Últimas indefectivações

terça-feira, 11 de junho de 2013

A história do gato vermelho e do rato azul

"Entre 1948 e 1953, o Benfica conquistou quatro Taças de Portugal consecutivas (em 1950 a prova não se disputou). Encerra-se hoje, com a vitória, por 5-0, frente ao FC Porto, a recordação da epopeia...

E o ciclo fecha-se... Já vimos como o Benfica venceu as finais da Taça de Portugal de 1948/49 (2-1 ao Atlético), de 1950/51 (5-1 à Académica) e de 1951/52 (5-4 ao Sporting) - volte a recordar-se que em 1949/50 não se disputou a Taça de Portugal para que se jogasse no Jamor a Taça Latina, que o Benfica também venceu. Falta ver como conquistou o troféu na época de 1952/53, cumprindo com virtuosismo a sua quarta vitória consecutiva na competição.
Ano estranho para o Benfica, que teve três treinadores, Cândido Tavares, Alberto Zozaya e Ribeiro dos Reis, cabendo a este militar, estudioso das tácticas e das regras do futebol, um dos fundadores do jornal «A Bola», dirigir a equipa nos jogos para a Taça de Portugal.
Nesse tempo a Taça jogava-se depois do final do Campeonato, com os jogos sucedendo-se ininterruptamente até ao encontro decisivo do Jamor. Assim, entre 3 de Maio e 28 de Junho de 1953, o Benfica cumpriu o seu destino vitorioso.
A primeira eliminatória é frente ao Vitória de Setúbal (derrota, 2-3, no velho Campo dos Arcos, vitória, por 5-2, no Campo Grande), seguindo-se o Barreirense (duas vitórias encarnadas, 1-0 no Barreiro e 6-0 em casa). As meias-finais disputam-se com o Vitória de Guimarães. Mais duas vitórias, ambas por 3-1, em casa e fora. A Final será frente ao FC Porto, mas já lá vamos.
O ataque do Benfica é temível. Tem Rogério Lantres de Carvalho, o Rogério «Pipi», caso raro de intuição para marcar em jogos da Taça; tem Arsénio, rematador exímio, e já tem José Águas, cabeça de ouro do Futebol em Portugal.
Talvez houvesse alguém capaz de prever uma Final equilibrada no Jamor. Ah! Como caíram por terra tais previsões.
Sobre a relva do Estádio Nacional pareceu existir apenas uma equipa. E vestia de vermelho.

Elogios ao «Mãos de Ferro»
«Se em vez de duas equipas de futebol, mão caprichosa tivesse colocado ontem, no recinto do Jamor, um gato e um rato, o despique teria evoluído e terminado da mesmíssima maneira, salvo, evidentemente, o desfecho admissível, que no caso dos inimigos figadais, sacrificaria, naturalmente, a vida do mais fraco».

Já estão a ficar com uma ideia?
Continuemos a ler: «Tal como faria o felino em face do rato, o Benfica dispôs como quis do adversário, um Futebol Clube do Porto que, mau grado os esforços bem intencionados dos seus dirigentes, chegou ao fim da época como começou. (...) Poucas vezes como ontem a incapacidade portista se terá revelado tão flagrante. Nunca, talvez, a turma se curvou tanto perante um adversário, deixando-se manobrar tão abertamente a ponto de consentir um resultado que ninguém ousaria prognosticar e com a agravante de a marca, apesar de substancial, ainda dar margem para que se especule com a afirmação de que poderia ser bastante pior...»

Esclarecidos?
A Imprensa é unânime em considerar que Barrigana, o «Mãos de Ferro», foi o jogador mais marcante do encontro, impedindo vários outros golos do Benfica.
E o resultado, perguntarão vocês? 5-0, sem discussões! E poderiam ter sido sete, ou oito, ou mais. «O equilíbrio global e o talento individual de alguns elementos assinalaram a exibição que tão cedo não se esquecerá», concluía-se.
Rogério «Pipi», abriu o marcador, aos 34 minutos. Seguiu-se Arsénio, 4 minutos depois. José Águas fez o 3-0, aos 39 minutos. Arsénio fecharia as contas, com mais dois golos, aos 58 e 89 minutos.
Joaquim Fernandes, o «capitão», ergueria a Taça. A quarta consecutiva do Benfica. Mesmo que, já nesse tempo, não servisse de consolo para a perda do Campeonato.
Há coisas que não mudam..."

Afonso de Melo, in O Benfica

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Markovic

Aquela que tinha todo o potencial para ser mais uma grande novela de Verão do Benfica, terminou abruptamente hoje, com o Benfica a anunciar a assinatura de um contracto com o Lazar Markovic!!! Mesmo assim, para o assunto não morrer totalmente, vamos ficar na dúvida sobre que tipo de contracto que foi assinado!!! O contracto é de 5 anos, mas isso pode não dizer muito... será empréstimo do Chelsea ou será empréstimo do empresário, com cláusula de rescisão baixa?!!! Será tipo Ramires, ou tipo Ola John?!!! Provavelmente só quando o relatório e contas for publicado teremos mais informação, mas até lá muito se vai especular...!!!

