Últimas indefectivações

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Vitória... muito 'azul' !!!

Sanjoanense 5 - 8 Benfica

O mais importante era a vitória, e a qualificação para as Meias-Finais da Taça de Portugal, onde vamos defrontar o vencedor da partida entre Juventude Pacense e a HC Cambra.
Não vi o jogo, mas não posso deixar de estranhar o 15-20 em faltas, e o 1-4 em Azuis!!! Tudo isto apitado por um dos famosos Pinto, o Zé!!! A falta de vergonha é inacreditável...

No rescaldo

"Terminou a época do futebol nacional, em que o domínio do Benfica foi total e justo. «O Campeão voltou» chama-se em uníssono, entre as hostes encarnadas. De facto, o que não foi apenas a alegria da conquista de todos os títulos nacionais numa temporada, mas a ideia que, desta vez, é para continuar. Que não foi fruto do acaso e de circunstâncias excepcionais, antes foi consequência de um trabalho persistente, competente, integral e estável que já se antevia em épocas transactas. A equipa acabou desgastada pelo cansaço físico e emocional. A final da Taça contra um valoroso para uma saborosa vitória, em particular para Jorge Jesus que bem a mereceu.
A temporada evidencia também que, para estar em todas as frentes, é preciso ter praticamente duas equipas de valor não muito dissemelhante. Com a agravante de, no próximo ano, haver essa aberração de mais 4 jornadas no Campeonato (para já não falar numa 2.ª divisão com 24 equipas e 46 jornadas!).
Agora começa o defeso, a meias com o Mundial. Vai ser um ver se ter avias com notícias, não-notícias, rumores mentidos e desmentidos.
Não sei o que vai acontecer no Benfica. Será bom que Jorge Jesus possa continuar o seu exponencial trabalho e que a inevitável sangria de jogadores seja controlado. Leio os jornais e, de tanto nome que se fala que vai sair, quase me pergunto se há equipa daqui para a frente. Confio nas decisões que terão que ser tomadas no equilíbrio do binómio resultados desportivos/estabilidade financeira. E também espero que se aproveitem alguma boas promessas da equipa B e de juniores."

Bagão Félix, in A Bola

Lima, em balanço...

Da Luz para o Mundo !!!

Pedro, o Grande !!!

Para a história

"O Benfica ganhou a Taça de Portugal juntando-se ao Campeonato Nacional e à Taça da Liga. Garanti um inédito triplete na história do futebol em Portugal.
Não foi nada fácil vencer o Rio Ave no Jamor, foi preciso muito trabalho e o particular talento de Gaitán e as mãos de Oblak. O Rio Ave montou bem a estratégia. Nuno Espírito Santo deu a iniciativa ao Benfica durante a primeira parte e preparou um feroz ataque na segunda aproveitando o desgaste físico e psicológico da equipa da Luz.
É bem verdade que o Benfica termina a época em beleza conquistando a 25.ª Taça num relvado absolutamente fantástico e preparado para receber o jogo do centenário entre Portugal e a Grécia no dia 31.
Uma nota de destaque para a nova bancada instalada criando óptimas condições para ver o espectáculo. As melhorias no Jamor são bem visíveis fruto da parceria entre o Governo e a FPF, mas se todos os adeptos se lembrarem de entrar 10 minutos antes do jogo a confusão existirá sempre. Todos sabemos que o piquenique no Jamor é tradição e festa, mas temos que ter a noção que não se pode prolongar quase até à hora do jogo.
Quem estava muito feliz era Jorge Jesus, que conseguiu finalmente ganhar a Taça de Portugal quebrando a maldição. Vejam bem como num ano quase muda tudo e para ser uma época perfeita só faltou mesmo vencer em Turim a Liga Europa.
O jogo foi lento e nem sempre bem jogado derivado ao calor, mas também ao desgaste físico dos jogadores. Uma final que todos queriam ganhar, mas só uma equipa podia levantar o troféu na prova rainha do futebol português. Calhou ao Benfica e fez-se história. Uma palavra para Carlos Xistra com trabalho globalmente positivo.
Para o ano teremos mais..."

