Últimas indefectivações

terça-feira, 13 de outubro de 2020

Futebol, empresas e a “prata da casa”


"É fácil perceber que estas organizações terão de fazer ajustes, não apenas na otimização da sua estrutura de custos como na reinvenção das suas fontes de receita.

Apesar de estarmos longe da normalidade que a pandemia veio quebrar, começa a ser hora de fazer alguns balanços, projetar alguns cenários e construir novos modelos. E isto aplica-se transversalmente à nossa vida pessoal e profissional, bem como à vida das organizações. E a este propósito – uma vez mais – julgo fazer sentido compararmos o contexto empresarial com o contexto desportivo, nomeadamente com o futebol.
Sabemos que ao nível do futebol profissional as receitas são provenientes de direitos de transmissão televisiva, bilheteira, prémios de competições publicidade e merchandising. Mas é no mercado de transferências que os clubes portugueses (SAD- Sociedades Anónimas Desportivas) veem assegurada a sua subsistência, sendo esta uma parcela muito significativa das suas receitas e, por essa razão, um alicerce importante dos seus modelos de negócio.
Tal como acontece na esmagadora maioria das empresas e atividades por todo o mundo, a atual situação pandémica veio também refletir-se na indústria do futebol. A partir do momento em que o modelo deste negócio passou a estar descaracterizado (jogos sem público, quebra de receitas, redução do grau de espetacularidade, etc.), isso teve indubitáveis consequências ao nível do valor dos jogadores. Há estimativas que indicam que essas quebras possam oscilar entre os 15 e os 30%, o que significa que, em poucos meses, alguns atletas de topo mundial podem ter desvalorizado na casa das dezenas de milhões de euros.
Perante o exposto, é fácil perceber que estas organizações terão de fazer ajustes, não apenas na otimização da sua estrutura de custos como também na reinvenção das suas fontes de receita. E é neste contexto que a esmagadora maioria das SAD portuguesas (e não só) vai ter de redefinir as suas estratégias e prestar maior atenção à forma como gerem o seu principal ativo: os jogadores.
Deste modo, os clubes passam a olhar para as suas estruturas de futebol de formação de forma mais atenta, percebendo que a resposta pode residir nos jogadores formados nas suas academias. Por outro lado, começa a haver um cuidado acrescido na escolha do perfil de treinadores, passando-se a apostar mais em alguém cujo perfil seja mais dado ao desenvolvimento do potencial do atleta. Tenta-se valorizar os atletas existentes nessas estruturas, dando-lhes oportunidades e criando-lhes um projeto de desenvolvimento de carreira. Deste modo, os clubes poderão estar a descobrir potenciais talentos que podem gerar receitas extra muito significativas.
E nas empresas, a situação será diferente? Acredito que não. A maior parte das organizações tem visto significativamente reduzida a sua atividade e consequentes receitas. Como tal, torna-se necessário rever o modelo de negócio, otimizar a sua estrutura e, naturalmente, colocar a gestão das pessoas no centro dessa redefinição de estratégia.
Tal como nos clubes, existe seguramente muito potencial nas nossas empresas, muito talento por descobrir e por desbloquear. As organizações devem olhar para a “prata da casa” como um verdadeiro ativo que necessita ser rentabilizado, envolvido e auscultado. E, tal como no futebol, os líderes devem ser preparados para agir como treinadores (de pessoas), dotados de genuína vontade em potenciar a performance das suas equipas e em criar programas de desenvolvimento para cada um dos seus “atletas”. E com equipas bem lideradas, a motivação e respetiva produtividade tendem a aumentar, abrindo-se espaço para que as pessoas tragam novas ideias e novos conceitos de negócio, podendo esta ser a receita extra que ajudará as empresas a adaptarem-se aos novos tempos."

Fever Pitch - João & Markus... Alemanha!

Fever Pitch - João, Pablo e Viktor... Manolos!

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

A vida e obra do senhor Ângelo


"No dia da Morte, glorifique-se a Vida. Ângelo Martins, o senhor Ângelo, bicampeão europeu pelo Benfica, foi um grande jogador. Mas foi também ele quem deu corpo a um fantástico projecto de formação na Luz, onde desenvolveu jogadores de enorme dimensão e profissionais de grande gabarito. Se o Benfica de hoje, que tanto tem flutuado entre a quimera do Seixal e o pragmatismo do mercado, quiser encontrar um padrão, que ponha os olhos no tempo de Duarte Borges Coutinho, que soube apostar na formação e na aquisição externa de forma inteligente, equilibrada e com resultados extraordinários. A prospeção trabalhava de forma ímpar, estivesse Nené no Ferroviário da Beira, Shéu no Beira e Benfica ou Jordão no Sporting de Benguela, e todos eles aterraram em Lisboa para serem burilados no oficina do mestre Ângelo, de onde saíram inúmeros jogadores de gabarito Mundial. Os tempos eram outros, com abordagens menos pedagógicas e mais severas, e ao contrário do que é desenvolvido por várias teses que acabaram por vingar, cada jogo era para ganhar. O Benfica de 1974/1975, ano da chegada de Fernando Chalana, foi campeão nacional de juniores só com vitórias e essa era a cultura que os mais velhos procuravam incluir nos mais novos: ganhar ou ganhar.
Com o senhor Ângelo desaparece um pedaço da história do futebol português. Fica a memória. E o agradecimento pelo legado...

PS - 51 meses depois da gloriosa jornada do Stade de France, o campeão da Europa empatou em casa do campeão do Mundo. Portugal, entretanto vencedor da Liga das Nações, é uma estrela de primeira grandeza."

José Manuel Delgado, in A Bola

SL Benfica | Os 5 melhores mercados neste século


"Depois de uma revolução na abordagem ao mercado de transferências, o SL Benfica volta à aposta na qualidade diferenciada fora de portas, relegando a produtividade do Seixal para a simples exportação, depois de anos de aposta séria nos craques que a cada ano se destacam nos escalões mais jovens.
A chegada de Jorge Jesus foi a decisão final nesse sentido, conhecendo-se de antemão a aversão do técnico à qualidade local e a preferência pelo mercado externo como base de reforço da equipa. Foi, nestes pressupostos, o mercado mais mediático da última década na Luz, com a entrada de vários titulares nas cinco principais ligas europeias, especial incidência na Premier League – os membros da mais provável dupla titular no eixo da defesa eram, até à última época, titulares importantes em equipas de ataque ao título em Inglaterra.
Verthongen e Otamendi são os rostos mais vincados desse volte-face benfiquista na construção de plantéis, tendência que se iniciou na contratação de Julian Weigl em Janeiro último e que marca um regresso da aposta encarnada em grandes nomes – tal e qual há 12 anos, quando a chegada de Pablo Aimar e José António Reyes fizeram explodir os cabeçalhos da imprensa portuguesa e internacional. Nesse sentido, relembramos os melhores mercados deste século, os mais mediáticos e os que proporcionaram melhores resultados desportivos, a curto e longo prazo.

1. 2014-15 Houve Samaris, Jonas, Júlio César, Talisca e Eliseu: cinco titulares no fabuloso título de 2015. Os três primeiros assinaram em cima do fecho, depois de exigências de Jorge Jesus quanto à qualidade de um plantel que tinha sido esquartejado depois de todos os sucessos do ano anterior. 
Faltava banco à equipa, as restantes contratações foram cartas fora do baralho (Benito, César, Bebé, Derley, Djavan, Mukhtar, Jonathan Rodríguez, Candeias e Cristante, apesar da qualidade demonstrada anos depois em Itália), mas apenas é passível de crítica a demora no reforço cirúrgico do plantel, já que a qualidade evidenciada pelas chegadas tardias demonstraram competência na identificação das deficiências.

