Últimas indefectivações

quinta-feira, 25 de julho de 2024

Em terras de '6' quem tem um '10' é rei


"O futebol mudou. É uma das frases mais ouvidas, senão a mais ouvida, nos dias de hoje. A velocidade de jogo aumentou, o que obriga a tomadas de decisão em frações de microsegundos. Há cada vez menos espaços fruto de uma maior preocupação defensiva, que leva a uma maior compactação entre setores e também isso obriga a que as decisões sejam tomadas em microsegundos. A intensidade, esse termo mítico e místico, também aumentou fruto da conjugação dos factores já enunciados e de uma nova abordagem no que ao lado físico/atlético do jogo diz respeito, levando a que a tomada de decisão tenha de ser supersónica.
Somemos a isso o «importante é ganhar, não importa como» em detrimento da preocupação com a qualidade de jogo apresentada e da valorização do espetáculo (sim, o futebol ainda que seja um negócio não pode deixar de ser um espetáculo) e eis que chegamos a uma era em que o '6' é mais vezes alvo de marcação individual do que um '10'. Porque a construção ganhou outra preponderância na organização ofensiva de muitas equipas (e ainda bem, a meu ver) e porque o '10' primeiramente foi ostracizado para os corredores laterais e ultimamente já nem nos flancos são uma peça fácil de encaixar no puzzle tático das equipas.
Não faltam exemplos que ajudam a corroborar este argumento. O que poderá faltar são argumentos que justifiquem o porquê de os treinadores não quererem apostar convictamente no '10' dentro das suas ideias e dos seus modelos de jogo - o zerozero publicou AQUI uma reportagem sobre o tema.
Especialmente quando outra das frases mais ouvidas nos dias de hoje, tantas vezes proferidas pelos treinadores que se «queixam» da mecanização e da falta de magia e criatividade no futebol, é «o futebol está cada vez menos criativo e mecanizado».
Desde os meus tempos de iniciação ao futebol que ouço dizer que «quem ganha o meio-campo ganha jogos», que «o meio-campo é o motor de uma equipa» e que «um meio-campo equilibrado é meio caminho andado para a vitória». Num futebol cada vez mais coletivo e em que a interação intersectorial se assume como fundamental nos momentos de organização e transição, penso que estas afirmações ganham ainda mais relevo, pois uma equipa «sem meio-campo» é uma equipa desligada entre si no momento ofensivo e sem qualquer tipo de proteção no momento defensivo.
O que me leva ao último Campeonato da Europa de Futebol. Um campeonato ganho pela seleção com melhor ideia e modelo de jogo. Um campeonato ganho pela seleção com melhor gestão de recursos humanos por parte do seu selecionador. Um campeonato ganho pela seleção cujo '6' foi mais marcado e mais determinante (daí ter sido o melhor jogador do torneio) do que qualquer outro jogador que participou no Euro 2024. Um campeonato ganho graças à entrada de um '10' para a posição '10' em detrimento (por lesão) de um '8' (ou 8,5, se quiserem) que em momentos de organização ofensiva desempenhava as funções de '10'.
Sem qualquer tipo de crítica ao talento e à qualidade de Pedri, um dos médios que pode vir a marcar uma geração nos próximos 15 anos de futebol mundial, foi com a entrada de Dani Olmo que a Espanha passou a ser mais completa.
Foi com a entrada de Olmo que o último terço espanhol ganhou dinâmicas e gerou imprevisibilidades até então não apresentadas. Foi com a entrada de Olmo que Williams e Yamal passaram a ter mais soluções de associação sobre o corredor central próximo da grande área adversária, que Morata passou a ter uma opção segura a quem passar sempre que fazia o papel de pivot ofensivo e alguém capaz de atacar os espaços criados pelas diagonais do capitão espanhol. Foi com a entrada de Olmo que a Espanha passou a caminhar de forma ainda mais segura e afirmativa rumo à consagração final.
Não deixa de ser curioso, no entanto, que foi preciso Pedri lesionar-se para Dani Olmo entrar definitivamente no onze inicial espanhol. Não é uma crítica ao excelente trabalho desenvolvido por Luis De La Fuente, é a constatação de um facto.
Tal como são os casos de Bruno Fernandes, Bernardo Silva, Phil Foden e Wirtz, por exemplo. Todos eles são diferentes, mas todos eles são, na minha opinião, excelentes opções para qualquer treinador que queira jogar com um '10' na sua equipa. Infelizmente não tiveram a sorte de ter um enquadramento técnico-táctico que lhes permitisse explanar o melhor das suas características ofensivas em prol do coletivo.
Podemos alegar que o futebol é dinâmico e não é por não partir da zona '10' que um jogador com características de '10' não sobressai. Podemos apontar que um '10' que joga sobre os flancos e tende a derivar para terrenos mais interiores pode sobressair e destacar-se. Podemos, claro que podemos. Mas a realidade da competição mostra-nos outra coisa...
Mostra-nos que De La Fuente não subverteu Olmo a um papel cujas tarefas não favoreciam as características do craque do RB Leipizg. Mostra-nos que o meio-campo espanhol ficou ainda mais forte com entrada de Olmo, pois passou a ter um 6, um 8 e um 10. Mostra-nos que o equilíbrio de que tanto se fala não pode ser analisado apenas do ponto de vista defensivo, pois uma equipa equilibrada é aquela que consegue ser igualmente forte e competente a atacar e a defender.
O futebol mudou, é um facto. Há menos espaços, o jogo é mais rápido e a organização defensiva passou a ser mais importante do que a organização ofensiva. Impossível discordar disso. Então se assim é, haverá alguém mais capacitado para encontrar espaços onde eles aparentam não existir do que um '10'? Haverá alguém mais capacitado para decidir de forma rápida sob pressão do que um '10'? Haverá alguém mais capacitado para desmontar uma boa organização defensiva com um passe, um movimento de rotura ou uma simulação de corpo do que um '10'?
A terminar: se a organização defensiva é cada vez mais competente, se há cada vez menos espaços e menos tempo para uma tomada de decisão com qualidade, se há cada vez menos magia e criatividade no futebol, porque razão permitimos que o '10' seja um jogador em vias de extinção?"

Grupos internacionais de clubes de futebol em Portugal


"Uma das tendências da última década é a criação de grupos de clubes de futebol (multi-club ownership - MCO) em ligas de diferentes países.
Um relatório da SportBusiness, de novembro de 2023, descobriu que um total de 301 clubes em todo o mundo faziam parte de 124 grupos MCO; destes, 197 clubes na Europa pertencem agora a um grupo multiclubes.
Em fevereiro de 2024, a CIES Sports Intelligence informava que o número já está próximo de 350, dos quais 221 na Europa (UEFA) e 58 na América do Norte e Central (CONCACAF).
O número vai aumentando, estes grupos MCO continuam a expandir-se e mais investidores estão a entrar neste campo. Ainda de acordo com a CIES Sports Intelligence, os EUA (36), a Inglaterra (35) e a Espanha (30) são os países com maior número de clubes na MCO. Mas o número de clubes envolvidos em MCO também está a crescer noutras ligas europeias de futebol.
Por vezes a holding controlando os grupos MCO pertence a entidades públicas (ex: o Qatar Sports Investments - QSI) ou parapúblicas (como é o caso do City Football Group, do xeque Mansour bin Zayed Al Nahyan, de Abu Dhabi) que investem para efeitos de nation branding, soft power e diplomacia desportiva.
Na maioria dos casos, o controlo de grupos MCO pertence a entidades privadas, sejam elas financeiras (é o caso da 777 Partners, do Fenway Sports Group, da NewCity Capital ou do Kroenke Sports & Entertainment) ou não (Red Bull), bem como a magnatas (ex: Todd Boehly, John Textor, Wes Edens, Gino Pozzo, Peter Lim) que investem para obterem retorno financeiro.

