Últimas indefectivações

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Precisamos do Renato de volta e, sobretudo, precisamos que o Bayern pague parte do salário. “Portanto, vê lá isso”

"Olá, Renato. Não nos conhecemos. Sou apenas um entre milhões de adeptos que amam o Benfica tal como tu. Não nos conhecemos, mas acho que sei algumas coisas acerca de ti.
O Renato que eu conheço é uma força da natureza capaz de levar tudo à frente e deixar qualquer dia mau para trás.
O Renato que eu conheço é uma improbabilidade estatística, mais uma de tantas produzidas pelo nosso futebol, pelo trabalho associado a um talento que não se antecipa mas estava escrito.
Dizem que o Renato que eu conheço faz lembrar o Davids em campo. Eu cá não sei quem é que me fazes lembrar. Não me ocorre o nome de outro jogador exactamente como tu. E isso é bom. Escreve a tua história e marimba-te no resto.
O Renato que eu conheço não se deixa intimidar pela adversidade nem se esconde do adversário. Finta, pressiona, insiste e resiste até a bola ser sua e a derrota dos outros.
Dizem que o Renato que eu conheço foi apaparicado pela imprensa e levado ao colo pelo hype. Chegaram a dizer que o Renato que eu conheço é trintão como eu. Quem dera aos trintões, eu incluído, terem um décimo da tua fúria. Nós trintões não conduzimos as nossas vidas como tu conduzes a bola. Por isso não, não preciso de ver o BI. És um jogador de outro tempo, isso sim, à antiga. À Benfica.
Ainda assim, o Renato que eu conheço nunca deixou de jogar como se fosse apenas mais um. Mais um dos que jogam, um dos que juram pelo manto sagrado. O Renato que eu conheço talvez não chegue a ler isto, mas decidi tentar na mesma. Se eu pudesse pedia ao Chief Keef, ao Future ou ao K-Dot para te passarem este repto em forma de verso, mas nenhum deles me atende o telefone, portanto segue nesta prosa humilde.
O Renato que eu conheço é um miúdo ligeiramente irresponsável que falha os passes do modo mais enternecedor que já vi. Ainda bem. Não é um jogador feito, mas tem tudo para se fazer.
Dizem os especialistas mais despojados que, para sermos felizes, basta o amor e uma cabana. Para um futebolista não é bem assim. A carreira é curta, a pressão mais que muita, e os contratos nem sempre abundam. É aí que entram a estratégia e o planeamento, Renato, essas malditas convenções dos seres pensantes que nunca falharam um passe e teimam em querer saber onde é que nos vemos daqui a 5 anos. Eu sei lá.
O saber acumulado pela estratégia dir-nos-á que um futebolista emigrado aos 19 anos de idade não tem nada que regressar ao clube que o formou um ano depois. Tem que continuar a ganhar mundo, músculo e milhões em ligas mais competitivas. A minha discordância em relação a este ponto é profunda e romântica.
O Renato que eu conheço deve obedecer, antes de mais, ao imperativo emocional. O Renato que eu conheço tem uma oportunidade única de ser o primeiro vencedor do prémio Golden Boy a dar meia volta para regressar ao local onde foi feliz. Tem uma oportunidade de, mais uma vez, fazer aquilo que dele não se espera em campo e ganhar metros ao adversário fazendo um caminho cada vez menos percorrido: o do amor à camisola. É esse que nos traz de volta.
Precisamos do Renato destemido que quase deitou a Luz abaixo com aquele remate fora da área. Precisamos do Renato trabalhador. Precisamos do Renato carismático. Precisamos do Renato impiedoso. Precisamos do Renato no Marquês. Não precisamos do Renato salvador. Como sabes, o Benfica está bem e recomenda-se. Precisamos do Renato temido pelos adversários, que joga sempre um contra onze, acompanhado de pelo menos mais dez futuros pentacampeões. E bom, em nome do realismo, precisamos que o Bayern pague uma parte do salário desse Renato. Vê lá isso com eles.
O teu patrão Rummenigge disse ontem que precisas de mais minutos em campo. Eu concordo. Tu e nós, benfiquistas. Depois foi a tua vez. Disseste nas redes sociais que fica mais difícil se não acreditares em ti. Concordo. Mas olha: fica muito mais fácil quando tens milhões que acreditam em ti. Quero acreditar que o Renato que eu conheço sabe isto. Cá te esperamos, miúdo."


PS: Por acaso, neste momento, o Renato precisa mais do Benfica, do que o Benfica precisa do Renato! Temos vários opções para o meio-campo, alguns vão mesmo ser emprestados... o Renato em boas condições seria sempre uma mais-valia, mas neste momento existem outras posições mais carenciadas...!!!

Benfiquismo (DXXIX)

Saudades...

Aquecimento... Estreia

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Vermelhão: E assim começa a história do... !!!

Benfica 2 - 0 Neuchatel Xamax


E finalmente terminou a 'seca': o Benfica voltou!!!
Primeiro jogo da época, com algumas novidades para o adepto começar a tirar a pinta... e ainda com muitos ausentes.

O Benfica nas últimas épocas, deixou de fazer aqueles jogos com equipas dos Distritais, que acabavam quase sempre em cabazadas... afinal, uma peladinha num treino é sempre mais competitiva! O Neuchatel está na II Divisão, mas como se viu hoje tem uma equipa interessante, e já tinha feito alguns jogos de pré-época...
Com as cargas físicas da pré-época, é sempre complicado tirar ilações destes jogos... mesmo assim aqui vai alguns bitaites:
- o Chrien mostrou qualidade. Ofensivamente era visível nos vídeos disponíveis que o rapaz tinha talento, mas mesmo defensivamente mostrou capacidade para ser um '8' no Benfica. Teve uma férias curtas, e se calhar por isso, fisicamente está melhor do que os outros... mas muito sinceramente, parece-me que temos mesmo jogador. Vai ser importante para o Eslovaco, crescer na 'sombra' do Pizzi, pois nota-se que precisa de ganhar alguma maturidade, pois naquela posição não podem existir perdas de bola evitáveis...
- o Seferovic marcou logo na estreia. Muito sinceramente, estou confiante no seu sucesso no Benfica, desde que foi anunciado... É um jogador inteligente, que se sabe passar e desmarcar-se... não é só força e velocidade. Com o Jonas fará uma grande 'dupla', a minha dúvida é quando jogar com outro tipo de avançado, por exemplo: Mitro ou Rául...
- a titularidade do Rúben Dias também não me surpreendeu... vai ser opção, se tivesse a capacidade 'aérea' do Luisão, seria já titular!!!
- o Digui, fez um bom jogo, mas teve 'azar'!!! A ala direita não é sua posição... Com o excesso de jogadores para as posições mais avançadas, tenho quase a certeza que o Diogo vai ser emprestado, e entre ficar no plantel, e não ser opção, ou ser emprestado, é óbvio que o melhor é ser emprestado! Agora, a qualidade é inegável... teve pormenores muito bons...
- O Hermes é uma das minhas grandes dúvidas! Com o Grimaldo e o Eliseu o mais 'natural' será um empréstimo... Hoje, notou-se melhorias no posicionamento em relação aos minutos do ano passado, mas mesmo assim, ainda não tenho uma convicção sobre a potencial do Hermes...
- Kalica voltou a entrar bem...
- Arango, bons pormenores, mas com tantos jogadores para aquela posição...!!!
- Willock, estava com bastante expectativa para ver o jovem inglês: talento não lhe falta, excelente capacidade de drible... mas nota-se aquela ingenuidade típica dos jovens britânicos... Creio que só ficará no plantel, se algum dos Extremos mais 'experientes' for vendido...
- deixei o Pedro Pereira para último porque continuo a afirmar: não é defesa-direito para o Benfica, muito menos como titular... Neste momento, se o Nelsinho sair, o nosso melhor defesa-direito é o André Almeida...
Dos jogadores que estão na Suíça, o Varela, o Ferro, Pêpê e o Heri... é provável que tenham todos alguns minutos no jogo de Sábado com o Young Boys, mas com a excepção do Varela o empréstimo é muito provável...

