Últimas indefectivações

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Vitória no Bessa...

Boavista 17 - 25 Benfica
(10-12)

Vitória esperada, mesmo com algumas ausências: o Djordjic ainda não recuperou... o Ristovski também não fez a viagem...  Mas o Vidrago já voltou!!!

Amanhã temos o sorteio da EHF...

Vitória na Eslováquia...

Inter Brastilava 91 - 95 Benfica
24-20, 22-24, 26-25, 19-26

Jogo muito equilibrado, com o Benfica sempre a 'atrás' do marcador, mas com diferenças pequenas.
No último período 'apertámos' mais um pouco e a vitória não fugiu... Sendo que o Inter só se manteve na luta, porque fizeram 54% nos Triplos (49 pontos!!!)... Com esta derrota os Eslovacos, acabaram por ser eliminados!
A qualificação já estava garantida, portanto deu para fazer alguma gestão, o Fábio Lima não jogou (deve estar tocado), e o Murry jogou 'pouco'! Destaque para a integração rápida do Ireland... O McGhee é que continua sem convencer...

Nesta 2.ª fase de Grupos, ficámos no Grupo A, com o Bakken Bears (Din) - nossos conhecidos! -, o Medi Bayreuth (Ale) e o Spirou Basket (Bel). O grupo é complicado, se quisermos passar, temos que elevar o nível e o Micah tem que estar disponível... Ficámos, igualmente, com o calendário muito complicado, com os jogos da nossa Liga, contra as equipas mais complicadas, no meio de jornadas Europeias!!!

Qualificação...

Leipzig 0 - 3 Benfica


Vitória indiscutível, contra um adversário, que tal como no Seixal, fartou-se de dar porrada!!!
Apesar das boas indicações, não gosto desta opção de encostar o Ronaldo à direita, mas...

Com a derrota do Lyon em São Petersburgo, garantimos o 1.º lugar no Grupo a uma jornada do fim. Recordo que os 2.ºs de cada Grupo, vão ter uma eliminatória extra!

PS: Foi o último jogo do Jorge Maciel no Benfica! Com a saída de alguns treinadores adjuntos do Lille para o Tottenham do Mourinho, o nosso treinador dos sub-23 foi convidado a ir para França! Muito sinceramente, este tipo de movimentações a meio da época, não me agradam...
O Benfica anunciou o substituto: será o Luís Castro, que estava na Grécia no Panetolikos, como treinador principal, mas em Portugal, é mais conhecido pelo trabalho nas camadas jovens do Vitória de Guimarães. Por acaso, tenho uma boa impressão 'deste' Luís Castro, tem uma filosofia de jogo ofensiva... Os sub-23, e esta equipa que disputa a Youth League, tem alguns problemas 'logísticos', com vários jogadores a 'subirem' ou a 'descerem' nas diversas equipas (B´s e Juniores), não é fácil para os treinadores, construir rotinas, mas parece-me evidente, que o Jorge Maciel estava a fazer um trabalho interessante (em comparação com as últimas épocas, a nossa equipa de sub-23 tem jogado melhor...), vamos ver como corre as mudanças...

Várias frentes

"Não obstante a enorme dificuldade de que se reveste o jogo de logo à noite em Leipzig (20 horas), a nossa equipa está focada em fazer uma exibição consistente e em tentar aproveitar as oportunidades de golo. Esta foi a receita avançada por Bruno Lage para conquistar os três pontos no campo do líder do grupo e que atravessa um bom momento no seu campeonato.
Lage acrescentou que, independentemente do adversário, da competição, do local, dos resultados e exibições recentes ou mesmo o histórico adverso em jogos a contar para a Liga dos Campeões na Alemanha, a equipa deve olhar para o que consegue controlar, que é a sua forma de jogar. Esta tem sido uma marca registada do Benfica com Lage, tendo tido como expoente máximo o percurso brilhante na conquista do título nacional na temporada passada.
Repetir esse feito continua a ser o principal objectivo da temporada. Lideramos isoladamente a classificação, com o melhor ataque e a melhor defesa, vencendo em dez das onze jornadas disputadas. A Supertaça e a goleada inesquecível, por 5-0, ao Sporting nesse jogo já lá vão e o troféu pode ser apreciado por quem visita o Museu Benfica – Cosme Damião. E há outros troféus, além do de campeão nacional, que queremos acrescentar ao acervo do museu já esta temporada, o da Taça de Portugal e o da Taça da Liga.
O calendário, até à pausa de Natal, está muito preenchido com jogos de todas as competições. Serão oito partidas em 25 dias, a começar hoje em Leipzig e a terminar em Setúbal, provavelmente no dia 21 de dezembro, para a Taça da Liga. Pelo meio haverá três jogos do Campeonato (Marítimo e Famalicão na Luz, Boavista no Bessa), a última jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões (Zenit na Luz), a deslocação à Covilhã para a Taça da Liga e a recepção ao Braga para a Taça de Portugal, conforme sorteado ontem, ante um candidato assumido à conquista da prova-rainha do futebol português.
Serão, assim, muitas as oportunidades para apoiarmos o nosso Benfica, sabendo que o nosso apoio poderá fazer a diferença como tantas vezes tem feito ao longo da história. #PeloBenfica

P.S.: Acaba de ser conhecido que João Félix ganhou o Golden Boy 2019. Um reconhecido prémio ao seu talento e que ainda reforça mais o prestígio da nossa famosa e conceituada escola de formação do Benfica Campus no Seixal, sendo o segundo jogador lá formado a vencer o prémio, depois de, em 2016, Renato Sanches ter sido o premiado."

Caro adepto, se quer criticar, critique com conhecimento de causa: aqui estão seis regras, novas e velhas, para rever

