Últimas indefectivações

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Orgulho, no campo e nas bancadas !!!



Manchester United 2 - 2 Benfica



Qualificação garantida, e o 1º lugar está somente dependente da nossa vitória contra o Otelul. Admito que estava com bastante receio deste jogo. Uma derrota por mais de um golo podia retirar das nossas mãos o apuramento. O dia começou mal com um sorteio da Taça de Portugal bastante madrasto, e as minhas superstições parvas aceleraram os meus receios... Felizmente tudo acabou bem!!! Espero que a fortuna que hoje tivemos nos golos, se mantenha até sábado com a equipa!!!

Excelente o espírito colectivo de toda a equipa... a vitória esteve muito perto... é verdade que o Artur 'tapou' alguns buracos, mas o 1º golo do Berbatov é em fora-de-jogo (e houve mais foras-de-jogo não assinalados), e tenho muitas dúvidas no início da jogada do 2º golo do Manchester, o mesmo Búlgaro, parece controlar a bola com o braço!!!

A única nota negativa para o nosso lado foi a lesão do Luisão, espero que não seja nada de grave, sabendo que o nosso capitão costuma demorar bastante tempo a recuperar de problemas musculares... O Miguel entrou bem, mas como é óbvio não é a mesma coisa, e até ao Natal vamos ter vários jogos complicados...

Pronto, lá obtivemos mais um resultado positivo com uma grande equipa Inglesa (vice-campeã Europeia), mais uma vez não fomos vergonhosamente goleados, como tradicionalmente acontece com outros... provavelmente este Manchester é muito fraquinho, afinal o Giggs e Park não jogaram!!! E já agora, o 'atrasado mental' (além de incompetente) do nosso treinador lá obteve outro bom resultado!!!




PS: No último Domingo estive em animada cavaqueira com um grupo de Ingleses, quase todos adeptos do Man United, obviamente o tema da conversa foi o jogo desta noite... já com muitos copos em cima a troca de galhardetes foi animada... alguns (os mais novos), os menos informados (que estiveram a ver o jogo ao vivo), demonstravam a habitual ignorância/snobismo sobre o verdadeiro valor do Benfica. Esta noite, além do resultado, para as adeptos do Manchester que tiveram no Estádio, o comportamento exemplar dos Benfiquistas presentes, deve ter mudado definitivamente a percepção destes Ingleses sobre o Benfica.
Como não podia deixar de ser um dos Ingleses, que com 8 anos acompanhou o Mundial de 66, confessou-me que Eusébio foi o seu grande ídolo da juventude, futebolisticamente ao mesmo nível do Pelé, hoje, com uma casa de férias em Portugal, este adepto do Manchester, vai à Catedral da Luz várias vezes por ano apoiar o nosso Benfica... e é assim que se ganha adeptos e prestígio!!!

Uma ostensiva indiferença

"Manchester - A ostensiva indiferença com que os jornalistas ingleses receberam o Benfica tornou-se num agressivo sinal de espírito superioridade. Todos os jornalistas ingleses acreditam tanto na vitória do United - especialmente os jornalistas de Manchester - que na chegada do Benfica não havia um único fotógrafo ou um único repórter inglês. Para eles, o Benfica não é notícia, porque é o clube suposta e inevitavelmente perdedor. Nem mesmo na conferência de imprensa de Jorge Jesus houve o mais pequeno interesse. Apenas um jornalista, tão mudo quando enfastiado, se incomodou a fazer, enfim, uma pergunta, porque Jorge Jesus dissera que não considerava a liga inglesa como uma das melhores do mundo. «Porquê?» - quis saber, quase ofendido, o jornalista. Jesus comprou a guerra e disse que, para ele, a liga espanhola, alemã e italiana eram melhores e que por isso é que na tentativa de melhorar a liga inglesa vêm tantos treinadores e jogadores estrangeiros.

O olhar do jornalista fulminou o técnico e nem mais uma pergunta inglesa se ouviu em toda a conferência de imprensa.

Dizem alguns que por cá vivem que essa é uma maneira do United começar a ganhar os jogos. Tentar demonstrar como o adversário é insignificante e, por isso, incapaz de poder fazer outra coisa que não seja conformar-se com o podre destino dos derrotados.

A questão é saber se Jorge Jesus será capaz de convencer a sua equipa a fazer engolir a soberba britânica e surpreender, de uma vez, a Inglaterra e o mundo. Não se pode dizer, pelo menos, que o projecto não seja aliciante..."


Vítor Serpa, in A Bola

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A questão central

"Marcadas para o próximo mês de Dezembro, as eleições para a Federação Portuguesa de Futebol têm feito correr muita tinta. Primeiro foram as candidaturas, concretizadas e abortadas; os apoios, concedidos e negados; e a muita especulação que sempre acompanha este tipo de processos. Agora está em cima da mesa a arbitragem, elemento para onde confluem quase todos os interesses, declarados ou não, dos principais clubes profissionais.

Há, no entanto, um assunto que, enquanto benfiquista, me preocupa ainda mais do que as mãos onde vai cair a arbitragem no novo elenco federativo. Falo dos direitos televisivos, e dos rumores que se vão ouvindo, aqui e ali, sobre a eventualidade da respectiva negociação poder passar a ser centralizada. Pior do que Paulo Costa do Conselho de Arbitragem, só mesmo a concretização desse intento, que constituiria um profundo golpe nas legítimas aspirações do Benfica a fazer valer a sua maior popularidade.

Todos sabemos que o contrato que ainda vincula o nosso clube à Olivedesportos foi assinado em circunstâncias muito peculiares, e não reflecte minimamente o peso social e comercial do Benfica. Não podemos culpar outros por isso. Foram três anos de gestão calamitosa que levaram a que tivéssemos de negociar com a corda já bem apertada ao pescoço. Findo o prazo a que estamos contratualmente obrigados, chegaria por fim a ansiada liberdade de, num contexto completamente diferente, de boa saúde e com voz grossa, fazer ouvir os nossos interesses, e cobrar o justo valor pelos nossos jogos, dando início a uma nova fase na nossa história. Os que pretendem centralizar a negociação dos direitos televisivos, pretendem anular essa possibilidade. Pretendem manietar o Benfica, e fazer dele um instrumento ao serviço de outros, inclusivamente daqueles que o hostilizam.

Alega-se que essa centralização tornaria o Campeonato português mais equilibrado. Nominalmente talvez fosse verdade, mas esse equilíbrio seria necessariamente estabelecido por baixo. Puxando os pés aos que maiores condições têm para voar fora de portas, teríamos um equilíbrio alicerçado na mediocridade.

O verdadeiro mercado onde o Benfica tem de concorrer é o mercado europeu. É na Liga dos Campeões que o Benfica tem de se afirmar como grande clube português, representante legítimo de um Futebol que, muitas vezes, nem sequer o merece. As suas receitas têm de ser compatíveis com as dos emblemas que competem no mesmo espaço, e buscam semelhantes objectivos. Não necessitamos de equiparar o Benfica com o Feirense ou com o Rio Ave. Queremos é um Benfica, tanto quanto possível, no mesmo plano do Manchester United, do Real Madrid ou do Chelsea. É isso que o futebol português deve procurar para os seus mais representativos clubes - à cabeça dos quais figura claramente o nosso.

Há países onde as coisas não funcionam deste modo. Nesses, além do bolo televisivo ser muito maior, a dimensão e diversidade do mercado também o são, existindo vários clubes capazes de polarizar regiões, e agregar multidões. Sabemos que não é o caso de Portugal, onde uma alteração dessa natureza traria necessariamente consigo o pecado da artificialidade, e mesmo da concorrência desleal.

Ao contrário do que acontece com a vida, com a economia e com a política, não creio que no Futebol profissional tenha de haver especiais preocupações em proteger financeiramente os mais fracos - leia-se, aqueles que não têm adeptos, não geram receitas, e não conseguem sustentação para manter os níveis competitivos a que os seus dirigentes, muitas vezes por propósitos extra-desportivos, aspiram. Não estamos a falar os seres humanos, nem de empresas particularmente geradoras de emprego, mas sim de SAD's ou afins, que só devem existir e competir se tiverem condições para o fazer, respeitando as regras e os profissionais que contratam.

Dir-me-ão que, sem discriminação positiva, muitos clubes deixariam de ter condições para competir ao mais alto nível, e que, cingindo-se às receitas que cada um conseguisse realizar, não sobrariam mais de dez para uma primeira divisão. Pois é isso mesmo que defendo (uma drástica redução de clubes profissionais, e, como consequência, um Campeonato a quatro voltas), por me parecer que o nosso pequeno país, com as suas limitações geográficas, demográficas, e (sobretudo) económicas, não tem condições para mais.

Não devem ser os grandes clubes - neste caso o maior de entre todos eles - a pagar, com a perda da sua competitividade internacional, o preço de uma desmesurada e artificial dimensão do panorama desportivo nacional. Não é esse o nosso problema, e não pode ser resolvido à nossa custa.

Por tudo isto, creio que a manutenção da liberdade de negociação dos direitos televisivos é algo de que o Benfica nunca poderá abrir mão. E qualquer candidato que não se comprometa firmemente com esse princípio, nunca poderá ter o nosso apoio."


Luís Fialho, in O Benfica

Decisivo?

"Na próxima terça-feira, em Old Trafford, o Benfica pode já definir o seu destino na fase de Grupos da Liga dos Campeões.

