Últimas indefectivações

sexta-feira, 2 de maio de 2025

Abençoado apagão


"Afinal, parece que há vida para além do post ou do reel... Além do Counter Strike...

Há muito que não via, num dia de semana, tantos miúdos na rua. Caminhando em bandos, com sorridos cúmplices, gargalhada fácil, vozes estridentes. Os parques da cidade encheram-se, campos desportivos à pinha, bicicletas rompendo caminhos em vertigem.
Do alto de um quinto andar uma voz cortante de uma mulher mais velha, avisando o Carlos que às oito tinha de estar em casa para jantar. E o Carlos, pelo menos assim me pareceu, a dizer que sim por instinto, mais concentrado no jogo do que no jantar. Há dias em que tempos de decidir o que mais nos alimenta...
Foi nesse momento que me deu uma saudade imensa de um tempo em que o tempo não se media pelo relógio. O sol ditava as horas e os ritmos e era mais generoso no verão. Um tempo em que saía de casa de manhã, aparecia para almoçar à pressa, abastecendo mais rápido que um F1 em plena corrida, e só voltava a casa ao anoitecer. Muitas vezes ouvia das boas da minha mãe, zangada pela hora tardia; pelos arranhões nos joelhos e mais umas calças para remendar; por uma t'shirt que, jurava ela, era branca ao sair de manhã; um tempo em que se perdia peso apenas por se tomar banho.... Em que adormecia exausto, dormia na paz dos anjos e acordava pronto para repetir a dose... Porque o sol é que marcava as horas e o ritmo.
Recupero destas divagações para voltar a sentir o pulsar dos parques e campos da cidade. Os miúdos continuam felizes, despreocupados... Abençoado apagão. Às vezes as coisas acontecem para nos lembrarmos do que realmente precisamos ou não. O que nos faz ou não felizes. Para nos provar que, afinal, há vida para além da selfie, do post, do reel... Que uma bola ou uma bicicleta podem ser mais divertidas que as armas virtuais de um Counter Strike que se joga num quarto fechado. Sem eletricidade, os miúdos foram para a rua. E deixaram os telemóveis em casa. Trocaram a voltagem pela voragem de um dia ao ar livre.
Não vi ninguém contrariado. Os pais que se preocupassem com os garrafões de água e os rolos de papel higiénico, o dia e a rua eram deles. E nós pais, que nos fizemos na rua, que aprendemos a negociar na rua, que descobrimos o sabor da fruta na rua, que tocávamos às campainhas e fugíamos como perigosos meliantes, deveríamos estar felizes por eles. E aproveitar a embalagem. Talvez seja mais culpa nossa do que deles terem trocado os horizontes da paisagem pelas quatro paredes do quarto.
Se mandasse, haveria de decretar um dia por mês como o dia do apagão... Desligávamos o quadro de eletricidade em casa e mandávamos os miúdos para a rua...
Está a anoitecer e a senhora mais velha da voz cortante volta a chamar pelo Carlos. E o Carlos volta a fazer ouvidos moucos. Pelos que percebi só faltava um golo para se saber o vencedor. Há mais de uma hora que faltava. E àquele quadro, que me pareceu edílico, tratrei de juntar banda sonora, na voz da Voz: Carlos do Carmo.
Uma bola de pano,
num charco
Um sorriso traquina,
um chuto
Na ladeira a correr
 um arco
E o céu no olhar,
dum puto».
Parecem bandos de pardais à solta,
os putos, os putos.
São como índios,
capitães da malta os putos, os putos...

Abençoado Apagão"

DAZN: The Premier Pub - Liverpool é vermelho! Com um ou dois fumos azuis...

DAZN: Partiadzo - O Barcelona está com a estrelinha... e viu-se bem com o apagão!

quinta-feira, 1 de maio de 2025

Manita...

Benfica 5 - 0 Mafra


Goleada, facilitada com a expulsão dum adversário no penalty do 2-0, mas mais um bom jogo...

Título adiado...


Benfica 1 - 3 Sporting
24-26, 22-25, 25-23, 22-25

Estivemos mal na recepção e o Nivaldo baixou o nível... basicamente foi isto! Talvez, a vitória fora, acabou por parecer 'fácil' demais!!!
Ganhar o próximo jogo, e resolver tudo antes da negra...

Eliminados

Benfica 2 - 4 Sporting

Resultado bastante injusto, o Benfica mesmo jogando um pouco mais retraído, foi claramente a equipa que atacou mais, com demasiado desperdício do nosso lado, contra um adversário cínico... e mais uma vez, com uma arbitragem com impacto no resultado final!
Este jogo começou a ser jogado no último fim de semana, com declarações públicas absurdas dos manhosos do costume!
Notou-se alguma falta de ritmo do Pau e do Roby após as lesões...

Empate...

Benfica 1 - 1 Vizela
Jelani


Jogo que não iria alterar a classificação, e assim o treinador resolveu fazer algumas experiências, que não correram muito bem... Mesmo assim, além do penalty desperdiçado, tivemos oportunidades suficientes para vencer...
Agora, é preparar a Taça Revelação...

Terceiro Anel: DRS #8

Fever Pitch - Domingo Desportivo - Objectivo para o Benfica: Ser o Ludogorets!

Alerta sobre venda ilegal de bilhetes


"O Sport Lisboa e Benfica alerta que apenas os bilhetes vendidos diretamente pelo SL Benfica e, neste caso concreto, pelo Sporting Clube de Portugal, para os sectores que lhe estão destinados, são considerados genuínos para o próximo jogo entre ambas as equipas.
Qualquer pessoa que adquira bilhetes através de outros canais que não os canais oficiais está a incorrer no risco de não conseguir aceder ao Estádio da Luz.
Importa recordar que a bilhética oficial para este jogo ainda não se encontra aberta, e estará disponível apenas na próxima segunda-feira, exclusiva a sócios que tenham efetuado a sua inscrição até dia 29 de abril.
O Sport Lisboa e Benfica alerta ainda que a venda de acessos Red Pass fora da plataforma de partilha oficial é igualmente ilegal e passível de procedimento criminal.
O Sport Lisboa e Benfica mantém uma vigilância ativa e denunciará às autoridades todas as plataformas e sites de venda ilegal de bilhetes, de cuja existência tenha, ou venha a ter, conhecimento para a respetiva instauração de processos-crime.
Todos os sócios e adeptos devem adquirir os seus bilhetes exclusivamente pelos canais oficiais do Clube, site e app oficiais, lojas e Casas do Benfica, assegurando assim a autenticidade dos mesmos e o acesso garantido ao Estádio da Luz."