"Os campeonatos profissionais pararam algumas semanas.
Quando isso acontece - e quem gosta de bola, como eu, não gosta que aconteça - a tendência do adepto comum é desligar da realidade. Da realidade que, quase obcecadamente, agarramo-nos jornada após jornada, jogo após jogo.
Na Tribuna Expresso não queremos que fique fora de jogo. Eu, garantidamente, não quero.
Por isso, sugiro que voltemos a recordar algumas das premissas-base da lei. Como o saber não ocupa espaço, vamos então rever seis curiosidades das regras:
1. Sabiam que se um jogador se lesionar por força de uma falta que origine cartão amarelo ou vermelho para o adversário, ele não tem que sair do terreno para ser tratado? Basta que a assistência, em campo, não ultrapasse os 20/30 segundos.
Há um princípio de justiça aqui subjacente: impedir que quem sofra uma infracção seja obrigado a abandonar o campo, enquanto que quem a comete tenha a liberdade de manter-se no terreno de jogo. 
Faz sentido, não faz?
2. Sabiam que se dois jogadores da mesma equipa chocarem um com o outro e ambos precisarem de cuidados médicos, nenhum tem que sair para ser assistido? O princípio é o mesmo: impedir que uma equipa que não infringe fique temporariamente privada de dois dos seus elementos. Seria igualmente injusto.
Além destas excepções, fique a saber que há outras que não obrigam à saída para tratamento médico: a lesão de um guarda-redes; a colisão entre o GR e um jogador de campo (em que ambos fiquem lesionados); a ocorrência de uma lesão grave (perna partida, comoção cerebral, etc); e, a mais recente, a do executante habitual do pontapé de penálti que necessite de assistência para depois ser o próprio a executar o castigo máximo.
Por aqui, estamos esclarecidos.
3. Agora outra questão: sempre que o árbitro disser ao executante de um pontapé-livre (daqueles perto das áreas) que ele só pode rematar após o seu sinal (e aponta para o apito), o jogador será advertido se o fizer antes.
Aqui não se coloca a questão da sensatez, mas a da aplicar uma regra que é muito clara.
Da mesma forma, convém recordar que que os defesas que compõem a barreira só podem adiantar-se a partir do momento em que o adversário remate. Também aí a desobediência é punida com cartão amarelo.
E já que estamos a falar de "barreiras", duas notas adicionais:
- Os defesas podem usar as mãos/braços para cobrir o corpo e a cara, mas sem que com isso "cresçam" para retirar vantagem. Caso essa volumetria injustificada ocorra, o árbitro punirá em conformidade;
- A partir desta época, nenhum avançado pode estar a menos de 1m da barreira que seja composta por, pelo menos, três defensores. Se incumprir, o pontapé livre - depois de executado - será convertido em falta atacante (livre indirecto).
4. Outro reminder importante: a chamada "paradinha" (nos pontapés de penálti) só é ilegal quando o executante simular o remate à baliza depois de terminar a sua corrida, estando junto à bola.
Se apenas desacelerar/parar a corrida e retoma-la depois ou se nunca simular rematar, considera-se não haver qualquer irregularidade.
Do mesmo modo e a partir desta época, os GR podem ter apenas um pé (ou parte dele) sobre a sua linha de baliza, estando o outro dentro do terreno, se assim entenderem.
Num e noutro caso, o VAR pode intervir em caso de clara e evidente infracção.
5. Mudemos de assunto. Na celebração de golos - momentos de maior adrenalina e menor lucidez -, um jogador que deixe momentaneamente o terreno de jogo não é, só por si, advertido.
No entanto, o cartão amarelo será obrigatório se ele despir a camisola ou cubrir a cabeça com ela; se trepar a vedação para comemorar junto dos adeptos ou se aproximar-se excessivamente deles, causando problemas de segurança; se fizer gestos ou actuar de maneira provocatória; se cubrir a cabeça ou a cara com uma máscara ou artigo semelhante.
Nota importante: mesmo que um golo venha a ser anulado (por exemplo, após intervenção do VAR), os cartões amarelos exibidos por condutas antidesportivas dos jogadores mantêm-se.
6 - A última dica de hoje é relativa ao fora de jogo (Lei 11):
Ideia-chave: por regra, se um jogador está em posição de fora de jogo e joga/toca na bola, é punido (esta é a mais fácil).
Agora outra variável: se está em posição de fora de jogo mas não toca nem joga a bola, só é punido se Interferir Na Acção do adversário.
Há várias formas de "interferir": tentar disputar a bola com ele, impedi-lo de o fazer, distrai-lo, tomar uma acção óbvio que o perturbe, tapar o seu ângulo de visão, obstrui-lo, etc.
No fundo, um jogador será punido por interferir com o opositor sempre que praticar uma acção clara e óbvia que o prejudique, que o iniba ou afecte. Que o impeça de fazer o seu trabalho livremente.
A leitura destes momentos, em campo, nem sempre é clara. Aliás, muitas vezes é terrível, porque avaliar interferências sobre outro é algo demasiado subjectivo.
Mas conhecendo o princípio teórico, fica mais fácil, certo?

Notas finais:
A - Um jogador em fora de jogo pode jogar a bola sem ser punido se ela vier deliberadamente de um adversário ou directamente de um pontapé de baliza, pontapé de canto ou lançamento lateral. Esta convém nunca esquecer;
B - Se um jogador em fora de jogo sofrer uma falta Antes de tomar parte activa no jogo (ou seja, antes de tocar na bola ou de interferir com o adversário), essa falta tem que ser punida.
Exemplo: se ele estiver na área adversária e for carregado pelo defesa antes de intervir no jogo/adversário, o pontapé de penálti deve ser assinalado;
- Por outro lado, se o avançado em posição de fora de jogo for carregado Após tomar parte activa no jogo (ou seja, depois de tocar na bola ou de interferir com os defesas), deve assinalar-se o fora de jogo, porque foi a primeira infracção a materializar-se. 
É mais fácil assim do que lá dentro, não é?
Em breve voltarei com outras dicas técnicas. São tantas..."

Jesus também é português

"Este Jesus não tem vergonha. Jesus diverte e entretém porque é diferente do comum mortal e chegou lá acima assim sendo e com orgulho de o ser assim. Não foi special one, nem tão pouco normal one, nem nada que se parecesse.

