Últimas indefectivações

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Onde está a lógica?

"A época terminou. Começou a catadupa de não notícias, pré-novidades e pós-desmentidos. Este ano com uma novidade, ao que parece: a dança de treinadores dos clubes grandes, com o prenúncio de uma lógica inovadora: treinadores com sucesso estão à porta de saída, treinadores com insucesso, seguros. O bicampeão Jorge Jesus - anunciou ontem A BOLA - «mais longe do Benfica, mais perto do Sporting», colocando a 2.ª circular em alvoroço. Marco Silva, ao que tudo indica, só está preso ao seu patrão enquanto o direito de alforria não tiver a justa compensação. Lopetegui, o perdedor, parece estar de pedra e cal no Porto.
Como benfiquista, custa-me perceber a novela à volta do treinador. É óbvio que poderá haver aspectos que, de fora, não alcançamos. Mas serão assim obstáculos tão difíceis de ultrapassar? Será que a relação de amizade, confiança e cumplicidade entre Vieira e Jesus se desvaneceu? Será que a folha salarial é um tão forte entrave para um treinador que vem significando retorno como nunca se viu no Benfica? Ou será que não se pode encontrar um bom compromisso entre austeridade nas contratações e o aproveitamento de jovens talentos?
E pergunto, qual a alternativa em caso de separação? Para o Benfica, arrisco dizer que é um retrocesso, pois não vejo treinador à altura do almejado tricampeonato (aliás, o bi muito deve à manutenção da equipa técnica). Para L.F. Vieira, uma decisão de todo incompreendida pela maioria dos benfiquistas. Para J. Jesus, não foi ele que disse que sair do SLB era mudar de cavalo para burro (com o meu devido respeito pelo burro, seja ele qual for)?
*Crónica escrita antes de ser noticiada transferência de Jorge Jesus para o Sporting"

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Campeões

"Quase terminado um ano desportivo glorioso para o Benfica. Não apenas no mais festejado futebol, como no ecletismo das modalidades. Assim, em seniores:
FUTEBOL - bicampeão nacional, vencedor da Supertaça e da Taça da Liga (conseguindo pela l.ª vez em Portugal 6 títulos sucessivos).
HÓQUEI EM PATINS - campeão nacional (sem derrotas), vencedor da Taça de Portugal, vencedor da Taça Europeia feminina.
VOLEIBOL - tricampeão nacional, vencedor da Taça de Portugal e da Supertaça, vice-campeão da Taça Challenge.
BASQUETEBOL - o pleno: tetracampeão nacional, vencedor da Taça de Portugal, da Supertaça e, ainda, da Taça da Liga e da Taça António Pratas.
FUTSAL - vencedor da Taça de Portugal e candidato finalista do campeonato. Em femininos, vencedor da Supertaça e ainda candidato a campeão nacional). 
ATLETISMO - campeão em pista coberta (masc.), de corta-mato e estrada (masc. e fem.).
Os títulos são 21 e podem chegar a 23 (o FCP conquistou apenas dois, em andebol, e o SCP, três: uma taça europeia em hóquei, a T. Portugal em futebol e pista coberta fem.). Um trabalho notável, uma inversão do trajecto conformado e cinzento de outrora, uma estratégia de um Benfica global. Excelente formação, contratações criteriosas, escolha de técnicos de craveira e provas dadas.

P.S. O Sporting venceu com merecimento a Taça de Portugal. Nestas coisas do futebol, costumo fazer o raciocínio ao invés: se o Benfica tivesse jogado 100 m com menos um jogador, a perder 0-2 logo no início e tivesse, no fim, levantado a Taça, eu rejubilaria de uma tão sofrida quanto encantadora vitória. Esta época, só deu Lisboa!"

Bagão Félix, in A Bola

Nico...

O rato Mickey e Jorge Jesus

"É um clássico da Disney com o qual me cruzei por acaso e, de tão estranho, admito que ande fora do circuito habitual. Mickey e Minnie vão parar a uma cidade onde tudo acontece ao contrário do que nos parece normal: por exemplo, ao irem a uma loja fazer compras recebem, do vendedor, o artigo pedido e ainda dinheiro. Ao insistirem que querem eles pagar, a polícia é chamada e os dois ratos acabam na cadeia. 
Este episódio tem largas dezenas de anos, mas se um dia a equipa da Disney resolver fazer-lhe uma actualização pode - fica a sugestão - colocar os heróis num avião e fazê-los aterrar em Portugal. É que por cá nada é como seria suposto. Para simplificar esta crónica, falemos apenas de futebol.
No Sporting, por exemplo, a permanência do treinador que ganha uma Taça e faz campeonato dentro das expectativas (das realistas, não das megalómanas) é assunto incómodo para o presidente, e nem o facto de Marco Silva ter mais três anos de contrato o leva a garantir perentoriamente que são falsas as notícias de que o mister terá guia de marcha...
Pior ainda está o Benfica. Além de se passar a mensagem de que Jesus só renova contrato se aceitar baixar o ordenado, os dirigentes que andaram anos à procura de treinador que fosse capaz de ganhar um campeonato estão agora com dúvidas sobre se devem continuar com aquele que conquistou 10 títulos em 6 anos (três campeonatos, uma Taça de Portugal, 5 taças da Liga e uma supertaça).

PS: Há anos que a União Europeia tenta legislar no sentido de moralizar o negócio do futebol, mas sempre a medo. Também por isso, o facto de a machadada na FIFA ter sido dada pela justiça norte-americana é uma enorme derrota política."

Nuno Perestrelo, in A Bola

Um dia, um dia...

