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sábado, 18 de janeiro de 2025

Observador: Três Toques - Jorge Jesus, o parte corações

PortugueseSoccer #257 - Liga Match Day 18; Transfer Window; Portuguese Clubs Keep Losing Their Best Players

Yamal veio ao mundo para surpreender-nos a todos


"Jovem extremo do Barcelona nasceu para ocupar o vazio deixado por Messi e Cristiano Ronaldo, mais até do que Haaland ou Mbappé. E já está a assumi-lo

Lamine Yamal é a melhor notícia que o futebol de hoje pode ter. Digamo-lo baixinho, o suficiente para que não haja risco de que com a corrente de ar se parta, como aconteceu com o novo-Cristiano: Ansu Fati enchia litradas de ketchup com golos para depois as despejar, tal e qual o português, diante de qualquer adversário que ousasse sair-lhe ao caminho.
Só que as lesões empurraram-no para fora do trilho, perdeu o cognome, nome próprio e apelido, e hoje não há mais do que ténue esperança de que, um dia, volte a ser o mesmo e nos faça esquecer todo o tempo perdido. Se o guineense, nascido em Bissau e feito homem entre Sevilha e Barcelona, enquanto crescia e se via espanhol, foi traído pelo próprio corpo e talvez pela precoce sentença, não ousemos, para já, mais do que apenas murmurar, quase sem mexer os lábios, um «o rei está morto, viva o novo rei, o novo Messi da nossa vida» sobre aquele que desde muito cedo aponta ao céu.
Mesmo que não haja nomes, corpos e jogadores iguais e dois raios nunca caiam no mesmo lugar. Mesmo que não acreditemos em destino ou karma, ou sequer na ira dos deuses, de ressaca depois de mais uma rave no Olimpo, provavelmente organizada por Best e Maradona. Mesmo que só evitemos passar debaixo de escadas e amaldiçoemos gatos pretos escondidos de rabo de fora, debaixo dos automóveis ainda de motor quente estacionados ao lado do nosso, por mero hábito familiar. Ou fechemos as tesouras abertas e viremos os chilenos virados ao contrário pelo hábito de a avó materna seguir o diabo pela casa fora para esconder-lhe depois o rasto. Mesmo com tudo isso e mais alguma coisa, não podemos de nenhuma forma arriscar.
Yamal é o Messi do pós-Messi, do pós-apocalipse, e que ninguém lhe diga que não tem de fintar o mundo. Claro que tem. Que o finte. E, se possível, chegue à baliza e volte para trás para que o finte de novo, sem o castigo daquele vizinho do século passado que, miúdo, tropeçou numa raiz e caiu, corpo chapado e óculos à frente, em cima de restos de uma fogueira de santo popular, deixada para trás no meio do pelado, na altura também partilhado com espetáculos e jogos da apanhada. E romances menos futebolísticos.
Tomara que todos nós soubéssemos fintar o mundo. Mas, se não pudermos fazê-lo todos, pelo menos que o faça ele. Se o conseguir, sabemos que teremos genialidade que nos conforte durante a velhice, nos extraia da monotonia da nossa inevitabilidade, que continue a dar-nos razões para escrutinarmos o campo à procura de algo diferente, alternativo, não mainstream, e sobretudo inspire outros Lamines, como a mesma dose de irreverência e confiança, e, ainda, com a mesma infinita ilusão.
Com mãe da Guiné Equatorial e pai marroquino, Yamal cresceu a querer ser Messi no bairro de Rocafonda, que alberga extensa comunidade africana e onde hoje é ele o modelo a seguir. Não Léo, Lamine. A pulga argentina aí já caiu do trono. Mais. Ele é o símbolo de esperança de jovens ligados por forte identidade, simbolizada em três números, muitas vezes presentes nos festejos dos seus golos: o 304, últimos dígitos de um código postal. 08304, Rocafonda, Mataró, Catalunha.
O Barcelona foi-se abaixo sem ele, porém agigantou-se de novo assim que recuperou a forma e voltou a querer fintar este mundo, o outro e os arredores. Entre os dois momentos duas goleadas em forma de lição ao eterno rival Madrid. Foi ele quem deu a contundência a Casadó, a Gavi, a Pedri, quem deu a corda a Raphinha, trinta vezes mais jogador do que o passou por V. Guimarães, Sporting, Rennes e Leeds – e um caso de estudo precisamente pelo tanto que evoluiu –, para ambos a esticarem em conjunto até Lewandowski. Um ataque infernal.
Ter bola e ir para cima. Fintar. Abrandar. Acelerar. Dar dois passos e rematar. Um, dois passos e cruzar largo. Bola a cair ao segundo poste. Alguém toca? Que ninguém toque! Acelerar. Virar para dentro. Atirar. Em arco. Combinar. O bruá. Tantas saudades de Camp Nou! Um, dois. Tricotar. Passar. Um. Dois. Três. Esperar o momento certo e… Courtois totalmente fora dela. Novo bruá. Ra-ta-ta! De qué planeta viniste? Génio, génio...
Quanto de Messi há em Lamine ninguém saberá. Quanto de Diego em Léo, de Diego em Lamine? É impossível que não haja nada. Mais até do que em qualquer outro projeto que apareça. Contudo, se aparecer, tenho de estar desperto. Lúcido.
O problema é ter de bater na madeira para quebrar qualquer mau olhado sussurrado à distância. Por ser único, temos medo até que se constipe, que se estrague. Pergunto: será que os preparadores físicos não duvidam às vezes se estão a tomar as decisões certas e a exigir os comportamentos corretos? Se músculo a mais (e não mais músculo) não abrandará a velocidade ou retirará a elasticidade, a capacidade de mudar rapidamente de direção?
A fragilidade física de Lamine é a sua maior força e, felizmente, na Catalunha privilegia-se o cérebro à idade ou à experiência. Não seria fácil ter um Yamal com esta idade e já tanto conquistado noutra equipa no mundo, à exceção, claro, do Ajax. Em Portugal, por exemplo, onde se prefere idade à qualidade – e basta olhar para os casos de Vitinha, Mora, Schjelderup e Prestianni –, seria, sem ilusões, impossível. Há sempre alguma coisa. É demasiado baixo. Ou magro. Lento. Tímido. E enquanto acontece, os nossos adversários sorriem perante a proliferação de tantos Velhos do Restelo.
Cristiano foi gigante, Messi consegue entrar em todas as discussões para melhor de sempre e ganhar muitas delas, e Yamal será apenas Yamal. É contexto, a soma de culturas e experiências, e uma alma, porque almas admito, mesmo sem ter espaço na minha vida para céu e inferno. A dele propõe-se a dominar o mundo. Mais do que Mbappé ou Haaland. Acredito que irá consegui-lo. Porque antes de ser o novo Messi já era Lamine Yamal, batendo até aí recordes de precocidade. Não há dúvidas de que o miúdo chegou para nos surpreender a todos e algo me diz que ainda não parou."