Em vários casos, o grupo MCO tem clubes em diferentes ligas desportivas, não apenas nas de futebol. 
Dos quatro principais clubes portugueses, apenas o SC Braga faz parte de um grupo MCO - 29% do capital da sua SAD pertence à QSI. A AG extraordinária de 3 de fevereiro mostrou que a maioria dos sócios do Braga mantém uma “mentalidade proprietária” do clube. Alguém acredita que a QSI vai investir mais num clube que não controla?
O mesmo sentimento parece existir nos sócios dos outros três grandes. Sentimento que permite que os atuais administradores vão mantendo as rédeas de controlo dos [negócios dos] clubes.
As principais receitas dos grandes clubes portugueses estão dependentes de fatores incertos, como os montantes dos direitos televisivos e multimédia - dependentes do novo modelo de comercialização centralizada (a ter início em 2027) - e as mais-valias de vendas de jovens jogadores por eles formados.
Há ainda muito a fazer na gestão da dívida, na redução de custos, na criação de novas receitas com eventos nos estádios, em esports, na economia digital; o que faz com que estes clubes permaneçam ativos com potencial. Mas sem o abandono da “mentalidade proprietária” ninguém injetará capital nestes clubes."

The Olympics are coming…


"Os Jogos Olímpicos são o palco perfeito para as melhores histórias, pelo que para as marcas é este o potencial e estando os fãs tão ávidos de storytelling esta é a oportunidade certa.

2024 poderá ficar marcado, para mim, como um ano dedicado ao desporto. É certo que adoro futebol e foi ano de Euro – mas sobre isso já escrevi e a passagem de Portugal não foi propriamente a mais feliz, tirando a prestação do meu querido herói Diogo Costa – mas vai além disto. Este ano fui Júri no Festival de Criatividade em Cannes e a categoria foi Entertainment for Sports e nos cerca de mais de 500 casos que vi, bebi desporto e senti a verdadeira emoção de cada caso.
Se eu já era apaixonada pela vibração que a competição, a superação, a rivalidade saudável, as vitórias e as derrotas trazem a cada jogo, fiquei ainda mais fascinada pelo poder do desporto.
O poder que tem na sociedade e na relação entre as pessoas, o poder que tem sobre o nosso estado de espírito, memórias e vivências, o poder de transformar o indivíduo e a sua saúde – física e mental -, o poder sobre o outro, o poder da empatia e de mudar o mundo, o poder da inclusão, o poder da emoção, o poder da partilha, o poder da identidade e da globalidade, o poder de construir marcas e conteúdos que enriquecem, o poder do entretenimento, o poder do humor, da palavra, da música, o poder da imagem o poder da equipa… o Poder das Pessoas.
E todo este poder atinge o ponto máximo em cada edição dos Jogos Olímpicos.
Ainda que seja sabido que a minha grande paixão no desporto é o futebol, os Jogos Olímpicos – e Paralímpicos – são, desde logo, um evento único porque congregam várias modalidades, chegando assim a vários públicos, conferindo uma magia que não encontramos em mais nenhum acontecimento desportivo.
Este ano em Paris, que se converte de cidade do amor para cidade do amor pelo desporto, há nos Jogos Olímpicos um sentimento diferente, porque temos vários contextos num só, mas sempre unidos pelo país e pela comunidade que os segue. Há um orgulho nacional que é exacerbado, mas há também a junção de todos os países do mundo em torno de algo que os une: o querer ganhar, mas acima de tudo o querer representar o seu país da melhor forma possível.
É este sentimento que confere a este evento um ADN muito particular – um evento que se espera que tenha biliões de espectadores e, como tal, um importante ponto de associação e ativação das marcas que devem criar experiências memoráveis em torno de algo que, só por si, já garante este caráter especial.
Os Jogos Olímpicos são para as marcas um momento extremamente desafiante dadas as regras apertadas existentes, como, por exemplo, a regra 40 que, para evitar marketing de guerrilha, só permite a patrocinadores globais ou locais (obviamente a diferentes níveis) ativar a sua comunicação. Um atleta que seja, por exemplo, patrocinado por uma marca não patrocinadora do evento, não pode comunicá-la associada aos Jogos Olímpicos, o que se torna assim um desafio desde logo criativo, porque, se eu patrocino um atleta, obviamente vou querer falar da minha marca quando ele ganhar uma medalha.
É assim essencial conhecer bem as regras e usar a criatividade, para que se consiga sempre construir algo interessante e alinhado com o momento desportivo e de grande emoção que os diferentes países estão a viver.
Por outro lado, a grandiosidade e abrangência de possibilidades nos Jogos Olímpico faz com que o mesmo evento não conte a mesma história, nem o faça às mesmas pessoas… a energia é a mesma, mas cada marca pode escrever e traçar uma história diferente consoante os seus objetivos e a sua própria missão. É esta a grande oportunidade dos Jogos Olímpicos: um contexto mais do que propício para fazer crescer e explodir uma boa ideia.
É também um evento que ilustra bem o poder da comunidade e este pode ser o segredo para que uma marca de facto consiga sobressair: saber olhar para o que os seus fãs são e querem e construir em cima disso. Até porque sabemos que muitos podem estar a ver os Jogos Olímpicos, mas nem todos os vemos da mesma maneira – e atenção que os paralímpicos seguem a mesma linha de raciocínio – porque uns querem saber do atletismo, outros da ginástica, outros ainda da natação e alguns de tudo um pouco.
Parece complexo e é seguramente uma grande empreitada, mas isto devolve-me ao poder do desporto. É na concretização e entendimento deste poder que as marcas vão poder afirmar-se e mostrar que têm uma palavra a dizer e que fazem parte da vida das pessoas, nos momentos mais importantes.
Marcas como a Coca-Cola, que estão há décadas com os Jogos Olímpicos, são a prova máxima de que esta relação duradoura que se revoga de 4 em 4 anos é uma neverending story de sucesso e de histórias que se contam na preparação para os Jogos Olímpicos, no transporte da tocha, no porta-estandarte do nosso país ou naquele record batido que ninguém esperava. Marcas que não estão só nas vitórias, que estão também nas derrotas que fazem parte de um caminho de heróis. Os Jogos Olímpicos são o palco perfeito para as melhores histórias, pelo que para as marcas é este o potencial e estando os fãs tão ávidos de storytelling esta é a oportunidade certa.
E depois nada como o Futebol Clube do Porto entrar novamente em campo para eu perceber que, na verdade, para mim todos os anos são anos do Desporto.
E, por isso, anos de verdadeira emoção, partilha e comoção…como todo o desporto deve ser!"

Jogos Olímpicos das marcas


"Para além das façanhas desportivas, vamos também poder assistir a uns verdadeiros Jogos Olímpicos das Marcas com alguns anúncios, conteúdos, ativações, promoções do melhor que se faz no mundo.