Sobre o jogador, parece-me ser indiscutível ter um enorme potencial, a questão será a mesma de sempre: a adaptação será rápida ou lenta?!!!
Pelo que já vi, não me parece ser um extremo - dentro do esquema do Jesus -, vai ser provavelmente utilizado como segundo avançado, por trás de um ponta de lança fixo. Aquilo que o Lima fez nas costas do Cardozo esta época. O Jesus exige aos extremos capacidade de transporte de bola, drible, capacidade de proteger a bola no pé, ajudar a fechar os flancos e a compensar os médios no 'meio'... o  Markovic parece-me um jogador rápido, objectivo, com boa capacidade de passe em velocidade, boa decisão no último passe, gosta de jogar no flanco com o pé trocado para fazer a diagonal, e com remate fácil...
Num 4-3-3 típico - como estava habituado no Partizan - poderia ser usado como extremo, mas no nosso 4-1-3-2 não creio.
Com uma comunidade Sérvia (mais um Esloveno) alargada, creio que os problemas de adaptação vão ser menorizados. As comparações são sempre injustas,  ou incompletas, mas o controle de bola em velocidade faz-me recordar o Simão...


domingo, 9 de junho de 2013

Tri-Campeões


Em três anos muita coisa mudou. Em 2011 quando conseguimos vencer, pela primeira vez, em muitos anos, tudo correu bem. Todos os nossos atletas tiveram prestações muito boas, ninguém se apresentou abaixo do normal... Hoje, conquistámos o Tri, mas nem tudo correu bem!!! Em algumas provas tivemos prestações abaixo do esperado. Mas a actual diferença entre as duas equipas é tão grande, que já nos permite, ter algumas falhas, e mesmo assim vencer, com um relativo à vontade... As contratações do Jorge Grave no Disco, do Hélio Gomes nos 1500m, e do Alberto Paulo nos 3000m obstáculos, foram fundamentais na consolidação da nossa equipa. Admito que quando fui informado do 3.º lugar do Arnaldo nos 200m fiquei preocupado, mas a normalidade imperou.
O Arnaldo Abrantes (nos 400m e nos 200m), e o Jorge Paula (nos 400m barreiras) - a regressar após lesões -, o Tiago Aperta e a estafeta dos 4x400m foram as provas, onde os resultados não foram os esperados. Em sentido contrário a vitória do Paulo Conceição no Salto em Altura, e a vitória do Rui Pinto nos 3000m - derrotando o Olímpico Rui Silva -, foram os dois resultados mais surpreendentes.

Benfica........158
Sporting........151
(...)

No Feminino, voltámos a ficar em segundo. Resultado normal. A ausência de algumas atletas por lesão - Marta Pen por exemplo -, não permitiu ao Benfica fazer mais alguns pontos. Mas mesmo assim a evolução é evidente: em 2011 fizemos 117 pontos, em 2012 fizemos 127, e agora em 2013 fizemos 143, tendo o Sporting nestes três anos feito pontuações entre os 161 e os 164. Estamos cada vez mais próximos...

HOJE
110m Barreiras - Rasul Dabo - 1.º - 13.78s
200m - Arnaldo Abrantes - 3.º - 21.75s
400m Barreiras - Jorge Paula - 2.º - 51.30s
800m - Miguel Moreira - 1.º - 1.52,54m
3000m - Rui Pinto - 1.º - 8.07,73m
3000m Obstáculos - Alberto Paulo - 1.º - 8.44,89m
4x400m - Benfica - 2.º - 3.14,08m
Martelo - Flávio Azevedo - 2.º - 52.92m
Disco - Jorge Grave - 1.º - 57.28m
Altura - Paulo Conceição - 1.º - 2.12m
Triplo - Nelson Évora - 1.º - 16.68m

ONTEM
100m - Ricardo Monteiro - 1.º - 10.40s
400m - Arnaldo Abrantes - 2.º - 48.65s
1500m - Hélio Gomes - 1.º - 3.48,35m
5000m - Rui Pedro Silva - 2.º - 14.22,20m
5000m Marcha - Sérgio Vieira - 2.º - 19.46,77m
4x100m - Benfica -1.º - 40.79s
Vara - Diogo Ferreira - 2.º - 5.20m
Peso - Marco Fortes - 1.º - 18.97m
Comprimento - Marcos Chuva - 1.º - 7.61m
Dardo - Tiago Aperta - 2.º - 69.83m


Cadeira de sonho

"Um dia depois de resolvido o impasse na situação de Jorge Jesus, a Bolsa ter-se-á intrigado com o impasse na situação de Vítor Pereira. Apesar de o novo treinador do Porto estar prometido para dia 12, a CMVM quis esclarecer o rumor sobre a contratação de Paulo Fonseca. Não é frequente a CMVM fazer interpelações a outras SAD cotadas, além do Benfica, o que sempre deixou em aberto esta dúvida: ou o Benfica não presta contas devidamente ou os outros “players” são mesmo certinhos e organizados.
Desta vez, a SAD do Porto também foi investigada. Não informou sobre a substituição do treinador, excepto que ela não estaria regularizada. Não estaria? Bem, não foi isso que disse o presidente do clube. Ele afirmou aos jornalistas que já tem treinador, mas que só o apresentará no dia 12, e declarou à CMVM que não tem treinador nenhum, aparentemente sonegando aos mercados uma informação relevante.
Ter ou não ter treinador, eis uma questão sem importância nenhuma para alguns quadrantes e quase de vida ou de morte para outros. Na Luz, o treinador é tão importante que a dúvida sobre a continuidade de Jesus provocava angústia pela possibilidade de ser ele o próximo treinador do Porto. No Dragão, o treinador não tem importância nenhuma porque se desenvolveu o mito de que qualquer um, lá, pode ser campeão.
Paulo Fonseca preenche os requisitos do perfil de sucesso que tem feito a diferença nestes 30 anos: menos de 45 anos, alguma experiência em clubes de poucos recursos, imagem de competência, discrição e humildade. Mas sobretudo, disponibilidade absoluta para renovar o ciclo, com a vontade de ganhar que dá cabo das expectativas dos rivais. Carne para o canhão.
Realmente, a fórmula Mário Wilson, do antigo Benfica, adequa-se, apesar das excepções de Artur Jorge e José Mourinho, fenómenos que aparecem a cada vinte anos. Os dragões campeões, bicampeões e tricampeões nunca mais ganham um chavo, além de bons contratos, fora da tal cadeira de sonho. Dá que pensar."

sábado, 8 de junho de 2013

Venha a Final...