Hermínio Loureiro, in A Bola

PS: 'Postei' esta crónica aqui, para provar a cegueira dos 'croquetes'!!! Apesar do sportinguismo do Hermínio Loureiro, reconheço-lhe qualidades. Um dos melhores e mais isentos dirigentes do futebol português, dos últimos anos...
Agora, como se pode ler, não está imune a alguns dos males... do Futluso:
- Como está habituado a ir para a Tribuna, com tratamento Vip, com estacionamento privilegiado, bilhete oferecido, à sombra... não pode sentir na pele, os problemas dos simples adeptos, que têm que comprar bilhete, têm que encontrar local para estacionar o carro - após os Parques do Jamor estarem fechados, apesar de ainda caberem muitos veículos lá dentro!!! -, têm que ir para a torreira do Sol, e para quem tem o azar de ficar na bancada Norte do Jamor, é obrigado a passar por 1 entrada!!! Uma entrada, para 1/3 da capacidade do Jamor!!!
- Outro vírus dos 'croquetes', é o cooperativismo!!! Parece que sentem a obrigação de se proteger uns aos outros... Elogiar o trabalho do Xistra, é mesmo de cego, mas também não o podemos acusar de muita coisa, porque os jornaleiros supostamente profissionais e isentos, fizeram o mesmo!!! Quando alguém (profissional) observa a repetição do penalty sobre o Lima, e diz que os jogadores tropeçaram, não podemos esperar muito mais dos 'croquetes' independentes!!!
- O problema destes 'vírus' (males) é que como não reconhecem os erros, para o ano, muito provavelmente, vamos ter que os aguentar novamente...!!!

Imortal

Tributo...

Campeões para sempre...

terça-feira, 20 de maio de 2014

Aviso à navegação...

Depois das celebrações, é tempo de começar a trabalhar exclusivamente na próxima época. O anuncio da contratação do jovem Polaco Dawidowicz, é um bom indicador...
Nas últimas vezes que fomos Campeões, passámos demasiado tempo a festejar, e acabámos por começar a época seguinte, mal preparados... Espero que isso não aconteça, desta vez. É sempre bom recordar que na época 2010/2011, começamos a época, com 9 pontos roubados nas primeiras 4 jornadas, e só não foram 12, porque o Roberto defendeu um penalty, na Luz, com o Setúbal!!!
O Benfica não pode cair no conto do vigário: Corruptos fragilizados !!! Nós sabemos que ele não precisam de treinadores ou jogadores, para serem competitivos... quem se deixar iludir que algo mudou no futebol português, está a ser ingénuo!!!

Se querem provas que o Sistema anti-Benfica está vivo, bem vivo, basta ouvir ou ler, a quantidade de atrasados mentais, que estão a tentar empurrar o Jesus para fora do Benfica!!! Inventam os argumentos mais parvos, para defenderem a saída do Jesus... Eles estão aflitos, desesperados...!!! Como já afirmei anteriormente, o Presidente do Benfica, nunca iria aceitar uma saída do Jesus, neste momento. Por isso, Jesus só sairá, forçando a saída, contra a vontade do Presidente, e isso é algo que o Jesus nunca fará ao Presidente, depois de tudo o que Vieira fez por ele... Nunca!!!