Os Jogos Olímpicos, para além de serem o maior evento desportivo do mundo, são também um grande momento para as marcas que se associam a este evento tão popular em todas as geografias. Os Jogos Olímpicos, que se realizam de quatro em quatro anos, atraem milhões de telespectadores e assumem-se como o palco perfeito para as marcas se alinharem com os principais valores do desporto como a camaradagem, esforço, respeito, cordialidade ou fair play.
O local selecionado para os Jogos deste ano é a mítica cidade de Paris. A capital francesa acolherá mais de 10.500 atletas de mais de 206 Comités Olímpicos Nacionais e da Equipa Olímpica de Refugiados do COI, que vão competir em 32 modalidades desportivas.
Segundo dados revelados pelo Comité Olímpico Internacional, a última edição dos Jogos, realizada em Tóquio, atraiu mais de 3 mil milhões de telespectadores que acompanharam a competição através das plataformas digitais ou das transmissões televisivas.
Além disso, a cobertura oficial nas plataformas de transmissão dos Jogos gerou 28 mil milhões de visualizações de vídeos, mais 139% do que a edição anterior realizada no Rio de Janeiro em 2016. Além disso, as plataformas web e as aplicações olímpicas utilizadas em Tóquio conseguiram atrair mais de 196 milhões de utilizadores únicos, o que representou três vezes a quantidade de tráfego online em comparação com os Jogos do Rio de Janeiro em 2016.
Ainda segundo os dados do COI, os Jogos Olímpicos de Tóquio geraram 3,9 mil milhões de euros em receitas totais, dos quais 835 milhões foram obtidos graças aos patrocínios onde várias das maiores marcas mais populares do mundo se associaram.
Dada a magnitude e escala dos Jogos Olímpicos, estes têm diversas categorias de patrocínio, sendo as duas principais os chamados Parceiros Globais e os Parceiros Nacionais. Estas empresas colaboram com o COI através de diversas formas de apoio, como o financiamento e a prestação de serviços e produtos técnicos.
Os Global Partners pertencem ao programa de patrocínio TOP do COI, que é o nível de patrocínio mais elevado e estabelece acordos de longo prazo, com uma duração mínima de quatro anos, entre as marcas e o comité organizador olímpico.
As empresas beneficiam desta parceria construindo o seu negócio e imagem, conectando-se com o público e desenvolvendo relações com os seus consumidores, entre outras vantagens. Além disso, o COI beneficia das campanhas globais que promovem e transmitem os valores olímpicos e da criação de experiências inovadoras em torno da competição para o público.
Para esta edição em Paris, são 15 os Parceiros Globais dos Jogos: Airbnb, Alibaba, Allianz, Atos, Bridgestone, Coca-Cola, Deloitte, Intel, Omega, Panasonic, P&G, Samsung, Toyota e Visa. Para além das façanhas desportivas, vamos também poder assistir a uns verdadeiros Jogos Olímpicos das Marcas com alguns anúncios, conteúdos, ativações, promoções do melhor que se faz no mundo. Divirtam-se."

Revisões regulamentares


"O legislador pretendeu introduzir uma certa estabilidade nas regras aplicáveis durante a época desportiva

De acordo com o Regime Jurídico das Federações Desportivas, é à Direção – órgão colegial de administração das federações desportivas, integrada pelo Presidente e pelos membros eleitos – que cabe a competência, nos termos do artigo 41.º, n.º 2, alínea a), de «Aprovar os regulamentos e publicitá-los, nos termos do artigo 8.º».
Porém, é no artigo relativo às competências da Assembleia Geral - órgão deliberativo da federação desportiva –, concretamente, no artigo 34.º, n.º 4 que encontramos uma regra relativa à revisão de regulamentos federativos, que dispõe do seguinte modo: «A aprovação de alterações a qualquer regulamento federativo só pode produzir efeitos a partir do início da época desportiva seguinte, salvo quando decorrer de imposição legal, judicial ou administrativa»
Isto significa que o legislador pretendeu introduzir uma certa estabilidade nas regras aplicáveis durante a época desportiva, facilitando igualmente a perceção de eventuais alterações a normas regulamentares para a época seguinte, por parte dos seus destinatários.
Assim, é importante que todos os clubes e agentes desportivos estejam cientes desta regra e se informem sobre eventuais alterações regulamentares em vigor na nova época desportiva.
Recordemos que, de acordo com o mesmo diploma acima citado, concretamente conforme previsto no artigo 8.º, n.º 1, al. a) “As federações desportivas devem publicitar na respetiva página na Internet, no prazo de 15 dias, todos os dados relevantes e atualizados da sua atividade, em especial: a) Dos estatutos e regulamentos, em versão consolidada e actualizada, com menção expressa das deliberações que aprovaram as diferentes redacções das normas neles constantes”."

Tadeia: Reis da Europa - Bulgária 2024

quarta-feira, 24 de julho de 2024

Mística a Dois: Roger Schmidt e Toni

Zero: Mercado - João Neves, Gonçalo Paciência e Kevin de Bruyne

5 minutos: Diário...

Cartilheiros zangados...!!!

A Chama Olímpica Paris'2024


"Aos nossos 73 bravos e bravas do pelotão e aos seu valorosos treinadores, chegou a hora de representar o nosso país nos Jogos Olímpicos de Paris 2024.
Queremos expressar o nosso mais profundo apoio, admiração e confiança em cada um de vocês. Esta jornada é o culminar de anos de dedicação, treino árduo e sacrifícios, e estamos certos que levarão convosco não apenas o talento, mas também o espírito e a inspiração que também estes momentos proporcionam, e que seguramente nos farão encher de orgulho.
Queremos, em nome dos quase 500 associados da AAOP, também atletas olímpicos, transmitir todo o nosso apoio e o desejo dos maiores sucessos, a cada um de vós atletas olímpicos participantes, desejando, neste momento tão conturbado em que vivemos, com guerras e outras calamidades que assolam o nosso planeta, que o vosso desempenho seja fruto de uma alegria imensa e de um inexplicável momento de inspiração, sempre dentro do espiríto do Barão Pierre de Coubertin, juntos no Respeito, Excelência e Amizade, todos solidários a torcer pela vossa melhor participação possível.
Aos Treinadores, um papel inestimável na formação e orientação dos nossos atletas. A vossa sabedoria e sábia liderança são a base sobre a qual se constroem grandes campeões.
Aos Atletas, a vossa força, coragem e determinação são inspiradoras. Lembrem-se sempre de que, independentemente dos resultados, vocês já são vencedores por chegarem tão longe.
Desejamos a todos uma competição cheia de momentos de superação, conquistas e, acima de tudo, de realização pessoal e coletiva. Que cada prova seja uma oportunidade de mostrar o melhor de vocês mesmos, com o coração cheio de confiança e a mente focada nos vossos objetivos.
Boa sorte, equipe olímpica! Estamos todos convosco por vocês, vibrando a cada passo do caminho. Que a chama olímpica ilumine o vosso caminho rumo ao sucesso.
Com toda a nossa admiração e apoio, Parabéns e boa sorte! Para os atletas pelos atletas para a sociedade"

Mística e bancada


"1. Bela iniciativa do Benfica esta conversa que veio, a público entre Carlos Manuel, jogador do Benfica na década de 80 do século passado, e João Mário, jogador do Benfica nesta década de 20 de século XXI. Cada um recorrendo à sua experiência particular abalançaram-se a explicar o que é isso da 'Mística' na nossa casa.

2. Para Carlos Manuel, 'o Benfica vai ter sempre grandes individualidades', mas a Mística será sempre 'um coletivo forte'. João Mário recordou o jogo com o Inter Milão, na Luz, na fase de grupos da Liga dos Campeões, a 29 de Novembro do ano passado, para dar o exemplo do que é a Mística do Benfica: 'Lembro-me que o primeiro feedback que tive de alguém das bancadas quando fiz o hat-trick com o Inter não foi 'parabéns', foi 'vamos no quarto', esta é a exigência do Benfica'. E é assim que deve ser.

