Últimas indefectivações

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

FC Porto e a suprema hipocrisia


"Estávamos em junho de 2017 quando o SL Benfica é escandalosamente roubado frente ao Sporting CP, em hóquei em patins, num jogo decisivo que daria o campeonato ao Benfica, em caso de vitória. O Benfica marca um golo limpo a poucos segundos do final e o árbitro decide anular o golo de forma premeditada numa decisão absolutamente inexplicável. Esse golo daria a vitória ao Benfica e o respetivo campeonato, mas o árbitro assim não o quis e ofereceu o campeonato ao FC Porto, que se viria a sagrar campeão graças ao empate do rival.
Como manifesto de revolta, o Benfica entendeu que deveria tomar uma posição de força e decidiu não comparece à “final four” da Taça de Portugal, falhando o jogo frente ao FC Porto, onde se adivinhava novo roubo, como é apanágio nesta modalidade quando o adversário é o clube da cidade invicta.
Rapidamente a Comunicação Social e os peões afetos ao FC Porto se apressaram em criticar de forma implacável a posição do Benfica. Paulo Rodrigues, vice-presidente da Federação de Patinagem de Portugal, apelidou como “falta de respeito” a atitude do Benfica e disse que representava uma “página negra no hóquei em patins português”. Este mandou ainda a indireta de que o Benfica deveria descer de divisão, referindo que "uma equipa que desista na primeira divisão é despromovido à 3ª divisão, uma equipa que falte à Supertaça António Livramento é despromovido à 3ª divisão, no caso da Taça de Portugal essa penalização não existe. É óbvio que esta é uma situação que ninguém espera, ninguém prevê. Vamos ter que prever no futuro.”.
Hélder Nunes, capitão da equipa de hóquei em patins do FC Porto, foi ainda mais longe, e disse que "a falta de comparência propositada não é só uma 'falta'. É a falta de respeito pelo adversário, é a 'falta' de consideração pela organização da prova, é a 'falta' de desportivismo pelos clubes que eliminaram, é a 'falta' de afeto pelos amantes da modalidade, é a 'falta' de dever por todos aqueles que investiram monetariamente para comprar o ingresso para assistir ao jogo e, substancialmente, é a 'falta' de amor pela modalidade... Quem toma esta atitude não deve nem pode estar no desporto. Independentemente dos argumentos, só perdes quando desistes de lutar.”. Ou seja, nas palavras do então capitão da equipa de hóquei em patins do FC Porto, o Benfica deveria ser erradicado para sempre do hóquei em patins.
Agora tudo mudou.
No desfecho do último jogo da final dos 'play-offs' em basquetebol, ganho pelo Sporting por 86-85, na época passada, o FC Porto criticou duramente a arbitragem e admitiu deixar a modalidade. A equipa azul e branca sentiu-se injustiçada e, em comunicado, disse que não disputaria mais nenhum jogo que fosse arbitrado por Fernando Rocha, Paulo Marques (ambos da AB Porto) e Carlos Santos (AB Lisboa).
Como a Federação Portuguesa de Basquetebol se considera idónea e entende que não é o FC Porto quem estipula que árbitros podem ou não arbitrar os seus jogos, decidiu então nomear Paulo Marques para o FC Porto - Ovarense, num encontro que estava agendado para as 17h de ontem. O FC Porto, numa tomada de força, decidiu reforçar as palavras do comunicado lançado na época passada e não compareceu ao jogo, boicotando o mesmo e voltando para casa sem o disputar.
Não bastava roubarem em praticamente todas as modalidades onde estão inseridos e ainda exigem escolher os árbitros que arbitram os seus jogos. Parafraseando as palavras do antigo capitão do FC Porto, “quem toma esta atitude não deve nem pode estar no desporto”. Não poderíamos estar mais de acordo.
Esperemos que a Comunicação Social, tão lesta em criticar o Benfica, esteja atenta às movimentações do FC Porto e aborde o assunto sem rodeios. Este é o verdadeiro ADN do FC Porto, que, como uma vez disse Alex Ferguson, “compra os campeonatos no supermercado”."

Hora de ser Feliz, Jota


"Há sempre a tendência de ao vermos o sucesso de um jogador num determinado contexto, lamentarmos a sua partida, e até culparmos tudo menos o próprio jogador por não ter resultado no clube anterior. Já foi assim com tantos jogadores, e será também com Jota.
Não sei se o extremamente talentoso extremo da formação do Benfica teria condições para ser mais utilizado ou para render mais. O que me parece claro é que Jota precisava de um contexto no futebol sénior que o transportasse para a realidade que viveu enquanto atleta de formação. Ser o melhor, ter sucesso, recuperar a felicidade de jogar futebol e com isso voltar a ter confiança para “soltar os seus truques”.
Não lamento não ter (ainda) triunfado em Portugal. Não conhecendo nem tendo dados para o afirmar, e num mero exercício especulativo, acredito que Jota mentalmente precisava muito deste desafio para que um dia mais tarde possa ainda cumprir o tanto que prometeu.
Fica a saber que não vais nada tarde, miúdo! Essa pressa que vos colocam na cabeça é o que tantas vezes vos prejudica e faz passar ao lado do próprio destino."

CD Trofense 1-2 SL Benfica: Não faltou alma…nem Almeida


"A Crónica: (Quase) Houve Taça, Em 120 Minutos de Alma, e Almeida
O SL Benfica deslocou-se à Trofa e sofreu para vencer o CD Trofense por 1-2 num jogo marcado pela grande alma trofense e pela ineficácia da equipa da luz, que teve em André Almeida o grande decisor de jogo.
Foi um SL Benfica intranquilo porém mais forte que, finalmente, quebrou o enguiço perante o CD Trofense. À terceira foi mesmo de vez para o clube da luz, que venceu, pela primeira vez na história (uma vitória e uma derrota nos únicos confrontos em 2008/2009) o emblema da Trofa num jogo que se verificou bem mais complicado do que se esperava.
O jogo principiou e acabou, surpreendentemente, tremido para a equipa da Luz. O CD Trofense – subido e destemido – entrou com tudo e várias vezes forçou o erro na defensiva encarnada. Desde cedo, seja no momento sem bola, ou na hora da bola parada, foi notório que a equipa da casa não vinha para ‘picar o ponto’. Pelo contrário.
O primeiro susto para Jorge Jesus surgiu logo ao minuto 12, com um facilitismo de Helton Leite que quase dava num golo de bandeja para Bruno Almeida.
De seguida, João Paulo Gomes cabeceou por duas vezes e deu o mote para o que se seguia – o golo anulado à equipa da Trofa. A jogada foi quase perfeita: Vasco Rocha encontrou Bruno Almeida entrelinhas, que perfurou e encontrou Elias – entrado ao minuto dois – naquele que seria o único golo da equipa da casa, no entanto, irregular.
Ainda assim, esta pressão alta do CD Trofense teve os seus malefícios, principalmente quando a bola chegava com tempo e espaço para os criativos encarnados.
Pizzi, Cebolinha e Taarabt foram os principais homens em destaque no primeiro tempo.
Cebolinha, após duas tentativas, consegui mesmo marcar. Pode-se dizer que à terceira foi de vez. Numa deambulação da esquerda para o meio, Cebolinha atirou uma autêntica bala fora de área e inaugurou o marcador na Trofa. 0-1 ao minuto 22.
Depois do golo, uma tempestade de oportunidades para o SL Benfica, que via Rodrigo Moura realizar uma partida tremenda.
Ao intervalo, a vantagem mínima permitia o CD Trofense sonhar, enquanto o SL Benfica apenas podia queixar-se de si próprio por não conseguir ampliar o marcador.
No início da segunda metade, a toada não se alterou. O SL Benfica por cima, porém, com a sensação de que o CD Trofense a qualquer momento poderia ter o «o seu momento».
Aliás, a ineficácia e incapacidade de gerir ritmos, até podem não ser amigos, mas andaram de mãos dadas com o SL Benfica o jogo praticamente todo. O clube da luz não foi eficaz e, ao minuto 80, sem criar muitas oportunidades os homens da casa avivaram a partida com um golo de Pachu após assistência perfeita de Tiago André.
Tudo empatado ao fim dos 90 min (1-1), o jogo seguiu para prolongamento.
O início do prolongamento não podia ter sido mais penalizador para a equipa da casa. O passe a rasgar de Weigl foi perfeito e André Almeida – numa arrancada de assinalar – não vacilou perante Rodrigo Moura.
1-2 para o SL Benfica. Um resultado que, até final, não iria sofrer quaisquer alterações. Vitória para os encarnados num jogo de grande espírito e muita festa, como é costume na Taça de Portugal.
Independentemente do desfecho final, a equipa da Trofa pode afirmar que se agigantou perante o clube encarnado e que «quase fez Taça».