2. 2011-12 Chegou Axel Witsel para corrigir desequilíbrios evidenciados a meio-campo na Liga dos Campeões do ano anterior, onde Javi e Aimar mendigaram auxílio contra miolos mais recheados e mais físicos.
Só o golo de Lacazette nos minutos finais da última jornada da fase de grupos, no confronto do Lyon frente ao Hapoel, salvou aos encarnados um lugar na Liga Europa, mas o aviso estava dado: o 4-4-2 dos primeiros tempos de Jesus em contexto europeu era insuficiente e o Benfica acertou em cheio na contratação de Axel Witsel ao Standard Liége, por soma a rondar os oito milhões de euros. Com ele ao lado do trinco espanhol e a apoiar o playmaker argentino, o Benfica cumpriu como suposto na prova milionária – três vitórias e três empates na fase de grupos e caminhada até aos quartos-de-final, onde seria eliminado pelo futuro campeão europeu Chelsea.
Outras movimentações acertadas foram o recrutamento de Nolito (FC Barcelona B), Bruno César (Corinthians), Artur Moraes (SC Braga), Matic (Chelsea, negócio de David Luiz), Ezequiel Garay (Real Madrid CF), Enzo Peréz (Estudiantes La Plata), Melgarejo (Independiente do Paraguai), André Almeida (Belenenses) ou Emerson (Lille), ainda que o brasileiro tenha suscitado dúvidas ao longo da temporada acerca da sua competência enquanto lateral-esquerdo: a sua melhor exibição foi como… central, no jogo em Stanford Bridge frente ao Chelsea FC, onde jogou lado-a-lado com Javi García – as melhores soluções quando uma onda de lesões e castigos inundou o eixo da defesa.

3. 2007-08 O quarto lugar no final desse campeonato não revela a competência benfiquista nesse mercado, que atribulado foi devido à venda da estrela da companhia, Simão, e a incerteza quanto ao futuro do treinador, Fernando Santos, que acabaria por sair ao fim de uma jornada. A maioria das apostas desse Verão de 2007 foram essenciais nos anos seguintes, com muita qualidade recrutada na América do Sul – base dos campeões de 2010.
Óscar Cardozo (Newell’s Old Boys), Dí Maria (Racing), Maxi Pereira (Defensor), Fábio Coentrão (Rio Ave FC) e Cebola Rodríguez (empréstimo do PSG) revelaram-se apostas acertadas a curto e longo prazo, dependendo dos casos; Hans Jorg Butt (vindo do Bayer Leverkusen, com quem marcou presença na final da Liga dos Campeões de 2002), incompreensivelmente, nunca conseguiu agarrar a titularidade e sai no Verão seguinte para o… Bayern de Munique, para voltar à final da principal prova de clubes dois anos depois, sob o comando de Louis Van Gaal; Freddy Adu chegou como a coqueluche do futebol americano e mundia,l mas perdeu-se nas exigências competitivas do futebol europeu; Edcarlos, Sepsi, Andrés Diaz, Marc Zoro, Halliche, Stretenovic e Luís Filipe não apagam o que de bom se fez.

4. 2004-05 Relega 2008-09 para fora da lista por uma única aquisição, importantíssima no contexto daquela temporada: Nuno Assis foi uma das mais importantes contratações benfiquistas da era recente, pela importância na manobra de uma equipa orfã dum organizador na primeira metade da temporada em que se terminou a espera de 11 longos anos.
Trapattoni desesperava por um complemento a Simão no último terço e o ‘10’ do Vitória SC veio suprimir várias deficiências daquela equipa que até aí confiava no verdinho Manuel Fernandes para assegurar toda a construção do futebol ofensivo encarnado. Com a entrada do organizador português, a equipa equilibrou-se, o treinador italiano encontrou o seu onze base e só assim se sobreviveu a uma segunda volta muito difícil, sendo alcançado o ressurgimento do orgulho encarnado.
Os outros reforços dessa temporada? Amoreirinha, Yannick Quesnel, Karadas, Everson, Paulo Almeida, Carlitos, André Luís, Delibasic… Manuel dos Santos e Quim, os únicos que se revelaram boas apostas neste leque de contratações falhadas.

5. 2001-02 Numa equipa que ficou conhecida à época como a ‘Dream Team’, foi o primeiro plantel construído sob a supervisão de Luís Filipe Vieira – como director desportivo – e revelou-se, na maioria das apostas, como um excelente mercado de transferências nos efeitos a longo prazo, com a entrada de varíadissimos jogadores que assentaram arraiais na Luz e constituíram a espinha dorsal do rejuvenescimento encarnado na Primeira Liga, com o título de 2004-05, além da Taça de Portugal do ano anterior.
Simão Sabrosa (FC Barcelona), Mantorras (FC Alverca), Tiago (em janeiro, SC Braga), Sokota (GNK Dinamo Zagreb), Zahovic (Valencia CF), Andersson (Aalborg), Caneira (Reggina) e Jankauskas (Real Sociedad) foram nomes que se evidenciaram com a águia ao peito, com a maioria a subsistir várias temporadas na equipa principal."

Ângelo...

Eterna glória


"Faleceu Ângelo, um dos maiores vultos da gloriosa história do Sport Lisboa e Benfica, um dos que melhor personificaram a mística benfiquista, enormemente respeitado e admirado por colegas, adversários e adeptos. Tinha 90 anos.
Bicampeão europeu titular em ambas as finais, campeão nacional sete vezes, vencedor de cinco Taças de Portugal e de uma Taça de Honra da Associação de Futebol de Lisboa, Ângelo, ao longo de 13 temporadas, representou o Clube em 385 partidas, das quais 290 em competições oficiais, marcando quatro golos.
Portuense de raiz, benfiquista de berço, chegou ao Clube em 1952. Começou como médio, mas seria na defesa, principalmente à esquerda, mas também à direita, que se eternizaria no restrito patamar reservado aos melhores de sempre de águia ao peito.
Disse, num encontro de benfiquistas realizado em 28 de fevereiro último, dia de aniversário do Clube, que "a coisa mais bela que pode existir no desporto é ser do Benfica". E Ângelo não só foi do Benfica como foi dos que mais contribuíram para a causa benfiquista.
O seu percurso no futebol é sobejamente conhecido e justamente enaltecido. Após a brilhante carreira de futebolista, Ângelo passou a "Míster Ângelo", desempenhando um papel igualmente fundamental para o sucesso do Clube, nomeadamente nas décadas de 70 e 80. Por ele passaram gerações de aspirantes a futebolistas, cujas ambições de representar o Glorioso beneficiaram do privilégio de receber ensinamentos sobre futebol e sobre a responsabilidade de carregar ao peito o símbolo do maior e mais amado clube português, dando largas ao potencial de cada um deles e ajudando-os a materializar o seu sonho, para benefício dos próprios e do Benfica.
Foi, possivelmente, o treinador mais vezes campeão nas camadas jovens do futebol português, e pelas suas mãos passaram Artur Correia, Chalana, Humberto Coelho, João Alves, Jordão, Nené, Shéu ou Vítor Martins, entre tantas então futuras glórias do Benfica.
Conhecida a triste notícia, o Sport Lisboa e Benfica decretou três dias de luto em sua homenagem e o Presidente Luís Filipe Vieira declarou que "é com profundo pesar que toda a Família Benfiquista vive este momento de dor, luto e de eterna saudade perante a partida de Ângelo Martins", e confessou a profunda admiração, qualificando-o como "um dos obreiros da imagem e mística de jogar à Benfica". 
Hoje realiza-se o velório a partir das 17 horas, na Igreja São João de Brito, em Alvalade, Lisboa. O funeral está agendado para amanhã, dia 13, no crematório do cemitério dos Olivais, em Lisboa. 
Descansa em paz, campeão. Obrigado!

P.S.: Parabéns aos nossos triatletas que contribuíram para que o Benfica se tenha sagrado vice-campeão europeu de estafetas mistas de triatlo. Foi a quarta vez que o Benfica atingiu o pódio, tendo sido campeão europeu em 2017. Nota ainda para Vasco Vilaça e Melanie Santos, que conquistaram o primeiro lugar do pódio no Campeonato do Mediterrâneo de triatlo."

Modalidades: fim-de-semana!