O indigesto empate cedido em casa na jornada anterior não inviabilizou as esperanças no apuramento, mas complicou as contas, abrindo algumas possibilidades pouco simpáticas. Se, por um lado, ma vitória em Manchester, qualquer que ela seja, garante matematicamente o primeiro lugar do grupo - aspecto extremamente importante para reforçamos as nossas aspirações na fase seguinte -, por outro lado, ma eventual derrota por mais de um golo de diferença (que o diabo seja cego!) deixa o Benfica, desde logo, dependente de terceiros. Na verdade, se esse resultado acontecesse, e, paralelamente, o Basileia vencesse na Roménia (combinação que não é difícil de imaginar), suíços e ingleses entrariam na última jornada com a certeza de que um 2-0 serviria para os apurar a ambos, deixando o Benfica de fora (independentemente do número de golos que marcasse ao Otelul, pois com três equipas empatadas a onze pontos, só os golos marcados entre elas seriam considerados).

Não pensemos nessa possibilidade, e aguardemos que a nossa equipa consiga trazer um resultado positivo, que pode ser a vitória, como pode também ser um empate - situação em que o apuramento ficaria muito perto de se concretizar, e em que o primeiro lugar do grupo estaria em aberto para a última jornada (então sim, com os golos ao Otelul a contarem para efeitos de desempate).

Em 17 anos, só por uma vez ultrapassámos a Fase de Grupos de uma competição onde, antes, havíamos alcançado grandes feitos. Depois de épocas de amargura (chegámos a ficar fora de todas as provas europeias), o Benfica tem seguido o seu caminho, e o actual posicionamento no ranking da UEFA já reflecte essa viragem ao encontro da história. Em 2002 éramos 91ºs, agora somos 14ºs, muito por via das boas prestações na Liga Europa. Falta que, na cintilante Champions League, possamos dar o passo definitivo capaz de nos recolar entre os grandes."


Luís Fialho, in O Benfica

Rodrigo e a memória de Ruy Belo

"Rodrigo tem tudo para fazer história no Benfica. É muito jovem, é possante, tecnicamente irrepreensível, possui um remate poderoso e tem um invejável poder de concretização.

Dois jogos bastaram para confirmar aquilo que já muitos tinham percebido. Para além disso, tal como Nolito, tem a capacidade invulgar de muitiplicar as energias da equipa, pela forma como está em campo e se entrega plenamente ao jogo.

Esta foi mais uma das escolhas certas do Benfica para a presente temporada. O importante é que a solidez do colectivo não gere o excesso de confiança que, por vezes, leva os jogadores a darem como certos resultados que ainda o não são. Esse é um dos riscos decorrentes dos golos iniciais que parecem anunciar expressivas goleadas que depois não se concretizam.

Ao ver Rodrigo a jogar nestes dois jogos lembrei-me, por estranho que possa parecer ao leitores, de um poeta, de um maiores nomes da poesia portuguesa do século XX. Chamava-se e chama-se Ruy Belo, morreu com apenas 45 anos no final dos anos setenta, era fervoroso adepto do Benfica e também gostava de jogar Futebol. Com a rara sensibilidade dos poetas, Ruy Belo conseguia ver num jogo de Futebol e estética para além da táctica, a beleza para além da estratégia.

A sua vida e obra foram agora celebradas num colóquio internacional na Fundação Gulbenkian, que assinalou os 50 anos da publicação da colectânea 'Aquele Grande Rio Eufrades', título de referência obrigatória da poesia portuguesa comtemporânea. Conheci Ruy Belo em Lisboa, fomos vizinhos em Queluz e encontrei-me duas vezes com ele em Madrid, onde era leitor de Português na Universidade Complutense. Sempre que podia, também falava de Futebol e do nosso Benfica, paixão a que nunca renunciou.

Tendo partido prematuramente, dou por mim a pensar nas muitas alegrias e tristezas que o Benfica não chegou a dar a Ruy Belo. Uma das formas de o homenagear, poderia ser dedicar-lhe o golo de Rodrigo contra o Basileia."


José Jorge Letria, in O Benfica

domingo, 20 de novembro de 2011

Inspiração Davi(na) !!!

Olivais 1 - 4 Benfica
Davi(3), Vitor Hugo



Jogo complicado: primeiro remate do Olivais deu golo!!! Bolas nas barras, muitos remates de longe. Até que o Davi resolveu abrir o 'livro': grande golo de calcanhar (ao segundo poste, como manda as regras. Estranho, o Benfica, quando remata, raramente colocar um jogador ao segundo poste); grande golo de 'bico'; grande golo, com um remate 'à Cardozo' com o pé direito!!! Tivemos alguma sorte durante o jogo, já que defensivamente estivemos mal, deixámos demasiadas vezes o Olivais aproveitar as costas da nossa defesa alta, a rectificar...

Misturas !!!

Hoje, a meio da tarde, na minha santa terrinha, tudo estava calmo, até que apareceu um grupo colorido, com pronuncia acentuada, com novos e menos novos, homens e mulheres, gente de grupos organizados e outras nem por isso, mas tudo na paz dos anjos... era a comitiva Bracarense a caminho do Alvalixo (ainda estive para perguntar se havia algum electricista na comitiva, mas não fui a tempo!!!)... Foi só uma paragem para esticar as pernas... Portanto tudo normal. Mas lá no meio dos cachecóis, e das camisolas vermelhas, houve uma cor que me encadeou o olhar!!! Pois é, um casaco azul, com o sinonimo de Corruptos escrito nas costas!!! E não era um casaco normal, usado por uma pessoa qualquer, era claramente um produto usado exclusivamente pelos subordinados do Macaco!!!

Tudo normal, provavelmente um dos distribuidores de bolas de golfe!!!

O Maior

"Luís Filipe Vieira foi judicioso. 'Eusébio está acima de todos, está também acima de mim'. O presidente do Benfica homenageou, através de uma frase simples, mas de grande conteúdo substantivo, o melhor jogador português de todos os tempos, a mais emblemática figura do historial centenário do nosso Clube.

Por ocasião do lançamento da obra 'Eusébio Enciclopédia', excelente trabalho assinado pelo jornalista Afonso de Melo, Luís Filipe Vieira, não apenas com o peso institucional que possui, disse o que todos poderiam e deveriam dizer. Eusébio, património singular do Benfica, é o maior motivo de orgulho numa longa e tantas vezes vitoriosa trajectória vermelha.

Com aquele traço de humildade que lhe é apanágio, sempre que ocorre uma homenagem pública ou privada, Eusébio agradece invariavelmente ao Clube. 'Devo tudo ao meu Benfica', já o declarou pela enésima vez. A gratidão é um dos sentimentos mais bonitos, jamais refutado pelo maior goleador português de sempre.

Eusébio orgulha-se do Benfica, o Benfica orgulha-se de Eusébio. Dito de outra forma, Eusébio é Benfica, Benfica é Eusébio.

Quantos clubes a nível internacional podem exibir como sua uma personalidade do jaez de Eusébio no universo do Futebol? Poucos, muito poucos. E em termos nacionais? Nenhum, rigorosamente nenhum.

A importância de Eusébio não pode ser subestimada, não pode ser questionada. Eusébio, anos a fio, foi todos nós. Eusébio anos a fio, fez por nós aquilo que mais ninguém fez. Eusébio continua a ser uma referência primacial, uma referência inigualável. Por isso, como bem precisou o presidente Luís Filipe Vieira, 'Eusébio está acima de todos'. O trono não vagou, o trono não vagará."

João Malheiro, in O Benfica



PS: Na sequência das declarações do King desta última semana, primeiro sobre os Lagartos e depois sobre o Palhacito Alan, a comunidade Lagarta (com raríssimas excepções) tem reagido da forma mais rasteira possível (aliás outra coisa não seria de esperar!!!). No meio de tanta nojeira, sou obrigado a realçar o texto do vagabundo intelectual Ernesto n'A Bola: usando uma prosa pseudo-comíca, pseudo-intelectual, historicamente ignorante (como é tradicional!!!), tenta minorar a figura do nosso Eusébio da Silva Ferreira... Não tem a coragem de o dizer directamente, mas usa indirectas, cobarde até ao fim... Um digno Lagarto Porco Mentiroso, cada um tem o que merece, nós temos o King, eles têm o Ernesto!!!

Preto e branco

"1. Ainda o Sp. Braga-Benfica da semana passada e mais um episódio lamentável: o das acusações de Alan, aquele mesmo jogador que tocado no peito por Javi García no jogo da época passada, se rebolou no chão agarrado ao pescoço, levando o árbitro a expulsar o nosso jogador. Alan acusou Javi de lhe ter chamado 'preto de m...'. E, à Renascença acrescentou: 'Não sou preto. Sou negro com muito orgulho.' Nunca mais me esqueci de uma conversa tida com o meu antigo colega no Atletismo do Benfica, Rui Mingas, há uns 45 anos. Já não me lembro a que propósito, disse-lhe que ele era negro. E ele respondeu-me, prontamente: 'negro não, sou preto; e tu és branco'. Que é como que diz: eu sou preto, tu és branco, tal como este é alto e aquele é baixo. Nascemos assim e não há diferenças.' Não sei se acrescentou ou não, mas estava implícito: '...e tenho muito orgulho em ser preto, tal como tu te deverás sentir bem em ser branco.' Esta conversa aconteceu no Portugal de Salazar. Nunca mais a esqueci. E estas tristes declarações de Alan fizeram com que a voltasse a recordar.

