Últimas indefectivações

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Cadeiras vazias

"1. Enquanto, esta semana, 'à máquina' la afinando os métodos, os modelos e as peças no Seixal, na miserabilista paisagem audiovisual das televisões e no chavascal das primeiras páginas, continuava imparável à rédea larga e à solta, o 'regabofe dos 90%'.
2. Por cada 100 minutos de conversa fiada nos écrans, ou por cada espaço de 10 páginas de inacreditáveis 'achismos' nas gazetas e pasquins, o Benfica voltava a manter-se olimpicamente como o indispensável saco de pancada que ainda lhe vai servindo a todos para esticarem os pescoços, antes de inapelavelmente acabarem por se afundar, na implacável lama os há de submergir, à falta de espectadores e de leitores.
3. Em cada 100 minutos, 90 são furiosamente desperdiçados com balelas e novelas acerca do Benfica. E em cada 10 páginas trafulhadas nos computadores do jornalismo 'desportivo' dos dias do presente, não mais do que uma é, aí então, piamente votada às místicas temáticas regionalísticas da associação do 'Calor da Noite'...
4. Já se sabe: ou os temas em torno do Benfica os vão sustentando, ainda que cada vez mais precariamente, como tema universal das delirantes elucubrações e derrames de disparates a que se dedicam em 90% (ou mais) dos tempos e dos espaços consagrados ao avacalhado asneirame sobre a chamada matéria 'desportiva', ou... mais cedo do que tarde, ainda vai tudo pelo cano - audimetrias, patrocínios e publicidade rasa; critérios editoriais para a chafurdice ou para os bombásticos rodapés e primeiras mãos; e, por extensão, empregos dos chefes e dos desgraçados índios' - sejam eles meninas de decotes fundos, ou cangalheiros mais ou menos cuspidores...
5. A esta furiosa agiotagem opinativa e pseudoinformativa que domina estúdios e redacções, também não se eximem alguns Benfiquistas.
6. E, quanto a eles, que me desculpem os que, porventura, dependam mesmo de tais varandas de exposição (ou seja lá do que for...), mas sou radical: nada! Não estão lá a fazer nada. A não ser que se disponham a continuar a jogar indefinidamente jogos sem regra, nem árbitro. E a encher os chouriços que os restantes precisam de vender.
7. Em todo o caso, que não me considerem completamente intolerante: ou bem sei que os (poucos) nossos que, naquelas palhaçadas, mesmo perante as maiores mentiras e infâmias, ainda conseguem resistir ao irreprimível impulso de deixar as cadeiras vazias, só ali se mantêm, certamente, por estrita boa fé, ingenuidade e Benfiquismo.
8. Só lamento que, provavelmente, nunca nenhum destes nossos resistentes alguma vez se tenha deparado com o sábio provérbio árabe: 'Se o que tens a dizer não for melhor ou mais belo do que o silêncio, mais vale que te cales...'"

José Nuno Martins, in O Benfica

Semanada...

"1. Anos de má gestão desportiva complicam contratações. Até agora a situação financeira estará dentro de controlo caso o clube não falhe o acesso à Champions League. Mas a partir do momento que Cavani assinar (e se assinar), os números começam a fazer mossa na saúde financeira do clube. E começam a fazer mossa porque é o resultado do acumular de anos de má gestão desportiva. Anos em que se renovaram contratos a jogadores duas vezes num espaço de 12 meses ou que se renovaram contratos a jogadores que ainda estavam no primeiro/segundo ano de contrato só porque foram Campeões. Agora, esses jogadores estão a receber salários de titular mas se calhar vão passar a maior parte do tempo na bancada ou no banco. E isso complica contratações porque não há espaço na folha salarial do Benfica para se contratar titulares, pagar-lhes como titulares, sem entrar numa situação financeiramente arriscada.
2. Como é que se paga a um Cavani. Se olharem para o plantel do Bayern Munique, reparam que a partir do 17º-18º jogador, eles só têm miúdos. E só têm miúdos porque na generalidade das equipas, a partir do 17º-18º jogador, os minutos não abundam. Assim, poupam nos salários dos jogadores que dão profundidade ao plantel e adquirem jogadores com grande margem de progessão e altamente motivados para treinar com os craques da equipa principal. Desta maneira, o Bayern é capaz de segurar as suas maiores pérolas, pagando-lhes salários avultados e evitando que um outro Gigante com maiores posses que o Bayern vá lá pescar os principais jogadores. Ao mesmo tempo, arrisca-se sempre a ter um reforço surpresa, como é o caso de Alphonso Davies que assumiu o lugar de lateral esquerdo na equipa. O Benfica tem uma grande formação. Melhor até que a do Bayern e por larga distância. Mas de alguma maneira, parece que prefere pagar a jogadores como Samaris, André Almeida, Gabriel, Chiquinho, Cervi, Zivkovic, etc, em vez de poupar nesses contratos e apostar em jogadores mais jovens, mais baratos e que para dar profundidade chegam e sobram. Depois, claro, é mais difícil pagar a um Cavani. 
3. Saídas Precisam-se. Os primeiros rumores de saídas começam a sair. Fala-se de Zlobin e Nuno Tavares para o Famalicão. A saída de Nuno Tavares implicaria mais investimento na posição de lateral esquerdo. Fala-se também que Samaris, Cervi e Dyego Sousa vão sair. Cervi para já é apontado a Espanha. E ainda se fala num possível empréstimo de Jota e David Tavares a uma equipa do Championship e de Tomás Tavares para Itália. Vão também aparecendo rumores de que Carlos Vinicius poderá ser vendido se o Benfica contratar um ponta de lança. Amanhã (Sábado) teremos o primeiro jogo de pré-época com o Estoril e será possível perceber melhor como está a situação de cada jogador. 
4. Youth League. A nossa equipa S19 está na Suíça a disputar a Final Eight da Youth League e para já as indicações são muito boas. Contra o Dinamo Zagreb - que ficou à frente do ManCity e Shakthar no seu grupo e eliminou Bayern e Dinamo Kiev até aqui - não entrámos muito bem, começámos por estar a perder 0-1, mas rapidamente a situação se enverteu. Acabámos por dominar o encontro. Seguem-se as meias-finais contra o Ajax e, se ganharmos, a final contra o vencedor do jogo Real Madrid - RedBull Salzburg. O Ajax aparece nesta prova com algumas baixas, visto que os melhores jogadores estão na pré-época com a equipa principal. Até chegar aqui, o Ajax ganhou um grupo com Lille, Chelsea e Valencia, e eliminou Atlético e Midtjylland. À primeira vista, com base nos jogos dos quartos-de-final, diria que Benfica e Salzburg têm as melhores equipas. Agora é comprová-lo em campo. Mas uma coisa é certa, este rapazes vão fazer uma desfeita a quem no Benfica achar que não se deve apostar na formação.
5. Relvado da Luz. O Relvado da Luz já aparenta ter alguns sinais de desgaste dos jogos da Champions League. Sou sempre a favor que o Benfica rentabilize as suas infraestruturas durante o período em que não há jogos, mas espero que desta vez se prepare melhor uma eventual substituição do relvado.
6. Sevilla. Caso o Benfica se qualifique para a Fase de Grupos da Champions League 20-21, vamos terminar no Pote 2 ou no Pote 3. Tudo depende de quem ganha a Liga Europa. O Sevilla tem melhor ranking UEFA do que nós. O Inter tem pior. Quem ganhar a Liga Europa entre eles salta de imediato para o Pote 1. Se o Sevilla perder, fica com a última vaga do Pote 2 e nós cairíamos para o Pote 3. Se o Inter perder fica com uma vaga do Pote 3, o Sevilla com a vaga do Pote 1 e nós ficaríamos com a última vaga do Pote 2 (caso nos apurarmos para a Fase de Grupos). Como tal, é do interesse do Benfica que o Sevilla ganhe a Liga Europa. Eu sei. Também não gosto.
7. Jordi Adroher. O fim da novela foi finalmente anunciado. Jordi Adroher saiu do Benfica e vai jogar para o Liceo Coruña. A novela, se não se recordam, foi a sucessão de avanços e recuos na vontade do Benfica continuar com o Jordi. O Jordi anda há dois anos a perder rendimento. A saída deveria ter sido natural. O Benfica demorou imenso tempo a avisar Jordi que não contava com ele, o que não lhe deu muito tempo para arranjar um clube que lhe pagasse o que ele recebia no Benfica. Vai para um clube com um projecto de Hóquei muito interessante. Desejo-lhe as maiores felicidades. Estou muito curioso para ver a nossa equipa de Hóquei deste ano. É das melhores equipas que tivemos nos últimos anos."

