Últimas indefectivações

terça-feira, 20 de março de 2018

D. Quixote e Sancho Pança

"Um jogo com o Real Madrid e uma curiosa lembrança.

O jogo com o Real Madrid, realizado a 8 de Dezembro de 1954, inserido nas comemorações da inauguração do Estádio da Luz, faz parte de um festival de três dias. Depois dos encontros com o FC Porto e com o Belenenses nos dias 1 e 5 de Dezembro respectivamente, foi o jogo com o Real Madrid que mais espectadores trouxe ao novo recinto desportivo da capital. O encontro 'despertou interesse compreensível e a venda de bilhetes esgotou a lotação do belo recinto desportivo (...)'.
A presença dos 'merengues' em Portugal permitiu o reatamento das relações desportivas luso-espanholas 'depois de um longo interregno'. Assim, com o Estádio da Luz 'quase a transbordar', deu-se início ao grande jogo. 'Os jogadores madrilenos foram os primeiros a sair do túnel para o rectângulo, trazendo com eles as bandeiras de Portugal e do Benfica. O público dispensou-lhes, acto contínuo, calorosa ovação, que se tornou ainda mais entusiástica quando apareceram os encarnados conduzindo igualmente duas bandeiras: a de Espanha e a do Real Madrid'.
A equipa do Real Madrid, com 52 anos de história, era campeã espanhola e um dos melhores clubes da Europa. Em face da sua actuação, 'o numeroso público (...), deixou-se invadir pelo entusiasmo, alegrando-se com a vivacidade e a vontade postas na luta pelos jogadores benfiquistas e sublinhando, desportivamente, com aplausos, o virtuosismo dos futebolistas do Real Madrid, entre as quais Di Stefano feriu as atenções com a sua verdadeira classe internacional'.
O jogo terminou com a vitória dos 'merengues' por 2-0, mas para o Benfica ficou a honra de ter na inauguração do seu Estádio uma das melhores equipas da Europa que trouxe consigo um dos melhores jogadores de todos os tempos: Di Stéfano.
Como recordação deste momento foi oferecida ao Benfica uma lembrança, 'um bronze artístico, com as figuras de D. Quixote e Sancho Pança', que pode ser apreciado na exposição temporária Jornal O Benfica - 75 anos de Missão, patente no Museu Benfica - Cosme Damião."

Marisa Manana, in O Benfica

Rafa precisa de pensar tão rápido (e bem) quanto corre

"Cada um tem para si mesmo uma inabalável definição de craque. Construiu-a também de memória, a partir do que viu durante a adolescência e idade adulta, fosse em kinemacolor, technicolor ou na cor natural trazida pelas décadas seguintes. Formou referências, moldes, em que encaixam os jogadores, com maior ou menor dificuldade.
Não há, também por isso, definições erradas ou certas, nem uma mais verdadeira do que outra. Os craques, quando os reconhecemos entre os mortais, vivem sempre numa parte de nós, onde chegam mediante o que fazem em campo.
Sem contarmos com o topo, onde dois ou três se sentam a olhar para baixo, e sem a base, de onde uma multidão já não tem mais para onde cair, além de purgatório ou inferno, é fácil subir e descer degraus mediante o gosto de cada um.
Mais valorizados os mesmos gostos dos que interferem directamente com o jogo e os jogadores, absolutamente inúteis para alguém que não os autores os de quem se delicia entre montículos de restos mortais de tremoços e uma caneca também a perder vida por culpa das alterações climáticas. Nada é mais do que prazer, nem precisa de o ser.
O meu craque é feito de três qualidades fundamentais: a relação íntima e quase obsessiva que tem com a bola, a leveza com que lhe toca e a distribui; a capacidade de não ter de olhá-la nos olhos para que esta se sinta confortável e possa observar sempre à sua volta para decidir melhor o que fazer; e a clarividência para, na maior parte das vezes, tomar a decisão mais certa, entre outras menos certas e algumas completamente erradas, esteja perante pouca ou muita pressão, seja do momento ou do adversário.
Classe, postura e inteligência.
Há muito boa gente que se fica pela classe. Chega! Outros que não pensam em classe sem postura. Perfeito! Mas o que seriam classe e postura sem esse dom de tomar quase sempre a melhor decisão, seja a ocupar o espaço, a procurá-lo, a decidir-se pela assistência ou a escolher uma entre milhares de formas de marcar um golo?
Claro que decidir (quase sempre) bem é algo intrinsecamente mental, mas implica obviamente fazê-lo tendo por base técnicas de passe e remate sólidas. A definição é isso. De que vale tocar a bola com classe, jogar de cabeça levantada e ter visão periférica, se depois não se escolhe o melhor ângulo, a melhor linha de passe ou, simplesmente, se deixa passar o momento.
É aqui que entra Rafa, o velocista do Benfica. Embora pudessem entrar outros, inclusive de clubes rivais.
A diferença é que quanto mais alto se sobe em termos de grandeza das equipas maior a capacidade de definição dos seus jogadores. Aqui é que se traça a linha que separa os maiores dos demais.
Não consigo olhar para Rafa sem pensar que a classe e as características formidáveis que tem, sobretudo quando tem espaço e pode meter a sexta, não chegam para defini-lo como um fora de série. Faltam-lhe mais últimos passes, faltam-lhe mais golos. Falta-lhe definir melhor.
Rafa não tem tempo a perder. Terá uma equipa de alta competição tempo para que o treino, a repetição, lhe acrescentem mais armas ao talento? Provavelmente, não. Só que para chegar ao topo, terá de dar um salto grande, provavelmente maior do que o corpo. Precisa de pensar tão rápido quanto corre. Mas sobretudo precisa de pensar bem."

VAR no Mundial e no penálti...

