Últimas indefectivações

sábado, 16 de setembro de 2017

Conversas à Benfica 19

Conversas à Benfica 18

Conversas à Benfica 17

Conversas à Benfica 16

Conversas à Benfica 15

Paupérrimo contra o Portimonense

"Contra o CSKA equipa banal a este nível europeu, não podemos esconder a nossa exibição desastrosa com a arbitragem.

A última semana foi dominada por uma deliciosa histeria colectiva, muito útil para o nosso esclarecimento. Em resumo, houve indignação pelo VAR ter tido uma decisão correcta, e não se ter enganado contra o Benfica. Fica claro a verdade desportiva que a generalidade dos comentadores (e outros) de clubes rivais defende. A prostituição intelectual chegou ao patamar zero de decência, o que a meu ver é óptimo, pois serve para qualificar e classificar os espécimes. Se havia dúvidas, agora é claro, nunca quiseram verdade desportiva (com a qual sempre se deram mal), querem é ganhar, seja como for. Nesta fase, dado o desespero, já só querem que não seja o Benfica a ganhar. O escândalo desta semana foi o VAR não se ter enganado, num jogo onde o único erro que passou em claro foi a falta sobre André Almeida que precedeu o golo do Portimonense. Diga-se, em abono da verdade, que o Portimonense jogou muito bem, e que o Benfica jogou muito abaixo daquilo que tem de fazer para poder lutar pelo titulo. Foi um jogo paupérrimo, sendo os últimos 10 minutos, contra um Portimonense reduzido a 10, do pior que vimos esta época o Benfica fazer. Negar a realidade nunca ajuda, nem é defender o clube. Temos de jogar muito mais e melhor no Bessa.
Contra o CSKA, uma equipa banal a este nível europeu, também não podemos esconder a nossa prestação atrás de uma arbitragem desastrosa. Tão mal como o árbitro espanhol (nunca ganhámos um jogo com este árbitro), esteve o Benfica. Rui Vitória tentou sublinhar as coisas boas que encontrou no jogo, mas era muito importante corrigir também as más. Diga-se que o treinador escolheu o onze ideal (com Fejsa inapto), mas deste onze esperava-se muito mais. Tem de ser um Benfica afirmativo aquele que no Bessa precisa de vencer e reencontrar os níveis de confiança.
Na próxima quarta feira espero ver um Benfica em busca da vitória, na Taça da Liga, contra o Braga. Este jogo é determinante para todo o futuro na prova e, atendendo ao sorteio, quase assegura uma presença muito adiantada na competição. Braga recebe a final four da prova. Inverter as exibições e vencer Boavista e Braga, é entrar nos carros do sucesso. É já amanhã que começa o futuro num estádio com boas memórias."

Sílvio Cervan, in A Bola

Aperitivo Bernardo...

Em defesa da geometria descritiva

"Quando há mais de vinte anos, no ensino secundário, desperdicei a oportunidade de estudar geometria descritiva no 12.º ano, não imaginava o teor da disciplina na sua plenitude. Sabia do que se trataria em parte: 'Técnicas para representação de objectos tridimensionais num plano bidimensional'. 
Porém desconhecia que, nas últimas aulas, ensinar-se-iam metodologias de deturpação dessas técnicas em prol de objectivos comunicacionais no futebol português. Infelizmente, optei por noções de administração pública.
Até à introdução do videoárbitro no futebol português, ignorei conceitos básicos da disciplina como, por exemplo, o 'ponto de fuga'. Muito honestamente, sempre pensei que ponto de fuga designasse a Madalena, com destino à Galiza, e com os devidos agradecimentos a um juiz amigo. Mas estava enganado. Pelos vistos é outra coisa e estamos sempre a aprender: 'O ponto de fuga é um ente do plano de visão, que representa a intersecção aparente de duas, ou mais, rectas paralelas, segundo um observador num dado momento'.
Ao ler esta definição, encontro pelo menos três constrangimentos óbvios: e se os observadores forem cretinos? E se o momento for o que os cretinos entenderem que lhes dá mais jeito? E se os cretinos deturparem o plano de visão? Ora, parece-me evidente que a coisa não seria para levar a sério. No entanto, não há cretinos que tenham voz se não existirem néscios que reproduzam a mensagem acriticamente. Que figurinha fazem os jornalistas que se demitem da sua função e não perguntam aos cretinos por rectas paralelas, cortes e afins quando o videoárbitro repõe a verdade desportiva em seu favor...
É caso para se dizer que a insídia se intersecta com o laxismo."