A Figura
André AlmeidaPodíamos ter destacado Vasco Rocha – exibição exímia e sentido posicional fantástico – mas André Almeida foi quem acabou por efetuar o golo decisivo do SL Benfica e quem trouxe a alma necessária num jogo dificílimo.

O Fora de Jogo
Lesões prematuras O minuto 2 já pressagiava, e acabou mesmo por se revelar um jogo marcado por três lesões, sendo que duas delas aconteceram de forma muito precoce no jogo. Uma para o CD Trofense – Barthélémy Diedhiou – e duas para os encarnados – Gil Dias e Lázaro. Um jogo que teve, de facto, de tudo.

Análise Tática - CD Trofense
A equipa orientada por Rui Duarte alinhou no seu 3-4-3 habitual, com Tiago André e Lionn nas alas, sendo estes os responsáveis por dar largura ao jogo do CD Trofense. Depois, com dois médios defensivos de referência – Vasco Rocha e Índio – permitiu – a espaços – que Bruno Almeida tivesse mais liberdade para criar com bola. Dois guarda costas que ofereciam segurança e, igualmente, serenidade com bola.
Defensivamente, e no momento do jogo posicional ofensivo do SL Benfica, Rui Duarte impôs uma forte pressão sobre a primeira fase de construção da equipa encarnada. Ofensivamente, como esperado, os homens da casa procuraram ser pragmáticos e rápidos nas suas ações com Bruno Almeida a ser – em conjunto com Elias – o principal destaque da equipa da Trofa.

11 Inicial e Pontuações
Rodrigo Moura (7)
Lionn (5)
João Faria (6)
João Paulo Gomes (6)
Caio Marcelo (6)
Tiago André (6)
Matheus Índio (5)
Vasco Rocha (8)
Bruno Almeida (6)
Henrique Pachu (7)
Barthélémy Diedhiou (-)
Subs Utilizados
Elias Achouri (6)
Bruno Moreira (6)
Andrezinho (6)
Simão Martins (6)
Keffel (6)
Rodrigo Ferreira (5)

Análise Tática – SL Benfica
Caras novas e o mesmo sistema de sempre (3-4-3). Jorge Jesus apesar das muitas mudanças, não apresentou nenhuma surpresa tendo em conta o esperado.
Ora, com um trio de centrais diferente do habitual – Vertognhen, Morato e André Almeida -o SL Benfica tinha em Pizzi a referência na construção e criação de jogo, enquanto Cebolinha foi quase sempre o principal homem-alvo para ferir a linha do CD Trofense.
Já com Weigl, João Mário e Roman Yaremchuk dentro de campo, a equipa encarnada jogou de forma mais apoiada e sempre na procura da melhor decisão, ainda que a turma da casa tenha dificultado muito a tarefa de todos. Substituições que vieram com o intuito dos encarnados gerirem a partida de forma mais asseverativa e possante.

11 Inicial e Pontuações
Helton Leite (5)
Gilberto (6)
André Almeida (8)
Vertonghen (6)
Morato (6)
Gil Dias (-)
Meité (4)
Pizzi (6)
Taarabt (5)
Everton Cebolinha (7)
Gonçalo Ramos (5)
Subs Utilizados
Julian Weigl (6)
João Mário (6)
Roman Yaremchuk (6)
Nemanja Radonjić (5)
Ferro (5)
Lázaro (5)

BnR na Conferência de Imprensa
CD Trofense
Bola na Rede: Boa noite mister, gostaria de lhe perguntar sobre a pressão alta que exerceu no SL Benfica, principalmente no primeiro quarto de hora. Sentiu que, ao não baixar tanto as linhas, que poderia forçar o erro no SL Benfica e consequentemente chegar ao golo?
Rui Duarte: “Sim, a estratégia passava por aí, passava por pressionar alto a equipa cima do Benfica e condicionar muito e conseguir roubar a bola nas alas para depois conseguir ferir o adversário nesse momento. Podia ter sido outra estratégia, mas acho que optamos pela mais correta, pelo menos agora no final do jogo poderia ter sido ainda melhor, mas podemos valorizar a grande exibição”.

SL Benfica
Não foi possível realizar quaisquer perguntas ao mister Jorge Jesus."

domingo, 17 de outubro de 2021

Dois minutos de Benfica


"Passando por todos os momentos do jogo de forma fluída. A jogar com bola, variando corredores, contornando pressão e posteriormente concentração adversária, agressivo na perda e no duelo, permitindo recuperar para contra atacar primeiro, e para guardar a posse depois. Dois minutos que deveriam ter sido transportados para todo o jogo. Mas, não foram."

Uma noite de sofrimento contra os bravos da Trofa


"O Benfica derrotou (2-1), após prolongamento, o Trofense, na 3.ª eliminatória da Taça de Portugal. Perante um conjunto da II Liga que deixou uma imagem de qualidade, lutando pela passagem até ao último suspiro, Everton e André Almeida marcaram os golos das "águias", que tiveram de suar muito para evitar uma eliminação precoce