No Princípio Era a Bola: As exibições convincentes de Sporting e Benfica que contrastam com o apagão tático do FC Porto na Amadora. E houve festa em Liverpool

Benfica: bola de domingo à tarde


"Foi uma tarde de sol, futebol e golos, com um ambiente magnífico, fazendo lembrar outros tempos gloriosos. Honra aos jogadores e a quem encheu o estádio de alegria clubística. Houve espaço até para o regresso da famosa hola mexicana, em grande estilo, celebrando uma vitória concludente e confirmando uma equipa pronta para os exigentes exames finais que se seguem. O Benfica entraria avisado pelo deslize ante o Arouca e a única dúvida relativamente ao vencedor deste jogo na Luz não durou mais que um minuto, num lance inicial em que Trubin e António Silva se anularam entre si, quase permitindo que o Aves SAD abrisse o marcador. Mais uma prova de que qualquer distração pode sempre baralhar as contas...
Subir uma linha defensiva inclui riscos e, neste caso, destapa e amplia as fragilidades que fazem do Aves SAD a equipa mais batida do campeonato. Se a esta opção, algo ingénua, juntarmos a inspiração do trio benfiquista da frente, está quase explicada parte da importante goleada. Pavlidis e Amdouni formaram uma dupla de grande entendimento e dinâmica, que deu espetáculo e desmantelou o centro esquerda da defesa avense. Como terceiro atacante, o Benfica teve a ação fundamental e frenética de Akturkoglu, menos requintado tecnicamente que os parceiros da frente, mas ainda mais agressivo e direto nas suas desmarcações e iniciativas que desgastam quem defende.
O Benfica chegaria à vantagem pouco depois do referido susto inicial, na execução de cantos curtos que surpreenderam a defesa à zona avense, demasiado estática e pouco preparada. Resolvido o jogo ainda na primeira parte, o ritmo caiu, só voltando a espevitar quando Lage mexeu na equipa. De assinalar o regresso ao sistema tático alternativo que vem sendo utilizado com sucesso, em que a plasticidade de Carreras sobressai. A eficácia atacante voltou a revelar-se neste jogo, um ótimo prenúncio para as decisões que se aproximam.
Nota final para os golos de Belotti e Otamendi, dois consagrados internacionais, cuja atitude competitiva explica, a par e passo, o porquê das suas brilhantes carreiras.

SONHOS PARECIDOS
Muito curiosa a conversa que julgo ter percebido da bancada, entre Tiago Gouveia e Tomás Tavares, agora jogador do Aves SAD, durante a subida habitual ao relvado, ritual que os jogadores cumprem em qualquer jogo na Luz. Se bem entendi pelos gestos, Gouveia procurava exemplificar um comportamento defensivo ao colega mais rodado na posição, talvez para esclarecer alguma dúvida posicional. A necessária adaptação a uma nova função obriga a novos hábitos e querer aprender é sempre positivo...Tomás Araújo viria a passar pelos dois amigos, mas sem parar, como que fugindo à realidade atual que o tem obrigado a derivar do meio para a ala.
Sim, porque isto de ser lateral-direito para o Araújo imagino que seja só porque tem de ser... Três casos diferentes mas próximos: Tavares, Tiago e Tomás. Letras iniciais que coincidem e uma mesma posição que agora ocupam em histórias bem diferentes. Tavares, o único lateral de origem, mais experiente mas ainda jovem, é já dono de um trajeto variado, tendo evoluído em quatro (!) países. Já Araújo vem sendo um bombeiro adaptado de extrema utilidade que disfarça o fogo, e bem, mesmo fisicamente limitado. Quanto a Gouveia, é um recente mas promissor candidato à nova posição, onde me parece provável poder triunfar, em função das caraterísticas técnicas e físicas de que dispõe. Veremos se é assim.

GOLOS CONTADOS
Infeliz a decisão arbitral de encurtar os descontos, como por vezes se faz em função da clareza do resultado, mas esquecendo a importância que os golos podem ter numa previsível chegada ao sprint. Sei bem o desgaste a que os árbitros também estão sujeitos durante um jogo, quer física quer mentalmente. Porém, quatro árbitros que comunicam entre si não será o bastante para uma conclusão coerente? Acabou por ser um remate infeliz de uma arbitragem insegura e pouco criteriosa, num jogo que nada teve de complicado. Sabe-se que a decisão final sobre o tempo de compensação é do árbitro principal, mas com o apoio dos restantes elementos da equipa de arbitragem, incluindo o VAR. Será que entre este grupo de árbitros ninguém se lembrou da realidade que vivemos na luta pelo título?"

Se encontrar melhor, devolvemos a diferença


"Saiu melhor do que a encomenda esta Liga 2024/2025 decidida ao 'photo finish' entre dois rivais históricos e com um dérbi Benfica-Sporting para tirar teimas mesmo na reta final

Saiu mesmo melhor do que a encomenda este final de Liga 2024/2025, decidida ao photo-finish entre dois rivais históricos, gigantes do futebol português e, ainda mais, com direito a duelo direto ali mesmo à beirinha da meta, num tira-teimas de dimensão extratosférica.
É fácil de entender que entre adeptos de Benfica e Sporting subsista o desejo, nada secreto, de que o opositor ainda perca pontos na jornada, a próxima, que antecede o dérbi eterno de dia 10 de maio na Luz. Isto é, gostariam os sportinguistas de ver as águias saírem sem vitória da visita de sábado ao Estoril; celebrariam os benfiquistas um final de ronda sem triunfo dos leões na receção de domingo ao Gil Vicente. Nisto de ser adepto de um emblema há sempre um pouco de antirival. Faz parte.
Mas restarão poucas dúvidas de que, mesmo os mais ferrenhos, aquilo por que anseiam mesmo é por um desfecho banhado a ouro e revestido pela mais elevada forma de glória: ser campeão no confronto contra o inimigo eterno. E dirão alguns, meio a brincar, meio a sério: «De preferência com golo no último minuto e em lance irregular que nem árbitro nem VAR consigam vislumbrar!»
Brincadeiras à parte, que melhor final de Liga se poderia desejar do que este em que, depois de uma maratona de mais de 30 jogos, Benfica e Sporting estão ombro a ombro, olhos nos olhos, ora agora goleio eu (como se viu no último 6-0 dos encarnados na Luz diante do Aves SAD), ora agora arrasas tu (como aconteceu horas depois com o 5-0 dos verdes e brancos no Bessa contra o Boavista), numa sequência de aliciantes que, jornada a jornada, duelo a duelo, vão dando cada vez mais sal e pimenta ao frente a frente de dia 10.
Para uma Liga Portugal que precisa de valorizar cada vez mais o seu produto, sobretudo para venda de direitos no exterior, os ingredientes deste gran finale saíram mesmo melhores do que a encomenda. Quem não aprecia aqui e ali um momento gourmet?
Gourmet, mesmo, foi a tarde/noite de anteontem, a do apagão que deixou o País às escuras durante quase 10 horas. E foi gourmet, pelo sabor intenso que se sentiu quando as ruas se encheram de famílias e se viu miúdos a jogarem à bola, jovens a divertir-se com jogos de tabuleiro no jardim ali da avenida e esplanadas cheias, sem ecrãs, sem rede, sem luz. E nos grupos que, à volta de alguns carros, discutiam o que se ia ouvindo na rádio. E, por fim, nas longas conversas, cara a cara, entre vizinhos, alguns que raramente partilharam mais do que um «bom dia» ou um «boa tarde»."

