Últimas indefectivações

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Ao pé-coxinho

"A Liga de basquetebol começou coxa. A má imagem deixada no último sábado, com dois jogos adiados no campeonato. pode prolongar-se e ganhar outros contornos, caso não haja acordo e garantias da parte da Associação Nacional de Juízes de Basquetebol (ANJB) em relação aos prémios em atraso e outras questões que precisam de ser definidas. Numa leitura muito rápida, a primeira ilação a retirar é que se a situação continuar, no fim de semana a federação volta a organizar uma jornada com o credo na boca. Daí a solução avançada por Domingos Almeida Lima, vice-presidente do Benfica. que defendeu a interrupção do campeonato enquanto não houver acordo. E no sábado haverá um Benfica-FC Porto, que promete. Qualquer falha na arbitragem significa o rastilho para agravar a polémica.
A federação tardou a resolver o problema e os juízes não cederam a pressões, mesmo que a entidade federativa tenha garantido o pagamento das verbas em atraso. Quem saiu prejudicado foram os clubes e, de facto, não faz nenhum sentido um treinador ter de programar a semana de treinos em função de um adversário, com a observação de vídeos e de jogadas específicas, e depois não haver jogo, com a agravante de as equipas terem gasto dinheiro nas suas deslocações.
Decididamente, o basquetebol entrou numa nova era. E nesta fase era importante pensar nas repercussões causadas, seja em termos de patrocinadores, seja na valorização da modalidade. Os juízes devem ter a sua independência, mas, ao mesmo tempo, acautelar os prejuízos e as consequências. Caso contrário teriam tanto poder como nos tribunais: o juiz decide, está decidido..."

Ajuste de contas

"Fazia eu zapping fugindo de telenovelas e programas de futebol que alguns designam de desportivos, quando me aparece o presidente de um importante clube. A curiosidade matou o gato e fiquei a assistir durante um bocado. Um pouco mais de uma hora que é, para mim, extraordinário recorde. Santo Deus, como era possível?! Vi o que me pareceu um verdadeiro ajuste de contas em que se envolveram um dos participantes que julgo pertencer ao painel de residentes, mas que eu desconhecia por completo dado não ser seguidor destes debates (?) e o presidente. O primeiro vinha bem munido de documentos que serviriam de artilharia para o combate e o segundo, que antecipara o cenário da batalha, a dado momento contra-atacou com outros documentos. Não se pode ter expectativas de que aqui sejam tratadas as questões verdadeiramente relevantes do ponto de vista desportivo, mas a certa altura já nem dos fait-divers do futebol se falava. Eram aspectos das vidas pessoais que se arremessavam.
Sem qualquer simpatia clubista neste contexto, é-me, à partida, totalmente indiferente qual o clube que ganha o campeonato, ainda que no seu desenrolar possa ir simpatizando mais com uma equipa, quer por razões desportivas, quer porque algum amigo ou ex-aluno lhe esteja associado. Orgulho-me de pertencer a uma família de desportistas prestigiados que serviram verdadeiramente Portugal e que, em mais de cem anos, fundaram dois clubes agora clássicos em Lisboa e no País. Transmitiram-me valores que tento honrar. Ensinaram-me a distinguir desporto de fanatismo.
Em vez de derramar lágrimas de crocodilo por vítimas de incidentes violentos em espectáculos desportivos, seria bom reflectir no modo como o tipo de confrontos facciosos em programas de adeptos nas televisões influenciam as atitudes do adepto comum, vulgarmente com menor nível cultural. Discussões baseadas em visões enviesadas pela paixão irracional exacerbam sentimentos no contexto desportivo e do país que são socialmente incendiários."

Sidónio Serpa, in A Bola

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Escândalo na Damaia !!!


Praticamente uma semana após a palhaçada, praticamente todos os programas desportivos de debate televisivo, continuam a remoer o mesmo tema!!! Nada de novo... Chegaram mesmo a repetir programas gravados!!! 
Aquilo que eu acho estranho (ou não), é que ninguém tenha tido a paciência, ou profissionalismo, para ir comprar o Pack Premium Eusébio, e ler o que está lá escrito: aquilo que foi 'mostrado' no programa pelo Atrasado Mental, refere-se a UM convite, válido para QUATRO pessoas, que só pode ser usado UMA vez, onde o detentor do convite pode optar entre dois espaços: Museu Cosme Damião OU Museu da Cerveja!!!
Não existe nenhuma referência a refeições. ZERO.
Talvez por ignorância, não sabem que o Museu da Cerveja, além de restaurante, tem, como o nome indica, UM Museu, e que para lá entrar, paga-se €3,50 sendo que no final da visita se tem direito a UMA cerveja. É este o espaço, que está incluído no Pack, que custa cerca de €60 aos não sócios.
Aliás nem fazia sentido, o detentor do Pack ter que optar entre um Museu e um Restaurante. Faz todo o sentido as duas opções, serem espaços museológicos.
Se o Benfica oferece extra-Pack, voucher's de refeição, não sei, mas até agora ninguém os mostrou... e se realmente aquela história da entrega anónima fosse verdade, então os voucher's refeição, também deveriam estar incluídos!!!
Sendo que, no Restaurante Museu da Cerveja, existe uma modalidade de Buffet, que não ultrapassa os preços 'normais' de refeição (no máximo €35), portanto dentro do tal limite, recomendado pela UEFA. Aliás, o pormaior do Badocha ter-se 'enganado' nas contas (insinuou que o Benfica gastaria €250.000 por ano em prendas, quando de facto o valor é inferior a €10.000 e isto inclui a equipa B) e o facto de ter falado em 1/4 de Milhão de Euros, em vez de €250.000, prova que houve uma clara intenção de exagerar, mentir, difamar, enfim manipular a informação...
Além de tudo isto, ainda existe o facto, de nenhum árbitro se ter sentido aliciado (aliás nem usaram os tais voucher's... Se de facto os árbitros pensaram mesmo que o Convite era para uma refeição, então se chegassem ao Museu da Cerveja riam ter uma valente desilusão, afinal só tinham direito a uma cerveja... Isso até podia levar o Benfica, a ser ainda mais roubado!!!), pois para existir corrupção, tem que existir a solicitação de qualquer favor, algo que manifestamente nunca existiu... Se tivesse existido, teriam sido os próprios árbitros ou delegados a denunciar, algo que não se passou...
Para cumulo, depois de espremer toda a conversa da treta, ficamos a saber que o Benfica faz uma oferta de €60, e é um escândalo; e o Sporting e outros Clubes, oferecem camisolas oficiais, da actual época, de valor igual ou superior a €75, e é tudo normal...!!! A isto chama-se má-fé na analise...

Também considero ridículo, aqueles que discordando da forma e do conteúdo, compreendem a 'estratégia' do mitómano. Além da questão da segurança nos Estádios, e afins... estamos a falar de uma estratégia asquerosa, para desviar as atenções de todos os casos internos dos Lagartos (Carrilo, Doyen, Auditorias, Queixas contra ex-Presidentes e sócios por comentários nas redes sociais, Leaks, Mentiras nos discursos internos...).
Independentemente das cores clubisticas, este tipo de gentalha, devia ser irradiada do Futebol...

Concordo com o silêncio do Benfica, desde que a Direcção esteja a preparar, uma acção por difamação e calúnia contra o Presidente do Pátio das Cantigas (parece que a queixa até já entrou no MP!!!). Num cenário destes, quanto mais Internacional se tornar este caso, maior será a factura que o Mitómano irá pagar... se pagar, porque o homem não paga a ninguém... talvez tenha mesmo que emigrar para a Sibéria!!!

Um indesejado retrocesso civilizacional

"Enquanto a indústria do futebol em Portugal for um espaço de agressão e confronto, não haverá condições para o crescimento

O aumento da escalada bélica no futebol português representa um indesejado retrocesso civilizacional, que atrasará o crescimento da indústria e não deixará de penalizar todos os seus agentes. O que está a acontecer no nosso país seria impensável em sociedades em que o negócio do desporto é acarinhado - e por isso frutifica - subordinado a parâmetros bem definidos e que passam pelo primado do respeito. Os melhores sistemas europeus - Inglaterra e Alemanha - ou o exemplar funcionamento de todas as modalidades profissionais nos Estados Unidos, deviam ser suficientemente fortes para inspirar os dirigentes dos clubes no sentido de não matarem a galinha dos ovos de ouro, transformando uma actividade lúdica e de lazer na III Guerra Mundial. Esta falta de perspectiva não deixará de provocar danos graves na indústria, acabando por, inapelavelmente, virar-se contra os prevaricadores. É lamentável que se sinta que, depois de alguns tempos de acalmia, a crispação tenha regressado com uma inusitada força, arregimentando, com argumentos básicos, as franjas mais vulneráveis das massas adeptas. Lamentavelmente, ao contrário do que acontece noutras paragens, a Liga não mexe um dedo para proteger a indústria, paralisada pela teia de interesses de que faz parte. Não há sequer a vontade de fazer prova de vida, avançando com uma qualquer intervenção pedagógica...
A indústria do futebol não prosperará com debates incendiários, acusações soezes, peixeiradas públicas ou tochas voadoras das claques. O sucesso deste negócio terá de ser construído com base no bom senso, na educação e no bom exemplo, de forma a transformar os estádios em espaços de alegria, emoção e segurança. Não perceber isto, promovendo o contrário, é um crime que não deve ficar sem castigo. Porque - e isso está à vista de todos especialmente nos jogos da Selecção Nacional - há no nosso País um público familiar que quer ir ao futebol para apoiar a sua equipa e divertir-se, sem que, para isso, tenha de correr riscos de agressão física ou verbal. É com esses que é possível construir um futuro melhor. O futebol português será aquilo que os dirigentes dele quiserem fazer. E, por isso, devem ter a possibilidade de exigir comportamentos individuais que não provoquem danos colectivos.

