Últimas indefectivações

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Feijão não é fruta e vice-versa

"O que nos dirá o futuro sobre o caso Cardozo? Em 1953, Ferreira Bogalho dispensou Félix e entrou para a História. Agora o assunto parece bem mais complicado de se resolver sem danos.

NESTA pré-temporada serão, porventura, exageradas as angústias dos benfiquistas vendo a sua equipa sofrer golos em todos os jogos. Não menos exageradas serão as preocupações dos portistas que viram os seus campeões falhar duas grandes penalidades acabando por perder o jogo com o Galatasaray num torneio em Londres.
O Benfica ainda tem mais um jogo particular pela frente, amanhã frente ao Nápoles, até se estrear oficialmente na Madeira no próximo dia 18 de Agosto. Ou seja, o Benfica tem mais um jogo para sofrer golos à vontade, de bola parada ou de bola corrida, avolumando as desconfianças dos seus indefectíveis adeptos sobre a operacionalidade do sector defensivo ou sobre o modo como a equipa defende em bloco.
Importante, dirão os pragmáticos, é não sofrer golos no Funchal na primeira jornada do campeonato de 2013/2014. Garantida a inviolabilidade da baliza, o empate, no mínimo, estará assegurado. Depois basta marcar um golo.
Quanto ao FC Porto, garantem os estudiosos da estatística, também não existem grandes razões para ver nos falhanços a 11 metros de Jackson Martínez e de Lucho Gonzalez qualquer tipo de prognóstico para uma temporada azarada. Falhar, todos falham. Importante é ir tentando e nunca desistir.
E ninguém no seu perfeito juízo duvidará de que não faltará aos cobradores de penalties do Dragão um rol imponente de castigos máximos para se ressarcirem pela época fora, em jogos a sério, daqueles dos momentos de desacerto frente aos turcos do tal Galatasaray num jogo a feijões. Chegámos, finalmente, aos feijões.
Os jogos de pré-temporada são a feijões quer acabem bem, quer acabem mal. Quando, há coisa de duas semanas, vimos os jogadores do Benfica aflitos com o carrego do pesadíssimo troféu Cidade de Elche conquistado com um hat-trick de Rodrigo Moreno - no que terá sido o melhor momento individual em toda a corrente preparação dos tri-vice-campeões nacionais -, dificilmente os adeptos benfiquistas conseguiram descortinar na imponente estatueta mais do que saco de vinte quilos de feijão.
Trata-se de uma questão de bom senso. Feijão é feijão. E feijão não é fruta. E vice-versa. Benfica e FC Porto sabem-no bem. A expulsão de Artur aos vinte minutos do jogo com o Nice por ter conseguido atirar ao chão com um adversário no Estádio do Algarve e a não expulsão de Kelvin nos instantes finais do jogo com o Celta de Vigo por não ter conseguido atirar ao chão com o Nolito são disso mesmo a prova.
Acabado de chegar a estas altas instâncias do futebol profissional, o presidente do Sporting tem uma visão muito própria do que deve ser o relacionamento institucional com as equipas de arbitragem em período de Verão. Bruno de Carvalho saberá melhor do que ninguém que tipo de caminho entende por bem percorrer em prol dos interesses do emblema que o elegeu presidente no passado mês de Março.
Mas, com o devido respeito, está a exagerar. Foi, pelo menos, o que deixou transparecer quando no fim do jogo com o West Ham, em Portimão, correu do banco para a relva para admoestar prolongada e veementemente a autoridade em campo com transmissão em directo na televisão para todo o País ver.
O Sporting acabara de perder o seu primeiro jogo a feijões. Chegara, no entanto, ao intervalo a vencer por 1-0 com um golo de Diego Capel obtido na concretização feliz de uma grande penalidade que, com toda a franqueza, não teve qualquer razão para existir. Os festejos de Capel junto com a claque foram de tal monta que a vedação do campo foi abaixo e a polícia viu-se obrigada a entrar em acção para devolver os espectadores mais entusiasmados aos seus lugares na bancada. Outro exagero.
Capel inaugurou o marcador já o relógio do árbitro marcava 4 minutos de compensação sobre os primeiros 45 minutos. Na segunda parte os ingleses deram a volta ao resultado, chegaram ao 3-1 e o Sporting chegou ao 3-2 mesmo à beirinha do fim. Daí os protestos do seu jovem presidente. Bruno de Carvalho quereria do árbitro mais tempo extra para tentar o empate.
Conclui-se, deste modo, que para o neófito presidente não há jogos a feijões. Imagine-se Bruno de Carvalho no banco ao longo de três dezenas de jornadas do campeonato que vem aí, com jogos a sério e árbitros a sério, e fica-se logo com a ideia de que a próxima temporada oficial vais ser extraordinariamente animada.
O Sporting partiu diferente do FC Porto e do Benfica, sobre isso não há dúvidas. Ao contrário do FC Porto, o Sporting não falha penalties. Ao contrário do Benfica, que nem pode ouvir falar do assunto, o Sporting quer sempre mais minutos de tempo de compensação. Tudo isto promete.