PS: Mesmo assim, o primeiro jogo do ano, não deu para 'esconder' alguma 'preocupação' com a provável venda do Semedo ao Barcelona! O Benfica ainda não confirmou (no momento que escrevo), mas...
Com todo o respeito pelo Júlio (esteve em evidencia hoje), o Benfica precisa de um guarda-redes, e se o Semedo sair, precisa de um defesa-direito...!!!

O sucesso dá muito trabalho...

"A Selecção Nacional de sub-19 garantiu ontem, ao derrotar a Holanda, a presença na final do Europeu que decorre na Geórgia. O sucesso dos escalões de formação de Portugal é uma realidade gratificante e em boa hora os clubes decidiram que apostar nos jovens era o caminho certo e, ao mesmo tempo, a FPF criou condições de excelência para o trabalho das muitas selecções que tutela.
O êxito de Portugal deve-se à conjugação de diversos factores: há uma triagem exaustiva dos talentos; trabalham no sector milhares de técnicos em competências cada vez mais elevadas, que ensinam princípios que ficam para toda a vida e criaram-se infra-estruturas suficientes para absorver toda a procura de escolas de futebol. Ou seja, nada caiu do céu, os resultados positivos que vamos somando devem-se à massificação da prática, à competência de quem ensina e aos meios físicos colocados à disposição. Esta é uma fórmula de sucesso em qualquer latitude e em qualquer modalidade.
O que acontece noutros países, que vêem no desporto um investimento e não um custo, é que todas as modalidades são tratadas como tratamos, por cá, o futebol. Por isso, a cada quatro anos, nos Jogos Olímpicos, esses países mostram argumentos que nos passam ao lado.
O Estado quer desenvolver o desporto em Portugal? Adapte, financiando, às diversas modalidades, a fórmula que os clubes e a Federação têm em prática no futebol. Massificando o desporto através da escola, teremos um País mais saudável e, de certeza, por consequência, muitos campeões. A este repto, há muitos anos que os Governos fazem orelhas moucas..."

José Manuel Delgado, in A Bola

É oficial: anda tudo louco

"Turim, 21 de Junho: a Juventus anuncia a saída de Daniel Alves. A imprensa italiana, espanhola e inglesa notícia, sustentada pela entourage do internacional brasileiro, que o Manchester City de Pep Guardiola deverá ser o seu próximo destino. Ontem, o lateral-direito foi apresentado no PSG e Daniel Alves afirmou: «Se Guardiola se sente magoado, lamento. Mas vim para ser campeão».
Milão, 15 de Junho. O administrador-delegado do Milan, Marco Fassone, anuncia que Donnarumma não renovará e que a saída é inevitável. A 11 de Julho, os rossoneri renovam com Gigi, que volta a fazer juras de amor ao clube do coração, que entretanto foi obrigado a contratar o irmão dele, também guarda-redes.
Lisboa, 16 de Setembro de 2016. Confrontado com a possibilidade de regressar ao FC Porto, Aboubakar diz o seguinte: «Não quero voltar». Istambul, 23 de Novembro de 2016. O camaronês volta a ser confrontado por jornalistas portugueses por ocasião de novo jogo frente ao Benfica e é ainda mais taxativo: «Ao FC Porto não volto. Nunca mais». Porto, 10 de Julho. Em declarações à imprensa turca sobre a proposta do Swansea, o avançado confessa: «Não quero perder esta oportunidade». Porto, 11 de Julho. Num depoimento ao Porto Canal, Aboubakar exclama: «É um grande prazer voltar a jogar por esta equipa».
Madrid, 5 de Junho de 2015. Fábio Coentrão assume: «Em Portugal só jogo no Benfica». Lisboa, 5 de Julho de 2017, depois de assinar pelos leões, o lateral-esquerdo dispara: «Já vesti muitas camisolas, mas sempre fui feito de Sporting».
Lisboa, 1 de Julho de 2017. André Moreira aparece vestido à Benfica, para exames médicos. Madrid, 2 de Julho: o Atlético, dono do passe do guardião, prefere emprestá-lo ao SC Braga.
Continuação de um bom verão."

Fernando Urbano, in A Bola

Alvorada... José Nuno e a estreia...

B's e a 1.ª vitória da época...

Partida e Chegada...

Benfiquismo (DXXVIII)

Líder...

Lanças... Escola e o resto...!!!

Futebol profissional: providência cautelar precisa-se!

"O verdadeiro desportista pode passar toda a sua vida de atleta no mesmo clube e sem receber um euro sequer

Como sociólogo do desporto e com formação académica em Ciência Política e em Antropologia, ou seja, conhecendo a acção do homem em questões sociais e políticas e ainda a sua origem – recentemente acrescentaram mais 100 mil anos de antiguidade ao Homo sapiens –, de facto parece, como é sabido, que a evolução do ser humano actual, e não só, só pode ser explicada por dois factores essenciais, que o homem não controla: o tempo e a mutação. Mas lendo as notícias da Terra – sim, não se trata de outro planeta –, ficamos com a impressão de que a evolução de certos seres vivos na Terra não foi igual à de outros, e isto fruto apenas e tão--só de uma actividade chamada “futebol profissional”, que possivelmente, devido às grandes tensões psicológicas, às grandes variações no sistema humoral e hormonal a que os seus praticantes estão sujeitos, lhes afecta também o sistema nervoso, e, consequentemente, a integração humana, ou seja, a forma como é feita a recepção de toda a informação, que depois é processada e interpretada, para ser elaborada uma resposta inteligível, adequada e racional.
De facto, lendo o “Correio da Manhã” dos dias 14 e 15 de Junho de 2017, um jornal obrigatório para qualquer sociólogo, ficamos com a certeza de que as pessoas vinculadas ao futebol profissional vivem num mundo que não é real e sofreram uma evolução diferente dos outros humanos, normais, e tentam tirar partido, em seu proveito próprio e exclusivo, da estupidez humana normal, que abraça o futebol profissional como uma droga para poder resistir à vida de trabalho árduo, e mal pago. Antes do 25 de Abril, alguns apelidavam-no de ópio do povo (para que o poder político pudesse governar tranquilamente, sem ser incomodado), mas continua exactamente na mesma, ou seja, as pessoas ignoram os verdadeiros problemas da grei e vivem num estado de permanente alienação.
Mas agora do que se trata é da confusão de certa comunicação social, que chama desporto e atletas, respectivamente, ao futebol-espectáculo profissional e aos seus trabalhadores, com leis, regulamentos e normas tão bizarras que levam a pensar no “Planeta dos Macacos”, dizendo mesmo que não se pode cuspir em certas pessoas em túneis nem expelir fumo de cigarros electrónicos para a cara das pessoas, etc., e têm ainda o descaramento de chamar àquela actividade comercial e industrial “desporto” e acrescentar que estão muito preocupados com a verdade desportiva...
Como sociólogo, pensamos que o futebol-espectáculo é importante para a catarse do povo e para o seu equilíbrio psicológico, mas seria bom aproveitar este momento da verdade de certo futebol profissional para separar as águas: é que o verdadeiro desporto não é nada disto! Então pede-se à comunicação social, e aos seus agentes, que tenham a lucidez de dizer a verdade, e a verdade é que o futebol-espectáculo profissional não é desporto, é tão-só a actividade profissional de alguns que se comportam como mercenários: vão sempre trabalhar para quem lhes pague mais!
O verdadeiro desportista pode passar toda a sua vida de atleta no mesmo clube e sem receber um euro sequer.
O que nos espanta ainda mais é que a tutela nada diga, demonstrando uma enorme falta de autoridade e incapacidade gritante de separar o trigo do joio, levando a que o cidadão comum comece a duvidar de certa actividade governativa..."

Mário Bacelar Begonha, in i

quarta-feira, 12 de julho de 2017

No gastar é que está o ganho

"Milhões para cá, milhões para lá, num frenesim financeiro onde se misturam trocas e baldrocas, comissões, remissões e demissões.