Os caminhos da Taça de Portugal levam ao cruzamento de realidades que, normalmente, se encontram, em quase tudo, separadas. Num desses duelos de mundos diferentes, o Trofense provou, frente ao Benfica, ser possível uma equipa da II Liga bater-se com honra, qualidade e coração durante 120 minutos, complicando muito a vida de um conjunto que, provavelmente, esperava uma noite tranquila nas vésperas de receber um colosso chamado Bayern Munique.
O Benfica está na 4.ª eliminatória da prova, mas precisou do prolongamento para bater, por 2-1, o Trofense. Num jogo muito bem disputado, com períodos de equilíbrio, a equipa de Jesus só pôde mesmo respirar de alívio após o apito final, visto que mesmo até ao fim do tempo extra esteve a sofrer para evitar uma surpresa ainda maior.
A Trofa não é terreno habituado a receber os grandes, mas não era reduto de boas memórias para o Benfica. Aqui, a 4 de janeiro de 2009, o Benfica de Quique Flores, com Maxi Pereira, Luisão, Rúben Amorim, Di María ou Aimar no onze , e David Luiz ou Cardozo no banco, foi surpreendido por 2-0 frente ao Trofense (Binya foi expulso, o que não terá sido assim tão surpreendente). Na única temporada da formação da Trofa na I Liga, também na Luz o Benfica não foi além de um empate, pelo que os precedentes aconselhavam prudência às "águia".
As rondas iniciais da Taça são, muitas vezes, uma espécie de programa novas oportunidades, com vários elementos menos utilizados a terem a chance de provar que merecem mais minutos. No Benfica, Helton fez o primeiro encontro da temporada, e Gil Dias, Meïté, Pizzi ou Gonçalo Ramos, que não eram titulares desde agosto, também alinharam de início. Mas a partida não estava desenhada para que habituais suplentes brilhassem.
O desafio ainda estava na sua alvorada e já havia um homem a chamar a atenção de todos. E não vestia de vermelho. Bruno Almeida, de número 10 nas costas, pé esquerdo na bola e meias para baixo fazia jus, com a sua técnica, a todos os estereótipos sobre o criativo. Desde o apito inicial, Almeida quis ter a bola para explicar que o talento se esconde em muitos estádios de Portugal.
Nos primeiros 20 minutos, o Trofense, sob a batuta do seu número 10, esteve perto de marcar por duas vezes, sendo que Elias Achouri, irrequieto atacante que muito cedo substituiu o lesionado Diedhiou, chegou mesmo a colocar a bola no fundo da baliza de Helton, mas o golo foi anulado por posição irregular. O Trofense perdoou, mas o Benfica não.
Everton, internacional brasileiro e nome de créditos firmados do lado de lá do Atlântico, não tem tido vida fácil na Luz. As fintas e dribles que tão facilmente lhe saiam em Porto Alegre custam a aparecer na Europa. Mas, ao minuto 21, o "cebolinha" fletiu da esquerda para o meio, num movimento muito seu, e atirou, de pé direito, para o 1-0.
Pouco depois de uma boa notícia, veio uma má para Jesus: Gil Dias, lesionado, teve de abandonar a partida, substituído por Lazaro. Mas, com 1-0 no marcador, o Benfica terminou o 1.º tempo sendo muito perigoso, aproveitando o arrojo do Trofense, que nunca se fechou atrás, para sair em velocidade e com espaços. No entanto, nem Everton, nem Gonçalo Ramos nem Taarabt conseguiram aumentar a vantagem.
Na bancada, Rui Costa, a viver o seu primeiro jogo após vencer as eleições, ia vendo a partida ao lado de um antigo profissional do golo, como foi João Tomás, o agora presidente da SAD do Trofense.
No recomeço da contenda, as lesões voltaram a trazer um dissabor para o treinador do Benfica. Lazaro, pouco depois de entrar, teve de abandonar o terreno de jogo por lesão, sendo substituído por Ferro, que realizou os primeiros minutos pelo clube esta temporada.
A boa organização da equipa de Rui Duarte, que como futebolista foi um médio de qualidade que foi referência do Olhanense, ia contrastando com um Benfica com alguns laivos de displicência. Um passe falhado de calcanhar de Taarabt, que levou a um remate perigoso de Achouri, foi a gota de água para Jesus, que ao minuto 62 lançou na partida Yaremchuk, João Mário e Weigl. O técnico do Benfica não queria surpresas.
Mas as intenções de Jesus contrastavam com o entusiasmo e capacidade do Trofense. Em momento algum Achouri deixou de tentar desequilibrar, Henrique Pachu de ganhar duelos ou Bruno Almeida de aplicar o seu pé esquerdo para servir os homens da frente. E, ao minuto 80, chegou o momento que deixou o Trofense nas nuvens. Pachu tirou a bola João Mário, numa rara perda de posse do médio português. Almeida abriu na esquerda e, após cruzamento largo de Tiago André, Henrique
Pachu elevou-se mais alto, bateu Helton Leite e fez o 1-1 que levou a eliminatória para prolongamento. A igualdade foi, mais do que um prémio, um atestado à qualidade da exibição da equipa da casa.
No prolongamento, o Benfica demorou somente quatro minutos para marcar o tento da vitória. Aos 94, André Almeida, isolado por Weigl, fez o 2-1 que, mais do que um golo, foi um enorme suspiro de alívio para as "águias".
Ainda assim, havia um Trofense disposto a lutar até final. Andrezinho, o miúdo que em tempos Paulo Fonseca lançou juntamente com Diogo Jota na equipa principal do Paços de Ferreira, representou bem o esforço final dos locais. Saído do banco, o médio não parou de tentar aproximar a equipa de Helton Leite com uma qualidade que, por vezes, pensamos não existir na II Liga.
Cumprindo-se a lei do mais forte, o Benfica está na próxima eliminatória. Mas há muitas maneiras de ganhar e perder, e dizer que o Trofense saiu derrotado hoje talvez não seja inteiramente certo. A equipa de Rui Duarte pode ter caído, mas fê-lo de pé. O desgaste final dos jogadores do Benfica, que acabaram o jogo a pedir assistência médica, evidencia como uma equipa de Liga dos Campeões teve de suar para levar um triunfo da Trofa."

Salvos por Almeida – Destaques no prolongamento, onde também se fala de Vasco Rocha


"Vasco Rocha. Que categoria de jogador. Aos trinta e dois anos mantêm toda a classe intacta. Um nível técnico e inteligência de jogo soberba. Nos seus pés a bola nunca se queixa. Ao longo de todo o jogo, e não apenas no prolongamento foi o porto seguro da posse do Trofense. Mais do que qualidade para ainda estar no patamar acima;
Weigl. Depois da dificuldade em entrar no ritmo da partida no tempo regulamentar, a pausa e recomeço do jogo fez bem ao alemão. Voltou a ser o Weigl habitual que descobre os melhores caminhos para a chegada à frente. Não apenas construiu de forma pausada, variando a bola de corredor a corredor, sempre a encontrar espaços vazios, como teve o descernimento para numa recuperação da posse encarnada, perceber o movimento de Almeida. Do seu magistral passe marcou o Benfica;
Vertonghen. O melhor defesa do Benfica em campo. Sempre imponente nos duelos e em situações de cruzamento, o central belga que ocupou o espaço central, não se coibiu de depois de roubar a bola progredir à procura da melhor solução ofensiva. Tremendo fisicamente e na forma como coloca o corpo, soube também proteger-se da sua debilidade maior – A falta de velocidade;
Radonjic. Demasiado individualista, facilitou no momento da decisão. Demonstrou novamente ter uma velocidade de condução bastante apreciável, contudo leva sempre as suas jogadas para a definição a solo e tantas são as vezes em que acaba por perder a posse porque não solta atempadamente a bola. Percebeu-se uma vez mais o potencial desequilibrador que é, mas não se percebeu se poderá evoluir e tornar-se um elemento objectivo;
Everton. Depois de noventa minutos de grande qualidade – pecou em demasia por ser perdulário, depois de estar em todos os grandes lances do Benfica – desapareceu por completo no tempo extra. Não parou de lutar, e a sua não afirmação não se deve à falta de empenho."

Destaques dos 90 minutos do Benfica na Trofa


"Meité. Jogo francamente mau do francês, demonstrando que nem como segunda linha poderá deveria ser tido em conta. Sucessivos erros técnicos, más decisões que trouxeram perdas e retiraram fluidez ao jogo ofensivo do Benfica. Tem argumentos físicos, mas mesmo quando levou o jogo para tal dimensão, acabou por fazer faltas e não recuperações. A desilusão da noite.
Taarabt. Com o marroquino é sempre 8 ou 80. Está no melhor e está no pior. As suas qualidades poderão torná-lo importante em contextos muito específicos – de risco máximo. Em jogos que se querem controlados ter Taarabt é como jogar na roleta russa. Ora sai desequilíbrio para a frente, ou perda com a equipa aberta e não preparada para defender. Assim foi a sua noite na Trofa.
Everton. Grande exibição do extremo brasileiro, que acabou por pecar na zona de finalização. Agressivo, ligado ao jogo na perda, soube sempre receber com qualidade em espaços curtos e com isso levou sucessivamente a bola à zona de definição. Esteve em todos os grandes lances do Benfica, mas foi perdulário no momento de finalizar e a sua exibição pecou por somar apenas um golo.
Pizzi. Enquanto a fadiga não se instalou, voltou o Pizzi mais solto na hora de rodar e decidir. Melhor do que num passado recente na velocidade e na qualidade técnica das suas acções, contribuiu para o jogo andar sempre em zonas potencialmente perigosas, e não se coibiu de ajudar sem bola o jogo da sua equipa. Serviu com qualidade os colegas da frente. Os últimos 20 minutos em queda, voltando as dificuldades para decidir e executar de forma rápida;
Gonçalo Ramos. Alternou momentos em que impôs o seu vigor físico ganhando duelos e aproximando a equipa da baliza adversária com outros lances em que poderia ter definido mais assertivamente e de forma mais veloz, quando solicitado em zona de tiro. Precisa de golo para poder competir pelo lugar."