NO jogo com o São Paulo o ataque do Benfica ficou a zero e logo das bancadas da Luz surgiu o esperável. Parte da multidão desatou em cânticos pelo paraguaio proscrito, o melhor marcador goleador estrangeiro do Benfica de sempre. Provavelmente muitos dos que cantaram o nome de Óscar Tacuara Cardozo foram os mesmos que durante meia-dúzia de anos o assobiaram à menor distracção. Assobiar é humano e não é isso que importa hoje discutir.
O caso Cardozo tem sido - e promete continuar a ser - um espinho no rosal da Luz. Já lá vão quase três meses sobre a final da Taça de Portugal e sobre o gesto do paraguaio que, num cúmulo de frustrações, apontou o dedo ao treinador e a colegas pelo derradeiro insucesso do Benfica em 2012/2013. Não o devia ter feito.
Diga-se, em abono da verdade, que não foi o único elemento do Benfica a portar-se mal no Jamor. O recolhimento apresado à cabina retirou à cerimónia da entrega da Taça ao Vitória de Guimarães a dignidade de que se reveste sempre aquele momento em que os vencidos, com a sua presença, prestam homenagem aos vencedores.
Mas como, englobando tanta gente, se tratou de um lapso estrutural não houve um único culpado a quem apontar o dedo. No caso de Cardozo, foi diferente. Tendo sido ele quem prevaricou, a solo, a estrutura, a existir, está isenta de culpas.
Desde a final da Taça, e acentuadamente nas últimas semanas face ao cariz irresolvível que tudo isto vem tomando, as notícias dos jornais ora apontam para a saída de Cardozo como uma exigência do presidente, ora como uma exigência do treinador, o que, em termos práticos, constitui material tóxico bastante para envenenar uma época inteira quer ao presidente, quer ao treinador. Quer ao próprio Cardozo se, numa eventual reviravolta, acabasse por ficar no Benfica a ter de ouvir, a cada falhanço, os assobios de muitos dos que cantaram por ele na semana passada.
O que dirá a História no futuro sobre o caso Cardozo?
Sobre o caso Félix Antunes, ocorrido em 1953, já o sabemos. A dispensa de Félix Antunes é hoje lida como uma das glórias do mandato de Joaquim Ferreira Bogalho. Félix fora o esteio do Benfica durante anos a fio, o primeiro defesa-central moderno do nosso futebol, dizem os historiadores e quem o viu jogar, num período em que o Benfica não ganhava campeonatos com regularidade porque era o Sporting que o fazia.
O que o Benfica ganhava ao tempo de Félix eram Taças de Portugal. Quatro de seguida em 1949, 1951, 1952 e 1953 visto que em 1950 não se disputou o troféu.
Tal como Cardozo, Félix tinha 30 anos e uma bela folha de serviços quando foi dispensado. E se Cardozo tem quatro Taças da Liga de rajada, Félix fez o mesmo com quatro Taças de Portugal. O que a História nos conta hoje sobre Félix é que faltou ao respeito ao Benfica por ter atirado com a camisola para o chão na cabina depois de uma derrota em Setúbal.
Mas conta-nos mais. Na semana que antecedeu esse jogo fatal em Setúbal, Félix tinha viajado até à Áustria ao serviço da Selecção Nacional que fora copiosamente derrotada. O resultado foi mau em Viena e o comportamento de alguns jogadores também, incluindo Félix. E todos foram multados pela FPF no regresso a Portugal.
Joaquim Ferreira Bogalho considerou inaceitável e de lesa-Benfica o comportamento de Félix na Selecção e aplicou-lhe uma multa do próprio clube a somar à multa da Federação. Foi este o motivo subjacente ao episódio da camisola atirada ao chão.
Poderá parecer estranho nos dias de hoje um clube castigar um seu jogador por considerar insuficiente o castigo aplicado por outra instituição. No entanto, em 1995 o Manchester United fez precisamente a mesma coisa com o seu deus Eric Cantona. O francês foi-se à patada a um adepto do Crystal Palace e antes mesmo de a Federação inglesa julgar o incidente, o Manchester United suspendeu o seu jogador até ao fim da temporada de 1994/1995.
Voltemos à nossa terra. O que ficou para a História no caso Félix foi a decisão inapelável de Ferreira Bogalho, o presidente que não se importou de, naquele mesmo instante, mandar embora a maior referência do clube por ter faltado ao respeito à camisola. Quanto ao treinador à época, honestamente, já ninguém se lembra quem era e qual terá sido a sua opinião, se a teve, sobre o assunto.
O caso disciplinar de 1953 foi um sucesso. O de 2013, pelo que envolve e pelo que se deixou envolver, tem tudo para não o ser. Que pena.

PS - E pronto. Com quase três meses de atraso, Cardozo fez ontem à noite o que devia ter feito logo na tarde da final da Taça, poupando-se e poupando-nos a esta novela. Vá lá, lembraram-se..."

Leonor Pinhão, in A Bola

Soluções e problemas (II)

"Na fornada sérvia antevejo em Markovic belíssimo jogador (para ficar ou só passar?) e em Djuricic outro jovem talentoso. Saúdo o regresso do polivalente Amorim e há que dar tempo para certificar a qualidade de Sulejmani e Lisandro. Nas laterais insiste-se em jogadores de pendor atacante mas medíocres a defender (não deveria ser por aqui que começa um lateral?), como parece o caso de Cortez que ainda tem muito a aprender lá atrás. E porque serviria ao Liverpool (mas não ao SLB) um Melgarejo que foi aposta de reconversão (razoável) de uma época inteira? Paraguaiofobia?
O meu maior receio - a fazer fé no que leio - é o que o fim do defeso pode ser para Matic, Garay e Salvio? E onde estão substitutos à altura? Milagres de um notável Matic e da adaptação excelente de Enzo Perez, quando saíram Javi e Witsel não são facilmente repetíveis. Não teria sido prudente, por exemplo, adiar por umas semanas o empréstimo de Pizzi?
E, por fim, a inacreditável saga Cardozo! Contra o São Paulo já deu para ver a falta que este (ou outro) Cardozo faz. Foi-lhe aplicada a pena capital sem direito a defesa, impedido de treinar-se ou entrar na Luz e desvalorizou-se perante eventuais interessados. No fim, quem se trama é o... Benfica. Também aqui custa a perceber o empréstimo de Nélson Oliveira.
Tudo num tempo em que, lamentavelmente, Rodrigo considerou insignificante ter sido capitão do Benfica no jogo com o Penarol. Insignificância... com muito significado. Noutros tempos, claro!
Oxalá estas duas últimas crónicas sejam apenas o reflexo do meu habitual pessimismo...
P.S.- Lembram-se do soco de Scolari a um sérvio? E do que (não) veio a suceder?"