2. Realizou-se esta semana o último jogo da Selecção do mandato deste elenco federativo, que em breve será substituído. Com a sua saída, Amândio de Carvalho deixa cargos na FPF. Ele voltou a ter que dar a cara nos momentos maus, em virtude da doença do presidente Gilberto Madaíl. Lamentavelmente, e a (des)propósito, foi muitas vezes recordado o caso-Saltillo, em que Amândio de Carvalho foi vítima da incúria do presidente de então, Silva Resende, que sucessivamente adiou o diálogo com os jogadores e depois não apareceu no México quando se impunha a sua presença, deixando a 'batata quente' nas mãos do saudoso José Torres e de Amândio de Carvalho. Depois, Silva Resende 'vendeu-se' à Associação do Porto para se manter no cargo, à custa da 'cabeça' de alguns dirigentes. Foi o princípio do estado a que chegou o Futebol português.

3. Dá-me gozo sempre que leio notícias sobre o desesperado esforço dos dirigentes do FC Porto em 'despachar' o Cristian Rodriguez, que há três anos, para o desviarem da rota do Benfica, lhes custou sete milhões de euros e mais um ordenado milionário, ao nível dos mais caros. Foi um 'flop' completo. Está a chegar ao fim do contrato, o clube está em risco de nada lucrar com a sua saída e agora, diz-se, está disposto a cedê-lo por três milhões."


Arons de Carvalho, in O Benfica

Presente futuro

"Ainda bem que o mister reafirmou como propósito do Benfica «ter mais jovens formados no Clube» e que o fez na sequência de alertas sucessivos do presidente para a tempestade financeira que aí vem. O Benfica tem um plantel consideravelmente jovem - média de idades de 23,4 anos - mas hoje pensar no futuro implica ter os pés assentes na terra e fazer contas, não de mercearia, mas no âmbito de uma economia moderna e aberta, num sector de enorme e nem sempre leal concorrência. O plantel de uma grande equipa como é o Benfica é uma realidade de geometria variável: saem uns, levados pelo mercado e pela necessidade de equilibrar despesas com receitas, entram outros, não sendo razoável imaginar o Benfica a fazer aquisições milionárias. Aliás, o Clube tem sido mestre na arte da contenção e do equilíbrio, através da valorização. Em duas épocas sucessivas o Clube vendeu alguns anéis, realizando receitas de vulto, mas não desfez a equipa. E aí está um Benfica, reforçado, a dar cartas em todas as competições.

No passado fim-de-semana, futebolistas do Benfica brilharam em relvados de diversos continentes. Mas, sem desprimor, permitam-me que destaque as prestações, nas respectivas selecções Sub-21, de Nélson Oliveira e de Rodrigo Moreno. Esta dupla atacante confirmou-se como arma mortífera nas selecções de Portugal e Espanha em partidas de qualificação para o Europeu do escalão: hat-trick do espanhol em dois jogos sucessivos, bis do português, frente à Moldávia, confirmando as razões que levaram a revista Tuttosport a nomeá-lo para o prémio de melhor jovem futebolista do ano. E é caso para dizer que, de onde este veio, há mais prontos a sair.

Temos em campo o Benfica do presente com vista para o Benfica do futuro."


João Paulo Guerra, in O Benfica

O lamaçal

"A Selecção da Federação Portuguesa de Futebol foi obrigada a jogar num campo de futebol bósnio que tinha um relvado num estado miserável e, para o piorar, os malvados bósnios até ousaram regar os poucos tufos de relva antes do jogo.

Não houve alma ligada ao futebol luso que não se tivesse indignado. Todos foram profícuos na adjectivação da situação: vergonhoso, ultrajante, inaceitável… Todos, sem excepção, condenaram o crime de lesa futebol, lesa verdade desportiva e lesa virilidade lusitana que os bósnios perpetraram. Houve jornalistas e opinadores que se revoltaram contra o facto de a Direcção da FPF se revoltar apenas nas entrevistas e não se revoltar formalmente, em documento próprio e enviado à UEFA, FIFA, ONU e Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. O Madaíl, antes que os indignados o atolassem no lamaçal bósnio, lá preencheu a papelada e, formalmente, lavrou protesto. Os indignados suspiraram de alívio e o Madaíl também. Jogaram, mas jogaram sob protesto. Foi comovente ver tamanha indignação, tamanha revolta e tamanha luta pela dignidade que deve ser inerente a qualquer partida de futebol.

Assim, percebemos todos que um ervado mal semeado e abundantemente regado é, obviamente, algo de inaceitável para quem manda no futebol português e para os jornalistas desportivos lusos. Pelo contrário, apedrejar selvaticamente um autocarro com os futebolistas lá dentro, obrigar a equipa adversária a equipar-se fora do balneário, agredir os jogadores adversários com bolas de golfe durante os jogos, interromper sucessivamente um jogo com apagões de luz, receber árbitros no domicílio na antevéspera de um jogo, oferecer prostituas a árbitros depois dos jogos ou aliciar futebolistas adversários com futuros contratos… são práticas consideradas normais.

Abençoado futebol bósnio."


Pedro F. Ferreira, in O Benfica

sábado, 19 de novembro de 2011

Vitória no regresso...

Benfica 8 - 2 Iserlohn



O regresso do Benfica à Euroliga merecia ser celebrado com uma vitória robusta, e foi isso aconteceu... é verdade que este foi provavelmente o jogo mais fácil desta primeira fase, mas é sempre bom começar a golear... era desnecessário a desconcentração no início da segunda parte.

No outro jogo do grupo o Lodi venceu por 6-1 o Vic !!! Com este resultado confirma-se que o nosso maior adversário vão ser os Italianos, sendo que os Espanhóis vão estar à espreita de um deslize qualquer!!!

Estranho...




Barcelos 80 - 85 Benfica

19-25, 20-15, 12-15, 24-20, 5-10



Vencer no tempo regulamentar ou no prolongamento vai dar ao mesmo, mas esta equipa tem obrigação de ganhar praticamente todos os jogos, com muito menos sofrimento, ainda por cima defrontando uma equipa sem um único Americano, que até agora só ganhou um jogo...!!!

Escapou...



Corruptos 23 - 22 Benfica



Não vi o jogo, mas os relatos que me chegaram, dizem-me que tivemos o jogo na mão, e deixámos o fugir nos últimos minutos... isto depois, de uma inacreditável expulsão ao Rui Silva!!! Ainda no primeiro tempo. Mais um 'empurrãozinho' dos Irmãos Martins!!! Aliás continuam a ser os únicos árbitros extra-futebol com um post totalmente dedicado a eles neste Blog!!!

Agora só temos que ganhar todos os jogos até ao final da primeira fase, sendo que o adversário mais difícil será os Lagartos na última jornada na Luz, de resto é tudo para ganhar, incluindo na Madeira e em Braga...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Naval ao fundo !!!



Naval 0 - 1 Benfica



Foi necessário recorrer ao nosso Submarino Rodrigo Moreno (e este foi mais barato que outros submarinos!!!), que com mais um torpedo, destruiu a Armada da Naval, mais habituada a estes desportos aquáticos...!!! Hoje, voltámos a falhar o alvo demasiadas vezes, até o calcanhar do Contra-Torpedeiro Taborda apareceu para chatear a cabeça do nosso chuta-chuta!!! Mas tudo acabou em bem, e sem nenhum afogamento...

Após mais esta batalha naval tenho que realçar um perigo evidente, que mais tarde ou mais cedo vai aparecer no nosso horizonte: se o nosso 'Submarino' Rodrigo manter a sua eficácia na próxima terça-feira em terras de Sua Majestade, ainda é requisitado pela prestigiada Marinha Britânica... espero que os torpedos acertem no alvo, mas também espero que continue por muitos e bons anos ao serviço da humilde mas gloriosa Armada Encarnada!!!

Um filme pornográfico

"Foi no Estádio da Luz que assisti à cena mais ordinária, chula, abjecta (e por aí fora, escolham o adjectivo) protagonizado por alguém que, não aquela meia-dúzia de animalejos que a partir de agora passarão, felizmente, a ficar instalados, mais confortavelmente do que merecem, numa jaula apropriada ao seu comportamento de selvagens. Os jogadores do FC Porto resolveram, sabe-se lá se por auto-recreação se por ordens superiores - conhecendo a subserviência de uns e a prepotência de outros inclino-me mais para a segunda hipótese - recusaram-se a entrar em campo de mão dada com os meninos equipados 'à Benfica', numa exibição de indecorosa infâmia que ficou gravada na memória dos que, como eu, se viram confrontados com tal baixeza.

Agora, ficamos a saber, que uma (ao que se diz) professora, impediu a entrada de um rapazinho numa sala da escola onde alguns jogadores do Braga assinavam autógrafos só porque este trazia vestida uma camisola do Benfica e isso poderia ser considerado uma provocação. Não quero saber se o rapazinho trazia vestida uma camisola do Benfica, do Sporting, do FC Porto ou do Recreio de Águeda. Interessa-me a pulhice da (ao que se diz) professora. Interessa-me a coragem do rapazinho e a cobardia asquerosa da besta da (ao que se diz) professora. Interessa-me a censura, o desrespeito pela diversidade da escolha, a ilegalidade do acto, a perseguição a alguém só porque exibe uma preferência, seja ela qual for.

