Últimas indefectivações

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Adjectivos


"A tróica ainda dita ordens. Portugal perdeu por 0-4 contra os alemães. Espanha, 1-5 frente aos holandeses. Grécia, 0-3 diante de um país não europeu, mas membro do FMI. A Irlanda, essa nem lá foi. Em conjunto: 1-12!
Contra a prussiana mannschaft foi um pesadelo escusado, um Patrício desastroso, um Pepe malicioso, um Coentrão lesionado, uns pontas-de-lança inexistentes, um Meireles mete-medo, um Ronaldo que não foi São Salvador. Quando tínhamos bola não tínhamos espaço, quando tínhamos espaço não tínhamos bola e quando não tínhamos ambos, tínhamos alemães pela frente.

Depois do desastre há que reabilitar a equipa ou para usar a costumeira frase «há que levantar a cabeça» (agora que o Pepe não a vai levantar=. Com a consciência de que a nossa Selecção, à parte Ronaldo, é tão-só mediana.
Para isso conviria reduzir o nível de histeria comunicacional que nos transporta para o elogio da facilidade, da futilidade, da vulgaridade, da ligeireza, da efemeridade. Vemo-nos confrontados, até à exaustão e por todo o lado, com o primado da adjectivação prolixa que se espalha virulentamente quando vamos a uma fase final. Numa bolsa de valores, os adjectivos patrioticamente usados estariam pela rua da amargura, tal o dislate da oferta. Talentoso, genial, universal, mágico, estonteante, fabuloso, fenomenal e muitos outros que, de tanto abuso, perderam o seu valor semântico.
Mas ainda estamos a tempo de evitar uma saída... limpa. Se formos substantivos e não adjectivos, temos condições para ultrapassar os EUA e o Gana. Com a calculadora na mão, é claro."

Bagão Félix, in A Bola

Caixa Futebol Campus...

Goleira Moraes !!!

terça-feira, 17 de junho de 2014

Baía-de-Todos-os-Santos...

"A propósito de Portugal jogar o Campeonato do Mundo no Brasil, memórias de outra aventura brasileira da Selecção Nacional, a Minicopa de 1972 com direito a final no Maracanã.

SALVADOR - No dia em que este exemplar do seu jornal lhe chegar às mãos, dileto leitor, estará a selecção portuguesa no Brasil e este vosso escriba a caminho. Salvador: São Salvador da Baía. Ou da Bahia, com agá, como cantava João Gilberto. Primeiro passo para uma aventura brasileira que Portugal só viveu em 1972, na famosa Minicopa, ou Taça da Independência do Brasil.
Baía-de-Todos-os-Santos e quase todos os pecados, dizem eles... Que pecados nos esperam? Pela primeira vez, a Selecção Nacional joga nesta cidade, abrindo o seu Mundial contra a «imperial Alemanha» do Dr. Topsius, essa inesquecível personagem de «A Relíquia».
Jogou ao longo da história em várias outras. Mas é a Minicopa que quero aqui recordar, por isso dêem-me a vossa licença.
A Confederação Brasileira de Desportos não deixara a coisa por menos: os 150 anos da Independência seriam motivo para a disputa de uma competição que pouco ficava a dever a um verdadeiro Campeonato do Mundo. Vinte selecções nacionais e continentais disputariam, em 12 estádios, um troféu majestoso: 11 quilos em ouro e pedras preciosas (diamantes, pérolas, esmeraldas e rubis), com 45 centímetros de altura e desenhos recortados a esmalte azul.
Quinze equipas - Argentina, Selecção de África, França, Selecção da América Central, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Paraguai, Irlanda, Venezuela, Chile, Irão, Jugoslávia e Portugal - seriam distribuídas por três grupos; outras cinco - Brasil, Uruguai, URSS, Checoslováquia e Escócia - ficariam isentas da primeira fase. Em seguida, formavam-se dois grupos de quatro equipas que decidiam o acesso à final em sistema de «poule». Portugal começou por ficar no Grupo II, juntamente com Equador, Irlanda, Irão e Chile.
Primeiro jogo em Natal, no dia 11 de Junho de 1972, cumpriram-se agora quarenta anos. Estádio do Lagoão, 3-0 ao Equador, com golos de Eusébio, Dinis e Nené.
O seleccionador era José Augusto, o nosso amigo José Augusto.
Em seguida, Portugal mudou-se para o Recife. Mudou-se a equipa, mas não mudou o futebol bonito, goleador. No Estádio Arruda, de Santa Cruz, mais três jogos e mais três vitórias: a 14 de Junho, novo 3-0, agora ao Irão, com golos de Eusébio, Dinis e Humberto Coelho; a 18, 4-1 ao Chile, com golos de Humberto Coelho, Angulo (na própria baliza), Dinis e Eusébio; finalmente, a 25, 2-1 à Irlanda, com golos de Peres e Nené.

Humilhando a Argentina...
Primeira fase superada com uma perna às costas.
Na segunda fase, a coisa piava mais fino. Os adversários eram fortes: Argentina, URSS e Uruguai.
No Rio de Janeiro, no mesmo Maracanã onde, na véspera, o favoritíssimo Brasil empatara com a Chescolováquia (0-0) e deixara evidente a dificuldade de substituir Pelé, que abandonara de vez a «canarinha», a resposta lusitana foi extraordinária.
Há quem diga que a vitória sobre os argentinos foi uma das mais brilhantes da história da selecção nacional. É bem possível. Porque a Argentina era, de facto, um conjunto muito forte que procurara recuperar da ausência do Mundial de 1970 (fora eliminada pelo Peru de Teofilio Cubillas) e contava com figuras como Heredia, Pastoriza, Octavio Bianchi e Brindisi. Cuidadosamente preparada e mentalizada para a Minicopa - é fácil perceber o que significaria para os argentinos vencerem o torneio no terreno dos seus rivais brasileiros -, a Argentina foi, todavia, completamente vulgarizada pela velocidade e jogo de conjunto dos portugueses.
O domínio lusitano foi tão intenso, a sua superioridade tão esmagadora, o nível da sua exibição tão fora do comum, que os mais de 30.000 espectadores que se tinham deslocado ao Estádio Mário Filho entraram em delírio.
Adolfo, Eusébio e Dinis fizeram os três golos de Portugal; Brindisi o da Argentina: 3-1.
No jornal «O Globo», o famoso jornalista João Saldanha, que chegara a ser seleccionador nacional antes de Zagallo, escrevia: «Há muito tempo que não vejo um time jogar tão bem. Nenhumas falhas. Se caprichassem um pouquinho, eram cinco ou seis. Toni tem uma raça impressionante; Eusébio é calma personificada; os laterais, perfeitos; Peres deu aula; Jordão fez miséria. A Argentina é um bom time, mas Portugal, ontem, não perdia para ninguém».
Seguia-se o Uruguai. Portugal repete a exibição feita face aos argentinos, mas não consegue repetir o resultado. O seu futebol foi igualmente imaginoso e fluente, mas o golo de Pavoni, marcado aos 20 minutos, e a dureza, às vezes transformada em pura violência, dos sul americanos, obrigou a Selecção Nacional e menos toques de bola, menos fintas e menos tabelinhas, recorrendo a mais cruzamentos, mais arrancadas e mais explosões. Jaime Graça empatou em cima do intervalo, e toda a segunda parte foi de domínio português e de intenso sofrimento para o guarda-redes Carrasco. Mas o 1-1, não se alterou e a conjugação dos resultados (a URSS ganhara ao Uruguai e perdera com a Argentina) permitia agora a Portugal um simples empate com os russos, desde que os argentinos não vencessem os uruguaios por mais de três golos de diferença, para chegar à tão ambicionada final.
Em Belo Horizonte, no dia 6 de Julho, o jogo foi pobre e a vitória magra (1-0, golo de Jordão). O estilo combativo de Simeonov, Viktor, Vasenin, Kuksov e Bishovets serviu para controlar a fantasia de Jaime Graça, Peres, Jordão, Dinis e Eusébio que, além disso, se viu atingido com tal agressividade que ficou com o osso da canela à mostra e em dúvida para a tal final tão sonhada com o Brasil, que se apurara entretanto vencendo a Jugoslávia (3-0).

Sonhos que nascem e morrem...
Na grande final do Maracanã, no dia 10 de Julho de 1972, ao contrário do que seria de supor, foram os portugueses a fazer as despesas do futebol de ataque e os brasileiros a oporem-lhes uma toada de contra-golpe. Por uma, duas vezes, Portugal ameaça o golo: Jordão remata ao poste; Eusébio tem uma arrancada sensacional, passando por diversos adversários, arrancado «ohs!» de admiração a um público encantado, mas perde a oportunidade de remate por fracções de segundo.
Os contra-ataques «canarinhos» são venenosos, mas Humberto Coelho está intratável e imperial. Caminha-se para o final do encontro, tudo parece indicar que teremos um prolongamento. Mas, precisamente no último minuto, uma falta desnecessária de Adolfo sobre Jairzinho dá a Tostão a possibilidade de meter, com um dos seus pés mágicos, a bola na cabeça de Jairzinho. É o golo e a vitória do Brasil. José Henrique queixa-se de que Jairzinho tocou a bola com o braço. O israelita Klein não lhe dá ouvidos e apita para o final.
O sonho morreu.
Virão outros sonhos. Talvez com Maracanã também.
Desta vez é tempo de Baía: «Baía dos sonhos mil!»"