Muita água vai correr debaixo das pontes...
«Apelo aos benfiquistas que ignorem o ruído, que não beneficia ninguém»
Luís Filipe Vieira, Presidente do Benfica
O ataque de Bruno de Carvalho ao Benfica vai deixar marcas no desporto português. Depois do que foi dito pelo presidente do Sporting, nada será como dantes nas relações institucionais entre os dois clubes rivais, pelo menos enquanto as atuais gerências estiverem em funções. O Benfica prefere, para já, não alimentar a polémica mas promete não esquecer. Uma rotura irreversível.

ÁS
Fernando Santos
Pegou numa Selecção Nacional deprimida (além da derrota caseira com a Albânia, os problemas do Mundial do Brasil estavam por resolver), recuperou activos que estavam ostracizados e soube criar uma equipa que carimbou, sem recurso a calculadora, um lugar na fase final do Europeu de 2016. Uma questão de competência.

ÁS
Fernando Gomes
Ao sucesso desportivo, tanto na Selecção A como nas equipas mais jovens, os consulados de Fernando Gomes têm sabido juntar projecção nos aeropagos internacionais e uma segurança financeira só superada pela requalificação de património, de que a Cidade do Futebol é o expoente máximo. Nota máxima.

ÁS
João Moutinho
Foi a chave para o recorde nacional de Fernando Santos (sete jogos oficiais consecutivos a ganhar) ao apontar dois golos (Dinamarca e Sérvia), ambos com cortes de pé direito, de execução perfeita. Uma peça essencial para a turma das quinas, assim consiga manter, na sua etapa monegasca, a regularidade física.

Brasileiros não perdoam Messi
As dificuldades de Messi com a justiça espanhola não passaram ao lado da imprensa brasileira e o jornal 'Meia Hora' levantou a hipótese de Leo Messi se juntar, como presidiário, a Bruno, ex-'goleiro' do Flamengo, que cumpre pena pelo assassínio da noiva. A rivalidade entre Brasil e Argentina não conhece limites ou... tréguas.

Festa é festa
À medida que vão sendo conhecidas as selecções finalistas do Campeonato da Europa de 2016, sucedem-se as celebrações, umas com sabor a 'déjà vu', outras com o esplendor das coisas raras. Nas principais páginas dos jornais de Espanha ('ÁS') ou Itália ('Gazzetta') a normalidade é a regra, ao invés do que sucede na Irlanda do Norte ('Belfast Telegraph'), em Gales ('Wales on Sunday') ou na Noruega ('VG'), onde a festa não conhece limites. E há ainda a Turquia ('Fanatik') que celebrou a vitória em Praga com pompa e circunstância, para desgosto da Holanda, quase fora..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Brunoleaks

"1. No dia desta infeliz República, que nem o Presidente da dita faz questão em assinalar, encontravam-se Cavaco Silva e o povo em profunda reflexão sobre os resultados eleitorais da véspera quando, num dos conhecidos programas trauliteiros de “comentário” de futebol (?), um presidente de um conselho de administração de uma sociedade comercial desportiva lançou uma bomba de fragmentação. Entre as inúmeras irradiações da mesma, ficou bem firmada uma insinuação: uma outra sociedade desportiva anda a “comprar” a actuação dos agentes de arbitragem. Toda esta informação chegou-lhe – qual recém-nascido repelido pela maternidade – de forma anónima. As considerações que se seguem não têm por base o visionamento directo desse espaço de salutar convívio televisivo, mas antes aquilo que foi o reflexo noticioso e ainda o que vários alunos me foram transmitindo. Analisemos o sucedido por momentos.
2. 1.º momento: em Julho passado escrevemos aqui um texto intitulado “Que futebol em Setembro?”. Ideia geral: “há uma vontade férrea de três clubes serem campeões nacionais de futebol. Este panorama vai gerar, estou quase certo do que afirmo, uma época desportiva muito conflituosa. Esta época não só o Verão vai ser especialmente quente no futebol. As temperaturas permanecerão bem elevadas até Maio de 2016. Caro leitor, cuidado redobrado com o sol”.
3. 2.º momento: discordo totalmente das ofertas de cortesia, simbólicas, ou lá o que queiram chamar, a que os clubes procedem junto dos agentes de arbitragem. É como se o leitor, em vias de ser “policiado”, começasse por endereçar ao agente de autoridade uma pastilha elástica, um cigarro ou um café e uma aguinha. O mesmo se diga com refeições pagas, “tipo” almoços grátis.
4. 3.º momento: certo é que, e já não interessa a minha opinião – se é que alguma vez interessa –, os usos do futebol a nível universal, europeu e nacional, vivem bem com isso e a questão resume-se apenas ao valor que está em causa. Há limites para essas ofertas de cortesia e de “bem receber”.
5. 4.º momento: como deve proceder um agente desportivo que tem em seu poder elementos que levam a perspectivar o cometimento de uma infracção disciplinar muito grave? Como Julian Assange – depois pedindo asilo numa embaixada – ou, ao invés, remeter esses dados para as entidades competentes (LPFP e Ministério Público?) para que estas procedam às devidas averiguações?
6. 5.º momento: a verdade é que, actuando serenamente, esse agente desportivo, ele próprio sujeito, como todos, à disciplina da organização onde participa, não vai receber nem um décimo do impacto comunicacional que recebeu e continuará a receber.
7. 6.º momento: em comunicado oficial da LPFP do dia 21 de Setembro, conheceu-se o destino final de um processo de inquérito que teve por origem declarações do mesmo agente desportivo (publicadas no facebook). Tais declarações apontavam para uma proposta de aliança feita por um dirigente de outro clube para alternar as vitórias no campeonato. Ora, isto poderia significar o conhecimento, por parte do declarante, de quaisquer procedimentos ilícitos de condicionamento ou viciação de resultados. Ouvido o declarante, este afirmou: "Não quis dizer que o Presidente do Benfica lhe estava a propor participar em práticas de corrupção, porque não sabe, não está na cabeça dele (...) " (sic). O declarante disse ainda que "no dia em que tiver mais provas, será o primeiro a entregá-las" (sic).
8. 7.º momento: o processo foi arquivado e o Comunicado Oficial nº 88-15/16 encontra-se disponível, na íntegra, na página da LPFP. Não é, pois, qualquer coisa leaks."


PS: Dentro do mesmo género de polémicas anti-Benfica, aconselho vivamente a resposta do Alberto Miguéns, a mais um daqueles post's cheios de mentiras, meias-mentiras, inverdades... típicas dos que gostam de marrar no vermelho!

domingo, 11 de outubro de 2015

Vitória, depois da folga forçada !!!

Maia 50 - 64 Benfica
10-16, 12-14, 17-17, 11-17

Sem o Gentry, mas com o regresso do Ferreirinho ao banco, vencemos na Maia, com o Cláudio em grande!!!

Temos que melhorar...

Juventude de Viana 3 - 6 Benfica

Os jogos em Viana do Castelo são sempre difíceis, este não foi excepção. A Juventude tem vários jogadores, que já passaram pelos principais plantéis, e em casa criam sempre dificuldades. Ainda a semana passada venderam cara a derrota em Oliveira de Azemeis, contra a nova-super-equipa!!!

O jogo começou muito disputado a meio-campo com poucas oportunidades, ao intervalo estávamos a vencer por 0-1, mas o jogo estava perigoso... o 0-2 do Torra deixou-se mais descansado, é verdade que a Juventude reduziu mais pouco depois, os golos começaram a 'cair'!!!
Continuamos falhar as 'bolas paradas'; interessante a forma como os apitadeiros apressaram a 10.ª falta do Benfica!!!

Ainda estamos longe do nosso potencial, a adaptação do Torra e do Ardoher ainda não está finalizada, apesar do Torra parecer mais à vontade. A opção pelo Tiago Rafael no cinco inicial, compreende-se tendo em consideração a saída do Tuco...

O percurso vai ser longo, temos que melhorar... mas não podemos demorar muito, o próximo na Luz, será a oportunidade para rectificar a derrota da Supertaça.

Uma nota final, para mais uma vez, os funcionários da BolaTV terem demonstrado um anti-Benfiquismo militante. E tenho a certeza de uma coisa: não eram adeptos do Juventude de Viana...