O Futebol não precisa disto, as escolas também não, e Portugal muito menos. Se uma (ao que se diz) professora foi suspensa não há muito tempo por ter posado nua para uma revista, que fazer com uma (ao que se diz) professora que se presta desta forma a ser protagonista de um filme pornográfico tão barato e ordinário como este? Também para gente assim faziam falta faltas umas jaulas..."


Afonso de Melo, in O Benfica

O exemplo da Selecção

"Paulo Bento foi o principal vencedor no apuramento Nacional para o Euro-2012. Primeiro, porque herdou uma situação paredes meias com o descalabro, e, depois, porque nunca cedeu ao nacional porreirismo reinante. Implacável com a mentira e a indisciplina, exige rigor e solidariedade. É competente e foi valente. Se não o quiserem a seleccionador seria bom como governante.

Discordo, como qualquer treinador de bancada, de várias escolhas e até de alguns esquecimentos das suas convocatórias, mas confesso que lhe admiro a determinação e o carácter.

Ronaldo é fantástico, há ainda três ou quatro jogadores muitos bons, mas não temos uma Selecção repleta da qualidade individual que muitos outros países têm.

Em compensação tivemos ainda mais sublinhados os méritos de Paulo Bento. Exige como treinador o mesmo que dava como jogador, ou seja tudo.

É isso que quem entrar hoje na Figueira com a camisola do Benfica tem que fazer, dar tudo, jogar no limite.

Vejo que há vários titulares não convocados, mas desejo que hoje não seja o jogo que antecede Old Trafford mas sim um dos que antecede o Jamor. Não me esqueço que Varzim e Gondomar são, nos últimos 30 anos, duas das mais difíceis derrotas de digerir, julgo mesmo que ainda não estou completamente refeito desses resultados tão antigos.

Por essa razão e porque ganhar a Taça de Portugal é prioridade hoje vou à Figueira da Foz, para ganhar o jogo.

Terça-feira, em Manchester, só exijo um bom jogo. Com os romenos, em casa, o último jogo deverá ser suficiente para carimbar o passaporte para os oitavos-de-final, mas se puder ser mais cedo... óptimo.

O Benfica gosta de realizar proezas em terras de Sua Majestade, e os adeptos agradecem."


Sílvio Cervan, in A Bola

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

As inimizades coloridas (sobre alguns problemas actuais a cores e a preto e branco)

"Antes da era Madaíl o papel da Selecção portuguesa nestes torneios de apuramento era muito parecido com o actual papel da Bósnia


PRONTO, já está. Terminou a era Gilberto Madaíl na presidência da Federação Portuguesa de Futebol com mais uma qualificação para uma fase final de um grande torneio internacional e convém recordar, em tempo de balanço, que antes de Madaíl as coisas não se passavam bem assim. Antes pelo contrário.

Quase se pode dizer que antes de Madaíl o papel da selecção portuguesa nestes torneios de apuramento era muito parecido com o actual papel da selecção da Bósnia-Herzegovina. Lá íamos quase até ao fim a sonhar com a qualificação e depois, no fim, acabávamos quase sempre por ser eliminados por selecções mais fortes e melhor preparadas.

E lá vinha a choradeira do costume. Os árbitros, as manigâncias da UEFA e da FIFA, as condições climatéricas, o estado da relva, os nossos inimigos internacionais, o dinheiro ou a falta dele, as porcarias por varrer. Lembram-se?

Eu lembro-me. E por isso a choradeira da semana passada sobre a relva bósnia e a maldade da UEFA fez-me temer o pior.

Mas o Cristiano Ronaldo deu cabo disso tudo na noite de anteontem na Luz.

Assim é que ele é bom, a jogar.


HULK jogou os dois encontros amigáveis, contra o Gabão e contra o Egipto, pela selecção do seu país. Não marcou nenhum golo mas exibiu-se em bom plano e, assim sendo, despertou a curiosidade da imprensa brasileira que mal o conhece, valha a verdade, porque o percurso adulto de Hulk foi feito primeiro no Japão e, agora, em Portugal, países cujos campeonatos não são seguidos com enorme atenção no Brasil.

Por duas vezes titular na equipa de Mano Menezes, o avançado do FC Porto tornou-se finalmente bem conhecido no país onde nasceu e as entrevistas não param, todos querem saber mais sobre Hulk, o Incrível.

E, como não podia deixar de acontecer, até as mudanças da cor do cabelo do jogador são tema de interesse paraa imprensa brasileira.

Ao site 'Globoesporte', Hulk falou sobre as colorações e as descolorações capilares a que se tem submetido. 'Há um mês, acordei e fui lá no salão porque resolvi pintar de louro. Ficou um pouco diferente. Quem sabe se não o faço novamente?'

Com tropical malandrice, o entrevistador brasileiro perguntou-lhe se admitia alguma vez pintar o cabelo da cor do clube rival, o Benfica, e Hulk foi peremptório na resposta: 'De vermelho? Nunca!'

Francamente, penso que Hulk está a exagerar no anti-vermelhismo. Até pode não gostar da cor, e está no seu pleno direito. Mas, dando-se o caso de gostar dos vermelhos tanto como gosta dos amarelos, que já lhe vimos a emoldurar a cabeça, não tem que recear represálias.

Bastar-lhe-ia dizer que aquele vermelho não era o vermelho do Benfica mas sim o vermelho do Sporting de Braga e não haveria ninguém no Estádio do Dragão que lhe levasse a mal, antes pelo contrário.

E que ninguém considere esta discussão uma variante de racismo em nome das inimizades coloridas que têm marcado a agenda retórica do nosso futebol.

Cores são apenas cores. Tome-mos o exemplo ainda mais recente do Sporting. O presidente Godinho Lopes enviou uma 'newsletter' a todos os sócios do clube de Alvalade pedindo-lhes que no domingo compareçam 'todos verdes' ao jogo com o Sporting de Braga a contar para a Taça de Portugal a cores e a preto e branco.

Lá se vão esgotar os pólos verdes de marca nas grandes superfícies comerciais da Grande Lisboa.


O futebol joga-se a cores, não restem dúvidas. Tenho amigos sportinguistas que estão muitos encantados com o Alan porque chamou racista ao Javi Garcia e que estão muito zangados com o Eusébio porque o Rei, numa entrevista ao 'Expresso', chamou racistas aos sportinguistas do bairro em que cresceu em Lourenço Marques.

O Eusébio da próxima vez que for a Alvalade vai ter de ouvir uns remoques. Mas ainda não se sabe quando será essa próxima vez.

Já da próxima vez que o Alan for a Alvalade vai ser recebido com fidalguia e carinho. E é já no próximo domingo, quando o Sporting de Braga vier a Lisboa jogar com o Sporting na próxima eliminatória da Taça de Portugal.

No domingo que não se lembre o Alan de marcar golos ao Sporting não vá arruinar assim esta nova amizade tão inesperada.


NA semana passada, o Gabão-Brasil começou com quase vinte minutos de atraso. Tratava-se da festa de inauguração do moderno estádio de Liberville mas uma falha na electricidade deixou o relvado às escuras e o jogo teve de esperar.

Aconteceu em Liberville o que aconteceu em Braga, resumindo e concluindo.

Ambos são estádios modernos e funcionais. São coisas que acontecem. Não vale a pena especular.


NA euforia da vitória e da consequente qualificação para o Euro 2012, Paulo Bento esticou-se um bocadinho no seu ajuste de contas com Ricardo Carvalho e Bosingwa, o que já de si era absolutamente desnecessário, afirmando com ares de triunfador que o jogador do Real Madrid e o jogador do Chelsea iam estar no Verão com a selecção portuguesa na qualidade 'de espectadores'.

São imensamente respeitáveis as razões que levaram Paulo Bento a prescindir de Ricardo Carvalho e de Bosingwa com posições cativas nas equipas lideradas primeiro por Luiz Filipe Scolari e depois por Carlos Queiroz.

Ambos, primeiro Bosingwa, depois Carvalho, lhe faltaram ao respeito, como é do conhecimento geral. E um líder que não se dá ao respeito está positivamente tramado perante o grupo. A forma valente e solidária como a selecção nacional se bateu nos dois jogos com a Bósnia é a prova de que Paulo Bento não perdeu o controle sobre a equipa e essa é uma vitória pessoal que ninguém lhe pode roubar.

O que não é do conhecimento geral é a forma como Paulo Bento, na sua qualidade de seleccionador nacional, gere os egos, absurdamente inflacionados, das grandes vedetas do futebol português que, por isso mesmo, por serem grandes jogadores e enormes vedetas são naturalmente seleccionados para jogar pela equipa nacional.

Será necessária para exercer o cargo de seleccionador uma licenciatura em gestão de vaidades? E outra em conflitos de egos?

Porque foi disso mesmo que se tratou. Ricardo Carvalho, que parece ser uma pessoa doce, e Bosingwa, que não se parece com um meliante, não suportaram a desconsideração do colete-de-suplentes nos treinos da selecção.

Em Óbidos, Carvalho desarvorou porta fora e não demorou tempo a que todos percebêssemos o que se tinha passado. Na Suíça, antes do amigável com a Argentina, Bosingwa à vista do mesmo colete, preferiu não desarvorar. Mais lhe valia que o tivesse feito. Bosingwa decidiu afrontar Paulo Bento cara a cara, dirigindo-se ao líder em termos inaceitáveis: 'Ainda julgas que estás a treinar os juniores do Sporting.'