O defeso sem defesa
1. Estive fora do nosso país durante alguns dias, mas exultei com o folguedo ínsito nos títulos da antecâmara da próxima época de futebol. Tempo de vésperas, onde o sonho ainda teima em sê-lo a esperança é um empréstimo de felicidade sem juros, sobretudo para perdedores da época terminada.
O defeso é, naturalmente, a matéria-prima a que se agarra a informação desportiva, agora que, no Verão, o ciclismo já não desperta a paixão de outrora.
Um defeso tão longo que quase só suscita uma explicação, que não necessariamente justificação. De intermediários, os únicos que recebem sem risco. De clubes que arriscam, pondo - em jargão futebolês - «toda a carne no assador», mesmo a que ainda não pagaram ao talho. De campeonatos glutões que, com vantagens incomparáveis e dirigentes da Arábias, de multimilionários-cometa russos, chineses e outros asiáticos tudo compram e, assim, cavam um enorme fosso num desporto onde o equilíbrio de condições sempre constituiu parte do seu fascínio e beleza.
E a FIFA e a UEFA o que dizem? Nada. Mais preocupados em castigar um atleta porque festeja exuberantemente a festa do golo, do que em restringir o tempo transaccional e apertar as regras negociais. Porquê mercado em Agosto, com os campeonatos e eliminatórias europeias já iniciados? E porquê outra enxurrada em Janeiro de cada ano, que só percebe para fazer movimentos, passes e automatismos de tanta coisa, menos de futebol?
E, depois, tudo é permitido no mar de negócios de transferências de jogadores. Compras e vendas, simples ou por atacado, com dinheiro à vista ou a pagar em prestações, com metal luminoso ou branqueado, com divisão percentual do passe (que raio de designação para o homem!) entre clubes, agentes, familiares, fundos e... o próprio, e com essa peregrina ideia de distinguir direitos económicos e direitos desportivos sobre um jogador.
Tudo entre um quase infinito caudal de jogadores sinalizados, acompanhados, oferecidos, apalavrados, pré-contratados, quase firmados, recusados, descartados, trocados. Tudo com o condimento excitante da utopia da caça grossa e o realismo sortido da caça miúda, enquanto se espanta a caça alheia, à espera do milagre de uma qualquer maquineta caça-niqueis. Tudo em ambiente de época alta da intermediação de substanciais prebendas comissionistas.
Milhões para cá, milhões para lá, num frenesim financeiro onde se misturam trocas e baldrocas, comissões, remissões e demissões, familiares dos intermediários dos familiares, dirigentes e dirigíveis, novos-ricos e velhos pobres, plutocracia e meritocracia.
Quantos milhões ficam algures entre o alfa e o ómega das compras e vendas? Quantas ilusões são oferecidas no mercado das expectativas? Quantos paraísos fiscais beneficiam do efeito multiplicador proporcionalmente inverso ao rigor, exactidão e transparência? Onde chegará a contabilidade criativa para se adaptar aos negócios sul-americanizados?
Tudo com o cretino beneplácito da UEFA e seus derivados, sempre a enfatizar os fair-play dos jogos e das finanças!
Por esta Europa fora, encaram-se com a maior das normalidades os milhões de transacções e de salários de craques, ao mesmo tempo que minguam os rendimentos das famílias e se critica asperamente o que pessoas com funções públicas ganham por ano e que não chega ao que alguns jogadores ganham em menos de uma semana.
Mesmo assim, entre os países importadores há uns mais iguais do que outros. A polémica Turquia virou paraíso de jogadores em pré-reforma. Na Espanha invariavelmente numa boa, apesar de milhões no desemprego. Na Inglaterra, se for preciso muda-se o câmbio da libra esterlina. Em França, é à grande e à russa! Da China, manda o decoro não falar. Só na Alemanha a racionalidade não se perdeu completamente... Sempre com uma praxis insondável: a de um mesmíssimo jogador valer não tanto por si mesmo, mas pelo clube vencedor. Quer dizer, se quem vende é, por exemplo, um clube grande espanhol, inglês, francês ou italiano o valor a facturar é muito superior ao que receberia pelo mesmo atleta um clube de outro país, quase numa relação directa entre ganhos e ranking da UEFA (bem, para alguma cisa servirá...).
Defeso em Portugal? Vou esperar mais um tempo para ver no que dão as tão badaladas transferências. E, já agora, no que dão as juras eternas de amor a um clube!
Em qualquer caso, seja o defeso mais onírico ou simplesmente mais modesto, prefiro sempre a qualidade concentrada à embriaguez da quantidade liofilizada.

Sorteio à defesa
2. «O sorteio das competições nacionais foi o melhor para este e pior para aquele». «O programa do computador está viciado, porque sempre a minha equipa é prejudicada ou a do rival é beneficiada». Eis duas frases que se ouvem, amiúde, depois de conhecido o calendário e os jogos.
Cá para mim, tanto se me dá. O meu Benfica tem de jogar com todos, dentro e fora, como todas as equipas. O resto é fantasia. Aliás, devo dizer que acho um disparate as chamadas condicionantes do sorteio, com excepção da que impõe que equipas da mesma cidade joguem em casa na mesma jornada. Afinal, qual é o problema do Benfica, Porto e Sporting se defrontarem na primeira ou última jornada, ou haver clássicos seguidos, ou terem de jogar em casa ou fora em cada volta? Além disso, trata-se de mais uma injusta consideração por outros clubes (por exemplo, Sp. Braga e Guimarães), assim contribuindo para a cristalização hierárquica do nosso futebol. Criticamos a Europa porque funciona por anéis (o dos fabulosos, o dos remediados e o dos indigentes) e, por aqui, queremos salvaguardar a mesma lógica?
Há até um aspecto do futebol inglês (aquele com que, ainda, mais temos a aprender em torno de regras e tradições) que acho interessante considerar num sorteio de um campeonato. Falo de os jogos da segunda volta não serem a cópia inversa dos da primeira volta. Ou seja, há dois sorteios para cada uma delas. Para mim tudo o que seja introduzir (bons) factores de imprevisibilidade desportiva só favorecem o futebol jogado, o único que verdadeiramente me interessa.

Contraluz
- Palavra:
Portugal. O primeiro ano de uma efeméride para sempre. A de campeão europeu.
- Número:
60. os contumazes milhões de cláusula de rescisão no SCP. Desde um qualquer imberbe iniciático até ao adiantado trintão Mathieu...
- Frase:
«Sempre fui feito de Sporting» (Fábio Coentrão). Uma frase equívoca, mas que talvez explique a inconstância verbal do rapaz.
- Árvore:
Acácia (com o seu Acácio).
- Pensamento:
«Antigamente no futebol ganhava-se jogando bonito. Depois veio a fase do perder jogando bonito. Em seguida, passámos a ganhar jogado feio. E hoje jogando feio e perdendo» (adaptação de uma frase de um adepto brasileiro)."

Bagão Félix, in A Bola

Como se vivessem na idade da pedra

"Ontem, Fernando Santos dispôs-se a falar abertamente com os jornalistas, em ambiente informal e descontraído, com benefícios triplos: para o seleccionador nacional, que passou a mensagem que desejava com eficácia; para os meios de comunicação, que tiveram acesso a conteúdos muito relevantes; e para os adeptos, que através dos media tomaram contacto com a realidade segundo Fernando Santos.
Infelizmente, este comportamento moderno, arejado e civilizado da FPF não chega aos clubes (há sempre uma ou outra excepção, que mais não serve do que para confirmar a regra) e na época que agora começa as más práticas prometem continuar, num triunfo do obscurantismo, absolutamente nefasto para a promoção do futebol. Seria bom que, de uma vez por todas, de desmistificasse a importância da lei da rolha no sucesso desportivo. Que é igual a zero, embora lhe seja atribuída uma relevância que não possui, apenas porque, por arrastamento, também é conferida transcendência a quem a promove. Este ciclo vicioso - tantas vezes difícil de explicar em países onde a indústria do desporto é levada a sério - acaba por abrir portas a quem nada tem a ver com o futebol e que se aproveita da impossibilidade de ser dado palco aos verdadeiros protagonistas, para brilhar em reality shows que têm o clubismo fundamentalista como tema e única razão.
Esta matéria devia estar na primeira linha das preocupações da Liga de Clubes, juntamente com uma série de medidas que regulassem a relação entre clubes. Devia ser essa a vocação de quem tem por razão de existência a promoção do futebol profissional..."

José Manuel Delgado, in A Bola

A caminho da Suíça...


