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quinta-feira, 23 de setembro de 2021

SL Benfica | Os 5 melhores laterais direitos da história encarnada


"Numa época de caricato planeamento quanto às laterais – de seis elementos disponíveis para as faixas, quatro jogam preferencialmente no lado direito, enquanto que um dos dois na canhota não é sequer de origem – o SL Benfica vê-se apetrechado em qualidade e abundância, ainda que o desequilíbrio seja notório. Quanto mais Gil Dias der provas de que ‘’não serve” para Jorge Jesus, mais problemática será uma eventual ausência de Grimaldo.
Mas à destra, opções bastantes e muito válidas. Se André Almeida recuperou da tormentosa lesão que o apoquentou no último ano, vê-se agora no fundo da hierarquia. Diogo Gonçalves teria em 2021-22 a temporada de afirmação, não fosse a subida de forma de Gilberto ou a contratação sonante de Valentino Lázaro.
Ardente luta se travará pela titularidade, exigindo de cada um rendimento máximo – é de saudar a concorrência, ainda que seja contranatura a aglomeração de tanta solução para um posto só. Dores de cabeça para Jesus.
Numa tentativa de enquadrar historicamente e contextualizar as passadas apostas encarnadas para aquela ala, decidimos eleger os cinco mais destacados laterais-direitos do percurso benfiquista – cronologicamente e tendo em conta a sua importância a curto, médio e longo prazo, dentro e fora dos relvados.
Muitos nomes merecedores de referência ficam injustamente de fora por impossibilidade matemática. José Rosa Rodrigues, por exemplo, o primeiro ala direito de águia ao peito: entrou como titular no primeiro jogo oficial de sempre, como right-back – como se chamava à altura quem preenchia aquele lado no 2-3-5 ou WM coevo.
Ou Ralph Baião, outro bom exemplo, ainda que este se destaque por razões mais inóspitas – a sua excentricidade foi um marco no campo mediático do futebol português dos anos 20, fosse pela sua fama enquanto bom vivant, ou ela utilização de uma boina basca sempre que entrava em campo. Foi com uma txapela à cabeça que ajudou a vencer três Campeonatos de Portugal e um Campeonato de Lisboa, em oito anos (1925-33) como soldado do exército rubro.
De Jacinto, nos anos 40, a Cavém – que apesar de ser o melhor polivalente de sempre do nosso futebol, cumprindo com mestria todas as tarefas dentro do retângulo, iniciou duas finais das Taças dos Clubes Campeões Europeus (vs AC e Inter de Milão, 1963 e ‘65 respetivamente) como titular da posição, consolidando-se aí no final de carreira.
Na passagem à década de 70, há a reter Malta da Silva – titular nos invencíveis de 1972-73 – ou Artur Correia, o Ruço, velocista que terminou carreira na Luz de costas voltadas com o clube, mas que marcou uma era enquanto fomentador de um novo estilo de lateral.
Foi o primeiro ala moderno do futebol português ou, pelo menos, o primeiro disposto a desbravar todo o corredor num vaivém constante. Stefan Kovacs, o reputado treinador do FC Ajax tricampeão europeu (substituto de Michels, aquando da saída deste para FC Barcelona) disse sobre ele, em 1972: “Provavelmente, o melhor da Europa”…
Mais tarde, Miguel deixou marca num SL Benfica em reconstrução. Essencial na Taça de 2004 e no campeonato de 2005, só a sua saída apressada para Espanha impediu maiores feitos pelo clube. E, por fim, André Almeida e Nélson Semedo, um pela longevidade e outro pela qualidade.

1. Maxi Pereira (2007-2015) – O silêncio tornou-se hábito em relação ao uruguaio. De amor profundo a traição inusitada fora de tempo, já demasiado tardia, divórcio pateta e tiro no pé de um atleta que tudo tinha para ficar ainda mais engradecido na história do SL Benfica.
Fosse pelas características dentro e fora de campo, onde mostrava ser leal, comprometido com a equipa, chegando a parecer a personificação fiel dos ideias encarnados, Maxi foi uma figura importante no rejuvenescimento a partir de 2009, contribuiu até à chegada às consecutivas finais europeias.
Sem se perceber muito bem como nem porquê, rumaria a Norte – tomando o mau exemplo do compatriota Cebola Rodríguez – para finalizar a carreira atascado em derrotas e casos de indisciplina, numa fase de menor fulgor do FC Porto.
Antes de continuar o silêncio indicado como resposta a tão inglória decisão, a constatação: foram oito anos na Luz, 333 jogos, três campeonatos, uma Taça, seis da Liga, duas supertaças, duas finais europeias. Tentador mas impossível ignorar.

2. António Veloso (1980-1995) – Ficará para sempre marcado ao penalty de Estugarda, muito injustamente. Competentíssimo na arte de defender e abnegado como quase ninguém, bastará atentar-se de forma superficial à sua carreira para ver números, muitos números, tantos que nos metem a cabeça em água – como tantas vezes tentaram os extremos adversários fazer, ainda que em vão.
Aqui vamos, agarrem-se: 658 jogos de 1980/81 a 1994/95 (média de 43 por temporada), 322 deles ostentando a braçadeira (ficou a seis do recorde de Mário Coluna). Desses 658, 546 a titular, 309 do lado direito – tal como os senhores antes referidos, um polivalente astuto e desenrascado, estreando todas as posições à excepção da baliza e frente de ataque.
Foi até bem recentemente recordista de jogos europeus (77), sendo superado apenas por Luisão (127). Percebe-se, então, a eterna gratidão que lhe devem os adeptos do SL Benfica. Pena que o instante determinante do confronto com Van Breukelen, guarda-redes holandês, tenha ficado como dívida perpétua de um homem que tudo deu em prol da instituição.

3. Minervino Pietra (1976-86) – Lateral-esquerdo de origem, foi mais um polivalente de prestígio que se afirmou na Luz como um dos melhores laterais portugueses. Irreverente na chegada à frente, tinha técnica suficiente para se evidenciar no último terço.
Como ficou demonstrado na eliminatória frente ao Copenhaga, na Taça dos Campeões de 77-78: 1-0 cá, 0-1 lá, dois tentos de sua autoria e a consagração internacional, que viria a completar-se na importância que teve no conjunto de 1982-83 que surpreendeu o continente ao chegar à final da Taça UEFA.
Era Pietra o dono da direita, formando com Carlos Manuel grande dupla naquele corredor. O percurso na Seleção (28 jogos) fica marcado pelo afastamento da fase final do Euro84, quando tinha cumprido praticamente toda a qualificação a titular, “numa altura em que estava com as faculdades intactas”.
Jogou João Pinto (FC Porto) no seu lugar. Na Luz aguentaria mais dois anos, completando 314 jogos – seria expulso no último, contra o Belenenses, o seu antigo clube. Ironias de um destino que fez questão de nunca o afastar totalmente da causa encarnada.
Seria quase eterno colaborador do clube. Assumir-se-ia como adjunto de Rui Vitória. Com ele foi até ao fim, ajudando depois na introdução de Bruno Lage e continuando, até hoje, como ponto de ligação entre os valores benfiquistas e a equipa principal.

4. Mário João (1957-63) – Chegado ao SL Benfica vindo da CUF, em sentido inverso do veterano Arsénio, Mário João tinha-se evidenciado na margem Sul como interessante avançado.
Foi assim que se encaixou na equipa principal do SL Benfica até chegar Bela Gutmann, em 59, e discernir nele um preponderante e polivalente elemento da retaguarda: no meio ou á direita, como na segunda final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, onde secou Gento e ajudou a acalmar Puskas após o intervalo.
Campeoníssimo e feito Comendador por Américo Tomás, teve que optar no final da época entre a Luz e o regresso à CUF: no Barreiro tinha emprego garantido, ficando a ganhar mais na fábrica do que no clube campeão da Europa! Além, claro, da importante questão da reforma. Tempos que já lá vão.
Feitas as contas, cinco anos, dois campeonatos, duas Taças dos Campeões, duas Taças de Portugal.

