. Se tivermos boas condições porque é que não podem surgir no Benfica? Foi esta a pergunta que Luís Filipe Vieira fez há cerca de dez anos e os resultados estão à vista de todos. Hoje em dia, contratar um jogador que seja capaz de fazer diferença numa competição europeia custa no mínimo uns 40 milhões de euros (entre preço do jogador, salário, prémio de assinatura e comissões). O Benfica tem capacidade para ter dois ou três assim. Mas não tem capacidade para ter quinze, como a maioria dos grandes clubes tem, no mínimo. A solução é criar esses jogadores na formação. Bons jogadores da formação também têm (ou deveriam ter) salários caros, mas não se tem que pagar a ninguém para os ter. Assim é possível um clube da periferia futebolística europeia conseguir ter um plantel competitivo a nível europeu sem gastar o que grandes clubes gastam.
No passado recente tivemos alguns clubes a conseguirem ter sucesso a nível internacional graças à formação ou à aposta em jovens jogadores. Nos últimos cinco anos, houve três equipas a chegar às meias-finais da Champions League que não estamos habituados a ver lá: Mónaco 2016-17, Roma 2017-18 e Ajax 2018-19. Destas três equipas, duas tinham como base a formação. O Mónaco montou uma equipa com uma série de jovens de 18-23 anos que foi buscar à sua academia (Kylian Mbappé, Abdou Diallo e Almamy Touré) ou a academias de outros clubes (Bernardo Silva, Thomas Lemas, Fabinho, Tiémoué Bakayoko, Benjamin Mendy e Gabriel Boschilia). A estes jovens juntou jogadores experientes como João Moutinho, Radamel Falcão e Danijel Subasic e conseguiu travar o PSG, vencer a Ligue 1 e chegar às meias-finais da Champions League. O Ajax venceu a Eredivisie, a Taça da Holanda e chegou às meias-finais da Champions com uma equipa onde dos onze jogadores mais utilizados, seis tinham passado pela equipa B nos anos anteriores (Donny van de Beek, Matthijs de Ligt, André Onana, David Neres, Noussair Mazraoui e Frenkie de Jong). Além destes, quase metade dos jogadores do resto do plantel vieram da formação ou foram contratados muito novos.
A triste curiosidade, é que se formos ver os clubes com melhor resultado líquido de contratações nos últimos anos, a lista é composta precisamente por Mónaco, Ajax e…. Benfica. Ou seja, nós produzimos o mesmo talento que Ajax e Mónaco, só que não tivemos uma gestão capaz de chegar aos mesmos resultados. O problema do Benfica não tem sido apostar em demasia na formação. O problema do Benfica tem sido gestão. O Benfica cria jogadores óptimos, vende-os à primeira oportunidade e depois fica à espera que a formação crie jogadores para os substituir. Se a formação não for capaz de responder no imediato a essa necessidade, o Benfica não contrata. Este é o erro. Foi isto que aconteceu com o Renato Sanches, com Ederson, com Nélson Semedo e mais recentemente com João Félix. A solução é francamente simples também. Não podemos vender jogadores só porque fizeram uma boa temporada. Jogadores deste nível são muito difíceis de criar. Nós temos que tirar mais rendimento desportivo deles antes de procurarmos o rendimento financeiro. E quando tirarmos o rendimento financeiro, se a formação não tiver ninguém para se apostar no imediato, temos que ir ao mercado. O que não se pode fazer de todo é acelerar processos só para não gastar algum dinheiro em reforços (que foi o que aconteceu com Tomás Tavares por exemplo).
Há cerca de quatro ou cinco anos, Hélder Cristóvão disse numa entrevista à BTV que um jogador da equipa B para se graduar da equipa B e saltar para a equipa principal tinha que fazer entre 60 a 80 jogos. Nenhum dos jogadores promovidos este ano pelo Benfica tinha um quinto disso. Só se apostou nesses jogadores porque a “Estrutura” do clube não quis gastar dinheiro em reforços. O único caso bem gerido pela “Estrutura” nestes últimos anos foi o caso de Victor Lindelof - Rúben Dias. Assim que Victor Lindelof foi vendido, a formação já tinha outro jovem pronto a ser lançado - Rúben Dias. Tirando este caso, todos os outros jogadores ou ainda não foram substituídos - João Félix e Nélson Semedo - ou foram substituídos com um penso rápido e o clube só decidiu investir a sério passado mais de um ano depois: (1) Ederson - Bruno Varela - Odysseas Vlachodimos; (2) Renato Sanches - Pizzi (adaptado a médio centro) - Krovinovic - Gabriel).