"E será trágico

Sejamos claros: a viciação de resultados existe no futebol e, ao mesmo tempo, Portugal tem-se revelado um paraíso para a corrupção. A coincidência não chega a constituir sequer prova circunstancial, pelo que não faz do Penafiel mais culpado do que era anteontem. Um dia, porém, vai surgir um caso a um nível mais alto do que aqueles que já surgiram. E não façamos confusão: nem a violência nem sequer o doping poderão atingir uma modalidade tão directamente no coração como a viciação de resultados...

A OPORTUNIDADE
Haverá dimensão? Parece intensificarem-se os sinais de que Bruno de Carvalho e Marco Silva podem reentender-se. Talvez se trate de necessidade: se o treinador quiser mesmo ficar, o Sporting não poderá gastar numa rescisão aquilo que não tem para reforços. E, contudo, que bela oportunidade esta para demonstrarem ambos a dimensão humana e intelectual que se exige às duas principais figuras de um clube como o Sporting... Vençam as resistências em prol do bem comum e, quanto a mim, devem lá ficar anos. 

FECHA A PORTA
Apaga as luzes Blatter não se demitiu uma semana tarde de mais: demitiu-se anos tarde de mais. A última semana foi para quê? Para não dar aos adversários o gosto de tomarem o poder? Para lançar o caos do vazio directivo? Para tirar fotocópias aos documentos dos submarinos?"

Joel Neto, in O Jogo

A queda

"Depois da patética eleição a que assistimos na Suiça, confessei a minha convicção de que Joseph Blatter não conseguiria levar até ao fim este mandato à frente da FIFA. A derrocada generalizada dos seus lugares-tenente na superestrutura do organismo indiciava claramente que uma nova era estava no horizonte. Se melhor ou não, logo se verá, isso é outra questão. Mas nunca me passou pela cabeça a possibilidade do velho imperador do regime cair apenas quatro dias depois.
Como é simples de deduzir, esta retirada de Blatter não terá tanto a ver com o coro quase unânime que exigia a sua saída, mas mais com a pressão do lado judicial. O presidente, mesmo num cenário absurdo, foi a votos (até chegou a dizer a Platini que agora "era tarde" para se demitir), o que mostrou que ainda considerava possível manter-se à tona de água enquanto toda a gente à sua volta naufragava. O problema é que as investigações em andamento, mais tarde ou mais cedo, acabariam também por colocá-lo no centro da turbulência. Ninguém de bom senso acreditaria que o líder máximo da FIFA não fizesse a menor ideia do vendaval de corrupção que varria a organização.
Deixemos a investigação decorrer e olhemos agora para o que se pode perspectivar internamente. As próximas eleições vão ser determinantes para o futebol mundial. E seja quem for o sucessor de Blatter terá uma tarefa brutal pela frente. Antes do mais, terá de promover uma limpeza na estrutura e desmontar a rede que durante décadas sustentou o poder vigente. Complicado, até porque não podemos esquecer-nos de que a FIFA resulta do somatório de confederações que, por sua vez, são o resultado da agregação de federações dos vários continentes. Além de que ninguém terá a noção exacta de até onde vai esta teia em termos planetários.
Já se percebeu, contudo, que a UEFA tem um papel crucial neste xadrez. Liderou a contestação a Blatter e é a confederação com maior peso desportivo e financeiro. E, aqui, surge inevitavelmente o nome de Michel Platini que, provavelmente, já não contaria com este cenário de eleições antecipadas na FIFA. De qualquer modo, seja por ele ou por alguém que decida apoiar, a UEFA sabe que os olhos de toda a gente vão virar-se para ela. Um teste também fundamental ao poder que a Europa representa no contexto global do futebol."

Blatter a mais

"Os males portugueses não estão na FIFA, por isso poupem os foguetes.

Sepp Blatter é culpado. Enquanto presidente da FIFA, se não participou, conviveu serenamente com a corrupção descarada durante, pelo menos, duas décadas. Dito isto, os portugueses passavam bem sem encarneirarem neste disparate que tenta fazer de um velhote suíço o cancro do futebol. Para Portugal, Blatter foi o diretor executivo da FIFA que inventou a exploração comercial dos mundiais, de onde vêm os milhões de euros que enriquecem a FPF e pagam Cidades do Futebol. Com a saída dele, os portugueses ficam rigorosamente na mesma, ou até pior, caso o próximo presidente seja, por exemplo, europeu, na esfera da Alemanha ou da Inglaterra, e tenha a ideia brilhante de fazer na FIFA o que se faz na UEFA com os clubes: pagar às federações consoante a dimensão dos respetivos mercados televisivos. Blatter pode ser execrável, mas, num processo que já atinge as dezenas de arguidos, será um bocadinho inocente pensar-se que se resolve tudo com uma demissão. Quando há tanta gente envolvida, está claro que o problema é o sistema; e o sistema da FIFA não é assim tão diferente do sistema da UEFA, nem na forma como escolhe os organizadores de fases finais nem nos métodos dos presidentes para garantirem apoios nas eleições. O que Blatter fez com os africanos e os asiáticos, Michel Platini repetiu com os europeus de Leste. E é por causa dele que os clubes portugueses recebem menos dinheiro da Liga dos Campeões e da Liga Europa do que alemães, ingleses, espanhóis, etc. É por causa dele que, no topo da pirâmide, Real Madrid, Bayern de Munique, Barcelona, etc., estão cada vez mais ricos e distantes da ralé. É por causa dele e por causa da Europa que o futebol está avariado. A FIFA não nos aquece nem arrefece."