3. Não é ganância de ganhar nem ambição desmedida esta exigência da bancada. É simplesmente, Benfica. Como estamos todos recordados, esse encontro com os italianos terminaria empatado (3-3). Se João Mário fez três golos na primeira parte, o Inter fez outros três golos no segundo tempo. O jeito que teria dado se João Mário tivesse feito o seu quarto golo como alguém lhe terá pedido da bancada... Será isto exigir muito? Não, é apenas amor. A bancada tem sempre razão? Tem, sim, exceto quando apouca os nossos atletas e os nossos técnicos.

4. Uma das melhores definições de mística foi, em tempos, fornecida por Toni que no Benfica foi jogador campeão e treinador campeão. 'Mística? Mística é ganhar!' E nisto estamos todos de acordo.

5. A equipa feminina de hóquei em patins do Benfica conquistou no último fim de semana a sua 10.ª Taça de Portugal. No fim de semana anterior tinha selado, pela 11.ª vez consecutiva, o título de campeã nacional da primeira divisão. Entenderão, porventura, os benfiquistas como desnecessária a referência ao facto das nossas hoquistas serem campeãs nacionais da 'primeira divisão', mas consultando a lista de convocados pela Federação Portuguesa de Patinagem para os próximos compromissos da seleção nacional estranha-se o desprezo votado às nossas hoquistas. O hóquei feminino do Benfica não é campeão dos distritais.

6. Ainda assim a Federação de Patinagem de Portugal, responsável de cima abaixo pela seleção nacional de hóquei em patins feminino, deve olhar para as nossas supercampeãs como se competissem em torneios secundários em Portugal. Pobre FPP, não sabem o que perdem.

7. Arrancou a pré-temporada do Benfica com golos, boas perspectivas e algumas lesões. Que as perspectivas se confirmem e que as lesões passem rapidamente. O resto é ganhar."

Leonor Pinhão, in O Benfica

O valor de ser o mais antigo


"Como sócio mais antigo entre os benfiquistas, de 1956 e 1979, Luís Joaquim Gato foi o segundo mais duradouro nesse posto

Qualquer instituição que se forma com amor e dedicação prezará pelo respeito e orgulho da sua história, como se nas raízes da fundação estivesse a fonte para o sucesso, presente e futuro. É neste principio que se honram e distinguem os sócios n.º 1. No Benfica, entre as 13 individualidades que se posicionaram como a mais antiga entre a população associativa, descobre-se Luís Joaquim Gato (1887-1979), que viveu toda a sua vida em Benfica.
Tinha 18 anos quando, em 26 de Julho de 1906, foi sócio fundador n.º 5 do Grupo Sport Benfica, juntamente com António Sobral Júnior, Luís Carlos de Faria Leal e outros 12 elementos. Destacou-se como atleta de ciclismo, participando em duas provas, classificado em 3.º lugar na prova dos 25 quilómetros e vencendo outra de cinco quilómetros, em 16 de Agosto de 1908. Também alinhou no futebol encarnado, sobretudo na 2.º categoria, com a qual se sagrou campeão de Lisboa duas vezes.
Entre 1906 e 1911, exerceria como secretário e relator do Conselho Fiscal, e como vice-secretário da Direção. Viria a apresentar demissão em 1914, mas foram poucos os anos em que não teve o título de associado encarnado, voltando a ser admitido em 1919. Em 1952, readquiriu o seu número antigo.
Reconhecido pelo seu valor e correção, foi um 'amável e valioso' sócio que contribuiu, não só como testemunho vivo, mas como fomentador de uma paixão do desporto e do Benfica ao longo do século XX. Para Luís Gato, custa-lhe a crer ser possível, mas 'o dia mais feliz da vida', foi a inauguração do Estádio da Luz, no qual se viu desafiado em lágrimas, ao lado de Luís Carlos de Faria Leal e de José Neto.
Com o falecimento do primeiro, em 1956, Luís Gato tomou o lugar como sócio n.º 1. Ao contrário do que acontece hoje, essa transição dava-se somente nas atualizações de número de sócios, o que aconteceu em 1958.
Apoiante de profissionalismo, recordava com orgulho estar envolvido no Clube desde os seus primeiros tempos, quando pagava 30 tostões de quotas. Lamentava não ter sido distinguido com o título de Sócio de Mérito, mas afirmava ter 'muita honra em acabar os dias a pagar os trinta escudos'. Quando Ferreira Queimado foi eleito presidente da Direção, em 1977, ofereceu-lhe a quota. No fim, dizia, o que é 'preciso é que o Benfica ganhe, o resto não interessa'. Viveu uma vida cheia de amor pelo 'seu filho querido', o Benfica, que seguia de perto na Rua Cláudio Nunes, como um exemplo para a massa associativa. Conheça outros sócios n.º 1 do Benfica na área 16 - Outros Voos, no Museu Benfica - Cosme Damião."

Pedro S. Amorim, in O Benfica

As palavras certas


"Hoje, esta crónica é inteiramente dedicada a Fernando Tavares, vice-presidente do Sport Lisboa e Benfica. Poderia servir para, na sua pessoa, felicitar todas as modalidades do SLB, todos os atletas, dirigentes, equipas técnicas e staff pelas vitórias alcançadas em 2023/24 mas vai além disso.
No final da conquista da 10.ª Taça de Portugal consecutiva pela equipa feminina de hóquei em patins, Fernando Tavares juntou-se à melhor jogadora portuguesa da modalidade, Marlene Sousa, para uma flash interview que deveria surgir em destaque nos compêndios do dirigismo desportivo. Falando em nome do Sport Lisboa e Benfica e da sua direção, Fernando Tavares defendeu as atletas do Clube de uma decisão inqualificável da federação de patinagem e do treinador da seleção nacional - além de Marlene, ficaram fora da convocatória para o Mundial de hóquei Beatriz Figueiredo, Maria Sofia Silva e Marta Vieira.
Num tom pausado, pungente e direto, o vice-presidente para as modalidades do Glorioso pediu explicações, enalteceu o carácter e o profissionalismo de Marlene e de um plantel que continua a fazer história no desporto português. Não são necessárias ironias e meias-palavras, basta ir direto ao assunto e no momento certo. Foi o que fez Fernando Tavares, de forma educada, elevada e sincera.
Seja no hóquei ou em qualquer outra modalidade, que que género ou escalão for, a defesa dos interesses e dos atletas e treinadores do SL Benfica tem de ter sempre pela prioridade. Nesta semana, foi Fernando Tavares -, e obrigado por isso. Nas próximas, se necessário, acredito que outros e outras estarão também na linha da frente deste objetivo."