João Tomaz, in O Benfica

Farto

"Fartinho. Já não os posse ver nem ouvir. E isto é só o início. Já sabíamos que a campanha de desinformação nesta temporada iria ser do mais baixo nível possível, mas eles conseguem sempre surpreender-nos pela negativa. Já não bastavam as longas horas de debates, os comunicados, a violação de correspondência electrónica, as newsletters diárias, os posts inflamados e outras mentiras, agora assistimos também à deturpação de imagens televisivas e ao compadrio da não-utilização de jogadores emprestados contra uns e outros. Os gémeos Metralha estão cada vez mais descarados e não há Liga amiga que lhes valha.
Perderam a vergonha, apesar de castigados e impedidos de fazer declarações públicas em nome das suas pequenas agremiações.
Entre o insolvente e o medíocre, lá estão eles, separados à nascença e sem poder ver vermelho à frente, tal a vontade que têm de marrar.
Farto. Fartinho. E qual o melhor remédio? Desmascará-los e ignorá-los. Deixá-los sem resposta, porque é preciso que toda a gente entenda que nunca descerremos ao seu nível. Podem juntar-se, aliar-se - por mim até se podem ir fundir - mas nunca serão aquilo que sonharam. Iguais aos grandes da Europa? Nem no mundo da fantasia. Mais do que um clube regional? Nem os mais populares da sua cidade, quanto mais.
Amigos, há que nos manter imunes a esta doença, a esta inveja. Dos pequenos não reza a História."

Ricardo Santos, in O Benfica

O Bessa quer-se como em 2005

"Corria o ano de 2005 quando vivi um dos mais belos momentos da minha infância. A 22 de Maio, o Benfica sagrava-se campeão nacional pela primeira vez em onze (!) anos. Para alguns era um reviver. Para mim, nascido em 1994, tratava-se de um acontecimento inédito. Contemplei toda a festa com o deslumbre natural de uma criança que vê algo novo. Na televisão, assistia-se às mais caricatas reacções um pouco por todo o mundo. Havia quem se despisse, sem qualquer pudor, em frente à câmara - infelizmente, apenas homens. Uns mergulhavam em fontes. Outros trepavam postes. Em minha casa, estava um rapazola aos saltos no sofá enquanto agitava a camisola no ar - quando olhei com maior atenção, apercebi-me que era o meu pai. Enfim, um vendaval de emoções.
Participei em visitas de estudo ao Mosteiro dos Jerónimos e da Batalha. Amiúde, cruzava-me com o Castelo de Guimarães. Ainda assim, nada me fascinou tanto quanto o Estádio do Bessa pintado de vermelho naquele dia.
Desde então, todos os anos acalento a esperança de ser campeão no mesmo palco. Como tal, após o sorteio do calendário apressei-me em saber quando íamos ao Bessa. Naturalmente, apesar de reconhecer a complexidade da missão, não será surpresa para o leitor se lhe confessar que tinha a expectativa de ver o Benfica garantir o 'penta' logo à sexta jornada. Gorada essa possibilidade, tenho de me render aos críticos: o Benfica não estão tão forte. Já perdemos dois pontos e restam apenas 87 por disputar. Perante estas assustadoras circunstâncias, é normal que o titulo pareça uma miragem a alguns. Porém - e podem chamar-me louco - eu ainda acredito. Façam o favor de encher o Bessa."

Pedro Soares, in O Benfica

VAR sim, VAR não

"Há algumas semanas atrás, nestas mesmas linhas, afirmei que introdução do Vídeo-árbitro na nova temporada poderia vir a constituir um precioso escudo face ao clima de coacção, e até de terror, que tem sido erigido por alguns artistas da comunicação sobre a arbitragem; ainda que, no abstracto, não fosse entusiasta de uma alteração passível de retirar alguma fluidez ao espectáculo futebolístico.
Não foi preciso esperar muito para que uma intervenção do VAR, num jogo do Benfica, repusesse a verdade face a um lance que teria sido mal ajuizado, e que lhe teria provavelmente subtraído dois pontos.
Também não me surpreendeu que aqueles que mais clamavam pelo Video-árbitro como solução para todos os males do futebol português, logo viessem a terreiro protestar contra a decisão tomada a partir das imagens televisivas, só porque ela permitiu uma vitória do Benfica. Ou seja, para eles VAR sim, desde que utilizado em prejuízo do odiado rival.
Ouviram-se por estes dias argumentos tão espantosos quanto ridículos. Para esta gente, as evidências são um detalhe no meio da “verdade” que nos querem impor. Tudo serve para atacar os encarnados, e para colocar mais pressão sobre os árbitros, de modo a que estes os prejudiquem. Sim, sob a capa de justiceiros, é isso que pretendem: que o Benfica volte a ser prejudicado, como foi durante décadas.
Se o VAR mantiver uma participação cirúrgica e imparcial – como genericamente tem acontecido até aqui – em breve ouviremos mais críticas. Talvez até queiram acabar com ele, se, também com ele, o Benfica vier a ser campeão."