As notícias exageradas da morte do tiki-taka

"O criador foi o primeiro a tentar fugir da criatura de tentáculos amplos. Pep Guardiola, ele mesmo, disse um dia que não gostava do tiki-taka. Não era difícil perceber. Pep recusava a ideia de um jogar sonolento, feito de passes sem progressão, com que tantos quiseram encher o rótulo onomatopaico. O tiki-taka do Barcelona, que uma década atrás se tornou lendário, foi essencialmente o expoente vertiginoso do jogo de posição que os espanhóis difundiram mais que quaisquer outros, agarrado a uma nova metodologia de treino que ocupou todos os escalões do maior clube da Catalunha, graças sobretudo a Paco Seiru-lo, o homem mais importante na filosofia do Barça e que favoreceu a ligação directa entre Cruyff a Guardiola. Seiru-lo foi o guardião da filosofia inspirada no holandês e que fez valorizar a fabulosa geração de minions azuis-grenã, com Messi, Xavi e Iniesta a comandar. A ideia matriz colocou a bola como elemento principal do jogo e a inteligência (com consequente autonomia) como característica fundamental do jogador. Nasceu sobre isso não apenas essa geração de sonho como uma influência sobre o jogo como não se anota outra neste século.
Olhar para o que resta do Barcelona, parar a sombra triste que pairou diante do Bayern na Luz, e querer ver ali qualquer tiki-taka, só por muito boa ou muito má vontade, o que neste caso vai dar ao mesmo. O que se viu foi um meio campo trémulo com bola, dois homens de talento banal - Sergi Roberto e Vidal (mais este que o outro, é um facto) - colocados como pesudo-alas apenas para travar os rivais e um ataque obcecado com lançamentos que aproveitassem Suarez (ou Jordi Alba!!!) na profundidade. Sim, tentou construir curto, com risco, e falhou. Mas falhou sobretudo por falta de soluções para ligar jogo até zonas de criação. E construir curto está longe de ser sinónimo de jogo posicional de qualidade. É quando muito um tititi, não chega a tiki-taka.
Recuemos: o que definiu historicamente o melhor jogar catalão foi que os jogadores conseguissem ter a bola e ser protagonistas em qualquer jogo, e conseguissem igualmente pressionar alto e recuperar rápido após a perda. E que tivessem a paciência com bola de aguardar o momento certo para accionar a aceleração dos seus jogadores mais explosivos (de Henry e Eto´o a Pedro Rodriguez, Suarez e ao próprio Messi). E mais o que essas equipas do Barça faziam antes de todas e hoje tantas pretendem fazer: construir com risco, envolver nisso os guarda-redes, procurar centrais capazes de se assumir com bola, laterais que seja mais que corredores de fundo e não joguem apenas ao longo da linha, médios defensivos que também são ofensivos, alas que também sabem jogar por dentro e em espaços mais curtos, pontas de lança que se relacionem com o jogo e não só com o golo. Sugiro ao meu estimado leitor que releia este parágrafo que agora termina pensando na actual equipa do Bayern de Munique. Está lá tanta coisa, não está?
Não, não é só a influência que Guardiola deixou na Alemanha, é muito mais que isso naturalmente, que o jogo muda e o que Hansi Flick acrescentou ao jogar deste Bayern, para sermos justos, não tem comparação com o que se viu nos anos anteriores. Claro que o Bayern tem jogadores admiráveis do ponto de vista atlético, que garantem arrancadas arrebatadoras, mas a marca de água da equipa, e que a transforma mesmo em rolo compressor, está bem mais no cérebro que no músculo. Até nos incríveis aceleradores que são Gnabry ou Davies há uma qualidade de decisão que os distingue dos puros velocistas. E ao comando da orquestra, mesmo no coração do jogo, até está um minorca, minorca fabuloso, seguramente hoje um dos melhores médios do mundo. Thiago Alcântara é a prova nominal, e táctica, de como é possível encontrar em Munique verdadeiras heranças de Barcelona. E depois é a audácia de juntar Muller a Thiago quando se tem apenas três unidades no eixo central ofensivo, e mais a opção por Alaba a central. E ainda há Kimmich, que é o melhor lateral mas também um médio fantástico e com liberdade e intuição raras para surgir a finalizar. É de talento que se fala, de gente que pensa bem antes de executar de igual modo. Uma sugestão de exercício final: pegar no onze do Bayern e perceber, homem por homem, que há talento criativo em todos, talvez descontando Boateng mas incluindo Neuer. E ainda há Coutinho e Coman de fora, entre outros. E ver como a bola sai fácil, tantas vezes ao primeiro toque, de uns para outros. Se apurarem o ouvido talvez dê para ouvir o barulho desses toques. Será parecido com tiki-taka."

BOMBA: Quaresma no Benfica por dois anos mais um de opção

"Ricardo Quaresma assina pelo Benfica. Ou talvez não, não sei bem, mas acho que faz sentido noticiar na mesma porque pode até ser verdade que na verdade isto do futebol nunca se sabe. BOMBA: Quaresma no Benfica por dois anos mais um de opção

O reforço bomba deste mercado! Ricardo Quaresma no Benfica por dois anos, mais um de opção. Isto seria o que escreveria se eu fosse o editor de um jornal desportivo que já perdeu a dignidade. Quaresma foi dado como certo no Boavista em vários órgãos de comunicação. O próprio desmentiu no Instagram, dizendo “Escreveram que eu estou a caminho do Boavista mas eu estou é a caminho do Algarve para uns dias de férias com a família. Para a próxima não se esqueçam de me perguntar se é verdade antes de publicarem. Não têm necessidade é de andar a enganar os adeptos.” Se eu fosse o Quaresma, teria ainda acrescentado “E depois os ciganos é que têm fama de enganar as pessoas (emoji de navalha)”. 
Comentadores em vários programas de televisão “estão em condições de anunciar” vários reforços antes do tempo, fazendo usos das suas fontes anónimas, próximas e exclusivas. Fontes essas que acertam 1% das vezes. Os mesmos que dão uma importância desmedida ao futebol são os que desvalorizam este tipo de especulação, sem perceberem que isso acaba por dar um pouco o mote para a sociedade. Se o futebol é assim tão importante e os jornais desportivos mentem e ninguém se importa nem regula, porque haveríamos de agir de forma diferente quando o tema é menos importante do que o futebol como por exemplo a política? O futebol goza de uma impunidade que até o Ricardo Salgado inveja. A corrupção é um pouco a céu aberto e só nos preocupamos com a que é feita em nome dos adversários. Os nossos clubes são sempre puros e castos e tudo é normal porque o futebol é um mundo à parte onde as regras do bom senso não se aplicam. No jornalismo é isso que se verifica. Não há qualquer pudor em inventar notícias para vender jornais, especialmente em época de transferências já que não há resultados de jogos para estampar na capa. Não há qualquer pudor em plantar notícias para especular o mercado e fazer subir o valor deste ou daquele jogador. O mundo do futebol é mais promíscuo do que a parte de trás da cantina de uma escola secundária, com a diferença de que aqui ninguém bate o pé.
Se calhar estou a exigir demasiado do jornalismo desportivo, não sei. Um jornalismo que tem o Nuno Luz como uma das principais figuras se calhar merece que se baixe um pouco as expectativas, mas imaginem que o resto da sociedade se regia assim:
- Casal assassinado por Cavani! Ahhhh, afinal é outro, esqueçam.
- Cristina Ferreira vai assinar pelo Sexy Hot! Ahhh, afinal parece que não, esqueçam.
- Maddie apareceu e já está a realizar os testes médicos! Ahhh, afinal não era ela, esqueçam.
Anda a ERC a perder tempo a avaliar se o João Manzarra dizer sémen no telejornal, a desafio do Bruno Nogueira, é mau gosto ou não, mas punir e multar notícias deliberadamente falsas para o click bait e vender jornais, não há tempo."

João & Marcia... Bola...!!!

Medalheiros: a falácia dos números...