5. Francisco Moreira, o Pai Natal (1944-54) – 270 jogos distribuídos por dez épocas. Nada mau, certo? Melhor fica se atentarmos que nasceu em 1915 – chega ao SL Benfica, então, já com uns maduros 29 anos, cumprindo carreira até aos 39, numa longevidade admirável e que mete em causa o compromisso de tantos outros.
Se Francisco tem chegado ao SL Benfica mais cedo, certamente figuraria ainda hoje no top dez dos mais assíduos da sua história. Ao peso da sua contribuição ímpar, a assinatura em momentos capitais do período pré-conquista europeias.
Ora bem, vejamos: foi titular nos 8-2 da inauguração do Estádio das Antas, na melhor vitória de sempre frente ao FC Porto; estava presente nos 13-1 à Sanjoanense, a maior goleada do SL Benfica no Campeonato Nacional.
Participou, ao ritmo de poucos, na maratona em pleno Jamor que resultou na Taça Latina. No périplo do tetra de Taças de Portugal (49-53), era já um dos líderes do conjunto que cumpriu com o Sporting CP uma das melhores finais de sempre (a de 1952, no 5-4 que Rogério Pipi decidiu em cima dos noventa) e do que, no ano seguinte, voltou a esmagar o FC Porto, desta vez por 5-0.
Tão incansável era, à lateral ou ao meio, na intermediária de onde regia toda a construção encarnada, que os colegas de seleção, sportinguistas, se metiam com ele alcunhando-o de “Pai Natal”. Colou na massa adepta. “Diziam que eu era velho, mas ninguém passava por mim”, explicou Francisco, algum tempo depois."

Fever Pitch: Rivais...

João Almeida é um prazer cheio de dor irracional


"Se há inevitabilidade que me incomoda é a poeira da memória e a sua indiferença, não a entendo, haverá neurocientistas com mente dedicada a estudar as manigâncias de outras mentes que o saibam explicar. Nunca serão os porquês extraídos de neurónios e massas cinzentas a soprarem todas as partículas de frustração que sinto por me lembrar das tardes de verão em que me sentava no chão da sala, mais perto da televisão, pernas cruzadas pelo espanto, sem me recordar do que o meu avô ia dizendo para seduzir os meus ouvidos, tanto quanto os olhos eram surripiados pela admiração do que estávamos a ver.
Quando a televisão ainda era uma caixa, a pessoa que genuinamente gostava de desporto e não apenas de me ver praticar desporto chegava lá a casa, sentava-se no cadeirão que lhe amparava os joelhos carcomidos por cirurgias e plantava-me a semente do ciclismo. Eram os verões da Volta a França, de Marco Pantani, Jan Ullrich, Alexander Vinokourov, Carlos Sastre e de Lance Armstrong, antes de o mundo cair com a fraqueza nos braços do americano que se encharcou em doping durante tantos anos, mas não aqueles, os das tardes a ver ciclismo com o meu avô.
Não lhe sei precisar as palavras, sei apenas que me explicava, com a voz grave e cheia de paciência, estarmos a presenciar homens em plena suportação do extraordinário. O meu avô vendia-o como das coisas mais admiráveis ao alcance de um humano — fazer mexer uma gerigonça de duas rodas apenas com a força das pernas e, com ela, escalar montanhas a pique. Há lugares onde a natureza não quis ter pessoas e esses sítios ficam nos picos do mundo, de outra forma não seriam assim, gargantuescos na ascensão e dilapidadores de corpos.
Há muitos anos que se foi a voz que era o meu desporto, felizmente ainda tivemos tempo para me dar, sobretudo para me ensinar, um gosto que é impossível de perder. Mas, sumido ele e aparecido o escândalo que foi saber que Armstrong era o imperador dos batoteiros, confesso ter virado um derrotado do ciclismo. Acabaram as tardes de Volta a França, a Itália ou a Espanha, o acompanhamento de genuíno interesse passou a interesseirice obrigatória devido à profissão, duas coisas que só voltaram a estar juntas quando um certo português apareceu.
Desconhecia João Almeida quando se adornou de rosa durante 15 dias, o ano passado. Foram duas semanas do Giro a ser liderado por um rapaz a pedalar no ano de estreia enquanto profissional e o inglês, idioma engenhoso, tem uma palavra para o que isto poderia ser: um fluke. Um acaso, as estrelas combinadas entre si para se alinharem. Mas não, o ciclista de A-dos-Francos voltou a Itália para acabar no 6.º lugar depois do 4.º de 2020, depois foi aos Jogos Olímpicos para uma 16.ª posição no contrarrelógio e no que restava deste verão ganhou duas voltas, primeiro à Polónia e, este sábado, ao Luxemburgo.
Portugal teve muitos ciclistas, o meu avô enchia-me o depósito do ideário da vida sobre dois pedais com histórias do que vira Joaquim Agostinho, o maior deles todos, fazer em França. O país continuará a ter ciclistas depois de João Almeida, mais almas cairão nesse caldeirão de dor suportada e sofrimento acumulado entre homem e máquina em que ele é o motor, o ano passado ouvi o ciclista que é dos arrabaldes das Caldas da Rainha dizer que "a dor física é tolerável, mas a mental é complicada", que quando termina a dos músculos e começa a do cérebro é que o corpo se ressente — "aí é que temos de ir além dos limites".
Agora que conquistou o Luxemburgo, o português disse não ser um super-herói, lamentando-se por não ser "possível responder a toda a gente" no alcatrão quando as pernas viram brasas de carvão e berram estridentemente para que lhes seja concedido algum descanso. João Almeida só tem 23 anos, na escala da vida é uma ninharia, mas estará opulento de saber o quão sofre um ciclista para pedalar até onde ele já foi, ainda por cima tendo os dotes de trepador já evidenciados e a queda pelas subidas íngremes que até fazem carros ficarem com os bofes de fora.
Não tive forma de perguntar a este já super-ciclista — que, no próximo domingo, voltará à estrada nos Mundiais de ciclismo — sobre o que leva alguém a abraçar tal sofrimento, a querer sofrê-lo e a prosperar com a dor, tão pouco tenho o meu avô por cá para me explicar as nuances de algo tão humano como só ele era capaz de me fazer entender, por isso questionei a única alma que conheço e sei que experimentou a sério o equilíbrio da vida em duas finas rodas. Sorte a minha e, arrisco, também a vossa, por ele ser também uma pessoa que tem um ralenti de clareza na escrita para que possamos, mesmo só com ligeiros arranhões, tentar perceber o que é pedalar sabendo que a estrada nos condena a uma provação dolorosa:
Há um prazer muito específico que é certamente irracional e disfuncional mas viciante e alucinante e que por isso mesmo é um prazer contraditório, porque é um prazer cheio de dor, dor que sabe bem quando a dor devia saber só a dor, achar que a dor tem sabor a mau ou sabor a bom é complexificá-la e romantizá-la em vão porque a dor é uma perda de tempo perante a possibilidade do prazer, o prazer esse sim deve ser aclamado nos seus sabores e escalas diferentes, por exemplo: podemos ter o prazer-medíocre e o prazer-satisfaz e o prazer-bom e o prazer-excelente e porque não o superprazer, eis uma escala possível de prazer, cada um de nós terá a sua escala e nunca é perda de tempo viver e sentir esses escalões do prazer.
Peço perdão por usar "escalões" que é linguagem de IRS mas isto do ciclismo, que é disto que aqui falo embora não o pareça, isto do ciclismo tem a sua contabilidade também, é feito de dois pedais e uma forqueta e ainda um guiador e também uma corrente, é feito ainda de manípulos de velocidades e de múltiplas combinações de andamentos, 52x11 ou 42x23, esta é matemática do ciclista, os ciclistas falam com estes números entre eles e não tente perceber isto porque ninguém entende mesmo os ciclistas, a boca deles sabe-lhes a sangue no final de um contra-relógio de 50 quilómetros sob temperaturas de 40.ºC ou enquanto sobem uma montanha com inclinações de 20% ou por centos maiores, ninguém os entende no sacrifício apocalíptico deles, nem eles porventura se entendem a eles mesmos quando se tentam superar continuamente nesse ato extravagante mas definitivamente poético que é serem os motores de si próprios, as pernas a fazer de gasolina e o coração a bombear óleo da melhor qualidade.
A BMW ou a Tesla têm excelentes veículos mas nenhum é tão corajoso nem sexy como os veículos de calção de licra e camisola justa que atingem 190 ou 195 pulsações por minuto — não porque querem, mas porque precisam, afinal é um prazer irracional e disfuncional mas viciante e alucinante: por mais absurda que seja a dor, e é porque dói tanto, o ciclismo é um exercício contínuo de autossuperação e por isso um exercício contínuo de amor à vida, é rejeitar que há limites ao que podemos fazer e conquistar, no fundo o ciclismo é a prática dessa belíssima ilusão humana que é a crença de que não há limites para o que podemos conquistar, portanto o ciclismo é uma metáfora do progresso e isso é superprazer."