Cortesia e afins

"As entidades jurisdicionais desportivas vão ser chamadas a pronunciar-se sobre "corrupção da equipa de arbitragem ou terceiros" a propósito da denúncia feita pelo presidente do Sporting relativamente às ofertas do Benfica, aquando dos seus jogos como visitado, a árbitros, delegados da Liga e observadores. Aplicando-se o Regulamento Disciplinar da Liga, rege, para os clubes, o artigo 62.°, seja para a corrupção consumada (com a solicitação de uma "actuação parcial e atentatória do desenvolvimento regular" dos jogos), seja para a corrupção tentada. Regulação essa que, antes de tudo o mais, exclui a factualidade típica da infracção sempre que se conclua estarmos perante "ofertas de objectos meramente simbólicos".
Na época desportiva 2007/08 tais condutas foram crismadas de "ofertas de mera cortesia" pela jurisprudência da Comissão Disciplinar da Liga. Nesse âmbito, em resultado da interpretação sobre o ilícito da corrupção desportiva sobre árbitros feito nos processos de inquérito e disciplinares do 'Apito Final', houve inclusivamente um processo arquivado justamente com base na existência de "oferta de cortesia" em jogos disputados no Estádio da Luz. Foi nesse processo que se (con)firmou que a "oferta de cortesia" é aquela que corresponde a uma "praxe social desportiva, de carácter generalizado e indiferenciado", traduzida na prática habitual de uma entrega de recordações por parte de um clube aos árbitros (e outros agentes) que intervêm nas suas partidas. sem indícios de solicitação de actuação parcial na competição.
Tal ilícito disciplinar (e sua exclusão) deverá ser ainda compreendido no contexto da infracção de "corrupção passiva" dos árbitros, observadores e delegados da Liga, que pune (com suspensão de 2 a 10 anos) a solicitação ou aceitação, em geral, de "quaisquer ofertas susceptíveis, pela sua natureza ou valor, de pôr em causa a credibilidade das funções que exercem". Ou seja, ofertas que sejam susceptíveis de colocar em causa a sua autonomia de julgamento e acção e, por via reflexa, a sua dignidade como árbitro e a credibilidade da própria competição. Também este ilícito deverá ser agora esclarecido para todos os agentes que aceitaram a alegada oferta.
Reacendida a questão tantos anos depois, está na hora de os regulamentos de arbitragem e de disciplina disporem em definitivo sobre a natureza e os limites das "ofertas de cortesia". Enquanto isso não se faz, têm agora a palavra o Conselho de Disciplina da FPF e o nosso recente Tribunal Arbitral do Desporto."

Oferta de cortesia ou corrupção

"1. Tomou honras de actor principal as ofertas que um clube - todos os clubes? - endereça a agentes de arbitragem aquando da realização de jogos na qualidade de visitado. Vejamos - entretantos segmentos a analisar - somente, e para efeitos informativos, as normas com que lidamos. Simplificando, a questão essencial é a de saber se a prática constitui ou não um acto corruptivo por parte do clube.
2. O clube que através da oferta de presentes, empréstimos, promessas de recompensa, ou de qualquer outra vantagem patrimonial para qualquer elemento da equipa de arbitragem, directa ou indirectamente, solicitar a esses agentes, expressa ou tacitamente, uma actuação parcial e atentatóría do desenvolvimento regular de jogos integrados nas competições desportivas, em especial como fim de os jogos decorrerem em condições anormais, alterar ou falsear o resultado de jogos ou ser falseado o boletim de jogos, será punido com a sanção de descida de divisão (artigo 62°, n.º 1, do RD da LPFP). Por outro lado, não cabem nesta previsão as simples ofertas de objectos meramente simbólicos (nº 5).
3. A UEFA nas suas «condições gerais» do exercício da arbitragem, apresenta narrativa semelhante, chegando a quantificar o valor: € 300.
4. Todavia, além da questão do valor, a corrupção ou tentativa de corrupção só se verifica se os outros segmentos do tipo se verificarem. Isto é, não basta a oferta mas que ocorra (e se prove) que o clube solicitou ao árbitro actuação parcial e atentatória do desenvolvimento regular de jogo e este tenha decorrido em condições anormais, o resultado tenha sido alterado ou falseado, ou ter sido falseado o boletim do jogo."

José Manuel Meirim, in A Bola

Bernardo Silva é um caso de estudo

"Os 15 milhões de euros que o Mónaco pagou ao Benfica por Bernardo Silva pareciam uma loucura, há uns meses, mas a cada dia que passa vai ganhando força a ideia de que, afinal, o esquerdino acabará, por valer até bastante mais. É um caso raro, de facto: uma jovem promessa sem tempo (nem oportunidade) para se impor na primeira equipa deixa o seu país pela porta pequena e um ano depois é titular na Selecção Nacional sem qualquer favor. A vida de Bernardo Silva nestes primeiros tempos em França tem sido um conto de fadas: foi o melhor marcador (!) do Mónaco no campeonato 2014/15; foi eleito o jogador-revelação na Ligue 1 e chegou aos quartos-de-final da Liga dos Campeões. Para quem apenas tinha no currículo o segundo escalão do futebol português (Benfica B) e uma dúzia de presenças na Selecção de Sub-21, o que Bernardo está a fazer é uma coisa nunca vista. O futuro é dele.
A formação das águias tornou-se há muito tempo uma paixão para Luís Filipe Vieira. Por circunstâncias várias, André Gomes, João Cancelo ou Ivan Cavaleiro foram outros jogadores a saltar do Seixal para o estrangeiro, tal como Bernardo Silva. Mas a academia não se esgota aqui e há mais promessas a confirmar o que Vieira vinha anunciando - com evidente benefício para as Selecções Nacionais. Nélson Semedo, Guedes e Nuno Santos são outros três exemplos da qualidade, do trabalho das águias nesta área.
De um momento para o outro, o futebol do Benfica rejuvenesce, a massa salarial baixa drasticamente e a equipa, até ver mantém-se competitiva - também porque, como assume Mitroglou, Rui Vitória tem sido competente."

Benfica até...

sábado, 10 de outubro de 2015

Sustos !!!

Benfica 3 - 1 Vilacondense
25-11, 19-25, 25-22, 25-12

O ano passado, com a excepção da Fonte do Bastardo, praticamente não perdemos Set's (acho mesmo que não perdemos um único Set, mas não posso confirmar...), este ano, estivemos muito perto de perder um ponto, logo na 1.ª jornada!!!
Houve demérito nosso, mas o 2.º Set foi daquelas situações onde saiu tudo bem ao Vilacondense, e tudo mal ao Benfica...
No 3.º Set foi diferente, estava tudo a correr normalmente, estávamos a vencer 16-8, quando após o tempo técnico, permitimos um parcial de 1-12 !!! Não sei se o João Oliveira está disponível, sei que o Roberto ainda não está a 100%, mas este parcial foi feito essencialmente com Serviços para cima do André Lopes, achei estranho a apatia do Professor... A perder por 17-20, lá conseguimos dar a volta, com algumas jogadas de 'Futebol'!!!
O 4.º Set foi um passeio, tal como tinha ser o 1.º!!!

Gostei de ver o Kolev, que não tinha sido utilizado anteriormente; o Mart ganhou vários pontos do Bloco... mas nota-se a falta de mais uma opção para o Centro, o Duff só chega no final de Outubro; o Gaspar voltou a ser o salvador; o Gelenski entrou sempre bem; em épocas anteriores, quando tínhamos problemas na Recepção, havia sempre o Magalhães para fazer a rotação defensiva, do nosso pior jogador na Recepção, quem vai fazer esse papel este ano?!

Complicado

Boavista 3 - 7 Benfica

Resultado mentiroso, num jogo muito difícil. Entrámos mal, praticamente a perder, com o Boavista a aproveitar praticamente a 100% os nossos erros individuais!!! Sempre a perder, após a expulsão do Henmi, conseguimos aguentar a desvantagem mínima até ao intervalo... Só não foi pior, porque continuamos a ter uma enorme eficácia nas 'bolas paradas'!
Na 2.ª parte tudo foi diferente, tivemos mais concentrados defensivamente, o adversário também começou a quebrar fisicamente, e os golos foram aparecendo naturalmente...
Já agora, os dois penalty's que beneficiámos, são clarissimos.

A gestão entre os compromissos Europeus (ou Selecções) e os jogos do Campeonato, nem sempre é fácil, e muitas vezes nem é a questão física, é a questão mental. Hoje, tivemos um Benfica desconcentrado no inicio da partida, algo muito raro com o Joel no banco...
Notou-se também a ausência do Chaguinha (problema muscular), mas com a nova expulsão de um 'não local' fica provado, que a opção de ter mais um 'estrangeiro' foi uma boa opção!

Mais um festival de azia - gigante - no canal público de televisão... Inacreditável como nada muda, o Benfica é tratado como fosse um estrangeiro, por gente que é paga com o dinheiro dos contribuintes.

PS1: Mais um episódio típico do Tugão desta vez na bola ao cesto!!! O jogo 1.ª jornada da Liga de Basket, Benfica-Guimarães não se realizou, por falta de árbitros!!! Em protesto, supostamente com dinheiros atrasados...  A FPB continua a demonstrar extrema 'competência'!!!

PS2: Só costumo acompanhar os nossos Juniores de Futebol na Fase Final, mas com os maus resultados das últimas jornadas, tenho que elogiar a forma como hoje os putos conseguiram a vitória, nos últimos minutos, acabando por vencer a Académica no Seixal, por 3-2. Com muitos Juniores na equipa B, temos um plantel com alguns Juvenis, e muitos Juniores de primeiro ano, acaba por ser normal estas dificuldades... O mais importante é a qualificação para a Fase Final (os quatro primeiros), depois logo se verá...

PS3: O Museu Cosme Damião, anunciou ter chegado ao bonito numero de 150.000 visitantes, com 2 anos e alguns meses desde da inauguração. Sinceramente, acho pouco...