"Realizar-se-ão os Jogos Olímpicos de 2020 em 2021? Ainda não o sabemos. Sabemos no entanto que Portugal terá uma comitiva de cerca de 70 a 80 atletas. Previsões de há um ano estimavam duas medalhas e doze diplomas (lugares entre o quarto e oitavo lugar).
No Rio de Janeiro, em 2016, tivemos 92 atletas (18 eram de futebol). O “projecto” incluía 12 “atletas com potencial de medalha” (aos quais se juntava a selecção de futebol)… Portugal regressou apenas com uma medalha de bronze!
Embora não servindo o medalheiro de uns Jogos Olímpicos como medida da cultura desportiva de um país – já que o COI não reconhece a existência de um quadro de medalhas porque isso criaria uma competição entre países, alegando que não é esse o objectivo dos J. O. – certo é que a comunicação social, nessas alturas, apresenta sempre esses quadros e induz-nos a essa leitura quando nos deveria conduzir para uma análise que se centrasse na razão entre o nosso número de participantes e número de lugares no pódio... correlacionando esta razão com as verbas despendidas para formar os presentes! E talvez fazê-lo também em relação ao número de habitantes do país. Só colocando todas estas variáveis a interagirem entre si poderemos ter uma noção fiável da nossa cultura desportiva. Não sendo assim, o medalheiro só nos mostra a falácia dos números…
Mas o medalheiro é importante – principalmente quando há muitos e bons resultados – para vender a ideia de que o país está bem e de saúde a nível desportivo… quando esses resultados não acontecem o medalheiro cai no esquecimento ou até é escondido. Por vezes até há quem meça com ele o índice da cultura desportiva do país quando o deveria medir por valores mas também por contra-valores, por normas e pelo seu cumprimento mas também pela sua violação, por símbolos e pelo seu enaltecimento (ou não!) e, por fim, por crenças, quer sejam elas positivas ou negativas.
Vejamos um exemplo concreto: no Campeonato da Europa de Atletismo de 2018, em Berlim, Portugal participou com 37 atletas tendo conseguido duas medalhas de ouro (Inês Henriques e Nelson Évora). Um 11º lugar no medalheiro... (28 países medalhados, 50 participantes, ou seja, na metade superior da tabela). No entanto, daremos conta que a Grécia, com o mesmo número de participantes, obteve um 6º lugar no medalheiro graças a 3 medalhas de ouro, 2 de prata e 1 de bronze. Dos países com um número de atletas mais próximo daquele da comitiva portuguesa, 35, só a Hungria ficou depois de Portugal (26º lugar apenas com 1 medalha de bronze), dado que a Bélgica com 3 medalhas de ouro, 2 de prata e 1 de bronze alcançou um 5º lugar. Até a Noruega, com 33 atletas (menos atletas que Portugal), ficou à frente do nosso país: 8º lugar com 3 medalhas de ouro, 1 de prata e 1 de bronze (mais pódios que Portugal).
É este o exercício que faz prova de uma literacia desportiva: a razão entre o número de participantes e o número medalhas obtidos.
É necessário um medalheiro? Vai sendo preciso na sociedade actual… dado o sistema económico vigente e a mercantilização do desporto. Jean-Marie Brohm, já em 1993, nos mostrava que “o desporto actual é um subsistema do sistema capitalista do qual ele refracta todos os princípios de funcionamento, todas as tendências, todas as contradições”. É necessário um medalheiro para se manter a reprodução! 
Por que motivos? Porque é necessário para os dominantes continuarem a dominar que se forjem os juízos de valor mais sobre os resultados que sobre os processos… Brohm mostra-nos exactamente isso na sua última obra, “Le Sport-Spectacle de Compétiton”.
Um país em que os seus habitantes são dos que menos exercício físico fazem a nível europeu não pode ter um elevado índice de cultura desportiva. Quando o desporto revela o que de pior possui o ser humano, em vez de mostrar o seu melhor ou de contribuir para a sua formação, essa montra serve uma certa reprodução e em nada melhora o índice de cultura desportiva do país. Não é só o público que deveria saber ler e interpretar as classificações. Dirigentes e responsáveis, quer sejam de clubes, de federações ou até mesmo do Governo, também o deveriam saber.
Tal como naquele conto oriental em que certo Mestre varria o chão quando um monge lhe perguntou: “Sendo vós o sábio e santo Mestre, dizei-me como se acumula tanto lixo em seu quintal?” Respondeu-lhe o Mestre, apontando para o quintal: “O lixo vem lá de fora.”"

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Weigl...

Recordações: Ana Raquel...

Pizzi | O regresso do maestro ao centro da orquestra?

"O regresso de Jorge Jesus ao Sport Lisboa e Benfica veio agitar a estrutura encarnada, trazendo inúmeras mudanças. Desde a mudança (radical) de abordagem ao mercado de transferências, onde se vê um Benfica muito activo e a trazer jogadores de renome como Jan Vertonghen, Cebolinha ou Waldschmidt, como mudanças a nível interno, com Paulo Lopes e Luisão a fazerem parte da grande equipa técnica montada pelo português.
Pois bem, perspectiva-se mais uma mudança no horizonte, e envolve o jogador mais influente das “águias” nas últimas temporadas. Adaptado por Rui Vitória ao corredor direito, em 2015, é nessa posição de médio ala direito onde Pizzi tem cimentado o seu nome na história dos encarnados.
No entanto, o médio poderá ocupar terrenos mais interiores na próxima temporada, como deu a entender Jorge Jesus.
Em entrevista à Benfica TV, o técnico afirmou que o médio é “um jogador de último passe”, sendo que, segundo Jesus, “esse tipo de jogadores não jogam nas laterais, mas sim no corredor central.” De resto, essa posição não é estranha ao médio transmontano.
De lembrar que na época 2014/15, Pizzi, que na altura regressava de um empréstimo ao RCD Espanyol, ocupou o lugar de médio centro, a denominada “posição 8”, durante a segunda volta do campeonato, após a saída de Enzo Pérez em Janeiro. Jorge Jesus era o treinador, e, após rodar alguns jogadores na posição, decidiu que o português era a melhor alternativa.
De resto, é conhecido que Pizzi fez parelha com Weigl no meio campo no jogo de treino contra a equipa b das “águias”, que acabou com uma vitória expressiva por quatro bolas a zero.
Numa altura em que Gabriel é apontado como dispensável para Jesus e com nenhum “8” à vista para reforçar o plantel, o transmontano poderá mesmo voltar ao miolo do terreno, assumindo a batuta no centro da orquestra encarnada na próxima temporada."

Recordações: Francisco João...

As novas substituições no futebol: 5 em 3 ou 10 em 6... mas pode não ser assim. Depende

"5 em 3 ou 10 em 6... mas pode não ser assim. Depende.
Confuso? Não esteja.
As novas substituições no futebol - aprovadas pós-pandemia e, de forma transitória, também para a nova época - são mais fáceis de entender do que parece.
A coisa só complica (um bocadinho) quando os jogos têm que ir a prolongamento, mas nem isso é um bicho de sete cabeças. Já lá vamos.
Comecemos pelo mais fácil:
- Neste momento, cada equipa pode fazer um máximo de 5 substituições, em 3 paragens de jogo (máximo).
As contas são fáceis de fazer: se as duas esgotarem as alterações a que têm direito e em momentos diferentes do jogo, haverá um total de 10 substituições (5 por equipa) em 6 paragens (3 por equipa). Certo? Pronto. Título explicado.
Analisemos agora algumas regras básicas deste processo:
1 - O intervalo não conta como paragem, ou seja, se as equipas fizerem alterações nesse período, não estão a "queimar" uma das paragens que dispõem;
2 - Se as equipas escolherem fazer substituições na mesma interrupção, estão a "gastar" uma paragem para cada.
Vamos à fase seguinte:
- Quando os jogos têm que ir a prolongamento, a Lei 3 permite que cada equipa realize uma substituição adicional (obviamente numa nova paragem de jogo).
Isso significa que, quando houver necessidade de recorrer à meia-hora extra, cada equipa pode efectuar um máximo de 6 substituições (5 do jogo + 1 do prolongamento), em 4 paragens (3 + 1).
Nesse caso, o jogo pode ter, ao todo, 12 substituições, em 8 paragens! É muita coisa.
Aspectos a ter em conta:
1 - As substituições/paragens não utilizadas por uma equipa durante os 90 minutos, podem acumular para o prolongamento (e este é um aspecto importante);
2 - Tal como acontece no intervalo do jogo, qualquer alteração realizada entre o fim da partida e o início do prolongamento, não conta como "paragem". O mesmo acontece no intervalo desse período. 
Tudo dito.
Agora é só assimilar a informação, para que possamos perceber o que se está a passar em campo (e já está a acontecer, nas fases finais da Liga Europa e Champions League).
Para facilitar, dois exemplos práticos:
A - Uma equipa faz 2 substituições ao intervalo. Não mexe mais até terminar o encontro.
- Se o jogo for a prolongamento, pode fazer mais 4 alterações: 3 que restavam dos 90m + 1 a que tinha direito no prolongamento. E pode fazê-las em 4 paragens (as 3 que não usou do tempo regulamentar + aquela a que tem direito na meia hora adicional).
B - Uma equipa faz 1 substituição ao intervalo e outra no final do jogo, antes do início do prolongamento. 
- Isso significa que fez 2 alterações sem "queimar" qualquer paragem que dispunha.
Resultado: na meia-hora extra, pode efectuar mais 4 substituições (3 + 1) em 4 paragens (3 + 1).

Nota final - O IFAB permite que as entidades organizadoras (Federações e Ligas) apliquem ou não estas prerrogativas transitórias. O respectivo regulamento de competições deve ser muito claro quanto ao processo que vigorará.
Feito. Vamos a eles!"