O homem do almanaque


"John Wisden era tão pequenino que quem o via num campo de críquete desconfiava que andava a estudar para ser anão

Com apenas 1,62m, John Wisden, filho de um construtor civil que parecia, ele próprio, um edifício de betão armado, dava a sensação de que fazia os possíveis para aprender a ser anão. O pai tinha-lhe estima mas não o levava a sério. No meio de uma família abrutalhada, Wisden não parecia ter grande utilidade. Por isso, quando morreu, William, o pai, claro, não John, não houve tempo para lágrimas. Os tios viram-se livres do pequenote num abrir a fechar de olhos. De Brighton foi de cambulhada para Londres sob os auspiciosos generosos de um gentleman de posses, Thomax Box, que por acaso era, igualmente, além de um cavalheiro bondoso, um jogador excecional de críquete, considerado por muitos como o melhor wicketkeeper do seu tempo, que jogava o Marylebone Cricket Club, fazendo uma perninha, aqui e ali, nas seleções dos Condados de Surrey e Hampshire, e atuando com regularidade na seleção de Sussex, a sua terra natal.
Nesse jogo tão aborrecidamente britânico que é o críquete, de tal forma extenso que chega a meter uns intervalos para se escorropicharem uns chazinhos e um ou dois golos de brandy, old boy, um wicketkeeper tem a extrema responsabilidade de guardar, com risco da sua própria vida, if you know what I mean, aqueles três pauzinhos paralelos, reunidos por um travessão superior e qual podíamos chamar de balizas, se não soasse tão grotesco.
Pois bem, Box afeiçoou-se ao miúdo, apesar deste ter uns termos um bocado pacóvios. Tratou de fazer com ele o que Harry Higgins fez com Eliza Doolittle em Pigmalião, de George Bernard Shaw: tirou-lhe os tiques brejeiros de campónio e pô-lo a jogar críquete mal descobriu que o garoto possuía uma série de características físicas que o aconselhavam para o jogo. Era rápido como um laparoto e tinha uma mão esquerda de rara potência. Com somente dezasseis anos, estreou-se pelo condado de Sussex, um daqueles lugares onde estava destinado a ser feliz. O quase anão John Wisden pesava exatamente 44 quilos, quem o visse sentado ao lado de Tom Box, diria que não passava de um boneco de ventríloquo. O críquete tinha-se tornado de tal forma a sua vida que chegou a namorar a irmã de George Parr, conhecido como O Leão do Norte, um jogador de classe finíssima de Nottinghamshire, embora a boda não se tenha realizado por ausência da noiva que, de forma bastante incomodativa, resolveu, com uma total respeito pela própria saúde, morrer na véspera do acontecimento. Pode ter sido sem intenção, mas tornou-se particularmente rude, até porque Wisdon parece que estava sinceramente embeiçado por ela.
The Little Wonder, como lhe chamavam, ainda se manteve mais uns anos no topo do críquete, realizou com o amigo Parr umas incursões à América do Norte, a locais como Montreal, Hoboken, Philadelphia, Hamilton e Rochester, incluídos na equipa do Condado de Middlsex e obtendo vitórias memoráveis. Entretanto, o críquete mudava a sua face e começou a exigir outro tipo de atributos físicos que o pequeno Wisden decididamente não possuía.
John podia ser praticamente anão, mas era um fulano esperto, fino como um alho. Não esperou quieto que o críquete o pusesse fora dos campos. Antecipou-se. A meias com o seu amigo e empresário Fred Lillywhite, abriu, revolucionariamente, uma loja de material de críquete, em Leamington Spa, em 1850. três anos mais tarde, a loja ganhou o nome de Cricket and Cigar, um local muito ao gosto dos cavalheiros londrinos e abriu um pub de nome Cricketeers.
Em 1863, apenas com 37 anos, atacado por brutais espasmos de reumatismo, deixou definitivamente os tacos e lançou-se numa atividade que lhe garantiria fama para lá da morte ao publicar o Wisden Cricketers’ Almanack, uma publicação anual na qual todos podiam ficar a saber tudo sobre que jogador quisessem. Imagina-se facilmente o impacto desta revista pelos grandes adeptos do jogo. Tão grande, aliás, que a revista ainda existe e é um sucesso de vendas. O Wisden, como é conhecido, é tão pormenorizado que se estende por cerca de 1500 páginas (preço de 60 Libras), sempre com a capa amarela que John escolheu. E é a publicação mais antiga do mundo a ser a sair continuadamente.
A cabeça do pequenino John fervilhava de ideias até que um maldito cancro lhe invadiu o cérebro aos 57 anos. Muitos que nunca deixam de comprar o seu almanaque todos os anos, continuam sem saber quem ele foi. O tempo atraiçoa a memória dos homens. O que vale é que temos sempre à mão um almanaque qualquer que nos põe na pista dos desconhecidos. É só folheá-lo e estaremos na posse dos dados que nos faltam. Graças, por exemplo, a alguns homens pequeninos em centímetros mas que não perdem muito tempo a desafiar as leis da física. Como foi o caso de John Wisden. Fico curioso em saber que altura deu a si próprio no lugar onde está arrumada a sua ficha."

Karate-Do: Novos ventos federativos... novas velas?


