Últimas indefectivações

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Ippon de uma vida

"Nunca falei com Célio Dias, mas sou sua amiga virtual. Uma vez, talvez um pouco antes dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro do ano passado, enviei-lhe um pedido de amizade pelo Facebook, que aceitou. De então para cá comecei a seguir as suas publicações, apenas acessíveis aos amigos, os virtuais e os outros, e acompanhei, quase em directo, a sequência de publicações que o judoca do Benfica fez nos últimos dias. Com preocupação, diga-se.
O Célio tem vindo a mostrar de há alguns meses a esta parte, talvez logo depois dos Jogos Olímpicos, um desequilíbrio emocional crescente. Certamente tinha expectativas elevadas para a competição, mas foi eliminado ao primeiro combate por um atleta do Benin e regressou a casa triste, humilhado, frustrado. Prometeu reerguer-se mas nunca o fez. Refugiou-se nos livros, na filosofia, só que o seu discurso foi ficando cada vez mais confuso, incoerente. E preocupante.
Há poucos dias, já depois de ter sido 9.º no Campeonato do Mundo, em Budapeste, fez uma série de ‘posts’ em que deu asas à revolta e não poupou ninguém: o Benfica, o Comité Olímpico, a Federação, a família, os amigos, os conhecidos. Usou palavras pouco simpáticas, fez ameaças, considerações sobre a sua vida pessoal, sobre a vida pessoal de outras pessoas… A realidade é que entrou numa espiral depressiva preocupante e precisa de ajuda. Urgente!
O que o terá levado a este alarmante estado de espírito só o próprio e os que lhe são mais chegados podem saber. Terá sido a pressão dos resultados? Problemas pessoais, familiares ou de saúde?
O Célio tem apenas 24 anos e está internado. Torcemos para que recupere depressa. A boa notícia é que o atleta e a sua família não têm de lidar com tudo isto sozinhos. O Benfica não o abandonou – renovou-lhe inclusivamente o contrato há pouco tempo ; o Comité Olímpico e a Federação acompanham de perto a situação e os amigos mais chegados, mesmo tendo estado na sua ‘mira virtual’, vão certamente perdoar-lhe os devaneios e ajudá-lo neste combate, decerto o mais importante da sua vida. Que ganhe por ippon e que regresse em força, pois gostaríamos de o ver nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020.

O ténis nacional pode viver este fim de semana um dos seus melhores momentos de sempre: se vencer a Alemanha, Portugal apura-se pela primeira vez na história para o Grupo Mundial da Taça Davis!
A Alemanha traz Boris Becker (na qualidade de director técnico nacional), mas não conta com os irmãos Zverev nem com Philip Kohlschreiber. Continua a ser uma equipa forte, é um facto, mas não deixa também de ser teoricamente mais acessível. Amanhã, sábado e domingo todos os caminhos vão dar ao Jamor!"

Mourinho

"Mourinho recusou cumprimentar Mark Hughes, no final do jogo entre o Stoke City e o Manchester United. Mark Hughes não compreendeu a recusa de José Mourinho. Estes ingleses têm a mania da superioridade e não aceitam que um treinador português seja dos melhores do mundo.
Durante o jogo empurrou Mourinho, por ele ter entrado na sua área técnica, o pior de tudo, insultou-o dizendo "vai-te f*** ". Para além disso, passou o jogo a pedir ao árbitro para expulsar o José Mourinho. Mark Hughes é que deveria ter sido expulso e sancionado.
Não estando contente, no final do jogo, a televisão captou o mal-educado Mark Hughes a insultar, de novo, Mourinho: "olhem só aquela cara de cu" e apontou para Mourinho. Mourinho impávido e sereno, o que não é normal, cumprimentou todos os elementos da equipa técnica do Stoke City, menos Mark Hughes.
Ele fala inglês e talvez tenha pensado que Mourinho não o percebesse! Ao invés, se Mourinho o tivesse insultado em português, o inculto do Mark Hughes até poderia pensar que era um elogio. Se Mourinho dissesse: "tem cuidado meu filho da p*** ". Porventura, ele até poderia pensar que o estava a elogiar. Há muita gente que não gosta de Mourinho. Eu gosto sobremaneira, por ter personalidade e neste episódio, mais uma vez, não se deixou calcar. Mourinho está mais calmo e sereno, desta vez, reagiu com diplomacia e deu a Mark Hughes uma bofetada de luva branca deixando-o a falar sozinho.
Mark Hughes alega que Mourinho empatou e estava zangado. O que se esqueceu de dizer é que Mourinho o ignorou e não fez caso, todavia treina uma das melhores equipas do Mundo - Manchester United. Mark Hughes foi um bom jogador e como treinador não tem passado da mediania.
Os ingleses têm a mania que são superiores aos outros, são antipáticos, sarcásticos e bebem demais. Mas, também, são mal-educados e não aceitam que venha alguém de fora e seja melhor do que eles. Ainda vou ver, um dia, Mourinho ser o seleccionador inglês.

Nota: Sporting enorme. Benfica perdeu uma oportunidade. Porto veio ao de cima as suas limitações."

Alvorada... com o Zé Nuno

Benfiquismo (DXCVI)

Na luta...