Fruta e café com leite!!!


"Hoje foi um dia pródigo em revelações, sobre as quais nem me vou aprofundar muito, irei fazer o mesmo que os jornais irão fazer em relação ao assunto, de uma levada ficamos a saber o seguinte:
MERCADO DE BENFICA - blog criminoso que difundia o produto de um crime informático é, em tribunal, confirmado como sendo da autoria de Rui Pinto aka “Paladino da justiça desportiva”, algo que ele sempre desmentiu…mas que agora assumiu em tribunal…fantástico;
AUDITORIA FC Porto - 50 milhões em paradeiro desconhecido, pagamentos em casas, €€€ etc etc a Macaco líder e companhia, 2 milhões a empresas de scouting que nunca entregaram um relatório sequer…
O que retiro disto tudo??
ERA MUITA FRUTA E CAFÉ COM LEITE!!
Que durante 6 anos o Benfica foi acusado, pelos rivais, das práticas criminosas destes, daí o elevado grau de conhecimento de ambos os clubes sobre as matérias, no entanto, enquanto o Benfica viu a sua “vida” devassada na praça pública, Porto e Sporting eram metidos como os “reis” da isenção, das boas práticas, que faziam um favor ao futebol português, graças a sua rede de influência alicerçada em papagaios e canetas de aluguer, que jamais, num país evoluído, seriam rapazes e raparigas de tirar fotocópias em redações quando mais serem comentadores ou experts em tudo e um par de botas!
Mas se aos dos outros clubes compreendias posições, já sobre os “nossos” só tenho a dizer, ganhem vergonha e tenham a coragem de agora vir a terreiro pedir DESCULPA, não a mim, não aos outros Benfiquistas, mas sim ao BENFICA, por tanto o terem maltratado para proveito próprio!
O melhor estava mesmo para vir, e ainda há-de vir ao de cima muito mais, coragem houvesse para se vasculhar a casa verde e branca de fio a pavio e a azul como deve ser desde há 40 anos atrás, com um bocado de sorte ainda se encontrava o revólver com que o Mesquita Alves se “suicidou”!!!"