"Eleições federativas aproximam-se. Nuno Dias é candidato a Presidente da Federação Nacional de Karate – Portugal. Licenciado em Ciências da Comunicação, Vice-Presidente da A. G. da Sport Evolution Alliance, Vice-Presidente da Associação Portuguesa de Karate Shukokai, treinador e possuidor de um currículo com mais de uma dezena e meia de títulos de campeão nacional e quase uma dezena de títulos de campeão mundial do seu estilo, não há quem o não conheça dentro da modalidade. Um encontro casual deu-nos a oportunidade de conhecer melhor as suas ideias assim como da equipa que lidera.
Assim, começou por nos dizer que o Karate só se pode afirmar no panorama nacional com “transparência e progresso”, o que passa pela criação de uma plataforma ‘online’ onde todas as associações, clubes, praticantes e pais de praticantes menores possam aceder a toda a informação, quer seja sobre actas de assembleias gerais, quotizações federativas, seguros, inscrição em provas ou em formações, calendários de eventos, convocatórias para a selecção nacional, formação de treinadores e árbitros e tudo o mais que diga respeito ao Karate. “Transparência e progresso” que passam no aspecto administrativo pela profissionalização de uma secretaria funcionando oito horas por dia e onde um e-mail tenha uma resposta em 24 horas… por uma justificação da quota que o praticante paga – um cartão de federado que possibilite a existência de benefícios para o mesmo baseados no estabelecimento de protocolos e parcerias com empresas, assim como a possibilidade de se organizarem eventos não só para competidores mas também para todos aqueles que não fazem competição quer seja por opção quer seja por terem já terminado a sua carreira desportiva (podendo por exemplo o seguro do não-competidor ter um custo diferente do custo do seguro do competidor). “Transparência e progresso” no campo desportivo com uma Federação que ofereça um Karate de todos para todos, onde a representação nacional tem um peso mas onde também haja oferta para quem não faz competição, quer seja no campo do aperfeiçoamento técnico com diferentes técnicos e actividades variadas quer seja no campo da formação com conteúdos diversificados, quer ainda no campo da realização de outros eventos adaptados à especificidade do público-alvo.
Numa lista em que estão presentes nomes com Paulo Vilela de Azevedo, Rui Inácio e Nuno Moreira, a mesma aposta no resgate do Karate-do tradicional tendo já mecanismos próprios que definirão uma estratégia que criará um dinamismo para quem não se dedica à competição, estando projectada a existência de um departamento que poderá vir a ser designado como Departamento de “Karate-do marcial” ou de “Karate-do tradicional” que, em conjunto com o Departamento de Formação, reunirá com os Directores Técnicos das diferentes associações a fim de se ter um ‘feedback’ a nível nacional das necessidades prementes de todos os praticantes. Este será o ponto de partida para a formação de uma equipa multidisciplinar reunindo treinadores e técnicos com competências dentro de cada domínio. Nuno Dias afirma que é necessário trazer para a Federação muitos daqueles que não se encontram federados, mas “a Federação tem de oferecer algo – no campo técnico, no campo social, no campo formativo. Para conseguirmos coisas, temos de oferecer coisas. Ao oferecermos coisas e ao conseguirmos coisas criamos uma interacção que validará o progresso da modalidade.”
O Departamento de Formação não se limitará só à organização de cursos de formação de treinadores e acções de formação (estão já montados cursos de treinadores de grau I, grau II e grau III, assim como acções de formação em todas as regiões do país). É necessário incluir o Karate no Desporto Escolar, é necessário estabelecer protocolos com as escolas e com a comunidade, é necessário transformar o Karate numa actividade formativa. A oferta de realizações para crianças, jovens, adultos e idosos é uma realidade no horizonte deste candidato à Presidência da FNK-P. Pode-se e deve-se aumentar o número de formadores, dando oportunidade a mais formadores e existindo uma maior diversidade de especialistas. O aumento da oferta de formação determinará o aumento da procura da mesma. A implementação de um programa estratégico subordinado a um novo modelo levará a um progresso na prática desportiva…
Em relação ao Departamento de Provas e Eventos, Nuno Dias afirmou-nos que se torna crucial realizar mais provas, mas mais curtas no tempo e mais espalhadas pelo território nacional. “Defendemos reduzir a dimensão de cada prova e aumentar a sua qualidade ao mesmo tempo que as fazemos alastrar geograficamente. É premente a criação de um circuito a nível nacional tal como a criação de um ‘ranking’ de atletas. O ‘ranking’ é um indicador e não um limitador. Só assim será possível que a tarefa deste departamento entronque na tarefa do Departamento de Selecções.” As selecções nacionais terão condições para de facto serem selecções nacionais (já existem parcerias programadas), sendo criadas condições para um planeamento antecipado de treinos e de convocatórias baseadas num ‘ranking’. “Este será um processo que implicará a chamada dos treinadores dos selecionados à equipa, dado serem estes que melhor que ninguém conhecem os competidores” declarou-nos Nuno Dias. “A existência de um seleccionador nacional e de seleccionadores regionais implica um diálogo constante e aberto com os treinadores a fim de se realizar um trabalho em conjunto. É primordial uma linha aberta que inclua os treinadores dos clubes e das associações. A individualidade biológica, psicológica e técnica de cada competidor são únicas, devendo-se aumentar os pontos fortes de cada um e diminuir os seus pontos fracos.” A presença e a colaboração dos árbitros nos treinos das selecções também é uma questão essencial para a lista liderada por Nuno Dias, tendo um ponto de apoio no Conselho de Arbitragem.
Nuno Dias revelou-nos ainda que atletas de elite só poderão evoluir treinando e rodando com atletas de elite e para isso já possui pré-acordos com países como a França, a Espanha e o Luxemburgo, ao mesmo tempo que se propõe contribuir para um maior desenvolvimento do Karate em países como Cabo Verde e Angola.
Um Departamento dedicado à comunicação e ao ‘marketing’ terá como missão transformar a imagem da modalidade perante a comunidade. Projectos de apresentação do Karate como uma actividade promotora de saúde e bem-estar, projectos de inclusão social e de desenvolvimento do Para-Karate também já se encontram identificados no seu programa, tal como a programação de iniciativas envolvendo a colaboração de Universidades e pólos de investigação. A relação com a comunicação social terá de ser mais estreita – inclusivamente aposta no convite a jornalistas para acompanharem os diversos eventos – e mais incisiva para se passar ao público em geral uma outra imagem da modalidade. Está já elaborado um plano de ‘marketing’ e de comunicação em que o principal objectivo é “criar uma imagem que englobe o Karate em geral” nas suas diferentes facetas.
E Nuno Dias deixou-nos algumas questões – para as quais a sua lista possui resposta – que considera fundamentais. Por que não conciliar, com sucesso, a actividade escolar com a prática desportiva de alunos/atletas rentabilizando as Unidades de Apoio ao Alto Rendimento? A carreira dual treino/ensino não pode e não deve ser optimizada? Se há Câmaras Municipais que pagam as inscrições nas federações a atletas de outras modalidades, por que não no Karate? Por que motivos é tão baixa a frequência de jovens praticantes femininas no Karate? (repare-se que nos J. O. de Tóquio 2020 a média de idade das competidoras em Kata era de 30 anos e a vencedora da medalha de ouro tinha 39 anos). Por que motivos não se realizam outros eventos para além dos competitivos direccionados às crianças?
Por último, Nuno Dias referiu a faceta política de uma federação: um estreito relacionamento com a tutela, principalmente o IPDJ, e com as Câmaras Municipais. Eventos com visibilidade a nível social e educativo – que sejam inclusivos, que sejam ecológicos – serão relevantes para beneficiarem a comunidade. Isto só se consegue com o estabelecimento de protocolos e parcerias com as entidades oficiais e com actores económicos do meio envolvente. Defendendo uma Federação auto-sustentável, Nuno Dias realçou que “não se pode contar só com o dinheiro proveniente do Estado, das associações ou dos praticantes, pois há inúmeras outras possibilidades de rentabilização económica e que até nem passam por receber dinheiro de ‘sponsors’, tais como a oferta de serviços, o apoio em equipamentos físicos ou em transportes e até em recursos humanos. Isso implica elaborar planos estratégicos, estabelecer acordos… Certo é que terá de ser um processo transparente…”
Para terminar, colocámos uma questão directa a Nuno Dias: “ – as quotizações das associações, que de provisórias inicialmente passaram a definitivas ao longo dos anos e que representam um valor avultado, irão manter-se?” A resposta também foi directa: “– A nossa intenção aponta para um «não». Iremos reunir com clubes e associações a fim de estudarmos o melhor modelo mas já temos uma proposta para uma redução de valores de modo a que o mesmo seja proporcional ao número de praticantes de cada associação. Temos clubes e associações com 20 ou 30 praticantes, como podem pagar o mesmo dos que possuem 500 ou 600 praticantes?”
O que nos ficou desta troca de impressões? A existência de um plano, de uma equipa, a constatação de muito trabalho já realizado e programado com objectivos traçados bem claros e específicos, a noção de transparência e de progresso, mas também a noção de liderança, de gestão e de comunicação.
Eleições federativas aproximam-se. Tal como diz o povo, “conforme sopra o vento assim se iça a vela”…"

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Treino...