Quando alguém morre é raro ouvirem-se críticas ao proscrito sobre o que fez da vida. A empatia humana não o permite. Quando Jorge Jesus vence, as palmas tornam-se ensurdecedoras e, agora até, ecoam dos dois lados do Atlântico. Só o futebol o permite.
Estádio Rose Bowl, 17 de Julho 1994, Estados Unidos. Em Portugal não havia, ainda, selecção que nos aconchegasse o patriotismo e nós decidíamos ecoar uma buzina canarinha e pintar com as cores tropicais as caras portuguesas. Éramos todos do “escrete”, do povo irmão, e tornávamo-nos assim filhos de Romário, Bebeto, Zagallo e Taffarel. A minha mãe, ainda antes dos penáltis, finalizou: “Já para a cama!”
Podia ter dormido todas as horas de todas as noites que, ao acordar, nunca esqueceria a minha primeira memória da redondinha. Aquele rabo de cavalo do Baggio e a biqueira do baixinho. O Brasil foi tetra e hoje é pentacampeão, O país imperador no desporto-rei. A selecção que espalha classe por todos os relvados. O seu domínio sempre foi reconhecido por todo o mundo, pela qualidade superlativa dos que conseguem poesia com os pés. Conquistou o mundo com a desconcertante sambada que dá na cara do adversário, o que torna o jogador brasileiro um insolente vencedor incompreendido pelos tais idiotas da objectividade, como tão bem apelidava Nelson Rodrigues. Faz o golo e festeja, brinca e comemora de “chopp” na mão, prova que podemos fazer bem sem sermos culpados. Sorriso na cara, vive entre as linhas limites do campo, meias para baixo, fio gingando e sempre despreocupado.
Mais tarde, o Brasil embateu com a realidade do futebol físico, táctico e estratégico.
Jesus não é entendido por todos, tal como o jogador brasileiro. Poucos entendem a pela qual não pára de dar pontapés na gramática — e para isso surgiu o dicionário de memes JJ bóçe —, poucos compreendem o empurrão a uma glória do Benfica e ainda menos perceberão porque tenta sempre diminuir o passado dos clubes que treina. Eu também não entendo muita coisa nele mas sei que hoje já há filhos de Jesus por esse Brasil fora. Esses filhos não tiveram que esperar pelos penáltis, como eu, e podem bem agradecer a Gabigol e às suas duas pancadas e à mãe por não os ter mandado para a cama mais cedo. Para os filhos de Jesus está construída a sua primeira grande memória futebolística, que nunca esquecerão por mais horas que durmam esta final da Libertadores e o Brasileirão. Nascidos na era em que já não existe o preconceito do padeiro e do “Manuel do bigode”, lembrarão que foi o mister português a reconduzir o principal clube brasileiro ao topo do futebol sul-americano. O português, a partir de agora, será diferente na boca salgada dos novos filhos do povo irmão.
Jesus criou uma ponte que, durante anos, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) sequer imaginou ser possível. Abraçou-se, então, a lusofonia e os dois países andaram de mãos dadas romanceados por uma paixão que, até agora, durou seis meses. Falou-se como nunca de Portugal no Brasil, metemos conversa com brasileiros com quem antes apenas cruzávamos olhares, descobrimos que urubu é uma linda ave, que não tem medo de voar e ser feliz, e não apenas mais uma inspiração em forma de albuum de Jobim que nos recebe de braços abertos, qual Cristo Redentor, na sua pista, não é Tom? Chegámos a elogiar os bagos de café brasileiro só para conseguirmos prolongar as madrugadas para ver jogos do Ceará ou do Avaí. Os botecos transformaram-se em tascas, o calçadão em marginal e o Maracaná nas docas. Jesus quebrou as barreiras, fez vencer os medos e aproximou dois povos.
Dois povos que falam a mesma língua com pequenas grandes diferenças, mas insistem que nos esqueçamos delas sem perceberem que isso nos torna mais pobres. Faz sentido os brasileiros e os portugueses serem mais pobres, Jesus? Ele respondeu levando num braço a cultura portuguesa ao Brasil e trazendo no outro mais tropicalidade para Portugal. Se não é para isto que o desporto serve, para aproximar as pessoas, não sei bem qual será o seu intuito. Com direito a taça e homenagem porque vivemos no tempo da glória sem fim. E uns vencem e os outros perdem, não é? Na corrida para ganhar o capital, haverá sempre os espertalhões. Jesus, para lá de misericordioso, convence-nos melhor dos seus milhões do que os seus pares e, por isso, foi alvo de inveja, ela vem sempre atrelada ao sucesso.
No futebol, só a vitória nos convence e chegou a hora de Jesus convencer o mundo. Ele, tal como o urubu, nunca teve medo de convencer os outros que sabe ser feliz. Este Jesus não tem vergonha. Jesus diverte e entretém porque é diferente do comum mortal e chegou lá acima assim sendo e com orgulho de o ser assim. Não foi special one, nem tão pouco normal one, nem nada que se parecesse. Sempre foi o Jesus que ia vencer no futebol à la Cruyff da Amadora. Foi mesmo lá debaixo que começou, demonstrando o seu amor(a) ao futebol relâmpago. Complicou tudo o que havia a complicar, passou por vários sistemas tácticos, desde linhas de três defesas sanguinários a quatro avançados saltimbancos, e hoje o seu futebol acaba por ser simples. Mas de uma exigência total. Tal como Pollock engana os espectadores convencendo-os da simplicidade dos seus salpicos, Jesus faz o mesmo. Nada mais errado, no entanto. Apenas quem já domina todas as regras do jogo se permite a quebrá-las e assemelhar-se a qualquer coisa de pueril.
Parece-me que já tinha atingido este patamar há alguns anos, mas nunca tinha estado rodeado da dose certa de loucura, instabilidade e pressão necessárias para que se sentisse confortável. O contexto é tudo para a acção do homem e o Brasil é o lugar de Jesus. Curiosamente, o país mais católico do mundo. O país de Jesus. Convenceu-nos, tal como Ronaldo, que é possível vencer sendo apenas muito bom no seu trabalho. Um português. Trabalhando, evoluindo e apresentando o sucesso que foge daquela linha que nos traçam à nascença por sermos pequeninos. A meritocracia que convence, mesmo vinda do país das cunhas, dos jeitinhos e dos favores. A meritocracia que venceu no país das desbundas, dos relaxados e dos feriados. Jesus não convenceu, Jesus converteu."

O talento versus as gafes de Jorge Jesus

"Jesus é um puro-sangue e não há forma de o polir - o melhor exemplo é o seu discurso na Câmara de Deputados do Rio de Janeiro, onde falou de improviso (...). Se fosse outro, sabendo das suas limitações com a língua de Camões, Jesus teria encomendado umas frases muito bonitas (...).

“Em 16 finais - esta é a 17.a -, ganhei 17 e perdi dez”; “vocês os quatros façam aí um triângulo”; “não respondo a essa pergunta porque isso é um assunto do forno interno do clube”; “querem fazer do rapaz o bode respiratório”. Estas são algumas das melhores gafes de Jorge Jesus, que tanto divertem os seus detractores, numa tentativa de menorizar o talento que o homem tem para treinador de futebol.
A sociedade portuguesa, a bem-pensante, por regra, sempre foi muito snobe e preconceituosa e tem algum desprezo por aqueles que acha que não têm o pedigree necessário para fazerem parte dos melhores. Jorge Jesus é um treinador que tem tanto de talentoso como de especialista em pontapés na gramática, mas não é por causa disso que os clubes o contratam. É verdade que nos últimos dias houve uma overdose de Jesus nas televisões, mas talvez não pudesse ser de outra maneira: afinal, o homem conseguiu dar uma alegria a milhões de brasileiros que esperavam há 38 anos por essa conquista - a Libertadores, uma espécie de Liga dos Campeões da América Latina. E em Portugal também foram muitos os que se associaram aos êxitos do antigo treinador do Benfica e do Sporting. Jesus é um puro-sangue e não há forma de o polir - o melhor exemplo é o seu discurso na Câmara de Deputados do Rio de Janeiro, onde falou de improviso. “O futebol faz parte da cultura do povo e nós, em Portugal, fomos habituados, há 40 anos, desde que as novelas brasileiras entraram na casa dos portugueses, a conhecer grandes cantores brasileiros e a história deste país. Hoje, a história também ocorre ao contrário. A minha avó é brasileira e no meu corpo corre sangue brasileiro. Eu até estou emocionado, porque há uma ligação muito estreita entre estes dois países. E hoje sei que o meu país está orgulhoso de mim”. Se fosse outro, sabendo das suas limitações com a língua de Camões, Jesus teria encomendado umas frases muito bonitas mas que não teriam a espontaneidade que usa em todas as circunstâncias o treinador da Amadora. Parabéns ao míster, apesar da overdose de Mengão."

Uma final às avessas

"Há muito bons treinadores pelo mundo fora. Mas muito poucos têm a capacidade que Jesus tem para chegarem a um clube e o galvanizarem, criarem um ambiente de entusiasmo à sua volta, eletrizarem os adeptos, motivarem os jogadores e porem a equipa a render muito mais.