Pois, imaginem que tinha sido na Ti Matilde, com o Benfica?!

"O senhor que aparece neste vídeo é Pedro Cardoso, proprietário do conhecido restaurante Solar dos Presuntos.
Pedro é um conhecido sócio do Sporting CP - que até se "gaba" de ser, a par de uns amigos, um dos impulsionadores para Frederico Varandas se apresentar às eleições do Sporting -, que nesta publicação, numa outra rede social, conta, em jeito de piada, uma situação que ocorreu no seu espaço comercial, na qual uns alegados clientes se fizeram passar por árbitros para não pagarem a conta do que consumiram.
Ora, Pedro explica que os alegados árbitros pediram para endossar a conta ao Sporting CP e quando tentou contactar o clube leonino disseram-lhe que não é um hábito do clube ter conta aberta em restaurantes para árbitros desportivos.
As questões que fica no ar são:
▶️ No restaurante Solar dos Presuntos têm por hábito receber árbitros para fazer refeições a "mando" do Sporting?
▶️ Se não, porque aceitaram desta vez?
▶️ O Pedro costuma aceder a este tipo de pedidos sem pestanejar?
▶️ Não teve curiosidade em ligar primeiro para o Sporting para confirmar o pedido dos alegados árbitros?
É que dá mesmo a sensação de ser uma prática comum naquele espaço. Ainda por cima este tipo de "clientes" poderiam, num futuro, criar situações menos claras para o seu restaurante.
Talvez um dia alguém se lembre de lhe perguntar..."

Kit Almoço!

E na FPF, alguém tem alguma coisa a confessar?!

Supreendente?!


"Os resultados da auditoria que ontem foram conhecidos, as irregularidades em negócios que terão prejudicado o FC Porto em mais de 50 milhões de euros e os milhões que permitiram que fossem desviados para alimentar a sua guarda pretoriana deviam chocar todos aqueles que beijaram o chão que Pinto da Costa pisava. Todos, mesmo aqueles que aplaudiam, que condescendiam e ajudaram a esconder práticas ruinosas de gestão desportiva e financeira.
Hoje, sabemos que muitos deles se tornaram, subitamente, em críticos do antigo presidente. Muitos, muitos anos depois.
Dados mais relevantes da auditoria:
▶️ 5M€ indevidos correspondentes aos Super Dragões (bilhetes, viagens de férias, etc).
▶️ 50M€ pagos a mais em comissões no mercado de transferências.
▶️ 3,6M€ em despesas abusivas por parte de antigos dirigentes.
▶️ 47% de comissões em excesso nas transferências.
▶️ Vários mandatos de exclusividade por agentes (inclusive em jogadores-chave como Diogo Costa). ▶️Em 55 contratações, 51 não tiveram qualquer tipo de relatório Scouting ou documentação racional explicativa.
▶️ Mais de 2M€ pagos a empresas de scouting sem terem prestado qualquer serviço."

SportTV: NBA - S03E15

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

Antevisão...

BI: Antevisão - Famalicão...

Terceiro Anel #95 - Irracionalidade ou incompetência ou mind games?

El Mítico #122 - Champions League 24/25 - FC Barcelona (primera parte)

Vitoria, com reforço da liderança...


Benfica 5 - 1 Liceo

Depois do 0-0 da Corunha, este jogo também parecia que ia ser uma partida com poucos golos, mas a 2.ª parte acabou por regressar a normalidade...

