Últimas indefectivações

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

A Volta começou de cacilheiro

"No dia 26 de abril de 1927, os ciclistas alinharam-se no Marquês: os fortes vestiam de negro, os fracos de verde, os militares de vermelho...

Abril de 1927 - dia 26, terça-feira. A primeira edição da Volta a Portugal estava na estrada. Na estrada e no rio, mas já lá vamos. «Prova desportiva de violência», destacava a imprensa, alguma dela invejosa. Invejosa porque a ideia saíra do bestunto de Raul Oliveira, do jornal Os Sports, e era o seu periódico a organizar a prova a meias com o Diário de Notícias. De tal forma invejosos, acrescente-se, que no mês seguinte O Sporting, sedeado no Porto, avançou para a estrada com outra Volta, embora mais modesta.
A brincadeira ficou tão cara aos organizadores que só voltou a haver nova edição em 1931 por falta de verbas disponíveis.
A primeira etapa começou em festa. No Marquês de Pombal, os concorrentes alinhavam por cores correspondentes à sua categoria: de preto, os mais fortes; de verde, os mais fracos; de vermelho, os militares, fossem eles fracos ou fortes. A caravana percorreu a Baixa por entre o entusiasmo popular e foi em ritmo de passeio até ao Cais do Sodré. Atravessou o Tejo num vapor da Parçaria, como chamava o povo aos então cacilheiros da Parceria dos Vapores Lisbonenses, e iniciou a primeira etapa em Cacilhas para a terminar em Setúbal.
Uma festa!
22 dias de competição à volta do país: Lisboa-Setúbal; Setúbal-Sines; Sines-Odemira; Odemira-Portimão; Portimão-Faro; Faro-Beja; Beja-Évora; Évora-Portalegre; Portalegre-Castelo Branco; Castelo Branco-Guarda; Guarda-Torre de Moncorvo; Torre de Moncorvo-Bragança; Bragança-Vidago; Vidago-Braga; Braga-Porto; Porto-Coimbra; Coimbra-Caldas; Caldas-Lisboa.
Volta mais volta era difícil.
Dois dias de descanso: em Vidago e nas Caldas da Rainha.
1.958,5 quilómetros a percorrer.
Era obra!

Primeiro de amarelo
Quirino de Oliveira era atleta do Clube Atlético de Campo de Ourique. Foi ele o vencedor da primeira etapa e, portanto, o primeiro camisola amarela da história da Volta a Portugal. O seu combate ombro a ombro com António Augusto de Carvalho, do Carcavelos, e vencedor da prova, ficou por muitos anos no imaginário de todos os que seguiram a Volta com entusiasmo e pertinácia. Diga-se, pelo caminho, que a competição só teve três camisolas amarelas: Quirino, Carvalho e Nunes Abreu, do Leixões, na etapa 15.ª, entre Braga e Porto.
Quirino de Oliveira ver-se-ia atraiçoado pela estrada a caminho de Moncorvo: depois de seis etapas envergando a amarela, uma queda dolorosa fê-lo ser ultrapassado por António Augusto de Carvalho. De forma decisiva. Acabaria em terceiro.
O vencedor da primeira Volta a Portugal gastou 79 horas e 8 minutos para cumprir o percurso.
Só três ciclistas ficaram a menos de uma hora do primeiro: Nunes de Abreu (a 9 minutos e 31 segundos); Quirino de Oliveira (a 19 minutos e 6 segundos); e Santos de Almeida, do Benfica (a 34 minutos e 18 segundos). O quinto classificado, Aníbal Firmino, do Carcavelos, terminou a anos-luz - uma hora, 25 minutos e 58 segundos.
Dos 38 ciclistas que se tinham enfileirado no Marquês de Pombal, naquele dia 26 de Abril, 26 chegaram a Lisboa depois de percorrerem o país de lés-a-lés. Apenas 12 desistiram, o que, para as dificuldades da época, se pode considerar mais do que razoável. O Carcavelos ganhou por equipas e o Sporting ficou em segundo. António Marques, do Carcavelos, foi o melhor dos fracos; o telegrafista João Francisco foi o primeiro dos militares.
«À partida das Caldas, a conquista do primeiro lugar estava verdadeiramente circunscrita a três corredores: Augusto Carvalho, Nunes de Abreu e Quirino», desfiava um dos jornais lisboetas no dia 16 de maio. E continuava, esclarecendo uma regra muito particular: «Os cerca de 2000 quilómetros do circuito foram divididos em 18 etapas - a última das quais Caldas-Lisboa. Até à 17ª, os corredores, de etapa para etapa, partiram ‘em linha’, tomando-se a cada um o tempo gasto. Na 18.ª, porém, partiram distanciados uns dos outros de harmonia com os tempos obtidos nas etapas anteriores».
Não deixaria de provocar confusão.
Entre as Caldas da Rainha e Lisboa estabeleceu-se um percurso que cumprisse exactamente 100 quilómetros. Santos Almeida seria o vencedor com um tempo histórico . partiu às 12 horas, 11 minutos e 44 segundos e chegou às 15 horas e 44 minutos. Tempo gasto: 3 horas, 32 minutos e 16 segundos, menos 7 minutos e 23 segundos do que o grande vencedor Augusto Carvalho.
Batera o recorde nacional dos 100 quilómetros.
«Lançou-se a semente à terra. Dentro de poucos anos a Volta a Portugal pode tornar-se uma prova modelar, como a Volta à França», orgulhava-se Raul Oliveira que tinha feito parte da comitiva do Tour de 1919 e, desde então, não desistiria sem ver algo de parecido acontecer em Portugal.
Os ciclistas só voltariam às estradas nacionais em 1931, como já vimos. Surgiria aí a rivalidade mais famoso de toda a história velocipédica portuguesa, a que opôs José Maria Nicolau, do Benfica, a Alfredo Trindade, do Sporting. E que fez com que o povo se apaixonasse definitivamente pela Volta a Portugal."

Pagar para ver futebol na TV

"Fui assinante da TV Cabo, agora sou da Nos, sempre tive a Sport TV, nunca por acesso ilegal, como muitos amigos e conhecidos meus se gabam. Acho que se deve pagar para ver jogos de futebol, mas o que é demais é moléstia. Tudo custa dinheiro e são as leis do mercado.
Todavia, não faz sentido nenhum, ter que pagar mais do que já pago (à volta de 30€). A Sport TV perdeu os direitos de transmissão da Liga dos Campeões, Liga espanhola, Liga francesa, mas também os jogos das Ligas belga e escocesa e a Youth League.
A partir de 15 de Agosto, em virtude de haver um novo canal de conteúdos exclusivamente desportivos, estou mesmo a ver que vai sobrar para quem gosta de ver futebol em casa. Como tenho a Sport TV na Nos vou ter que pagar mais para poder ver a Liga dos Campeões.
A Liga espanhola, agora que Ronaldo saiu do Real Madrid, não me interessa e não me importo de não ver, mas na Liga dos Campeões quero ver alguns jogos, tendo à cabeça a Juventus com Ronaldo. 
Li, no Record, que a Eleven Sports pôs a Liga dos Campeões na Nowo, mas espera um acordo com as outras operadoras. Espero que cheguem a acordo, para que os assinantes da Sport TV não terem que pagar mais, para verem o que gostam e o que tinham acesso até agora.
Apercebo-me que é a primeira vez que a Sport TV enfrenta uma concorrência a sério. Anteriormente a BTV teve o exclusivo da Premier League e isso obrigou muitos fãs a ter que desembolsar um adicional de 10€, mas a Sport TV recuperou a Premier League. Mas, desta vez, não é brincadeira perder a Liga dos Campeões, todavia, não se pode estar a pagar tanto para ver jogos de futebol, qualquer dia voltamos todos ao café das redondezas para ver futebol. Por um lado, era bom para conversar e comunicar-se um pouco mais. Como é habitual, vão começar as falcatruas para ter o sinal de emissão a preços baixos ou de borla.
O que eu sei é que para já, apenas os clientes da Nowo terão acesso à generalidade dos jogos daquelas competições. Eu não sou cliente Nowo, mas quero ter acesso ao que tinha anteriormente na Sport TV pelo mesmo preço. Não aceito ter que pagar mais, ou a Sport TV deve baixar o preço, pois a sua oferta ficou amputada.
A concorrência do mercado, deveria funcionar para favorecer o consumidor, e não, para prejudicar e aumentar os preços. Por este andar, para ver todo o desporto relacionado com futebol terei que gastar mais de 50€ por mês. Vá lá, que na Sport TV posso ver outras modalidades como Fórmula1, MotoGP, Ténis, NBA, etc., mas não se justifica continuar a pagar 30€ sem a Liga Espanhola e a Liga dos Campeões.
Acho que deveria existir um pacote de desporto igual em todas as operadoras com o mesmo preço independente de ser da Vodafone, Meo ou Nos.
Mas, neste momento, a Eleven estará no ar a partir de 15 de Agosto na Nowo, por 9,99 euros."