Benfica 6 - 3 Rio Ave

1.ª parte repartida, 2.ª parte muito boa da nossa parte. Voltámos a não perdoar quando o Rio Ave tentou o 5x4, algo muito importante...
Concordo com o João Pinto, o jogo em na Luz com a Académica, foi o ponto baixo neste final de época, nos outros jogos a equipa, demonstra melhorias, mas não sei se serão suficientes. A ausência do Joel continua a fazer-se sentir... hoje, reforçada com o castigo do Gonçalo.
A final tem que ser jogada jogo a jogo, os Lagartos merecem ser considerados favoritos, mas o Campeonato não está entregue...

Agora venha a Taça...


HA Cambra 2 - 6 Benfica

Vitória fácil na última jornada do Campeonato.
Depois do título do ano passado, o 2.º lugar não nos pode deixar satisfeitos. As roubalheiras foram muitas, principalmente em Valongo e em Oliveira de Azeméis - dois empates... -, e não conseguimos fugir à teia do Paços de Arcos - nos 2 jogos -, a derrota na Luz com os Corruptos, num dia onde não tivemos bem, também acabou por marcar este Campeonato. Passámos a época a falhar penalty's e Livres Directos, é verdade que na Final 4 da Champions tivemos muito bem, mas isso não pode apagar os erros do resto da época.
Agora, para a semana, temos mais outro jogo de extrema dificuldade, em Valongo, nos Quartos-de-final da Taça...

PS: Tem sido interessante, acompanhar toda a indignação pela, muito provável saída do Sénica - e do Viana -, os mesmos que antes do título Europeu chamavam todos os nomes possíveis e imaginários ao nosso treinador, são agora ultra-defensores da continuidade!!! Pessoalmente, gostaria que o Sénica ficasse, já assim pensava antes do título Europeu. Pessoalmente acho que o plantel necessita, de uns ajustes, tal como pensava antes do título Europeu... Prevejo, que o Sénica a sair nestas circunstâncias, se torne no novo Donner, sempre que houver um resultado negativo no futuro, será sempre recordado, pelos mesmos que o ofendiam constantemente...!!!

1.º Dia

O 1.º dia do Campeonato Nacional de Clubes, a decorrer na pista do Estádio Universitário, podia ter corrido melhor. Estamos à frente, mas podíamos estar melhor. Os 2.ºs lugares do Arnaldo Abrantes e do Tiago Aperta, foram inesperados. No caso do Arnaldo, a regressar após lesão ainda se pode explicar, mas...
Em condições normais, a vitória não está em causa, mas nestas provas de equipas uma desclassificação, pode deitar tudo a perder... principalmente nos concursos. Por exemplo, o Rui Pinto foi desclassificado num dos últimos Campeonatos. Em teoria, amanhã, temos vantagem na maioria das provas, portanto este fim-de-semana tem tudo para acabar bem...
As meninas, estão a fazer o seu melhor, mas neste momento ainda não temos hipóteses para lutar pela vitória... Mantendo a aposta na formação, em detrimento de contratar atletas consagradas, ainda vai levar 2 a 3 anos, para podermos celebrar uma vitória no sector Feminino.

1.º Benfica........75
2.º Sporting........73
(...)

100m - Ricardo Monteiro - 1.º
400m - Arnaldo Abrantes - 2.º
1500m - Hélio Gomes - 1.º
5000m - Rui Pedro Silva - 2.º
5000m Marcha - Sérgio Vieira - 2.º
4x100m - Benfica -1.º
Vara - Diogo Ferreira - 2.º
Peso - Marco Fortes - 1.º
Comprimento - Marcos Chuva - 1.º
Dardo - Tiago Aperta - 2.º

Juvenis - 6.ª jornada - Fase Final - Consagração


Benfica 2 - 2 Braga

A semana de festa foi merecida... mas hoje, a equipa teve um pouco abaixo do normal. Aliás já era esperado. Notou-se que a equipa não gostou de entrar a perder no jogo, reagiu, e passou para a frente rapidamente. A 2.ª parte, estava a correr mais ou menos, quando o Braga empatou... o Benfica voltou a reagir, criou muitas oportunidades nos últimos minutos, com alguns falhanços incríveis, mas não conseguimos a vitória. Faltou brilho à consagração.

PS: Não conheço o relatório do árbitro da semana passada, mas para o Romário ter levado 3 jogos de castigo, deve ter sido um excelente trabalho de ficção!!! Não sei se o Romário fez alguma coisa para merecer 3 jogos de castigo, mas como o Frangueiro Corrupto, armado em Bruce Lee - mas só na retaguarda -, mais conhecido como Andorinha, também levou 3 jogos, é porque depois daquela demonstração de mau perder, o apitador Gralha, resolveu expulsar um jogador de cada equipa, como se as duas equipas tivessem a mesma culpa da nojice que se passou...!!! Aliás o inquérito que a FPF resolveu abrir, deixa-me desconfiado!!! O Benfica fez mal hoje não ter vencido, porque ainda corremos o risco de nos tirarem alguns pontos...!!! Já não seria a primeira vez...!!!

Benfica............14
Corruptos..........13
Sporting.............6
Braga................1

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Hospitalidades...