Ricardo Santos, in O Benfica

Nova pré-época? Excitação pura



"Há 3 coisas certas, na vida: a morte, os impostos, e um entusiasmo incontrolável quando se inicia a pré-época. As saudades de rever os nossos craques a tratarem a bola com amor e carinho; a expetativa de ver os reforços a integrarem-se na equipa e a criarem boas dores de cabeça ao treinador; o desejo de que a nova temporada obrigue o Departamento de Compras do Benfica a encomendar mais prateleiras para o Museu Cosme Damião poder acolher novos troféus. A vida é sempre bela antes de o campeonato começar porque todos acreditamos que será ainda mais bela quando terminar.
A ambição não se altera nunca, simplesmente vão mudando algumas circunstâncias, enquanto outros se mantêm. Queremos muito que o Di Maria se despeça da Luz com mais medalhas ao pescoço e, tudo indica, haverá mesmo um round 2 para a craque argentino nesta reta final de uma brilhante carreira. Queremos ver novamente o João Neves e o António Silva a celebrarem a conquista de títulos com Coca-Cola e Champomy, e descobrir se o Neres já curou o problema de sempre - o tal mal que ele causa nos adversários quando lhes aparece pela frente com a bola colada ao pé esquerdo.
Por outro lado, damos agora por nós a torcer para que um jogador que, na temporada passada, ainda não conhecíamos bem, esteja óptimo de saúde. Todos os benfiquistas levaram as mãos à cabeça quando o Pavlidis caiu com estrondo em cima de vários degraus de escadas e, afinal, o poderoso avançado saiu do incidente com um pequeno arranhão no dedo da mão. Não sou uma pessoa muito conectada com a religião, mas neste momento sou um crente devoto nos deuses gregos."

Pedro Soares, in O Benfica

terça-feira, 23 de julho de 2024

Maioria quase absoluta


"Com o Nacional de Clubes de Atletismo e a final da Taça de Portugal de hóquei em patins feminino, pode dizer-se que a temporada desportiva de 2023/24 terminou. É, pois, a altura certa para fazer um balanço aos resultados do Benfica, que vá para além da prestação da equipa principal de futebol - a qual, não se sagrando campeã nacional, ficou naturalmente aquém do desejado.
Nas restantes modalidades, em todos os escalões de formação, e, sobretudo, no sector feminino, o ano foi, pelo contrário, bastante frutuoso.
Entre as mulheres, o Benfica mostrou um domínio absolutamente esmagador, arrecadando 36 competições (mais de metade dos 64), face a quatro do Sporting, duas do SC Braga e somente um do FC Porto - os outros clubes levaram à melhor em 21 provas.
Mas mesmo no sector masculino, apesar de um maior equilíbrio, o Benfica também foi triunfador. Dos 70 troféus disputados por homens e rapazes, os encarnados arrecadaram 23, os leões 18, os dragões nove, os guerreiros três e os restantes clubes 17.
Globalmente, considerando um universo de 15 modalidades em ambos os sectores e nos vários escalões, de um total de 134 provas conseguimos somar 59 títulos para o Sport Lisboa e Benfica, número incomparavelmente maior ao de qualquer um dos nossos rivais: o Sporting venceu 22 desses troféus, o FC Porto 10 e o SC Braga cinco, enquanto as restantes 38 conquistas ficaram para clubes mais modestos.
Podem argumentar que participaram em menos competições, que praticam menos modalidades, ou até confessar que desprezam o desporto feminino, e que a formação lhes interessa pouco. Temos pena. O Benfica cumpre o seu dever que é jogar para ganhar em todas as frentes. Os números não mentem, e, se dúvidas houvesse, fica aqui demonstrado qual é, de facto, a maior potência desportiva portuguesa."

Luís Fialho, in O Benfica

Estás convocad@!


"São as duas palavras mágicas que todos querem ouvir nas reuniões de avaliação final do projeto 'Para ti Se não faltares!'. O momento especial é de encher o peito porque o suspende-se é quebrado em público com a chamada dos nomes e de fotos projetadas para reconhecimento e aplauso pelas dezenas e colegas, famílias e professores. Juntam-se aqui duas performances a confirmar que os melhores são os que garantem um bom desempenho desportivo sem comprometer a qualidade do seu desempenho escolar. Quer isto dizer que ser convocado é demonstrar publicamente liderança dentro e fora do campo, ajudando colegas e sendo por eles admirado. Porque é que isto é importante? Se alguém houvesse que não conhecesse a resposta ficaria agora a saber que nada é mais valioso para um adolescente, seja de que género for, que o reconhecimento pelos seus pares. E nós, na Fundação Benfica, sabemos bem como celebrar o sucesso dos nossos jovens, por isso criamos estes momentos inesquecíveis que gravam para a vida nas doces memórias da sua juventude."

Jorge Miranda, in O Benfica

Núm3r0s d4 S3m4n4


"7
Nos primeiros 2 jogos de pré-época 2024/25, foram 7 as estrelas absolutas pela equipa de honra do Benfica: André Gomes, Bajrami, Leandro Barreiro, Leandro Santos, Pavlidis, Pedro Santos e Tiago Parente;

8
Nos Campeonatos Nacionais de regatas em linha, foram 8 as medalhas para canoísta do Benfica: 6 de ouro (Fernando Pimenta, K1 1000 metros; João Ribeiro, K1 500 metros; Teresa Portela, K1 500 metros; Messias Baptista, K1 200 metros; João Ribeiro e Messias Baptista, K2 500 metros; Fernando Pimenta, João Ribeiro, Messias Baptista e Pedro Casinha, K4 500 metros);

10
O Benfica venceu, pela 10.ª vez, a Taça de Portugal de hóquei em patins no feminino;

14
O Benfica é tetradecacampeão nacional de atletismo;

23
No conjunto das 5 modalidades de pavilhão, masculinos e femininos, o Benfica conquistou 22 títulos e troféus em 2023/24 (mais o oficioso Futsal Women's European Champions). Ou seja, ganhou quase 60% de todas as competências nacionais existentes, claramente acima de todos os outros clubes em conjunto;

28
O Benfica conquistou, em seniores, divisão cimeira, 28 Campeonatos Nacionais em 2023/24. Nos masculinos: atletismo (ar livre, pista coberta, corta-mato longo e curto, estrada, milha em estrada, estrada 5 Km), basquetebol, natação e voleibol. Nos femininos: futebol, andebol, aquatlo, atletismo em pista coberta, basquetebol, futsal, hóquei em patins, luta, minitrampolim, natação, marcha (10, 15 e 20 Km), polo aquático, râguebi (15 e Sevens). Mistos: judo, triatlo (estafetas);

42
Os nadadores benfiquistas ganharam 42 medalhas (22 de ouro) nos Campeonatos Nacionais de natação seniores, juniores e juvenis; em seniores foram 23 (9 de ouro, 13 de prata e 1 de bronze)."

João Tomaz, in O Benfica

Benfica: deixar Rui Costa no banco


"O Benfica que recomeçar do zero e esteve a trabalhar para Roger Schmidt que não se pode queixar

O Benfica quer fazer reset. Das palavras de Rui Costa às de Roger Schmidt entende-se que na Luz todos queiram deixar 2023/24 onde está: no passado. Não será bem assim na realidade, pois presidente e treinador não vão convencer toda a gente. Mas há coisas no discurso de Schmidt que vale a pena analisar. Por exemplo: o treinador falou com Toni, um homem que sabe tudo do Benfica. Do campo, do treino, do dirigismo. Se há personalidade que conhece o clube desde os anos 60, que conhece as histórias dentro da História, que celebrou com os adeptos e sofreu com eles, esse homem é António José da Conceição Oliveira. Não é à toa que lhe chamam Toni 'do Benfica'. Portanto, foi uma conversa entre um homem que sabia tudo do clube da Luz e outro que ainda anda a entendê-lo. Nesse aspeto, Toni é o professor perfeito.
Roger Schmidt admitiu, às páginas tantas. «Acho que para mim foi importante passar por esta situação, porque se se quer mesmo entender o Benfica há que passar pelos bons momentos, mas também pelos momentos mais difíceis.» Toni ensinar-lhe-ia isso em dois minutos com um episódio do passado... Ainda assim, as palavras de Schmidt dão a entender que o treinador aprendeu alguma coisa, nem que seja para, eventualmente, falar de um outro modo com os adeptos - o que não quer dizer que não tivesse a sua razão no final da época passada.
Este é um primeiro passo dos encarnados para reconectar Schmidt e adeptos. Apesar de serem os resultados, e a qualidade de futebol jogado, que vão fazer a diferença, é preciso abrir caminho à paz. Ou, pelo menos, dar o benefício da dúvida ao responsável técnico. Ora, o que sai das palavras de Roger Schmidt também é que já lhe deram qualquer coisa para 2024/25. Nas palavras do treinador, o Benfica foi ao mercado e bem. Claro que é cedo para perceber se Pavlidis, Leandro Barreiro ou Jan-Niklas Beste vão render na equipa, mas pelo menos as declarações do técnico vinculam-no às decisões tomadas até agora.
Pelo que disse a Toni, Roger Schmidt não se pode queixar. Pelo que lhe afirmou de Di María, que continuará de encarnado, muito menos. Cabe-lhe, agora, fazer a gestão do plantel à disposição. E, talvez, também aí tivesse alguma coisa a falar com Toni, que naquele 14 de maio de 1994, no José Alvalade, tomou uma decisão e deixou Rui Costa no banco."