Compreende-se que Paulo Bento se tenha sentido ofendido.

E tudo isto já foi há algum tempo. Os juniores do Sporting ainda nem sequer tinham ido a Angola passar aquele mau bocado perante a selecção de Lito Vidigal...

Parabéns ao Paulo Bento que pegou numa selecção desmotivada e à deriva, sofrendo a bom sofrer ressaca do Mundial, e a levou até ao Europeu 2012 quando muitos já achavam a empreitada mais do que tremida.

Parabéns ao Paulo Bento por não ter cedido à lamachice nacional nos casos Ricardo Carvalho e de Bosingwa, dois excelentes jogadores que se deram à morte por vedetismo. Se Paulo Bento tivesse recuado seria certo a sabido que nunca mais ia ter mão na rapaziada.

Mas era escusada esta estocada final no ego dos insurrectos. Foi cruel. Foi uma pena."


Leonor Pinhão, in A Bola

O batatal

"«Jogo no batatal!», «Empate na horta»: eis dois títulos de pensar agronómico, após o jogo da selecção na Bósnia. De tal modo impressivos que, menos avisados, uns terão julgado que o jogo havia sido na cidade da Horta e outros, conhecedoras do vasto território brasileiro, logo cuidaram de saber como é que Portugal foi jogar junto ao Rio Batatal no Estado de S.Paulo.

Deixando a horta e concentrando-me no batatal, aproveito esta coluna (que hoje bem poderia chamar-se Batata-de-saída) para reabilitar o dito tubérculo. Não haverá outras expressões para se dizer que um relvado está desmazelado? Será preciso apelar ao milenar alimento humano? Ou terá sido pelo terreno ser mais solto? Ou mais permeável? Ou por ter leiras bem doseadas?

Uma discriminação injusta. Então porque não as beterrabas, couve-galega, pepinos, cebolas, hortaliças ou até abóboras? Ou ainda, em versão mais vernácula, um descuidado tomatal?

Zenica aconteceu por teimosia do senhor Platini que nos quis passar a batata quente.

Mas, felizmente, tudo acabou em beleza para Portugal. Enfiando seis batatas no estômago do adversário e oferecendo uma saborosa batata-doce aos portugueses. Para a UEFA - sempre tão zelosa em preservar a lógica da batata - não nos venham agora pedir batatinhas...

Dá vontade até de parafrasear uma famosa frase de um romance novecentista do notável escritor brasileiro Machado de Assis: «ao vencedor, as batatas»! Ao que acrescentaria: aos vencidos, ide plantar batatas! À UEFA, umas batatas a murro!

Enfim, a batata ilibada! Seja a vermelha, a branca, a riscada. Ou a rambana (corruptela do nome da batata irlandesa Arran-Banner), que elejo como a espécie escolhida para a meia dúzia desta memorável terça-feira."


Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Épica !!!

Valongo 3 - 4 Benfica



Podem pensar que é um exagero qualificar uma vitória pela margem mínima com o Valongo como épica, mas foi... Para a história vai ficar uma falta inventada a 2 segundos do fim, contra o Benfica, que deu livre directo, que o Ricardo defendeu!!! Mas devido à net, tivemos a possibilidade de ver todo o jogo (senão as incidências do jogo tinham sido abafadas): durante todo o jogo o critério na marcação das faltas foi do mais torto possível, isto com protestos constantes dos da casa, que queriam ainda mais ajuda!!! Mais de metade dos remates à baliza do Ricardo, nasceram de recuperações de bola em falta, não assinaladas!!! Em sentido contrário, ao Benfica até com o jogo parado, eram marcadas faltas, sempre a acumular... Se isto fosse caso único até não seria mau, mas principalmente nos jogos fora, esta roubalheira repete-se constantemente... Sendo que os nossos inimigos vivem uma situação totalmente inversa em todos os jogos!!! Para ajudar à festa, das poucas oportunidades que tivemos em matar o jogo, falhámos um penalty, e dois livres directos!!!
Além desta roubalheira, ainda temos que aturar as atitudes animalescas dos supostos adeptos do Valongo (no próximo jogo fora irá acontecer o mesmo), que imbuídos de um espírito terrorista se deslocam aos pavilhões deste país, ofender tudo o que veste de vermelho, e usa orgulhosamente uma águia por cima do coração, sendo que para cumulo, tal como no futebol, só nos jogos com o Benfica conseguem encher o pavilhão...!!! E já agora será que os jogadores do Valongo quando marcarem golos aos Corruptos (se marcarem) vão festejar na mesma maneira?!!! Ou será que vão pedir perdão...!!!

Num jogo onde houve dois manuais de regras, um para cada equipa, o Ricardo Silva foi um gigante!!! Uma última nota para o Viana: tem calma, não vale em pena reagir às provocações dos porcos, porque castigar jogadores do Benfica é facílimo!!!

A margem de erro continua a ser curta...

Benfica 32 - 20 Águas Santas



Esta equipa continua na sua montanha russa de altos e baixos, felizmente hoje foi um alto... espero que no próximo fim-de-semana, a equipa volte a repetir a exibição desta noite, porque temos que ganhar...

Se esta é a melhor dupla da arbitragem nacional, está explicada muita da palhaçada que se vê em quase todas as jornadas!!!

A verdade estatística

"Todos os dias somos confrontados, no mundo do desporto, com número, dados, comparações. Do clube que já não sofre golos há x minutos ao jogador que atingiu o jogo número y. Do mais novo ao mais internacional. Dos golos centenários ao número de taças conquistadas. Et caetera.

Devo dizer que sempre me senti fascinado pelo significado e exuberância da ciência estatística. E até pelo modo como uma ciência tão exacta serve de pasto a interpretações, discussões e aproveitamentos à la carte.

Daí que esteja atento ao que vai por aí aparecendo de estatísticas engalanadas. Foi assim que, em A BOLA de 8/11, li, com atenção, a notícia sobre o desejo do presidente do Sporting em ultrapassar o Barcelona em títulos europeus em diferentes modalidades. O Barcelona já foi múltiplas vezes campeão europeu em futebol, claro, mas também em hóquei, basquetebol e andebol. O Sporting foi-o em futebol (a velhinha Taça das Taças), hóquei, andebol e atletismo. Assim, se vencer em futsal ultrapassará o clube catalão. É claro que, para esta emulação desportiva, não contam o número de títulos e a sua importância, mas o número de modalidades.

Acontece que, quer o presidente leonino no seu legítimo entusiasmo, quer a jornalista da notícia não verificou se, porventura, haveria mais algum clube com aquela auréola conquistadora.

Daí resultou um lapso. Para além dos dois clubes, faltou um terceiro. Por sinal, português, também: o Benfica. Que aqui relembro, já foi campeão europeu em futebol (a Taça dos Campeões Europeus), hóquei, futsal e atletismo (a taça dos clubes campeões europeus de estrada em 1988, 89, 90, 91 e 92).

Fica, assim, reposta a verdade estatística, já que na estrutura do SLB ninguém disso cuidou."



Bagão Félix, in A Bola

Força...

Infelizmente tive uma situação igual a esta na minha família próxima, à pouco tempo, e acabou da pior maneira, mas também tenho um amigo, hoje adulto, e muito bem com a vida, que conseguiu ultrapassar uma situação destas na sua infância... aquilo que nós podemos fazer é ir fazer o teste, algo simples, mas que infelizmente a maioria da população não faz (devia ser obrigatório), no Site do Benfica estão os contactos online por região, onde nos podemos dirigir, para ajudar o Gustavo e todos os outros que estão a passar por estes momentos difíceis...

terça-feira, 15 de novembro de 2011

El Mago



" (...)

Antes não gostava de dar entrevistas. Agora tolera-as de vez em quanto. Foro do campo parece mais baixo e magro. Fala pausadamente, cumprimenta e despede-se com exemplar educação. Pede desculpa se grita com os colegas no campo e diz que ainda não fala português porque tem vergonha


-Pablo, para começo de conversa, trazemos-lhe as oitenta e uma primeiras páginas de A BOLA que têm uma fotografia sua. Destas, qual destacaria?

-Vamos ver, são muitas! Julgo que a do clássico com o Sporting, no ano em que ganhámos a Liga. Onde é que ela está? Tenho de procurar...

-É uma em que aparece ao colo do Luisão, em Abril de 2010, pode consultar pela data.

-Sim, está, cá está.

-Falando de capas, falemos de jornais. É fácil a relação de um grande jogador com os jornalistas?

-Terão de perguntar a um grande jogador (risos)...

-Por isso mesmo lho perguntamos a si...

-Bom, se a pergunta é para mim, digamos que há uns anos, quando era mais chico, esta relação era complicada. Mas era um erro, admito. Não entendia que futebolistas e jornalistas fazem ambos parte de um mesmo jogo e de um mesmo espectáculo. Não entendia as críticas, não as aceitava. Não percebia que aquelas pessoas, jornalistas como vocês, estavam apenas a trabalhar. Nessa altura lia tudo o que saía nos jornais.

-E agora?

-Agora é raro ler um jornal desportivo ou mesmo ler algo sobre desporto na internet.

-Mesmo quando sabe, por ter feito uma boa exibição, que as críticas serão positivas?