Júlio César, Varela, Lopes

Lisandro, Jardel, Kalaica, Dias, Ferro

Pereira, Hermes, André Almeida

Fejsa, Augusto, Pêpê

Horta, Chrien

Carrillo, Cervi, Heri, Willock

Jonas, Rafa, Digui

Seferovic, Arango

Com Krovinovic, Luisão e Sálvio lesionados. Com Grimaldo, Joãozinho, Zivkovic, Semedo, Pizzi, Jiménez ainda de férias... além do Eliseu... com o Mitroglou a juntar-se à equipa na Suíça, temos uma convocatória normal...
Sendo que o anuncio da lesão do Sálvio, e o 'corte' negocial com o Atlético de Madrid - devido ao André Moreira -, foram mesmo as notícias do dia!
Em relação ao guarda-redes, achei estranho as fotografias no Facebook oficial do Benfica, durante os testes médicos, terem sido publicadas...! Enganaram-me, já que anunciei aqui, o ingresso do André Moreira! Não sei se foi uma 'estratégia' ou se foi simplesmente uma descoordenação de departamentos!!!
O Benfica não podia prolongar o impasse... com os dias a passar as opções no mercado iriam ser cada vez menores! Ainda existem alguns guarda-redes 'livres' no mercado, com capacidade por lutar pela titularidade no Benfica! Com o Bruno Varela e com o Júlio César, precisamos mesmo de alguém com experiência e qualidade para lutar pela titularidade...

Novidades online...

Novo Site e nova App para dispositivos móveis... Benfica de cara lavada e com mais 'facilidades' online!

Vermelhão...

Alvorada... atestado de incompetência!

B's nos Algarves!

Jardel...

Ciência...

Juniores também de regresso...

Benfiquismo (DXXVII)

Mais um?!

Vieira em modo informal...

105x68... Início

terça-feira, 11 de julho de 2017

Os jogos ganham-se no campo

"O presidente benfiquista falou aos seus, prometeu respostas «no local próprio» e colocou o acento tónico na conquista do pentacampeonato.

Fez ontem um ano que se assinalou o feito mais brilhante do futebol pátrio. A 10 de Julho de 2016, em Paris, Portugal venceu a França em frenética final e sagrou-se campeão da Europa. Nesse dia, os portugueses em todo o mundo sentiram-se orgulhosos de o serem e, por aí adiante, como nunca aconteceu, expressaram a sua vaidade na exibição da bandeira como símbolo de identificação de um povo de longa história que o futebol uniu.
Passou um ano e, no entanto, por cá pouco mudou quanto à tacanhez de uma classe dirigente claramente em contramão, embora no futebol jogado sejamos cada vez mais admirados lá fora por conseguirmos fazer tanto com tão pouco.
A nossa Selecção desde há muito é presença frequente nos topos dos rankings. Temos os melhores do mundo, a jogar e a treinar, representados por Cristiano Ronaldo, José Mourinho e Fernando Santos. Contrariamente ao que se tem pretendido espalhar, a nossa arbitragem é, igualmente, apreciada além fronteiras e Pedro Proença foi o expoente máximo ao ser apontado como número um no universo da FIFA.

O grande problema reside, sim, no défice de formação que é notório entre administradores e directores das estruturas profissionais de clubes. A FPF está a desenvolver esforço notável com o objectivo de eliminar essa discrepância e tem-no feito exactamente de dentro para fora, através da criação de um edifício organizativo irrepreensível que valoriza o modernismo e a legítima pretensão de ser vista como referência para as federações de outros países, as quais começam a perceber que o futebol luso tem muito para oferecer, além de excelentes praticantes: credibilidade e qualidade, garantidas pelo seu presidente e pela equipa que lidera.
Com Fernando Gomes, como já escrevi, fechou-se o quadrado: melhor jogador, melhor treinador, melhor árbitro e... melhor dirigente.
Dispomos de tudo para ser felizes, mas há quem veja nessa felicidade o princípio do fim da chafurdice intelectual que continua a ser arma preferida para bloquear a renovação de mentalidades e consequente arejamento de ideias. Insinua-se, ofende-se, acusa-se, é o vale tudo sem olhar a meios para aliviar as dores de fracassos desportivos. Por isso, usa-se a imaginação para distrair os adeptos e desviar-lhes a atenção daquilo que os mandantes não estão interessados em mostrar.

A poeirada tóxica que se levantou neste princípio de defeso teve o propósito de confundir e influenciar a discussão. Provocou tosse nervosa a uns, outros fez-lhes lacrimejar os olhos, de riso, mas também agitou mentes sensíveis que logo enxergaram culpas e culpados. Em concreto, sem saberem o que estava em causa: é a nova corrente purista no seu melhor, ora exaltada, ora benevolente, dependendo da tonalidade da coisa.
Luís Filipe Vieira sossegou a nação da águia ao afirmar que o clube irá responder a toda gente «no local próprio». E disse mais: «(...) deixem os outros falar, deixem-nos distraírem-se. O que é importante para nós chama-se Benfica e não vale a pena falarem de e-mails, bruxos e contra-bruxos. Nem o Benfica irá responder a isso».
O presidente benfiquista falou aos seus e colocou o acento tónico na conquista do penta. Esse é o alvo principal. O resto segue os seus trâmites, tanto mais que o caso dos e-mails se viu de repente despromovido em termos de alarido comunicacional, primeiro por desinvestimento dos fautores da iniciativa, depois pela eventual imprudência da directora executiva da Liga que procurou ridicularizar o Benfica com uma piadola, como lhe chamou o meu camarada António Simões, em A Bola TV, na conversa que tivemos no Domingo à noite, publicada nas redes sociais.
Deu para saber, porém, que a senhora aprecia pouca a cor encarnada, mas não mais do que isso. Deve ser avaliada, sim, pelo trabalho, pela competência e pela isenção nas funções que exerce na Liga de Clubes. Além de se lhe pedir mais moderação e sensatez na gestão desse espaço dito social em que os utilizadores, sem se darem conta, costumam abrir portas à devassa da sua privacidade.

Coincidindo com a festa do primeiro aniversário do título de campeão europeu, um assunto que o cidadão comum pensava morto, enterrado e esquecido - confesso que já não me lembrava -, a Justiça, todavia, manteve-o vivo e as consequências aí estão: três secretários de Estado pediram a demissão, e o primeiro-ministro aceitou, por terem assistido a jogos do Europeu à conta da Galp.
Afinal, a Justiça funciona. À velocidade em que mais jeito lhe dá, mas funciona. Estejam, pois, tranquilos os intrépidos embaixadores da verdade. A seu tempo tudo se esclarecerá, no local próprio, como sublinha Vieira, jamais em programa de canal televisivo ligado ao FC Porto, como é óbvio... Entretanto, façam o favor de deixar treinadores e jogadores trabalharem em paz. Porque são eles os actores e é no campo que os jogos se ganham."

Fernando Guerra, in A Bola

Trote português no meio da cavalaria alemã

"Preocupante a forma como o videoárbitro não serviu, na maior parte das vezes, para esclarecimento inequívoco das dúvidas, até com benefícios evidentes para a selecção nacional que conquistou o terceiro lugar nesta Taça das Confederações.

Chove sobre a cidade, agora que o Portugal-México, a contar para esse sempre irritante e meio incompreensível jogo para definir o terceiro e o quarto lugar desta Taça das Confederações, Rússia 2017, chegou ao fim é é tempo, ao fim de quinze dias passados a saltar entre Kazan, Moscovo, São Petersburgo, e depois Kazan e Moscovo outra vez, de regressar a casa com a ideia clara de que, apesar de tudo, a selecção nacional ficou um bocadinho (não grande, mais ainda assim um bocadinho) aquém das expectativas que nela foram depositadas, sobretudo sendo, como é, a campeã da Europa em título com todas as responsabilidades que isso, evidentemente, acarreta. Vitória final dos alemães, com golpes de uma jovem cavalaria, sempre capaz de tirar proveito dos erros alheios, e de que maneira!
Cinco jogos disputou Portugal - aí o máximo possível - e não tendo enchido o olho aos que seguiam a equipa de perto e com entusiasmo (os russos trouxeram-na, positivamente, nas palminhas, tirando, vá lá, o último jogo com o México), como aliás é apanágio do tal pragmatismo que o seleccionador, Fernando Santos, implementou desde o seu primeiro dia no cargo, fez o suficiente para estar entre os quatro melhores de um torneio que serviu, principalmente, para testar a organização que levará a cabo o empreendimento de pôr a funcionar a próxima fase final do Campeonato do Mundo, daqui a um ano. E, quanto a isso, só há que retirar ilações positivas. Estádios regularmente cheios - muito à custa de convites, mas tudo bem, afinal os testes fazem com estádios compostos e não às moscas -, uma forma clara de responder às questões colocadas, rapidez e método em qualquer problema que foi preciso resolver na área da imprensa, que é a que me diz mais directamente respeito.

