Últimas indefectivações

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Troféu O Jogo/Leilosoc: regresso ao passado num ciclismo de futuro

"As viagens no tempo há muito que são um sonho da Humanidade e tema vastamente explorado na literatura, cinema ou banda desenhada. Para já, pertencem ao domínio dos sonhos, da fantasia, mas quem arrisca dizer que nunca serão possíveis? De uma forma muito particular, iniciativas como o Troféu O Jogo/Leilosoc, sábado e domingo na estrada, também possibilitam tais viagens, em especial para quem, como o autor destas linhas, teve a possibilidade de revisitar protagonistas e momentos de um passado não tão longínquo mas o bastante para se tornar numa - várias - saudosa recordação. O que é igualmente fantástico!
Ouvir ídolos de há 30 anos como Paulo Pinto e Delmino Pereira lembrarem histórias e peripécias vividas no Grande Prémio O Jogo, que entre 1987 e 1993 era uma das maiores e mais importantes corridas do calendário nacional é como entrar numa cápsula espacial e especial, carregar num botão, e regressar ao passado. Mas a um passado com muitas e boas lições para o futuro, inclusivamente de um ciclismo que mudou muito em relação a esses tempos - ao contrário destes protagonistas, os bons valores da actualidade reveem-se nas carreiras internacionais de Rui Costa, Nélson Oliveira, Rúben Guerreiro, Ivo e Rui Oliveira. O sonho deles ganhou asas, crescendo à escala das nossas sociedades. No horizonte já não surge a Volta a Portugal, mas a Volta a Espanha, Itália, França...
A realidade de agora eram as visões de futuro, os sonhos dessa antiga geração, e também por isso este Troféu O Jogo/Leilosoc é especial e emocionante, por trazer de volta essa personagem ímpar enquanto ciclista mas sobretudo como homem que foi José Santiago. Visionário é um adjectivo que lhe assenta bem - como muitos outros - e homenageá-lo pelo que foi e pelo que o ciclismo perdeu quando desapareceu apenas justo. Também ele viajou no tempo, talvez antes dos demais, deixando várias dessas lições que o passado pode ensinar ao ciclismo e que passam por esta ligação aos jornais, umbilical desde a origem de ambos, tal como o indispensável elemento humano, as personagens, as histórias e estórias das corridas, afinal, aquilo que desperta a paixão do público. Para que o ciclismo possa continuar a viajar rumo ao futuro."