Vitória...

Benfica 4 - 2 Lusitânia

Não foi o nosso melhor jogo, mas fomos justos vencedores, e o resultado até peca por escasso...

200

O Benfica pós-eleições: redesenhar objetivos e estratégias para a Liga dos Campeões


"Para regressar ao topo da Liga dos Campeões, os objetivos e as estratégias do Benfica devem ser redefinidos. As eleições de Outubro, terão de ser um ponto decisivo de viragem. Uma politica de continuidade, seria o triunfo das promessas adiadas sobre uma experiência de quatro anos. Para mudar de rumo, é preferível olhar para quem mais sabe do assunto. E em matéria de Champions, a opinião dos especialistas e os resultados convergem: o comandante dessa Liga é o Real Madrid.
No mesmo sentido, numa entrevista à Marca, a estrela do futebol mundial, Ronaldo Nazário, declarou: "o verdadeiro Bola de Ouro é Florentino Pérez". Pérez contratou Ronaldo em 2002, para reforçar o Real Madrid. dos "Galácticos". Presidente e CEO do Grupo ACS, um dos maiores no competitivo setor de Construção e Engenharia Civil, Pérez compreendeu precocemente que num mundo globalizado, o sucesso desportivo se joga na interseção entre o terreno de jogo, as atividades comerciais dos clubes e os investimentos.
Pérez conduziu o Madrid a uma dupla liderança: desportiva e económica. Das últimas dez edições da Liga dos Campeões, o clube venceu cinco. No Ranking das Receitas Operacionais, superou, em 2023/24, pela primeira vez na história do futebol, a barreira de um bilião de euros. Uma questão central, da qual importa retirar aprendizagens para o futuro do Benfica, é esta: como é que um clube espanhol, pode dominar consistentemente, no plano desportivo e no económico, os seus rivais britânicos, alemães, italianos e franceses, suportados por mercados económicos internos bem superiores ao espanhol? Como pôde ultrapassar a posição europeia relativa, que a sua condição teoricamente lhe atribuía? Pérez (um inovador que foi capaz de arrancar Figo ao FC Barcelona), chegou à Presidência com o Real Madrid quase em insolvência. Mas logo comunicou a sua ambição de transformar o clube no mais rico e mais bem-sucedido do mundo. Rompendo com as políticas dos seus predecessores, orientadas ao mercado doméstico, Pérez surfou a vaga da Globalização, fazendo do Real Madrid uma potência global. Uma equipa global, um reconhecimento de marca mundial e uma maciça e universal plêiade de seguidores. Para alcançar esse perfil, Pérez baseou-se no modelo clássico da NBA, o "Star Power", o poder de arrastamento de jogadores-estrela, aptos para ganhar no terreno de jogo e capazes de potenciar o valor económico da marca Real Madrid. Hoje, o Real Madrid é simultaneamente o dominador da Champions, o primeiro clube bilionário em receitas operacionais, o clube com maior número de seguidores nas redes sociais (411M em junho 2024) e o clube com maior número de visitas à sua Website (9M em média mensal). O Real está sediado em Madrid, mas Pérez expandiu a sua geografia tornando-a absolutamente global.
Num contexto em que as receitas de bilheteira (antes da reforma do Bernabéu) estagnavam e as relativas aos direitos televisivos abrandavam o seu crescimento, a captura global de receitas comerciais, tanto por via dos patrocínios, como as de merchandising e licenciamento, foi a rota estratégica trilhada para sustentar a dupla liderança, desportiva e económica. No centro desta estratégia, estiveram os jogadores nucleares do plantel, tanto pelo seu valor desportivo, como pelo seu potencial mediático. Na época em curso, só Mbappé acrescentou 150M de seguidores à massa madridista, além de um previsível record de venda de camisolas, ultrapassando CR7. Em que é que esta narrativa interessa para o futuro do Benfica? Importa, na medida em que certifica que a economia globalizada do século XXI, apresenta oportunidades e desafios novos, que requerem dirigentes experientes na competição empresarial internacional, atualizados e inovadores. Hoje, os jogadores de topo, portadores de um valor de marca (como o prematuramente transacionado João Neves) são personagens incontornáveis. Ninguém melhor que CR7, representou este futebol remodelado. No Real Madrid alcançou 450 golos (1 por jogo), vitórias na Champions e na Liga, "vendeu" 1M de camisolas no seu primeiro ano, gerou dezenas de milhões de euros em vendas de merchandising e direitos de imagem e empurrou o Madrid para todos os pontos do globo, graças à sua massa de seguidores (atualmente cerca de 1 bilião!). Numa etapa avançada da sua carreira, levou o Al-Nassr a ter 55M de seguidores nas suas redes sociais, cerca de cinco vezes mais que o Benfica. O paradoxo do Benfica atual é este: prometer anualmente aspirações europeias e depois vender recorrentemente os seus melhores jogadores. Como se observou acima, são realidades que colidem. Um real desígnio europeu sucumbe ao mercantilismo financeiro (Porquê? Para quê? Para quem?) As receitas operacionais devem assegurar o essencial da sustentabilidade do clube. As receitas extraordinárias deverão ser um complemento, e só terão valor estratégico se não debilitarem o sucesso desportivo corrente e não afetarem o potencial económico futuro. É sim urgente, reformar a estrutura de custos operacionais, para otimizar a Conta de Exploração do clube.
O Benfica tem infraestruturas de topo, estádio e academia, uma história lendária no futebol europeu, uma vasta massa de sócios e adeptos e pode contar com a diáspora portuguesa. Tem uma muito boa base de talento formada no Seixal, sob a direção de treinadores competentes, e tem contado, na primeira equipa, com alguns jogadores de elevado potencial desportivo e económico, que não tem conseguido reter. O círculo vicioso criado é claro: não se retem o talento (alegadamente) por falta de recursos, gerando-se escassez de recursos operacionais por falta de talento. E as épocas sucedem-se, habituando os benfiquistas a considerar uma meia-final da Liga dos Campeões como um fantasma. Mas é um erro. O sucesso na Europa é parte da nossa essência e temos de manter essa ambição viva e credível. Falta-nos alguém como Pérez, um líder de gabarito internacional, experiente e inovador, que transforme o enorme potencial do Benfica, em resultados desportivos e económicos de topo na Europa. As eleições estão próximas e o padrão de excelência da visão e da gestão de Pérez, deveria ser um referencial para as candidaturas."