Bagão Félix, in A Bola

Noves fora nada

"Por maior que seja o prestígio que vai granjeando, por mais pesado que seja o nome que carrega, a Eusébio Cup não deixa de ser um troféu particular, e uma ocasião para preparar as competições que se avizinham - essas sim, a doer. Obviamente, é melhor ganhá-la do que perdê-la. Mas não será menos óbvio que uma derrota nesta altura traz com ela a virtude de ajudar a perceber aquilo de que a equipa necessita, expondo uma ou outra fragilidade a tempo de ser corrigida. Nessa medida, a derrota diante do São Paulo terá até sido útil.
Ficaram por exemplo patentes algumas dificuldades na finalização, e alguma falta de peso perto da área adversária. Isso levou a que uma parte dos adeptos se lembrasse de quem não estava em campo.
Já aqui escrevi sobre o caso-Cardozo. Já lembrei que, nem eu, nem qualquer outra pessoa fora da estrutura do nosso futebol, tem condições para avaliar devidamente o problema, e muito menos a forma de o solucionar. Enquanto adepto, gostava que Tacuara continuasse a marcar golos no Benfica. Acho que o seu valor de mercado é substancialmente inferior à importância que tem na equipa, e até na própria história do Clube. Temo, porém, que o equilíbrio entre a sua condenável atitude no Jamor, e a necessária preservação da saúde do balneário, possa sugerir outro tipo de decisão.
Uma coisa é certa: chame-se Óscar ou não, o Benfica precisa de um “Cardozo”. E tem pouco tempo para o encontrar.
Pontas-de-lança eficazes são uma espécie rara, e por isso tão valorizada. Tivéssemos por cá um Lewandowski, ou um Cavani, e a coisa resolvia-se. À nossa medida, Cardozo é um jogador com características incomuns, quer no último toque, quer na capacidade física com que aguenta a pressão dos centrais adversários. Todo o modelo de jogo encarnado assenta num finalizador com aquelas especificidades, e, sem ele, o nosso futebol ofensivo corre riscos de se esterilizar. Essa é a principal lição a extrair do último fim-de-semana, e não pode deixar de pesar na balança de qualquer decisão."

Luís Fialho, in O Benfica

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Estava difícil...!!!

Pronto, não era difícil, pois não?!!!
Muito sinceramente, ainda não percebi porque é que este pedido de desculpas do Cardozo, não aconteceu - no máximo -, no regresso dos jogadores aos treinos... o processo de venda do Cardozo deveria ter sido completamente independentemente (e o processo disciplinar também!!!). Mas cuidado, quem pensa que com esta entrevista o Cardozo já não vai sair, tenham calma, porque a venda continua em cima da mesa...!!!
Acredito mesmo, que no caso do Benfica e do Fenerbache terem chegado a acordo nas últimas semanas, o Vieira só aceitaria a venda depois de um pedido público de desculpas do Cardozo!!!
Como já escrevi várias vezes espero que o Tacuara fique, todos os potenciais problemas com a sua permanência podem ser ultrapassados, só fico chateado, porque perdemos mais de 1 mês... com o primeiro jogo oficial, daqui a 10 dias, e sem mais nenhum jogo particular para o Cardozo ganhar ritmo - não acredito que seja convocado para Sexta-feira... -, arriscamos muito, sem necessidade. Sendo que no Funchal, além de um possível Cardozo a fazer a 'pré-época', vamos ter vários jogadores, que a meio da semana, vão ser obrigados a efectuar jogos particulares pelas suas Selecções.

A confirmar-se a permanência do Cardozo, levanta-se uma pergunta: então o Clube não vende 'ninguém'?!!! Repito aquilo que disse no final da época anterior: Garay, Matic, - e o Cardozo - na minha opinião, são intransferíveis... e a eles acrescento o Salvio (e o Enzo)!!!
Agora o importante é deixar o Cardozo treinar, e evitar todo o ruído desnecessário... Na formação do plantel, na minha opinião, o importante é virar as atenções para outro lado: uma opção defensiva ao Matic, digo eu...!!! 

Soluções e problemas (I)

"Os jogos da pré-época do Benfica não me têm entusiasmado. Houve momentos promissores, mas também preocupantes falhas e omissões. Com apenas mais um jogo de preparação em Nápoles, existe a percepção de que há muita coisa por definir ou redesenhar.
O jogo com o São Paulo - o único na Luz - reforçou esta ideia. Porventura até injusta, mas que começa a estar na cabeça de muitos adeptos.
A primeira questão prende-se com a mudança profunda do plantel de época para época. Bem sabemos que as razões financeiras assim o determinam, mas será ou não possível um melhor ajustamento entre a vertente monetária e a desportiva? Recordo a saída de Ramires que mal aqueceu o lugar, de Di Maria, de Coentrão depois do notável investimento em nova posição, de David Luiz a meio de uma época, de Javi Garcia e de Witsel (um só ano trocado pela magia dos rublos). Todas em lugares-chave.
Está-se sempre a recomeçar. Não seria a altura de passar de um círculo vicioso (comprar, mudar, não ganhar, vender, voltar a comprar...) para um círculo virtuoso (estabilizar, ganhar, reajustar qb, voltar a ganhar...). O dinheiro, só por si, não assegura vitórias, mas estas contribuem para assegurar meios financeiros e não só.
Não estou a pôr em causa o enorme esforço destes últimos anos, mas esta pré-época está a indiciar a necessidade de rectificar algumas trajectórias.
A enorme frustração da temporada transacta (e também de 2011/2012) não está digerida. O grau de tolerância não é zero, mas é manifestamente mais baixo do que antes. Que o diga algum mal-estar depois do São Paulo, equipa que não ganhava há 14 jogos e não marcava um único golo há 6 partidas."

Bagão Félix, in A Bola

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Eterno Capitão...



O nosso eterno Capitão, está de Parabéns...

O lento esvaziar do balão 'encarnado'

"Em Maio de 1915, disputou-se a primeira Taça de Honra da Associação de Futebol de Lisboa. Benfica (depois de bater o Cruz Quebrada por 7-0) e Sporting chegaram à Final. E, apesar do entusiasmo 'encarnado', os 'leões' venceram (3-1).