Resolvida a questão do treinador, vamos aos jogadores: as declarações do Rodrigo, e a indefinição no Valência deram-me algumas esperanças, mas a recente confirmação da compra do Valência pelo Peter Lim acabou com a novela: Rodrigo e André Gomes vão ser jogadores do Valência na próxima época. Ponto final. Hoje, é notícia a possibilidade do Garay, também ir para Valência, não sei se é verdade, mas se não for para Valência, deverá ir para outro Clube...
Não podemos ser hipócritas, quando são publicadas as contas do Benfica, é ver muitos escandalizados, com o Passivo, com a massa salarial, entre outras discussões. Também é 'praticamente 'público que o Benfica pretende baixar os custos fixos (salários) nas próximas épocas, sendo assim ninguém se poderá indignar quando o Benfica decide não acompanhar as ofertas salariais que se praticam fora de Portugal. Se fosse eu (adepto), a decidir, se calhar oferecia o salário que o Garay quisesse, mas ainda bem (para o Benfica!!!) que sou só adepto!!!
Mas no geral creio que os Benfiquistas já estão mentalizados, a saída do El Negro é praticamente inevitável, o regresso do Lisandro López deixa a maioria descansada, mas curiosamente, eu, não estou convencido!!! Até agora, ainda não vi o Lisandro jogar como Central do lado esquerdo!!! Para alguns jogadores, jogar num lado ou noutro, não interessa, mas para outros (Luisão por exemplo...) o rendimento é completamente diferente... Sempre vi o Lisandro como um possível substituto do Luisão e não do Garay... espero que os meus receios não se confirmem...
Estas três saídas (Garay, Rodrigo, Gomes), são aquelas que dou como garantidas. Aceitaria também com algum 'agrado', as saídas do Artur, do Sulejmani, e do Djuricic, caso tivéssemos propostas interessantes... Pela primeira vez, também aceitaria a venda do Cardozo!!! A meio desta época, o Benfica mudou a forma de jogar (também desconheço se o Cardozo está totalmente recuperado do problema nas costas), sabendo da necessidade do Benfica em efectuar receita com a venda de jogadores, entre perder o Enzo, ou o Gaitán, ou o Salvio... prefiro perder, neste momento, o Tacuara!!! Em vez de fazermos uma grande venda, como temos feito nas últimas época, podíamos chegar a um valor próximo, vendendo vários jogadores (o Kardec por exemplo, já conta para a soma...), que neste momento não são titulares... creio que é a melhor estratégia. Temos ainda vários emprestados, que também podem fazer parte destas contas...
Com a titularidade do Oblak, e com a excelente época do Bruno Varela na equipa B, creio que faz todo o sentido uma venda do Artur. O Sulejmani, foi bastante irregular, chegou a custo zero, e tem mercado nos Países Baixos. O Djuricic foi a grande desilusão da época, ainda é bastante jovem, mas se oferecerem um valor igual, ao que gastámos na compra, eu, vendia!!!
Digo já, que não acredito nas vendas do Salvio ou do Enzo. Mas no caso do Enzo é preciso renovar o contrato, com uma actualização salarial.
O caso mais bicudo pode ser o Nico. Só venderia o Gaitán por um valor a rondar os 30 milhões. Mas se ele sair temos que ir buscar outro jogador de valor idêntico, algo que não será fácil. O 'falado' Candeias, não chega!!!
Para fechar o dossier das saídas, falta falar dos emprestados: os dois defesas-esquerdos!!! A renovação do empréstimo do Sílvio creio que será fácil, devido à lesão... Mas no caso do Siqueira prevejo uma grande novela de Verão!!! O ideal seria mandar o Mitrovic à troca para Granada, mas também já li que o problema é o ordenado que o Siqueira pede!!! Com a lesão do Sílvio (se ficar...), temos que ter outro defesa-esquerdo logo no início da época. Este é daqueles assuntos que não pode ser adiado, até ao final da janela de transferências...