O Bilhete Dourado


"Hoje, para ver a sua equipa a jogar, um homem tem de atravessar as vagas de um oceano tecnológico: a app, a palavra-passe, o código, a luzinha verde do torniquete, os seguranças empedrados no cumprimento das normas. Poderia ser pior? Poderia e é. Sabe o que é preciso para ter um lugar no Estádio da Luz? É uma obscenidade capaz de corar o rosto do cadáver de Cosme Damião. As regras, as listas, os registos, as precedências (e os preços, os preços!) transformaram o futebol num espectáculo de ricos. Uma coisa segura, asséptica, domesticada. Chamam-lhe “experiência”

Ainda a vastas semanas do jogo do Jamor e já a angústia se instalou. Uma coisa espessa, negra, que espicaça o ânimo, murcha a boa disposição, rói-nos a vontade de comer. Como se tivéssemos engolido um gato-bravo, e o bicho, ensandecido, nos arranhasse as entranhas com as unhas. O leitor perguntar-se-á — e bem— qual a tonitruante questão que atormenta o escriba. Pois respondo, desesperançado e sem pudor: os bilhetes, amigos. Os bilhetes!
Para um benfiquista empedernido como eu, esfomeado por uma tarde no Jamor, é caso para tanto. Oito anos! Oito longos anos que parecem oito séculos; e aquele jogo contra o Vitória de Guimarães já é arqueologia. Mas é preciso bilhetes. E não há bilhetes no horizonte.
Ligo ao amigo que normalmente sabe destas coisas, mas ele é o espelho da derrota: — “Nada. Vai ser a confusão do costume. A menos que me caia um nas mãos, não irei…”. Como assim? Quem o lança? De que alto? E que assomo místico é este de um homem que nunca leu um Evangelho? Responde-me: — “Esta história dos bilhetes está a tornar-se numa coisa sem explicação. Passou a ser impossível comprar bilhetes para jogos fora se não fores de claques ou se não meteres uma cunha.”
Mas não sou homem para morrer de joelhos. Nova chamada. Ao amigo advogado. — “Ui... isso agora! Primeiro é Red Pass com assiduidade, depois é (...)”. Seguiu-se a leitura integral — e dolorosa — do vasto compêndio de precedências. Uma lista mesquinha. Uma lista cretina. Uma lista que, se fosse pessoa, merecia ser apedrejada na praça pública. E o desejado bilhete tornou-se dourado. Como o do Willy Wonka. Mas não há chocolate que chegue para todos: apenas trinta e sete mil, quinhentos e noventa e três eleitos, contados um a um, sem contemplações.
Hoje, até o futebol exige a santidade dos burocratas. Já não basta ser, já não basta mostrar: é preciso que a prática da virtude esteja gravada, em sangue e fibra de carbono, nas bases de dados da Federação Portuguesa de Futebol. Já não basta a fé ingénua que fazia um homem dormir no chão, com marmita e saco-cama, para ser o primeiro da fila. Não. É preciso ser sócio. E não apenas sócio: é preciso pagar lugar anual. E não falhar o jogo como quem cumpre os Dias de Guarda.
A burocracia saiu das páginas de Kafka e tomou-nos todos os recantos das nossas vidas. Instalou-se nos sistemas de bilhética. E decretou-se uma verdade nova, tenebrosa: o futebol pertence ao adepto bem-comportado. Ao cidadão exemplar. Ao que nunca falha. Mas quem nunca falha? Então e os bêbados? E os poetas? E os vadios, os infiéis e os estroinas? E eu? Esses, caro leitor, esses somos nós. E estamos de fora. Tristes, sozinhos, etc.
Os outros — os bons — resignam-se. Cumprem. Acumulam pontos no cartão de fidelidade, como almas piedosas a coleccionar indulgências. Obedecem com trágica passividade. Reféns dos seus tecno-carcereiros. A paixão tornou-se regulamento. A paixão tornou-se cadastro.
Houve um tempo em que ir à bola era querer. Bastava querer. As crianças nem pagavam. Bastava encostarem-se a um adulto com cara de pai e lá iam. Esgueiravam-se lá para dentro com a graciosidade de um Bernardo e Bianca. Os estádios eram imponentes, sim — mas a sua grandeza era feita dessa multidão imperfeita que o próprio jogo reflectia. O Papa morreu, e se pudesse diria: “Era de todos. Todos. Todos. O futebol era de todos.” E seria verdade. Chamávamos casa a esses lugares. Não por protocolo. Mas porque eram, realmente, o lugar para onde regressávamos ao Domingo à tarde.
Hoje essa ligeireza acabou. Agora, para ver os seus, um homem tem de atravessar as vagas de um oceano tecnológico: a app, a palavra-passe, o código, a luzinha verde do torniquete, os seguranças empedrados no cumprimento das normas.
E ainda poderia ser pior? Poderia e é. Sabe o que é preciso para ter um lugar no Estádio da Luz? Não queira saber. É uma obscenidade capaz de corar o rosto do cadáver de Cosme Damião. Sabia que até se paga para constar numa lista — outra — de pobres-diabos que apenas garante o direito a esperar? 
As regras, as listas, os registos, as precedências (e os preços, os preços!) transformaram o futebol num espectáculo de ricos. Uma coisa segura, asséptica, domesticada. Chamam-lhe “experiência”. É lamentável. Estamos em fuga. Um povo perdido, sem Moisés, nem terra prometida.
Hoje, os verdadeiros estádios são os cafés. As salas-de-estar. Os automóveis. Os becos e as cozinhas. Qualquer sítio onde dois ou mais possam ver ou ouvir o jogo sem que lhes exijam NIF, folha salarial ou certificado de boa conduta. Mas, se alguém arranjar três bilhetes para o próximo dia 25 de Maio, estou disposto a reconsiderar tudo o que escrevi."

Jogo Pelo Jogo - S03E38 - Porto apagado do titulo

5 minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - PSG: Portugueses Sabem Ganhar

Zero: Negócio Mistério - S04E06 - Eden Hazard no Real Madrid

Lutar pelo Hexa


"O tema em destaque nesta edição da BNews é o jogo de voleibol entre Benfica e Sporting, hoje às 20h00, na Luz, no qual o Benfica, em caso de vitória, tornar-se-á Hexacampeão nacional.

1. Vencer
O treinador Marcel Matz fez a antevisão: "Estamos focados em fazer um bom jogo, sabendo da dificuldade que vai ser. Jogo em casa, onde treinamos, onde trabalhamos, com o apoio dos nossos adeptos. Vamos com tudo para fechar a série nesta primeira oportunidade."

2. Confiança dos mercados
A subscrição das Obrigações Benfica SAD 2025-2029 foi um sucesso, com a procura válida total a ascender a 76,5 milhões de euros, ou seja, 1,39x do valor da oferta final de 55 milhões de euros.

3. O sonho do Gonçalo
Uma iniciativa do Futebol Profissional e da Fundação Benfica.

4. Mais jogos do dia
No futebol de formação, a Equipa B recebe o Mafra às 18h00 e os Sub-23 são anfitriões do Vizela às 15h00.
Em hóquei em patins há dérbi em Vila Nova de Famalicão entre Benfica e Sporting a contar para as meias-finais da Taça de Portugal (21h30).

5. Agenda para 5.ª feira
Os Juniores Sub-19 e recebem o Vitória de Guimarães às 11h00. À mesma hora, os Juvenis Sub-17 defrontam o Famalicão, também no Benfica Campus, e os Iniciados Sub-15 visitam o FC Porto.
São várias as equipas femininas do Benfica em ação: a de voleibol disputa, na Luz, às 19h00, o jogo 3 da final do Campeonato Nacional. A de futsal recebe o Atlético às 15h00. A de andebol atua em Vila Nova de Gaia frente ao CJ Almeida Garrett nas meias-finais da Taça de Portugal. A de hóquei em patins desloca-se ao reduto da APAC Tojal (18h00).