Afonso de Melo, in O Benfica

PS: Se o Afonso tivesse que esrever a crónica hoje, teria pelo menos terminado de maneira diferente: «Baía de pesadelos mil!»!!!
Aqui deixo o jogo completo da Final no Maracanã, da Minicopa de 1972. Com 10 Benfiquistas de início...


Aqui ficam alguns resumos, dos outros jogos:

A história do Rei

"Dele quase tudo se disse. É o cidadão português cuja história mais vezes foi contada. Pode não vir nos manuais escolares, mas é no 'passa.palavra' que gerações tomam conhecimento e se apaixonam pelo nome Eusébio. Em vida, o 'Rei' falou à Mística em duas ocasiões (2008 e 2011), onde abriu o livro das memórias e opinou sobre o futuro. Agora, na hora de se tornar eterno, recuperamos as palavras e a história de vida de um mito.

Esta é uma história com início na antiga Lourenço Marques (agora Maputo). Moçambique. O dia: 25 de Janeiro de 1942. Abria os olhos Eusébio da Silva Ferreira. O destino o ditaria: mais do que rebento africano, um cidadão do mundo.

Nas palavras do poeta
Veio ao mundo numa numerosa família - benfiquista, por sinal -, mas cedo ficou órfão de pai (o Sr. Laurindo, também ele, em tempos, jogador). A mãe era tudo para ele. A D. Elisa, a mesma que não gostava nada que o pequeno Eusébio faltasse às aulas para jogar futebol, mas que no momento certo o deixou voar nas asas do sonho. A ligação entre mãe e filho prova-se na forma como, nos últimos anos de vida, era a falar de D. Elisa que o agora avô Eusébio mais se emocionava.
Mas voltemos à Mafalala, bairro nos arredores de Lourenço Marques: das casas de zinco e madeira às bolas de trapos, das jogatanas de rua ao Senhor Xico, um cauteleiro que o distinguiu de entre os amigos. Nos improvisados campos das ruas da capital, o raiar dos horizontes que deram luz à sua infância. Diz-se que nas palavras do poeta José Craveirinha jorrava a inspiração de meninos como Eusébio. É que aquele era o poeta que na década de 50 incentivava os moços de Moçambique a libertarem o espírito pela nobre arte de praticar desporto. 'Ele era uma referência', como muito mais tarde admitiria Hilário, conterrâneo e amigo de Eusébio e um dos melhores defesas do futebol luso.

Magrinho mas supersónico
Aos 12 anos era já conhecido por 'Magagaga'. Supersónico. Rumou aos Brasileiros Futebol Clube. Todos tinham alcunha de craque canarinho. Ficou 'Nené', o brasileiro. Estreia: dois golos, vitória por 7-1 e um justo prémio de dez escudos. Ficou até aos 15. 'Eu desde os 12 anos que sabia o meu valor. Nunca tivemedo de jogar com os rapazes de 17 e 18 anos. Até gostava, pois só assim perdia o medo e jogava melhor.' Hilário, que considerava como um irmão, pois era amigo da família, rumou a Lisboa, ao Sporting. E tantas vezes tentou convencer os dirigentes leoninos a irem buscar a pérola que ainda estava em Moçambique... Mas estes não acreditaram, ainda que os 'grandes' portugueses tivessem muitos olheiros ali. E com resultados práticos, com Matateu e Coluna como exemplos. Depois há a história de um irmão mais velho de Eusébio que passou pelo Benfica, pelas palavras do próprio à Mística: 'Um dos meus irmãos foi campeão de juniores no Benfica. A alcunha dele era 'Juju'. Entrou num bom colégio em Tomar. Depois foi mobilizado para prestar o serviço militar e acabou por regressar a Moçambique.'
Eusébio era bom de bola. Tentou um lugar no Desportivo de Lourenço Marques, filiar laurentina do Benfica. Não foi aceite. Disseram-lhe que era carne e osso. Acabou no clube rival, o Sporting Clube de Lourenço Marques, onde jogou até aos 18 anos. Na estreia defrontou o Desportivo. Chorou por não se sentir bem a defrontar a equipa que mais gostava. Mas ganhou por 3-0. Marcou os três golos. Num deles, 'só' ultrapassou a equipa toda e depois finalizou com classe. O que se arrependeram os responsáveis do Desportivo! Carne e osso, não era?

A carta a Coluna
Três aqui, dois ali, um mais à frente. Golos e mais golos. O Benfica já o tinha debaixo de olho. Mas a concorrência era cada vez mais feroz. Em 1960, dois enviados do clube da Luz foram a casa de Eusébio para falar com a mãe. O jovem tinha apenas 18 anos e, nesses tempos a maioridade era aos 21. A mãe foi perentória: Eusébio podia dar asas ao sonho. Ao saber o que se passava, o Sporting tentou cobrir a oferta, mas a palavra estava dada ao Benfica. Os rivais tentaram tudo, mas D. Elisa manteve a palavra. A ela muitos milhões de benfiquistas podem agradecer. E a Coluna também. Que recebeu uma carta de D. Elisa. Que cuidasse do seu menino como se fosse seu filho. Mário Coluna falava muito dessa mesma carta. Levou-a à letra. D. Elisa agradeceu. Tímido e franzino, chegou a Portugal em Dezembro de 1960. Num país triste e cinzento, dominado pela ditadura, Eusébio era um jovem em busca de glória no clube do povo, da democracia, onde despontava uma geração de valores que se veio a revelar a mais frutífera de sempre do desporto europeu. Para o jovem Eusébio existiu um primeiro inimigo. O frio. Ele que estava acostumado aos 40 graus de Moçambique. No dia seguinte à chegada acompanhou a equipa à Covilhã apenas para ver jogar os craques. Vitória por 1-3 e um Eusébio na bancada gelada, mas entusiasmado. Só que o frio... podia ter estragado tudo. Chegou a ligar à mãe dizendo que ia regressar. Entra na história Coluna. Tornou-se padrinho protector do jovem conterrâneo. Deu-lhe forças e uma palavra amiga. 'Por isso lhe agradeço a ele, mas também aos falecidos José Águas, Germano e Costa Pereira. Homens que me ajudaram. Felizmente, eu sempre meti na minha cabeça os conselhos que eles me davam. Hoje não me arrependo de os ter ouvido', contou-nos em 2011.

Pacientemente aguardando o ouro
Eusébio vivia no Lar do Jogador, no Estádio da Luz. E ali protagonizou uma autêntica novela. Não podia jogar. O Benfica chegou a acordo com o antigo clube do moçambicano, mas o Sporting inviabilizou a concretização do negócio, pressionando a sua filial laurentina. E começou a 'perseguir' Eusébio. Benfica e Sporting travaram uma intensa luta estratégica e jurídica. Todos o queriam e ele não jogava. Em 2008 disse em entrevista à Mística, entre sorrisos: 'Tenho 66 anos e mesmo assim há sportinguistas que dizem que fui 'raptado' pelo Benfica. O Sporting é que queria 'raptar'.' Era o forte sinal de que se estava na presença de alguém fora de série. Mas como lidaria ele em campo com tanta pressão e tanta expectativa? Da polémica em polémica, de argumento em argumento, Eusébio permaneceu fiel ao Benfica ainda antes de se estrear de águia ao peito e, apesar de ter estado parado entre Dezembro de 1960 e Maio de 1961, não retrocedeu na palavra que ele e a sua mãe, D. Elisa, tinham dado aos persistentes dirigentes 'encarnados'.
Em Maio de 1961, o Sporting laurentino, temendo 'perder tudo', aceitou a verba combinada com o 'Glorioso', enviando para o Benfica a sua 'carta de desobrigação'. Finalmente Eusébio era do Benfica. E o presidente da direcção, Maurício Vieira de Brito, conseguia o que queria: o jogador que viria a mudar a face do futebol português. Primeiro treino: o técnico Béla Guttmann virou-se para o adjunto Fernando Caiado e disse: 'É ouro, é ouro' Os colegas perguntavam-se quem seria o sacrificado. Germano usava o humor: 'Estou safo, sou defesa.' Apesar de menino, Eusébio mostrava ser uma força da Natureza e já um grande jogador. E também tinha confiança. Certo dia disse ao seu colega de quarto, José Torres (que há três anos rodava nas reservas), que tinha valor para jogar no Benfica e que no dia em que entrasse na equipa não mais perderia a titularidade, porque era melhor do que todos os colegas. Não disse apenas... Fez.