Um colégio na Suíça

"Enquanto o Benfica demora eternidades a negociar o prolongamento do seu vínculo contratual com o indispensável Júlio César, o Sporting conseguiu em menos de uma semana resolver as injustiças de algumas situações internas duplicando o ordenado do seu presidente e triplicando o ordenado do seu lateral-esquerdo Jefferson. Também Teo Gutiérrez está na calha para lhe ser, no mínimo, triplicado o vencimento, tendo em conta as celebrações nas redes sociais oficiais suscitadas pela sua entrada feroz sobre André Carrillo no decorrer do jogo entre a Colômbia e o Peru a meio da semana.
Trinta e dois anos depois, a selecção portuguesa vai voltar a França para disputar a fase final de um Campeonato da Europa. As memórias de 1984 estão carimbadas pelo génio absoluto de Fernando Chalana. Veremos quem entre os nossos jogadores do presente se atreverá a marcar o torneio de 2016 com a distinção do seu talento. Candidatos, há uns poucos, Chalanas é que já não há mais.
Para Bruno de Carvalho poder vir a exercer na idade adulta, com modos básicos e maneiras elementares, o cargo de presidente de qualquer Junta, Fundação, agremiação social ou até desportiva - e nem refiro especificamente o Sporting - teria sido imprescindível que, logo na sua mais tenra idade, os previdentes serviços de assistência do Estado não tivessem hesitado em mandá-lo a educar num colégio na Suíça. E, mesmo assim, há dúvidas se não seria grande o desperdício do bom zelo helvético neste caso particular e tão desesperado.
Ainda a propósito da Suíça do esmero educativo e dos relógios de cuco, note-se que duas poderosas organizações sediadas naquele país viram os seus presidentes afastados de todas as funções por suspeitas de desvios de milhões em proveito próprio. O Comité de Ética da FIFA, composto por uns quantos velhotes educados com esmero em colégios suíços, decidiu suspender Joseph Blatter e Michel Platini das presidências da FIFA e da UEFA enquanto prosseguir o inquérito policial às alegadas actividades criminosas destes dois dirigentes que, entre outras disparidades no consumo, decretaram um limite máximo de 200 francos suíços para o valor dos 'souvenirs' atribuíveis pelos clubes de futebol do Mundo inteiro aos árbitros que os visitam. Para Blatter e Platini, o limite era o quase tudo. Para os árbitros, quase nada. Depois dá nisto."

«E o essencial é estarmos preocupados apenas connosco, apenas com o Benfica!»

"Quero começar por manifestar a minha satisfação por estar aqui, por continuar a testemunhar a profunda renovação e a dinâmica que estamos a conseguir implementar nas nossas Casas espalhadas por todo o País.
É um sinal da nossa vitalidade, mas é ao mesmo tempo o melhor indicador do nosso inconformismo.
É sinal da nossa dinâmica, mas é também a melhor prova de que, quando trabalhamos juntos, as coisas acontecem mais depressa.
Nunca esqueço – porque foi aí que muitas vezes procurei forças – que uma das minhas principais preocupações foi sempre a de devolver o Clube aos Sócios, aos adeptos, porque é aí que reside a verdadeira força do Sport Lisboa e Benfica.
Podemos cair na tentação de pensar que a força do Clube está no seu património físico ou, até, na sua história.
Tudo isso é seguramente muito importante, mas a verdadeira força do Benfica são os Sócios.
Foi por eles que conseguimos chegar até aqui!
As Casas do Benfica são uma garantia de defesa e promoção do Clube, fazem parte do património humano e da marca Benfica. E isso está bem patente nesta sala!
Este foi o espírito que nos trouxe até aqui e é o espírito que eu quero que se mantenha: Todos juntos, todos unidos em torno de um projecto comum que é o Benfica!
O Benfica tem sido impulsionado pela nossa capacidade, pelo nosso inconformismo, mas acima de tudo pela enorme vontade e determinação com que temos conseguido transformar sonhos em realidade.
E se hoje temos futuro é porque soubemos merecer o nosso presente e, acima de tudo, porque conseguimos – juntos – corrigir erros do passado.
Se um Clube como o Benfica consegue fazer tanta diferença na vida de tanta gente, é precisamente porque é um Clube que gera um entusiasmo verdadeiramente diferenciador.
A energia que os seus Sócios e adeptos nos conseguem transmitir, esse é o nosso principal património e algo que nunca podemos perder.
É claro que esta energia tem de ser alimentada, trabalhada, acarinhada, e é por isso que aqui quero deixar, na pessoa do presidente da Casa do Benfica em Castelo Branco, Pedro Lopes, uma palavra de reconhecimento a todos os que contribuíram para pôr de pé este projecto.
Já ontem [sexta-feira] falei, na Casa de Algueirão-Mem Martins, do nosso projecto desportivo, e hoje [sábado], na Guarda, da necessidade de continuarmos a crescer em número de Sócios.
Aqui, em Castelo Branco, quero deixar uma mensagem de optimismo e um apelo de apoio incondicional dos Benfiquistas a todas as nossas equipas. Desde o Futebol profissional até às modalidades!
É que acima deste ou daquele resultado está sempre o futuro do Benfica. Nunca se esqueçam disso!
Eu tenho essa responsabilidade sempre bem presente.
Durante anos, passámos por momentos que puseram à prova o valor das nossas convicções e a força da nossa união.
Conseguimos chegar até aqui porque acreditámos que era possível, porque decidimos avançar sem medo, porque conseguimos transformar os problemas em oportunidades.
É este o espírito que nos motiva e nos move. É esta a nossa força e aquilo que faz que, mais do que nunca, eu esteja esperançado no futuro.
Apesar das dificuldades que sei que irão surgir, não podemos baixar os braços, porque foi por isso que conseguimos chegar aqui.
Por mais que nos queiram desviar deste caminho, devemos ter a força e a convicção de ignorar as provocações, de nos mantermos concentrados no essencial.
E o essencial é estarmos preocupados apenas connosco, apenas com o Benfica!
Obrigado a todos, e viva o Benfica!"

«E a nossa reputação e bom-nome estão bem acima de qualquer insinuação, venha ela de onde vier.»

"Aqueles que sabem o esforço que sempre dediquei e a importância que sempre reconheci às Casas do Benfica imaginam a satisfação de poder estar aqui hoje.
A minha primeira palavra é, por isso, de reconhecimento para todos os que trabalharam e dedicaram o melhor do seu esforço para levar por diante este projecto.
Geralmente, em organizações com a dimensão do Benfica, com o passar do tempo, as pessoas acomodam-se, conformam-se com aquilo que em determinado momento conseguiram alcançar.
A verdade é que, no Benfica, nestes 14 anos, isso nunca aconteceu, e este foi o segredo para termos chegado até aqui.
Ninguém no Benfica se acomodou, todos nos mantivemos atentos a novas soluções e a novas formas de fazer evoluir as Casas do Benfica.
Lembrar-me do que encontrei no Benfica quando cá cheguei é a ferramenta mais importante que tenho e o maior estímulo que encontro diariamente para continuar a fazer coisas novas, para continuar a inovar, para continuar a fazer crescer o Benfica.
A nossa responsabilidade passa por acreditar sempre que podemos fazer mais e fazer melhor.
E é este pensamento que orienta todos aqueles que trabalham no Clube.
As Casas sempre foram para mim um pilar fundamental do Benfica e do seu crescimento, mas a essência de que vive o Clube são os seus Sócios.
Os Sócios são a nossa maior força, a força que mexe e faz crescer o Clube. Sem eles, nada disto faria sentido. Os Sócios do Benfica sempre souberam reagir perante as dificuldades, sempre souberam contrariar o pessimismo e sempre se bateram por garantir o futuro do Clube.
Juntos soubemos superar momentos muito difíceis, e se hoje vivemos uma época de grande estabilidade institucional e um justo reconhecimento internacional, é porque tivemos uma base de Sócios que sempre esteve presente nos momentos mais difíceis do Clube.
Se olharmos para os últimos 14 anos e pensarmos no que fizemos – todos nós – devemos sentir um tremendo orgulho no caminho percorrido. O Estádio, o Caixa Futebol Campus, a Benfica TV, o Museu Cosme Damião, tudo isto foi fruto do trabalho de todos!
Estamos – como sabem – num ciclo que continua a ser exigente do ponto de vista económico, que nos vai obrigar a um enorme esforço em que todos devem sentir-se envolvidos.
Quando olhamos à nossa volta vemos uma conjuntura difícil e em que a maioria dos grandes clubes de futebol já não pertence aos seus Sócios.
Comigo, como presidente do SL Benfica, e como sempre tenho repetido, isso não vai acontecer.
Os Sócios são e serão os donos do Clube.
Mas, para que isto nunca se perca, é fundamental – e este é o meu apelo – que a base de Sócios seja cada vez maior.
Como todos sabem, fizemos neste ano uma renumeração.
Temos nesta altura 160 mil sócios.
Em 2005, o Benfica tinha 95 mil. Crescemos e consolidámos nesta década mais de 50%.
Foi uma década terrível do ponto de vista económico, em que as pessoas foram sujeitas a grandes sacrifícios, e isso deve ser lembrado.
O nosso desafio, a partir de agora, é rapidamente voltar a ultrapassar a fasquia dos 200 mil sócios e continuar a crescer de forma sustentada.
- Por cada novo Sócio, seremos mais fortes!
- Por cada Sócio com quotas em dia, teremos maior capacidade de afirmação!
É verdade que a contribuição dos actuais Sócios representa anualmente para o Benfica – em números – o acesso a uma Liga dos Campeões.
Algo que nenhum outro clube em Portugal, nem de perto, nem de longe, pode reivindicar.
Mas o meu desafio é continuar a crescer. Porque foi a nossa dimensão que levou a Emirates a querer ser nosso patrocinador.
- É pela nossa dimensão que somos admirados e respeitados a nível internacional.
- É pela nossa dimensão que temos projectos na China, em Angola, Moçambique e Espanha.
- É pela nossa dimensão que a BTV está em 10 países, e que os nossos jogos são vistos em 135.
Esta é a realidade do Benfica e a razão por que somos uma referência internacional.
E a nossa reputação e bom-nome estão bem acima de qualquer insinuação, venha ela de onde vier.
Não nos importa o que outros digam. Eles que falem de nós.
O que importa é que nós continuemos apenas concentrados com o que importa. E o que importa é o Benfica!
Obrigado a todos, e viva o Benfica!"

