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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

O Cantinho Benfiquista #224 - Tudo Menos Futebol 📱

Falar Benfica - Conversas Gloriosas #40

Rabona: Juventus, Inter & Benfica embarrassed... for different reasons

O Benfica Somos Nós - S05E44 - Real Madrid...

Valor vergonhoso... é barato ser criminoso!

Ou será uma questão de cor ?

Bernardices!!!



"O que vale é que a avaliação é sempre da mesma forma quando toca ao Benfica…Ainda há benfiquistas que comprem esta folha de couve???
Nem ao site deles devíamos aceder para não lhes dar cliques para sobreviverem!
Como eles dizem “O cliente tem sempre razão!”"

O Benfica, Pedro e o lobo


"Deixemos Vinícius e Prestianni para mais tardias núpcias, que o ruído ainda é maior que o esclarecimento. Mantenhamo-nos porém na Luz, noite de terça-feira: o Benfica teve razões objetivas de queixa da arbitragem.
Se o que todos vimos não bastasse, atentemos no que também se disse em Espanha: o Real deveria ter terminado o jogo com nove elementos. Acrescento eu: o período adicional da 2.ª parte não chegou para compensar as paragens no episódio de racismo e na expulsão de Mourinho, quanto mais as restantes pausas normais.
Acontece que, de tanto gritar todos os dias que há lobo, o Benfica corre o risco de poucos lhe ligarem, agora que o lobo apareceu mesmo.

De chorar por mais
A época do Gil Vicente pode terminar melhor ou pior, mas já é impossível classificá-la abaixo de notável.

No ponto
Alisson chegou a Nápoles para fazer, logo, o mesmo que já tinha feito no Sporting. Bom negócio ou precipitação?

Insosso
Um corte de relações com a Comunicação Social é sempre injustificável. As razões discutem-se, não se impõem.

Incomestível
Vem aí a meia-final da Taça de Portugal, portanto não se pode passar muito tempo sem os comunicados da ordem."

Rafa veio criar um problema


"Mais do que acrescentar, entrada do avançado no plantel dá a Mourinho uma dor de cabeça que (já) não existia. Golos e assistências Rafa conseguirá sempre, mas a dinâmica da equipa já se ressentiu

No meio do turbilhão que foi o Benfica-Real Madrid e o seu pós, com mais um episódio da longa sequela de casos com Vinícius Júnior como protagonista, pouco se falou de futebol. É pena. Se José Mourinho tinha tido muito mérito na forma como abordou o primeiro jogo contra o Real, na última jornada da fase de Liga, desta vez a equipa não soube desamarrar-se da teia espanhola.
Arbeloa aprendeu com a hecatombe de 28 de janeiro e soube fechar a porta ao Benfica, que pouco conseguiu criar. E, do banco, Mourinho não foi capaz de incutir outro nervo na equipa a partir do banco: Ríos e Lukebakio, sem ritmo para um jogo desta dimensão após tanto tempo parados, pouco ou nada acrescentaram. É certo que todo o contexto, por se tratar, agora, de uma eliminatória a duas mãos, obriga a outras cautelas e há um segundo jogo para jogar, mas há ilações que podem ser tiradas.
E é difícil, com base na meritocracia, encontrar justificações plausíveis para que Rafa tenha passado a ser titular e Sudakov suplente para jogar aos quartos de hora de cada vez, porque a eficácia do jogo do português depende muito da sua capacidade física e essa, depois de várias semanas sem jogar e em greve no Besiktas, está, nesta altura, muito longe de ser a ideal. Na noite de quarta-feira, de gala na Luz, Rafa passou completamente ao lado — e, por isso, a nota 3 na avaliação de A BOLA.
Um brutal contraste com o jogador que saiu há ano e meio e que se tinha tornado num especialista de Champions, carregando a equipa e assumindo a responsabilidade nestes grandes jogos, sobretudo na primeira época de Roger Schmidt (10 jogos, 5 golos e 1 assistência). Não duvido da capacidade individual de Rafa para somar, nos meses que faltam até final da época, golos e assistências e desatar jogos que estejam complicados, mas, já nem falando da razoabilidade do negócio em si, pagando para fazer regressar um jogador que ano e meio antes tinha (legitimamente) recusado renovar para mudar de ares, as peças não estão, por agora, a encaixar.
José Mourinho andou aos papéis durante largos meses, experimentando várias fórmulas que não funcionaram, até que as lesões de Lukebakio e Ríos permitiram descobrir a melhor versão da época do Benfica, com Sudakov nas costas de Pavlidis. Foi assim que a águia se tornou mais equipa, mais imaginativa e encostou o Real às cordas, a 28 de janeiro. Com Rafa, jogador de impulsos ao longo do jogo, a equipa perde clarividência na hora de se organizar no último terço."