Lanças... Falcatruas & afins

Os deuses não estão satisfeitos com o movimento olímpico

"A 2 de Outubro de 2008 a comunicação social no Brasil noticiou que Arthur Nuzman acabara de ser eleito, por mais quatro anos, para presidir aos destinos do Comité Olímpico Brasileiro (COB). Tratou-se de uma eleição fundamental para Nuzman na medida em que, com grande probabilidade, significava que ia ser ele a presidir aos destinos da organização dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro (2016) cuja decisão seria tomada pelo Comité Olímpico Internacional (COI) no ano seguinte. E assim aconteceu. Nuzman, para além de membro do COI e de presidir ao COB, porque os deuses ouviram as suas preces, acabou a presidir à Comissão Organizadora dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Todavia, os deuses só atenderam às preces de Nuzman porque o desejavam castigar.
E porque é que deuses o desejavam castigar?
O que aconteceu foi que, sem ter avisado devidamente e em tempo útil os eleitores, isto é, os presidentes das Confederações, de que o ato eleitoral se ia realizar, Nuzman desencadeou um processo do qual só ele podia sair vencedor. Em conformidade, apenas publicou editais no Jornal dos Sports, do Rio de Janeiro, e no Jornal do Comércio, de Pernambuco. Em consequência, muitos presidentes das confederações só souberam da eleição dois dias antes pelo que, diga-se de passagem, num País com um território imenso de 8.515.767,049 km² em que a distância entre Portalegre e Manaus é de 4.358 km, exercer o direito de voto, para a grande maioria das Confederações, acabou por ser uma autêntica missão impossível.
Ora bem, a virtude que os deuses do Olimpo mais apreciam nos Homens é um espírito competitivo, justo, nobre e leal. Pelo contrário, aquilo que eles mais abominam é um espírito covarde, hipócrita e oportunista que leva muitos dirigentes desportivos a utilizarem todos os processos para ganharem eleições e manterem-se agarrados ao poder. Infelizmente, por esse mundo fora, há muitos olímpicos dirigentes que organizam eleições “democráticas” que só ele pode vencer. E fazem-no sem qualquer réstia de vergonha.
E porque é que acontecem tais aberrações?
Porque suas excelências aprovam estatutos que lhes permitem fazer o que muito bem entendem sem prestarem satisfações a quem quer que seja.
Nesta conformidade, temos de dizer que Nuzman desenvolveu uma jogada de mestre, não porque tenha cometido qualquer ilegalidade mas, precisamente, porque tudo feito na maior das legalidades, quer dizer, de acordo com os estatutos do COB.
Todavia, os deuses do Olimpo ficaram profundamente desagradados com o comportamento e a eleição de Nuzman. Em conformidade, decidiram castiga-lo.
Não sei se o jornalista brasileiro Juca Kfouri recebeu qualquer informação especial da parte dos deuses do Olimpo, o que sei é que ele, há muito tempo, já vinha a denunciar o que se estava a passar no Movimento Olímpico (MO) no Brasil. E até afirmou que, desde o dia 2 de Outubro de 2009, data em que em que a cidade do Rio de Janeiro foi escolhida para receber a organização dos Jogos da XXXI Olimpíada, que se sabia que, mais dia, menos dia, Nuzman ia ser convidado para visitar a Polícia Federal a fim de explicar uma acusação com origem em França relativa à compra de votos por parte do Comité Organizador dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em que ele surgia como intermediário.
Em todo este processo, na linha de pensamento de Katia Rubio, uma das vítimas de Nuzman, tenho para mim que o dito já pouco interessa. Desde logo porque já passou à estória do desporto brasileiro. O caso está entregue à justiça pelo que, agora, só nos resta esperar que ela funcione e consiga transmitir, não só para os brasileiros como para os cidadãos dos mais diversos cidadãos países do Mundo, que o MO não pode ser um espaço de deboche e impunidade.
Mas se Nuzman já pouco interessa não é por isso que se podem baixar os braços e deixar que o MO, tanto em termos internacionais quanto nacionais, continue a ser uma instituição a funcionar em roda livre onde se realizam as mais estranhas eleições de corpos gerentes, quer dizer, sem qualquer controlo a não ser dos próprios vencedores. Por exemplo, uma eleição em que um dos candidatos, depois de afastar os eventuais opositores, preside à Comissão Eleitoral e decide sobre eventuais conflitos, não é uma eleição é uma farsa digna do mais primário subdesenvolvimento, aconteça onde acontecer.
Por isso, a situação que, hoje, se vive no MO internacional e em diversos países do Mundo, é gravíssima. Note-se que, se, ainda há pouco mais de quinze anos, o COI, presidido por António Samaranch, foi apanhado nas redes da justiça americana devido à corrupção relativa à candidatura de Salt Lake City aos Jogos Olímpicos de Inverno (2002), agora, pela comunicação social, chegamos à conclusão que os sucessores de Samaranch, tanto Jacques Rogge (uma grande desilusão para mim) como Thomas Bach (sem qualquer surpresa) continuaram a ignorar aquilo que se passava no MO internacional relativamente às candidaturas bem como a outros aspectos de fundamental importância para o MO internacional como é, por exemplo, o controlo de utilização de substancias dopantes. Porque, agora, depois do escândalo russo, querem-nos fazer acreditar que nos Jogos Olímpicos do Rio só aconteceram onze casos positivos em mais de 11303 atletas. Melhor do que no Rio de Janeiro (2016) só em Moscovo (1980) onde estiveram 5179 atletas sem que tivesse havido qualquer caso positivo.
Há muito que é evidente que os estigmas que hoje estão a ferir de morte o MO moderno têm de ser combatidos a montante. Eles não passam de consequências a jusante provocadas por causas que não tem havido coragem para combater. Nesta perspectiva, tudo deve começar não só por uma revisão séria, aberta e participada da Carta Olímpica como, também, para além dos relativismos que tomaram conta da consciência de muitos dirigentes, por uma revisão completa dos estatutos perfeitamente anacrónico sob os quais muitos Comités Olímpicos Nacionais (CONs) exercem o seu poder mais ou menos autocrático nos mais diversos países do Mundo. Porque, se começarmos a olhar para os estatutos dos CONs de diversos países da Europa, do Oriente, da América ou de África, chegamos facilmente à conclusão de que, em muitas situações, quando eles têm uma verdadeira existência legal, para além de não respeitarem a lei dos respectivos países, são autênticos atentados a uma sã convivência democrática propugnada, desde os primeiros tempos do MO, por Pierre de Coubertin. Infelizmente, os estatutos de muitos CONs foram elaborados tendo em atenção dois objectivos fundamentais: (1º) concentração do poder numa clique oligárquica que se considera possuída de uma espécie de “sangue azul” que a legitima para além de qualquer crítica; (2º) institucionalização de processos eleitorais que não passam de autênticas farsas que só servem para perpetuar as referidas cliques no poder que exercem sem qualquer controlo social. E tudo isto acontece sob a informação olimpicamente oficial de que os estatutos foram aprovados pelo COI como se o COI tivesse a capacidade para avaliar mais de duzentos estatutos redigidos em variadas línguas.
Pelo que está a acontecer, se, no domínio da ONU, o COI, enquanto membro observador, deve ser colocado na ordem sob pena de poder perder o seu estatuto, no âmbito dos diversos países, a partir das respectivas agendas de reforma do Estado, os governos devem ser capazes de prever a reforma do Modelo Europeu do Desporto (que se propagou pelos mais diversos países do mundo) incluindo a reforma do próprio MO porque este não se pode arvorar, como em muitos países está a acontecer, num Estado dentro do próprio Estado. Porque, o que, hoje, está bem claro é que o MO, tanto em termos nacionais quanto internacionais, não deve continuar a funcionar em roda livres à margem do seu credo, da sua vocação e da sua missão. O tempo de um Sistema Desportivo mundial e respectivos Sistemas Desportivos nacionais a funcionarem à custa do dinheiro dos contribuintes em regime de autorregulação está a virar-se contra as pessoas e a deturpar o ideário deixado por Pierre de Coubertin.
Nestes termos, o MO, em termos internacionais e no quadro dos Sistemas Desportivos dos respectivos países tem de mudar de vida sob pena de, se não o fizer, vir a ser fortemente castigado pelos cidadãos. E se não o for pelos cidadãos será, certamente, fortemente castigado pelos deuses do Olimpo."