Os programas feios, porcos e maus

"Quanto mais rasquice mais audiência e isso sugere aos 'media' que abdiquem de quem tem mais ideias e chamem que tem mais músculo

O povo, na sua paciente e santa sapiência, costuma dizer que não é por se gritar mais alto que se tem mais razão. Porém, o povo nem sempre acerta no que diz e conforme qualquer criança de cinco anos reconhecerá, apesar do que se afirma como lei universal dos Homens, o povo também está muito longe de ser quem mais ordena.
A verdade é que nos tempos que correm e nas sociedades civilizadas, o povo é, não raras vezes, um género de animal de estimação da sociedade. Uma entidade ingénua e passiva, porque acredita estar a ser permanentemente representada sem ter que descalçar os chinelos, apagar a televisão e sair de casa para o desconforto da rua.
É este povo tantas vezes inócuo e eunuco que se planta nos sofás do mundo a ler revistinhas cor de rosa, jornalecos metediços na vida alheia, programinhas que são, de facto, tesourinhos deprimentes, o que não invalida de serem também tesourinhos de audiências e, como tal, geradores de receitas, que os transformam em virtudes absolutas e universais.
A minha significativa diferença para o batalhão de ingénuos que recrimina a nova lógica de interesse do público é que eu não a desconsidero. Ou seja: não a desvalorizo, nem me atrevo a fazer parte da nobreza frágil e desencorajada da elite dos cidadãos que lastima este povo, considerando-o apenas uma vítima dos jornais, das rádios e das televisões, a quem condenam a insensibilidade do interesse público e a ausência da vontade de educar novos e velhos num género de escola nacional de princípios e de valores.
Lamento, mas os jornalistas não são o camarada Arnaldo Matos, que se afirmava, nos seus tempos de activista político, o educador do povo e da classe operária. Em boa verdade, a missão do jornalista nunca foi a de educar.
Mas também nunca foi a de deseducar. E nisso concordo com muitos críticos que acusam um certo de jornalismo de ser conivente com os poderes constituídos, passivo com as autoridades, conformado com as inverdades mais notórias; alinhado com os sistemas mais confortáveis.
É neste quadro que olho e analiso o que se tem passado em matéria de debates rascas sobre o futebol. Eles existem num quadro de audiências que progride na razão directa do primarismo e da rasquice. Sejamos claros: a única coisa que terá faltado no último programa televisivo que teve a presença do presidente do Sporting foi que alguém tivesse andado à pancada, ou que tivesse desafiado o outro para um duelo de morte, com transmissão directa na TVI. Foi só isso que faltou, mas o que houve e o que se viu chegou para a TVI 24 ter tido uma colossal audiência e isso sugere aos canais concorrentes que abdiquem de quem tem mais ideias e chamem quem tem mais músculo. Se o não fizerem têm as audiências em risco e se tiverem as audiências em risco têm o emprego e a própria sobrevivência em risco. E como deve então reagir um jornalista ou um responsável de canal de televisão se tiver a sua sobrevivência (e de toda a sua equipa) em risco? Claro, vai para casa estudar e planear um próximo programa ao estilo dos filmes realistas italianos, verdadeiramente feio, porco e mau.
Percebe-se, assim, que ninguém possa contar com essa demagógica ingenuidade de que tudo se resolveria se os media educassem o povo. Não. Tirem todos daí o sentido. Até já há quem diga, e com forte poder argumentativo, que a educação, nem sequer deve pertencer à escola. A educação pertence à família e à casa de cada um. A responsabilidade da educação pertence aos pais e não aos professores que têm o já difícil dever de ensinar, mas não a obrigação de educar os meninos que chegam à escola sem educação alguma.
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

A Taça já não é para todos

"A Federação introduziu no regulamento da Taça de Portugal uma alteração há muito reclamada por significativa franja de apoiantes, entre os quais me incluo, com a intenção de valorizar o seu nível competitivo. Desde sempre encarada como a festa do futebol, por razões várias tem vindo a perder a sua amplidão territorial. É notória a concentração de jogos nos principais centros populacionais em que, regra geral, os mais fortes pisam os mais fracos.
Também no futebol, o interior do País e as pequenas localidades foram ignorados em nome das exigências do progresso. Tentou a FPF equilibrar as forças e enriquecer o espírito da competição ao determinar que nas 2.ª e 3.ª eliminatórias os clubes da Liga 2 e da Liga, por esta ordem, fossem visitantes. No entanto, no capítulo «requisitos dos estádios» diluem-se as boas intenções, na medida em que as instalações desportivas dos pobres visitados não oferecem as condições impostas. Assim, o Vianense recebe o Benfica em Barcelos e o Vilafranquense o Sporting no Estoril. O Varzim foi o único que resistiu, por apresentar uma casa que não fere a rigidez regulamentar e também por respeito à tradição e à comemoração do seu centenário.
A festa da Taça já não é para todos. Distantes os anos em que qualquer espaço servia para se jogar futebol, relvado ou não, e, na míngua de lugares sentados, em cadeiras ou em árvores, a multidão se apinhava no terreno envolvente para ver os artistas da bola. A Taça era mesmo de Portugal inteiro, apesar de se demorar mais tempo a viajar de Lisboa a Chaves do que a Moscovo, como ironizou o antigo presidente do Benfica, João Santos. Hoje, no emaranhado de autoestradas, dá a ideia de um país encolhido. E o mais desolador é que a Taça encolheu com ele..."

Fernando Guerra, in A Bola

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

A estratégia de BC

"A estratégia de Bruno de Carvalho faz algum sentido. Depois de comprar guerras com dirigentes e ex-dirigentes, jogadores e ex-jogadores do Sporting, colunistas e outros diversos sportinguistas de referência, o presidente leonino resolveu finalmente inventar uma batalha com um rival. Embora a substância seja bacoca, na forma tenta unir os apaniguados sportinguistas contra o rival em vésperas de derby.
Todas as anteriores batalhas, por terem carácter de guerra civil, criavam desconforto no universo leonino. Desta vez, pensando que o Benfica não é um rival mas um complexo para muitos sportinguistas, o ainda presidente de Alvalade desembestou contra o Benfica na ânsia de não perder o resto da nação leonina que ainda lhe resta. Não é destituída a estratégia mesmo que ridícula na forma.
Excelentes estiveram do lado encarnado todos os que o deixaram a falar sozinho. Quem sabe não será uma boa terapia.
O Benfica não jogou na Madeira por óbvia impossibilidade climatérica, e não deve jogar este jogo de palavras, por ser de um campeonato diferente. O primeiro foi adiado e este deve ser anulado. O facto de ter um jogo em atraso causa ao Benfica desconforto classificativo mas mesmo assim tivemos que ouvir as queixas de quem tendo subido à primeira divisão não tem estádio para nela jogar.
O futuro do Benfica deve continuar centrado e concentrado nos seus objectivos. Se o Benfica for competente e o trabalho for bem feito poderemos chegar aos nossos objectivos. A estabilidade e a seriedade são valores que custaram muito a alcançar e não podem ser desperdiçadas por manobras circenses. Mesmo assim o respeito pelos adversários, pela sua história, e por aquilo que representam deve manter-se intocável.
Ganhar ao Vianense, sem lesões nem castigos, na sexta dia 16 é a próxima meta porque o derby vende jornais mas ainda vem longe."

Sílvio Cervan, in A Bola

Barca Velha ?!!!