A Taça de Honra da AFL está de volta, como vimos. Sem a dignidade que merece por via de regulamentos excessivamente liberais, mas de regresso mesmo assim, resta saber por quanto tempo mais. Por isso, talvez valha a pena regressar por momentos a 1915 e à primeira edição da prova, criada pela Associação de Futebol de Lisboa no intuito de 'prolongar a actividade das primeiras categorias dos seus clubes'. Ao contrário do que sucedia com o Campeonato de Lisboa, disputado no sistema de 'poule', como era prática dizer à época, a Taça de Honra jogava-se a eliminar, sendo a inscrição facultativa. E assim, na época 1914/15, participavam na prova cinco clubes, a saber: Benfica, Sporting, Cruz Quebrada, Lisboa e Império. O Internacional declinou a presença.
Por via do número ímpar de clubes, procedeu-se a um sorteio, tendo o Sporting ficado isento do primeiro jogo. E, assim sendo, o Benfica defrontou o Cruz Quebrada e o Lisboa jogou contra o Império. Depois, seria a vez do vencedor deste último jogo decidir frente ao Sporting quem iria à Final.
Sorteio conveniente, não há dúvidas. Tudo se preparava para uma Final entre Benfica e Sporting, algo obviamente importante para a popularização da Taça de Honra. E assim seria...
O Lisboa venceu o Império no primeiro jogo, disputado no dia 9 de Maio de 1915, um domingo, a mesma data aliás do que a do Benfica-Cruz Quebrada: 2-1 foi o resultado a favor do Lisboa.
Vida complicada a do Cruz Quebrada frente ao Benfica. No início da partida não havia gente para perfazer a equipa. Apenas seis jogadores se perfilaram para iniciar a contenda, tendo os restantes surgido já no final do encontro. Questões típicas do amadorismo de então.
Venceu o Benfica, claro está! De forma fácil, tal a debilidade do opositor, que não ofereceu resistência nem podia fazê-lo. 7-0 esclarecedores. Golos de Francisco Pereira(3), Cândido, Herculano, Aníbal e Rio.
O Benfica garantia o seu lugar na Final. E o Sporting também, tal como se esperava, já que, no domingo seguinte, bateu o Lisboa.

A maré verde
A 30 de Maio, em Sete Rios, Benfica-Sporting estiveram frente-a-frente para disputar a primeira Final da Taça de Honra da Associação de Futebol de Lisboa.
Havia muita gente, mesmo muita gente, em redor do rectângulo.
Dizem as crónicas da época que sobrou entusiasmo mas escasseou talento e beleza ao confronto. E, graças a um golo de Francisco Stromp, aos 28 minutos, o Sporting chegou ao intervalo na posição de vencedor.
Mas eis que, no segundo tempo, o Benfica reagiu. Francisco Pereira e Herculano desenharam bonitos movimentos de golo, o público entusiasmou-se a e apoiou a equipa, Alberto Rio ultrapassou Jorge Vieira e, frente a Morice, aplicou um remate certeiro que assinalou o empate.
Já era um Benfica dominador. E, do outro lado, o Sporting esmorecia e sujeitava-se ao adversário.
Puro engano. Num movimento de contra golpe, após várias oportunidades desperdiçadas pelo ataque do Benfica, cria-se confusão na área de Picoto. Durante semanas discutiu-se o autor do lance. A verdade é que a bola entrou e de nada serviram os protestos benfiquistas em relação à irregularidade do golo. O árbitro, Augusto Sabo, não teve dúvidas. 2-1 para o Sporting.
O balão 'encarnado' esvaziou-se a partir daí. O Benfica voltou a jogar mal e sem conjunto, apenas Alberto Rio remava contra a maré verde. Armour, o extremo-esquerdo do Sporting, fez o 3-1 e resolveu o jogo. Os 'leões' venceram a primeira Taça de Honra. Mas era só a primeira. Tantas outras venceria o Benfica a partir daí.

Benfica: Jorge Picoto; Henrique, Mocho; Figueiredo, Cosme Damião, Jaime Cadete; Aníbal, Herculano; Francisco Pereira, Cândido, Alberto Rio.
Sporting: Mocho; Amadeu Cruz, Jorge Vieira; Boaventura, Artur, Raul Barros; António Stromp, António Rosa Rodrigues; Francisco Stromp, Jaime Gonçalves, Armour."

Afonso de Melo, in O Benfica

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Novos tempos...

"1. Nas Antas, golos em fora-de-jogo a favor do Porto continuam a ser um hábito. Caçar adversários às patadas como se fossem ratazanas também. E para que a festa seja verdadeiramente uma festa não faltam os salsifrés provocados pelos que se sentam no banco e uma chuva de objectos vários para o relvado. Enfim, um exemplo de educação e civismo desta vez abençoado por mais um árbitros amigo chamado Hugo Pacheco. Que quer ser profissional, claro!

2. Hugo Pacheco e todos os outros... Não basta que sejamos agredidos semanalmente pela sua quase universal incompetência; não basta que na sua maioria os árbitros internacionais recebam verbas que fazem corar de vergonha um País miserável como o nosso. Exige-se a profissionalização. Com ordenados a rondar os 4000 euros/mês. Imaginar Hugo Pacheco a embolsar mensalmente tal quantia é de fazer revolver as entranhas. Já para não falar de Benquerença, de Proença, de Hugo Miguel, de Soares Dias e por aí fora. Enfim, nada de novo, em Portugal o Futebol não tem vergonha.

3. Sabia-se, que para o Madaleno, o presidente dos árbitros estava de cócoras. Ficou a saber-se para os próprios árbitros o presidente dos árbitros está de cócoras. A demissão parece nunca lhe ter passado pela cabeça.

