Últimas indefectivações

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Mas 'penalties' para quê? Se o que está a dar agora são os pontapés de canto?

"Entre o eventual quase-golo da cabeçada de Matic e o eventual quase-golo do 'penalty', o árbitro, mais um grande benfiquista, decidiu-se pelo golo certo do 'corner'.

A discussão anda grossa e justifica-se que ande assim, grossa, porque o caso não é para menos. O país, não sendo grande em tamanho, é e sempre foi grande em cometimentos.
Foi-se o Império, foi-se a autonomia, o futebol agora é tudo para nós em termos de cometimentos.
O senhor Fernando Pessoa, empregado do comércio na cidade de Lisboa, escreveu há 100 anos isto:
«Pertenço a um género de portugueses
Que depois de estar a Índia descoberta
Ficaram sem trabalho. A morte é certa.
Tenho pensado nisto muitas vezes.»
Tem toda a razão. Depois de estar a Índia descoberta e chegados onde chegámos se não fosse o futebol isto era uma enorme pasmaceira.
O futebol fornece-nos os heróis que nos faltam noutros ramos e dá-nos trabalho, dá-nos imenso trabalho a todos, embora mais a uns do que a outros como, inevitavelmente, acaba sempre por acontecer.
O futebol paira sobre tudo e sobre todos, condiciona as agendas políticas, entra e sai na Assembleia com o à-vontade de um velho compincha, suspende cerimónias de Estado, é tema omnipresente de debates jornalísticos, filosóficos e empresariais.
O futebol é rei na república.
E um rei totalitário não por culpa própria, trata-se na sua génese de um jogo que nasceu pobre e democrático, mas porque sendo tão amado e seguido pelo novo logo se aproveitam os maiorais da sua generosidade para dele abusarem à tripa-fora quando lhes é conveniente. Ou seja, sempre.
Creio, sinceramente, não estar a exagerar.
Episódios recentes vieram dar razão aos que, gostando de futebol, entendem que este absolutismo está a passar das marcas do minimamente razoável com grandes prejuízos para o progresso do país.
E neste instante peço-vos colaboração, caros leitores.
Digam-me, com sinceridade, entre estes quatro acontecimentos da semana passada, qual deles consideram o mais benévolo e o mais chocante para o país, o mais inócuo e o mais pernicioso para a república, o mais merecedor das atenções públicas, dos renhidos debates entre os nossos cérebros nativos, das primeiras páginas dos jornais e o mais prosaico de todos eles:
1- Eusébio vai para o Panteão.
2- Vítor Gaspar vai para o FMI.
3 - José Luís Arnaut vai para a Goldman Sachs.
4 - Álvaro Santos Pereira vai para a OCDE.
Sobre este capítulo, estamos portanto elucidados.

SENDO por estatuto e por definição um jogo, o futebol é, entre muitas outras coisas, uma questão de sorte. Ora no último Benfica - FC Porto nenhuma das equipas se pode ufanar de ter sido do seu lado a sorte do jogo.
O Benfica não teve sorte nenhuma porque viu Markovic e Rodrigo falharem os respectivos remates quando se encontravam sozinhos diante de Helton, o que poderia ter dado outra expressão ao resultado, sem que isso significasse, no entanto, qualquer coisa mais de substância do que os 3 pontos conquistados ao rival quando ainda falta metade do caminho para o fim.
O FC Porto não teve a mais pequena pontinha de sorte porque o árbitro do jogo, um sabichão habilidoso, um fanático benfiquista, célebre por atirar com as meias para a última fila do Terceiro Anel sempre que visita o Estádio da Luz, decidiu prejudicá-lo em grande e à francesa.
Como?
Ao transformar, por exemplo, uma grande penalidade inócua contra o FC Porto num pontapé de canto letal que resultaria no segundo golo do Benfica, o que, praticamente, sentenciou o jogo.
Para disfarçar o seu tão acalorado benfiquismo, o árbitro não marcou penalidade quando Mangala, num perfeito bloqueio de voleibol, obstou a que a bola cabeceada por Matic se encaminhasse com sucesso para o fundo das redes do Helton.
Podia ter expulsado Mangala, que já tinha um cartão amarelo, e não o fez por manha e amor-próprio. Assim evitou que se passasse a semana a acusar mais um árbitro benfiquista de fazer o frete ao clube do coração.
Por disfarce, o árbitro usou neste lance entre Matic e Mangala de critério largo na decisão. E assim, prejudicou fortemente o FC Porto visto que Lima, certamente encarregado de converter o castigo, não menos certamente que falharia o pontapé tal a camada de nervos que tinha em cima por estar tanta gente a olhar para ele.
Entre o eventual quase-golo da cabeçada de Matic, entre o eventual quase-golo do penalty, o árbitro, chamado a decidir, optou pelo golo certo do corner.
E eis como um penalty que não valia nada se transformou num pontapé de canto mortal. Uma vergonha, há que admiti-lo.
Os benfiquistas gostaram, evidentemente. Eu própria, confesso-o sem pudor, quando vi o árbitro mandar seguir para canto e confiante a 100% de que Garay iria marcar golo, disse baixinho, muito baixinho, para os meus botões:
- Eh lá, este tipo, no que diz respeito ao benfiquismo, é muito melhor do que o Pedro Proença!
É que na temporada passada, no FC Porto - Rio Ave a contar para a Liga, também para disfarçar o seu benfiquismo congénito, o mesmo árbitro que usou de critério largo no domingo à tarde na área portista, usou de critério apertado num lance na área vila-condense e nem hesitou em apontar para a marca do castigo máximo em benefício dos donos da casa quando um defensor visitante viu a bola embater-lhe na mão.
Foi também por maldade que o árbitro se decidiu pelo penalty contra o Rio Ave. Fê-lo, consciente ou inconscientemente, para lavar a má fama dos árbitros benfiquistas quando apitam no Dragão.
Foi também por perversidade lampiona que o árbitro, já na segunda parte do jogo de domingo, interrompeu a meio campo uma jogada em velocidade do FC Porto - e logo a única jogada em velocidade do FC Porto em toda a partida - para exibir todo prazenteiro um cartão amarelo a Matic.
Foi vingança do árbitro que, na manhã do jogo, tenho lido nos escaparates que o sérvio tinha protagonizado uma chantagem genial, recusando-se a ir para estágio e a jogar contra o FC Porto, entendeu por bem castigá-lo, assim que vislumbrasse oportunidade, em nome da afronta feita a Cosme Damião, a Eusébio, a Chalana, a Toni, a Simões, a Humberto Coelho, enfim, a todos nós.
- Ah, queres ir para o Chelsea, Matic, meu sacripanta? Então toma lá este cartão amarelo e não digas que vais da minha parte!
Uma das situações pró-Benfica mais escandalosas ocorreu bem no finzinho da primeira parte e teve como intuito desmoralizar Jackson Martinez para o resto do jogo. E conseguiu o árbitro mais essa proeza de lesa-dragão.
Imagine-se só que tendo a certeza de que o colombiano falharia o golo certo na cara de Oblak, o árbitro e o seu fiscal-de-linha, outro que tal, piscaram os olhos e decidiram não assinalar a gritante posição irregular do pobre Jackson só para o avançado do FC Porto ir para a cabina, ao intervalo, profundamente amargurado com o insucesso da sua acção.
E quando os jogadores do FC Porto, em duas ocasiões na área do Benfica - as únicas duas vezes que lá foram - optaram por se atirar para o chão porque mais não conseguiram, o árbitro, coitado, com os miolos ralados, já não teve iluminação suficiente para compensar todos os desvarios por si cometidos e apontar, pelo menos, duas grandes penalidades a favor dos visitantes.
- Para quê? - disse ele aos seus assistentes no fim do jogo. Penaltys para quê se o que está a dar agora são os pontapés de canto?!
Ficou esgotado o árbitro com tanta decisão favorável aos donos da casa.
Compensar? Compensar, compensar, Kompensan. Foi isto, mais ou menos, o que se passou.

FOI bonita a homenagem a Eusébio que antecedeu o Benfica - FC Porto. Aliás, o respeitinho é sempre muito bonito.

O Benfica chega ao fim da primeira volta isolado no comando do campeonato, situação inverosímil de se imaginar no arranque da temporada quando o Benfica se viu cedo a 5 pontos de distância do FC Porto.
Inverosímil por inverosímil, faço votos para que o Benfica continue a lutar pelo título ainda que se prepare para ver partir neste mês de Janeiro os seus melhores e mais influentes jogadores, tal como vem sendo notícia na imprensa.
É uma pena.

ONTEM o Benfica voltou a ganhar por 2-0 mas desta feita ao Leixões para a Taça da Liga. Foi um prazer ver a condição, a disponibilidade e o acerto de Ruben Amorim nos 90 minutos. Temos reforço de Inverno. Finalmente, parabéns Cristiano Ronaldo! Tenho sobre si exactamente a mesma opinião do Bruno Alves, só que não a posso exprimir porque não me fica bem."

Leonor Pinhão, in A Bola

O último jogo pelo Benfica

"Estádio de Alvalade: festa de homenagem a Carlos Lopes, o medalha de prata dos 10.000 metros dos Jogos Olímpicos de Montreal.
Estádio de Alvalade: mais de 40.000 pessoas.
Eusébio com a camisola do Benfica. Ele não o sabe ainda, mas é a última vez que vestirá a camisola do Benfica. Ele tem ainda esperança, viva, de voltar a jogar pelo Benfica nos grandes jogos do campeonato, quem sabe se na sua Taça dos Campeões...
Na cabina, antes do jogo começar, pede a Mortimore para usar da palavra. E diz:
- O futebol, para mim, nunca pode ser uma brincadeira. Eu jogo sempre a sério! E mais: não gosto de perder! Venham comigo, vamos ganhar mais este jogo!
Ganharam. Logo de entrada, o Benfica faz dois golos; faria mais mais um, contra outro do Sporting.
É o último jogo de Eusébio com a camisola do Benfica: vence em Alvalade por 3-1.
A História raramente é injusta para com os seus filhos dilectos.