Uma despedida rija!
O terceiro lugar de Portugal, depois da desilusão chilena de Kazan, aguentada até aos penalties à custa de muita fortuna e boa estrela, que foi desde a bola dupla ao poste e à barra de Rui Patrício, ao penálti claro perdoado a José Fonte, acabou se afirmar à custa de um México que até tinha sido ligeiramente superior à equipa de Fernando Santos no jogo de estreia desta prova. É um facto que, tal como aconteceu com a selecção portuguesa, a mexicana se apresentou sem alguns dos seus nomes mais sonantes. Isso não invalidou que tivéssemos assistido a um jogo rijo, de peito a peito, como se, afinal, estivesse em causa bem mais do que a consolação do triunfo na final dos pobres. A vitória lusitana não sofre contestação por aí além, baseou-se mesmo num folgo final meritório quando já tudo parecia perdido e com nova sessão perdulária de remates à baliza de Ochoa, que se deu ainda ao luxo de defender um penálti.
Beneficiaram, na generalidade, os nossos compatriotas do recurso ao videoárbitro. Que começou nesta competição, como uma epidemia e terminou, felizmente como uma mera constipação: deixando de ser um recurso constante.
Por acaso, ou talvez não, e vou bem mais pela segunda hipótese, ambos os jogos das meias-finais não foram interrompidos para opiniões televisivas. E confesso: não senti falta desses intervalos maçadores de expectativa irritante. Sobretudo depois de ter visto a forma dúbia como os foras-de-jogo são tratados com recurso a esta nova técnica: é fácil repor a situação de um lance ilegal que deu golo (volta-se ao local de partida), mas é impossível repor a situação de um lance anulado por um off-side mal assinalado, já que não pode desenhar-se o movimento outra vez. Talvez fosse bom repensar a forma de intervir. Sob o risco de entrarmos num tempo de injustiças informáticas.
No entanto para o terceiro e quarto lugares, o fraquinho árbitro da Arábia Saudita foi buscar aos ecrãs o penálti de Rafa Marquez sobre André Silva (que foi, de facto), mas não exerceu essa vantagem em outros casos e em prejuízo do México. Não se livrou, por isso, de um final de partida embrulhado em confusões, com muitos insultos e meia-dúzia de 'chinga-te!' à mistura. Na final, outra macacada: o árbitro foi ver na pantalha a repetição de uma agressão de um jogador chileno para depois lhe mostrar um amarelo. Ridículo! Para não dizer grotesco. É preocupante imaginar o charivari que se vai espalhar pelos campos de futebol de Portugal na próxima época, com adeptos a reclamarem do uso do não uso do videoárbitro por tudo e mais alguma coisa, razão porque, na minha opinião, e só minha, a imposição desta regra é manifestamente precipitada.
Aquilo que se viu durante a Taça das Confederações a que assistimos, ao vivo, nas cidades russas pelas quais Portugal passou, não oferece quaisquer garantias nem de isenção absoluta nem de diminuição dos erros arbitrais. Quanto muito passarão a ser escalpelizados praticamente, em directo ao invés de termos de esperar pelos programas da noite.
Fecha-se um capítulo. Outro se abrirá no próximo Verão. Até lá, regressa o futebol muito lá de casa."

Afonso de Melo, in O Benfica

Uma cidade a fervilhar de futebol

"Com histórias, cartooms e cartografia se revela a evolução de 20 clubes lisboetas, unidos numa história comum.

Campos enlameados, elementos do público a substituir árbitros que não compareceram, jogadores ou equipas completas atrasadas para jogos. Histórias de um tempo em que o futebol era mais espontâneo, menos organizado, trazem-nos o caricato de uma modalidade tão diferente a um século de distância. Mas também há situações ainda actuais, como os desmaios perante a emoção da partida e os comportamentos menos adequados dos adeptos, mesmo que noutro tempo isso significasse ver um jogo 'em mangas de camisa'.
Com estas e outras histórias curiosas se construiu a relação do Benfica com os clubes de Lisboa. Inseridos numa cidade fervilhante de futebol, os clubes, simultaneamente irmãos e adversários, cresceram lado a lado. As provas da Associação de Futebol de Lisboa, as mais importantes do país no dealbar do desporto-rei, uniram os clubes numa história comum. Algumas das colectividades do início do século não sobreviveram mais do que uma não-cheia de anos. Outras consolidaram-se ao longo do tempo, passaram por dificuldades, mas sobreviveram até hoje. Outras ainda, unindo-se, deram origem a novos clubes que se transformaram em grupos emblemáticos da cidade.
A história destes clubes está intimamente ligada não só à evolução do futebol mas também aos seus campos desportivos. No início do século XX, a maioria dos campos eram terrenos públicos, muitas vezes utilizados também para outras actividades, como feiras, que deixavam os terrenos pouco próprios para o prática do futebol. Depois, vieram os simples campos, com modestas vedações, ainda pelados. Com o crescimento da cidade, alguns campos desapareceram. Os grandes estádios surgiram na paisagem urbana nas décadas de 40 e 50 e, hoje, a cidade conta com modernos estádios do século XXI.
Esta é a evolução de um século de paixão pelo futebol, de paixão pelos clubes e de paixão pela cidade. Na exposição Lisboa e Benfica - 20 Clubes, 20 Histórias, celebramos essa paixão. Com traço de Ricardo Galvão, cartoonista de A Bola, damos a conhecer 20 histórias de 20 clubes lisboetas, recorrendo a uma das grandes tradições na comunicação do desporto, o cartoon. Objectos do acervo dos clubes lisboetas mostram a sua identidade. Através da cartografia da cidade, relembramos a Lisboa de outros tempos. Para visitar até 30 de Setembro, na Rua do Jardim do Regedor, em Lisboa."

Rita Costa, in O Benfica

12.º dia...

Alvorada... Rolando...

Benfiquismo (DXXVI)

Chico Ferreira

As Regras dos Jogos... Bipolaridades!!!

Tetralambreta...!!!

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Papagaio!

Fontanário inquinado!!!

"A questão nem é a fonte. Já poucos lhe dão importância. É pago para fazer este trabalho sujo. Até pode ser que o Sporting, um dia, volte a ter um director de comunicação e não uma fonte de baixo nível que se dedica a iludir os seus adeptos com ataques ao alvo que mais os entretém.
Mas esse é um problema do clube e dos seus adeptos...o que devia envergonhar as pessoas é este tipo de jornalismo que alivia as suas responsabilidades com a citação de uma fonte.
Pois bem, tenho novidades. Não alivia. Pelo contrário...torna-o cúmplice de uma estratégia de comunicação que pretende pegar fogo ao futebol português. Uma estratégia que este jornalismo permite que não tenha rosto, não tenha identidade e não seja responsabilizado.
Eu conheço um termo para definir esse tipo de gente. Creio que vocês todos o conhecem. Ao jornalismo, idealmente, compete lutar contra isto. E não ser cúmplice e correia de transmissão de um incendiário irresponsável."

Vamos lá falar (um bocadinho) de futebol

"Será que o Benfica tem a posição de defesa-central bem acautelada? O FC Porto precisa de 'matador'! E no reino do leão quem vai sair?