4. Depois de o Benfica ter inaugurado o seu Museu, o F.C. Porto ameaça fazer o mesmo. Terá penduradas nas paredes fotografias dos árbitros amigos? Pedro Proença terá uma ala só para si? E Casagrande? A chávena do famoso cafézinho será exibida na sala de taças? Haverá distribuição gratuita de café com leite aos visitantes? E descontos para prostitutas? E uma exibição especial de várias qualidades de fruta? Será certamente um Museu muito especial..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Sem palavras

"1. 26 de Julho de 2013 foi mais um dia histórico para o nosso Clube. Foi oficialmente inaugurado o Museu Benfica Cosme Damião, feliz designação que homenageia um dos nossos primeiros grandes dirigentes. Tive a feliz oportunidade de visitar o Museu dois dias antes. Tinha a ideia, pelo que me diziam os responsáveis, que ia ser algo espectacular, de diferente. Pois, pelo que vi (e não consegui ver tudo nem pouco mais ou menos...), o nosso Museu excede em muito o melhor que eu poderia imaginar. Não tenho palavras para descrever a alegria, a emoção, o orgulho benfiquista, que senti. Saí de lá com a sensação de que me faltarão mais umas três ou quatro visitas de várias horas para ver tudo, para experimentar tudo. Vi um filme de recorde nacional do salto em altura do nosso Guilherme Espírito Santo em 1940, ouvi a Amália a cantar, vi um 'marco de correio' dos primeiros anos, procurei, trocando num écran, as equipas campeãs das mais diversas modalidades e em vários anos, vi o Eusébio ali sentado à minha frente, a falar (mas, afinal, era um holograma!). Isto para já não falar no excepcional filme 'O Voo da Águia', que tão bem retrata o que é o Benfica de hoje e de sempre; na espectacular subida no elevador, ali no meio dos nossos adeptos; ou até nos penálties que podemos marcar quase no final de visita, que acaba, de forma muito simbólica, homenageando todos os clubes com quem já nos defrontámos em Futebol e que ali são referidos, um a um. Realmente, é impossível ver tudo numa só visita.
Está de parabéns o Benfica por este empreendimento, na linha das grandes realizações dos últimos dez anos: estádio, pavilhões, piscinas e tudo o mais, na Luz; centro de estágio, no Seixal; Benfica TV; agora o Museu. Está de parabéns os benfiquistas. E estão de parabéns todos os responsáveis pela edificação do Museu, desde o presidente, Luís Filipe Vieira, ao vice-presidente, Alcino António, e todos quantos nele trabalharam, dos quais, destaco, pelo que tive oportunidade de conhecer, António Ferreira, Luís Lapão, Rita Costa e, claro o indispensável Alberto Miguéns. Obrigado a todos!

2. Triste notícia dois dias depois: o falecimento do presidente Fernando Martins. Nem sequer estive de acordo com ele e sou algo crítico das suas gerências. Mas reconheço o mérito do fecho do Terceiro Anel, obra que recebi inicialmente com reservas mas acabei por aprovar sem reticências mais tarde. Foi um dos presidentes que ficou na nossa história. Sem dúvida..."

Arons de Carvalho, in O Benfica

Objectivamente (Fernando Martins)

"A morte de Fernando Martins deixou tristes os benfiquistas. Todos nós, os que tivemos o privilégio de ter lidado com ele, temos lembranças que nos abraçam a alguma saudade, pela forma bem característica do «velho», como carinhosamente lhe chamávamos.
Todos, desde os empregados do Altis, aos funcionários e colaboradores do Benfica, têm histórias passadas com este homem com uma larga experiência e sabedoria de vida. E nem todas eram contos de fadas! É que o rigor e a forma como ele gostava que os assuntos fossem tratados nem sempre tinham boa receptividade do outro lado!...
Os seus vice-presidente (ainda agora Marcel de Almeida se referia a isso) e até Eusébio tiveram com ele os seus «qui-pro-quos» mas tudo foi ultrapassado sem rancores com o seu enorme espírito de RECONCILIAÇÃO.
Era esta a palavra que lhe marcava a vida. Mesmo com as suas posições e a dureza a negociar, havia sempre um final feliz porque ele sabia até onde podia ir! Com ele falei muitas vezes por altura das eleições e ele ouvia com atenção, SEM COMENTÁRIOS, as nossas opiniões. Ele assimilava, mas nunca dizia o que ia fazer... Mas ouvia. Ouvia sempre e lá fazia a avaliação à sua maneira.
Deixou, sem dúvida, uma marca no comando do Benfica durante os seis anos em que dirigiu o Clube. Ao seu estilo não deixou que houvesse intromissões na liderança do Glorioso. Teve vitórias e derrotas como todos, mas recordarei sempre aquela final da Taça UEFA a duas mãos, perdida na velha Luz, com um golo de cabeça de Lozano, oito minutos depois de Shéu ter marcado o golo da esperança! Não deu vitória. Mas, como dizemos agora, nem sempre se pode ganhar!..."

João Diogo, in O Benfica 

Resolver Cardozo é para ontem...

"O tema Cardozo é fraturante para a família benfiquista. Por isso deve ser resolvido com celeridade. Seja para sair, seja para ficar...