Benfiquismo (CMXIV)

No pelado... em Sines!!!

Lanças... Início

A UEFA ao serviço (abjecto) dos poderosos

"Portugal, com as costumeiras guerras do alecrim e manjerona, deixou de estar na pegada dos grandes e não se vê como lá voltará

Escrevo este texto, horas antes do primeiro jogo oficial do Benfica. Quando for lido, já se saberá o desfecho do encontro contra o Fenerbahçe e as expectativas quando à 3.ª pré-eliminatória para acesso ao play-off para a fase de grupos da Champions.

1. Começo por analisar a absurda e cada vez mais elitista formulação desta competição. Em 2018/19, teremos 32 equipas na fase de grupos, assim divididas:
- O campeão da Liga dos Campeões (1).
- O campeão da Liga Europa (1).
- Os 4 primeiros classificados das federações do 1.º ao 4.º lugar no ranking da UEFA: Espanha, Alemanha, Inglaterra e Itália (16).
- Os 2 primeiros classificados das federações no 5.º e 6.º lugar: França e Rússia (4).
- Os campeões das federações classificadas do 7.º ao 10.º lugar: Portugal, Ucrânia, Bélgica e Turquia (4).
- Os 4 sobreviventes do chamado e penoso 'caminho dos campeões' das federações desde 11.º do ranking (Áustria) até à última 55.ª (Kosovo) que disputam 4 eliminatórias prévias!
- Os 2 sobreviventes do estranhamente apelidado 'caminho da liga', que resultarão de 3 eliminatórias, nas quais 6 equipas jogam a primeira delas e as vencedoras se encontram depois com os vice-campeões de Portugal, Ucrânia e Bélgica e os 3.ºs classificados da França e Rússia.
Ou seja, da Espanha, Alemanha, Inglaterra e Itália teremos 17 clubes (se acrescentarmos a forte probabilidade do vencedor da Liga Europa ser de um destes países), o que corresponde a 53% das presenças. A alteração produzida permite que um lugar secundário numa destas ligas (a 4.ª posição) tenha entrada imediata, ao mesmo tempo que o vice-campeão de Portugal (país campeão europeu) tenha de disputar duas eliminatórias com equipas de igual calibre. Em termos de planeamento de uma época, imagine-se o que, já com a bola a correr, significará estar dependente de poder ou não alcançar 40 ou mais milhões de euros, que é a inexplicável diferença entre estar na Liga dos Campeões ou ir competir na mísera Liga Europa. E, evidentemente, há os clubes que aguardam o desfecho destas duas eliminatórias para depenar os relegados para a Liga Europa que se veem obrigados a vender atletas a preços bem mais convidativos para os 'abutres'.
Bela e justa UEFA: já não basta a desigualdade no dinheiro distribuído que torna as diferenças crescentemente não reversíveis, o subtil (às vezes, nem isso) favorecimento dos tubarões, as 'migalhas' distribuídas a 49 das 55 federações, o fechar de olhos aos poderosos quanto a negócios obscenos e as duvidosa legitimidade, e eis que agora se reforça a Europa do futebol dividido-a categoricamente em anéis e velocidades estanques e intransponíveis.
Assim, lenta, mas inexoravelmente, deixámos de ter boas equipas holandesas, checas, escocesas, romenas, búlgaras, sérvias e de outros países que estão condenados ao degredo uefeiro. Entretanto, Portugal, com as costumeiras guerras do alecrim e manjerona, deixou de estar na pegada dos grandes e não se vê como lá poderá voltar. Assunto que, só por si, deveria pôr os clubes - sobretudo os chamados grandes - a redefinir estratégias porque o 'bodo aos pobres' tem os dias contados, a não ser para o campeão. Na Liga Europa, até tento perceber o entusiasmo nas últimas jornadas do nosso campeonato para ver quem fica num lugar pomposamente chamado 'europeu'. E depois? Gasta-se dinheiro com uma ou duas eliminatórias e acabou-se  'sonho europeu'. Ainda agora vimos o que aconteceu ao Rio Ave perante uma equipa ignora e de difícil memorização.

2. Embora muitos negócios ainda venham a passar pela ponte do defeso, absurdamente prolongado por cá (lá fora já há federações que os reduziram, como a inglesa) e já com 3 ou 4 jornadas do campeonato disputadas, escrevo, sobre as primeiras impressões do Benfica 2018/19.
Uma pré-época - como se convencionou chamar aos jogos que são antes de serem a 'sério' - que me pareceu positiva. Desde logo, porque não se jogou contra equipas do Luxemburgo ou da terceira divisão, mas sim contra formações de valia em torneios prestigiados. Depois, porque no seu início já foram integrados novos jogadores, quer contratados, quer promovidos. Terceiro, porque o planeamento das viagens e dos estágios foi adequado. Pena, no entanto, que para a 'Eusébio Cup', depois de uma época em que absurdamente não teve lugar e uma anterior jogada em Monterrey no México, tenha sido inventada uma absurda sobreposição com a última ronda da competição que o Benfica disputava. Tenho para mim que a Taça em honra desse grande jogador e benfiquista que foi Eusébio da Silva Ferreira deveria ser todos os anos disputada no seu Estádio da Luz, com todas as honras e simbolismo. Assim é lamentável...
Como já afirmei, escrevo antes do primeiro jogo a doer. E, também, diante da saga Jonas que vai para as Arábias, de manhã sem dores nas costas e fica na Luz, de tarde com as costas doridas. Por favor, decidam-se!
Do que gostei mais o do que mais dúvidas me suscita?
Em primeiro lugar, quanto ao titular da baliza, acho que as dúvidas foram dissipadas: o alemão de nome grego Odysseias Vlachodimos é o que mais garantias parece dar, ainda que tenha de provar poder aproximar-se de um tipo de guarda-redes que dá mesmo pontos. Uma equipa com a ambição do Benfica precisa de um guardião que faça a diferença. Infelizmente, depois de Oblak, Júlio César e Ederson (ainda hoje não 'engulo' a sua prematura saída com retorno financeiro relativamente reduzido), a equipa anda à procura de um substituto à altura. Svilar tem boas características, mas ainda um longo caminho a percorrer. Quanto ao greco-alemão, a ver vamos...
As principais boas surpresas acabaram por vir de quem menos se esperaria: Alfa Semedo e Gedson Fernandes. Dois jovens que não enganam e que, se não se deslumbrarem, podem ser muito úteis, como titulares ou suplentes, ao longo de uma extensa temporada.
Dos que vieram de fora, o mais rotulado Facundo Ferreyra ainda está longe do que dele se espera, embora o sistema de jogo mais usado não o tenha ajudado até agora. O chileno Nicolas Castillo pode ser um bom elemento, sobretudo em jogos de ataque constante e de intensidade física mais prevalecente. Com ou sem Jonas? Sinceramente receio que, sem ele, não haja, de imediato, sucedâneo para o toque de classe (e inteligência) do melhor jogador encarnado dos últimos anos.
Quanto aos defesas-centrais, Lema nunca o vi jogar, Conti tem 'pinta', mas é ainda algo ingénuo para o ritmo deste lado do planeta. Por tudo isto, Rúben Dias é fundamental ao lado de Jardel e, espero, que a sua quase obrigatória transferência para outros voos, aguarde pelo menos um ou dois anos.
Em boa promissora forma estão André Almeida (que, todavia, continua a ser pouco valorizado). Salvio (se não sair), Pizzi e Fejsa. Aguardo uma maior integração de João Félix que, estranhamente, foi ainda pouco utilizado e de Jota que merece ser gradualmente integrado na equipa principal. Zivkovic tem tido o problema de poder fazer várias posições, o que não é a melhor solução para o atleta. E falta um dos melhores reforços que é o croata Krovinovic que, em condições normais, terá lugar no onze inicial.
Uma nota final para referir quanto me continuam a intrigar situações de jogadores contratados que nem sequer uma vez passaram pelos balneários da Luz. Que é feito, por exemplo, de um sueco de nome Erdal Rakip contratado em Janeiro e logo remetido para um clube inglês e que, neste início de época, 'ninguém' sabe dele? Ou do atleta vindo do V. Setúbal, João Amaral, que foi contratado num dia e vendido no outro para a Polónia, sem que nada de bom (ou de mau) tivesse provado? E outros que me dispenso aqui de citar. Que razões ou justificações para estas transumâncias e que nacional para este tipo de scouting?