Em relação às entradas, com o anuncio do Dawidowicz, se confirmar-se como opção para a equipa A, resolvemos o problema da saída do Matic. Ainda por cima com o Amorim e o Fejsa, muitas vezes lesionados, temos que ter mais opções para o meio. Basta recordar como o Enzo terminou o jogo do Jamor!!! Aliás a questão das lesões recorrentes do Amorim e do Fejsa, faz-me mesmo duvidar, se além do Pawel, não deveríamos ter um 5.º médio-centro no plantel!!!
Sem o Rodrigo, e provavelmente sem o Cardozo, o principal problema do mercado, vai ser encontrar avançados para fazer companhia ao Lima. Pontas-de-lança de qualidade raramente são baratos... Gosto da atitude, e até reconheço algumas qualidades no Funes Mori, mas falta-lhe o faro pelo golo... Precisamos de 2 avançados de qualidade para fazer companhia ao Lima. Ponto final!!! E aviso já que o Belga do Standart, Batshuayi, não me convence!!!
O resto das contratações depende da confirmação das saídas: com Siqueira e Sílvio não precisamos de outro defesa... Com o Nico, não precisamos de mais Alas (Markovic, Salvio, Nico, Candeias(?), Hélder Costa...)

Para terminar a conversa, espero que o Bernardo faça parte do plantel principal. Neste momento, não reconheço ao Djuricic qualquer qualidade que o Bernardo não tenha, bem pelo contrário!!! Pessoalmente, o Lindelof também poderia fazer parte das opções, seria um 2.º André Almeida!!! O Sueco, pode fazer 3 posições, e neste momento até pode ser o melhor substituto do Maxi na lateral direita...
Em relação ao Cavaleiro, espero que seja uma opção para o lugar do Rodrigo. O Ivan não é extremo, é avançado... Quem pode fazer o papel de 5.º Ala, pode ser o Hélder Costa...!!!

Dos vários emprestados que o Benfica tem, além do Lisandro: Pizzi, Ola John, Nélson Oliveira, Farinas, Sidnei, Jara, Correa, Ascues, Djaló, Michel, Mitrovic, Airton, Varela, Correa, Liz, Rojas, San Martin, Clésio... de todos estes, aquele que está mais próximo de entrar na equipa, podia ser o Pizzi, mas não creio que seja jogador para o Benfica. Entre o Candeias e o Pizzi, acho que o Candeias tem mais capacidade de drible curto do que o Pizzi, e isso num Ala do Benfica é importante, porque o Benfica não joga em contra-ataque, um sistema que se adapta mais ao estilo do Pizzi. O Nélson Oliveira é uma questão de atitude. O Mitrovic fez uma boa época em Espanha, mas continuo a pensar que não tem qualidade para jogar no Benfica, devemos aproveitar a boa imagem que ele tem neste momento no mercado Espanhol... 

O meu plantel para o ano, com uma margem de erro grande, a esta distância:
GR: Oblak, Bruno Varela, Paulo Lopes
DC: Luisão, Lisandro, Jardel, Steven
DE: Siqueira(?), Sílvio(?)
DD: Maxi, Almeida, Lindelof
MD: Fejsa, Dawidowicz
MO: Enzo, Amorim, (?)
AD: Salvio, Markovic
AE: Nico, Candeias(?), Hélder Costa
AV: Lima, Cardozo(?), (?), Cavaleiro, Bernardo

Pawel Dawidowicz

Primeira contratação oficializada. Já cá tinha estado, já estava oficiosamente contratado, mas só hoje tirou a 'foto'!!!
Parece que os jornaleiros são unânimes, em apontar este jovem Polaco para a equipa B. Pessoalmente, sem ter acesso a informação privilegiada, não me parece que vá para a B. Aliás a minha confiança é tanta, que estou a escrever este post, porque se fosse para a B, não perdia tempo!!!
Tendo em conta a grande margem de erro, que os videos/resumos do YouTube merecem, este parece que não engana... Se tiver que apostar, aposto que vai ser opção para a equipa principal!!!
Ainda por cima alguns jogadores vão chegar atrasados devido ao Mundial, sendo assim é praticamente seguro o Pawel vai ter oportunidades na pré-época, e o Jesus não o vai desperdiçar. Provavelmente será uma opção para o lugar do Fejsa!!!
Agora só temos que aprender a pronunciar o nome dele... se calhar é melhor esperar pelo Jesus, ele seguramente vai traduzir a coisa por miúdos!!!