"“Não é admissível que em 2018 todo o mundo, no estádio ou fora dele, saiba numa questão de segundos se o árbitro cometeu um erro grave, e que o árbitro não saiba, não porque não queira saber, mas sim porque o impedem de o fazer”. Foi com este argumento, entre outros, que Gianni Infantino, presidente da FIFA, justificou a tomada de decisão de aprovar a utilização do videoárbitro no Mundial da Rússia deste Verão.
Seguramente que, quando referiu que “o balanço da utilização da tecnologia até agora tem sido muito positivo”, não se baseava nas avaliações que alguns treinadores, adeptos e/ou comentadores afectos a clubes fazem no final de jogos em que a sua equipa perde ou no final de jogos em que os seus adversários directos ganham. No micro-clima do nosso campeonato o saldo não é positivo. As mais de 50 decisões que foram bem revertidas pelo VAR, foram-no para beneficiar os “nossos adversários” e as decisões em que o VAR não interveio foram “sempre para nos prejudicar” ... Na Rússia vamos ter videoárbitro e, provavelmente com algumas falhas que irão sempre existir, teremos mais verdade no Mundial de futebol do que se não houvesse VAR.
Por cá, após um fim-de-semana em que aconteceram arbitragens bastante razoáveis (com ajudas importantes dos VARs) e sem influência nos resultados, uma das discussões do momento prende-se com o “bi-toque” de Sérgio Oliveira na execução de um pontapé de penálti no jogo FC Porto-Boavista.
Vamos então escalpelizar este lance. Premissa inicial que importa relembrar: não cabe ao árbitro decidir se uma lei de jogo é justa ou injusta e, seguindo essa sua opinião, decidir se a aplica ou não. Existem entidades que fazem as leis - no caso do futebol é o International Board - e há quem tenha por missão aplicar essas leis – os árbitros.
A Lei 14 - O pontapé de penálti refere, na parte que explica o procedimento da sua execução, que “o executante não deve jogar (tocar) a bola uma segunda vez sem que esta tenha tocado noutro jogador”. Mais à frente na mesma lei, em que se analisam as infracções e sanções que podem surgir na sua execução define que “se, depois de efectuado o pontapé de penálti o executante toca a bola uma segunda vez antes que esta tenha sido tocada por outro jogador um pontapé-livre indirecto (ou pontapé-livre directo por mão na bola deliberada) é assinalado”. Parece ser bastante claro.
Com as imagens televisivas ficou também claro que Sérgio Oliveira tocou, mesmo que involuntariamente e desafortunadamente, duas vezes na bola. Infracção atacante à lei 14 que, por ter resultado em golo, foi revista pelo VAR. O golo foi correctamente invalidado e o jogo recomeçou com um pontapé-livre indirecto. Tudo certo.
A discussão posterior, a dos directores de comunicação, centrou-se nos vários jogadores que entraram indevidamente na área de pontapé de penálti antes da execução do respectivo pontapé. Simplificando, a lei diz que quando vários jogadores de ambas as equipas invadem a área antes da execução, o pontapé de penálti deve ser repetido. Se o árbitro tivesse detectado essa situação poderia ter mandado repetir o pontapé de penálti. Não detectou. Quanto ao VAR, para onde as críticas foram dirigidas, não falhou. Fez o que o protocolo diz que deve fazer. Vou apenas transcrever as duas situações em que o VAR deve intervir na execução de um penálti:
- infracção por parte do guarda-redes e/ou executante do penálti;
- violação da distância regulamentar por parte de um atacante ou defesa directamente envolvido na jogada se a bola ressaltar do poste, da barra ou do guarda-redes directamente de um pontapé de penálti.
É a assim que a Lei está neste momento. É assim que o VAR tem de actuar."

Quem financia a arbitragem no desporto?

"Não podemos ignorar, que num contexto crise financeira, quem se encontra a financiar o Tribunal Arbitral do Desporto somos também todos nós (os contribuintes).

O cenário de caos e desconfiança em que se encontra a modalidade com mais projecção mediática e económica no plano desportivo nacional tem levado a que a discussão se centre na necessidade de conter o clima de “guerrilha” que se instalou (ou que sempre perdurou) no panorama do futebol em Portugal.
Sem prejuízo de um debate alargado – que parece faltar em Portugal – sobre a referida questão, entendo que não é este o único problema fulcral do sistema desportivo nacional.
Com efeito, não parece ser de ignorar que é também relevante ponderar uma reforma do Tribunal Arbitral do Desporto (TAD), a qual estranhamente parece tardar em começar. Atrevo-me a dizer que é um pensamento quase unânime, entre todos aqueles que buscam tutela jurisdicional no domínio do desporto, de que para o TAD só existem duas soluções: (i) a sua reforma ou (ii) o seu encerramento. 
A este respeito, um tema central que não pode ser ignorado encontra-se relacionado com o problema que envolve a existência de custas excessivamente onerosas no TAD. Neste contexto, convém recordar que me pronunciei diversas vezes sobre os efeitos perversos das elevadas custas do TAD, mas, acima de tudo, sobre sua provável inconstitucionalidade (com adesão doutrinal e jurisprudencial), havendo inclusivamente a aceitação destas premissas pelo associativismo desportivo, bem como pelos agentes desportivos. Existe, na verdade, uma insatisfação global com o regime jurídico que rege o TAD.
Ainda que voltemos a este problema muito particular noutra ocasião, existe um aspecto que é muito relevante escrutinar, nomeadamente o de saber quem financia a actividade do centro arbitral conhecido como TAD, uma vez que a questão tem quase permanecido ao sabor de um silêncio ensurdecedor.
É sabido que o TAD necessita de um certo número de processos para conseguir assumir-se com auto-suficiente em termos de financiamento, contudo o referido centro arbitral ainda não conseguiu, em quase três anos de funcionamento, alcançar esse número.
A dúvida que se poderia colocar era a de saber como se processaria o financiamento do TAD. Lê-se no plano de actividades e orçamento do Comité Olímpico de Portugal (COP) para 2018 que: “O financiamento público ao TAD tem sido viabilizado através de uma dotação específica no Contrato Programa de Desenvolvimento Desportivo às Actividades Regulares do COP celebrado entre o Instituto Português do Desporto e Juventude, I. P., e o Comité Olímpico de Portugal, através do qual se reserva uma dotação para o funcionamento do TAD cujos respectivos duodécimos o COP transfere para o TAD gerir no âmbito da independência que a lei consagra a esta entidade jurisdicional”.
Não se trata propriamente de uma novidade, uma vez que já era conhecido (inexistindo, porém, contas públicas) que o orçamento do TAD assumia um valor próximo de 180.000 € (perto de 80.000€ pagos pelo Instituto Português do Desporto e Juventude, I. P. (IPDJ) + COP e os restantes 100.000€ corresponderiam a receitas próprias).
Recordo de que, de acordo com a Lei n.º 74/2013, de 6 de Setembro, na redacção da Lei n.º 33/2014 (LTAD), o TAD dispõe de “autonomia (...) financeira” (artigo 1.º, n.º 1) e que as suas receitas consubstanciam “as custas processuais cobradas nos correspondentes processos e outras que possam ser geradas pela sua actividade, nomeadamente as receitas provenientes dos serviços consulta e de mediação na presente lei”.
Na sequência deste pequeno enquadramento jurídico cabe a perguntar: como justificar o apoio financeiro (público – IPDJ; privado – COP) à luz das regras acima referidas?
Mais importante é ainda verificar em que medida pode estar em causa a autonomia financeira do TAD. Não é só a potencial dependência económica em relação às partes – e que poderá ocorrer regularmente em relação a alguma delas –, mas também em relação ao Estado. Por outro lado, não podemos ignorar, que num contexto crise financeira, quem se encontra a financiar o TAD somos também todos nós (os contribuintes). Voltaremos ao tema nos seus mais diferentes contextos."