BnR: Trofa...

O admirável mundo novo da justiça no futebol e o Tribunal Arbitral do Desporto


"A atividade do Tribunal Arbitral do Desporto português, criado em 2015, tem sido produtiva com centenas de decisões (344), mas tem revelado que, materialmente, é quase exclusivamente um Tribunal Arbitral do Futebol: ocupa mais de 90% das suas decisões. Se é verdade que contribuiu para a justiça desportiva e foi um avanço face ao anterior modelo, pelo menos para o futebol profissional, também é sentimento coletivo que esta é a hora da reforma do TAD

O futebol é um fenómeno galáctico nos dias de hoje — na sociedade e na economia — tem biliões de adeptos em todo o mundo, gera e movimenta milhões em transferências dos jogadores, direitos de transmissão televisiva, publicidade, comissões e outros negócios ligados a este desporto. O Direito é expressão da sociedade, pelo que não podia ficar indiferente a este fenómeno. Dada a magnitude e especificidades do Futebol, e de modo transversal, tem sido promovido um desenvolvimento legal próprio desta realidade, em termos de dimensão, complexidade e profundidade, que tem amadurecido e se destacado do próprio Direito do Desporto, pelo que, na minha opinião, já podemos falar da sua autonomia, ou seja, falar de Direito do Futebol e de Justiça do Futebol, na ordem jurídica, nacional e internacional.
A Justiça do Futebol não só tem sido produtiva, como tem estado em mudança.
O Tribunal Arbitral do Desporto de Lausanne, Suíça, (CAS), instância arbitral internacional, por excelência, de resolução de litígios relativos ao desporto, já produziu, desde a sua criação, milhares de decisões, das quais mais de metade são relativas ao futebol.
Em termos federativos, o Tribunal de Futebol da FIFA acabou de entrar em funcionamento, a 1 de outubro, sendo competente para decidir sobre litígios relativos ao futebol e à aplicação das disposições regulamentares. O objetivo da FIFA, com a criação deste Tribunal, é agilizar os processos, unindo sob a sua égide as diversas questões disciplinares e a resolução de disputas da FIFA, tendo herdado os poderes da Câmara de Resolução dos Litígios e da Comissão do Estatuto dos Jogadores.
O Tribunal é composto por três Câmaras: a Câmara de Resolução de Litígios (competente para a resolução de disputas relativas a matérias laborais entre jogadores e clubes, bem como as respeitantes a compensações de formação, e que a FIFA estima que, anualmente, terá 3.500 disputas); a Câmara do Estatuto dos Jogadores (competente para a resolução de litígios relativas a matérias laborais entre treinadores e clubes ou associações, de litígios relativos a transferências entre clubes e de questões de aplicação regulamentar quanto ao sistema internacional de transferências e de elegibilidade dos jogadores para participarem pelas suas equipas, sendo previsível para a FIFA que hajam, anualmente, 700 disputas e 6.000 questões relativas a aplicações regulamentares); e, por fim, a Câmara dos Agentes (que é uma novidade, e que, após a revisão das normas da FIFA relativas a estes, decidirá sobre as disputas que envolvam os agentes de futebol).
Nas novas regras, e como promoção de maior acesso à justiça desportiva, não são impostas custas processuais quando uma das partes for uma pessoa singular (p.e. um jogador, um treinador, um agente de futebol).
Em Portugal, a Justiça do Futebol é composta pela justiça federativa, cometida aos órgãos jurisdicionais da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) Conselho Disciplinar e Conselho de Justiça) (e da Liga — Conselho Jurisdicional — quanto às sociedades desportivas) e pela justiça arbitral (com possibilidade de recurso para os tribunais estaduais nas situações previstas na lei) atribuída ao Tribunal Arbitral do Desporto (TAD).
O TAD, que é uma instância arbitral, única, sem par na esfera internacional, é um tribunal criado pelo Estado Português, através de legislação — Lei n.º 74/2013 —, mas sem ser uma entidade jurisdicional estatal, e independente de qualquer organização desportiva ou da administração pública desportiva. Este Tribunal surge como expressão da vontade da comunidade desportiva em ter uma justiça para as suas disputas que fosse especializada e célere, em detrimento da opção de um tribunal administrativo estadual desportivo.
O TAD, que só começou a funcionar em 2015, tem a competência para administrar a justiça relativamente a litígios que relevam do ordenamento jurídico desportivo (arbitragem necessária) ou relacionados com a prática do desporto (arbitragem voluntária). A bem da uniformidade, o TAD engloba tanto a arbitragem necessária (ou obrigatória, que deriva da imposição legal e da responsabilidade pública que o desporto representa em Portugal, e abrange também as matérias de dopagem, mas não a resolução de questões decorrentes da aplicação das normas técnicas e disciplinares diretamente respeitantes à prática da competição desportiva), bem como a arbitragem voluntária (que decorre da vontade das partes, e inclui as questões laborais).
A atividade do TAD nestes seis anos de funcionamento tem sido produtiva, com centenas de decisões (344), mas tem revelado que, materialmente, é quase exclusivamente um Tribunal Arbitral do Futebol (que ocupa mais de 90% das suas decisões) e de arbitragem necessária (ou obrigatória), onde se incluem os litígios decorrentes de atos das federações desportivas e outras entidades desportivas praticados no exercício dos seus poderes estabelecidos nos devidos regulamentos (sendo prevalecente os recursos das decisões do Conselho Disciplinar da FPF) e da Autoridade Antidopagem de Portugal em matéria de violação das normas de antidopagem.
Se é verdade que o TAD contribuiu para a justiça desportiva e foi um avanço face ao anterior modelo, pelo menos para o futebol profissional, também é sentimento coletivo que esta é a hora da reforma do TAD, especialmente nas seguintes temáticas:
1. escolha dos árbitros: alteração do método de nomeação para sorteio na lista fechada atualmente existente ou a substituição por uma lista aberta de árbitros, em nome da rotatividade e imparcialidade (já que os árbitros que constam da lista são em maior número indicados pelas federações e ligas desportivas do que pelas entidades representativas dos agentes desportivos;
2. custas processuais e sua onerosidade: que dificulta o recurso das decisões da justiça federativa pelas entidades e agentes desportivos com menor disponibilidade financeira, além da necessidade de revisão dos honorários dos árbitros que, em determinadas situações, são mais elevados na arbitragem imposta legalmente do que na voluntária;
3. maior promoção da arbitragem voluntária, mediação e recurso para a Câmara de Recurso (ao invés do recurso para os tribunais estaduais administrativos, nomeadamente o Tribunal Central Administrativo Sul (TCAS)): na primeira, são escassos os casos existentes (e os que existem largamente têm a ver com matérias laborais) e nos dois últimos sem terem sequer expressão no TAD .
4. maior agilidade na constituição do colégio arbitral e distribuição dos processos: para agilizar os processos e obviar que as providências cautelares sejam decididas pelos tribunais administrativos estaduais (TCAS).
Em suma, a Justiça do Futebol em Portugal deveria passar pela reforma do TAD, como por exemplo: o reconhecimento formal do TAD como (exclusivamente) Tribunal Arbitral do Futebol, com a resolução das temáticas aduzidas, e criar uma nova solução para a justiça desportiva nos outros desportos, nomeadamente a criação de um tribunal administrativo especializado com uma tramitação célere adequada às especificidades do desporto, que permita o acesso desses desportos à justiça não federativa, que hoje basicamente não ocorre pela onerosidade da justiça arbitral, ou, pelo menos, ser preconizada a solução adotada pela FIFA (se uma das partes for um agente desportivo, uma pessoa singular, não serem impostas custas processuais)"

Vermelhão: Trabalhos extra...!!!