Gustavo Pires, in A Bola

Sticadas fora-de-e-do-jogo

"Pressões, vandalizações, ameaças sobre árbitros e ele (presidente da Liga) não defende a normalidade?

'Dragão & Leão', nova sociedade anónima de responsabilidade limitada
Estranha jornada, esta quinta do campeonato, Porto e Sporting venceram, jogando manifestamente pouco e com notórias dificuldades. O Benfica salvo por uma correcta intervenção do VAR. O Porto, embora ganhando folgadamente, viu o Chaves não empatar duas vezes de baliza aberta, já perto do fim. O Sporting com um penalty que existiu, mas escusado num tempo extra. Manda a justiça que os três adversários (Portimonense, D. Chaves e Feirense) tiveram um indiscutível mérito na dificuldade dos grandes.
O certo é que, em 45 pontos, correspondentes aos pontos possíveis dos rivais nas 5 jornadas já efectuadas, FCP, SCP e SLB conseguiram 42 (96%), o que parece contraditar a dificuldade da última jornada. Ou melhor, parece contraditar os obstáculos que houve, para além dos desta jornada, como, por exemplo, as vitórias do Benfica em Chaves, do Porto em Tondela, do Sporting em casa frente ao Vitória de Setúbal e ao Estoril.
Jornada que teve como epicentro comentarista - para não variar no alvo a abater por despeito - o golo não validado ao Portimonense, desde logo com as reacções pavlovianas e mentecaptas no seio da coligação anti-benfiquista, logo seguidas pelos seus acólitos socio-digitais.
Todos sabemos que o VAR tem duas facetas: a mais passível de discussão no natural calor resultados e que tem a ver com a impossibilidade de eliminar um certo subjectivismo (refiro-me, em especial, à intenção e intensidade das faltas na grande área); e a categoricamente objectiva, porque física e geométrica, e que se relaciona com a bola ultrapassar ou não as linhas de campo ou a linha de baliza e ainda marcarão ou não de fora-de-jogo. Aqui ou é não ou é sim. Não há lugar a nins, a não ser na cabeça e visão de pessoas incapazes de conviver com a isenção mínima garantida. Que infelizmente medram como cogumelos. O offside do Portimonense foi por uma unha negra? Claro que foi e reconheço, sem dificuldade, que foi a sorte do Benfica num momento em que, jogando contra 10, não estava a ser capaz de controlar o jogo. Mas agora será que estas infracções se dividem em micro, pequenas, médias e grandes? E que sendo assim têm julgamento diferente? Evidentemente que não, excepto no espírito enviesado de quem parece ter como primeiro clube o anti-SLB. Adiante.
Também se ouviram as habituais diatribes sobre a linha virtual para se visualizar se há ou não fora-de-jogo. Até houve pseudo editoriais sobre tal assunto. Todos ignoram, ou melhor, querem que os outros ignorem um ponto que arrasa esta catilinária. Refiro-me à circunstância de ser uma empresa única (WTVision), independente dos canais que transmitem jogos de futebol, quem tem a responsabilidade da tecnologia e da adjunção das linhas virtuais. Ou seja, não é a BTV, como não é a Sport TV, a RTP, a TVI e os outros canais. E há, ainda, a circunstância não despicienda de o VAR não visualizar tais linhas e, assim, ajuizar sem o recurso a elas. Perceberam os disfarçados néscios, ou é preciso fazer um desenho? Já agora porque não colocaram a mesma questão quando do golo do Estoril (bem invalidado, também) em Alvalade? Adiante.
Pergunto: a FPF já não deveria ter elucidado estes e outros pontos do protocolo para que não subsistam dúvidas, não se alimentem infâmias e não se incendeie ainda mais o ambiente em redor do nosso futebol? De que estão à espera?
E a Liga o que diz a isto tudo? E o presidente da mesma, ex-árbitro? Está condicionado, claramente pelos que o alcandoraram a tal lugar? Pressões, vandalizações, ameaças sobre árbitros e ele não defende a normalidade? Instigadores da coligação negativa, sem escrúpulos e pejados de mentirolas, a multiplicar a chantagem e depois, perante estragos no prédio de um juíz, com desavergonhadas reacções angélicas, como se nada tivessem ateado antes?
Curioso é que no meio desta cegueira, ninguém dessa turba incendiária se lembrou da falta sobre André Almeida que precedeu o momento em que o Portimonense fez 0-1. Adiante.