A evocação de Eusébio
A memória de Eusébio.
Se isto não foi um livro, peço desculpa: senti-me à secretária com a intenção de escrever um livro. Isto é, provavelmente, apenas uma crónica, um pouco mais comprida, uma crónica sem preocupações de espaço. Tanta coisa sobre o que deveria ter falado e não falei; tantas pessoas cujos nomes deveria ter citado e não citei; tantos lugares pelos quais deveria ter passado e não passei... A falta é minha: Eusébio não teve a culpa.
Já disse e já repeti: não é fácil escrever um livro sobre Eusébio.
Pior ainda: não é fácil acabar um livro sobre Eusébio.
Poderia ficar aqui a escrever durante meses e meses e meses. Mais: poderia ficar aqui a escrever durante anos e anos e anos. Poderia ficar aqui a escrever uma vida a fio.
Às vezes a gente procura e procura a palavra certa para acabar um livro. E eu nem sei bem se isto foi um livro...
Acabo como comecei:
Eusébio, e ponto final."

Afonso de Melo, in O Benfica 

A estreia pelo Benfica

"O espectáculo foi montado para o ter como intérprete principal. Não foi à toa que Eusébio foi Eusébio antes de ser Eusébio. O árbitro, Francisco Saraiva, entrou em campo com as equipas do Atlético e a reserva do Benfica, reforçada com dois ou três dos titulares. Mas os encarnados eram apenas dez: Barroca, Mário João, Ângelo, Neto, Artur, Saraiva, Nartanga, Jorge, Mendes e Peres...
Um silêncio curto, mais curto do que o que demora a escrever.
E Eusébio.
Saiu do túnel, o braço levantado, por entre aplausos estrondosos de gente que tanto o desejara, que tanto o questionara, que tanto por ele esperara.
Onze minutos bastaram a Eusébio. Ao minuto 11, de muito longe, fora da área, remata com força e colocação: a bola sai incontrolável, impiedosa. O golo é concreto, palpável. O seu talento também.
Se calhar, era mais justo dizer que sete minutos bastaram a Eusébio. Ao minuto 7, recebe a bola de Nartanga, finta dois adversários num quadrado minúsculo de terreno e chuta como se desse pontapé dependesse a própria vida: Bastos estira-se; a bola queima-lhe as mãos e sai para lá da última linha.
O povo delira. Levanta-se satisfeito do cimento das bancadas, comenta as proezas do seu ídolo, dedica-lhe palmas e gritos de incentivo.
Voltemos ao jogo. Eusébio está lá todo. Mesmo aquilo que ainda não é já se adivinha. O executante primoroso: bom domínio de bola, tanto com o pé direito como com o esquerdo; a execução rápida, intuitiva; a bola junto à relva; o equilíbrio firme; as pancadas secas do pé; o drible simples. O estratega lúcido: calmo, esclarecido; procurando as tabelinhas; a destreza nos toques velozes; a facilidade com que já pensou no que fazer da bola antes de a receber; o altruísmo; os reflexos apurados. O rematador temível: vivaz; disparo brusco, espontâneo; potência nos pontapés tanto com o direito como com o esquerdo; força, força e mais força; corridas leves e rápidas sempre concluídas com remates bem dirigidos, pouco importando o ângulo a que se encontra da baliza.
Começa como interior-esquerdo, passaria em seguida para interior-direito, jogando com Mendes na sua frente. O público, esfomeado, exige-lhe o impossível e ele dá-lhe o impossível: aos 11 minutos apenas, três remates fulminantes, um golo fantástico. O Benfica é um conjunto desgarrado, individualista, pouco firme. O Atlético empata por Pedro Silva (15') e chega à vantagem por Angeja (36'). Mas Eusébio vai enchendo o campo com o seu estilo moderno, diferente. Aos 76 minutos, tem novo remate que daria golo ou não, ficará por saber-se: Armando Ferreira estica o braço, desvia a bola como se fosse o guarda-redes que não é. O «penalty» é de Eusébio, foi ele que  criou, os adeptos ordenam-no, o futebol também: golo. Quatro minutos depois, Inácio, que entrara para o lugar de Peres, tira um centro da esquerda: Mendes toca a bola já dentro da área e Eusébio desvia para a baliza. Três-golos-três. Mendes marcaria ainda outro, a três minutos do final.
Eusébio da Silva Ferreira: uma nova estrela brilhava na Luz. «Sou um homem feliz!»"

Afonso de Melo, in O Benfica

Nasceu uma estrela

"Em Lourenço Marques, os Janeiros eram quentes, asfixiantes, quase incómodos. Havia manhãs em que parecia que um cobertor de papa, daqueles velhos cobertores que se amontoavam nos baús dos avós, tapava a cidade, da Ponta Vermelha e do Quartel de Artilharia, entalado entre a Rua Chaimite e a Rua Coolella, até ao fim da Avenida Manuel de Arriaga, para lá da Fábrica de Sabão e do Forno Crematório, da Baixa a Malhangalene e Munhuana, e para lá ainda, nos caminhos de Xipamanine.
No bairro da Mafalda, onde viva D.ª Elisa Anissabani, era hábito as pessoas dormirem a sesta em redes estendidas entre dois coqueiros. Ou trazerem para fora das suas casas pequenas e abafadas, colchões de palha que estendiam no terreiro, à sombra de um acácia de copo achatada e flores rubras. Colchões de palha forrada a serapilheira riscada a vermelho e branco: foi assim que, bem longe de Lourenço Marques, em Madrid, os jogadores do Atletico Aviación, mais tarde conhecido por Atlético de Madrid, ganharam a alcunha de «colchoneros».
E.ª Elisa Anissabani: mãe de Eusébio. Antes dele já tivera três rapazes. Queria uma menina, agora. O dia 25 de Janeiro de 1942 não lhe fez a vontade. Nasceu-lhe outro rapaz. Chamou-se Eusébio Da Silva Ferreira. O Mundo saberia, a devido tempo, decorar-lhe o nome. E pronunciá-lo de todas as formas. Euzibiú, Ózébio, luzibiô, Ouzébiou... O Mundo não tardou a confundi-lo com Portugal.
«Chego a convencer-me de que, enquanto os outros bebés aprenderam a andar, eu aprendo a chutar», diria Eusébio, dezanove anos depois, numa entrevista concedida a Carlos Miranda. Um ano depois de chegar a Lisboa e à Metrópole, como então se dizia, Eusébio já era O Eusébio, e tinha uma história completa para contar.
Disse e repito: Eusébio conta-se a si próprio.
«Não me lembro de brinquedos, não me lembro de jogos ou de partidas. Lembro-me da bola. Sempre da bola. A trapeira, se coisa melhor não se consegue arranjar, lá nos coqueiros, em desafios sem fim, sem prazos de tempo nem balizas medidas. Jogar à bola, fosse como fosse, era tudo quanto desejávamos».
«Eu já andava numa escola, claro, e algumas vezes, bom... houve uma gazetas, a minha mãe não gostava nada que eu andasse enfronhado no futebol, apertava comigo, que me importasse com a escola e me deixasse dos pontapés na bola, mas eu não sei explicar, havia qualquer coisa que me puxava, sentia um frenesim no corpo que só se  satisfazia com bola e mais bola. O resultado de tudo isto era uns puxões de orelhas bem grandes e, uma vez por outra, umas sovas que não eram brincadeira nenhuma». De nada serviu. Os irmãos estudam, Eusébio não. Alguns chegam a completar o liceu, ele desiste no fim da 4.ª classe. Estava escrito: seria Doutor em futeobl Honoris causa!
O pai morre-lhe cedo. Angolano de nascimento trabalhava nos Caminhos-de-ferro de Lourenço Marques e jogara futebol no Ferroviário. Tinha 37 anos: o tétano não escolhia idades. Chamava-se Laurindo António da Silva Ferreira, natural de Malange. Não chegou a ver jogar o filho.
Lá, na Mafalala, Lourenço Marques, Moçambique, em 1958, D.ª Elisa Anissabani gritava por Eusébio, mas Eusébio não vinha. Ficara de ir buscar o jantar da família, agora maior: D.ª Elisa Anissabani tivera a menina que tanto queira, tivera até mais duas, e já somava seis rapazes. No regresso, faltava um. Faltava um no campo da bola de terra vermelha, estavam dez para onze, Eusébio era preciso. Esqueceu o jantar, esqueceu a família. O chamado da bola era mais forte do que a voz da mãe. E, ainda por cima, a Mafalala ganhara um clube de futebol: Futebol Clube Os Brasileiros."

Afonso de Melo, in O Benfica

Eusébio.

"Há nomes assim: esse ponto final parágrafo aí em cima poderia ser um ponto absolutamente final. Ou seja: o livro estaria pronto, concluído, perfeito. Porque a Eusébio nada se acrescenta.