Quando Pelé quis saber quem era
Chegados a 23 de Maio de 1961, a estreia. Um jogo de reservas frente ao Atlético, em que o Benfica venceu por 4-2. Marcou três. E estava com febre... Estreou-se na equipa principal em 1 de Junho de 1961 (sim, poucos dias depois), na derrota por 1-4 no campo dos Arcos, em Setúbal, com o Vitória de Setúbal, na 2.ª mão dos quartos-de-final da Taça de Portugal, marcando o golo do Benfica, mas falhando um penálti às mãos de Félix Mourinho, pai de José Mourinho. Foi o primeiro dos quatro penáltis falhados na sua carreira. Uma estreia numa equipa de recurso, pois o poder federativo obrigou o Benfica a jogar uma eliminatória da Taça de Portugal, enquanto a equipa principal viajava de Berna para Lisboa, depois da na noite anterior, em 31 de Maio, ter conquistado a Taça dos Clubes Campeões Europeus após vencer na final, por 3-2, o Barcelona.
Pouco depois, no primeiro jogo no campeonato, a 8 de Junho, marcou na derradeira jornada e festejou o primeiro título nacional ao serviço do Benfica. Tinha 19 anos. No Verão participou no Torneio de Paris. Marcou na vitória por 3-2 sobre o Anderlecht. Mas deu nas vistas na final. Começou como suplente. Quando entrou, já o Benfica perdia 4-0. Marcou três golos. Pelé quis saber quem era...
Em Outubro de 1961, Fernando Peyroteo chamou-o à selecção, e assim pôde cumprir o sonho de treinar ao lado de Matateu, mas, devido a lesão, nunca chegaram a jogar juntos. Na estreia, derrota por 4-2 com o Luxemburgo. Marcou um golo. Depois, a 25 de Outubro, Portugal perdeu por 2-0 em Wembley, num jogo a contar para a qualificação para o Mundial do Chile. Eusébio jogou bem, atirou duas bolas aos ferros e viu-se no dia seguinte apelidado de 'Pantera Negra' pela imprensa britânica.
Em Setembro jogou inesperadamente a decisão da Taça Intercontinental ao lado de outro miúdo, António Simões. É que depois de vencer na Luz por 1-0 o Peñarol, o Benfica sucumbiu por 5-0 em Montevideu. Na finalíssima, novamente no terreno do adversário, Guttmann chamou os miúdos. Eusébio ainda deu o empate ao Benfica com um míssil. Um penálti escandaloso decidiu.

A glória... de ter a camisola de Di Stéfano
A estreia na Taça dos Campeões aconteceu em 1 de Novembro de 1961. Empate a um golo em Viena e depois goleada por 5-1 na Luz. Eusébio marcou o quarto. Mas Dezembro traria a primeira de seis operações ao joelho esquerdo a que se soma mais uma ao direito. Recuperou e ainda foi a tempo de ajudar à glória europeia.
Eusébio cedo mostrou que era um futebolista sem igual, conquistando a titularidade na equipa e a confiança dos colegas e técnicos. E a cereja no topo do bolo sucedeu na final de Amesterdão de 1962, quando o Benfica se sagrou bicampeão europeu à conta do 'gigante' Real Madrid. No final, 5-3 para o Benfica, com o jovem avançado em plano de destaque. Levado em ombros, não se agarrou à taça, mas sim... à camisola de Di Stéfano, seu ídolo de sempre. No final, ouviu o elogio do craque madrilista, tal como se habituou a ouvir de outros da sua galáxia, tais como Pelé ou Cruyf. 'Ganhar ao Real foi fantástico, mas eu só queria a camisola do Di Stéfano. No final, disse-me que eu teria um grande futuro. Imagine o que é ouvir isso do seu ídolo! E eu perguntei-lhe como poderia ser grande. Ele disse-me que tinha de trabalhar e ouvir os conselhos dos mais velhos. Meti isso na cabeça', contou-nos.
No ano seguinte, derrota na final com o Milan. Eusébio marcou, sofreu falta atrás de falta e terminou o jogo inferiorizado, tal como Coluna, que fazia figura de corpo presente junto à faixa.
Em 1964/65 brilhou nos 5-1 ao Real Madrid. Seguiu-se a maldita final com o Inter. Mais uma perdida, mas, imagine-se, em San Siro, casa dos Italianos. Nesse ano de 1965, a 8 de Outubro, casou-se com Flora. Juntos até final, geraram as filhas Carla e Sandra. E foi ao ombro de Flora que chorou de alegria ao saber que tinha sido distinguido como melhor jogador da Europa também nesse ano.

Golos para a História
Atleta notável, jogando em apoio aos avançados ou como ponta de lança, não tinha limitações: de cabeça, com os pés, de longe, de 'bola parada', driblando ou  rematando, era um avançado completo e imprevisível. Conseguiu driblar meia equipa contrária ou rematar de longe sem preparação mas com uma precisão incomparável. Nos lances de 'bola parada' era fulminante em livres directos ou grandes penalidades, a maior parte das vezes a 'cobrar' faltas cometidas sobre si, a única forma de o parar.
E foi num livre que marcou um dos melhores golos da carreira. Em Turim, frente à Juventus (meias-finais da Taça dos Clubes Campeões Europeus, edição de 1967/68), Eusébio marcou um golo de livre a mais de 40 metros de distância da baliza. Antes do remate, os adeptos da 'Vecchia Signora' riram-se perante a invulgar decisão do 'Rei', mas depois silenciaram-se quando o esférico entrou no fundo das redes. De resto, os livres certeiros passaram a ser rotulados de 'livres à Eusébio'.
No entanto, foi um golo de jogada corrida, frente ao então desconhecido La Chaux-de-Fonds (1964/65), que o génio considera ter sido o seu melhor de sempre. Um golo também especial pela forma invulgar como o guarda-redes adversário reagiu à célebre jogada de Eusébio, realizada a 9 de Dezembro de 1964.
'Fiz uma tabela com o Simões e, sem deixar a bola cair no chão, passei-a por cima de dois defesas. Após ter marcado o golo, reparei que o guarda-redes da equipa adversária começou a correr na minha direcção. Fiquei perplexo. Pensei que ele me queria fazer alguma coisa de mal. Mas não! Ele queria apenas cumprimentar-me. Nunca tinha visto uma coisa assim! Foi pena a televisão não ter dado a devida importância a esse golo. Já marquei muitos golos que ninguém pensava ser possível, como, por exemplo, aquele diante da Juventus, mas para mim aquele marcado ao La Chaux-de-Fonds foi o melhor de todos.' No entanto, Eusébio não foi só o maior finalizador do futebol português como também grande futebolista.
Delineou e executou milhares de jogadas, servindo em centenas delas os colegas de equipa melhor colocados, estando por isso directamente ligado a milhares de golos. Ao contrário de outros, deve ser o futebolista mundial que 'esteve' em mais golos, quer a marcar, quer a fazer o último passe ou assistência.

Sempre em frente
Como nos confessou em 2008, o seu caminho 'era sempre em frente'. 'Delineei um caminho para a minha carreira e nunca me desviei dele.' Ficam os golos, as palavras e as imagens. A ir buscar uma bola ao fundo das redes, querendo mais após um golo. Ou a perna esquerda fixa e esticada na vertical e a direira dar tudo de si rumo à glória, algures entre um encontro com a própria cabeça curvada e mais um remate devastador. Os braços são pura poesia. Parecem delinear o caminho certeiro do esférico. Uma dança que com ele nasceu. Uma ciência, uma poesia, talvez pura matemática. Era diferente de tudo o resto.
Sagrou-se melhor marcador de inúmeras competições, com destaque para o Mundial de 1966, em Inglaterra, na Taça dos Clubes Campeões Europeus, em 1964/65, 1965/66 e 1967/68, e em sete Campeonatos Nacionais da I Divisão, nas épocas de 1963/64, 1964/65, 1965/66, 1966/67, 1967/68, 1969/70 e 1972/73 (sete campeonatos, cinco deles consecutivos, ambas as marcas recordes). Foi também Bota de Ouro (melhor marcador europeu) em 1967/68 e 1972/73; e Bola de Ouro (melhor jogador europeu) em 1965, ano anterior ao da realização do Mundial em Inglaterra onde brilharia intensamente.
Pelo Benfica conquistou 22 títulos oficiais: campeão europeu de 1961/62; 16 nacionais com 11 Nacionais da I Divisão (é o futebolista português com mais títulos) e cinco Taças de Portugal; além das cinco Taças de Honra de Lisboa. Certo dia perguntámos-lhe se concordava que houvera um Benfica antes e um Benfica depois de Eusébio. 'Antes de mim já houve um grande Benfica, com aqueles que venceram a Taça Latina. Depois de mim, também foi um Benfica forte, com tantos títulos e finais. Agora, o que eu acho é que a grandiosidade vinha da força adjacente a uma base que era também a Selecção Nacional', respondeu.