A crise do hóquei
Portugal perdeu, ingloriamente, o campeonato mundial de hóquei em patins. Nos penálties, para variar. Fica assim adiada a reconquista do ceptro que já não alcançamos há 14 anos. Por pouco, não aconteceu uma vitória 'à Fernando Santos'. É que começamos por perde com a Argentina e a Itália, e não fomos prematura e escandalosamente eliminados com a França que, a 3 minutos do fim, era o que estava a acontecer. (já está, fez-me lembrar o empate arrancado a ferros no jogo com a Hungria, no europeu de futebol). Melhorámos depois e a diferença para Portugal do futebol foi que, enquanto aqui batemos a França no prolongamento, agora perdemos na lotaria do penáltis.
Verdade seja dito que, tirando os 5-0 aos agora ex-campeões (Argentina), pouco fizemos para conquistar o título. Afinal, em diferentes fases do torneio, acabámos por ser derrotados por Espanha, Itália e Argentina. Na minha opinião, o critério dos jogadores seleccionados não foi o melhor e o treinador não me parece ter sido a escolha mais óbvia.
Já a semana passada o referi, mas esta ideia peregrina de disputar o mundial num país que nunca vira, antes, um jogo desta modalidade, mesmo que integrado com outros torneios de patins, não lembra ao diabo. Uma tristeza, jogos sem espectadores, a horas desastradas para os países com mais implantação deste jogo (aqui de manhã, na América do Sul de madrugada). Mesmo na final, meia-dúzia de chineses de olhos em bico e familiares dos jogadores. Nas transmissões televisivas era tal o quase silêncio que, sentados no sofá, podíamos ouvir até as instruções e impropérios dos treinadores e jogadores no banco.
Assim vai esta modalidade de tão rica tradição. Já em Barcelona se perdera a oportunidade de poder vir a ser modalidade olímpica. E depois, as regras estão sempre a mudar. Por cá, há espanhóis, argentinos e até italianos em quase todas as equipas. Não admira que, depois, as nossas selecções não ganhem mundiais. Na final do título, dos 20 atletas, no rinque e no banco, havia 13 jogadores que jogam cá! E; (má)cereja no topo do bolo, no nosso campeonato tivemos a batota da última jornada com uma arbitragem que espoliou, inacreditavelmente, o título ao Benfica. Ficou nos anais da mais despudorada pouca-vergonha.

Contraluz
- Número: 11
Os segundos de atraso do processo de transferência de Adrien Silva do SCP para o Leicester. Ninguém se acusa nesta situação de documentos para cá e para lá e nas birras de lá e de cá. O magnífico e exemplar atleta é a vítima de um processo que, em termos gerais, coisifica os jogadores. Já agora, o relógio dos computadores da FIFA estava mesmo certinho pelo 'Tempo Universal Coordenado' (TUC)?
- Palavra: Mathieu
Falo do nome do jogador do Sporting, por uma simples razão. É que ouço constantemente o seu nome mal pronunciado. Bem sei que agora o francês é quase uma língua morta na aprendizagem em Portugal. Mas quando não se sabe, pode, ao menos, informar-se. Toda a gente pronuncia 'matiu', em vez do correcto 'matiê' (um e bem fechado). Já - voltando ao hóquei - ouço sempre dizer Torneio de Montreux pronunciado como 'montrô' em vez de 'montrê'.
- Cor: Encarnado ou vermelho
Conforme os gostos. Evidentemente que acho que o do Benfica é inigualável, mesmo quando comparado com os tons de vermelho do Liverpool, Bayern, Man United e outros. Só a selecção de Gales se aproxima. Agora o que não entendo é por que razão as equipas de basquetebol do Benfica têm um vermelho diferente, mais sombrio e menos exuberante. Alguém me sabe explica?
- Golo: André Almeida
Para despeitados, um «chouriço». Para benfiquistas, uma «obra de arte». Para o jogador, resultado de crença. Pela notícia de A Bola: candidato ao melhor golo do ano da UEFA (Prémio Puskas). Para mim, saboríssimo, eu que tinha dele falado como um jogador exemplar o mesmo golo fosse de Ronaldo, Messi ou Neymar, seria a expressão lídima da genialidade, repetido à saciedade. Mas como foi do André..."

Bagão Félix, in A Bola

'Hooligans'

"O hooliganismo tomou definitivamente conta do futebol português, mas o estranho é que neste caso os hooligans são os dirigentes dos clubes, através de comportamentos destrutivos e desregrados, semeando a violência verbal, o vandalismo intelectual e a desordem geral. Partem do fanatismo e alimentam-se do caos, do ruído e da anarquia para abafar os golpes do insucesso próprio e do sucesso alheio. Selvagens de fato e gravata que atacam tudo e todos sem só nem piedade, em nome de uma glória vindoura, invocando uma guerra santa que mais não é do que terrorismo.
Os adeptos, esses, transformam-se em exércitos de ódio compostos por soldados sem alma, sem crítica, espumando raiva, orgulhosamente comprometidos com a loucura dos pequenos e ridículos generais que os manipulam e treinam como se fossem fantoches. Os que resistem a entrar nesta luta são considerados traidores, desertores, todos devem cerrar os punhos e pegar em armas.
Nas televisões e nas redes sociais, a cada semana, soam bem alto os tambores de guerra, anunciando-se novas frentes de batalha. Limpam-se os punhais manchados de sangue a cada post no Facebook, cada tweet no Twitter, cada comunicado, cada entrevista circense à televisão do clube, sem limites para a cegueira, parcialidade e hipocrisia. Palhaços ricos com espírito pobre.
Teremos nós coragem de fazer com os nossos dirigentes hooligans o que os ingleses fizeram com os seus adeptos hooligans? Ou vamos continuar simplesmente à espera de um milagre que lhes mude os comportamentos? De uma tragédia que nos faça arrepender da passividade?
Esta gente tem de ser banida do futebol, não pode continuar a gozar com regulamentos e castigos de escola primária. O futebol português está a morrer e amanhã pode ser tarde de mais. É uma questão de coragem. Antes uma guerra pela paz do que a paz da guerra."