Cento e quarenta e três quilómetros para Oeste

"Não foi a primeira vez que o Benfica decidiu uma final europeia em Itália. A outra foi em 1965 e foi infame! Contra o Inter, em Milão, em pleno S. Siro. Ficou para a lenda!

DE Milão a Turim são 143 quilómetros. Para Oeste. Não foi esta a primeira final disputada pelo Benfica em Itália. Houve outra, em 1965. Injusta final, essa. Um pouco por toda a parte, havia o incómodo, o desconforto: a UEFA, pela voz do presidente do Comité Organizador da Taça dos Campeões, José Crahay, anunciara, após as meias-finais, que a final se disputaria em S. Siro, a casa do Inter, Campeão Europeu em título. A decisão era inédita, inacreditável. Mas foi levada por diante. Em caso de empate, finalíssima em Bruxelas.
S. Siro encheu, claro! 180 milhões de liras de receita, recorde absoluto do grande estádio de Milão, qualquer coisa como 8.500 contos da época.
80.000 pessoas estariam nas bancadas para assistir à segunda vitória da equipa de Moratti e Heleno Herrera na Taça dos Campeões da Europa.
«Lasciate ogni speranza, voi chi entrate», dizia Dante, no «Inferno».
S. Siro seria o inferno. Não havia esperança para o Benfica.
O Benfica contrariou o Inferno, no entanto.
«Esse Benfica que a UEFA quis transformar num grupo de convictos cristãos da era moderna, a lançar às feras famintas da grande arena de S. Siro, fora a grande sensação do jogo e dera uma 'lição de bola' ao estranho e 'irrealizado' Inter, edição H.H., com o seu futebol manhoso e sádico, marcado por aquilo que se chama em Itália de 'profundo realismo'» escreveu Vítor Santos em «A Bola».
Impressionante! Frente a um conjunto enrolado na sua casca, como o bicho-de-conta, o Benfica efectuara uma exibição estupenda de determinação e de autoconfiança, produzindo um futebol construtivo, profundamente atacante e sempre imbuído daquilo que se pode chamar o espírito imperecível do 'association'.
O Benfica foi, em S. Siro, personagem principal de um dos momentos mais dramáticos do futebol português. A três minutos do intervalo, um remate enrolado do brasileiro Jair, faz a bola fugir, em jeito de galinha assustada, por entre as mãos, por debaixo do corpo, pelo meio das pernas de Costa Pereira. Grande especialista do futebol de não perder Herrera era o mestre dos mestres no futebol de guardar vantagens inesperadas. O Inter defendeu-se, recolheu-se, fechou-se. Todos os verbos que pudesse utilizar seriam reflexos: eram onze homens trancados sobre si próprios, auxiliados pelo lamaçal em que se transformou um relvado infame. E contra isso nada pôde a valentia lusitana.
Aos 12 minutos da segunda parte, Costa Pereira, herói de Berna, réu de Milão, não resiste a uma hérnia discal e a um traumatismo no pé direito. Não sendo ainda tempo de substituições, é Cávem quem se prepara para vestir a camisola de guarda-redes. Mas é Germano que toma, finalmente, o seu lugar, incapacitado, também ele, por uma rotura muscular na coxa.
São dois infernos: o de S. Siro e o das lesões.
Nenhum ser humano seria capaz de atravessar dois infernos assim.