15 anos de Benfica Campus


"Quando, há década e meia, o Benfica Campus foi inaugurado, suprindo assim a lacuna existente desde o início da construção do novo Estádio da Luz anos antes, a excelência e modernidade das novas instalações impressionaram.
No entanto, foi a filosofia anunciada, que para muitos não passava de palavras vãs, que mais expectativas gerou.
Sim, o Sport Lisboa e Benfica passaria a deter uma infraestrutura vanguardista que rivalizava com as melhores a nível mundial, mas a estratégia preconizada extravasava o mero centro de treinos.
Considerou-se então que as instalações, mesmo sendo topo de gama, seriam o mínimo exigível. A complementá-las era implementada uma visão que potenciaria a capacidade desportiva do clube e contribuiria decisivamente para a sua recuperação económica e financeira.
O investimento em recursos humanos, técnicos, tecnológicos e metodologias foi muito significativo e em consonância com o ambicioso plano assumido publicamente. Em todas as decisões imperou sempre o sentido de inovação, uma caraterística nunca abandonada, e a procura constante do cumprimento do desafio de estabelecer o Benfica como uma referência no domínio da formação.
Acresce a criação das escolinhas do Benfica e dos centros de formação e treino do clube espalhados pelo País, essenciais para o recrutamento de talento, além da recente expansão para outros pontos do globo, como é o caso de Kiev, onde Simão, Valdo e Rui Águas marcaram presença na semana passada.
Os resultados estão à vista e são refletidos nos mais diversos indicadores, sucedendo-se os prémios, distinções e peças jornalísticas na comunicação social internacional sobre o Benfica Campus.
Desde logo os muitos atletas formados no Benfica, cujo contributo se revelou fundamental para o sucesso desportivo benfiquista, nomeadamente o feito inédito do Tetracampeonato.
Mas também a extraordinária evolução da situação económica e financeira, em que os capitais próprios da SAD são, no presente, amplamente positivos, superando, inclusivamente, o capital social. O ativo atinge valores outrora inimagináveis (acima dos 500 milhões de euros pela primeira vez) e o passivo foi reduzido a montantes em linha com a fundamental sustentabilidade das contas, em particular o quase inexistente endividamento bancário.
Hoje são vários os jogadores “Made in Benfica” a brilharem na alta roda do futebol europeu, no Benfica e noutros dos grandes clubes europeus, a seleção nacional conta, habitualmente, com uma maioria de futebolistas formados no Benfica e já se tornou norma, nas seleções jovens, o Benfica ser o clube mais representado nas convocatórias, comprovando assim a preservação dos níveis de qualidade atingidos.
O Benfica Campus e o trabalho desenvolvido na última década e meia são motivo de enorme orgulho para os benfiquistas e merece, indubitavelmente, o reconhecimento de todos os que estão atentos ao fenómeno futebolístico.
Esta é uma marca indelével do Benfica dos tempos presentes, sabendo-se que certamente continuará a sê-lo no futuro.

P:S.: A BTV tem, ao longo do dia, dedicado a programação ao 15.º aniversário do Benfica Campus. São muitas as entrevistas aos mais diversos protagonistas relacionados com o Benfica Campus e o futebol de formação benfiquista. No período da tarde, destaque para a conversa com Luisão, antigo jogador e agora diretor técnico (14h00), com os futebolistas do plantel sénior Gonçalo Ramos, Ferro e Paulo Bernardo (15h00), com Simão Sabrosa, ex-jogador e no presente diretor das relações internacionais (18h00), José Henrique, glória benfiquista e team manager na formação (18h20) e, às 19h00, com Rui Costa, Presidente do Sport Lisboa e Benfica."

Yaremchuk – Darwin: Licença para matar


"Um é ultra veloz, o outro não o sendo tem a particularidade de sair sempre no timing certo, e com isso também ganha vantagem espacial.
As diagonais para fora de um enquanto o outro acelera na direção da baliza, chegando primeiro que linhas defensivas que vinham altas a recuperar espaço, prometem deixar mossa em Portugal.
Na Luz, uma série de lances que Yaremchuk ganha vantagem na profundidade, podendo servir Darwin que pela sua passada veloz chegou sempre primeiro que todos os defesas contrários para poder finalizar sem oposição – Tal como no golo que Rafa o assistiu.
O ataque do Benfica ainda à procura de entrosamento, vai prometendo espalhar o terror nas defesas contrárias."

Ora dá cá um que a seguir eu dou outro


"O FC Porto vendeu dois jovens jogadores ao V. Guimarães por um valor total de €15 milhões. Os valores constam do Relatório e Contas 2020/21 da SAD do Vitória de Guimarães, contudo, estes podem ser valores de supermercado e que apenas têm como objetivo camuflar as verdadeiras contas de ambos os clubes e lavar dinheiro.
Passamos a explicar o porquê:
Ora, até 30 de junho de 2021, o Vitória de Guimarães compra Francisco Ribeiro e Rafael Pereira ao FC Porto, por valores a rondar os 15 milhões milhões de euros. De seguida, o FC Porto compra Romain Correia, central de 22 anos, e João Mendes, lateral-esquerdo de 21 anos, ao Vitória de Guimarães, sendo que a compra terá sido feita depois de 1 de julho deste ano. Nem o FC Porto nem o Vitória de Guimarães anunciaram os valores destas transferências, no entanto, sabemos que alegadamente terão sido valores a rondar os mesmos 15 milhões de euros.

O Vitória de Guimarães "encaixa", assim, €15 milhões e reduz os prejuízos de €23 milhões negativos para €8 milhões negativos no R&C, e o FC Porto "recebe" outros €15 milhões, que ajudaram a pagar os salários do começo da nova temporada, contornando, desta forma, o fair play financeiro. Isto acontece precisamente após o Wolverhampton falhar a contratação de Vitinha por €20 milhões, que o FC Porto esperava vender.
De realçar que o ativo do V. Guimarães subiu dos 27,86 milhões de euros para os €57,85 milhões, enquanto o passivo cresceu de €23,45 milhões para €61,68 milhões. Significa isto que o capital próprio da SAD, positivo em 4,4 milhões de euros em 2019/20, é agora negativo em €3,8 milhões.
Para finalizar, antes da pandemia os vitorianos pagavam €1 milhão a €2 milhões no máximo por cada jogador para a equipa A e jamais tinham excedido esses valores. Agora "gastaram" - em dinheiro do jogo Monopólio - €11 milhões num e €4 milhões noutro para a equipa B.
Que bela lavandaria. Nós não acreditamos em bruxas, mas que elas existem, existem. E servem para contornar as exigências da UEFA relativas ao fair play financeiro."

Benfica FM #169 - Kiev & Boavista...

BnR: 🔴 O Futuro do SL Benfica 🦅

O Cantinho Benfiquista #63 - The Perfect Start Continues

Benfica After 90: Boavista...

Bello: Boavista...

Falar Benfica #29

Democratizar a prática desportiva


"Com a crise sanitária provocada pela Covid-19 a partir da primavera de 2020, vários entraves foram colocados na prática desportiva dos portugueses e das portuguesas. Com diversos impasses e fragilidades no plano económico e financeiro, a prática desportiva requer uma profunda mudança.
Esta constatação vale para o desporto profissional, dolorosamente fragilizado no seu conjunto pela falta de recursos de bilheteira e de patrocínios. E vale também para o desporto amador. As várias disciplinas viram a perda de aderentes. Muitas razões podem explicar este “afundamento”, inédito na frequência dos clubes, associações e recintos desportivos: em primeiro lugar, o medo e as contingências sanitárias; em segundo lugar, a emergência de novas práticas individuais e coletivas, e a evolução das perspetivas dos atores do movimento desportivo.
Face às ameaças de “afundamento”, os poderes públicos tomaram um conjunto de medidas ditadas pela urgência. Trata-se de preservar a existência do tecido económico e associativo que importa na vida quotidiana do país. Se a realidade nos mostra o perigo da sedentarização, as estatísticas internacionais desportivas escondem as desigualdades significativas entre os públicos e as zonas geográficas.
Os portugueses adotam cada vez mais práticas individualistas, mais livres e mais flexíveis, viradas para o lazer e para a saúde. A democratização da prática desportiva em Portugal pressupõe impulsionar a governância das federações, permitindo a cada uma a possibilidade de assumir as suas responsabilidades. É também pedra de toque a ética e o respeito de regras, garantindo a integridade moral e física dos praticantes."

terça-feira, 21 de setembro de 2021

Lixívia 6


Tabela Anti-Lixívia
Benfica.............18 (0) = 18
Sporting...........14 (+1) = 13
Corruptos.......14 (+3) = 11

Mais uma semana, e mais um acontecimento 'estranho': um lance 'duvidoso' na área do Benfica, e nem o árbitro nem o VAR 'aproveitaram' para penalizar o Benfica! Suspeito que o Macron e o Vasco Santos vão para a jarra, na próxima jornada... tal como aconteceu com os árbitros do último Santa Clara - Benfica!!!