João & David... Inglaterra!

João, Markus & Patrick... Cimeira!

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Há 20 anos, no Hotel Berna

"Teria feito, na passada semana, no dia 6 de Agosto, 85 anos. Mário Esteves Coluna. Dificilmente um nome foi tão intenso na história no Benfica e do futebol português. Guardo dele memórias carinhosas. Era de uma simplicidade desarmante.

Falava devagar. Às vezes mesmo muito devagar, quase para dentro, e era preciso fazer um esforço para escutar o seu discurso sempre bem organizado. Quando li a notícia de que Mário Coluna teria feito 85 anos, se continuasse vivo, fiquei com uma espécie de certeza de que continua, de facto, vivo. Há gente assim. Que morre de morrer, mas vive para sempre nas lembranças mais espontâneas que existem dentro de cada um de nós. Que seriam 85 anos para ele, o homem que dominava o campo como ninguém, que empolgava companheiros e apavorava adversários? Nada mais do que uma data para cumprir.
Subitamente, recordei-me de uma entrevista muito longa que lhe fiz, no Hotel Berna, em Lisboa, à beira do Apolo 70. Que diacho! Já lá vão precisamente 20 anos. O tempo passou, e nem dei por ela, entretido que ando a escrever todos os dias. Todas as horas de todos os dias.
Mário Coluna era simples, mas solene. Até na lentidão com que ia respondendo às minhas perguntas e desbobinando histórias da sua vida. Fiquei a saber muito que ainda não sabia sobre ele, apesar de já termos tido, antes disso, conversas de uma riqueza maravilhosa.
Chamaram-lhe Monstro Sagrado. Ao vê-lo, já encanecido, um pouco dobrado, via-se no campo, de cabeça erguida, peito feito para o que desse o viesse, comandante de homens valentes como ele. E as imagens assaltavam-me a memória aos borbotões. Uma delas, com Coluna de braços atrás das costas, cabeça ligeiramente curvada, falando respeitosamente para um árbitro, ficou guardada numa fotografia qualquer e sei lá em quantas páginas de jornal. Dizia-se que, a despeito da postura respeitadora, Mário Coluna dizia das boas aos árbitros. O antigo seleccionador nacional, Manuel da Luz Afonso, contou-me que Coluna tinha sido o único jogador que nunca tivera de multar. Mário, o Coluna, ria-se quando lhe falava nisso. 'Nunca levei uma multa, é bem verdade! Porque eu achava que devia ser um exemplo para os outros. Era, afinal, o responsável pela equipa dentro do campo. E falava com os árbitros nessa condição. Falava-lhes com respeito, mas dizia-lhes o que pensava dos lances e, se necessário, discordava deles'.

Apenas uma crónica...
Não é decididamente fácil falar de Coluna, assim um pouco à toa, um artigo deste género, numa crónica que não lhe faz a homenagem justa que ele tanto merece. Seria preciso um livro. Um livro épico, uma Odisseia de Homero, uns Lusíadas de Camões. Ah! Desculpe, meu querido senhor Coluna, terá de se contentar com a mera prosa que serei capaz de rabiscar.
A sua vida foi repleta de acontecimentos. Saiu do Benfica com amargura, sentia-se ainda capaz de fazer a diferença com o seu grito de comando, o seu berro que perpassava as tropas como o de D. Afonso Henriques na Batalha de Ourique. Foi triste para o Lyon, jogando cada vez menos, até se fartar de França e regressar a Portugal. Jogou cinco finais da Taça dos Campeões europeus e uma final da Taça Latina. Ganhou e perdeu dinheiro; foi seguido pela PIDE, voltou para Moçambique, onde assegurou o seu futuro.
Volto àquele princípio de tarde, em Lisboa, no Hotel Berna. Parece que ainda ouço o som melancólico da sua voz. Contou-me histórias da sua infância, na ilha de Inhaca, onde o Índico se perde no horizonte. De como chegou a Lisboa em 1954, aos 19 anos, e de como chegou, viu e venceu, à moda de Júlio César depois de ter atravessado o Rubicão. 'Não gosto de dizer isso, pode parecer imodéstia, mas foi o que aconteceu, no fundo. O Benfica já não era campeão há três ou quatro anos, e logo na primeira época em que joguei fomos campeões, ganhámos a Taça, fui internacional A, B e militar. As minhas memórias são boas desde início, o futebol foi um mundo feliz para mim'. Soube merecê-lo. Como talvez também merecesse ser campeão do mundo naquele ano extraordinário de 1966, em Inglaterra, quando Eusébio espantou o mundo, e Mário Coluna recebeu a braçadeira de Germano e se tornou, orgulhosamente, o primeiro capitão negro de uma selecção europeia.
Recordo a melopeia. Os seus gestos tranquilos, a forma como era impossível não ficar preso às suas palavras, às suas frases. Escutá-lo era um privilégio que exigia contenção nas perguntas, uma dose bem medida de silêncio para que pudéssemos respeitar os seus silêncios intercortados.
Ele falava, eu ouvia: 'Fui felizmente, capaz de pensar na matemática do futuro. Investi o que ganhei em Moçambique. Não ganhei muito, podia ter ganho muito mais se o Benfica me tivesse deixado sair para a Roma, no mesmo ano em que o Eusébio teve um convite para o Inter, mas os tempos eram outros, ficaríamos a saber mais tarde que tinha sido o Salazar a proibir a nossa saída para o estrangeiro'. Depois revelava: 'Esse momento em que tive de aturar a PIDE tem que ver com uma viagem a Praga com a selecção. Apareceram-nos no hotel alguns estudantes angolanos, pediram-nos convites para o jogo, nós oferecemos os nossos, nada de mais. Mas, depois, chegados a Lisboa, recebi uma convocatória para ir à PIDE. Fui. O inspector que me atendeu era do Benfica e um admirador meu. Expliquei-lhe o que se passara, e ele disse-me: 'Você teve uma grande sorte por estar eu aqui. Com outro colega qualquer já estaria preso'. Como se alguém pudesse encarcerar um homem chamado Mário Esteves Coluna! Aquele cuja simples presença chegava para pôr em ordem todas as rodas dentadas do universo..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Solidariedade entre rivais

"Na 1.ª edição da Volta a Portugal, o espírito de solidariedade foi a grande vitória do Benfica

Em 1927, nasceu que se afirmou como a prova rainha do ciclismo luso: a Volta a Portugal. Dividida em 18 etapas, percorrendo um total de 1958 km, foi uma autêntica odisseia, já que a maioria dos itinerários era de terra batida, onde os ciclistas punham à prova a sua robustez física, lutando contra todo o tipo de percalços.
A rivalidade entre emblemas desportivos transpôs-se dos estádios para as estradas, passando a ter um cunho ainda mais popular Miúdos e Graúdos podiam ver ao vivo e a cores os ases dos seus clubes rodando a grande velocidade. O Benfica apresentou-se com uma equipa constituída por Eduardo Santos, Alfredo Piedade e Francisco Santos Almeida.
Em 26 de Abril, os ciclistas partiram de Lisboa, à conquista do sul do país. Logo na 2.ª etapa, entre Setúbal e Sines, Arnaldo Gonçalves, ciclista do Carcavelos, partiu o seu guiador, e logo o carro de apoio do Benfica se predispôs a ajudá-lo: 'com um espírito desportivo muito para louvar e digno de registo, os delegados do Benfica não duvidaram emprestar um guiador novo, a um adversário que disputa também a classificação por equipes'. Na 6.ª etapa, todas as atenções se viraram para Beja, que aguardava o fim de mais uma etapa. Porém, soube-se que Alfredo Sousa, ciclista do Sporting, tinha partido o quadro da sua bicicleta entre Aljustrel e Ervidel. Todos quiseram ir em socorre do malogrado corredor, mas não dispunham de meios para tal. Nesse preciso momento entrou na cidade o carro de apoio do Benfica, que, informado do sucedido, decidiu ir ajudar o ciclista leonino. O carro 'fez uma volta apertada e cortou à direita, pela planície, para Ervidel, levantando na estrada uma nuvem densa de poeira'. Com os olhos postos na planície, comentava-se o lindo gesto do Benfica, auxiliando um clube rival de longos anos. Alfredo Sousa, com a bicicleta emprestada pelo Benfica, fez-se de novo à estrada. Na etapa seguinte, o Benfica viu-se privado do seu melhor estradista, Alfredo Luiz Piedade, devido a fortes dores nos rins, mas ainda foi protagonista de mais um bonito gesto de desportivismo, ao ter cedido a sua bicicleta ao sportinguista João de Sousa, vítima de uma queda aparatosa.
A prova continuou pelas estradas do país, tendo o Benfica terminado num honroso 4.º lugar. Porém, o que mais importa ressalvar foram os constantes gestos de generosidade demonstrada pelos homens do Benfica, glorificando deste modo o desporto nacional.
Conheça outras façanhas do ciclismo benfiquista na área 3 - Orgulho Eclético do Museu Benfica - Cosme Damião."