El Mítico #96 - La importancia de la Salud Mental en el Deporte

Terceiro Anel: Diário...

A «regra do capitão»


"A «regra» passará a ser aplicada em Portugal a partir da próxima época, medida condizente com a que tomaram muitas outras federações e ligas internacionais

Tem sido assim designada a mais recente recomendação da UEFA, estreada oficialmente no último Campeonato da Europa, que decorreu na Alemanha: a «regra do capitão».
A sua definição é simples de entender na prática: só o capitão de equipa está autorizado a dirigir-se ao árbitro para lhe solicitar esclarecimentos sobre algumas decisões tomados no decurso do jogo. Por outro lado, o árbitro está autorizado a concedê-los (não confundir explicar com justificar), se a abordagem daquele for respeitosa/educada e o momento o justificar.
Soubemos por estes dias que a «regra» passará a ser aplicada em Portugal a partir da próxima época, medida condizente com a que tomaram muitas outras federações e ligas internacionais (será também assim nas competições europeias a partir de 2024/25).
Hoje gostava de tentar esclarecer de onde nasceu a ideia e qual o objetivo que pretende prosseguir.
Em 2016, numa entrevista à BBC, Van Basten (então Chefe do Desenvolvimento Técnico da FIFA) dizia que era necessário fazer algo para proteger os árbitros de protestos intimidatórios promovidos por alguns jogadores. É que, apesar do que dispõe a lei 5: «As decisões dos árbitros são tomadas de acordo com as leis e espírito do jogo (...) e devem ser respeitadas a todo o tempo», esse tipo de contestação tem aumentado exponencialmente nos últimos tempos, contribuindo para um clima crescente de intolerância dentro e fora das quatro linhas.
Foi exatamente para tentar travar essa tendência que o IFAB aprovou um período de testes com protocolo bem definido, a que chamou de «zona de acesso exclusivo do capitão em redor do árbitro». O ensaio funcionava mais ou menos assim: o árbitro iniciava o processo com o apito, permitindo a proximidade do respetivo capitão em lances determinantes do jogo; a indicação pública de que iria haver essa explicação seria dada quando o árbitro erguia os dois braços sobre a cabeça e cruzava os punhos; o passo seguinte seria esticar os dois braços para a frente, na horizontal, com as palmas das mãos abertas, definindo uma espécie de zona de segurança, que nenhum outro jogador poderia violar; a zona exclusiva do capitão tinha um raio definido de 4 metros (quem não o respeitasse, seria de imediato advertido); se vários jogadores violassem esse espaço, seria exibido o cartão amarelo ao primeiro ou ao que manifestasse de forma mais ativa ou efusiva; terminada a conversa, o árbitro recomeçaria a partida em conformidade. Conforme referido, o teste só foi aceite em provas não profissionais, com o compromisso assumido pelos respetivos organizadores de que o protocolo seria cumprido integralmente.
A evolução da ideia veio a culminar naquilo que hoje chamamos de «regra do capitão».
É importante perceber que o caráter sancionatório que a medida agora sugere (para quem não o respeite, haverá sempre punição disciplinar) só acontece depois de muitas tentativas de sensibilização ao longo do tempo, no sentido de todos respeitarem as decisões das equipas de arbitragem."

ESPN: Futebol no Mundo #363 - o que esperar de Endrick no Real Madrid?

Mística...

BI: Paulo Moreno...

5 minutos: Diário...

Zero: Tema do Dia - Que sinais deu Rui Costa?

Águia: Diário...

Zero: Mercado - Francisco Conceição, João Félix e Bruno Fernandes

Terceiro Anel: Diário...

Tailors: Final Cut - S03E11 - Renato Paiva...

Chuveirinho #84

Benfica não quis seguir exemplo do Sporting


"Apesar de alguns bons sinais na pré-época, os encarnados pouco fizeram para resolver uma das principais lacunas da última temporada, algo a que ainda não foram expostos nos particulares

A pré-época prossegue. O Sporting tentou ser tão cirúrgico no mercado quanto nas épocas anteriores, mas esbarrou na resistência ateniense na venda de Ioannidis. Apesar disso, tudo parece novamente, desde a chegada de Amorim, bem estudado e planeado, e mesmo a inesperada saída do capitão Coates abre perspetivas de melhoria do setor, em contraciclo com a afinação das principais armas dos rivais. Se a primeira fase de construção dos campeões já tinha sido difícil de travar por parte de Benfica e FC Porto, a troca do uruguaio pelo belga Debast, com St. Juste e Quaresma ainda na sombra, facilitará até a saída pelo meio das ondas de pressão contrária.
Já na situação do ponta de lança e no reforçar do grupo com um extremo-esquerdo destro, as coisas apresentam-se mais demoradas, sobretudo numa perspetiva de aumento profundidade do plantel, ainda mais necessário desde a venda de Paulinho. Se o 11 habitual não está em perigo, nas últimas semanas voltou-se a falar de Gyokeres e é esse o perigo que obriga o Sporting a não desistir do grego, seja numa perspetiva de segurança imediata ou mesmo na do fortalecimento durante pelo menos os próximos meses, em busca de um ataque ainda mais demolidor. Em número ou até na frescura dada por eventual rotação.
Depois de um título que eleva o clube ao estatuto de maior favorito a nova conquista ainda sem a bola rolar, nada se poderá apontar ao caminho traçado, que até parecia dar à equipa maior segurança no ataque às diversas frentes. Falta-lhe apenas fechar os negócios em curso ou então encontrar situações alternativas.
Do lado de Benfica e FC Porto, existem bons sinais, embora, na verdade, não tenham sido realmente testados. Nos encarnados, num contexto mais exigente, apertaram-se as malhas da pressão e reação à perda, e aumentou-se o poder de fogo. Daí, Pavlidis, Marcos Leonardo como segundo avançado, Aursnes a interior e Florentino e Leandro Barreiro juntos.
Ainda há situações que derivam da falta de confiança, como na eliminação do espaço atrás dos médios, com uma última linha mais subida ou através de encurtamentos, que deverão chegar com os jogos. Todavia, à exceção da boa resposta, ainda por falta de comparência de António Silva e Otamendi, dada por Tomás Araújo, as águias não seguiram os passos do rival de Alvalade e permanecem, em teoria, pressionáveis e ainda lentos na cobertura da profundidade. E os próximos adversários poderão expô-lo. Aguardemos."

