Últimas indefectivações

sábado, 15 de agosto de 2020

Passar com uma esponja o Benfica 2019-20? Os números de uma época histórica (no mau sentido).

"Duas semanas. Foi o período de nojo necessário para conseguir voltar a debruçar-me sobre o futebol do Benfica, e sobre o que se passou neste ano civil. Uma época a lembrar os bons tempos do Vietname, pautada por exibições paupérrimas e pela escassez de títulos: uma supertaça, naquele que (para muitos) foi o melhor jogo da época... a 4 de Agosto de 2019. Ou seja, tanto a melhor exibição como o último troféu do futebol sénior do Benfica ocorreram há mais de 1 ano.

Uma época... atípica. Talvez seja este o melhor adjectivo para o que aconteceu nesta temporada, marcada pela interrupção de jogos oficiais durante 3 meses devido à pandemia.
Comecemos pelo final de temporada: a Taça de Portugal. O Benfica tinha a hipótese de conquistar este troféu pela 27.ª vez, sendo que tinha enfrentado o FC Porto na final por 10 vezes, com um historial favorável de 9-1 (a última derrota na final deste troféu ocorreu no longínquo ano de 1958). Acresce ainda que Sérgio Conceição nunca tinha vencido a final da Taça das duas vezes que lá chegou (como treinador). Outro dado favorável ao clube: o Benfica tinha vencido 26 das 37 finais a que chegou, enquanto o FC Porto só tinha vencido 16 das 30 finais. Além disso, o Benfica tinha vencido as suas duas últimas finais, e no sentido inverso, o FC Porto tinha perdido as suas últimas duas finais da Taça, competição que não vencia desde 2011, ano em que completou a sua última dobradinha. E em campo considerado neutro, as duas equipas defrontaram-se por 15 vezes, com vantagem dos encarnados, que somavam nove vitórias, contra cinco triunfos dos portistas. Ou seja, os números estavam favoráveis ao clube da Luz.
E o Benfica, contra todas as tendências estatísticas, perdeu a final da Taça de Portugal. O FC Porto venceu, pela 4.ª na sua história, todos os jogos contra o Benfica numa temporada em que se defrontaram por 3 ou mais vezes. Foi também a 2.ª vez que o FC Porto venceu uma final em desvantagem numérica, a 1.ª sem vantagem no marcador. O Benfica de 2019-20 entra assim na história do clube azul e branco pelos piores motivos, algo que os adeptos benfiquistas detestam.
Quanto à Taça da Liga, o Benfica iguala o seu pior registo com apenas 3 pontos na fase de grupos, numa competição que já não vence desde 2016. Na Europa, o Benfica fica pela 2ª vez consecutiva em 3.º lugar na fase de grupos da Champions League (não segue para os oitavos-de-final há 3 anos), e alcançou a 1.ª vitória por mais do que um golo (!) nos últimos 23 jogos (6V - 3E - 14D). Contudo, e pela 1.º vez na sua história, o Benfica é eliminado logo na primeira eliminatória da Europa League (formato actual), e a 3.ª vez (séc. XXI) que completa uma competição europeia sem vitórias.
Quanto à Liga Portuguesa, desde 2013-14 que o Benfica não marcava tão poucos golos (71), sendo que a grande maioria desses golos (42) foi marcada na 1.ª volta do campeonato. Não admira que apesar de o melhor marcador do campeonato ter sido novamente um jogador do Benfica (Seferovic tinha sido o melhor marcador do campeonato na época passada com 22 golos), são precisos 13 anos (!) para se ver um Bota de Prata com um registo tão fraco: 18 golos. Os mesmos que Pizzi, que foi igualmente o jogador da Liga com mais assistências. A título de curiosidade, remeto os leitores para um "comparómetro" com a prestação dos 4 principais pontas-de-lança do Benfica nesta época (o artigo completo encontra-se aqui):
Registou a 2.ª pior marca defensiva e o 2.º pior goal average desde 2011-12, onde 17 golos foram sofridos de bola parada (8 de cantos, 4 de grandes penalidades, 4 de livres indirectos, e 1 de livre directo). O Benfica foi apenas a 4.ª equipa com mais posse de bola durante a temporada (FC Porto liderou esta lista), a 8.ª com menos passes falhados, a 9.ª com mais perdas de bola, a 10.ª com mais golos de bola parada, e a penúltima (!!!) em golos marcados fora da área.
Corria o mês de Janeiro e o Benfica estabelecia, em Alvalade, a melhor 1.ª volta de sempre de uma equipa numa Liga com 18 equipas (batendo o recorde estabelecido pelo FC Porto de António Oliveira, em 1996-97, com 47 pontos), e o 6.º melhor aproveitamento de pontos (94%), bem como o recorde de vitórias fora (17, que depois seriam 18 com o jogo em Paços de Ferreira já na 2.ª volta). Tudo parecia correr sobre rodas. O universo benfiquista já sonhava.
Mas, à semelhança de épocas anteriores, a mesma equipa que deslumbrou no passado, acaba por engasgar nos melhores momentos. Na 2.ª volta, o Benfica totalizou 29 pontos contra 41 do FC Porto. Aliás, no campeonato da 2.ª volta, o Benfica terminaria no 5.º lugar, a 12 do clube azul e branco. Teve, na 2.ª volta, um rácio de 1.71 pontos por jogo, o 5.º pior rácio de pontos por jogo nas últimas 50 voltas de campeonatos (ou seja, desde que as vitórias valem 3 pontos). Enquanto na 1.ª metade do campeonato só encaixa 6 golos (com 12 "clean sheets"), na 2.ª encaixa 20 (apenas 5 "clean sheets"), sendo apenas a 6.ª melhor defesa nestas últimas 17 partidas. Mas a tragédia continua.
Os adeptos benfiquistas tiveram de esperar 16 jogos para ver uma vitória por 2+ golos (em casa frente ao Boavista, a 1.ª na Luz no ano de 2020), 7 meses para ver uma goleada (4+ golos, contra Desp. Aves), e 19 jogos para ver 2 jogos consecutivos sem sofrer golos... e porque o adversário era o Desp. Aves, lanterna vermelha do campeonato e um clube a passar por gravíssimos problemas desportivos. Com 4 derrotas na 2.ª volta, o Benfica totalizou 5 em 2019-20, o seu pior registo desde 2010-11.
Em sete partidas em Fevereiro (2V, 2E, 3D), o Benfica só venceu dois jogos, frente ao Gil Vicente [F] e FC Famalicão na Luz para a Taça de Portugal. Não se via um mês tão negro desde Dezembro 2017 com Rui Vitória (2V, 3E, 2D). Mas a série negativa continuou, e o Benfica faz 13 jogos onde somou apenas 2 vitórias, 6 empates, e 5 derrotas – uma série onde esteve sem vencer em 5 jogos consecutivos, e onde não venceu na Luz também em 5 jogos consecutivos (a 1.ª vez que tal ocorreu neste século). Mas não foram os únicos registos históricos.
Há 20 anos que não ficava em branco nos Barreiros (jogo que ditou a saída de Lage); foi a 1.ª vez neste milénio que sofreu 4 golos em casa (frente ao Santa Clara, equipa que nunca tinha vencido um dos 3 grandes fora de portas, e a 1.ª a marcar 4 golos no Estádio da Luz); foi a 1.ª vez na sua história que o Benfica deixa fugir a vitória após uma vantagem de 2+ golos em jogos consecutivos (Shakhtar e Portimonense); e também a 1.ª vez na sua história que teve 5 empates consecutivos. Se acham que o pesadelo termina aqui, enganam-se. Eu é que não tenho estômago para aqui colocar os outros registos históricos ocorridos nesta segunda metade do campeonato.
«Convém que o Benfica se esqueça rapidamente da época que acabou», dizia recentemente Nuno Gomes no programa MaisFutebol da TVI (07/08/2020). Discordo, em toda a linha.
É essencial que o Benfica nunca se esqueça da época 2019-20: das 3 derrotas contra um dos piores FC Portos do séc. XXI; do retorno à incapacidade para encontrar soluções na dinâmica ofensiva; das evidentes dificuldades em defender bolas paradas; da problemática falta de opções com qualidade na frente de ataque, no eixo defensivo, e na baliza; e sobretudo, da preocupante falta de maturidade para conseguir não só manter a constância exibicional, mas também dar a volta aos maus resultados.
Numa altura em que há muita esperança nos novos reforços que chegam agora à Luz, é imperativo que a nova equipa técnica do Benfica identifique e minimize estas fraquezas, antes de poder partir para uma época que, esperamos todos, seja de retoma aos títulos mas acima de tudo, que volte a entusiasmar o universo benfiquista."

Sporting vs. Braga: o desaparecimento ou a emergência de (mais) um grande?

"Discute-se hoje o encurtamento das distâncias entre SC Braga e Sporting CP. Será esta uma moda de curta duração ou uma tendência emergente? Estaremos perante um quarto grande ou deveremos deixar de colocar Sporting no lote dos três grandes, dadas as distâncias cada vez mais evidentes para SL Benfica e FC Porto?