Uma avalanche de elogios
RODOLFO PAGNINI, jornalista do «L'Unitá»: «Escrevemos estas linhas febris enquanto os jogadores do Inter correm em redor do rectângulo, transportando bem alto, sobre as cabeças, a Taça da Europa. No centro do terreno encharcado de chuva e de suor, distingue-se o vermelho das camisolas do Benfica. Eusébio, Germano, Coluna e os seus companheiros olham para a festa que os envolve, desconsolados, tristes. A alegria do Inter é a sua tristeza. Uma tristeza, uma amargura, plenamente justificada. O público apercebe-se disso. E rompe um aplauso fragoroso e espontâneo. O Benfica perdeu, mas sai de campo com todas as honras. Pode levar consigo, para Lisboa, as armas do nobre vencido. Saído Costa Pereira, todos pensaram: o Inter tem a vitória na mão. E prepararam-se para saborear mais golos. Ao invés, a partida terminava, nesse momento, para a equipa de Milão. Porquê? Porque o Benfica, essa maravilhosa equipa, actualmente a mais forte da Europa, não quis render-se ao inelutável, e fez uma apelo ao seu desmensurado orgulho, lançando-se para a frente, de cabeça erguida, indo buscar forças ao fundo do coração e da alma».
J.L. Manning, jornalista do «Daily Mail»: «Com tudo contra si, o Benfica teve uma actuação memorável em S. Siro. A Taça da Europa foi, no entanto, entregue a uma equipa de Milão pela terceira vez. Mas esta vitória não tem qualquer justificação, desobedecendo a todos os princípios que deveriam balizar um torneio de futebol. Os portugueses foram derrotados por um golo de acaso que nunca teria sido marcado num campo em condições regulares. E durante a última meia-hora suportaram ainda a falta do seu guarda-redes. Ninguém poderá dizer que este jogo se moveu pelas regras da justiça! O Benfica tinha razões suficientes para se queixar da decisão da UEFA de marcar o jogo para o estádio do Inter. Mas presenteá-lo, ainda por cima, com um sepultura inundada, foi um verdadeiro insulto. O jogo devia ter sido adiado».
Jean Eskenazy, uma das figuras do jornalismo francês, conhecido por andar sempre elegantemente vestido e de cravo na lapela, escrevia por sua vez no «France-Soir», no seu estilo curioso e vivo: «Não pretendemos dizer que o Inter foi indigno da vitória. Mas quando recebe, uma pessoa bem educada deve dirigir a conversa. Ora, ontem, em S. Siro, só o Benfica fez as despesas da conversa, só ele recheou o jogo dos melhores trunfos. E mesmo jogando sem o seu guarda-redes obrigou os italianos a defenderem-se ferozmente. Se me fosse dado a escolher uma equipa à qual oferecer a vitória, não teria dúvidas: dá-la-ia ao Benfica. É uma grande equipa, cheia de talento, de coração e de vontade. Caiu como só os grandes sabem cair. Felicitemo-la. No jogo de Milão, foi o vencido que saiu engrandecido e isso força a nossa admiração e respeito».
Cento e quarenta e três quilómetros para Oeste e um sonho por descobrir."

Afonso de Melo, in O Benfica

PS: Afinal, além do Guttmann, parece que existe qualquer coisa entre o Benfica e esta região de Itália!!! Podem assistir aqui ao jogo completo:

O Cota, a dar música na despedida...

Nação vermelha...!!!


segunda-feira, 19 de maio de 2014

Convicções, trabalho, vitórias... a caminho de mais triunfos !!!

De Benfiquistas para Benfiquistas !!!


Bonita e sentida homenagem do Câmara Municipal de Lisboa aos triunfos do Sport Lisboa e Benfica, mas a Praça do Município é pequena de mais, para o universo Vermelho!!!
Se ontem, nos camarotes do Jamor, parecia uns desfile de anti-benfiquistas institucionais a dar os parabéns, hoje sentiu-se a paixão...!!!






PS1: Falou-se muito da não-festa no Marquês de ontem, não sei de onde partiu a não-iniciativa: se do Benfica, se da CM, ou se da Policia (já que com a mobilização total para a Final da Champions do próximo fim-de-semana, deve ter havido muitas 'folgas' este fim-de-semana!!!) Defendi desde da Festa do título, que a Grande Festa, deveria ser após o Jamor, mas não foi isso que aconteceu... foi pena.