Ricardo Ferreira, in O Benfica

Emprestadado!!!

"Hoje saiu a notícia que o Futebol Clube Paços Ferreira recebeu o jogador Bruno Costa (ex-Calor da Noite como colocam na imagem de apresentação no site oficial) por empréstimo.
Pois bem, o jogador Bruno Costa, como os nossos caros amigos se devem lembrar, foi comprado pelo Portimonense FC por um ano e meio.
No entanto, há 5 minutos atrás, o Jornal Oficial dos nossos amigos do Calor da Noite, anuncia que o jogador Bruno Costa foi emprestado ao FC Paços Ferreira...Ora bem, como é que o FC Porto empresta um jogador que vendeu ao Portimonense na época passada?

https://www.ojogo.pt/futebol/1a-liga/pacos-ferreira/noticias/pacos-de-ferreira-anuncia-reforco-por-emprestimo-do-fc-porto-12530859.html?utm_source=push&utm_medium=mas&utm_term=12530859 
Fica só mais um reparo, vendido ou emprestado ao Portimonense, Bruno Costa defrontou o Calor da Noite na época passada. Ou seja, se foi apenas emprestado não podia ter jogado contra o Calor da Noite, o que comprova que o jogador foi mesmo comprado pelo Portimonense porque jogadores emprestados não podem jogar contra a casa mãe.
As trafulhices destes filhos da puta não têm fim.
Ninguém falou ou fala nisto. E ninguém vai punir esta ilegalidade. Mais uma ilegalidade com base na promiscuidade Calor da Noite-Portimonense. Siga a frutaria das Antas!

P.S.- Ana Gomes, anda cá ver isto!"

O Brinco da Baptista #50 - Dossier Racismo

Darwin Núñez, poderio ofensivo para a Luz


"Associado pela imprensa ao Benfica, o Ponta de Lança da selecção do Uruguai no último campeonato Mundial de sub20, Darwin Núñez é mais um produto da maravilhosa geração de 99, e aos vinte e um anos já soma uma internacionalização pela selecção principal do Uruguai, jogo no qual marcou, diga-se.
Depois de uma temporada de grande impacto no Almería na Segunda Divisão do futebol Espanhol, é agora associado ao interesse do SL Benfica. 
Mas, quem é e que argumentos poderá trazer para a Luz?
Muito alto mas nem por isso pouco hábil, Núñez não apresenta somente presença na grande área em situação de responder a cruzamentos, mas é um avançado capaz de definir em zonas de criação, jogando de costas e procurando associar-se com entradas dos colegas, e ainda mais um jogador de potência e chegada muito forte para finalizar. Um clássico número nove que segue a tradição de pontas de lança uruguaios com argumentos técnicos de excelência em zona de finalização.
No Benfica poderá perfeitamente acompanhar Cavani na dupla de atacantes, embora pelos seus traços aparente “casar” melhor com Waldeschmidt, que lhe possibilitaria ser o homem mais adiantado sem tantas preocupações defensivas e de ligação. A possível chegada à Luz constituiria um poderio incrível no plantel encarnado, que passaria a contar com três jogadores de enorme qualidade no corredor central nos espaços mais adiantados, para duas posições."

Ligas menos milionárias

"Quando já se disputam os primeiros encontros de qualificação para a fase de grupos da Liga dos Campeões, os grandes clubes da Europa jogam a sua solvência financeira.

Imaginando a pandemia como um jogo de futebol com duas partes, diremos que estamos no intervalo, depois de um primeiro tempo com a “partida” interrompida durante três meses, e um período de “descontos” que trouxe as competições por Agosto dentro, com a Liga dos Campeões a terminar agora, em Lisboa.
É neste período de “intervalo” da pandemia que nos é dado a conhecer o relatório da World Football Summit sobre os efeitos da Covid-19 na indústria do futebol. O documento – “Covid-19 Implications on the Football Industry” (disponível aqui) – alerta que “a recuperação dos efeitos da pandemia de Covid-19 será uma partida longa e dura para a indústria do futebol. Especialistas de topo acreditam que alguns dos desafios colocados por esta crise sanitária sem precedentes vão permanecer pelo menos até 2024”. Ou seja, as ondas de choque deste sismo sanitário sobre as finanças do futebol durarão pelo menos quatro anos.
Especialistas desta indústria classificaram com notas entre 1 e 7 os impactos causados, e entre os 23 critérios avaliados aparecem “eventos”, “receitas” e “clubes”, com nota acima de 6 (em 7!). A realidade afigura-se, pois, desafiante, e reforça a urgência de repensar estratégias de investimento numa indústria que só em passes de jogadores movimenta anualmente milhares de milhões de euros – um documento da FIFA relativo à última época aponta para 5,6 mil milhões de euros transferidos de ou para clubes europeus. Entre os tradicionais patrocinadores dos clubes e da indústria, o impacto está a ser de 5,16 (na referida escala de 1 a 7), o que prefigura que estes se tornem mais “frugais” na renovação dos contratos de patrocínio.
Quando já se disputam os primeiros encontros de qualificação para a fase de grupos da Liga dos Campeões (na qual o FC Porto tem entrada directa e o SL Benfica depende da vitória em duas rondas para assegurar uma presença que, nos últimos exercícios, garantiu cerca de 20% das receitas totais da SAD), os grandes clubes da Europa jogam a sua solvência financeira.
Pegando no exemplo do mais recente empréstimo obrigacionista de uma SAD portuguesa, no caso do SL Benfica, o prospecto (documento que obriga as sociedades a identificarem os riscos previsíveis da sua actividade) é claro a identificar o que pode correr menos bem.
O prospecto da operação, publicado em Junho de 2020 no site da CMVM, admitia que “ainda estão por determinar na sua totalidade” os efeitos da paragem das competições provocada pela pandemia da Covid-19. E, sobre esta paragem (que ninguém arrisca dizer se terá ou não repetição já neste Inverno), o documento é claro: “terá um impacto significativamente adverso no âmbito desportivo e, sobretudo, económico e financeiro […] Esse efeito adverso poderá manifestar-se de várias formas, nomeadamente na redução de prémios da UEFA, redução das receitas de bilheteira em virtude da realização de jogos à porta fechada e diminuição das transacções de atletas ou do seu valor, o que poderá afectar significativamente a actividade do Emitente, o seu desempenho e situação financeira”.
Diga-se que estes danos não diferem de todas as SAD dos chamados “grandes” do futebol nacional. É neste cenário que vemos terminar a época 2019/2020, com o término da Liga dos Campeões, a “Liga Milionária”, em Lisboa, e já assistimos à preparação para a próxima, mais incerta que o resultado da final de dia 23 no Estádio da Luz."

Benfica After 90 - Florida...

João & Markus... Alemanha!

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Helton Leite, Gilberto, Pedrinho e Diogo Gonçalves: upgrade ao banco de suplentes?

"Como tem sido noticiado e facilmente visível, o SL Benfica está a investir fortemente neste mercado de transferências, com o objectivo de construir uma equipa que domine a nível interno e, igualmente, se consiga bater com outra qualidade e rendimento no plano internacional, ao contrário do que tem acontecido nas últimas temporadas. Como tal, são, até ao momento, já seis os reforços para o plantel encarnado (Cavani está próximo de ser oficializado e assim se tornar o sétimo), ao qual também se junta o regresso de empréstimo por parte de Diogo Gonçalves.
De facto, é inegável a grande expectativa para ver em acção nomes mais sonantes e que deixaram água na boca no universo encarnado, nomeadamente os de Jan Vertonghen, Everton “Cebolinha” e Gian-Luca Waldschmidt, quer pelo avultado montante investido na contratação dos jogadores em questão, quer pelo facto de se tratarem de jogadores já feitos, com experiência, qualidade e atributos diferenciados que certamente marcarão uma nova etapa no futuro do clube da Luz.
No entanto, no futebol actual, cada vez é mais necessário ter um plantel equilibrado, com soluções para as diversas posições e que, consequentemente, possa impedir quebras de rendimento em caso de fadiga, castigos ou lesões por parte dos elementos habitualmente escolhidos para o 11 inicial. Assim sendo, hoje, escrevo sobre quatro nomes que tanto poderão disputar e ocupar um lugar na equipa de Jorge Jesus como, por outro lado mas igualmente importante, serem alternativas válidas para a rotatividade e colmatar algumas situações que surjam no decorrer duma época que se prevê bastante longa e desgastante (começando logo com as eliminatórias de acesso à Liga dos Campeões), garantindo um banco forte e com qualidade.