Lenta, lentamente, a bola começa a rolar e as atenções viram-se para o que é realmente importante, deixando em segundo plano as teorias da conspiração que vão de e-mails a posts requentados no facebook. Infelizmente para o futebol português, continuam a medrar em todas as barricadas criaturas que são estranhas ao futebol (e que, graças a Deus, nele não se entranham...) mas que contribuem para o seu descrédito, através de inversão das prioridades. Garanta-se a verdade desportiva - e o videoárbitro será um ajudante precioso -, abdiquem, todos, da presunção da influência susceptível de ganhar jogos, e de certeza teremos uma temporada mais higienizada. Dito tudo isto, passemos ao essencial, ou seja, falemos dos meios que realmente fazem campeões. É verdade que nesta fase da época, com a maior parte das transferências por concretizar, torna-se difícil, sem cair na mais basurda especulação, projectar desenhos finais de cada plantel. Porém, há sinais que merecem, desde já, atenção. Por exemplo, no Benfica, a questão dos defesas centrais não parece bem resolvida. O Benfica foi campeão, nos últimos quatro anos, com duplas sempre diferentes: Luisão/Garay; Luisão/Jardel; Jardel/Lindelof; Luisão/Lindelof. Na temporada que agora está a começar, perante várias circunstâncias -
a) saída de Lindelof;
b) idade e condição física de Luisão;
c) dúvidas quanto ao estado de Jardel, ausente por lesão durante grande parte da época de 16/17;
d) inconstância de Lisandro López;
e) inexperiência de Kalaica e Rùben Dias
-, parece claro que os tetra campeões nacionais, em nome da prudência e do bom senso e atendendo à relevância que um verdadeiro patrão na defesa pode assumir no sucesso de uma campanha anual, precisam de ir ao mercado encontrar um jogador, de créditos firmados, que assuma essa função capital.
Já no FC Porto a principal curiosidade está em saber que vai substituir André Silva no comando do ataque. Tiquinho Soares parece ser uma boa alternativa mais dificilmente será uma boa primeira escolha, Aboubakar, que poderia sê-lo, não quer regressar ao Dragão e a função de matador continua sem dono no plantel às ordens de Sérgio Conceição.
Em Alvalade, as dúvidas colocam-se ao nível das saídas. Só depois de resolvida essa questão se perceberá que leão vai rugir...

ÁS
Éder
Um ano depois daquele minuto 110 mágico no Stade de France, continuamos a ter apenas uma palavra para Éder: Obrigado. Podem chamar-lhe herói improvável, patinho feio, fétiche de Fernando Santos; nada altera a realidade que nos diz que foi do pé de Éder que saiu a maior proeza do futebol português: Éder forever!

ÁS
Fernando Santos
Nas horas de dúvida, depois dos empates com a Islândia, a Áustria e a Hungria, nunca lhe faltou fé e foi a fortaleza moral do grupo de Marcoussis. Quando disse que ia regressar a Lisboa apenas no dia 11 de Julho e em festa, poucos acreditaram nele. Mas como os jogadores o levaram a sério, abriram-se-nos as portas da glória...

ÁS
Fernando Gomes
Acreditou que valia a pena lutar pela despenalização de Fernando Santos e ganhou essa batalha; foi também fulcral na criação de condições óptimas para o trabalho da Selecção Nacional. No momento da vitória em França, desapareceu da ribalta, dando palco a outros protagonistas. Mas teve um papel incontornável no sucesso.

A culpa foi do Éder
Aconteceu no Brasil em 1950; a Portugal em 2004; e à França em 2016. Ninguém diria que o Uruguai ia sair campeão do Mundo no Maracanã, que a Grécia ganharia o Europeu na Luz e que Portugal se sagraria vencedor no Stade de France. Mas a lógica foi transformada numa batalha e aos donos da casa não restou outra solução que não fosse o refúgio nas lágrimas, Chauvinistas sempre e triunfalistas antes da final de há um ano, os franceses ainda não engoliram bem o triunfo de Portugal e a taça que, orgulhosamente, CR7 ergueu.

O triunfo português visto pelos franceses
Quem lê a obra de Goscinny e Uderzo sabe que os gauleses não querem ouvir falar de Alésia, onde Vercingetorix foi derrotado por Júlio César. O mesmo pode dizer-se do L'Equipe, que se esqueceu do campeão da Europa, dando toda a capa de há um ano às lágrimas gaulesas. O Stade de France 'virou' a nova Alésia...

A propósito do profissionalismo no desporto
«Não sou nem benfiquista, nem do FC Porto, nem do Sporting. Sou do River Plate. Isto é o meu trabalho e tenho uma família para sustentar»
Estebán Ábalos, hoquista, in Record
Estebán Ábalos jogou no Benfica e no Sporting e, na hora do adeus, teve palavras que merecem meditação: «Não sou nem benfiquista, nem do FC Porto, nem do Sporting. Sou do River Plate. Isto é o meu trabalho e tenho uma família para sustentar. Não sei se as pessoas acham que vou valorizar a camisola e que vou ao banco pagar as contas com o emblema do Sporting ou do Benfica»."

José Manuel Delgado, in A Bola

Os bruxos casaram

"«O melhor está para vir»

Afinal, tudo faz sentido! Nesta última época, Pinto da Costa encontrou novo amor e Bruno de Carvalho preparou-se para o casório, mesmo com prejuízo da meretriz da gala. Tudo isto é símbolo de uma união matrimonial maior: FC Porto e Sporting subiram ao altar definitivamente… até que a morte os separe! Uns anunciam a cartilha, os outros vêm logo pedir justiça.
Uns apresentam emails, os outros vêm logo pedir a perda dos títulos e descida de divisão, com uma cumplicidade amorosa. Nuno Saraiva já tinha dito: "vão começar a surgir documentos de outros clubes". Francisco J. Marques sublinhou que "o melhor está para vir". Eles são bruxos, claro! Mas isso não é novidade. O que é novo é a aliança consumada no Hotel Altis. Os bruxos casaram!"

Alvorada... com Júlio António

Mais um grande convívio na Luz, com o Mundial de Sueca e com o Campeonato de Futsal, das Casas do Benfica...
Vitória na Sueca, para a Casa de Resende...
No Futsal, 3 categorias diferentes, com o 'título' a ser partilhado com as Casas de Oleiros, Viseu e Leiria...

Benfiquismo (DXXV)

Estrelas...

domingo, 9 de julho de 2017

A velha (e estafada) estratégia de acusar os outros, daquilo que vão fazendo...!!!

"A habitual fonte do Sporting não se consegue conter... Com Francisco Marques de férias, é preciso alguém para manter a funcionar o carrossel de mentiras e manipulações...ou seja, da mesma forma que se queixa das práticas do Benfica de não ser capaz de fazer algo construtivo pelo futebol, a habitual fonte do Sporting ataca, sem pudor, o seu rival em mais uma demonstração de pequenez de espírito e de terrível complexo de inferioridade.
Por sinal um indivíduo que, desde que chegou ao futebol, ainda não parou de mentir, manipular e incendiar o ambiente em torno do futebol português. É nestas alturas que a memória tem uma responsabilidade acrescida.
Porque não é o Benfica que tem um presidente que dá entrevistas no estrangeiro a atirar lama para cima de tudo e de todos, denegrindo a imagem do futebol português. Não é o Benfica que tem o seu presidente castigado por dois anos e o seu director de comunicação por seis meses, não é o Benfica que tem um presidente que insulta a própria gala. E quando esta fonte acusa o Benfica de apenas se preocupar com os seus interesses, dá vontade de perguntar onde é que estava quando o seu presidente se vangloriou de ter colocado Pedro Proença na presidência da Liga e de ter evitado que um português integrasse o Comité de Arbitragem da UEFA...
Para terminar, talvez a fonte do Sporting pudesse finalmente elucidar-nos sobre o paradeiro das imagens do túnel de Alvalade no jogo com o Benfica. Não quero acreditar que se trate de uma mentira com efeitos de manipulação publica. Porque isso retiraria a esta ou qualquer outra fonte do Sporting qualquer tipo de moral para acusar o Benfica de práticas menos recomendáveis."

Indecência!!!!

"Acho vergonhoso Pizzi e Semedo terem boicotado o sorteio da Liga, preferindo ir de lua de mel e férias respectivamente, depois de terem estado ao serviço da Federação Portuguesa de Futebol até há 1 semana atrás.
Indecência maior, só o silêncio da imprensa que aponta o dedo boicoteiro ao plantel do SLB e à APAF e deixa passar em claro a ausência premeditada de elementos da equipa do Man. City, que nem se dignaram a vir receber o prémio de Melhor Guarda Redes da Liga 16/17."