Contraluz
- Confusão: Distinguir o 'camisola amarela' na Volta a Portugal de outros ciclistas igualmente amarelados é coisa para especialistas. Por que razão se permite a existência de formações equipadas de amarelo, quando dantes, amarelo só havia um: o primeiro da classificação e mais nenhum!
- Lamentável: A SportTV vai deixar de transmitir os jogos da Champions e a Liga espanhola (coisa pouca...) e tem o desplante de achar que o preço a cobrar pelos seus canais se deve manter. Não oferece nada em troca, mas deixa de pagar por aquelas competições. Só os assinantes pagam o mesmo. Em condições normais de mercado, mereceria uma justa consequência dos ainda assinantes. Deplorável!"

Bagão Félix, in A Bola

Alvorada... do Gonçalves

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Sabe quem é? De carrinha para os treinos - Rui Vitória

"10 dias após morte dos pais num acidente, o destino mudou-se-lhe; Padre pô-lo a caminho do paraíso

1. A mãe era escriturária, o pai era soldador - e tinha sido guarda-redes do Alverca. Pela mão dele ganhou a paixão pelo futebol. «Começávamos de manhãzinha, voltávamos à hora de almoço a casa, comíamos -  e às três da tarde regressávamos ao campo. Viámos os escalões todos do Alverca - e aos 9 anos também eu fui jogar».

2. João Alves e Platini, Zidane e Rui Costa foram os ídolos que se lhe agarram ao fascínio. Até aos 17 anos mostrou-se sempre bom aluno - e, de um instante para o ouro, derrapou no destino: «Cheguei ao 12.º ano, estava, então, a treinar nos juniores e a jogar nos seniores do Alverca. Decidi armar-me em futebolista apenas - e chumbei. Foi uma lição».

3. Ter jogado no Alverca na II Liga, com Mário Wilson a treinador - foi o seu pináculo como futebolista, os demais clubes por onde cirandou foram o Fanhões, o Vilafranquense, o Seixal, o Casa Pia, o Alcochetense. «Só não fui um bocado mais longe porque, na altura, havia em mim a preocupação de fazer o curso de Educação Física».

4. De um instante para o outro, mudou-se-lhe o futuro - no dia 1 de Outubro de 2002. «Tinha 32 anos, era médio-centro do Alcochetense, desafiaram-me para treinador do Vilafranquense. Não era normal jogador da terceira divisão ser convidado para treinar na segunda. Nesse mesmo domingo também me convidaram para treinar o Alcochetense. Como tinha falado meia hora mais cedo o Vilafranquense, foi para lá que fui. Abandonei como jogador - e continuei a dar aulas».

5. Dias antes, a 21 de Setembro, os pais morreram-lhe num acidente de automóvel. «A minha mão viva preocupada, sempre a perguntar-me: 'O que é que vai acontecer quando deixares de jogar, como é que vais alimentar a tua paixão pela bola?' Eu dizia-lhe: desde que me deem uma equipa de juniores para treinar já fico satisfeito! Fui eu que os levei para a cova, acompanhei-os até ao fim no caixão - e estejam onde estiverem, hão de estar sempre a torcer por mim, cada passo que dou, cada sucesso que atinjo, naturalmente que é para eles».

6. Logo nesses primeiros tempos de treinador no Vilafranquense apanhou drama diferente (que se repetiu): «Houve momentos em que entrámos em campo com uma faixa a reivindicar ordenados. Os salários eram muito baixos, havia jogadores que já nem tinham dinheiro para ir ao treino, deixaram de jogar - eu tinha de dar resposta à situação, apreendi ali».

7. O Benfica convidou-o para seu treinador de juniores - ficou a 15 minutos de ser campeão (um arbitragem polémica em jogo contra o Sporting de Paulo Bento levou-lhe o sonho). Na época seguinte, decidiu largar o posto, sem ter clube à vista - e, na semana seguinte, António Pereira, o padre que era presidente do Fátima, desafiou-o para lá...

8. De manhã continuava a dar aulas de EF em Alverca - e ao fim da tarde ia a Fátima treinar: «Tinamos uma Ford Transit, apanhava grupo de jogador de Lisboa, o Marinho, o Saleiro, outros mais, e íamos todos juntos na carrinha e voltávamos. Assim eliminámos o FC Porto da Taça da Liga, ganhámos ao Sporting...» (Em dia de jogo, o autocarro não podia fazer marcha-atrás com jogadores e treinadores lá dentro, uma vez obrigou-os a sair, dizendo: «Não gosto de recuar, comigo é sempre para a frente» - e outra superstição se lhe viu: virar as costas à baliza quando um jogador seu estivesse a marcar penalty).

9. Saltou para o Paços de Ferreira - e foi à final da Taça da Liga, perdeu-a para o Benfica de Jorge Jesus, por 2-1.

10. O V. Guimarães foi buscá-lo - e no primeiro dia adeptos invadiram o treino em agreste manifestação, contou-o: «Quando vi aquilo pensei: 'Era disto que precisava. Estou num clube grande'. Ia atrás dos jogadores no túnel, ouvi 'Ó mister, já estão ali a bater no Faouzi' - era eu a querer entrar e eles a voltarem para trás, porque andava tudo engalfinhado. Depois-se foi o colapso financeiro apareceram os salários atrasados...»

11. Com os jogadores sem receberem ordenados durante seis meses (e dizia-se que alguns já ameaçava faltar-lhe dinheiro para comida) ganhou a Taça de Portugal ao Benfica de Jesus - e o resto é o que se sabe..."

António Simões, in A Bola

Grande Ricardo...

Ricardo dos Santos, está na final dos 400m do Europeu de Berlim!
O jovem Benfiquista, depois de ter batido o recorde nacional nas qualificações, voltou a bater o recorde nacional nas Meias-finais, conseguindo ser repescado por tempos para esta Final histórica!!!
O potencial do Ricardo foi reconhecido cedo, mas as últimas épocas têm sido madrastas com várias lesões, e tempos abaixo do esperado... Com o 45,14s de hoje, voltou a ser possível levar o recorde nacional para a casa dos 44s!!! Não espero novo recorde na Final de sexta-feira, mas... sem lesões o Ricardo vai lá chegar!!! Na Final, o Ricardo 'parte' com o 7.º melhor tempo das Meias-finais, portanto as aspirações são baixas... ainda por cima numa prova, onde quase todos os finalistas, fizeram as suas melhores marcas do ano...


Ontem, o Tsanko Arnaudov, obteve o 9.º lugar na Final do Peso: 20,33m. Ao contrário das qualificações, a Final foi muito competitiva, com várias atletas a ultrapassar os 21 metros... O 9.º lugar acaba por ser um mal menor, numa época marcada por uma lesão que 'sabotou' a evolução do Tsanko...

O José Pedro Lopes, nas Meias-finais dos 100m, fez 10,40s ficando no 21.º lugar no geral. A 'vitória' foi a qualificação para as Meias-finais...

O Pedro Isidro, terminou os 50 Km Marcha, no 24.º, com 4h11m44...

O André Pereira estreou-se nos grandes campeonatos, com uma má prova nos 3000 Obstáculos, com 8:55.63m, longe do seu melhor...

O Samuel Barata não terminou a prova dos 10000m. Foi uma época muito longa do Samuel... no futuro, se o objectivo for fazer um resultado interessante num campeonato de Verão, a gestão de Inverno terá que ser diferente...

PS: Parabéns à Inês Henriques, pelo Ouro nos 50 Km Marcha... e já agora, parabéns ao Rui Oliveira, pela Prata, na prova de Eliminação no Ciclismo de Pista...!!!

Uma águia bipolar

"Benfica com'pouca baliza' (e não só) na primeira parte. Tudo foi diferente após o intervalo, e o resultado até peca por escasso

Muito curto
1. O primeiro jogo oficial da época para o Benfica foi uma espécie de primeira mão da meia-final de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões (se passar, defrontará na final o PAOK ou o Spartak de Moscovo), com estádio cheio e ambiente fantástico, aspecto muito importante para os jogadores. O Benfica apresentou-se no seu 4x3x3 habitual, sem surpresas em relação ao onze esperado, e até entrou bem, com um lance em que parece haver penálti sobre Cervi (e com castigo máximo e expulsão, a história do jogo poderia ter sido outra) - faço aqui um parêntesis para vincar que numa competição tão importante, que envolve tantos milhões, é incrível não haver árbitro de baliza nem (sobretudo) VAR. Apesar dessa ameaça logo no arranque, a primeira parte foi equilibrada. O Benfica, ofensivamente, foi pouco intenso, pouco móvel, pouco agressivo, pouco veloz, com poucos envolvimentos e com pouca baliza, colocando pouca gente em zona de finalização (Pizzi, em particular, muito recuado) e com circulação de bola muito estéril. O Fernerbahçe, equipa com qualidade e experiência, conseguiu controlar bem o ataque encarnado e levar muitas vezes o jogo, em posse, para o meio-campo adversário, mesmo sem causar perigo face ao comportamento defensivo das águias, que nunca estiveram em risco. Praticamente não houve oportunidades.