1. Diogo Gonçalves Por fim, resta fazer referência a Diogo Gonçalves, que regressa para fazer pré época com o plantel, depois de dois empréstimos consecutivos (Nottingham Forest FC em 2018/2019 e FC Famalicão em 2019/2020), sendo que no empréstimo aos famalicenses demonstrou toda a sua qualidade e capacidade para ser novamente uma opção válida (com 34 jogos, sete golos e dez assistências em todas as competições) nos encarnados, depois da aposta e algumas oportunidades na época de 2017/2018, ainda com Rui Vitória à frente da equipa.
Apesar da versatilidade e polivalência que apresenta, juntamente com o amadurecimento no FC Famalicão e maior experiência na Primeira Liga, ainda não é certa a sua permanência definitiva no plantel. Para lateral direito, já há André Almeida e Gilberto, tendo Jorge Jesus dito, em entrevista à BTV, que serão os dois a disputar a vaga pela posição. Já nas alas, há jogadores como Everton “Cebolinha”, Rafa, Pedrinho, Pizzi (ainda que Jorge Jesus tenha dado a entender que será mais utilizado no centro do terreno), juntamente com outros atletas que, até à data, continuam no plantel encarnado, tais como Franco Cervi, Andrija Zivkovic e Jota.
Veremos qual o futuro do português, se a permanência na equipa, sendo uma opção válida para diversas posições, nova saída por empréstimo ou, desta vez, uma saída definitiva, permitindo um encaixe financeiro ao clube, altamente sobrecarregado pelos atuais gastos em compras.

2. Pedrinho Para as alas, chega o talentoso Pedrinho, com 22 anos, vindo do SC Corinthians, por uns elevados 20 milhões de euros, numa contratação que, quando foi confirmada, provocou imensas dúvidas nos adeptos encarnados e também muita discussão em terras brasileiras em consequência da relação valor/qualidade, levando até o seu agora treinador Jorge Jesus a afirmar que, pelo valor pelo qual foi contratado, existiam melhores opções no Brasileirão.
Apesar do elevado montante investido, o certo é que se trata de um jogador com características que o diferenciam dos restantes extremos que o SL Benfica possuía em 2019/2020: finta, imprevisibilidade, capacidade de jogar entrelinhas, técnica e muito forte no 1×1. Terá de aprender várias noções e dinâmicas do ponto de vista táctico, finalizar com outra qualidade (o seu historial a nível de golos não é fantástico, bem pelo contrário) e compensar também defensivamente numa equipa que se prevê que seja obviamente ofensiva.
Além de jogar preferencialmente na ala direita, flectindo para o meio e oferecendo muita capacidade de jogo interior, pode também actuar na esquerda e como segundo avançado, oferecendo, deste modo, um leque de soluções e uma versatilidade extremamente apreciada pelo técnico Jorge Jesus.
Talvez não inicie a época como titular, mas será certamente um elemento com oportunidades e, quiçá, importância no SL Benfica 2020/2021.

3. Gilberto Para a defesa encarnada, mais especificamente para a ala direita, chegou outro nome brasileiro e já com alguma experiência (27 anos), neste caso, Gilberto, saído do Fluminense. Contratado por cerca de três milhões de euros, o lateral assinou contrato até 2025 e prepara-se para disputar com André Almeida a vaga pela posição de lateral direito, algo carenciada desde 2017 (após a saída de Nélson Semedo para o FC Barcelona).
Muito forte fisicamente e com capacidade atlética considerável, Gilberto tem como cartão de visita a velocidade, cruzamento e a chegada ao último terço ofensivo, sendo bastante forte nesse aspecto. Em sentido contrário, apresenta algumas debilidades tácticas e fragilidades do ponto de vista defensivo, sobre as quais Jorge Jesus provavelmente terá de fazer um trabalho específico de forma a melhorar os aspectos referidos.
No entanto, o jogador já havia sido um pedido do técnico português quando este se encontrava no CR Flamengo; na altura, a transferência acabou por não se concretizar, mas agora, no SL Benfica, o treinador optou novamente por tentar contratar o defesa direito brasileiro, desta vez com sucesso. Com a sua chegada, certamente aumentará a competição pela posição e, previsivelmente, o clube terá duas opções mais equilibradas sem se notar tanto a diferença em caso de ausência do possível titular.

4. Helton Leite – Começando pela baliza, Helton Leite, de 29 anos chega ao SL Benfica proveniente do Boavista FC, tendo assinado um contrato válido por cinco temporadas. À partida, tudo leva a crer que será o suplente de Odysseas Vlachodimos, sendo, claramente um upgrade em comparação com Zlobin que, na época transacta, quando foi chamado para defender as redes encarnadas na Taça de Portugal, não se mostrou preparado para o peso da tarefa e responsabilidade.
Na época passada, Helton Leite foi um dos melhores guarda redes da Primeira Liga, evidenciando excelentes reflexos, segurança, jogo de pés, posicionamento e elasticidade. Contudo, a meu ver, poderá melhorar noutros aspectos, tais como as saídas e a cobertura da profundidade, algo preponderante para Jorge Jesus que, como se sabe, é um apreciador da defesa subida, em função do futebol de ataque e elevada pressão que pratica. Por fim, as lesões têm sido outro aspecto menos positivo do guarda redes brasileiro e que, por vezes, o têm impedido de demonstrar todo o seu valor."

Lá fora: "El Súper Benfica"

"Cá dentro: A idade, o investimento, a fiscalidade, a pandemia, aquilo que outrora eram jogadores que vinham dar prestígio à Liga Portugal passou a indecência ou irresponsabilidade.
Este País é demasiado pequeno para a grandeza do Sport Lisboa e Benfica."

Herança de peso para Robinho

"Inicia-se uma nova era no futsal do Sport Lisboa e Benfica, com a saída há muito anunciada de antigo capitão e símbolo do clube, Bruno Coelho, para o projecto do ACCS, em França. Tal abriu uma grande interrogação no seio do clube encarnado: qual seria o novo capitão das águias a partir da próxima época 2020/21. Com esta baixa de peso, caberia à estrutura benfiquista encontrar um jogador com o perfil indicado e um misto de experiência e capacidade de liderança para ser a extensão do treinador em campo. 
A escolha acabou por recair sobre um dos jogadores mais influentes e o mais experiente do actual elenco, o brasileiro Robinho. Com 37 anos de idade e a caminhar para o seu quarto ano com a camisola do Benfica, o brasileiro naturalizado russo é dos futsalistas do actual plantel aquele que melhor encarna, na minha opinião, a garra e a vontade que o misticismo e a rica história das águias merece.
A herança deixada pelo seu antecessor é muito pesada, pois Bruno Coelho é um dos grandes jogadores das águias e obviamente, um dos capitães mais consensuais e indiscutíveis, pelo que a tarefa de Robinho não se avizinha nada fácil. Mas, pelo menos, pode ajudar a integrar os jogadores jovens e inexperientes e faze-los sentir a importância e o peso de vestir o “manto sagrado”.
Nesse papel acredito que o experiente ala irá auxiliar os jovens que estão a dar o salto para a equipa principal. O resto, como se costuma dizer, teremos que aguardar pelos próximos episódios e pelo desenrolar da próxima temporada. Como o próprio jogador admitiu, a sua responsabilidade dele irá aumentar bastante e como tal, só o avançar da competição é que irá mostrar o real valor de Robinho enquanto capitão do Benfica.
Eu defendo sempre que, antes de se criticar ou elogiar prematuramente uma decisão, devemos dar o benefício da dúvida e um voto de confiança aos escolhidos e depois sim, fazer uma análise crítica e fundamentada."

Evanilson, o habilidoso gigante


"Como ponta de lança ou partindo da posição de extremo, quando actua em simultâneo com Fred, o miúdo Evanilson (20 anos) é a nova atracção do futebol no Rio de Janeiro. Ele que representa o Fluminense desde bem jovem, mas que tem a curiosidade de ter passado pela Liga Eslovaca.
Qualidades condicionais extraordinárias, surpreende pela invulgar habilidade com que se move e executa para quem tem tal perfil morfológico.
Mestre das diagonais curtas para aparecer a finalizar, aceleração, drible e capacidade de finalização que lhe valeram uma soma anormal de golos no Brasileiro Sub20, e que o tornaram atracção do Carioca 2021. 
Eis Evanilson, mais um jovem de potencial tremendo que o futebol brasileiro vê emergir."

Uma frase de pascal...