O Benfica exige garantias de que vai receber o preço estipulado pela transferência de Cardozo para o Fenerbahçe. Até este momento, os turcos não quiseram (ou puderam) prestar essas garantias - nem arranjar quem por elas se responsabilizasse, nomeadamente a Federação local - e as negociações entre Lisboa e Istambul chegaram a um beco sem saída. Deve o Benfica facilitar e colocar-se a jeito de vir a receber lá para as calendas, depois de múltiplas acções judiciais? Não, isso não será defender os interesses do clube. Então, aqui chegados, que fazer? Óscar Cardozo pode vir a ganhar na Turquia (onde os impostos são cerca de três vezes mais baixos que em Portugal), praticamente o triplo do que aufere na Luz, o que explica o forcing que o Tacuara e o seu empresário estão a fazer, criando pressão para que a transferência se efective. Mas, amigos, amigos, negócios à parte e das duas uma, ou há acordo entre clubes ou ao melhor goleador encarnado dos últimos anos não restará senão continuar na Luz. 
Então e Jesus, poder-se-á perguntar, que foi confrontado pelo jogador após a final da Taça, o que deve fazer o treinador encarnado? Tanto na entrevista à Benfica TV; quanto anteontem, após a derrota com o São Paulo, Jorge Jesus remeteu para a administração da SAD (leia-se para Luís Filipe Vieira...) a resolução do imbróglio, o que significa que, se a decisão, concluído o processo disciplinar em curso, passar por reintegrar Tacuara, não lhe restará outra alternativa do que dar o incidente por encerrado e tratar o paraguaio como trata todos os restantes elementos do plantel. Ou seja, se Cardozo regressar (e porque são os interesses do Benfica que devem ser colocados acima dos egos), Jesus deverá acolhê-lo numa normalidade que só será ferida se houver ostracização do bi-Bola de Prata. Indo mais longe, se nada se alterar no plantel encarnado, se Cardozo for integrado, as contas do onze do Benfica devem ser feitas na base de Tacuara mais dez. Porque, realmente, não há quem lhe tire o lugar; se Cardozo rumar a outras paragens, Jesus precisa de encontrar no mercado um matador com as características do paraguaio, sob pena de ver repetido amiúde o filme visto no passado sábado na Luz ante o São Paulo, de muita parra e pouca uva.
No meio de tudo isto - e porque ficou à vista que estamos perante um tema fraturante na família benfiquista - há um carácter de urgência associado à definição deste problema, se Cardozo é integrado, ou se vem outro para o seu lugar.
Tem sido assumido de forma mais ou menos consensual que este vai ser um campeonato em que os dois principais candidatos deverão perder poucos pontos. Até 1 de Setembro, o Benfica viaja aos Barreiros e a Alvalade e recebe o Gil Vicente. Quaisquer contas de cabeça são suficientes para que se perceba porque as decisões encarnadas devem ser para ontem...

Seis meses depois: e a polícia não descobre nada?
«Informaram de que tinham sido furtados computadores do presidente da FPF e da secretária, mas houve furto de um terceiro portátil, do presidente do Conselho de Arbitragem»
Fonte Policial, Lusa
Insisto: em Fevereiro passado, um ladrão entrou na FPF, cortou-se e deixou sangue e impressões digitais espalhados e o rosto do captado pelas câmaras de videovigilância. Furtou os computadores de Fernando Gomes e da secretária e ainda de Vítor Pereira. Para quê? Mistério. E mais misterioso é que se tenha evaporado. Com tantos indícios e as autoridades policiais nada apuram?

(...)"

José Manuel Delgado, in A Bola 

domingo, 4 de agosto de 2013

Joana de Prata

Em Welland, Ontário, no Canadá, próximo das cataratas do Niágara, a Joana Vasconcelos ganhou a medalha de Prata, na Final dos Campeonatos do Mundo de Canoagem de Velocidade, em Sub-23, na regata de K1 200m.
Na Sexta a Joana tinha-se qualificado para a Final no K1 500m e K2 500m, no Sábado fez o mesmo no K1 200m. Hoje, Domingo, foi o dia das Finais, e a primeira a ser realizada, foi a de K1 200m onde a Joana só foi batida pela canoista da casa... não sei se os festejos, ou a ida ao pódio.... atrapalhou as outras duas finais: no K1 500m a Joana não fez melhor que o 7.º lugar, e no K2 500m acompanhada com a Francisca Laia, ficou à beirinha do pódio, no 4. lugar...
Parabéns Joana...

Má 2.ª parte, mau resultado...

Benfica 0 - 2 São Paulo

Só vi alguns minutos já na segunda parte, mas fui recebendo algumas informações de como o jogo estava a decorrer...
Demasiadas falhas de concretização na 1.ª parte (basta ver o resumo), o Lima o ano passado foi uma grande contratação, marcou vários golos decisivos, mas na Luz, marca pouco, demasiado pouco, não sei se é sina, ou se é outra coisa, mas estes 'borregos' costumam ser difíceis de matar... pode até não existir uma explicação racional - futebolística -, mas acontece!!! Quem pensar que o Benfica pode atacar a época, com o Lima e o Rodrigo como os nossos únicos avançados, está redondamente enganado... Como eu sempre fui um grande defensor do Cardozo, não vou entrar na lenga-lenga que hoje faltou lá o Cardozo, mas reafirmo: o Benfica precisa de um jogador com as características de jogo - faro... - do Cardozo. Seja ele, ou seja outro qualquer... agora tem é que vir. Acrescento: a novela Cardozo já cheira mal, é preciso uma decisão rápida. Não tenho a estatística, mas com o Jesus, o Benfica ficou em 'branco' muito poucas vezes, e no Estádio da Luz, se calhar foi a primeira vez!!!
Na segunda parte, tudo mudou... com a substituição do Rodrigo pelo Djuricic, perdemos a posse de bola, falhámos na defesa e os Brasileiros foram eficazes... A dupla Rodrigo/Lima na época anterior raramente - ou nunca - resultou. O Rodrigo em Elche jogou bem, marcou, jogando claramente a '9' - tal como acontece na Selecção Espanhola. Dos poucos minutos que vi, notou-se claramente a dificuldade do Benfica em recuperar a bola, com o povoamento do meio-campo do adversário, não sendo o Barça, o São Paulo sabe trocar a bola, e sempre que perdíamos a bola, não era fácil recuperá-la, este é o antigo problema de quando jogamos com 2 avançados, nos jogos com equipas de qualidade...
Além do problema Tacuara, parece-me que na posição '6' está o outro problema do plantel: está quase a fazer um ano, quando perdemos o Javi e o Witsel... o Matic e o Enzo acabaram por tapar os buracos - surpreendentemente bem -, quando chegou a Janeiro, pensou-se que o Benfica ia comprar alguém para aquela posição, mas nada aconteceu. Agora, na janela de transferências do Verão, regressou o Amorim - que em Elche por exemplo, fez um excelente jogo -, mas pessoalmente acho que é curto, demasiado curto. Deveríamos ter outro jogador defensivamente forte no meio-campo. Ainda por cima, ainda existe a possibilidade do Matic sair...

