Últimas indefectivações

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Conversa com Luís Zambujo

"(...)
Entraste para as camadas jovens do SL Benfica com apenas 10 anos. Como foi esse percurso até chegar ao clube da Luz?
Sim, é verdade. Cheguei ao Benfica com 10 anos, mas na altura, antes na altura o meu sonho nem era o futebol. Eu praticava motocross no Alentejo, em Moura, e até fui campeão da Península Ibérica e ligava mais a motas do que ao futebol. Entretanto, num torneio de verão, creio que foi no campo do Lusitano GC, no Campo Estrela, em Évora, fui fazer um torneio pelo Lusitano e estava um olheiro do Benfica que ligou aos meus pais e fui fazer um treino ao antigo Estádio da Luz. Lembro-me que, na altura, o mister José Morais e o mister Paisana, treinadores dos escolinhas, dizerem que a equipa estava praticamente fechada mas que me queriam ver, nem que fosse para ficarem com referências minhas. Nesse treino conjunto, com outros miúdos com 9 e 10 anos, fiz cinco ou seis golos e quiseram logo que eu ficasse. A partir daí entrei na estrutura do clube.

Para um jovem de Évora, foi difícil a adaptação a uma nova realidade? Vivendo longe dos pais, numa cidade maior, com nova escola e novas rotinas?
Sim, mas deixa-me dizer que andei durante três anos a fazer viagens entre Portel, a minha terra, e Lisboa, entre treinos e jogos eram três vezes por semana que fazia a viagem. Por isso, só a partir dos treze é que fiquei no Centro de Estágio do Benfica, mas já tinha três anos de clube e era dos mais antigos, senão mesmo o jogador com mais anos de caso. Lembro que, na altura, os juniores tinham já carinho e respeito por mim porque, apesar de ser mais novo, já estava lá há muito tempo e conhecia muita gente. Mas sim, foi um pouco difícil porque uma coisa é ir treinar e voltar para casa dos pais e outra coisa é ficar lá a viver. Mas é como eu já disse, os três anos de casa ajudaram-me bastante. Custou-me mais as rotinas, o mudar para uma escola onde não conhecia ninguém sem ser os meus colegas do Benfica. A cidade de Lisboa também era gigante e aqueles percalços de sermos abordados e até assaltados para nos roubarem óculos de sol ou a carteira também eram novos para mim. Contudo, faz parte do crescimento e, a partir daí, cresci tanto como jogador como homem.

Estiveste quase dez anos no Benfica, numa altura em que não havia ainda as instalações do Seixal. Como era viver no Estádio da Luz?
Viver no antigo Estádio da Luz foi uma experiência fantástica e os meus colegas que passaram por lá acredito que digam todos os mesmos. Vivias nas bancadas do estádio, num centro de estágio em que convivias com miúdos dos 10 aos 20 anos e às vezes estavas a ir para a escola e vias passar os craques da altura, como o João Vieira Pinto, Poborsky ou Michel Preud’homme. No centro de estágio tínhamos mesmo uma abertura para as bancadas e conseguíamos ver quase todos os treinos dos seniores e chegávamos a passar tardes a estudar nas bancadas do terceiro anel a ver o relvado. Foi fantástico, até mesmo o convívio com os sócios e ir ver outras modalidades como o hóquei, andebol e basquetebol. Era tudo ali, praticamente no mesmo sítio e isso é uma experiência única que vou guardar para o resto da minha vida.

Foste companheiro de equipa de muitos jogadores do nosso futebol e partilhaste os dormitórios do Benfica com eles. Existiam partidas entre vocês e praxes?
Sim, claro. Seja no centro de estágio ou mesmo no balneário, havia sempre aquelas partidas e praxes que eram normais e que ainda hoje acontecem em todos os balneários do mundo. Mas tínhamos um ambiente muito bom e éramos muito amigos. Claro que havia aqueles que queriam dormir mais cedo, outros mais antipáticos, mas tudo isso faz parte da nossa amizade e do nosso crescimento. Lembro-me que éramos vinte no centro de estágio, com idades entre os 12 e os 20 e, às vezes, íamos todos para o Colombo lanchar ou ir dar uma volta à Baixa de Lisboa. Era bonito ver miúdos com 20 anos ali juntos a outros com 13 ou 14, todos amigos e a lutarem por um sonho. Mas, respondendo à pergunta, havia praxes, como há em todos os lados.

