Últimas indefectivações

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Zenit ajudou, a virar a página

"O Benfica respondeu bem ao tiro no porta-aviões que foi perder em casa com um FC Porto que estava ao alcance dos encarnados. Essa é a principal ilação a tirar do jogo de ontem da Champions, onde, sem deslumbrar, a equipa da Luz apresentou um futebol sólido e sério, frente a um opositor experiente e bem orientado, recheado de craques pagos a peso de ouro. Quando Jonas, já em tempo de compensação, mostrou que também marca contra os grandes, o Benfica já tinha feito o suficiente para justificar a vantagem. Não obstante, porque nem André Villas Boas revelava vontade especial de assumir demasiados riscos, nem Rui Vitória ia para além das trocas directas, parecia, à medida que o encontro se aproximava do fim, que tudo ia ficar por um nulo a rever em São Petersburgo. Em boa hora para o Benfica, porém, Gaitán marcou um livre perfeito, Jardel bloqueou Garay e Witsel e Jonas cabeceou certeiro para o fundo das redes russas. Um golo que permite aos encarnados uma abordagem mais confiante para o jogo da segunda mão.
Benfica, da depressão à euforia em quatro dias? Mal irá se assim for. Os ensinamentos que precisa de retirar destes dois jogos devem ir essencialmente no sentido da necessidade de apurar mais o controlo do meio-campo. O FC Porto dos dias de hoje não é melhor que este Zenit e a diferença para os da Luz entre a última sexta e a noite de ontem residiu, precisamente, no maior envolvimento dos alas e do dez no apoio ao seis e ao oito.
Antes da final de Alvalade, o Benfica, que continua no arame sem rede, não tem margem para facilitar. A demanda do título passa por encarar o Paços de Ferreira e o União da Madeira como jogos de vida ou de morte. Para já, a forma como viajou entre o FC Porto e o Zenit é um bom sinal."

José Manuel Delgado, in A Bola

Milagres que se vão fazendo por cá

"Justa e moralizadora. Eis duas palavras que se podem utilizar sobre a vitória do Benfica frente ao Zenit, equipa de investimento milionário que ontem caiu na Luz. Verdade que os russos jogavam contra o facto de estarem sem liga e logo com menos ritmo do que a formação portuguesa, mas não foi só isso que ajudou a esbater a enorme diferença de muitos milhões entre as equipas. Os clubes nacionais têm conseguido ao longo dos anos brilharetes na Europa que os milhões tentam travar. Não há maneira de evitar o facto de sermos um país periférico, onde o investimento não abunda e com um mercado reduzido, que faz com que as somas libertadas para o futebol não se comparem a potências como as cinco grandes ligas europeias e a que outros aspirantes novos-ricos vieram juntar-se. Ontem foi com Jonas, descoberto a preço de saldo em Valência, o inimitável Gaitán e o miúdo Renato que o Benfica enganou uma equipa onde jogam, por exemplo, ex-águias como Garay. Witsel ou o 'rival' Hulk. Não chegou. Ainda bem. Sabe melhor assim.
É óbvio que o apuramento está longe de garantido, mas ganhar sem sofrer golos na Liga dos Campeões é sempre bom. Obriga o Zenit a sair mais do que desejaria na 2.ª mão e potencia o momento mais forte do Benfica, as transições, jogando no erro do adversário. Razões de satisfação para Rui Vitória e toda a estrutura encarnada. E depois há os milhões da Champions. Vitais para a saúde dos cofres da SAD.
Estranho Salvio na bancada. O argentino foi convocado de surpresa com o FC Porto. Mereceu mesmo a entrada no clássico para tentar inverter a derrota. Foi chamado à conferência de antevisão do jogo, onde disse que trabalhava para ser titular. Bancada? Algo falhou. Ou a comunicação chocou com as ideias do técnico, ou o físico. Tentar perceber o quê nos próximos dias."

Benfiquismo (XVII)

Paciência... de Jonas!!!

Benfica 1 - 0 Zenit


Jogo dos 'medos'... o Benfica com medo do contra-ataque do Zenit; e o os Russos com medo do ataque posicional do Benfica. Sendo que o Zenit com vários jogadores fisicamente com pouco ritmo, jogou claramente para o 0-0, fazendo anti-jogo, principalmente através do guarda-redes, desde do início da partida...
A vantagem mínima pode ser curta, mas é melhor que o 0-0. O jogo de São Petersburgo vai ser muito mais difícil: o Zenit vai estar melhor fisicamente, o frio vai afectar a partida, a adaptação à relva dura vai ser um facto importante... e a capacidade dos jogadores do Benfica, resistirem à pressão vai ser decisiva (acreditem os Russos vão montar o Circo... o AVB sabe da poda!!!). E podem esperar ainda um daqueles apitadeiros bem caseiros...!!!
Com o castigo do Jardel, será decisivo ter o Lisandro e o Lindelof aptos... mas a recuperação do Fejsa, também será muito importante (a ausência do Javi Garcia e do Criscito também será importante).
O Vitória não me fez a vontade, e apostou no mesmo 11 do jogo com os Corruptos (vamos ver em Paços, se vamos ter consequências...). O jogo foi quase sempre lento, com poucas transições rápidas, ninguém queria cometer erros... Podemos usar um dos clichés do Futebolês quando as coisas no final correm bem: foi um jogo de paciência...!!! Só o Jonas Pistolas é que quebrou o enguiço!!!
No 2.º tempo, o Benfica tentou jogar mais rápido, e criou algumas oportunidades (2 flagrantes: Gaitán e Jardel), mas a bola continuava a não querer entrar... Até que quando já poucos acreditavam, numa falta estúpida, deu Vermelho ao defesa-esquerdo do Zenit e na sequência do Livre, golaço do Jonas...
Não acredito num 0-0 em São Petersburgo, vamos ter que marcar...
O Júlio foi mais espectador que jogador, uma defesa digna desse nome...; Eu sei que os destaques vão ser outros, mas hoje tenho que destacar o Lindelof, foi provavelmente o nosso melhor Central... e ainda teve tempo de atacar! A confiança está a subir, e isso nota-se, não só no trabalho que ele efectua, mas também se nota na confiança dos companheiros, nele...; o Jardel tem jogado um pouco abaixo do normal, e não foi só hoje... na 2.ª parte acabou por estar melhor na marcação ao Gigante Russo; Eliseu sempre bem a defender, o Givanildo esteve sempre controlado; o André vai fazer muita falta na 2.ª mão, hoje até teria sido melhor o Nelsinho, pois havia espaço para subir... daqui a 3 semanas, com o 'bloco' mais baixo, o André estaria no seu habitat natural...
O Samaris também fez um bom jogo. O facto da partida ter sido jogada com um ritmo lento, com poucas transições rápidas, ajudou... Notou-se que esteve muito concentrado, no posicionamento perto da linha defensiva... E no final do jogo, até pareceu ainda estar fresco! O Renato, voltou a ser muito importante... e voltou a terminar o jogo completamente esgotado, os maus passes nos últimos minutos, são sinais disso mesmo...
O Pizzi ofensivamente, terá feito um dos piores jogos dos últimos tempos... pedia-se a entrada do Carcela mais cedo...; o Nico mesmo sem fazer um grande jogo foi decisivo. O Benfica neste momento, tem poucos desequilibradores ofensivos no 11, ó Nico é praticamente o único que 'parte' para cima do adversário... O 'segredo' para as boas exibições, é o Nico saber quando deve arriscar, ou quando deve fazer o passe seguro...
O Jonas voltou a marcar na Champions, e fez um excelente jogo, sempre entre-linhas, mas como a equipa colocava poucos jogadores nos últimos metros, acabou por fazer poucos remates à baliza...; O Mitroglou teve pouca bola... na 1.ª parte construiu à força, a nossa melhor oportunidade... mas o Mitro precisa de um Benfica, mais 'subido', para se evidenciar... a entrada do Jiménez acabou por ser decisiva, devido ao efeito 'carraça' do Mexicano!!!
Apesar da satisfação pelo golo nos descontos, tenho que reafirmar a minha posição: chegar aos Quartos-de-final seria bonito, mas o Campeonato é mais importante... Vamos ter 3 jogos, antes da deslocação à Rússia, é fundamental não perder pontos com o Paços e com o União, para chegarmos ao derby na luta...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Há barcos para todos os portos menos para a vida não doer...