Time Added On #8

Para um desporto que humanamente se cumpra

"O estudo do Desporto só poderá realizar-se, em liberdade intelectual, em espírito crítico e em diálogo plural. De facto, se o Desporto é um dos aspetos da Motricidade Humana, ou seja, do movimento intencional e solidário da transcendência, e a transcendência designa um sujeito movimentando-se para “ser-mais”- para interpretar uma “performance desportiva”, sem excluir o físico há mais do que físico na sua análise. Por muitas razões e mais esta: uma “performance desportiva” é, sobre o mais, um drama, mais qualidade do que quantidade e portanto onde as dimensões sentimental e espiritual e intelectual têm papel relevante. No desporto de alta competição, torna-se de uma evidência meridiana que o espírito é carne e que a carne é espírito. Quando, adjunto do treinador Jorge Jesus, trabalhei, no Sport Lisboa e Benfica, nas nossas habituais conversas, cheguei mesmo a falar-lhe numa “lei da complementaridade” que unisse o animus e anima, a luz e a sombra, a exterioridade e a interioridade, em que o ser humano se revela. Em todo o século XIX e nos inícios do século XX, a Física fundamentava, na pessoa humana, a noção de energia e a de força em aspetos puramente quantitativos – ideia que influenciou decisivamente a educação física, a psicologia e a medicina daqueles anos idos. E com que eu rompi afoitamente, nos primeiros anos da década de 60, após a leitura de M. Merleau-Ponty, de E. Mounier e de P. Teilhard de Chardin. Tenho despertado cóleras e procelas, com algumas das minhas ideias. Mas ideias, ninguém o contestará, vinculadas a um tema: pela transcendência desportiva (e não só desportiva) emerge, como um grito, um anseio inapagável de o Homem desejar ser Deus. A competição, o esforço, a tensão esgotantes, no desporto das elites, assim o manifestam. Leonardo Boff poderá escutar-se, neste passo: “Se Jesus-homem pôde ser a encarnação do Verbo, é porque existia essa possibilidade, dentro da natureza humana. Ora, Jesus é um homem como nós. Logo, a natureza humana, como tal, comporta essa transcendência e racionalidade para com o Absoluto. Ela pode se identificar com Ele e fazer parte da sua história” (Jesus Cristo Libertador, p. 212).
A escolástica medieval não ofuscava a racionalidade, enquanto a ciência moderna foi sobretudo empírica. Aquela cultuava a razão humana, desde que obediente às imposições do dogma; esta, a ciência de Kepler, Galileu e Newton e ainda a do positivismo e a do neopositivismo aceitam os factos brutos, independentemente da sua racionalidade, ou seja, as teorias científicas elaboram-se, justificam-se, com base na observação empírica. Enganou-se a ciência moderna: não há factos puros, não há observações empíricas puras, pois que uma observação, ou uma experiência, são norteadas sempre por uma teoria. A própria “ciência normal”, é Thomas Kuhn a dizê-lo, na sua The Structure of Scientific Revolutions (2ª. ed., The University of Chicago Press, Chicago, 1970): “não passa de uma tentativa de forçar a natureza a encaixar-se, dentro dos limites pré-estabelecidos e relativamente inflexíveis, fornecidos pelo paradigma” (p. 24). A integração, ou a síntese, de vários saberes, na investigação científica, percebe-se perfeitamente na investigação científica, principalmente a daqueles cientistas que foram estrelas em tempo de escuridão. Por isso, ao pretender salientar as características de um Desporto que humanamente se cumpra, julgo dever dar fé às seguintes: primazia do elemento antropológico sobre o desportivo (para mim, a pessoa é fim e o desporto é meio); primazia do projecto (ou até da utopia) sobre o factual, do futuro sobre o passado; primazia da crítica sobre as leis, muitas delas impostas e promulgadas pelos interesses das classes dominantes; primazia do social sobre o individual, dado que o Desporto não se legisla, como se se destinasse a alguns privilegiados, pois que se destina a todos os cidadãos; primazia da ortopraxia sobre a ortodoxia, ou dos prático-teóricos de uma consciente vitalidade, sobre os teóricos tão-só, meros retóricos e pouco mais: estes, tendo ao seu serviço uma vasta burocracia incompetente e rotineira, que trabalha servilmente, sem capacidade criadora, e aqueles, demasiadas vezes, em completa orfandade de meios e de recursos. Afinal, repito o que venho dizendo, há muitos anos: quem não pratica não sabe! Ocorre-me, frequentemente, uma frase do Eça, relatada pelo Jaime Batalha Reis: “Basta de ler e imaginar, precisamos de um banho de vida prática”(in Ana Nascimento Piedade, Em Diálogo com Eduardo Lourenço, Gradiva, Lisboa, 2015, p. 120).
Na primazia do elemento antropológico sobre o desportivo, encontro eu o fundamento do Desporto, como ciência e como valor. De há mais de 50 anos até hoje, sem mandos de ninguém, aceitei a mundividência, com um ou outro retoque, de Teilhard de Chardin (1881-1955), que me parece suficientemente sedutora. Com efeito, na evolução da natureza e do cosmos, um momento há em que o ser humano aparece. E com base em observações empírico-indutivas, anteriores a Teilhard (refiro-me a Charles Darwin: 1809-1882), com ascendência animal. E portanto um produto natural da evolução biológica. A paleontologia descobriu, neste incessante movimento evolutivo de tudo o que existe, que os reinos mineral, vegetal, animal e humano surgiram, uns a seguir aos outros e por esta ordem. E obedecendo à lei de complexidade-consciência, que assim se define: “quanto mais complexo for um organismo, na sua organização interna, tanto mais elevado será o grau de psiquismo que o anima e que parece emanar desta mesma complexidade”. E com a ideia da complexidade, que ninguém ousa contestar, ao “infinitamente grande” e ao “infinitamente pequeno” (os dois infinitos que assustavam Pascal) deverá acrescentar-se o “infinitamente complexo”. Concluindo: gradualmente, é no Homem que a Evolução se torna consciência, se interioriza e… se finaliza, na transcendência em busca do Absoluto. Com Teilhard de Chardin, o Homem não é uma paixão inútil, ao jeito de Sartre, mas a certeza, no coração da História, de que o ser humano é um permanente anseio de Absoluto. Resumindo: o mundo é uma evolução para o Homem e este uma evolução para Deus. É verdade que, na nossa sociedade do espectáculo, imediatista e superficial, procurar a presença de Deus na História parece uma atitude unicamente metafísica ou teológica. Mas o que é a transcendência (assim o penso, com respeito pelos que não aceitam as minhas ideias) senão um esforço para acrescentar algo, qualitativamente novo, ao real? O que é a transcendência senão um esforço para transfigurar o real? O que é a transcendência senão a “prova provada” de que o ser humano é um projecto ilimitado?
Todo o universo caminha para o ser humano e o ser humano caminha para Deus. Os clubes, os campeonatos, as associações, as federações só se justificam se avivados por uma ideia-mestra: o serviço do ser humano e a sua emancipação. Um futebol impregnado de superstições, que ressuscitam regionalismos e clubismos intolerantes, é o resultado do decadentismo das classes dirigentes e de um povo explorado e manipulado. Antes do Desporto, está o Homem; antes do Treino, está o Homem; antes da Competição, está o Homem. Tudo o mais são sedativos, se não é este o fundamento. Dói-me ver tanto treinador desportivo encurralado e aferrolhado num fisiologismo positivista e longe, muito longe do radical fundante de tudo o que faz. Ainda há pouco, depois de assistir pela televisão, ao Barcelona-Liverpool, eu dizia para mim mesmo: diante da magnitude do desempenho do Messi, pois que, sem ele, o Barcelona não venceria este jogo, que os “entendidos” não sobrevalorizem agora as indispensáveis tática ou a preparação física, ou até uma rude cadência de trabalho, pois que foi o génio de um homem-jogador que, acima de tudo, o ganhou. Ele precisou, de facto, da equipa. Só que, sem ele, a eliminatória parecia pender para as cores do Liverpool. Pela primazia do elemento antropológico sobre o desportivo, “há que tentar demolir a sedutora fixação em determinados modelos fisicalistas de cientificidade, entretanto carentes de legitimidade, principalmente após as aturadas críticas da epistemologia pós-bachelardiana. Modelos esses que, além de descabidos, são retrógrados” (Adalberto Dias de Carvalho, Epistemologia das Ciências da Educação, Edições Afrontamento, 1988, p. 17). A “sacralidade desportiva”, decorrente do impacto emocional que o desempenho dos atletas exerce na vida de um povo – pede também outras disciplinas, para além da fisiologia em especial e da biologia em geral (cfr. Alfredo Teixeira, Não Sabemos Já Donde a Luz Mana, Paulinas, Lisboa, pp. 145 ss.).
Adianto nova citação: “A cultura exageradamente competitiva do futebol profissional, a espetacularização excessiva na mídia, disputas desmedidas e os altíssimos valores que giram em torno da modalidade incentivam a filosofia do ganhar a qualquer preço e parece que ajudam as explicar a violência no futebol. Pelo menos, algumas práticas de violência, no universo profissional e de alto rendimento desse esporte (Maurício Murad, para entender A Violência no Futebol, Benvirá, S. Paulo, 2012, p. 106). Por outro lado, uma vida afrontosamente epicurista, quando não provocantemente hedonista, de muitos dos dirigentes desportivos e dos futebolistas mais aplaudidos; o prevalecimento de critérios unicamente económicos ou financeiros, de acordo com as taras do capitalismo dominante (os próprios socialismos que por aí se pavoneiam não passam de capitalismos do Estado); a indisponibilidade para aceitar, no Desporto, uma evidente proliferação de significantes e significados religiosos – tudo isto contribui directamente para o desinteresse na criação de uma ciência hermenêutico-humana, que salvaguarde a multiplicidade e a complexidade do que é essencial, no estudo do ser humano e que, como novo paradigma, lhe dê coesão e uma identidade disciplinar própria. Porque o sentido da vida humana é a transcendência (e o Desporto assim o confirma), a primeira etapa que se impõe, na teorização e na prática desportivas, é a constituição de uma equipa de trabalho interdisciplinar, onde eu integro também a teologia, dado que o afluxo ininterrupto de significantes e de significados religiosos, na prática desportiva, é tão evidente que recusar o contributo da teologia equivale, neste caso, a um enorme dislate. Volto ao teólogo Alfredo Teixeira, também observador sagaz e meticuloso, servido por vasta cultura, do fenómeno desportivo: “A extraordinária diversidade do sagrado impôs uma progressiva dessubstancialização do termo, que passou a necessitar de um modelador: sagrado religioso, sagrado político, sagrado social, etc.” (op. cit., p. 172). Eu teria também em conta o sagrado desportivo… Para um Desporto que humanamente se cumpra, parece-me necessário não afrouxar na investigação de matérias que, de facto, não passam de “ciências auxiliares do Desporto”, como a Política do Desporto, a Sociologia do Desporto, a Psicologia do Desporto, a Filosofia do Desporto, a Epistemologia do Desporto e a Teologia do Desporto. Álvaro Magalhães realça um ponto que me parece de magno interesse: “O homem é o animal que possui menor número de reacções inatas, o seu repertório é quase todo constituído por respostas adquiridas-aprendidas, o que, de resto, explica a longevidade da infância, onde faz a aquisição das bases fundamentais. Daí a necessidade do treino constante do futebolista. Trata-se do apuramento das suas qualidades, por repetição, e resulta na criação de automatismos. Também os animais treinam, nas suas brincadeiras, as corridas, os saltos e os movimentos do ataque ou da defesa, dos quais depende a sua sobrevivência. O instinto, embora seja um fenómeno essencialmente inato, pode ser modificado pela aprendizagem, que desempenha, em geral, um papel de afinação e melhoria do resultado” (História Natural Do Futebol, Assírio &a Alvim, Lisboa, 2004, p. 192). O saber científico dos positivistas e neopositivistas é neutro, objectivo e objectivante, destina-se às Ciências da Natureza, ou melhor: explica as Ciências da Natureza. Só que o Homem, acima de tudo, compreende-se. E, para compreender uma pessoa, importa estabelecer, com ela, uma relação vital solidária. Sem esta relação, quase sempre a objectivamos e manipulamos. A pessoa, após um desbaste intelectual depurador, é sujeito e é mistério. Por isso, “assumindo que, para além da técnica, da táctica, da preparação condicional e do futebol jogado, uma equipa profissional exige estar em permanentes “cuidados intensivos”, relativos à sua inteligência mental (foco e concentração nas tarefas) inteligência emocional (controlo da ansiedade e empatia individual e colectiva) inteligência espiritual (disponibilidade para se superar) e inteligência social (o todo é maior do que a soma das partes” (Jorge Araújo, O Treino Do Treinador, Teamwork Consultores, Porto, 2016, p. 16).
Neste livro, verdadeiramente inovador na bibliografia desportiva, em língua portuguesa, Vítor Serpa, director do jornal A Bola, jornalista brilhante, estudioso, metódico, daqueles que não escreve para agradar, levanta um problema de que poucos treinadores cuidam: a comunicação. Com efeito, é o Vítor Serpa a dizê-lo: é “preciso treinar o que se comunica, como se comunica, quando se comunica e para quem se comunica. Tal como é preciso treinar o comportamento, em função do impacto da comunicação que recebemos do exterior. Eu defendo abertamente que, a partir de um certo nível de exigência e de exposição pública, um treinador deve ter o seu próprio departamento de comunicação, que se pode e deve compatibilizar com o departamento de comunicação do clube, mas não se deve fundir, nem confundir com ele. Digo-o, não por pressentimento de razão, ou mera sensibilidade. Digo-o, por estudo, observação e análise” (op. cit., pp. 21/22). J. Habermas, no ato de comunicar, aponta “quatro exigências de validade universais: a compreensibilidade da expressão, a verdade do enunciado, a veracidade da intenção e a rectidão das normas”. Karl-Otto Apel concorda com as exigências de validade universais, no ato de comunicar, de Habermas, mas avança a necessidade imperiosa de uma atmosfera sócio-política, com estas normas fundamentais: lutar por que não perca as características humanas “a comunidade real de comunicação”; criar “uma comunidade ideal de comunicação”, sem catequeses rígidas, sem amestradas unanimidades, sem ditaduras de qualquer espécie e que assim possa alcançar-se o consenso universal. Ora, o clubismo faccioso, a ignorância dos princípios inalienáveis da ética desportiva, um economicismo sem freios, os açaimes das várias censuras que não findam, mesmo em regimes democráticos – dificultam uma comunidade ideal e real de comunicação. É verdade: o desporto é mais do que desporto. E só o será verdadeiramente, quando souber articular-se com os mais nobilitantes e progressivos ideais da humanidade.
Progressivos? Na realidade, se estamos no movimento intencional da transcendência, temos o rosto, firme, a olhar em frente, a fitar o Futuro, o que não acontece tão-só no espectáculo desportivo. Se o Desporto vê, no ser humano, a prioridade, entre os seus objectivos, o desporto-arte, o desporto-educação, o desporto-saúde, o desporto paralímpico, etc. hão-de situar-se entre os alvos de uma política verdadeiramente nacional. Um alargamento das dimensões sociais e históricas da motricidade humana em geral e do desporto em especial relaciona a prática desportiva com a sociedade toda e não, unicamente, com as situações escolares e com o desporto de alto rendimento. Para que humanamente se cumpra e sem descambar num redutor puerocentrismo, o desporto, ou o jogo desportivo, deverão tornar-se uma “educação permanente”, em diálogo, ou em relação dialéctica, com os projectos educativos para todas as idades. A propósito da ciência da educação, escreve Adalberto Dias de Carvalho: “A ciência da educação não pode apenas ser uma ciência descritiva: será também uma ciência normativa, em que a componente utópica tem um papel central. É que esta ciência lida com um objecto inconcluído, não podendo por isso bastar-lhe o conhecimento de um objecto já construído. Se tal acontecesse, ela estaria somente a contribuir para a reprodução dos modelos educativos existentes, partindo implicitamente do princípio de que eles eram definitivos” (op. cit., p. 93). Também a Ciência da Motricidade Humana, onde se integram, como especialidades, o desporto, o jogo desportivo, a dança, a ergonomia, a reabilitação, não quer situar-se em verdades feitas, cristalizadas e motive e esclareça os estudiosos a que ponham de lado qualquer conhecimento, marcado pela rigidez de muitas certezas. Para a motricidade humana o ser é um “ser em movimento, visando a transcendência” e o real, na sequência de Teilhard de Chardin, “um processo em evolução contínua para o Absoluto, partindo do nada e do caos”. Permitam-me que, neste momento, distinga um filósofo do século XIX: Hegel! Foi da “esquerda hegeliana” que nasceu Marx e os próprios heterodoxos marxistas; encontra-se nele a fonte mais viva do pensamento dialéctico. Tudo está em movimento. E, porque tudo está em movimento, perigam a inércia, o comodismo, a rigidez burocrática. E pode nascer a Esperança!"