As meias-finais de sonho

"Podem estar à vista umas meias finais de sonho na Liga dos Campeões, mesmo se no futebol, como em nenhum outro desporto, a surpresa espreita a cada ronda. Claro que Roma, Sevilha, Juventus e Liverpool têm capacidade para criar problemas a qualquer rival mas os favoritos estarão do outro lado da relva e, se se confirmarem como tal, podem permitir, por uma vez, ter nas meias finais aquelas que são porventura as quatro melhores equipas da actualidade: Barcelona, Bayern de Munique, Manchester City e Real Madrid.
Ainda no plano teórico, serão de Juventus e o Liverpool as maiores hipóteses de alterar esta lógica de probabilidades. É certo que o trauma da derrota clara na final de 2017 há-de ainda pairar em Turim mas também é verdade que os italianos ganharam as últimas quatro eliminatórias a duas mão frente aos merengues, a última das quais na meia-final da Liga dos Campeões de 2015. Ainda assim, todos já perceberam que o Real Madrid da Champions - quando a motivação de todos os seus craques está no limite máximo - é muito diferente daquele que tantas vezes parece à deriva na Liga espanhola. Já o futebol rock´n roll do Liverpool de Klopp contrasta claramente com a espécie de música erudita sem falhas na pauta que sai das botas dos homens do Manchester City e os reds foram mesmo a única equipa que ganhou ao City, e de goleada, na corrente Premier League. Ainda assim, os favoritos estarão equipados de azul celeste, que a organização de Guardiola é mais segura, além de que a ideia de jogo ofensiva se consolidou tornando exuberantes quer a qualidade do jogo posicional com bola quer a capacidade de gerir e alternar os ritmos.
Com maior ou menor dificuldade, é ainda mais provável o apuramento do Barcelona, ainda que os jogadores maduros da Roma saibam dar corpo à astúcia do treinador Di Francesco, como mostraram frente ao Shakthar, e do Bayern de Munique, que o Sevilha eliminou o Manchester United mas os homens de Mourinho estiveram longe do que poderiam (e deveriam) render. Se Barcelona, City, Bayern e Real se qualificarem, teremos, mais que o inevitável choque de titãs, um verdadeiro choque de ideias. É certo que três das quatro equipas apresentam a impressão digital de Guardiola, que passou a última década entre Barcelona, Munique e Manchester, mas há diferenças substantivas no jogar e na evolução que tiveram os modelos de Barça e Bayern.
O contraste absoluto mora em Madrid, na constelação extraordinária que Zidane vai gerindo, sempre com mais fogo ofensivo que segurança na retaguarda. Varia entre um meio campo pensador e que lhe valeu os maiores títulos, quando tem Kroos, Modric e Isco, e uma fórmula mais acelerada para os momentos de transição, quando aposta na BBC (Bale, Benzema e Cristiano) e na capacidade vertiginosa de aproveitar o espaço que o rival der. Se a Champions terminasse numa liga a quatro, decidida por pontos, acredito que o Real dificilmente ganharia. Acontece que é a eliminar e aí os madrilenos são demolidores, que fazem sempre golos mesmo quando parecem anestesiados no jogo. Para cúmulo, está aí de novo o melhor Ronaldo, a prometer mais um final de época em cheio, o que autoriza o Real a sonhar em tocar o céu novamente. O Bayern perdeu muito do jogo de posse com mobilidade permanente dos anos de Pep, que apostava na versatilidade dos jogadores e na capacidade para desempenharem mais que uma função mas, passado o ministério errante de Ancelotti, voltou aos trilhos do sucesso com o velho Jupp Heynckes. Num futebol mais rectilíneo, em que há especialistas assumidos de cada lugar, regressaram as acelerações nos corredores que resgataram os veteranos Robben e Ribéry, além de se multiplicarem as soluções a meio campo, com a contratação do geómetra Rudy, o regresso do criativo Thiago Alcãntara e a inclusão de um craque chamado Tolisso. Os bávaros recuperam hábitos que valeram a época inesquecível de 2013, devem festejar a vitória na Bundesliga ainda em Março e podem voltar a sonhar com a glória total, mesmo não sendo o principal favorito nesta Champions.
Do Manchester City pode dizer-se que tem menor pedigree internacional mas a experiência é sempre uma questão subjectiva e pesa bem menos que a qualidade de jogo. Quanto a esta última, não tenho grandes dúvidas: os azuis celestes de Manchester representam hoje o melhor projecto do continente, com um domínio raro dos vários momentos ofensivos e defensivos (excepção da bola parada defensiva, mas mesmo aí com um guarda-redes que aumentou as garantias) e um crescimento para níveis superlativos de unidades como De Bruyne, Leroy Sané e Otamendi. Além de que, com a Premier no bolso, Guardiola pode concentrar-se na luta por voltar a sentar-se no trono europeu. O Barcelona não é tão sufocante como o City mas reequilibrou-se tacticamente. A saída do genial Neymar acabou por permitir, agora em 1.4.4.2, que a equipa se sinta confortável no momento defensivo, protegendo-se mais à largura, e devolvesse Messi ao corredor central onde verdadeiramente pode reinar. O argentino é muito mais que o acelerador criativo de outrora, que quase sempre rompia para finalizar, é sobretudo o maestro que define como e por onde deve seguir cada posse de bola. E quem tem Messi também está sempre mais perto de ganhar."

Benfiquismo (DCCLXXXII)

2.º aniversário!

Chama Imensa... Tuguices!

segunda-feira, 19 de março de 2018

Lixívia 27

Tabela Anti-Lixívia
Benfica ........ 68 (-4) = 72
Corruptos.... 70 (+11) = 59
Sporting .... 65 (+15) = 50

Mais uma jornada que fica marcada por um gigante empurrão aos Corruptos!!! O medo era tanto, que nomeiam o sócio Corrupto Manuel Oliveira... e como mesmo assim, a 'coisa' não estava segura, lá 'garantiram' os 3 pontos com um guarda-redes adversário!!!