"Nos Pensamentos, Pascal (1623-1662), matemático e físico e filósofo e teólogo, de ideias imorredoiras, afirmou: “o homem nada mais é do que um caniço, o mais frágil da natureza, mas um caniço pensante. Não é necessário que o universo inteiro se reúna, para massacrá-lo. Uma gota de água basta para matá-lo. Mas, se o universo um dia o eliminar, o homem continua mais nobre do que os elementos que o eliminaram, pois que sabe por que morre. Toda a nossa dignidade consiste, portanto, em pensar”. Alain Touraine acrescenta, a este propósito, na sua Crítica da Modernidade: “a história da modernidade é a história da dupla afirmação da razão e do sujeito”. Os filósofos do século XVIII (o século, por excelência, do racionalismo) converteram a Razão numa espécie de divindade, capaz de ler o universo todo e conduzi-lo à resolução das necessidades humanas mais instantes. É pela Razão, segundo a filosofia racionalista, que pode contemplar-se a Verdade. Mas o paradigma desta filosofia (também chamada “iluminista”) era a física de Newton. O corpo jazia rodeado por um ferrugento arame farpado de ideias e não passava de um objeto ao lado dos outros objectos. A tanto levou o racionalismo: ao corpo-objecto! A visão do corpo era simplesmente mecânica e relojoeira. O médico mais célebre do Iluminismo, La Mettrie (1709-1751) escreveu um livro, L´Homme-Machine (O Homem-Máquina) que faz do ser humano uma simples máquina, chegando ao extremo do mais dogmático mecanicismo, ateísmo e materialismo. Pascal, no entanto, que inventou a primeira máquina de calcular, que se conhece, com o seu espírito científico sempre temperado de filosofia e teologia, também deixou escrito algumas frases que ficaram célebres e onde o racionalismo se põe em questão: “O coração tem razões que a própria Razão desconhece”…
Max Weber identificou modernização com racionalização, dado que a modernização se expressa pela permanente e cada vez mais complexa racionalização da sociedade, mormente do conhecimento científico. Não é por isso de estranhar-se que numa sociedade que se julga solidamente científica prevaleçam o empirismo, o positivismo, o realismo, o materialismo e o célebre princípio marxista: “não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas é o seu ser social que determina a sua consciência”. Só que se num primeiro momento a Igreja Católica, em Portugal, se sentiu enfraquecida pela ausência de simpatia e de apoio dos diversos governos republicanos, o exercício intelectual e pastoral de Gonçalves Cerejeira (futuro Cardeal Patriarca de Lisboa e “lente” na Faculdade de Letras), entre os estudantes da Universidade de Coimbra; a criação do C.A.D.C. (Centro Académico de Democracia Cristã), que logo nas primeiras reuniões se impõe um “espírito” que nunca mais se havia de perder: o alheamento da política partidária, a preocupação da integral formação dos estudantes e, finalmente e ainda mais, uma disciplinada e consciente subordinação à autoridade da Igreja. Folheio, agora o livro Fátima e a Cultura Portuguesa (D. Quixote, Lisboa, 2018), da autoria do escritor e filósofo Miguel Real, onde pode ler-se: “Porém, a grande resposta da Igreja ao republicanismo foi dada (de um modo lateral às instituições e totalmente inesperado para a hierarquia) pela irrupção das Aparições de Fátima” (p. 84). E, duas páginas adiante, escreve Miguel Real: “Do ponto de vista do pensamento católico em Portugal, A Igreja e o Pensamento Contemporâneo (de Gonçalves Cerejeira) é um livro notável , operando o ponto de situação metafísico, teológico e epistemológico das relações entre a ciência e a religião, na Europa contemporânea”. De salientar o seguinte, no que à “formação física” diz respeito dos sócios do C.A.D.C.: foi, nesta organização académica, que se ergueu um ginásio e se organizaram cursos de ginástica, em espaço universitário. Mas… “não se tendo lançado na febre do desportismo” (Padre Luís Lopes de Melo, O Centro Académico de Democracia Cristã (História Breve), Coimbra, 1951, p. 12).
O mundo que o Iluminismo criou tem muito do que é seu transformado em clamorosas ruínas. Tenho a sensação, por vezes, que só leio coisas já ditas. Faltam-nos mestres. “Deus morreu” proclamou-o Nietzsche, num desespero incontido. Foucault, tão niilista como Nietzsche, garante que o homem morreu também. E, no entanto, para ele, o homem é uma invenção recente, não passa de um conceito filosófico que a modernidade inventou – afinal, uma criatura, com 200 ou 300 anos de vida! Resta-nos pensar sobre o vazio do homem desaparecido. Tem razão o Heidegger quando afirma que o homem é tão-só um ser-para-a-morte? Michel Foucault morreu de sida, num hospital parisiense, em 1984. E deixa-nos um legado de morte para todos os quadrantes da vida. Como estranhar que neste árido clima se escutem apelos a uma renovação do pensamento? Pois não é verdade que também há quem nos diga palavras donde sai um autêntico acorde… que nos deixa em êxtase? “Somos em grande medida habitados pela possibilidade de Deus”. Sem esquecer jamais que “a crença num conhecimento muito estável muitas vezes precipita-nos numa espécie de idolatria. A gente tem de perguntar-se sempre: o que é que me traz mais próximo de Deus? O saber ou o não saber? A procura de uma segurança a todo o custo ou a confiança esperançada numa amizade que amadurece?”. E este pensamento que nos deixa sentido, num mundo em crise de sentido? “Não há misericórdia sem excesso. Se queremos ser pessoas moderadas, se queremos ser apenas justos, se queremos fazer apenas o que está certo, seremos até boas pessoas, mas não conheceremos o Evangelho da Misericórdia. Porque o Evangelho da Misericórdia pede de nós um excesso de amor: que sejamos capazes de abraçar a vida ferida e que percebamos tudo sem necessidade de dizer muito”. José Tolentino Mendonça: é um dos meus autores preferidos. Com ele aprendo sempre que é possível ser feliz, feita a ressalva que não há felicidade sem transcendência! De facto, na obra do Cardeal Tolentino Mendonça, há uma Verdade para além da verdade histórica dos nossos anseios e dos nossos sonhos, que só pela transcendência se pode imaginar. E que tem sentido… 
Na prosa poética de Jorge Valdano, os treinadores e os futebolistas avultam sempre como figuras de actualíssima projecção, muito oportuna nos dias que nos assistem: “O capitalismo já ocupa todos os espaços, também no futebol. Como o pragmatismo não se discute e o futebol não tem uma claque própria, aceitamos com resignação as palavras de Simeone: “O resultado não é o mais importante, é a única coisa”. Os treinadores têm o direito de o dizer, porque são os primeiros a sentir a guilhotina por um mau resultado. Mas a frase é uma falta de respeito pelo futebol enquanto fenómeno, “ópera dos pobres”, que provoca sobressaltos emocionais e estéticos e que eleva, em algumas ocasiões, jogadores e equipas a picos heróicos. Para Simeone, o resultado é uma questão de sobrevivência, mas se o futebol fascina é porque tem a ver com o orgulho, a identidade e a aspiração de grandeza. Numa só palavra, com a glória. Se o único critério social que mede o êxito é o dinheiro, não podemos estranhar que o único critério futebolístico que mede o sucesso seja o triunfo” (A Bola, 2020/8/15). De facto, “o capitalismo já ocupa todos os espaços, também no futebol”. Há muito tempo o senti. Por isso, respigando no que escrevi, pode encontrar-se: “E se o Desporto emerge tão-só como um dos subsistemas do sistema “capitalismo” ele não passa de simples mercadoria, à imagem do que se passa com o próprio corpo (…). No corpo, o que mais se consome e publicita são as suas qualidades físicas, morfológicas e sexuais. Prometem-se força física, ombros largos, cinturas finas, orgasmos tensos e intensos, como quem vende sabão, lixívia, ou outro produto deste jaez (…). O turvo presságio de Marx poderia aqui invocar-se: na sociedade capitalista, a prostituição da mulher acontece, lado a lado, com a prostituição generalizada do trabalhador. A reificação do corpo significa a reificação do trabalhador” (Algumas Teses sobre o Desporto, Compendium, Lisboa, 1999, p. 12). Mesmo o Ronaldo, o Messi e o Neymar… que ganham milhões, também para esconder a esmagadora maioria dos futebolistas profissionais que ganha “tostões”. Mas volto ao meu querido Amigo e Mestre, José Tolentino Mendonça, na revista do Expresso (2020/8/15): “Penso que uma forma de preparação decisiva, no nosso mundo incerto, é aquela que nos chega, através da capacidade de pensar”."

Cadomblé do Vata (milhões!)

"Então e aquele pessoal que há um ano via em silêncio esfingico, um clube sob alçada do Fair Play Financeiro da UEFA, com parcos 7 milhões de lucro no Relatório e Contas, investir quase 65 milhões de euros em reforços e que agora se contorce todo da língua quando um clube que nunca foi intervencionado pela UEFA e que no ultimo Relatório apresentou 104 milhões de lucro, planeia investir 80 ou 90 milhões de euros em craques?"

Patrick de Paula, da favela para o mundo


Na favela era tiro para cá, tiro para lá, vai tremer em penalty?
O moleque há dois anos e meio estava na favela jogando pelada. Lá onde ele morava, na comunidade dele, o tiro ‘come’ para lá e para cá, ele tinha que se esconder aqui e ali. Ele não está nem aí para bater pênalti. É um jogador que nasceu jogador de futebol. Não vai tremer nunca.»
Wanderlei Luxemburgo

Foi a grande revelação do Paulistão 2020 e ainda ficou para a história como o marcador do golo do triunfo do Palmeiras na competição.
Depois de um empate entre os rivais Palmeiras e Corinthians, a grande final decidiu-se na marca das grandes penalidades, e aí uma vez mais Patrick de Paula deixou a sua marca, assumindo a responsabilidade de bater o penalty final que valeu o triunfo do verão sobre o até então tricampeão Corinthians.
Médio centro com enormes argumentos técnicos e físicos, Patrick enche o campo com elegância e capacidade para progredir em posse. Com pouco erro, mesmo quando assume riscos à qual alia disponibilidade e qualidade defensiva, De Paula é mais um jovem brasileiro que a Europa descobrirá em breve."

As Águias #63 - Season Finale...

João, Pedro e Miguel... Trio!

domingo, 16 de agosto de 2020

Golos...

Decacampeões !!!

A secção masculina de Atletismo do Benfica, sagrou pela décima vez consecutiva, Campeões Nacionais por equipas ao Ar Livre.

Semanada...

"1. Seis ou Sete Reforços. Na sua primeira entrevista como treinador do Benfica, Jorge Jesus disse que esperava entre seis a sete reforços além de Pedrinho e Helton Leite. Fazendo as contas, quatro desses reforços serão Vertonghen, Gilberto, Everton e Waldschmidt. Os outros dois serão mais um central (Rúben Semedo, Lucas Veríssimo, Koch ou Cabrera) e um ponta de lança. Fica a faltar o sétimo. A minha aposta para sétimo seria alguém para substituir alguma possível venda, nomeadamente um guarda-redes ou, talvez o mais provável, a saída de Carlos Vinícius.
2. Emprestados. Diogo Gonçalves é o único emprestado a fazer a pré-época com a equipa principal, sendo que quase todos os emprestados terminaram a época de 2019-20 praticamente ao mesmo tempo. Isto significa que Bruno Varela, Pedro Pereira, Cristian Lema, Ljubomir Fejsa, Filip Krovinovic, Nuno Santos, Alfa Semedo, Chris Willock, Facundo Ferreyra e Jhonder Cádiz não contam para Jorge Jesus. Destes, aqueles que me surpreendem mais acaba por ser Facundo Ferreyra e Nuno Santos. Krovinovic fez uma boa época em Inglaterra, mas não me parece que seja melhor que Gabriel, Taarabt, Weigl, Samaris ou Pizzi. No entanto, para sexto médio centro - se calhar até para quinto - acho que deveríamos ter alguém jovem, com margem de progressão e potencial. Nuno Santos parece-me encaixar-se melhor nesse perfil do que David Tavares. Eu teria chamado-o. Facundo Ferreyra também teria chamado porque é um ponta de lança melhor do que aquilo que mostrou nos últimos dois anos, com Jorge Jesus poderia render mais. E parece-me que com a chegada de Edinson Cavani, vamos acabar por trocar vários pontas de lança.
3. Renovação de Diogo Gonçalves. Além de estar a fazer a pré-época, Diogo Gonçalves renovou com o Benfica até 2025. Esta renovação sinaliza uma aposta significativa no jogador que neste momento não há muitas dúvidas que deverá fazer parte da equipa principal. Muita gente tem falado da época dele na temporada passada. Foi boa, mas não foi assim tão fantástica, na minha opinião. Não era dos jogadores mais importantes no Famalicão. Mas Diogo Gonçalves é um jogador ao estilo de Jorge Jesus. É um jogador pragmático, com um sentido muito orientado para a baliza e competitivo. Tudo traços que agradam a JJ. Jorge Jesus disse que quer 25 jogadores de campo. 25 jogadores de campo são 4 laterais, 4 centrais, 6 médios centro, 6 extremos e 5 avançados. Com Pizzi a passar para o grupo de médios centro, o grupo de extremos está neste momento composto por Everton, Rafa, Pedrinho, Diogo Gonçalves, Zivkovic, Cervi e Jota. Acredito que o lugar de Diogo esteja assegurado. A dúvida neste momento será entre Zivkovic, Cervi e Jota. Cervi parece-me o elo mais fraco, mas Jota quererá tempo de jogo e o Benfica por certo não importaria de se desfazer do contrato de Zivkovic. O caso pode fazer-se para qualquer um dos lados.
4. As Terceiras Linhas. O ano passado li uma entrevista do Director Geral do Bayern e ele disse que o clube não tinha dinheiro para pagar salários a dois jogadores muito bons por posição e que o seu objectivo era ter 16 ou 17 muitos bons e depois preencher o resto com jovens. E é assim que surgem jogadores como Joshua Zirkzee, Michael Cuisance, Sarpreet Singh, Leon Dajaku. Depois alguns desses jovens surpreendem e é assim que aparece um tal de Alphonso Davies. Está mais do que visto que o Benfica este ano vai ter mais do que 20 jogadores muito bons para a sua realidade. Na posição de médio centro, por exemplo, temos Weigl, Florentino, Samaris, Pizzi, Taarabt e Gabriel. Isto significa que se JJ usar dois médios centros e levar outros dois para o banco, o Benfica vai ter dois jogadores que algures nos últimos dois anos foram essenciais e titulares no clube a ver o jogo da bancada. Parece-me manifestamente exagerado. Não sei se vai dar, mas visto que a massa salarial dos titulares deverá aumentar significativamente, devíamos seguir o modelo do Bayern, reduzir a massa salarial dos segundas e terceira linhas, trocando jogadores que no passado eram essenciais e titulares, por jovens com potencial que possam progredir com ao trabalhar diariamente na equipa principal. Não acredito que isto vá acontecer. Nuno Santos estaria a fazer a pré-época nesse caso. Mas na minha opinião, era isto que deveria acontecer. Não vejo grande lógica em um jogador como o Samaris, internacional grego, fazer quatro jogos em seis meses e todos para Taça de Portugal. E eu adoro o Samaris.
5. Rennes na Champions League. Devido aos resultados dos jogos dos quartos-de-final da Champions League, o Rennes que inicialmente iria disputar as pré-eliminatórias da Champions League do próximo ano, agora está directamente apurado para a Fase de Grupos. O Rennes era provavelmente a equipa mais forte que poderíamos apanhar. São boas notícias. O Benfica partirá para os sorteios sempre como cabeça-de-série porque é a equipa com melhor classificação no ranking. Os possíveis adversários na 3º eliminatória serão PAOK ou Gent, o vencedor entre AZ - Viktoria Plzen e o vencedor entre Lokomotiva Zagreb - Rapid Wien. Na ronda do playoff, o número de cenários possíveis já é maior, mas a única equipa que temos a garantia que não iremos apanhar é o Dinamo Kyiv. À lista anterior, podem juntar-se ainda Besiktas e Krasnodar. Destas equipas todas, a que me parece mais talentosa e competitiva é o AZ Alkmaar.
6. Cameron Jackson reforça a Equipa Basquetebol. Parece que está encontrado o último reforço da equipa de Basquetebol e muito provavelmente das Modalidades Masculinas de Pavilhão - pelo menos até que haja alguma lesão. Cameron Jackson é um Extremo-Poste que em Portugal quase de certeza irá jogar a Poste. Vem do segundo classificado da Alemanha, depois do seu primeiro ano fora do College. Na Alemanha não era titular, mas estava numa equipa dois ou três patamares do Benfica. O Ludwigsburg na próxima época teria uma vaga na EuroCup se não tivesse abdicado de participar em competições europeias. Na Alemanha, Cameron teve como médias por jogo 7.6 pontos, 3.4 ressaltos, 1 assistência. Não são números muito impressionantes, mas Cameron não era titular, e vem de uma das melhores Ligas Europeias. O salto para a Liga Portuguesa é francamente grande. No papel parece ser um jogador interessante, jovem e com potencial para encaixar bem com Caleb Walker, que se destaca mais pelas penetrações para o cesto. O Benfica claramente que mudou o estilo que procura nos americanos este ano. Na próxima época vamos ter dois americanos que estão nos primeiros anos de carreira desde que saíram da Universidade. Eu prefiro jogadores assim a role players como Damian Hollis ou Gary McGhee. O downside acaba por não ser muito mau e o upside é incrível. Agora é preciso também que Carlos Lisboa saiba aproveitar o que tem nas mãos."