Luís Fialho, in O Benfica

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

ECA

"A eleição de Domingos Soares de Oliveira para o Conselho Executivo da Associação Europeia de Clubes (ECA) e a renovação dos mandatos de Paulo Gonçalves e de Miguel Moreira naquele importante organismo internacional constituem a maior vitória do Sport Lisboa e Benfica nos últimos meses. Estes três dirigentes da nossa SAD dispensam apresentação. Os seus curricula são bem conhecidos. Na passada terça-feira, em Genebra, foi julgado o prestígio do Glorioso e dos seus altos quadros.
A ECA foi criada em Janeiro de 2008, após a dissolução do Grupo G-14 e do Fórum Europeu de Clubes da UEFA, e trata-se de um organismo autónomo e independente que representa directamente os clubes de futebol da Europa. O seu objectivo é muito claro - promoção e protecção dos 230 membros de 54 federações da UEFA.
Em curso está o importante memorando de entendimento assinado, em Março de 2012, entre o então presidente da ECA, Karl-Heinz Rummenigge, e o líder da UEFA, Michel Platini. Até 31 de Maio de 2018 terá de ser finalizado o trajecto para um relação frutífera entre os clubes europeus e a UEFA, sempre com o propósito de um melhor balanço entre o futebol nacional e o futebol de clubes.
Em cima da mesa estão quarto dossiers complexos - calendário internacional de jogos, seguros dos salários dos jogadores, partilha dos lucros do Euro e a gestão. São quatro tópicos que irão obrigar a muita reflexão, muita diplomacia e muito savoir-faire dos 15 membros do executive board da ECA. 
Até 2019, Domingos Soares de Oliveira irá, seguramente deixar a marca de qualidade da gestão do SL Benfica, e o futebol português sairá bastante prestigiado."

Pedro Guerra, in O Benfica

Muito mais perto do Penta

"A incoerência dos nossos adversários chega agora a um apogeu nunca antes atingido. Mas eles, e só eles, têm razões mais do que suficientes e bastante claras, até para se porem a ver o mundo ao contrário, quanto mais para renegarem a pura realidade dos factos, ou para qualificarem como branco aquilo que é evidentemente preto. Aquilo, por aquelas bandas, está muitsíssimo mais negro do que o fogo de artifício que fazem rebentar pode dar a entender, e não têm mesmo outro remédio senão servirem-se de todos os estratagemas para iludir a realidade e tentarem desviar as atenções dos respectivos apaniguados relativamente aos riscos da derrocada.
Inventam tudo. Começaram por bramar, com os seus pelotões de 'idiotas úteis' na Comunicação e nos futebóis-de-segunda, que era preciso nomear outros responsáveis para a Liga, para as suas comissões e para as estruturas dos árbitros: quem lá estava não lhes servia! Então, arrebanharam os votos necessários e puseram quem lá queriam... O Benfica conformou-se. Logo depois, deitados na doce caminha de algodão das respectivas tropas fandangas nas TV, nas rádios e nos jornais, exigiram e plenos pulmões que se experimentasse o videoárbitro: Federação foi na conversa e (por que não?) o Benfica respeitou. Por fim, acasalaram mesmo. À descarada, consumaram o acto: um, por cima - o Futebol do Porto; e o outro, por baixo - submisso e perfilhado, o pequeno clube do Campo Grande.
O Benfica, enorme, tudo observa e anota com serenidade: enquanto lhes for possível, eles mais cantarão de galo, mesmo até à afonia, sempre que lhes dermos ensejo a uma qualquer réstia de ilusão. É por isso que nos devemos manter unidos, enquanto vamos trabalhando ao ritmo dos verdadeiros campeões. Para eles, o grande problema, a essencial questão, é que, no jogo puro que se joga dentro das quatro linhas, continuamos nós muito mais perto do Penta do que qualquer um deles há de ter o ensejo de poder, sequer, recomeçar uma contagem..."