Benfica: ver o mal sem olhar ao bem


"Todos os dias comemos o que está à frente do prato. Se no final da época houver banquete aparecerão todos para comer

O Atlético Madrid, goleado na Luz por 4-0 em outubro, vai numa série de 14 vitórias seguidas, lidera o campeonato espanhol, já tem 12 pontos na Champions e, no entanto, em Espanha, pelo visto e ouvido, perde-se muito tempo a falar do desastre do Real Madrid com o Barcelona e com o desastre das contas do Barcelona, das trocas e baldrocas nas inscrições de jogadores do Barcelona.
Diego Simeone, treinador do Atlético Madrid, no meio disto tudo, foi questionado sobre se sentia que o trabalho dele estava a ser reconhecido. E respondeu, mais coisa menos coisa, que não vive do elogio nem da crítica negativa, que conhece o valor dele e é feliz simplesmente por ter encontrado jogadores que se entregam a um objetivo comum.
Todos gostam de ser reconhecidos, Simeone também, e vem isto a propósito de lá como cá se ver o mal sem olhar ao bem. Não é exclusivo de Portugal ou Espanha, é próprio da natureza humana, uma doença da qual, provavelmente, todos padecemos, com maior ou menor gravidade.
O Benfica recuperou do erro da continuação de Roger Schmidt com a substituição por Bruno Lage e, não obstante ainda dominar nalguns espíritos, como o meu, a incerteza do que poderá produzir no jogo seguinte, aí está a lutar pelo título de campeão, em condições de continuar na Liga dos Campeões para lá da fase de Liga, qualificado para os quartos de final da Taça de Portugal e já com um troféu, a Taça da Liga.
Neste caminho imperfeito de altos e baixos, alguma coisa boa terá sido feita. Desde logo a construção do plantel. Mesmo deficitário em algumas posições — já escrevi, só para começar, que lhe falta um bom médio à imagem do melhor Matic — tem o melhor plantel em Portugal, com mais e melhores opções.
Dele ainda não foi retirado o melhor proveito e foi o próprio Bruno Lage a reconhecer que a equipa precisa de mais consistência. Manteve Di María mais um ano — só o melhor jogador da equipa, hoje incensado por aqueles que o quiseram destruir a cinzas na época passada. Mantém e talvez vá perder no fim da época o segundo melhor jogador da equipa — Otamendi, também vítima de pelotões de fuzilamento, provavelmente só valorizado depois de sair. Sem querer convencer quem convencido, mesmo com fragilidades, não custará reconhecer que alguma coisa terá sido bem feita.
É sempre mais fácil deitar abaixo que elevar, não será agora que vamos mudar, e duas derrotas seguidas abriram caminho a ataques que deviam envergonhar mais os perpetradores que os alvos. Ninguém está imune a crítica negativa, será sempre bem-vinda quando honesta e, já agora, construtiva, mais difícil (pensando bem, talvez não) é compreender quem, sob o manto da circunstância negativa, não consegue esconder segundas intenções. É só triste.
Todos os dias comemos o que está à frente do prato, esquecemos depressa o que foi o almoço ou jantar há três ou quatro dias, quanto mais há três ou quatro meses. Para o Benfica ter sucesso, Lage precisará, pelo menos e como Simeone, de jogadores que se entreguem com ele a um objetivo comum. Se no final da época houver banquete aparecerão todos para comer."