Rui Costa, importa-se de repetir?


"Presidente disse que José Mourinho iria continuar no Benfica. Estas palavras, tão importantes, merecem outra pompa e circunstância.

O Benfica está de novo na luta pelo título de campeão nacional, muito por mérito de José Mourinho que conseguiu elevar internamente a fasquia e nunca permitiu que a época terminasse precocemente para os lados do Estádio da Luz, mesmo após as eliminações nas Taças da Liga e de Portugal.
Apesar de ter dado um passo atrás na UEFA Champions League, com a derrota caseira com o Real Madrid, na primeira mão do play-off de acesso aos oitavos de final, o Benfica está bem e recomenda-se, apesar da distância no campeonato para os dois primeiros: sete pontos para o FC Porto e três para o Sporting.
Num ápice uma equipa com limitações, como o próprio Mourinho admitiu, deu lugar «um bom plantel, equilibrado, com opções, com miúdos a aparecer a crescer», como frisou o treinador na conferência de antevisão ao jogo com os merengues. Nada mais correto.
Só como opções para as alas do ataque, das quais o special one tanto se lamentou e cuja escassez o levou a lá utilizar Aursnes, Sudakov ou Rodrigo Rêgo, tem agora os reforços Rafa e Sidny Lopes Cabral, mais os recuperados Lukebakio e Bruma, a que se juntam, ao que parece já adaptados à ideia de jogo, Prestianni e Schjelderup. Não há fome que não dê em fartura.
O Benfica tem muitas e boas opções para lutar pelo título até ao fim, bem como preparar o futuro, que no futebol, como se sabe, não pode ir muito além da próxima época. E esta, principalmente se os encarnados não se sagrarem campeões ou mesmo não terminarem no segundo lugar, que dá acesso às pré-eliminatórias da próxima UEFA Champions League, tornar-se-á ainda mais importante.
O mesmo será dizer que terá de ser planificada o quanto antes e, definitivamente, com um projeto claro e sustentado. E aqui a formação não pode ser descurada. Com tanto talento criado no Seixal, o plantel tem de constituído de forma a que os jovens tenham espaço para crescer. É que não basta lançar jovens apenas quando os consagrados estão indisponíveis…
No meio de toda a polémica do alegado caso de racismo entre Vinícius Júnior e Prestianni, quase que passou despercebida uma frase que considero muito importante para o futuro do Benfica. Questionado sobre a continuidade de José Mourinho no clube na próxima época, Rui Costa respondeu: «Sim, vai ficar.»
As palavras do presidente foram proferidas enquanto caminhava em passo acelerado, mas são tão importantes que têm de ser repetidas. O quanto antes e para bem de todos na Luz…"