«Exagero subjectivo!, exclamarão alguns. Estão no seu direito. E para eles, desde já acrescento: não leiam mais, então, não vale a pena. Esta será, de início ao fim, uma prosa subjectiva. Terá factos, terá números, terá estatísticas, se calhar, matérias portanto objectivos. Mas a visão redonda deste planeta achatado nos pólos é minha e dela não prescindo.
Convenhamos: Eusébio escreveu-se a si próprio.
Agora vou falar de outro nome fundamental: Nelson Rodrigues. A ele se devem as mais belas páginas escritas em português sobre futebol. E, ao contrário do que possam pensar, futebol e literatura têm muito em comum. Têm muitíssimo em comum.
Nelson Rodrigues: «Em futebol, o pior cego é o que só vê a bola. A mais sórdida pelada é de uma complexidade shakespeariana. Às vezes, num córner mal ou bem batido, há um toque evidentíssimo do sobrenatural». Era aqui que queria chegar: Eusébio é demasiado complexo para ser objectivo.
Revejam o filme do primeiro golo de Eusébio contra o Brasil, em 1966, no Campeonato do Mundo de Inglaterra. Ou melhor, revejam-no depois do golo. Ele corre, de braço no ar. A cabeça está erguida, imperial, reparem bem: há no seu olhar, que abarca todo o estádio de Goodison Park, em Liverpool, a consciência de que a história está a passar por ele, pela sua passada elástica, veloz, o redor move-se em câmara lenta, só ele tem vida para além da vida corriqueira, insignificante, só ele ganha luz para além dessa vidinha de que falava Alexandre O'Neill e que acabrunhava o país triste. Corre, corre, corre, Eusébio corre. Está apenas a comemorar um golo, mas até disso dir-se-ia depender a sua própria existência. Aquela corrida parece durar horas e horas. Aquela corrida merecia durar horas e horas.
Prestem bem atenção, agora: ele eleva-se no ar como se tivesse as asas nos pés de um Mercúrio negro. O seu braço erguido estende-se para lá do estádio, quase tocando o céu num soco vigoroso, vibrante. Não tirem os olhos dele: deixem-no ficar assim para sempre na parede lisa da vossa memória. Dificilmente Eusébio poderá ser tão Eusébio.»"

Afonso de Melo, in O Benfica 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Gostei...

Benfica 2 - 0 Leixões

Jogo mais agradável daquilo que eu estava à espera!!! Com poucas paragens, com intensidade, com os jogadores a tentarem jogar rápido, e nem a chuva resfriou os ânimos!!! Notou-se alguma falta de entrosamento em alguns momentos, treinar não é mesma coisa do que jogar, e alguns destes jogadores, têm jogado pouco, mas a atitude foi a correcta...
Ao contrário dos Corruptos e do Sporting, o Benfica efectuou um revolução completa no onze, com vários pretendentes a conquistarem mais minutos, e talvez por isso, notou-se vontade em agradar em praticamente todos...!!! Ao Benfica só faltou algum discernimento no último passe... mas a equipa merecia o 2.º golo muito mais cedo. Vitória indiscutível, que pecou por escassa... apesar da boa réplica do Leixões, que não fez anti-jogo, e tentou sempre sair rapidamente para o ataque...
Parabéns ao Cavaleiro pelo 1.º golo como sénior - golo obtido a jogar no meio, na posição de 2.º ponta-de-lança!!! -, já merecia...
Em sentido contrário o Artur está mesmo com pouca confiança, aquele erro na 1.ª parte é prova disso... com o relvado a escorregar, é mais fácil fazer aquilo do que se pode imaginar (quem já foi guarda-redes pode comprovar isso mesmo), mas...

Com esta vitória estamos nas Meias-finais da Taça da Liga, o último jogo com Gil será mais um jogo para rodar o plantel e dar oportunidades aos menos utilizados. Gostava de ver o André Gomes e o Bernardo a jogar.

Matic

Existem sempre várias maneiras de interpretar as coisas: é razoável dizer que o Matic vai fazer falta nas últimas 15 jornadas, mas também se pode afirmar que a 'não venda' do Matic no Verão, permitiu ao Benfica ter o Sérvio, 15 jornadas a mais, do que seria normal... e isso só não aconteceu devido ao irrealista sonho de uma Final da Champions na Luz com o Benfica!!!
Também não gostei da saída neste momento, nunca gosto quando os jogadores mostram desejo de sair do Benfica. Como Benfiquista, tenho dificuldade em aceitar isso... mas dentro das circunstâncias, acaba por expectável...
Agora, mais do que entrar nas novelas dos profissionais das críticas, o mais importante é discutir as soluções no plantel... parece óbvio que ninguém será contratado para o lugar.
O Fejsa será a opção lógica, logo a seguir temos o Amorim e depois o André Gomes (tendo em conta o curriculum do André Almeida com o Jesus, não me parece que seja opção para esta posição). Existem vários problemas com estas soluções: o Fejsa e o Amorim têm um historial de lesões que não me deixam descansado; se o Fejsa defensivamente, num dia bom, é até melhor que o Matic, com a bola nos pés, é muito inferior... se fosse possível juntar no mesmo jogador o Fejsa e o Amorim, o problema estava resolvido, mas isso não é possível; o André Gomes que potencialmente, é aquele que mais se aproxima do Matic, tanto fisicamente como tecnicamente, falta-lhe, ainda, mentalidade competitiva...
O Matic na sua despedida deu um 'empurrãozinho' ao André Gomes, que eu gostei de ler, mas para isso se tornar realidade, o André tem que mudar a atitude algo displicente que demonstra defensivamente, e não pode perder a bola em zonas proibidas como costuma fazer. Ambas estas situações, dependem essencialmente, da cabecinha!!!

O sucesso desta 2.ª volta vai muito passar, pela opção do Jesus, na escolha do jogador para esta posição. Como se viu com o Arouca o Fejsa, nesse tipo de jogos é desnecessário (mas com o Nacional na Choupana para a Taça da Liga, já resultou). Saber quais jogos (ou os momentos dos jogos) onde o Benfica precisa de um '6' mais defensivo, ou um jogador mais de posse de bola, será o dilema do Jesus.

PS1: Fala-se noutras vendas, espero bem que não sejam verdade. Neste momento mais alterações na equipa, com o Cardozo e o Salvio ainda fora de combate, podem ser mesmo fatais. O negócio Rodrigo, Garay e Neto, que se fala. Em Junho? Assino por baixo... Agora? Não.

PS2: O Hélder Conduto deu a sua opinião da Benfica TV. Como não criticou a venda, passou imediatamente a ser odiado, por aqueles que o elogiram quando entrevistou o Vieira no início da temporada!!!

Original Video- More videos at TinyPic

Eusébio, 2 - FCP, 0 (e CR7)

"No domingo o Benfica alinhou com Eusébio, Eusébio, Eusébio, Eusébio, Eusébio, Eusébio, Eusébio, Eusébio, Eusébio, Eusébio e Eusébio. Aos 82 m saiu Eusébio e entrou Eusébio e aos 85 m saiu Eusébio e entrou Eusébio. Os golos foram apontados por Eusébio aos 13 m que bisou aos 53 m. Uma tarde de Eusébio. Puro. Espiritual. Memorial. Aparte uns poucos energúmenos, todos respeitaram o minuto de silêncio. O jogo foi intenso num ambiente de magia, homenagem e competição leal. Os jogadores honraram o Rei.
Agora na dianteira, o Benfica vai perder jogadores fundamentais. Matic, sobretudo. Percebo a necessidade financeira, mas tenho dificuldade em entender ter que ser em Janeiro, diante de 15 jornadas decisivas. Matic (ou outros) já nem sequer podem jogar na Champions. No ano passado saíram Bruno César e Nolito. E, embora menos influentes, que falta fizeram (mais o primeiro) num fim de temporada desgastante em todas as frentes?
Volto ao jogo e ouço todas as teorizações sobre a arbitragem. Alguns fazendo até a contabilidade de um FCP mais prejudicado que o Benfica! Ponho-me a pensar o que seria se Jackson tivesse marcado aos 45 m, quando estava fora-de-jogo. Ou na jogada de andebol de Mangala que além de penalty poderia ter visto amarelo ou até vermelho. Certo que Danilo não deveria ter sido expulso e que o árbitro apitou (mal) na jogada em que Jackson se isolava, todavia no momento em que a bola ia no ar e muito antes de lhe chegar aos pés.
Parabéns Cristiano Ronaldo! Merecidíssimo e um orgulho para Portugal. Comovente o modo como agradeceu. Eusébio e Cristiano em conjunto. Está tudo dito."

Bagão Félix, in A Bola

Eusébio da Silva Ferreira

"P'ra todo o sempre! Somos tão pequeninos, mas tão grandes, que tu conseguiste a proeza de ligar dois continentes, que afinal têm uma língua comum e identificam-se em tantas coisas.

Em 1961 vieste para o Sport Lisboa e Benfica e demoraste 30 horas para chegar. Quem diria que essas 30 horas se tornariam em anos de sucesso!
Desde lições de humildade, genialidade, grandeza, traços esculturais e divinos, tudo se transformou numa simbiose entre ti e o Benfica e o Benfica e tu. Portugal e tu e tu e Portugal. O Mundo e tu e tu e o Mundo.


Como se diz hoje na juventude perdida, 'estavas muito à frente' naquela época!
Consciência de ter ver jogar nos primeiros anos da minha existência que distam de 1963, não tenho! Mas a palavra, os gestos, a mística passada pelo meu Pai e pela minha Mãe, foi mais que suficiente para apreender a diferença entre a realidade vivida e o sonho!