Trofense 1 - 2 Benfica
Everton(21'), Almeida(94')

Helton; Almeida, Vertonghen, Morato; Gilberto, Dias(Lázaro, 31')(Ferro, 50'); Meité(Weigl, 62'), Taarabt(Mário, 62'); Pizzi, Everton; Ramos(Yaremchuk, 62')

Prolongamento desnecessário, com minutos a mais para alguns jogadores fundamentais, e mais duas lesões...!!! É o resultado desta eliminatória da Taça de Portugal!

Estes jogos pós-Selecções -  ainda por cima antes de uma eliminatória da Champions, muito antecipada, por todos... com vários jogadores de fora, alguns nem sequer chegaram das Selecções (inacreditável, como é que o Benfica teve 3 jogadores, a jogar pelas suas Selecções na América do Sul, com partidas que terminaram à menos de 48 horas!!!) -, são sempre perigosos... Sendo que o Benfica, mais uma vez, levou com um daqueles Sorteios, que fazem o menos crente, acreditar em bruxas!!! Havia muitas equipas do CNS (4.º divisão) disponíveis, mas para o Benfica a bola estava fria!!!

Não jogámos bem, tivemos muitas dificuldades em ultrapassar a primeira fase de pressão do adversário... mas antes do intervalo, podíamos estar a vencer por 2-0 ou 3-0! Seria o resultado justo! O 1-0 era curto, mas com o passar do tempo, acabámos por cair na esparrela de gerir a vantagem mínima, e no único remate que foi à baliza do Benfica, o Trofense marcou!!! O Helton até teve algumas hesitações, mais não fez um defesa, digna desse nome!!! Antes dos 90m tentámos evitar o prolongamento, mas já fomos tarde...
Com o improvável Almeidinhos, logo na entrada do tempo extra, a marcar e a dar a vitória ao Benfica...

Defrontámos um adversário bem organizado, muito motivado, e com pilhas 'duracel', e mesmo jogando abaixo do nosso potencial, merecemos a vitória... E ao contrário do que foi (e será nas próximas horas...) insinuado, vencemos com um golo limpo, basta analisar a linha do corte da relva... Aliás, ainda não foi desta que um apitadeiro do Tugão marcou um penalty a favor do Benfica, e teve oportunidades para isso...

Quarta, com o Bayern, será um jogo totalmente diferente. O Benfica continua a ter mais dificuldades quando defronta equipas com bloco baixo... com espaços nas 'costas' temos jogado melhor!
O regresso dos ausentes, vai fazer a diferença (Ody, Veríssimo, Otamendi, Grimaldo, Weigl, Mário, Darwin, Roman... e vamos esperar pelo Rafa). Dúvidas em relação à condição física do Gilberto e do Digui que hoje voltou a não ser opção!

Sem espinhas!!!

Benfica 3 - 0 Sp. Espinho
25-19, 25-20, 25-22

O Espinho venceu em Alvalade a semana passada, portanto chegou à Luz, com ambição... e quando viu que o Marcel ia rodar alguns jogadores, devem ter pensado que tinham hipóteses! Enganaram-se!!!
Aquele último Set com os Estónios, deu confiança para apostar na rotação neste jornada, e os jogadores não desiludiram...

A meio da semana, temos nova eliminatória Europeia...

PS1: Parabéns às nossas meninas do Pólo Aquático, que venceram hoje a Supertaça, depois da dobradinha da época anterior!

PS2: Enorme Barbara Timo, conquistando a medalha de Ouro, no Grand Slam de Paris, a prova mais importante do circuito do Judo, extra grandes campeonatos!
Recordo que a Barbara, após os Jogos Olímpicos de Tóquio, decidiu baixar de categoria, agora compete nos -63Kg, nada melhor do que um Ouro em Paris, na estreia...!!!

Vitória fácil...

Benfica 97 - 70 Oliveirense
34-13, 25-18, 18-23, 20-16

A equipa colectivamente dá garantias, nota-se organização, internamente, mesmo sem o Clifford, dá para ganhar a maior parte dos jogos, na Europa será diferente! Mas falta, aquele jogador que faça a diferença individualmente, quando o colectivo não chega... mas hoje, acabou por ser tranquilo...

Bem...

Benfica 38 - 30 Póvoa
(23-15)

Não deixa de ser curioso, mas neste momento a nossa secção de Andebol é claramente a mais 'saudável', com o Volei a 'espreitar'!!!
Bom jogo, com a fase de grupos da Europa, a começar esta semana... Podíamos é ter sofrido menos golos!

Mais uma derrota...

Benfica 3 - 5 Tomar

Muito sinceramente, não parece haver solução, estamos a fazer tudo ao contrário... Vai ser uma época penosa!

Derrota em Ponte de Sor...

Eletrico 3 - 1 Benfica

Nesta fase inicial da época, vai sempre existir a desculpa que o novo treinador, não esteve os principais jogadores disponíveis na pré-temporada, portanto neste momento estamos de facto na pré-época, mas muito sinceramente os sinais são preocupantes. A equipa parece extremamente ingénuo taticamente... posso estar enganado, mas tenho muitas dúvidas sobre o nosso potencial para esta época...

Não sei se houve algum problema físico, mas se estiver disponível, o Chishakla tem que jogar sempre, é com o Ronca e o Robinho, os não formados localmente indispensáveis... o Russo é normalmente objectivo no ataque, e defensivamente sabe usar o cabedal!
Má estreia do Rómulo...

sábado, 16 de outubro de 2021

Descubram as diferenças



"Estávamos em 10 de Abril, na primeira parte do Paços de Ferreira - Benfica, quando Stephen Eustáquio comete uma entrada assassina sobre Weigl, levando vermelho direto e respetiva expulsão.
Jorge Jesus, no final da partida, criticou duramente o jogador por este ter tido a clara intenção de lesionar Weigl.
Bernardo Ribeiro, diretor do jornal "O Record", não tardou em vir a público na sua conta pessoal do Twitter repgunar as declarações de Jesus, dizendo que eram palavras muito feias do técnico e que Jesus tinha estado muito mal em acusar Eustáquio de ter comedido a falta para magoar.
Ontem, aquando o Belenenses - Sporting e após entrada de André Frias, por trás, sobre Pedro Porro, o mesmo Bernardo Ribeiro apressou-se em ir ao seu Twitter criticar sobejamente André Frias, dizendo que "não percebo para que se lesiona assim um jogador profissional".
Ou seja, nas palavras do diretor do Jornal "O Record", se um jogador adversário decidir entrar a matar sobre qualquer jogador do Benfica, deve-se defender a integridade do mesmo e não criticar o seu comportamento. Contudo, se um jogador entrar a matar sobre um jogador do Sporting, deve-se criticar ferozmente a sua conduta e colocar em causa a sua integridade enquanto profissional.
Fica bem desmistificado, uma vez mais, a retórica de que "o Benfica manda nisto tudo". Não, não manda. Sobretudo quando sabemos - com exemplos factuais, como este - que a Comunicação Social está repleta de peões anti-Benfica que controlam aquilo que sai nos jornais e nos programas televisivos.
Este, pelo menos, nunca enganou ninguém, ao contrário de outros que se dizem imparciais mas que só lhes é dado tempo de antena para se poderem babar e espumar - de forma literal - de ódio enquanto falam do Benfica, como é o caso de Octávio Lopes."