Orgulho de Portugal
Na Selecção Nacional foi internacional em 64 jogos, marcando 41 golos, capitaneando-a em 16 encontros. Não existiam adversários facilmente goleados. Existiam, sim, grandes potências no futebol europeu. E ainda assim Eusébio marcava e marcava... Exemplo? Algo de que pouco de fala. Os sete golos na caminhada até ao Mundial de 66. E na decisão, em pleno terreno da fortíssima Checoslováquia, Portugal reduzido a dez elementos e o golo que valeu a qualificação a surgir dos pés do 'Pantera Negra' após uma cavalgada de mais de 70 metros. Monstruoso.
No Mundial de 66, entre os 'Magriços', foi o melhor marcador, ficando para sempre nos anais da história do futebol mundial o modo como 'virou', no encontro com a Coreia do Norte, um resultado desfavorável de 0-3 para uma vitória por 5-3, marcando quatro golos. No total, nove golos.
As lágrimas pela eliminação nas meias-finais frente à Inglaterra, no Mundial de 66, contrastaram com a forma efusiva como viveu todo o Mundial. Um jogo que se devia ter realizado em Liverpool, 'casa' portuguesa, e acabou por, sabe-se lá porquê, ser  transferido para Londres. No final de um jogo mal perdido, Eusébio olhou os céus, perguntou a Deus 'porquê' e chorou compulsivamente. O inédito terceiro lugar luso soube-lhe a pouco. 'Era em Liverpool que tínhamos de jogar e era aí que nos sentíamos em casa. Foi pena que tenhamos ido jogar a Wembley, após uma viagem muito má, sacrificando-nos tanto para nada. Lembro-me que perdi quase 3,250 Kg nesse jogo. Demos tudo e sentimo-nos injustiçados. Daí ter chorado no fim, olhando para o céu, dizendo que mal fiz meu Deus'. Nunca mais alguém conseguiu marcar tantos golos numa fase final de um Mundial.

Do fair-play à máquina rebentada
Final da década de 60. Levou o Benfica à nova final europeia. Ironia dos destinos: defrontar o Manchester United em Wembley. Derrota por 4-1 no prolongamento. Mas na imagem de muitos o falhanço em cima do minuto 90 e posterior cumprimento ao guardião contrário. A história pelo próprio: 'Tive o golo da vitória nos pés, quando faltavam dois minutos para o fim, mas joguei com uma lesão que não acredito suportasse nos dias de correm. Eu só devia andar, e joguei. E não podia chutar com o pé esquerdo, pois se a bola me tivesse chegado ao pé direito eu tinha feito o golo.' Com o passar dos anos perdeu o fulgor - malditas lesões -, mas já trintão conseguiu, com Jimm Hagan, atingir a marca dos 43 golos no campeonato, sendo mais uma vez Bota de Ouro. E na Minicopa de 1972 mais uma manifestação de classe internacional. Portugal perdeu ao cair do pano da final. Marcou, em 31 de Março de 1975, o seu último golo pelo 'Glorioso', o n.º 638, no Estádio Colombes, em Paris, quando o Benfica venceu por 5-1 o FC Porto numa festa de homenagem aos emigrantes. Certo dia perguntámos-lhe: qual foi o melhor Eusébio? 'Em todos os jogos aparecia o melhor Eusébio. Dava o máximo', atirou. Quisemos saber mais: e se fosse hoje, Eusébio? 'Era melhor ainda. Em termos físicos, trabalhava muito e as botas que eu calçava pesavam muito mais. A bola, a camisola, o calção... tudo está diferente. Não há comparação. Lembro-me de que há uns anos fomos a um programa de TV e estavam lá alguns dos melhores jogadores de sempre. E eles tinham uma máquina onde podiam medir a força do nosso remate. Só sei que quando chegou a minha vez a máquina rebentou e lá se foi o programa. Não há ideia da velocidade que a bola ganhou. Acho que hoje, com esta bola, conseguiria marcar livres do meio campo desde que o vento soprasse a favor.' Como diria Mourinho, mais tarde, Eusébio seria 'Monstruoso'.

Incomparável
Efectuou o 614.º e último jogo da águia ao peito em 18 de Junho de 1975, num encontro particular em Casablanca, com a Selecção da CAF (Confederação Africana de Futebol). Nem nesse jogo se enervou. Dizia-nos, em 2008, que nunca na carreira se mostrou ansioso: 'Nunca me enervei a jogar futebol, porque senti sempre prazer. Só me comecei a enervar quando deixei de jogar'. Um registo histórico, numa despedida no continente africano, onde nascera há 33 anos. Nesses últimos anos de carreira jogou no Estados Unidos, no Canadá, no México. Ganhou títulos, marcou golos e, acima de tudo, comprovou a popularidade que o perseguia. Era um deus chegado a um novo mundo futebolístico. Valeu pela experiência desportiva e social.
Dizia-nos, de forma nostálgica, em 2011:
'Não posso dizer que sou o mesmo que chegou a Lisboa há 50 anos, mas a mentalidade é igual: respeitar as pessoas, ser alguém simples e não desiludir quem gosta de mim. Sou do Benfica mas respeito os adeptos dos outros clubes.' Palavras que aplicou ao longo da vida. Por isso, no pés-carreira manteve sempre o carinho de todo o mundo do futebol e até mesmo daqueles que não acompanhava o desporto-rei. A postura a humildade fora do campo foram, agora sabe-se, a sua última grande vitória. Um triunfo que, todos o sabem, está ao alcance de poucos. E essa é também uma coroa incomparável. Mais: 35 anos depois de ter deixado de jogar ainda é apelidado de 'Rei' nos quatro cantos do mundo. Vide a manchete do South China Morning Post, um reputado jornal de Hong Kong: 'The King is dead' (O Rei está morto). Uma prova de que o principal golo ou título de Eusébio foi ter colocado Portugal no mapa numa altura em que o País vivia na penumbra. Podemos até ir mais além: que outro jogador nascido em África, o mais mágico mas também humilde dos continentes, fez o que Eusébio fez no futebol mundial? E que jogador com quase duas mãos-cheias de terríveis operações aos joelhos se destacou no desporto que mais faz vibrar o planeta? Por isso, fúteis e estéreis daqueles que se dignem compará-lo com outro qualquer jogador, por mais valioso e merecidamente respeitado que seja. Há que perceber contextos sociais, desportivos, humanos e globais antes de se entrar em comparações para preencher horas televisivas e colunas de jornais. Façamos um exercício: o que se ganha em comparações sobre Pelé, ou Maradona, ou Di Stéfano? Zero. Cada um, uma história. Cada um, um herói à sua maneira. E Eusébio, tal como os grandes jogadores de novo milénio, merece o respeito de ser encarado como 'único'. Mais: ele foi um fenómeno global antes da globalização. Eusébio foi uma era, é um mito. Não apenas o melhor, ou não. É único. Outra forma de pensar seria reduzir e retirar valor a tudo o que representou e representa.

Homenagem em vida
Em 26 de Março de 1982, a distinção suprema do Benfica: a Águia de Ouro. Em 25 de Janeiro de 1992, no 50.º aniversário, foi inaugurada a sua estátua, em frente ao estádio onde alcançou feitos inigualáveis. Mas foi na presidência de Luís Filipe Vieira que teve a justa e respeitosa visualização do quanto o clube lhe agradecia o que ele representava década após década. Tornou-se parte activa do clube, teve o merecido suporte financeiro e foi a imagem do Benfica nos mais diversos momentos, sendo mesmo lançada a Eusébio Cup, em sua honra. O homem pode ter-nos deixado neste início de 2014, mas o nome será sempre iluminado pela admiração de quem respeita o desporto e, acima de tudo, o verdadeiro espírito dos campeões Eusébio vive.
O texto termina aqui para os que o vão ler. Mas sobra um último parágrafo, que queremos partilhar apenas com uma pessoa. Referimo-nos a si, Flora. Em 2008, no decorrer de uma entrevista que o 'Pantera Negra' deu à Mística, perguntámos a Eusébio quem tinha sido a pessoa mais importante da sua vida. Decerto que sabe a resposta, Flora, pelas palavras que na intimidade o 'Rei' lhe dirigiu ao longo de toda uma vida, mas deixe-nos humildemente transcrever o que ele nos respondeu: 'A pessoa mais importante da minha vida é a minha esposa. A Flora. A minha grande paixão. Uma mulher fora de série. Foi fundamental o seu apoio na minha carreira. A cada segundo. Este sempre lá. E continua a estar. É uma grande mulher!'

(...)"

Ricardo Soares, in Mística

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Bipolaridade...!!!

É um espectáculo, ouvir durante semanas a fio, elogios de todos os lados à Selecção, chegando mesmo à loucura de afirmar que o Portugal é um candidato ao título Mundial (fazer esta afirmação sem se desmanchar a rir, é o cumulo da ilusão mais ignorante possível!!!)... Isto dito, pelo povão, e pelos profissionais, expert's, pagos a peso de ouro, para irem para as TV's vomitarem banalidades ocas... e depois, após um primeiro desaire (previsível, diga-se...) mudarem a agulha, chamarem nomes a todos, porem tudo em causa: jogadores, treinadores, fisioterapeutas, médicos, cozinheiro, roupeiro, vento, relva, clima, dirigentes, substituições, opções, tácticas... Então quando a meio da 2.ª parte, começam a falar da falta de intensidade, das linhas afastadas, etc... etc... como se o resultado do jogo tivesse em aberto!!!
Mas o maior paradoxo, é mesmo o acanhamento, com que se queixam da arbitragem, desvalorizando os erros... enfatizando as culpas, daqueles que 90 minutos antes, eram os melhores do Mundo!!!
E no final após todos bitaites, ainda conseguem chegar à conclusão, que está tudo em aberto, e que temos a obrigação de mesmo assim, chegar aos Oitavos (as condições com que se vai disputar o jogo com os EUA em Manaus é outro das particularidades deste Mundial FIFA/Money obsesion)!!!
Como dizia o outro (mal-amado por muitos, especialmente os tais expert's!!!): e o burro sou eu !!! Que desliguei completamente da Selecção, que não gosto dos dirigentes, do treinador, discordei dos convocados (metade meio-coxos!!!), discordei das opções para titulares... e discordo em absoluto com esta obsessão enjoativa de afirmar repetidamente: 'Ronaldo, o melhor do Mundo' (independentemente de ser verdade ou não...), frase repetida milhões de vezes... a até acho que o Cristiano é se calhar o menos culpado!!! Quando uma equipa se prepara para uma prova destas e as principais capas desportivas no dia de jogo, são com o nome de um jogador (que até está no máximo, a 50% do normal!!!), e não com o apoio a uma equipa, está tudo muito bem encaminhado para a desgraça...!!!
Com as expectativas tão baixas como eu entrei neste Mundial (só vi o jogo, porque foi obrigado por razões profissionais!!!), estou completamente descomprometido, para afirmar que este penalty da Alemanha é ainda menos penalty do que o penalty do Fred; e que mais ninguém será expulso numa situação idêntica à do burro-assassino do Pepe (será sempre no máximo: amarelo, e quase sempre para os dois)!!! E como já vi demasiados jogos de Futebol roubados (muita experiência...porque será?!!!), não posso deixar de chamar a atenção, para a alteração de critério do árbitro logo a seguir ao 4-0 !!! Sim o árbitro, com 3-0 e com Portugal a jogar com menos um, ainda não estava satisfeito!!! Não me esqueci do nosso jogo o ano passado em Istambul, com o Fernebache, e não foi só o golo num canto que não era...!!! São estas personagens: Byrch, Skomina,Cakir... Proenças que são sempre promovidos!!!