Vasily Kulkov, o homem das noitadas europeias


"Como é que um jogador que não era um daqueles génios óbvios, um ídolo instantâneo do Terceiro Anel, um matador prolífico, um “10” com a elegância e o perfume de Rui Costa ou mesmo um corajoso bombardeiro como Isaías, alcançou um tal consenso entre os adeptos é um mistério

Pavel Ivanovitch Chichikov, Aleksei Fiódorovitch Karamázov, Rodion Romanovitch Raskolnikov, Vasily Sergeievitch Kulkov: não há como os russos para nos darem grandes personagens. Bem, Vasily Kulkov não era uma personagem de ficção, não era um produto da imaginação de um Dostoievski ou de um Gógol, mas basta ler algumas das suas entrevistas para constatar a sua enigmática nonchalance eslava e imaginá-lo a percorrer as páginas de uma comédia gogoliana, meio peixe fora de água, meio demiurgo de um sarcasmo sonolento a distribuir jogo com os seus olhos de ressaca.
A lenda das aventuras noturnas da troika russa do Benfica ficou tão célebre como as melhores jogadas de Kulkov, Iuran e Mostovoi, mas não as apagou por completo. A que alturas não teria subido um jogador como Kulkov se tivesse sido mais profissional, perguntam-se alguns adeptos ao recordar o brilho intermitente do médio russo? Só que esses jogadores imaculados de um profissionalismo inatacável, de uma abnegação a toda a prova, não entram no coração dos adeptos. Merecem o respeito e a consideração de um bancário que em trinta anos de carreira nunca chegou atrasado ao serviço, de uma administrativa de um centro de saúde que nunca pôs um dia de baixa.
O que me surpreendeu na hora da morte de Kulkov – e que, bem vistas as coisas, não é assim tão surpreendente – foram as múltiplas reações emotivas dos benfiquistas, como se um em cada dois adeptos tivesse dentro de si um obituário pronto a escrever feito das mesmas memórias inapagáveis, um facto que honra a qualidade futebolística do jogador visto tratar-se de alguém que não parecia ter feito mais de dez abdominais na vida e que, ainda por cima, trocou o Benfica pelo Porto.
Era como se cada benfiquista, sobretudo aqueles que cresceram a ver as equipas na transição da década de 80 para a de 90, julgasse que a admiração por Kulkov era um segredo intransmissível, uma mania fruto da sua maneira peculiar de ver futebol, para descobrir agora que essa admiração era afinal uma paixão assolapada quase universal. Como é que um jogador que não era um daqueles génios óbvios, um ídolo instantâneo do Terceiro Anel, um matador prolífico, um “10” com a elegância e o perfume de Rui Costa ou mesmo um corajoso bombardeiro como Isaías, alcançou um tal consenso entre os adeptos é um mistério.
A morte não explica tudo, mas a morte precoce, num momento em que as memórias dos adeptos estão naquele ponto ótimo para a mitificação – nem tão vagas que já não produzam emoção, nem tão vivas que não possam ser trabalhadas e aperfeiçoadas pela nostalgia – explica alguma coisa. A esta distância, a memória já apagou as exibições medíocres, a inconsistência, os passes falhados, e guarda apenas dois ou três momentos refulgentes e os contornos fantasmagóricos de uma inteligência superior, mais pressentida do que recordada ao pormenor.
Essa é uma das chaves do fascínio de Kulkov: fisicamente não era elegante, mas o seu futebol era de uma rara elegância. Ele podia não ser um grande amigo da sobriedade fora de campo, mas em campo o seu futebol era mais do que sóbrio, era clarividente. E estas qualidades manifestavam-se de uma forma discreta, quase invisíveis a olho nu. Daí que na cabeça devota do adepto só eles estivesse a ver o que Kulkov fazia. Cada um sentia o privilégio de ser a única testemunha de um milagre, o interlocutor exclusivo daquela forma de inteligência. Vasily Kulkov tinha um futebol tão inteligente e tão subtil que, como um bom orador, enfeitiçava a plateia e fazia com que cada um dos membros do público se sentisse tão discretamente inteligente como ele.
Mas, para ficar no coração dos adeptos, até uma inteligência discreta precisa daqueles momentos de brilhantismo inequívoco, as moedas universais que são para a comunhão dos apaixonados de futebol o que o pão e o vinho são para a eucaristia. E essas moedas universais foram, no caso de Kulkov, os dois melhores jogos europeus do Benfica na década de 90: a vitória em Londres, em Highbury Park, contra o Arsenal, e o empate a quatro em Leverkusen. Arrisco dizer que, sem esses jogos, Kulkov seria apenas mais um nome no registo notarial do Benfica ao qual se acrescentaria o burocrático “ao serviço dos encarnados, conquistou um campeonato e uma Taça de Portugal.” Nada que chegasse para ser lembrado com o fervor visto nos últimos dias.
Vejam: não foi preciso conquistar um título europeu, nem sequer chegar a uma final. Bastou-lhe fazer parte de uma equipa que jogava na Europa com ambição e ter brilhado nos dois jogos que moldaram o benfiquismo dos jovens adeptos da altura. Ao contrário do que se costuma pensar, os adeptos não são ingratos e não têm memória curta. No entanto, a escolha dos seus eleitos é caprichosa, a entrada no panteão não obedece a critérios matemáticos ou contabilísticos. Muitos jogadores que passaram pelo Benfica conquistaram mais títulos e honrarias do que Kulkov, mas ele foi único a marcar naqueles dois jogos: haverá poucas imagens mais belas para um benfiquista do que a celebração de Kulkov após o primeiro golo em Leverkusen (e o treinador Toni a falar sozinho nas imediações do banco). Eu, que gozei com o amadorismo da comunicação do Benfica ao juntar aos títulos de Jorge Jesus a presença nas finais da Liga Europa, sou o primeiro a reconhecer que Vasily Kulkov fica na história do clube, não pelos títulos que conquistou, mas pelo que fez naquelas duas noites. Não duas noites quaisquer, duas noitadas europeias que, por não caberem nas vitrinas ao lado de outros troféus, ficarão para sempre guardadas no museu imponderável que é a memória dos adeptos.

Ps: escrever uma crónica sobre Kulkov sem usar a palavra “vodka” também é um feito."

Ângelo Martins

3 dias de luto


"O Sport Lisboa e Benfica decreta três dias de luto em memória e homenagem ao bicampeão europeu Ângelo Martins. O antigo futebolista, um dos rostos da Mística e da História do Clube, faleceu neste domingo. A Família Benfiquista está de luto!

Ângelo Martins vestiu e honrou o Manto Sagrado ao longo de 13 épocas (1952/53 a 1964/65), alinhando em 385 jogos e marcando 4 golos. Conquistou duas Taças dos Clubes Campeões Europeus, 7 Campeonatos Nacionais, 5 Taças de Portugal e uma Taça de Honra de Lisboa.
Persistente e intrépido, honrava o lema "Antes quebrar do que torcer". Sempre um dos nossos!"

Homenagem e eterna saudade


"Em nome do Sport Lisboa e Benfica, e em meu nome pessoal, quero apresentar as mais sentidas condolências à família e amigos de Ângelo Martins, um dos nossos eternos bicampeões europeus e um dos símbolos que ficará para sempre na história do nosso Clube.
Ângelo Martins, jogador de raça e um dos obreiros da imagem e mística de "jogar à Benfica", onde, entre 1952 e 1965, venceu duas Taças de Campeões, sete Campeonatos Nacionais e cinco Taças de Portugal, pertenceu àquela geração de ouro e gloriosa, marcante nas nossas memórias.
É com profundo pesar que toda a Família Benfiquista vive este momento de dor, luto e de eterna saudade perante a partida de Ângelo Martins. Credor da nossa mais justa homenagem, que descanse em paz!"

domingo, 11 de outubro de 2020

Mais uma vitória...

Benfica 6 - 2 Azeméis

Bom jogo, ainda com muita margem de progressão, principalmente na adaptação das contratações, mais nos processos defensivos do que nos ofensivos, mas com bons sinais no geral...
O erro no Silvestre no 1-1, acabou por dar uma 'aproximação' no marcador, que o jogo não justificava, mas no final até acabou por ser tranquilo, mesmo com aquela carambola no segundo do adversário!!!

PS: No Europeu de Triatlo, mais uma vez, ficámos pelo 2.º lugar e a medalha de Prata, na prova colectiva mista, desta vez sem a 'contratação' americana, só com a 'prata' da casa! Mas diga-se, a 'prata' já cansa...!!!

Vitória na Madeira...