"Artur, o «Ruço», sofreu sempre. Corria pela direita, os cabelos loiros em ondas correndo atrás dele, e «jogava-dava-e-levava» como uma vez disse dele o grande Carlos Pinhão.

A primeira vez que o vi foi no estádio dos Barreiros, no Funchal, correndo pela linha branca de cal, no lado direito. O campo ainda era de terra batida e fazia calor ao fim da tarde. Calor de ananases e bananeiras como é próprio da ilha.
Ele corria e o cabelo loiro, comprido, parecia correr atrás dele numa onda irrequieta e amarela.
Chamavam-lhe o «Ruço»: Artur Manuel Soares Correia. Nasceu em Lisboa. No Bairro Alto.
A vida foi-lhe madrasta. Os adeptos não.
Nessa Académica da minha infância jogavam Gervásio e Rui Rodrigues, Mário e Vítor Campos, Rocha e Manuel António. E Artur, sempre Artur.
Tanta gente ligada ao Benfica, não é?
Sim. O treinador era Mário Wilson. Nunca um grupo de estudantes esteve tão perto de ser campeão nacional de Futebol. Mas havia o Benfica. E o Benfica não deixou.
Artur era visível, autoritário, plástico. O rumo da Luz era inevitável para um jogador como ele. Chegou na época de 1971/72. Ficou seis anos. Depois atravessou a estrada e seguiu para Alvalade.
Estreou-se em grande nas Antas, com um vitória por 3-1 no dia 12 de Setembro de 1971. Depois o lugar foi dele. Ocupou-o, conquistou-o, manteve-o com brilho e raça.
Lembro-me dele outra vez, no Estádio Nacional, jogando com a camisola dos cinco escudos azuis de Portugal, os cinco escudos azuis dos reis mouros e vencidos. Chutou pouco depois do meio campo: a bola correu cosida à relva verde-húmido, num traço perfeito sem interrupções. Entrou no canto direito de um enorme norueguês atónito. Foi um único golo de Artur pela Selecção Nacional, acreditam?
Acreditem: eu estava lá e vi. O pé direito de Artur no gesto único de um remate sem remédio. O pé direito de Artur; o pé esquerdo desapareceu entretanto na vertigem de um vida azeda como vinagre.
Fernando Pessoa escreveu: «Há barcos para todos os portos menos para a vida não doer».
Miguel Torga escreveu: «Há momentos para se fazerem as contas com a dona da pensão da vida»...
E Artur aí, entre nós, sem o pé com que marcou aquele golo que eu vi, de tão perto que podia ter sido até mesmo eu a fazer o remate, a saltar de alegria. Faltar-me-iam, no entanto, os cabelos longos e loiros da sua imagem de anjo mau.

Kovacs: «O melhor defesa direito da Europa»
Stefan Kovacs, o aplainador do Ajax-todo-o-terreno-futebol-total que depois Rinus Michels, o «General», tornou eterno: «O Benfica é uma equipa temível! Ataca por todos os lados!»
Não se esqueçam: do lado direito havia Artur.
Stefan Kovacs outra vez: «Artur é o melhor defesa direito da Europa!»
Não me esqueço: nunca conheci Kovacs; conheci Rinus Michels. Por duas ou três vezes falámos horas de futebol. E sobre Artur também, claro está!
A dona da pensão da vida matou-o aos poucos, lentamente com a crueldade de um diabo de saias.
Pleurisia: um vírus ou uma bactéria irrita a pleura, a membrana que recobre os pulmões.
Calculam o estrago que faz num jogador de Futebol?
Embolia pulmonar bloqueio da artéria pulmonar ou de um dos seus ramos.
Calculam o estrago que faz num jogador de Futebol?
Pois... A dona da pensão da vida calculou todos os passos para que a vida de Artur não deixasse de doer.
Doeu: doeu-lhe sempre!
Viu a morte do lado de lá da vidraça da cama de um hospital, abatido pelo tiro certeiro de um acidente vascular. Aguentou-se firme! Fez-lhe frente e ganhou.
O Pinhão, o Sr. Pinhão, Carlos Pinhão de jogar com as palavras, escreveu: «ele jogava-dava-e-levava». E mantinha-se em pé como ainda hoje se mantém numa perna só. Valente como Artur sabe ser.
O coração, esse, mantém-se vermelho-intenso-sem-descanso.
Artur só já não corre, o cabelo loiro correndo atrás dele; corre-lhe a vida sacana pelas veias..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Mea culpa

"Assim que termina um clássico, logo se inicia um jogo de identificação de culpados pelo resultado: o treinador que leu mal a partida; o central que claudicou no momento-chave; as substituições feitas a destempo. Pouco importa: quando se perde há sempre uma responsabilidade individual. 
Chegados a terça-feira, as responsabilidades na derrota do Benfica já foram escalpelizadas, mas, desculpem-me o egocentrismo, houve uma que ainda não vi mencionada. A culpa foi minha. Isso mesmo, o Benfica perdeu por minha causa. A razão é simples - não estive no estádio a apoiar a equipa.
Tenho justificações. Numa daquelas excentricidades do futebol português, o jogo foi marcado em cima da hora para uma obtusa sexta-feira à noite. Com bilhetes na mão para um concerto do jovem talento do saxofone Ricardo Toscano, fui impelido a trocar o meu Red Pass pelo jazz. Os resultados são os conhecidos. Enquanto me deixava levar pelo fraseado de pendor clássico de Toscano, o Benfica perdia.
Se me responsabilizo pela derrota, não quero que vejam nisto nenhum misticismo ou superstição. A explicação é outra. Sendo o futebol uma coreografia de solos, ainda que assente no colectivo (lá está, o paralelismo com o jazz), o bom desempenho da equipa depende da audiência. O Benfica existe enquanto prolongamento dos adeptos na bancada e se um de nós falha, é como se toda a organização ruísse. Desta vez, foram a minha voz e o meu sofrimento a faltarem no estádio - o que estou convencido fez toda a diferença. Mas não se apoquentem, hoje estarei na Luz a empurrar a equipa para a frente."

E se Renato faltar?