Gonçalo Guimarães, in A Bola

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Assim não, Benfica

"Há uma forma de explicar a exibição paupérrima do Benfica contra o Portimonense. Um jogo de campeonato entalado entre selecções e Champions é, por definição, problemático. Tanto assim é que vários colossos europeus passaram mal no fim-de-semana e os três grandes portugueses tiveram resultados melhores do que as exibições. É também possível olhar para esta partida e tomá-la como um caso isolado, um daqueles dias em que tudo corre mal a uma equipa que tem sido assolada por uma vaga de lesões sistemática.
Alternativamente, podemos vislumbrar no Benfica-Portimonense indícios de problemas estruturais preocupantes. Com a debandada na defesa e com a ausência de reforços à altura, o plantel do Benfica parecia mais do que suficiente para consumo interno, ainda que limitado para ambientes europeus. Aliás, na linha avançada, a chegada de Seferovic e, espera-se, a de Krovinovic e Gabriel Barbosa oferecem mais soluções e dão uma versatilidade que faltou nas últimas temporadas. Na frente de ataque, com tanta qualidade individual, é difícil que o Benfica não seja avassalador na maior parte dos jogos nacionais.
O mesmo já não se pode dizer da defesa. Sem Fejsa, a equipa perde muita qualidade nas transições defensivas e a ocupação de espaços torna-se, por vezes, verdadeiramente problemática (contra o Portimonense, chegaram a surgir crateras no centro do terreno, mesmo a jogar em superioridade numérica). Mas o pior, como aliás já escrevi aqui, é a participação da defesa no ataque e o efeito que isso tem na forma como o Benfica constrói o seu jogo ofensivo. Varela, André Almeida, Lisandro, Luisão, Eliseu podem jogar à vez e a equipa manter-se competitiva, mas torna-se muito difícil quando jogam todos em simultâneo. 
Um clube grande, nos nossos dias, já não pode jogar com um guarda-redes preso à linha de golo e com um jogo de pés sofrível (só um Júlio César em más condições pode perder a titularidade para Varela), não pode ter dois centrais que não se destacam pela saída de bola e laterais que se escondem e que pouco atacam. Esta configuração tem consequências: enquanto Lindelof construía de uma posição recuada e Nélson e Grimaldo davam profundidade, agora isso não acontece e, sem apoios, os extremos são obrigados a flectir para o meio. Este afunilamento ao centro facilita a vida às equipas adversárias, enquanto retira espaço de manobra aos municiadores do ataque, Pizzi e Jonas. Contra o Portimonense, quantas vezes extremos e/ou laterais centraram desde a linha de fundo?
Claro está que o Benfica não é tão mau como pareceu contra o Portimonense, mas há boas razões para estarmos preocupados com o planeamento desta temporada, em particular com o desinvestimento na defesa. Num ano de penta, tínhamos de ter tido outra ambição. Esperemos os regressos rápidos de Fejsa, Grimaldo e Júlio César (ou Svilar). Até lá, o Benfica continuará a ter dificuldades, como teve em Vila do Conde e, agora, na Luz."

Janela de oportunidade

"A Premier League foi a primeira a tomar posição no que respeita ao término da janela de transferências. Em 2018/19, o período de inscrições terminará antes do início da competição. O passo dado num dos mais importantes campeonatos do mundo serviu de mote para o debate à escala global. 
Tendo já abordado os problemas do actual sistema de transferências e os motivos que levaram a FIFPro, em 2015, a avançar com uma queixa junto da Comissão Europeia, não ignoro a necessidade de abordar o actual sistema com pragmatismo. A competição desportiva e os seus agentes parecem conviver melhor com um mercado ‘fechado’. Embora o desporto encontre nesta matéria limitações que não se vislumbram em mais nenhum sector de actividade, a especificidade do desporto tem ‘permitido’ restrições à lei da oferta e da procura, mecanismo que ‘garante’ a estabilidade competitiva e a pacificação das relações entre competidores. Será realmente o único?
Sucede que estamos a discutir mecanismos limitativos da liberdade de trabalho dos atletas. Reconhecendo que a segurança e a igualdade na competição são valores importantes, reduzir o período de inscrições significa condicionar, ainda mais, as escolhas dos jogadores, numa carreira de desgaste rápido e curta duração.
Não podemos resumir a discussão a ‘antecipar’ ou não a data de fecho da janela, mas procurar um sistema com respostas equilibradas face aos interesses (e liberdades) de todos os intervenientes.
Em conclusão, não existe uma resposta única para este problema, existe uma oportunidade para reflectir em conjunto, efectivar o ‘diálogo social’ e encontrar uma solução consensual. Não nos iludamos, não existem soluções providenciais, esta é a única fórmula de assegurar o futuro do desporto, o futuro do futebol."

Chouriços e panelas de pressão

"Há poucas coisas mais prováveis do que encontrar uma mulher bonita dentro de um Fiat 500. Mas entre elas está certamente encontrar indignação nas redes sociais. Diariamente. Por motivos diferentes.
Ora é porque este disse aquilo ou porque aquele disse isto. Porque esta imagem não tem jeito. Porque aquele comentário é racista, machista, feminista, xenófobo, imbecil, pueril, demagógico, inoportuno, idiota. Riscar o que não interessa. É indignação para o menino e para a menina, em doses iguais (para evitar ainda mais indignação).
Uma das últimas - entre as que sou capaz de acompanhar, porque há as que apanho a meio e não consigo entender e as que apanho de início e faço por não entender – metia chouriços. Ou melhor, um deles. O chouriço de André Almeida contra o Portimonense, baptizado por Vítor Oliveira, um homem do futebol, dos maiores deste país, e que, por isso, conhece como poucos a linguagem deste mundo. 
Goste-se ou não, o golo de André Almeida foi um chouriço.
E repito a definição de Vítor Oliveira sem sequer entrar no campo de julgar a intencionalidade do remate. Aliás, pela forma como o lateral do Benfica mete o pé à bola, diria que não é improvável que tenha querido mesmo rematar à baliza, como não é que tenha pretendido cruzar. Só ele saberá e se ele diz que queria rematar, acredito. Até porque é indiferente face ao resultado final da obra.
Querendo ou não, André Almeida marcou e deu a vitória ao Benfica, com um golo candidato a melhor da época (calma lá com o Puskas...), mas que é, por definição, um chouriço.
Aliás, remates de longe, em força, que resultem em grandes golos têm grande probabilidade de encaixarem na gaveta dos chouriços. Creio até que foi Pedro Barbosa que explicou há uns tempos que qualquer jogador de futebol quando remata de longe tem uma preocupação apenas: acertar bem na bola e enviá-la com força. O resto tem muito de sorte e azar.
Entre os melhores golos que vi ao vivo, – todos eles encaixados perfeitamente um degrau abaixo do cabeceamento de Van Persie contra a Espanha no Mundial do Brasil. Ah, como te roubaram o Puskas… - lembro-me de um pontapé incrível do Freddy Guarín no Dragão frente ao Marítimo. Um remate pouco à frente do círculo central que entrou na gaveta. Se repararem, o colombiano encara a baliza para perceber a posição da mesma e depois os olhos não saem da bola. Puxou a culatra e «cá vai disto». Golo.
A reacção de incredulidade, consumada com o «Díos mio» que lhe sai da boca momentos após perceber o que tinha feito, não enganam: grande golo e «ganda chouriço». Se todos nós, em casa, o podemos dizer, para quê ficar indignado quando alguém que está lá dentro diz o óbvio?
Foi o que fez Vítor Oliveira. Dizer o que milhões pensaram, vários deles benfiquistas, certamente, depois de pararem de celebrar o momento.
O chouriço é saudável, – o metafórico, claro, porque o real é delicioso mas não faz nada bem ao colesterol – é alegre, jovial. O chouriço é futebol. Faz parte dele.
Ao contrário das panelas de pressão que Miguel Leal trouxe para a ribalta depois da derrota em Guimarães. «Quem tem medo da pressão que compre uma panela»? Não, mister, não. Isso é o mesmo que aconselhar a compra de uma pistola a quem tem medo de balas.
Vou sempre preferir um treinador que fale de chouriços a um que fala de panelas de pressão. O futebol é dos chouriços, das cuecas, cabritos, coxinhas, roscas, bicicletas, moinhos, bicos, cacetadas, rabonas. É a língua que cresci a ouvir, é a língua que falo.
Indignem-se, paciência. Será só um dia entre vários."