Algures no tempo, recordo em consciência de te ver jogar a primeira vez. Para mim, já eras um mito vivo!
Mas para um miúdo que ouviu falar dos feitos que fizeste a partir de 1961 neste País à beira-mar plantado, com o desempenho que tiveste em 1966, ter o privilégio de recordar após este tempo todo, os teus três golos na final do Jamor contra o Sporting, é realmente porque és imortal! O teu terceiro golo de livre directo a quatro minutos do fim do prolongamento, deixaram-me encantado no meio de 45000 espectadores!
E na época de 1972/1973, quando o Benfica defrontou o Sporting no Estádio da Luz, eu lá estava para ver os teus quatro golos. Já estavas no firmamento há muito tempo!
Os miúdos da Rua, da minha Rua, gritavam pelo teu nome e jogavam à bola num 'campo' inclinado, tentando imitar-te nos teus remates! Mas a debalde o faziam porque Eusébio só havia um! Eras tu!
As tardes de Domingo no Estádio da Luz eram a minha casa e em 1976, ingressei nos Iniciados do Benfica, vindo dos Infantis do Mister Biri, porque tinha interiorizado um clube que hoje ainda amo e tu tinhas criado a vontade de jogar Futebol aos Portugueses.
É evidente, que mesmo que não tivesse o problema que Deus me deu numa vista, jamais teria sido um jogador de Futebol que sequer chegasse aos teus calcanhares!
Mas o Benfica e tu, para mim, passaram a ser só um! Durante muitos anos tive de me fazer à vida e nunca pensei que um dia me desses a honra de poderes ir ao meu casamento - é certo o meu segundo, que também não deu certo, mas por culpa minha -, mas que bastou ter a tua presença para nunca mais o poder esquecer!
Que melhor prenda se pode pedir?
Guardo religiosamente um fotografia tua, com a minha mãe e o meu pai, também ambos já partidos deste Mundo!
Conhece-ti pessoalmente uns meses antes desse evento graças aos meus aos meus amigos de longa data, Carlos Pereira Cruz, Marina Cruz, teus compadres e teus grandes amigos durante uma vida inteira. Foi, obviamente, na Adega da Tia Matilde!
Mas eu imaginaria lá que o meu ídolo um dia pudesse estar sentado à mesa comigo e falar sobre os seus feitos e sobretudo do Benfica? E que pudesse ir a um casamento meu?
A tua simplicidade era corrosiva. A tua humildade e, ao mesmo tempo, Mística, enchiam o ar de eprfume. Respirava-se Eusébio e respirava-se o Benfica!
Como sabes, nunca foi muito de andar nos eventos sociais. Tranquiliza-me o facto de existires, simbolizares o Benfica, teres voltado novamente a ter o teu lugar na História do Clube, ter surgido uma Direcção que ressuscitou a cultura e a sua história.
Claro que em bom rigor tu não precisavas de ser preservado, porque te evidenciavas a ti próprio! Mas esta vida é madrasta e todos acabamos por fazer o caminho de todos os seres humanos.
Um dia sou surpreendido com a notícia da tua morte. Sinceramente, nunca tinha pensado nisso como uma perspectiva real! Falava nisso nos meus comentários, mas nunca senti isso! Para mim era sempre uma lenda viva!
Mas há um dia em que tudo acaba e partimos para outro lado qualquer que só saboreamos quando isso nos acontecer.
Ficam duas emoções muito diferentes! Ao ver a homenagem que te fizeram no Estádio da Luz, percebi que existirás sempre em nós! E que o Benfica é uma instituição que trata bem os seus! E que organização fabulosa que em tão pouco tempo se construiu para te homenagear!

As pessoas que espectacularmente trabalham nessa organização merecerão o teu carinho para o resto da vida. Porque, para todos nós, tu sempre existirás!
A outra emoção, é aquela que sentimos quando estamos mais sozinhos e realistas! Não te vou poder ver mais! E cada vez que olhava para ti, só via juventude, genialidade e Benfica!
Aqui chegado já me custa escrever mais.

Não sou ingénuo ao ponto de acreditar no Menino Jesus e julgar que tudo será vitorioso daqui para a frente em tua homenagem. Que os Benfiquistas vão saber ficar unidos na diferença! Mas há algo que todo e qualquer benfiquista te quererá dedicar, porque tu para todos nós és, e será sempre, eterno.
Oxalá todos os benfiquistas saibam e façam erguer bem alto o teu nome e realizem a tua vontade!
Tu, entretanto, descansa para todo o sempre e observa como nos movemos! E vai-te rindo, ou melhor, sorrindo!
E hás-de ir para o Panteão porque é aí que pertences!
Obrigado por tudo Eusébio! Até sempre!

(...)"

Pragal Colaço, in O Benfica

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Lixívia 15

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica......36 (-7) = 43
Sporting.....34 (-1) = 35
Corruptos...33 (+7) = 26
Braga.........22 (+2) = 20

Nos últimos meses, temos assistido de forma mais ou menos descarada, a uma campanha de promoção a Soares Dias. Vários comentadores, colunistas e paineleiros afirmaram, sem corar, que o Arturinho é o melhor árbitro português da actualidade!!! Sendo que 99% destes propagandistas ou são Corruptos ou Esverdeados...!!! Nem é preciso recordar os jogos do Benfica, basta relembrar um famoso Braga-Guimarães e uma interminável rábula dos penalty's que levou o Braga à vitória, para chegar à conclusão que o homem além de ladrão, é incompetente...!!!
Mas o silêncio após a nomeação do Soares Dias para este jogo, também é esclarecedor: como é que é possível, com o curriculum imaculado que o Arturinho tinha antes deste jogo, nos jogos com os Corruptos (9 jogos, 9 vitórias), nenhum pasquim, ter publicado as estatísticas do árbitro, com cada uma das equipas?!!!
Estamos a falar de alguém que é um (mais ou menos) assumido adepto Corrupto, sócio Corrupto, com lugar cativo no antro Corrupto, amigo pessoal de vários jogadores, treinadores, e dirigentes Corruptos, alguém que como pode ser provado nas escutas do Apito Dourado, foi levado ao colo até à 1.ª categoria, e filho de outro ladrão que frequentou os mesmos antros... como é que é possível, ninguém ter recordado todas estas incidências?!!! Nem a entrega da camisola a um membro dos Super-Dragay's... Sabendo que quando o Benfica é arbitrado por um qualquer Proença, Duarte Gomes, ou Miguel Mota passam a semana toda, a ladrar com o suposto Benfiquismo dos mesmos?!!!

Mas tenho que admitir, apesar de tudo, tinha algum esperança, é que os números do Arturinho com o Benfica não são tão maus como os do Proença, do Benquerença, do Jorge Sousa, ou outros parecidos... é que mesmo tentando, esforçando-se muito, no passado, vencemos vários jogos com o Soares Dias a apitar!!! Recordo-me de uma goleada nos Barreiros, outra em Paços, onde as incidências do jogo foram tão favoráveis ao Benfica, que nem as roubalheiras encomendadas nos tiraram a vitória... E parece que a 'má sina' do Arturinho, continua... mesmo roubando, o Benfica ganha!!!

A arbitragem foi vergonhosa, os erros variados, com a clara intenção inicial de empurrar o Benfica para trás. Até ao 2-0, o Benfica foi sempre prejudicado, sempre... só na parte final da partida, tivemos 2 possíveis erros que prejudicaram os Corruptos: o 1.º por incompetência (beneficio ao infractor), o 2.º num penalty discutível (intensidade). Antes disso, disciplinarmente, tecnicamente, o árbitro ou os fiscais-de-linha - principalmente o fiscal junto do banco do Benfica -, foi sempre a roubar...
O critério disciplinar foi claro, andou a perdoar amarelos constantemente a jogadores Corruptos, sendo o caso mais escandaloso na 1.ª parte, a falta do Jackson sobre o Enzo (ao contrário só o Siqueira podia ter levado amarelo, numa falta sobre o Carlos Eduardo)... Só depois do amarelo ao Jackson (que até podia ser vermelho directo, ou o 2.º amarelo se o primeiro tivesse sido mostrado), é que começou a dar amarelos a tudo o que mexia... Num jogo de sentido inverso, jogado no antro Corrupto, aposto que antes dos 30 minutos, metade da equipa do Benfica estava amarelada!!!
Para melhor descrever a inclinação do campo, recordo os últimos minutos da 1.ª parte:
- Falta clara sobre o Markovic, zona perigosa, não assinalada!!!
- No ataque seguinte, o Luisão faz um corte atabalhoado, mas sem falta, sobre o Jackson, e o árbitro marca falta, em zona frontal, ainda afastado da área.
- Na marcação da falta, Mangala atira Enzo ao chão, nada foi marcado...
- A bola vai para a lateral, onde Licá centra, para um Jackson, completamente fora-de-jogo... e só por acaso não foi golo!!!
Aqui está um exemplo de como empurrar uma equipa para a frente, e outra para trás, sem penalty's, ou lances demasiados escandalosos... Existem vários 'especialistas' nesta forma de apitar: Xistra, Proença são dos 'melhores'...!!!
Existiram outros momentos parecidos, entre foras-de-jogo, e até bolas fora do campo, que não foram assinaladas e permitiram ataques aos Corruptos, que acabaram quase sempre em livres laterais contra o Benfica...!!!
O penalty do Mangala aparece nesta sequência, mais uma vez, tal como num famoso Sporting-Benfica, com o Soares Dias bem colocado, nada marcou (na altura foi um agarrão descarado ao Luisão!!!)... Mas tal como eu escrevi na crónica ao jogo, fez-se Justiça Divina, e logo a seguir no canto, o Benfica marcou...
O Arturinho  viu as suas intenções frustradas, quem estava a sentir o jogo, percebeu logo que muito dificilmente os Corruptos conseguiriam dar a volta ao jogo...até o Jackson sentiu isso, e resolveu agredir o Maxi. Sim, foi ma agressão. A teoria do empurrão não pega... Logo a seguir o cigano entra de carrinho sobre o Matic: amarelo... O Benfica 'inventa' na marcação da falta, perdemos a bola, o Enzo tenta fazer falta sobre o Quaresma não consegue, mas o Matic consegue!!! Na ânsia de mostrar o 1.º amarelo a um jogador do Benfica, Soares Dias não vê que o Jackson ficaria isolado... Errou!!! E se depois do 2-0 parecia que o resultado estava fechado, com este lance ficou...
No lance entre o Garay e o Quaresma, existe contacto, o Corrupto regressado, aproveita-se e deixa-se cair, será sempre uma daquelas discussões da intensidade, mas eu aceitaria se o penalty fosse marcado, mas depois de não ter marcado a clara Mão do Mangala, marcar este seria demasiado descarado...
No lance entre o Garay e o Danilo, esteve bem, o brasileiro mergulhou descaradamente, e até o 2.º amarelo foi bem mostrado...
No último minuto ainda perdoou a expulsão ao Mangala, por indicação do tal fiscal-de-linha!!! Pareceu-me mesmo que ele ia mesmo marcar a falta, mas depois arrependeu-se, e recomeçou o jogo com uma estranha bola ao chão!!!
ADENDA: Esqueci-me de alguns lances, que merecem uma adenda: o Jackson já com o amarelo, não tinha qualquer necessidade de ter acertado no Oblak; o filho-da-puta do Josué tentou agredir o Siqueira duas vezes; e o gesto do Quaresma para com o Markovic podia ter sido penalizado... Sobre a trapalhada no último lance do jogo, mais um erro grave, desta vez com Arturinho a ser enganago pelo fiscal!!! O Mangala fez mesmo falta para expulsão, sobre o Enzo...
Resumindo: ladrão e incompetente. Clara intenção em manter o curriculum 100% vitorioso com o clube do seu coração... quando no final viu que isso não ia acontecer, resolveu partilhar um pouco a incompetência por todos!!!