"(...)
O Benfica regressa hoje ao palco da Luz para uma noite da Liga dos Campeões, onde só têm assento os mais fortes, de aí estar nos oitavos de final e ser o único representante português na mais importante competição de clubes da UEFA. Prova de que lá chegou por merecimento, apenas suplantado no grupo pelo gigante Atlético de Madrid.
A partir de agora, na elite dos dezasseis melhores emblemas da Europa, não há volta a dar: ou joga bem e segue em frente, ou joga mal, ou assim-assim, e sai de cena. Simples de entender. Isto é, se for o Benfica da primeira parte com o FC Porto, que construiu várias oportunidades de golo, e souber aproveitá-las, convém a chamada de atenção, ganha a eliminatória; se for o Benfica da segunda, hesitante e sem fôlego para atacar em velocidade alta os últimos 20 minutos, então é o Zenit quem passa à eliminatória seguinte. Sem margem para pueris divagações nem para tratados sobre táctica atómica geralmente utilizados a apreciados quando a verdade se torna inconveniente.
Se me perguntarem se o Benfica reúne condições para eliminar o Zenit, respondo que sim. Se me perguntarem se acredito muito na concretização dessa possibilidade, respondo que sim, mas pouco, porque me recordo da última vez em que o Zenit esteve na Luz, Setembro de 2014, e precisou de apenas 22 minutos para marcar dois golos e vencer o jogo, lá continuando o Hulk de um lado e o Eliseu do outro... 
André Villas Boas pode andar preocupado por ver nos seus jogadores quebra de ritmo, consequência da longa paragem de inverno no Campeonato russo, mas em contrapartida aproveitou as férias algarvias para estudar este novo Benfica e esmiuçar as forças e as fraquezas que o clássico com o FC Porto, por exemplo, revelaram.
NO mercado de Janeiro o Sporting mexeu no ataque, com a saída de Montero e a entrada de Barcos, e reforçou a defesa com a contratação de Coates. Já tinha garantido Bruno César e Marvin Zeegelaar e ordenado o regresso de Rúben Semedo.
O FC Porto assegurou Suk e Marega e incluiu José Sá no pacote.
O Benfica adquiriu Grimaldo para a lateral esquerda, uma das posições mais carecidas, e dois juniores sérvios. Para surpresa minha, porém, não acautelou o meio-campo, sector onde a equipa começou a soluçar no jogo da última sexta feira com o FC Porto, também por força de um enquadramento tático que sinto dificuldade em descodificar. Por outro lado, pensar-se que um miúdo de 18 anos por muito talentoso que seja, pode substituir-se aos adultos e ser solução para todos os problemas constitui erro de avaliação grosseiro. E se Renato Sanches se constipar? Se, por qualquer motivo, tiver de ficar de fora em dois ou três jogos como será? Talisca? Pizzi? Outro candidato razoável que não me ocorre? Provavelmente sim, e até pode correr bem desde que o adversário seja de média dimensão, tipo do quarto lugar para baixo, porque, caso contrário, como demonstra o passado recente, é desilusão anunciada.
Em resumo, arrastar a decisão da eliminatória com o Zenit para o jogo da segunda mão é o imperativo mínimo do qual Rui Vitória não consegue livrar-se."

Fernando Guerra, in A Bola

Edite sobre rodas!

"Calçou os primeiros patins na Costa, ganhou notoriedade no rinque do Zoo e no Benfica foi elevada a Rainha.

Com 14 anos, Edite Cruz foi a primeira patinadora portuguesa a exibir-se no estrangeiro e, aos 15, foi nomeada Rainha do Patim. Mas como se atinge tanta notoriedade em tão tenra idade?
Ainda mal sabia andar e já acompanhava os pais nas idas ao Campo das Amoreiras para ver jogar o Benfica. Um dia, depois de mais um jogo, perguntou-lhes se podia vir para o Clube.
'-Que orgulho! Claro que podia!'
Uma semana depois estava vestida à Benfica a frequentar as aulas de ginástica. Tinha 3 anos. O primeiro passo estava dado, faltava o outro.
Em frente à casa de férias dos pais, na Costa da Caparica, existia um pavilhão com um rinque de madeira onde, à noite, a pequena Edite ia ver as outras crianças andarem de patins. Tanto viu que, do alto dos seus 9 anos, pediu aos pais para experimentar. Em Agosto de 1942, calçou os patins pela primeira vez e bastou uma semana para lhe ganhar o jeito.
No fim do Verão, já em Lisboa, continuou a pedir que a levassem a um rinque de patinagem, mas o pai, José Cruz, era sempre o mais difícil de convencer.
'-E se ela se magoa?'
Mas Edite não aceitava um 'não' como resposta e tanto insistiu que afastou os medos do pai e passou a ser presença assídua no rinque do Jardim Zoológico, onde Xavier Araújo '(...) um dos maiores «carolas» de patinagem artística' assumiu o papel de seu mentor. Mas a evolução da pequena foi tão rápida que, pouco tempo depois, o próprio Xavier disse, admirado, que já não tinha nada para lhe ensinar.
Da ginástica passou para a patinagem do Benfica e depressa o seu nome começou a ser conhecido. Aos 11 anos, participou pela primeira vez numa prova oficial do Clube e sagrou-se Princesinha do Patim. O pai, tão receoso de início, estava agora todo vaidoso com o talento da Edite e acabou, também, por se apaixonar pela patinagem. Foi ele quem inventou os patins de duas rodas, apresentados ao público pela filha em 1947. Mal sabia que ainda teria muito porque se orgulhar em 1948, Edite acompanhou a selecção nacional de hóquei em patins à Suíça, onde se exibiu nos intervalos dos jogos, ficando para a história como a primeira patinadora portuguesa a actuar no estrangeiro. No ano seguinte, com apenas 15 anos, foi elevada a Rainha do Patim!
Pode saber mais sobre a fulgurante carreira de Edite Cruz, no Museu Benfica - Cosme Damião, na área 2. Jóias do Ecletismo."

Marisa Furtado, in O Benfica

Benfiquismo (XVI)

Em noite de Champions, recordemos a primeira digressão do Benfica ao estrangeiro! O adversário foi o Real Clube da Corunha, foram 3 partidas, em 1912!

Redirectas XXXII - Renato Sanches, O Guerreiro Jedi

Mais uma vez Renato Sanches é o nome que sai da boca de um treinador adversário. Foi Simeone, agora André Villas-Boas. Não é por acaso. Não pode ser por acaso.
Já perdi a conta às Redirectas que fiz onde menciono o Renato Sanches. E não me canso de mencioná-lo. Não me canso porque ele merece todas as palavras que se possam escrever sobre ele.
Sexta-feira passada foi impressionante ver toda a sua postura em campo. É contagiante toda a sua força e querer. O seu semblante a todo o momento é o semblante do guerreiro indomável. Ninguém sentiu a derrota mais do que ele e no entanto no final estava sereno o suficiente para poder olhar olhos nos olhos o oponente e cumprimentá-lo com a nobreza dos grandes desportistas. Intimamente chama a si toda a responsabilidade e essa postura faz dele um íman aglutinador. Na noite de sexta-feira um pensamento na mente de Renato Sanches: "É preciso ser ainda mais!". Esse o pensamento que o diferencia de todos os restantes e que o coloca aos 18 anos como o jogador chave em toda a dinâmica de jogo do Glorioso. Existe um Benfica antes e depois de Renato Sanches. E existe um Benfica com e sem Renato Sanches. Renato Sanches é o jogador que faz a diferença em todos os aspectos do jogo. Ontem escrevi e hoje volto a escrever: 
"Mais uma vez o nosso Renato Sanches fará a diferença. Só não lhe coloquem toda a responsabilidade do jogo em cima dos ombros. Ele precisa de ajuda para poder dar tudo o que tem de melhor. Até aqui ele tem carregado a equipa para as vitórias. Na sexta isso não foi possível e amanhã também não será. Será preciso algo mais. Espero que Rui Vitória saiba encontrar a solução para o problema."
Que não subsistam dúvidas. O Zenit vai tentar barrar-lhe todos os caminhos. Será Renato Sanches contra o mundo. A marcação será impiedosa. Na cabeça do adversário uma ideia: "Proíbido deixar jogar Renato Sanches".
Será mais uma noite de aprendizado para Renato Sanches. Mas estou convicto que sairá do jogo ainda mais forte e mais senhor. Mais uma vez será ele o nosso carregador de piano. Que os Deuses o protejam e lhe possam redobrar as forças para que os 90 minutos possam ser suportados até ao fim sem o esgotamento que seria tão normal de outro modo.
Que a força esteja contigo Renato Sanches!
Rumo à vitória! Viva o Benfica!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Lixívia 22