O mesmo Manuel Oliveira, que nos jogos do Benfica não consegue ver penalty's a favor do Benfica, neste jogo, viu aquilo que não aconteceu várias vezes, sempre a favor dos Corruptos, e o somatório dos erros só não deu em escândalo dos 90's, porque o VAR não deixou!!!!
Bruno Esteves, o VAR, 'conseguiu' ganhar coragem para reverter a expulsão absurda do Vítor Bruno, e o penalty com duplo-toque do Sérgio Oliveira... mas faltou-lhe 'tomates' para assinalar o penalty do Filipe (sendo que se o Manuel Oliveira fosse ver na TV, tenho a certeza que faria o mesmo que o Soares Dias fez, duas semanas antes...!!!)
O penalty marcado a favor dos Corruptos, é um daqueles lances que visto a TV é penalty, mas ao 'vivo' raramente são assinaladas faltas nestes lances, essencialmente porque a bola já não está lá... mas neste caso, o árbitro de campo, não teve dúvidas!!!
Além destes erros mais claros, o resto do jogo ficou marcado, por uma série de outros erros, técnicos e disciplinarmente, sempre em benefício da equipa da casa...
Mas como referi anteriormente, o apitadeiro sozinho não conseguiu construir uma vitória fácil, e assim com um perigoso 1-0, lá apareceu o plano de contingência!!!
A denúncia anónima que foi feita depois do jogo, fala de um pagamento de 150 mil euros, e do empresário que terá servido de intermediário, mais uma vez não é uma denúncia anónima sem dados... Pessoalmente, quando vi as imagens, fiquei com poucas dúvidas:
- pela 3.ª vez esta época, os Corruptos beneficiam de um golo, após um erro absurdo da defesa contrária... pela 3.ª vez!!! Neste caso, o passe do Vagner, e até forma como reagiu ao erro, leva-me a crer que houve premeditação...
Por acaso, fui guarda-redes, portanto tenho algum conhecimento... Um jogador profissional, tem poucas ou nenhumas desculpas para cometer um erro destes!!!!


O Manuel Mota fez um arbitragem agradável na Feira. Não foi perfeita, mas comparando com a maioria dos jogos, esteve acima da média...!!!
Errou no Amarelo ao Grimaldo, errou pelo menos em dois Cantos a favor do Benfica, que deu pontapé de baliza ao Feirense... No lance aos 2 minutos com o Rúben Dias é um lance discutível, mas na expulsão do Tiago Silva e do Brisseno esteve bem...


O Rui Costa cometeu os erros habituais, principalmente disciplinarmente, para os dois lados no Alvalixo, mas sem influência no resultado...

Anexos:
Benfica
1.ª-Braga(c), V(3-1), Xistra (Verissímo), Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
2.ª-Chaves(f), V(0-1), Sousa (Tiago Martins), Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
3.ª-Belenenses(c), V(5-0), Rui Costa (Vasco Santos), Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Rio Ave(f), E(1-1), Hugo Miguel (Veríssimo), Prejudicados, Impossível contabilizar
5.ª-Portimonense(c), V(2-1), Gonçalo Martins (Veríssimo), Prejudicados, (4-0), Sem influência no resultado
6.ª-Boavista(f), D(2-1), Soares Dias (Esteves), Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
7.ª-Paços de Ferreira(c), V(2-0), Xistra (Hugo Miguel), Nada a assinalar
8.ª-Marítimo(f), E(1-1), Sousa (Godinho), Prejudicados, (1-2), (-2 pontos)
9.ª-Aves(f), V(1-3), Almeida (Vítor Ferreira), Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
10.ª-Feirense(c), V(1-0), Godinho (Xistra), Prejudicados, (2-0), Sem influência no resultado
11.ª-Guimarães(f), V(1-3), Soares Dias (Malheiro), Prejudicados, (1-4), Sem influência no resultado
12.ª-Setúbal(c), V(6-0), Godinho (Pinheiro), Prejudicados, Beneficiados, (8-0), Sem influência no resultado
13.ª-Corruptos(f), E(0-0), Sousa (Hugo Miguel), Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
14.ª-Estoril(c), V(3-1), Pinheiro (Manuel Oliveira), Beneficiados, Sem influência no resultado
15.ª-Tondela(f), V(1-5), Tiago Martins (Malheiro), Nada a assinalar
16.ª-Sporting(c) E(1-1), Hugo Miguel (Tiago Martins), Prejudicados, (5-0), (-2 pontos)
17.ª-Moreirense(f), V(0-2), Mota (Godinho), Nada a assinalar
18.ª-Braga(f), V(1-3), Soares Dias (Godinho), Prejudicados, (1-4), Sem influência no resultado
19.ª-Chaves(c), V(3-0), Esteves (Vasco Santos), Prejudicados, (5-0), Sem influência no resultado
20.ª-Belenenses(f), E(1-1), Paixão (Rui Oliveira), Nada a assinalar
21.ª-Rio Ave(c), V(5-1), Manuel Oliveira (Vítor Ferreira), Prejudicados, Sem influência no resultado
22.ª-Portimonense(f), V(1-3), Xistra (Rui Oliveira), Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
23.ª-Boavista(c), V(4-0), Tiago Martins (Malheiro), Prejudicados, (5-0), Sem influência no resultado
24.ª-Paços de Ferreira(f), V(1-3), Veríssimo (Esteves), Prejudicados, (1-7), Sem influência no resultado
25.ª-Marítimo(c), V(5-0), Malheiro (António Nobre), Nada a assinalar
26.ª-Aves(c), V(2-0), Rui Costa (Rui Oliveira), Nada a assinalar
27.ª-Feirense(f), V(0-2), Mota (Malheiro), Nada a assinalar

Sporting
1.ª-Aves(f), V(0-2), Tiago Martins (Pinheiro), Nada a assinalar
2.ª-Setúbal(c), V(1-0), Paixão (Hugo Miguel), Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
3.ª-Guimarães(f), V(0-5), Hugo Miguel (Sousa), Nada a assinalar
4.ª-Estoril(c), V(2-1), Godinho (Tiago Martins), Beneficiados, Impossível contabilizar
5.ª-Feirense(f), V(2-3), Soares Dias (Tiago Martins), Nada a assinalar
6.ª-Tondela(c), V(2-0), Manuel Oliveira (Tiago Martins), Nada a assinalar
7.ª-Moreirense(f), E(1-1), Godinho (Pinheiro), Beneficiados, (2-0), (+1 ponto)
8.ª-Corruptos(c), E(0-0), Xistra (Hugo Miguel), Nada a assinalar
9.ª-Chaves(c), V(5-1), Rui Costa (Esteves), Beneficiados, Prejudicados (5-2), Sem influência no resultado
10.ª-Rio Ave(f), V(0-1), Sousa (Capela), Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
11.ª-Braga(c), E(2-2), Xistra (Rui Costa), Beneficiados, (1-4), (+1 ponto)
12.ª-Paços de Ferreira(f), V(1-2), Tiago Martins (Xistra), Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
13.ª-Belenenses(c), V(1-0), Almeida (Godinho), Nada a assinalar
14.ª-Boavista(f), V(1-3), Godinho (Vasco Santos), Nada a assinalar
15.ª-Portimonense(c), V(2-0), Capela (Xistra), Nada a assinalar
16.ª-Benfica(f), E(1-1), Hugo Miguel (Tiago Martins), Beneficiados, (5-0), (+ 1 ponto)
17ª-Marítimo(c), V(5-0), Xistra (Esteves), Nada a assinalar
18.ª-Aves(c), V(3-0), Pinheiro (Sousa), Beneficiados, (2-1), Impossível contabilizar
19.ª-Setúbal(f), E(1-1), Veríssimo (António Nobre), Beneficiados, Sem influência no resultado
20.ª-Guimarães(c), V(1-0), Godinho (Hugo Miguel), Nada a assinalar
21.ª-Estoril(f), D(2-0), Mota (Luís Ferreira), Nada a assinalar
22.ª-Feirense(c) V(2-0), Luís Ferreira (Manuel Oliveira), (1-0), Beneficiados, Sem influência no resultado
23.ª-Tondela(f), V(1-2), Capela (Esteves), Beneficiados, (2-1), (+3 pontos)
24.ª-Moreirense(c), V(1-0) , Tiago Martins (Xistra), PrejudicadosBeneficiados, (0-0), (+2 pontos)
25.ª-Corruptos(f), D(2-1), Soares Dias (Pinheiro), Prejudicados, (2-2), (-1 ponto)
26.ª-Chaves(f), V(1-2), Hugo Miguel (Veríssimo), Beneficiados, (2-2), (+ 2 pontos)
27.ª-Rio Ave(c), V(2-0), Rui Costa (António Nobre), Nada a assinalar