Não vi o jogo do Sporting, nem o jogo do Braga. No derby do Minho ninguém se queixou. Os chorões do Lumiar, pediram penalty numa Mão na bola, que nunca existiu, e numa queda do Montero. Mas o Proença decidiu bem, quem provoca o contacto é Montero que dá um passo para o lado, em vez de correr em direcção da bola. O jogador do Estoril, não passa rasteira, nem pontapeia o adversário... acaba por existir um choque, sem falta.

Observem bem a classificação na Tabela. Digam lá se não dava para vender o Matic, o Rodrigo e o Garay, e provavelmente seríamos Campeões na mesma, com uma vantagem confortável?!!!

Anexos:
Benfica
1.ª-Marítimo(f), D(2-1), Jorge Sousa, Prejudicados, (2-2), (-1 ponto)
2.ª-Gil Vicente(c), V(2-1), Paulo Baptista, Prejudicados, Sem influência no resultado
3.ª-Sporting(f), E(1-1), Hugo Miguel, Prejudicados, (0-2), (-2 pontos)
4.ª-Paços de Ferreira(c), V(3-1), Paixão, Nada a assinalar
5.ª-Guimarães(f), V(0-1), Bruno Esteves, Prejudicados, Sem influência no resultado
6.ª-Belenense(c), E(1-1), Jorge Tavares, Prejudicados, (2-0), (-2 pontos)
7.ª-Estoril(f), V(1-2), Manuel Mota, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
8.ª-Nacional(c), V(2-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
9.ª-Académica(f), V(0-3), Hugo Pacheco, Prejudicados, Sem influência no resultado
10.ª-Braga(c), V(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, Sem influência no resultado
11.ª-Rio Ave(f), V(1-3), Paixão, Nada a assinalar
12.ª-Arouca(c), E(2-2), Rui Costa, Prejudicados, Beneficiados, (3-2), (-2 pontos)
13.ª-Olhanense(f), V(2-3), Vasco Santos, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
14.ª-Setúbal(f), V(0-2), Paulo Baptista, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
15.ª-Corruptos(c), V(2-0), Soares Dias, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado

Sporting
1.ª-Arouca(c), V(4-1), Rui Costa, Nada a assinalar
2.ª-Académica(f), V(0-4), Soares Dias, Beneficiados, Sem influência no resultado
3.ª-Benfica(c), E(1-1), Hugo Miguel, Beneficiados, (0-2), (+1 pontos)
4.ª-Olhanense(f), V(0-2), Benquerença, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
5.ª-Rio Ave(c), E(1-1), Xistra, Prejudicados, (2-1), (-2 pontos)
6.ª-Braga(f), V(1-2), Paulo Baptista, Nada a assinalar
7.ª-Setúbal(c), V(4-0), Duarte Gomes, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
8.ª-Corruptos(f), D(3-1), Soares Dias, Nada a assinalar
9.ª-Marítimo(c), V(3-2), Bruno Esteves, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
10.ª-Guimarães(f), V(0-1), Paulo Baptista, Nada a assinalar
11.ª-Paços de Ferreira(c), V(4-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
12.ª-Gil Vicente(f), V(0-2), Jorge Sousa, Nada a assinalar
13.ª-Belenenses(c), V(3-0), Hugo Pacheco, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
14.ª-Nacional(c), E(0-0), Miguel Mota, Nada a assinalar
15.ª-Estoril(f), E(0-0), Proença, Nada a assinalar

Corruptos
1.ª-Setúbal(f), V(1-3), João Capela, Beneficiados, Impossível contabilizar
2.ª-Marítimo(c), V(3-0), Jorge Ferreira, Beneficiados, Sem influência no resultado
3.ª-Paços de Ferreira(f), V(0-1), Rui Costa, Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
4.ª-Gil Vicente(c), V(2-0), Hugo Pacheco, Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
5.ª-Estoril(f), E(2-2), Rui Silva, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
6.ª-Guimarães(c), V(1-0), Proença, Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
7.ª-Arouca(f), V(1-3), Vasco Santos, Beneficiados, Impossível contabilizar
8.ª-Sporting(c), V(3-1), Soares Dias, Nada a assinalar
9.ª-Belenenses(f), E(1-1), Miguel Mota, Beneficiados, (2-1), (+1 ponto)
10.ª-Nacional(c), E(1-1), Xistra, Nada a assinalar
11.ª-Académica(f), D(1-0), Capela, Beneficiados, (2-0), Sem influência no resultado
12.ª-Braga(c), V(2-0), Paulo Baptista, Nada a assinalar
13.ª-Rio Ave(f), V(1-3), Bruno Esteves, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
14.ª-Olhanense(c), V(4-0), Hugo Miguel, Prejudicados, (5-0), Sem influência no resultado
15.ª-Benfica(f), D(2-0), Soares Dias, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado

Braga
1.ª-Paços de Ferreira(f), V(0-2), Bruno Paixão, Nada a assinalar
2.ª-Belenenses(c), V(2-1), Xistra, Beneficiados, Impossível contabilizar
3.ª-Gil Vicente(f), D(1-0), Vasco Santos, Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Estoril(c), V(3-2), Capela, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
5.ª-Arouca(f), V(0-1), Marco Ferreira, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
6.ª-Sporting(c), D(1-2), Paulo Baptista, Nada a assinalar
7.ª-Nacional(f), D(3-0), Soares Dias, Nada a assinalar
8.ª-Académica(c), D(0-1), Benquerença, Beneficiados, Sem influência no resultado
9.ª-Rio Ave(c), D(0-1), Jorge Tavares, Nada a assinalar
10.ª-Benfica(f), D(0-1), Nuno Almeida, Beneficiados, Sem influência no resultado
11.ª-Olhanense(c), V(4-1), Soares Dias, Nada a assinalar
12.ª-Corruptos(f), D(2-0), Paulo Baptista, Nada a assinalar
13.ª-Setúbal(c), V(2-0), Xistra, Nada a assinalar
14.ª-Marítimo(f), E(2-2), Rui Costa, Nada a assinalar
15.ª-Guimarães(c), V(3-0), Benquerença, Nada a assinalar

Jornadas anteriores:

Épocas anteriores:

Um momento

"Deixem-me, a propósito do Benfica-Porto, recuperar a explicação do escritor britânico Martim Amis para o fascínio exercido pelo futebol: “É o único desporto que, normalmente, se decide por um golo, por isso a pressão do momento é mais intensa do que em qualquer outra modalidade”. Os jogos discutem-se numa lenta monotonia, organizada e por vezes de pendor burocrático – médios que pautam o ritmo do jogo, outros, com cultura táctica, que conferem disciplina nos “processos defensivos” –, mas não fora os momentos de desorganização, em que o sentido que os treinadores deram à equipa se perde, os estádios estariam vazios.
Lazar Markovic. Ninguém que sinta a paixão pelo futebol precisou de ver mais do que dois minutos do sérvio com uma bola nos pés para logo ter a certeza que estávamos perante a matéria de que se fazem os sonhos dos adeptos. A bola como prolongamento de um corpo ziguezagueante e uma aproximação romântica a cada jogada. Com o jovem sérvio não há nunca terceira via – a opção é irremediavelmente entre uma perda de bola incompreensível, seguida de um baixar de braços, como se estivesse a gerir uma derrota individual, ou uma arrancada de génio, daquelas que ninguém sentado na bancada foi capaz de antecipar.
Um instante pode ser mesmo a eternidade e dura no tempo quem tudo apostou no momento. Quando, aos 13 minutos de jogo, vi Markovic, com elegância principesca, a cavalgar pelo centro do terreno, com os jogadores adversários a desabarem à sua passagem, tive a certeza que o Benfica estava a construir a sua vitória, mas mais certo fiquei de que, passados uns anos, não guardarei memória do resto do jogo, mas aquele momento, feito de rasgo de talento, perdurará para sempre nas minhas recordações.

Nota: O Benfica dos últimos anos foi irrepreensível com Eusébio. Em vida e na última semana, o Rei teve todas as homenagens devidas e muitas mais terá para honrar a sua memória. Mas os gostos discutem-se e a estátua de Eusébio não merecia ter sido presa dentro de uma marquise."