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica........... 52 (-5) = 57
Sporting........ 55 (+12) = 43
Corruptos .......49 (+9) = 40

Jornada calma em relação à arbitragem. O facto do Benfica ter perdido, e os outros dois terem ganho, acalmou as almas mais inquietas!!! Tenho a certeza, que mesmo sem erros de arbitragem, se tivesse sido o Benfica a ganhar, e os outros dois a perder, iríamos ter Circo mediático...!!!

Como escrevi na crónica, não gostei da arbitragem de Soares Dias. Não houve lances de grande penalidade, nem golos anulados ou mal anulados... Mas nas faltas e faltinhas, mostrou a incompetência do costume, mas como já tem uma experiência acumulada significativa, consegue fazer aquele tipo de arbitragens inteligentes, onde se protege e ele mesmo de potenciais erros graves...!!!
O melhor exemplo são as faltas junto das áreas: a falta mais próxima da área dos Corruptos, que o Benfica beneficiou, foi  o Amarelo ao Herrera, sacado pelo Eliseu (livre que até deixou dúvidas, com um corte com a barriga do Danilo... bem decidido), junto do banco dos Corruptos...
Aliás o erro mais grave, foi mesmo uma falta sobre o Talisca, fora da área, já nos descontos... Ao marcar faltas ofensivas, por tudo e nada; e depois evitar marcar faltas junto das áreas, é uma das formas mais típicas de auto-protecção que os árbitros mais experientes utilizam...
Outra vitima desta estratégia foi o Mitroglou, fartou-se de levar pau e de ser agarrado, sempre que tentava receber a bola de costas para a baliza... e nada foi marcado! Impunidade total para os Centrais Corruptos...
Mas pronto, não houve os tais erros com influência directa no resultado...

Na Choupana, após 4 anos, Bruno Paixão voltou a dirigir os Lagartos!!! Nunca compreendi este desamoro entre os Lagartos e o Paixão!!! O Paixão é um dos árbitros, com 'melhor' aproveitamento para os Lagartos, antes deste jogo o Sporting tinha ganho 89% dos pontos nos jogos apitados pelo Paixão, agora a média aumentou mais um pouco... Os Lagartos são daqueles animais difíceis de contentar!!!
O jogo foi calmo, o Nacional jogou muito pouco, com pouca intensidade, dando muito espaço e pouca pressão (mesmo assim, 3 dos 4 golos, foram de bola parada - 1 canto, 2 penalty's - sendo o golo de bola corrida, consequência de um tremendo erro de um Nacionalista, que tentou fintar na meia-lua!!!)... resumindo jogo muito fácil de dirigir. Mesmo assim, já com o resultado feito, marcou um penalty a favor dos Lagartos, com os dois jogadores fora da área...!!!
Uma nota para os expert's do costume: pois bem aos 17 minutos foi bem anulado um golo ao Sporting, por fora-de-jogo evidente, que as imagens provam... mesmo assim, os tais expert's acham que foi mal anulado!!! Acha paciência...!!!

Anexos:
Benfica
1.ª-Estoril(c), V(4-0), Tiago Martins, Nada a assinalar
2.ª-Arouca(f), D(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, (1-2), (-3 pontos)
3.ª-Moreirense(c), V(3-2), Jorge Ferreira, Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
4.ª-Belenenses(c), V(6-0), Bruno Paixão, Nada a assinalar
5.ª-Corruptos(f), D(1-0), Soares Dias, Prejudicados, (-1 ponto)
6.ª-Paços de Ferreira(c), V(3-0), Rui Costa, Beneficiados, (3-1), Sem influência no resultado
8.ª-Sporting(c), D(0-3), Xistra, Prejudicados, (3-3), (-1 ponto)
7.ª-União(f), E(0-0), Cosme, Nada a assinalar
9.ª-Tondela(f), V(0-4), Veríssimo, Nada a assinalar
10.ª-Boavista(c), V(2-0), Esteves, Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
11.ª-Braga(f), V(0-2), Hugo Miguel, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
12.ª-Académica(c), V(3-0), Luís Ferreira, Prejudicados, (4-0), Sem influência no resultado
13.ª-Setúbal(f), V(2-4), Manuel Mota, Prejudicados, (2-5), Sem influência no resultado
14.ª-Rio Ave(c), V(3-1), Manuel Oliveira, Prejudicados, (5-1), Sem influência no resultado
15.ª-Guimarães(f), V(0-1), Xistra, Prejudicados, Beneficiados, Impossível de contabilizar
16.ª-Marítimo(c), V(6-0), Veríssimo, Nada a assinalar
17.ª-Nacional(f), V(1-4), Tiago Martins, Nada a assinalar
18.ª-Estoril(f), V(1-2), Vasco Santos, Prejudicados, (1-3), Sem influência no resultado
19.ª-Arouca(c), V(3-1), Manuel Mota, Nada a assinalar
20.ª-Moreirense(f), V(1-4), Manuel Oliveira, Prejudicados, (1-5), Sem influência no resultado
21.ª-Belenenses(f), V(0-5), Nuno Almeida, Nada a assinalar
22.ª-Corruptos(c), D(1-2), Soares Dias, Nada a assinalar