Corruptos
1.ª-Estoril(c), V(4-0), Hugo Miguel (Luís Ferreira), Nada a assinalar
2.ª-Tondela(f), V(0-1), Veríssimo (Malheiro), Beneficiados, Impossível contabilizar
3.ª-Moreirense(c), V(3-0), Manuel Oliveira (Tiago Martins), Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Braga(f), V(0-1), Xistra (Esteves), Beneficiados, Impossível contabilizar
5.ª-Chaves(c), V(3-0), Rui Oliveira (Hugo Miguel), Nada a assinalar
6.ª-Rio Ave(f), V(1-2), Sousa (Godinho), Nada a assinalar
7.ª-Portimonense(c), V(5-2), Luís Ferreira (Sousa), Nada a assinalar
8.ª-Sporting(f), E(0-0), Xistra (Hugo Miguel), Nada a assinalar
9.ª-Paços de Ferreira(c), V(6-1), Manuel Oliveira (Veríssimo), Beneficiados, (5-1), Sem influencia no resultado
10.ª-Boavista(f), V(0-3), Hugo Miguel (Tiago Martins), Nada a assinalar
11.ª-Belenenses(c), V(2-0), Veríssimo (Luís Ferreira), Beneficiados, (0-2), (+3 pontos)
12.ª-Aves(f), E(1-1), Rui Costa (Esteves), Nada a assinalar
13.ª-Benfica(c), E(1-1), Sousa (Hugo Miguel), Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
14.ª-Setúbal(f), V(0-5), Tiago Martins (Rui Oliveira), Beneficiados, (0-3), Impossível contabilizar
15.ª-Marítimo(c), V(3-1), Mota (António Nobre), Nada a assinalar
16.ª-Feirense(f), V(1-2), Veríssimo (Paixão), Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
17.ª-Guimarães(c), V(4-2), Soares Dias (António Nobre), Prejudicados, Beneficiados, (4-2), Impossível contabilizar
19.ª-Tondela(c), V(1-0), Godinho (Soares Dias), BeneficiadosPrejudicados, (2-0), Impossível contabilizar
20.ª-Moreirense(f), E(0-0), Luís Ferreira (Manuel Oliveira), Nada a assinalar
21.ª-Braga(c), V(3-1), Hugo Miguel (Almeida), Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
22.ª-Chaves(f), V(0-4), Soares Dias (Mota), Beneficiados, Prejudicados, (3-0), (+3 pontos)
23.ª-Rio Ave(c), V(5-0), Xistra (Rui Oliveira), Nada a assinalar
18.ª-Estoril(f), V(1-3), Vasco Santos (Luís Ferreira), Beneficiados, (1-0), (+3 pontos)
24.ª-Portimonense(f), V(1-5), Sousa (Hugo Miguel), Beneficiados, (1-4), Sem influência no resultado
25.ª-Sporting(c), V(2-1), Soares Dias (Pinheiro), Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
26.ª-Paços de Ferreira(f), D(1-0), Paixão, (Xistra), Nada a assinalar 
27.ª-Boavista(c), V(2-0), Manuel Oliveira (Esteves), Beneficiados, (2-1), Impossível contabilizar

Jornadas anteriores:
Épocas anteriores:
2016-2017
2015-2016

Benfica FM - pós-Feira

Justiça a 'cores' !!!

As Regras dos Jogos... Santa Clara & Grécia !

Alvorada... do Bernardo

Pai

Eficácia e desperdício

"Para apreciar um goleador como Jonas é preciso atentar no exemplo de Ruiz

Quando o Benfica contratou Jonas, há três anos e meio, achei que ia ser um flop. Vinha do Valência, onde não era titular, e já tinha 30 anos. Há muito tempo que não jogava com regularidade e chegou a custo zero. Que esperar de um futebolista com este currículo?
Ainda por cima, ia ser inevitavelmente comparado com um artilheiro chamado Óscar Cardozo, que tinha feito grandes temporadas na Luz.
Jesus não pôs Jonas logo a jogar - e isso reforçou a convicção de que fora uma aposta falhada. Mas logo que entrou começou a marcar, e nunca mais parou. Rapidamente conquistou um lugar na equipa principal e, logo a seguir, ganhou o estatuto de intocável. Tinha renascido para o futebol. O mérito atribuiu-se a Jorge Jesus, que o encaixou num sistema com dois avançados, onde ele tinha mais espaço para jogar. Num sistema 4x3x3, entalado entre os defesas centrais adversários, Jonas não faria nada - era o que se dizia.
Jesus saiu e entrou Rui Vitória, mas Jonas continuou a marcar. Até que se lesionou com gravidade. Esteve uns meses fora. Com 32 anos, deveria ser o fim da carreira. Mas voltou, reconquistou o lugar na equipa e parecia ainda melhor.
Vitória mudou o sistema, passou do 4x4x2 para o 4x3x3 - e Jonas, como se previa, saiu da equipa e sentou-se no banco de suplentes. Desta vez é que era o fim. Mas passadas umas semanas, Jonas voltou, agora como avançado único, e continuou a marcar. A ideia de que só poderia jogar num sistema com dois avançados revelou-se um mito. Hoje, com 33 anos, Jonas é o goleador mais perigoso do campeonato, tem quase tantos golos apontados como o resto da equipa do Benfica e é o melhor marcador da Europa. Olhando para ele, marcar golos parece fácil.
E só percebemos a dificuldade quando vemos o que fazem outros. Bryan Ruiz chegou ao Sporting com um rótulo de qualidade, que confirmou, mas logo se viu que a sua relação com a baliza era difícil. No primeiro ano em Portugal falhou dois golos em Guimarães e um golo em Alvalade contra o Benfica - que, a serem marcados, teriam dado ao Sporting o título de campeão.
E o azar continua até hoje. Remata ao poste, remata ao lado, remata contra o guarda-redes, só não atina com a baliza. Na quinta-feira, na República Checa, por duas vezes apareceu sozinho e das duas falhou: numa atirou escandalosamente para fora, noutra proporcionou uma grande defesa ao guarda-redes adversário. Faz tudo… menos marcar.
Diz-se que para saber apreciar um bom queijo é preciso comer também maus queijos. Para apreciar um goleador como Jonas é preciso atentar no exemplo de Ruiz. Para um, marcar golos parece facílimo; para o outro, parece a coisa mais complicada do mundo."