A final da Taça dos Libertadores foi um jogo estranho, onde tudo aconteceu ao contrário do que seria “normal”.
A equipa favorita perdeu.
A sorte do jogo, que parecia decidida aos 89 minutos, virou 180 graus em 180 segundos.
Um treinador que perdera duas finais internacionais nos derradeiros minutos (uma nos penáltis) ganhou esta final nos últimos minutos.
Um jogador que não jogou nada (Gabigol) foi o mais decisivo de todos.
Uma final na América do Sul, ainda por cima entre brasileiros e argentinos, foi disputada com correcção e só teve um pequeno sururu mesmo a acabar.
E até o “homem do jogo” foi um jogador expulso.
Mas Jorge Jesus merecia este desfecho.
As derrotas com o Chelsea e com o Sevilha para a Liga Europa tinham feito dele, para muita gente, um “pé frio” - ou seja, um treinador que nos momentos decisivos se ia abaixo.
E essa ideia consolidou-se com o célebre golo de Kelvin, quando os benfiquistas já festejavam o título nas bancadas. Os detractores de Jesus diziam: “De que serve ele ganhar muitos jogos se no fim perde?”
Ora, esta final da Taça dos Libertadores - em que conseguiu a vitória mesmo à beira do fim, num volte-face épico - apagou esse histórico.
Percebi há muitos anos que Jesus era um treinador fadado para largos voos quando treinava o Belenenses. Com uma equipa de brasileiros (!) de quarta categoria, conseguiu um quinto lugar no campeonato - e no seguinte só não repetiu a façanha devido ao caso Meyong, que lhe roubou muitos pontos.
Quando ele foi para o Benfica, perante o cepticismo de muitos benfiquistas, disse-lhes: “Ele vai surpreender-vos”. E Jesus virou o Benfica do avesso, roubando ao FC Porto a hegemonia do futebol português. E no Sporting só não foi campeão no primeiro ano devido a um golo escandalosamente falhado por Bryan Ruiz contra o Benfica.
Há muito bons treinadores pelo mundo fora.
Mas muito poucos têm a capacidade que Jesus tem para chegarem a um clube e o galvanizarem, criarem um ambiente de entusiasmo à sua volta, electrizarem os adeptos, motivarem os jogadores e porem a equipa a render muito mais.
Rui Vitória até fez boas temporadas na Luz, conseguiu dois títulos, teve uma média de pontos superior à do antecessor, mas todos perceberam que não teria conseguido fazer o que Jesus fez, ressuscitando um Benfica desmoralizado. E mesmo Mourinho nunca criou tanto entusiasmo em Portugal à sua volta como Jesus conseguiu agora com o Flamengo.
Tenho pena que Jesus não tenha treinado uma grande equipa do futebol mundial. Um Real Madrid, um Manchester United. Tenho a certeza de que não faria pior do que muitos que por lá passaram - e talvez tivesse chegado ao topo. Sei que ele também tem essa mágoa. Mas chegar onde chegou já foi notável.
Já entrou na história do futebol português e do futebol brasileiro, escrevendo páginas gloriosas."

O chicote do dirigente português é do tipo «Amistad»

"É feio apontar e chamar nomes, mas há dirigentes no futebol português com ar de capataz de navio esclavagista. Ar sanguinolento e duas boas razões na alma – o coração, senhores, há muito desapareceu - para usar o chicote nas costas do prisioneiro. Perdão, do treinador: 1. Por tudo; 2. Por nada.
Para estes cavalheiros, o treinador não passa de um mal necessário. Bom, mas bom mesmo, era criar um staff técnico carregado de funções XPTO (estrategas militares, nutricionistas de pele e osso, tocadores de flautas, condutores profissionais de drones ou psicólogos de chaise longue aveludada) e eliminar a aborrecida figura do treinador principal. Uma maçada.
Estabelecer as opções tácticas, desenhar a metodologia de treino e definir o onze inicial? Meus amigos, para isso estaria lá o senhor presidente DDT, dono disto tudo. Um abolicionista de técnicos.
O dirigente português é, essencialmente, um visionário. Gosta de chicotear à moda antiga, mas sempre de olhos no futuro. Não vamos ter um dia automóveis sem condutor? E os robôs não vão tomar conta dos tarefeiros da comunicação social?
Antecipemos, então, o inevitável: criemos equipas profissionais de futebol sem treinador.
Os mais tolerantes poderão apelar à participação popular. O adepto passa a escolher o onze inicial através de voto secreto e em contrapartida deixa de poder assobiar a equipa na bancada.
Tudo isto parece uma piada de mau gosto, mas ao analisar algumas decisões de presidentes da I Liga só me apetece mesmo brincar. Há de tudo. Alguns escolhem um treinador como quem escolhe um brinquedo na Toys R Us. Tem muita graça até se fartarem dele.
Outros, provavelmente mal acompanhados, despedem um treinador defensor de uma ideia de jogo X e contratam outro que é partidário da ideia Y. É como se um protestante devoto passasse subitamente para o lado católico. Sem sentido.
Há semanas em que o futebol português se assemelha ao Amistad, um navio negreiro tristemente célebre e eternizado por Spielberg na Sétima Arte. Chicotear, levar ao limite das forças, punir o elo mais fraco sabendo que não haverá consequências.
Vamos aos números: 11 jornadas da Liga, seis treinadores despedidos. Destes, quatro transitaram da época anterior e dois era uma novidade absoluta. No verão deixaram de ser competentes? Ou terá sido a respectiva direcção incapaz de lhes dar boas soluções?
Não há estratégia a médio/longo prazo, não há escudo protector sobre a figura do treinador. Não há paciência e a tendência é para piorar. O ano passado, por esta altura, apenas o Sporting trocara de homem do leme: Peseiro por Keizer.
Solução para estes sinais de incompetência e inimputabilidade (do dirigente)? Escolher bem, saber o que a equipa de futebol precisa, acreditar mais nas ideias e menos nos nomes.
O futebol português deixou, há muito, de ser território seguro para os treinadores. É um mar de contradições ou, nas sensatas palavras do dr. Pimenta Machado, «o que hoje é verdade (o valor do treinador) amanhã é mentira (o valor do mesmo treinador)».

PS1: o artigo generaliza, sim, mas sei que há clubes e presidentes lúcidos e capazes de perceber que a estabilidade é um bem inestimável. Em todas as divisões.

PS2: há momentos em que a relação deixa de funcionar. Aí, no limite, a separação entre as partes é a solução certa. Não é isso que se passa hoje em dia. Portugal está a aproximar-se do Brasil e a criar a figura do treinador descartável. Não é bom para ninguém.

PS3: por falar em treinadores, vou dar uma de Mourinho e endereçar os meus parabéns públicos a Jorge Jesus. Tanto tem sido escrito sobre o herói do Rio que o melhor é encaminhar os meus caros leitores para esta editoria especial."

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Que Campeonato em Portugal!

