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terça-feira, 21 de outubro de 2025
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O Desporto português e a arte de pedir sem convencer!
"Mais uma vez escrevo sobre este tema.... O desporto português sofre de um problema de auto-respeito. Década após década, repete-se o mesmo ritual: dirigentes a pedir mais dinheiro, ministros a prometer o que podem e no fim, todos a queixarem-se de que o Estado dá migalhas. E dá mesmo. Mas há uma pergunta que ninguém quer enfrentar: o que é que o desporto faz para merecer mais do que migalhas?
A verdade é dura, mas necessária: o desporto nacional continua preso à lógica da mão estendida, não da mão que constrói. Pede-se mais, mas raramente se apresenta um plano. Pede-se orçamento, mas não se mostram resultados. Exige-se apoio, mas não se oferece visão.
Há dias li, no Público, um artigo assinado por um dirigente desportivo, mais um que retoma o discurso do costume: a “necessidade urgente de mais apoios”, sem uma linha sobre o que fazer com eles. Sem metas, sem visão, sem KPIs. É a velha escola da mão estendida: a crença de que o problema do desporto português é apenas a falta de dinheiro, e não a falta de estratégia. o autor segue a tradição inaugurada por quem, há décadas, criou verdadeira jurisprudência nesta matéria o antigo presidente do COP arrastando toda uma classe dirigente.
Mas o desporto português não precisa de palmadinhas nas costas. Precisa de respeito. E o respeito não se mendiga conquista-se.
De facto os números não mentem: nos últimos 25 anos, o número de praticantes duplicou, enquanto o financiamento real encolheu. O Estado pede mais com menos e muitos clubes e Associações estão hoje à beira do colapso. Algumas medidas óbvias que o referido dirigente preconiza continuam por tomar: redistribuir parte do imposto especial do jogo online (mais 13 milhões por ano), aplicar IVA a 6% nos bilhetes de espetáculos desportivos, equiparando-os aos da cultura. Mas, no fim, o que se propõe é apenas mais um SNS do desporto, uma máquina pública sem estratégia, feita para sobreviver, para triturar recursos e não para evoluir.
O poder político, por seu lado, continua a ver o desporto como um luxo simpático, um adereço social que só ganha importância quando alguém traz uma medalha. Entre Jogos Olímpicos, e Campeonatos do Mundo e depois regressa o silêncio. E nesse silêncio, repete-se a ladainha: “precisamos de mais meios”.
Mas o problema não está apenas em quem decide. Está, sobretudo, em quem pede. O desporto português ainda não aprendeu a falar a linguagem que convence quem tem a caneta do orçamento: planeamento, metas, retorno social e económico,
sustentabilidade. Em vez de apresentar projetos com impacto, apresenta listas de necessidades. Em vez de indicadores de sucesso, apresenta queixas.
Nos países que levaram o desporto a sério — Reino Unido, Austrália, Noruega — o investimento público não cresceu por generosidade, mas por método. Planos plurianuais, metas mensuráveis, governação profissional, accountability. Resultado: medalhas, sim mas também sistemas desportivos sólidos, que geram valor económico, reduzem custos na saúde e reforçam o tecido social.
Em Portugal, o desporto continua a viver à boleia dos ciclos políticos. Confunde financiamento com favor e investimento com subsídio. E enquanto não se afirmar como causa estratégica nacional, com um plano a dez anos e resultados tangíveis, continuará a sobreviver de “migalhas com cerimónia”: palmadinhas, selfies ministeriais e promessas recicladas.
Chegou a hora de mudar o paradigma. Deixar de pedir e começar a convencer. Trocar a mão estendida por uma visão estendida sobre o futuro.
Em nota de rodapé e para os nossos Governantes, o verdadeiro investimento começa quando o desporto português deixa de ser um apelo emocional e passa a ser uma estratégia nacional."
Será agora que a máquina arranca, Ruben?
"Aleluia! Pela primeira vez desde que chegou a Manchester, o seu treinador ganha duas vezes seguidas para a Premier League. E logo em Anfield, casa do campeão inglês em título...
Será agora, Ruben? Será agora que, por fim, o Manchester United engrena e faz uma época ao nível de outros tempos? Ninguém sabe. A verdade, porém, é que o triunfo em casa do Liverpool (o 2-1 chegou pela cabeça de Maguire, o Coates dos red devils de Amorim), campeão de Inglaterra em título, teve muito de surpreendente e de heroico. Três pontos semelhantes a tantos outros que, em 2020/2021 — quando se sagrou campeão nacional pela primeira vez ao serviço do Sporting —, Ruben Amorim foi somando aqui e ali. Em Alvalade, por exemplo, houve jogos em que o fator Amorim apareceu: frente ao Farense (Sporar fez o 1-0 aos 90+1), contra o Benfica (Matheus Nunes marcou o 1-0 aos 90+2), diante do Santa Clara (Coates fez o 2-1 aos 90+3, depois de Costa ter empatado aos 84), frente ao B SAD (Coates reduziu para 1-2 aos 83 e Jovane Cabral fez o 2-2 final aos 90+5) e ainda na vitória sobre o Gil Vicente, em Barcelos (Coates marcou aos 83 e aos 90+1, invertendo o 0-1 para 2-1).
Ruben Amorim já vivera outros momentos altos nestes mais de 11 meses ao comando do Manchester United. Como, por exemplo, ao sétimo jogo pelos red devils, quando foi vencer a casa do rival City — então campeão inglês e futuro campeão europeu — com Bruno Fernandes e Diallo a virarem o resultado nos minutos finais (aos 88 e 90), transformando o 0-1 num 2-1 memorável. Porém, logo depois, seguiu-se uma série negra de quatro derrotas consecutivas: 3-4 com o Tottenham, 0-3 diante do Bournemouth, 0-2 frente ao Wolverhampton e 0-2 com o Newcastle. Já esta época, o United recebeu e venceu o Chelsea por 2-1, mas voltou a cair na jornada seguinte, perdendo com o Brentford por 1-3. Agora, finalmente, a equipa soma duas vitórias consecutivas na Premier League — algo que ainda não havia conseguido em 35 jornadas sob o comando de Amorim.
A pergunta faz mesmo sentido: será agora, Ruben? Será agora que, por fim, o Manchester United engrena e faz uma época ao nível de outros tempos? Até ao final de 2025, o United não terá de enfrentar Arsenal, City, Liverpool ou Chelsea. O jogo mais complicado, em teoria, será a receção ao Bournemouth, atualmente 4.º classificado da Premier League. O calendário restante inclui partidas em casa contra Brighton, Everton, West Ham, Bournemouth, Newcastle e Wolverhampton e deslocações a casa de Nottingham, Tottenham, Crystal Palace, Wolverhampton e Aston Villa. Onze jogos que, embora não possamos chamar de decisivos, serão fundamentais para definir a época 2025/2026 para Ruben Amorim, Bruno Fernandes e Diogo Dalot. Não se sabe se será mesmo agora, mas a verdade é só uma: Ruben Amorim merece, pela tenacidade e estoicismo demonstradas ao longo de 11 meses, ter um período com menos stress. Para já, vem aí o Brighton. Que já ganhou a City, Chelsea e Newcastle. Será mesmo agora, Ruben?"
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