E se Rafa tivesse golo?

"1 - Benfica e FC Porto venceram com relativa tranquilidade os jogos de ontem. E, apesar de os números não o demonstrarem, foram os encarnados a estar mais perto de uma goleada histórica, pelo menos no que a oportunidades desperdiçadas diz respeito. Do lado do Benfica, emergiu Rafa neste domínio. O extremo, que até marcou, mostrou uma vez mais que se tivesse ‘killer instinct’ seria hoje um jogador de classe mundial.

2 - O muro que o Sporting vai ter de escalar
O Sporting (ou FC Porto e Benfica , se lá estivessem) tinha apenas uma equipa que lhe era superior entre as outras sete sobreviventes na Liga Europa, precisamente o At. Madrid. Não foi, de facto, um sorteio feliz, ao contrário do que aconteceu na eliminatória anterior. Perante este dado, Jorge Jesus não poderá tirar o pé do acelerador, nem gerir fisicamente o plantel nos jogos do campeonato ou da Taça de Portugal, sob pena de se ficar esta época pela conquista da Taça CTT. A Liga Europa, não sendo uma miragem, é (em rigor, até já era...) a mais difícil de ganhar.

3 - Meias-finais de sonho na Liga dos Campeões?
O sorteio da Liga dos Campeões foi também caprichoso. Se a lógica imperar, as meias-finais da competição vão reunir as quatro melhores equipas da Europa da actualidade: Real Madrid, Barcelona, Bayern Munique e Manchester City, que não se encontram nos quartos-de-final. A eliminatória mais equilibrada (no plano teórico, evidentemente) é a que opõe os merengues à Juventus, com o favoritismo a pender para a equipa de Cristiano Ronaldo. De resto, Sevilha, Roma e Liverpool (por esta ordem) poucas hipóteses terão de seguir em frente."

Treinadores: autênticos ou actores

"Uma breve passagem pela literatura sobre a liderança do treinador e percebemos que existem vários estilos e teorias que abordam os comportamentos do treinador no exercício da sua liderança que nos remetem para modos de estar e ser completamente distintos. Umas mais antigas outras mais recentes, as teorias vão proporcionando compreender melhor que tipos de comportamentos os treinadores têm e o que suporta essas mesmas acções.
Isto a propósito do comportamento mais recente do treinador Sérgio Conceição quando se recusou cumprimentar um colega seu de profissão. Já o escrevi aqui nas primeiras rúbricas desta época desportiva, Sérgio Conceição encaixa-se muito na teoria da liderança autêntica. Que nos remete de modo muito simples para agir consoante aquilo que o líder é enquanto pessoa. E isso leva-o a sentir-se bem com aquilo que faz em qualquer um dos contextos, fruto de convicções muito fortes e com pouca capacidade de abnegação.
Outros treinadores apresentam um conjunto de comportamentos que se encaixam noutros perfis de teorias e estilos distintos da liderança mais autêntica. Fernando Santos é um treinador que se encaixa mais na teoria da liderança situacional. Rui Vitória caminha muito para lá, apesar de ser bastante mais novo que Fernando Santos e este estilo estar identificado muito com a idade e maturidade do treinador. Jorge Jesus encaixa bem no estilo mais autoritário, apesar de ter depois uns retoques de transformacional. E poderíamos estar aqui bastante mais tempo com alguns exemplos. Mas indo ao encontro do título do artigo, o que um treinador deve ser mesmo no que diz respeito à sua liderança: autêntico ou actor?
Eu diria que ambos. Naturalmente a nossa identidade leva-nos sempre para lados da balança distintos. Podemos ser ambos ou até misturando outros ingredientes, mas genuinamente seremos sempre algo que se destacará mais ou será mais eficiente em determinados contextos.
Certamente outros treinadores já tiveram vontade de fazer aquilo que o Sérgio fez. E o contexto tem muito peso aqui. Provavelmente com outro resultado a reacção seria outra, embora lá no fundo o treinador do FC Porto estivesse sempre muito consternado com o que se tinha passado. Mas mais importante é pensarmos por que outros treinadores naquelas situações optaram por ter outros comportamentos. E aqui vem ao de cima a palavra actor. Não porque sejam falsos, mas porque entenderam numa determinada altura da sua carreira que a adaptabilidade e flexibilidade em prol do outro ou do contexto, fomenta terem alguns comportamentos que embora não lhes apetecesse fazer, optam por considerar ser o mais correto tendo em conta: o próprio, o contexto e o outro.
Como em quase tudo na área da liderança do treinador não há propriamente receitas. Leva-nos para este patamar de uns concordarem mais e menos. E esta decisão, atenção, tem muito da nossa identidade de líder por detrás."

Benfiquismo (DCCLXXXI)

O  Bom-Gigante !!!

Jonas Pistolas !!!

A alma da toga

"Este Benfica mostra que é legítima a ambição do penta. E esta busca centra-se nos relvados e está para além do que outros jogam fora deles.

1. O Benfica venceu ontem em Santa Maria da Feira e sabe que até ao final desta Liga só jogará na Área Metropolitana de Lisboa. Foi uma vitória suada e inequívoca, categórica e estimulante. O Benfica desde o primeiro minuto procurou a baliza de um Feirense que tudo fez para contrariar a força e a vontade desde Benfica de Rui Vitória. Este Benfica mostra que é legítima a ambição da conquista do penta. E esta busca centra-se nos relvados e está para além do que outros jogam, e bem, fora deles. Este Benfica, com Rúben Dias a ser chamado por Fernando Santos e com Rafa a mostrar-se para a Rússia, é um verdadeiro colectivo. Há unidade e há determinação. Há convicção face ao objectivo principal da época. E, agora, o Benfica só depende de si. E quando vemos Luisão saltar, com aquela alegria que nos contagia, no momento do segundo golo percebemos bem que estes jogos jogadores merecem o impressionante e fervoroso colinho dos adeptos benfiquistas. E sabendo todos ultrapassar constrangimentos, receios e, porventura até medos. E, permitam-me, no momento em que o Feirense comemora 100 anos de vibrante histórica no desporto do distrito de Aveiro, de evidenciar a partilha de cores em muitos lugares das bancadas do Estádio do Feirense. E esta partilha mostra que há rivalidades mas há acima de tudo amizades. E em Santa Maria da Feira, como em muitos outros lugares, há homens e mulheres que se conhecem e que não se guerreiam. Há, sempre, abraços aguardados, afectos declarados, gentilezas insistentes e acenos temporários. E provocações que se permitem e aceitam. E, acreditem, não são precisas muitas análises sociológicas para percebermos que o verdadeiro desportista encontra e abraça o adversário. O conceito de inimigo fica para outros e artistas que os novos tempos vão exibindo e, sem que eles reparem, os vão lentamente destruindo. Mas essa mágoa ficará para outro momento e para outra análise.