-Sim, mesmo nessa alturas. Há muitos anos que deixei de ler.

-Por achar que o se escreve é fiel a realidade?

-Não. Porque me parece difícil manter os pés na terra. Há, desde há alguns anos, uma sobre exposição de tudo e todos. Não só de futebolistas, de toda a gente. Com a internet, sobretudo, mas também com as televisões e os jornais, fala-se demasiado de tudo e de todos. Nunca me dei bem com isso, apesar de agora me dar um pouco melhor. Ser conhecido e ter fama não é a parte de que mais gosto por ser futebolista.

-De que gosta mais?

-De treinar e de jogar.

-Tem fama de não gostar de falar. Confirma?

-Em miúdo raramente dava uma entrevista. Um erro que comecei a corrigir. Não é que não goste de falar, mas a verdade é que nem sempre temos algo interessante para dizer. Não podemos estar a falar a qualquer hora e sobre qualquer assunto. Neste momento, no século XXI, há tanto assunto que é impossível sabermos de tudo. A verdade é que, por vezes, fazem-nos perguntas para as quais não há respostas.

-Como reage, no final de um jogo, às perguntas triviais mas também inevitáveis que os jornalistas lhe fazem?

-Fazem parte do futebol e era isso que eu não entendia. Fazem as perguntas que têm de ser feitas. Se estamos a falar de futebol, vamos perguntar o quê? Qual é a capital da Nicarágua?

-Dentro do campo, durante os 90 minutos, é um jogador falador com os companheiros?

-Sim, falo muito, falo muito. No campo falo realmente muito.

-Mesmo que seja algo menos agradável?

-Sim. Mas não são muitas as vezes em que tenho algo mais desagradável para dizer a um companheiro. São coisas que digo para tentar melhorar o rendimento da equipa. Corrigir o posicionamento de um companheiro ou algo assim. Mas não me recordo de ter tratado mal um colega. E, se algum dia o fiz, pois aqui lhe peço perdão.

-Por ser Aimar, sente-se muito pressionado? José Mourinho chegou a dizer aos jornalistas espanhóis que, por causa deles, tinha de ter cuidado com aquilo que punha no caixote do lixo. Sente o mesmo?

-Nunca senti isso. Mas estão a falar-me do melhor treinador do Mundo, a trabalhar numa das suas melhores equipas do Mundo e, a esse nível de popularidade, não sei o que se passa. Não passo, nunca passei, por aquilo que passam Cristiano ou Messi, por exemplo. É uma fama de nível mundial e não sei o que se passa na pelo deles.

-Mas Aimar também é mundialmente famoso.

-Sim, mas falo de outro nível. Falo dos melhores três ou quatro jogadores. Talvez dos melhores dez, vá lá. Excluindo esses, acho que se pode fazer uma vida perfeitamente normal.

-A pressão de um futebolista na Argentina, em Espanha ou em Portugal é idêntica?

-Sim, sim.

-A ideia que se tem em Portugal é que, na Argentina, a pressão dos adeptos é terrível, quase assustadora.

-Não. Num clube como o Benfica, que tem 200 mil sócios e não sei quantos milhões de adeptos, a pressão de ganhar é igual. No Valência e no Saragoça, as outras equipas em que joguei, é quase igual. A pressão de um médico, que tem de salvar a vida de uma pessoa, nada tem a ver com a pressão de um jogador. É muitíssimo superior.

-Porém, um jogador do Benfica, por exemplo, tem a pressão de milhões de pessoas a criticá-lo, a elogiá-lo, a ver todos os passos que dá e não dá.

-Mas comparada com as pressões reais, a nossa é muito menor.

-Pode considerar-se uma boa pressão?

-Sim. É uma motivação. Ser futebolista é algo maravilhoso.

-Olhando para 2008, qual a motivação que o levou a assinar pelo Benfica?

-Sentir que o Rui (Costa) foi a Saragoça falar comigo para me levar para o clube. Disse-me que queria que eu usasse o seu número. E quando ele me começou a falar do Benfica percebi alguma da grandeza do clube. Não sabia que tinha este estádio maravilhoso, não sabia que tinha tantos hinchas, confesso. E só agora, três anos depois, me apercebo, na perfeição, do impacto que o nome do Benfica tem em todo o Mundo.

-Correu muitos riscos ao vir para Portugal? Não por vir para o Benfica, mas por vir para uma liga de menor dimensão do que a espanhola?

-Quando vim para Portugal, pensava que vinha para uma liga menos competitiva. A verdade, porém, é que, tendo as duas melhores equipas do Mundo, como são o Real Madrid e o Barcelona, qualquer liga será menos competitiva que a espanhola, é bem verdade.

-Quando lhe deu o click para assumir que queria realmente vir para o Benfica?

-Todos temos ego, embora o possamos tentar negar. Por isso, quando vi uma pessoa tão importante no mundo do futebol, como Rui Costa, vir de Lisboa a Saragoça para falar comigo e me tentar contratar, o meu ego ficou inchadíssimo. Só quis retribuir-lhe a confiança que estava a depositar em mim.

-A confirmação como jogador do Benfica esteve longe de ser fácil.

-Sim, as coisas arrastaram-se durante algum tempo.

-É normal ser assim?

-Sim. Por vezes, os jornais começam a falar do interesse de um jogador em Dezembro e a contratação só se concretiza em Junho ou Julho. No meu caso, até foi mais rápido (risos).

-No Saragoça teve muitas lesões.

-Sim, sobretudo uma na púbis, que me obrigou a ser operado.

-Chegou a pensar que a carreira estava em risco?

-Sou uma pessoa que tenta viver um dia de cada vez. E, nessa fase, não estava a desfrutar da beleza de ser futebolista. Doía-me a púbis, doíam-me os adutores, doíam-me quase tudo. Se essa fase se prolongasse por muito tempo, teria de ver se valeria a pena continuar, mas nunca cheguei, verdadeiramente, a pensar nessa possibilidade. Quando perceber que as lesões não me largam ou quando já não sentir o prazer que agora sinto, tomarei a decisão de sair.

-Três anos depois, confirma que foi bom para si vir para Portugal?

-Sim. Estou muito contente, sobretudo por causa do carinho que sempre me deram os portugueses.

-Há pouco falou nas dores que sentia quando jogava no Saragoça. Até que idade pensa jogar?

-Até desfrutar. Gosto de treinar, gosto de jogar, gosto do momento de entrar no relvado, gosto de todas estas sensações. Imagino, porém, que um dia não será assim. Quando tinha 20 anos achava impossível haver um dia em que não gostasse de jogar. Agora, continuo a gostar, mas sei que haverá um dia em que o corpo dirá não.

-Muito longe ainda?

-Não sei. Não gostaria era de continuar a jogar por algum factor extra, isso não. Respeito quem o faz, mas gostaria de ter a lucidez ou a intelegência para ser eu a deixar o futebol e não permitir que seja o futebol a deixar-me a mim.

-A condição física continua a ser gerida com pinças?

-Gosto de treinar, gosto de trabalhar, gosto de estar no grupo. O resto são decisões do treinador. Mas faço um trabalho normal, não trabalho isolado.

-Ainda estranha quando vê a placa com o número 10 levantada por volta dos 60/70 minutos?

-Não. Se há outro jogo nos dias seguintes estou habituado a que seja eu a ser substituído. Se for uma semana de um só jogo, penso que posso não ser eu a sair. São coisas normais que fazem parte da gestão das grandes equipas.

-E irrita-se quando é substituído?

-Não. Se seu substituído muitas vezes, por algo será. Não me queixo por sair mais do que os outros.

-Nem interiormente?

-Não. Talvez o meu jogo baixe de intensidade e tenha de sair.

-É fácil aceitar a substituição?

-Sim. Fazemos parte de uma equipa e a equipa é administrada pelo treinador. E um treinador quer sempre ganhar. Não conheço um treinador que queira perder. Vocês conhecem?

-Não.

-Às vezes leio afirmações de alguns jogadores que não entendem porque não foram convocados, por exemplo, para a selecção. Mas porquê? Os treinadores chamam aqueles que acham que os vão fazer ganhar o jogo. Por isso, se o treinador pensa que, por volta dos 70 minutos, a minha intensidade baixa, então é porque, provavelmente, a minha intensidade baixou mesmo.

-Pode acontecer pedir para sair?

-Não aconteceu muitas vezes, quase nunca.

-113 jogos, 26 golos. Poucos golos para quem joga a dez?

-Sim, são poucos. Gostaria de fazer mais golos.

-Consegue encontrar uma razão?

-Não. Há jogadores cuja relação com o golo é melhor do que a minha. Tenho muita participação na elaboração das jogadas de golo, mas finalizo menos. É um defeito, claramente. Um número dez tem de marcar mais golos.

-Rui Costa chegou a dizer que, por vezes, gostava mais de fazer uma assistência do que de marcar um golo. É assim consigo?

-Desfruto mais de marcar um golo. Gosto mais de marcar um golo feio do que fazer um passe lindo para golo.

-Não marcar muitos golos sempre foi uma característica sua?

-Talvez na Argentina marcasse mais do que na Europa, porque jogava mais perto do ponta-de-lança. Aqui, tenho mais responsabilidades defensivas.

-Há grandes diferenças entre o futebol europeu e argentino?