A formação do Benfica está a chegar aos anos de ouro. As gerações de 1994 e 1997 foram muito boas, mas as gerações que estão a bater à porta (de 2000, 2001 e 2002) são também muito boas. É importante que o plantel da equipa principal seja curto, de maneira a que a porta esteja aberta para jogadores como Gonçalo Ramos, Tiago Dantas, Morato, Pedro Álvaro, Ronaldo Camará, Paulo Bernardo e Rafael Brito possam ter as suas oportunidades. Porque se não tiverem aqui, vai aparecer um Mónaco ou um Valência a tirar proveito deles. Quase que aposto que um desses clubes que já deve estar a esfregar as mãos chama-se Wolverhampton."

Mimados ou Privilegiados?

"A época 2019/20 terminou, finalmente terminou.
Entrámos nela cheios de ilusão, com um treinador que nos tinha apaixonado, com um grupo de jogadores que ultrapassaram os 100 golos numa época e que fizeram uma das mais memoráveis segunda volta de sempre do campeonato português.
Entre os grupos de amigos benfiquistas discute-se actualmente como terminamos esta época com uma dobradinha do FC Porto (clube que continua intervencionado pela UEFA e a viver uma complexa situação financeira).
Passado um ano, o treinador foi demitido e grande parte dos jogadores que nos fizeram sonhar são criticados e o seu valor colocado em causa.
Como chegámos a este ponto? O que mudou em tão curto espaço de tempo? Como passámos do sonho à desilusão com a maioria dos actores da época passada?
O meu texto foca-se na questão dos jogadores, uma vez que muito já se escreveu acerca do fenómeno Lage.
Voltemos a Janeiro de 2019, momento em que Lage assume a liderança da equipa principal do SL Benfica. A liderança estava a 7 pontos de distância e o jovem treinador sobe à equipa A uma mão cheia de jovens da formação. Três destacaram-se de imediato: Ferro, Florentino e a estrela em ascensão João Félix. O impacto foi imediato e entre a irreverência de um Félix que colocou toda uma equipa a jogar à sua volta e o cerrar de fileiras impulsionado por uma sequência impressionante de vitórias levou-nos a um dos campeonatos mais saborosos, principalmente por quase ninguém já acreditar nele.
Serve este parágrafo para contextualizar como iniciámos a época que agora finda. Com uma sensação de liderança e poderio face aos nossos mais diretos rivais. Sensação essa ainda mais cimentada pela histórica vitória por 5-0 ao Sporting CP que valeu a conquista de mais uma Supertaça para o nosso grandioso palmarés.
Mas o que aconteceu entre a consagração do jogo contra o Santa Clara e o jogo que nos deu a Supertaça contra o Sporting?
Durante a pré-época saíram do Benfica Jonas, Sálvio e Félix. E cedo se percebeu que Fejsa e Jardel não contavam para Bruno Lage. Entraram RDT, Vinícius e mais miúdos da formação, com destaque para Nuno e Tomás Tavares.
Entretanto o SL Benfica renovava com Pizzi, Rafa, Seferovic, Grimaldo, André Almeida, Samaris, Gabriel, até 2023 ou 2024, numa estratégia inteligente de blindagem destes jogadores, mas com novos contratos de longa duração e todos a roçar o tecto salarial do clube.
E aqui jaz, na minha opinião, o início do insucesso do Benfica 2019/20. Entre Maio e Agosto, a estrutura do clube vê saírem ou serem afastados os jogadores com mais experiência e liderança do balneário (Jonas, Sálvio, Jardel, Fejsa) e vende por valores irrecusáveis a pérola que revolucionou o futebol do clube: Félix. Em sentido oposto contrata jogadores com poucas ou nenhumas provas dadas (RDT e Vinícius) e fortalece através de renovações o peso de alguns jogadores no plantel (Pizzi, Rafa, Grimaldo, André Almeida, Seferovic, Gabriel).