"Que os pequenos se agigantam com os grandes, já o sabemos. Que os outsiders desafiam o favoritismo, é inegável. Que a tendência é para que a balança se equilibre quando o «nada a perder» afronta o «cumprir a obrigação», também não sobram dúvidas. Porém, esta jornada de Taça, que viu o seu mediatismo ser repartido com os feitos de Jorge Jesus (impressionante performance e justíssimos os pergaminhos que se lhe dedicaram), merece uma forte referência para os que encontraram nela a oportunidade de mostrar o futebol no seu esplendor máximo.
Podia ser esta uma alusão ao Alverca, que, depois do recital de sobriedade que deu contra o poderoso Sporting, num aparente escândalo pela diferença de forças, deixou em alerta um Rio Ave que se contentou com a margem mínima.
Podia estar a falar de uma Sanjoanense que, indiferente ao golo sofrido cedo em Paços, foi lúcido a condicionar o adversário para depois tentar surpreender nas idas à frente. Acabou o jogo com uma bola tirada em cima da linha de golo e, mais tarde, com Pepa a admitir sem problemas que merecia o prolongamento. Quando isto acontece... Podia ainda estar a referir-me ao soberbo comportamento do Vizela contra o Benfica. Quantos manteriam a serenidade, mesmo em vantagem, ao verem um jogador expulso tão cedo? Quantos resistiriam à tentação de recuar linhas e baixar o bloco? Quantos tremeriam com a bola nos pés perante a noção de que algo histórico disso dependeria? Há, realmente, algo a retirar do comportamento dos vizelenses e da sua organização, até por clubes da Liga NOS que teimam em ceder previamente aos estatutos e às dimensões.
Ou da personalidade do Marinhense. Ou da perseverança do Canelas. Ou da persistência do Sp. Espinho.
Mas estou sobretudo a falar do impressionante feito do Sertanense. Se não bastasse a diferença entre uma equipa profissional (Farense), líder do segundo escalão e a fazer uma época muito boa, e uma equipa que não o é e que está no quarto lugar da série C, essa diferença ainda se acentuou na desvantagem no marcador aos 31 minutos e nas duas expulsões na segunda parte. Chegariam ao empate com nove e levariam o jogo para prolongamento com oito, o que, por si só, já mereceria uma menção honrosa.
Não chegava. Num relvado longe de estar em boas condições, a dimensão emocional dos destemidos da Sertã protagonizou um conto de fadas, uma daquelas histórias que, se não houvesse registo escrito, online e vídeo, daqui a uns anos poderia soar a um valente exagero quando contado pelos protagonistas. O que feito do Sertanense sucede, para já, à mágica campanha do Caldas há duas épocas e a muitos outros contos históricos que esta competição alberga com uma vertente de mística distinta. À atenção da FPF, fica a sugestão de, nas próximas edições das Quinas de Ouro, criar também um prémio para desempenhos hercúleos no futebol português, sobretudo agora que o canal 11 torna ainda mais visível muitas potenciais estórias.
«Já não há jogos fáceis», costumam dizer. Discordo. Há jogos com todo o potencial para o serem, desde que a seriedade seja visível desde o primeiro apito. Mas bem longe estarão aqueles que pensam ver a diferença teórica fazer naturalmente a diferença. Bem longe... ou em casa, a ver pela televisão. Este Campeonato de Portugal está atestado de boas histórias e de muitos gritos por outros palcos."

Perdeu-se a magia... perdeu-se o 10!

"O futebol mudou...
Longe vão os tempos dos 10, dos mágicos, dos organizadores de jogo que viviam num território só deles, entre um meio campo de combate e um ataque profícuo.
E, foram tantos na história... nas fotografias aparecem quatro, talvez os que me tenham marcado mais. Mas, porque não colocar Francescoli, Ronaldinho, Michael Laudrup, Deco, Zico, Riquelme, Rivaldo, Baggio?
Deixo, contudo, alguns de fora... propositadamente! Desde logo, Messi...talvez o extraterrestre, que nos faz lembrar, que, num passado, existiu esse modelo de jogador, irreverente, capaz de tornar a equipa numa dúplice dimensão: onde ele vive e a terrena onde coabita com os demais companheiros de equipa! Depois Pelé... Pelé, talvez, tenha sido o maior atleta do mundo! Uma simbiose de força e de técnica, num momento em que a maioria dos jogadores apostava numa só qualidade! Porém, verdade seja dita...Talvez, tenha sido o primeiro 9,5 da história, sendo o maior símbolo disso o Brasil de 70! O Brasil, que como alguém ousou dizer, jogava bem porque jogava com 4 dez: Pelé, Rivelino, Tostão e Jairzinho... mas Pelé, talvez, fosse menos de que pelo menos Rivelino e Tostão...apesar do número ser seu...por decreto!
Essa feliz expressão do 9,5, uma vez trazida ao mundo por Platini, quase a deixar antever o futuro... a fantasia do 10 ir-se-ia extinguir e o próprio francês, apesar de usar o mágico dorsal nas costas, era o segundo avançado de uma Juventus que tinha em Boniek o seu "bomber".
Os tempos avançaram, como dissemos...vivemos mais depressa, com maior avidez! São os tempos do digital, do pragmatismo...a criatividade deve sempre ser usada em função de um bem maior! O dez, na maioria das equipas, morreu!
Analisemos as portuguesas! Lembremos as dificuldades de Rui Vitória na temporada passada em colocar João Félix na equipa titular do Benfica! A jogar numa ala! Viria Bruno Lage... Félix nunca seria 10, seria mais um filho do 9,5! Marcaria golos, daria a marcar, mereceria uma transferência milionária, mas alguma vez foi 10? E agora, o que vemos? Dois médios posicionais, dois avançados, um a jogar mais recuado que outro! Como é possível que um peso pesado consiga fazer o que a "ginga" de corpo e de mente de um talento fazia?
Bruno Fernandes, igual... apesar de ser um faz tudo, terá Bruno os predicados do playmaker? Terá Bruno a souplesse de um xadrezista capaz de antecipar os movimentos dos demais? Não! Bruno é alma...é voracidade...deem-lhe três campos para correr, ele correrá quatro! Peçam-lhe para se resguardar para tarefas criativas, ele será o primeiro a pressionar! Atenção, não é mau, é, simplesmente, genético.
No Porto temos a dimensão física do jogo. A voracidade de Marega, o choque de Soares. Otávio, que poderia ser um pouco o dez que falamos, parte de uma ala. No meio campo, um trinco (Danilo) e aposta em dois oito, capazes de dar equilíbrio à equipa, sejam eles quais forem. Já foram Matheus Uribe, Sérgio Oliveira, até Romário Baró que, ainda há meses, dizia querer imitar Zidane e que mereceu a expressão de um comentador de "estar muito penteado tacticamente", tais as amarras que o amordaçavam às obrigações do jogo!
Mas não serão só esses... o SC Braga, fruto do modelo de jogo, aboliu a posição! No Vitória SC, vemos Lucas Evangelista na posição 8 e, um dos mais promissores da sua geração para a função, João Carlos Teixeira, a partir de uma ala... amordaçados à voracidade feroz que Ivo Vieira quer no jogo, sem espaço para quem "pare, tome um café, tire uma fotografia e, sim...depois passe a bola"!
O mundo mudou...andamos mais depressa, nem temos tempo para a contemplação, para meditar... Mas, será que haveria necessidade de abolir a fantasia, como se tivéssemos caído do céu num universo que não é o nosso?"

Lesões? Para que te quero?