José Nuno Martins, in O Benfica

Jurgen Klopp

"Jurgen Klopp é indiscutivelmente um dos treinadores mais carismáticos da actualidade. Essa sua qualidade advém-lhe do facto de ser um dos treinadores mais 'colunáveis', pois aparece em tudo o que é coisa importante e, mesmo, realiza muitos anúncios e afins na indústria do entretenimento. Por todas estas razões é mundialmente conhecido, mas, obviamente, foi o futebol que lhe começou a dar conhecimento na indústria do entretenimento.
No entanto, o seu comportamento no último fim-de-semana foi muito mau, aliás, mau de mais. O jogador Mané teve uma entrada violentíssima sobre o guarda-redes Ederson, numa disputa de bola. Já todos sabemos que o guarda-redes Ederson faz parte daqueles 'malucos' que são destemidos na vida e, por isso, são dos principais candidatos a ser agredidos! E bem à imagem da realidade da vida de hoje! Se te metes em atalhos, metes-te em trabalhos, e por vezes acaba mal!
Todos nós sabemos que o futebol é um desporto de contacto, mas, quando o contacto corre mal, existem as regras que, se forem violadas, têm as suas sanções estendidas ao longo dos 'cardápios' regulamentares.
Uma entrada violenta é quando um jogador se lança com um pé ou os dois pés para frente, quer seja de frente ou às costas do jogador que tenha a bola sem tocar esta última; ou quando se atira com clara intenção de parar o jogador de forma violenta e sem se importar em que na acção toque ou não toque a bola.
Ora, o atleta Mané tem obrigatoriamente de saber que se eleva a sua perna, e concomitantemente o seu pé, porque este está colado à perna, na direcção da cara de um guarda-redes, só pode dar em 'porcaria', caso o guarda-redes chegue primeiro à bola, como chegou!
Mesmo que não fosse intencional, há excesso de temeridade, a não ser que Mané não tenha noção do que uma perna, com um pé calçado com 'pitons' de alumínio, possa fazer na cara de alguém! O jogador foi expulso e abanou a cabeça várias vezes em sinal de desagrado! Jurgen Klopp criticou a decisão do árbitro, mesmo já de 'cabeça fria' na sala de imprensa, e disse que era para amarelo!
Eu sei que conduzir um Opel é uma grande aventura e dá-nos uma sensação de poder, mais a mais quando se é oriundo do país poderosíssimo que é a Alemanha e que manda nisto tudo graças à indústria automóvel! Daí que o seu espírito possa estar desajustado da realidade.
Mas daí a considerar que o pontapé na cara de Ederson foi apenas uma situação de lana-caprina, vai a distância da intenção e do resultado!
Eu não queria matar! Cai em cima da vítima!"

Pragal Colaço, in O Benfica

Linha e horizonte

"A fatwa é, segundo as explicações disponíveis, um pronunciamento legal do Islão emitido por um especialista em leis religiosas. Ao longo da história já existiram inúmeras fatwas sobre os mais diversos temas. A mais controversa foi lançada pelo então líder do Irão, ayatolah Khomeini, em 1989, ordenando a morte do escritor britânico de origem indiana Salman Rushdie por este ter escrito o livro Versículos Satânicos, considerando que a obra não passava de uma «blasfémia contra o Islão». Além disso, Khomeini condenou Rushdie por apostasia, ou seja, fomentar o abandono de fé islâmica. O ayatolah ordenou a todos os «muçulmanos zelosos» o «dever» de tentar assassinar o escritor e, por força disso, Rushdie foi forçado a viver no anonimato durante 13 longos anos.
O futebol, para muitos, é uma religião e seu clube a sua crença maior. O fanatismo, em qualquer das suas dimensões, sempre existiu e, provavelmente - a não ser que existia um enorme progresso civilizacional - sempre existirá.
Em psicologia, um fanático apresenta determinadas características. A saber: agressividade excessiva; preconceitos variados; estreiteza mental; extrema credulidade quanto a um determinado sistema; ódio; sistema subjectivo de valores; intenso individualismo.
Não se espera de um canal de informação de um clube (não necessariamente um televisivo), ou de um adepto - ainda por cima pago para desempenhar aquele papel - isenção na análise aos assuntos, até porque a paixão, muitas vezes, tolda a razão. Pode não se pedir isenção, mas julgo que se deve exigir ponderação, até porque há sempre um exército mentecapto altamente disposto a perseguir os infiéis.
O pronunciamento de uma fatwa está num horizonte, apesar do ambiente reinante, imensamente longínquo, mas quando já se discute linhas e respectivas espessuras, este fica cada vez mais perto."