Caiu Blatter, mas não caiu o sistema

"Blatter demitiu-se... devagarinho. Diz que cumprirá a missão que lhe foi confiada pela maioria dos homens do comité e por isso abandonará o cargo lá para o final do ano ou princípio do próximo se, até lá, a investigação não lhe alterar os planos.
A posição de Blatter é obviamente caricata. Reeleito há menos de uma semana em condições insustentáveis de honra e credibilidade, faz, dias depois, um anúncio de resignação do cargo em conferência de imprensa sem direito a perguntas dos jornalistas.
Quase um ano é tempo mais do que suficiente para Blatter preparar a sua sucessão e esse é o perigo maior porque se pode assim projectar a continuidade de uma organização dividida entre uma aparência de moderna multinacional de sucesso e uma realidade de esquemas de subterrâneo.
Não acredito que Blatter não se queira continuar a si próprio através de um dos seus peões e com o apoio de uma seita instalada, que nem dá sinais de renúncia, nem, sequer, de arrependimento. Tal como João Havelange garantiu a eleição de Blatter como seu homem de confiança - viria a traí-lo em condições pouco dignas - Blatter abrirá caminho para um dos seus prosélitos.
É aí que estará, pois, o perigo do futuro de uma FIFA que só mudará de presidente para nada de verdadeiramente essencial mudar.
Luís Figo poderá, entretanto, voltar a ser candidato. Tem, por si, a maior de todas as razões morais para o fazer. Foi quem mais denunciou a falta de transparência da organização, quem mais fez notar a sua condição de opositor ao sistema. Deve entender que Blatter caiu, mas o sistema ainda não."

Vítor Serpa, in A Bola

No caminho certo!

"Um ano após o grande sucesso de que se revestiram as participações do Benfica, em masculinos, e Sporting, em femininos, na Taça dos Clubes Campeões Europeus realizada em Vila Real de Santo António, não foi possível, agora na Turquia, repetir os excelentes, e até então inéditos, segundos lugares colectivos então alcançados.
Era expectável, em face de um maior equilíbrio actual, com inclusivamente o Benfica a colmatar uma das suas maiores lacunas, o lançamento do dardo, com a inscrição do atleta russo Tarabin (recorde pessoal de 88.84 m), que o pódio fosse de novo o grande objectivo das formações nacionais.
Tal viria a acontecer apenas no sector feminino, com o Sporting a conseguir segurar, na estafeta dos 4x400m, o terceiro lugar, posição em que terminara já na primeira jornada. No final, a vantagem sobre as checas do USK Praga que alcançaram a quarta posição, foi de quatro pontos, mas a 27 pontos das primeiras, as espanholas do Valência Terra y Mar. Sara Moreira nos 3000 m (9.13,70) e nos 5000 (15.50,09), Irina Rodrigues no lançamento do disco (58.77 m) e Patrícia Mamona (13.87 m) foram as portuguesas que lograram vencer as respectivas provas.
No sector masculino as aspirações do Benfica eram bem maiores. Reforçado com Tarabin e com os portugueses Nelson Évora (no ano passado Marcos Caldeira fora 5.°) e com Tsanko Arnaudov (no ano passado Marco Fortes fora 2.°) a vitória final era uma real possibilidade. Tsanko e Évora venceram, tal como João Almeida, as suas provas, mas Marcos Chuva lesionou-se logo no primeiro salto e acabou em 8.° e Tarabin quedou-se por uns impensáveis 63.23 m (lançara 80.53 m na semana passada em Pequim) e foi apenas 5.º. Pontos perdidos mais do que suficientes para superar o Valência, que ganhou com apenas mais oito pontos.
De qualquer forma, os resultados mostram que o caminho, para o futuro, está certo!"

Carlos Cardoso, in A Bola

Maxi, renova

"Tem sido sublinhado que o sucesso do Benfica se deve à combinação da liderança de Luís Filipe Vieira com a competência de Jorge Jesus. A afirmação é verdadeira, mas esquece o papel crucial dos capitães de equipa. Sem Luisão e Maxi, o Benfica não seria o clube vencedor que é de novo.
O Luisão e o Maxi são grandes jogadores, mas o que os distingue não é a mais-valia técnica. A importância dos capitães mede-se pela capacidade de liderança, dentro e fora de campo, e por um passado de vitórias e de derrotas que lhes confere uma experiência acumulada que se faz sentir nos momentos decisivos. Não por acaso, o Benfica voltou a ganhar quando passou a ter referências no balneário, que se foram mantendo de ano para ano, enquanto o Porto perdeu esses mesmos exemplos. Verdade seja dita, se fosse feita uma avaliação puramente individual, não faria muito sentido manter Luisão e Maxi no plantel. São jogadores acima dos 30, com salários elevados e que terão prestações piores nos próximos anos. Mais, jogando ambos do lado direito da defesa, a sua coexistência pode antecipar problemas. Afinal, nenhum será capaz de compensar a perda de velocidade do outro. Acontece que o futebol é um jogo de equipa, onde talento e disponibilidade física individuais são apenas uma das várias variáveis relevantes. O que o Luisão e o Maxi não têm hoje compensam com atributos de valor incalculável.
Num momento em que o Benfica vai apostar na formação, a renovação de Maxi é ainda mais imperiosa. O sucesso do Gonçalo Guedes, do Renato Sanches, do Nuno Santos ou do Jonathan Rodriguez vai depender de terem quem compense a sua inexperiência e impetuosidade juvenil. Ora, no futuro próximo, o Maxi pode ser um digno sucessor do Luisão. E, como sabemos da experiência com o Luisão, considerando o que nosso capitão oferece ao Benfica, dentro e fora de campo, o seu salário até é baixo."