"Lesões, lesões e mais lesões… Ainda vale a pena continuar a lutar pelo que mais gosto?
Este sub-título vai tentar ilustrar tudo aquilo que vou escrever. Ou seja, a importância que um momento mais negativo tem na nossa vida e nos torna ainda mais fortes do que por vezes imaginamos, que nos torna, sobretudo, pessoas com maior capacidade para lidar com as adversidades. Irei dar ênfase aos atletas mais novos, onde há uma margem de progressão maior e onde o sonho de se tornarem jogadores profissionais se vai alimentando com maior frequência. Irei, ainda, dar um exemplo de um caso de um jovem de 15 anos, com o qual realizei um trabalho enquanto psicólogo do desporto, em fases distintas da sua recuperação. Ou seja, durante a reabilitação, quando se começa a fazer o “transfer” para o campo e no pós, quando o atleta começa a treinar com os companheiros.

É importante salientar que uma lesão faz parte da vida de um atleta.
Saber gerir essa lesão é que é uma das maiores superações do atleta.
Quando falamos em lesões, as quais obrigam a uma intervenção cirúrgica e a uma paragem prolongada da actividade desportiva, ou mesmo só esta última, sem recorrência à cirurgia, idealizamos maioritariamente a parte mais negativa. Questionamo-nos acerca da recuperação do atleta e surgem perguntas como:
“Ei, aquele miúdo ainda tão novo e já foi operado 3 vezes ao joelho. Ainda vale a pena continuar a insistir?”. “Coitado, logo agora que estava numa fase tão boa acontece esta rotura de ligamentos”. “Com esta lesão vai ser mais complicado chegar lá cima, pois ele já tem 18 anos, não é verdade?”.
Os discursos internos, muitas das vezes, são de carácter negativo face ao tema. Olhamos para a lesão como dor, frustração, indignação, problemática (…). E, muitas das vezes, olhamos essa mesma lesão como influenciadora negativa do nosso sonho (ser jogador profissional).
Agora questiono: faz sentido ter este tipo de pensamentos? Claro que sim! O atleta quer ser melhor. O atleta fica chateado por não praticar o que mais gosta. O jovem de 18 anos começa a perceber que a sua mudança para sénior se pode complicar. Como este, existem tantos outros tipos de pensamento que pode surgir face a esta problemática. É importante, também, salientar, que cada caso é um caso! 
Irei agora focar-me mais numa fase de formação do atleta (podendo, também, identificar jogadores com maior experiência, ou seja, seniores). Será que não estamos a desenvolver competências de extrema positividade através das dores, angústias, frustrações, noites mal dormidas (…) provocadas pela lesão? Sim, Estamos! Poderemos não estar a desenvolver o aspecto físico, o aspecto técnico e tão pouco o táctico. Mas podemos ser muito mais fortes em termos mentais.
O jovem de 15 anos, o qual identifiquei anteriormente, é jogador de futebol. Ele alimenta-se de um dia ser profissional do desporto-Rei. Sonha viver deste jogo, de ser reconhecido e trabalhar no que mais ama. Este menino (e reforço que para além de um atleta HÁ um ser humano ainda bastante jovem) estava numa fase em que era sub-15 (Iniciados), mas já treinava e jogava com os sub-17 (Juvenis).
Encontrávamo-nos na fase de apuramento de campeão e o rapaz era uma esperança para o clube, sendo um dos principais referenciados para chegar à equipa principal. No primeiro jogo da fase identificada, o jovem tinha feito 2 golos e a sua equipa ganhava por 3-1. Eis que chega o minuto 60 e o atleta é alvo de uma falta por parte de um adversário e sofre uma lesão muito grave.
A bancada, nos momentos após a falta, encontrava-se em choque. Família, amigos, agente desportivo, colegas (…), tudo estava apreensivo. O atleta, dias depois, diz-me que vai ter que parar cerca de meio ano. Ou seja, isto implica não jogar o resto da fase de campeão de Juvenis, onde não se poderá mostrar/vender no terreno de jogo e ter os holofotes sobre si, e também, não fazer a pré-época seguinte e início da mesma.
As primeiras mensagens por parte do jovem foram as seguintes: “Acho que vou desistir do futebol, isto foi muito mau e acho que o sonho termina aqui”. Mensagens de indignação, raiva, frustração (…), onde o papel do psicólogo, nesta fase, passa pela Empatia (e não simpatia). Sentir-me na posição do outro.
Coloquei-me à prova e incuti para mim mesmo. “Não vou deixar que este miúdo desista do seu sonho”. Fui fazendo o acompanhamento natural do processo e num breve resumo, trabalhou-se a formulação de objectivos, ajustamento de expectativas e o seu controlo de pensamentos, ajustando-se estes ao seu melhor discurso interno positivo.
O miúdo não queria mais jogar, não queria saber mais do futebol, mesmo ainda estando numa fase precoce da sua lesão. Mas sendo psicólogo, agente, pai (…), temos que ser sempre o suporte destes futuros craques e não os podemos “deixar cair”.
Por vezes, e os atletas ainda sendo jovens, não percebem o quanto enriquecem por passar por uma situação tão dolorosa. Têm noção do quão resilientes vocês se estão a tornar? Têm noção do quão superantes se estão a tornar? E a longo prazo? Se a vida de um atleta é feita destas “partidas”, será que não irão estar muito mais preparados caso aconteça novamente?
Não haverá um melhor ajustamento de expectativas face aos objectivos (neste caso do jovem de 15 anos, ao seu sonho)? Com ideias mais claras e mensuráveis. Com as metas mais bem delineadas (…).

Esta dor até pode ser assustadora e ser mais problemática do que se pensa, mas agora sei que tenho mais recursos para enfrentar o que vier!
A antecipação de acontecimentos ajuda o atleta a preparar-se mais eficazmente. E para além da dor, é importante salientar, que estamos a otimizar outro tipo de competências. O jovem não desistiu. A responsabilidade foi dada ao atleta, pois ninguém conhece melhor o próprio corpo que o mesmo. O Ter Uma Boa Base De Suporte Familiar foi fundamental para devolver a confiança durante o processo de recuperação e ajudar o jovem a focar-se no seu objectivo, mesmo tendo aquela situação menos positiva.
As pressões externas não podem existir. Por vezes, há situações que não dependem de nós, que nós próprios não conseguimos controlar. Algumas lesões são parte disso. A boa alimentação e o dormir bem também foram cruciais na recuperação.
Quando existe o “transfer” para o campo, após uma recuperação feita de muita superação, o atleta tem que estar focado e perceber que não consegue estar ao mesmo ritmo que o colega. É neste ajustamento de expectativas que pais, psicólogos, treinadores, agentes (…) são fundamentais. O processo terá que ser cuidado e de forma bem estruturada, ou seja, sempre “passo a passo”. Preferível devagar e bem, do que depressa e mal!
Poderia escrever muito acerca da influência mental deste tema das lesões. Mas acho que o importante a reter é o seguinte:
A lesão fará sempre parte da vida de um atleta. Independentemente de não estar a competir no aspecto técnico, táctico e físico, e haver mais atletas para o “substituir”, é importante salientar que o atleta está a ser mentalmente muito mais forte do que era.
“Não é como começa, mas sim como acaba”"

Jorge Jesus e a regra das 10000 horas de 'expertise'