"Mais uma vez, a ordeira e hospitaleira gente do Porto assombrou o País (e até o estrangeiro) com a sua arte de bem receber. Não importa a modalidade, não importam os intervenientes: calorosos, dedicam ameaças a quem os visita; esforçados, procuram agredir quem, por infelicidade dos calendários das provas desportivas, é obrigado a visitá-los. Não escolhem idades: tanto se insulta um provecto senhor de 90 anos que deseje comprar um bilhete para o Hóquei em Patins como se pontapeia um jovem de 16 que tenha tomado a hedionda decisão de se dedicar ao Futebol em defesa de um emblema que não aquele que há mais de 30 anos se dedica impunemente a estas porcarias. A autoridade, do alto da sua intocável autoridade, autoriza.
Há um lugar em Portugal onde vale tudo! Mas tudo! As leis da República não se aplicam. Os ditames da civilização são desconhecidos. Regras básicas da educação e da urbanidade não fazem qualquer sentido. 
Medrosos, aqueles que no seu íntimo vituperam estes comportamentos, calam-se, ignoram, viram a cara para o lado. Tudo em nome da boa vizinhança, com certeza. Se o resto do País aponta, acusa, exige medidas, erguem-se na sua pastosa imbecilidade os anti-magrebinos, copiadores de livros, enxundiosos infectos, baladeiros cretinos, exigindo o direito à liberdade de insultar e agredir e à qual chamam princípios básicos do regionalismo.
Até quando continuaremos a aceitar passivamente esta nação sem lei que põe em causa todo um Estado de Direito? Até quando aguentaremos o nojo sem resistir ao vómito? Respondam vocês que eu já não sei."

Afonso de Melo, in O Benfica

O renascimento do Benfica

"No último domingo, sentimos a vantagem de sermos adeptos de um grande clube desportivo e não apenas de uma equipa de futebol. Ainda mal refeitos de uma ressaca difícil, que teve no Jamor um dos últimos episódios onde parecia que o mundo acabava, e sentimos até que podia não haver amanhã, o Benfica conseguiu no último domingo uma conquista única na substância e na forma. O Benfica tem este encanto. Consegue mais depressa que a fénix renascer, e trazer a luz da alegria aos seus adeptos. Poucos, talvez Barcelona, Flamengo e pouco mais, são os que conseguem ser tão competitivamente eclécticos. Ganhar sempre é impossível. Tentar ganhar sempre é obrigatório.
O FC Porto, que muito já fez pelo hóquei em patins português, conseguiu no último domingo uma das suas páginas mais notáveis, ao organizar uma prova que permitiu duas décadas depois o regresso a Portugal do título de campeão europeu de hóquei em patins para o Benfica. Vencer o poderoso Barcelona e o rival em sua própria casa fazem desta conquista um feito ímpar. Ser campeão europeu era muito difícil, desta forma era quase impensável. Parabéns a Luís Sénica e aos seus jogadores, mas também a Luís Filipe Vieira e a Domingos Almeida Lima, meus colegas que tudo fizeram para que no domingo o Benfica entrasse no rinque e vencesse. Queria deixar o sublinhado de uma postura no Desporto em que Domingos Almeida Lima acredita, a correcção e o fair play são o único caminho que o Benfica pode seguir. Será assim que temos de vencer. Os heróis que estiveram no Dragão Caixa são parte da história viva do clube.
Nessa mesma manhã, os juvenis de futebol haviam ganho o título de campeão nacional no Olival, o jogo acabou de forma lamentável e ainda assim houve a serenidade de manter o trilho para conquistar o mais importante título do hóquei para as nossas vitrinas, sem provocações ou incidentes. Pior que perder em casa do rival um título nacional dois minutos depois da hora, deve ser perder para o rival na sua própria casa um título europeu três minutos depois da hora."

Sílvio Cervan, in A Bola

Triunfo exemplar

"1. O nosso título europeu de Hóquei em Patins (finalmente!) não apaga as mágoas da azarenta época do Futebol - continuo a pensar que, Taça de Portugal à parte, foi (muito) mais azar que falhanço. Mas soube muito bem aquela vitória no Dragão, para mais depois de tudo quanto se passou no sábado (e ainda no domingo os adeptos do Benfica apenas puderam entrar depois do intervalo!...). Foi uma vitória que fica na história (gloriosa) do nosso Hóquei em Patins.
Vitória que se juntou ao título nacional de Juvenis em Futebol (depois do título de Juniores), também alcançado no campo do FC Porto e que teve um final muito triste, já que a equipa da casa não soube perder.
Curiosamente, Pinto da Costa, que no sábado já dizia que o seu clube iria ser novamente campeão europeu, 'desapareceu' de cena no domingo, após a derrota.

2. A semana passada ficou marcada pela dúvida relativamente ao treinador: Jorge Jesus fica ou não? Ouvi vários benfiquistas e opiniões bem divididas. E até houve quem estivesse contra Jesus no dia a seguir à Final da Taça e já o admitisse como melhor solução um ou dois dias depois. Da mesma forma que muitos daqueles que o assobiaram naquele domingo fatídico o haviam incentivado a ficar uns dias antes. É sempre assim. Com a cabeça quente não se decide bem. E, como disse há uma semana, quem lá está dentro e acompanha o dia-a-dia do Clube está em muito melhores condições para decidir, pois tem dados que o simples adepto não possui. No dia em que escrevo, é certa a continuação de Jorge Jesus. Não sei em que condições mas espero que valorizando mais os prémios e menos o montante mensal a pagar, que parecia manifestamente exagerado.

3. Ao longo de toda a semana, a decisão quanto ao futuro treinador do Benfica foi assunto de 1.ª página: Jesus fica, Jesus não fica, quem lhe poderá suceder, as 'divisões' no interior da SAD quanto à continuidade do treinador. Curiosamente, ao mesmo tempo, o FC Porto (ou Pinto da Costa?) também ainda não tinha treinador (parece que estava à espera de resposta de Vítor Pereira!...) e os jornais nada especulavam sobre o assunto. Dias houve em que nem uma linha foi escrita. Porquê?"