Tradicionalmente, no futebol português são identificados três grande clubes: FC Porto, SL Benfica e Sporting CP. Isto deve-se, possivelmente, aos seus números de associados, palmarés ou questões financeiras. Contudo, discute-se hoje o encurtamento das distâncias entre SC Braga e Sporting CP. Será esta uma moda de curta duração ou uma tendência emergente? Estaremos perante um quarto grande ou deveremos deixar de colocar Sporting no lote dos três grandes, dadas as distâncias cada vez mais evidentes para SL Benfica e FC Porto?
Parece-me claro: o Sporting é um clube grande, e por muito que o Braga venha encurtando as diferenças, não é um clube grande. Vamos a números: em termos sociais, o Sporting tem cerca de quatro vezes mais sócios que o Braga (107.000 v 28.000); em termos de palmarés, e considerando apenas quatro maiores troféus nacionais (campeonato, taça, taça da liga e supertaça), o Sporting tem 49 títulos e o Braga apenas 4; e em termos financeiros, o Sporting tem um activo 4.23 vezes superior (301M€ v 71M€) e receitas operacionais 4.75 vezes superior (76M€ v 16M€) do que o Braga. Isto permite que o valor (contabilístico) dos jogadores do Sporting per si seja reconhecida pelos mercados financeiros como sendo 5.56 vezes superior à do Braga (89M€ v 16M€). Por inerência, a sua folha salarial é também 3.73 vezes superior (69M€ v 18.5M€).
Não obstante, isto vale o que vale, porque nos últimos 10 anos, o Sporting não ganhou nenhum campeonato, e conquistou apenas duas taças de portugal, duas taças da liga e uma supertaça. No mesmo período, o SC Braga ganhou o mesmo número de campeonatos e taças da liga, e menos uma taça de portugal e uma supertaça. Pelo meio, Braga tem ainda uma final europeia e o Sporting não. E na última época Braga terminou o campeonato à frente de Sporting… Parece claro que existem formas de mitigar o impacto desportivo da diferença de dimensão entre clubes, e o Braga aparenta saber como.
Do ponto de vista estratégico, de gestão, financeiro, comunicação e, sobretudo, desportivo, o Braga aparenta ter os seus processos muito mais bem definidos e estáveis. Possui hoje uma cultura organizacional muito mais clara e definida, tendo uma estabilidade directiva grande que lhe permite ser mais consequente e clarividente na comunicação com os seus stakeholders. Este clima positivo permite o desenvolvimento de talento de forma sustentável. Tem demonstrado outputs dos melhores em Portugal, tanto no seu departamento de scouting (ex., Paulinho) e como no seu departamento de formação (ex., Pedro Neto, Trincão e Bruno Jordão), servidos por instalações de excelência. Até nas transacções com Sporting é no sentido Sul-Norte que tem fluído a valorização de activos (ex., Esgaio, Palhinha e Wilson Eduardo) e o fluxo do dinheiro proveniente de transferências (ex., Rúben Amorim). Por incrível que possa parecer, o Braga tem hoje uma estrutura financeira muito mais equilibrada que o Sporting. O seu endividamento é de 73%, considerando os capitais próprios positivos de 19M€. Já o Sporting, continua em falência técnica, com um endividamento de 108% e capitais próprios de -24M€. Isto permite que o Braga invista apenas menos 30% em aquisições de jogadores que o Sporting (8.4M€ v 12M€).
Em 2019/20, Portugal recuperou o 6º lugar do ranking de clubes de UEFA, garantido que o 3º classificado da liga portuguesa possa ter acesso à UEFA Champions League (UCL) de 2021/22. Considerando que cada clube ganha (i) por participação na UCL 15.25M€ mais 1.1M€ por cada lugar no ranking dos 32 participantes da UCL, e (ii) por desempenho 2.7M€ por vitória e 0.9M€ por empate, bem como 9.5M€ se passar aos 1/8° final, é possível admitir que em 2021/22 Sporting ou Braga consigam uma receita de cerca de 40M€ na UCL. Ou seja, para Braga um 3.º lugar na liga portuguesa em 2020/21 pode valer um aumento de 2.5 vezes da sua receita anual operacional ou o pagamento de 77% do seu passivo a pronto. Para o Sporting um 3.º lugar na liga portuguesa em 2020/21 pode significar um aumento de 53% na sua receita anual operacional ou o pagamento no imediato de 58% da sua folha salarial. Mais, o maior mediatismo do Sporting e respectiva instabilidade directiva pode também ser utilizada em benefício do Braga: a expectativa dos associados leoninos é lutarem lado a lado com Benfica e Porto. Voltando a não cumprir essa expectativa, será muito mais fácil (re)instalar-se uma crise social que prejudique inclusive a manutenção do 3.º lugar. Este ano promete ser de importância extrema para ambos os clubes."

João & Patrick... França!

Everton


A grande contratação do defeso (até agora!), e mesmo se o Cavani vier, muito sinceramente, creio que esta acaba por ser a 'entrada' mais surpreendente! Devido à idade e à qualidade do jogador...
Contratar um titular da selecção brasileira, ainda por cima um jogador de características ofensivas (são mais caros do que os defesas...), que na última competição internacional de selecções que o Brasil participou foi o melhor jogador... que era praticamente o único titular da selecção que ainda jogava no Brasileirão... tudo isto, parece 'impossível', mas tornou-se realidade!
Ainda me recordo das chegadas do Valdo, do Ricardo Gomes, do Mozer, do Aldair, do Elzo (e também do Paulo Nunes e do Donizete.... e do Roger!!!)... Nos últimos tempos, só a chegada do Luisão (muito jovem...) e do Ramires se podem aproximar à importância desta movimentação...
Tenho poucas duvidas sobre o impacto do Everton no Benfica... e o período de adaptação será curto, porque vem com ritmo, e nas pré-eliminatórias da Champions, será seguramente decisivo...
Drible, boa chegada na área, com remate potente, faro de golo, velocidade e força... sendo que defensivamente não se esconde...
A minha única preocupação, é que um jogador desta qualidade, no Benfica, treinado pelo Jesus, vai despertar o interesse dos tubarões rapidamente... Portanto, desfrutem...!!!

Waldschmidt


Jovem alemão, talentoso... aquele que devia ter sido o substituto do Félix, na época que terminou, que acabou por só chegar este ano!
Nas grandes selecções Alemãs dos anos 80 e 90, normalmente tínhamos 10 jogadores de qualidade, trabalhadores, disciplinados tacticamente, fisicamente fortes e depois havia sempre um criativo lá no meio, um Thomas Hassler!!! O Luca, parece-me ser um desses...!!!
A minha única dúvida, está ligada ao estilo de jogo do Benfica: no seu anterior Clube, jogava muitas vezes, contra equipas 'superiores', que depois permitiam 'saídas' rápidas... no Benfica, na maior parte das vezes, vai jogar contra equipas muito fechadinhas, vamos ver como se adapta!

Vertonghen


Quando saíram as primeiras notícias do interesse do Benfica, no internacional Belga, não acreditei! Mas aparentemente neste defeso, aquilo que parece bom demais, é mesmo 'verdade'!!!
Central experiente, forte fisicamente, bom no jogo aéreo, canhoto, boa capacidade de passe para um defesa 'matacão'... e até tem alguma velocidade, já que jogou muitos minutos como defesa esquerdo em Inglaterra!
Vamos ver como se irá adaptar às 'ordens' do treinador... e qual será a atitude competitiva, mas tem tudo para ser a garantia das nossas melhorias defensivas...

PS: Vamos ver quem será o companheiro do lado! Muito se tem falado de contratações, mas também existe a possibilidade de haver algumas saídas sonantes...!!!

Trio 'Odemira' !!!

Venha lá mais um craque

"A comprar assim este Benfica é uma carraça para os adversários

O Benfica tem comprado a bom ritmo e com inegável qualidade. Helton Leite, Gilberto, Cebolinha, Waldschimidt e Vertonghen são aperitivo, prato e sobremesa para uma época de sonho. Parece melhor que o melhor dos sonhos. O sonho, depois destas compras, é que dia 15 de Setembro chegue rápido. Embora os adeptos queiram sempre mais (eu também), este plantel já tem muito talento e, nas mãos de Jorge Jesus, vai mesmo render o triplo. Mas, como sou adepto, venha lá mais um craque (esse mesmo em que estão a pensar) para aumentar o nosso contentamento e a preocupação noutras latitudes. A comprar assim este Benfica é um carraça para os adversários.
Este ano pode haver um factor lotaria na competição, como se viu com dois infectados no Atlético de Madrid e um no Barcelona em vésperas de jogos importantes. Um plantel ligeiramente mais longo, para atacar todos os títulos, faz, este ano, algum sentido acrescido. Porque este ano é para ganhar todos os títulos nacionais.
Por falar noutras latitudes parece óbvia que o SC Braga está a fazer as coisas muito bem e será candidato nas várias competições que vai disputar. Carlos Carvalhal é muito bom treinador, Nico Gaitán é um excelente jogador, daqueles que só estão ao alcance de equipas com ambição. Este ano ainda não sei quantos serão os candidatos ao título, mas sei que o SC Braga será um deles. Nos supostos candidatos há quem tente comprar, há quem tente vender e há quem tente existir.
Luís Castro levou os ucranianos do Shakhtar Donetsk às meias-finais da Liga Europa. Quando venceu o Benfica numa disputada eliminatória percebemos que era uma equipa de topo.
Daqui a um mês começa a competição e logo com uma terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Começa sem o Benfica fazer um jogo oficial. Dia 15 de Setembro o campeonato já devia ter uma ou duas jornadas e a Supertaça (adiada) disputada. Uma realidade que prejudica muito o Benfica e o futebol português. Jogar uma partida de €50 milhões sem um jogo oficial anterior é uma planificação de amadores. Mas temos papas e bolos e assim se enganam os tolos.
Na próxima semana, o Benfica participa na Youth League, também com os nossos jogadores a viverem a dificuldade da ausência de jogos competitivos, mas isso não diminui a ambição de uma equipa cheia de talento. Boa sorte na partida contra os simpáticos e talentosos croatas do Dínamo de Zagreb que deixaram o Bayern pelo caminho."