Pedro Adão e Silva, in Record

Benfica líder, e agora?

"O Benfica de domingo não foi o Benfica habitual dos clássicos com o FC Porto. Desta vez Jorge Jesus manteve-se fiel a uma ideia de equipa e não a moldou ao adversário. Assumiu o favoritismo – fosse por jogar em casa, por querer dedicar uma vitória a Eusébio, por saber que, agora, este Benfica é superior a este FC Porto ou por tudo junto – e ganhou a aposta. Os encarnados foram velozes nos flancos, perigosos no ataque, dominadores no meio-campo e intransponíveis na defesa. A superioridade sobre os dragões foi evidente e a vitória foi mais do que justa. Pelo meio, Oblak confirmou-se como a melhor aposta para a baliza, ele que ainda não sofreu golos nos cinco jogos em que já participou desde a lesão de Artur; e Markovic revelou estar a ganhar maturidade táctica, a melhor aliada da elevada capacidade técnica que já possui.
Do clássico resultou ainda a liderança isolada do Benfica no campeonato, o que acaba por ser psicologicamente importante, embora nada decisivo quando faltam 15 jornadas para terminar a prova e todos os candidatos dependem deles próprios para conquistarem o título.
Mas a liderança chegou com outra notícia, a da saída de Matic e as prováveis de Garay e Rodrigo.De uma assentada, Jesus pode ficar sem um central, um outro avançado – já havia perdido Cardozo por lesão – e o motor do meio-campo. O técnico do Benfica está habituado a remendar os buracos – veja-se Di María, Ramires, Fábio Coentrão, David Luiz, Javi García, Witsel... –, só que, desta vez, a tarefa parece mais complicada, sobretudo no que diz respeito à substituição do médio sérvio. Para Garay há soluções no banco – a um nível inferior, mas competentes –, para Rodrigo também, embora obrigando a uma readaptação de jogadores ou da táctica. Para Matic é pior. O plantel não tem um “box-to-box” igual (nem parecido), no mercado é quase impossível encontrar outro e Fejsa é um complemento, não alternativa.
A eliminação da Liga dos Campeões, ou melhor, o dinheiro que daí já não vem obriga a esta cedência de efectivos. Mas uma coisa é perdê-los no início da época, outra é a meio, quando a máquina já carburava. O Benfica chegou à liderança do campeonato com a actual estrutura, mas agora tudo muda. Em suma, nunca uma vitória sobre o FC Porto provocou tantas incertezas. Sim, o Benfica é líder, mas... e agora?"

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Eterno

"No passado domingo acordei satisfeito. O Benfica fez (finalmente!) uma exibição agradável e conseguiu um resultado robusto frente ao Gil Vicente para a Taça de Portugal. Mas, pouco depois, sofri (sofremos todos) um grande choque. Faleceu o Eusébio! A sua saúde era débil, sabia-se. Já o víamos muitas vezes em cadeira de rodas - mas isso era devido à debilidade dos seus joelhos, tão massacrados ao longo das épocas em que nos maravilhou nos relvados. Mas não nos imaginávamos sem ele. Ainda na sexta-feira passada estivera com 'ele' no nosso Museu Cosme Damião - naquele maravilhoso espaço em que ele nos aparece como se estivesse ali a falar connosco.
Tive a sorte (e o enorme prazer) de ver Eusébio jogar ao longo das sua maravilhosa carreira no Benfica. Tínhamos uma grande equipa - José Águas, o grande capitão, o Mário Coluna, o José Augusto, o Simões (que linha avançada!), todos, desde o guarda-redes Costa Pereira ao infatigável Ângelo, passando por dois jogadores menos dotados mas que 'comiam a relva' (Mário João e Neto). Mas Eusébio era o Eusébio. Fomos campeões europeus sem ele, é certo. Mas, com ele, ficámos fortíssimos e, para além do título frente ao Real Madrid só não ganhámos mais por manifesta infelicidade... e por duas das finais terem sido jogadas no campo ou no país das equipas adversárias.
Eusébio era (é) inigualável, façam-se as estatísticas que se fizeram. E ainda agora dou por mim a recordá-lo sempre que tempos um livre a 30 ou 40 metros da baliza. Estou a vê-lo tomar balanço bem cá atrás, correr para a bola, chutá-la e ela ir direitinho para as malhas adversárias. E recordo grandes 'cavalgadas' dele rumo à baliza, golos em força, golos em habilidade, golos de toda a maneira.
Mas também o recordo, já retirado do futebol jogado, a representar o nosso Benfica um pouco por todo o Mundo, sempre respeitado, sempre admirado. Um grande embaixador.
Um grande embaixador que nem sempre foi bem tratado no Benfica. E não foi por acaso que, apesar de funcionário do Clube, surgiu a poucas horas da história votação que derrubou Vale e Azevedo a dar a cara pela candidatura de Manuel Vilarinho, no último jantar da campanha eleitoral. Até aí ele prestou um grande serviço ao Benfica.
Foi um domingo bem triste este. Que, no próximo, a nossa equipa possa homenagear Eusébio ganhando ao FC Porto. Como ele gostaria!..."

Arons de Carvalho, in O Benfica

A última vez que vi Eusébio

"Vi jogar o Eusébio vezes sem conta: é um privilégio da minha idade, que é também a idade de Eusébio da Silva Ferreira, da extracção de 1942. Naquele tempo, o Benfica era das poucas alegrias do povo e Eusébio veio acrescentar alguma coisa ao regozijo que era uma vitória com as cores do Benfica nas camisolas. Quem não viu jogar o Eusébio perdeu alguma coisa que jamais terá: quando ele pegava na bola e arrancava na direcção da baliza contrária começava a festa no Estádio, que frequentemente explodia no momento da concretização. Eusébio era o futebol no seu melhor: técnica, força, talento, habilidade, sentido do jogo e da baliza, potência e colocação do remate. Não há ninguém que se compare a Eusébio. Vi ao vivo ou pela televisão muitos dos melhores jogadores de futebol moderno, não vi ninguém como Eusébio.
A última vez que vi Eusébio foi há menos de dois meses. Lá estava ele, com a modéstia que só os melhores são capazes de ter, a falar das grandes paixões da sua vida: a mulher e as filhas, o Futebol, e o Benfica. Falava com a bonomia própria das grandes almas e contava histórias da sua vida e da glória do seu Clube, falava dos companheiros de equipa, do Senhor Coluna e dos outros, de adversários da sua constelação - Yashin, Di Stéfano, Puskas, Pelé -, contava episódios com grande sentido de humor, relatava acontecimentos com vivacidade plena da memória, nos quais convivia com naturalidade com grandes sucesso do Futebol.
Agora vou fixar esse encontro como a última vez que vi Eusébio. A última, até à próxima. Porque esse encontro, no qual Eusébio parecia mesmo que estava ali, aconteceu numa visita ao Museu Cosme Damião, onde Eusébio continua e vai continuar vivo."

João Paulo Guerra, in O Benfica

O nosso Rei

"Sabíamos que um dia teria de acontecer. Porém, nunca estamos devidamente preparados para ver partir aqueles que nos são queridos. Achamos sempre cedo demais, mesmo quando o tempo vivido foi suficiente para deixar uma marca profunda. Eusébio deixou uma marca profundíssima, quer no Benfica, quer no País. Pelo talento que fez dele um dos maiores jogadores da história do Futebol mundial, e também pela dimensão humana que sempre soube aliar ao sucesso que atingiu. Foi a conjugação dessas duas vertentes que o transformou numa lenda. É esse traço incomum que não deixa espaço a quaisquer comparações, podendo, e devendo, servir de exemplo a todos - dentro ou fora do Desporto.
Eusébio é Benfica escrito com sete letras diferentes. É, e sempre será, o nosso supremo Rei. Não foi ele que criou o Clube, mas foi ele que criou o Clube grandioso que a minha geração herdou. Um mero olhar estatístico permite facilmente reconhecer um Benfica antes, e noutro depois, do Pantera Negra.
Infelizmente, já não cheguei a tempo de o ver jogar ao vivo. É algo que lastimo, e que, confesso, me faz sentir de certa forma amputado no meu benfiquismo.
Também não privei com ele. Deu-me um inesquecível autógrafo em 1983, à porta do antigo Estádio da Luz; e apertei-lhe a mão, bastantes anos mais tarde, num ocasião de circunstância.
Mas não é preciso muito para se conhecer Eusébio, tal o seu gigantismo, tal a sua transparência, tal a sua simplicidade. O King foi, é, e continuará a ser, demasiado grande (e para se ser tão simples é preciso ser mesmo grande), como jogador, e como figura histórica nacional e internacional. Sobrepôs-se ao País. Sobrepôs-se até ao próprio Benfica. Foi único. É único.
Muitas palavras têm sido ditas, e escritas, nos últimos dias, a seu respeito. Dir-se-ão, e escrever-se-ão, muitas outras. Mas todas elas serão sempre insuficientes para traduzir fielmente o seu legado.
A fasquia que Eusébio nos deixa é altíssima. Teremos agora de saber estar à altura da sua memória. É esse o nosso desafio."