Arons de Carvalho, in O Benfica

Sticada no infortúnio

"O gigantesco mar vermelho já revela águas mais serenas. Depois de duas semanas quase traumáticas, ine´ditas num historial centenário, o universo benfiquista, ainda que sem se demitir de apreciações críticas, como que parece serenar, digerida a desventura e projectado o futuro imediato. Neste período, a serenidade pública revelada pelo presidente Luís Filipe Vieira concorreu, em larga medida, para transmitir sinais de confiança aos adeptos, reconhecidamente agastados com um final de temporada futebolística que redundou num imprevisto suplício.
No pretérito final de semana, a conquista do Nacional de Juvenis, depois de garantido também o Campeonato de Juniores, para mais consolidado do reduto do FCP, ironicamente no derradeiro minuto da contenda, transmitiu motivos de ampla satisfação aos nossos aficionados. A esse propósito, valerá a pena perceber o crescimento do Futebol Juvenil 'encarnado' nos últimos tempos, ao ponto de já não apenas rivalizar, antes superar, a tão propalada academia leonina e esmagar o congénere sector portista, impotente para atingir títulos e para catapultar jovens futebolistas a patamares de consagração.
Mas foi no Hóquei patinado que veio a nota de maior saliência. O título europeu, garantido no cadoz do FCP, esse que estava pintado com as cores da sobranceria e da arrogância, exibiu um magnífico Benfica, justo vencedor, pela primeira vez na posse do principal título europeu de ma modalidade tão estimada pelos portugueses. Foi mesmo uma sticada cirúrgica na descrença, só pode ser ainda uma amostra de novas e grandíloquas sensações vitoriosas."

João Malheiro, in O Benfica

Aquela stickada

"Umas semanas antes, naquele mesmo pavilhão, os nossos haviam sido insultados por uma turba ululante que distingue o momento da vitória do momento da derrota pela dose de insultos utilizados. Um dia antes, naquele mesmo pavilhão, os nossos viram o rinque invadido por um punhado de criminosos que, impunemente, perseguiram e agrediram benfiquistas que apenas queriam ver uma meia-final europeia entre o Benfica e o Barcelona. Poucas horas antes, os responsáveis do nosso Benfica viram-se obrigados a anunciar medidas drásticas para que nos garantissem coisas tão simples como segurança para os adeptos e atletas benfiquistas.
Ou seja, teve de se chegar a medidas extremas para que se conseguisse aquela coisa extraordinária de se cumprir a lei naquele pavilhão. Depois, num ambiente infernalmente hostil, mas com árbitros estrangeiros, jogou-se hóquei em patins de forma honesta, e foi quanto bastou para que, naturalmente, tenha acontecido Benfica. Naquela stickada do Diogo Rafael estava uma vitória na Taça dos Clubes Campeões Europeus de hóquei, frente a um adversário que jogava na sua própria casa. Naquela stickada épica, do meio do rinque, estava uma vitória do Benfica, à Benfica, de forma limpa e inequívoca. Simbolicamente conquistada no mesmo pavilhão em que, no ano passado, a nossa equipa de basquetebol conquistou o campeonato nacional. Naquela stickada estava a percepção de que aquela vitória começara a nascer na vontade indómita de provar que não há que temer tigres de papel.
Naquela stickada estava a certeza de que o caminho do Benfica só pode ser este: nunca dobrar nem vergar perante os que fazem do desporto um espaço de violência, ameaças e corrupção. Ou seja, naquela stickada está bem mais do que um merecido e justo título de Campeões Europeus."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

quinta-feira, 6 de junho de 2013

A primeira Grande Vitória

"Na Quinta Nova, em Carcavelos, no I Campeonato Regional de Lisboa, o Sport Lisboa e Benfica vence, por 2-1, o Carcavellos Club... Sábado, pelas 10h30, vamos reviver esse dia!

Há 106 anos, em 10 de Fevereiro de 1907, ecoou pela cidade um pregão de regozijo. Os ingleses invencíveis acabaram de ser vencidos, na Quinta Nova, pelo Sport Lisboa só com portugueses. O Futebol em Portugal começava a mudar...

No início de 1907 uma vitória histórica, inimaginável e retumbante que haveria de dar novo nome ao Clube, 'Gloriosíssimo' após uma proeza sem paralelo: derrotar os invictos 'mestres ingleses' do Cabo Submarino, em Carcavelos. No início da segunda volta da Liga, o Sport Lisboa e Benfica desloca-se a Carcavelos...
Havia sempre alguma ansiedade e expectativa para este confronto. Alguns adeptos chegaram cansados, porque se enganaram e meteram-se no comboio que ia somente até Paço de Arcos, tendo de ir a correr até Carcavelos, para chegarem à hora marcada para o jogo.
A expectativa de grande interesse por este encontro resultava, especialmente, da fama de invencibilidade que os 'mestres ingleses' do Cabo Submarino, de Carcavelos tinham e da confiança do Carcavelos em si mesmo. De facto, o Carcavelos apenas duas vezes tinha sido batido num largo período de anos - em 1897 e 1898. E os resultados no príncipio da temporada, para a Liga foram eloquentes, só com triunfos: Sport Lisboa, 3-1; Lisbon C.C., 3-0; Internacional, 4-1 e 6-0, este já em 20 de Janeiro de 1907.
A confiança num novo triunfo no jogo frente ao Benfica tornou-se tão pública que foi referida em 'Os Sports', com a indicação de que o Carcavelos mandara pedir ao Sport Lisboa que levasse, para o desafio, os seus melhores jogadores. Além do que tal atitude pode ter representado de firme confiança nos recursos próprios, deve ser também reflectido o belo espírito desportivo dos ingleses, para os quais interessava sobretudo o brilhantismo da partida como exibição de futebol.
Alinhámos com os mesmos jogadores dos últimos dois jogos: Mora; Henrique Costa e Emílio Carvalho; Fortunato Levy (cap.), António Couto (2.º golo) e Aníbal Santos; Marcial Costa, António Rosa Rodrigues, Daniel Queirós Santos (1.º golo), Cândido Rosa Rodrigues e David Fonseca.
Vencemos o Carcavellos Club, por 2-1, com o golo da equipa adversária a ser marcado nos últimos momentos da partida.