Carta Aberta, a Prestianni


"Caro Gianluca,
Não te conheço pessoalmente, mas sei que és um jovem com idade para ser meu filho. Tenho até um filho um pouco mais velho do que tu.
Admiro muito o teu talento. Acho que és um prodígio de técnica, que apenas precisa de afinar o remate à baliza (e trabalhares muito) para te tornares um craque de dimensão mundial. Já o escrevi aqui, e não só aqui.
Abomino qualquer tipo de racismo. E sou, com imenso orgulho, sócio e adepto de um clube cuja maior lenda, com direito a estátua á porta do estádio, como tu sabes, é um negro: o grande Eusébio da Silva Ferreira. E cuja segunda maior figura talvez seja outro negro: o grande capitão e líder Mário Esteves Coluna.
Tenho a certeza que tu também não és um racista. Tenho a certeza que, no balneário, respeitas e és respeitado por gente de vários países, de diferentes etnias, e cujo estatuto é definido, não pela cor da pele, mas pela experiência, pela atitude e pelo talento. Na maior parte dos casos é assim o futebol. Felizmente.
Não ouvi o que disseste no relvado. Ninguém ouviu, excepto tu e aquele indivíduo a quem tenho dificuldade em chamar jogador profissional. Outros dizem que ouviram, mas as imagens disponíveis indicam que estão simplesmente a mentir. Para te prejudicar. Para branquear o comportamento miserável do alegado destinatário das tuas palavras.
Estás a ser crucificado por um mundo repleto de hipocrisia. Estás a ser atacado por pessoas que nem sequer estavam no estádio. Algumas nem sequer viram as imagens. Simplesmente, lança-se para o ar a palavra racismo, há um preto e um branco, e a partir daí já não interessa quem tem razão. Um é desde logo culpado e é para decapitar. Outro é desde logo inocente e deve ser beatificado. Mas a vida nunca é a preto e branco. É a cores. Com muitas cores. Como o vermelho da camisola que vestes (e essas são as únicas cores que me interessam). Com muita gente boa e má, sejam brancos, pretos, amarelos ou às riscas.
Podes até ter-te excedido nas palavras. Se aconteceu, vais aprender com o erro, e perceber o meio em que te movimentas, no qual um passo em falso tem efeito exacerbado e por vezes planetário. Eu, quando tinha a tua idade, não teria maturidade para lidar com uma situação deste tipo. Mas tu talvez já a tenhas, e tens o apoio e a protecção do clube, bem como de seis milhões de adeptos que, por boas ou más razões, acabaste de unir em torno de ti.
O que fizeste tu afinal? Tentaste, da forma que, mal ou bem, naquele momento entendeste ser a mais apropriada, defender o clube que representas. Em campo, interpretaste a indignação e o ultraje que adeptos como eu sentiam na bancada, ao ver atitudes nojentas de uma "super-estrela" mimada que - sendo bastante mais velho do que tu, ganhando bastante mais dinheiro do que tu, tendo muito mais responsabilidade do que tu - não tem carácter, nem merecia estar ali a jogar a Champions, ou a representar um clube como o Real Madrid. Em Espanha conhecem-no bem. E mesmo no seu clube, diz-se que há quem esteja farto dele. O problema não é a cor da pele. O problema é mesmo o cérebro, onde existirá pouca coisa. Já leva 21 episódios desta natureza. 21 !!!. Há milhares de futebolistas negros, e só ele (um dos mais ricos, um dos mais privilegiados) é que é sempre a "pobre vítima". Agora até num estádio que tem um negro como símbolo maior.
Tu, Gianluca, tens o meu apoio total e absoluto. Como, estou certo, tens o apoio total e absoluto do clube, do plantel e dos adeptos.
És um miúdo. Desculpa dizer-te isto, mas vejo-te ainda, assim como a alguns dos teus colegas, como uma criança. Tens a vida pela frente, tens um talento incrível que tens de saber aproveitar. Com o tempo e com a maturidade, talvez não te deixes cair em ratoeiras como a que te foi, e está a ser, montada. À semelhança, por exemplo, do que sucede com o teu companheiro Otamendi, como com o teu ex-companheiro Di Maria, ambos campeões do mundo pelo teu país. É neles que tens de pôr os olhos, é o exemplo deles, desde logo de profissionalismo, trabalho e humildade, que tens de seguir. Também de "esperteza", para não cederes a provocações. Para seres tu a ditar as leis. Para defenderes, com tudo, a tua equipa e os teus colegas. Para saberes sair por cima.
Jogas num grande clube. Estamos contigo. Trabalha muito, treina arduamente, joga bem, marca golos, e tenho a certeza de que o mundo acabará por te fazer justiça.
Força Prestianni!
Aceita um Abraço de um grande admirador do teu talento."