CAB Madeira 66 - 92 Benfica
12-18, 11-21, 18-30, 25-23

Jogo controlado desde início, com alguns jogadores a demonstrarem que uma semana de trabalho colectivo, faz muita diferença, fisicamente e não só...

Vitória na Linha...!!!

Ginástica 1 - 3 Benfica
17-25, 11-25, 26-24, 14-25

Demasiado relaxamento no 4.º set, acabou por prolongar a partida, desnecessariamente...

FIFA21

Amir defendeu o penálti do FC Porto com um pé atrás e outro à frente da linha. Foi legal? Sim, mas...


"O IFAB fez um esclarecimento técnico sobre uma situação ocorrida no último FC Porto - CS Marítimo.
Como se recordarão, Amir defendeu um pontapé de penálti estando numa posição "atípica" no momento do remate: tinha o pé direito atrás da sua linha de baliza e o esquerdo à frente.
Ou seja: quando Alex Telles rematou, o GR do Marítimo não tinha nenhum dos pés sobre a linha. 
Estaria tudo certo se a Lei 14 não referisse expressamente que, quando se dá a execução de um "penalty", os guarda-redes devem e cito "permanecer sobre a linha entre os postes da baliza" e "ter pelo menos parte de um dos pés a tocar nela ou alinhado com a baliza".
Portanto, à luz das regras, quando defendem um remate nessas condições, estão a infringir.
O problema, no entanto, é outro: a lei nem sempre diz o que quer, da maneira que pode e deve. Neste caso, a ideia de criar essa imposição - a de ter, pelo menos, parte de um dos pés sobre a linha - não foi no sentido de impedir que os GR tivessem um pé mais recuado, como Amir tinha; foi no sentido de evitar que adiantassem os dois.
Isto porque há a convicção generalizada que, num pontapé de penálti, os guarda-redes só retiram vantagem se tiverem os pés à frente da linha.
Eu acho que não é bem assim: na prática, um pé atrás pode ajudar a dar um impulso para a frente, potenciando a hipótese de defesa. Amir parece concordar comigo.
Coloca-se então o eterno dilema, comum a tantas outras áreas de atividade onde se impõe interpretar normas com justiça:
- Que leitura fazer da regra? Deve aplicar-se a letra, que neste caso é taxativa, ou o espírito que pode estar subjacente?
No caso concreto, o entendimento do IFAB é que se deve aplicar o "espírito da lei". Quer isso dizer que aceitam que um GR que não tenha nenhum dos pés ou parte de um sobre a linha (porque tem um à frente e outro atrás) não está a infringir.
Sobre esta análise, duas notas rápidas:
- A primeira e mais importante serve para recordar que o International Board é soberano e tem legitimidade para definir todas as questões relativas às leis de jogo. Podemos concordar ou discordar, mas devemos respeitar e acatar.
- A segunda é que essa obediência não deve castrar o sentido crítico de quem faz leitura distinta e eu faço.
Na minha opinião, quando uma regra é tão factual e evidente, quando a sua letra diz tudo de forma indiscutível, não há margem para lê-la de forma distinta. O mais certo é estar errada, mas isso corrige-se na primeira oportunidade que surja.
Qualquer pensamento legislativo que vá além da letra da lei tem que ter um mínimo de correspondência verbal com o seu texto e aqui não tem. Aliás, tem exatamente o oposto: a letra diz pune, o "espírito" diz segue jogo.
Todos os dias esbarramos em situações com as quais não concordamos mas que sabemos que devemos acatar, por serem demasiado claras e incontornáveis.
Isto faz-me lembrar a velha história dos semáforos que controlam velocidade nas localidades. Estão lá com um objetivo importante: evitar excessos que ponham em perigo as pessoas, sobretudo quando o comércio e as escolas estão abertas, porque há muito movimento e passagem frequente de peões.
No entanto, se qualquer um de nós passar o vermelho às quatro da manhã, sem que esteja uma alminha na rua e ainda que a circular a menos de 20Km/hora, somos multados.
É que, apesar de não ser esse o objetivo - multar gente a meio da noite, numa rua deserta e sem perigo à espreita -, a regra imposta pelo Código de Estrada é soberana: sempre que alguém passe um sinal vermelho, está a infringir. Ponto.
Quem é multado naquelas circunstâncias pode até sentir-se meio injustiçado, mas tem que pagar. 
Voltando aos "penáltis": a partir de agora qualquer GR sabe que pode não ter parte dos pés sobre a linha, como a lei exige. Basta que tenha um mais recuado e o outro adiantado. Aliás, pode até tentar a sua sorte e colocar os dois pés atrás da linha (dentro da baliza).
A letra da lei também é clara e não permitindo que permaneçam aí (até porque isso os coloca fora do terreno de jogo), mas o princípio é o mesmo: o espírito diz que quem está mais recuado não tira benefício.
Não faz sentido
 A Lei 14 não está, de facto, redigida da melhor forma (nesta matéria e noutras) e isso não acontece por malvadez do legislador: a verdade é que é quase impossível prever todas as situações de jogo.
Para que tenham uma ideia, neste momento estão tipificadas oito infrações diferentes no que diz respeito a pontapés de penálti.
Se os árbitros as cumprissem à risca, garanto-vos que não havia um único pontapé que não fosse, pelo menos, repetido.
O problema é o critério: há quem seja mais e menos rigoroso, há quem esteja mais e menos atento. É uma grande chatice. 
Esta amplitude de intervenção pode ser perversa para os árbitros e para o futebol.
Os pontapés de penálti não são infrações menores: são momentos-chave do jogo. Criam claras oportunidades de golo. Podem determinar resultados e afetar campeonatos.
A lei que os regula deve ser o mais objetiva possível, não pode ter incoerências nem potenciar interpretações mais ou menos literais, consoante a natureza da infração ou a delicadeza do lance.
Tem que criar mecanismos que permitam aos árbitros decidir, da mesma forma, o mesmo tipo de situações.
Não há outra forma."

Vinte e Um - Live - Farense...!!!

sábado, 10 de outubro de 2020

Empate...

Benfica 1 - 1 Sporting

Dois pontos perdidos, num jogo equilibrado a 'meio-campo', mas com o Benfica muito mais perigoso em ataque organizado, com uma diferença brutal no trabalho dado aos guarda-redes... Sendo que o equilíbrio no marcador só foi alcançado, mais uma vez, através dos zés dos apitos, desta vez nos penáltis...

Continuamos com a série: golos de antologia!!! Hoje, novamente o Luca...

Sempre que vejo esta equipa Lagarta, irrita a forma como esta tenta ganhar jogos: defendendo com tudo, nunca arriscando, sem qualquer estratégia de ataque planeado, a não ser os mergulhos para a piscina!

PS: Vitória dupla na prova de Triatlo nos Jogos do Mediterrâneo (uma espécie de Jogos Olímpicos do Mediterrâneo!), prova que decorreu em Alhandra, com o Vasco Vilaça nos homens e a Melanie Santos nas senhoras...!!!

Vitória a Norte...

Avanca 25 - 34 Benfica
(13-17)

A equipa está a melhorar. Já existe mais entendimento entre jogadores, o que é normal, mas começa a ser notório a reacção colectiva positiva às contrariedades! Hoje, por exemplo, 'matámos' o jogo, numa altura onde ficámos a jogar com menos um, com muita agressividade na defesa, e contra-ataques rápidos! Isto num jogo, onde mais uma vez, o critério dos apitadeiros nas exclusões e nos 7 metros foi completamente inquinado!!!

Fácil...

Benfica 3 - 0 Clube K
25-9, 25-12, 25-8

Amanhã temos outro jogo...

"Curta" !!!

Benfica 4 - 0 Dameiense


Quando 4-0 sabem a pouco!!!