domingo, 15 de junho de 2014

Dobradinha em Feminino sobre Patins...

Benfica 8 - 2 Sanjoanense

O domínio da nossa secção de Hóquei em Patins feminino, treinadas pelo Imortal Paulo Almeida, foi mais uma vez confirmado hoje, depois do Bicampeonato Nacional à poucas semanas, a dobradinha de hoje, com a vitória na final da Taça de Portugal... Parabéns a todos e todas as envolvidas neste projecto de sucesso do Benfica!!!
PS: Nos jogos do Mediterrâneo, disputados na categoria de sub-23, em Aubagne, França, os atletas do Benfica conseguiram bons resultados... um deles, excelente!!!
Ontem, a Marta Pen venceu a prova dos 800m (2.07,14min); hoje tivemos mais duas medalhas de ouro: o Rui Pinto nos 5000m (14.11,58min); e a 'grande' Teresa Carvalho no Salto em Comprimento, com novo recorde nacional Júnior, e novo recorde sub-23 de Portugal, com 6,52m !!! No Salto em Altura, o Paulo Conceição conseguiu a Prata, com 2,15m...
A Eva Vital não participou na sua prova (100m barreiras), e o Ricardo Santos foi desclassificado (200m), foi pena, porque podiam ter obtido resultados interessantes. A Susana Godinho também acabou por não participar nos 10000m!!! A Nádia Cancela foi 7,ª nos 10Km Marcha (50.06,27min); o André Costa foi 6.º nos 110m barreiras (14,31seg); o Miguel Borges, foi 6.º nos 3000m obstáculos(9.14,08min); o Tiago Pereira, foi 4.º no Triplo (15,90m); o Tsanko Arnaudov foi 5.º no Peso (17,81m); e o Tiago Aperta foi 4.º no Dardo (67,16m)...

Juvenis - 6.ª jornada - Fase Final

Corruptos 1 - 0 Benfica

Fim do martírio!!! Esta Fase Final não é para esquecer, é para se vingarem... e pode já ser para o ano, no nacional de Juniores, onde muitos destes jogadores vão jogar...

Guimarães...........11
Sporting..............10
Corruptos.............7
Benfica...............4

PS: Parabéns aos nossos Juniores do Andebol, que hoje se sagraram Campeões Nacionais da categoria. Confirmando o domínio que já vinha dos escalões anteriores...

sábado, 14 de junho de 2014

Até sempre... "Grande Capitão"

"Aos 78 anos, deixou-nos a todos mais pobres. Mas é a vida intensa e bonita que merece ser lembrada e celebrada. Mário Coluna, um tremendo jogador de futebol, um líder, um exemplo para todas as gerações.

Eusébio acabara de morrer. Mário Coluna vertia uma lágrima. Uma parte de si morria também. Pela tristeza de dizer adeus ao amigo de décadas, afilhado, amigo. Por ver partir a maior das representações da qualidade da sua liderança. Ele que ficara com a missão de encaminhar um ainda menino Eusébio por caminhos rectos. Conseguiu-o. Foi fiel à carta da dona Elisa, mãe do futuro 'Pantera Negra', que pedia que tratasse o seu filho como se seu irmão mais novo fosse. Coluna teve papel fundamental na evolução do 'Rei'. Amigos eternos. Por isso o antigo capitão benfiquista viu a sua já dedicada saúde deteriorar-se assim que soube que, naquele Janeiro, Eusébio tinha partido. Menos de dois meses depois, Coluna partiu. Aos 78 anos. Não resistiu a uma infecção pulmonar. O destino que os juntou num mesmo campo relvado encarregou-se de os unir para a eternidade na memória de quem verdadeiramente ama o futebol.

O tributo
Na Maputo que o viu nascer (ainda que então baptizada de Lourenço Marques, embora o local de nascimento tenha sido Magude, a 100 Km de distância), Mário Coluna mereceu ampla homenagem. Luís Filipe Vieira liderou uma comitiva onde marcaram presença dirigentes e glórias do Benfica. Nos actos fúnebres, a certeza de um respeito que ultrapassou as décadas.
'Dizem que nascemos todos iguais, mas Coluna nasceu diferente, para melhor, para bem melhor. Foi e será sempre um génio que engrandeceu o futebol. O exemplo dele não é apenas património do Benfica, é património do futebol. Sempre foi grande porque nunca reclamou a grandeza que tinha. Sempre foi Moçambicano, porque nunca renunciou às suas raízes, e sempre foi português, porque nunca esqueceu a forma como o acolhemos. Ganhou em vida a admiração dos que tiveram o privilégio de o ver jogar e respeito de todos os que não o viram jogar. Todos sabem que foi um dos maiores talentos da sua geração. Obrigado, Coluna', disse, sentido, o presidente do Benfica.
Também o presidente de Moçambique, Armando Guebuza, fez questão de prestar um tributo ao antigo futebolista: 'Moçambique está de luto. O nosso povo e os amantes do desporto devem-lhe sentida homenagem e inclinam-se pela memória deste ilustre desportista com o direito de figurar nos anais da história do desporto moçambicano e de ser uma fonte de inspiração para jovens desportistas.
Resta-nos a consolação da tua figura. Até sempre, 'Monstro Sagrado'.'
Em Portugal o minuto de silêncio. Em Moçambique, a certeza de a Supertaça passar a ter o nome do antigo médio. A nível internacional, as palavras simbólicas do presidente da UEFA, Michel Platini: 'Aqueles que tiveram a oportunidade de o ver jogar lembram-se de um atleta magnífico, que marcou a sua época. Mário junta-se ao grande Eusébio, no espaço de poucas semanas o futebol  português - e lisboeta -, infelizmente, perde duas das suas maiores figuras', disse Platini.

De avançado a médio
Mário Esteves Coluna nascido a 6 de Agosto de 1935. Moçambique. O toque de bola, ganhou-o muito cedo, apesar de também ter tentado o boxe. Aos 16 anos, e apesar de ter na cabeça o sonho de um dia ser mecânico de automóveis, já brilhava na equipa João Albasini, por onde passara também Matateu. Equipa famosa, rezam as crónicas. Aos 17 passou pelo Desportivo de Lourenço Marques, filial do Benfica e clube fundado pelo seu pai, também antigo guarda-redes do clube, não sem antes, por recriação, ter estabelecido o recorde de Moçambique do salto em altura nos 1,85m. Porto e Sporting queriam-no. O Benfica ganhou a corrida. A 22 de Agosto de 1954, com 19 anos, chegou à Luz como avançado centro. Como médio centro se fixou naquele longínquo 1954. Visão de Otto Glória, que sabia que não poderia coexistir com José Águas na frente. Entregou-lhe, por isso, a batuta da casa das máquinas, o meio-campo. A estreia aconteceu num particular diante do FC Porto. Oficialmente, bisou no arranque da época 1954/1955, no Jamor, diante do Sp. Braga. Aqueles eram os tempos de ouro dos violinos leoninos. Coluna foi um dos homens que mudou o curso da história. Tornou-se coração, cérebro e pulmão de um Benfica que na transição entre os anos 50 e 60 agarrou definitivamente o sucesso no futebol português e o explorou para lá fronteiras.