«Ignorem o ruído»

"Uma das grandes manifestações da força, da mística e do querer do Sport Lisboa e Benfica tem que ver com a expansão das nossas Casas e com a sua modernização.
É nas Casas do Benfica que o nosso crescimento se consolida.
Queria, por isso, na pessoa do Presidente da Casa de Algueirão-Mem Martins, Avelino de Almeida, agradecer a todos quantos trabalharam e dedicaram o melhor do seu esforço na renovação deste projecto.
A todos, o meu muito obrigado e os parabéns pelo trabalho realizado.
O que tem vindo a ser feito nas Casas do Benfica é uma verdadeira revolução dentro do Clube.
E tudo isto só foi possível porque vocês acreditaram que juntos podíamos fazê-lo.
O segredo para termos chegado até aqui é que ninguém no Benfica se acomodou.
Quisemos sempre ir mais longe, quisemos sempre fazer melhor.
A inauguração desta Casa, e das Casas de amanhã, revela a dinâmica e a modernidade que o Clube atingiu ao longo da última década.
Assumimos este ano – como todos sabem – uma opção difícil, uma opção de mudança, uma aposta clara na formação do Seixal e num treinador que acredita na competência e no trabalho dos jogadores, tenham eles 30 anos ou apenas 18.
Fizemos esta mudança por convicção, sabendo o risco, sabendo que o caminho não seria fácil, mas sabendo também que o nosso futuro deve passar por aí.
O nosso trajecto na Champions League revelou que estamos a dar passos seguros, revelou que contamos com um grupo unido e motivado, e revelou um treinador que assume a dimensão europeia do Benfica, um treinador sem medo e decidido a levar o Benfica ao tri.
Chegamos aqui de forma planeada, depois de um período – longo – em que foi necessário recuperar a credibilidade do Clube, e de um outro período em que foi necessário um forte investimento – em que a construção e o desenvolvimento do Caixa Futebol Campus se inclui.
Agora, estamos no tempo de apostar nos talentos gerados no Seixal, num modelo que equilibra a competitividade desportiva com a redução do nosso endividamento.
De um modelo que dá oportunidades aos nossos jovens de trabalharem e crescerem junto da equipa principal.
Sempre acreditei que este tempo chegaria.
Conheço o Caixa Futebol Campus como ninguém, conheço tudo o que se fez para aqui chegar.
Conheço os treinadores e todos os que diariamente contribuem para que o Seixal funcione como um centro de excelência.
A mudança que fizemos foi grande, e só foi possível – repito – porque temos um treinador corajoso, capaz e que gosta de assumir desafios que não são para todos.
Este plantel dá-nos garantias de trabalho, de empenho e total dedicação.
Um plantel sólido, mas um plantel que precisa do apoio dos sócios e adeptos.
Por isso, o meu apelo para que encham o Estádio da Luz, para que nos acompanhem de norte a sul e no estrangeiro.
O sucesso desta equipa também depende do vosso apoio, e sei que ele não vai faltar.
Como Presidente do Benfica, sempre tive esta ambição: a de ver os nossos jovens chegar à primeira equipa.
A ambição de ver o Caixa Futebol Campus reconhecido como centro formador de referência mundial.
A ambição de ver reconhecido o Benfica como clube inovador. A ambição de ver a nossa equipa ser apoiada sem necessidade de haver tochas ou petardos!
Mas confesso que também tenho e vivo a ambição de poder ver os dirigentes do futebol português contribuírem para um futebol saudável, responsável e competitivo.
- Um futebol sem violência que atraia público ao estádio.
- Um futebol que se valorize apenas pelo jogo.
A ambição de que a indústria do futebol português se desenvolva cada vez mais, que as receitas aumentem, que os patrocinadores venham em maior número.
A ambição de que a Federação, a Liga e os clubes trabalhem em conjunto.
A ambição de ver uma selecção renovada com os jovens talentos portugueses formados em todos os nossos clubes. Tenho esta ambição e a responsabilidade de contribuir para que ela se realize.
Estou empenhado nisso, e é esse o sentido da minha acção diária.
Uma nota final: Recuperar a credibilidade do Benfica demorou anos, foi uma dura batalha. Não contem comigo para voltar atrás no tempo.
Mas também sei que, como Presidente do Sport Lisboa e Benfica, tenho o dever e a obrigação de defender de forma intransigente o bom-nome do Clube.
Quero deixar aqui uma garantia: Podem ter a certeza de que assim será, mas nos locais próprios.
Ignorem o ruído, porque ao contrário do que alguns pensam, o ruído não beneficia ninguém.
Falemos de nós e preocupemo-nos apenas com o Benfica!
Muito obrigado a todos.
Viva o Benfica!"

Uma bola no divã

"Como todos bem sabemos, Sigmund Freud era um neurologista austríaco que ficou perpetuado na História por ter sido o fundador da Psicanálise. Uma das suas obras mais marcantes, porventura até a mais conhecida do grande público, é 'A Interpretação dos Sonhos'. À sua época o futebol não tinha, nem de perto, a dimensão de que hoje goza, mas tenho a certeza de que, nos dias de hoje, Freud dificilmente encontraria outro microcosmo que invocasse tantos sonhos. Sim, não ignoro que não se pode viver sem sonhar. Literalmente. Mas a crueza da realidade obriga-nos a reconhecer que aquilo que faz girar a roda da vida é a vontade, não o sonho. Seja como for, não duvido que se possa descobrir muito sobre a verdadeira natureza de um homem só a partir do que ele sonha, mesmo sabendo que os sonhos são involuntários. Pessoalmente, todavia, de tudo quanto li de e sobre Freud o ensinamento que mais me marcou está contido numa única frase. Esta: «Quanto Pedro me fala sobre Paulo sei mais de Pedro que de Paulo». E não é por me chamar Paulo e não Pedro. É que quem diz Paulo e Pedro pode dizer também Aarão e Abraão ou Zaqueu e Zebedeu. Ou Bruno. Ou Jorge Nuno. Ou Luís Filipe. No entanto, o mais interessante nesta lição de Freud é a frase que imediatamente antecede a ora em análise. Aliás, creio mesmo que esta não pode ser amputada, porque as duas são, afinal, uma só. Desta sorte, o pensamento de Freud sobre Paulo e Pedro, para ser percebido em toda a sua latitude, obriga a que a citação seja completa, ou seja: «O homem é dono do que cala e escravo do que fala. Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo».
Como seria o mundo da bola se todas as vozes soubessem ouvir?"

Paulo Teixeira Pinto, in A Bola

Comentadores pressionados?

"Cada jogo tem uma história. Mesmo quando jogado entre quem se defronta com frequência, a história não se repete na totalidade. Parte dela pode ser semelhante, mais que não seja pelas características aleatórias do jogo, mas o todo nunca é repetido. As condições em que as equipas se encontram nesse momento, a dimensão dos clubes, o local do jogo, e muitas outras questões, influenciam os intervenientes.
Alguns profissionais disputam os jogos em condições de extrema pressão psicológica, jogam o seu futuro durante esse mesmo jogo. E quando digo isto, refiro-me inclusivamente aos salários, ao futuro das suas próprias famílias. Contudo, a exposição pública a que normalmente estão sujeitos, mesmo em equipas de menor dimensão, obriga-os a conseguirem um rendimento elevado mantendo um comportamento adequado. Quando isso não acontece raramente a crítica deixa passar em claro a falha.
Com o futebol falado, este complemento ao jogo que se estende por toda a semana, com incidência especial às segundas e terças, momento em que combatem os guerreiros dos três maiores clubes, tornando o jogo algo menor comparado com tão eloquente espectáculo. Os comentadores passaram a ser agressivos, têm inimigos e não adversários. Estarão pressionados pelos clubes? Dependem do sucesso do programa para manterem o salário? Não creio. Têm liberdade para comentar os erros dos intervenientes no jogo, mas não têm capacidade para resistir a uma pequena pressão exterior. Ou será que os níveis de audiência justificam tudo? Não me parece.
Existe uma responsabilidade social que não pode ser ignorada. Deviam todos rever o programa, com um coach para auto-análise. Cada programa tem uma história diferente, não deve é conter comportamentos que promovam a agressividade entre os adeptos. O futebol é um jogo. Também é falado, mas é muito mais bonito jogado."

José Couceiro, in A Bola

Campeonato sem o Carcavelinhos...

"Das 12 equipas que vão disputar o Campeonato não consta... o Carcavelinhos, um nome que saiu da boca de um dirigente com grandes responsabilidades no desporto nacional para desvalorizar os adversários do Benfica. O Carcavelinhos, o Cucujães, tal como todos as outras colectividades que contribuíram e contribuem para a história do desporto em Portugal merecem todo o nosso respeito. Há clubes que já deram muito à modalidade, que agora estão fora dela, mas que esperemos, sinceramente, voltem aos pavilhões. Todos fazem falta. O Benfica não joga então com o Carcavelinhos, mas joga com o Sp. Espinho, recordista de títulos e a única equipa com uma Taça europeia, joga com o Castelo da Maia, campeão quatro vezes joga com a Fonte do Bastardo, a mais recente equipa a entrar nas contas do título, ou com o Leixões, um histórico da modalidade. As expectativas são altas para que possamos ter um bom campeonato. Veremos se na prática se confirma."

Ana Paula Marques, in Record

Ainda Madrid

"A vitória em Madrid foi extraordinária: pela dificuldade e importância da partida nas contas da LC; pelo escasso pecúlio Benfiquista em Espanha (não vencíamos desde 1982); pelas diferenças tácticas e comportamentais da equipa constantes com os desempenhos em jogos fora nesta prova nos últimos anos (com Jorge Jesus, em 17 jogos, o Benfica venceu apenas três nos recintos do Otelul, Basileia e Anderlecht e empatou quatro); e, também, com o descalabro anunciado no início da temporada pelos arautos da desgraça, por ter colocado definitivamente de lado as dúvidas lançadas relativamente à competência do nosso treinador e plantel.
Não fosse a questão da tocha a ensombrar a magnífica vitória alcançada, teria sido perfeito. Aprecio o espectáculo cénico das tochas, ao contrário do rebentamento de petardos ou lançamento de very lights, os quais abomino. Não sou o único, dizem-no vários indicadores: os adeptos que, pelo mundo fora, utilizam este engenho para colorir o apoio dado às suas equipas; os jogadores que partilham fotografias e vídeos das fumaradas nas suas redes sociais; a comunidade social que usa e abusa, pela positiva, destas imagens para a promoção das suas transmissões.
O que não entendo é como, sabendo-se da proibição de uso deste engenho, há quem se sinta tentado em ir mais além, atirando-o para outra bancada ou relvado, com as consequências que daí advêm. Pagam os justos pelos pecadores. Terão que ser tomadas medidas duras para banir por inteiro as tochas dos estádios e o Benfica será seriamente penalizado. E a culpa não será da UEFA, do Benfica ou dos Benfiquistas. Apenas e só de um ou outro indivíduo a quem o bom senso não lhe tocou."