PS2: Não estive na Praça do Município, mas tal como eu ontem chamei a atenção, a única queixa que me chegou aos ouvidos, de quem lá esteve, foi mais uma vez os cobardes atrasados mentais dos petardeiros...!!!

PS3: Parabéns a dobrar para o André Almeida e o Rúben Amorim pela convocatória para o Mundial... O Ivan e o André Gomes terão de certeza outras oportunidades.

Uma época escrita a vermelho vivo

"Nos 12 países que lideram o 'ranking' da UEFA, apenas Bayern e Benfica lograram a 'dobradinha'. E ainda houve a Taça da Liga e a final de Turim...

O futebol está cada vez mais competitivo e exigente e, na mesma época, tornam-se raras as equipas com sucesso em múltiplas competições. Tomemos como ponto de partida os doze países com melhor ranking na UEFA, Portugal, Espanha, França, Itália, Inglaterra, Alemanha, Rússia, Ucrânia, Bélgica, Holanda, Turquia e Grécia. Neste universo alargado, apenas dois clubes lograram conquistar Campeonato e Taça: Bayern Munique e Benfica.
Por aqui se vê a dimensão da proeza do emblema da Luz, que juntou a estes títulos, uma coroa mais, a Taça da Liga. E só não ganhou a Liga Europa por causa da maldição de Bèla Guttmann (que desta vez usou a falta de pontaria dos avançados benfiquistas e um árbitro de coração sevilhano como instrumentos...)
Hoje, ainda em cima dos acontecimentos, talvez seja difícil perceber a dimensão histórica do que o Benfica de Jorge Jesus acabou de conseguir. Trata-se de um marco na vida do clube que fará tanto mais sentido se tiver continuidade nas temporadas que se seguem. E, obviamente, esse é o grande desafio que agora se coloca à liderança de Luís Filipe Vieira. Do ponto de vista social, Benfica e FC Porto estão em momentos distintos, os encarnados sequiosos de inverter o ciclo portista, os dragões hesitantes e pouco confiantes quanto ao futuro. A forma como os adeptos dos dois clubes aderiram à temporada que agora findou mostra estados de espírito diferentes, que o Benfica deverá saber capitalizar. Como? Criando a linha de continuidade possível, sabendo-se da necessidade de vender alguns activos. Não será possível, aos encarnados, o esforço de manter todas as unidades nucleares, reforçando ainda o plantel. Mas, numa lógica de solidificação da hegemonia nacional e de afirmação na Champions (ir aos quartos-de-final da Liga Milionária representa um encaixe cinco vezes superior ao do vencedor da Liga Europa), o Benfica não deverá adorar uma política de ruptura total.
Quanto à época de 2013/14, que fica gravada a letras de ouro no livro de honra do Benfica, gostaria de identificar alguns momentos marcantes (pelo menos do meu ponto de vista): O primeiro foi, à segunda jornada, a vitória sobre o Gil Vicente, quando ao minuto 90+1 a equipa de Jorge Jesus perdia por 0-1; o segundo foi a entrada em cena de Oblak (do campeonato de De Gea e Courtois), em Olhão; o terceiro foi a vitória, para a Liga, na Luz, frente ao FC Porto, na semana da morte de Eusébio; o quarto foi a manifestação de superioridade sobre o Sporting, no 2-0 da Luz; o quinto foi a deslumbrante exibição de White Hart Lane; e o sexto foi a capacidade de sofrimento demonstrada, frente à Vechia Signora, na Juventus Arena.
Pinceladas em tons de vermelho que dilatam os tons de uma temporada com entrada directa no Museu Cosme Damião.