2. (...)

3. O saudoso Senhor meu Pai partiu quase há seis anos. Senti-lo e tocá-lo são privilégios que perdi. A sua presença, o seu caminhar hirto, senhorial, o seu humor refinado, a sua crítica contundente e a ternura do seu beijo são, sempre, memórias presentes, sensações ainda vivas e fulgentes. Com ele aprendi a ser de um clube e a respeitar os outros. Com ele lia este jornal em voz alta. Com ele vi muitos jogos do distrital de Viseu. Com ele vi jovens jogadores cheios de talento que deixavam Viseu e sorriam para o mundo. Com ele aprendi a sentir o Direito e a perceber o torto! E em cada dia do Pai, depois desse Junho de 2012, fico-me num silêncio que me chama para me oferecer o caleidoscópio de imagens que sempre guardarei como tesouro único para o resto da minha vida. E, amanhã, quando entrar, logo pela manhã, no Tribunal que me absorve há quase trinta sessões, não deixarei - com a força e a raça do Paulo e a serenidade da Rita - de folhear um livro que ele me ofereceu e, logo, com duas notas bem pessoais. A primeira que fora editado no ano do meu nascimento, 1956. A segunda, a determinante, para que nunca me esquecesse do seu conteúdo logo que regressasse - o que ele ardentemente desejava! - ao exercício da profissão e ao ambiente das salas de audiências. O livro de Angel Osorio Y Gallardo tem o título A Alma da Toga e merece ser lido por juristas e não juristas. Ali lemos que «para combater a ira não há antídoto mais eficaz do que o desprezo. Saber desprezar é o complemento da força interior. Desprezo para os venais e para os que se deixam influenciar, para os hipócritas, os néscios, os assassinos traiçoeiros e para os cães que ladram». E lendo toda a Alma e conhecendo o direito profissional do advogado - tão esquecido e tão ignorado - temos consciência, no momento e perante concretas circunstâncias, dos deveres dos advogados, das exigências e limites do segredo profissional e dos factos com ele conexos e, ainda, do dever de segredo que atinge a administração da justiça e a própria protecção do Estado. Como ressalta do Constituição da República e do conjunto de direitos, liberdades e garantias aí consagrados. Sabendo sempre que a toga «tem para os que a envergam dois significados - freio e ilusão, e para quem a contempla, outros dois, distinção e respeito». E o que vemos, em muitas situações, e no reino da justiça portuguesa é que não há freios, multiplicam-se as ilusões, perdeu-se o respeito e o se distingue é mais o torto do que o direito. E fazendo-se uma justiça avulsa na nova praça pública em que todos sabem de direito, muitos conhecem todos os indícios e outras ainda, deslumbrados pelas novas luzes de uma ribalta sempre transitória, falam, falam e falam do que conhecem e do que não sabem. E os que se calam, em nome da alma da toga, são, por vezes em perturbante surdina, criticados!

4. Nos quartos de final da Liga dos Campeões e da Liga Europa deparamos com dados bem interessantes. Os oito apurados na Liga Europa representam oito diferentes ligas. É aqui que encontramos a portuguesa (Sporting), a russa (CSKA) e a austríaca (Salzburgo). E também a francesa (Marselha). As restantes doze equipas apuradas para as duas competições saem das quatro potências do futebol europeu: Espanha (4), Inglaterra (3), Itália (3) e Alemanha (2). E os nomes habituais destes momentos finais repetem-se época a época. E logo no arranque de Abril com a repetição nos quartos da final do ano passado, um Juventus - Real Madrid. E com uma disputa inglesa - Liverpool - Manchester City - a levar-nos a uma convicção que o sorteio pode determinar, se a sorte o indicar, uma meia-final espanhola! Coisas que só o sorteio, sempre puro, pode concretizar!

5. Jean-Paul Sarte, um nome respeitado na história do pensamento universal, deixou-nos um comentário cuja actualidade determina a sua alusão: «O mais importante não é aquilo que fazem consigo, mas sim o que tu fazes daquilo que fazem contigo». E esta frase é bem real em tempos de diferentes violências e de múltiplas impunidades! Que anestesiam as reacções ética, jurídica, política e cultural de uma concreta sociedade. Quando se presente que não há conserto a violência, nas suas múltiplas formas, fica banalizada (tudo é assim) e, pior, naturalizada (sempre foi assim). Talvez fosse útil que a sociologia e antropologia, pelo poder real do futebol português. Em tempo feliz de Quinas de Ouro!"

Bagão Félix, in A Bola

Furacão Jiménez

"Entrada do mexicano foi determinante; Benfica com exibição cerebral podia ter feito mais golos

Intensidade do Benfica
1. O Benfica voltou ao esquema habitual com o regresso de Pizzi, com Rui Vitória a não abdicar do 4x3x3. Sabia-se que ia ser um jogo difícil para as águias, que iam encontrar um Feirense em situação delicada na tabela. Talvez por isso o Benfica tenha entrado muito forte, com uma intensidade brutal, dominando os primeiros 25 minutos, circulando a bola e quase sempre no meio campo do adversário, e pelos três corredores, mais, talvez, pelo esquerdo com Grimaldo, Cervi e Zivkovic e serem determinantes com os envolvimentos que fazem. Rafa, no corredor direito, criou boas iniciativas mas depois não conseguiu decidir, pese embora ter feito o golo que matou o jogo. O Benfica fez muitos cruzamentos para a área mas a maior parte não os aproveitou, faltou-lhes alguma presença. Ainda assim, só aos 30 e poucos minutos, quando Rafa se isola, é que tem a primeira grande oportunidade... O Rafa tem esta má relação com a baliza, o que é uma pena, parece que há ali uma pressão que muitas vezes não consegue ultrapassar, e - volto a referir - apesar do golo que apontou.

Morte do artista
2. O Feirense só por volta dos 25 minutos consegue chegar pela primeira vez perto da baliza do Benfica, o que demonstra bem como o Benfica foi dono e senhor do jogo e se o Feirense não conseguiu fazer mais foi por mérito do Benfica. Depois aconteceu a expulsão e contra dez viu-se um Benfica mais cerebral... Rui Vitória conseguiu imprimir na equipa esse factor muito importante de os jogadores não se perturbarem mesmo quando as coisas não correm muito bem e os golos demoram a aparecer, mas ninguém entra em desespero. E lá esta: não marcou o Jonas, mas chegou o Jiménez e resolveu. A perder, o Feirense tentou esticar o jogo... e foi a morte do artista, porque o Rafa, com espaço e muito veloz, foi determinante, fez o segundo e a partir daí o Benfica podia mesmo ter goleado.