Hugo Forte, in A Bola

Só interessa quem ganha!

"Já todos sabemos que a avaliação do rendimento dos jogadores ou dos treinadores, é feita, na esmagadora maioria dos casos, em função do resultado. Se a equipa ganha, está tudo bem, protegem-se os erros. Na derrota, só mesmo alguns (muito poucos) são protegidos. Os guarda-redes, por exemplo, são muitas vezes alvo de análises feitas com pouco conhecimento. Quanto maior a dimensão da equipa maiores os disparates que se dizem sobre esses jogadores. Se recordamos o que se passou com Damas ou Bento e nos lembrarmos do percurso de Rui Patrício e do que se passa agora com Bruno Varela, percebemos que a crítica tem semelhanças. Com a mesma facilidade com que se diz que devia ter defendido o penalty, exige-se que agarre a bola e talvez até só com uma das mãos. A culpa tem sempre de ser de alguém para que outros sejam protegidos. Trate-se de jogadores, treinadores ou dirigentes.
Esta atitude de só interessa quem ganha também contagiou, de há anos a esta parte, muitos dos decisores deste nosso futebol, que não conseguem perceber que estão a ajudar a aumentar o fosso entre os competidores e a diminuir a competitividade da Liga.
Com uma semana de antecedência propõe-se a calendarização entre a 6.ª e a 14.ª jornadas do campeonato, o que significa que no passado dia 8 ficámos a saber que jogamos a 15, ou seja, hoje. Isso implica, para as equipas que têm que viajar, alterações forçadas nas suas agendas e os mais afectados são sempre os que têm menos recursos. Mas isso não é importante; importante são os que devem ganhar.
Um dia, talvez a Liga seja disputada só pelos que a podem vencer. Talvez se perceba então a falta que fazem os outros. E talvez esses outros percebam que são a maioria. E talvez a maioria perceba então que deve entender-se. Talvez um dia. É pena!"

José Couceiro, in A Bola

George Orwell foi ao futebol

"Pode não passar de fumaça, mas, pelo menos, o povo que é tradicionalmente sereno, tem razões para ficar desconfiado. Ao que parece, e foi o secretário de Estado do Desporto a dizê-lo, o Governo está a equacionar a possibilidade de vir a proibir a realização de jogos de futebol da Liga e Liga 2 em dias de actos eleitorais. Isso mesmo, aos portugueses estará para ser passado um atestado de menoridade, como se ao fim de 43 anos de democracia as pessoas não soubessem tratar de sua vida cívica e deixassem de votar pelo simples facto de, nesse mesmo dia, assistirem a um jogo de futebol. Sim, de futebol e só de futebol profissional, porque como disse o secretário de Estado ao Expresso, as restantes modalidades (que são profissionais!) não estão organizadas numa Liga.
Se tudo isto não representasse uma tragédia quanto a alguns dos nossos governantes seria, sem dúvida, motivo de grandes gargalhadas. Como dizia ontem Vítor Serpa, no Quinta da Bola, «não pode haver futebol mas o Tony Carreira pode, se quiser, realizar um concerto para cem mil pessoas», evidenciando o ridículo atroz de tudo isto.
A fazer fé no secretário de Estado do Desporto, todos os espectáculos, mesmo os desportivos, continuariam disponíveis, excepção feita ao futebol da Liga e Liga 2. A isto dá-me um nome: discriminação.
E se tal disparate não for travado por quem, no Executivo, tiver melhor discernimento, provavelmente não passará no crivo do Palácio Ratton, onde não é suposto aceitar-se que todos sejam iguais mas alguns sejam mais iguais que outros. Aliás, invocar aqui e agora e emblemática obra de George Orwell parece extremamente apropriado..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Benfiquismo (DXCVII)

Sorrisos...