Tiago Dantas, mais um episódio de “validações” e o que realmente importa


"Tiago Dantas, à semelhança de outros jogadores talentosos fez emergir as “lutas” nas “redes sociais” como tentativas de validar opiniões. Umas mais bem fundamentadas que outras.
O triunfo dos que ignoram o jeito que dá ter potencial morfológico para o jogo surgiu com o interesse do Bayern – validado com a presença na equipa principal bávara – Quantas fotos foram partilhadas de Dantas ao lado do treinador em forma de “fina ironia”. Mas a eliminatória ficou rapidamente empatada com a não inscrição do jovem na equipa principal, facto que o relega para a terceira divisão da Alemanha.
Sobre a estupidez sem fim de quem por não ter talento para as suas próprias guerras, escolhe guerras de outrém muito haveria para dizer, mas para o caso importa é o talento de Tiago Dantas.
É óbvio que a questão física importa – Creio que qualquer pessoa com um mínimo de capacidade para expandir horizontes e tentar perceber um pouco sobre o jogo, reconhecerá que cada vez mais a cadência da passada é determinante para o rendimento – O jogo está tão rápido pela evolução técnica e tática, que conseguir chegar um segundo antes é muito diferente de chegar um segundo depois. Um segundo antes ajudas a fechar o espaço, ou és opção para poder receber e / ou finalizar no último terço. Assim como ter boas capacidades condicionais ajudará ao rendimento. Capacidades como a força ou a resistência são determinantes para o sucesso, ou para que o sucesso se expanda por mais tempo ao longo do jogo. Aliás, se a questão física não tivesse qualquer impacto, onde estaria agora um talento como Dantas?
Um miúdo que não perde uma bola, “limpa-as” para os colegas entregando-a sempre redonda, cria e embora pouco robusto fisicamente, enquanto a guarda ou trata não sente qualquer dificuldade porque sempre assim cresceu, e por isso desenvolveu argumentos na astúcia que lhe permitem não precisar sequer de ter confrontos físicos nos momentos ofensivos. Pensa mais rápido e executa a um nível superior a qualquer jogador comum.
Pois se Tiago ainda hoje procura encontrar espaço é precisamente porque a excelência da sua tomada de decisão e gesto técnico – que é o que é mais diferenciador num jogador de futebol, afinal é… mais difícil de encontrar! – não é acompanhada por capacidades físicas que lhe garantam sem bola o rendimento que tem com esta.
Outra falsa questão que tem surgido ao seu redor passa pela dissertações sobre a sua densidade muscular. Diversos jogadores do Bayern ficaram “maiores” e há a expectativa que tal possa acontecer com Dantas, beneficiando o jovem de tal para aumentar o seu rendimento. Lamento informar, mas não é de músculo que Dantas precisa. Daria muito jeito a tal maior velocidade para chegar aos diferentes espaços – Aquela passada larga que permite participar no pressing avassalador que hoje caracteriza os vencedores das últimas Ligas dos Campeões, mas essa não chega em forma de tamanho muscular, e não parece ser possível de obter ganhos substanciais.
Dantas como tantas outros jogadores ou situações está no meio termo entre as discussões que gera – Discussões cujo único intuito tantas vezes parece ser gerar validação de argumentos próprios e por momentos sentir que se poderia fazer parte do jogo que por certo se amará.
Não terá nível para jogar em qualquer equipa do mundo pelos seus traços físicos. PONTO.
Tal não significa contudo que se deva nivelar por divisões mais baixas! É mais questão de contexto do que de patamar ou nível competitivo.
Se calhar numa comum equipa da Segunda Liga ou da Liga NOS, não terá capacidade para ter rendimento – Há muitas perdas (a culpa não é sua, que nunca a perde, mas há!) e o jogo transporta-se para uma dimensão onde sai prejudicado. E obviamente nenhum treinador vai manter um jogador com pouca capacidade para ajudar a equipa a recuperar metros e bolas, quando outros há que são capazes de o fazer. Mas, porventura, poderá ter espaço em equipa de nível e talento diametralmente oposto às citadas. De forma simplista, Dantas é um 80 com bola, e um 8 sem esta – Não é assim nem com bola, nem sem ela – Vocês percebem o intuito do exemplo – então para ter rendimento e contribuir terá de ter o contexto que garanta muita bola – Que garanta poucas Transições – Momentos em que a tal velocidade do deslocamento se faz sentir mais. Dantas pode não ser jogador para o Desportivo de Chaves, mas se calhar pode ser para o Bayern. Faz sentido?
Talvez não totalmente, porque mesmo as melhores equipas hoje passam sempre tempo sem bola e encontram na capacidade de pressão e vencer duelos no momento defensivo a forma de ganharem a bola para depois a guardarem. E sim, o Dantas evita os duelos. Mas, como outros de elevado nível cognitivo, que pensam e executam mais rápido que os demais, evita-os quando tem bola. Sem bola não há como os evitar. Não é como se pudéssemos desviar-nos deles quando a posse está do outro lado… a menos que o intuito seja ver o oponente a marcar golo.
Na equipa perfeita, Tiago Dantas teria lugar. A equipa perfeita não perderia a posse, não precisaria de passar tempo sem ela, viajaria junta pausadamente nas transições, sem precisar de ver os seus elementos a abrir em a passada para chegar à frente sem deixar demasiado espaço entre sectores. O problema de Tiago Dantas é que não há equipas perfeitas. E como não as há, estará sempre no limbo entre o triunfo retumbante – qualidade para isso todos o reconhecerão – e as dificuldades para se impor no contexto competitivo que o seu talento faz por merecer.
O que o Tiago precisa de saber, é que o melhor a fazer é não abrir sequer caixas de comentários na internet, porque ai não encontrará nada de absolutamente positivo a retirar. Não precisa dos elogios que como a outros antes, lhe provocarão sentimentos de injustiça, e poderão fazer baixar a guarda convencido que é um Messi injustiçado, nem das críticas tantas vezes infundadas. Até porque de um lado e do outro não está ninguém que se preocupe verdadeiramente com a sua carreira, mas apenas com o seu ego.
No mundo perfeito tu triunfas, menino. Mas, não queiras viver uma vida de lamento por não ser o mundo um lugar perfeito. Faz com que todos os dias sejam dia de evolução. Anda da perna. Por ti."

Bistrot - [FR] « Rescaldo » Spécial Élections - Analyse de la prestation de João Noronha Lopes.

Nota de pesar


"Kulkov, antigo jogador do Sport Lisboa e Benfica, faleceu aos 54 anos.

O Sport Lisboa e Benfica manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento do seu antigo jogador Kulkov, apresentando as mais sentidas condolências a familiares e amigos, neste momento de enorme dor por tão prematura partida deste ex-atleta aos 54 anos.
Kulkov representou o Benfica durante três épocas, de 1991 a 1994, com um contributo decisivo para a conquista do Campeonato Nacional em 1993/94 e da Taça de Portugal de 1992/93.
Antigo internacional pela União Soviética e posteriormente pela Rússia, o ex-médio participou em 77 jogos com o Manto Sagrado e marcou 11 golos, dois dos quais na mítica noite de 15 de março de 1994, em Leverkusen, onde o Benfica empatou 4-4 e passou às meias-finais da Taça das Taças. Para sempre ficará na nossa memória. Que descanse em paz."