Pelo fim da Taça da Liga


"A Taça da Liga foi criada em 2007/08, por proposta do Sporting e do Boavista, com o objetivo de aumentar a competitividade entre os clubes e gerar mais receitas. Na época, o Campeonato Nacional tinha 16 equipas, a Liga dos Campeões contava com apenas seis jogos na fase de grupos e a Liga Europa ainda se chamava Taça UEFA, enquanto a Liga Conferência não existia. Neste contexto, a competição fazia sentido.
Desde então, o futebol mudou drasticamente. O Campeonato Nacional passou a ter 18 equipas, aumentando o total de jogos de 30 para 34 por temporada. As competições europeias também se reformularam: a Liga dos Campeões agora exige oito jogos na fase inicial, mais dois no play-off, enquanto a Liga Europa e a Liga Conferência adotaram modelos semelhantes. Além disso, as seleções nacionais têm calendários mais intensos, com mais jogos e competições.
Esta densidade crescente criou desafios sérios. Em Portugal, é comum ver clubes disputarem sete jogos em apenas 21 dias. Este ritmo provoca desgaste físico e mental nos jogadores, resultando em lesões frequentes. A introdução do novo Mundial de Clubes só intensifica este cenário.
Entretanto, a Taça da Liga perdeu relevância. O vencedor recebe um prémio financeiro inferior ao valor recebido por uma vitória na fase de grupos da Liga dos Campeões. Assim, a competição tornou-se redundante num calendário já sobrecarregado, funcionando mais como fonte de financiamento para a Liga do que como benefício real para os clubes. O Benfica, ao conquistar a sua oitava Taça da Liga, expõe o paradoxo da competição: é nos momentos de vitória que devemos refletir sobre a sua pertinência. Assim como o Sporting e o Boavista propuseram a criação da Taça da Liga, o Benfica deveria liderar a proposta para a sua extinção.
A alternativa passa pela reformulação da Supertaça Cândido de Oliveira. Este novo formato incluiria quatro equipas: o campeão da Primeira Liga, o vencedor da Taça de Portugal, o segundo classificado da Primeira Liga e o finalista vencido da Taça. Para aumentar a credibilidade e evitar comparações recorrentes com critérios do campeonato, os jogos seriam arbitrados por árbitros estrangeiros. A Supertaça seria disputada no início da época, num modelo que garantiria um impacto superior ao da Taça da Liga. O exemplo espanhol da Supercopa disputada este fim de semana é elucidativo: ao passar para um formato de Final Four, com jogos realizados fora do país, a competição ganhou uma projeção internacional bastante superior, atraindo novos públicos, patrocinadores de peso e receitas milionárias. Com uma abordagem estratégica, Portugal poderia replicar este sucesso.
Eliminar a Taça da Liga reduziria o calendário em dois jogos para os finalistas, aliviando a carga sobre os atletas e permitindo um maior foco nas competições prioritárias. Chegou a hora de Portugal repensar o seu modelo competitivo. As provas nacionais precisam de evoluir para atender às novas exigências globais do futebol. Se queremos triunfar na Europa e garantir a sustentabilidade dos clubes portugueses, é essencial criar condições para que as nossas equipas prosperem."