Sílvio Cervan, in A Bola

Pontapé de saída

"Gostei bastante da entrevista concedida por Jorge Jesus à BTV, em que nada foi esquecido ou escamoteado. Na linha do que ficara patenteado na apresentação do nosso novo treinador, foi reforçada a ambição de recolocar o futebol benfiquista no trilho do sucesso. Se dominarmos as próximas temporadas, não tenho a mínima dúvida de que, no futuro, faremos a retrospectiva do decénio e considerá-lo-emos hegemónico da nossa parte. A época 2019/20 foi uma desilusão, vencemos somente a Supertaça. Ainda assim, nos últimos 7 anos, conquistámos 15 dos 28 troféus em disputa, mais do que todos os nossos adversários juntos conseguiram. Fazer da última temporada e de 2017/18 excepções será a desígnio de todos os benfiquistas e de quem o serve e representa nos próximos anos.
Mas houve mais que manifestações ambiciosas para o futuro próximo do Benfica. Entre o muito que poderia destacar, escolho a convicção de Jorge Jesus acerca da formação.
Primeiro deixou bem vincado que a competência não se restringe a escalões etários mais velhos e que terá sempre de ser, independentemente da idade, o factor determinante na escolha dos jogadores que compõe o plantel. Depois alargou, e bem, o conceito de formação a atletas que, não tendo percorrido as camadas jovens do clube, são contratados em idades precoces com o intuito de ser desenvolver, ao máximo, o seu potencial. Por último, defendeu a necessidade de dar tempo, logo jogo, às jovens promessas, o que passa, na esmagadora maioria dos casos, pela maturação na equipa B ou o recurso a empréstimos. Não poderia estar mais de acordo. Até porque, se aparecerem outros João Félix ou Renato Sanches, as oportunidades surgirão naturalmente, em nome da competição."

João Tomaz, in O Benfica

Paga o que deves!

"Quem cumpre não faz mais do que a sua obrigação. Quem não cumpre é estranhamente protegido por um sistema que perpetua os maus pagadores. Os pouquíssimos clubes que respeitam a lei, que pagam a tempo e horas ou que não têm dívidas a outras sociedades desportivas não são agraciados com medalhas ou elogios da Liga profissional. Já os outros, os incumpridores, podem fazer o que lhes dá na real gana: adiam pagamentos, reestruturam dúvidas, contratam treinadores e jogadores sem pagar, e nada lhes acontece. Continuam a jogar no campeonato dos mais fortes, desvirtuando a verdade e quebrando regulamentos. Vem isto ainda a propósito das já noticiadas despromoções de Desportivo das Aves e Vitória FC (Setúbal) por não apresentarem as garantias necessárias para disputar o principal campeonato de futebol. Entre elas, por exemplo, estão dívidas a outras sociedades desportivas.
É assim que deve funcionar o futebol profissional? Não me parece. Se queremos um campeonato forte, com equipas profissionais e competentes e em igualdade de circunstâncias, não pode haver protegidos. Nada contra avenses e vitorianos (tanto, que o processo do VFC ainda decorre), o alvo é geral. Quem não cumpre não pode jogar. E se pode haver alguma compreensão em ano de pandemia, já o mesmo não podia ter acontecido ao longo dos últimos anos. Nem nos próximos. Já para não falar da megalomania de ter 18 equipas na divisão principal. E ter tantos incumpridores entre elas."

Ricardo Santos, in O Benfica

Há coisas engraçadas

"Só no jornal O Jogo, a decisão da SIC (e, ao que parece, também da TVI), de descontinuar os programas televisivos com 'adeptos' dos clubes já gerou três (!) editoriais. Aliás, a primeira reacção negativa veio justamente da newsletter do FC Porto (que, diga-se, é quase a mesma coisa).
Também do outro lado da 2.ª Circular se ouviram vozes discordantes. E a reacção de um dos membros de painel, um tal Rodrigo-não-sei-quê (a propósito: quem é? Como foi lá parar?), corre por aí como exemplo de azia mal disfarçada.
Isto é engraçado, mas não surpreende.
Há muito que deixei de ver os ditos programas, e se, entretanto, uma ou outra vez, lá fui espreitar, logo me senti indisposto. Uma das razões foi o facto, óbvio, de há muito terem deixado de falar de futebol - a dada altura tornaram-se meros debates de arbitragem, e depois... nem disso. Outra foi perceber que tais programas representavam uma sofisticada forma de tiro ao Benfica.
Se o nosso clube tem uma representatividade social claramente maioritária no país, nesses painéis ela via-se reduzida a 33%, contra uma dupla normalmente bem oleada de rivais, ao jeito de um que mata e de outro que esfola. Por melhor que fosse o desempenho do nosso 'representante' (e houve de tudo), só por milagre se evitava que os rivais vendessem o seu peixe.
É claro que os problemas do futebol português não ficam todos resolvidos com o fim destes programas. E a comunicação tóxica vai muito para além deles - começa em certos directores de comunicação, e acaba em alguns jornalistas 'independentes'. Mas este não deixa de ser um passo positivo, que me curvo para saudar."

Luís Fialho, in O Benfica

A entrevista

"A guardada com enorme expectativa, a entrevista de Jorge Jesus à BTV foi um grande momento de TV, de futebol e de benfiquismo. Frontal e sem truques, Jorge Jesus respondeu a todos as perguntas de Hélder Contuto, mesmo as mais difíceis. O nosso treinador provou que está completamente focado no novo projecto que visa manter a hegemonia interna e lançar o Benfica europeu. Jorge Jesus explicou, de forma clara e transparente, e que pretende fazer, quantos jogadores quer, como os quer a actuar e onde pretende chegar. A radiografia que fez sobre o actual panorama do futebol português é cruel e devia fazer-nos reflectir. Os melhores jogadores portugueses duram pouco tempo no nosso campeonato, e os bons que contratamos estão de passagem por Portugal. É contra esta tendência que o SL Benfica tem de lutar. Estamos a montar uma grande equipa, e os investimentos da SAD são a prova provada do esforço que está a ser feito. Jorge Jesus voltou a desmontar a questão da formação e deixou pistas para reflexão. Para compreender esta complexa questão, vou dar dois exemplos. Em 2009/10, quando chegou ao SL Benfica, Jorge Jesus tinha cinco defesas-centrais no plantel - Luisão, David Luiz, Sidnei, Miguel Vítor e Roderick Miranda. Ninguém dúvida do real valor de Miguel Vítor e Roderick Miranda, jovens nados e criados no Benfica. Mas todos temos noção de que estavam tapados por dois grandes jogadores - Luisão e David Luiz. Os percursos de ambos são conhecidos, e graças a esta dupla conquistámos muitos títulos. Sidnei era um jovem com 20 anos e com um futuro risonho. Nessa época, Luisão fez 45 dos 51 jogos. David Luiz falhou apenas 2. Sidnei alinhou em 10 jogos. Miguel Vítor e Roderick jogaram 7 e 2, respectivamente. Nessa temporada, conquistámos 2 títulos - o Campeonato Nacional e a Taça da Liga. A pergunta impõem-se: alguém pode questionar as opções do nosso treinador?"