O basquetebol do Benfica

"Teotónio Lima e Mário Palma foram as duas grandes referências do basquetebol português e do Benfica. Cada um fez história na Luz com cinco títulos consecutivos, mas Carlos Lisboa arrisca-se a ser o treinador com mais títulos consecutivos nos encarnados. Nos anos 60, Teotónio Lima construiu um pequeno império na Luz, fazendo emergir os valores colectivos de uma equipa com um basquetebol bem organizado a partir da defesa. Notava-se que aquilo era muito trabalho do treinador, uma novidade naqueles tempos para a dimensão do basquetebol português. Teotónio Lima fechou o ciclo do penta, em 1965, tinha 41 anos!
O Benfica teve de esperar mais de duas décadas até encontrar outra equipa maravilha, que marcasse idêntica superioridade. José Curado, outro técnico da mesma linha de Teotónio Lima, deu o primeiro passo, mas seria com Mário Palma que o Benfica conheceria a sua geração de ouro. Para lá da clara supremacia interna, Palma deu uma verdadeira dimensão europeia ao basquetebol do Benfica e, por inerência, catapultou a modalidade para um mediatismo nunca visto. Ainda hoje e com alguma frequência, Palma diz estar reconhecido à excelência dos jogadores que dirigiu na Luz. O técnico tinha apenas 45 anos quando completou o penta, em 1995, na Luz.
Volvidos estes anos, Carlos Lisboa aceitou em Julho de 2011 o projecto mais aliciante da sua carreira como treinador. O Benfica perdera o título de Campeão para o FC Porto e Luís Filipe Vieira chamou o director-geral das modalidades para treinador da equipa de basquetebol, numa acumulação de cargos. Discreto e exigente quanto baste, Lisboa deu ao Benfica o primeiro tetra nos últimos 20 anos e, por isso, está em condições de superar os históricos cinco títulos seguidos de Teotónio Lima e Mário Palma. É muito mais velho (56 anos) do que os seus antecessores e a enorme experiência como jogador não o deixa desviar um centímetro que seja da essência como encara o basquetebol: um jogo colectivo, endossando todo o mérito aos jogadores e restante equipa técnica. Nunca há referências individuais.
Para a próxima época, o Benfica vai encetar uma renovação no plantel. Abre-se um outro ciclo, que será mais exigente com o regresso do FC Porto à Liga. São estes desafios que fazem empolgar a modalidade e encher pavilhões."

Pablito... para siempre!

Mirá el video con imágenes exclusivas desde el campo de juego del regreso de Pablo Aimar al Monumental.

Posted by Club Atlético River Plate on Segunda-feira, 1 de Junho de 2015

Luisão...

Resumo Segredos do 34: Luisão

Não percas hoje a estreia dos "Segredos do 34" com o Luisão.Vê aqui o resumo!

Posted by BTV on Terça-feira, 2 de Junho de 2015

Um País onde é necessário 'explicar' as notícias...

"No seguimento das notícias veiculadas hoje pela imprensa, que teve como fonte a Federbet, a qual trabalha para algumas casas de apostas na monitorização de apostas, a qual é uma mera pessoa colectiva de direito privado e não um organismo que vigia as apostas online como se uma entidade oficial e de polícia se tratasse, importa esclarecer o seguinte:
A Federbet tem vindo a oferecer, sem sucesso, os seus serviços à Liga Portugal e aos seus associados por quantias absolutamente incomportáveis. A fórmula que tem vindo a utilizar é um meio de pressão absolutamente repudiável: que ao invés de denunciar às autoridades competente, de forma reservada, sem clamor social, a suspeição de comportamentos criminais, opta por lançar a suspeição pública, sem qualquer pudor, sobre os nossos clubes e as nossas competições desportivas. O exemplo de hoje é claramente a demonstração dessa actuação.
Importa também deixar bem claro que o problema das apostas ilegais é um tema demasiado sensível para a Liga Portugal o ignorar, daí que temos vindo a desenvolver, juntamente com a FPF, contactos com o Departamento da Polícia Judiciária que investiga este tipo de criminalidade, no sentido não só de prevenir este tipo de criminalidade, mas também de estabelecer canais expeditos de denúncia.
Ainda da FPF temos recebido todo o apoio nesta matéria através de uma Empresa concorrente à Federbet que trabalha com a UEFA, mas que ao contrário daquela, fá-lo de forma reservada e sem lançar suspeições públicas que podem causar um dano irreparável na imagem dos clubes e das pessoas que neles trabalham, como agora vimos acontecer em relação à denúncia apresentada pela Federbet, cujos serviços tem, insistentemente, tentado vender à Liga Portugal sem sucesso.
Importa ainda registar que as denúncias públicas feitas anteriormente pela Federbet levaram a Liga Portugal a participar à Procuradoria-Geral da República os factos por elas relatados, cujo inquérito criminal veio a ser arquivado no passado mês de Maio, no entanto a imagem negativa que as referidas denúncias provocaram nas Competições oficiais da Liga e nos seus clubes jamais serão repostas.
Daí que a Liga Portugal apresentará ainda hoje uma participação junto da Procuradoria da República dando conhecimento das notícias publicadas mas também do comportamento reprovável da Federbet e que mais uma vez repudiamos!"



"UEFA afasta qualquer suspeita
A propósito de matéria divulgada esta terça-feira e que tem gerado estranho ruído na comunicação social, o Sport Lisboa e Benfica obteve informação junto da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) de que não existe qualquer suspeita real quanto à viciação do resultado do encontro relativo à 32.ª jornada da Liga NOS.
Questionada sobre o assunto, a UEFA confirmou à FPF que o referido jogo suscitou elevado número de apostas devido à importância competitiva do mesmo, visto que o SL Benfica estava muito perto de ganhar o Campeonato.
Qualquer extrapolação sobre esta matéria é meramente especulativa e difamatória."

terça-feira, 2 de junho de 2015

César e a taça que não apareceu...

"Foi único! Adeptos do Benfica e do Sporting unira-se no Jamor contra aqueles que insultaram Mário Wilson de «palhaço». O «Velho Capitão» respondeu no campo, com a educação de que sempre fez alarde.