Os títulos e a glória
Em 1961 e 1962 sagrou-se bicampeão europeu de clubes (marcou golos de antologia nas duas finais vencidas diante de Barcelona e Real Madrid) e em 1966 capitaneou a selecção nacional que conquistou o terceiro lugar no Campeonato do Mundo, em Inglaterra. Marcou presença em mais três (1963, 1965 e 1968). Diante do Milan, lesionado durante o jogo, num tempo onde não existiam substituições, aguentou de forma heróica até final. Conquistou dez títulos de campeão nacional ao serviço do Benfica (1954/1955, 1956/1957, 1959/1960, 1960/1961, 1962/1963, 1963/1964, 1964/1965, 1966/1967, 1967/1968 E 1968/1969). Foi um dos melhores jogadores de todos os tempos do Benfica, de Portugal, do planeta. Até a FIFA o considera, colocando-o entre os 100 melhores de todos os tempos à escala global. No SLB, totalizou 677 jogos, tantos e tantos como capitão. Era o 'Grande Capitão', o 'Monstro Sagrado', a referência dentro e fora de campo. Quem com ele privou lembra as poucas mas significativas palavras, o olhar que também falava e liderava, mas também o sorriso enternecedor.

De Portugal para o mundo
Na selecção nacional marcou uma época. Foi 57 vezes internacional, marcou oito golos, foi o capitão de equipa no Mundial de 1966, quando os 'Magriços' conseguiram um inigualável (até ao momento) terceiro lugar na prova maior de selecções. De 1955 e 1968 foi referência também na selecção.
A 27 de Setembro de 1967 foi o líder da selecção do Resto do Mundo na homenagem ao imortal guarda-redes Ricardo Zamora, em pleno Santiago Bernabéu. Eusébio estava ao seu lado e marcou um golo no 3-0 à Espanha. É difícil adjectivar Coluna, impossível comparar. No futebol actual não existirá um jogador idêntico. Com a bola nos pés, sublime. Da técnica à visão, da certeza de passe ao poder e colocação do remate. Um todo o terreno, um dos primeiros box to box. Mas também um criativo. Um seis, um oito, um dez. Pulmão, coração, nervo. Daqueles jogadores que arrasta uma equipa consigo. Um verdadeiro capitão.

Regresso às raízes
O jogo de despedida dos relvados lusos aconteceu a 8 de Dezembro de 1970, ao lado de outros grandes craques internacionais, como Johan Cruyff ou Bobby Moore.
Condecorado com a Medalha de Prata da Ordem do Infante D. Henrique, terminou a carreira em França, no Olympique de Lyon (onde fez 19 jogos e marcou dois golos). Depois, treinou as camadas jovens do Benfica, o Estrela de Portalegre e o Benfica de Huambo. Regressou a Moçambique após a independência. Liderou a Federação Moçambicana de Futebol. Inaugurou uma academia de futebol em seu nome na vola de Namaacha. Ligado ao futebol e às raízes, viveu para a família. Foi feliz. E viveu sempre o Benfica até ao último dia. Como um grande capitão."

Ricardo Soares, in Mística

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Coisas que não vão mudar

"O Mundial começou de acordo com as previsões: vitória do Brasil, balanço de Neymar, resultado melhor do que a exibição e arbitragem discutível. Nada disto é novo. Há uma matriz nas competições internacionais, e factor-casa, não apenas pelo apoio de proximidade, mas também porque muito do sucesso da competição depende da permanência do país anfitrião até o mais tarde possível. A excepção foi o último campeonato, na África do Sul, mas apenas porque a respectiva selecção não cumpria os mínimos.
A FIFA fez questão em mostrar-nos na transmissão televisiva como funciona a sua tecnologia do golo electrónico e o árbitro fez os primeiros risquinhos de gelo na relva. Porém, no momento de marcar o penálti sacramental, por uma faltinha de nada, o bom do Japonês não conseguiu disfarçar o ar comprometido. O futebol evolui, mas há coisas que nunca vão mudar."


PS: Para os optimistas, este Mundial começou da melhor maneira!!! Com tantos erros descarados de arbitragem, desta vez, o International Board e a FIFA, vão ter alguma vergonha na cara, e não vão mais emperrar a utilização do video, para reduzir, o impacto da 'incompetência' dos árbitros!!!
Pessoalmente, acho que só se a Inglaterra for prejudicada, existirá esperança!!! Recordo que a tecnologia da linha de golo, ganhou impulso, após o Mundial de 2010, quando num jogo da Inglaterra, o árbitro não viu a bola dentro da baliza!!!
Quem define potenciais alterações às regras, e aos procedimentos no Futebol, não é a FIFA, é o International Board, e apesar de alterações recentes na sua composição, este órgão continua dominado pelos Britânicos...

Mais do que os sucessivos 'casos', aquilo que me choca mais, é a total despreocupação com a credibilização dos resultados desportivos no Futebol. A preocupação da FIFA é garantir a satisfação dos patrocinadores, o resto são 'peanuts'!!! Se o 'povão' a nível global, não acredita que os jogos são decididos dentro das quatro linhas, isso é completamente secundário para a FIFA e afins...!!! Para quem gosta verdadeiramente do Jogo, isto é tudo revoltante. Independentemente, se quem beneficia dos 'erros', é a FIFA, ou as Máfias das Apostas, um ou outro País (ou Clube), ou até, se os erros são somente a soma da incompetência das equipas de arbitragem... ou até o limite cientifico, da percepção humana!!!

Aquilo que se passou hoje no México-Camarões foi escandaloso, e por uma sorte danada, o vencedor, acabou por ser a equipa, que foi roubada!!! Se o primeiro golo mal anulado, é desculpável, o segundo golo mal anulado é absurdo: fora-de-jogo num canto...!!! E ainda houve um penálti não assinalado a favor do México nos últimos minutos da 1.ª parte... Tudo isto teria sido evitado, se houvesse a possibilidade de recorrer a um video-árbitro como já acontece em vários desportos.
Não resolveria tudo, mas iria reduzir, em muito, o número de decisões erradas.
Por exemplo, usando o critério usado na NFL, o penalty de ontem cavado pelo Fred, mesmo com recurso ao vídeo-arbitro, seria assinalado!!! As imagens do video, só podem alterar uma decisão do árbitro, quando a prova vídeo é indiscutível... e ontem, isso não aconteceu!!! Mas se nesse lance, o vídeo podia não ajudar... tanto na cotovelada do Neymar, como no penalty do Dani Alves sobre o Olic, o video-árbitro, iria seguramente, alertar o árbitro de campo para o erro...
E hoje, no Holanda-Espanha, mais um golo irregular (3-1)... por sorte (mais uma vez) sem influência no resultado!!!
Resumindo: 2 dias, 3 jogos, 3 jogos com decisões erradas em lances de golo!!! E ainda falta o Chile-Austrália..!!!

A pergunta que fica é simples: a quem interessa que as coisas se mantenham assim?!!! E já agora, por quanto tempo, a FIFA e afins, acha que vai continuar a ter audiências recordes, com os patrocinadores a ganharem milhões, se as Roubalheiras descaradas se manterem?!!! Acham que 'truncar' as repetições televisivas, é suficiente?!!!

Vendas de uns são alegrias de outros

"Os adversários do Benfica sabem que o caminho mais fácil para o sucesso é o destruir a equipa do Benfica. É mais fácil para o FC Porto e Sporting chegar ao topo por ver o Benfica mais fraco, que reconstruir uma equipa em altura de 'vacas magras'.
Por isso, este ano, as alegrias dos adeptos em pré-época são as vendas dos rivais, não as especiais aquisições que se possam conseguir. Quem vender mais fica pior, e parece que todos terão que vender a julgar pela situação económica geral. Será pois uma pré-época muito centrada nos cifrões.
Com a venda de William Carvalho rejubilam benfiquistas e portistas, com a venda de Jackson e Mangala será a alegria de verdes e encarnados, com a saída de Enzo e Gaitán teremos azuis e verdes em delírio.
Vantagem mesmo é ser altura de Mundial, e por isso o foco não estar apenas no interminável suplício do defeso. Não tenho nenhuma expectativa sobre o desempenho da nossa Selecção.
O grupo é difícil, a fasquia é demasiada para as nossas reais possibilidades. Desejo que tentem tudo, sem esperar nada. Gostava que fizessem bons jogos, que espreitassem os oitavos-de-final, porque depois disso a ambição soa a delírio. Oxalá me engane, pelos jogadores, pelo Paulo Bento e por Portugal.
No rol das favoritas colocava Argentina, Holanda e Brasil. No elenco das surpresas Bélgica e França, cheira-me ainda que Inglaterra e Espanha ficam muito aquém dos voos das apostas. E no fim há sempre a Alemanha e a Itália que geralmente só se notam quando as outras todas já lá não estão.
Gostei do jogo com a Irlanda, jogámos bem, mas não haverá Mundial adversários tão débeis. Começaram trinta dias de puro apreço pelo jogo. Cada miúdo a trocar cromos, à porta da escola, é uma visita ao meu imaginário de felicidade e isso mostra como é eterna a magia deste desporto."

Sílvio Cervan, in A Bola

Bambochata - 2014

"1. Aquele dia em que se suja, emporcalha, enlameia, deslustra - escolham o verbo que bem entenderem, estejam à vontade! - a dita Casa da Democracia, voltou a repetir-se tristemente.

2. Houve tempo em que se justificava a bambochata com a comemoração dos títulos lado a lado com os «deputados portistas» (designação que deve definir os representantes da nação eleitos pelo FC Porto). Como em 2014 não houve títulos, comemorou-se certamente a banal pouco vergonha.