6. Comunicado oficial
Leia o comunicado oficial do Sport Lisboa e Benfica sobre a apresentação de uma participação ao Conselho de Disciplina da Federação de Patinagem de Portugal.

7. Nova loja
Está inaugurada a Benfica Oficial Store Coimbra, a 10.ª loja oficial do Clube.

8. Ação de formação de treinadores
Mais de uma centena de técnicos das escolas de futebol do Benfica marcaram presença em Aveiro para consolidarem meios, métodos e estratégias.

9. 1.ª edição do Benfica Basketball Camp
Destinado a jovens atletas nascidos entre 2010 e 2013, este evento irá ter lugar entre 30 de junho e 4 de julho, e entre 7 e 11 de julho deste ano, no Pavilhão Fidelidade.

10. Bom desempenho
Ginastas do Benfica em destaque no Cascais Beach Cup e no Gym For Life Portugal.

11. Casas Benfica
A embaixada do benfiquismo em Oliveira de Azeméis celebrou os seus 38 anos e os 10 anos da Escola de Modalidades.
Representantes das Casas Benfica de Campo Maior e da Ilha Terceira estiveram presentes na Luz no desafio com o AVS."

Do Arsenal de Arteta ao cantinho do Bruno Lage


"Mikel Arteta está a protagonizar uma verdadeira revolução na forma como o futebol de topo encara as bolas paradas.
Ontem tivemos mais uma demonstração de posicionamentos e movimentos contra-intuitivos no momento da marcação da bola parada e quando mesmo todos parecemos adivinhar o que irá acontecer, o sucesso da ação é muito difícil de contrariar.
Sob a batuta do especialista Nicolas Jover, os Gunners tornaram este momento do jogo numa arma letal, marcando 30 golos de bola parada (excluindo pênaltis) em 2023/24 — mais do que qualquer equipa nas principais ligas europeias. 22 desses golos surgiram de cantos, fruto de ensaios meticulosos e de um aproveitamento cirúrgico dos pontos fortes individuais.
Este ano o impacto ainda está a ser maior sendo que por via do acerto dos marcadores de livres - com destaque para Declan Rice - os números do Arsenal colocam o clube de Londres como o clube mais eficiente da Europa na cobrança de bolas paradas.
Por cá, a realidade começa lentamente a evoluir — e, curiosamente, quem mais se aproxima da visão estratégica do Arsenal é Bruno Lage. Numa liga onde a inovação escasseia, Lage volta a evidenciar sensibilidade táctica e uma atenção à preparação dos pormenores do jogo que no final das contas fazem toda a diferença. Sob a sua liderança, os encarnados aumentaram dramaticamente a eficácia nas bolas paradas, com 31% dos golos na Liga a surgirem por essa via, combinando movimentações inteligentes e variações criativas que espelham o estudo e a intenção das mesmas.
Imagem de marca deste Benfica começam a ser os cantos curtos batidos a 3 momentos com a penetração de um terceiro homem no espaço entre os laterais ou extremos adversários que saltam à pressão dos marcadores dos cantos. Este movimento origina um desequilíbrio que coloca a defesa adversária em inferioridade numérica num sector sensível da área, o que origina o desmontar da defesa à zona perante a necessidade de um reposicionamento brusco tentando bloquear um potencial cruzamento ou penetração com bola que é feito muitas vezes já bem dentro da própria área e a partir da linha de fundo.
Mas se o Benfica demonstra estar quase ao nível do Arsenal no capítulo das bolas paradas, FC Porto e Sporting parecem viver ainda na pré-história do futebol. O FC Porto de Vítor Bruno pecava por uma abordagem aos livres e cantos que podemos qualificar como "de cartilha", sem o elemento surpresa. Com Anselmi, nota-se a inovação sem no entanto haver registo de um aumento da eficácia tal o desajuste entre o que é pedido e aquilo que os jogadores são capazes de executar. Já no Sporting é de notar alguma melhoria na era Rui Borges, essencialmente pela aposta em novos batedores que revelaram ser verdadeiros especialistas como o são Debast (mais longe da baliza) e Gyorkeres (livres diretos frontais).
Certo é, que num futebol onde os detalhes decidem campeonatos, continuar a tratar as bolas paradas como meros lances "de inspiração" é um luxo que custa caro. O exemplo do Arsenal e a inteligência renovada de Lage devem servir de alerta: quem dominar o jogo parado, controla o imprevisível — e, por isso mesmo, fica muito mais próximo de ganhar!"

Anselmi foi um erro de 'casting'


"André Villas-Boas tem crédito, mas precisa de encontrar o seu homem forte no banco. Mais do que nunca o dragão está órfão de um treinador agregador e que devolva o conceito de autoridade

É uma das perguntas do momento: vai Martin Anselmi continuar no comando técnico do FC Porto na próxima época? A dúvida é legítima por dois motivos: em primeiro lugar porque o treinador é sempre o responsável quando a bola não entra; segundo, porque o futebol apresentado pelos dragões tem sido muito pobre, sem que as perdas de Nico González e Galeno em janeiro possam servir de álibi – as ausências têm peso num confronto direto com o Benfica ou Roma, mas não com o Estrela da Amadora ou mesmo com o SC Braga.
Três meses passados desde a entrada do argentino, pouco ou nada de positivo se pode extrair. Maus resultados, baixa qualidade de jogo e desvalorização dos ativos, com duas situações que saltam à vista: Otávio e Samu. O central é um óbvio caso de inadaptação a um tipo de jogo que não se enquadra nas características do brasileiro contratado ao Famalicão por €12 milhões (80 por cento do passe) e o avançado tornou-se numa sombra do primeiro terço de época que o levou inclusive à seleção espanhola, apenas a campeã da Europa em título.
Quem vê o ponta de lança agora e quem o viu com Vítor Bruno pensará que se tratam de jogadores diferentes, o que nos leva a concluir que a dispensa do ex-adjunto de Sérgio Conceição foi um ato falhado. Porque Anselmi não fez melhor e tinha todas as condições para fazê-lo: vinha de fora, logo com uma aura de desconhecido que o favorecia face a um contexto de relações de proximidade e antagonismo em que o antecessor se viu envolvido. Um ambiente tóxico de difícil resolução.
O que se esperava, no mínimo, era a construção de uma ideia clara de jogo, mesmo que os resultados não acompanhassem o conceito. Mas o vazio que se seguiu demonstrou que a escolha não terá sido a mais acertada. Um erro de casting.
Um ano após assumir a presidência, André Villas-Boas continua a ter um enorme crédito junto da maioria silenciosa do FC Porto mas precisará de tirar um coelho da cartola no final da época. Falamos obviamente da escolha de um treinador agregador. E neste momento pede-se um técnico com prestígio, carisma e autoridade moral, não um iniciado. São muito diferentes os tempos em que um jovem Villas-Boas foi contratado à Académica e o Villas-Boas presidente que tenta encontrar um rumo para o clube. Porque em 2010 havia dinheiro, um plantel de sonho e uma presidência forte; em 2025 há um grupo de jogadores razoável, pouco dinheiro e uma estrutura que parece estar ainda à procura do melhor modelo de gestão.
Candidatos não há muitos com esse perfil, mas não ficaremos surpreendidos se dois nomes forem associados ao dragão nos próximos tempos: Abel Ferreira e Jorge Jesus. O primeiro tem contrato até dezembro com o Palmeiras, o segundo não deverá ficar na Arábia Saudita e tirando a hipótese de ser o escolhido para treinar a seleção do Brasil não lhe restam muitos caminhos. Isto no plano teórico, porque na prática há uma questão maior: ambos são pagos a peso de ouro e um eventual convite teria de obrigar os azuis e brancos a tomar a sempre difícil decisão de investir mais no treinador e menos em jogadores. E esperar que algum deles admita fazer omeletes clássicas com ovos de codorniz. Nunca será uma escolha fácil, mas dos fracos não reza a história."