De repente, os jogadores que se agigantaram em torno da genialidade de Félix e da experiência de Jonas, Sálvio, Jardel e Fejsa, tornaram-se eles a referência do plantel. Esses jogadores tornaram-se as estrelas do plantel e as caras da liderança no balneário.
E assim arrancou o campeonato. Apesar do primeiro aviso logo à terceira jornada, os resultados foram aparecendo. Jogava-se mal mas a bola ia entrando e este grupo de jogadores alcançou uma vantagem de 7 pontos face ao FC Porto. Até que chegou o dia em que viajaram ao Porto. Nesse dia podiam ter decidido o campeonato se não perdessem, mas saíram de lá derrotados (novamente) e acima de tudo com a certeza que não eram a melhor equipa.
Foi nesse momento que sobressaiu a falta de qualidade e de liderança do núcleo duro do plantel (Pizzi, Rafa, Grimaldo, André Almeida, Gabriel). Perceberam nesse momento que não eram as estrelas que a comunicação oficial do clube vendia semana após semana aos sócios e adeptos do SL Benfica. Perceberam que não iam ser capazes, que lhes faltava os alicerces que suportaram o sucesso passado e…entraram em pânico.
Desde esse dia foi um cair a pique semana após semana. De uma vantagem de 7, em poucas semanas passaram para uma desvantagem de 1 ponto face aos rivais. Casa ponto que perdiam, maior era o pânico e maior a certeza que não iriam ser capazes. E isso toldou-lhes o discernimento, contagiou o resto do plantel. Perderam o foco.
E é nestes momentos que é necessário que a qualidade apareça (já não havia um Félix) ou que os grandes líderes soltem um berro e reúnam as tropas (já não havia em Jonas ou Fejsa). E o resultado final foi este a que assistimos ao último capítulo ontem, onde uma vez mais este plantel teve de enfrentar os seus medos e fantasmas, uma vez mais falharam. Não conseguiram, gelaram de pânico quando sofreram o primeiro golo.
Por isso concluo que estes jogadores não são mimados. Simplesmente não sabem mais. Subitamente foram elevados a estrelas de um clube grandioso como o SL Benfica e não aguentaram a pressão dos maus resultados. Não conseguiram lidar com a realidade, a de que são jogadores de plantel, jogadores de qualidade inegável, mas não são estrelas. Por falta de genialidade e de liderança.
Estes jogadores são sim privilegiados, por poderem envergar uma camisola com a grandiosidade do manto sagrado. O verdadeiro Benfica, talvez não permitisse que estes jogadores fossem titulares, quanto mais as suas estrelas.
Estes jogadores não têm culpa de quem os criou, de quem alimentou os seus egos para esconder a falta de qualidade do plantel e a sua falta de ambição para conquistar títulos. Eles apenas serão eternamente gratos a um clube que lhe proporcionou serem mais do que alguma vez deveriam ter sido. Estes jogadores terão o privilégio de vestir a camisola do SL Benfica até ao final do seu contrato, porque a sua qualidade não condiz com o seu vencimento. Estes jogadores não poderão ambicionar mais que se manterem no plantel do maior clube de Portugal.
Mas eu acredito que, se lhes juntarmos qualidade e a experiência e ambição de jogadores à Benfica, habituados aos grandes palcos, confiantes no seu futebol, se voltarmos a colocar estes jogadores no lugar onde pertencem dentro do plantel, eles voltarão a dar-nos alegrias e levar o Glorioso a novas conquistas. Isto porque se verão livres da pressão de serem eles a fazer a diferença e porque terão a seu lado líderes que os irão ajudar a tirarem o máximo das suas capacidades.
Estamos assim num momento crucial do futuro próximo do nosso clube. O Benfica precisa urgentemente de jogadores de qualidade, que sejam ambiciosos, que elevem o nível do plantel. É tempo de decidirmos se queremos um Benfica focado nos títulos desportivos ou focado nos negócios. Os próximos meses serão decisivos. Está nas mãos dos sócios quem queremos que sejam as estrelas do nosso clube.
Haja ambição, porque o SL Benfica está preparado para voar e voltar a encontrar-se com o seu destino: vencer!"

João & Markus... Alemanha!