O desporto enquanto alavanca de competências de vida

"Numa semana em que as escolas (e a cidade) começam novamente a fervilhar de "vida", muitos dos agregados familiares debatem-se com a criação de uma rotina que, maioritariamente, rodará em volta do horário escolar dos seus educandos.
As responsabilidades académicas, acrescidas das actividades extracurriculares de natureza desportiva, artística ou associativa geram horários de "trabalho", muito frequentemente, largamente superiores às 40h de trabalho semanal que nos esperam na vida adulta.
A sobrecarga, directa ou indirecta (em contexto de estudo), no que respeita às tarefas curriculares (já sobejamente discutida por diversos especialistas), tende a fazer com que os agregados familiares se questionem acerca da verdadeira importância das actividades extracurriculares, vivenciando-as, muitas vezes, com uma sensação de "fardo" que será "lançado ao mar" assim que as notas evidenciem um "anunciado afundanço".
De facto, este é um tema que merece algum aprofundamento de análise, por parte dos Encarregados de Educação, na medida em que se tomam, agora, decisões que, desejavelmente, devem ser mantidas a médio/longo prazo (entenda-se: o ano lectivo que agora se inicia), independentemente do rendimento escolar que esteja a ser evidenciado.
Desde já alguns anos, tem circulado um texto muito curioso na internet onde, um pai responde a outros pais, quando questionado sobre o investimento (tempo e monetário) que tem feito, ao longo de uma série de anos de prática da sua filha (ginasta).
A resposta, em discurso directo, poderia ter sido retirada de qualquer manual de psicologia do desporto/performance, caso estivéssemos a folhear um capítulo sobre maturação e desenvolvimento infanto/juvenil.
De facto, a introdução da prática de exercício físico (ou desportiva - esta última implica competição), desde idades precoces, assume-se manifestamente como um forte aliado dos encarregados de educação, no que respeita ao treino de um conjunto de competências de vida que, a médio prazo, revelar-se-ão como indiscutíveis pilares para o sucesso (independentemente do projecto de vida que a pessoa venha a assumir para si própria).
Passemos, em relance, algumas delas:
Integração de um Estilo de Vida Activo
Assumindo as taxas de sedentarismo e obesidade, valores verdadeiramente assustadores na cultura ocidental (Portugal não é excepção), a prevenção através da uma "cultura de estilo de vida activo", acaba por ser um dos principais factores associados a indicadores de saúde física e psicológica mais elevados.
Maior Consciência Corporal
Varias dimensões do funcionamento humano dependem da nossa consciência corporal (escreveríamos vários livros sobre o tema), pelo que, gostaria apenas de evidenciar, por agora, o seguinte: sendo os millennials e os pós-millennials, duas gerações iminentemente direccionadas para actividades de carácter tecnológico e cognitivo, chegando a dedicar mais de 2h/dia às mesmas, a falta de conexão com a resposta fisiológica do corpo acaba por ser muito evidente. Este tipo de "limitação", traduz-se maioritariamente, na incapacidade de interpretação de respostas de carácter fisiológico o que compromete, de igual forma, a sua capacidade de discernimento emocional (uma vez que as emoções possuem uma componente fisiológica importantíssima) e, consequentemente, o seu nível de inteligência emocional. A prática desportiva, por esta razão, constitui-se como um excelente veículo de optimização da percepção da resposta fisiológica.
Regulação Emocional, Auto-Confiança
A exposição a um contexto de "treino, treino, treino, frustração, repetição, frustração, superação", devolve às crianças/jovens a noção de que, independentemente do afecto que possa estar a vivenciar no momento (desafio ou medo, alegria ou frustração), a manutenção do esforço e do propósito traçado eleva, a curto-médio prazo, as competências de auto-regulação e a confiança de que o esforço nos aproximará das metas traçadas.
Esta é, muito possivelmente, uma das mais importantes aprendizagens de vida: Os estados emocionais alteram-se mas o esforço deve manter-se pois, só assim, veremos reforçada a consciência da nossa efectiva capacidade.
Competências Sociais
De facto, este contexto é um excelente meio para aprender a ouvir o outro (e a aguardar a oportunidade para falar), para trabalhar e pensar de forma autónoma e em equipa, para aprender a importância da cooperação e entreajuda, para aprender a liderar tarefas e a ser liderado, para aprender a ser disciplinado em grupo de pares e a respeitar a hierarquia, entre tantas outras competências necessárias para ser bem sucedido em grupo de pares.
Determinação e Auto-disciplina
Este é um contexto onde, quase invariavelmente, o esforço se traduz em resultados pois, os atletas mais dedicados e esforçados, tendem a obter resultados mais consistentes a médio-longo prazo, até porque, os resultados fugazes resultantes de mero talento ou vantagem anatómica, tendem a desaparecer em escalões etários mais avançados onde, apenas a fórmula 'talento e trabalho' produzirá resultados significativos. 
Superação de Medo e Exposição
O contexto desportivo, pela sua natureza lúdica onde as crianças naturalmente gostam de se ver envolvidas, acaba por se assumir um contexto de excelência para as crianças vivenciarem todo o ciclo "medo-desafio" ou, por outras palavras, experimentarem o "gozo" associado à superação do que, outrora, foi um obstáculo.
A exposição associada ao contexto competitivo, propicia desde tenra idade, a possibilidade da habituação a actuação de performances em contextos de plateia, cuja mestria será um fator discriminante positivo em contexto académico/profissional.
E, esta lista poderia ser, tal como se encontra cientificamente comprovado, infindável.
Por todas estas razões, uma reflexão aprofundada sobre as vantagens/desvantagens (muitas vezes, mais de natureza "logística") do envolvimento dos jovens em actividades desportivas deve ser de facto levada com a seriedade necessária, até porque, não basta "depositar" os jovens nos clubes (como muitas vezes se observa)... há que escolher participar também neste tipo de actividade, assumido, conjuntamente com os respectivos treinadores/clubes, como uma parceira que assumirá e repartirá as devidas responsabilidades, ao longo de toda uma época desportiva.
Será, por certo, uma "aposta ganha"."