SL Benfica | 5 nomes que deviam ter saído neste mercado


"Após o término de grande parte dos mercados de transferências, analisamos os cinco principais nomes do plantel do SL Benfica que deveriam ter abandonado o clube – por já não contarem, por precisarem de rodar ou por não terem o espaço que desejariam ter – neste mercado de verão/outono de 2020.
1. Franco Cervi O extremo canhoto de 26 anos encontra-se numa encruzilhada profissional determinante para o desenrolar da sua restante carreira. O seu atual treinador gosta dele, mas apenas para suplente; tem mercado, mas não do seu agrado; tem valor de mercado, mas não alto o suficiente para propostas do agrado do clube; é novo, mas não tanto assim.
Esta encruzilhada esteve presente durante todo o período de transferências deste verão/outono. No final, o internacional argentino acabou por permanecer no plantel às ordens de Jorge Jesus. Acho que deveria ter saído.
Salvo alguma lesão de Everton Cebolinha, Cervi será um perpétuo suplente, condição que não condiz com o seu valor, valor esse que, todavia, não é superior ao do internacional brasileiro. Nuno Tavares é alternativa a Grimaldo e essa porta, que parecia aberta, está fechada para o argentino.
Terá que se contentar em ser útil aqui e acolá. E, de facto, poderá sê-lo. Ainda que fuja ao que Jesus quer para aquela posição (a começar pelo pé preferencial), Cervi já demonstrou dar-se bem com Grimaldo e ser capaz de fazer movimentos interiores, ainda que com menos qualidade do que Everton. 
O cenário não será o ideal e a pressão de fazer as vezes de Cebolinha será grande. Contudo, o carácter e a qualidade de Cervi parecem-me suficientes para que o “11” do SL Benfica cumpra a sua missão.
2. ChiquinhoGabriel e Taarabt parecem merecer a confiança de Jesus, de Pizzi não desgosta e Weigl também não o aflige. Samaris depois da lesão poderá ser importante e Florentino está de Erasmus no AS Monaco. O espaço para Chiquinho será reduzido e, como tal, a saída em definitivo talvez houvesse sido a melhor solução, ainda que a maquia envolvida fosse, invariavelmente, pobre.
Apesar do pouco espaço, o médio português terá algumas oportunidades e até poderá revelar-se importante, muito graças à sua camaleónica polivalência (apesar de JJ já ter assumido que o utilizará como “segundo volante”).
Ainda assim, Francisco Machado poderia ter dado um rumo diferente à carreira já neste último mercado, uma vez que neste SL Benfica de Jesus ela pode estagnar, não sendo de todo positivo para um jovem português de muito talento.
3. FerroTodibo, Otamendi, Vertonghen e até mesmo Jardel são concorrência difícil de ultrapassar para o jovem central português. Como tal, teria sido prudente emprestar Francisco Ferreira a uma equipa na qual pudesse ser regularmente titular e na qual tivesse um papel que lhe permitisse aprimorar os seus pontos fortes (nomeadamente, as saídas em construção) e desenvolver os seus pontos fracos, como a velocidade, o controlo da profundidade, a agressividade e o jogo aéreo.
Ficando no plantel, poderá sempre aprender com os centrais experientes da equipa e com o próprio treinador; no entanto, ficará privado do melhor treino possível: o jogo. Teria sido melhor, talvez, emprestá-lo a uma das equipas que, consta, tentaram o seu empréstimo.
Getafe CF ou Granada CF (que vai jogar Liga Europa e que conta com dois portugueses na defensiva – o guarda-redes Rui Silva e o central Domingos Duarte) teriam sido ótimas escolhas.
4. Jardel O central de 34 anos vai acabar a época com 35 e sem contrato com o SL Benfica. Isto é, se acabar a época. Especula-se que o defesa que chegou à Luz na temporada 2010/11 pode pôr cobro à carreira já em janeiro.
Caso o faça e assumindo que a sua ausência (cada vez menos notada, notória e notável) será suprida com antecipação, a sua permanência no plantel pode compreender-se, sobretudo pela sua condição de capitão.
Contudo, caso a carreira de Jardel prossiga, revela-se uma má jogada a sua não saída neste último mercado. A sua transferência nunca consagraria um avultado valor aos cofres da Luz, mas o clube pouparia o valor do seu salário e abriria espaço para a chegada de um outro central ou para uma maior afirmação de Ferro.
Tal não sucedeu e as águias têm agora no plantel uma figura que, ainda que tendo peso no balneário, já não é capaz de contínua e sustentadamente dar o seu contributo desportivo à equipa e ainda pesa na folha salarial do clube.
5. Facundo Ferreyra O avançado argentino de 29 anos ainda pode abandonar o clube da Luz e rumar a mercados secundários do panorama mundial do futebol. No entanto, de momento ainda se mantém a ligação entre o SL Benfica e o ex- FK Shakhtar.
Uma ligação bastante cara para os encarnados, que despendem quatro milhões por temporada para cobrir as premissas do contrato de um jogador que nunca chegou a contar para Lage e que não deverá contar para Jorge Jesus, contrato esse que só expira em junho de 2022.
O treinador das águias vai, corre a notícia, avaliar o argentino, que, ainda assim, deverá ser relegado para a equipa B, caso não abandone o clube entretanto. Numa altura em que Waldschmidt, Seferovic e Darwin se encontram ao serviço das suas seleções, Ferreyra pode ser avaliado nos treinos da equipa principal. Se não o for, estará mesmo de saída sem que JJ sequer se dê ao trabalho de o conhecer."

Fever Pitch - João & Patrick... França!

Fever Pitch - João & Ricardo... Escócia!

O purgatório


"Ganhar, marcar três golos, mesmo a jogar mal e com muitos erros, faz acreditar que só podemos melhorar

Fim-de-semana com futebol à distância (por WathsApp) é o purgatório. Jantava em Amesterdão enquanto recebia mensagens com as notícias do FC Porto - Marítimo no Dragão. Marítimo a ganhar, Alex Telles a falhar, arbitragem a tentar, este VAR a não variar, minutos de desconto para não terminar, foram tantas as informações que comecei a temer por substâncias psicotrópicas na minha comida. Por fim, chegou o resultado final. Confesso que o foie gras e o tártaro estavam excelentes, nada a dizer do Syrah sugerido pelo chefe. Assim estava perfeito.
Só percebi o alcance estratégico com o fecho do mercado. Afinal Alex Telles veste de vermelho e Nanú é do FC Porto. Com medo de não perceber, até fui confirmar a tabela classificativa.
Contra o Farense, o Benfica fez  a pior exibição da era Jesus. Mesmo para quem viu o jogo em diferido e a saber o resultado, esta exibição não deixa saudades. Foi um suplício (a não repetir) receber as informações ao minuto dos amigos, sem ver o jogo em directo. Por essa razão, este é o mais importante resultado da era Jesus. Ganhar, marcar três golos, mesmo a jogar mal e com muitos erros, faz acreditar que só podemos melhorar. Não deixa de ser agradável discutir as nossas insuficiências exibicionais (e há várias) em primeiro lugar, só com vitórias. O Farense mostrou qualidade na Luz, mas houve muitos menos Benfica daquilo que os adeptos esperam e que Jorge Jesus irá trazer para concretizar a ambição do 38. Seferovic e Weigl saltaram do banco para dar importantes três pontos. Deste jogo fica o susto, a saudade da nota artística e os importantes três pontos. Odysseas esteve muito bem, num jogo que esperamos atípico.
Gostei de ver Jorge Jesus a mexer (três substituições) no minuto seguinte a sofrer o golo. Não tenho saudades de substituições com o minuto marcado, a entrada programada ou o jogo lido do banco independentemente do que está a acontecer. Não estávamos a ganhar, nem a jogar bem (lentos, previsíveis e com muitos passes falhados), era preciso inverter o rumo do jogo e o treinador mexeu de imediato. As sim é melhor, muito melhor.
Quinze dias de paragem do campeonato para todos os gostos: sarar contusões, contar tostões, dar explicações, convencer contratações, mas felizmente não alterar classificações. Quinze dias para preparar a deslocação ao Estádio dos Arcos onde só o melhor Benfica conseguirá vencer.
Fechou um mercado onde o Benfica vendeu muito melhor, comprou melhor e saiu na liderança da classificação rumo aos objectivos. O resto é semântica para encher chouriços e alimentar as almas poluídas do anti-Benfica em programas televisivos que têm de tudo menos jornalismo."

Sílvio Cervan, in A Bola

Passo importante de afirmação


"Luca Waldschmidt marcou, anteontem, pela primeira vez ao serviço da selecção principal da Alemanha, naquele que foi o quarto jogo dele pela Mannschaft. Uma estreia com um sabor um pouco amargo, porque mais uma vez, a Alemanha não conseguiu segurar uma vantagem até ao apito final, desta vez no particular com a Turquia (3-3), em Colónia.
Aquele remate aos 81 minutos, mesmo assim, foi mais um passo importante na carreira de um jogador que há dois meses abandonou o seu país para vestir a camisola do Benfica.
Um passo importante para a sua afirmação numa selecção que, depois do desaire no Mundial-2018, terá a obrigação de fazer mais e melhor durante o campeonato europeu no próximo verão. Para evitar um novo desastre, o seleccionador Joachim Low precisará de novas soluções, e Waldschmidt pode ser uma delas.
Mas um passo importante também para o seu papel no Benfica. Desde que se mudou para Lisboa em Agosto, as coisas correram bastante bem para o avançado alemão. Até agora, esteve sempre no onze incial das águias nos jogos da Liga NOS. Logo no primeiro encontrou bisou em Famalicão, e foi uma peça fundamental n equipa de Jorge Jesus. O facto, de agora ter marcado também com o camisola do seu país, só pode beneficiar a autoconfiança de Waldschmidt, bem como o seu estatuto dentro do clube.
Até ao regresso dos campeonatos nacionais, a selecção alemã terá que disputar mais dois compromissos, neste sábado na Ucrânia, e na próxima terça-feira com a Suíça. Depois da sua boa exibição contra a Turquia é bastante provável que Waldschmidt possa estar de novo em campo."