Benfiquismo (MCLXXII)

1908

Fundos 'grátis'!!!

"Hoje o Polvo das Antas aborda as ligações Torre das Antas - Minas Gerais/ Brasil (não, desta vez não nomearemos Calheiros)
Banco BMG - Banco envolvido no escândalo Mensalão em 2005, e que chegou a patrocinar 40 clubes no futebol brasileiro. Só na principal divisão brasileira chegou a patrocinar, ou teve participação, em jogadores de 12 clubes.
Tal influência permitiu que o Banco participasse directamente em diversas negociações de jogadores com os clubes seus parceiros. Vice-Presidente do Banco desde 1996, e CEO entre 2004 e 2013, e actual membro do Conselho de Administração, Ricardo Guimarães (ex-Presidente do Atlético-MG), criou o fundo BR Soccer em 2009, com registo na Comissão de Valores Mobiliários. Indirectamente passou a ter o controlo sobre o Coimbra Esporte Clube, da terceira divisão de Minas Gerais. O clube é propriedade da empresa Vevent Empreendimentos e Participações, que por sua vez é detida em 99.95% pelo fundo BR Soccer.
Interessante é o facto do fundo ter chegado a ter uma carteira com mais de uma centena de jogadores em 2013. Quanto ao clube, chegou-se ao cúmulo de em 2014 ter um maior valor em atletas do que clubes como Flamengo e Palmeiras. Nem sequer imaginamos a dor e sofrimento dos adeptos do Coimbra Esporte Clube ao constatarem que nenhum desses jogadores jogava no seu clube.
Ou seja, um clube que apenas disputava o Campeonato Mineiro e a Taça Belo Horizonte, em tempo recorde conseguiu o feito de ter mais activo que clubes que disputavam o Brasileirão e competições internacionais. Mais depressa angariaram milhões para adquirirem percentagens de passes de jogadores que uma página web.
No ano seguinte em 2015, a FIFA vetou a participação de terceiros em direitos de jogadores e deixaram de poder adquirir e vender direitos de atletas. De modo a contornar a proibição de partilha de passes de jogadores por terceiros o FC Porto e o Banco BMG, através do Coimbra Esporte Clube, começaram a fazer negociatas de jogadores de futebol.
E quem é o Presidente do Coimbra Esporte Clube?
Marcus Vinicius Fernandes Vieira, que é - por coincidência - sócio da Vevent e foi - também por coincidência - director jurídico do BMG. Como se isso não bastasse este chegou a defender o Banco BMG como advogado em diversas ocasiões.
Como entra o FC Porto no universo BMG?
O ponto de partida foi o Museu do clube, onde acabou por encaixar €8M através de um contrato de publicidade e naming, o que levaria Ricardo Guimarães a receber um valioso Dragão de Ouro em 2013, na categoria de Parceiro do Ano. Recordamos que Pinto da Costa e Ricardo Guimarães chegaram a inaugurar o museu com pompa e circunstância, no entanto sempre ficou a questão no ar, qual a razão pela qual o Banco de Minas Gerais decidiu investir tanto dinheiro no Clube se não tem qualquer actividade comercial em Portugal?
Vejamos o caso do jogador Otávio. Sabemos que o BMG adquiriu 50% do seu passe por cerca de 1.35M, além de 15% a um fundo japonês, perfazendo os 65% que o Coimbra Esporte Clube detinha do jogador. Em 2014 o FC Porto comprou 33% do seu passe, por 2,5M€. Mais tarde, e sem explicação a ninguém, a SAD cedeu 0.5% do seu passe. Não sabemos é a quem, nem por quanto. 
Sabemos é que a transferência de Otávio teve o cunho de Adelino Caldeira e Reinaldo Teles como comprova o seu contrato. Importa ainda dizer que um dos representantes do BMG, no futebol, é o empresário Giuliano Bertolucci, que colocou no FC Porto jogadores como Éder Militão, Alex Telles, Felipe, Otávio, entre outros.
Isto tudo leva a concluir que a prospecção do Porto no mercado brasileiro é feita em conluio com o BMG/Giuliano Bertolucci. Segue-se um exercício muito simples.
Desde que existe o Porto B, até ao final de 2018, já foram contratados pelo menos 23 jogadores a clubes brasileiros. E desses 23 jogadores, quantos chegaram à equipa principal ? 1, tão e somente 1. Que jogador? O nosso caro e muito prezado Otávio, que entretanto já custou €7.5M por 68% do passe. Quase o mesmo que o patrocínio do BMG no Porto. Confuso, não acham? O BMG paga um patrocínio ao FC Porto, e este compra jogadores do catálogo do Banco, qual máquina de lavar? 
Façamos uma conta muito simples. Quantos desses jogadores chegaram à equipa principal ? A resposta é desoladora, pois a percentagem de sucesso do Porto B em brasileiros foi de 4,34%.
Para que não restem dúvidas:
2012-13: Diogo Mateus, Víctor Luís, Anderson Santos, Guilherme Lopes, Sebá (via Cruzeiro), Dellatorre (via Desportivo Brasil/Traffic);
2014-15: Diego Carlos (via Desportivo Brasil fundado pela Traffic), Otávio, Roniel (via Grêmio Anápolis controlado pela Promosport), Anderson Dim; 2015-16: Rodrigo Soares (via Grêmio Anápolis controlado pela Promosport) e, Maurício (via Portimonense/Teodoro), Wellington Nascimento (via Grêmio Anápolis controlado pela Promosport), Ronan, Enrick Santos, Gleison (via Portimonense/Teodoro);
2016-17: Inácio (via Portimonense/Teodoro), Galeno (via Grêmio Anápolis controlado pela Promosport);
2017-18: Luizão, Danúbio (via Grêmio Anápolis controlado pela Promosport), Anderson Canhoto; 
2018-19: Diego Landis (via Desportivo Brasil fundado pela Traffic), Emerson Souza e Ewerton Pereira (via Portimonense/Teodoro)
Que é feito destes jogadores?
- Guilherme Lopes por exemplo jogou 1 minutinho na Segunda Liga e acabou a carreira aos 24 anos
- Enrick Santos, infelizmente, ainda teve menos sucesso terminando a carreira prematuramente aos 20 anos de idade.
- Anderson Canhoto teve mais sorte e quando voltou ao Brasil foi jogar na quarta divisão. - Anderson Dim seguiu viagem para Freamunde e depois para o Coimbra MG. Já mudou de profissão.
- Ronan depois de 2 grandes jogos pelo Porto B, passou pelo Tombense, Nova Iguaçu, Santa Cruz e Natal e Cabrofiense. Não participou sequer em 10 jogos nestes grandes clubes.
- Danúbio pertence atualmente ao Uberaba, tendo antes estado emprestado ao Estoril pelo Grémio Anápolis.
- Ewerton Pereira que chegou em 1 de Julho 2018 voltou para o Portimonense em 24 Julho 2018 por empréstimo e em Janeiro terminou o empréstimo, tendo ido para o Japão em 12 Janeiro 2019. 
Concluindo, há miúdos que vêm passar uma temporada de férias a Portugal, com tudo pago, e depois voltam para o Brasil para se dedicarem à pesca. O Polvo das Antas pergunta:
- Porque é que não se fala da fraca aposta do Porto em jogadores jovens portugueses da sua formação?
- Haverá algum Banco no Mundo que patrocine clubes de futebol em países onde não exerça actividade, e negoceie passes de jogadores em grande número, à excepção do BMG? Quais as contrapartidas, sabendo que não há almoços grátis?
- É normal um Banco ter um acordo com um clube onde diz, e citamos, "toda e qualquer negociação envolvendo possíveis reforços para os portugueses no Brasil tem de passar pelo BMG"?
- Podemos colocar o BMG ao lado da Gestifute e Doyen, por exemplo?
Estas são perguntas às quais gostaríamos de ter respostas,e para quem tanto pugna pela verdade desportiva, certamente que não haverá problema em esclarecer estas situações. Não é necessário responder já, nós continuaremos aqui e não temos pressa.
Como não podia deixar de ser, brevemente teremos novidades."