Quem os viu
2. Após o intervalo comprovou-se o que já se tinha visto na pré-época: um Benfica bipolar, com duas caras, naquilo que é capaz de apresentar em campo entre uma parte e outra (seja da primeira para a segunda, como foi o caso, ou da segunda para a primeira). Em tudo aquilo em que tinha sido pouco, o Benfica foi mais, do ponto de vista ofensivo: mais intensa, mais móvel, mais agressiva, mais veloz, mais desinibido, mais criativo, com mais envolvimentos e combinações, com mais baliza, com mais risco, com mais vertigem, mais gente a surgir na área adversária - Pizzi, sobretudo, ganhou metros, apareceu mais na frente, o próprio Gedson também (mostrou, mais uma vez, que é um projecto muito interessante de jogador), mesmo que o Benfica nunca tenha conseguido impor, no corredor central, a envolvência que demonstrou nos corredores laterais. E Rui Vitória esteve bem ao lançar Castillo por Ferreyra, já que a equipa precisava ali de uma referência mais vincada (até do ponto de vista físico), capaz de abrir mais espaços. Quando o Benfica marca, já estava dono e senhor do jogo, sentindo o adversário cada vez mais frágil. Estratégia ou impotência do Fenerbahçe? Pareceu o segundo caso, com muito mérito de um Benfica soltinho e com óptima condição física que levou por completo o jogo para o meio-campo do adversário, obrigando-o a praticamente só defender. A vantagem é curta mais importante, acabando o resultado por pecar até por escasso. Por aquilo que fizeram na segunda parte (apesar das poucas oportunidades de parte a parte), os homens da Luz mereciam mais um golo.

Sem 'matador'
3. Ferreyra não apareceu, Castillo mexeu com o jogo, mas, ainda assim, longe de poder fazer esquecer... Jonas. Sobretudo na segunda parte, com tanto volume de jogo ofensivo a chegar à área do Fenerbahçe, sentiu-se a falta do instinto matador do brasileiro e das suas movimentações.

Última nota: do meu ponto de vista, Cervi foi o melhor em campo, e não apenas pelo golo."

Vítor Manuel, in A Bola

Mais vale um pássaro na mão...

"Uma vitória tangencial, sem golos sofridos, foi o pecúlio do Benfica depois de 90 minutos de futebol calculista, frente ao Fenerbahçe. Bom resultado? Istambul, onde está prometida uma noite de roer as unhas à equipa de Rui Vitória, o dirá. Para já, os encarnados têm razões para acreditar na passagem ao play-off da Champions, apesar de ser sabido que o rendimento das equipas turcas em casa sobre exponencialmente. E essas razões fundam-se numa experiência internacional vasta (e muito positiva, se apagarmos o desastre da época passada), que poderá permitir a criação de mecanismos de controlo do jogo, no aproveitamento do esperado balanceamento atacante do Fenerbahçe e na qualidade individual de alguns jogadores do Benfica, que tem na geringonça da esquerda (Grimaldo e Cervi) um argumento muito forte.
Do jogo de ontem resultou claro que Rui Vitória preferiu um pássaro na mão a dois a voar. Quando optou pela troca directa de Ferreyra por Castillo (dois jogadores que parecem exemplarmente complementares), o sinal que enviou para dentro e fora do campo foi sintomático e só o futuro dirá se tomou a opção mais aconselhável. Para já, respeitável calculismo do treinador do Benfica deu para este um a zero que permite algum optimismo. Mas ficou no ar muitas dúvidas quanto à escolha do 4x3x3 (na versão peso-pluma apresentada no que vai desta época) para enfrentar uma temporada que será essencialmente jogada em ataque continuado e não na exploração de espaços.
PS - Parabéns a Inês Henriques por mais um ouro, desta feita europeu, após 50 quilómetros de sofrimento..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Tem o que tem, joga com o que há

"Rui Vitória é o treinador que qualquer presidente gostaria de ter a liderar a sua equipa de futebol. Dele não sai uma dúvida, uma interrogarão, uma brisa de pensamento que possa ser confundida com a mais leve crítica ao desempenho da administração. Tem o que tem, joga com o que há. Dele não se ouve um reparo, um sinal de inquietação, um sopro de desilusão por qualquer desejo incumprido.
«Estamos preparados» - assegura o treinador a horas do início de um jogo que, apesar de competitivamente tão precoce, pode marcar uma época. Há várias maneiras de entender a afirmação, tão peremptória ela é, mas nenhuma se deve confundir com falta de sentido de responsabilidade. Acontece, apenas, que Rui Vitória é um treinador prático e um homem pragmático. Não vale a pena esperar dele a impetuosidade emotiva de Sérgio Conceição, ou a gestão política da palavra de um José Mourinho. Vitória é o que o povo chama de pão pão, queijo queijo e aquela canção brasileira que fala do não adianta chorar parece sido feita para ele.
Os jornalistas podem insistir com perguntas que poderiam causar perturbação em qualquer treinador à beira de um jogo decisivo e depois de um ensaio geral inquietante da sua equipa. O discurso não difere de qualquer outro, em vésperas de um qualquer jogo e de um qualquer adversário. No fundo, todos os jogos são difíceis e todos os adversários têm virtudes. O que importa é que a equipa esteja preparada e Rui Vitória garante que sim. Preparada para jogar. Depois de verá se preparado para ganhar."