3. Anos a fio de trampolinices, de escutas pornográficas, de processos em tribunal por motivos escabrosos, não fizeram com que os senhores que habitam essa Assembleia Prostituinte ganhassem um pingo de vergonha e um risco de bom-senso.

4. Comandados por uma generala que parece roçar a bajoulice, os «deputados portistas» lá se refocilaram a meias com o seu adorado Madaleno, sem que saibamos ao certo se o repasto foi pago por eles ou pelo tão delapidado erário público. O Parlamento serve realmente para tudo. Este Parlamento de Parlapatões.

P.S. - Ao futebol só faltavam mesmo deliberações sobre fezes e correspondentes factores das mesmas. Pena o discurso arrepiante de tão ordinário não ter sido proferido na Assembleia Prostituinte em dia de bambochata: era tiro e queda. Queda para a porcaria."

Afonso de Melo, in O Benfica

Modalidades

"1. Não foi tão bom como sonhámos, mas, agora que a época das modalidades está a chegar ao fim, é possível fazer um balanço bastante positivo. Reportando-se apenas às principais - e aos Campeonatos de topo -, Voleibol e Basquetebol confirmaram a sua grande superioridade a nível nacional e o Atletismo fez novamente o pleno (ganhou todos os títulos nacionais masculinos que havia para ganhar) e ainda foi vice-Campeão Europeu em corta-mato e pista.
Ao Hóquei em Patins faltou muito pouco para o título mas este domingo goleou um FC Porto que não sabe perder na final da Taça de Portugal.
Futsal e, principalmente, Andebol desiludiram, sendo, no entanto, de salientar que a inesperada eliminação da equipa de futsal frente ao Fundão deu para realçar algo que passava despercebido: o Benfica esteve em todas as anteriores finais do 'play-off' da modalidade. Esperamos lá voltar em 2015.
Não me canso de salientar: enquanto o Sporting está a alto nível, lutando pelos títulos, apenas no Andebol, Futsal e Atletismo e o FC Porto no Andebol e Hóquei, o Benfica está nas seis principais modalidades. Quando não ganha, está lá perto...

2. O presidente do Sporting parece que 'descarrilou' mesmo. Nas últimas semanas, mostrou-se. Primeiro, teve que reconhecer que o telefonema que não deixava bem visto Luís Filipe Vieira nunca existiu. Era escusado ter lançado a confusão e durante bastante tempo ter-se dela aproveitado. Não lhe ficou nada bem...
Depois, teve aquela saída muito mal cheirosa, a propósito da Liga de Clubes, perfeitamente descabida. Agora, lança 'bocas' sem sentido à esquerda e à direita e chega ao cúmulo de falar numa aliança SLB-FCP de vários anos, quando quem andou aliado com Pinto da Costa foi o seu clube, com a honrosa excepção de Dias da Cunha. E, afinal, qual a sua solução para a Liga de Clubes? Enfim, depois de um primeiro ano em que excedeu as expectativas, deu-se finalmente a conhecer. Nem quero imaginar quando os resultados do Futebol não forem aqueles com que sonha...

3. Vem aí o Mundial e, a propósito, acho perfeitamente descabido o equipamento alternativo, sem qualquer das cores nacionais. Para quando uma regulamentação oficial dos equipamentos das selecções de todas as modalidades? E, a propósito: porquê o equipamento alternativo (bem bonito mas sem as cores do clube) na vitoriosa final da Taça de Hóquei?"

Arons de Carvalho, in O Benfica

Benfica palavra mágica

"Todos os dias, alguns jornais vendem grande parte do plantel do Benfica, ao mesmo tempo que colocam no Clube Campeão paletes de supostos reforços. Isto é assim todos os anos e as alegadas notícias não conseguem esconder uma realidade: para vender papel de jornal há uma palavra mágica e essa palavra é Benfica.
Há de tudo em tais textos publicados: jornais a quererem vender papel; empresários a quererem valorizar a mercadoria; jogadores e clubes a quererem dar nas vistas; intriguistas a quererem arranjar matéria-prima para especulações. Até há notícias verdadeiras, embora o saldo seja o descrédito da credibilidade dos jornais.
Devo dizer porém, que este ano, pela minha parte, encaro com serenidade a vaga de supostas vendas e alegadas compras. Porque sabendo que é inevitável que saiam jogadores do valioso plantel do Benfica, alguns dos quais será doloroso ver partir, sei também que o Benfica tem uma direcção e um treinador que têm dado mostras de grande competência em valorizar os atletas que crescem no Clube, que cá ficam ou que chegam.
E assim vai acontecer este ano, digo eu, com a esperança que esta seja já uma época a caminho do tal Benfica made in Benfica.

Observação: o presidente do Sporting, aproveitando um estádio e um jogo da Selecção Portuguesa, achou por bem envenenar a união que deve reinar entre os atletas representantes do País inventando uma aliança entre Benfica e FCP para bipolarizar o futebol em Portugal. Depois de ter pretendido sanear da Bandeira Nacional a cor do sangue dos heróis da Pátria, o fala-barato não podia ter dado maior prova de falta de senso. O presidente do Sporting cada vez se parece mais com uma figura criada por Raul Solnado e que se caracteriza apenas por ter a mania de dizer coisas."

João Paulo Guerra, in O Benfica

Os nomes do sucesso

"Mesmo com um Mundial à porta, não há benfiquista que não guarde o doce sabor de uma temporada histórica, coroada com a conquista de três troféus, e abrilhantada pela presença numa final europeia.
Se no calor da euforia nem sempre é possível avaliar com precisão todos os aspectos que pesaram em tão triunfante caminhada, agora, a frio, com algum distanciamento a ajudar, torna-se mais fácil identificar as razões, os momentos, e, também, os heróis, de uma saga inesquecível.
É preciso dizer que estamos perante, não uma, mas duas temporadas absolutamente excepcionais da nossa equipa de futebol. Terminaram de forma distinta, é certo, mas se a sorte ou o azar podem ditar o destino final de qualquer jogo (com um penálti falhado, um remate fortuito, ou um golo nos descontos), só a competência e o trabalho rigoroso permitem manter, durante meses, um elevado nível competitivo - capaz de pôr os adeptos a sonhar com este mundo e com o outro.
Foi essa ideia que levou o Presidente Luís Filipe Vieira – de forma tão lúcida quanto corajosa - a decidir manter uma equipa técnica sob contestação, e foi aí que a história do sucesso começou a ser escrita.
Houve, porém, um segundo momento, a partir do qual a equipa se uniu, e acreditou que tudo lhe era possível. Inspirada por Eusébio, a vitória sobre o FC Porto, no final da primeira volta, virou os pratos da balança definitivamente a nosso favor. Se a manutenção de Jesus criou condições objectivas para vencer, aquela semana de Janeiro deu a união e a crença que sempre acompanham os campeões.
Luís Filipe Vieira, num primeiro plano de análise, e Jorge Jesus, logo atrás, foram pois os obreiros deste sucesso. Mas há que distinguir também aqueles que, em campo, interpretaram tão bem a mística benfiquista, e concretizaram em títulos os anseios de milhões de portugueses. Enzo Perez e Gaitán foram, no meu ponto de vista, os jogadores que mais brilharam durante estes meses. Um a equilibrar, outro a desequilibrar, foram eles as estrelas do Benfica 2013-14."

Luís Fialho, in O Benfica

O que os faz correr

"Sabemo-lo, porque ninguém se preocupou em escondê-lo, que a Liga de Clubes foi esvaziada de poderes. Tudo, a seu tempo e de forma obscenamente às claras, foi passado para o feudo da Federação Portuguesa de Futebol. Mesmo em termos disciplinares, a Liga ficou com uma pífia Comissão de Instruções e Inquéritos assente numa alínea a) que lhe garante o poder de “instaurar processos disciplinares ou de inquérito, por iniciativa própria ou na sequência de participação”. Uma alínea que serve apenas para que a FPF dela escarneça, fazendo publicamente tábua-rasa dos inquéritos dela emanados. Ou seja, a Liga foi esvaziada, mas não ficou vazia.
Nas últimas semanas foi ver como muitos (tantos e tão fracos) se juntaram, separaram, conluiaram, traíram, conspiraram e envergonharam o futebol numa ânsia de cadeiras e microfones (como diria o poeta Jorge de Sena). Afinal, parece que naquele osso bem rapado da Liga sobra ainda um belo naco de carne que vale tanto como todo o resto de carne que a FPF já de lá comeu. Os chacais prepararam-se para filar o naco que respeita aos direitos televisivos do futebol português. E foi em torno destes direitos que tantos jogaram xadrez, escolhendo equipas para jogar num tabuleiro há muito dominado pela oligarquia que atirou o futebol português para isto, esta coisa em forma de interesses privados que se aproveita da coisa pública. A luta em torno dos direitos televisivos é a luta em torno do dinheiro e do poder. Manter os direitos televisivos como um feudo privado dos mesmos que durante anos influenciaram campeonatos, escolheram presidentes da Federação e selecionadores é ajudar a perpetuar um poder bafiento e ultrapassado.
Garantir que os direitos televisivos ficam fora da alçada desta gente é a única esperança de que o futebol português possa voltar a ser algo de digno."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Invasões bárbaras