Na bancada...

De regresso...

Dia da Mãe (com algumas horas de atraso!!!)

Vitória... com alguma surpresa!

Benfica 25 - 24 Sporting
(12-13)

Não fizemos um jogo espectacular, mas foi o suficiente para ganhar aos Milionários... isto sem o Cavalcanti e sem o Seabra que não sai do banco!!!
Matematicamente estamos na luta, mas o principal beneficiado deste resultado são os Corruptos lá de cima!!!

Vitória em Ponte de Sor...

Eléctrico 4 - 6 Benfica

Como eu esperava, jogo muito complicado, o Eléctrico tem feito a vida difícil ao Sporting e ao Benfica, principalmente nos jogos em Ponte de Sor...
Agora na Luz, é preciso concentração e resolver o assunto à primeira!

Vitória no antro...

Corruptos 73 - 76 Benfica
18-20, 15-13, 19-18, 21-25

Foi um jogo a 'feijões', já nada alterava a classificação, mas mesmo assim sabe sempre bem ganhar... 
Deu também para 'testar' alguns esquemas, para a mais que provável Meia-final...
Preocupante, os 0 pontos do Suarez, contra este tipo de adversários...!!!

Empate injusto...

Benfica B 1 - 1 Corruptos B


Bom jogo, onde fomos sempre mais perigosos, mas o desperdício foi-nos fatal...
Isto, com uma defesa 'retalhada'... e com a lesão do Conti, tivemos que fazer adaptações... com o Nóbrega a fazer a estreia na B, com uma excelente exibição!

Venham mais cinco!

Benfica 5 - 1 Sporting B


Mais uma goleada, a surpresa foi mesmo o golo sofrido...!!!

Juniores - 10.ª jornada - Fase Final

Gil Vicente 0 - 2 Benfica


Não foi fácil, os golos só apareceram na segunda parte, e a 15 minutos do fim o Ronaldo foi expulso...!!!

Com os dois pontos perdidos no Seixal com os Leixões, temos que ir vencer ao antro dos Corruptos...

Duas finais

"Sentiu-se ansiedade, talvez pela combinação entre juventude e responsabilidade que enche o rico e unido plantel do Benfica

1. Esta Liga vai ser disputada até ao último minuto. Não há nem vencedores antecipados nem há, com a excepção do Feirense, inequívocos despromovidos. Como se percebeu ontem num Estádio da Luz com lotação plena - e que tremeu no momento do golo do Portimonense mas que soube reagir de imediato com um fervor que nunca quebra - e que evidenciou que o Benfica, este Benfica, sabe sofrer e que, também graças à inspiração dos seus valores individuais - com destaque para Rafa - sabe saborear vitórias difíceis. Sim, ontem o Benfica ganhou pelo talento das suas individualidades e pelo cimento, que se sente forte e sólido, do colectivo. Ontem foi o André Almeida, as suas assistências e também as suas lágrimas. Ontem foi Bruno Lage, a sua serenidade, e também a entrada de Fejsa como sinal claro que faz parte da equipa e é querido por todos. Ontem foi a alegria, saltitante e bem contagiante, de Jonas logo que marcou o quinto golo do Benfica. Ou seja, logo que voltou aos golos. Ontem, foi ainda o regresso aos golos do Seferovic o que confirma o seu faro de golo e o seu instinto de matador. Mas ontem, sejamos sinceros, também se sentiu ansiedade em alguns momentos do jogo, talvez em resultado dessa combinação complexa entre juventude e responsabilidade que enche o rico e unido plantel do Benfica. E ontem também foi a confirmação que o Portimonense tem grandes valores - sem esquecermos o ausente Jackson Martínez - e que Artur Soares Dias é um árbitro reconhecido e competente e que vai representar, e decerto bem, a arbitragem portuguesa no Mundial sub-20 que, com a participação da nossa Selecção, se vai disputar proximamente na Polónia. E ontem foi igualmente para grande alegria nossa a primeira vez que o Jorge Frederico, levado pelo Zé da Pedra Dura - que massinhas serves, meu! - foi, aos 35 anos, pela primeira vez ao Estádio e vibrou, e muito, com o seu Benfica. Ele que, na sua específica e singular essência de vida, é de uma simplicidade tocante e de uma simpatia que emociona. No final do jogo sorria e repetia o resultado. Tinha concretizado um sonho, envergando a camisola do seu Benfica! Tinha cumprimentado o homem da águia e tinha visto o seu voo. E nós percebemos que a alegria do Jorge era a alegria do Jonas, a emoção do Jorge era a emoção do André Almeida, que a crença do Jorge era crença do Rafa, que  sorriso do Jorge era o sorriso do João Félix, que a fé do Jorge era, também, entre todos, a fé do Florentino, do Pizzi e do Samaris. E esta comunhão, feita de encontros inesperados, percorre as bancadas e chega, em sons fortes e imagens únicas, aos milhões de benfiquistas que acreditam, hoje mais do que ontem, que a reconquista é possível. E que restam duas finais. Restam, no total, cerca de centro e noventa minutos. Mas sabendo, até pela experiência de ontem, que não há vitórias antecipadas. Há, sim, e no final, conquistas que se merecem. E no próximo domingo será uma outra final em Vila do Conde frente a um Rio Ave em grande momento de forma! Com a alegria do Jorge Frederico Coco!

2. O futebol e o homem português são referência neste fim de semana na Inglaterra. Hoje em Reading, em homenagem ao treinador José Gomes, os adeptos do clube que «salvou da descida de divisão» vão levar uma camisola da selecção portuguesa vestida. É um bonito sinal de agradecimento. O treinador José Gomes chegou ao Reading a meio de Dezembro passado, e o clube, que estava quase que condenado à descida de divisão, mantém-se na segunda liga britânica, uma das mais competitivas do mundo do futebol. Bonito gesto das gentes de Reading! Como foi bonita a homenagem que a Universidade de Wolverhampton conferiu a Nuno Espírito Santo. Concedeu-lhe, em razão dos êxitos desportivos alcançados - reforçados com os três pontos de ontem - o título honorário de Doutor em desporto. Percebemos bem que a Academia se casa com a cidade e com os símbolos da cidade. Um deles é o clube que chegou há um ano, com a liderança de Nuno Espírito Santo à principal liga inglesa - e a mais vista do planeta! - e que este ano conseguiu a melhor classificação de sempre. A Universidade faz o reconhecimento que, jogo a jogo, os adeptos sublinham e aplaudem. E este duplo reconhecimento em Inglaterra tem de ser motivo de orgulho para todos nós. É um pouco de nós que é reconhecido. E o futebol é, mesmo, nos seus fantásticos exemplos - onde está, esta semana, também o Pedro Emanuel com a conquista da Taça do Rei na Arábia Saudita - um dos grandes embaixadores de Portugal.