Corruptos
1.ª-Guimarães(c), V(3-0), Veríssimo, Nada a assinalar
2.ª-Marítimo(f), E(1-1), Hugo Miguel, Nada a assinalar
3.ª-Estoril(c), V(2-0), Duarte Gomes, Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
4.ª-Arouca(f), V(1-3), João Capela, Nada a assinalar
5.ª-Benfica(c), V(1-0), Soares Dias, Beneficiados, (+2 pontos)
6.ª-Moreirense(f), E(2-2), Vasco Santos, Nada a assinalar
7.ª-Belenenses(c), V(4-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
8.ª-Braga(c), E(0-0), Soares Dias, Nada a assinalar
9.ª-União(f), V(0-4), Paixão, Beneficiados, Prejudicados, (1-4), Sem influência no resultado
10.ª-Setúbal(c), V(2-0), Tiago Martins, Nada a assinalar
11.ª-Tondela(f), V(0-1), Manuel Mota, Nada a assinalar
12.ª-Paços de Ferreira(c), V(2-1), Xistra, Beneficiados, (1-1), (+ 2 pontos)
13.ª-Nacional(f), V(1-2), Jorge Sousa, Beneficiados, (3-2), (+3 pontos)
14.ª-Académica(c), V(3-1), Bruno Esteves, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
15.ª-Sporting(f), D(2-0), Hugo Miguel, Prejudicados, Beneficiados, (2-1), Impossível contabilizar
16.ª-Rio Ave(c), E(1-1), Rui Costa, Nada a assinalar
17.ª-Boavista(f), V(0-5), Veríssimo, Beneficiados, (1-5), Sem influência no resultado
18.ª-Guimarães(f), D(1-0), Manuel Oliveira, Prejudicados, Sem influência no resultado
19.ª-Marítimo(c), V(1-0), Jorge Ferreira, Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
20.ª-Estoril(f), V(1-3), Tiago Martins, Nada a assinalar
21.ª-Arouca(c), D(1-2), Rui Costa, Prejudicados, Beneficiados, (2-3), Impossível contabilizar
22.ª-Benfica(f), V(1-2), Soares Dias, Nada a assinalar

Sporting
1.ª-Tondela(f), V(1-2), Xistra, Prejudicados, Beneficiados, (0-1), Sem influência no resultado
2.ª-Paços de Ferreira(c), E(1-1), Manuel Oliveira, Nada a assinalar
3.ª-Académica(f), V(1-3), Bruno Esteves, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Rio Ave(f), V(1-2), Hugo Miguel, Nada a assinalar
5.ª-Nacional(c), V(1-0), Veríssimo, Beneficiados, Impossível contabilizar
6.ª-Boavista(f), E(0-0), Soares Dias, Nada a assinalar
7.ª-Guimarães(c), V(5-1), Rui Costa (Hélder Malheiro), Nada a assinalar
8.ª-Benfica(f), V(0-3), Xistra, Beneficiados, (3-3), (+2 pontos)
9.ª-Estoril(c), V(1-0), Jorge Ferreira, Prejudicados, Beneficiados, (1-0), Sem influência no resultado
10.ª-Arouca(f), V(0-1), Cosme, Beneficiados, (2-1), (+3 pontos)
11.ª-Belenenses(c), V(1-0), Soares Dias, Nada a assinalar
12.ª-Marítimo(f), V(0-1), Rui Costa, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
13.ª-Moreirense(c), V(3-1), Paulo Baptista, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
14.ª-União(f), D(1-0), Vasco Santos, Nada a assinalar
15.ª-Corruptos(c), V(2-0), Hugo Miguel, Beneficiados, Prejudicados, (2-1), Impossível contabilizar
16.ª-Setúbal(f), V(0-6), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
17.ª-Braga(c), V(3-2), Sousa, Beneficiados, (1-2), (+3 pontos)
18.ª-Tondela(c), E(2-2), Luís Ferreira, Nada a assinalar
19.ª-Paços de Ferreira(f), V(1-3), Soares Dias, Nada a assinalar
20.ª-Académica(c), V(3-2), Cosme, Prejudicados, Beneficiados, (3-1), Sem influência no resultado
21.ª-Rio Ave(c), E(0-0), Xistra, Beneficiados, Sem influência no resultado
22.ª-Nacional(f), V(0-4), Paixão, Beneficiados, Sem influência no resultado

Jornadas anteriores:
1.ª jornada
2.ª jornada
3.ª jornada
4.ª jornada
5.ª jornada
6.ª jornada
7.ª jornada
8.ª jornada
9.ª jornada
10.ª jornada
11.ª jornada
12.ª jornada
13.ª jornada
14.ª jornada
15.ª jornada
16.ª jornada
17.ª jornada
18.ª jornada
19.ª jornada
20.ª jornada
21.ª jornada

Épocas anteriores:

Juntos, com fair-play!

"Esta terça-feira o Estádio do Sport Lisboa e Benfica volta a vestir-se de gala para um embate de campeões frente ao Zenit de São Petersburgo.
Precisamos estar #juntos em mais uma jornada de apoio e, para este objectivo ser plenamente alcançado, é fundamental que os adeptos Benfiquistas sejam sensíveis aos custos que eventuais comportamentos à margem do fair-play representam para o Clube, bem como as consequências disciplinares que daí resultarão.
Além de todos os prejuízos financeiros que estas situações acarretam para o nosso Clube, o grau de tolerância na UEFA está compreensivelmente muito reduzido.
Todos nós, Benfiquistas, estamos debaixo da vigilância da UEFA e qualquer deslize vai levar à interdição do Estádio da Luz. Com o Zenit, para a Champions League, não será só a questão pirotécnica que nos deve preocupar, mas também qualquer incidente que possa ser interpretado como manifestação racista.
Vamos viver intensamente o espectáculo das quatro linhas! Apoiar com paixão, celebrar com emoção, mostrar a nossa força colectiva. O calor da onda vermelha virá da energia das nossas vozes, não precisamos das tochas. Somos muitos, mas as nossas diferenças, sejam quais forem, não têm lugar nas bancadas do Estádio.
O vermelho é a nossa cor.
#Juntos pelo Benfica!"

Benfiquismo (XV)

Primeira equipa de Hóquei em Patins do SL Benfica, 1916
Somos o Clube mais antigo do Mundo (em continua actividade), de Hóquei em Patins!

Redirectas XXXI - O Doutoramento

Companheiros, não é uma derrota que vai colocar em causa tudo o que já foi atingido. 
É necessário ter noção que existiram erros que de futuro devem ser corrigidos (o discurso é importante do meu ponto de vista e pode ser melhorado e aí o departamento de comunicação deve trabalhar junto no sentido de passar as mensagens correctas), mas é também importante não esquecer todo o percurso efectuado até aqui.
Eu mantenho a minha ideia desde o primeiro momento que Rui Vitória abraçou o desafio de treinar o Glorioso (ver os meus artigos de Junho passado sobre o assunto: timoneiro I, timoneiro II, timoneiro III e timoneiro IV): para mim Rui Vitória está tirando o doutoramento na universidade da luz. Já tirou o curso. Fez o mestrado. Foi fazendo uns cursos de reciclagem e agora está tirando o doutoramento.
Do meu ponto de vista Rui Vitória tem-se saído bem nestes primeiros meses do programa doutoral. Tem crescido muito como treinador. E estou em crer que crescerá ainda muito mais. O bom seria ter jogos destes de grande intensidade todas as semanas. Aceleraria o processo. Como em Portugal isso é coisa que está muito longe de acontecer, torna-se mais moroso o processo de assimilar os conhecimentos necessários para lidar com todos os factores associados a jogos tão competitivos. E do meu ponto de vista a única forma de estar preparado do melhor modo para estas situações é simular em termos de treino essas exigências. Coisa que não é nada fácil.
Amanhã temos mais um jogo de grau de exigência elevadíssimo. Vamos ver como a equipa responde. Espero ver melhorias em termos de processo defensivo. Não vai ser um jogo fácil e o 12º jogador vai ser essencial no empurrar da equipa para a vitória. Todos contam. O que não pode acontecer é ter as bancadas mudas a cada revés. Para mim, o Zenit é favorito. Eu sei que jogamos em casa mas eles têm melhor equipa e isso faz toda a diferença. Temos de ser honestos. Pelo que, é necessário um Benfica a 300% para conseguir superar as adversidades. Porque não tenham dúvidas, do outro lado vai estar um opositor poderosíssimo.
Indefectível na vitória. Indefectível na não vitória. Com a equipa sempre! Amanhã vai ser necessário perfeição e superação. Um teste bastante exigente para todos os que de vermelho pisarem o relvado da luz (nas bancadas o teste será para nota 20). Mas essa é a competição que nós queremos jogar. E essa a competição que sonhamos um dia ganhar. Mais uma vez o nosso Renato Sanches fará a diferença. Só não lhe coloquem toda a responsabilidade do jogo em cima dos ombros. Ele precisa de ajuda para poder dar tudo o que tem de melhor. Até aqui ele tem carregado a equipa para as vitórias. Na sexta isso não foi possível e amanhã também não será. Será preciso algo mais. Espero que Rui Vitória saiba encontrar a solução para o problema. 
Viva o Benfica!