"Vem aí o inferno. Não são os jogos do Mundial, de que gosto. E talvez até venha a gostar mais este ano. Estou optimista. A equipa portuguesa pode não ser jovem, mas é uma equipa. Com atletas habituados a jogar entre si. O inferno também não é a barrigada de jogos. Essa agradeço. O inferno são muitos dos nossos queridos concidadãos que, sentados em frente ao televisor, fazem uma pausa nas suas vidas e descobrem que existe futebol.
De que lado é a nossa baliza? Por que é que não foi golo? O que é isso do fora-de-jogo? Não gostam de futebol. O que gostam mesmo é da nossa Selecção. Os Mundiais e os Europeus estão para quem gosta de futebol como o fim de semana está para o automobilista experiente, com a estrada cheia de gente a fazer asneiras a 40 Km/hora. É uma espécie de Dias da Música, do CCB. De repente a arte abre-se, generosa, à ignorância. Não estou a dizer que é mau. É excelente. Mas ouvir Schubert acompanhado pelo choro insistente de uma criança pode tornar-se desagradável.
É o que acontece por estes dias, quando a minha mãe, tentando concentrar-se em movimentos de várias pessoas num relvado, para ela absolutamente indecifráveis, me pergunta pela terceira vez: os nossos estão de encarnado, não é?
É durante os Mundiais e os Europeus que descobrimos que, ao contrário do que pensamos no resto do ano, há uma metade do país que não liga peva a futebol. De repente, eles saem todos da toca. Espantados, percebemos que, quando vimos um dérbi e sofremos, eles estavam a fazer outra coisa qualquer. Talvez a pôr fotos do Cristiano Ronaldo no Facebook. São estas pessoas que eu quando digo que a minha selecção é o Sporting me fazem em esgar semelhante ao de Cavaco antes de desfalecer. Não percebem por que sofro. Este é o mês em que o Sporting não joga.
Não me tomem por fanático. Sou solidário com todos os benfiquistas e portistas que vivem no mesmo sentimento de orfandade. As suas selecções estão paradas. Espalhadas por várias equipas nacionais. Para entreter estes bárbaros que não percebem que a unidade natural do futebol é o clube. É neles, com jogos semanais durante um ano inteiro, que um conjunto de jogadores se transforma numa equipa e produz equações perfeitas. As selecções são uma espécie de salada de frutas. Pode ser agradável, mas os sabores perdem-se."

Telma Monteiro e Célio Dias gravemente prejudicados

"O Sport Lisboa e Benfica vem por este meio esclarecer por que motivos os atletas Telma Monteiro e Célio Dias não competirão no Grand Prix de Budapeste, que tem lugar nos dias 21 e 22 de Junho, prova de apuramento olímpico para os Jogos Rio de Janeiro 2016.
A judoca, Telma Monteiro, contactou esta semana o director técnico, Rui Vieira, a perguntar pelo plano de voo desta deslocação, não obtendo esclarecimento sobre o mesmo visto que este "não estava na federação". Mais nenhuma informação foi dada.
Apenas na quinta-feira, dia 12 de Junho, Rui Vieira informou os treinadores dos atletas do Sport Lisboa e Benfica que estes não iriam competir em Budapeste porque a inscrição não fora aceite. Quando questionado quanto aos motivos, o dirigente apenas respondeu que não é "responsável pelos serviços administrativos e vão ser apuradas responsabilidades".
Algo que parece tão simples e com uma abordagem "descomprometida" por parte da Federação Portuguesa de Judo implicará a alteração de um rigoroso plano competitivo dos atletas; terá de ser escolhida outra prova para competir pelo apuramento para os próximos Jogos Olímpicos e, no mesmo sentido, alterar a data prevista para um estágio no Japão tendo em vista a preparação para o Campeonato do Mundo que se realiza no final de Agosto, com os respectivos custos extra da nova prova - que poderá ser o Grand Prix da Mongólia ou o Grand Slam de Moscovo - bem acima do orçamento para o Grand Prix de Budapeste. 
Na verdade, diga-se objectivamente: a inscrição de aletas com o currículo e o estatuto de elite de Telma Monteiro e Célio Dias, entre outros, foi feita fora do prazo.
O Sport Lisboa e Benfica manifesta total apoio aos seus judocas pelo prejuízo que estes sentem perante uma situação inédita na modalidade. Tudo porque os serviços administrativos da FP Judo demonstram total falta de capacidade para assumir processos burocráticos que, com este tipo de falhas, podem influenciar negativamente a carreira de atletas de elite que representam Portugal ao mais alto nível.
O facto de poder o apuramento olímpico ser garantido noutra competição não invalida o acto irresponsável da federação, organismo que, em primeira instância, devia ter como prioridade dar todas as condições para que a participação dos atletas estivesse garantida, segundo o calendário de competições previsto.
Em correspondência burocrática trocada com os atletas, o director técnico admite que "Por falha administrativa interna (envio fora do prazo limite das inscrições), a Federação Internacional de Judo não aceitou a inscrição da nossa comitiva no Grand Prix de Budapeste. Obviamente que o planeamento já acordado vai ser prejudicado. Qualquer das formas devemos tentar encontrar a melhor solução para este constrangimento..."
Além de evidentes deficiências de organização numa modalidade que tem trazido ao País prestígio e notoriedade internacional pelo empenho e dedicação de atletas e técnicos, torna-se essencial referir que o facto de Telma Monteiro e Célio Dias não cumprirem o plano de competições atempadamente traçado e aceite prejudicará as suas ambições no ranking mundial, uma vez que muito provavelmente os seus adversários ganharão vantagem em Budapeste. E com melhores posições no ranking terão estes, na mesma medida, mais facilidade em sorteios futuros.
No fundo, é toda uma época que pode ficar em causa. E porquê? Porque um organismo de "Utilidade Pública" não consegue garantir serviços mínimos no apoio administrativo a atletas com o desempenho desportivo de Telma Monteiro, quatro vezes campeã da Europa e três vezes vice-campeã do Mundo, e Célio Dias, uma das grandes promessas do Judo português com legítimas ambições de atingir as medalhas no Rio-2016."

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Carlos Nicolía

Interrompo o defeso das modalidades, para rejubilar com a confirmação da contratação de um dos melhores Hóquistas do Mundo da actualidade!!! Para mim, repartia com o Espanhol Bargalló o título de melhor do Mundo, mas a partir de agora, é de longe o 'melhor´!!!
Havia algumas dúvidas, se seria possível, convencer o Nicolía a vir para Lisboa, mas tudo acabou por correr bem...
Não exagero, quando digo que desde do Panchito não tínhamos um talento destes, e provavelmente na nossa História sobre patins, artistas destes, só Livramento, e o Panchito...
Deixo aqui alguns vídeos, inclusive a nossa derrota com o Valdagno na Final 8, de 2012!!!
Com o regresso do Tiago Rafael, o plantel do Hóquei ficou fechado. Só saiu o Coy, e entraram estes dois jogadores. Ficamos claramente com um plantel mais forte. Apesar de continuarmos a não ter no plantel um jogador com as características do Luís Viana, um goleador nato...!!! Tanto o Nicolía como o Tiago são especialistas nas bolas paradas, portanto espero que finalmente o 'trauma' termine!!!
Agora é preciso ser inteligente na gestão dos jovens talentos que temos... os regulamentos de transferências do Hóquei são diferentes de outras modalidades, mas alguns têm que ser 'emprestados' a equipas da 1.ª Divisão!!!

PS: Aproveito para fazer um balanço das movimentações no mercado nas outras modalidades, principalmente o Voleibol, que também já tem o plantel fechado!!! Saíram o Coelho, o Perini, e o Marcel, e entraram o Ivo Casas, e regressou o André Lopes e o Vinhedo. O Marcel Gil só foi contratado devido à lesão do Zelão, assim acaba por ser normal a sua não continuação... em relação aos nossos Liberos, compreende-se a troca de dois jogadores com valor idêntico, mas com o Ivo ainda com muitos anos pela frente de alta competição... O regresso do Vinhedo acaba por ser uma surpresa agradável...
A grande novidade, é mesmo a ida às competições Europeias!!! Vamos disputar a Challenge Cup, e o sorteio já se realizou... o nosso primeiro adversário é o CV Andorra. Os jogos só se vão disputar em Novembro, e em Andorra vamos ter seguramente muitos Benfiquistas.
No Andebol, a revolução está a 'meio': saíram os dirigentes, que deviam sair; foi contratado um treinador Espanhol (não creio que o Rito fosse o culpado!!!); já saíram alguns jogadores, mas falta saber quais serão as contratações, e vão ser muitos, pelo menos 4 !!!
No Basket, a grande dúvida neste momento é a continuação do Doliboa... muito sinceramente, da parte do Benfica não deve haver dúvidas, o Seth tem que continuar (se ele assim o desejar...)!!! A renovação do contrato com o Jobey Thomas foi uma excelente notícia, ao 'nível' do Nicolía!!! No Basket também existe a possibilidade de regressar à Europa, vamos ver...
No Futsal, só foi confirmado a saída do treinador, que foi a decisão correcta, agora vamos ver como será a construção do plantel: o Marcão saíu, fala-se do guarda-redes da Selecção Espanhola, e o Ré está quse confirmado (espero que seja o goleador que a equipa precisa), mas vamos ver...

O nosso Mundial, será assim...