Markus Horn, in A Bola

Versatilidade de Luca


"O avançado do Benfica que Jorge Jesus começou por testar como Avançado Direito, e que tem encontrado mais recentemente um espaço nas costas do mais adiantado Darwin foi uma das figuras em destaque na recepção da Alemanha à Turquia.

A imagem não está errada. Waldschmidt foi o homem mais adiantado da seleção alemã e rubricou uma exibição de grande nível demonstrando quer nos constantes movimentos de ruptura que lhe permitiram receber a bola vezes sem fim nas costas da linha defensiva adversária, quer na ligação que estabeleceu com os colegas quando recebeu bola no pé que a sua versatilidade é imensa e poderá ser uma opção até para a posição de Darwin em caso de ausência do uruguaio.
Um golo, participação em outros dois (um viria a ser invalidado) e em inúmeros lances de perigo, num jogo que provou como se pode tornar na grande figura da Liga em Portugal."

Bem-vindo, Otamendi


"Optimista, me confesso, nunca hei-de entender plenamente o benfiquismo autofágico. A mentalização, dos pessimistas militantes, para lidarem com uma eventual decepção no futuro é compreensível; já a irritante predisposição para, confirmadas as propaladas desgraças, logo se recolherem louros por uma suposta capacidade premonitória (evocada só quando se acerta), nem por isso.
Não está em causa o arrebatado amor pelo clube, a dedicação ou o enorme desejo do sucesso e conquistas, pelo que estranho ainda mais, por tão recorrente, que estes benfiquistas em tudo vejam defeitos e que quase nada os satisfaça. Chamam-lhe exigência, mas é outra coisa qualquer. Algumas das reacções à estreia de Otamendi são exemplificativas do que estou a tentar explicar.
Saiu Rúben Dias, entrou Otamendi. Por conseguinte, Rúben Dias foi imediatamente elevado ao estatuto de Humberto Coelho, enquanto a Otamendi já só deveria restar Chipre ou a Arábia Saudita.
A exibição categórica de Otamendi, na primeira parte ante o Farense, no seu primeiro jogo da época passados escassos dias da chegada a Portugal, motivou, diria à falta de melhor expressão, uma decepção feliz nesse tipo de benfiquistas. Otamendi mostrou todos os seus excelentes atributos, e eles, desconfiadamente, pensaram 'talvez sirva'. Com o desacerto na segunda parte ressurgiu a má vontade e o lamento 'Com o Rúben isto não teria acontecido'. Não interessa que Rúben Dias, não obstante o seu enorme valor como futebolista, tenha sido o protagonista de diversos lances infelizes (de resto, como qualquer outro defesa-central). OU que tenha sido mais que evidente a falta sobre Otamendi no segundo golo do Farense. Só a 'exigência', como a apelidam."

João Tomaz, in O Benfica

Respeito, por favor


"Com tantas equipas em representação do Sport Lisboa e Benfica, em homens e mulheres e nos mais variados escalões, fica difícil acompanhar a actualidade desportiva do clube. Mas eu tento. Seja através da BTV, do jornal, do site ou das redes sociais, procuro estar a par de todas as competições e notícias relacionadas com cada secção. As entradas e as saídas, os desempenhos, os resultados, tento tudo para não ir perdendo pitada do que se passa em termos competitivos. E acredito que muitos benfiquistas também o façam.
Nas épocas mais recentes, com a aposta e o crescimento do desporto feminino no Glorioso, há ainda mais motivos de interesse para apoiar as nossas atletas, mas, infelizmente, é com estupefação que vejo o comportamento de alguns adeptos nas redes sociais do nosso clube e das nossas modalidades. Gente que, provavelmente, nunca mexeu uma palha para apoiar as nossas meninas e senhoras fica à espera de um resultado maus ou uma exibição menos conseguida para criticar abertamente quem veste a nossa camisola. No passado fim de semana, mais alguns exemplos desse comportamento inadmissível. Uma derrota caseira no basquetebol (em jornada dupla que tinha começado com uma brilhante vitória fora de casa) logo serviu atacar as novas contratações e a equipa técnica. No futebol, depois de mais uma vitória por goleada, lá chegaram comentários a apontar o dedo a golos falhados. No voleibol, a mesma coisa: o Sport Lisboa e Benfica foi jogador fora contra mais uma equipa do FCP feita à pressão sobre o trabalho já realizado por outra estrutura. Ganhámos por 3 sets a 2, e o que tive oportunidade de ler? Podíamos ter vencido por 3-0, quase que escapava a vitória e coisas do género.
Brincamos, ou quê? É preciso não ter noção do que é o desporto, é preciso não ter cultura desportiva para brincar desta forma com o trabalho realizado todos os dias pelas centenas de atletas e técnicos que muito me orgulham de representar o Benfica. De repente, todos se tornam peritos em contratações, em tácticas e em planos de treinos. Já não chegava a cegueira no futebol, agora estende-se às modalidades. É isto apoiar o clube e quem veste o manto sagrado? Estou desejoso de que os pavilhões voltem a receber adeptos para ver estas vozes 'entendidas' nas bancadas a abanar os cachecóis. Sim, sou um sonhador."

Ricardo Santos, in O Benfica

Ainda tens muito a aprender, Otamendi


"Terceira jornada, Benfica isolado. Apesar de parecer tarefa simples, esta é apenas a sexta vez nas últimas 30 temporadas em que o Benfica consegue arrancar o campeonato com três triunfos. Depois de duas boas exibições, a terceira ronda trouxe mais suor do que o esperado no duelo com o Farense. Já desmarquei um eletrocardiograma que tinha agendado para Novembro, porque, depois de o meu miocárdio ter ultrapassado aquele 1-2 anulado aos algarvios sem consequências, percebi que qualquer outro teste ao coração se torna desnecessário.
Gostei da estreia do Otamendi, apesar de considerar que o argentino precisa de um tempo de adaptação para atingir o melhor nível. Tem de se habituar a jogar ao lado do Vertonghen e do Ferro, conhecer melhor o Jardel e o Todibo e perceber que a avaliação de uma jogada com uma camisola do Benfica não é exactamente a mesmo coisa que a avaliação de uma jogada com uma camisola do FCP. Eu bem vi aquele ar surpreendido do Otamendi quando percebeu que, depois de cometer falta dentro da área, a falta iria mesmo ser assinalada. Agora tudo faz mais sentido, não é, Nicolás?
O defesa vai ter de perceber algumas diferenças. Ao Marega, por exemplo, basta-lhe pontapear um adversário que tenha acabado de fazer um desarme limpo para que o árbitro e o VAR assinalem um penálti em seu favor. É um alerta para o ex-jogador do Man. City registar no bloco de notas. Nos jogos com o FCP, o Otamendi não só vai ter de tentar recuperar a bola legalmente como ainda terá de se esquivar aos golpes do Marega para evitar que seja marcada uma grande penalidade. É um jogador com uma vasta experiência, mas ainda tem muito a aprender."