Um feito para a história
O Clube alcançara o maior e mais brilhante de todos os triunfos conquistados desde a Fundação, algo impensável para um Clube só com futebolistas portugueses... que apenas tinha três anos de existência!
O Carcavellos Club estava invencível desde 1898, há nove anos, tendo jogado 18 encontros, com 16 vitórias e 2 empates. Foi a terceira derrota do Carcavellos Club desde a sua fundação em 1976. A notícia correu célere entre os desportistas de Lisboa. O Sport Lisboa embalava rumo ao triunfo como agremiação desportiva. Félix Bermudes, capitão do 2.º 'team' passou a denominar o Clube por 'Gloriosíssimo'.
Depois deste acontecimento os jogos do Sport Lisboa passaram a ser acompanhados por muitos espectadores sempre à espera de nova e retumbante vitória do Glorioso.
Em 1906/07 não conquistámos o título - ficámos em 2.º lugar atrás do Carcavelos - mas tornámo-nos num Clube popular e respeitado. Em 1909/10, no IV Regional de Lisboa, interrompemos o tricampeonato dos 'mestres ingleses' e demos expressão ganhadora ao Clube mais popular de Portugal: o nosso Benfica!
E porque motivo lhe contamos agora esta história? Porque sábado, dia 8 de Junho, pelas 10h30, este momento será revivido e evocado, sendo que para o efeito estarão frente-a-frente os veteranos do Benfica e do Carcavelos, num jogo solidário, a realizar na Linha. Para a semana mostramos-lhe como tudo aconteceu!

A imprensa deu destaque a esta vitória
«O acontecimento da última semana foi a vitória de um grupo desportivo português de futebol, com o primeiro 'team' inglês de Carcavelos, que conseguira manter-se invicto durante doze anos (erro: nove). E o grupo que tão brilhantemente atestou a capacidade e a destreza nacionais, para o jogo atlético favorito dos ingleses, seus inventores, foi o primeiro 'team' do clube Sport Lisboa, o decano dos clubes portugueses de futebol! Viva o Sport Lisboa!»
(Os Sports)

«Há já muitos que o clube inglês, devido ao seu constante treino, perícia no jogo e ataque combinado dos seus 'forwards' (avançados), não era batido por nenhum grupo português; cabe, pois, ao Sport Lisboa a honra de ter acabado com o 'feitiço', e bem o merece, pois é um dos melhores 'teams' portugueses que se apresentam em campo. Ao Carcavelos faltavam três dos seus melhores jogadores, por motivo de doença, o que concorreu (devemos lealmente confessá-lo) para a sua inferioridade no jogo. O 'goal' marcado pelo Carcavelos não foi defendido propositadamente, pelo grupo português, com o pretexto de já passar de hora. Alguns registaram, por isso, o resultado final de 2-0.»
(Tiro e Sport)

«Os valentes e reputados jogadores que constituem esse 'team' (o Sport Lisboa), incontestavelmente o melhor, mais harmónico e o mais unido que, com elementos portugueses, se tem conseguido reunir, são: Manuel Mora, Emílio, Albano, Couto, Levy, Manuel Costa, António Rodrigues, Daniel, Cândido Rosa Rodrigues e David da Fonseca. O desafio em questão foi um dos mais belos que, no nosso País, se têm jogado. Foi uma flagrante demonstração do que podem a tenacidade, a perseverança e a energia postas ao serviço do nosso admirável temperamento, impetuoso e ardente. A vitória do Sport Lisboa não foi um facto acidental: foi consequência da activa preparação e do aturado estudo do brilhante 'team' português. Com efeito, o Sport Lisboa foi vencido no seu primeiro encontro com o mesmo clube, embora na primeira parte a vantagem fosse sua. No segundo encontro, conseguiu empatar. No terceiro, finalmente, alcançou a vitória tão longamente almejada, conquistada tão briosamente. É, pois, digno dos mais calorosos aplausos este valoroso grupo, que tão elevadamente soube representar o País no mais universal dos exercícios atléticos.»
(Os Sports)"

Alberto Miguéns, in O Benfica

Até sempre... El Mago

Despediu-se hoje do Benfica, um dos melhores jogadores do Mundo da sua geração... nas 5 épocas que representou o Benfica, nem sempre pôde dar o seu melhor, devido aos seus problemas físicos, mas tanto dentro como fora do relvado, classe, nunca lhe faltou. Merecia, pelo que fez, ter saído do Benfica, com mais títulos colectivos no curriculum, mas o pior do Futebol Tuga não o permitiu. Os do costume irão tentar recordar os maus momentos, mas os Benfiquistas e os amantes do jogo, irão recordar para sempre a marca do Aimar nos nossos relvados...
Espero que esta despedida seja somente um: até logo... O Pablo terá com certeza algumas ambições pessoais ainda a concretizar, quando finalizar a transição para a vida pós-jogador, tenho a certeza que encontrará o Benfica de portas abertas.... 

A guerra da fruta chegou a Alvalade

"Em Tavira o presidente encontrou-se com Adelino Caldeira, vice-presidente do FC Porto, e a caldeira ferveu em desconsiderações.