Quais eram os jogadores que, já na altura, percebeste que poderiam vingar no futebol? Seja no SL Benfica seja noutros clubes.
A minha geração de 1986 foi sempre muito forte no Benfica. Ainda hoje se diz que foi das mais fortes de sempre do clube. Praticamente ganhávamos todos os torneios por onde passávamos e até prémios individuais. Eu lembro-me que, nos primeiros quatro anos de Benfica, a minha equipa ganhava sempre o prémio de melhor marcador, melhor jogador, jogador mais tecnicista; lembro-me que arrebatávamos os prémios todos individuais. Eu lembro-me de ganhar, sem exagerar, uns 14 prémios individuais; o João Coimbra e o Manuel Fernandes, que nós víamos já que ia dar num jogador fantástico. Mas a minha geração era mesmo muito forte, tínhamos também o Tiago Gomes e o Rui Nereu, que já na altura era um “gato” e defendia muito. Nas outras equipas, lembro-me bem do [João] Moutinho, Nani, Paulo Machado ou Ivanildo. Era um misto de jogadores que nos encontrávamos todos nas selecções, onde éramos todos colegas. Mas nos três grandes já se via bem que havia ali muito jovem com condições para dar o salto. Falando somente do Benfica, acho que o jogador que teve uma melhor carreira e um percurso fantástico foi o Manuel Fernandes, que já na altura se via que ia ser um craque, tanto dentro como fora dos relvados.

E, no reverso da medalha, há algum jogador que prometesse e que tenha ficado pelo caminho?
Eu não vejo as coisas por esse lado. Eu costumo dizer que há jogadores que não tinham tanta qualidade como eu, por exemplo, mas que fizeram – ou estão a fazer – uma carreira melhor do que a minha e há outros que eram melhores do que eu e que ficaram pelo caminho. Não me lembro assim de nenhum que prometesse muito mais que não tenha cumprido. Cada um seguiu o seu caminho, uns com mais sorte do que outros, outros acompanhados de melhor forma por empresários do que outros, outros ainda com lesões complicadas numa fase crucial da carreira, mas tudo faz parte. De resto, até por respeito, acho que não deva indicar algum nome em particular. Até porque, para alguns, posso estar a fazer uma boa carreira e para outros nem por isso. É tudo muito relativo.

Nos juniores, viveste de perto a morte de Bruno Baião, um dos talentos dessa geração. Como é que um jovem de apenas 17/18 anos lida com a morte?
Lembro-me muito bem desse dia. Nesse dia não tinha ido treinar, estava com princípios de pubalgia e tinha ficado no centro de estágio que já não era no Estádio da Luz, era nos Pupilos do Exército, ao pé do Centro Comercial Fonte Nova. Lembro-me de estar no quarto de um colega meu e quando abro a porta para ir almoçar vejo os meus colegas dos juniores todos a chorar e com uma cara de enorme preocupação. Na altura o João Vilela, que é da geração antes da minha, disse-me para ir tomar banho e despachar porque tínhamos que ir para o hospital – senão me engano o Curry Cabral – porque o Baião tinha tido um ataque cardíaco. Depois foi a história que toda a gente já sabe, o Bruno era um craque e um exemplo para todos, era o nosso capitão e sentimos muito a falta dele, tanto no balneário e em campo como na vida. O Bruno era uma pessoa cheia de força, sempre com uma palavra amiga para dar e um capitão na verdadeira acepção da palavra. Custou-me muito, até porque o Fehér tinha morrido também há poucos meses e nunca foi fácil. Nós tínhamos passado pela experiência de morrer um colega mais velho e logo a seguir morreu um amigo e companheiro de equipa. Foi muito difícil e, ainda hoje, considero o Bruno um amigo e onde quer que ele esteja sei que está a olhar por todos nós.