Pedro Guerra, in O Benfica

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Vencedores

"A vitória sorri a todos estes jovens do projecto Para ti Se não faltares! que sabem como ninguém resistir a adversidades e aprenderam por experiência própria que, por mais difícil que pareça a situação em que nos encontremos, existe sempre mais que uma saída. Assim a queiramos empreender e estejamos dispostos a dar tudo o que nos exige o sonho.
Assim, todos os anos, a Fundação Benfica ajuda muitas centenas de jovens a acreditar em si mesmos, aprendendo a avaliar de forma realista a situação em que se encontram na escola e a reconhecer quais as suas capacidades e que aptidões desenvolver para ambicionarem e alcançarem resultados cada vez mais elevados. O seu percurso marca-se da apatia inicial à performance a meio dos três anos de projecto e muitas vezes à superação e à excelência no final de percursos individuais extraordinários. Marca-se com resultados e celebra-se com prémios, muitos e bons, atribuídos na presença dos seus pares e recebidos em euforia numa festa que só o Benfica sabe fazer. Mas se há coisa que estes jovens aprenderam e nós sublinhamos é que o descanso é dos guerreiros e, chegando o seu tempo, deve ser gozado com o sabor doce da vitória que o trouxe. Por isso, boas férias e bom descanso a gozar os prémios merecidos. Setembro está à porta, e então, como sempre, voltem com tudo.
A Fundação Benfica estará cá, como sempre, para vos apoiar!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Dois passados

"1. A 'máquina' entrou (finalmente) em produção. A partir do zero. Ou, melhor, com o contador a zeros, como deu a entender Jorge Jesus, já que o que está para trás não conta. É passado.
2. Que sabemos é que a ambição está renovada em função dos modelos, tendo em conta a presença de alguns protagonistas da relva, e, em especial, considerando também o próprio capital de esperança que - pelo que tenho ouvido e sinto, eu próprio - recupera, de um modo já não passivamente expectante, os sólidos índices conjuntivos que só o Benfica consegue, porque (como costumo dizer) só o Benfica pode.
3. Por muita conversa fiada (a cujos bolçamentos a gente se vem habituando) de muitas origens externas e internas, a verdade é que poucos no seu lugar teriam ousado chegar-se à frente nos modos decididos como Luís Filipe Vieira acabou por fazer agora.
4. Os resultados hão de ver-se a breve trecho. Tão certo como dois e dois fazerem quatro.
5. Por um lado, porque ninguém no mundo estaria tão preparado para montar uma equipa de futebol com tamanhas responsabilidades, em tão pouco tempo; e, por muito difícil que parecesse ser, foi precisamente essa personalidade que, no momento verdadeiramente decisivo, se foi resgatar ao outro lado do mar para vir conduzir a equipa do Benfica.
6. Por outro, porque, se se definiram objectivos claramente mais ambiciosos e mais consentâneos com a afirmada largueza de recursos largueza de recursos do Benfica, também não deixou de haver o atrevimento de recorrer ao mercado de forma a reconstruir uma equipa caldeada e fortalecida por mais experientes executantes, à medida dessas nossas novas ambições objectivamente proclamadas.
7. Realismo. Realismo usando regras claras, escoradas na gestão equilibrada dos recursos humanos e infraestruturas disponíveis e, evidentemente, na prudente projecção de futuras consequências que as actuais circunstâncias recomendam.
8. Afinal, no Benfica não é como nesse espantoso mundo das instâncias judiciárias portuguesas, no qual, à boleia de formidáveis vagas de comunicação (e às vésperas de um importante julgamento...), pelos vistos, os ladrões passam de repente a poder acasalar livremente com os polícias e os magistrados, a quem reiteradamente antes haviam rabiado e provocado de viva voz, ou mediante astutos mandatários às escâncaras, em variadas sedes e meios nacionais e estrangeiros.
9. Na Justiça à portuguesa, portanto, o contrário 'disto', agora, também parece que é passado. Mas um passado peculiar, com lei de fora...
10. Um passado à medida das conveniências do presente no qual, se for preciso, dois a dois, afinal, até podem passar a fazer mais que vinte e dois... E, se não for assim, pelo menos a um leigo, até parece que possa mesmo passar a ser: basta que um senhor juiz aceite validar tudo o que um polícia, para a passar a poupar a mais trabalhos, venha a combinar com um ladrão..."

José Nuno Martins, in O Benfica

De Ferro a Aço: o Homem-de-Aço Jan Vertonghen é do SL Benfica

"Jan Vertonghen, também conhecido como Super Jan, é reforço para o sector defensivo do Sport Lisboa e Benfica. O internacional belga, de 33 anos, chega ao clube da Luz como jogador livre, mas nem por isso será uma contratação barata.
O jogador, que dividiu a sua carreira entre o AFC Ajax e o Tottenham FC (pelo meio, uma passagem de uma época, por empréstimo dos primeiros, pelo RKC Waalwijk, da Holanda), vai pertencer ao clube dos mais bem-pagos do plantel encarnado, auferindo cerca de 2,5 milhões de euros limpos (talvez mais), e recebe um prémio de assinatura não revelado, mas que será, por certo, avultado.
No entanto, a qualidade paga-se e Vertonghen tem qualidade suficiente para ser verdadeiramente um reforço e não apenas uma contratação, que nem sequer teria retorno financeiro (pelo menos, de forma directa, através de uma revenda). Como tal, a ideia tem que passar – e passa – por uma aposta para o imediato e para a titularidade. Naturalmente, é isso que vai acontecer.
A qualidade do belga, por si só, já é um garante da sua titularidade absoluta, ao lado de Rúben Dias. Essa qualidade aliada à falta de soluções para o eixo da defesa das águias fortalece essa garantia e, mais importante ainda, deixa patente que a intenção de subir o nível do plantel (em termos individuais e colectivos, em termos exibicionais e de experiência) vai ser materializada.
Com 1,89m e uma capacidade física e atlética ainda acima do razoável (não o suficiente para aguentar toda uma época na Premier League, daí o abandono do Tottenham FC), Jan preza pela capacidade de desarme, de posicionamento e no jogo aéreo. É e será uma voz de comando, tendo um perfil de liderança de que o SL Benfica está carenciado, e pode, em circunstâncias especiais, alinhar como defesa-esquerdo.
Essa polivalência pode ser uma solução de recurso, mas não será uma solução a adoptar continuamente, espero, não só pela falta de velocidade que o jogador vai começando a apresentar, mas também porque não são boas as memórias da última vez que Jorge Jesus utilizou um central pela esquerda como defesa-esquerdo ao leme do clube encarnado.
A sua carreira espelha que Vertonghen é central de equipa grande e apreciadora de um estilo de jogo assente na construção desde o primeiro momento e primeiro terço. Essa característica é uma enorme mais-valia para as águias, que vão ter no belga um verdadeiro tratado no que diz respeito à construção pelo eixo da defesa.
O seu pé canhoto coloca a bola onde quer e a sua experiência permite-lhe ler o jogo, decidir a melhor linha de passe para avançar a jogada e executar com fiabilidade esse mesmo passe, tudo com uma tranquilidade que, para muitos adeptos, será assustadora.
Internacional A pela selecção belga por 118 jogos (e a contar…), ao serviço da qual apontou nove golos, Jan Vertonghen vem dar experiência e qualidade a uma posição carenciada e que tem que ser bem assegurada, sob pena de, caso contrário, suceder em 2021 o que aconteceu em 2020. Com Rúben Dias e Jan Vertonghen, acredito que, de facto, o eixo da defesa estará bem entregue, tratando-se de dois internacionais de duas das melhores selecções da actualidade.
Além do que significa para a equipa no imediato, também para o futuro de alguns jogadores em particular é muito importante e interessante a chegada do central belga. Esses jogadores são, claro, o próprio Rúben Dias e Ferro. Fazendo dupla com alguém do calibre de Vertonghen, Dias fica menos exposto, deixa de ser o bombeiro de serviço da defensiva encarnada e pode subir o seu nível.
Por seu turno, Ferro, com o novo estatuto de segundo central pela esquerda (mais correto do que dizer quarto central, creio), pode aprender imenso com o belga e fica também ele muito menos exposto, recaindo sobre ele menos expectativas e responsabilidades e, consequentemente, menos pressão.
O crescimento dos dois centrais formados no clube será bom para ambos, para o colectivo e para o clube, que só desta forma rentabilizará ao máximo os dois futebolistas, financeiramente. A chegada de Vertonghen, ao contrário do que possa aparentar, é uma aposta na formação, pois só ao lado de jogadores como ele, no caso de Dias, ou na sua sombra, no caso de Ferro, podem os jovens centrais crescer como se deseja.
Em resumo, Jan Vertonghen é uma das melhores e mais mediáticas contratações do Sport Lisboa e Benfica nos mais recentes anos. Bem-vindo, Jan Vertonghen!"

SL Benfica 2020/2021 | Um plantel renovado

"Desde que foi anunciado o regresso de Jorge Jesus ao SL Benfica que o clube encarnado tem sido associado aos mais variados jogadores e contratações. Helton Leite, Gilberto e Pedrinho já foram confirmados. Everton, Vertonghen e Waldschmidt parecem estar quase certos e continua a perdurar a novela deste verão: Cavani. Todas estas entradas implicarão algumas saídas e um plantel consideravelmente diferente daquele que terminou esta temporada.

Na baliza
Vlachodimos ganha a concorrência de Helton Leite. Para os desatentos a contratação do já experiente guardião brasileiro parece não ser a melhor. No entanto, Helton Leite foi um dos melhores guarda redes desta edição da Liga Portuguesa. Tem perfeitamente capacidade para ser o número dois das águias e talvez até dar boa concorrência a Vlachodimos pela titularidade. O lugar de terceiro guarda redes é incerto. Zlobin parece ter perdido todo o seu espaço e deverá sair do clube encarnado. Svilar, apesar da boa época na equipa B, deverá ser emprestado a uma equipa onde será primeira opção. A escolha, caso não se concretize mais nenhuma chegada para a baliza, deverá recair entre Leo Kokubo e Samuel Soares, dois jovens guarda redes da formação dos encarnados. Ivan do Ponte Preta tem sido falado como possível contratação.

Na lateral direita
André Almeida tem agora a concorrência de Gilberto, ex-Fluminense Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede Nesta zona do terreno parece estar tudo fechado. Gilberto e André Almeida serão os concorrentes ao lugar. O português parte como favorito, mas Gilberto pode perfeitamente conquistar o lugar. O lateral brasileiro é forte fisicamente e demonstra qualidade no ataque, mas é bastante inconsistente e tem algumas lacunas. Acho que pode crescer muito com Jorge Jesus. Tomás Tavares deverá ser relegado para a equipa B, onde terá tempo para crescer longe da pressão e exigência da equipa principal, onde foi lançado de forma prematura. Diogo Gonçalves não creio que seja opção para a lateral direita.