SEMANA de divórcios, chamemos-lhe assim. Semana de divórcios mais ou menos amigáveis, semana de revelações, consequentemente. Algumas das revelações foram, no entanto, desabridas.
José Mourinho, por exemplo, trocou o Real Madrid pelo Chelsea e assim que pousou as malas em Londres confessou só ter tido duas paixões na vida, o Chelsea, propriamente dito, e o Inter de Milão.
Do ponto de vista benfiquista, aceita-se. Mourinho passou num ápice pelo Benfica, não teve tempo para se apaixonar. O facto de ter sido no Benfica que, pela primeira vez, ascendeu ao posto de treinador principal também não foi suficiente para lhe despertar qualquer tipo de sentimento benévolo que possa apresentar em público tantos anos depois.
Já do ponto de vista portista, esta confissão de José Mourinho é bem mais difícil de digerir. Foi no FC Porto que o treinador se consagrou como especial, vencendo títulos em Portugal e no estrangeiro, dando-se a conhecer ao vasto mundo. Mas não foi paixão. Fica registado.
João Moutinho, outro exemplo, trocou o FC Porto pelo Mónaco e inspirado pela brisa do Mediterrâneo veio também, à semelhança de Mourinho, evocar sentimentos pessoais. Confessou o jogador ter sido do Benfica «em pequenino» por causa da família e, sobretudo, do pai benfiquista. «Mas depois cresci e agora sou e serei sempre do Porto». acrescentou. Do ponto de vista benfiquista, aceita-se. Por uma razão muito simples. É que, na verdade, João Moutinho não cresceu muito desde os tempos em que era pequenino e benfiquista. Basta olhar para ele, embora não lhe falte sequer um palmo para se rum excelente futebolista, talentoso e trabalhador como poucos.
Com toda a sinceridade, João Moutinho, crescer, crescer..., cresceste alguma coisa que se veja?
Não. Não cresceu.
Já do ponto de vista sportinguista estas confissões amorosas de Moutinho serão mais difíceis de suportar. Na história sentimental de Moutinho não teve cabimento nem uma palavrinha doce, nem um bilhete postal para o Sporting Clube de Portugal que lhe deu o pão e a formação com que se fez profissional da bola.
A semana das separações, dos novos rumos de vida, não se esgotou nos palcos cosmopolitas de Londres e da Côte d'Azur.
De Paços de Ferreira para o Porto seguiu Josué e do Estoril para o Porto seguiu Licá. Ambos professaram imediatamente os seus votos de castidade. São do Porto desde pequeninos e odeiam o Benfica.
Ambos fecharam os seus novos contractos nupciais e assinaram de cruz e de cara alegre a obrigatória cláusula do ódio em que se sustenta todo o seu amor.
Estes, sim! Entraram bem.

QUEM entrou mal foi o presidente do Sporting de acordo com a opinião de um vice-presidente do FC Porto. Está consumado o divórcio mais improvável do futebol português das últimas décadas.
E porquê? Por causa da fruta. Finalmente, por causa da fruta.
O recém-eleito Bruno Carvalho, nunca é demais repetir, foi o primeiro dirigente do Sporting a dizer «fruta», palavra proibida do léxico desde que as escutas do Apito Dourado passaram a ser um sucesso no Youtube.
Em Tavira, à pala da final da Taça de Portugal de andebol, o presidente do Sporting encontrou-se com Adelino Caldeira e a caldeira ferveu em desconsiderações várias. A sensacional notícia é que o presidente do Sporting não gostou do que ouviu.
Recorde-se que ainda há pouco tempo, por ocasião do Sporting-FC Porto em futebol, um ex-dirigente do Sporting pegou-se em palavras com Reinaldo Teles na tribuna VIP de Alvalade. O teor da discussão nunca foi tornado público. Terão vindo os quinhentinhos à baila? Mas não faltou um coro leonino de ofendidos com o alegado destrato aplicado ao famoso Reinaldo Teles.
Que era falta de educação, disseram. Lembram-se?
Noticiaram os jornais no dia seguinte o incidente diplomático, coisa sem expressão política de monta até porque o líder dos Super Dragões tinha sido recebido como um príncipe em Alvalade.
As relações entre Sporting e FC Porto dizem respeito aos dois emblemas mas é grande cobardia não ter opinião sobre o assunto. Há coisa de um século Lenine inventou a expressão «idiotas úteis» para categorizar os ingénuos que ardiam de entusiasmo por um movimento que era contrário aos seus interesses.
Parece que Bruno Carvalho se recusa a ser mais um idiota útil. E terá sido por isso que Adelino Caldeira, fazendo fé no que se leu nos jornais, o deixou de «mão estendida» em Tavira e lhe disse, paternalmente, «você entrou mal».
Esperem, esperem amigos, que ainda vão ouvir dizer a gente importante da fruta que Bruno de Carvalho, tal como João Moutinho, é benfiquista desde pequenino. Mas depois se perdeu...

QUEM é benfiquista desde pequenina também é a CMVM. Só assim se explica o interesse desmedido em ter notícias da renovação dos votos ou do divórcio entre o Benfica e Jorge Jesus. É que, como qualquer sócio mais enfurecido ou desesperado por notícias, andou a CMVM a semana passada a pedir esclarecimentos ao Benfica sobre o nome a pôr no contracto do novo treinador.
Isto é paixão.
No que diz respeito ao contracto do novo treinador do FC Porto, a CMVM está-se perfeitamente marimbando para o assunto. E faz muito bem. O presidente do FC Porto anunciou que é no dia 12 que divulga o nome do sucessor de Vítor Pereira pelo que o melhor é não fazer ondas. É no dia 12 e não se fala mais nisso.
Isto é razão.

COM a alegria de um ressuscitado, o presidente do FC Porto discursou na Afurada celebrando as derrotas do Benfica nos descontos que é como lhe dá «mais gozo». Pela boca morre o peixe, não é verdade? Nem foram precisas 24 horas para o Benfica ganhar nos descontos dois títulos ao FC Porto na sua própria casa.
Deus me livre de vir para aqui glorificar o título nacional de juvenis em futebol e o título europeu de seniores em hóquei em patins. Foram saborosos, justíssimos, apenas isso.
O treinador de hóquei em patins do FC Porto disse no fim de tudo: «A incerteza sobre a realização do encontro prejudicou-nos». Fez bem o Benfica em ameaçar não comparecer se as condições de segurança do recinto não fossem garantidas, tratando-se para mais de um jogo de importância internacional, superentendido por uma organização internacional.
Sendo estrangeiros na organização, mete logo outro respeito.
Fez bem em ameaçar não ir a jogo e fez melhor ainda indo a jogo e ganhando-o. Assim é que foi bonito. Também foi bonito ver o fair play dos jogadores de hóquei em patins do FC Porto que se mantiveram em campo assistindo à entrega da taça ao rival. Gostaria de poder dizer o mesmo dos jogadores de futebol do Benfica a propósito da final da Taça no Jamor.