Não tapes a boca


"“Ó não, mais uma conversa sobre racismo.”“Não confundam coisas: futebol e política são distintas.”“Os insultos fazem parte, já ouvi pior.”“Não é tão mau como parece.”“Ele não sentiu o que disse.”“Será que ele disse mesmo isto?”“Ele estava a pedi-las.”“Eles estão sempre a provocar-nos, é assim há séculos.”
As frases mudam, mas esta história é antiga. E é também disto que falamos quando pensamos no que aconteceu a 17 de fevereiro, no Estádio da Luz.
A bola esteve cerca de três segundos nos pés de Vinicius Jr até bater no fundo das redes. Três segundos não são nada. Depois vieram os festejos, que pareceram uma eternidade. O tempo, sempre o tempo, a brincar connosco. E, logo a seguir, o inferno que se abateu sobre a Luz.
Bastaram algumas palavras. Escondidas. Talvez ditas em voz baixa. Talvez envergonhadas. E seguiram-se dez minutos de um procedimento obrigatório em casos de racismo (ou suspeita). O estádio reagiu como um organismo vivo. E não foi bonito. Muitos poderão não ter percebido o que se estava a passar. Outros perceberam perfeitamente: um jogador do Benfica acabara de ser acusado de racismo.
Valeram todos os truques retóricos: whataboutismo, ad hominem, falsas equivalências. Tudo serviu para normalizar o inaceitável. Atenção: o Prestianni, como qualquer pessoa acusada, tem direito à presunção de inocência. Acreditarei nisso até ao fim dos meus dias. Mas esse direito não implica desvalorizar quem acusa, muito menos transformá-lo em réu. Há um equilíbrio a ser protegido, chama-se investigação. E era isso que o Sport Lisboa e Benfica devia ter defendido desde o primeiro momento. Não o fez. Demorou horas a fazê-lo. Ou, mais precisamente, a corrigi-lo. Dir-me-ão que são apenas horas, face a séculos de racismo. E talvez tenham razão.
O que mais me dói é perceber que, mais uma vez, destapámos o que já sabíamos. O que se passa nas ruas, nos cafés, nas escolas, nos campos de treino, no supermercado, nas finanças. Em todo o lado. O racismo, incluindo o estrutural, não nasceu ontem. Vive entre nós, em expressões, gestos e silêncios. 
O que custa é perceber que, por cada momento em que parecemos avançar, há outro que prova que mudámos pouco. Isto não é apenas sobre o Prestianni. É sobre as centenas de reações que se seguiram. Amigos que negam. Conhecidos que relativizam. Anónimos que amplificam. Vimos crianças a imitar macacos. Em 2026.
Vimos idosos a fazer sons de primatas (ou talvez apenas estivessem “a falar entre si”). Tudo isto aconteceu no meu estádio. Na minha segunda casa. Repito: isso dói.
E não, isto não é um problema só do Benfica. Nem de Lisboa. Nem do futebol. Nem do desporto. Nem de alguns “energúmenos”. É um problema global, transversal, antigo. Uma doença com séculos, para a qual não encontramos cura porque muitos insistem em não ir ao médico.
Voltando às frases iniciais: haverá sempre uma desculpa pronta para justificar o que se repete à nossa volta. Mas cada desculpa permite que o problema se espalhe mais um pouco. Enquanto houver uma criança a simular gestos de macaco dirigida a um jogador, não haverá Eusébio, Coluna ou Anísio que nos salve. Porque o racismo não se mede pela forma como tratamos os nossos, mas pela forma como tratamos o “outro”. E pela empatia que somos capazes de ter por uma luta que carrega séculos de violência, sofrimento e morte.
Por isso, da próxima vez, não tapes a boca. Porque, hoje, já não basta não ser racista. É preciso ser antirracista. E dizê-lo em voz alta."

Se estivesse inocente dava dois estalos em Vinícius Jr.


"Tenho a certeza de que Prestianni não é racista. Mas admito que possa ter dito uma frase racista. Só ele sabe. Sei que muito do que se passou é de mau gosto... Que a intolerância deve ser com TODAS as formas de discriminação. Se Vinícius tiver razão, Prestianni que peça desculpa; se o argentino falar a verdade, estão a reação do próprio e do Benfica foi muito mole... 