Vítor Serpa, in A Bola

Quem 'matou' a mudança? Suspeito n.º 3

"“Já era treinador há alguns anos e enfrentava uma situação difícil” referia o famoso Treinador Brad Wooden ao Detective da brigada de crimes empresarias, Peter Colombo.
Brad Wooden levava mais de 30 anos como treinador, era senhor de uma estatura média, na sua juventude tinha sido um jogador mediano, prematuramente deixou de jogar, cedo começou a treinar e o seu trajecto revelava uma resiliência notável. Presentemente, o treinador Brad Stevens figurava na história do desporto profissional como um dos melhores, senão mesmo o melhor treinador de todos os tempos. Contudo, não tinha sido sempre assim e era sobre um grave e transformador momento que estava a falar.
“Mas o que é que aconteceu de relevante” – perguntou ansiosamente o Detective Colombo.
“Ainda como jogador” – dizia o Treinador Wooden – “tinha tido um treinador que não clarificava as regras. No início da época, os jogadores estavam muito satisfeitos, iam testando o pulso ao treinador, com o tempo os treinos não tinham ritmo, começávamos a ficar algo insatisfeitos e, a meio da época, acabava por resultar em anarquia e maus resultados. Os mesmos atletas que inicialmente gostavam da liberdade, acabavam a queixarem-se ou a tentarem “apanhar o fogo” sozinhos. A sua intenção era a melhor: dar liberdade para os jogadores expressarem todo o seu potencial, mas paradoxalmente os resultados da dedução das regras foram péssimos. Aquela experiência tornou clara que a ausência de normas que regulassem o comportamento das equipas não funcionava. Detective Colombo conheceu algum professor ou treinador que não clarificasse as regras?”
“Sim” – respondeu o Detective Colombo e continuou – “na escola tive um Professor que acreditava que a Educação vinha de casa e esperava que os alunos importassem para a aula as boas práticas de relação e de trabalho, que tinham aprendido em casa. Porém, os alunos eram muito diferentes e provinham de diferentes famílias e contextos. Assim, repetíamos nas aulas o que de bom e o que de menos bom tínhamos “aprendido” em casa. Infelizmente, a diferença entre os contextos familiares e sociais acabava por condicionar o bom funcionamento desta perspectiva, aliás provocava os mesmos maus resultados que a dedução do seu treinador.”
“Exacto Detective Colombo, por isso” – continuava o Treinador Wooden – “quando comecei a treinar a ausência de regras não era uma opção, pois não conduzia aos resultados desejados. Pelo que, antes das épocas iniciarem, começava a lembrar-me das situações que tinham provocado problemas nas equipas em que tinha jogado e estabelecia regras para punir os atletas que causassem esses problemas. Lembro-me de dizer aos meus atletas que tinha sido um jogador “traquinas” e que o que quer que pensassem fazer, que prejudicasse a equipa, eu já tinha feito e isso não iria ser permitido. Assim, impunha as regras aos Jogadores e às Equipas, com a intenção de obter os melhores resultados. Comecei a observar que impor as normas funcionava no imediato, no curto-prazo, com organização e concentração. Contudo e com o tempo, criava problemas de relação, justiça, conflitos e, no final, alguns jogadores queriam abandonar a equipa. O que parecia ser uma solução no imediato, acabava por comprometer os resultados no médio e longo-prazo. Impor as regras oferece aos jogadores uma estrutura, contudo eles também sentem pouca margem para errarem e com isso: uns reagem não tentando, de forma a evitarem repreensões e consequentemente ficam eles e as equipas aquém do que são capazes; enquanto outros confrontam os Treinadores, desviam toda a sua energia para o confronto interno, em vez da disputa com os adversários externos, que é o que nos interessa, e as equipas e os jogadores acabam por jogar abaixo das suas capacidades.”
O Detective Colombo de imediato averiguou - “por que razão é que muitos Treinadores fazem isso?”.
“Julgo que como eu, acreditam que a organização é necessária para o sucesso das equipas” – retribui o Treinador Wooden e continuou – “por isso é que eu estava numa situação difícil: sabia que a ausência de regras ou esperar que todos fossem educados gerava resultados catastróficos e compreendia que impor as regras provocava igualmente desenlaces trágicos. Umas e outras produziam múltiplos problemas nas equipas: ou haviam queixas de que os treinadores não tinham pulso; ou as disputas dentro das equipas eram frequentes e, com isso, os dirigentes recorriam com frequência às “chicotadas psicológicas”, que não só não resolviam os problemas, como provocavam a repetição destas situações desastrosas. Não tinha uma alternativa com o melhor dos dois mundos: a liberdade e a estrutura reguladora. Este era o meu problema como treinador: ter um sistema de regulação dos comportamentos que oferecesse simultaneamente liberdade e estrutura.”
“Estou em crer que hoje não tem esse problema?” – indagou o Detective Colombo baseando-se nos excelentes resultados do Treinador Wooden e do que os jogadores que nos últimos anos treinou diziam dele e continuou – “o que é que faz de diferente, agora?”.
“Comecei a observar outros treinadores de qualquer modalidade, passei a estudar a forma como os líderes podiam influenciar as regras das equipas e fiz várias formações abordando estas temáticas. Percebi que conhecia perfeitamente três formas de estabelecer as regras das equipas: deduzidas – quando as regras não são explicitadas e os jogadores vão testando até onde podem ir; importadas – quando as regras não são estabelecidas e espera-se que os jogadores importem para o treino as regras aprendidas em casa; e impostas – quando os treinadores impõem regras, muitas vezes punindo o que não deve acontecer. Porém, também descobri uma quarta alternativa que funcionava e funciona” referia o Treinador Wooden, quando o telemóvel toca e o Treinador atende a chamada, depois de perguntar se o Detective não se importava.
A chamada devia ser importante, pois o Treinador Wooden afastou-se do Detective Colombo. Enquanto isso, o Detective Colombo estava curioso e pensava – “qual é a alternativa que o famoso Treinador Wooden descobriu e que funciona?”.
O Treinador Wooden desliga o telemóvel e regressa. “Estava a dizer” – começou o Treinador Wooden – “que às normas impostas, deduzidas ou importadas, temos a opção de induzir normas funcionais, que permitem disponibilizar uma estrutura que potencia simultaneamente a regulação e a liberdade, os resultados e a boa relação, entre as pessoas que Treinam e as pessoas que Jogam. Mudei, passei a induzir normas funcionais e os resultados não podiam ter isso melhores. Os jogadores tinham uma estrutura reguladora que permitia a liberdade com responsabilidade. Os resultados quer imediatos, quer a médio e longo-prazo foram excecionais. Os jogadores passaram a gostar e a querer ficar no Clube, só começaram a sair por motivos plenamente justificáveis. Quando o faziam, passaram a recordar-nos como a sua casa Mãe, a terem saudades e regressarem ao nosso convívio, no final das épocas. Hoje, sou frequentemente apontado como um dos melhores treinadores, mas se não tivesse mudado a forma de influenciar as regras e normas das equipas, passando a induzi-las, nunca ou muito dificilmente teria conseguido os resultados que consegui, nomeadamente a repetição de bons resultados, época após época.”
“História fantástica de mudança” - pensava o Detective Colombo, ao mesmo tempo que se interrogava, questionou o Treinador Brad Wooden – “mas como é que isso poderá estar a “matar” a mudança no Clube?”. “Detective observe os treinos das várias modalidades e dos diferentes escalões etários e, infelizmente, encontrará a resposta” – respondeu o Treinador Brad Wooden.
A conversa tinha sido muito enriquecedora e nos dias seguintes o Detective seguiu a sugestão do Treinador Wooden e no final tinha descoberto mais um suspeito e estava na hora de falar com o Presidente do F.C. Galácticos, o Sr. Mark Angie, o que aconteceu depois de ligar e marcar uma reunião com a sua competente secretária, a Sra. Judy Burlington.
“Presidente Angie, depois de falar com o Treinador Brad Wooden, seguir a sua sugestão e observar treinos de várias equipas, mas também de verificar a forma como vários departamentos do Clube estão a funcionar, suspeito que a forma como as normas ou regras estão a ser estabelecidas poderá a estar a “matar” a mudança” – disse o Detective Colombo.
O Detective Colombo explicou tudo o que conversou e observou e no final o Presidente Angie rematou - “e se o Clube conseguisse melhorar a forma como os diferentes sectores estabelecem as regras de funcionamento? Imagine-se como poderá ser o Clube se todos os departamentos passassem a induzir normas funcionais, em vez de as deduzir, importar ou impor” – ao que o Detective Colombo rematou – “como poderão ser as experiências e resultados das pessoas que estão nas Escolas, nas Empresas, nas Fábricas, (…), se as regras de funcionamento resultassem de normas funcionais induzidas?”"

Benfiquismo (CMXIII)

Golo

Vermelhão: sabe a pouco...

Benfica 1 - 0 Fenerbahçe


Primeiro jogo oficial da época, com uma vitória escassa... percebendo que nestas eliminatórias é muito importante não sofrer golos em casa, principalmente quando se joga a 1.ª mão em casa, o Benfica não entrou no jogo 'arriscando' tudo... e só na 2.ª parte, acabámos por sufocar o adversário, principalmente após a entrada do Castillo... Que como eu tinha escrito após a derrota com o Lyon: neste 433 o Castillo é muito mais útil do que o Ferreyra, já que o Chileno não se esconde, dá linhas de passe, ganha os duelos físicos... enquanto o Argentino é mais o típico avançado 'mamão'!!!

Defensivamente não tivemos problemas, o Fener também arriscou 'pouco' ou mesmo nada... o remate mais perigoso foi já nos descontos! Os maiores 'problemas' foram mesmo umas bolas mal perdidas por nós na 1.ª fase de construção...!!!

A necessidade de outro médio no plantel é óbvia. O Krovi só irá regressar lá para Outubro, mas até lá, além dos jogos da Champions, temos jogo com os Lagartos e com os Corruptos!!! O Pizzi hoje foi obrigado a recuar, para organizar o ataque... nunca aparecendo na zona onde se sente mais confortável: na meia-lua!!! Deixando o Benfica com pouca gente no último terço...

O Gedson, tem sido muito criticado (o meu parceiro de bancada não pode com ele...!!!), usam o álibi da falta de experiência! É verdade que o Gedson toma decisões erradas, tem algumas hesitações irritantes... mas actualmente é um autêntico 'bombeiro' naquele meio-campo!!! Os 'buracos' tácticos que o Benfica 'abre' durante o jogo, tem sido o Gedson a tapá-los: nas laterais, nas costas do Pizzi, e até nas costas do Fejsa... O Sérvio, nunca foi um 6 posicional, vai muitas vezes à queima, e quando perde o duelo deixa o meio-campo desguarnecido... tem sido o puto a safar o Benfica nessas ocasiões!!! E além disso, é o nosso jogador mais agressivo na pressão alta...

O Cervi marcou o golo, mais uma vez deu tudo em campo, mas foi das 'piores' exibições do Benfica!!! O Zivko na esquerda dá mais à equipa... e em Istambul até o Rafa poderá/deverá ser hipótese!!!

Não sei se o Salvio está a jogar para a 'renovação' ou para a 'venda', mas tem sido o Toto e o Grimaldo os nossos desequilibradores nas Alas... Bom início de época, para ambos!

Mais um 'presente' envenenado enviado pela UEFA! Este Bielorrusso, habituado à extremamente 'competitiva' Liga do seu país, veio fazer mais uma daquelas actuações anti-caseiras como só no Estádio da Luz acontecem!!! Inacreditável, a cumplicidade com o anti-jogo Turco... além da forma como não marcou, propositadamente, faltas a favor do Benfica nos últimos 20 metros, incluindo o penalty sobre o Cervi...!!!

Estatisticamente, o 1-0 na 1.ª mão é um bom resultado... Este Fener está ao nosso alcance, e nem o ambiente deveria assustar, mas temos que ir para Istambul à procura do golo fora...