Existe algum treinador que te tenha marcado pela positiva ou negativa durante os anos que passaste no Benfica?
Todos os treinadores que tive no Benfica me ajudaram a crescer tanto como jogador como homem. Tenho alguns que ainda hoje são meus amigos, mas todos foram importantes. É verdade que uns mais do que outros, mas todos importantes pelo que me foram passando, que me ensinaram e pela paciência que tiveram comigo. Eu também estava sozinho em Lisboa e alguns foram como pais para mim, ajudando-me e dando conselhos. Por isso, acho que todos os treinadores que tive no Benfica fizeram-me crescer e tornaram-me o homem que sou hoje. Agradeço e envio um abraço para eles todos porque, naquela fase inicial, ajudaram-me muito a conseguir seguir o meu sonho e dou graças a Deus por isso."

Entrevista de Bola na Rede, a Luíz Zambujo, in Bola na Rede

Não é só o futebol que sai prejudicado deste desvario

"Como é possível que se tenha chegado a este nível de absurdo em que se oferecem 120 milhões de euros por um jogador que promete tanto mas ainda provou muito pouco?

Em Agosto de 2017 chamei à transferência de Neymar do Barcelona para o Paris Saint-Germain “a mais obscena da história”. Julgo não ser uma expressão demasiado forte para uma operação que envolveu a quantia de 222 milhões de euros.
Cerca de dois anos depois, a cotação do jogador brasileiro de 27 anos está em queda livre. Nesta última época, participou apenas em 17 dos 38 jogos para o campeonato francês, passando a maior parte do tempo fustigado por lesões. E, ao que parece, não tem contribuído para o melhor ambiente no balneário: uma discussão com o seu colega Draxler só não resultou em pancadaria porque o treinador se meteu pelo meio. O jornal catalão Sport fala em “divórcio” e garante que o jogador e o clube estão de costas voltadas.
Mais ou menos por esta altura fala-se também da transferência de uma certa pérola do Seixal para um colosso do futebol europeu. Segundo a imprensa desportiva, há mesmo três emblemas interessados e dispostos a pagar 120 milhões de euros por João Félix. Alguns adeptos dos encarnados ufanam-se – “120 milhões!!!”. Estranhamente, muitos ficam mais entusiasmados com uma grande venda do que com a permanência no clube do seu jogador favorito, esquecendo-se talvez de que eles não irão receber nem um cêntimo de comissão...
Como é possível que se tenha chegado a este nível de desvario em que se pagam 120 milhões por um jogador que promete tanto mas ainda provou muito pouco?
Como é que ninguém percebe que estas somas obscenas prejudicam o desporto e só beneficiam os dirigentes, os agentes e os enxames de oportunistas que gravitam à sua volta?
Pior ainda: não é apenas o futebol que perde. Hoje, em vez de quererem ser polícias, bombeiros, músicos, artistas, médicos, arquitectos ou Presidentes da República, os miúdos querem ser Ronaldos ou Neymars, porque não precisaram de estudar para ganhar milhões, podem comprar tudo o que lhes der na gana e têm cortes de cabelo que não lembram ao diabo."

Tribuna de Honra - Selecção, Me Too, Mundial 2030 & Sentença...