3. Uma nota final para Iker Casillas. O mundo do futebol mostrou que sabe distinguir os jogos nos relvados - e até alguns fora deles - com o jogo da vida. Sabemos todos que cada um de nós é um ser que se não repete. Sabemos admirar o imenso guarda-redes que, há quatro anos, enche a baliza do Futebol Clube do Porto. E sabemos bem que a sua presença entre nós - em particular na cidade do porto - ajuda a promover mais um destino de eleição. O Presidente Rui Moreira sabe-o bem. Mas nós, simples mortais, recorremos ao nosso extraordinário Padre António Vieira e dizemos: «Todos imos embarcados na mesma nau, que é a vida, e todos navegamos com o mesmo vento, que é o tempo». E esta vitória imensa de Casillas neste jogo da vida é um verdadeiro momento de uma comum e fraterna alegria.

4. Com a subida do Famalicão - que se saúda na pessoa do Miguel Ribeiro! - o Minho terá cinco representantes na próxima edição da Liga NOS. Do Mondego para baixo a redução de presenças desce época a época. Talvez seja hora de meditar acerca desta realidade real! E, também, da litoralização do nosso futebol de topo! E estas reflexões são bem urgentes e exigem conhecimento e vontade, convicção e comunhão, partilha e solidariedade. Sim, solidariedade. Que cada vez se sente menos e que escassamente se partilha!"

Fernando Seara, in A Bola

domingo, 5 de maio de 2019

O minuto 62 que tudo mudou

"Naquele instante, Rafa desbloqueou um jogo que estava muito complicado para o Benfica

Ineficácia
1. Este jogo pode separar-se em dois momentos: a primeira parte e a última meia hora. No primeiro, o Portimonense foi superior, actuando num 3x4x3 que criou imensas dificuldades a Benfica, principalmente no momento da posse de bola para atacar. Quando tinha, a águia perdia-a depressa e quando a recuperava não conseguia dar-lhe profundidade. A isto associou-se ainda a grande dificuldade em reagir à perda de bola, o que permitiu que os algarvios criassem situações de perigo e de finalização, em lances rápidos de contra ataque.
Em resumo, primeira parte marcada por falta de eficácia das equipas, o que deu em 0-0 ao intervalo - a haver uma em vantagem teria de ser o Portimonense.

Momento-chave
2. Na segunda parte, o Portimonense entre novamente melhor do que o Benfica, faz o golo aos 53 minutos, mais uma vez com falta de agressividade defensiva do Benfica, o que permitiu ao conjunto algarvio jogar no espaço interior com muita facilidade.
O momento-chave, porém, viria logo depois, à entrada para a última meia hora, mais precisamente à passagem do minuto 62.
O Benfica reagira bem ao golo. Mas o erro do central Possignolo foi decisivo e permitiu que os encarnados chegassem ao empate, por Rafa.
É só a partir daí que o Benfica passa a dominar, ajudando também a isso a entrada de Jonas e a passagem para o 4x4x2. A eficácia passou a ser elevadíssima, como se viu pelo total de cinco golos.

Qualidade do Portimonense
3. Olhando à maior parte do encontro, há que realçar a incapacidade de controlo do jogo por parte do Benfica (até à entrada para a última meia hora), com muitas perdas de bola na fase de construção; mas realce-se também a qualidade individual e colectiva do Portimonense, principalmente até ao golo do empate.

E Rafa desbloqueou
4. O grande destaque, esse, vai para Rafa, por ter desbloqueado o jogo num momento em que o Benfica mostrava incapacidade para desenvolver o seu jogo, fazendo dois golos e abrindo assim espaço motivacional para os outros três. Esta vitória, por ser com números exagerados, reforça a confiança dos encarnados e relança-os para a conquista do título. Dar a volta a resultados aumenta sempre o moral, mais ainda quando acontece num jogo que estava extremamente difícil - Paulinho, recorde-se, até podia ter feito o 2-0, aos 60', quando surgiu isolado..."

Leonel Pontes, in A Bola

À falta de estofo, alma de campeão

"Poderíamos dizer que ficou tudo na mesma na luta pelo primeiro lugar, o que, sendo verdade em termos pontuais, não corresponde à realidade por ficarem, agora, só a faltar duas jornadas para a meta. Ter-se-á, pois, de dizer que o Benfica ficou ontem, com a goleada (mais uma) ao Portimonense, um pouco mais perto do 37, embora ciente de que o FC Porto - que respondeu também com vitória gorda ao Aves em semana dificílima -, embora pareça já algo descrente, não entregará o título de borla.
Claro que dois pontos, quando faltam apenas seis, seria vantagem suficientemente confortável para que, noutras alturas, os adeptos reservassem, até, o Marquês. Mas (além da coisa já ter corrido mal pelo menos uma vez...) a verdade é que não tem parecido a águia sentir-se lá muito confortável nesta pele de líder isolado, que lhe parece ter, até, feito mal: à péssima entrada em Braga segui-se, ontem, uma hora muito sofrível diante do Portimonense. Há mérito do conjunto algarvio, sim, mas parece haver também no Benfica uma tentação inexplicável, e pouco vista em jogos anteriores, para deixar andar e ver o que dá, que já quase lhe custou caro em duas ocasiões.
Costuma apelar-se, nestas alturas ao estofo de campeão. Será, talvez, demasiado exigi-lo a equipa que tem como grandes referências miúdos incapazes de disfarçar a pressão do momento. Mas tem compensado, este Benfica, essa falta de estofo com uma indiscutível alma de campeão, que, se bem usada, por Bruno Lage, pode até ser suficiente para festejar no final. Começando, se calhar, por fazer a equipa esquecer que pode empatar um jogo, entrando em todos para ganhar em vez de para controlar. Porque já percebeu que é na vertigem do risco que a águia se sente melhor."

Ricardo Quaresma, in A Bola

Celebremos o coração

"Os corações enquanto estão vivos têm caminhos particulares, exigem por isso nomes diferentes

Em tempos de sustos cardíacos, um elogio ao coração

A forma
1. A forma do coração há muito deixou de ser uma forma orgânica e parece ter-se juntado às formas da geometria clássica: o quadrado, o triângulo, o rectângulo, a circunferência e o coração. As cinco formas - quatro que são artificiais e uma que é humana e representa a vida.
O humano inventou a roda, o coração terá inventado a bondade, dizem os mais optimistas.

Nomes iguais, nomes diferentes
2. No livro História Universal do Coração, de Richard Lewinsohn, é lembrado que algumas tribos índias «usam a mesma palavra para coração e estômago». Claro que essas tribos sabem bem que esses órgãos são elementos diferentes, mas talvez sejam vistos como duas coisas que mexem, que têm batimentos, mais ou menos evidentes. Para essas tribos o corpo inteiro digere: o estômago digere alimentos, o coração digere sangue (os pulmões: o ar) e o cérebro recebe, digere e transforma os pensamentos. O corpo inteiro como um grande estômago.
Numa outra tribo do Mato Grosso, os indígenas usam duas palavras diferentes «uma para o seu próprio coração (nomaihaci)» e uma outra palavra para «o coração dos outros (maihaciti)». É como se dissessem: o meu coração não pode ter o mesmo nome. Os corações enquanto estão vivos têm caminhos particulares, apaixonam-se por coisas e pessoas distintas, exigem por isso nomes diferentes. A anatomia não tem tanta importância como a biografia. É a forma como cada um vive que acabará por dar o nome ao seu coração.

Loucura e coração
3. Há ainda belas superstições em redor deste órgão essencial. Os nativos da tribo da Ilha Nias da Indonésia, por exemplo, sempre segundo o livro de Lewinsohn, têm uma explicação para a loucura, que passa, no fundo, por uma alteração, concreta das coordenadas do coração (x, y). A loucura, defende esta tribo, é provocada por um espírito que entra no corpo e «empurra o coração para cima». Isso mesmo: empurra, como se o coração fosse um móvel que os espíritos zangados decidem mudar de sítio.