105x68... Pré-Champions...

Alvorada... do Lemos

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Benfiquismo (CMXII)

Juntos...

Chama Imensa... Arranque a sério...

Europeus

Hoje começou o Europeu de Atletismo, mas na última semana já tinham arrancado os Europeus de Natação, Ciclismo e Remo!!! Este novo Modelo, com Europeus em várias modalidades, disputados em simultâneo, desta vez em duas cidades, é uma nova experiência, que pretende 'simular' uns Jogos Olímpicos Europeus, sem o Comité Olímpico Internacional!!!
Numa primeira impressão não tenho gostado...!!! Acho que cada modalidade individualmente, perde visibilidade... os horários sobrepõem-se... Não sei quais serão as conclusões 'oficiais' dos responsáveis, mas acho que este Modelo não vai resultar!!!

Em Berlim, na pista Olímpica começaram os Europeus de Atletismo, com uma boa prestação do José Lopes nos 100m (10,38s), com a qualificação para as Meias-finais. Com uma má prova do Diogo Mestre nos 400m barreiras (52,65s)...
No centro da cidade de Berlim, as qualificações do Lançamento Peso, foram amargas para o Francisco Belo: no último lançamento, a precisar de um grande lançamento, o Belo deu tudo, o Peso saiu longo, mas caiu fora do sector...!!! Seria um lançamento acima dos 20m, seria um dos melhores do dia... mas acabou anulado, e no final o Francisco ficou a 4 centímetros da repescagem!!! Com 19,66m !!!
O Tsanko não fez uma grande qualificação, mas está na Final com 19,89m...
O nível da qualificação foi baixo, a Final será muito 'aberta', tudo é possível...
O Europeu de Natação de Glasgow está a terminar, hoje a Vitória Kaminskaya bateu por duas vezes o recorde nacional nos 200m bruços, ficando pelas meias-finais com 2m27s19... A melhor prova em grandes campeonatos da Vitória! A nossa nadadora ainda vai participar nos 200m estilos...
O Miguel Nascimento voltou a bater hoje um recorde nacional, desta vez nos 200m livres com 1m49s34... Recordo que o Miguel já tinha batido o recorde nacional dos 400m livres com 3m51s89.
A 'azarada' Benfiquista em Glasgow acabou por ser a Diana Durães, que tanto nos 800m livres como nos 1500m livres, terminou as meias-finais em 9.º lugar, ficando em ambas as provas a poucos centésimos da Final!!! A Diana depois de uma excelente época, acabou por chegar aos Europeus fora de forma, em ambas as provas ficou longe das suas melhores marcas obtidas este ano...

PS: Parabéns ao Ivo Oliveira, pela Prata na prova de Perseguição na pista de Ciclismo.

Amanhã joga-se o futuro deste Benfica

"Nunca, como agora, o acesso à Champions foi tão importante para o modelo de gestão desportiva e financeira do Benfica...

Amanhã, a partir das oito da noite, o Benfica começa a definir o que será a sua temporada 2018/19. Há muitos anos que a turma da Luz não enfrentava um momento tão determinante, concentrado em quatro jogos (na melhor das hipóteses), suscptível de balizar a vida desportiva e económica do clube para o futuro próximo e também a relação de poder com a concorrência interna. Aceder à fase de grupos da Champions significa, para a tesouraria, a realização de um encaixe brutal ao mesmo tempo que permite aos talentos que o Seixal vai criando o acesso à principal montra, a nível global, das competições de clubes. Por tudo isto, seria expectável que o Benfica atacasse o mercado com a ousadia de quem sabe o que está em causa e não quer perder a contenda. Porém, os jogos com o Fenerbahçe chegam sem que houvesse um golpe de asas capaz de dar mais trunfos a Rui Vitória que, pelo que foi possível ver no ensaio geral com o Lyon, ainda está longe de ter a máquina devidamente afinada. A todas estas dúvidas acresceu, nos últimos dias, a partida de Jonas, o melhor jogador do Benfica das últimas épocas, para a Arábia Saudita. É um dano para o clube (quiça inevitável, sobre as razões da separação ainda haverá que ouvir a SAD e o jogador) que se soma à partida de Raúl Jiménez, para o Wolverhampton - e só aqui estamos a falar em quase meia centena de golos por época. Se puxarmos o filme atrás e nos lembrarmos do adeus de Mitroglou, não é difícil concluir que o poder de fogo da época do último triunfo nacional do Benfica já pertence aos livros de história...
Para amanhã, o Benfica contará com Ferreyra e Castillo (provavelmente não veremos aos dois em simultâneo), na difícil missão de fazer esquecer os que partiram. Na baliza haverá a novidade de Vlachodimos, um jovem ainda à procura de afirmação, enquanto que Gedson, uma pérola do Seixal, deverá continuar a manter a confiança de Vitória, Benfica mais fraco ou mais forte do que na época passada? Confesso que, atendendo ao que está em jogo, esperava uma aposta mais firme e uma ambição mais vincada. Não terá sido possível (o folhetim de Gabriel, que poderia dar mais consistência à equipa, prova que os meios não abundam) e o futuro se encarregará de colocar tudo em perspectiva. Para já, a melhor notícia para o Benfica é a fidelidade dos adeptos: casa cheia, amanhã, na Luz.

Ás
Miguel Oliveira
É fascinante identificar-se talento e vê-lo desenvolver-se. Miguel Oliveira, que em 2019 estará no MotoGP venceu ontem o Grande Prémio da República Checa de Moto 2 e ascendeu à liderança do Mundial da categoria, confirmando tratar-se de um piloto abençoado com um dom, que deverá preservar a fazer evoluir. Parabéns!
(...)

A precisar urgentemente de um 'reset'
«Devido a questões pessoais imprevisíveis e inadiáveis, a candidatura (...) continuará (...) sem a minha presença»
Bruno de Carvalho, ex-presidente do Sporting
A vida às vezes prega partidas e o quotidiano de Bruno de Carvalho tornou-se numa montanha russa de convicções, contradições e emoções dignas de caso de estudo. Uma coisa parece certa: o ex-presidente do Sporting precisa de fazer um reset que evite o crash da máquina. E é nestes momentos que se veem os amigos, para além dos interesses conjunturais...

A saga do PSG e o calvário de Jardim
O PSG goleou o Mónaco, em jogo da Supertaça francesa disputado na China. confirmando a tremenda superioridade de que goza no contexto do futebol gaulês. Já o Mónaco, challenger possível desta hegemonia, vê-se obrigado a reinventar-se numa luta injusta, que Jardim tenta nivelar..."

José Manuel Delgado, in A Bola

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Alvorada... do Gonçalves

“Para a Federação eu não existo. Só há dias é que conheci o presidente, numa bomba de gasolina, enquanto punha combustível”

"O Campeonato da Europa de Atletismo começa terça-feira, mas o recordista português do triplo salto não pode competir em Berlim. Natural de Cuba, Pedro Pichardo, foi contratado pelo Benfica, garantiu a nacionalidade portuguesa há nove meses, só que enquanto a Associação Internacional das Federações de Atletismo não descongelar o regulamento da mudança de nacionalidade, está impedido de participar nas grandes competições. Para o atleta, pior do que não ir ao Europeu é a burocracia portuguesa e a falta de atenção da federação nacional. Pichardo já equaciona fazer como Nélson Evora e ir treinar para fora, não só o triplo, mas também o comprimento, quem sabe até os 100m

Tem nacionalidade portuguesa há nove meses. Sente-se frustrado por não poder participar nos Europeus de Atletismo?
Eu venho da América e lá não se compete o campeonato da Europa, o título da América é o Panamericano e já o tenho. Preocupa-me mais não poder estar no Mundial ou nos Jogos Olímpicos. Essas para mim são competições mais importantes porque o meu foco está nos títulos maiores.

Do que tem observado quem está em melhores condições de alcançar o pódio nestes europeus?
É difícil dizer. Estas competições são bastante difíceis, porque tu podes estar bem hoje, mas amanhã não. Há sempre surpresas. É uma competição bastante renhida. Nas competições em que tenho participado ao mais alto nível, quem está no topo é o americano [Christian Taylor] e logo a seguir sou eu. Por isso não posso dizer quem será melhor no Europeu. Há quatro cinco atletas que estão com bons resultados, vamos ver o que acontece na final.

É líder mundial do ano. De que forma a vinda para Portugal, nomeadamente para o Benfica, ajudou a melhorar a sua performance?
A minha performance não tem nada a ver com Benfica ou Portugal, essencialmente tem a ver com o meu treinador que foi o motivo pelo qual eu deixei Cuba. O meu treinador é o meu pai e foi ele quem melhorou o meu desempenho. Até porque não temos em Portugal as melhores condições para treinar. 