No centro da defesa
Aqui parece estar muita coisa em aberto. Rúben Dias, um dos maiores activos encarnados e um claro candidato a ser transferido, será certamente um dos centrais titulares. Vertonghen, que parece estar praticamente fechado, deverá fazer parceria com o internacional português. Com a adição do experiente defesa belga, esta será uma das melhores duplas de centrais dos últimos anos em Portugal. Quanto às alternativas: Jardel deverá estar de saída para um destino financeiramente agradável. Ferro, depois de uma época muito pouco positiva, deverá permanecer como o terceiro ou quarto central do plantel. Ainda existe a forte possibilidade de chegar mais um central à Luz. Garay, Lucas Veríssimo, Koch (que parece já ter sido descartado), Leo Pereira ou Cabrera têm sido as opções faladas. Acredito que o mais plausível seria o regresso de Garay ou a chegada de Cabrera, mas caso o argentino não regresse e o uruguaio não chegue, o lugar que sobra deve pertencer a Morato.

Na lateral esquerda
Neste lado da defesa não há qualquer entrada e nem sequer vão surgindo muitos nomes na órbita do SL Benfica. Grimaldo manterá, certamente, a titularidade e Nuno Tavares deverá ser a alternativa, enquanto vai desenvolvendo na equipa B. Nota também para a possibilidade de Vertonghen poder fazer a posição de lateral esquerdo.

No meio campo
No centro do terreno as opções continuam a ser muitas. Jogadores como Fejsa ou Alfa Semedo deverão abandonar o clube. Weigl creio que tem um lugar praticamente garantido na equipa titular. Jesus parece ter a ideia de que o alemão pode desempenhar funções ligeiramente mais ofensivas. Faz todo o sentido, face até à excelente qualidade de passe e receção do médio germânico. Com Weigl a desempenhar mais uma função de 8, fica aberto um espaço atrás para Florentino. O jovem português é, no sentido da palavra, o melhor médio defensivo no plantel (Weigl não é um médio defensivo) e pode dar uma solidez enorme ao SL Benfica. Assumindo que Jorge Jesus manterá o seu sistema, esta para mim seria a dupla ideal. Gabriel e Taarabt são duas opções muito boas, mas o marroquino terá que perder alguma da sua anarquia táctica e o brasileiro tem que subir (muito) os seus níveis de intensidade. Com Jorge Jesus não é possível jogar regularmente correndo apenas alguns quilómetros por jogo. Samaris acho que não terá qualquer espaço. É um líder no balneário, mas em termos desportivos há muito que pouco ou nada acrescenta. Jogadores como David Tavares ou Tiago Dantas dificilmente terão muitas oportunidades. 

Na posição de segundo avançado
Para este papel, o titular será certamente Luca Waldschmidt. O jogador alemão chega da Bundesliga e acrescenta muita qualidade ao plantel encarnado. Forte na finalização e com boa qualidade de passe e de drible. O alemão terá a concorrência de Chiquinho, que foi uma das boas surpresas do final de época. Com melhorias na finalização poderá ser uma opção muito válida. Atenção também a Pizzi. Numa entrevista recente ao canal do clube, Jorge Jesus disse que achava que Pizzi potencia mais as suas características no meio do terreno do que encostado a uma ala. Se é verdade que pode jogar mais recuado no meio campo, acho que e é aqui, com uma função mais de médio ofensivo e não tanto de segundo avançado, que pode brilhar.

Nas extremidades
Para extremo as opções são também de muita qualidade. Everton Cebolinha será certamente o titular à esquerda. Um extremo muito forte no desequilíbrio individual e com um excelente remate. Cervi parece não ser opção para Jorge Jesus como extremo. Não quero levantar suspeitas, mas com o historial de criar (ou querer) defesas esquerdos… Jota poderá ser uma opção válida, mas terá de crescer muito. Contudo, este crescimento só será observável com minutos de jogo. Na direita, considerando que Pizzi poderá ser uma opção mais para o centro do terreno, a luta será entre Rafa e Pedrinho. Dois jogadores diferentes. O português mais rápido e com mais capacidade de explorar os espaços, o brasileiro mais técnico e capaz de desequilibrar individualmente. Normalmente procura-se que os dois extremos titulares tenham dinâmicas ofensivas algo diferentes o que, com Everton à esquerda, pode fazer de Rafa o titular à direita. Zivkovic provavelmente continuará a não contar.

Na frente de ataque
Vinícius é titular absoluto. A não ser que abandone a Luz ou… chegue Edison Cavani. O avançado uruguaio tem protagonizado a grande novela deste mercado de transferências em Portugal. A ser confirmado seria, a seguir a Casillas, o jogador com maior nome a chegar a Portugal nos últimos anos. Sem problemas físicos, seria o melhor avançado em Portugal, por larga margem. Seferovic é dispensável e Dyego Sousa permanecerá até dezembro (altura até à qual está emprestado), mas certamente não fará parte das opções. Gonçalo Ramos poderá ser a terceira opção.
Um plantel verdadeiramente melhorado que promete muito!"

Desporto e lazer: um espelho das sociedades

"É dado como certo que a industrialização determinou o surgimento do desporto moderno e a sua expansão foi determinada também pelas condições promovidas pelo avanço das técnicas. O século XX foi palco de transformações tecnológicas e sociais, alterando a vida das populações.
No processo de alterações societais, o lazer assumiu um papel importante. A partir de 1980, e consoante os países europeus, o tempo livre tornou-se o tempo de vida mais longo, que ganhou sobre o tempo de trabalho e o tempo requerido a satisfazer as obrigações diversas (sociais, administrativas, higiénicas, familiares, domésticas, etc.). O trabalho não foi destituído socialmente, na medida em que ele continua estruturador e organizador da vida dos cidadãos. É a partir do trabalho que se continuam a se distribuir as temporalidades sociais. O trabalho ritma e determina os modos de vida, dos activos, bem como dos inactivos. É o trabalho que continua a organizar o dia, a semana, o mês e o ano.
Retirando a questão profissional, praticantes desportivos e não desportivos procuram aproveitar o lazer. Na sua continuidade, o fenómeno desportivo é inteiramente lazer. É isso que lhe dá sentido e lhe confere a sua especificidade. Sem o lazer, sem o surgimento de uma sociedade de lazeres, o fenómeno desportivo não existe. E se existe, é de outra forma. O tempo livre tornou-se o primeiro tempo de vida nos países desenvolvidos. Uma tendência se afirma, que consiste em compensar um trabalho cada vez mais intenso pelas actividades de lazer com uma intensidade correspondente. Ouve-se dizer que o desporto reclama capacidades físicas. Se é verdade para o nível de alto rendimento, não é verdade para todos os desportos.
A simples saúde permite amplas possibilidades de praticar desporto e o leque de práticas desportivas é tão rico para a diversidade de gostos e de aptidões se possam exprimir. O desporto tem a incomparável faculdade de preencher o tempo livre. Compreender o desporto (ou os desportos), é perceber o sistema de relações que ele tem com a cultura e a sociedade que lhe dá sentido. Na sua multiplicidade, de formas e funções, o desporto escapa a uma clara definição, na medida em que é objeto de um incessante processo de legitimação social."

João & Ricardo... Escócia!

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Making of...

Vertonghen, classe mundial para a Luz


"Cento e dezoito internacionalizações pela talentosa selecção belga são desde logo um cartão de visita bem apreciável. Oito anos de Premier League, sempre ao serviço do Tottenham, a um nível elevado fariam prever que a qualidade do central belga seria inalcançável aos clubes lusos.
Referenciado no Lateral Esquerdo como uma das figuras de cartaz a seguir no último Mundial (aqui), o canhoto que poderá chegar ao futebol português tem tudo para elevar o futebol do Benfica.
Das capacidades físicas que lhe permitem vencer duelos, à qualidade de posicionamento e abordagens bem próprias de um jogador que viveu toda a carreira num contexto mais elevado, até ao conforto em posse que lhe permite assegurar boa saída limpa em construção. Progredindo e definindo o passe para o espaço ofensivo no tempo oportuno.
Um cérebro de dimensão física e técnica que à segurança defensiva juntará critério e saída ofensiva. 
Confirmando-se a chegada à Luz, é a certeza de que vários anos volvidos, o Benfica volta a reforçar-se com qualidade e para as posições carenciadas."