-Sim. Em Espanha, quando cheguei, estranhei um pouco a maior velocidade com que se jogava e o menor espaço de que as equipas precisavam para jogar. Mas a verdade é que os bons jogadores jogam em qualquer lado. Com espaço, sem espaço, com chuva, com velocidade, sem velocidade.

-Em Espanha o futebol é mais intenso?

-Não sei se é mais intenso, nem sei qual a palavra que melhor o define. Quando cheguei a Espanha a maior diferença que notei foi na velocidade; agora, porém, se voltasse a Espanha, não sei se voltaria a notar essa diferença na velocidade.

-Pergunta para a qual, provavelmente, não tem resposta; se FC Porto, Benfica, Sporting e SC Braga jogassem em Espanha, lutavam por um lugar imediatamente abaixo de Real Madrid e Barcelona?

-Voltamos a uma das minhas respostas anteriores: estamos a falar das suas melhores equipas do Mundo. Por isso, creio que se Chelsea, Manchester, Milan, Inter ou Bayern, por exemplo, jogassem nos mesmos campeonatos de Real e Barcelona, terminariam sempre abaixo deles. Mas volto a falar da perspectiva que tenho: no futebol tudo é possível. Se calhar, eram campeões ano sim, ano não.

-Que análise faz de Jorge Jesus?

-É um grande treinador.
-Exigente?

-Sim, mas um treinador de uma equipa grande tem de ser exigente.

-Quando Jorge Jesus assinou pelo Benfica, dizia-se que ele tinha um discurso muito agressivo e exigente nos treinos e nos jogos e que isso poderia não ser bem aceite pelos jogadores, sobretudo pelos mais cotados. Foi assim?

-Nunca senti nada disso. Jesus é um grande treinador e já lho disse. Os treinadores têm sempre de exigir muito aos seus jogadores, sobretudo os de equipas grandes. E Jesus, claro, não foge a essa regra.

-Parecido com algum que já o tivesse treinado?

-Na exigência e nos métodos é semelhante a Marcelo Bielsa.

-A sua relação com o Benfica já tem muito de emocional?

-Sim. Sinto-me muito bem no Benfica. Tratam-me com muito carinho e tenho amigos em muitas pessoas que trabalham no clube.

-O River Plate desceu e, no primeiro jogo da II Divisão, o estádio estava cheio. Se o Benfica caísse na segunda, era possível o Estádio da Luz encher?

-Sim, creio que sim. Esse amor da gente do River é uma prova de fidelidade e julgo que os adeptos do Benfica também são muito fiéis.

-Faltam sete meses para terminar o contrato e já disse que sete meses, aos 32 anos, é quase uma eternidade. Que lhe passa pela cabeça?

-O futuro, para mim, é amanhã. Se me sentir útil, se me sentir importante e se continuar a desfrutar de treinar e jogar, posso pensar um pouco mais longe, talvez no ano seguinte.

-Imagina-se, por exemplo, a voltar ao River?

-No outro dia, quando fiz anos, um jornalista do meu país telefonou-me e disse-lhe que, caso voltar a jogar na Argentina, algo que não posso garantir que aconteça, a minha prioridade é o River Plate. Mas não disse 'vou voltar ao River'. Se voltar a jogar na Argentina, a minha prioridade será jogar onde já estive e onde me trataram muito bem.

-Se fosse jogador do River quando o clube desceu de divisão ficaria?

-Tantas palavras que terminam em 'iria'... Seria, ficaria, teria... A verdade é que, não podendo garantir, acho que sim, acho que ficaria. Por outro lado, se eu disser: 'sim, teria ficado', parece uma crítica aos que saíram. Lamela, por exemplo, saiu quando o River desceu. Mas eu não estou a criticá-lo.

-Podemos vê-lo, um dia, como treinador?

-Falei com o meu pai no outro dia e disse-lhe: «Aos 20 anos dizes que é impossível vires a ser treinador, mas aos 30 anos a perspectiva muda». Não significa que o venha a ser, significa apenas que já não sou taxativo. Ser treinador? Talvez, quem sabe? A única coisa que tenho a certeza é que será impossível, quando deixar de jogar futebol, colocar o futebol completamente de parte.

-Segue a dicotomia Guardiola-Mourinho e Messi-Ronaldo?

-Quem pode não segui-la?

-E quem acha que é melhor?

-Sei duas coisas: que Messi está completamente ao nível de Maradona e que os golos que Cristiano marca são de outra era. Mais de 50 golos num só ano? É um absurdo; são de outra era. Não se pode marcar 50 golos todos os anos, mas Cristiano continua a marcar. São números de outros tempos.Não tenho qualquer dúvida de que, se não houvesse Messi, Cristiano seria o melhor jogador do Mundo com muita diferença para os restantes.

-Faz sentido a última pergunta que lhe fizemos?

-Não sei, talvez não. Não podemos dizer que, se Carl Lewis nascesse agora, não ganharia qualquer medalha, porque Usain Bolt as ganhava todas. A única coisa que sei é que Messi está à altura dos melhores de todos os tempos.

-Prefere o rendilhado do Barcelona ou o poderoso do Real Madrid?

-Quando está a jogar o Barcelona e o jogo é transmitido pela televisão, sento-me a ver; se é o Real Madrid, faço o mesmo.

-Que costuma fazer fora do futebol?

-Estar em casa com a minha mulher e com os meus filhos. Desfrutar a idade dos meus filhos, porque crescem muito depressa.

-Quantos filhos tem?

-Três.

-Joga futebol com eles?

-Sim, na sala.

-Mora em Lisboa?

-Não. Em Oeiras.

-Gosta da gastronomia portuguesa?

-Sim, mas é difícil ir a um restaurante, porque os meus filhos são muito pequenos e é difícil estarem quietos. Além disso, acordam cedo e deitam-se por volta das nove e meia.

-Que conhece de Lisboa?

-Não tenho muito tempo livre, mas quando tenho, vamos muitas vezes a Belém.

-Gosta dos pastéis de Belém?

-Sim, claro. Gosto muito. Era impossível não os ter provado.

-Preocupa-se com a imagem?

-Não, quase nada. Não é algo de que esteja dependente.

-Mas o cabelo grande e a barba parecem um visual estudado. É para lhe dar um ar mais agressivo?

-Não, a barba grande às vezes é preguiça. Quando fica muito grande corto.

-Percebe-se que, como jogador, é bastante emocional. E como homem?

-Sou muito relaxado e homem de família.

-Tem saudades de viver na Argentina?

-Sim, sobretudo da família. Gosto muito da cidade onde nasci, cresci e vivi até aos 15 anos. E é lá que, um dia, voltarei a viver. Quero estar com a minha família e se ela estivesse noutra cidade, seria aí que eu viveria.

-Essa saudade é, de algum modo, colmatada pela presença do seu grande amigo Saviola?

-É um grande amigo, praticamente um irmão.

-Considera-se supersticioso?

-Não nada. Sou religioso, creio em Deus, mas não seu sepersticioso. Não entro com o pé direito em campo, por exemplo, entro com aquele que calhar.

-A Argentina parece ser um país de grandes mitos: Evita Perón, Jorge Luís Borges, Juan Manuel Fangio, Carlos Gardel, Che Guevara, Maradona. Há algum acima dos demais?

-Não sei responder. Há 40 milhões de argentinos e todos terão o seu mito.

-Sabia que o escritor argentino Jorge Luís Borges tinha ascendência portuguesa, de Torre de Moncorvo?

-Não, sinceramente não fazia a mais pequena ideia. É curioso.

-Aceite, já agora, como presente de A BOLA, esta 'Bola' de cristal e também um exemplar do livro Ficções, precisamente de Jorge Luís Borges, cuja obra o Pablo garantidamente conhece; mas assim fica com a edição portuguesa, para ler mais em português... Já agora, por que razão ainda não fala publicamente em português?

-Bem, vou aproveitar para vos contar a verdadeira razão para isso. No meu primeiro ano em Portugal, o meu irmão, Andrés Aimar, esteve cá a jogar no Estoril. Certo dia, numa conferência de imprensa do Benfica comecei a falar em português. Quando regressei a casa, o meu irmão disse-me que tinha desligado o som da televisão porque o meu português lhe dava vergonha (risos). Pediu-me, por favor, para nunca mais falar em português. Disse-lhe que, por jogar em Portugal, a minha obrigação era falar em português, mas ele insistiu e disse-me que falava realmente muito mal, pediu-me para não voltar a fazê-lo.

-Consigue dizer uma frase em português?

-Consigo, mas para isso teriam de desligar os gravadores (risos). Recordo-me de que, quando estava em Saragoça, um jornalista de A Bola esteve lá e, um dia, eu disse-lhe que ainda não podia hablar do Benfica. Foi essa a capa: «Ainda não posso falar do Benfica». Houve tradução, claro. Mas quando entrei no Benfica, alguns jogadores, como o Maxi, gozaram-me por causa dessa frase: «Ainda não posso falar do Benfica»; porque na prática, ao dizer aquilo, já estava a hablar do Benfica. A falar do Benfica.

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«Melhor golo no Benfica foi ao Sporting»

Os melhores momentos na Luz; a análise à Liga; a defesa de Javi; a possibilidade da Champions


-Como vê FC Porto, Sporting e SC Braga? Quem está mais forte?