A selecção e a ratificação do êxito

"Vamos imaginar um referendo com as duas perguntas que se seguem. Questão número um: Portugal é a melhor equipa da Europa? Hipóteses: Sim ou Não. Questão número dois: Fernando Santos é o seleccionador indicado para o presente e o futuro da selecção? Hipóteses: Sim ou Não. Seria um exercício curioso para conduzir dentro de portas, num país tão versado em duvidar de si próprio, mesmo perante o aplauso vindo do lado de lá das trincheiras.
O futebol e o consenso nunca conseguirão viver juntos e em harmonia, mas esse não é necessariamente um mau sinal, desde que traduza uma cultura de exigência e progresso construída sobre uma base de racionalidade. O que, por estas paragens, é mais uma excepção do que uma regra, reconheça-se. Equivale isto a dizer que nem as vitórias chegarão para convencer os adeptos da crítica fácil e impreparada. A esses, os troféus nunca bastarão como comprovativo do sucesso.
Portugal validou o seu mandato na Europa com diferentes doses de qualidade individual e competência colectiva. Olhando apenas para esta fase final, mostrou a sua pior face diante da Suíça, com um plano de voo assente em coordenadas erradas, e recalibrou a máquina com rigor para o embate decisivo com a Holanda, recuperando o sistema e as dinâmicas que já lhe renderam frutos no passado. Nem uma, nem outra versões reflectem a verdadeira selecção. Porque em constante mutação, ela é sempre uma mescla das duas.
É a era da estratégia a imperar. A era do detalhe, da observação aturada e da alta-costura, feita à medida do cliente. Nesse tabuleiro em que o rigor dos posicionamentos e a gestão do risco muitas vezes anulam o talento adversário, Portugal nem sempre terá a vantagem teórica que decorre da abundante qualidade dos seus executantes. É preciso continuar a ir mais além.
Fernando Santos nunca ganhará o prémio do treinador mais empático da Europa, mas já a conquistou por duas vezes a partir do banco. O seleccionador que idealizou o 4-4-2 losango na meia-final, um desenho que falhou essencialmente pela forma desabrida e imponderada como a equipa decidiu pressionar no momento da perda, é justamente o mesmo que apostou no 4-3-3, com dois médios de perfil mais posicional, que foi capaz de desligar a sala de máquinas da Holanda, na final. Não se tornou subitamente mais competente de um dia para o outro - e o mesmo raciocínio se aplica aos jogadores.
É inequívoco que Portugal goza hoje de uma fornada de talento de fazer inveja à maioria dos territórios do planeta do futebol, mas essa não é propriamente uma novidade. Fernando Santos sublinhou-o, de resto, provavelmente para ajudar a provar que não goza de uma situação de privilégio face a muitos dos antecessores, e tem inteira razão.
Durante anos, o Brasil da Europa espalhou pelos relvados o seu futebol romântico, acabando invariavelmente por assistir às grandes decisões pela televisão. Foi esse paradigma que o actual técnico se propôs mudar.
Para lá chegar, foi preciso construir uma nova teia de equilíbrios, que garantisse que a liberdade da qualidade individual não comprometia as ambições colectivas. Foi preciso estabilizar uma ideia e adaptá-la às circunstâncias, que umas vezes exigiram uma equipa mais de transições (como aconteceu em alguns períodos do Euro 2016) e outras vezes de ataque posicional mais paciente. Sem que isso significasse forçosamente comprometer a identidade.
É possível compatibilizar a conquista de troféus com uma ideia de jogo apelativa? Sem dúvida. Mas é mais difícil alcançá-lo no contexto de uma selecção, limitada no tempo de trabalho e obrigada a sintetizar as diferentes formas de jogar dos seus intérpretes nos clubes que representam. É, de resto, um desafio de tal forma exigente que, nas últimas décadas, talvez apenas a Espanha-réplica-do-Barcelona tenha chegado ao cume com um futebol de encantar.
Voltemos ao referendo e às respostas possíveis. Sim, Portugal é a melhor equipa da Europa se o critério for aquele que tantas vezes o país reclamou para si, o dos troféus. E é-o duplamente, graças à ratificação proporcionada pela Liga das Nações. Quanto a Fernando Santos, será o homem certo no lugar certo enquanto os jogadores continuarem a responder de forma eficaz à sua mensagem e à palavra de ordem que vem com ela: vencer. Acima de tudo o resto."

Porque os árbitros já não são aqueles senhores baixinhos e redondos, de camisola preta e apito ao pescoço