Alvorada... ressaca com o Guerra

105x68... rescaldo

Cadomblé do Vata

"1. É possível dormir mal com azia e ver nisso algo de positivo? Sim, porque assim chego à conclusão que ainda sofro pelo SLB com a inocência de uma criança.
2. Uma vez queria ir de Loulé para Almancil de autocarro, mas para poupar dinheiro comprei bilhete só até à Goncinha. Como o revisor apareceu logo depois da Goncinha, tive que sair na paragem de Vale Formoso e fazer o resto do trajecto a pé... ontem o SLB também queria ir até aos 90 minutos, mas só tinha bilhete para 45 e deu de caras com o revisor aos 50..
3. Afinal eu estava errado e o Lisandro é de facto extremamente útil ao SLB... obrigou o lateral direito adversário a fazer tantos lançamentos laterais na primeira parte, que depois do intervalo ele já nem podia com os rins.
4. Sempre defendi e defenderei que o SLB tem a obrigação de respeitar e homenagear todos aqueles que vestiram o Manto Sagrado com brio e orgulho... é neste âmbito que dou os parabéns aos nossos jogadores pelos 48 remates de fora da área desferidos ontem, numa mais que merecida homenagem ao Isaías.
5. Poucas coisas há a retirar de positivo do jogo de ontem, mas Grimaldo é uma delas... nem tanto pelo que jogou, mas pelo que disse e que devia valer um golo: "árbitro? Uns dias é a nosso favor, noutros é contra"."

Benfiquismo (DXCV)

Nas Vitórias... e no resto!!!

Vermelhão: Espanholada!!!

Benfica 1 - 2 CSKA Moscovo


A equipa não está bem, com ausências importantes; jogadores em má forma; falta de confiança noutros; outros a recuperarem o ritmo após lesões...; tudo isto em cima de um defeso que deixou o plantel desequilibrado... Dito isto, hoje, jogámos mais do que o suficiente para vencer. Aliás, os Russos praticamente nada fizeram, nem para empatar...!!! Eu sei que as analises resultadistas ditam outro tipo de crónicas, mas hoje o Benfica foi derrotado por um individuo: o árbitro!
E sim, noutros 'tempos', mesmo com este árbitro, o Benfica teria conseguido dado a volta, mas neste momento a equipa não tem 'tolerância' a este tipo de obstáculos extra!!!

Dentro dos adeptos do Benfica e na Direcção existe uma confusão grande: uma coisa é ter uma estratégia permanente de difamação, coacção e desculpabilização com as arbitragens, inventando conspirações, mentido, manipulando... Outra coisa totalmente diferente, é reagir a 'roubos' descarados, como aconteceu hoje; como aconteceu na Final com o Sevilha, como aconteceu à uns anos com o Chelsea... como aconteceu em São Petersburgo recentemente, etc. etc. etc.... Ignorar este tipo Ladroagem, não ajuda... Esta postura 'digna' de ser 'roubado' e ficar de braços cruzados, não é a minha...

Este filho-da-puta já nos roubou várias vezes, recordo-me de 'cabeça' de um jogo em Lyon... Em cinco jogos, nunca vencemos, é claramente um daqueles encornados, que não pode ver vermelho à frente!!! Com o 'padrinho' Angel Villar na 'gaiola' talvez seja posto fora da Europa, mas não me admirava nada de o ver no final da época, numa das Finais da UEFA, estilo Skomina, Brych... Normalmente, estes 'artistas' são recompensados!!!

O CSKA criou algumas 'quase' oportunidades, em perdas de bola evitáveis, o Benfica não quis fazer transições rápidas, até porque os Russos deixavam sempre 5 a 6 jogadores lá atrás, mas em ataque continuado, mesmo com alguma lentidão, fomos criando oportunidades...
O penalty (com expulsão) sobre o Seferovic é escandaloso... o lance que dá o penalty do Almeida, começa com uma falta descarada sobre o Ziv junto da área Russa... o André não aumenta a volumetria, alias encolhe o braço, num remate à 'queima' com a bola a saltar na relva... Nunca um lance destes é penalty, nunca... em lado nenhum!
De um possível 2-0, a jogar contra 10, passámos para 1-1...!!!
Na ressaca de um canto, surge o 1-2...
Até ao fim, além dos cartões perdoados, das Mãos perdoadas aos Russos... das perdas de tempo inacreditáveis do próprio árbitro, sempre que mostrava um Amarelo, o Benfica foi tentando... com pouco esclarecimento, não querendo entrar no 'chuveirinho', mas com pouco cabeça!
E já nem falo da Mão logo no início do jogo, no cabeceamento do Lisandro que deu em pontapé de baliza, nem do empurrão ao Almeida para cima do Varela... etc. etc....

Não é fácil retirar algo de positivo do jogo desta noite: boas exibições do Varela, do Zivkovic... regresso do Grimaldo positivo... o Pizzi e o Salvio a recuperarem ritmo...
A grande crítica que tenho a fazer ao Rui Vitória, está ligada ao Jonas. O Jonas fez o pior jogo com a camisola do Benfica. Se o Jonas não estava em condições, não podia ter jogado. Foi notória a lesão no jogo com o Portimonense, logo no início... Jogou debilitado o resto do jogo com o Portimão, o normal seria ser poupado hoje, não foi... E a equipa saiu prejudicada, e vamos ver se não vamos sair ainda mais prejudicados nos próximos jogos!

Nas últimas épocas, os arranques da fase de grupos da Champions, não tem sido famosos!!! A derrota com o Zenit foi fatal... o empate com o Besiktas deu para rectificar... Muito sinceramente, acho que o CSKA dificilmente vai pontuar novamente neste grupo, o Benfica com todo o plantel disponível e com os jogadores em forma, tem tudo para discutir o 2.º lugar com o Basileia, mas...