"O sucesso agrega.
Por estes dias, Jesus reuniu consensos e admirações, recebeu o reconhecimento de Portugal, dos Portugueses e de uma enormidade de Brasileiros (adeptos da sua equipa e não só), ao conseguir, em pouco mais de 6 meses, elevar os níveis de desempenho da sua equipa para patamares há muito não observados.
Da forte contestação inicialmente manifesta, num país onde ser treinador e estrangeiro não revela ser a “combinação” mais apetecível, Jesus conseguiu calar as vozes da crítica e obter inclusive pedidos de desculpa públicos, por parte de algumas figuras de vincada notoriedade.
Criticado por muitos acerca da sua forma de estar e ser, acerca da sua impetuosidade e entrega desmedidas, o reconhecimento da sua capacidade em optimizar atletas, tornando-os activos valiosos para os clubes, de alguma forma, não é algo de novo – este é, aliás, o principal denominador comum que encontramos no discurso dos atletas que com ele “nasceram” (ou “renasceram”) e que a ele dedicam a sua gratidão.
Fê-lo agora com uma equipa inteira – e num brevíssimo espaço de tempo – e, isto sim, é “novo”. 
Naturalmente que o sucesso não se pode (nem deve) explicar exclusivamente pela vontade de um indivíduo, afinal ele será sempre produto das acções individuais e das suas circunstâncias.
O sucesso alcançado no Flamengo resultará necessariamente da conjectura de uma equipa e de um clube, da visão de alguém que, dadas as dinâmicas internas que se encontravam instituídas, soube identificar um dado perfil de treinador que poderia catapultar a expressão de um futebol mais incisivo e eficiente.
Mas resulta, também, de um homem que, em boa verdade, se preparou para o sucesso.

As 10000 Horas de 'Expertise'
Adoptada por personalidades tão distintas como Bill Gates, Elon Musk, Warren Buffett e Mark Zuckerberg, a “regra das dez mil horas” emerge de um estudo de Gladwell (traduzido no seu livro “Outliers. The story of success”, acerca do desempenho dos “fora de série”), onde o autor defende que o desempenho de excelência dos “fora de série” se encontra justificado pelo número de horas de prática que coleccionam e que, na realidade, podem transformar qualquer indivíduo num top performer, a saber: 10.000 horas.
Em boa verdade, estejamos a falar de treinadores, atletas ou outros “fora de série”, se observados em pormenor, a sua quase “inumana” capacidade em desenvolver esforço e trabalho, com elevados níveis de resistência à frustração e por um período indeterminado de tempo, acaba por destacá-los dos demais.
Jesus frequentemente assinala isso no seu discurso quando refere que não teria aceite o convite sem ter estudado muito bem a situação.
O que, de uma forma geral, as pessoas não adivinham é que este “estudar muito bem” implica, desde logo, horas sem fim de análise de todo o plantel, clube e realidade organizacional/cultural, bem como a produção antecipada de um conjunto de critérios de sucesso e/ou soluções que garantam o nível de sucesso desejado (que não precisa, necessariamente, ser o mesmo que o publico em geral imagina) – tudo isto, mesmo antes de firmar qualquer contrato.
Contudo, como em muitas outras áreas, o discurso do sucesso resultante de um número infindável de horas de trabalho não é, como sempre, minimamente “sedutor” para ser valorizado pelos “media” ou retido pelos adeptos e sociedade em geral.

“Se Não Consegue Explicar Algo de Forma Simples, É Porque Não o Entende Suficientemente Bem"-  - Albert Einstein
A fórmula de sucesso de Jesus passará, certamente, por um grande conjunto de variáveis - entre muitas que poderíamos inventariar, o saber-se rodear pela equipa técnica “certa” onde, para além do conhecimento científico agregado, denota o reconhecimento claro dos “perfis de personalidade” que pretende blindar na sua equipa de confiança – de onde vale a pena destacar ainda:
saber traduzir o conhecimento em acções concretas.
Dizem-nos os estudos científicos que os atletas de elevada performance evidenciam, quase sempre, igualmente elevados níveis de coachability – entenda-se, uma elevada capacidade em traduzir os feedbacks em acções concretas.
Podemos, assim, estar perante um (não muito comum) fenómeno onde, a uma equipa com elevados níveis de coachability se juntou um treinador com uma enorme capacidade em dar feedbacks precisos, assentes em soluções concretas, resultantes de uma análise minuciosa do desempenho da equipa e dos adversários, facilmente operacionalizadas através das acções dos atletas.
A esta capacidade única de tornar o complexo em algo simples, temperado com uma enorme crença na capacidade própria em optimizar pessoas e processos, os atletas reconhecem Liderança."

Parabéns, João Félix

"É com enorme orgulho e satisfação que o Sport Lisboa e Benfica felicita João Félix por ter ganhado o conceituado prémio Golden Boy 2019.
Um reconhecimento que muito prestigia o seu talento, mas também contribui para o reforço do prestígio e trabalho feito na nossa famosa escola de formação Benfica Campus, do Seixal, que, depois de em 2016 ver Renato Sanches ganhar este prémio, vê de novo um nosso jovem jogador ser escolhido como o melhor do mundo pelo mais reputado prémio internacional deste escalão."

Benfica Podcast #344 - Almost Black Saturday

Finanças... (com alguma azia pelo meio!)

Benfiquismo (MCCCLXV)

Em Madrid... 1922

105x68... Santos, Duarte & Veloso

Tribuna de Honra... Jesus e OPA

Em torno da OPA parcial sobre a Benfica SAD

"Não me lembro de, alguma vez, em Portugal, uma OPA oferecer um tão elevado prémio sobre a cotação no momento do seu anúncio

1. Foi tornado público o anúncio do lançamento de oferta pública de aquisição (OPA) voluntária e parcial sobre acções ordinárias emitidas pela Sport Lisboa e Benfica - Futebol, SAD (que detém em 100% a Benfica Estádio e a BTV), sendo que o oferente é a holding Sport Lisboa e Benfica SGPS, SA.
Sendo um assunto muito relevante na vida e no futuro do SLB, despertou muito menos gula mediática do que os gémeos do Seferovic ou os 10% sintéticos do novo relvado. Percebe-se porquê. Trata-se de um assunto tecnicamente complexo, e que não suscita, nem excita paixões de circunstância.
O que está em cima da mesa e a possibilidade de o SLB passar de detentor de 63,3% do capital da SLB Futebol, SAD para uma percentagem de até 91,7%. Assim, esta OPA incidirá sobre cerca de 28% do capital, sendo de 5 euros o valor de cada acção a pagar em numerário.
Como sócio benfiquista (registo de interesses: não tenho acções em meu nome ou de familiar, e sou detentor de obrigações por ela emitidas), deixo aqui algumas reflexões sobre esta operação. Ressalvo o facto de a informação ser escassa, não tendo havido mais nada para além do comunicado oficial. E tenho em consideração a prudência operativa e estratégica que os responsáveis do Benfica devem observar.
Se esta operação for levada ao limite da oferta, o Benfica, através da sua SGPS, desembolsará, a breve trecho, cerca de 32,277 milhões de euros (6.455.434 acções a €5 cada). Certamente, haverá quem logo se questione: gastar 32 milhões para deter mais capital em vez de se adquirir o passe de um craque que garanta maior possibilidade de sucesso desportivo? Percebo esta tentação alternativa, mas a contabilidade comparativa não se pode, nem deve fazer apenas no plano imediato, sendo necessário ver as suas possíveis consequências estratégicas e a prazo.
Nesta operação está subjacente um ponto muito positivo: a boa situação financeira do clube, pois que, de outro modo, uma operação desta natureza e envergadura nunca seria possível. Por outro lado, é legítima a preocupação da Direcção do clube em acautelar situações de OPA não desejáveis ou mesmo hostis que, embora minoritárias, poderiam constituir uma espécie de cavalo de Tróia com efeitos potencialmente adversos. O Benfica, dada a sua presente situação e a de um previsível futuro, tem de estar atento a predadores financeiros neste mercado global que não olha a meios, a passados e a estados de alma. O custo de quase totalizar a parte do capital detido pelo clube Benfica e pela Benfica SGPS tem a vantagem de imunizar investidas indesejadas e danosas, sobretudo em tempos mais apetecíveis para o mercado. Risco que não existiria se a sociedade estivesse debilitada ou em situação de pura sobrevivência imediata.