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Três pontos

"1. Três pontos tem o Sporting de avanço sobre o Benfica. Outros três o Benfica sobre o Futebol Clube do Porto. O Sporting venceu claramente um Nacional em crise de resultados e de confiança. Com uma arbitragem serena de Bruno Paixão, o que se assinala. A Liga ganha, assim, renovado e acrescido interesse. A partir dos resultados desta jornada nenhum dos três grandes pode perder pontos. E havendo já novo encontro entre eles, o Sporting-Benfica, no arranque de Março! Está em causa a conquista da Liga e a conquista do acesso directo à atractiva Liga dos Campeões. E os adeptos serão fundamentais. No apoio e na transmissão de confiança. Mesmo perante resultados não esperados. Que nunca inesperados!
2. Todos os clássicos são imprevisíveis. Já tive o privilégio de assistir no velho e novo Estádio da Luz ou no velho Estádio das Antas (mais) ou no Estádio do Dragão (menos) a muitos clássicos entre Benfica e Futebol Clube do Porto. Já sorri e já sofri. Já exultei e já me calei. Já fiz maldades no final de um jogo e já fui atingido com outras no final de outros. Já me entusiasmei e já fiquei, acompanhando, de joelhos. Já discuti o mérito e já assumi o demérito. E, aqui, importa aplaudir também a arbitragem de Artur Soares Dias. Mas nunca esqueço o meu saudoso e querido Artur Semedo quando, com a sua profunda voz bem rouca e o seu imenso benfiquismo, me dizia que «o nosso Benfica nunca perde; de vez em quando é que não ganha». E quando não ganha, por diferentes razões e outras justificações, exige, sempre, que nunca o abandonemos. Sem prejuízo da nossa opinião e, se for o caso, mesmo contra algumas correntes. E, assim, hoje, não estamos proibidos de chegar a outras conclusões que não sejam as já achadas por outros. Vamos lá então. 
3. José Peseiro ganhou na sexta-feira a Rui Vitória. Não mexeu no seu meio-campo e arriscou na defesa. Com o miúdo grande Chidozie. Mostrou a Brahimi que pode ser bem útil à equipa e menos efusivo nas chegadas ao banco após a decisão da substituição. E permitiu que Casillas fosse de novo, mencionado por boas intervenções. Foi-o no jogo e foi-o a seguir na imensa imprensa espanhola ou de língua castelhana. Basta olharmos para as páginas e os vídeos que lhe dedicam os diferentes jornais de Espanha, particularmente os desportivos. Mas Peseiro arriscou e ganhou. Sofreu, e muito, na primeira parte mas segurou o jogo na segunda. O FC Porto renasceu de repente. Sabia que não podia perder este jogo. E José Peseiro mostrou a muitos que duvidavam das suas capacidades, que sabe arriscar e estudar, em profundidade, os adversários. E mostrou que conhece bem este Benfica de Rui Vitória.
4. Rui Vitória não surpreendeu. Manteve as características do Benfica. De um Benfica que só conhecia, nos últimos jogos, vitórias robustas e uma eficácia impressionante em frente à baliza adversária. Eficácia que, na sexta-feira, foi bem diminuta face à diferença nos remates à baliza. Dezasseis para o Benfica e nove para o Futebol Clube do Porto. Ou seja, uma percentagem portista de eficácia superior a 22%! E perante a desvantagem no marcador este Benfica de Rui Vitória não ganhou no meio-campo e não ganhou Jonas para este jogo. E, assim, o Benfica, este Benfica em que acreditamos, sabe que não pode perder em Alvalade. É que, nos jogos entre os três grandes, só soma derrotas. E importa não ignorar, por todas as razões, este facto. Mesmo em época de transição. Sendo certo, e vamos a uma citação, e como escreveu Machado de Assis, «é muito melhor cair das nuvens que de um terceiro andar». E o Futebol Clube do Porto mantém o terceiro lugar na nossa Liga. Como Rui Vitória continua - e continuará - a ser o treinador em que cada benfiquista acredita para nos levar ao tri e mais longe nesta edição da Liga dos Campeões. E já terça-feira, e de novo na Luz, acredito que vamos regressar às vitórias e frente a um Zenit que, por diferentes e notórias razões, conhece bem este Benfica.
5. Casillas foi imenso na baliza do Futebol Clube do Porto. Defendeu os remates dos jogadores do Benfica e defendeu os cortes defeituosos dos seus colegas de equipa. Mostrou que continua a ser um grande guarda-redes. Redimiu-se na sexta-feira de alguns erros - graves - cometidos em outros jogos. A partir da Luz voltou a ser bestial. Um amigo meu dizia-me que fez defesas monstruosas. Aceitemos duas delas, em particular aquela a um remate de Martins Indi. O que me irritou é que guardou os momentos de excelência para o jogo contra o Benfica. E o que sei é que o seu querido Filho já pode, em próximo Carnaval, voltar a mascarar-se com um leão! Desde que um dos próximos jogos não seja contra o meu Benfica!
6. Renato Sanches mostrou, uma vez mais, o seu valor. Mesmo que com momentos de menos fulgor. Chidozie não tremeu e logo na estreia num clássico complexo para a sua equipa. O que significa que a aposta calculada na juventude é uma aposta certa! E neste encontro participaram oito jogadores portugueses. Quatro em cada equipa. A combinação da juventude com a experiência também se sentiu no bem tratado relvado da Luz. Em diferentes momentos. Onde houve fervor, uma coreografia que se saúda efusivamente e o reconhecimento, no final, que pode haver rivalidade com respeito e real desportivismo. Os abraços no final, entre muitos outros, entre Casillas e Júlio César e entre Renato Sanches e Rúben Neves fazem bem ao futebol, a esta Liga, ao sentimento entre o eu e o tu. Que leva ao nós. E são imagens que a Liga NOS poderia utilizar e replicar! São imagens que valem muitos três pontos. Muitos mesmo!
PS - Um abraço a Octávio Machado. Forte!"

Fernando Seara, in A Bola

PS: Fernando Seara um autêntico Mestre na arte de escrever muito e não se comprometer com nenhuma opinião potencialmente divisória... uma autêntica aula do politicamente correcto!!!

Injúria ou falta de urbanidade?