Isto, quando nos outros campos, os erros sucedem-se, e ninguém vai para a jarra!
O meu vizinho Nobre, no Dragay resolveu fechar os olhos a duas penalidades contra os Corruptos, só na 1.ª parte:
- o empurrão do Wendell é claro, não está a disputar a bola, somente empurra quando o adversário tenta saltar (tal como aconteceu na 2.ª parte, sobre o Marcano... mas nessa altura, estava 4-0 e já não era necessário)!!!
- no segundo, o Rafael Martins, é autenticamente arrancado pela raiz, pelo Marcano! Carrinho nas costas do avançado do Moreirense, que só não toca na bola, porque é derrubado... e em vários órgãos de comunicação social, este lance, nem sequer foi analisado!!!
O 1.º penalty seria 0-1 para o Moreirense, no segundo seria o 1-1, mesmo antes do intervalo...
Recordo que o VAR deste jogo, foi o Luís Ferreira, talvez, o mais corrupto de todos os corruptos!!!

Na Amoreira, jogo engraçado, decidido por um penalty...
Por acaso, inicialmente não duvidei da falta, mas ontem, a CMTV (útil pela primeira vez), chamou a atenção, para o lance do penalty, e de facto, em slow motion, é clara: o Paulinho antecipou o contacto com o guarda-redes, e em vez de se deixar ser rasteirado, levanta o pé, e dá uma autêntica patada, com os pitõns, no guarda-redes adversário... Penalty, numa falta que deveria ter sido assinalada ao contrário!!!


Destaque ainda, a agressão do Neto que passou em claro, antes do intervalo...
Ainda na 1.ª parte, existe um lance (24m), com dois possíveis penalty's na área do Sporting, mas não consegui ver as repetições!!!

Na Luz, jogo 'normal', Boavisteiros, a dar porrada a tudo o que mexe, e cartões 'desaparecidos'! A não expulsão do Musa é escandalosa... E reparem que estamos a falar do avançado do Boavista! Um caceteiro em todas as 'classificações'!!!

Mas o lance, mais (ou menos) importante, foi o possível penalty do Otamendi: inicialmente não me pareceu falta, mas depois de rever as repetições, acho que existe falta! O contacto dá-se com os joelhos, dos dois jogadores!
O lance é muito complicado de analisar 'ao vivo', pois o Otamendi acaba por 'cortar' a bola, e com o protocolo do VAR a exigir que a intervenção do VAR seja feita só em casos inequívocos, o VAR acabou por fazer bem não intervir, mas era penalty... seria o 2-2, com o Benfica a marcar o terceiro logo a seguir!


Anexos (I):
Benfica
1.ª-Moreirense(f), V(1-2), V. Ferreira(Godinho), Prejudicados, Sem influência
2.ª-Arouca(c), V(2-0), Mota(Malheiro), Prejudicados, (3-0), Sem influência
3.ª-Gil Vicente(f), V(0-2), Almeida(Nobre), Prejudicados, (0-3), Sem influência
4.ª-Tondela(c), V(2-1), Martins(Hugo), Prejudicados, (4-1), Sem influência
5.ª-Santa Clara(f), V(0-5), Rui Costa(Soares Dias), Beneficiados, (1-5), Impossível contabilizar
6.ª-Boavista(c), V(3-1), Hugo(Vasco Santos), Prejudicados, Beneficiados, (3-2), Impossível contabilizar

Sporting
1.ª-Vizela(c), V(3-0), Nobre(Almeida), Beneficiados, Sem influência
2.ª-Braga(f), V(1-2), Godinho(Miguel), Nada a assinalar
3.ª-B Sad(c), V(2-0), M. Oliveira(V. Santos), Nada a assinalar
4.ª-Famalicão(f), E(1-1), Veríssimo(Godinho), Beneficiados, (1-0), (+1 ponto)
5.ª-Corruptos(c), E(1-1), Almeida(Pinheiro), Prejudicados, Beneficiados, (3-1), (-2 pontos)
6.ª-Estoril(f), V(0-1), Martins(Esteves), Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)

Corruptos
1.ª-B Sad(c), V(2-0), Correia(Mota), Nada a assinalar
2ª-Famalicão(f), V(1-2), Almeida(Narciso), Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
3.ª-Marítimo(f), E(1-1), Pinheiro(Rui Costa), Nada a assinalar
4.ª-Arouca(c), V(3-0), Malheiro(L. Ferreira), Beneficiados, (2-1), Impossível contabilizar
5.ª-Sporting(f), E(1-1), Almeida(Pinheiro), Beneficiados, Prejudicados, (3-1), (+1 ponto)
6.ª-Moreirense(c), V(5-0), Nobre(L. Ferreira), Beneficiados, Prejudicados, (6-1), Impossível contabilizar

Anexos (II):
Com influência (árbitros ou Var's):
Benfica
(...)

Sporting
Martins - +2
Esteves - +2
Veríssimo - +1
Godinho - +1
Almeida - -2
Pinheiro - -2

Corruptos
Almeida - +3
Narciso - +2
Pinheiro - +1

Anexos(III):
Árbitros:
Benfica
V. Ferreira - 1
Mota - 1
Almeida - 1
Martins - 1
Rui Costa - 1
Hugo - 1

Sporting
Nobre - 1
Godinho - 1
M. Oliveira - 1
Veríssimo - 1
Almeida - 1
Martins -1

Corruptos
Almeida - 2
Correia - 1
Pinheiro - 1
Malheiro - 1
Nobre - 1

VAR's:
Benfica
Godinho - 1
Malheiro - 1
Nobre - 1
Hugo - 1
Soares Dias - 1
V. Santos - 1

Sporting
Almeida - 1
Miguel - 1
V. Santos - 1
Godinho - 1
Pinheiro - 1
Esteves - 1

Corruptos
L. Ferreira - 2
Mota - 1
Narciso - 1
Rui Costa - 1
Pinheiro - 1

Jogos Fora de Casa (árbitros + VAR's)
Benfica
V. Ferreira - 1 + 0 = 1
Almeida - 1 + 0 = 1
Rui Costa - 1 + 0 = 1
Godinho - 0 + 1 = 1
Nobre - 0 + 1 = 1
Soares Dias - 0 + 1 = 1

Sporting
Godinho - 1 + 1 = 2
Veríssimo - 1 + 0 = 1
Martins - 1 + 0 = 1
Miguel - 0 + 1 = 1
Esteves - 0 + 1 = 1

Corruptos
Almeida - 2 + 0 = 2
Pinheiro - 1 + 1 = 2
Narciso - 0 + 1 = 1
Rui Costa - 0 + 1 = 1

Totais (árbitros + VAR's):
Benfica
Hugo - 1 + 1 = 2
V. Ferreira - 1 + 0 = 1
Mota - 1 + 0 = 1
Almeida - 1 + 0 = 1
Martins - 1 + 0 = 1
Rui Costa - 1 + 0 = 1
Godinho - 0 + 1 = 1
Malheiro - 0 + 1 = 1
Nobre - 0 + 1 = 1
Soares Dias - 0 + 1 = 1
V. Santos - 0 + 1 = 1

Sporting
Godinho - 1 + 1 = 2
Almeida - 1 + 1 = 2
Nobre - 1 + 0 = 1
M. Oliveira - 1 + 0 = 1
Veríssimo - 1 + 0 = 1
Martins - 1 + 0 = 1
Miguel - 0 + 1 = 1
V. Santos - 0 + 1 = 1
Pinheiro - 0 + 1 = 1
Esteves - 0 + 1 = 1

Corruptos
Almeida - 2 + 0 = 2
Pinheiro - 1 + 1 = 2
L. Ferreira - 0 + 2 = 2
Correia - 1 + 0 = 1
Malheiro - 1 + 0 = 1
Nobre - 1 + 0 = 1
Mota - 0 + 1 = 1
Narciso - 0 + 1 = 1
Rui Costa - 0 + 1 = 1

Anexos(IV):
Jornadas anteriores:

Anexos(V):
Épocas anteriores:

Empate promissor...

Rhein-Neckar 31 - 31 Benfica
(15-16)

Grande jogo, que merecia uma vitória, que só não foi conseguida, porque os apitadeiros não quiseram, então na recta final, foi vergonhoso!
Tudo em aberto para a 2.ª mão, mas recordo que já vencemos na Alemanha, na 1.ª mão, e depois fomos eliminados na 2.ª mão, na Luz! Temos que repetir a exibição e esperar que os apitadeiros não sejam os mesmos!!!