ÁS
Luís Filipe Vieira
Ontem foi festa. Hoje já é dia de dar continuidade à formatação do futuro do Benfica. Uma coisa Vieira sabe: o negócio do futebol só é rentável com triunfos. E sem bons jogadores não há crescimento nem lucro. Não é fácil a tarefa do presidente do Benfica. Entre a ousadia e o pragmatismo, está a virtude.

ÁS
Jorge Jesus
Triplete. E presença na final da Liga Europa. Uma época de sonho que serve de cartão de visita ao mais alto nível. Figura controversa e personalidade compleza, Jesus deve meditar no futuro e traça-lo de acordo com uma avaliação básica: tem mais a fazer no Benfica ou sente que o seu ciclo findou? Tem o destino na mão.

ÁS
Tiago
Ser campeão de Espanha ao serviço do Atlético de Madrid parecia, no princípio da época, num campeonato com Barcelona e Real Madrid, uma missão impossível. No entanto, entre o impossible is nothing e o yes we can, os colchoneros, com Tiago em grande destaque, tocaram o sonho. Pena é que tenha renunciado à Selecção...

(...)"

José Manuel Delgado, in A Bola

Não há pernas, há 'alma'...

"O Rio Ave desejava equipa do Benfica vindo da final da Liga Europa como veio há um ano: acabrunhada e mesmo destruída psicologicamente e fisicamente. Mas houve fundamental diferença: esse Benfica também acabara de perder o título nacional no dramático derradeiro minuto no Dragão; este Benfica entrou no Jamor como campeão, como vencedor da Taça da Liga, nada convencido com o segundo desaire consecutivo no final da Liga Europa e determinado a fechar a temporada em global nível de ouro.
Ontem, viu-se um Benfica naturalmente fatigadíssimo na segunda parte, em notória dificuldade para segurar a forte atitude do Rio Ave que se atirou para o ataque em busca de reviravolta igualzinha à que o V. Guimarães, no mesmo palco, conseguira um ano antes. E também se viu Benfica já sem alternativas no banco de suplentes... Quando o gigante Enzo Pérez (que alto ritmo em toda a época!) já tinha de ir à reserva da sua imensa alma, nenhum outro médio para o render... (André Almeida teve de ser defesa-esquerdo e também aí sem opção possível, face às baixas clínicas de Sílvio e Siqueira).
Só que este Benfica, mesmo de rastos na resistência física, foi capaz de fechar a época mantendo decisivos argumentos: tacticamente impecável na capacidade defensiva e psicologicamente... fortíssimo."

Santos Neves, in A Bola

Bifanas e 'minis'

"Muito se fala das diferenças entre futebol moderno e do passado e do «antigamente é que era» ou do «agora é que é». Há transformações, muitas, na forma de encarar este jogo mágico desde os anos 60 (não é preciso ir mais atrás) até aos dias de hoje. A televisão, os milhões de euros, rublos e petrodólares, os estádios novos, as tácticas e técnicas, o trabalho físico, tudo se alterou nas últimas décadas. Mas, se há festa imutável e capaz de nos fazer viajar até tempos mais antigos, essa chama-se Taça de Portugal. O estádio é o mesmo, as matas do Jamor lá estão como sempre, o domingo começa cedo com piqueniques em família, leitões e bifanas, garrafões e minis para os adultos, sumos e águas para os miúdos. E sem ser saudosista, até porque sou um defensor da evolução, sabe bem voltar a estes recantos da memória. Um pouco como viver no reboliço cosmopolita e moderno da cidade mas não prescindir daquela ida à terra, à aldeia dos nossos avós, imutável, parada no tempo.
Portanto, para os que querem que a Taça deixe de ser erguida no estádio de Oeiras vão dar uma volta e pregar no deserto... das suas ideias. É aqui que ela tem de ser celebrada. Gozemos o futebol moderno nos restantes 364 dias mas deixemos este como está. Porque já não há festa como esta. E esta está bem assim."

João Pimpim, in A Bola