Está chegando a hora, ai, ai, ai, ai, como dizia a velha marchinha brasileira. Está chegando a hora de mais uma final da Taça de Portugal e, por isso vamos lá relembrar umas histórias a propósito, com o Benfica com pano de fundo, claro está.
Não precisam de me recordar que este ano não há Benfica na final da Taça, isso não é motivo para desprezar as crónicas que aí vêm. A verdade é que se há clube que pode falar de cátedra das finais da Taça de Portugal (Campeonato de Portugal inclusive), esse clube é o Benfica, tamanha a enormidade das suas conquistas, 28 vitórias, 9 finais perdidas, 18 meias-finais perdidas, um exagero se comparado com qualquer um dos seus rivais.
Por isso, aceita-se: o Benfica é o rei das Taças (e Campeonatos) de Portugal. Não há discussão!
E assim sendo, vamos até um dia especial e estranho: dia 7 de Junho de 1980.
No Estádio Nacional apresentaram-se o Benfica e a sua maior vítima em finais de taças: o FC Porto (um destes dias farei aqui a contabilidade de tal abissal diferença).
Dia estranho porque pela primeira e única vez na história do futebol português adeptos de Benfica e Sporting se uniram contra um inimigo comum, aquele que dizia que queria ver Lisboa a arder e atravessava a Ponte D. Luís com uma dose de raiva de fazer inveja à velha Padeira de Aljubarrota.
O calor era terrível. Lembro-me bem. Uma fornalha no Estádio Nacional.
Alberto, o poço-de-força, cedo partiu uma perna num choque com Frasco. Saiu de campo deitado na maca e o ambiente, que já era fervente, entrou em ebulição. Ainda não estavam decorridos 10 minutos.
Dizem as crónicas que estavam 80 mil pessoas nas bancadas. O Jamor aguentava com tanto? Não tenho dúvidas que sim - não havia cadeiras a separar as pessoas, todos se apertavam para dar lugar a mais uns poucos.
Pietra foi enorme! Meu bom e querido amigo Pietra! Poucos como ele sabiam o que era a alma. Ainda o vejo no filme da memória correndo acima e abaixo, tornado o campo pequeno, esse que era um campo grande...
E Bento? O maior adversário de Gomes, marcador de todos os golos. E Humberto? O imperial Humberto Coelho.

Uma taça escondida num saco de plástico
Era um tempo de ódios, esse tempo desta final.
«O treinador do Benfica não passa de um palhaço que já está despedido», atacou José Maria Pedroto, treinador do FC Porto, no seu estilo de espadachim cavalheiresco de pacotilha.
Mário Wilson, o treinador do Benfica, respondeu no campo. Mais uma vez.
É verdade que sairia no final da época para dar o lugar ao húngaro Lajos Baroti, outro cavalheiro, mas de estirpe mais fina. Todavia não saiu sem dar a sua resposta.
Aos 36 minutos, César, César Martins de Oliveiria de nome completo, nascido em São João da Barra no dia 13 de Abril de 1956, recebe a bola à entrada da área e faz o gesto de redopiar e chutar em arco. Remate por alto, sobre Fonseca, golo de bater em todas as redes, manso, clássico, inevitável.
Esbracejam os portistas. Reclamam por tudo e por nada.
Toni e Shéu são donos do meio-campo. Repartem a força e a técnica.
Frasco, Sousa e Romeu são insuficientes para o labor dos encarnados.
Pedroto arrisca a entrada do brasileiro Bife para o acompanhamento de Gomes.
Bife - José Silva de Oliveira, nascido em Vera Cruz, no interior do Estado de São Paulo, morto em Cuibá, em 2007, vitima de uma crise hepática.
De pouco serviu Bife.
Respondeu Mário Wilson com o possante Reinaldo, homem da Guiné.
O jogo divide-se em pequenas batalhas ao comprimento e largura do campo, mas o Benfica leva a melhor em todas.
A vitória será sua: 1-0. Esse golo fantástico de César.
Em redor do estádio drapejam as bandeiras verdes-e-brancas e vermelhas-e-brancas. José Maria Pedroto e o seu aprendiz Pinto da Costa conseguiram o que pretendiam: unir o país contra o FC Porto. A partir de agora serão sempre vítimas. Até quando são algozes.
Iremos esperar vinte e quatro anos para que um processo profundo desmascare tal falácia.
Outro César foi figura. César Correia de Faro, um árbitro medíocre e timorato que permitiu toda a espécie de confrontos.
O FC Porto já havia perdido o campeonato para o Sporting - o célebre tri que deu para vender t-shirts da Tri-naranjus (e ainda se riem de festejos antecipados...), e perdia agora a Taça para o Benfica.
Era preciso trabalhar muito mais nos bastidores.
Também medrosos, sem autoridade, os dirigentes da Federação Portuguesa de Futebol decidem não entregar a Taça de Portugal no final do jogo. Um funcionário de nome Telmo guarda-a num saco de plástico e desaparece em direcção à Praça da Alegria.
A alegria dos benfiquistas não tem taça. Ela virá para às suas mãos uns dias mais tarde, envergonhadamente como é próprio dos cobardes.
Mas tem o seu lugar guardado, ao lado das outras, suas irmãs, polidas à custa do suor dos que a conquistaram."

Afonso de Melo, in O Benfica

Bicampeões regionais entre stickadas e invasão de campo!