João Tomaz, in O Benfica

Castigo a caminho

"Por causa de alguns, pagamos todos. Esta poderia ser uma crónica sobre as Legislativas de domingo passado, mas não. É 'apenas' sobre o que se passou nas bancadas do Vicente Calderón e que poderá afectar um dia de jogo na Catedral. Um dia, na melhor da hipóteses.
Mais de três mil adeptos do SL Benfica foram a Madrid ver o seu Clube ganhar ao Atlético. A festa foi rija, merecida, histórica e estragada. Rija porque não é fácil ganhar fora na Champions; merecida porque o SL Benfica foi mais inteligente e eficaz do que o adversário; histórica porque há 33 anos que o Bicampeão português não triunfava em Espanha e porque o Atlético de Simeone ainda não tinha perdido qualquer jogo europeu em casa; estragada porque meia dúzia pensaram que seria boa ideia festejar a vitória vermelha com o arremesso de tochas para o relvado. Por falta de força e/ou de inteligência, as tochas acabaram por cair em cima de outros adeptos presentes no estádio da capital espanhola. E assim se pôs em causa os jogos do SL Benfica em casa para a Champions deste ano. E logo agora que a equipa orientada por Rui Vitória - duas partidas na Liga dos Campeões, duas vitórias - está bem encaminhada para se apurar para a próxima fase da competição.
Não é da receita de um jogo europeu que estou a falar, é a imagem do SL Benfica e dos seus adeptos que está em causa. Confundir meia dúzia com os restantes milhões é muito fácil. Já não chegava a triste memória do que se passou em 1996 no Estádio Nacional, ainda temos que levar com mais este episódio. À hora em que entrego este texto, nada estava decidido pela UEFA, mas temos que aconteça o pior.
Acontecendo ou não o castigo, há que tratar este tema delicado com toda a eficácia. O Benfica é muito mais do que isto."

Ricardo Santos, in O Benfica

Um artista

"É natural que, num debate televisivo onde participam adeptos de três clubes, as vozes por vezes se elevem, e os ânimos por vezes aqueçam. Sempre foi assim desde que o modelo existe, e embora o grau de esclarecimento seja quase sempre baixo, o grau de entretenimento torna-se compensador para quem aprecia o estilo. As audiências sobem, as estações agradecem. Quem não gosta, não vê.
O que já não é normal é o presidente de um grande clube aceitar expor-se a registos desta natureza, colocando-se ao nível do simples adepto sem responsabilidades, debitando retórica comprometedora para o clube que dirige, e envergonhando aqueles que era suposto representar.
A figura que o presidente do Sporting fez na TVI24 entristece-me enquanto adepto do futebol. Independentemente das rivalidades, habituei-me a ver em Alvalade dirigentes cujo comportamento cívico era inatacável. João Rocha, Amado de Freitas, José Roquette e Dias da Cunha são apenas alguns exemplos. Agora, olhamos para o outro lado da rua, e vemos um artista sem categoria, cujas habilidades chocam aqueles que prezam um futebol acima do nível da taberna. Quando se juntam os holofotes do mediatismo à mediocridade, o resultado é este.
Fundos, empresários, jornalistas, jogadores, treinadores, funcionários, antigas glórias, árbitros, dirigentes, ex-dirigentes, clubes, UEFA, comentadores, grupos de adeptos, hotéis, etc. Todas as guerras servem para ganhar popularidade, num indivíduo que não consegue esconder o deslumbramento pela sua nova vida de figura pública.
Infelizmente, também já tivemos disto cá em casa. Conhecemos a espécie.
Pobre Sporting."

Luís Fialho, in O Benfica

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

O Benfica-Sporting? Ainda faltam mais de... 2 semanas!

"Nunca poderemos entrar no jogo de quem sendo 'pequenino', precisa de muito barulho para se colocar ao nosso nível...

Lições da política que não devemos esquecer no futebol
1. Há lições da política que não devemos esquecer no futebol! Porque, à imagem daquela, também este é um campo de confronto.
Não de um confronto de ideias mas, antes, de um confronto de resultados. Esta é a especificidade do futebol, onde - por mais que existam valores, ética, princípios, capacidade, inteligência, estratégia ou conhecimento - tudo cede perante o resultado (ou, como diria José Mourinho, «o resultado é que faz o espectáculo»).
Onde se pode fazer tudo bem e perder, sendo-se um perdedor... ou fazer tudo mal e ganhar, sendo-se neste caso, um verdadeiro vencedor. De facto, a vitória - como sabemos da história dos últimos 30 anos do futebol português - fez jus a esse princípio maquiavélico, onde os fins (os títulos) justificaram, muito especialmente para quem os ganhou, a forma (os meios) como foram conquistados, de que o processo Apito Dourado é o expoente máximo!
O problema, hoje, é alguém querer repetir soluções de poder que germinaram e tiveram a sua época há 30 anos, como se o mundo não tivesse evoluído.
Ou não perceberem que, para além do tempo em que essas formas de poder foram desenhadas e concretizadas, contaram com a conivência de muitos silêncios, bem como com a colaboração activa e empenhada de muitos agentes políticos e judiciais, que, como o escrutínio e a vigilância actuais, não podem mais existir.
Ou seja: repetir o Porto, dos anos 80, em Lisboa, neste nosso tempo, só lembra a um «aprendiz de feiticeiro»!

O radicalismo como forma de evitar a marginalização
2. Os novos líderes hoje emocionam-nos, interagem,... e até erram.
Não se apresentam como seres superiores que não se enganam, sempre prontos a atirarem para os seus fiéis lacaios a culpa de alguma coisa que possa não ter corrido bem.
E não dará para desconfiar saber que - com tanta asneira feita - nem uma pode ser assacada ao líder do projecto?
Se até, na Igreja, se vai questionando o dogma da infalibilidade do Papa, será que estarão dispostos, numa qualquer agremiação, onde a esperança na vitória se vai assemelhando a uma miragem... do além, a não questionar a responsabilidade por tanto erro?
Diziam os antigos romanos que, se não tiveres um amigo que te corrija, paga a um inimigo. Eu sei que, por aquelas bandas, inimigos é o que há mais. Inimigos, até, entre os antecessores, numa limpeza geral de destruição de tudo o que possa representar perigo de derrota num próximo ato eleitoral.
Melhor do que ganhar nas urnas é impedi-los de concorrer.
Mas o que mais me entusiasma, nesta fuga desesperada para a frente é o recurso ao radicalismo como forma de evitar a marginalização.
É uma prática comum, entre pequenos partidos, quase todos com projectos caudilhistas de poder, como o será entre clubes pequenos ou médios, acossados e com projectos de sobrevivência pessoal. Recorrem, assim, ao messianismo, à comparação entre o antes e depois, numa atitude maniqueísta, de forma a poderem legitimar-se... para todo o sempre.
Sabemos, por experiência, que o todo o sempre acaba, quase sempre,... ao virar da esquina. E melhor seja que acabe, para quem gosta da instituição em causa, por que... se demorar um pouco mais, quando virarem a esquina, apenas depararão com o que restará desse clube (e será muito pouco),... como outros sabem de saber feito!
Como sempre (como em Nuremberga, por exemplo), os fiéis de sempre tentarão desculpar-se de forma a que o mal seja apenas da responsabilidade de um só.
Como estarão, então, enganados e... arrependidos!

Um líder arrogante evita discutir ideias
3. Sabemos, também, que um líder arrogante e que gosta de se armar em militante de base faz as delícias dos... militantes de base.
Evitando discutir as suas ideias (talvez porque não as tenha), nem que para isso tenha de só falar das ideias dos outros.
Como o Presidente de um clube agradará aos seus consócios se for básico, se enquistar e destilar ódio pelo emblema mais odiado desses mesmos sócios (por muito que os do outro lado já não lhes liguem nada, porque o tempo é implacável).
Aqueles agradecer-lhe-ão penhorados, mas esse mesmo chefe perderá toda a relevância junto dos líderes de opinião, daqueles que farão e formarão ideias sobre o seu futuro e sobre o futuro da instituição a que preside.
A que se juntará a falta de bom senso, de estabilidade e de visão para inventarem um futuro que não seja o da maledicência!
Pode, até, aumentar o número dos respectivos adeptos e simpatizantes em 50% e reduzir o número de adeptos e simpatizantes dos outros, também em 50% (um critério uniforme, há que reconhecê-lo)! Mas isso não trará nem mais um voto - quando eles forem precisos...
Sabemos que... «a fama e tranquilidade não coexistem».
Mas daí a aceitar como lei o princípio de que «quem não é por mim, é contra mim» vai uma grande distância.
Outros clubes - nunca nos cansámos de o repetir - enveredaram, em momentos concretos da sua história, por experiências parecidas.
Pois nem assim perceberão como acabam?
Pelo meio, encarregarão alguém de reescrever a história com elogios e hossanas ao novo poder e de morte ao antigo regime.
Sabemos como começa e - hoje, também - sabe-se como acaba... Acabando, de vez, com quem a quis reescrever.