Curiosamente o palmarés da Eusébio Cup, não é muito favorável ao Benfica... Seria fácil, vencer a Eusébio Cup, convidando adversários mais fáceis... e se é verdade que este São Paulo estava ao nosso alcance, também é verdade que os Brasileiros estão a meio da época, e com uma chicotada psicológica recente, os jogadores querem mostrar serviço. Por acaso vi as últimas duas derrotas do São Paulo na Audi Cup, com o Bayern e o Milan, e eles até nem jogaram muito mal... Podíamos fazer uma pré-época, estilo Lagartos, com adversários de segunda, e estávamos todos contentes... É preciso separar a histeria dos anti-Vieira e anti-Jesus, do que se passa dentro do campo. Infelizmente isso nem sempre é fácil, pelo que me disseram, aqueles que nas últimas épocas, andaram a assobiar e apupar o Cardozo, hoje começaram a cantar por ele!!! Como se diz em bom Português: vão para o caralho... Detesto quando o Speaker da Luz começa com a cantiga que somos os melhores adeptos do Mundo. Porque, não somos... Bem pelo contrário. Estamos muito longe de alguma vez, o ser... Se alguém pensa que o Lima e o Rodrigo vão começar a marcar golos, quando começarem a ouvir a música do Cardozo, é porque são atrasados mentais - profundos - e isso todos os clubes os têm, é um mal transversal a todos, nem o Benfica escapa...!!!

PS: Nos jogos do Algarve, os jogadores do Benfica andaram a levar porrada de enfiada, principalmente com o Peñarol e o Nice e nada aconteceu aos adversários: o Salvio é que ficou lesionado!!! (e hoje fez falta) No jogo com o Nice o Artur não toca no adversário, mas foi expulso, e o penalty foi marcado... Hoje, o São Paulo, marca o 2.º golo em fora-de-jogo, claro, a repetição foi só uma, mas o Cortez não coloca o Toloi em jogo. E tudo isto até agora foi a feijões... quando começar a sério vai ser bonito!!!

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A dignidade

"O comportamento dos benfiquistas perante o presidente do FC Porto no funeral de Fernando Martins e ainda o novo museu do clube.

A morte do antigo presidente do Benfica Fernando Martins não podia deixar de enlutar o futebol português. Amigo pessoal de longa data do empresário e líder benfiquista na década de 80, o presidente do FC Porto fez o que todos esperavam e deslocou-se a Lisboa para prestar uma última homenagem ao homem que fechou o Terceiro Anel do antigo Estádio da Luz.
A presença em Lisboa do líder dos azuis e brancos - acompanhado do director-geral portista, Antero Henriques - quase se tornou a notícia principal do dia do último adeus a Fernando Martins.
O presidente do FC Porto chegou cedo à Basílica da Estrela, sem guarda-costas, e permaneceu sentado na igreja durante toda a missa de corpo presente, conduzida pelo padre Vítor Melícias, um conhecido sportinguista também ele amigo pessoal de Fernando Martins.
A presença do líder portista não foi uma surpresa. Era pública a extraordinária relação de amizade entre os presidente dos dragões e o antigo dirigente encarnado e surpreendentemente teria sido se o primeiro faltasse ao funeral do segundo.
Claro que tendo Fernando Martins sido presidente do Benfica - e sido sempre, ainda, uma personalidade próxima do actual líder das águias, Luís Filipe Vieira - é evidente que esperaria o presidente do FC Porto em Lisboa um ambiente e um cenário maioritariamente benfiquista e, portanto, adverso, tendo em conta as péssimas relações entre as duas famílias.
À dignidade da decisão do presidente portista de estar presente no adeus ao amigo - e outra coisa não seria de esperar -, responderam os responsáveis do emblema encarnado e restantes adeptos benfiquistas presentes na triste cerimónia com um comportamento de uma dignidade ainda maior, pela clara serenidade (e naturalidade) com que souberam reagir à presença do mais alto responsável azul e branco.
Fizeram os benfiquistas o que deviam? Evidentemente.
Um ou outro comenta´rio impróprio de um ou outro anónimo presente não apenas não teve qualquer significado como de todo poderia vincular a imagem institucional do Benfica e a forma como a larga maioria de benfiquistas (anónimos ou não) soube conviver com a presença de mais um amigo de Fernando Martins, por acaso também presidente do maior rival desportivo dos encarnados.
O que muitos - legitimamente - se interrogam é se o contrário também seria verdade. Duvido.

ALCINO ANTÓNIO é (e será, para a história) um dos grandes responsáveis pela mais notável obra do Benfica neste século depois da construção do novo estádio.
Pôr de pé o Museu do Benfica foi trabalho de uma equipa, naturalmente, mas nos rostos das equipas serão sempre os líderes, e ao rosto de Alcino António junta-se naturalmente o de António Ferreira (como aliás escrevi neste jornal logo no dia da inauguração) e, porque os últimos são os primeiros, o do presidente encarnado, porque, é fácil compreender, sem o sonho de Filipe Vieira dificilmente a obra nasceria.
Não me levem a mal os leitores a confissão, mas sou amigo pessoal de Alcino António há quase 30 anos. Ele é um dos mais antigos dirigentes do actual elenco encarnado e também, como é fácil concluir, um dos mais discretos, desde que na década de 80 assumiu as primeiras responsabilidades, na gestão do também já desaparecido João Santos.
Quando a minha relação (agora, repito, de quase 30 anos) com Alcino António se transformou numa relação de profunda amizade nunca mais escrevi uma linha que fosse sobre o antigo e o actual dirigente encarnado, nunca Alcino António me forneceu (no passado ou agora) uma única informação que fosse da vida interna do clube, e as nossas conversas sobre futebol (para lá de uma normal relação entre amigos) são isso mesmo, conversas de duas pessoas que gostam de futebol e de desporto e que partilham, concordam e discordam nos seus pontos de vista.
Uma amizade sem complexos e sem falsos compromissos.
Agora, com a história do museu, vi-me perante a decisão:
- Continuar sem escrever uma linha sobre Alcino António sob o velho pretexto de sermos, simplestemente, amigos;
- Ou elogiar o trabalho da equipa do dirigente responsável pelo museu (e portanto elogiá-lo a ele próprio), por imperativo profissional de consciência jornalística e por ter visitado o museu e considerado, francamente, estarmos perante uma obra notável.
Optei, como sempre, pela minha consciência jornalística e pelo dever profissional da crítica honesta, como lhe chamaria o velho mestre Vítor Santos, porque (não se confunda)  criticar não tem de ser dizer mal...
Fica o desabafo. E os leitores que não me levem a mal...