Pedro Soares, in O Benfica

A verdade


"À medida que se vai desenrolando o julgamento do hacker Rui Pinto, e ouvimos os vários depoimentos, vamos também entendendo o modus vivendi da personagem e aquilo que está verdadeiramente em causa. Nada que surpreenda quem, desde cedo, percebeu tratar-se de um criminoso à escala internacional, envolvido até ao pescoço num conjunto de fraudes vitimando as mais diversas pessoas e entidades públicas e privadas, buscando o proveito próprio. Para aqueles que embarcaram na fantasiosa tese do denunciante romântico, movido pelos mais puros propósitos de justiça, apenas vai restando o descrédito.
Está por apurar muita coisa. Desde logo, os contornos relativos ao roubo e à publicação dos e-mails do Benfica. Designadamente como, porquê e a que preço chegaram os mesmos ao Porto Canal. Talvez ainda haja revelações inesperadas. Ou nem tanto. É preciso dizer que o ciber-crime é um cancro do nosso tempo. E neste século XXI, ninguém está a salvo - basta ter uma conta bancária.
Trata-se de um tipo de crime porventura mais perigoso do que a própria corrupção, pois pode afectar directamente o cidadão anónimo de variadas formas. Há que combatê-lo sem ilusões e com firmeza.
Sobra uma outra questão, que se prende com a comunicação social, as duas fontes e as suas metodologias. Houve quem garantisse audiências - e consequentemente dinheiro - com a publicação de correspondência roubada, ocultando a identidade do pirata, e estabelecendo com ele uma espécie de parceira. E não só a Der Spiegel. Será isto que queremos dos media? Vale tudo para olhar pelo buraco das fechaduras? E quando chega à nossa parte?"

Luís Fialho, in O Benfica

Obrigado, Rúben!


"Era inevitável. Rúben Dias partiu e nós ficámos todos a torcer para que vingue no Manchester City e, sobretudo, que regresse um dia para terminar a sua carreira no Sport Lisboa e Benfica. Por muito que nos custe, esta é a dura realidade. Manda a verdade dizer que a SAD tudo fez para aguentar o valoroso defesa-central, mas foi impossível resistir à proposta do poderoso clube inglês. O ordenado que Rúben Dias vai auferir em Manchester https://www.slbenfica.pt/pt-pt/agora/news-benfica/2020/10/09 existente os é totalmente incomportável para o SL Benfica e vem confirmar o fosso existente nos clubes desses dois campeonatos. Rúben Dias merece tudo, pois foi sempre um profissional exemplar a um verdadeiro símbolo da excelência da nossa academia. Jogador à Benfica, Rúben Dias quis sair e ambicionava jogar na liga mais rica e competitiva do mundo. A SAD do Benfica foi rápida a encontrar uma solução A contratação de Nicolás Otamendi enquadra-se na política de aposta na construção de uma equipa com dimensão europeia. Otamendi é internacional argentino, titular de uma das seleções mais prestigiadas do mundo, onde já actuou por 70 vezes. Proveniente da liga inglesa, onde realizou 210 jogos, nas últimas cinco épocas, a serviço do bicampeão Manchester City, ajudando a conquistar nove títulos, Otamendi estreou-se frente ao Farense e confesso que gostei da sua exibição. Admito o penálti que cometeu, mas o lance que deu origem ao segundo golo do Farense é, claraente, precedido de uma falta atacante que só um VAR incompetente não conseuguiu ver. Apreciei a sua firmeza no passe, a sua colocação em campo e, sobretudo, a sua experiência. Otamendi e o jovem francês Todibo são duas opções muito válidas para atacarmos com ambição as provas internas e a Liga Europa."

Pedro Guerra, in O Benfica

Diversidade é riqueza


"Não há como ignorar este problema que desafia, no seio das sociedades humanas progressistas e democráticas, os valores fundamentais em que se fundam. A cor e a diferença cultural são dois poderosos identificadores colectivos e funcionam em todas as sociedades como elementos potenciais de tensão que ganham dimensão ao sabor da história, sobretudo em períodos mais críticos, levando as maiorias a relegar as minorias para as margens da sociedade e a perpetuar injustiças com base em generalizações de atitudes de indivíduos e/ou grupos a bases sociais mais alargados que com eles partilham o sítio onde vivem, a pobreza onde vivem ou simplesmente a cor da pele, a origem ou até aos mesmos handicaps.
Já em sentido inverso não funciona o mesmo mecanismo de generalização, em ondas de choque, antes sucedendo exactamente o inverso, ou seja, uma amortização dos impactos positivos de feitos ou conquistas que assim ficam contidas numa espécie de condição de excelência de individuo ou partilhados em generalizações mais vastas, essas sem quaisquer conotações de base étnica ou racial. É isto que vemos ocorrer tantas vezes no mundo do desporto, em que a história nos mostra o sucesso, a superação e a excelência saindo dos locais e condições sociais e étnicas mais improváveis. Estanho fenómeno este que nos deve levar a todos a reflectir, quando na glória e no sucesso os nossos melhores não têm cor nem raça, pois o seu sucesso, sendo de nós todos porque nos representam, deveria sempre ser também uma forma de ajudar a sociedade no seu todo e muito particularmente as maiorias e os mais fortes e aprenderem a valorizar a diferença e a descobrir que a diversidade não é uma fraqueza, mas um enorme património das nações que o saibam aproveitar."

Jorge Miranda, in O Benfica

Apetecível


"1. Aí estão, daqui a três semanas apenas, as mais relevantes eleições de uma entidade portuguesa não estatal, mas totalmente transversal a todas as geografias e estratos da população nacional. As eleições gerais no Benfica, com a participação directa dos Benfiquistas maiores de idade e com capacidade eleitoral estatutariamente definida, como sempre, voltarão a constituir, no final deste mês, a mais concorrida manifestação da Democracia não parlamentar da sociedade portuguesa.
2. Mesmo nos períodos mais difíceis da vida colectiva dos portugueses, esse exercício da liberdade de voto para mandatos de um, dois, três e quatro anos sempre revestiu periodicamente aqui, no nosso Benfica, um singular exemplo de civismo, irrepetível no contexto sociopolítico da comunidade em geral, que se consolidaria desde o fim da Monarquia, durante a I República, nos tempos dilacerados pelas duas Grandes Guerras, ou no arriscado período da 'guerra fria', enquanto, a sério, os portugueses só votavam livremente, sempre, só e quando havia eleições no Glorioso...
3. Eleições directas e únicas, na dimensão crescentemente participativa; únicas, pela intensidade, com que eram preparadas e cumpridas por nós e observadas pelos outros; únicas, pela força popular que delas dimanava, no gradual desenvolvimento da fantástica ideia-forte do Grande Benfica Campeão. Mas, sobretudo cobiçadas e invejadas por todos os restantes democratas de outras cores, dada a impossível réplica com que, tão descaradamente, os homens (e as mulheres!) Benfiquistas sempre acorriam a votos, afirmando perante a sociedade civil um Benfica assim, cada vez mais forte e cada vez mais único...
4. Depois de Abril, foi o que se viu. Todos os outros alegaram ser também clubes 'do povo'. Os dois concorrentes mais notórios, então, distinguiram-se dos restantes pelas sucessivas barrelas de 'revisões' e aldrabices com que passaram a ensaboar as suas próprias histórias - algumas vividas com pides e parafascistas de pistola à cinta para intimidar árbitros, ou com 'quinhentinhos' e 'fruta para dormir' à mão de semear, para os comprar. O lá de cima, sem vergonha pela memória de quem lhe dera mesmo a (triste) vida, até, em trancafiar a própria data da sua 'fundação' empreendeu...
5. Mas a tudo isso o Benfica foi, no seu caminho, sempre dizendo nada. Sempre mais e mais unido. Sempre mais forte e poderoso. E sempre cumprindo a polissémica consigna distinta que, talvez ainda antes do início do ano de 1904, o (futuro) presidente Félix Bermudes proporia aos seus companheiros Fundadores para consagrar E Pluribus Unum - ou seja, um que, entre todos os restantes, se tornasse verdadeiramente único pelo poder da união de tantos.
6. Em cada tempo pré-eleitoral no Benfica, torna-se prudente reavivarmos a parábola. E desta vez, ainda mais. Que eu tenha lembrança ou registo, a manterem-se no pleito eleitoral de 30 de Outubro todas as (cinco, pela primeira vez!) pré-Candidaturas que se perfilam, prefiro pensar que seja porque o Benfica é Grande e que jamais nos faltarão, entre nós (e não nos bueiros da torpe comunicação da TV generalistas...), as genuínas soluções para o eterno prolongamento de um presente Glorioso.
7. É, que, no profundo respeito pelo verdadeiro Benfiquismo de quem venha por bem, também não deixarei de sinalizar que, mais do que sedutor, o Benfica está hoje verdadeiramente apetecível. Como nunca."

José Nuno Martins, in O Benfica