-Há um ano, perguntaram a um jogador, não me lembro qual, o que achava do adversário Benfica. E ele disse: «Acho que está mais fraco». Não gostei de ler essa frase e é por isso que não falo dos outros. Digo, apenas, que o Benfica está bem e pode lutar de igual para igual com os outros três candidatos. São quatro candidatos a ganhar o título. Importante é olharmos para o nosso interior e ver que estamos bem.

-Nos jogos em Braga acontecem, como diz Artur, coisas do outro Mundo?

-São jogos complicados porque o SC Braga é muito boa equipa, porque tem bons jogadores que sabem o que querem. Têm um estilo de jogo que os fez ser finalistas da Liga Europa.

-O golo ao Paços de Ferreira em Outubro de 2010, pegando na bola antes do meio-campo, fintando três jogadores e fazendo o 1-0 foi o seu melhor no Benfica?

-Não

-Não?

-Aquele de que mais gostei foi e que marquei ao Sporting.

-Porquê?

-Não estávamos a jogar bem e necessitávamos de ganhar para darmos um passo muito grande rumo ao título. Além disse, foi um golo bonito porque fugi a um defesa, não o via mas intuía que vinha atrás de mim, passei pelo guarda-redes e, quando o defesa chegou, levantei a bola e fiz golo.

-Acredita que Javi Garcia proferiu as frases racistas durante o jogo em Braga, como acusa Alan?

-Conhecemos muito bem Javi, sabemos quem é o que pensa e sabemos que não tem qualquer problema desse tipo. Há limites para tudo. Aceito que tu digas que eu sou um desastre. Faz parte do jogo e do futebol. Se falarmos de outras coisas, bem graves, como essa do racismo, é mais complicado. Não acredito nisso.

-Qual o sonho que gostaria de cumprir de águia ao peito? Ganhar a Liga dos Campeões?

-O futebol é uma actividade que permite sonhar. Todos podemos sonhar. O futebol permite querer tudo. Mas não nos podemos esquecer de que, neste caso, estamos a falar de ganhar uma competição em que estão também as duas melhores equipas do Mundo da actualidade: Real Madrid e Barcelona.

-Mas há outras equipas...
-Sim, mas Real Madrid e Barcelona são diferentes. São as duas melhores do Mundo dentro do campo e fora dele, nos papéis, no dinheiro, nos adeptos. Mas claro que, mesmo assim, todos sonhamos.

-Ganhar a Champions é um sonho ou uma utopia?

-As duas coisas. Ninguém pode garantir nada. Sonho? Utopia? Quem sabe? Milhões e milhões de pessoas jogam no... não sei como se chama em Portugal. É prode na Argentina e quiniela em Espanha..

-Totobola.

-Sim. É como jogar nisso.

-Nos seus primeiros tempos na Luz chegou a dizer que ganhar um título pelo Benfica era o sonho que lhe falatava. Campeonato ganho em 2009/10, que se segue?

-Mais títulos. Quando estás no Benfica só há uma forma de pensar: ganhar, ganhar, ganhar. Feio e desagradável é jogar numa equipa em que nada te exigam.

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«Pensei que nunca veria outro Maradona»

O que é isso de ser, hoje, número 10?; os filhos da Argentina; o potencial de Witsel e Gaitán


-Jogadores como você, números 10 puros, já não existem?

-Gosto de jogar como 10, mas joguei cinco anos e meio no Valência como segundo avançado. E gostava. Quando cheguei ao Benfica voltei à minha posição original, mas joguei algumas vezes encostado à linha. E gostava. Mas onde mais gosto, claro, é como número dez.

-Witsel ou Gaitán, por exemplo, podem ser números dez no Benfica?

-Sim, têm todas as condições. São diferentes, mas têm todas as condições.

-Como catalogaria Lionel Messi; dez, nove, 11, 7 ou pouco de tudo?

-Bem ele organiza e finaliza... Faço-vos uma pergunta: Maradona era um dez?

-Era.

-...mas não só. Organizava, finalizava, fazia tudo.

-E Messi?

-Messi? Sinceramente, nem sei o que é Messi. Só há uma coisa que sei: Messi joga de Messi.

-Quando chegou ao Benfica, em entrevista a A BOLA, o Aimar disse que Maradona não tinha sucessor. Três anos depois, com esta avalancha de Barcelona e de Messi, podemos dizer que é ele o sucessor de Maradona?

-No coração dos argentinos e no coração de quem gosta de futebol, há lugar para os dois.

-É uma discussão sem sentido?

-Sim, de certo modo.

-É como ter um segundo filho?

-Sim, sim, é uma boa analogia. Mas deixem-me dizer o seguinte: durante anos e anos pensei que nunca mais apareceria um jogador como Maradona. E agora vejo que Messi está à sua altura.

-Quando Maradona acabou, surgiram muitos candidatos à sucessão: Aimar, Riquelme, D'Alessandro, Ortega, Gallardo, Saviola. Ficaram todos muito longe?

-Adoro um desses que mencionaram: Riquelme. Uma maravilha de futebolista. Mas nenhum desses chegou ao nível a que chegou Maradona. Ainda mais se falarmos não apenas nos desempenhos no campo mas também no que significaram no coração dos argentinos. Maradona é único.

-Você é um dez e é o jogador do Benfica que mais faltas comete: 23. Sabia?

-Sou? Não, não sabia. Mas sei bem que faço faltas.

-É uma contradição haver um dez que comete tanta falta?

-Não sei. Talvez seja um defeito que tenho de corrigir. Terei de melhorar a técnica defensiva (risos).

-Durante o jogo, pela forma como sorri para algumas decisões dos árbitros, parece que os contesta. É assim?

-Contestar os árbitros também é um defeito. Os árbitros estão a fazer o seu trabalho e temos de respeitá-los. Já muitas vezes disse a árbitros que deve ser dificílimo ver aquilo que eles têm de ver. Nós, os não árbitros, só à quinta repetição televisiva em câmara lenta temos a certeza: 'Ah! Sim. Foi mão...'

-Então porquê tanta contestação da sua parte, por exemplo?

-Porque os jogadores estão a um nível de pulsação tal e um nível de intensidade tão grande que, por vezes, torna-se impossível analisar essas decisões dos árbitros com isenção. Como, por exemplo, o adepto que insulta um jogador que falhou um golo. Ele também está nervoso e ansioso. Toda a gente vive o futebol, não só quem joga.

(...)"


Rogério Azevedo e Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A Terra Prometida

"Esta foi a semana em que jogadores agridem em campo sem punição, outros acusam, outros refutam e contra-acusam; em paralelo, circulam os “vídeos”. Pergunta-se novamente: o que esperar da Comissão Disciplinar (CD) da Liga? Bastará confirmar o regresso ao passado da justiça desportiva, empenhada desde Junho de 2010 em obter a “acalmia” num “meio” difícil: quem atua, julga e, se for caso disso, condena nunca será bem quisto no futebol, habituado por longos anos a posições benignas e “a contento”. Como questionava um presidente no tempo de Hermínio Loureiro, “sensibilizado” com os castigos da CD: “então a Liga não é feita pelos clubes e para proteger os clubes?”; “afinal, quem manda aqui?” É esta a mentalidade dominante que, indiferente aos poderes públicos do Estado delegados nas federações e nas ligas e ao caráter técnico-jurídico da função, explica o suficiente.
Hoje parece evidente que se tomou um caminho “não jurídico” para evitar… instabilidade. O órgão disciplinar da Liga:

(1) deixou de promover por sua iniciativa os processos disciplinares para averiguar a prática de ilícitos, refugiando-se em terminologias do Regulamento Disciplinar (RD) e esquecendo a lei: diz o regime jurídico das federações e das ligas que cabe aos órgãos disciplinares desportivos “apreciar e punir, de acordo com a lei e os regulamentos, as infrações disciplinares em matéria desportiva”; não diz a lei que os processos se instauram quando o órgão disciplinar quer ou só quando lhe chega uma queixa (a prática do pretérito recuperado) ou a descrição nos relatórios do jogo…;

(2) suavizou as punições dos castigos “correntes” (agressão física, jogo violento, injúrias), sem reprimir e prevenir os mais graves (sirva de ilustração: duplo amarelo = cabeçada a adversário sem disputa de bola = 1 jogo!);

(3) esqueceu os “processos sumaríssimos”, mesmo com o RD a impor inequivocamente que a CD atue “oficiosamente” (por iniciativa própria);

(4) deixa arrastar e não julga em tempo útil os processos;

(5) não explica as decisões finais nem faz publicitar com rigor a sua “fundamentação” (muito menos se publicam os acórdãos mais significativos).
E para quê cumprir a lei e ser transparente e célere? Para quê instaurar mais de uma centena de processos por ano? Para quê esclarecer os critérios de atuação? Para quê julgar entre 1 a 2 meses? Para quê propor sumaríssimos e aplicar os princípios do RD? Para quê castigar diferenciadamente jogadores em razão da gravidade das condutas? Para quê fiscalizar permanentemente as declarações de dirigentes? Para quê explicar, por exemplo, a suspensão de 5 meses de um delegado do Estoril por factos ocorridos há mais de meio ano? Para quê tudo isto se só nos convém mexer quando a “coisa” mexe (muito) nos jornais (como no caso “Jesus-Luís Alberto”)? Para quê julgar todos por igual e não deixar impunes os que não são denunciados e não são alvo do “alarido” da imprensa?
Para quê trabalho, escrutínio e incómodo? Ao que parece, nos tempos que correm, não é por esse caminho e com esse “perfil” que se ganham eleições!"