Aquecimento... a luta

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

O que Fejsa dá e que só ele consegue dar

"- Até que ponto a ausência de Fejsa está a afectar a qualidade geral do futebol do Benfica?
Afecta em dimensão semelhante ao que acontece quando o Real Madrid não tem Casemiro ou quando o FC Porto não tem Danilo. Há jogadores que têm características tão raras e tão específicas, que é nas ausências que se tornam mais notados.

- Faz sentido concluir que Fejsa é o jogador mais influente da equipa?
É o mais importante para atingir o equilíbrio defensivo. Só a partir dessa condição – de maior segurança e conforto – é possível elaborar, construir e procurar desequilíbrios no último terço sem temer o que possa acontecer após a perda de bola.

- Não há plano B?
Haver, há. Mas não há nenhum plano B que seja o ideal. Para a ideia preferencial de Rui Vitória – que passa por envolver o maior número possível de jogadores no processo ofensivo, com os laterais muito subidos –, um 6 como Fejsa é uma espécie de seguro de vida. Samaris e Filipe Augusto têm um perfil muito diferente. De tal maneira que o grego até pode ser central e o brasileiro até pode ser 8. Fejsa, esse, é que só pode ser aquilo que é.

- O que se perdeu desde a lesão de Jardel?
Perdeu-se o central com melhor saída de bola, o mais rápido em campo aberto e aquele que permite ter a linha defensiva mais adiantada. Nesse jogo com o Rio Ave, aliás, o Benfica sofreu o golo (Lisandro, na própria baliza) já sem Jardel em campo. Até esse dia, a época do tetracampeão era 100% vitoriosa: 4 jogos/4 vitórias. Para além dos resultados, há ainda uma questão lateral que não é insignificante: sem Jardel (e também sem Fejsa!), Luisão fica demasiado exposto e à mercê de duelos individuais, num contexto que naturalmente não o favorece.

- Lisandro López foi substituído nos últimos dois jogos. Sinal de desconfiança?
Se não é, parece. Mas se lembrarmos que foram Samaris e André Almeida a terminar a central com Portimonense e CSKA, respectivamente, essa sensação ainda sai reforçada.

- Alguns observadores vêm dizendo, nos últimos dois anos, que o maior problema do Benfica de Rui Vitória é a ausência de um processo de jogo. Será?
Não. Nenhum treinador português – a trabalhar em Portugal ou no estrangeiro – venceu tantos jogos nos últimos dois anos quanto Rui Vitória. Só Leonardo Jardim se aproxima e, mesmo assim, tem menos seis vitórias. Um registo destes é impossível de alcançar sem um processo de jogo definido, trabalhado e desenvolvido. Mesmo treinadores de outras nacionalidades que tenham mais de 81 vitórias desde o início de 2015/16… não é fácil descobrir.

- Houve falhas na construção deste plantel?
Provavelmente, sim. A renovação até estaria facilitada porque se soube demasiado cedo que Ederson, Nélson Semedo e Lindelöf estavam de saída. Houve alguns erros de análise difíceis de entender. Pedro Pereira, por exemplo, estava a trabalhar com o plantel principal desde Janeiro e só perto do fecho de mercado se percebeu que ainda não estava preparado para lutar pelo lugar que Nélson Semedo deixou em aberto. O mesmo se passou com Hermes, embora aqui com menor impacto na planificação, porque o titular da época passada (Grimaldo) iria continuar.

- E Bruno Varela? Está à altura da herança de Ederson?
Não está ele e dificilmente poderia estar alguém, porque Ederson é um caso à parte – talvez já entre os 3 melhores guarda-redes do Mundo. A situação de Bruno Varela é interessante: não é ele o problema do Benfica, mas também ainda não é a solução.

- O que se deve esperar dos outros dois guarda-redes?
O ideal, para Rui Vitória, seria que se concretizassem duas impossibilidades: no caso de Júlio César, que o tempo andasse para trás; no caso de Svilar, que o tempo andasse para a frente.

- Jonas foi substituído com jogo empatado (1-1). Porquê?
Só se percebe a substituição se o brasileiro estivesse limitado do ponto de vista físico. Aliás, terá sido também essa a razão por que fez uma exibição tão desinspirada. Na época passada, nunca foi substituído com o jogo empatado. Já agora, o elevado número de lesões também é um tema que merece reflexão: não estarão a ser em demasia?

- Há razões para alarme?
Não. Na primeira época de Rui Vitória na Luz (2015/16) a equipa chegou a Novembro ainda à procura da melhor definição. Estamos em Setembro."