Everton Soares

"Everton Soares é o quarto reforço do Benfica, depois de Pedrinho, Hélton Leite e Gilberto já terem sido fechados. Cebolinha, como também é conhecido, é um extremo brasileiro de 24 anos. Joga nos dois lados do campo, mas habitualmente tende a passar mais tempo do lado esquerdo, apesar de ser destro.
Foi um dos melhores jogadores na Copa América 2019, onde foi titular pelo Brasil em quatro jogos, onde se inclui todos os jogos do Playoff. Foi o melhor marcador dessa Copa América com três golos. Tem 14 internacionalizações pela selecção principal. O único clube onde jogou profissionalmente foi o Grêmio, onde venceu a Libertadores em 2016. Tem 273 jogos pelo Grêmio e 69 golos. É um jogador que chega ao Benfica numa altura onde teoricamente vai entrar nos melhores anos da carreira e depois de na época passada ter marcado 20 golos em 57 jogos. Não tem um histórico de lesões, nos últimos quatro anos fez sempre entre 49 a 61 jogos em cada época.
Everton era o melhor jogador do Brasileirão. É um jogador que eu via o AC Milan, por exemplo, a criar uma equipa à volta dele para voltar a ser um candidato à Série A. Mas que de alguma maneira caiu no colo do Benfica, nem sei bem como. Eu adoro o Benfica, mas este é um daqueles jogadores que pode ser um “franchise player” numa equipa com ambições na Champions League. Acho que provavelmente não teve a proposta que queria e um salto imediato para os melhores clubes da Europa, e talvez devido ao efeito Jorge Jesus tenha escolhido vir para o Benfica, sabendo que em um ou dois anos estava num desses clubes europeus.
Everton é o pack completo. É um jogador muito veloz, com uma técnica digna do 1%, um driblador puro - o melhor que já passou no Benfica em algum tempo -, tem um bom remate, colocado, com ambos os pés, mas ao mesmo tempo consegue encontrar bons espaços e fazer boas combinações com a equipa.
É daqueles jogadores que temos que disfrutar enquanto cá estiver porque nunca se sabe quando será o seu último jogo pelo clube. Tenho a certeza que Everton não vai cumprir o contrato todo com o Benfica. Para mim a questão é se fica mais de um ano ou não."

João & David... Inglaterra!

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Treino, 3.º dia...

JJ e a (não) aposta na formação: Mito a combater ou realidade a retomar?

"Não sei se já souberam, mas Jorge Jesus é o novo treinador do Sport Lisboa e Benfica. Se não sabiam, não se sintam ignorantes, foi, de facto, inaceitavelmente pouco noticiado esse regresso. Com Jesus, chegaram adjuntos em número suficiente para montar um Cirque du Soleil, dúvidas, especulações, críticas, mensagens de apoio e, ainda que poucas, algumas certezas.
A primeira, naturalmente, a de que as únicas pessoas que se previa que garantidamente receberiam Jorge Jesus em Lisboa de braços abertos seriam Luís Filipe Vieira e o Cristo-Rei (o de cá). A segunda, sem dúvida, a de que o clube da Luz iria atacar o mercado com força, mas também, espero, com alguma precisão. Consequentemente, há dois aspectos que emergem como relevantes.
O primeiro prende-se com o potencial êxodo de jogadores ligados contratualmente aos encarnados. Vários futebolistas de qualidade vão abandonar o clube, com o assumir do leme de JJ. Estou a brincar! Os futebolistas de qualidade vão ficar! Parabéns, Rú…Gri…Viní…Piz… Bom, se calhar, é melhor passar à frente.
Os jogadores que não demonstraram qualidade suficiente, esses sim, vão por certo receber guia de marcha da parte do mister campeão em título da Libertadores (aposto que também não sabiam isto, pois não?). Jogadores que já provaram o seu valor, mas que realizaram uma má época, vão poder mostrar-se a Jesus (o que quer dizer que o Gabriel só fica se passar a locomover-se em campo, no mínimo, com a mesma velocidade, vontade e energia de um condenado à morte a caminho da cadeira eléctrica – o que já era uma mudança enorme!).
Chegamos ao segundo aspecto. Por entre entradas e saídas (com obrigatória desinfecção das mãos), onde ficam (ou para onde saem) os jovens da formação? Continuará a haver uma aposta na formação do Seixal? Ou o Seixal vai virar “Seixeles”, destino turístico apreciado por futebolistas ricos em pré-reforma (agora a sério, “anda para o SL Benfica, Cavani!” Juro que estou a citar…)? Jovens como Gonçalo Ramos podem perder espaço com a chegada de nomes consagrados como Edinson Cavani Há quem tenha uma resposta bem armada para esta questão, há quem não tenha.
Há quem não duvide que as águias vão voltar ao paradigma que viveu na primeira passagem de Jesus pelo clube, há quem ache que talvez não seja bem assim. Espantem-se: eu acho que não será bem assim.
Eu compreendo o rótulo aplicado ao treinador de 65 anos (já estava reformado, se não fossem esses bandidos do Governo), relativamente à (falta de) aposta na formação. De resto, fez no dia da apresentação oficial de JJ nove anos desde a primeira vez em que o SL Benfica alinhou apenas com estrangeiros (na Turquia, frente ao Trabzonspor), precisamente com Jesus.
No entanto, além do próprio se assumir mudado, também o contexto da formação do Seixal mudou, por três grandes razões. A primeira é a existência da equipa B. A formação secundária das águias é muito importante para uma saudável aposta nos jovens no plantel principal. Na equipa B, os formandos encarnados encontram um espaço onde podem “marinar” e, sobretudo, crescer, amadurecer e experimentar.
Sem equipa B (ou de sub-23), das duas uma: ou os jogadores transitam directamente dos juniores para a principal equipa, o que nem sempre é fácil, ou têm que sair, temporária ou definitivamente. Jesus ainda coincidiu com o novo projecto da equipa B, mas já nos três anos finais. Assim, nos primeiros três anos do natural da Amadora no clube, durante os quais erigiu o seu projecto, em coordenação com a “estrutura”, a aposta em jovens significaria isso mesmo: apostar em jovens.
Tendo em conta a exigência táctica de JJ, não seria, em muitos casos, viável, a aposta em jovens que, ainda que talentosos, só conheciam a realidade dos juniores (e realidades abaixo). Veja-se o infame caso do múltiplo nascimento. Em meados de janeiro de 2014, estava JJ na sua quinta época de SL Benfica, o treinador campeão do Brasil afirmou que, para substituir Matic, um jovem da formação teria que “nascer 10 vezes”.
A frase, claro, causou celeuma junto de benfiquistas e junto de cientistas que recusavam aceitar que tal fosse possível. Todavia, vejamos: quem era, à época, o jovem formando que poderia substituir Matic? Quem era o “6” da formação do Seixal? Na equipa B, o habitual titular era Rúben Pinto, de 22 anos. Nos juniores, exibia-se a bom nível Estrela, então com 18 anos.
Sem desprimor para ambos, mas são incomparáveis os percursos de Matic, Rúben Pinto e Estrela. Após sair do SL Benfica, Rúben Pinto passou pelo FC Paços de Ferreira, pelo CF Os Belenenses e está, há alguns anos, no PFC CSKA Sófia, da Bulgária. Estrela passou pelo Orlando City, dos EUA, pelo Varzim SC e pelo CD Aves, tendo rescindido contrato por justa causa. Matic tem sido titular indiscutível em clubes de topo da Premier League.
A verdade é que, na altura, já se notava qualidade nos jovens da formação do Seixal, mas não a suficiente, creio, para serem aposta concreta nas equipas de Jesus. Tal muito se deve à falta das duas outras razões para que tenha mudado (melhorado) a formação do SL Benfica: a presença regular na Youth League e nas selecções jovens (bem como a melhoria destas).
Os jogadores dos escalões de formação do clube da Luz têm vindo a chegar às equipas seniores com mais qualidade e maturidade, muito graças às experiências internacionais adquiridas na Youth League (criada em 13/14, época em que as águias disputaram a final, com Estrela no onze) e nas selecções jovens. Os formandos da Luz começaram a integrar com maior regularidade as convocatórias para as selecções a partir de 2014, 2015.
Foi também a partir dessa altura que as selecções de sub-19 e sub-21 (as mais próximas da selecção sénior) voltaram a frequentar e a vencer as fases finais dos Europeus. A participação de jovens do SL Benfica nessas mesmas fases finais aporta-lhes uma maturidade técnica, táctica e pessoal vital para um fácil ingresso na equipa B e, posteriormente, na equipa A.
De resto, voltemos a Estrela, para fazer uma comparação com o mais recente “6” da formação do SL Benfica, Florentino Luís. Na sua época, Estrela era um jovem com enorme potencial. Mas não mais do que isso. Por seu turno, Florentino Luís chegou à equipa principal do SL Benfica campeão europeu de sub-17 e sub-19 pela selecção portuguesa, vice-campeão europeu de sub-19 pelo SL Benfica (também Estrela o foi, diga-se) e com 72 jogos realizados pela equipa B.
Toda esta experiência e todas estas experiências facilitam a aposta nos jovens oriundos da formação e que nunca saíram do clube. Ainda assim, as notícias veiculadas relativamente ao ataque encarnado ao mercado deixam claro, parece-me, que a aposta na formação será relegada para segundo plano, ainda que possa não ser totalmente abandonada.
Espero que, tal como aconteceu com quase tudo este ano, essa aposta seja apenas adiada, não cancelada. Espero que a chegada de Gilberto, por exemplo, signifique que a ideia passa por deixar crescer jovens como Tomás Tavares até ao ponto-rebuçado, o que, diga-se, é uma ideia mais viável do que “atirá-lo aos cães” na Liga dos Campeões vindo dos juniores (veja-se a diferença de não passar pela equipa B).
Creio, em suma, que JJ irá ter uma maior atenção aos jovens da formação, sem, no entanto, abdicar da sua predilecta forma de montar plantéis: contratar jogadores “feitos” que compreendam mais facilmente todas as suas indicações.