O ódio ao Sport Lisboa e Benfica é visceral



"A coerência habitual de Bernardo Ribeiro, diretor do Record.
Falta sobre Porro Vs Falta sobre Weigl.
Muda a cor da camisola, muda o discurso."


Os verdadeiros contornos do negócio Otávio


"Os contornos da renovação de Otávio têm dado que falar, contudo nós sabemos onde para esse dinheiro e explicaremos de forma simples aos nossos seguidores o que foi feito. 
De forma muito sucinta, a SAD do FC Porto decidiu recorrer à engenharia financeira, ou, por outras palavras, ao martelanço das contas, para fugir ao fairplay financeiro da UEFA, retirando os salários de Otávio do teto salarial do clube e movendo os mesmos para “Encargos adicionais”, algo relacionado com aquisições de direitos económicos, mais especificamente encargos com serviços de intermediação, serviços legais e prémios de assinatura de contratos. Dos 20 milhões de euros aí constados, 83% são pertencentes ao contrato de Otávio.
Com este ludíbrio no negócio, a SAD portista conseguiu fugir aos custos dos salários associados no presente ano, não registar este valor como custo com pessoal e subir o seu ativo.
À semelhança do que já tinham feito com o V. Guimarães relativamente à venda de Francisco Ribeiro e Rafael Pereira por 15 milhões de euros fictícios que tiveram como objetivo subir o ativo do clube e baixar o passivo no ano corrente, a SAD decidiu seguir a mesma ginástica financeira, mas, desta vez, não registou esta negociata no presente ano e faseou-a pela vida útil do contrato de Otávio, beneficiando assim o Relatório e Contas agora apresentado.
Uma vez que o custo associado com o jogador será repartido nas contas dos próximos anos como uma amortização do seu ativo, este não irá influenciar os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização dos jogadores. Desta forma, o FC Porto escapa ao escrutínio da UEFA e facilita as suas obrigações financeiras com as várias entidades envolvidas. Não obstante, da forma que o negócio foi efetivado existe ainda uma forte hipótese do FC Porto e do jogador escaparem aos encargos com a Segurança Social, fugindo assim a parte dos impostos do Estado.
Estes são os verdadeiros contornos do negócio Otávio. Uns dirão que se trata de criatividade financeira, outros, mais frontais e honestos, dirão a mais pura das verdades: é uma autêntica trafulhice."

Temos presidente


"O contexto era adverso quando Rui Costa assumiu o cargo da presidência. Luís Filipe Vieira, que meses antes fora reeleito com a sua pior votação nas seis vezes em que concorreu, denotando-se algum desgaste de poder, demitiu-se a contas a justiça.
Sob o espectro do vazio institucional, Rui Costa assumiu a responsabilidade de liderar o clube com eleições no horizonte. Os desafios mais prementes foram todos superados com distinção: gestão corrente assegurada; sucesso da emissão do empréstimo obrigacionista, plantel mais competitivo; e época futebolística iniciada de feição (líder do campeonato e presença garantida na fase de grupos da Liga dos Campeões, mais a retumbante vitória ao Barcelona).
Acrescem o uso do espaço mediático por Rui Costa, que, apesar de escasso até à campanha eleitoral, foi suficiente para que o novel presidente demonstrasse dominar os dossiers e os passos dados em prol de um processo eleitoral mais transparente e democrático, nomeadamente promovendo a utilização, pelas candidatas, dos meios de comunicação do clube para a campanha.
Glória do clube há muito considerado presidenciável, garante da estabilidade institucional e promotor de várias boas decisões em meses recentes, a eleição estava garantida. Assim torna-se ainda mais relevante a participação recorde. Mesmo num cenário em que se antecipava o vencedor, 33754 sócios do Benfica deslocaram-se às urnas para depositar o voto em Rui Costa. Notável!"

João Tomaz, in O Benfica

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Leva-me ao Jamor, Benfica!


"Amanhã ao final do dia está de volta a Taça de Portugal. Não consigo esconder o entusiasmo, na medida em que, neste ano, os adeptos vão estar de volta ao Jamor! As últimas duas finais do Benfica na prova-rainha foram um desastre, e é fácil perceber o porquê: onde estavam os benfiquistas? Exactamente, não estavam. A covid-19 beneficiou tanto os adversários do Benfica como as farmacêuticas. A onda de vermelha é um combustível tão importante para os nossos jogadores como o gasóleo e a gasolina para o Estado português.
Agora, tudo será diferente. Nunca tive problema de visão, quer ao perto, quer ao longe, e consigo avistar tão bem o jogo de amanhã com o Trofense como a final do Jamor. Esta é uma expectativa onde estou em clara desvantagem. Se o Benfica chegar à final, será perfeitamente natural, porque não fará mais do que a sua obrigação. Em qualquer outro cenário, por favor, saiam-me da frente! Felizmente, também nunca tive problemas de olfato - consigo sentir o cheiro do porco no espeto na mata de Oeiras com a mesma intensidade com que sinto o cheiro do perfume que a minha irmã de pôr no pescoço. Garanto ao leitor que não é fácil - um perfume nas mãos da minha irmã dura quase tanto tempo como uma embalagem de Viagra nas mãos de Pinto da Costa.
O primeiro obstáculo é na Trofa, e não tenho a ilusão de que o jogo será fácil. Já foi há mais de dez anos, mas eu ainda me lembro demasiado bem daquele 2-0 em que  Hélder Barbosa parecia o Maradona. Desta vez, à partida o nosso meio-campo não será protegido pelo Gilles Binya, o que já é uma vantagem. Quem for o jogo que trate de ganhar, eu vou tratando de preparar o farnel. Rumo ao Jamor, Benfica!"

Pedro Soares, in O Benfica

Bancadolândia


"Outubro, num dos dias mais longos de 2021. Começou a 9, ainda o negrume era soberano, e acabou a 10, tratava o sol de sobrepor-se à noite. O dever ordenava, a missão foi cumprida, em nome da mais profusa, continua e fidedigna informação. Nessa jornada histórica e exemplar de associativismo do Sport Lisboa e Benfica, uma janela esteve disponível em permanência para acompanhar a actividade desportiva do Clube. De manhã, a bola rolou na Madeira com a visita da equipa feminina de futebol ao Marítimo. Ali, jogava-se e jogou-se... num relvado sintético. Pois!
A mesma equipa que, dias antes, fizera frente ao Bayern, quarto classificado do ranking da UEFA, dividindo pontos no excelente relvado natural do Benfica Campus em jogo da fase de grupos da Liga dos Campeões, sujeitava-se ao imperativo de competir num sintético (e de dimensões reduzidas). Que nexo se descortina nisto, quando se pugna pelo desenvolvimento do futebol na vertente feminina? Que sentido se apura neste facto, quando a batalha pela igualdade nos mobiliza diariamente? Que justificação ainda se forja em cima das diferenças constatáveis, quando sabemos que nos principais escalões masculinos seniores das nossas provas nacionais os sintéticos estão excluídos?
Este rol de questões bate à porta da Federação Portuguesa de Futebol, a entidade organizadora e reguladora da Liga BPI. Se queremos evolução - e penso que todos nós, peritos de bancada, nos alinhamos neste ponto -, então temos de fazer e batalhar por ela, objetivá-la, dar-lhes substância e visibilidade.
O toque de bola, o ressalto da mesma, a velocidade, o conforto - ao mais alto nível, tudo é diferente, para melhor, num campo de relva natural, teorizam os estudiosos destas matérias. Logo, quando se fala de progresso e projeção do melhor do lado feminino do futebol português na alta-roda europeia, admitir aquém-fronteiras a realização de jogos em sintéticos é contranatural, uma tremenda e lesiva incongruência. Por outras palavras, é tentar correr para a frente a andar para trás. Impossível, portanto. Nisto, o futuro pede rápida, revisão."