No Princípio Era a Bola - Episódio especial: os segredos do novo SC Braga de Daniel Sousa e os desafios do futuro do futebol

Vitória e muito apoio


"Em França, perante milhares de Benfiquistas que apoiaram fervorosamente a equipa em novo jogo de preparação, o Benfica venceu, por 3-1, frente ao Almería. Este é o tema em destaque na BNews.

1. Triunfo consistente
No embate com o Almería, Roger Schmidt utilizou 22 jogadores, 11 em cada parte. Pavlidis, Arthur Cabral e João Mário foram os autores dos golos benfiquistas.
O próximo encontro é com o Brentford, da Premier League, no Estádio da Luz (quinta-feira, dia 25, às 20h00).

2. Estreia com uma assistência
Beste, lateral-esquerdo que chegou ao Benfica há uma semana, fez o seu primeiro jogo de águia ao peito e assistiu João Mário para golo. O jogador alemão sente-se bem recebido: "Tem sido especial. O clube todo, o staff e os meus companheiros são todos simpáticos. Tem sido muito fácil a adaptação. Falei com o treinador antes de vir para o Benfica, conheço as suas ideias. Jogar no lado esquerdo da defesa é natural para mim. Estou contente por estar aqui e espero manter-me bem."

3. Os golos do Benfica de um ângulo diferente
Para ver na conta oficial Instagram do SL Benfica.

4. Pré-época da Equipa B
Depois de, no dia anterior, a equipa B do Benfica ter vencido o Académico de Viseu, ontem foi derrotada pelo Tondela (1-0).

5. Sub-17 e Sub-15 arrancam
Estes escalões de formação de futebol do Benfica já iniciaram a pré-temporada.

6. Andebol 2024/25
Jota González perspetiva uma temporada de evolução e apela ao apoio à equipa: "Espero que neste ano sejamos mais competitivos e nos possamos aproximar um pouco mais dos rivais. Este é um projeto que está a começar, e acredito que, com o tempo, vamos melhorar, sobretudo com o apoio dos adeptos."

7. Contributo importante
Os Sub-20 de Portugal são vice-campeões da Europa de andebol e contaram com três jogadores do Benfica nas suas fileiras."

1 minuto

- Minuto...

Bigodes: Pré-Época 2024/2025

BI: Tema Quente - Jogos de pré-época, mexidas no mercado

Visão: Almeria...

Terceiro Anel: Almeria...

Só para compensar o fervor dos adeptos já valeu a pena


"Benfica 3 - 1 Almeria

> Muito bom o Benfica poder levar a equipa ao encontro dos seus grandiosos adeptos fora de Portugal. O seu imenso fervor clubístico bem merece. Pena que a preparação não permita que mais jogos destes sejam feitos na pré época para compensar tanto amor ao clube.
> Relvado complicado, adversário que caiu na segunda divisão, não é, portanto, muito forte, mas é assim mesmo na pré-época. O nível de exigência vai subir nos próximos jogos.
> Gosto de ver o Benfica com DOIS PONTAS DE LANÇA. Deseja-se que seja assim na grande maioria dos jogos na nossa liga.
> MARCOS LEONARDO vai mostrando cada vez mais serviço numa linha avançada a dois: a criar espaços, a rematar, a desbloquear, a assistir. Merecia o golo também.
> PAVLIDIS não engana, tem os olhos sempre na baliza adversária, movimenta-se para estar no sítio certo, trabalha em prol do coletivo. E, claro, faz o que mais se pede a um ponta de lança: marca golos! E vão 4 em três meias partes. Hoje a concluir uma magnífica jogada.
> O que a equipa ganha com AURSNES na posição de médio esquerdo!
> LEANDRO BARREIRO parece mais uma alternativa a Florentino do que o seu complemento. A rever no futuro.
> Segunda parte: vamos lá ver o nosso BESTE pela primeira vez! Poucas oportunidades para se mostrar, mesmo assim uma assistência.
> ARTHUR CABRAL é homem de golos espetaculares. Que chapéu!!! Se é para vender, aí está mais um grande golo para meterem no vídeo promocional.
> PRESTIANNI continua a surpreender positivamente. Via-o na equipa B e convenci-me de que era inevitável o empréstimo para rodar esta época.
> DIOGO SPENCER a mostrar-se ofensivamente. Esteve melhor do que Tiago Gouveia.
> Bela jogada coletiva para um golo de JOÃO MÁRIO com remate forte de fora da área, com alguma "colaboração" do guarda redes do Almeria.
> Volto a dar nota positiva a GUSTAVO MARQUES, bom porte físico, bem a defender, veloz, com bons lançamentos longos.
> As vitórias fazem sempre bem, mesmo em jogos de preparação, no mínimo evitam que comecem já as "depressões"."

Águia: Almeria...

Vamos, Benfica! 🔴⚪️

5 minutos: Almeria...

Um autocarro aberto ao Mundo


"Enzo Fernández mostrou mais do que queria na festa da Argentina; de Messi, nem uma palavra; do presidente Javier Milei, as ações erradas

Enzo Fernández mostrava, num direto no Instagram, a festa no autocarro após a vitória da Argentina na Copa América. Mas de repente o júbilo rapidamente deu lugar a precipitação. Surgiu entre os jogadores um cântico racista dirigido às ascendências dos jogadores franceses. Fora ‘inventado’ por adeptos durante o Mundial 2022, e fez o seu caminho até aos jogadores, mesmo quando a festa nada tem a ver com a França. E dois anos depois ainda lá está. Enzo desligou o direto, mas era tarde de mais. No dia a seguir já toda gente sabia e rapidamente se publicou uma lista dos jogadores que não estavam no autocarro – Otamendi, Emiliano Martínez, por exemplo, e, de forma conveniente, Messi.
Wesley Fofana, colega no Chelsea, falou, e bem, em «racismo desinibido» mas depois caíram naquela coisa que só pune os influencers: ele e outros colegas deixaram de o seguir nas redes sociais. O equivalente a um castigo, a uma manifestação, hoje em dia. Como será o ambiente quando Enzo voltar a Londres? O Chelsea e a FIFA abriram um inquérito. A França queixou-se. Enzo, que não estava sozinho no autocarro (desses jogadores e seus clubes apenas silêncio), pediu desculpa em inglês, mas que dizer do conteúdo? « Bato-me contra a discriminação de todas as formas e peço desculpa por ter sido apanhado na euforia das nossas celebrações.» De todas as formas, claramente, não.
De Paul, companheiro de Enzo na seleção, disse não perceber «o show», que os incomodados falassem diretamente com Enzo. Desinibido, de facto. Se calhar por isso acham que podem cantar qualquer coisa no autocarro. De Messi, nem uma palavra; do presidente Javier Milei, as ações erradas: demitiu o subsecretário do Desporto, Julio Garro, que defendeu que o capitão deveria vir a público pedir desculpas, mesmo não tendo estado presente. Devia, pois. Mas a Argentina pós-II Guerra Mundial terá normalizado muita coisa, o que faz com que num autocarro cheio de adultos – e ainda que talvez com umas cervejas a mais – seja considerado normal tal cântico. E nem uma foto de Enzo a brincar com um menino negro consegue apagar isso."

DAZN: Gonçalo Ramos...