2. Algumas questões devem ser analisadas. A primeira é a de que a legítima cautela de ter os mecanismos necessários para impedir investidas indesejáveis poderá estar já salvaguardada nos estatutos da Sociedade, senão na totalidade, pelo menos em parte significativa. Por exemplo, no seu artigo 13.º, se preceitua que é necessária a unanimidade dos votos estatutariamente correspondentes às acções da categoria. A (40% do capital, exclusivamente detido pelo Benfica) para serem aprovadas deliberações da Assembleia Geral sobre «a aquisição, directa ou indirecta, de acções representativas de mais de 2% do capital social da Sociedade por uma entidade concorrente, devendo um eventual posterior reforço da posição accionista, de forma directa ou indirecta, ser sujeito ao mesmo processo de aprovação caso as acções a adquirir representem mais de 2% do capital social da Sociedade». Os Estatutos definem, entre outros aspectos, uma entidade concorrente como «qualquer entidade, independentemente da sua forma ou natureza, que desenvolva, no todo ou em parte, actividade que consista na participação em competições profissionais de futebol, na promoção e organização de espectáculos desportivos ou no fomento ou desenvolvimento, ainda que indirectamente, de actividades relacionadas com a prática desportiva profissionalizada da modalidade de futebol em Portugal ou no estrangeiro». Acrescentando-se que «a realidade de entidade concorrente pode existir em momento prévio à aquisição da participação ou ser adquirida em momento posterior».
Tendo isto em consideração, procurei - especulativamente é certo - alcançar uma razão que justifique uma operação desta envergadura financeira. Vejo que com o aumento da percentagem de capital detido, aumentarão as condições para, a prazo, o Benfica poder alienar uma parte (minoritária) a um ou mais investidores estrategicamente considerados bem-vindos. É crível admitir que haja entidades com as quais se possa edificar uma parceria estratégica que potencie sinergias, inovação, antecipação, expansão internacional, troca de know-how, oportunidade de negócio, etc.

3. Há, ainda, um ponto que me suscita dúvidas. Refiro-me ao preço oferecido por cada acção. Dir-se-á que se quer devolver agora o que os accionistas pagaram quando subscreveram títulos da Benfica SAD na primeira oferta pública (IPO) em 2001. Não tenho dados que me permitam saber qual a percentagem do capital adstrito à presente OPA que não teve qualquer movimento subsequente à IPO. Mas  haverá muitos accionistas que compraram os títulos no mercado secundário por preços bem inferiores aos agora oferecidos €5. Não me lembro de, alguma vez, em Portugal, uma OPA oferecer um tão elevado prémio sobre a cotação no momento do seu anúncio (81%, pois que a cotação andava pelos €2,76 por acção), mesmo tendo em consideração o tempo de capital empatado sem qualquer distribuição de dividendos. Se o propósito pode ser defensável pelo que atrás referi, o preço a pagar pode ser visto como exagerado. Pode dizer-se que tal prémio visa não prejudicar accionistas iniciais (correndo o risco, porém, de ser visto como uma formulação mais sofisticada de uma operação coração) o que tal preço é necessário para suster indesejáveis tentações oportunistas vindas do exterior. Não esqueçamos, porém, que o mercado de capitais é, por natureza, um mercado de muitos riscos, onde se investe numa sociedade anónima (neste caso, desportiva) e não numa hipotética Santa Casa.
Os grandes beneficiários do prémio oferecido serão quatro empresários que, juntos, detêm 21,1% dos 28% do capital sobre o qual incide a OPA, ou seja 75,4% da oferta (segundo o Relatório e Contas da Benfica SAD de 2018/19, estas participações qualificadas são: de António José dos Santos, 12,71%; José da Conceição Guilherme, 3,73%; Olivedesportos SGPS, SA, 2,66%; e Quinta de Jugais, Lda, 2%. Dos 32,3 milhões que a Benfica SGPS pagará se a OPA se efectuar integralmente, 24,2 milhões vão para estes accionistas. E se há, entre eles, quem tenha sido subscritor inicial pagando também 5 euros por cada acção ou se tenha atravessado em momentos particularmente difíceis da vida do Benfica, a maior daquelas quatro participações (António José dos Santos, Grupo Valouro) resultou de aquisições posteriores a preço bastante inferior (à Somague e ao Novo Banco, onde neste caso é conhecido o preço de €1,05 por acção). Estima-se que o seu encaixe no caso de venda na OPA atingirá cerca de 14,6 milhões de euros e que o ganho será acima dos 10 milhões de euros.
Acresce que ser accionista da SAD não significa ser necessariamente sócio, nem sequer benfiquista. Há, em suma, uma transferência que, à luz dos sócios que pagam honradamente as suas quotas e os seus lugares no estádio, pode ser encarada como excessiva e injustificada.

4. Um último ponto: com a possibilidade acrescida e consistente de lucros futuros, haverá maior pressão para a situação (inédita) de distribuição de dividendos. Caso isso alguma vez venha a suceder - do que duvido - há vantagem em ser o próprio Benfica a ficar com os mais de 90% dos dividendos distribuídos. Por fim, em termos de consolidação das contas do universo SLB, a situação patrimonial global fica mais consistente.

5. É isto que se me oferece escrever sobre esta iniciativa. Sei que não tenho, aqui e agora, a informação necessária e suficiente para, honestamente, ter uma posição indiscutível. O meu único propósito foi do contribuir construtivamente para a análise de um assunto estratégico incontornável do Universo Benfica, que não pode jazer entre distracções de um jogo hoje e de outro amanhã.

Contraluz
- Minuto: Jorge Jesus mereceu a vertigem do minuto 90+2, finalmente em versão deliciosa. E também o Brasileirão. São vitórias notáveis do melhor treinador português, que sucede a Pedro Álvares Cabral na descoberta de um país que nem sempre nos respeita.
- Diminuto: um Benfica medíocre em Vizela. Houve jogadores cujo problema não foi terem jogado mal, antes o de terem corrido pouco.
- Absoluto: Fernando Chalana, a vida do génio, agora em livro de Luís Lapão.
- Devoluto: Gabigol, por cá. Lá, treinador por Jesus, com estatuto. Vá lá a gente entender..."

Bagão Félix, in A Bola