Medo?!

"Confesso que ontem já não conseguia distinguir entre a notícia do Expresso sobre a contratação pelo Benfica de quatro sociedades de advogados e uma sessão do salão Erótico do Porto. Tal o nível de excitação que a notícia do semanário provocou. Porém, não creio que se justificasse. Desde logo porque a contratação das diferentes sociedades de advogados não tem nada a ver com a defesa do Benfica, pelo simples motivo do Benfica não tem sido acusado de nada. Portanto, aquele argumento leviano de que o Benfica está com medo é apenas mais um para juntar ao anedotário que tem sido o Apito Furado desde o seu início.
Portanto, se não é para defender o Benfica, porque motivo preocupará tanto que o clube tenha contratado quatro diferentes sociedades de advogados?
Eu explico. Porque o Benfica está disposto a ir até às últimas consequências na reparação do seu bom nome e defendo que não se pode poupar a esforços em relação a isso. Porque o Benfica não quer que o caso termine com a simples negação dos e-mails como meio de prova. O Benfica quer a verdade apurada e sobretudo que os responsáveis por esta sórdida campanha sejam responsabilizados, castigados e denunciados.
E por último, porque sociedades foram contratadas, não para defender o clube mas sim para acusar as pessoas que o atacaram, desde directores de comunicação, jornalistas, pseudo-jornalistas, comentadores, meios de comunicação social, baluartes das redes sociais e várias outras espécies de difamadores. E como os crimes são de natureza muito variada, o Benfica contratou sociedades de advogados de especialidades variadas. Por isso é que são quatro. E não por qualquer outro misterioso motivo..."

Um ribatejano na Forbes, a Segway de Eliseu, o mentalista Jonas e o luchador Jiménez

"Vem aí uma nova época. O Ferrari será obrigado a trocar de pneus, mas nada que impeça a máquina de carburar. O motor mantém a potência, o encarnado continua a reluzir e o sistema de navegação revela-se cada vez mais fiável. Rui Vitória, o nosso GPS, é um pouco como aquele motorista ucraniano da Uber que já todos apanhámos: pedimos-lhe que nos leve de São Bento ao Campo Grande e, ainda que às tantas demos por nós no Prior Velho sem razão aparente, sabemos que chegaremos sãos e salvos ao destino. Um abraço, Aleksandr. Se não fosses tu nunca teria visitado a Ameixoeira.
Após as vendas de Ederson e Lindelöf, a equipa tetracampeã conserva a maioria dos jogadores que garantiram o primeiro tetracampeonato na história do clube. Mais importante ainda, foi instalada uma nova firewall. Neste momento só falta mesmo fazer desaparecer Pedro Guerra e estarão reunidas as condições para o pinta. Por falar nisso, quando é que o Ultra Levur começa a patrocinar um programa televisivo de comentário desportivo? Se há contexto em que a diarreia se torna incontornável, é esse. 
Mas há mais: temos o primeiro ribatejano a aparecer na capa da Forbes. É certo que Rui Vitória foi capa da edição portuguesa, uma espécie de Super Interessante das edições internacionais da Forbes, mas que isso não nos impeça de dizer alto e bom som: inchem, amigos. Francisco Marques bem tenta, mas por este andar nem na capa da PC Guia vai aparecer.
No entanto, a inevitabilidade do penta não significa que não devamos acautelar a próxima época. É importante que a contenda fique arrumada o mais cedo possível, para que a visita a Alvalade na penúltima jornada seja um momento de festa e desportivismo. Espero que os adeptos de ambos os clubes se comportem, mas acima de tudo que o Sporting deixe Eliseu entrar no relvado com a sua Segway.
Quanto à necessária gestão do plantel, que era aliás o pedido original da redacção, comecemos pela defesa. Se a saída de Ederson enfraquece a equipa, o fim da carreira de Paulo Lopes enfraquece os festejos do título. Primeiro, precisamos de alguém que seja forte nos lances de bola parada, capaz de lançar ataques repentinos com os pés e com uma presença forte nas redes sociais. Felizmente já se identificou uma solução. Resta saber se Hugo Gil aceita a proposta. Em segundo lugar, precisamos de um tipo bem disposto que consiga subir à trave da baliza e erguer uma taça. Pode ser um daqueles jagunços que todos os anos trepam a estátua do Marquês de Pombal.
Na defesa, é muito importante manter Jardel, de preferência com a cabeça completamente ligada para intimidar os adversários. Em linha com esse princípio, Luisão deverá manter a titularidade, mas agora com a ajuda de um andarilho. Se as pernas falharem perante um arranque de Tiquinho ou Doumbia, o andarilho permitirá cobrir uma área maior e provavelmente derrubar o adversário. Não se preocupem com o árbitro, isso está a ser tratado. Lisandro parece gostar da vida em Lisboa, por isso pode ficar. Se todos estes se lesionarem, teremos um problema.
É que os suplentes Rúben Dias e Kalaica sairão no final da época cada um por 45 milhões. Nas laterais, antecipamos o sucesso estrondoso daquele tipo que veio da Sampdória, não, esse é outro, pá, não, é aquele tipo que já tinha jogado no Benfica, não, esse saiu por 15 milhões, este acho que foi dispensado. Eeeexatamente. Pedro Pereira. Estava difícil lembrarmo-nos do próximo prémio revelação da Liga NOS. Se tudo falhar, há sempre André Almeida, uma afirmação que aliás poderíamos fazer em relação a mais oito posições no terreno e dezasseis situações do quotidiano.
Na esquerda, continuaremos a alternar entre a elegância catalã de Grimaldo e a sapiência insular de Eliseu. Eles que venham. Na pior das hipóteses, temos Hermes, um lateral com nome de mala de senhora que não impressionou nas poucas vezes que foi avistado em campo. Lamento apenas que não possamos contratar o Rúben Semedo ao Villareal. O miúdo merecia sentir-se desejado novamente, de preferência pelos seus.
No meio-campo, parece que teremos Pizzi, portanto a análise podia terminar aqui. Importa no entanto destacar as contratações de Martim Chrien e Krovinovic, um eslovaco e um sérvio de quem se espera que tudo façam para não serem o próximo Mukhtar ou o Djuricic seguinte, até porque o entusiasmo dos adeptos já faz deles os próximos Kroos e Modric. Isto para não falar de Filipe Augusto, o próximo Casemiro, pelo menos segundo aquilo que Jorge Mendes tem dito a dirigentes de outros clubes.
Entretanto, estive a ver a lista de transferências e descobri que o Salvador Agra foi contratado pelo Benfica. Mais do que perguntar o óbvio - para quê? - celebre-se a eficácia desta decisão. É menos um adversário detestável na próxima liga e mais um suplente não utilizado. Teremos também Salvio, o único futebolista internacional argentino que não se importa de passar o resto dos seus dias em Telheiras.
Será titular independentemente do que acontecer, a menos que seja este o ano de afirmação de Carrillo como expoente máximo da consistência futebolística, um pouco como um porco a voar. André Horta merece uma oportunidade para demonstrar que é mais do que um benfiquista do caraças. Se eu mandasse era titular em todos os jogos e passaria a entrar em campo munido de um megafone. Samaris teve um fim de época conturbado e não me espantaria nem entristeceria se fosse despachado. Talvez seja o momento ideal para terminar o seu primeiro conjunto de poemas na Assírio e Alvim, "Verme Grego".
No ataque, manteremos a nossa espinha dorsal de natureza circense: um mentalista (Jonas), uma aberração da natureza (Mitroglou) , um malabarista (Rafa), um luchador (Jimenez), uma criança sobredotada (Zivkovic) e um anão (Cervi). A não ser que Seferovic saiba fazer truques de cartas, terá vida difícil na Luz. Talvez ajudasse contratar mais um tipo habituado a marcar golos no nosso campeonato, mas parece-me que será essa a missão do Lima.
Em suma, a SAD está a trabalhar e temos praticamente tudo o que precisamos para chegar ao penta. Se correr mal, ligamos ao Nhaga.

P.S. Não estranhem termos deixado Fejsa de fora desta análise. Quanto menos se falar dele, maior a probabilidade de o segurarmos no plantel."