Schjelderup, o deus Loki


"Norueguês tem sido a auréola boreal nos céus dos palcos dos jogos do Benfica… Se agarrar o lugar, chega a junho como o sol da meia noite.

Ninguém me tira da cabeça que há em Schjelderup uma reincarnação de Loki, deus da mitologia nórdica. É o deus da trapaça, da travessura e do fogo. Está também ligado à magia e pode assumir a forma que quiser. É verdade que não é o deus mais simpático, tem uma relação complicada com outros deuses, nem sempre é o mais fiável. Mas nem o deus Thor, figura central da mitologia nórdica, dispensou as suas artes de ludibriar o inimigo, pedindo-lhe ajuda na hora de recuperar o martelo Mjolnir.
Schjelderup é, de facto, um trapaceiro… Faz travessuras em campo. Esguio, habilidoso, desequilibrador. Vai fazendo alguns truques de magia, e pode de facto assumir várias formas, de extremo a segundo avançado, pisando os terrenos que lhe dão mais jeito, a cada momento, para consumar as suas travessuras.
Gosto de escrever com música de fundo. Para este texto escolhi o belíssimo tema Northern Lights, do brilhante compositor e pianista Ola Gjeilo, nascido na noruega em 1978. Um tema já interpretado pelos melhores grupos corais do Mundo. Nothern Lights, as famosas auréolas boreais que Schjelderup tem trazido para Portugal e que até fevereiro estão a pintar de magia os céus da noruega com a máxima intensidade dos últimos 11 anos.
Se continuar assim, talvez Schelderup chegue ao final de junho no esplendor do sol da meia noite. Talvez suba ao Ronvikjellet para apreciar a paisagem sobre a região de Bodo, de onde é natural, sentindo que a sua hora no Benfica chegou para ficar. E visite o belíssimo museu da aviação, percebendo que também ele levantou voo. Ou entre na Stormen’s, considerada em 2016 como uma das 10 livrarias mais bonitas do mundo, para depositar as páginas que ele próprio quer escrever nas águias. Já eu não me importava de o acompanhar nos tradicionais gelados de chocolate e champanhe. Bodo é uma pequena cidade que, de facto, vale e pena, onde modernidade, cultura e natureza casam no exemplo de turismo sustentável.
Schjelderup está a assumir-se como o primeiro reforço de inverno do Benfica. Em Faro, voltou a ser decisivo ao marcar o golo que abriu caminho à reviravolta das águias, na Taça de Portugal. Terceiro jogo consecutivo a titular, dois golos decisivos – em Faro e com o Sporting na final da Taça da Liga – e até motivo de críticas a Bruno Lage, por parte de adeptos e analistas, por o ter retirado de campo cedo com o SC Braga, na Taça da Liga (63’), e ainda mais cedo no jogo com o Sporting (intervalo). A explicação de gestão física num jogador que pouco tem jogado fez tanto sentido quanto obrigar-se Elon Musk a poupar no uso de automóvel por questões de gestão orçamental…
Schjelderup está a assumir-se um exemplo, mais raro, nas escolhas por norma mais conservadores de Bruno Lage. Ganhou uma dor de cabeça por ter de escolher entre o norueguês e Aktutkoglu? Abençoada dor de cabeça. E outras que poderiam ser criadas, com Rollheiser a reclamar também ele minutos, no meio campo, a última interessante ideia de Roger Schmidt antes da lesão do argentino e da saída do alemão.
Certo é que, aos 20 anos, ninguém me tira da cabeça que há em Schjelderup uma reincarnação de Loki, deus da mitologia nórdica. É o deu da trapaça, da travessura e do fogo. Está também ligado à magia e pode assumir a forma que quiser."