Cristiano, o capitão dos dias bons


"Harry Kane, capitão da seleção de Inglaterra, depois da derrota na final do Euro24. «Perder um jogo destes é muito duro. Depois do 1-1 não conseguimos ter bola e fomos punidos.»
Kylian Mbappé, capitão de França, após ser eliminado contra Espanha. «Foi um fracasso! Queria muito ser campeão europeu. Não vale a pena complicar o futebol. Ou és bom ou não és... não fui bom e vamos para casa.»
Virgil van Dijk, capitão dos Países Baixos, na derrota contra Inglaterra. «É muito difícil aceitar isto. Estou cheio de emoções. Foi um ano longo e duro, tínhamos um sonho grande e sentíamos que o podíamos alcançar.»
Ilkay Gundogan, capitão da Alemanha, na queda contra Espanha. «Estou a digerir isto. A minha continuidade na seleção? Não posso dizer nada ainda, vou precisar de alguns dias para pensar e anunciarei uma decisão.»
Hakan Çalhanoglu, capitão da Turquia, seleção afastada pelos Países Baixos. «Neste Europeu, as equipas que estiveram a ganhar 1-0 decidiram baixar o bloco e defender. Hoje fizemos o mesmo, acho que o fizemos de forma exagerada.»
Granit Xhaka, capitão da Suíça, depois de perder contra Inglaterra nos penáltis. «O Akanji falhou, mas vai voltar mais forte. Eu também falhei um penálti contra a Polónia, sei bem o que ele está a sentir. Não o vamos deixar cair.»
Podia ir mais atrás e recuperar as palavras, mais ou menos fortes, mais ou menos sinceras, de todos os capitães no dia das respetivas eliminações no Euro24. Da Bélgica à Itália, da Eslovénia à Dinamarca.
Fico-me por estes, os que disputaram os quartos-de-final e chegaram mais longe no torneio germânico.
Faltam aqui dois nomes, das oito melhores seleções. O capitão de Espanha, porque não teve de lidar com o insucesso, e o de Portugal.
Cristiano Ronaldo foi o único incapaz de responder às perguntas da comunicação social, de endereçar explicações e um pedido de desculpas (se assim o entendesse) aos portugueses, de mostrar que é um capitão da cabeça aos pés, nos bons e nos maus momentos.
Esperei 17 dias por uma reação do capitão da Seleção Nacional. Nada, a não ser, claro, um post numa rede social pejado de lugares comuns, estilo auto-ajuda, digno de um qualquer curso rápido de coaching.
A aura salvífica já não se ajusta a Cristiano. É a lei da vida, natural e pacífica. Não era essa capacidade heroica, monstruosa, que eu esperaria dele em 2024. Esperava, sim, uma liderança serena, unificadora. A indicar caminhos através do bom exemplo.
Dentro e fora do campo.
Cristiano falhou em ambas. A um rendimento desportivo medíocre, o melhor português de sempre juntou um conjunto de ações/reações impróprias a um profissional de quase 40 anos, e a elas uns pozinhos de um silêncio ensurdecedor. E tanto lhe havia para perguntar.
Falar nos dias bons, de vitórias sonantes, é o mais fácil.
A verve nunca foi particularmente estimulante em Cristiano, mas um líder natural impõe-se apenas pela simples presença. O discurso, mais ou menos trabalhado, vem a seguir.
Dois anos depois da crise saída do Mundial do Catar – Cristiano no banco, Cristiano de relação cortada com Fernando Santos, Fernando Santos afastado, lembram-se? -, aí está mais uma era de duvidosa harmonia, germinada em silêncios inaceitáveis.
As luminárias da gratidão farão o favor de repetir os incensos mais do que gastos e acrescentarão, tonitruantes e ameaçadoras, que Cristiano não tem nada de dar justificações. Está, para elas, acima de todo e qualquer dever levemente associado a um ser humano.
Como lia num brilhante artigo do The Guardian, a federação tem a obrigação de impedir que o ego de um homem esmague todo o talento ao seu redor. E comprometa, assim, o desígnio de uma geração portuguesa inigualável.

PS: o zerozero não faz o tratamento noticioso de modalidades que não estejam (ainda) acopladas à nossa maravilhosa base de dados, mas não posso deixar passar em claro os resultados brilhantes de João Almeida (quarto lugar no Tour) e de Nuno Borges (vencedor do 250 de Bastad, com o sagrado Rafa Nadal do outro lado da rede). Dois campeões portugueses."

João Almeida e Nuno Borges


"Fernando, responde aí de cima: com Pogacar, Vingegaard e Evenepoel, entre outros, pode João Almeida ganhar Giro, Tour ou Vuelta? Aguardo resposta.

Se tiver mais um filho, chamar-lhe-ei Jorge ou Júlio. A razão, inspirada pelos êxitos de portugueses na Volta a França, é simples de explicar e de entender. Joaquim Agostinho ficou oito vezes no top ten do Tour: 1969,1971, 1972, 1973, 1974, 1978, 1979 e 1980. José Azevedo conseguiu-o por duas: 2002 e 2004. João Almeida chegou lá por uma: 2024. Se ainda tivesse dúvidas, olharia para um dos recordistas de vitórias na Grand Boucle: Jacques Anquetil ganhou em 1957, 1961, 1962, 1963 e 1964. Assim, Jorge ou Júlio parece-me um bom nome.
Falemos de João Almeida. É o primeiro português a ficar no top-5 das três maiores Voltas do Mundo: França (2024), Espanha (2022) e Itália (2020 e 2023). Este facto, por si só, coloca-o no pódio dos melhores portugueses de sempre, com permissão dos enormes Rui Costa, Sérgio Paulinho e Acácio da Silva. Não se sabe o que o futuro reserva a João Almeida, sobretudo porque integra a geração dos fantásticos Pogacar, Vingegaard e Evenepoel. Muito complicado, pois, vencer uma das três maiores Voltas. Talvez só o grande Fernando Emílio, especialista de ciclismo de A BOLA e falecido a 11 de maio deste ano, pudesse desfazer a minha dúvida. Fernando, responde aí de cima: com Pogacar, Vingegaard e Evenepoel, entre outros, pode João Almeida ganhar Giro, Tour ou Vuelta? Aguardo resposta.
Por fim, Tadej Pogacar. Tentei encontrar em alguns dicionários a palavra exata que definisse a Volta a França do esloveno. Não encontrei alguma que me satisfizesse por completo. Talvez canibalesco, herdada do cognome do enormíssimo Eddy Merckx, seja a mais aproximada. Ou sádico. Ou devorador. Mas canibal, sim, é muito boa: devora adversários com a facilidade de um predador insaciável. Acaba cada etapa sem, aparentemente, suar e, minutos depois, está com a pulsação de um comum mortal deitado num sofá. Que dizer mais? Nada. A não ser, claro: aguardar.
Por fim (agora sim), Nuno Borges. Nadal é Nadal, tenha o espanhol 20 anos ou 38, fosse o maiorquino o 261.º do ranking ATP e o maiato o 51.º. Vencer um título ATP é fantástico e inesquecível. Só três portugueses tinham chegado a uma final (João Sousa, Pedro Sousa e Frederico Gil), só um tinha vencido (João Sousa: Pune 2022, Estoril 2018, Valência 2015 e Kuala Lumpur 2013). Agora, Nuno Borges. No dia em que João Almeida carimba o 4.º lugar, Nuno Borges vence uma final de ATP e Rafa Nadal por 2-0. «Uma parte de mim também gostava que Nadal ganhasse, mas alguma coisa ainda maior dentro de mim, ajudou-me a conseguir vencer», disse, humilde. Bater Rafa Nadal é como fazer uma cueca a Cristiano Ronaldo."

Tadeia: Reis da Europa - Bélgica 2024