Bastidores: Boavista...

Liderança


"“Em cada jogo nota-se que estamos mais fortes”, notou Jorge Jesus, referindo-se ao início de temporada da nossa equipa após conseguir a sexta vitória consecutiva para o Campeonato, um pleno de triunfos desde que a prova teve início.
O excelente momento do Benfica, patenteado na qualidade exibicional, quer defensiva, quer ofensivamente, e alicerçado nos resultados, não passa, no entanto, de um mero sinal positivo para a presente temporada.
Vivemos uma fase prematura da época e tudo está ainda por disputar. 18 pontos somados nas seis primeiras jornadas trata-se de um registo assinalável, mas que vale unicamente por si só. Esta é apenas a sétima vez que o Benfica venceu nas seis jornadas iniciais (pela primeira vez com um treinador português ao leme da equipa), o que não acontecia desde 1982/83, mas ainda não se chegou sequer a um quinto da competição, pelo que muito haverá a fazer para atingirmos o objetivo a que nos propomos.
Começa a vingar uma corrente de opinião, nomeadamente entre aqueles disfarçada ou indisfarçadamente afetos a outros emblemas que não o benfiquista, de que esta época será um passeio para a nossa equipa.
Desenganem-se, porém, se acham que nos iludiremos ou que nos deixaremos levar pelo canto da sereia. A filosofia “jogo a jogo” está bem enraizada na equipa. Como disse Jorge Jesus sobre as seis vitórias conseguidas, “é um bom sinal, vamos trabalhar para a sétima”.
O triunfo, ontem, por 3-1, ante o Boavista foi inteiramente justo. Não obstante a boa réplica adversária, a qual merece ser realçada, o Benfica foi sempre mais forte. Para Jorge Jesus, “os primeiros 45 minutos foram melhores que os últimos”, fruto da “grande qualidade de jogo” na primeira metade. 
Darwin, que já bisara na anterior jornada, voltou a marcar dois golos, e Weigl foi o autor do outro golo benfiquista numa partida em que o alemão cumpriu o 50.º jogo de águia ao peito no Campeonato (nota também para os 50 jogos oficiais na equipa de honra de Diogo Gonçalves e Vertonghen).
O jovem uruguaio, considerado o homem do jogo pela generalidade dos analistas, mostrou contentamento pelo seu desempenho na partida, mas preferiu realçar o trabalho coletivo: “Fizemos um grande jogo para levar os três pontos”. E relembrou que “o Campeonato é muito longo, ainda agora começou. Vamos continuar a trabalhar jogo a jogo para ver se no final da época conseguimos o objetivo”.
O enfoque da equipa está agora colocado na próxima partida, que terá lugar em Guimarães ante um sempre aguerrido Vitória. Esperam-se dificuldades, é hora de trabalhar para tentar superá-las.
Vamos, Benfica!"

Malabarismos !!!


""Prendam-nos. Enquanto não os prenderem isto vai continuar a ser a palhaçada de sempre", Francisco J. Marques.

CC AnaGomes2021"

Ponto da situação:


"Seguimos juntos. Desde Eriksson, na época 82-83, que não tínhamos um início de época tão bom.
Benfica, dá-nos o 38! 🔴"

Modelo de jogo encarnado cresce sob vitórias. E uma variante…


"Mantendo os três centrais, cada vez mais o seu sistema preferencial, Jesus optou hoje por uma diferente nuance posicional que procurou trazer variabilidade ao ataque posicional dos encarnados mas também, mais presença e criatividade ao corredor central.
Para tal, trouxe Rafa para dentro, de perfil com João Mário. Os dois formaram um triângulo com Weigl, sendo o alemão o seu vértice mais recuado.
Se Rafa procurava movimentos centro esquerda, Darwin procurava o oposto, da esquerda para o meio. Foi assim, alías, que atacou o espaço central para inaugurar o placar e bisar na partida, com a respetiva diagonal exterior de Rafa, a atacar as costas do lateral.
Nota menos positiva para Yaremchuk. o ponta– de-lança ucraniano pareceu um peixe fora de água no modelo encarnado. Se por um lado, revela melhor capacidade associativa e jogo em apoio quando comparado com Darwin, não tem na velocidade uma arma, o que lhe dificulta responder a propósito quando é solicitado em profundidade.
Nota de destaque para linha de três defesas encarnada que foi, mais uma vez o baluarte da segurança, só traída por um erro individual de Weigl. Mas hoje, mais do que destaque para a solidez defensiva do trio, importa ressaltar a importância ofensiva de um elemento em particular, Lucas: o brasileiro foi, recorrentemente, o primeiro a causar dano na estrutura defensiva adversária. Foram muitas as vezes que colocou Rafa em posição de agredir o bloco adversário, uma delas deu golo.

Homem do Jogo
Se é verdade que João Mário não sabe jogar mal, também é verdade que surge cada vez mais adaptado aos seus colegas e ao modelo de jogo da equipa. Para o seu crescimento contribui também o facto de jogar uns metros à frente de Weigl e, assim, assumir um papel relevante, tanto em criação como em transição defensiva. Fez hoje um jogo exímio também nesse capítulo, a ler os pontos de saída adversária, impedindo que tal sucedesse por diversas vezes, e assim permitindo que a equipa recuperasse muitas vezes a posse em zona alta. Uma liderança tranquila, num jogo sem erros."

Crime e redenção, por Julian Weigl


"O alemão a quem raramente vemos erros deixou-se enganar e permitiu um golo ao Boavista numa altura em que o jogo ameaçava pôr-se difícil para o Benfica. Mas logo a seguir redimiu-se, descomplicando uma história que terminou com uma vitória por 3-1, com Darwin também em evidência com dois golos. Desde 1982/83 que o Benfica não começava o campeonato com seis vitórias em seis jogos

Há algo de desolador num erro de alguém que não costuma errar e tem o azar de errar logo num lance que a seguir dá golo. Julian Weigl é um bocadinho como uma peça maestra do jenga, aquele jogo dos bloquinhos que fazem uma torre da qual se tem de ir tirando peça a peça, evitando que tudo se desmorone - às vezes parece ali quase invisível, uma peça igual a todas as outras, mas se não está lá, o Benfica deixa de ser uma torre forte.
À passagem da meia-hora, já o Benfica ganhava, o alemão deixou que o colombiano Pérez furtivamente lhe roubasse uma bola no corredor central, ainda bem perto da sua área. A bola foi parar a Gustavo Sauer que com um remate seco, forte, em arco, de primeira, fez o que em linguagem corriqueira gostamos de chamar de golaço.
Era o empate para o Boavista, que já tinha ameaçado antes, oferecido por alguém que normalmente está ali para equilibrar, não para colocar pesos na balança do adversário. Acontece.
Seria injusto colocar o ónus de um possível empate ou derrota num erro único, mas o erro teve cara e número e género e Weigl nem sequer esboçou a manha futeboleira de pedir uma falta. O roubo de Pérez tinha sido tão suave e eficaz, qual carteirista no elétrico que nos depena sem notarmos, que não havia manigância possível. E, pior, não aparecia em boa altura, porque o Boavista crescia e, como se veria ao longo de todo o jogo, estava na Luz para jogar ao ataque e disputar o resultado, que é mais do que muitas equipas podem dizer.
E é por isso que o crime seguido quase imediatamente de redenção de Julian Weigl pode muito bem ter sido a chave da vitória do Benfica por 3-1, a sexta em seis jogos do campeonato, que mantém a equipa de Jorge Jesus com quatro pontos de vantagem para FC Porto e Sporting. Porque pouco mais de um minuto depois do Boavista marcar, Weigl estava de novo de sorriso na cara, como aquele meme do Chico Buarque, mas ao contrário: num livre lateral, a bola foi para o segundo poste, onde Otamendi amorteceu para o maralhal do coração da área. E lá estava o alemão, astuto, para dirigir a bola para dentro da baliza.
Aquele 2-1 no marcador, não sendo um descanso, deixava o Benfica bem mais aliviado, depois de uma 1.ª parte bem disputada, mas com poucas oportunidades. Darwin marcou aos 14’ (já depois de ter falhado um golo feito aos 8’), num bonito e bem ritmado pulo para responder a um cruzamento também ele não desprovido de beleza da parte de Diogo Gonçalves. O jogo entrou então numa fase mais ou menos soporífera, até Sauer acordar toda a gente com um remate vadio do meio da rua, que Vlachodimos parou a custo, isto antes de empatar aos 32’. Com o redimir de Weigl, o Benfica travava, pelo menos por alguns instantes, o possível momentum que o Boavista poderia ganhar.
Com dois golos nos dois únicos remates enquadrados que fez, o Benfica mostrava então mais uma vez algo que no ano passado nem sempre aconteceu: eficácia. Eficácia essa que baixou consideravelmente na 2.ª parte, graças também a Bracali, que salvou pelo menos três lances de golo, com grandes defesas a remates de Yaremchuk (53’), Darwin (72’) e Everton (79’), só não conseguindo travar o bis do uruguaio aos 61’, num lance simples que começou num passe vertical de Lucas Veríssimo para Rafa, que depois encontrou Darwin sozinho na área - o avançado só precisou de encostar.
O 3-1 não foi, no entanto, nem pouco mais ou menos uma sentença de morte para o Boavista, que obrigou o Benfica na 2.ª parte a sobreviver na selva de um jogo partido, com muitos lances de ataque de parte a parte. Logo a seguir ao segundo golo de Darwin, Musa esteve muito perto de reduzir, mas talvez a redenção esta noite estivesse destinada apenas para Weigl, como que a dar ao alemão uma nova oportunidade depois do erro, como se o universo, ele próprio, decidisse curar a ferida que o ex-Borussia Dortmund abriu. Ou pelo menos dar uma ajudinha para tal.
A boa réplica do Boavista não chegaria, faltou talvez um pouco mais de sangue frio no último terço, e com isto o Benfica segue invicto, sem perder qualquer ponto à 6.ª jornada, algo que aconteceu pela última vez já na longínqua época de 1982/83."