Martín Anselmi: vítima, réu ou tudo junto?


"Ao assistir aos jogos do Sporting e do Benfica, e comparando-os com os do FC Porto, parece que estamos a ver um desporto diferente. Os dragões estão a 13 pontos dos rivais, ocupando inesperado 4.º lugar. Além disso, os dados estatísticos recentes indicam que o SC Braga é também mais capaz e competitivo como coletivo.
Anselmi fez a estreia pelos dragões na 20.ª jornada, empatando com o Rio Ave a duas bolas. Recebeu a equipa em igualdade pontual com o Benfica (41 pontos), atrás do Sporting (menos 6 pontos) e à frente dos bracarenses (mais 4 pontos). O primeiro ponto a ter em consideração é este: a entrada do argentino não teve o efeito psicológico que a SAD esperava para impulsionar o rendimento do FC Porto. Isso, isoladamente, é um dado preocupante, porque normalmente uma nova liderança costuma renovar a chama dos jogadores e estimulá-los.
Terá a parte estratégica criado demasiada confusão na cabeça dos jogadores, anulando o impacto da mudança técnica? Talvez, mas aqui o erro não é de Anselmi. A fórmula, que foi de sucesso no Equador e México, não estava escondida num cofre do Pentágono. Estava à vista de todos e, naturalmente, seria, como o foi, aplicada no FC Porto. Aceitar essa nova ideia foi uma decisão conjunta, com o risco que isso acarretava. A continuidade desta estratégia na próxima época não pode depender apenas dos resultados dos próximos três jogos ou da posição final da equipa. Deve ser baseada numa avaliação do desempenho global, da qualidade dos treinos e da aplicação prática do 3x4x3 ao longo do consulado de Anselmi."

Um novo relatório da FIFA


"Prosseguindo o seu caminho de disponibilização de informação jurídica a toda a comunidade do Futebol, a FIFA lançou, na passada semana, um relatório, que será, doravante, trimestral, com uma análise detalhada das decisões do Tribunal Arbitral do Desporto de Lausanne (CAS), as principais tendências jurídicas e referências a decisões históricas do Tribunal Federal Suíço e do Tribunal de Justiça da União Europeia.
Esta é uma nova iniciativa do regulador internacional, que visa fornecer uma análise abrangente e atualizada das decisões do CAS em casos relacionados com o futebol.
A FIFA destaca a importância do CAS, dizendo que «as estatísticas oficiais mais recentes do Relatório Anual CAS & Futebol de 2024 enfatizam a importância do CAS na resolução de litígios relacionados com o futebol. As decisões do CAS desempenham um papel crucial na definição do arcabouço regulatório do futebol, garantindo a segurança jurídica e mantendo o fair play, resolvendo conflitos entre jogadores, clubes, federações e outras partes interessadas».
Este inédito Relatório Trimestral da FIFA oferecerá, quatro vezes por ano, uma análise detalhada das decisões do CAS e visa criar um recurso jurídico muito útil para clubes, jogadores, advogados e académicos que se debruçam sobre o direito do futebol. O Relatório também inclui a análise de alguns casos emblemáticos ou relevantes, ainda que não relacionados com a modalidade do futebol. A primeira edição já está disponível pode ser obtida no site da FIFA dedicado a matérias jurídicas."

quarta-feira, 30 de abril de 2025

Visão: S06E30 - Não abrandamos | Tirsense, AFS

Falar Benfica #205

O Benfica Somos Nós - S04E54 - AFS...

BI: AFS...

O sonho do Gonçalo! ❤‍🔥

Benfica e Sporting: está tudo a pensar no mesmo


"Um alerta: há por aí uma corrente purista segundo a qual não deve haver picardia pública nem sentido de humor nestes momentos. Não liguem demasiado. Vivam um bocadinho