P.S.: continua a ser inaceitável a não aposta de Jesus em João Cancelo e Bernardo Silva."

Luisão e Paulo Lopes | Reforços de peso para o balneário

"O ano de 2018 foi duro para as “águias”. Além de não terem conseguido conquistar o pentacampeonato, os encarnados viram algumas figuras de peso abandonar o balneário.
Paulo Lopes, o “eterno terceiro guarda redes” encarnado, anunciou que iria pendurar as luvas, aos 40 anos, sendo que iria prosseguir a sua carreira na Luz como treinador de guarda-redes da equipa sub-23 do Benfica.
Também Shéu Han, após cerca de 20 anos a desempenhar a função de secretário técnico, anunciou, por motivos pessoais, que iria assumir outros cargos na Luz.
E como não há duas sem três, também Luisão anunciou que, ao fim de 15 anos ao serviço das “águias”, iria colocar um ponto final na sua carreira de jogador profissional, passando a desempenhar um cargo nas relações internacionais do clube.
Em suma, num ano, perderam-se três referências no balneário encarnado. Três “monstros sagrados” cuja capacidade para passar a mística e o poder do Benfica quer aos jogadores estrangeiros, como aos mais novos, valeram dezenas de títulos para o palmarés vermelho e branco.
No entanto, a situação parece que vai mudar na época 2020/21. Com o regresso de Jorge Jesus ao comando técnico dos encarnados, voltam dois nomes de peso ao balneário. Luisão e Paulo Lopes vão ingressar na equipa técnica do treinador português, ocupando os cargos de secretário técnico e treinador de guarda redes, respectivamente.
Numa altura em que se perspectivam várias mudanças no plantel, com o próprio Jorge Jesus a admitir, em entrevista à Benfica TV, que “muitos ainda não chegaram e muitos não vão ficar”, ter dois pesos pesados da história das “águias” no balneário será muito importante para receber e integrar os novos jogadores à realidade encarnada.
A presença do antigo guarda redes e do antigo capitão também serve para controlar melhor o balneário encarnado, numa altura em que se suspeita, especialmente devido a toda a situação que levou ao despedimento de Bruno Lage, que poderá haver algumas maçãs podres que desestabilizam o plantel."

Cadomblé do Vata (teutões!)

"Argentina pelo Maradona e Brasil pelas afinidades históricas. Quando os jogadores portugueses se recusavam a cancelar as férias no Algarve para participarem em Mundiais, eram estas as equipas preferidas de 4 milhões de adeptos nacionais. Os outros 6 milhões eram todos suecos, porque "quer-se dizer"... aquilo era tudo tão nosso que ainda hoje ninguém entende porque não equipavam de vermelho e branco. Mas eu não só era alto, tosco e loiro, como também, no espaço entre o Cabo de São Vicente e a fronteira franco-germânica, era o único admirador da Alemanha.
Desde cedo que me deleito a ver jogar aqueles feios, porcos e maus teutões. Apreciava a forma como durante 90 minutos, estraçalhavam a relva, o adversário desse jogo e os futuros oponentes. Bastavam os nomes dos jogadores para fazerem tremer qualquer rival.. Klaus Auguenthaler, Jurguen Kohler, Guido Buchwald, Bernd Schuster, Lothar Matthaus (certamente estão todos mal escritos). Era o futebol quase perfeito: inteligente, físico e técnico. Mas o que realmente me deleitava, eram os pontas de lança deles. 
O poderio alemão via-se na frente: Rud Voller, Jurguen Klinsmann ou Karl "Air" Riedle eram apelidos que se davam à palavra Golo. Mais tade Carsten Jancker ou Oliver Bierhof eram sinonimo de Pinheiro Nórdico com Pernas. E eu, como puto imberbe que era, sonhava em ver um daqueles pontas de lança alemães com a camisola do SLB. Tanto sonhei, que quase aconteceu, quando em 1996, Toni ia convencendo o Bayer Leverkusen a ceder-nos Ulf Kirsten em troca de um saco de rebuçados. A transferência só foi realidade durante 24 horas... foi um dia inteiro a escrevinhar possíveis 11 titulares do Glorioso, que girassem à volta do ex. farmacêutico, nas ultimas páginas dos cadernos na escola. 
Imaginem pois a moral com que acordei hoje. Waldschmidt não é bem ponta de lança e eu nunca o vi jogar, mas porra... anda lá pela frente, é alemão e tem o cognome de Bomber. Para mim chega. Nem percebo porque discutimos preços com o Friburgo. Comigo era logo "cláusula de 23 milhões? Tomem lá 25 biscas e fiquem com o troco". Reparem que o mas próximo que há da Mannschaft em termos de eficácia no futebol mundial, é a Squadra Azurra. E o novo 10 chama-se Gian Luca Waldschmidt... este miúdo só não singra no SLB se ficar muito ofendido com a forma como JJ vai pronunciar o nome dele."

terça-feira, 11 de agosto de 2020

O rapaz que até sabia voar...

"Ainda não tinha 20 anos e bateu-se no Estádio do Lima no quinteto avançado do Benfica com a franqueza de quem tinha um nome inesquecível: Guilherme Santana Graça do Espírito Santo. Era o mês de Abril de 1938. Três meses mais tarde, bateu o recorde nacional do salto em comprimento. Nunca o esqueçam!

Sempre gostei do nome: Guilherme Espírito Santana Graça do Espírito Santo. Convenhamos: um nome assim não pode deixar de estar abençoado.
Era grande, Espírito Santo. Um daqueles enormes que ficará para todo o sempre na história do Benfica e no coração dos seus adeptos. No dia 10 de Abril de 1938, Guilherme Espírito Santo estava no Porto, no Estádio do Lima. Fazia parte do quinteto ofensivo dos encarnados que defrontava o FC Porto num jogo decisivo para a luta pelo título de campeão. Os outros era Domingos Lopes, Valadas, Rogério e Xavier.
Dia de festa, claro. 'Não há como o foot-ball para alegrar as cidades. O Porto teve, hoje, um movimento intensíssimo. É certo que veio muita gente de Lisboa, cerca de 3000 pessoas. Mas de Braga, de todo o Norte, da região do Vouga e do Douro, chegam a todo o momento camionetas e automóveis carregados de desportistas. Alguns carros vêm engalanados com as cores dos clubes. Às 16 horas já não se cabia no magnífico Estádio do Lima, milhares de pessoas aglomeram-se, comprimidas entre as bancadas e o peão. Notam-se milhares de senhores. Dizem-nos que a enchente é maior do que contra o Sporting, que, como se sabe, rendeu 100 contos!'.
Para o Benfica, não perder significativa a mais que certa conquista do campeonato. Mas, com um quinteto de diabos na frente, não há modos de se jogar para o empate.
O primeiro golpe foi deles. O segundo também.
As águias bicam ferozmente a defesa contrária na procura do golo que as empurre para vitória. Os portistas defende,-se rijamente.
Vamos, a esta distância toda, de 82 anos, vejam bem, pôr os olhos em Guilherme Espírito Santo. É verdade que não marcou nenhum dos golos do Benfica, eles couberam a Rogério de Sousa e a Valadas, mas como não fixar a sua figura esbelta, negra retinta, de um negro divino? Ele é de uma elegância que nenhum outro dos 22 em campo é capaz de copiar. Um belo terrível para os opositores que o julgam uma sombra, surgindo e desaparecendo de grande área como um fantasma, desfazendo marcações, insubmisso sempre, ele, um ser livre e incontrolável que nasceu em Lisboa, descendente de são-tomenses, e passou a infância em Luanda jogando no Sport Luanda e Benfica.
Guilherme Espírito Santo. Nunca se esqueçam desse nome!

Depois voou...
Nesse dia do Porto, Guilherme Espírito Santo era um menino. Isso mesmo: um menino. Veio não completara 20 anos. E, no entanto, todos esperavam dele qualquer coisa de diferente, de mágico. Os seus movimentos nunca eram previsíveis. Não se pode ignorar que era, igualmente, um excelente atleta de salto em altura, salto em comprimento e triplo salto. Usava a sua matreirice para fazer do seu futebol uma mistura selvagem de tudo o que aprendera, no campo e nas pistas. Tinha a velocidade incontrolável de uma gazela e era capaz de colar a bola aos pés e partir em disparada com os adversários atrás dele, procurando atingir-lhe os calcanhares e os joelhos tal como quem vai à caça de uma ratazana. Mas Guilherme era abençoado, recordam-se? Era Graça e Santana. E Espírito Santo. O céu, lá do alto do seu azul, tornava conta dele.
O intervalo pode ter chegado com vantagem portista por 1-0, mas o Benfica virou a segunda parte para 1-2. Dois a dois nas contas decisivas. As bandeirinhas vermelhas tornavam conta do Estádio do Lima nesse mês de Abril ensolarado. Os benfiquistas, felizes, regressavam a casa. Guilherme já pensava mais longe, já pensava mais alto, já pensava mais forte. Era assim mesmo. Um batalhador incansável, um campeão com letra maiúscula e com um ponto de exclamação no fim.
O mês de Julho ferveu em Portugal. O campeonato acabara, mas a ambição de Espírito Santo era infinita. No dia 10 participou nos campeonatos de atletismo. Na prova de salto em comprimento, correu como um Mercúrio negro de asas nos pés pela pista e, ao chegar à caixa de areia, decidiu voar. Ah, como voava o Espírito Santo! Parece uma frase quase sacrílega, própria de deuses menores, mas não é mais do que a verdade, do que mais lhana e simples das verdades. Quando pousou os calcanhares no chão, tinha voado 6 metros e 89 centímetros. Era de embasbacar os espectadores. Nunca se vira em Portugal nada assim, o recorde nacional duraria anos. Claro que duraria anos! Guilherme Santana Graça do Espírito Santo não era um rapaz vulgar. Sabia voar. Digam-me quantos de vocês sabem voar? Vêem? Não se esqueçam! Não se esqueçam nunca. O esquecimento seria um crime contra o homem que levava o nome do Espírito Santo!"