Luís Fialho, in O Benfica

Uma bola, um país

"A vida é como é, somos o que somos e como somos, a história do nosso percurso. Aprendi a gostar de futebol com a autoridade do Artur, a impetuosidade do Taí, a fogosidade do Almeidinha e a liderança do Barbosa. O perfume do Alves, com as correrias do Queiró e do Palhares por perto. No imaginário, a classe do Júlio e as cambalhotas do Folha. A relva do Bessa era a mitologia que a infância e a primeira adolescência tinham por certa. Nesses sábados excitantes, lá vinha o passado de uma glória desconhecida. A falha num livre à entrada da área, o desperdício de um pontapé a “léguas” do alvo, e o desabafo dos “entendidos” da cadeira do lado: “Olha este, queria marcar um golo à Eusébio!” O regresso a casa trazia a explicação sobre o ícone, ainda tão perto e já tão longe.
Nunca fui de hiperbolizar mitos, seja em vida, seja depois do desaparecimento. Racionalizo e relativizo. Contextualizo e integro o relevo. Eusébio possui, todavia, o indiscutível dom da longevidade da memória: de um tempo e de uma identificação. Creio que Eusébio se ofereceu para uma espécie de “aquisição nacional”. Isso ultrapassou gerações. Agigantou-se, agigantou (de um certo modo) a pequenez de um país atrasado, fechado e diminuído e, depois, entregou-se à vida e ao que a vida lhe pudesse dar. Ultrapassou as fronteiras que se reservam (mesmo) a um predestinado. Mais tarde, quando saí do país para estudar, brilhavam o Sousa e o Rui Costa nas relvas italianas. Certo dia, um colega de residência franco-italiano, numa longa viagem de comboio, dissertava sobre os dons dos novos portugueses da “bola”, o início da geração de ouro. “Sem serem Eusébios, nota!” “Como assim, se nunca o viste a jogar?” “Muitos ficaram a gostar de futebol por causa dele. O que já vi e o que já li bastam-me. Não era bem um jogador, era mais um prolongamento de uma bola em campo. Fez muito por Portugal, não achas?” Surpreendido, acenei, afirmativo. Como se acena a algo de inexorável. Que se impõe por si.
A partida de Eusébio impôs novamente Eusébio. Redescobriu-se a sua dimensão. Sem que houvesse mesmo necessidade das metáforas infelizes, das tiradas senis e dos protagonistas de última hora. Mas, ao menos, como Eusébio bem merecia, sem que se notassem os fanáticos obsessivos das “cores”. E sem necessidade nenhuma de se discutir o Panteão. Isso é tema de políticos e de leis. Do que percebi ao longo dos anos, Eusébio não precisará disso. Consumiu-se em viver superiormente o escudo da bandeira. Foi por isso que o povo, longe da política e das leis, lhe deu o “panteão” da imortalidade."

Golo ao minuto 13, tinha de ser, não é?

"Eusébio não ouviu os que não respeitaram o 'seu' minuto de silêncio. Toda a gente sabe que vozes de burro não chegam ao céu...

Estádio da Luz cheio como um ovo para ver o clássico que encerrou a primeira volta da Liga 2013/14, ao mesmo tempo, dizer adeus a Eusébio (como se isso fosse possível...), ou seja, uma tarde de emoções fortes. Aos jogadores de Jorge Jesus a nação encarnada exigia uma vitória, em nome do Rei, e esta acabou por concretizar-se, categórica. Na tarde em que todos foram Eusébio (feliz a ideia de colocar em todas as camisolas benfiquistas o nome do King), nenhum jogador encarnado se cortou, primando (se calhar sem o saberem) pela entrega que esteve na base da expressão, velha de muitas décadas, jogar à Benfica.

O MINUTO 13
Rodrigo coloriu o placard, com um pontapé eusebiano, quando o relógio de Soares Dias navegava pelo 13.º minuto. Devia estar escrito nas estrelas que o número 13 tinha de ficar associado à tarde do adeus, na Luz, a Eusébio.
No Mundial de 19966 os números dos jogadores da Selecção Nacional foram sorteados e a Eusébio calhou o 12. O King não gostou e pediu a José Augusto, que tinham ficado com o 13, para trocarem. E assim foi, Eusébio não quis saber da crença de azar associada ao 13 e foi com esse dorsal que conquistou Inglaterra.
Ontem, foi ao minuto 13 que o Benfica passou para a frente no marcador, em homenagem, tenho a certeza, ao número 13 mais famoso de sempre: Eusébio.

O MINUTO 71
Passava o minuto 71 (foi com 71 anos que Eusébio se despediu da vida terrena) quando o estádio da Luz explodiu, cantando, «Tu és o nosso Rei, Eusébio». Foi mais um momento intenso, quiça para entrar na rotina dos adeptos encarnados, uma tradição que pode ter começado ontem, forma eficaz de homenagear o King em todas as partidas.

O MINUTO 90+3
Quando acabou o jogo, os futebolistas de Benfica e FC Porto, que durante a partida souberam respeitar-se, trocaram camisolas e cumprimentos, num exemplo de fair-play que só pode ter agradado a Eusébio. E nem algum ruído durante o minuto que se queria de silêncio deve ter incomodado o King, até porque vozes de burros não chegam ao Céu.

(...)

EXEMPLO
Em todo o processo decorrente da morte de Eusébio, o Sporting comportou-se com inexcedível elevação. E o comportamento australopiteco de uma minoria, no Estoril, não deve beliscar, minimamente, a nação leonina. Aliás, como imagem prova, Eusébio sempre respeitou o Sporting (até mal-entendidos foram, em tempo útil, resolvidos). A ponto de não hesitar em envergar o jersey verde-e-branco, que trocou com o seu irmão Hilário da Conceição (uma das maiores figuras da história do Sporting), após uma final da Taça de Portugal.


Vale a pena lembrar e relembrar
«Eusébio não foi apenas um dos melhores jogadores de sempre. Foi um desportista, como provou ao aplaudir Alex Stepney pela sua defesa na final da Taça dos Campeões Europeus...»
Sir Bobby Charlton, ex-jogador do Manchester United
A três minutos do fim do tempo regulamentar da final da Champions de 1968, (Wembley, Manchester United-Benfica), Eusébio isolou-se e disparou fortíssimo. Stepney, guarda-redes dos red devils, fez a defesa de uma vida e o jogo foi para prolongamento (que os ingleses venceram). Naquele instante, que fez Eusébio? Bateu palmas a Stepney...

(...)"

José Manuel Delgado, in A Bola

Um triunfo categórico

"Os encarnados eclipsaram o FC Porto como há muito não se via.
Se a vitória do Benfica era desfecho a considerar, de entre as outras hipóteses que restavam, igualmente aceitáveis, já a forma clara como ela foi alcançada é que não estaria nas previsões gerais. O FC Porto sempre constituiu adversário de respeito e, mesmo em fases ditas de menor acerto, soube dar a volta à situação e, em muitos casos, impor a sua lei. Na Luz que fosse. Não foi, contudo, o caso de agora, como já não tinha sido no jogo de Alvalade, embora aí, com um "nulo" milagroso, tivesse conseguido evitar o desaire.
Depois de um minuto de silêncio, apenas interrompido pelos energúmenos do costume, deu-se início à função. As duas equipas apresentaram os "onzes" que, com ligeiríssimas alterações, já se esperava. No Benfica, Jesus manteve Oblak na baliza, Matic e Enzo foram o "pulmão" do conjunto, que contou com a ajuda de Markovic e Gaitán, nas faixas, além de Rodrigo e Lima, na frente. O FCPorto inovou apenas com a chamada de Otamendi (saiu Maicón), na defesa, conservando Lucho e Fernando no meio, Carlos Eduardo na posição de apoio a Jackson e Varela e Licá, nos flancos.
O Benfica mostrou desde logo maior solidez na manobra a meio-campo e se um centro de C. Eduardo ainda provocou algum alvoroço, Markovic depressa se encarregou de o fazer esquecer. O sérvio teve uma arrancada, como aquela que fizera em Alvalade, só que aqui, em vez de concluir com remate, terminou com um passe de génio para Rodrigo. Alguma lentidão de Danilo e um pontapé fabuloso do espanhol fizeram o resto. Aos 13', o Benfica passava a ganhar por 1-0 e a denunciar então o à-vontade necessário para se impor a um adversário muito encolhido e sem grandes ocasiões para servir com perigo o desamparado Jackson, ainda assim o mais perigoso dianteiro azul e branco.
Ambos os técnicos não mexeram nas equipas ao intervalo e seria o Benfica a reiniciar melhor o jogo, através de uma maior clarividência na zona intermediária, que permitia aos encarnados sair com mais frequência com a bola controlada. Markovic voltou a testar Helton e, da pressão então exercida, nasceu o 2-0, na sequência de um canto de Enzo. Foi seu autor Garay, antecipando-se a Mangala e Helton, muito mal na saída da baliza.
Toque a rebate no FC Porto. Entrou Quaresma, que assim regressava ao futebol português após longos anos de ausência, mas esteve longe de constituir solução. De resto, a partida atravessava nessa altura o seu momento mais efervescente. O árbitro, até então muito contido nos cartões, mostrou quatro de uma assentada, três dos quais para os jogadores visitantes.
Mas não podem estes queixar-se do excesso de cartolina, já que uma mão clara de Mangala, em plena área, ficou por assinalar, o que poderia ter tornado tudo ainda mais difícil para o FC Porto. Paulo Fonseca tentou ainda injectar frescura, com a troca de Lucho por Josué, mas a expulsão de Danilo, por acumulação (simulou "penalty" em lance com Garay), voltaria a deitar tudo a perder.
A ganhar por 2-0, o Benfica fez o que se impunha. Prescindiu de um avançado, no caso Rodrigo, entrando Rúben Amorim para reforçar o flanco e cortar de vez qualquer hipótese a um FC Porto, reduzido a 10, já sem grandes ideias nem capacidade física ou anímica para inverter a situação. Há já muito que o Benfica não ganhava ao FC Porto tão claramente na Luz."