Coração e consciência
4. Para a forma de pensar do antigo Egipto, o coração era o local onde se alojava a consciência moral humana.
A cabeça pensava, raciocinava, fazia cálculos e usava verbos para explicar o mundo. Já o coração era um órgão mudo, porém era aquele por onde passariam esses dois caminhos que na Antiguidade era claramente separados: o caminho do bem e do mal. Assim, o coração era a testemunha prieira do corpo; era o coração que olhava para os actos dos braços e do resto da pele e os julgava. Ele «era a testemunha final» da vida de um humano e, por isso, depois de morto, coração e homem separavam-se. O Homem ia para «banco dos réus» e o coração era a testemunha. No julgamento, o juiz perguntava à testemunha (coração) se o réu (o resto do corpo) se tinha comportado bem. Coisa estranha, um órgão do corpo depor a favor ou contra si próprio ou contra o resto do corpo. Mas sim, era isso. Era o grande órgão, um órgão portador de um espírito que sobrevivia. Em termos concretos, no julgamento dos mortos, o coração era pesado numa balança - acção simbólica, claro. Pesavam-se, no fundo, os actos bons e os actos maus. Podemos até pensar numa espécie de contas de mercearia moral: 10 Kg de actos bons menos 5 Kg de actos maus igual a um saldo de 5 Kg de bondade. Mas claro, não há uma verdadeira unidade de medida para o moral. No entanto, o coração foi sempre a referência.

Nada de raciocínios
5. O «coração, se pudesse pensar, pararia», escreveu Pessoa. O coração é importante, para os antigos e para os contemporâneos, mas que o coração não pense demasiado, dele só queremos que bata ao ritmo certo que a biografia exige. Que mantenha o ritmo como a bateria da banda."

Gonçalo M. Tavares, in A Bola

O caso Semenya

"O caso da atleta Caster Semenya é, sem dúvida, marcante quer para as Ciências do Desporto quer para o Direito do Desporto.
Recordamos que atleta sul-africana, campeã olímpica e mundial dos 800 metros, tem altos níveis de testosterona, devido a uma condição genética. A atleta, naturalmente, compete em provas femininas, mas os seus resultados extraordinários são, desde há muitos anos, contestados pelas suas adversárias por entenderem que Semenya beneficia de uma vantagem física, o que torna a competição desigual.
Recentemente, a atleta processou a IAAF (Federação Internacional de Atletismo) junto do CAS por ter aprovado um regulamento que baixa os níveis de testosterona permitidos nas provas femininas acima dos 400 e até aos 1600 metros. Este regulamento impossibilita Semenya de participar nas provas onde é mais forte.
A análise feita pelo CAS centrou-se na análise da proporcionalidade da solução encontrada pela IAAF. O painel entende que o Regulamento é discriminatório, mas que, com base na prova que foi produzida, tal discriminação é necessária, razoável e proporcional para atingir o objectivo legítimo de assegurar uma concorrência leal e proteger as atletas do sexo feminino. O CAS, contudo, assinala preocupações quanto à aplicabilidade do regulamento.
A decisão termina com uma nota de agradecimento a Semenya pela sua conduta durante o processo, reafirmando que nada coloca em causa o seu mérito desportivo e que nada fez para merecer qualquer crítica.
Um sumário da decisão (que vale a pena consultar na íntegra) pode ser alcançada aqui:
https://tas-cas.org/filead-min/user_upload/CAS_Executive_Summary_5794_.pdf."

Marta Vieira da Cruz, in A Bola

Pilhado... no Glorioso!

Inferno...

Benfica erneut spät auf Betriebstemperatur

"Nachdem Benfica am vergangenen Sonntag die hohe Hürde beim SC Braga mit einem 4:1 am Ende souverän genommen hat, stand gestern mit dem Heimspiel gegen Portimonense eine vermeintliche Pflichtaufgabe auf dem Spielplan.
Dabei hatte der einzige Erstligist aus der Ferienregion Algarve den Adlern in der Hinrunde kräftig in die Meistersuppe gespuckt. Die Partie in Portimão am 2. Januar ging nach einer desaströsen Leistung und zwei Eigentoren der Innenverteidiger Rúben Dias und Jardel mit 2:0 verloren. Nur einen Tag später war die Ära von Trainer Rui Vitória zu Ende, an seiner Stelle übernahm Bruno Lage das Kommando.
Was dann folgte, hätten wohl selbst die kühnsten Optimisten so nicht zu träumen gewagt. Sieben Zähler betrug der Rückstand auf den FC Porto nach der Niederlage bei Portimonense, Benfica war auf Rang 4 abgerutscht. Doch mit Bruno Lage begann eine neue Zeitrechnung, unter seiner Leitung gewannen die Adler 15 von 16 Ligaspielen. Lediglich beim Unentschieden gegen Belenenses liessen sie Punkte liegen, gewannen dafür bei Sporting, in Porto sowie in Braga und verwandelten den bereits uneinholbar erscheinenden Rückstand in einen Zwei-Punkte-Vorsprung. Den galt es gestern im ausverkauften Estádio da Luz zu verteidigen.
Anders als erwartet übernahm jedoch nicht Benfica das Heft des Handelns. Zwar hatte der Rekordmeister durch Seferovic nach neun Minuten die erste Torchance der Begegnung, doch waren die Gäste im ersten Durchgang eindeutig die bessere Mannschaft und beeindruckten mit einer couragierten Vorstellung. Die Hausherren leisteten sich im Spielaufbau Fehler um Fehler, die Nervosität der jungen Spieler wie Ferro oder Florentino war mit Händen greifbar.
Kurz nach dem Wiederanpfiff belohnten sich die Gäste für ihren starken Auftritt. Nach einem Steilpass erzielte Tabata in der 53. Minute den Führungstreffer. Wie in der Vorwoche in Braga musste Benfica offensichtlich erst in Rückstand geraten, um auf Touren zu kommen. Die Adler spielten auf einmal wie verwandelt, gingen aggressiver in die Zweikämpfe und setzten Portimonense jetzt gewaltig unter Druck. Mit einem Doppelschlag von Rafa drehten sie binnen drei Minuten das Ergebnis und liessen im Anschluss kaum noch einen Zweifel aufkommen, wer an diesem Abend den Rasen als Sieger verlassen würde.
In den Schlussminuten brach Portimonense dann im vor Begeisterung überkochenden Estádio da Luz auseinander. Zweimal Seferovic und der eingewechselte Altmeister Jonas sorgten für den Endstand von 5:1, mit dem die lange Zeit bemerkenswert auftretenden Gäste fast schon über Gebühr bestraft wurden.
Benfica verteidigt mit diesem Kantersieg nicht nur die Tabellenspitze, die Adler nähern sich auch scheinbar unaufhaltsam der historischen Hundert-Tore-Marke, die zuletzt 1972/73 unter Trainer Jimmy Hagan mit 101 Toren geknackt wurde. Satte 96 Tore haben die Spieler des Rekordmeisters bereits erzielt, zwei Ligaspiele stehen noch aus. Zum Vergleich: Der FC Porto traf in dieser Spielzeit bislang 68 Mal.
Weiter geht es am kommenden Sonntagabend um 21 Uhr deutscher Zeit mit dem letzten Auswärtsspiel der Saison bei Rio Ave. Beim Tabellensiebten in Nordportugal erwartet Benfica wieder eine schwere Aufgabe, doch die Mannschaft scheint gut gerüstet. Vier Zähler aus den letzten zwei Begegnungen würden zum 37. Meistertitel reichen.
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SL Benfica - Portimonense SC 5:1
Liga NOS, 32. Spieltag
Samstag, 4. Mai 2019, 19 Uhr
Estádio da Luz, 60.677 Zuschauer
Mannschaftsaufstellung: Odysseas, André Almeida, Jardel, Ferro, Grimaldo, Pizzi (90. Fejsa), Florentino, Samaris (61. Jonas), Rafa, João Félix (79. Gedson), Seferovic
Torschützen: 0:1 Tabata (53.), 1:1 Rafa (62.), 2:1 Rafa (65.), 3:1 Seferovic (84.), 4:1 Seferovic (88.), 5:1 Jonas (90.+2)"

Que 'romântico'!!!

Cadomblé do Vata

"1. Antes de mais gostaria de desejar uma rápida alta hospitalar ao Casillas... até porque se isto continua assim, sou capaz de precisar da cama dele no hospital.
2. Parece que os jogadores do SLB sentem mais dificuldades a jogar na Luz do que fora de casa... se calhar está na altura de repensarmos os recursos às condenações de jogos à porta fechada.
3. Com as goleadas de SLB e FCP, não restam grandes dúvidas de que o campeonato se vai decidir na última jornada... onde curiosamente, o Glorioso defronta a sua filial dos Açores e os portistas recebem a filial de Lisboa.
4. Apesar dos dois golos do Rafa, para mim o melhor em campo foi o Paulinho... justificou plenamente os 7 milhões que o FCP pagou ao Portimonense pelo empréstimo de 3 milhões.
5. Seferovic é fabuloso na desmarcação e absolutamente inútil na finalização de um para um com o guarda redes... de cada vez que o vejo arrancar isolado, começo a pedir fora de jogo para evitar que ele enfie mais uma martelada na auto estima."