"1. Recentemente foi publicada uma das primeiras decisões do Tribunal Arbitral do Desporto, o que se saúda pois as mesmas, de acordo com a lei, só são públicas - e passíveis de serem escrutinadas - se as partes o autorizarem. O Processo nº 3/2015 encontra-se disponível, na íntegra, na página do TAD (http://www.tribunalarbitraldesporto.pt/).
2. Entre outras questões que se colocaram ao TAD, dir-se-ia que a principal prende-se com considerar injúria ou somente quebra de um dever de urbanidade, o facto de alguém dirigir-se a outra pessoa, quando esta se afastava do lugar, e afirmar: «vai para o cara...», «vai para a co.. da tua mãe». Adite-se, o que surge como dado relevante a considerar, que a pessoa que «recebeu tais vernáculos» (para usar expressão do TAD), não se mostrou minimamente incomodada, rejeitando aliás que tais expressões lhe tenham sido dirigidas.
3. Foi este subjectivismo que levou o TAD a não considerar injuriosos os mencionados ditos: indecorosos, eticamente censuráveis, mas não rigorosamente injuriosos.
4. Este entendimento fez toda a diferença quanto à qualificação da infracção e à sanção aplicar: de uma suspensão e multa, passou-se para apenas uma multa e no montante mínimo.
5. A verdade é que se encontram decisões dos tribunais superiores que se bastam por uma resposta objectiva, embora ponderada como circunstancialismo existente, mas que partem do princípio de que a injúria, para que «exista» não necessitar que as expressões atinjam efectivamente a honra e consideração da pessoa visada, produzindo um dano de resultado, bastando a susceptibilidade dessas expressões para ofender."

José Manuel Meirim, in A Bola

Ser árbitro no TAD

"Agora que se conhecem as primeiras decisões do TAD, surge o interesse sobre o estatuto dos juízes árbitros que compõem os 'colégios arbitrais' e que estão disponíveis para serem indicados pelas partes litigantes e escolhidos como presidentes desses colégios pelos árbitros aceitantes do encargo. Depois da tomada de posse, neles se afigura, de acordo com a lei uma veste particularmente exigente para o exercício das funções, considerando em particular as suas posições e relações fora do TAD. Sublinhemos alguns pontos.
1. Um árbitro do TAD é designado por um período de quatro anos, renovável por igual período.
2. Ser árbitro do TAD implica que não se pode ser advogado em processos tramitados no TAD.
3. Nenhum árbitro pode exercer em concreto se tiver interesses pessoais ou económicos nos resultados do litígio, estando sujeito ao mesmo regime geral de impedimentos e suspeições dos magistrados judiciais, assim como aos impedimentos específicos de ter tido intervenção no litígio (em qualquer qualidade) e ter vínculo (nomeadamente profissional) com qualquer das partes. Essas circunstâncias, que se entende serem causa de afetação da sua independência e imparcialidade, poderão levar à sua recusa pelas partes, num procedimento que poderá ter no Presidente do TAD a última palavra.
4. Um árbitro indicado num processo tem de aceitar a indicação para assumir o encargo. Se tiver aceite, só terá escusa legítima para não exercer se houver causa ulterior que impossibilite a função, sob pena de responsabilidade.
5. Impende sobre os juízes árbitros um dever permanente de revelação de circunstâncias que perturbem a sua independência e imparcialidade no decurso dos processos.
6. Um árbitro designado para o elenco do TAD não é inamovível. O seu desempenho está sob vigilância do Conselho de Arbitragem Desportiva do TAD, quanto a fatores e comportamentos (externos ou internos) que (entendo eu) possam comprometer o exercício independente, imparcial, credível, diligente e reservado da jurisdição do TAD. A lei exemplifica com a "recusa do exercício de funções" (o encargo de juiz árbitro está dependente de aceitação) e a "incapacidade permanente para esse exercício". Se o CAD estiver perante alguma dessas razões, tem o poder de excluir tais árbitros do TAD e substituí-los nos termos da sua escolha originária. São 40 os árbitros inscritos na lista do TAD. Com uma responsabilidade especial e submissão a um escrutínio que - será importante que o realizem - deve ser o garante da nova entidade."

Prevísivel

Benfica 68 -69 Corruptos
14-13, 17-15, 15-19, 22-22

Pode parecer estranho criticar tanto, uma secção que nos tem dado tantos títulos, mas esta derrota é muito difícil de aceitar... mesmo que tenha sido numa Taça da Liga!

Primeiro porque era totalmente previsível tendo em conta a forma como a equipa tem jogado. E as lesões do Radic ou do Andrade... ou de outro qualquer não podem ser desculpa.
Segundo continuamos a demonstrar uma anarquia ofensiva inquietante, temos uma estrela que anda a maior parte do jogo ausente, e o Wilson que tem realmente muita vontade, mas não pode lançar de qualquer maneira, com percentagens tão baixas!!! Sendo completamente incompreensível como é que o Lonkovic não joga 1 segundo, com o Wilson a lançar tão mal...!!!
O Benfica tem plantel para estar a ganhar aos Corruptos, ao intervalo por mais de 10 pontos, em todos os jogos... Deixar 'pastelar' o jogo, dá nisto...
Sendo que este é o terceiro confronto directo da época, onde ganhámos 1, com um milagre, e perdemos 2... portanto ninguém se pode queixar de ter sido surpreendido.

O jogo foi quase sempre mal jogado, pelas duas equipas, quase sempre com o Benfica em vantagem curta. Mas a entrada do 4.º período foi desastrosa, os Corruptos ganharam uma vantagem grande, nós em desespero ainda aproximámos, mas não conseguimos dar a volta...

Uma coisa é perder quando os outros são melhores, outra coisa é perder, porque nós não fizemos tudo para ganhar... Exige-se competência. É fácil ganhar títulos, quando as diferenças dos plantéis são gigantescas... agora, que a diferença é menor (e mesmo assim, é grande...), não temos margem para brincadeiras...

PS1: Foi preciso o Benfica perder uma Final nas modalidades, para ver tanta festa na PorkosTV!!! Continuo sem deslumbrar qualquer alteração à linha editorial das PrkosTV, nem ao rol de funcionários... Isto a poucos meses dos jogos da Luz voltarem à PorkosTV.

PS2: Para compensar a tristeza do Basket, só mesmo os 'Benfiquistas' do Hóquei de Turquel (sim, a maior parte são Benfiquistas) que derrotaram hoje os Corruptos por 8-5!!! O Benfica tem 10 pontos de vantagem... Matematicamente, precisamos de 7 vitórias, temos 5 jogos em casa, até podemos facilitar em alguns dos jogos fora... Para mim, só em Barcelos e no Porcão é que vamos sentir dificuldades, de resto...
Ontem no Barracão do Livramento, o Torra ainda assustou... pensou-se que teria partido o braço, mas afinal foi só um susto, nada de grave... e o João Rodrigues está quase de regresso.

Benfiquismo (XIV)

4.º anel !!!

Redirectas XXX - Best Fans of Europe

Somos ou não somos os melhores adeptos da Europa? Lá no site do Eurosport parece que os lagartos são melhores. Estamos em terceiro com 44 mil votos. Os segundos são o Spartak de Moscovo com 47 mil votos e os lagartos estão em primeiro com 100 mil votos.
Vamos lá malta. Embora votar. Para votarem mais do que uma vez usem browsers diferentes e limpem o cache.
Partilhem no facebook e divulguem nos blogues benfiquistas. A votação termina segunda-feira.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Vitória no Barracão !!!