'PENALTY'
HUGO PACHECO, árbitro da 1.ª categoria, ainda deve estar a esta hora às voltas com a insólita decisão que tomou: viu, claro que viu, o portista Kelvin ao pontapé (por quatro vezes) ao ex-benfiquista Nolito, agora no Celta, e foi mostrar o cartão amarelo a quem, quem? A Nolito! Insólita decisão? Bem...

LIVRE DIRECTO
A vida de Jorge Jesus advinha-se difícil. Não sabe ainda quem sai, não sabe quem pode chegar, não sabe se conta (por exemplo) com Salvio, Matic, Garay ou Gaitán, não sabe quem substituirá Cardozo, enfim, não sabe ainda demasiadas coisas para um candidato ao título. Não é fácil.

(...)"

João Bonzinho, in A Bola

O King merece...!!!

Obrigado, Fernando Martins

"Quando eu tinha 12 anos Fernando Martins era presidente do Benfica. Quando eu tinha 18 anos Fernando Martins era presidente do Benfica. Fácil é perceber que foi sob a presidência de Fernando Martins que vivi, com consciência, as minhas primeiras alegrias como adepto. Os títulos, as taças, a minha primeira final europeia contra o Anderlecht. Foi até sob a presidência de Fernando Martins que António Leitão ganhou a medalha olímpica, nos 5000 metros, em Los Angeles. Primeiro atleta do Benfica a consegui-lo.
Isto bastava para Fernando Martins ter marcado uma geração de benfiquistas. Mas o meu testemunho é maior e mais profundo. Durante quase sete anos, vivi durante a semana num dos seus hotéis e durante esse tempo conversei muito sobre o nosso Benfica e privei com um benfiquista fantástico. Fernando Martins tinha uma paixão pelo Benfica. Esse tributo e agradecimento é-lhe devido. Faz parte da nossa história, e ficará na nossa memória. Deixo-lhe aqui o meu reconhecimento e a minha grande saudade.
Esta pré-época trouxe o primeiro troféu de terras espanholas para o nosso museu, a enorme Senhora de Elche tem de ser a primeira de muitas conquistas. Não há margem para não encher os adeptos de alegrias, esses mesmos que em número superior a 100 mil já subscreveram o canal do seu clube, esses mesmos que esperam vitórias e títulos, esses mesmos que na sua generosidade merecem a alegria das vitórias. Muito bem Fran Escribá na sua relação com o seu ex-clube, categoria e classe de quem se move por sentimentos e reflecte-os nas suas atitudes.
Amanhã na festa de Eusébio saibamos fazer uma festa e homenagem bonita, pela primeira vez contra um clube não europeu. Em certo sentido é justo para Eusébio que tinha e tem prestígio mundial e não apenas europeu."

Sílvio Cervan, in A Bola

Universal

Making of... (versão longa!!!)

Joana a dominar nas cataratas do Niágara!!!

Boa entrada no Campeonato do Mundo de sub-23 para a Joana Vasconcelos, que conseguiu a qualificação directa para as finais do K1 500m e no K2 500m (com a companhia da Francisca Laia). No K1 venceu mesmo a regata, enquanto no K2 qualificou-se após terminar em 2.º lugar...
O Campeonato do Mundo está-se a disputar em Welland, Ontário, Canadá, perto das cataratas do Niágara!!! As Finais decorrem no Domingo.

O Presidente Fernando Martins

"Fernando Martins é o primeiro presidente do Benfica de que, efectivamente, me recordo. Foi o homem que presidiu o Benfica durante grande parte da minha adolescência. Durante aquela época em que começamos a ganhar consciência e sentido crítico.
A imagem que guardo de Fernando Martins é a de um presidente determinado, um homem que liderava de acordo com as suas convicções e de poucas cedências ao caminho mais fácil, mais popular e mais óbvio. Recordo que durante o seu mandato saiu o Chalana para o Bordéus e os benfiquistas gritaram “aqui d’el Rei” que isto não pode ser. Recordo que, além do Chalana, o Filipovic e o João Alves também saíram e que se dizia à boca cheia que o nosso Benfica precisava de jogadores e não de sacos de cimento para fechar o mítico Terceiro Anel. É impossível esquecer o quão ofendido foi Fernando Martins depois do famosos 7-1 de Alvalade. Já depois de ter terminado o consulado, Fernando Martins continuou a ser criticado por dar a mão a gente que tudo fazia para, à margem da lei, derrotar o Benfica. Da mesma forma que é impossível não recordar que Fernando Martins fazia questão de lembrar aos benfiquistas, que o criticavam no calor da paixão e da emoção imediata, que era importante não ser míope e perceber que os jogadores passam e a obra fica. Da mesma forma que recordo a lição que nos dava quando dizia que preferia abdicar de um jogador “vedeta” do que assumir compromissos individuais que, para serem cumpridos, comprometeriam o bem comum. Da mesma forma que, até ao fim, se mostrou intransigente na escolha das suas companhias, independentemente de serem mais ou menos agradáveis à opinião pública benfiquista.
Ou seja, o que Fernando Martins nos deixou como herança foi o testemunho de que quem lidera o deve fazer de acordo com as suas convicções e nunca ao sabor dos ventos e das paixões de momento. Se assim não fosse, não teria deixado obra feita, não teria deixado a vincada marca que deixou no nosso Benfica e à qual ninguém pode ser indiferente."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica