Últimas indefectivações

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Um artista

"É natural que, num debate televisivo onde participam adeptos de três clubes, as vozes por vezes se elevem, e os ânimos por vezes aqueçam. Sempre foi assim desde que o modelo existe, e embora o grau de esclarecimento seja quase sempre baixo, o grau de entretenimento torna-se compensador para quem aprecia o estilo. As audiências sobem, as estações agradecem. Quem não gosta, não vê.
O que já não é normal é o presidente de um grande clube aceitar expor-se a registos desta natureza, colocando-se ao nível do simples adepto sem responsabilidades, debitando retórica comprometedora para o clube que dirige, e envergonhando aqueles que era suposto representar.
A figura que o presidente do Sporting fez na TVI24 entristece-me enquanto adepto do futebol. Independentemente das rivalidades, habituei-me a ver em Alvalade dirigentes cujo comportamento cívico era inatacável. João Rocha, Amado de Freitas, José Roquette e Dias da Cunha são apenas alguns exemplos. Agora, olhamos para o outro lado da rua, e vemos um artista sem categoria, cujas habilidades chocam aqueles que prezam um futebol acima do nível da taberna. Quando se juntam os holofotes do mediatismo à mediocridade, o resultado é este.
Fundos, empresários, jornalistas, jogadores, treinadores, funcionários, antigas glórias, árbitros, dirigentes, ex-dirigentes, clubes, UEFA, comentadores, grupos de adeptos, hotéis, etc. Todas as guerras servem para ganhar popularidade, num indivíduo que não consegue esconder o deslumbramento pela sua nova vida de figura pública.
Infelizmente, também já tivemos disto cá em casa. Conhecemos a espécie.
Pobre Sporting."

Luís Fialho, in O Benfica

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