Sporting 1 - 3 Benfica

Inacreditável a Federação permitir jogos do Campeonato Nacional nestas condições! Os jogadores mal conseguiam patinar... Tudo isto, numa tentativa bacoca dos Lagartos, em provocar, intimidar e na melhor das hipóteses prejudicar o Benfica no Campeonato, não para o Sporting ganhar alguma coisa com isso, mas para criar obstáculos na caminhada do Benfica!

O jogo foi mais do mesmo, os Lagartos basicamente a rematarem de meio-campo, à espera de um desvio milagroso, e o Benfica a desperdiçar golos atrás de golos, com o São Girão a salvar os Lagartos da goleada... sendo que também houve incompetência nossa na finalização.
Num jogo disputado a baixa velocidade, que até permitiu aos treinadores 'quase' não fazerem substituições (um dos grandes objectivos dos Lagartos... já que têm um plantel menos profundo)...

Continuamos invictos, a caminhar para o título... Este era uma das 'armadilhas' da 2.ª volta, não pela qualidade do adversário, mas pelos condicionalismos fora de campo, temos que manter a concentração, mas será muito complicado o Benfica ter 3 desaires até ao final da época...

Sobre a polémica dos bilhetes, já defendo à bastante que o Benfica devia proibir a entrada das claques da Lagartada nos Pavilhões da Luz. Em todas as modalidades. E se for preciso pagar multas, paga-se... O Sporting em geral, e com ênfase nas modalidades é gerido por gente de merda, não merecem nenhum respeito... É gente que não vale nada, que está a mais no Desporto... Como é óbvio, eles iriam retaliar, e os nossos adeptos também não poderiam ir às barracas que eles vão alugando, mas isso não seria grave... Além disso, pouparíamos dinheiro na segurança dos jogos.

Vitória em Oliveira do Hospital

Benfica 61 - 45 Ovarense
6-11, 16-10, 19-5, 20-19

Percentagens horríveis, inicio muito mau... só na parte final do 3.º período acertámos alguns Triplos, e conseguimos cavar uma boa vantagem!
Mesmo assim lá conseguimos a qualificação para a Final da Taça Hugo dos Santos, a Taça da Liga do Basket Nacional.
O Wilson fez um jogo mau, o Radic parece estar ainda condicionado... o Cook está a fazer os seus pontos, mas parece sempre desligado do jogo... Tudo isto para concluir que amanhã na Final com os Corruptos temos que jogar muito melhor, senão arriscamos repetir o jogo da Fase Regular... ou melhor: os jogos, porque no jogo da Luz, apesar da vitória, jogámos quase sempre mal, só uma recuperação milagrosa na parte final nos deu a vitória! É verdade que os Corruptos, esta época, já perderam com a Ovarense e a Oliveirense, mas amanhã, como é normal, vão fazer o jogo da vida deles...

Vitória na Maia

Castêlo da Maia 1 - 3 Benfica
18-25, 17-25, 25-20, 14-25

Gaspar(24), Zelão(13), Kolev(11), Duff(8), Reis(8), Renan(3), Casas, Oliveira, Ché, Gelinski, Lopes, Mart(dnp)

No 1.º jogo das Meias-finais do Play-off do Campeonato Nacional de Voleibol, vitória confortável do Benfica... a derrota num Set não é grave!
Recordo que estas Meias-finais são à Maior de 5, portanto temos que ganhar mais dois jogos. No próximo fim-de-semana, temos a hipóteses de fechar a eliminatória, com dois jogos na Luz. Com a Europa pelo meio, é importante não carregar o calendário com jogos desnecessários!!!

Quartos carimbados...!!!

Filippos Verias 26 - 23 Benfica
(11-16)

Com a qualificação 'garantida' ontem (20 golos de vantagem), já esperava um jogo em modo gestão. E foi isso que aconteceu... mas apesar da rotação, a derrota era perfeitamente evitável... 7 golos na 2.ª parte, é muito mau! O guarda-redes Grego até é o melhor jogador do Filippos, mas mesmo não existe justificação para tantos erros no remate...

Agora, é concentrar tudo na eliminatória com o Madeira SAD... temos a obrigação de passar às Meias... e depois logo se verá!
Na Challenge Cup temos que esperar pelo sorteio, mas como disse ontem, parece-me que o ABC (finalista vencido no ano passado) será o nosso principal adversário!

Empate no Fontelo

Académico de Viseu 2 - 2 Benfica B


Pelo menos já conseguimos empatar!!! Num jogo disputado com muita chuva, safou-se o ponto ganho, que neste momento, até é importante na luta pela permanência!!! Nunca estivemos em vantagem (1-0; 1-1; 2-1; 2-2), mas as crónicas dos Benfiquistas presentes no Fontelo, até foram positivas desta vez...!!!
Como curiosidade tivemos os irmãos Ribeiro em campo: Yuri contra o Romeu... ambos formados no Benfica!


Nem debaixo de água

"Nem debaixo de água conseguiu o Benfica ganhar ao Porto que vinha de perder em casa com o Arouca. Conseguirá chegar ao fim da temporada e festejar o título uma equipa que não ganha um joguinho que seja aos adversários directos? Ora aqui está uma questão que só o tempo desvendará. A acontecer, seria absolutamente notável pelo absurdo. Mas o que é o futebol se não uma soma de absurdos mais ou menos eficazes.
Os jogadores mais criativos do Benfica foram ontem muito cerimoniosos nos despiques individuais. Mas na conferência de imprensa do lançamento do clássico, Rui Vitória fintou com grande clarividência uma pergunta cuja essência apelava directamente a uma manifestaçãozinha de vaidade. Questionado sobre se considerava o seu discurso "de revolta" do início de Janeiro (... depois de Jesus sugerir aos jornalistas que lhe fizessem "perguntas incómodas") como o momento-chave da recuperação da equipa, Rui Vitória não foi vaidoso. Do presidente ao tratador da relva, o treinador do Benfica não deixou ninguém fora da responsabilidade de um trabalho bem feito em 11 jogos consecutivos. Agora que o 12.° jogo não correu tão bem, é a hora de voltar a apontar baterias ao treinador, ou será que o soberbo colectivo que recuperou o Benfica para a discussão do título vai, uma vez mais, assumir o seu dever?
Na próxima terça-feira o Benfica regressa à Liga dos Campeões e logo veremos se a derrota de ontem vai ou não pesar no compromisso europeu. O adversário é o Zenit de São Petersburgo, o palco é a Luz e a expectativa é grande a valer, o que se compreende na perfeição. É que não se trata da primeira mão dos oitavos-de-final da mais impressionante competição de clubes mas também de um reencontro em campo com gente que já foi nossa, como Garay, Javi Garcia e Witsel, e com gente que, antes pelo contrário, nunca foi e nunca será nossa como, ainda esta semana, o afirmou muito bem André Villas-Boas, o treinador português da equipa russa.
E neste futebol de mercantilismo livre e selvagem chega a ser bonito quando se vê o tão desvalorizado amor à camisola subir ao lugar de comando na hora de se tomarem decisões importantes na vida das pessoas e das instituições. E este preceito romântico vale tanto para André Villas-Boas como para o próprio Benfica de que, é certo e sabido, Villas-Boas nunca será treinador."

Benfiquismo (XIII)

O Benfica em Anfield, com chuva, também com um mau resultado... mas com uma grande foto!