Afonso de Melo, in O Benfica

Todos em jogo

"No Festival do Atlético, o Benfica defrontou o Belenenses num jogo que serviu para algumas experiências

As partidas amigáveis são a oportunidade ideal para os treinadores ensaiarem novas tácticas, processos ou jogadores, encontros de eleição para inovar sem correr o risco de perder pontos ou ser eliminado de uma competição, num contexto em que a intensidade é superior à dos treinos.
Assim, a 17 de Fevereiro de 1957, Benfica, Belenenses e Torriense associaram-se num evento de solidariedade a favor do Atlético, que atravessava graves problemas financeiros. Seriam disputados dois encontros no Estádio da Tapadinha, o primeiro entre a equipa da casa e o Torriense, e o segundo que opunha o Benfica ao Belenenses.
Para captar o interesse da imprensa e dos adeptos, o presidente dos 'encarnados', Joaquim Bogalho, propôs que a segunda partida fosse disputada sob novas regras. Inspirado por experiências feitas na Jugoslávia e em França, sugeriu que se abolissem os foras-de-jogo e que as reposições laterais fossem feitas com o pé ao invés das mãos. Na sua opinião, com a aplicação destas medidas, o 'espectáculo seria enriquecido, e muito'.
O debate prolongou-se nos dias seguintes, A Bola foi um dos jornais que mais destaque deu ao tema, mostrando-se contra, por considerar '«a lei do off-side» a principal lei do futebol e ela, sem o menor esforço, deve ser considerada a pedra-mestra do jogo! E é tão influente que, a nosso ver, o futebol, sem «off-side», transformar-se-á num jogo totalmente diferente e, porventura, menos atraente!'.
Apesar da chuva ter afastado algum público, as bancadas estavam em compostas de adeptos curiosos para assistir ao efeito das novas regras. Os jogadores ainda demoraram algum tempo a assimilar a abolição da regra, como foi o caso de Chipenda, preocupado 'em determinado momento da primeira parte, em não incorrer no «fora-de-jogo»'. Mas progressivamente foram-se adaptando. A equipa de Belém foi a que mais explorou essa ideia, como ficou evidente na jogada do segundo golo, em que Angeja, bastante adiantado em relação ao último defesa do Benfica, fixou o resultado em 2-0.
A experiência 'divertiu imenso o público (...) pelo ódio que tem ao famigerado «off-side». Se os avançados ao Benfica e do Belenenses tivessem dado ouvidos aos «conselhos» dos que estavam a jogar por fora, a lei do «off-side» não só teria sido desrespeitada, como foi, mas também espezinhada, esfrangalhada e ridicularizada, porque o público foi à Tapadinha para se vingar!'. Todavia, a imprensa não era da mesma opinião, sendo unânime em considerar que 'a abolição não deu indicação útil quanto à beleza do espectáculo tirando-lhe, por isso, grande brilho e dificultando ainda e já difícil tarefa do guarda-redes'.
Saiba mais sobre outras provas amigáveis na área 8 - Outras Conquistas do Museu Benfica - Cosme Damião."

António Pinto, in O Benfica

Estatísticas do desporto, quem as conhece?

"Em termos de emprego, o desporto tem uma dimensão semelhante à da indústria da madeira, papel e cartão (1,4%), superando ramos como a consultoria e programação informática (0,9%), as actividades imobiliárias (0,7%) e as telecomunicações (0,3%).

Qual é o valor da despesa pública com o desporto, nela incluindo o Estado, as autarquias e outros entes públicos?
Qual é o peso económico do benevolato no sector? Quanto vale a indústria do vestuário e do calçado desportivo? Qual é o valor do patrocínio desportivo? Qual o peso, na economia nacional, do espectáculo desportivo e de tudo que o mesmo estimula (publicidade, media, segurança, bilheteira, viagens, hotelaria, restauração, etc.)?
Em Portugal, responder a estas perguntas, que poderiam ser multiplicadas por dezenas de outras, é um exercício difícil.
A produção de estudos estatísticos sobre o desporto é profundamente deficitária, o que torna o conhecimento do sector muito frágil. Há pesquisas que nunca foram feitas e, noutras, os dados publicados não estão actualizados e muitas das fontes que estão na origem de informações relevantes baseiam-se em estimativas. Não obstante, é de elementar justiça reconhecer o que de positivo foi feito. 
Em 2006, a União Europeia (UE) constituiu um Grupo de Trabalho sobre Desporto e Economia, tendo em vista desenvolver uma abordagem metodológica comum para medir a relevância económica do desporto.
Posteriormente, e no contexto das conclusões do Conselho da UE de Novembro de 2012, recomendaram aos Estados-membros que seguissem os progressos realizados no desenvolvimento de contas-satélite do desporto com base nos instrumentos metodológicos disponíveis, recorrendo às estruturas de cooperação existentes a nível da UE e procurando associar as estruturas governamentais competentes, incluindo os institutos nacionais de estatística.
Neste contexto, em 2014, o Instituto Nacional de Estatística assinou um protocolo com o Instituto Português do Desporto e da Juventude em que se previa a elaboração de uma Conta Satélite do Desporto (CSD), a qual contribuiria para ampliar o Sistema de Contas Nacionais Portuguesas.
O objectivo essencial da CSD era o de providenciar um sistema de informação económica relacionado com o desporto, em linha com as contas nacionais e fornecendo uma representação completa, fiável, sistematizada e passível de ser comparada internacionalmente. Complementarmente seria uma base de evidência relevante e um instrumento fundamental de diagnóstico de apoio à construção da decisão politica em matéria de políticas públicas e associativas.
Em 2016, foram publicados os primeiros trabalhos da CSD referentes ao período de 2010/2012 e o resultado final foi altamente motivador atendendo a que foi possível coligir importantes dados estatísticos sobre o sector.
Por exemplo, que a dimensão relativa do desporto no valor acrescentado bruto da economia portuguesa é semelhante à do ramo de fabricação de produtos metálicos (1,2%), ultrapassando outros como a consultoria e programação informática (1,0%), a indústria do vestuário (0,9%) ou as actividades de arquitectura, de engenharia e técnicas afins (0,8%).
Em termos de emprego, o desporto tem uma dimensão semelhante à da indústria da madeira, papel e cartão (1,4%), superando ramos como a consultoria e programação informática (0,9%), as actividades imobiliárias (0,7%) e as telecomunicações (0,3%).
Os voluntários da área do desporto foram responsáveis por 14.617,8 mil horas de trabalho voluntário formal, em 2012, o que correspondia a 7,6% do total de horas de voluntariado formal, a nível nacional. 
No domínio do voluntariado, o número de voluntários que desempenharam funções em instituições ligadas ao desporto (39.124) supera o de áreas como a arte e cultura (34.505), o ambiente (17.490), a educação e investigação (14.961), a saúde (9.009) e as associações patronais, profissionais e sindicais (5.326), entre outras.
A importância relativa do trabalho voluntário formal em organizações da área do desporto, em termos do número de voluntários, apenas foi superada pelas organizações que se dedicam ao apoio social, por instituições religiosas e por clubes de outras actividades de recreação e lazer.
A Pordata, com estatísticas oficiais e certificadas sobre o país e a Europa, tem igualmente produção estatística relevante sobre o desporto.
Os últimos trabalhos publicados sobre o sector (maio de 2020) respeitam a um horizonte temporal de 2013/2018, mas no qual é possível recolher elementos significativos sobre a despesa corrente dos municípios com o desporto (+68%) ou sobre o número de praticantes desportivos federados (+13%) para além de outros dados relevantes.
Tudo a confirmar a indispensabilidade de continuar a apostar neste trabalho reforçando os meios consagrados à produção de estatísticas sobre o desporto de modo a ser possível actualizar o conhecimento sobre o sector, avaliar medidas e tomar decisões baseadas em dados tangíveis e, consequentemente, alimentar uma planificação estratégica com base em evidências, mais do que em percepções."

João & Markus... Alemanha!

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Treino: 1.ª dia, da nova época...

Helton Leite, concorrência para Odysseas


"Chega do Boavista a concorrência para o grego Odysseas.
Depois de duas temporadas extraordinárias, o gigante Helton Leite chega com fortes possibilidades de assumir desde logo o lugar na baliza do Benfica.
Ágil e veloz entre os postes, a muralha brasileira parece tapar toda a baliza."