Explique isso melhor?
Há condições, mas há problemas para entrar num estádio qualquer. Há muita burocracia. Faltam alguns pormenores para trabalhar bem, mas não nos focamos nisso e continuamos a trabalhar. O meu pai tenta compensar essas falhas com alguns exercícios.

O que é que falta para as condições aqui serem as ideias?
A Federação Portuguesa de Atletismo [FPA] não me apoia. Não tenho nenhum apoio. Só há poucos dias conhecemos o presidente da FPA, numa bomba de gasolina, enquanto metíamos combustível. 

Nunca foram apresentados?
Não. Não temos apoio da FPA, tudo o que fazemos é com o apoio do Benfica e do meu patrocinador, a Puma.

Não recebe subsídio como atleta de alta competição?
Não. Não recebo nada. O Benfica disse-me que surgiu no jornal uma notícia que dizia que eu estava no plano de alta competição, mas não sei como é possível fazerem isso sem antes falarem comigo, porque se tenho direito, ninguém me disse nada. Se existe algo, não sei. Treino no Estádio Universitário porque a Ana Oliveira, directora do Benfica, tratou de tudo. Não sei com quem ela fala, se é com a federação ou com os dirigentes do Estádio, mas ela trata de tudo. Por exemplo, estive três semanas no Algarve a treinar e foi o Benfica quem teve de fazer o pagamento. Para treinar numa pista, a Ana Oliveira tem de enviar um e-mail. A parte do ginásio, por exemplo, faço-a aqui no Estádio da Luz, porque no Estádio Universitário não tenho boas condições de ginásio. Quando preciso de relva para treinar, a pista 2 do Estádio Universitário não tem boa relva e na pista 1 é muito difícil treinar. Se tenho de fazer treino técnico, tenho de ir ao Jamor...

Está um bocado desiludido?
Estou feliz com o Benfica, que tem feito tudo para eu estar bem, mas não percebo - sendo eu um bom atleta de nível mundial - que a FPA esqueça que eu existo. É como se não existisse.

Custou-lhe muito a adaptar-se?
Sim. Ainda me custa um pouco. Há coisas que não entendo porque é que aqui não e ali sim e vice-versa.

Por exemplo?
A burocracia que existe cá é demais. É preciso papéis para tudo. Para entrar numa pista de atletismo é preciso um e-mail ou papel. Todas as pessoas sabem que faço atletismo, que treino cá, mas se o Benfica ou a federação não mandam um e-mail a uma pista, não me deixam entrar. Mesmo sabendo que é o meu trabalho. Essas coisas não entendo. Em Cuba as pessoas sabiam que eu saltava triplo e se fosse a alguma pista, deixavam-me entrar e treinar. Há coisas que me custam a entender.

Porque é que Cuba impedia que o seu pai fosse o seu treinador?
Cuba é um país bastante complicado para uma pessoa de fora entender o mecanismo. Há uma política bastante estranha dentro de Cuba. Eu e o meu pai nascemos em Santiago de Cuba. Em Cuba não existem clubes, há a equipa nacional, que é só uma, que fica em Havana. O meu pai não trabalhava em Havana logo não podia treinar-me. Eu pedi para voltar para Santiago para poder treinar com ele, mas se voltasse para Santiago não podia competir internacionalmente. Ainda pedimos que deixassem o meu pai trabalhar comigo em Havana, sem salário nenhum, mas também não quiseram. Tentamos encontrar várias opções e soluções. Inclusive estive castigado em 2014 porque não quis treinar com o treinador da equipa nacional. A única solução era sair de Cuba.

A vossa saída foi toda planeada?
O meu pai foi trabalhar para a Suécia, porque em Cuba era impossível. Estava como treinador num pequeno clube sueco, há três anos. Eu estava em Cuba. Mas como não me permitiam trabalhar com ele, tivemos tempo para falar com a família e preparar as coisas. Fui para a competição em Estugarda e decidimos que eu saía aí.

Qual era o vosso primeiro objectivo? Pensavam ficar em que país?
A nossa ideia era a Europa. Não tínhamos nenhum país em mente. A única coisa clara para nós é que queríamos trabalhar juntos. Fosse em que país fosse. Fosse na Alemanha, na Suécia, Espanha, Portugal, Itália, qualquer país.

Como vêm parar a Portugal?
Na altura eu tinha uma empresária que conhecia o Benfica. Entraram em contacto e chegámos a acordo. Mas não estava planeado.

Nessa altura o que sabia e conhecia de Portugal?
Não sou grande seguidor do futebol, mas o meu irmão em Cuba seguia o futebol e sempre o ouvi falar de Portugal, de Espanha. Quando a minha empresária me falou sobre isso obviamente que fui para a net pesquisar sobre Portugal. E gostei. Havia outras ofertas, não só de Portugal. Tínhamos ofertas de outros clubes de outros países mas decidimos vir para cá, até porque a oferta do Benfica era a melhor.

Já tinha ouvido falar do Nelson Évora, obviamente.
Sim, estive com ele em 2015. Ele foi bronze, atrás de mim, no Campeonato de Pequim.

Com a sua vinda para cá e a ida dele para o Sporting...
Eu não sabia dessa rivalidade entre clubes.

Dão-se bem os dois, falam-se?
Eu e ele temos uma relação de competidores. Não temos amizade, cumprimentamo-nos apenas. É uma relação de atletas concorrentes. Nem nunca estivemos tanto tempo juntos que permita uma relação de amizade, só estivemos juntos em momentos de competição. Mas obviamente não tenho nada contra ele.

Está em Portugal há quase dois anos. Há alguma coisa em que já se sinta português?
Ainda não. Acho que só vou ser português quando falar bem português. Falo um bocado, mas ainda não me atrevo a falar em entrevistas em televisão, para não cometer erros e ficar com vergonha.

Mas há algum hábito ou costume português que já tenha tomado para si
 [risos]. Acho que ainda não. Ainda sou muito cubano.

Quais foram as maiores diferenças que notou entre Portugal e os portugueses e Cuba e os cubanos? 
Penso que tudo [risos]. Cuba é um país bastante liberal e louco, Portugal é um país mais restrito e com bastantes regras. Para mim, que venho de Cuba, é demasiado. É tudo muito diferente. Desde as pessoas, a comida, o clima.

Mas a nível político...
Sim, é completamente diferente. Em Cuba se não tens grandes aspirações, tens uma vida normal, mas se tiveres um sonho vai aparecer sempre alguém que se vai aproveitar do teu sucesso, ou melhor, que vai estar sempre metida no teu sonho.

Começou a treinar aos seis anos. Já tinha o triplo salto em mente?
Não. Quando começas com seis anos fazes provas combinadas. Fazemos praticamente tudo. Nessa idade não é recomendado fazer triplo salto porque é muito forte.

Nessa altura do que gostava mais?
Sempre gostei do salto em comprimento e acho que para o próximo ano vou começar a fazer comprimento em Portugal e os 100m também. A prova de que mais gosto é o comprimento, mas o triplo salto é mais emotivo. Sempre gostei da rivalidade e em Cuba havia mais rivalidade no triplo do que no comprimento. Gosto da competitividade.

No triplo salto qual é o movimento mais difícil para si?
A segunda fase do salto. É a transição mais forte e mais abrupta porque todo o impacto está sobre uma perna. Vens na velocidade quase máxima e essa força é exercida toda sobre uma perna. Esse momento de transição de cair e sair é bastante difícil.

De todos os momentos que já viveu em competição, qual foi o que mais o marcou?
O que mais recordo foi um salto que foi nulo em Lausana. Foi nulo por muito pouco, quase não era nulo. Estava próximo do recorde mundial, achava que o tinha quebrado, mas quando voltei para trás, tinha sido considerado nulo. Marcou-me muito. Agora no Mónaco também fiz um grande salto, ainda recorremos, reclamámos, porque houve um erro na marcação, puseram 17,67m, mas era um salto dos 18m. Estamos ainda a reclamar, vamos ver o que acontece.

Qual é o seu maior objectivo?
Ganhar todas as competições de alto nível, Jogos Olímpicos, Mundial e Europeu e Liga Diamante. Mas o grande sonho, o objectivo pessoal maior é bater o recorde mundial, é para isso que estou a trabalhar. Esse é o meu principal objectivo.

E tem alguma meta definida?
Gostaria de ficar acima dos 18,50m. Seria algo super louco e exagerado.

Quais são os seus pontos fortes e aqueles que tem de trabalhar mais?
É segredo. Nenhum atleta deve dizer quais são as suas coisas boas e más. Mas claro que estamos a trabalhar na segunda fase, na tal transição.