"Vitória numa final violenta que contribuiu para a conquista definitiva do troféu mais antigo de hóquei em campo

Pela primeira vez, foram cobrados bilhetes num desafio de hóquei em campo. Porém, isso não impediu que uma numerosa assistência acudisse ao Estádio das Amoreiras, a 27 de Maio de 1928, para o desafio final do Campeonato de Lisboa entre o Benfica e o Amoreiras.
O Benfica preparava-se para revalidar o título, esperando-se uma bela demonstração da modalidade. Era isso que os 3 golos do Benfica na primeira parte deram a entender. Mas tal não aconteceu no segundo tempo... Após o golo do Amoreiras, os nervos tomaram conta da partida. Ao verem as suas hipóteses de vitória reduzidas, os jogadores do Amoreiras excederam-se no jogo violento, que os árbitros não souberam reprimir eficazmente. Mas o pior estaria para vir! Quando o capitão benfiquista José Prazeres se preparava para marcar um canto, foi atingido no braço por um stick de um adversário, obrigando-o a abandonar o campo bastante magoado. O Benfica passou a jogar com 10 jogadores, mas continuou a dominar a partida.
Porém, o caos já estava instalado! O sucedido só veio agravar ainda mais o clima de violência. O resto do desafio pareceu mentira, com cenas dignas de filme. Os ânimos aqueceram ainda mais, viam-se sticks pelo ar, os jogadores do Benfica responderam e o árbitro, benevolente até então, decidiu expulsar um jogador de ambas as equipas. A assistência, indignada, reclamava intensamente, até que impacientes começaram a invadir o campo! Foi mesmo necessário recorrer a intervenção policial para acalmar os ânimos do público.
Restabelecida a ordem e com os jogadores prontos para recomeçar a partida, os árbitros decidiram suspender o jogo a apenas 6 minutos do seu fim. Ficou o título pendente, aguardando a decisão da Federação que veio a considerar, perante o contexto, o resultado válido. Faltava só um título para a posse definitiva da Taça Hockey Club de Portugal, numa altura em que era necessário três conquistas consecutivas. Este troféu, o mais antigo da modalidade, foi definitivamente conquistado na época seguinte e pode ser encontrado na área 1. Ontem e hoje do Museu Benfica - Cosme Damião."

Ana Filipe Simões, in O Benfica

Don Joseph

"1. Foi necessária a intervenção do FBI e da procuradoria-geral dos Estados Unidos para que fosse mostrado o cartão vermelho a Blatter. Eleito pela quinta vez consecutiva com o menor número de votos de sempre e, sobretudo, sem o apoio dos países da UEFA, o reconduzido presidente da FIFA vai ter um mandato atribulado, que dificilmente levará a termo. Desde logo, porque tem gente poderosa contra si - Obama, Merkel, Cameron -  e depois porque os processos para ele mais espinhosos, relacionados com a atribuição dos Mundiais de 2018 à Rússia e de 2022 ao Catar, estão ainda em fase de investigação, embora a prova já recolhida o incrimine em muita coisa. Neste momento só Vladimir Putin o apoia, ao mesmo tempo que pede a Washington que acabe com as tentativas de exercer justiça fora das suas fronteiras. A guerra é planetária. Até o relatório do ex-procurador norte-americano Michael Garcia, contratado a contragosto pela FIFA para se pronunciar sobre a transparência na escolha dos países organizadores daqueles eventos, continua no segredo dos Deuses há largos meses.
2. Em vez de se demitir, mal estalou o escândalo há uma semana, Joseph Blatter, qual bode alpino que nunca se detém perante os obstáculos, transformou-se assim numa espécie de capo mafioso do tipo Al Capone, Don Frank Costello, Don Vito Genovese e Don Salvatore Rina. É preciso dizer que na FIFA House ninguém faz perguntas ou se atreve a contradizer o chefe; ninguém consegue ler um balanço sem um descodificador (e, mesmo assim, fica sem saber que fatia dos 232 milhões de euros gastos em remunerações da Administração (!) toca a Don Joseph). Resta-nos agora aguardar pela vendetta do dirigente suíço, que poderá ser cruel para a Europa: menos um clube, no mínimo, no próximo Mundial, possibilidade de um play-off internacional contra outro continente, menos elementos, no Comité Executivo... A aproveitar seria o exército afro-asiático que o sustenta e defende. E se, em represália, a UEFA abandonasse a FIFA e se autonomizasse?"

Manuel Martins Sá, in A Bola

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Segredos !!!


Segredos do 34
Segredos do 34: de segunda a sexta, às 21h30, conhece os segredos da conquista do 34.º Campeonato com entrevistas aos jogadores.O primeiro é o Capitão Luisão, terça-feira, às 21h30.
Posted by BTV on Domingo, 31 de Maio de 2015

Vem aí uma semana cheia de interesse

"Finalmente vai ficar a saber-se se Jorge Jesus continua ou sai da Luz e se Marco Silva continua ou sai de Alvalade. Prognósticos? Só no fim!

Quando, ontem, 37 mil vozes afinadas cantaram A Portuguesa no vale do Jamor, percebeu-se a diferença entre os dois países ibéricos, tendo ainda na memória os assobios com que bascos e catalães brindaram em Camp Nou e na presença de Filipe VI, no sábado, o hino espanhol. O futebol continua a ser das poucas actividades que exaltam a Nação, numa ajuda importante à nossa coesão como povo.
Dito isto, passemos àquilo que vai marcar a próxima semana (estou convencido de que daí não passa...), ou seja, a situação de Jorge Jesus no Benfica e de Marco Silva no Sporting, os treinadores que ganharam, na época que ontem terminou, Campeonato, Taça de Portugal e Taça da Liga.
O Benfica, já se percebeu, quer mudar o chip, reduzindo a massa salarial e apostando mais em jogadores jovens. Jorge Jesus, que realizou um trabalho notável ao longo dos últimos seis anos, deverá acompanhar a nova estratégia dos encarnados se quiser ver o contrato renovado. Ou seja, precisará de dar garantias de uma maior aposta em jogadores que o clube pretende valorizar e, ao mesmo tempo, aceitar uma remuneração mais baixa. Estará Jorge Jesus de acordo com esta forma de pensar? Ou entenderá que não deve abdicar da autonomia de que dispõe nem reduzir os proventos? Cara a cara com Luís Filipe Vieira, Jesus irá tomar a decisão mais importante da sua vida desportiva...
Quanto a Marco Silva, que já nem se dá ao trabalho de fazer que não percebe as indirectas presidenciais, a questão é um pouco diferente. Ao contrário de Jesus, que termina contrato, Marco tem mais três anos de vínculo aos leões e acaba de ver a sua posição junto dos adeptos ainda mais reforçada com a conquista da Taça de Portugal. Pode dar-se ao luxo de ficar quieto no seu lugar, deixando a iniciativa de uma conversa sobre o futuro para Bruno de Carvalho.
O presidente do Sporting, não é segredo para ninguém, não está satisfeito com a situação vigente. Mas tem um problema bicudo em mãos para resolver, com custos de popularidade directos, caso prescinda de Marco. De qualquer forma, o que não parece ser vida é o clima de paz podre que se tem vivido em Alvalade entre presidente e treinador. Na antecâmara de uma nova época, a clarificação é desejável. Com a bola do lado de Bruno de Carvalho...