João Sanches, in O Benfica

Música, Maestro!


"Dia 9 foi uma jornada à Benfica, e trouxe a clarificação que se pretendia.
Numa acto eleitoral amplamente democrático e participado, um recorde de votantes e um resultado esclarecedor deixaram bem vincada a vontade dos sócios para o futuro do clube. Concluído este processo, importa agora que todos estejamos unidos e focados naquilo que verdadeiramente interessa: ganhar jogos e campeonatos. Durante quatro anos, não quero ouvir falar de eleições, de oposições ou divisões. Quero ouvir falar de vitórias e de títulos. No sábado passado, Rui Costa foi o candidato de 84% dos votantes. Hoje, é o presidente de 100% dos benfiquistas. Em 2025, respeitando a nossa grande tradição democrática, far-se-á então o balanço do mandato.
Tal não significa, até lá, qualquer ausência da vigilância ou menor exigência. Tenhamos em conta, porém, que, ao contrário da vida política, em que os partidos da oposição combatem os de governo e vice-versa mas não existem rivais externos a desejar o mal do país, no desporto temos por aí muita gente disposta a aproveitar qualquer fragilidade interna para nos desunir e desestabilizar desde fora. Isso chamará à reflexão de todos quando, num ou noutro momento, por um ou outro motivo, a bola deixar de entrar nas balizas adversárias.
Uma palavra final para Luís Filipe Vieira. O que é do âmbito da Justiça, a Justiça tratará em sede própria, esperando-se, a bem de todos, que o ex-presidente possa vir a provar a sua inocência. O que nunca se poderá apagar é uma obra que, de 2001 a 2021, transformou o Benfica num clube melhor, mais sólido, mais independente e mais ganhador."

Luís Fialho, in O Benfica

À Benfica!


"Chegou a hora de saudar os 40085 benfiquistas que, no passado sábado, participaram nas eleições para os órgãos sociais do SL Benfica: Os sócios escolheram o que queriam. Rui Costa tem pela frente, conforme confessou, o jogo mais difícil da sua vida. A batuta volta às suas mãos, e nós só desejamos que o faça com o mesmo brilhantismo que demonstrou não só com o manto sagrado e com a camisola das quinas, mas também ao serviço da Fiorentina e do grandioso AC Milan. A sua nova equipa, reforçada com Luís Mendes, Manuel de Brito e José Francisco Gandarez, terá quatro anos bem desafiantes. Uma palavra muito especial para a Mesa da Assembleia Geral agora liderada por Fernando Seara. As suas facetas bem conhecidas - sensatez, determinação e capacidade de diálogo - serão determinantes. Por falar neste órgão tão especial, uma referência muito particular para António Pires de Andrade, o presidente cessante. A forma serena, ponderada e determinada como conduziu todo o processo eleitoral merece ser enaltecida. O seu notável percurso profissional, sobretudo como gestor, actualmente na presidência do IMPIC - Instituto dos Mercados Públicos, do Imobiliário e da Construção, e com os cargos desempenhados na EDIA - Empresa de Desenvolvimento de Infraestruturas do Alqueva, no Grupo PEC - Produtos Pecuários de Portugal, na EPAC - Empresa Pública de Abastecimento de Cerais, no Programa Operacional do Comércio e Serviços (PROCOM), na AGAA - Administração Geral do Açúcar e do Álcool, e a sua carreira universitária, quer no ISCTE, quer na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, ajudam a explicar as palavras certeiras que dirigiu a Rui Costa: 'Será uma tarefa complexa, mas será certamente gratificante. O seu sucesso será o sucesso do nosso clube'."

Pedro Guerra, in O Benfica

Planeta Benfica


"Quando vemos as jogadoras de futebol afegãs que Portugal acolheu e pensamos um pouco, precisamos de entender que estas jovens não mudaram apenas de casa ou de país, mas que fugiram do terror atravessando os ares, ainda atónitas, trocando o medo da morte certa pelo medo de um futuro incerto, mas esperançosamente seguro. Mudaram, isso, sim, de planeta, de um dia para o outro e sem qualquer arbítrio sobre o seu destino. Saíram duma terra de extremos, capaz de ser quente e gélida no correr dos meses, capaz ao mesmo tempo de sonhar futuro e diferença e de aceitar a regressão violenta aos tempos do passado, não apenas por respeito à tradição e identidade mas porque ainda não encontrou o caminho que permitirá conseguir manter esses dois valores, fundamentais ao longo duma caminhada progressista.
Estas jovens são na verdade grandes mulheres afegãs, que mostram a garra desse povo sofrido que se recusa ao conformismo. Elas são verdadeiros ícones da igualdade de género porque se atreveram a ser mulheres, ainda que fosse apenas jogar futebol, o grande jogo que a todos unifica. Mas são-no, sobretudo, porque, perante a maior das adversidades, com risco da própria vida, se recusaram à clandestinidade e assumiram de frente a dignidade feminina. Elas honraram, e de que maneira, a mulheres afegãs que diariamente vemos sair à rua e lutar pela educação das suas filhas e pela dignidade das suas famílias. Não querem deixar de ser quem são, cultivam a sua identidade, tradições e religião, mas querem um futuro compatível com os valores afegãos e lutam por ele.
Demorará certamente muito até que a História escreva a felicidade do povo afegão e a sua autodeterminação, que aos olhos das mulheres se desenha como um sonho, um sonho lindo de uma vida pacata num planeta distante. Para estas jovens, por entre a dor da perda e o choque cultural que atravessam, a bola que continua a rolar nos seus pés materializa esse sonho. Por isso, quando lhes abrimos as portas da nossa casa, aqui na Luz, acolhemo-las nesse planeta de sonho, pleno de mística, igualdade e valores humanistas. O nosso muito querido e único Planeta Benfica!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Núm3r0s d4 S3m3n4


"10
Rui Costa, antigo 10 no relvado, tomou posse como presidente da direcção do Sport Lisboa e Benfica no dia 10 do 10.º mês do ano;

21
Chegou a tão aguardada notícia do regresso da comercialização do Red Pass, agendado para dia 21 de Outubro e que se estenderá até dia 2 do mês seguinte, a anteceder em 5 dias o próximo jogo na Luz a contar para o campeonato (Braga);

22
A BTV fez um trabalho extraordinário de acompanhamento das eleições. Foram praticamente 22 horas de emissão, intercaladas com a transmissão de jogos ou estreia de programas, os quais, quando pertinente, foram interrompidos para segmentos 'última hora'. Também os restantes meios do clube foram prestando informação desde a abertura das urnas, às 8 horas da manhã, até que Rui Costa finalizou o discurso de tomada de posse das 6 da manhã do dia seguinte;

24532
A contribuir para a impressionante afluência às urnas no passado sábado esteve a descentralização do acto eleitoral. Foram 24532 os sócios que exerceram o voto noutros locais que não o Estádio da Luz, no qual votaram 15533 associados benfiquistas. E 20066 sócios deslocaram-se às restantes 24 assembleias de voto espalhadas pelo país, sendo da mais elementar justiça enaltecer, através de mais um notável exemplo, o trabalho desenvolvido pelas Casas do Benfica. Através da Internet (residentes fora de Portugal continental) votaram 4466 sócios;

33754
Sócios que votaram na lista liderada por Rui Costa, um máximo na história do clube;

40085
Votantes nas eleições, um recorde do clube e, naturalmente, também português no âmbito das associações desportivas. Segundo tem sido veiculado pela comunicação social, trata-se da segunda maior participação de sempre em actos eleitorais de clubes a nível mundial."