«A ignorância não é apenas ausência de conhecimento, é recusa em compreender», frisa Umberto Eco, cujo décimo aniversário da morte se assinala esta quinta-feira. O escritor, filósofo, professor e semiólogo italiano falava da ignorância como «o terreno mais fértil ao ódio». De resto, «a intolerância nasce frequentemente da ignorância».
Evoco Umberto Eco ao ler e ouvir tudo o que se tem escrito e dito sobre o alegado insulto racista de Prestianni a Vinícius Jr. Racismo é ignorância, sim, mas é também medo de abraçar a diferença e enriquecer com isso; é o exercício ignóbil da ofensa com base numa característica genética. É discriminação. E todas são abomináveis: cor de pele — sejam brancos, negros, vermelhos, amarelos ou castanhos —, religião, orientação sexual, peso, nível económico, etc. Todas as formas de discriminação devem provocar o mesmo grau de indignação.
Não sei se Prestianni chamou «macaco» a Vinícius Jr. Mas digo que não apreciei a reação mole do Benfica — que quer provar em vídeo que os jogadores do Real Madrid não podem ter ouvido o que disseram que ouviram — nem a defesa de Prestianni — que garante que não insultou o avançado brasileiro e acrescentou que «interpretou mal algo que pensa ter ouvido». Meus amigos, se qualquer um de vós que me lê neste momento fosse injustamente acusado de racismo perante o mundo inteiro e com poder para danificar irremediavelmente a imagem… como reagiriam? A lamentar que possa ter sido mal interpretado? Que ninguém pode ter ouvido? Ou, como filho de boa gente, haveria de sentir o sangue a ferver e dar dois sopapos na cara do mentiroso?
Também não gosto que se acuse Vinícius Jr. de ser uma espécie de rei das queixinhas de racismo... Até poderia ser, mas a única questão é: foi alvo de racismo ou inventou? Tudo o resto é fumo para não se responder ao essencial.
Acredito que Prestianni é racista? Não. Não faz sentido. Tem companheiros negros na equipa, por quem dá tudo em campo. Tem adversários negros e, a ter insultado, terá escolhido apenas um alvo. Acredito que uma pessoa que não é racista pode ter comportamentos racistas — talvez porque não teria gostado da forma como Vinícius Jr. festejou o golo, que os adeptos e jogadores do Benfica terão considerado insultuosa. Se Vinícius Jr. fosse gordo, seria chamado de pote de banha; se usasse óculos, «seria caixa de óculos»; se usasse batom para o cieiro, seria insultado de gay... O facto de ser mais um desabafo e um protesto do que uma tentativa de insulto racista atenua? Nada.
Atenção: o racismo e o antirracismo, por vezes, podem cruzar-se em terreno perigoso: o da intolerância. Este é um caso em que nem é preciso começar a ensinar no infantário que todos os seres humanos são iguais: todas as crianças o sabem até desaprenderem com maus exemplos. O racismo é ignóbil. Também já o senti.
O ator Morgan Freeman perguntava um dia: sabem quando sabemos que o racismo desapareceu? No dia em que não for preciso falar dele. Sonho com o mesmo dia.
Não é do nosso julgamento que Prestianni tem de ter medo: é do da consciência. Se for culpado, que peça desculpa, aprenda e siga em frente — não gosto de sentenças para a vida inteira; se está inocente, a minha solidariedade — é horrível essa acusação."