SL Benfica 3-1 Boavista FC: Como cimentar o primeiro lugar com classe


"A Crónica: “Cabeças” No Sítio
O SL Benfica venceu o Boavista FC por 3-1. Darwin bisou e Weigl também ajudou na contagem. Do lado dos visitantes foi Sauer que marcou.
Numa primeira parte com três golos, foi o SL Benfica que inaugurou o marcador. Diogo Gonçalves cruzou pela direita e Darwin Nuñez fez o primeiro de cabeça.
Mas, apesar de desorganizada, a equipa do Boavista FC mostrou que pode ser feroz no ataque. Aos 30 minutos, Sauer ensaiou o que viria a acontecer dois minutos depois. Grande golo do avançado boavisteiro de fora da área sem hipótese para Vlachodimos. Um autêntico foguete.
Julian Weigl esteve mal na fotografia, mas teve tempo para se redimir com o 2-1 marcado de cabeça aos 34 minutos.
No segundo tempo só deu SL Benfica. Aos 52 minutos, Yaremchuck deu um cheirinho ao 3-1, mas Bracali defendeu como pôde o míssil do ucraniano. O cheirinho converteu-se em realidade por Darwin Nuñez que, servido de bandeja por Rafa, apenas teve de encostar para o fundo das redes. Bis do avançado uruguaio nesta noite.
Uma noite de classe definida em golos de cabeça e que faz o SL Benfica cimentar o primeiro lugar do campeonato. Já o Boavista FC fica na sexta posição da tabela classificativa.

A Figura
Darwin Nuñez Certamente um dos melhores jogos de Darwin desde que chegou ao SL Benfica. Ao longo dos 90 minutos foi um jogador combativo e ofereceu aquilo que levou o SL Benfica a contratá-lo: golos! É claramente um bom período para o avançado uruguaio. Faço também menção honrosa a Sauer do Boavista FC.

O Fora de Jogo
Kenji Gorré – Jogo inglório para um número sete de uma equipa. Gorré passou ao lado do jogo e pouco ofereceu ao ataque boavisteiro, até porque apenas Sauer estava ao melhor nível. Por isso mesmo, acabou por ser substituído ao intervalo, mas refira-se que o jogo dos axadrezados acabou por não evoluir na mesma.

Análise Tática – SL Benfica
A equipa de Jorge Jesus apresentou-se inicialmente num 3-5-2 com o ataque entregue a Darwin e Yaremchuck. Rafa era o elemento mais solto na zona intermediária e criava muito perigo nas transições ofensivas muito perigosas com a ligação ao ataque. Darwin era um dos responsáveis por explorar a profundidade.
O modelo de jogo dos encarnados baseou-se em explorar as transições e bolas nas costas, mas com posse de bola, aproveitando as fragilidades do Boavista FC, nomeadamente no jogo aéreo. A saída de Yaremchuck levou a um 3-4-3 puro com Rafa e Cebolinha no apoio a Darwin e, posteriormente, Rodrigo Pinho.

11 Inicial e Pontuações
Vlachodimos (5)
Vertonghen (5)
Otamendi (5)
Lucas Veríssimo (5)
Grimaldo (5)
Weigl (7)
João Mário (6)
Diogo Gonçalves (6)
Rafa (8)
Yaremchuck (6)
Darwin (8)
Subs Utilizados
Valentino Lázaro (5)
Everton Cebolinha (6)
Rodrigo Pinho (5)
Pizzi (-)
Morato (-)

Análise Tática – Boavista FC
A equipa de João Pedro Sousa apresentou-se num 3-4-3 com alguns problemas que levaram ao disposicionamento e dificuldades na saída de bola. Foi também notório a ausência de um terceiro central de raiz, as dificuldades em bolas aéreas defensivas e a contrariedade com a lesão de Hamache.
O jogo dos Boavisteiros foi baseado nos remates de meia distância e na qualidade individual com Musa muito desapoiado no ataque. A segunda parte contou com um novo elemento do ataque: Ntep, mas nada mudou. Apenas Gustavo Sauer criava perigo.

11 Inicial e Pontuações
Bracali (5)
Rodrigo Abascal (4)
Jackson Porozo (4)
Hamache (-)
Nathan (4)
Makouta (5)
Sebastian Perez (4)
Malheiro (4)
Gorré (3)
Gustavo Sauer (7)
Musa (4)
Subs Utilizados
Filipe Ferreira (3)
Ntep (4)
Luís Santos (-)
Yusupha (-)

BnR na Conferência de Imprensa
SL Benfica
BnR: Pergunto-lhe sobre a forma como se posicionou o ataque do Benfica. Vimos bolas longas, muita profundidade e agressividade no jogo aéreo. Foi uma estratégia? Até porque o Boavista apresentou três centrais, sendo que um deles não era de raiz.
Jorge Jesus: Se olharmos para a equipa do SL Benfica que começou o jogo, tirando o Rafa, o Grimaldo e o Diogo, era uma equipa muito alta. Mas isso pode nos beneficiar naquilo que é a bola parada ofensiva e defensiva. Aí viu-se o poderio do SL Benfica. No primeiro golo Diogo Gonçalves cruzou e o Darwin finalizou porque ele é um bom jogador dentro da área.

Boavista FC
BnR: Acredita que esta derrota também se pode justificar pelo grande desposicionamento e dificuldades na saída de bola, mais a ausência de um terceiro central de raiz que pode ter ajudado nas dificuldades em bolas aéreas defensivas?
João Pedro Sousa: Sim, é verdade. Com um sistema de 3 centrais, no 1º golo não tem grande justificação, temos de ser mais fortes nesse momento do jogo e ganhar essa bola. Na saída de bola na 1.ª parte tivemos mais dificuldades, às vezes tentávamos sair para atrair a primeira linha de pressão do SL Benfica para depois tentar jogar nas costas dessa linha de pressão.
Sabemos também que os médios e defesas do SL Benfica saltam na pressão para procurarem encontrarem os nossos médios e tirar a profundidade dos avançados. Mas de facto tivemos muita dificuldade porque não conseguimos chegar ao jogo exterior. Na 2.ª parte conseguimos um pouco. O SL Benfica é muito pressionante e é muito difícil jogar contra a equipa do SL Benfica."

BnR: Boavista...