Pequenos grandes sinais da vitória do Benfica

"Jorge Jesus não alterou a identidade da equipa. Porquê? Aprendeu? Quem fez a equipa foram os adeptos? Ou foi uma resposta a Vítor Pereira?
Não foi um Benfica – Porto igual a tantos outros! Foi muito diferente. Jorge Jesus não inventou! Por si só já seria a nota principal do derbie. Fica a dúvida se tem aprendido ou deixou-se ir pelos ‘pedidos’ dos adeptos. Ou como forma de reagir aos comentários de Paulo Fonseca ou Vítor Pereira. A verdade é que surtiu efeito. Benfica, ao contrário dos anteriores derbies, demonstrou mais querer. Melhor organização. E como costumava dizer o antigo jogador e treinador holandês Johan Cruyff, no futebol vence quem comete menos erros.
Vamos por partes. A carga emocional antes do jogo poderia beneficiar o Benfica? Poderia, mas não era garantido. Dependeria se Jorge Jesus iria ou não incutir essa vertente nos jogadores. Somos levados a crer que sim. E muito. Embora derbie seja derbie e o ponto motivacional estivesse certamente elevado para os dois lados. Nos anos anteriores, ser em casa do Benfica nunca foi sinal para que o Porto não apresentasse a mesma vontade de vencer que o Benfica. Ontem não aconteceu. O resultado do Sporting convidava o Porto a aceitar que o empate na Luz seria um mal menor? Parece. Se num Setúbal – Benfica critiquei Jorge Jesus por afirmar que o Benfica tinha apresentado uma dinâmica interessante quando o primeiro remate à baliza tinha sido aos 52’ de jogo, ontem o primeiro remate portista é feito no tempo de desconto da 1ª parte e em fora-de-jogo. Até lá apenas um lance na pequena-área dos encarnados mas sem remate ou algo parecido. E Paulo Fonseca falou em jogo equilibrado…
Seria interessante perceber porque nos últimos 15 minutos, com um homem a menos, o Porto teve mais posse de bola. E construiu alguns lances. Porque o Benfica optou por entregar constantemente a bola e chutar para a frente. Abdicou da sua identidade até ali. Nunca conseguiu de facto ‘matar’ o jogo. E Jorge Jesus, o Fejsa ia entrar aos 92’ para quê? Ser mais um André Gomes?
Jorge Jesus teve mérito na forma como alguns jogadores se entregaram para melhor? Gaitan e Markovic estiveram melhores a defender do que é usual. Carga emocional? Mediatismo do jogo? Mercado? A verdade é que são jogos diferentes, mas ao analisarmos as 14 jornadas anteriores e ao ver o jogo de ontem, estou convencido que ambas as equipas vão perder pontos. Ainda estão muito inconstantes. Benfica prepara-se para perder um ou mais jogadores. Porto busca ainda o equilíbrio e não saberemos se existirão mais entradas. A inclusão de Quaresma com poucos dias de treino e após uma longa ausência, é uma mensagem bem explicita para o balneário de descontentamento.
Neste momento temos um campeonato a três. Dá a ideia que temos um Benfica e Porto ainda aquém das expectativas e um Sporting que tem conseguido potenciar quase ao máximo as suas peças. Vem aí uma segunda volta agitada. Algumas saídas ou entradas e a juntar a isso, as competições europeias para o Benfica e Porto. Resta saber se na altura decisiva quem é que vai estar mais preparado emocionalmente."


PS: Coloquei aqui esta crónica essencialmente devido ao sub-título!!! É engraçado alguém reclamar que finalmente o Jesus não inventou num Clássico, como justificação para a vitória de ontem, quando na maior parte das vezes, a grande reclamação dos Benfiquistas com o Jesus, é exactamente a teimosia do treinador, de nos jogos 'grandes', não optar por uma estratégia mais conservadora (eu próprio já o fiz, algumas vezes...). Mais irónico ainda, é saber que esta conversa foi (e é) alimentada pelos últimos treinadores dos Corruptos, como justificação para os seus triunfos... tentando esconder as Proençadas, Xistradas e afins!!!
O único jogo dos clássicos que o Jesus 'inventou' - negativamente -, foi quando colocou o David Luís a defesa-esquerdo... e não devemos esquecer que para a Taça de Portugal, quando 'inventou' o César Peixoto ao lado do Javi Garcia a 'invenção' até saiu bem!!!
Ontem além de toda a carga emocional devido ao desaparecimento do King, a grande diferença no Benfica esteve na capacidade do Nico e do Markovic em fechar as alas; e no posicionamento do Maxi e do Siqueira que praticamente não subiram, e assim os Corruptos não aproveitaram as costas dos nossos laterais... como principal consequência o Matic e o Enzo, não foram obrigados a compensar as subidas dos laterais, algo que nos jogos anteriores faziam com frequência, abrindo espaço no meio... houve duas excepções na 1.ª parte de ontem, quando o Lucho recebeu a bola no meio, entre-linhas, completamente sozinho, e em ambas as situações, um dos nossos médios estava deslocado para a lateral...

domingo, 12 de janeiro de 2014

Justiça Divina !!!

Benfica 2 - 0 Corruptos

Grande vitória, grande ambiente, grande jogo, nem sempre bem jogado é verdade, mas com emoção, e muita raça... O Benfica, por todas as razões envolventes, foi muito superior, mas não é fácil jogar contra 14 !!! Invertendo as situações, com esta envolvência emotiva e técnica, jogando no Dragay, teríamos uma goleada histórica, com vários jogadores do Benfica expulsos...!!! Aposto...!!!

A(s) homenagen(s) ao Deusébio foram bonitas - o minuto de silêncio não foi totalmente respeitado pelos Corruptos, ao contrário do que está a ser veiculado, mas também não podemos ser muito exigentes... -, e o nosso Rei correspondeu!!! Pois, agora em novas funções, lá em cima, só pode ter sido o nosso Eusébio a dar um toquezinho - a quem tem responsabilidades no assunto... -, proporcionando um daqueles momentos de Justiça Divina: quando um penalty roubado ao Benfica (mais um...), foi transformado, na jogada imediatamente a seguir, num grande golo, após fuzilamento de cabeça, por parte do Garay!!! Lindo...!!! Deu até para gritar em jeito de desafio: anula este agora, anula...!!!
A grande dúvida era a utilização do Oblak e o joven Eslovaco não tremeu, também não teve muito trabalho, mas transmitiu segurança.
A defesa esteve implacável, a única oportunidade digna desse nome dos Corruptos, é um lance onde o Jackson está 1 metro em fora-de-jogo (mais uma vez!!!), mas desta vez a bola foi ao lado...!!!
O Matic soube responder à mentira publicada no Nojo (não sei como é que Benfiquistas continuam a comprar aquele papel higiénico!!!), até admito que o problema no joelho do Matic lhe tivesse a preocupar, agora ameaçar não jogar devido a suposto futuro contrato com o Chelsea, é absurdo. Grande jogo... Com o complemento perfeito Enzo: enorme!!!
Os alas tiveram menos participativos do que costume, as responsabilidades tácticas, equilibrando o número de jogadores no meio-campo assim obrigou... O Markovic no início andou um pouco distraído, mas com o decorrer do jogo, foi-se envolvendo mais no processo defensivo (com aquela excepção no início da 2.ª parte), e acabou por ser decisivo na ajuda ao Maxi... No golo do Rodrigo esteve fenomenal, o passe é de génio, de uma dificuldade enorme... Quando se apanha, com a bola controlada de frente para a baliza, é perigosíssimo, só tem que aprender a largar a bola no momento certo. O Nico talvez por não ter treinado durante a semana, retraiu-se um pouco ofensivamente, mas cumpriu...
O Rodrigo fez um jogo de enorme de esforço, correu, correu, correu muito, não foi só o grande golo, foi importantíssmo na marcação ao Fernando e nas subidas dos centrais dos Corruptos... O Lima continuou a demonstrar falta de confiança na finalização, mais do que qualquer outro, está a sentir a falta do 'amigo' Cardozo!!!
A arbitragem foi vergonhosa, como era esperado. O único lance que os Corruptos se podem queixar, é no erro em não ter dado a lei da vantagem, beneficiando o infractor, neste caso o Matic, mas a ânsia em mostrar um amarelo a um jogador do Benfica, cegou a visão periférica do Ladrão...!!! O fiscal-de-linha do lado do banco do Benfica, foi um grande aliado... a melhor oportunidade dos Corruptos é um fora-de-jogo escandaloso, que só por acaso não foi golo.. mas houve outros!!! Andou a perdoar amarelos, atrás de amarelos durante o jogo quase todo, é inacreditável como é que o Fernando só leva um amarelo nos descontos!!!

Campeões Nacionais... vários títulos !!!


Hoje, em Elvas, foram vários os Benfiquistas da nossa secção de atletismo, a festejar o título de Campeão Nacional de Estrada: o Rui Pedro Silva, e Dulce Félix venceram os títulos individuais, mas ambas as nossas equipas - masculinos e femininos - também se sagraram Campeões colectivos... Os Juniores masculinos também estiveram em grande, com vitória individual do André Pereira...


Vitória


Benfica 77 - 58 Algés
18-17, 23-10, 19-11, 17-20

Vitória esperada, e decidida cedo, evitando sobressaltos... Foi o regresso de vários Benfiquistas à Luz, alguns mais bem amados do que outros!!!

ADENDA: Espero que a lesão do Jobey Thomas não seja grave...

Bom jogo...


Benfica B 4 - 2 Beira-Mar

Mais um jogo agradável da equipa B, demonstrando mais uma vez as qualidades do nosso plantel, onde às vezes os jogadores se esquecem de jogar simples, complicando o fácil... parece que estão a jogar para a bancada (o Calado referiu exactamente isso...).
Defensivamente também confirmámos as nossas debilidades, e por isso o resultado esteve em aberto até aos descontos (4.º golo marcado aos 93 min.), até porque no ataque voltámos a falhar golos feitos, em catadupa, com especial destaque para o Cavaleiro!!!