Provocação não é permissão


"Este artigo não pretende ser mais um que discute se Gianluca Prestianni teve ou não um comportamento racista perante Vinícius Júnior, até porque com o que podemos observar pelas imagens é impossível assegurar se disse ou não disse e exatamente o que disse. Quero, antes, fazer uma reflexão sobre muito do que se tem dito e escrito sobre o tema, não só no contexto desportivo, mas também em toda a reflexão que alguns discursos nos merecem, inclusive do ponto de vista societal. Afirmações essas que para mim merecem tanto ou mais destaque que o ato em si.
Depois do episódio ocorrido terça-feira, 17 de fevereiro, no estádio da Luz no jogo entre Benfica e Real Madrid da primeira mão do play-off de aesso aos oitavos de final da UEFA Champions League, tenho ouvido algumas declarações que colocam o comportamento (por muitos visto como incorreto e provocatório) de Vinícius Júnior como a causa quer do comportamento de Prestianni quer dos próprios adeptos através do arremesso de objetos que se dirigiam ao jogador.
Destaco algumas das afirmações a que me refiro, por exemplo de José Mourinho: «Disse a Vinícius, de modo independente, que quando um jogador faz um golo daqueles sai em ombros. Não se vai mexer com um estádio ou com o coração do estádio do adversário. Como se diz em Espanha, quem faz golos daqueles corta rabo e orelha e não acaba o jogo e ele acabou com o jogo», ou também do treinador quando questionado sobre se o atleta teria contribuído ou incitado o arremesso de objetos por parte dos adeptos: «Sim, acredito que sim. Infelizmente, ele não se contentou em marcar aquele golo espantoso. Quando se marca um golo assim, celebra-se de forma respeitosa. Disse-lhe que a maior figura da história deste clube era negra. A última coisa que este clube é, é racista.»
No mesmo sentido foram as palavras do árbitro inglês Mark Clattenburg: «O problema é que Vinícius não se ajudou muito a si próprio. Tornou as coisas mais difíceis para o árbitro. Marcou um golo maravilhoso e o que tem de fazer é comemorar, mas depois voltar para o seu campo. Tornou esta situação muito, muito difícil.»
O arremesso de objetos contra o atleta é visível e inegável, o ato racista de Prestianni ainda não está devidamente analisado para percebermos a sua exatidão, contudo, e independentemente da sua veracidade ou não (fator que deveria ter levado os intervenientes a acautelarem o seu discurso), uma coisa é certa: colocar a totalidade do ónus do nosso comportamento no outro é demasiado redutor.
A ideia de que o comportamento gera comportamento não está errada, mas cingir o comportamento humano a processos mecanicistas, com todo o desenvolvimento cognitivo do ser humano é minimalista. Esta relação não é direta, até porque podemos e devemos incluir consciência nos nossos processos emocionais.
Ou seja, responsabilizar o comportamento antecedente da vítima para justificar comportamentos de agressão não é correto e é perigoso. Não só no mundo do desporto, mas também, e principalmente enquanto sociedade jamais poderemos aceitar este discurso.
É verdade que o comportamento antecedente e o contexto podem permitir compreender, inclusive do ponto de vista científico, o que gerou determinado comportamento, mas nunca, em tempo ou situação alguma, esse comportamento prévio, por incorreto que possa ser, pode desculpabilizar, justificar ou tornar aceitável um comportamento de agressão, seja verbal ou física.
Não vivemos numa sociedade primitiva, onde os impulsos não são controlados e achamos isso normal, procurando culpados ou responsáveis pelos atos incorretos. Se Vinícius Júnior teve um comportamento provocatório aquando dos festejos do golo, como alegado, pois bem, o mesmo foi castigado pelas leis vigentes, neste caso desportivas, com o respetivo cartão amarelo.
Isso em nada legitima nem desresponsabiliza qualquer ato violento ou agressivo que possa ter sido praticado após esse momento, devendo os mesmos ser igualmente penalizados de acordo com as leis vigentes.
As palavras nunca são neutras, sobretudo quando proferidas por figuras com autoridade e influência pública. No desporto de alta competição, onde milhões observam, repetem e amplificam discursos, a forma como interpretamos e explicamos comportamentos tem impacto real na cultura que construímos.
Questionar um festejo é legítimo, utilizá-lo para normalizar a agressão não é. Quando agentes desportivos deste nível sugerem, ainda que indiretamente, que alguém se colocou a jeito, contribuem para uma narrativa perigosa de diluição de responsabilidade."

UFC?!!!

Resumo...

Sim, já mentiu...

Os inimputáveis

Hermano...

Narrativas...