PARA os que explicam o sucesso europeu no hóquei em patins com o facto de o árbitro do jogo ter sido um estrangeiro, recorde-se que o árbitro do jogo decisivo do campeonato de juvenis era português. Nestas coisas, mais fruta ou menos fruta, o importante é sempre marcar mais golos do que o adversário.

NÃO há muito a dizer sobre a renovação de contracto com Jorge Jesus por mais duas temporadas. Não há, aliás, nada a dizer neste momento. Para haver conclusões falta bola, faltam jogos, faltam resultados. Daqui a duas temporadas, talvez uma, já haverá muita coisa para se dizer."

Leonor Pinhão, in A Bola

Josué e Joshua

"O futebol está sempre a surpreender-nos. Desta vez por causa de um promissor jogador do Paços de Ferreira, de seu nome Josué. Outro Josué (em hebraico, Joshua) foi o sucessor do profeta Moisés e responsável por conduzir os israelitas à Terra Prometida. Este contemporâneo Josué veio de Paços, de passo em passo, para chegar à frutuosa terra desejada.
Feliz e contente, o jogador proclamou, no canal do novo clube, em jeito de sentença: «Tinha duas certezas na minha carreira: a primeira é a que um dia iria voltar ao FC Porto e outra é que nunca jogaria no Benfica.» E remata fulminante: «Sou do FC Porto e toda a gente que é deste clube não gosta do Benfica. E eu não fujo à regra.» Assim se distinguiu do colega Licá que, do Estoril, veio dizer a habitual banalidade de ser do clube contratante desde pequenino. Ora aí está, uma novidade nas contratações. Um jogador assina pressurosamente por dois clubes: pelo Porto e pelo anti-Benfica. Com o aplauso vibrante dos prosélitos e o tão sincero quanto interesseiro desejo de agradar ao chefe. Não sei se a parte do contracto anti-Benfica vem em letra gorda ou se, como nas apólices de seguros, vem em letra miudinha. Sim porque é de um seguro que se trata. Só não sei se de seguro de caução, seguro contra terceiros, seguro multirriscos ou, mais simplesmente, seguro de vida.
Imagino como deve ter sido cruel para Josué ter jogado contra o seu clube que precisava de ganhar na última jornada em Paços de Ferreira.
Josué disse que tinha duas certezas neste seu tão vibrante e elegante modo de mudar de clube. Mas, ao contrário do bíblico Joshua, não estou certo que alcance a Luz."

Bagão Félix, in A Bola

CaboPolvo !!!


(A partir do minuto 3.58)

Já não temos uma fantástica Selecção

"Continuamos a assumir como verdade indiscutível que temos uma das melhores selecções de futebol do mundo. Já tivemos, de facto, selecções de altíssima qualidade e suficientemente equilibradas para nos darem confortantes garantias de que era pelo menos razoável aquela tão generosa quanto assídua presença no top mundial no ranking da FIFA. A verdade - e é bom que todos tomemos consciência disso - é que, neste momento, Portugal estará no início de uma transição que pode vir a ser dolorosa.
Olhe-se com algum distanciamento e com sentido de objectividade para a última convocatória de Paulo Bento para um jogo decisivo com a Rússia. Abstraindo - o que nem sempre é fácil - a natureza da teimosia humana de que Paulo Bento não prescinde no momento da escolha, a verdade é que de vinte e cinco jogadores convocados, metade (para sermos simpáticos) não tem classe para estar numa selecção de topo. Seria menos mau se os que sobravam se pudessem arrumar cada um num dos onze lugares diferentes da equipa. Claro que não podemos ambicionar a tal sorte. Há lugares preenchidos por jogadores de altíssimo nível, outros de nível médio e outros ainda de nível baixo, o que torna a Selecção, em si mesma, numa equipa com limitações que só o engenho do treinador, a disciplina táctica e - mais importante de tudo - a vontade de ganhar pode ultrapassar com sucesso.
Tudo piora se pensarmos que os vinte e cinco jogadores chamados pertencem a um total de dezoito clubes, o que transforma a Selecção numa Babel futebolística (tanto mais que só estão três clubes portugueses representados) e aumenta, drasticamente, o grau de dificuldade do seleccionador nacional. Ganhar à Rússia será fundamental, mas deixou de ser uma obrigação."

Vítor Serpa, in A Bola

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Ressaca vitoriosa !!!

Benfica 10 - 4 Sporting

Início perro, com um Sporting a dar tudo (mas a caminho da 2.ª Divisão!!!)... já na 2.ª parte, a diferença de qualidade acabou por se traduzir naturalmente no marcador. Com o Zorro especialmente inspirado - com 5 golos -, e ainda lhe anularam - mal - outro !!!
Agora, é concentrar todas as forças na Taça de Portugal - ainda temos o jogo em Vale de Cambra no próximo sábado para o Campeonato -, o jogo em Valongo não vai ser nada fácil...

Este jogo, foi o último da época na Luz, devido à indefinição no plantel para a próxima época, e a todas as notícias postas a circular, não existe certeza - pública - de nada, mas este jogo soube a despedida, principalmente para o Mister e para o Viana...
Deixo o aviso: não será nada fácil substituir os dois, venha quem vier. O mediatismo, a exigência, e a critica interna é algo pouco comum em qualquer equipa de Hóquei a nível Mundial, não haverá muitos treinadores competentes, e com essa capacidade no mercado. Em relação ao Zorro, espero que não seja cometido um grande erro: goleadores são uma raça rara...

PS: Uma nota sobre o adversário: parece que o hábito de se atirarem para a piscina é transversal a várias modalidades!!!