A três jornadas do fim, está tudo a postos para um dos despiques mais empolgantes de que há memória. Digo que está tudo a postos porque a vida é, neste momento, uma sucessão de acontecimentos de moderada relevância entre agora e o dérbi de 10 de maio. Não confundir com bazófia — ainda será preciso vencer no Estoril, e a tarefa não se afigura fácil. Mas, como dizia uma campanha publicitária do Benfica há uns anos, a partir de agora, está tudo a pensar no mesmo. Nesse caso, o slogan referia-se à véspera interminável de uma conquista da Liga muito ansiada. A versão que aqui trago é um pouco mais inclusiva, e, por isso, estendo a consideração aos adeptos do adversário, que têm direito a sonhar com a conquista dos dois títulos em disputa e, por isso, estão a pensar no mesmo que nós, benfiquistas.
De resto, após o discurso motivacional de Frederico Varandas, os sportinguistas aparentam níveis de mobilização como eu não via desde que decidiram exigir a conquista de quatro campeonatos nacionais na secretaria ou, por exemplo, após aquele jogo em que Ricardo fez falta sobre Luisão e ainda teve a lata de se queixar. Faz parte, e não consigo avaliar negativamente a intervenção do presidente do Sporting. Não concordando com algumas coisas que disse, parece-me que o objetivo de galvanizar as tropas foi atingido. Digo-o com desportivismo e porque reconheço que Varandas tem sabido fazer o seu caminho. Por isso, aos meus amigos do lado oposto, envio um abraço e faço votos de que o choro seja abundante e ensurdecedor a partir das 20 horas de 10 de maio. Aos meus amigos benfiquistas, um alerta: há por aí uma corrente purista segundo a qual não deve haver picardia pública nem sentido de humor nestes momentos. Não liguem demasiado. Vivam um bocadinho. O futebol é feito de euforia e de depressão, e só sobreviveremos a ambos os estados de alma se os encararmos com algum sentido de humor. Quanto aos puristas, já sei o que dirão: se o Benfica vencer, saberemos que aconteceu apesar de adeptos como eu, que brincam com coisas sérias. Se perdermos, podem enviar a nota de culpa para minha casa. Mas, aconteça o que acontecer, este frenesim de antecipação já ninguém me tira, mesmo que tente, nem tampouco a visualização do desfecho a 10 de maio.
Poder vencer e celebrar a conquista do troféu na mesma noite, frente ao rival da mesma cidade, seria uma noite bonita na história recente do Benfica, que tão poucos títulos de futebol sénior venceu nos últimos anos, à mercê de uma direção errática e sem estratégia. A derrota, essa, permanece inconcebível por agora. Muito daquilo que torna o próximo confronto entre Benfica e Sporting tão emocionante começa na possível consequência direta: uma vitória de qualquer uma das equipas — no caso do Benfica, por dois ou mais golos de diferença — pode garantir o título já nessa noite. São ingredientes de sonho para uma Liga que se quer vendável, e não tenho dúvidas de que o cenário mais desejado era mesmo este. Parece-me que este photo finish 2024/2025 está longe de ser suficiente, mas é melhor do que tentar convencer meio mundo a pagar 300 milhões por jogos com 40 minutos de tempo útil a uma segunda-feira à noite. O que não ajuda seguramente é a qualidade apresentada por muitas das restantes equipas, começando pelos adversários de Benfica e Sporting no último fim de semana. Quaisquer dois jogos com quase uma dúzia de golos agradarão à maioria, mas a qualidade dos derrotados é uma lembrança aguda de que urge rever o quadro competitivo da liga. Não há qualidade para 18 equipas na primeira divisão.
De volta ao presente, o que mais me chamou a atenção nas últimas semanas foi mesmo o contraste entre estilos de jogo e estratégias para atingir os dois principais objetivos a nível interno: Liga e Taça de Portugal. A última jornada foi especialmente sintomática do modo como as duas equipas se aproximam da hora da decisão. Ambas golearam, mas fizeram-no de modo muito diferente.
O Benfica de Bruno Lage, salvo uma ou outra inconsistência, conseguiu o primeiro objetivo intermédio desta sequência de jogos, que era chegar ao final da 31.ª jornada com uma chance de conquistar a liderança no jogo em casa contra o Sporting. Qualquer outro cenário teria sido o rastilho de uma depressão profunda. Felizmente, longe disso. Para garantir esta posição, a equipa foi melhorando a média de golos marcados e apresenta agora números que não se viam há largos anos. Não precisava de o ter feito para depender só de si, mas chega a esta fase da temporada com um naipe de soluções que permite, por exemplo, ter seis jogadores diferentes a marcar os seis golos de uma vitória. Não tendo concordado com todas as escolhas de Lage até aqui (o que é perfeitamente normal), sinto que hoje estamos a ver o trabalho de um treinador mais maduro, que juntou a isso a coragem de ter aceitado o desafio inicial e de já ter dobrado mais do que um cabo das tormentas. Perante um adversário frágil como o Aves SAD, a equipa abordou o jogo com a atitude certa, trabalhando para uma vitória robusta que permitisse melhorar o goal average, já que este pode muito bem vir a decidir o campeão.
Do outro lado, um Sporting completamente dependente de Gyokeres, mas muito seguro de si nessa condição. Esse pragmatismo tem favorecido Rui Borges. A equipa chega a esta fase da temporada com a versão mais competente da única ideia de jogo que poderia garantir a este plantel do Sporting condições para lutar pelo título. Neste último ano ganhou força o hábito de diminuir as defesas adversárias por ainda não terem aprendido a impedir o sueco de marcar golos. Aqui chegados, talvez seja importante admitir que a tarefa não é fácil e está fora do alcance da esmagadora maioria dos defesas desta liga, tal é a facilidade revelada pelo sueco para repetir movimentos que já todos vimos dezenas de vezes. Para além do jogo mais direto, há capacidade no meio-campo ofensivo do Sporting para garantir que o ataque organizado também gera algumas ocasiões de golo, quase sempre finalizadas pelo mesmo. Mas sejamos avisados: entre o regresso de Pote, o talento de Trincão, a inteligência de Hjulmand ou a esperteza de Catamo, haverá muito para anular na receção no Estádio da Luz.
Aqui chegadas, ambas as equipas sabem que perder pontos na próxima jornada é um cenário muito pouco recomendável, mas o facto é que terão um dérbi logo de seguida que poderá permitir ao segundo classificado, nessa data, emendar a mão e recuperar a primeira posição. Se o leitor for como eu, acorda e adormece a pensar no Benfica ou, se tiver esse infortúnio, no Sporting. Por isso, a partir daqui, caso nos cruzemos, escusa de me perguntar o que me vai na alma. Já sabe que estamos ambos a pensar no mesmo."

Que não se apague a Luz


"Um pequeno milagre de 24 páginas, um Benfica que sairia engrandecido também se conseguir derrotar Vikto Gyokeres

Se você está a ler uma edição de papel de A BOLA saiba que o que tem na mão é um pequeno milagre de 24 páginas. Se está a ler este texto online, saiba que ele saiu como obrigação e dever, mas porque o momento é de todos saiu como pequena reflexão também. É nestas alturas que o jornalismo é essencial. Quando parece não haver respostas, quando se procura o que é fidedigno, quando no caos se busca organização. A possível, como é claro.
Nesta segunda-feira, sentimo-nos frágeis, creio, mas sobretudo impotentes. Percebemos que o que nos separa de um mundo caótico é tão mais simples do que queremos imaginar. É verdade que tudo se foi resolvendo, mas também é verdade que estivemos apagados para respostas durante uma eternidade: é essa a sensação temporal, nesta era em que vivemos, sempre de telemóvel em riste e com a informação, e, igualmente importante, os contactos, a caminharem-nos no bolso.
Portugal apagou-se num episódio para memória coletiva, um dia depois de Sporting e Benfica terem proporcionado dois festivais e a energia dos dois clubes se sentir de sul a norte do país. A luta dos dois rivais eternos continua taco a taco, golo a golo, com um coletivo encarnado a ter de lutar contra o maior fenómeno que se viu nos relvados portugueses em muitos, muitos anos.
Viktor Gyokeres será, de forma unânime, o jogador do campeonato, mesmo que o Sporting não o vença e o sueco merece, sem dúvida, ser Bota de Ouro europeu. Não é fácil, porque Gyokeres tem de marcar sempre muito mais que os outros, mas seria inglório estar tão perto e não o conseguir.
Um título do Benfica sairia engrandecido também pela época do sueco. As águias nem se lembraram de Angel Di María frente ao Aves SAD e a dúvida permanecerá: o argentino tem uma qualidade soberba na técnica, mas as dinâmicas são melhores com ou sem ele? A deslocação ao Estoril traz com ela perigos e memórias que todos têm, de um empate amargo, na Luz, há uns anos.
Entre uma goleada e outra, a certeza que havia é de que antes de o Sporting ir à Luz não haveria campeão; na próxima jornada, saber-se-á se ambos podem fazer a festa no grande jogo ou apenas um. Até lá, joga-se tudo no pormenor, da gestão dos amarelos, aos minutos de compensação. Todos correm para a Luz, e que cheguem lá como o dérbi e esta disputa merece: com Benfica e Sporting na máxima força para realmente ver quem é melhor este ano."

Subscrição das Obrigações Benfica SAD 2025-2029 foi um sucesso


"As Obrigações Benfica SAD 2025-2029, com uma taxa de juro fixa bruta de 4,50% ao ano e cuja oferta inicial de 40 milhões de euros foi aumentada para 55 milhões de euros, tiveram uma procura válida total de 76,5 milhões de euros, ou seja, 1,39x da oferta final. Os pormenores dos resultados divulgados na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) podem ser consultados aqui.

Saliente-se que novos investidores subscreveram 29,6 milhões de euros desta oferta obrigacionista, que decorreu entre 9 e 24 de abril, inclusive. Já os detentores de obrigações Benfica SAD 2022-2025 optaram por trocar as suas obrigações no âmbito da oferta de troca, num montante global de 25,4 milhões de euros.
Reflexo do trajeto imaculado das águias no mercado de capitais ao longo dos anos, a confiança dos investidores na solidez económica da Benfica SAD ficou, novamente, bem expressa neste empréstimo obrigacionista."

Comunicado


"O Sport Lisboa e Benfica informa que apresentou uma participação ao Conselho de Disciplina da Federação de Patinagem de Portugal na sequência dos graves acontecimentos verificados no final do jogo entre o Futebol Clube do Porto e o Sporting Clube de Portugal.
Em causa estão as insinuações proferidas pelo treinador do Sporting Clube de Portugal, Edo Bosch, na flash interview realizada após o referido encontro do Campeonato Nacional.
O Sport Lisboa e Benfica relembra que não é a primeira vez que o treinador em questão dirige ao Benfica acusações graves, despropositadas e sem qualquer fundamento. 
O Sport Lisboa e Benfica pugnará pela defesa do seu bom-nome e repudia em absoluto esta e qualquer tentativa de condicionamento das equipas de arbitragem."

O abismo invisível onde o futebol português vai cair


"O futebol português vive da ilusão. Vendido internamente como um produto televisivo de elite, não é minimamente reconhecido no exterior e sobrevive num ecossistema frágil e desequilibrado, alicerçado em contratos televisivos desfasados da realidade europeia.
Enquanto a Premier League distribui 3,5 mil milhões de euros/ano em direitos de TV (média de 175 M€/clube), a Liga Portugal partilha cerca de 180 M€/ano, ou seja, pouco mais de 9 M€/clube. A diferença não é só abismal. Poderá ser terminal.
A Liga espanhola garante 1,6 mil milhões/ano, a Bundesliga 1,3 mil milhões, e até a Ligue 1 — com uma grave crise interna de competitividade — mantém valores próximos dos 700 milhões. Em Portugal, vive-se completamente à margem deste campeonato financeiro, com clubes dependentes de mais valias resultantes da vendas de jogadores e de investidores estrangeiros para pagarem a conta da luz ao final do mês
Pior: o contrato que vigora em Portugal foi fechado em 2015, antes da explosão do digital, e mantem valores muito abaixo do mercado. Com a queda de audiências na televisão linear e a fragmentação do consumo (YouTube, TikTok, Twitch), a próxima renegociação corre o risco de não só não aumentar, como até de baixar esses valores — um cenário trágico para clubes que, como é o caso do Sporting Clube de Braga, têm mais de 60% das receitas dependentes da NOS e de participações nas competições da UEFA.
A sustentabilidade do negócio está portanto no domínio do pensamento mágico com que se projetam rendimentos futuros sem investimento e racionalidade no presente. Os clubes grandes já criaram canais próprios e plataformas OTT; os pequenos, porém, não terão músculo para resistir à mudança nem massa crítica ao nível do universo dos seus sócios e adeptos que permitam dar corpo a esta transição, porque é bom lembrar que existem clubes na primeira divisão que com menos de 1000 sócios pagantes!
A Liga fala em centralização, mas continua sem plano estratégico que encare com seriedade esta realidade. Enquanto isso, os adeptos desligam-se, os jovens trocam o futebol por eSports e o produto degrada-se.
Portugal pode ter talento e paixão. Mas sem um novo modelo competitivo, fiscal e comercial, continuará a exportar craques... e a importar falências."

Mata Mata - 2 Finais para se conhecer o Campeão?

Chuveirinho #125

Falsos Lentos - S05E35 - Especial Apagão

SportTV: O Futebol é Momento - S03E38 - O jogo sobre o qual não vamos falar

5 minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Gyökeres atrás da Bota de Ouro: melhor de sempre no Sporting?

Zero: Ataque Rápido - S06E39 - Apagão na Amadora, luz de sobra na Segunda Circular

Zero: Afunda - S05E58 - Quem tem o maior apagão no playoff?

Vamos a isto


"1. O Benfica venceu em Guimarães por 3-0, e ficaram a faltar 4 rondas para o fim do Campeonato. Não há modo mais simples e objetivo de apresentar o caso. O Benfica será campeão se ganhar os 4 jogos que lhe faltam. São fáceis? São difíceis? Isso são meras considerações... concentremo-nos no que é essencial. Vencer.

2. Nesta última terça-feira, o Benfica foi ao notário formalizar a escritura dos novos Estatutos do Clube definitivamente aprovados na assembleia geral de 8 de Março, concluindo-se assim um longuíssimo progresso que a todos honra. Rui Costa, o presidente da Direção, Domingos Almeida Lima, vice-presidente, e o presidente da Mesa da Assembleia Geral, José Pereira da Costa, eis a 'equipa' de dirigentes que executou este ato conclusivo da instituição do regulamento do Clube. Dirigentes e sócios, estão todos de parabéns.

3. Em declarações à BTV, o presidente do Benfica resumiu o significado deste último passo: 'É um momento de orgulho para todos nós, para todos os benfiquistas. É o finalizar, de forma oficial, com a assinatura em notário, de processo de revisão dos Estatutos, uma promessa eleitoral e que teve a maior participação da história do Clube. São uns Estatutos que preparam o Benfica para um futuro muito melhor'. Um futuro melhor é o que todos queremos.

4. Esta vibrante caminhada da revisão estatutária conheceu dois presidentes da Mesa da Assembleia Geral, Fernando Seara, que se demitira das suas funções a meio do caminho, e José Pereira da Costa, que conduziria os trabalhos depois da saída de Fernando Seara até à conclusão dos mesmos. Não faltaram a José Pereira da Costa os aplausos dos sócios do Benfica pela forma eficaz e democrática como dirigiu os trabalhos ao longo de várias sessões. Pereira da Costa era um homem feliz na última terça-feira: 'O mais importante que aqui se fez hoje foi formalizar a vontade dos sócios do Sport Lisboa e Benfica'. Para a frente, Benfica, que o futuro é já ao virar da esquina.

5. O Benfica está na final da Taça de Portugal. Seja onde for, os benfiquistas vão lá estar. Vai ser bonito.

6. 'A Liga não recebeu nenhuma proposta para a aquisição de direitos televisivos'. Foi, sem dúvida, surpreendente esta afirmação do novo presidente da Liga, Reinaldo Teixeira, que desmanchou em poucas palavras uma ilusão que nos foi vendida já há alguns anos como uma inevitabilidade histórica e triunfal. Um assunto a seguir.

7. Domingo, 6 da tarde, Estádio da Luz, Benfica - AFS. È o primeiro da série para o título. Toda a gente benfiquista sabe o que tem a fazer. Vamos a isto."

Leonor Pinhão, in O Benfica

Um heroico salvamento


"António Gil foi o protagonismo de um perigoso episódio ao salvar a vida do seu colega Mário Moura Alves

No ano de 1958 foi criada a secção de atividades submarinas no Benfica, também conhecida como onça submarina. No verão desse ano, em 5 de Junho, o dirigente da secção Mário Moura Alves estava num pesqueiro a pescar e a praticar actividades submarinas, perto do cabo Espichel, quando um desmoronamento das rochas provocou a sua queda, embatendo nos rochedos e caindo inanimado ao mar. Os acontecimentos seguintes foram dignos de um filme de ação, com o atleta António Gil a 'lançar-se ao mar a fim de salvar um colega que conhecera apenas dois dias antes'.
Foram várias as dificuldades pelas quais passou, como submergir para procurar o náufrago e transportá-lo 'até uma abertura entre duas rochas, nos quais, de pés e costas fincados, apesar das dores que isso lhe devia causar, se colocou, com o sinistrado apertado entre as pernas, para que o mar o não arrastasse', mantendo-se assim por um longo período, enfrentando as vagas que pareciam que os queriam engolir. Outros colegas de equipa acorreram para os ajudar, lançando-lhes uma corda, com a qual António Gil 'com grande dificuldade, conseguiu por sua vez amarrar o Alves, que continuava inanimado', de modo a içarem-no para umas rochas mais acima. Depois, após a maré baixar, 'ainda com risco de escorregar e de se precipitar nas águas e rochedos meio submersos', o valoroso desportista 'subiu apressadamente as arribas e foi ao farol pedir auxílio', entrando-se em contacto com as autoridades.
Entretanto, os faroleiros e os presentes trabalharam em conjunto para escalar as 'perigosas arribas'. O benfiquista 'António Banguezes Domingues aprestou-se a servir de ponte, nas piores passagens de arriba, e sobre as suas costas nuas passaram o sinistrado e alguns salvadores calçando botas cardadas'. Após ter recebido os primeiros socorros em terra firme e recebido tratamento numa clínica, Mário Moura Alves foi internado no Hospital de S. José, em Lisboa.
Foram amplamente elogiados o esforço e o altruísmo de todos os envolvidos, com destaque para António Gil, que, devido ao seu papel neste arriscado resgate, foi distinguido pelo Benfica com a Medalha de Mérito Social e Desportibo, que lhe foi entregue em 20 de Dezembro de 1958.
Saiba mais sobre actividades submarinas e os seus valores atletas na área 3 - Orgulho Eclético, do Museu Benfica - Cosme Damião."

Lídia Jorge, in O Benfica

Vozes de burro


"Só os burros não mudam de opinião, é costume dizer-se. Pois bem, eu cuido de um burro lá por casa (daqueles de quatro patas) e já o vi várias vezes a mudar de hábitos e de gostos. De opinião é mais difícil, porque não fala, ao contrário de outros, como os bípedes que vejo sentados em painéis de comentário (desportivo e não só) por televisão, podcasts e rádios nacionais.
Vem isto a propósito do 'caso' que se quis criar com os cartões amarelos a Di Maria e Florentino em Guimarães. Há gente que consegue balbuciar as palavras 'ética' e 'verdade desportiva' sem vergonha na cara, mesmo que tenham um passado de cooperação com 'grandes vultos' do dirigismo desportivo, como Bruno de Carvalho e Pinto da Costa. E continuam a ter tempo de antena. Dá para rir, só pode. São os mesmo que ficaram em silêncio quando Palhinha foi levado ao colo para não perder nenhum jogo por acumulação de amarelos. Ou que assobiam para o lado sempre que, no Estádio do Dragão, se aldrabam os números de espectadores para coincidir com a camisola do marcador do golo - sim, parecia que era uma prática de outro reinado, mas a nova direção do clube mantém hábitos antigos, como a guarda pretoriana a vigiar festas de jogadores durante a madrugada. E já houve suspensões, imagine-se.
Está o circo armado para o final da temporada, de preferência sem burros nem outros animais, porque até no mundo circense essa prática comum já deixou de o ser. Já estamos a ver gente a desdizer-se quanto a Otamendi, Di Maria e Bruno Lage e, pasme-se, já há até quem critique abertamente, e sem medo, os dirigentes portistas - coisa que não tiveram coragem durante décadas. Só falta dizerem a verdade sobre a equipa que está a ser levada ao colo desde o início da temporada, com auxílio de arbitragem, escolhas editoriais, dinheiro dos outros, engenharia financeira e, acima de tudo, sem vergonha na cara. Carrega, Benfica. Estão quase a ter o que merecem."

Ricardo Santos, in O Benfica

O lado estratégico


"Bem sei que a comunicação social desportiva tem de preencher os seus espaços, e, numa jornada em que ambos os candidatos ao título venceram de forma clara, em que não houve escândalos de arbitragem (como, infelizmente houvera na ronda anterior), os temas em análises escasseavam.
Vai daí, criou-se um caso em torno dos cartões amarelos a Di Maria e Florentino, que cumprirão castigo em casa com o AVS, ficando disciplinarmente limpos para as três jornadas finais - designadamente as deslocações ao Estoril e a Braga, intercaladas pelo provavelmente decisivo dérbi lisboeta.
A situação de Di Maria era, eu diria, óbvia. O atleta saiu de campo lesionado, estava, como se costuma dizer, 'à bica', e encontrar uma forma inteligente de, digamos, agregar a lesão à suspensão foi apenas um acto de competência estratégica. É claro que a confissão do propósito, podendo originar multas, seria sempre de evitar. Mas o facto em si é inatacável.
Quando a Florentino, confesso que, até ver o cartão eu próprio já estava a ficar preocupado. Trata-se de uma posição nuclear que, ao contrário do Di Maria, e com Manu Silva lesionado, não tem grandes alternativas disponíveis. Há que dizer que o jogo com o AVS (ou AFS, ou Aves, ou lá o que seja) vale 3 pontos, tal como todos os outros. E naturalmente o Benfica tem de o vencer. Mas os desafios tácticos desta partida serão presumivelmente diferentes dos que nos podem vir a ser colocados, por exemplo, no dérbi ou na viagem ao Minho. Florentino é um médio-defensivo. Um recuperador, cujo suplente natural está a meio de uma longa paragem. Ficar sem ele num desses jogos podia custar-nos muito caro. Felizmente houve tempo e ocasião para sanar o problema.
Agora vamos lá então tratar do AVS, jogo em que os 60 mil nas bancadas podem ser determinantes."

Luís Fialho, in O Benfica

O papa do fim do mundo


"Quando o trabalho da Fundação Benfica nos leva pelos caminhos do fim do mundo, em Portugal ou fora dele, ao encontrar o povo e ajudar à nossa maneira a melhorar as suas vidas e o seu futuro, sentimos que estamos a cumprir o Benfica.
Por isso mesmo, vamos muito por esses caminhos e vemos o prémio desse trabalho ao impacto real dos projetos que fazemos.
Em todos estes anos em que o Benfica me deu a honra de trabalhar na equipa da Fundação, não me lembro de um desses recantos do mundo onde não encontrássemos a presença e o trabalho da Igreja.
Mas o que verdadeiramente impressiona, e é justo dizer, é que, por toda a parte, ouvimos ecoar o nome e vemos a figura de Francisco entre os mais oprimidos e aqueles que nos estendem a mão e a quem nós correspondemos por mandato dos benfiquistas.
Encontramo-lo nas casas dos idosos isolados, nos tempos sombrios da covid, nas campanhas pela Ucrânia, nos projetos com refugiados, nos bairros pobres e menos pobres, nas pequenas aldeias e nas periferias das cidades. Ou, então, nas situações-limite como as tragédias e as catástrofes naturais ou nos confins das celas das prisões.
Em todos esses lugares ouvimos o nome deste homem como uma luz de esperança e aprendemos, á parte de quaisquer crenças religiosas, a respeitar a sua mensagem inspiradora e a sua presença constante junto dos que precisam. Cruzámo-nos até com ele, em pessoa, porque teve a atenção e o carinho de receber a equipa de futebol adaptado da Fundação num dos eventos em que participou. E lá estava ele a falar com os jovens e a dar força às ideias.
Admiramos a sua consistência e a sua verdade, porque disse no primeiro dia que seria o papa do fim do mundo, e nós, que muitas vezes andamos pelo fim do mundo, encontramo-lo sempre!"

Jorge Miranda, in O Benfica