4x4x2 de novo determinante
3. O Benfica desbloqueou o jogo já no 4xx2, repetindo algo que já acontecera nos dois últimos jogos. Rui Vitória não quer desmontar o sistema preferido dele, que é o 4x3x3, mas é uma evidência: em jogos desta natureza o 4x4x2 acaba por ser mais determinante. Isto é uma riqueza para um treinador, quando o 4x3x3 não desbloqueia há o alternativo que era o plano A nas últimas épocas e que continua a funcionar. Só que Rui Vitória prefere não mexer porque para colocar dois avançados de início tem de mexer no meio campo e neste momento tem Zivkovic a jogar muito bem e a afirmar-se e isso obriga a manter o 4x3x3.
Resumindo: o melhor deste jogo foi a exibição constante do Benfica durante os 90 minutos, a subir de qualidade e com um Jiménez a entrar de forma determinante. O pior: esperava mais do Feirense, mas houve muito mérito do Benfica pela forma como não deixou o adversário jogar. O Feirense teve duas expulsões mas não foi equipa agressiva: até fez uma falta a menos que o Benfica. Faltou-lhe capacidade nos duelos individuais."

Vítor Manuel, in A Bola

domingo, 18 de março de 2018

Aqui há gato

"A UEFA instaurou um processo disciplinar contra o Besiktas por «organização insuficiente», na sequência da entrada em campo de um gato durante o jogo com o Bayern Munique, para a Liga dos Campeões.
O artigo do Regulamento Disciplinar da UEFA pelo qual o clube é acusado é o 16.º, n.º 1, que, sob a epígrafe 'Ordem e segurança nas competições da UEFA' estipula que «Os clubes visitados e as associações nacionais são responsáveis pela ordem e segurança tanto dentro e ao redor do estádio antes, durante e depois dos jogos. São responsáveis por incidentes de qualquer tipo e podem estar sujeitos a sanções (...) a menos que consigam provar que não foram negligentes de qualquer forma na organização do jogo». Ou seja, o clube pode afastar a responsabilidade se demonstrar que tudo fez para evitar a entrada do gato em campo.
Diferente é a situação do n.º 2 do mesmo artigo, pelo qual o clube é também acusado por arremesso de objectos por parte dos seus adeptos: «Todas as associações e clubes são responsáveis pelos seguintes comportamentos incorrectos por parte dos seus adeptos e podem estar sujeitos a sanções disciplinares e ordens mesmo que consigam provar que não foram negligentes na organização do jogo: a) a invasão ou tentativa de invasão de campo de jogo; b) lançamento de objectos; c) o acendimento de fogo-de-artifício ou qualquer outro objecto; d) o uso de ponteiros laser ou dispositivos similares; e) o uso de gestos, palavras, objectos ou qualquer outro meio para transmitir uma mensagem provocadora que não é adequada para um evento desportivo, particularmente as de natureza política, ideológica, religiosa ou ofensiva; f) danos; g) qualquer outra ausência de ordem ou disciplina observada dentro ou ao redor do estádio». Nestes casos, o clube, na qualidade de visitante ou visitado, é sempre responsável pelos comportamentos dos seus adeptos."

Marta Vieira da Cruz, in A Bola

Injusto... muito injusto!!!

Benfica 3 - 4 Gijón

As miúdas não mereciam, deram tudo, positivamente tudo... Daquelas derrotas amargas, porque todo o fim-de-semana se 'percebeu' que enquanto as nossas adversárias, marcavam num qualquer 'chouriço', nós tínhamos que trabalhar muito para marcar um golo...!!!

Foi pena pelas raparigas, foi pena pelo ambiente...

Existem vários problemas estruturais: a competitividade interna, praticamente não existe, mas isso é um problema externo ao Benfica; depois temos a questão da falta de profundidade no banco, só 6 jogadores contam para estes jogos; depois ainda temos a diferença física enorme com as Espanholas... Tal como o Paulo disse no final: para o ano, vamos tentar novamente, mas...

Péssimo...

Illiabum 91 - 83 Benfica
34-18, 21-15, 16-30, 20-20

Péssima atitude... não sei se foram as facilidades da véspera, mas os jogadores entraram em campo, como a Taça já tivesse sido conquistada... O 55-33 ao intervalo, é elucidativo!!! É verdade que se o critério dos contactos tivesse sido igual, o Illiabum teria a equipa toda excluída ainda antes do intervalo... mas o Benfica não pode ser surpreendido por isto!
Reagimos na 2.ª parte, mas já fomos tarde... e quando já no 4.º período, parecia que íamos mesmo passar para a frente lá vieram os apitadeiros (os mesmos do jogo com os Corruptos...), mas se tivéssemos jogado no máximo desde do 1.º minuto, não haveria apitos que nos tirassem o Caneco!!!

Mau...

Benfica B 1 - 2 Gil Vicente


Continua a instabilidade, desta vez estivemos a vencer, mas permitimos a reviravolta...

Há VAR e AVAR

"Qualquer adepto de futebol ou da verdade desportiva não tem dúvida de que o vídeo-árbitro é uma mais-valia para o futebol e para o desporto em geral. A FPF teve a feliz iniciativa de apostar nesta tecnologia quando o nosso futebol estava a passar um dos momentos mais infelizes no que diz respeito à sua credibilidade. O intuito foi, e é, apostar na melhoria da qualidade do espectáculo/negócio, salvaguardando o mais possível a verdade desportiva que teimamos em colocar em causa, destruindo a ‘olho nu’ esse futebol que tanto amamos. 
A arbitragem portuguesa preparou-se da melhor forma, tendo em conta o espaço temporal reduzido. Apesar de ter sido testada durante algum tempo, a tecnologia teve que ter uma vida efectiva precoce, alterando hábitos e formas de gestão nos árbitros, contando alguns deles com mais de 20 anos de carreira. Continua a ser um processo de aprendizagem e de crescimento, seja para as equipas de arbitragem, para o Conselho de Arbitragem ou mesmo para o IFAB, responsável pelo ajuste do protocolo à medida da sua evolução e exigência.
O VAR veio para ficar e a tecnologia será banal a curto prazo. Mas infelizmente o árbitro irá continuar a errar, da mesma forma que os jogadores erram, os treinadores tomam más opções ou os dirigentes fazem más contratações – e os jornalistas irão continuar a valorizar esses erros. Tudo fará sempre parte deste nosso desporto de paixões. Se qualquer um destes agentes errar por incompetência ou incapacidade, caberá aos sócios, aos conselhos de arbitragem e aos consumidores decidirem o seu futuro; se o fizerem intencionalmente, então a Justiça que os castigue severamente, pois queremos um futebol sem poeira, onde apenas os verdadeiros artistas tenham o protagonismo."