«É um ódio não somente de uma pessoa, mas de uma entidade, a UEFA, que não aceita o fato de eu ser presidente desde 1998.»
Sepp Blatter, Presidente da FIFA
De vitória em vitória até à derrota final O poder tentacular de Sepp Blatter na FIFA permitiu-lhe vencer o Congresso de Zurique. No meio do caos, 133 Federações nacionais mantiveram-se fiéis e adiaram o inevitável. Mas a FIFA vai mudar, a lógica mafiosa que tem pautado os comportamentos na organização tem os dias contados. O blatterismo viveu a mais amarga das vitórias. Anuncia-se uma nova era.
(...)

ÁS
Miguel Oliveira
Faltava-lhe subir ao lugar mais alto do pódio. Ontem, no Grande Prémio de Itália de Moto3, Miguel Olivieira tornou-se no primeiro português a ganhar uma competição motorizada numa prova mundial, mostrando um talento que um dia há de levá-lo ao escalão mais elevado, o Moto GP. Uma boa notícia para o desporto português

ÁS
Jorge Jesus
Dez títulos em seis épocas, presença em duas finais europeias e o regresso do Benfica à condição de bicampeão nacional, eis algumas das alíneas do cartão de visita de Jorge Jesus. Os próximos dias vão definir o futuro de JJ na Luz. Mas a sua marca, indelével, já está gravada na história benfiquista. O resto? Logo se vê...
(...)"

José Manuel Delgado, in A Bola

Guimarães: A violência no jogo com o Benfica

"Falharam os meios operacionais montados, o subcomissário e a comunicação posterior da PSP.

Nos últimos anos, a Polícia de Segurança Pública (PSP) foi a força de segurança que melhor se adaptou ao mundo em que vivemos, principalmente na forma de ocupar o espaço mediático e comunicar com os cidadãos. Foi a primeira força de segurança a criar um Gabinete de Imprensa e de Relações Públicas profissional, composto por oficiais bem preparados, que comunicavam, explicando de forma pormenorizada tudo o que faziam.
Estou à vontade nestes elogios, pois, como é público, muitas vezes divergi da PSP quanto às suas ambições integristas, de Polícia com todas as valências e desejos de reforçar as suas competências à custa das competências de outras forças e serviços de segurança, principalmente da Polícia Judiciária. Estas divergências não me impedem de elogiar a qualidade da PSP, bem como o esforço feito na valorização dos quadros.
Como atrás referi, na capacidade de comunicar e comunicar bem com o exterior, a PSP foi inovadora. Dava nota de tudo o que fazia e do que pensava fazer. Conseguia tornar importantes operações que aparentemente não tinham grande importância, que eram coisas simples do dia a dia de uma polícia. Mas a PSP tinha outra capacidade que admirava muito – o facto de os seus dirigentes máximos estarem sempre disponíveis para dar a cara em defesa da instituição e dos seus profissionais. Não se escondiam nas adversidades.
Contudo, nos últimos tempos, esta capacidade regrediu. A PSP deixou de interagir com a sociedade e fechou-se sobre si mesma. O que aconteceu em Guimarães, há cerca de quinze dias, no final do jogo de futebol entre o Vitória local e o Benfica, foi isso mesmo. Como é possível que nestes quinze dias se tenha dito tudo sobre a PSP e os seus profissionais, se tenham acusado os seus elementos de serem violentos e maus profissionais, de serem indignos da farda e ninguém tenha vindo a espaço público defender a imagem da instituição e dos que nela trabalham? É pura e simplesmente inacreditável. E frise-se que a PSP já viveu num passado recente situações mais complicadas, que resolveu de uma forma competente. Estou-me a lembrar, por exemplo, das detenções de alguns elementos no Departamento de Explosivos, por suspeitas de corrupção, uma situação de enorme gravidade, em que a PSP, através do próprio director do departamento, deu as devidas explicações.