Discute muito com o seu pai nos treinos?
Agora já não. Antes, sim. No treino a nossa força tem que ser como na competição. Ele dizia-me: “Quero que faças no treino o que fazes em competição, porque o resultado depois em competição pode ser muito melhor”. Só que eu supero-me nas competições. No treino para mim é difícil saltar. Nunca faço um salto completo nos treinos. Nesse sequer tenho motivação. Preciso da competição e da rivalidade para me motivar. O sonho da minha família e o meu é demonstrar que sou o melhor do mundo.

Vive em Portugal com a sua mulher e o seu pai e tem uma filha que já nasceu cá.
Sim, a Rosalis Maria tem oito meses.

E a sua mulher era atleta.
Dos 100 e 200 metros. Esteve nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. Ela está cá também há um ano. E já voltou a treinar. Para o ano vai começar a competir. Não tem sido fácil para ela, porque só me tem a mim e ao meu pai. Do lado dela não tem cá ninguém, nem mãe, nem pai.

Da sua família mais próxima, quem ficou em Cuba?
A minha mãe. Tenho três irmãos, todos mais velhos. O terceiro fazia 400 m em Cuba. Mas como ali é tudo difícil, quando surgiu o problema comigo, não me deixavam trabalhar com o meu pai, ele desistiu.

O único salário que recebe é do Benfica?
Sim. Tenho sponsors também. Comprei um casa há um mês no Pinhal Novo, em Setúbal. Antes estava num apartamento em Lisboa que o Benfica pagava, mas quando consegui juntar dinheiro comprei a casa.

Porquê tão longe?
Não me adapto a Lisboa, é muita confusão. Gosto de ouvir música e não gosto de morar num apartamento, com vizinhos. Comprei um casa térrea, tenho espaço para ouvir música, tenho estacionamento para o carro, que não tinha no apartamento em Lisboa.

Está arrependido de ter vindo para cá?
Não, de maneira nenhuma. Só que cá olha-se para o atletismo de uma maneira a que não estava habituado. Quando estava em Cuba viajava para vários países e via o valor que davam ao atletismo. Em Portugal só peço uma pista em condições, com tudo. Não quero uma pista só para mim, apenas quero uma pista como tinha em Cuba, que tem tudo o que preciso e não tenha que fazer como agora, em que vou à pista do Estádio Universitário fazer um treino, depois tenho de meter-me no carro e vir para o Benfica fazer ginásio e se quero fazer técnica tenho de ir ao Jamor. É a isso que não me adapto. Como é possível que no século XXI as pessoas aqui não conheçam muito um desporto mundial como o atletismo, nem reconheçam o valor que merece?

Pensa mudar de país?
Quero viver em Portugal, mas já falei com a directora do Benfica. Da minha parte já tenho os documentos e a minha mulher também. Por isso estou a pensar treinar fora de Portugal. Porque não me dão valor como o bom atleta que sou. Por vezes pergunto à Ana Oliveira, que é a pessoa mais próxima da minha família cá: “Imagina que Cristiano Ronaldo vai a Cuba. Em Cuba, o futebol não tem expressão, não vale nada. Imagina ele sentir-se como me sinto aqui? Sem nenhum reconhecimento do seu valor e do seu trabalho? Vai sentir-se mal também. Em Portugal o atletismo não tem muito valor, mas sou um bom atleta. Nelson Évora é um bom atleta também e foi para Espanha. Que faço eu, tenho de ir para fora de Portugal também?” Então vou.

Está a pensar mesmo ir para fora?
Ainda estou a treinar cá porque o meu pai e a minha mulher não têm os papéis de residência. Quando tiverem, vou para a América, para outro país onde possa treinar com boas condições.

Põe a hipótese de voltar a Cuba?
Não [risos]. Pode ser qualquer outro país, EUA, Bahamas, qualquer outro país da América. Estou impedido de entrar em Cuba durante oito anos.

A sua mãe não vem para cá?
Estamos a tentar. Mas é um pouco complicado, porque da maneira que saí de Cuba é complicado permitirem que ela saia também agora. Estamos a tentar. O Benfica ajudou a trazer a minha mulher, agora o meu patrocinador está a tentar trazer a minha mãe.

O que faz nos tempos livres, fora dos treinos?
Gosto de andar a passear com a minha família, ou ir a restaurantes, gosto de conhecer Portugal e ouvir música.

Que tipo de musica ouve mais?
Reggaeton e kuduro.

E de Portugal, o que já conhece fora de Lisboa?
Setúbal, Braga e Algarve. Até agora do que mais gostei foi do Algarve.

O frio foi um problema para si?
Um bocado [risos]."

O grito social da ‘Vecchia Signora’

"A Juventus tem, desde 2007, 102 golos marcados na Champions League, Ronaldo soma 119. Ou seja, CR7 não se transferiu para a Juventus, esta é que foi transferida para o Cristiano FC.

A mediática transferência de Cristiano Ronaldo do Real Madrid para a Juventus, além do inquestionável reforço na qualidade e peso futebolístico que representou para a histórica equipa italiana, teve igualmente um brutal impacto financeiro e no número de seguidores nas redes sociais dos dois clubes.
A equipa espanhola perdeu quase um milhão no Twitter em apenas 24 horas, passando de 31,97 para 31,02 milhões num curto espaço de tempo, com a Juventus a registar um aumento muito significativo de seguidores: tem mais 1,4 milhões no Instagram, mais 1,1 milhões no Twitter e mais 500 mil no Facebook. O Twitter da Juventus tem 6,1 milhões de seguidores enquanto Cristiano tem 74,5 milhões. O Instagram da Juventus tem 11,5 milhões de seguidores, quando Cristiano soma 135 milhões. 
Cristiano Ronaldo é o rei indiscutível das redes sociais no que diz respeito a jogadores de futebol. O capitão da Selecção Nacional tem mais de 74 milhões de seguidores, deixando a larga distância Neymar, com pouco mais de 40 milhões e Piqué, com quase 19 milhões. Lionel Messi limita-se a fazer concorrência dentro de campo, estando um pouco “offline” de todo este fenómeno mediático, contando apenas com 2,64 milhões de fãs na internet.
Para além das filas intermináveis para comprar a agora camisola mágica da Juventus, foi criado um sabor de gelado, assim como uma pizza, com a marca CR7. A Ronaldomania parece ter-se apoderado completamente de Turim, numa transferência onde os valores envolvidos parecem ser o factor menos relevante, com o foco apontado nos efeitos desportivos, financeiros e sociais que esta contratação já provocou, mas também nos que pode ainda provocar.
A Juventus até já começou a “amortizar” os milhões pagos para contratar Cristiano Ronaldo, com a venda das camisolas a atingir números absolutamente transcendentes em todo o país, sendo que até em lojas em Milão é vendida uma camisola por minuto.
A contratação de Cristiano não é apenas um reforço de plantel. A contratação do jogador português é também uma aposta do futebol italiano em trazer de volta os seus tempos áureos, que tanto se caracterizou pela presença de jogadores como Ronaldo (o brasileiro, entenda-se) Nedved, Shevchenko, Cannavaro ou Kaká, tudo jogadores que venceram bolas de ouro.
Desde 2009/2010 que o campeonato italiano não tem jogadores a vencer bolas de ouro, equipas a ganhar a Champions League ou a Liga Europa, e mesmo a selecção Italiana, que se sagrou campeã mundial em 2006, tem vindo a desaparecer do grande panorama europeu, algo que culminou numa não classificação para o Mundial de 2018.
A Juventus quer maior presença nos mercados, quer as suas acções a subir em bolsa, pelo que se trata de um golpe negocial capaz de influenciar várias áreas de actuação, podendo este vir a tornar-se o marco mais determinante na história do clube transalpino, tendo um impacto superior ao sucesso na Champions League. A relevância é tanta que há trabalhadores e sindicatos a organizar manifestações contra os valores envolvidos na transferência, apontando para o salário da estrela portuguesa e para as desigualdades sociais que tudo isto cria junto da industrial cidade Italiana.
Trata-se de algo inédito, uma vez que não estamos perante adeptos insatisfeitos com o ratio preço/qualidade do jogador contratado, mas sim trabalhadores revoltados pelo facto da sua Entidade Empregadora, o dono da FIAT (família Agnelli) estar por trás do financiamento da transferência de CR7, levando os seus operadores fabris ao desespero, devido aos precários ordenados que recebem no seio da empresa em comparação com o salário principesco do jogador português.
A Juventus tem três ligas dos campeões, Cristiano tem cinco. A Juventus, clube que melhor tem representado Itália nas competições europeias nos últimos anos, soma, desde 2007, 102 golos marcados na Champions League, Cristiano atingiu os 119. Ponderado tudo isto, a conclusão é simples: Cristiano não se transferiu para a Juventus, a Juventus é que foi transferida para o Cristiano FC."

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