João Tomaz, in O Benfica

Editorial


"1 - O Sport Lisboa e Benfica elegeu o trigésimo quarto presidente da sua história: Rui Costa, um símbolo do Clube. Os desafios para os próximos 4 anos são enormes, à imagem da ambição que o Benfica sempre personificou: vencer, vencer cada vez mais, engrandecer o rico espólio de títulos que fundam a nossa grandeza mas, também, porque tudo está a evoluir rapidamente neste mundo que nos rodeia, aprofundar toda uma modernidade organizacional empreendida ao longo dos últimos anos.

2 - O Sport Lisboa e Benfica é o maior vitorioso da noite eleitoral. Pela presença em massa dos seus sócios, pela adesão a este momento importante da vida do Clube, pela expressão de benfiquismo e exemplo democrático que protagonizámos diante de todo o país. Um nobre exemplo de associativismo, de participação cívica. Que grande dia de benfiquismo! Maior votação de sempre, uma das maiores entre todos os clubes do mundo. Estamos orgulhosos e todos de parabéns: sócios, adeptos, lista A, lista B.

3 - A responsabilidade conferida por tão expressiva participação traduz-se num imperativo: construir um novo horizonte. Um novo ciclo de unidade que nos permita projetar no futuro a nossa singular identidade: o maior clube português, dominante em Portugal, ambicioso além-fronteiras. Uma nova etapa no Benfica, juntos, com as nossas divergências a serem dirimidas aqui, dentro da casa - porque somos herdeiros de uma histórica tradição democrática que será sempre revigorada - mas unidos contra os nossos rivais e os nossos adversários externos.
Unido, o Benfica é imparável."

Pedro Pinto, in O Benfica

Antevisão...

A pão e laranjas


"Fernando Matos Fernandes foi um desportista versátil, multifacetado e acarinhado pelo público em geral

Matos Fernandes era um rapaz tímido, mas persistente. Destacou-se numa prova de corta-mato e, quando o convidaram a ingressar no Benfica, pensou que 'se calhar, é mentira e foi uma brincadeira'. Mais tarde, ao ser convocado para se apresentar no Campo das Amoreiras e não tendo posses financeiras para a deslocação, decidiu 'ir a pé da escola, em Xabregas, até às Amoreiras'. Lá foram-lhe dados 'uns calções, uma camisola muito desbotada, umas alpargatas e um fato de treino cujas calças davam pela barriga das pernas'. Nos treinos, a correria era tanta, que por vezes Alberto Freitas, o seu treinador, o deixava 'a pão e laranjas'.
Na sua estreia pelo Clube, e ao perceber quem eram os adversários, pensou: 'Vai ser lindo... Sempre me meto em cada sarilho... Bem, alguma coisa se há de arranjar'. E arranjou, ganhou a prova, e foi o início de uma carreira de duas décadas, repleta de sucessos, tendo conquistado 40 recordes nacionais e 37 títulos de campeão nacional em 8 especialidades de atletismo diferentes.
Em 1951, o jornal L'Équipe organizou um torneio e convidou várias equipas europeias a participarem. A Matos Fernandes calhou a responsabilidade de disputar os 400 metros barreiras contra o campeão francês de corta-mato. Ao dirigir-se para a pista, ouviu alguém gritar 'Ó Matos Fernandes! Veja lá isso! Olhe que eu sou Benfica'. Matos Fernandes, que estava nervoso, mais nervoso ficou por ouvir um benfiquista em Paris. Depois... 'Não sei como foi. Ganhei a prova e no final da corrida esse benfiquista saltou para a pista e caiu-me nos braços com lágrimas de alegria'.
Em Agosto de 1953, teve lugar no Pavilhão da Feira Popular um sorteio para angariar fundos para o Estádio da Luz. Matos Fernandes e outros campeões nacionais participaram a vender senhas para o sorteio. Enquanto os atletas se esforçavam para vender os ingressos, Matos Fernandes foi o que conseguiu angariar a maior 'colheita de fundos com a cantilena. O Matos Fernandes vende os automóveis', e, claro, 'os visitantes deixavam-se levar na melodia... e os bilhetes desapareciam num ápice'. Um ano mais tarde, Matos Fernandes continuou no registo musical ao participar no Sarau Artístico no Pavilhão dos Desportos com a sua Orquestra Excêntrica, sendo um dos grandes sucessos.
Para conhecer mais da história do atletismo do Benfica, visite a área 3 - Orgulho Eclético, no Museu Benfica - Cosme Damião."

Carla Freire, in O Benfica

SL Benfica | História foi feita em Portugal


"E Pluribus Unum, a velha máxima democrática do SL Benfica.

Não é segredo para ninguém, e perdoem-me os adeptos de outros clubes, mas o SL Benfica é dos maiores clubes da história. É o clube com mais adeptos em Portugal, sendo caso para dizer que esta equipa não é apenas do país mais pequeno da Península Ibérica, mas sim do mundo.
Um bom exemplo disso é a quantidade de sócios que o clube tem. Em 2014, era o clube com mais sócios – 270 mil, seguindo-se o FC Bayern de Munique, com 238 mil. Passado um tempo, com as atualizações das quotas, os encarnados desceram para o segundo lugar do ranking, tendo, em 2020, cerca de 230 mil sócios. Atualmente, quem lidera são os alemães, que têm cerca de 293 mil.
No entanto, não importa muito ter um elevado número de sócios se estes não estiverem ligados ao clube ativamente. Nesse caso, o SL Benfica também se diferencia. Podia falar do apoio que os adeptos dão aos jogadores em todos os estádios, mas esse exemplo é conhecido por todos.
Não é por acaso que, onde quer que as águias vão jogar, há sempre benfiquistas. Já para não falar que o Estádio da Luz é um dos mais temíveis da Europa e do mundo.
A mais recente prova da dedicação dos sócios ao clube foram as eleições da semana passada. Fez-se história! O número de votos atingiu um recorde alcançado por poucos – 40 115, apenas superado pelo FC Barcelona.
Muito disto também se deve ao facto de estas eleições terem despertado um interesse “extra”, com a renúncia ao cargo de presidente, por parte de Luís Filipe Vieira. O resultado da votação elegeu Rui Costa como o atual presidente do clube.
Ainda que não se saiba como vai ser daqui para frente, uma vez que, como diz o ditado “o futuro é incerto”, a escolha foi totalmente responsabilidade dos sócios.
É caso para dizer que o SL Benfica está vivo e bem vivo. Em pleno sábado, os sócios não ficaram em casa e foram às urnas. Uns para demonstrarem o apoio a Rui Costa, outros para manifestarem o desagrado em relação ao ex-jogador.
A verdade é que este pequeno exemplo foi uma grande prova da entrega dos adeptos ao clube que amam. Entrega esta que, tal como já referi, não se demonstra apenas dentro do estádio, mas também fora dele. Isto está ao alcance de poucos e logo num dos países mais pequenos da Europa."