TUDO CORREU MAL
O silêncio sobre o que se passou em Guimarães é ensurdecedor. Em Guimarães não houve apenas o problema com o subcomissário Macedo da Silva. Naquele dia, tudo correu mal. Como se explica que com os recursos humanos alocados àquele evento, que já se sabia ser de alto risco, tenha sido possível dentro do estádio um assalto ao bar, onde tudo foi furtado ou destruído sem que comparecesse no local um único polícia? Não era previsível que num local onde se vendiam bebidas alcoólicas, junto à claque do Benfica, as coisas poderiam descambar? Penso que qualquer cidadão português, sem qualquer conhecimento policial, identificaria aquele ponto crítico.
Da mesma forma, como se pode explicar que a loja onde se vendiam produtos do Vitória de Guimarães, como equipamentos, bolas, futebol, polos e tudo o mais, tenha sido pilhada sem que ao local acorresse um único agente da PSP? A julgar pelas imagens televisivas, a pilhagem nem foi muito rápida e muito menos violenta, já que as pessoas escolhiam livremente o que queriam, na maior das calmas. A pilhagem não foi obra de elementos das claques ou de outros quaisquer facínoras, mas sim de adeptos ‘normais’ que se portaram como vulgares criminosos. Mas aquele local não seria também outro ponto crítico? Parece-me que sim. Então, o que é que falhou? Aparentemente, o planeamento operacional: as coisas ou foram mal planeadas ou os elementos da PSP ignoraram esse planeamento e os locais críticos e foram para outros locais, quiçá, ver o jogo. E nós não merecíamos uma explicação? Parece-me claro que sim e essa explicação tinha de vir no próprio dia e dada pelo responsável operacional ou por alguém do Comando Distrital de Braga, inclusive pelo seu responsável máximo. A ideia com que se fica é que quando se prende um desgraçado qualquer, os responsáveis atropelam--se para se colocarem de frente das câmaras de televisão, mas quando as coisas correm menos bem não existe quem assuma a responsabilidade.
Depois, aconteceu o caso mais mediático, a agressão do subcomissário Macedo da Silva a José Magalhães. A gestão deste caso é incompreensível, principalmente a partir do momento em que surgem as imagens da CMTV. Era previsível que aquelas imagens dessem ao caso outra dimensão.
A história não tem defesa, já que as imagens são claras e elucidativas. A actuação daquele profissional da PSP violou as regras, os princípios da necessidade, da proporcionalidade e da adequação. O comportamento dos elementos das polícias, nomeadamente o uso da força, deve ser limitado, só sendo legítimo para a eliminação de um perigo grave e proporcional, já que a força empregue deve ser adequada a resolver a situação em causa. Naquele caso, tudo foi desadequado.

RESPONSABILIDADES
Chegados aqui, havia que imediatamente assumir o que se havia passado – um momento mau daquele oficial da PSP, um erro grave. A instituição devia ter assumido as responsabilidades, apresentar desculpas a José Magalhães e ao País e informar que as responsabilidades disciplinares e criminais iriam ser apuradas pelas entidades competentes. Poderiam ir até mais longe e dizer que em nome da transparência declinavam proceder internamente, deixando essa responsabilidade para o IGAI e as responsabilidades criminais para o Ministério Público. Tinham de assumir também que o subcomissário Macedo da Silva é um excelente polícia e um distinto oficial, mas que tinha errado e que esse erro teria consequências.
Esta assunção de responsabilidades, dada a mediatização do caso, tinha de ser assumida ao mais alto nível, pelo próprio director nacional. O caminho escolhido foi ignorar o que se havia passado. O problema é que já lá vão quinze longos dias, as imagens correram mundo, a PSP foi diariamente achincalhada, e nada mudou. A PSP e os seus quadros, pelo muito que têm feito pela segurança deste País, não mereciam isto.
Porém, também nós, portugueses, não podemos viver apenas na espuma dos dias, cegos com as imagens, perdendo a capacidade de análise. É por isso que me desgostou a transformação de José Magalhães numa espécie de herói nacional. É um facto que o comportamento do subcomissário Macedo da Silva é injustificável. A situação foi má, desde a força que empregou contra o adepto José Magalhães, à agressão a soco contra o pai deste, um homem com cerca de setenta anos, ao facto de ter praticado tais atos à frente dos filhos menores do agredido. Não há argumentos de defesa.
Ninguém acredita que aquele oficial de Polícia tenha reagido assim porque José Magalhães lhe disse que estava a dar água ao filho. O subcomissário terá ficado alterado com outra coisa dita. Mas é verdade que nada lhe daria o direito de ter aquela reacção – nem a eventual cuspidela ou as injúrias.

AS REDES SOCIAIS
Outro aspecto a merecer análise são as redes sociais e neste caso o facto de terem logo aparecido duas páginas no Facebook relativa ao caso – uma de apoio ao subcomissário, outra de apoio ao adepto. Foi assim no caso da agressão a um jovem na Figueira da Foz, em que surgiu uma página de apoio, onde adolescentes faziam ameaças, e outra página de apoio, onde se engrandecia um ato de barbárie e violência. 
A página de apoio a José Magalhães e simultaneamente de ódio para com o subcomissário Macedo da Silva conta com mais de 20 000 subscritores e nela se exige a prisão imediata ou a expulsão da Polícia. Esquecem-se de que este homem, que teve um momento mau, o que pode suceder a todos, tem família que é também vítima indirecta do caso. Esquecem-se de que vivemos num Estado de Direito, e que este homem, apesar do seu comportamento, tem direito à presunção da inocência e a ver as suas responsabilidades apuradas em processo justo e equitativo.
Os polícias têm os mesmos direitos das outras pessoas. É nestes momentos difíceis que todos temos de ter calma, de forma a evitar julgamentos populares. Interessa que se faça justiça e não que se satisfaça um qualquer desejo de vingança.
Para este caso de Guimarães foi criada ainda uma outra página, a de apoio ao subcomissário Macedo da Silva, que conta já com mais de 3000 entradas, onde se faz a apologia da violência, onde se diz que só se perderam as que caíram no chão, que ele deveria ter dado mais pancada, enfim, um chorrilho de disparates e asneiras. Uma página lamentável, com comentários indecorosos e inqualificáveis. E é isto que vivemos e que comentamos.
Apesar da importância que hoje têm as redes sociais, convém pararmos para reflectir sobre esta matéria, pois o caminho que trilhamos não promete nada de bom no futuro.
Mas voltando à questão inicial, todo este caso se prolongou no tempo por culpa exclusiva da Polícia de Segurança Pública, que com o seu silêncio perdeu o domínio dos factos. Ao fechar-se sobre si própria, regrediu e permitiu que aparecessem danos na sua imagem pública, danos esses que demorarão muito tempo a sarar."