Agora, é recuperar a 'cabeça' para Sábado no Bessa. Um jogo que será, seguramente uma batalha campal...!!! Independentemente do que acontecer na Europa, o Campeonato é outra 'história'!!!

Sobre a fraca assistência, e o aumento dos preços dos bilhetes, tenho que recordar que nas últimas épocas, os preços mantiveram-se iguais, mesmo com o aumento enorme do IVA... A Direcção optou, esta ano, para fazer o aumento de uma só vez... aquilo que devia ter sido aumentado gradualmente, foi de uma só assentada!!! Compreendo o desagrado; compreendo os Benfiquistas que vivem longe; compreendo os Benfiquistas que estão financeiramente apertados...; mas sei que existem muitos Benfiquistas, que não estão com restrições financeiras; que não vivem demasiado longe; e só não foram ao Estádio da Luz, por puro comodismo do 'sofá'!!! O problema não é novo, infelizmente...

Alvorada... com o João Paulo

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Promissor...


Benfica 5 - 1 CSKA Moscovo


Curiosamente até entrámos mal no jogo... mas rapidamente tomámos conta da partida, e só o desperdicío e grande exibição do guarda-redes Russo adiou os golos...!!!

Com os 'reforços' da B, temos equipa volta a Nyon... hoje ainda faltaram o Álvaro, o Csboth o Duk... Vamos ver como decorre o resto da prova...

Um psiquiatra, urgente!

"Desancar árbitros e arrasar arbitragens é arma dos fracassados. As pessoas apreciam, as audiências sobem e quem manda pouco faz para colocar ponto final neste regabofe.

Qualquer pessoa com um mínimo de noções sobre os artifícios utilizados na arte de influenciar a opinião pública apercebe-se que é cada vez mais descarada a aliança entre FC Porto e Sporting com o objectivo de combater o domínio do Benfica. Começou com a discrição conveniente, como se tratasse de um namoro proibido, mas aos poucos foi perdendo a vergonha e hoje em dia basta uma passagem breve por programas televisivos ou textos de opinião em jornais para se observar uma espantosa consonância entre dragão e leão quando se trata de alvejar o inimigo comum. Com a particularidade de, regra geral, ser o primeiro a sugerir o tema e o tom e o segundo a bater palmas, tornando-se esta dependência mais notória, no estilo e na orientação, ao nível dos departamentos de comunicação dos dois clubes. Se a norte há uma corrente de ar logo a sul alguém dá um espirro, ou seja, existe uma relação harmoniosa entre a causa e o efeito.
A estratégia não é nova e em mais de uma ocasião e ela me referi, chamando a atenção para o 'Cerco ao Benfica' através de 'Alianças fingidas', sobretudo a partir do final da época 2014/15, quando Jesus se mudou para Alvalade.
Na temporada transacta continuou a ser tentada, com mais afinco, mas voltou a não passar de iniciativa falhada por duas razões simples:
1.ª - O Benfica ergueu uma muralha de silêncio que muito irritou as vozes da provocação, as quais não se cansaram de zurzir Luís Filipe Vieira pela sua sonsice, dando a entender que não era nada com ele, e também pelo seu atrevimento em deixá-los a falar com... ninguém.
2.ª - No campo desportivo, mesmo contra ventos e marés, o tetra foi alcançado. E... como reacção espontânea o penta encabeçou a lista de prioridades na época que ora decorre.

Natural, ambição da águia e assumida sem preconceitos pelo próprio presidente no auge dos festejos no Marquês, para sobressalto da propaganda de concorrência em face da segurança transmitida por Vieira, principalmente quando sublinhou querer ganhar, sim, sem colocar em causa, no entanto, a estabilidade financeira da sua instituição por causa de um título.
Manifestação de força do líder benfiquista, em contraposição ao aperto que os homónimos rivais sentem, ambos com a corda na garganta, embora por motivos diferentes:
Pinto da Costa tem inscritas no currículo de longos anos relevantes conquistas no futebol nacional e mundial; Bruno de Carvalho, no quinto ano do presidência, sente-se mais à-vontade a prometer do que a ganhar.
Mesmo com esquemas mais elaborados para dizer coisas, provocar discussões ou fomentar intrigas, qualquer aliança entre ambos é e será de vida curta. Em concreto, o prazo de validade desta vai expirar na última semana de Setembro, a que antecede a oitava jornada da Liga, que inclui um clássico, o Sporting-FC Porto, a um de Outubro.

Nada do que se tem verificado apanhou de surpresa Luís Filipe Vieira, tanto que, em intervenção recente, antecipou que tudo iria valer para impedir o Benfica de ser campeão (A Bola de 1 de Agosto). Como? Se não se consegue no local certo, no relvado, tenta-se fora dele. É o tal jogo fora das quatro linhas. É o vale tudo, em que os fins justificam os meios, é o querer triunfar a qualquer preço. Foi assim no passado e há quem queira que também seja assim no presente.
Antes era o árbitro, agora é o árbitro mais o videoárbitro, uma ferramenta importante para ajudar na verdade do jogo, mas quem perde não resiste à tentação de agitar uma verdade alternativa como instrumento de defesa. Cada qual julga-se dono da sua verdade e esse problema o videoárbitro não resolve, é mais uma questão educacional.
Salvo honrosas excepções, as conversas muito raramente se centram na competência de treinadores ou na sua inépcia, assim como pouco se fala de erros de avaliação de opositores, de deficientes abordagens competitivas, de substituições mal calculadas ou de estratégias absurdas. Sobre jogadores, então, chouriços à parte, é como se fossem figuras sem importância...

Desancar árbitros e arrasar arbitragens é arma dos fracassados. As pessoas apreciam, as audiências sobem e quem manda pouco faz para colocar ponto final neste regabofe. Omissão que explica a libertinagem comunicacional reflectora de uma clubite arcaica que é alimentada por quem pretende chafurdar num futebol sem regras e à margem da lei. Neste ambiente futebolístico a precisar de urgente tratamento psiquiátrico só faltava que os directores de comunicação fossem transformados em cabeças de cartaz. Tem tanto de fantástico como de inimaginável...
Estou farto de escrever isto, mas insisto: um país que é campeão da Europa, que tem o melhor jogador do mundo e o melhor treinador do mundo e já teve o melhor árbitro do mundo, deve ter, porém dos piores dirigentes do mundo. Com o pedido de desculpas aos que são bons e muito bons. Poucos, infelizmente."

Fernando Guerra, in A Bola