Ganha quem merece, não quem faz mais barulho
4. Se é verdade que a obstinação leva à ditadura (sendo o poder absoluto uma das causas da decadência dos povos peninsulares, no dizer de Antero de Quental...), então teremos de deixar a falar sozinho quem opta pela conflitualidade gratuita, para, em bicos de pés, se tentar parecer com os Homens.
Já lá vai o tempo em que os jovens infantes se tentavam libertar das garras da adolescência desafiando os maiores, os senhores para torneios, primeiro,... duelos, depois,... rixas, já nos nossos tempos...
Tentando a afirmação - num mundo onde poucos lhe ligam - apenas e só pela criação de conflitos!
Tenho (para mim) que nunca se deve responder a mentiras de uma só fonte, de uma só origem, criadas em laboratório unipessoal, porque apenas estaremos a servir de câmara de eco a tanta asneira e a fazer o jogo de quem as lança...
Nunca devemos responder a provocações gratuitas!
Nunca poderemos entrar no jogo de quem, sendo pequenino, precisa de muito barulho para se colocar ao nosso nível...
Não devemos, por isso, transformar uma vontade inconsciente de vingança (que poderia ter passado pela cabeça de todos e de cada um de nós) numa guerra declarada.
Com a calma que eles não têm - a pretensa juventude faz com a insensatez, a má criação e a impreparação passem por voluntarismo - haveremos de construir a nossa vitória.
Dizia Albert Einstein que «só os loucos é que, continuando a fazer as mesmas coisas, querem ter resultados diferentes»!
Pois alguém achará que os loucos querem fazer as coisas de outro modo?
Ou que... deixaram de ser loucos?
Sendo assim,... ganharão os mesmos dos últimos anos!!!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

A pouca sorte de Rui Vitória

"Fez ontem uma semana que o Benfica venceu em Madrid e há uma conclusão que se pode tirar: Rui Vitória não é um homem com muita sorte. Os ecos do brilhante triunfo no Vicente Calderón duraram apenas 24 horas, porque daí para cá o espaço mediático tem sido ocupado, basicamente, por três assuntos - Football Leaks, o nevoeiro da Choupana e a ida de Bruno de Carvalho ao 'Prolongamento', da TVI24.
Um dos maiores feitos internacionais nos últimos 30 anos do Benfica desapareceu, assim, enquanto ardeu um fósforo. Uma vitória em casa do Atlético Madrid será apenas comparável nos tempos modernos, a outras que os encarnados conseguiram nos terrenos de Liverpool (2006, com Koeman), Arsenal (1991, Eriksson) e Roma (1983, Eriksson). Para encontrar melhor ou igual já será preciso recuar à década de 60. 
Rui Vitória também não tem aquilo a que se chama 'boa imprensa'. Se vencessem o Atlético - em Madrid e num jogo da Liga dos Campeões - outros treinadores estariam ainda a esta hora a nadar em elogios. E até faria sentido, neste caso, onde os números falam por si. Em 67 jogos de equipas portuguesas em Espanha, apenas 11 vitórias. No caso do Benfica, foi a segunda em toda a história dos encarnados. Antes, apenas Eriksson, em 1983, no terreno do Bétis. E depois há esse 'pormenor' de ter sido esta a primeira derrota na Champions de Diego Simeone no Vicente Calderón desde que chegou ao clube, em 2011. Por fim, a lembrança de que em 2015, que está a caminhar para o fim, apenas duas equipas venceram naquele estádio: Barcelona e Benfica. Rui Vitória é, ou não um homem com pouca sorte?"

Ninguém para Portugal: será rotura?

"Como espero que, hoje, Portugal fique apurado para o Europeu, tenho um pretexto para voltar ao Acordo Ortográfico (AO).
Amanhã, a manchete de um jornal poderia ser 'Ninguém para Portugal', de acordo com as novas regras. Imagine-se um completo leigo nestes assuntos de futebol a ler na banca este título de primeira página. Teria ficado no mínimo admirado. Então ninguém vem para Portugal? Será que os turistas já não gostam do nosso País? Ou será que quem emigrou jamais regressará? Ou não iremos receber a nossa quota de refugiados do Médio Oriente? Uma outra pessoa mais atenta ao desporto, ali ao lado deste simpático leitor de títulos na banca matinal, tê-lo-á descansado: o que está escrito, meu caro senhor, é que ninguém pára Portugal chegado à fase final do Europeu! O nosso distraído da bola, ficou aliviado. Mas, como igualmente não dominava o AO, logo retorquiu que faltava um acento agudo no primeiro 'a' da palavra 'para'. O outro, mais 'acordista', disse que não: deixou de ter acento e teremos que ler de acordo com o contexto. O diálogo continuou: Sim, mas se houver mais do que um contexto ou não se souber do contexto? Terá que adivinhar, concluiu o interlocutor.
A confusão do AO é, também, geradora e multiplicadora de erros. Por exemplo, há quem tire o 'c' a facto como se nós lêssemos 'fato'. Ou, como na capa de domingo de A BOLA, onde li que há rotura total entre Carrilho e o SCP. Ou seja transformou-se a ruptura (rutura, versão AO) de negociações numa qualquer rotura de ligamentos. Ter-se-á instaurado um processo disciplinar ao peruano por causa de uma rotura muscular?"

Bagão Félix, in A Bola

Mundial de râguebi

"Enquanto no futebol planetário se transaccionam influências, se vem conhecendo a ponta do iceberg da corrupção e pouco se avança na adaptação das regras aos novos tempos, temos podido ver o que se passa, de bem diferente, em redor do Mundial de râguebi.
Confesso que não conheço todas as regras deste desporto, mas mesmo assim dá para perceber a emoção do espectáculo. Um torneio jogado com tanto entusiasmo, como de suficiente lealdade desportiva. Num desporto duro e intenso, de constante contacto físico, as quezílias e querelas à volta do jogo são incomparavelmente menores do que noutros desportos.
Disputado na tradicionalista Grã-Bretanha, os estádios estão sempre cheios, sem claques estúpidas e violentas, onde não há lugares reservados para os apoiantes dos contendores, antes pelo contrário todos se misturam na alegria do jogo. Neste Mundial, os estádios estão cheios e bateu-se até o recorde de espectadores (89.019) no jogo inaugural entre a Nova Zelândia e  a Argentina.
Haverá algum desporto colectivo onde o que o árbitro diz durante o tempo de jogo é ouvido e escrutinado por todos? E que dizer de recorrência às imagens para esclarecer dúvidas legítimas deste decisor? E alguém vê discussões estéreis e inconsequentes dos atletas e técnicos sobre as decisões tomadas?
A superabundância do dinheiro (para poucos) e a apoplexia de passivos (para quase todos) que constatamos no futebol não residem neste desporto que, apesar do primado monetário, ainda guarda algumas interessantes características amadoras, no melhor sentido da palavra."

Bagão Félix, in A Bola

Normal

Corruptos 30 - 25 Benfica
(16-14)

Acabou por ser um resultado normal, agora tal como ficou provado nos confrontos directos do ano passado, a diferença não é tão grande como parece: com 3 Livres de 7 metros falhados, imumeros erros nossos aos 6 metros... bastava estas duas variáveis serem positivas para o nosso lado, e o equilibro seria outro, mesmo com o Gilberto e o Quintana... aqueles que verdadeiramente fazem a diferença.

Mundial de atletismo

"Acompanhei, a par e passo, o Mundial de atletismo que teve por palco o imponente estádio de Pequim. Ninho de grandes proezas e que parece ter um significado especial para Nelson Évora. Por lá protagonizou feitos inesquecíveis e terá sentido de forma muito especial a medalha de bronze que trouxe na bagagem e que, juntamente com o ouro do Europeu recente, vieram confirmar o que do nosso atleta se pensa e que já foi dissecado, analisado, louvado e glorificado por quem teve a obrigação ou a necessidade de o fazer, em cima dos acontecimentos.
Mas não foi só o homem do Benfica a emocionar-me. O fair play, de que falamos nestas colunas em nome do CNID e do Plano Nacional da Ética Desportiva, foi esmagador nesta competição, eventualmente único na história do desporto. As serenas celebrações dos vencedores, a camaradagem e os sorrisos nos lábios de quem ganhou e de quem perdeu tiveram a naturalidade... das coisas naturais.
E as comparações são inevitáveis. Especialmente com o futebol, o do nosso Portugal arrebatado e emotivo que parece caprichar em escrever torto por linhas direitas, as dos recintos de jogos. Arbitragem, treinadores. dirigentes. alguns jogadores e alguns jornalistas, felizmente poucos, travam uma 'luta' diária para que as coisas sejam cada vez piores. 'Apoiados' pelos comentadores quase profissionais que, para defenderem as suas cores, não hesitam em pôr todos contra todos.
Olhem para o atletismo e, já agora, para muitas outras modalidades que capricham em dignificar os princípios sagrados do Desporto."