Notas Críticas sobre os Bruxos do Futebol e outras coisas mais

"Segundo o filósofo Miguel Real, um intelectual de incessante interrogar que não exclui a resposta afirmativa, vivemos, actualmente, um “momento histórico de intervalo, recorrente em todas as sociedades e civilizações em fim de ciclo, entre um passado próximo culturalmente construído sobre regras rígidas, até dogmáticas, e um futuro não muito distante mas de que se desconhece a figuração” (Traços Fundamentais da Cultura Portuguesa, p- 126). Ora, os momentos de intervalo são propícios “ao devaneio, ao lirismo e ao sonho diurno por que muitos estrangeiros caracterizam a índole do português. No entanto, este devaneio romântico e poético permite-nos “uma espantosa adaptabilidade a novos meios e a novas situações, louvada por Gilberto Freire no livro O Mundo que o Português Criou, de 1940, por Jorge Dias em Os Elementos Fundamentais da Cultura Portuguesa, de 1950, e por Francisco da Cunha Leão em O Enigma Português, de 1961.
Esta capacidade de maleabilidade comportamental do português e de adaptação e integração em novos meios, como que recalcando os complexos comportamentais pátrios em que fora educado, tornou-se uma vantagem acrescida na emigração, aclimatando-o com desenvoltura a novos hábitos de vida, lidando tanto com as elites da comunidade que o acolhe quanto com as populações” (op. cit., p. 139). Compreende-se, assim, o que há de grave na omissão, principalmente de carácter antropológico, daqueles que, em linguagem corredia, defendem os êxitos dos nossos treinadores de futebol, no estrangeiro, unicamente pela sua cultura táctica, ou pelo seu conhecimento tecnocientífico.
O que sabemos nós, cientificamente, no futebol, que os outros não possam saber também? De facto, a nossa “forte personalidade espiritual”, traduzida em expressiva comunicação e em leal e simpático relacionamento, permite-nos uma liderança carismática, mesmo no meio de povos com itinerários históricos e culturais muito diferentes dos nossos.
Há necessidade de uma nova cultura do futebol. Com a cultura de massas, com o mediatismo e o hedonismo consumista, findou a “alta cultura” e, porque se tornou fácil saber de tudo; porque são muitos os que se julgam intérpretes de esperanças colectivas - despertam por aí os “falsos profetas”, os bruxos milagreiros, os anunciadores de um novo mítico D. Sebastião que, mais tarde ou mais cedo, vai regressar para resgatar um povo, uma cidade, até um clube. Não há dúvida: “o fútil tem valor de cultura. A época é de indiferenciação dos géneros e de confusão das hierarquias, que distinguiam, ainda há pouco tempo, a cultura nobre da cultura de massas” (Gilles Lipovetsky e Jean Serroy, A Cultura-Mundo: resposta a uma sociedade desorientada, Edições 70, Lisboa, 2014, p. 126). Assistimos ao triunfo da mediocridade. Há cada vez mais informação, há cada vez menos reflexão e cultura. No romance Bosque Proibido, de Mircea Eliade, encontrei uma página que me ficou gravada, para sempre, na memória. Em Londres, durante a Segunda Grande Guerra, quando os bombardeamentos da aviação alemã se repetiam, dia após dia. Tocam as sirenes anunciadoras de mais aviões, de mais bombas e de um caos indescritível. As pessoas fugiram apavoradas, para os abrigos antiaéreos, diante dos perigos que se aproximavam. As mães cingiam a si os filhos recém-nascidos. O medo tinha a ondulação e a largura de um oceano revolto. No entanto, no meio de um formigueiro de gente que corria desesperada, em direcção à segurança dos abrigos; numa hora de pura irracionalidade onde nada pode refrear o instinto de conservação – um homem curvava-se diante de um livro, indiferente ao zumbido das bombas e ao abismo de desgraças, que se abria à sua frente. Perguntaram-lhe: “Por que não foge você? Não vê que corre perigo?”. E ele, sem tirar os olhos do livro, respondeu imperturbável: “Estou a ler Shakespeare!”…
Hoje, quantos são os que lêem a poesia, ou a prosa, dos escritores de maior realce? Bem poucos! A qualidade quase não conta. O que mais conta é a lógica da mediatização, do marketing, do star-system. “A época hipermoderna é aquela em que os media exercem um poder cada vez maior sobre a vida intelectual, tornando-se vectores primordiais de legitimidade e de consagração dos autores. O reconhecimento pelos pares já não é o único a ter relevância. Concorre com o reconhecimento mediático, que entroniza as novas vedetas dos conceitos e da filosofia best-seller. Agora são os media, mais do que os círculos científicos e intelectuais, que fabricam as celebridades” (Gilles Lipovetsky e Jean Serroy, op. cit., p. 128). Não, não digo que a eficácia vale menos do que a especulação; que a teoria, ou uma posição contemplativa, é o que mais importa, no ato de transformar (incluindo a sociedade injusta); que o incessante interrogar, por si só, pode afeiçoar e potenciar a sociedade (e a pessoa humana) aos desígnios dos que procuram a Verdade e o Bem. O que eu pretendo dizer é que a práxis é uma actividade teórico-prática, em que a teoria se vai modificando com a experiência prática e esta, por sua vez, não deve excluir, no seu itinerário, a investigação constante, a denúncia do erro, o juízo de valor… para transformar-se também! A vida tanto deve animar e fundamentar a reflexão como deve ser alimentada e provocada pele reflexão. Em poucas palavras: a filosofia é vida, como a vida é filosofia. A vida portanto não se resume a pura espontaneidade, nem a definitiva imobilidade, porque se trata de um contínuo “fazer-se”… no ato da transcendência! A bruxaria e a feitiçaria usam metodologias distintas das que são típicas da prática desportiva e (pior ainda) sem pontes de diálogo com a ética desportiva, pois que, se são sujeitas aos ditames da razão crítica, não passam de modalidades particulares de trapacice, de burla, de fraude ou dolo.
A sociedade do hiperconsumo precisa constantemente de novos objectos, de acontecimentos espalhafatosos, de notícias mirabolantes. Invadem as livrarias livros de culinária, com pitéus deliciosos e outros livros que nos dizem como viver, com saúde e potência sexual invejáveis, até aos cem anos de idade. Tudo parece fácil, até conhecer Homero ou Petrarca, depois de uma curta viagem à Acrópole ou a Florença. Ora, a ciência da história não se resume a uma viagem apressada a um mundo definitivamente sepulto mas, como “mestra da vida” que é, à reconstituição do que permanece vivo, exemplar, pedagógico, no meio das ruínas que, inevitavelmente, o tempo faz - o que exige paciência e tempo e estudo. Não quero que as minhas palavras revelem qualquer ponta de crítica ou desconfiança, em relação aos extraordinários avanços da tecnociência actual, que a medicina, a farmácia, a astronáutica, o próprio treino desportivo, etc., etc. concretizam e merecem o espanto não só dos especialistas, como até doutros intelectuais de inquieta curiosidade. Nada do que se edificar sobre sólidos alicerces culturais; nada do que for ditado por um trabalho inteligente e diligente; nada do que está inscrito, com imperecíveis letras, na história das ciências – nada destas páginas gloriosas da história da humanidade deixará de receber o meu humilde aplauso. Mas que não se confunda a cultura dos cientistas, dos filósofos, dos escritores, dos artistas, fruto de muito estudo e de muita “prática teórica”, com as experiências apressadas e mercantilizadas do turismo cultural. Como se um corte epistemológico, ou um romance de enredo fascinante, ou uma descoberta científica, fossem as coisas mais triviais deste mundo. Não se condena o turismo cultural, mas antes dele há a concentração exclusiva e apaixonada nas grandes aquisições da tecnociência e da arte e da cultura e do direito, que não se entendem e trabalham, em meia-hora, ou três-quartos-de-hora. Como as vitórias dos grandes treinadores de futebol não se limitam à morte de uma galinha e a meia-dúzia de rezas a Santa Filomena (que aliás nunca existiu). Sinceramente, o futebol, como actividade humana que é, merece mais, muito mais… para ser Ciência e Arte e Consciência!"

Mais dois...

B's pela raia...

Benfiquismo (DXXIV)

Alongamentos...