Ok, sexo é bom, mas alguma vez celebraram uma reviravolta com dois golos do Rafa?

"Vlachodimos
Uma série de intervenções atentas impediu o golo do Portimonense. Vlachodimos claramente ainda não percebeu como é que esta equipa funciona, caso contrário teria executado um daqueles seus golpes de vista logo aos 8 minutos e catapultado a equipa para uma reviravolta ainda durante a primeira parte. Em vez de cinco teriam sido dez. Agora pensa, Odysseas. (Excelente exibição.) 

André Almeida
As suas lágrimas no final, depois de confirmados os 3 pontos, são uma consequência lógica de um jogo, perdão, de uma época excessivamente emocionante. Fala-se muito do cansaço físico ditado pelo calendário frenético da alta competição, mas pouco é dito acerca das sequelas psicológicas resultantes destas batalhas no relvado. Comparada a um jogo como o de hoje, a guerra colonial parece um jogo de futsal entre amigos obesos. Jogos como o de hoje, épocas como esta que vivemos, irão causar stress pós-traumático. Este primeiro pelotão de Lage, tão bem representado em alguém como André Almeida, tem tudo para ser feliz, mas nunca mais se livrará da ocasional noite em que, subitamente, um destes homens que combateu na mítica batalha de Tabata acordará com suores frios e um golo do Portimonense, tudo isto em frente a sessenta mil bocas para alimentar. Imaginem se não tivesse feito mais duas assistências para golo.

Jardel
Um dos pesadelos resultantes do stress pós-traumático poderá passar apenas pela presença de Jardel em campo. Só isso chega para me assustar nos dias que correm.

Ferro
Sofreu a bom sofrer com os adversários directos e com os que surgiam pelo flanco de Grimaldo. Também se emocionou no final, por ter sobrevivido à dupla com Jardel. 

Grimaldo
A dada altura, durante aqueles sofríveis 60 minutos que recordaremos como os mais assustadores desta época, consegui ver Grimaldo estacionado no flanco esquerdo, qual garçom de pano no braço, a servir mais rosé aos clientes vindos do Algarve. Felizmente a coisa compôs-se e o espanhol acabou a beber pela garrafa e a limpar-se ao pano, depois de somar mais assistência.

Florentino
Foi uma tarde algo desastrosa que culminou numa ovação dos adeptos que, com a ajuda de Ferro, o levantaram do chão e lhe deram forças para continuar. Em vez de sessões de autógrafos na megastore, talvez pudéssemos organizar uma sessão de abraços a Florentino já esta segunda-feira. Abraços e um ou outro puxão de orelhas. Força, miúdo. Isto vai ser tudo teu.

Samaris
Desde que se juntou a Florentino no meio-campo, a coisa tem alternado entre imitações nem sempre bem conseguidas de Gabriel e as tentativas de complementar as acções defensivas do seu jovem colega.

Pizzi
Paz, pão, habitação, saúde, educação e assistências, mas só na última meia hora. Antes disso foi guerra, fome, barracas, escorbuto e passes errados.

Rafa
Ok, sexo é bom, mas alguma vez celebraram uma reviravolta com dois golos do Rafa em casa contra o Portimonense? Obrigado a este rapaz por nos ter proporcionado um dos momentos mais violentos dos últimos anos na Luz. E por violência entenda-se aquela versão do amor que agita as nossas entranhas e nos faz sentir mais vivos do que nunca. Obrigado, Rafa. Custou comó caraças, mas houve Benfica.

João Félix
Muito bem a ludibriar os observadores do Manchester City com uma exibição bastante sóbria sem golos nem assistências. Os bifes que voltem cá na próxima época.

Seferovic
Teve nos pés a oportunidade de proporcionar aos mais de sessenta mil adeptos no estádio um início de jogo agradável, mas não seria Benfica 2018/19 se assim fosse. Acabaria por bisar naquela meia hora final que nos deixou a todos exaustos, quando já era tarde demais para cancelar a encomenda de 5 mil desfibrilhadores para disponibilizar no estádio da Luz.

Jonas
O fixer é aquela figura semi-obscura que trata das merdas quando alguém faz merda. Só entra em cena se for mesmo necessário. É o tipo dos filmes que paga a nossa caução, arranja um advogado e leva a comer gelado a seguir. No futebol, é o tipo que distribui chapadas metaforicamente até toda a gente se acalmar e fazer aquilo que as trouxe a este planeta: marcar golos até os adeptos perderem a voz. Jonas é tudo isso. É, enfim, um adulto no meio de uma equipa que, na sua maioria, não se imaginou aqui nesta tarde de Maio. Desengane-se quem o acha perro. As suas pernas podem correr menos, mas o cérebro continua a seguir disparado na direcção da baliza, sabendo que é necessária calma para lá chegar. Nada mais justo e bonito do que ser este magnífico a marcar o último golo, o nº 300 da sua carreira, dos quais cerca de metade aconteceram com o manto sagrado vestido. Começa a cheirar a despedida. Talvez seja isso, afinal, que fez André Almeida chorar. Compreenderia. 

Gedson
Entrou numa fase do jogo em que os miúdos do Seixal já tinham voltado a comportar-se como adultos e não destoou.

Fejsa
Não perdeu tempo a demonstrar que continua num momento de forma estonteanete, perdendo a bola à primeira oportunidade, isto quando a Luz já pedia ensurdecedoramente o 37."

SL Benfica - Portimonense SC

"Quem olhar para o resultado não vai perceber o sofrimento que foi este jogo. O Portimonense entrou no jogo para ganhar. Até teve a primeira grande oportunidade. Nós não entrámos muito bem, mas lá para os 25 minutos começámos a construir alguma coisa mas sem concretizar. Depois do intervalo o Portimonense voltou a entrar melhor, chegou mesmo ao golo e só aí é que o Benfica (e a Luz) despertou. Rafa marcou dois golos e já na parte final Seferovic (2) e Jonas fecharam o marcador. 5-1. Umas notas sobre o jogo.
1. Rafa. Se marcasse penalties, era o jogador com mais mercado do Campeonato. Seria mais falado do que o Bruno Fernandes. Não marca. Ainda bem. Fica um segredo só nosso. Não contem a ninguém. Dois golos. No Campeonato já são 15, menos um que o médio do Sporting e menos seis que Seferovic. O primeira é uma jogada por inteiro dele. Antecipa-se ao central, obriga-o a jogar mal e recupera a bola e na cara do guarda-redes desvia a bola para dentro da baliza.
2. Odysseas Vlachodimos. Há que mencionar o Vlachodimos hoje. Tem uma ou duas defesas importantes que com outro guarda-redes provavelmente teriam entrado. Lembro-me de por exemplo o Tabata na cara dele e ele sair-se muito bem na primeira parte. Tem as suas falhas e vamos ter que resolver isso no verão, mas o Portimonense não as explorou hoje e acabou por ser fundamental para o resultado.
3. Haris Seferovic. Tenho-vos dito que nenhum ponta-de-lança marca todas as oportunidades que tem e que Seferovic tem uma excelente eficácia relativamente à média dos avançados dos grandes clubes da Europa. Hoje podia ter aberto o marcador logo no início, mas não conseguiu. Teve mais uma ou duas boas oportunidades, que também não conseguiu concretizar. Mas acaba por ser fundamental no jogo. É importante na jogada do segundo golo de Rafa e ainda matou o jogo com dois golos.
4. André Almeida. Acabou o jogo emocionado. Não sei as motivações. Mas fez um bom jogo. Duas assistências. Primeiro para o segundo golo de Seferovic, num daqueles cruzamentos rasteiros que o suíço aparece isolado e só tem que encostar. Já tinham feito o mesmo contra o Guimarães fora, por exemplo. Segundo um cruzamento perfeito para uma cabeçada do lendário Jonas. Para a Liga, André Almeida vai servindo.
5. Pizzi. Começou o jogo no lado esquerdo. Bruno Lage já tinha experimentado esta troca em Braga e não tinha resultado bem. A bola raramente lhe chegava. Na segunda parte, depois de sofrermos o golo, passou para o centro do terreno e acaba por estar envolvido em dois golos. É ele que faz o passe no espaço para Seferovic que inicia a jogada do nosso segundo golo. O suíço vai isolado e obriga o guarda-redes algarvio a sair da baliza, sendo que depois passa para Grimaldo que assistiu Rafa. Também foi Pizzi que recupera a bola, conduz a jogada e assiste Seferovic para o terceiro golo.
6. Jonas. É uma lenda. Chegou hoje aos 300 golos. Entrou no momento que o Benfica mais precisava e não se escondeu. É aproveitar enquanto Jonas vai durando.
O resultado não mostra reflecte bem o jogo que foi. O Portimonense poderia ter marcado algumas vezes, mas nós também. Faltam duas finais. Está quase. Hoje depois do primeiro golo do Rafa viveu-se o melhor momento de benfiquismo na Luz desta época. O apoio foi ensurdecedor. Dali só poderia sair um golo do Benfica. Acabaram por sair quatro. Rumo a Vila do Conde!"

A diferença está na pólvora

"Benfica esteve a perder com o Portimonense, que assinou uma grande primeira parte. Na última meia hora, já com Jonas em campo, os encarnados marcaram cinco golos

O calor que está lá fora ajuda à metáfora. Quantas vezes é que, qualquer um de nós, deixou toalhas e mala no mesmo lugar quando o mar ameaçava? Vinha uma onda e uff já passou. E, depois, mais outra. E outra. E a malta quietinha, confiante, como se o mar tivesse consciência. Até que, claro, lá vem outra e ensopa toalhas e malas. Todos, cada um dos culpados, sabiam que aquilo ia acontecer mas nada foi feito para anular o fado. Foi mais ou menos o que aconteceu no Benfica-Portimonense. 
Os algarvios chegaram iluminados ao Estádio da Luz. Ideias frescas, pernas rápidas, movimentações acertadas, ousadia no drible, qualidade na saída de bola. Estavam com tudo. Conseguiram furar a teia tenra dos encarnados e criaram muito perigo. O Benfica estava vulnerável, sem muita ligação entre jogadores, e não sabia corrigir ou travar aquela gente que veste branco e preto. E, sem surpresa, como a história do mar inconsciente, o Portimonense chegou ao golo (53’), por Tabata, que assinou uma bela exibição, com muito drible e soluções para problemas.
Só depois, com o orgulho ferido e a lembrança terna da luta pelo título, é que os rapazes de Bruno Lage carregaram no pedal. É coisa de equipa grande: o futebol nem melhorou muito, mas aquela gente nas bancadas, o compromisso e a camisola ainda pesam, e o Portimonense foi empurrado para trás, como uma onda quase eterna. Já com Jonas em campo, por troca por Samaris (Pizzi para dentro), o Benfica virou o jogo em quatro minutos: Rafa marcou os dois golos. O primeiro até resultou de um chutão da defesa, que depois os de Portimão complicaram, deixando Rafar isolar-se e desviar de Ricardo Ferreira. Pouco depois, a reviravolta aconteceu com ressaltos à mistura.
O Portimonense manteve-se vivo, principalmente num lance aos 78’ em que Jardel evitou a tragédia (cortando uma linha passe que isolaria o avançado forasteiro), depois de mais um erro da defesa da casa. Mas, e vale a pena deixar isto muito preto no branco, o Portimonense jogou muito futebol na primeira parte. Tinha mais bola, encontrava vantagens sucessivamente, tanto a defender como a atacar, fechando caminhos para a baliza e dando asas ao futebol dos atrevidos Paulinho, Tabata e Lucas Fernandes. Estavam subidos, corajosos.
O Benfica, num 4-4-2 clássico (com Pizzi a pisar terras interiores), tinha dificuldades no momento em que perdia a bola. Depois, como consequência, o medo a esse momento da transição defensiva, parecia estender a equipa, deixando pelo caminho Florentino e Samaris, que não davam as coberturas úteis, para dar continuidade ao jogo, aos homens da frente. Ou seja, havia poucas linhas de passe, poucas soluções. O apagão de João Félix ajudou pouco, já que a sua criatividade na zona 10 resolve alguns enigmas. Apesar deste afrouxamento, o Benfica ainda teve duas oportunidades importantes para inaugurar o marcador.
Mas aquela última meia hora sufocou o arrojo do Portimonense de António Folha, que ora defende com linha de 4 ora de 5. Há flexibilidade, o que significa que há cultura e trabalho. O Benfica, pouco importado com essas questões teóricas, aproveitou os erros e o talento dos que vestem de vermelho: Seferovic marcou mais dois golos no campeonato. Quatro-um.
Depois da hora, um senhor amado pelas gentes lisboetas e não só, acabou por molhar a sopa. André Almeida surgiu na linha, pelo lado direito, sacou um cruzamento e Jonas meteu a cabeça, 5-1. O brasileiro festejou como um menino feliz. Apito final na Luz, com direito a lágrimas de André Almeida, denunciando a tensão que esta gente leva debaixo da pele.
Este é um daqueles casos em que o resultado é malandro. O jogo do Portimonense, que criou muito e falhou muito, merecia qualquer coisa, algo muito mais do que sair goleado da Luz.
Mas o futebol, que não é mentiroso, é como o mar: não tem consciência."

Ainda Soares Dias...

"Aquilo que pouca gente sabe e muita gente desconhece, é que o Senhor da Confeitaria foi arguido no processo Apito Dourado.
Isso mesmo, o árbitro da AF Porto, foi um dos 171 arguidos do megaprocesso, que infelizmente, envergonhou e lesou gravemente o futebol Português.
27 dirigentes de clubes, 28 dirigentes da Liga e Federação Portuguesa de Futebol, 2 autarcas, 4 empresários e 110 árbitros dos quais, 12 da 1ª categoria profissional, onde se incluía Artur Soares Dias.
É este o passado e trajecto de um árbitro que foi promovido a árbitro de primeira categoria em 2004, com apenas 25 anos e que se tornou árbitro internacional, em 2010, apesar de todas as suspeitas que recaíram sobre si no processo Apito Dourado.
E desde então, assumiu grande parte dos clássicos e dérbis do futebol Português, mesmo que somando péssimas arbitragens e com influência direta no resultado. Quem não se recorda do Penalty escandaloso sobre Gaitan não assinalado em Alvalade logo no 1º minuto de jogo? Ou de um Dérbi no mesmo estádio, em que não marcou 3 grandes penalidades evidentes a favor do SL Benfica? Ou de uma defesa de Mangala na Luz que decidiu marcar pontapé de canto? Ainda este ano, evitou um resultado mais desnivelado em Alvalade, ao não assinalar, por exemplo, uma grande penalidade sobre Seferovic com o resultado em 1-4.
O padrão é sempre o mesmo. Prejuízo do SL Benfica.
A cumplicidade com o FC Porto é por demais evidente. Recentemente, tivemos a famosa inauguração da sua pastelaria na cidade do Porto, com a presença de ilustres adeptos e cartilheiros da Torre das Antas. Mas é também o único árbitro, que se conheça, que tem direito a prendas personalizadas - roupões com o seu nome – ou que oferece camisolas a adeptos no Estádio do Dragão, depois de um jogo frente ao Rio Ave, em que curiosamente ou talvez não, prejudicou mais uma vez o adversário do #portoaocolo.
É este o árbitro que vai apitar um jogo no Estádio da Luz, sem ser contra FC Porto ou SC Braga, praticamente 10 anos depois.
E como se isso não fosse suficiente, teremos como auxiliares Rui Licínio e Inácio Pereira, o árbitro-assistente que não viu um Penalty do tamanho do mundo sobre Carrillo em Setúbal e que é adepto fanático e confesso do FC Porto, conforme devidamente denunciado pela página Arquivo da Fruta. 
https://www.facebook.com/126822611154909/posts/595414927629006/
Mas as surpresas não se ficam por aqui. Se temos como VAR o sportinguista de Borba, Luís Godinho, mais um que dispensa apresentações, pasme-se que para Observador foi escolhido Elmano Santos. 
Quem não se lembra de Elmano Santos? Não foi há muito tempo que mandou repetir aos 89´ uma grande penalidade no Estádio do Dragão, que o jogador Jaílson acabou por falhar.
Este senhor esteve também sobre investigação, por altura do Apito Dourado, devido a telefonemas - antes e após jogo do Boavista x SL Benfica - com Valentim Loureiro. Este senhor já esteve nomeado para observador dos jogos do FC Porto por 3 ocasiões, curiosamente, das figuras mais vezes escolhida para desempenhar este papel. Coincidências?
Lista de jogos:
J4 – FC Porto x Moreirense FC
J11 – Boavista FC X FC Porto
J19 – FC Porto x Belenenses SAD
É isto que nos espera mais logo. Humildade, foco e concentração!"


PS: Este 'chegou' atrasado, mas merece ficar para memória futura. E o facto de não ter havido Casos não o desmente, até porque o rumor de ter estado na Luz um observador de arbitragem da UEFA, pode ter ajudado...!!!

Benfiquismo (MCLXXI)

Já não está cá...!!!