"O fim de época encerra um longo ciclo de treinos, jogos, viagens, estágios e afins.
A maioria das pessoas não terá noção, mas para jogadores, treinadores e árbitros - os únicos agentes que são verdadeiramente imprescindíveis para que a bola role -, esse momento encerra onze meses de entrega total, de intensa actividade física, forte desgaste emocional e sucessivas saídas para longe de casa.
É verdade que o futebol ao mais alto nível é apelativo para muitos jovens e financeiramente compensador para alguns (não todos) dos seus intervenientes, mas não duvidem: é muito alto o preço a pagar por uma vida de dedicação extrema a uma paixão que, não raras vezes, os afasta de quem mais amam. Uma vida de curto prazo, de poiso incerto e de interrogações constantes. Uma vida onde sucesso e fracasso andam de mãos dadas: estão à distância de um golo, de uma lesão ou de um momento.
Quando tudo termina, jogadores, treinadores e árbitros têm finalmente tempo para descansar. Para descansar a cabeça, o corpo e a mente. Têm tempo para se afastar de toda aquela azáfama e dedicar-se, por uns dias, à mais eficaz das terapias: a proximidade à família.
Por norma, o período de férias de atletas e técnicos é de sensivelmente um mês: situa-se entre o último jogo realizado (geralmente no fim de Maio) e o arranque da nova época (quase sempre no início de Julho).
Já para os árbitros, a situação é bem diferente.
Os cursos iniciais decorrem em meados de Julho. Por essa altura, é "obrigatório" que os homens do apito estejam em boa forma e teoricamente aptos, porque a bateria de sessões teóricas/práticas e de testes físicos/escritos são de enorme exigência.
Não há como facilitar.
As leis de jogo têm que estar na ponta da língua e o corpinho preparado para enfrentar a dureza das provas a realizar. Isto significa que, para eles, as férias de Verão deste ano... são coisa do ano passado. Terminaram. Arrumaram-se em quinze dias (no máximo).
Conhecendo esta malta como conheço, aposto que poucos foram aqueles que pararam na totalidade. 
Apesar da prudência sugerir um período de descanso sem restrições e longe de qualquer actividade ligada ao treino, a verdade é que a rapaziada não facilita.
Para eles, parar é arriscar demasiado. Arriscar na perda de forma, no facilitar face à concorrência emergente e até na balança: é que, nos dias que correm, uns quilitos a mais não são recomendáveis para quem sabe que a idade não perdoa e que a imagem é uma das armas mais potentes da credibilidade.
Os árbitros já não são aqueles senhores baixinhos e redondinhos, de camisola preta e apito ao pescoço. Já não passeiam pela zona de meio-campo, em trote controlado ou a passo moderado.
O futebol moderno é inacreditavelmente mais veloz do que era há dez, vinte anos e exige que todos os seus actores sejam atletas de excepção.
No caso do juízes, atletas capazes de correr doze/treze quilómetros por jogo, sem perder a lucidez e mantendo o discernimento até à última jogada. Até ao apito final. Essa exigência coloca-lhes pressão adicional. A pressão de terem que trabalhar muito e bem para responderem, com nota máxima, às exigências do presente.
Esta constatação, esta demonstração de enorme profissionalismo e profundo compromisso, não anula os erros que cometem em campo ou algumas más opções que tomam. Essas são inevitabilidades de quem tem por missão... tomar decisões. Mas é importante que a "opinião pública" conheça os bastidores e a qualidade do trabalho que esta classe produz.
A ideia de que o árbitro é aquele extraterrestre que aterra num qualquer relvado apenas para lançar miséria e discórdia só mora na cabeça de quem não tem cabeça.
Esta é uma profissão dura, exigente e de enorme entrega. Como se não bastasse o clima de guerrilha a que estão sujeitos enquanto exercem o seu trabalho, tudo o que não se vê, tudo o que não se ouve, tudo o que não se conhece requer, de facto, muito trabalho e sacrifício. Muita paixão. Muito amor à camisola.
Se por acaso duvidam, se acham que esta é apenas mais uma lenga-lenga corporativista e sem sentido, façam-me um favor: tirem o curso. Tirem o curso de árbitro, peguem no apito e dirijam uns jogos de miúdos. Verão que é uma experiência memorável, sobretudo para quem tem veneno na ponta da língua e covardia no resto do corpo. É... didáctico.
Fica o repto. Ou esse ou então o de se esforçarem por entender que, nos dias que correm, é absurdo pensar que alguém entra em campo com a intenção de prejudicar uns ou beneficiar outros.
Os árbitros fazem sempre, sempre o melhor que podem e sabem. Ainda que não sejam perfeitos. Ainda que não sejam infalíveis. Tal como os meus amigos, nas vossas vidas, nos vossos trabalhos, nas vossas escolhas... certo?"

“Trancava-me dias no quarto, fingia que ia treinar para os filhos não perguntarem porque não estava na TV, ainda tomo antidepressivos”

"Emmanuel Eboue, ex-internacional da Costa do Marfim e ex-jogador do Arsenal, é o último desportista a confessar lutar contra a depressão que o levou a questionar várias vezes o sentido da vida

A depressão é uma doença com a qual cada vez mais desportistas revelam já ter tido um encontro. E nunca deixa boas memórias. Em entrevista à televisão francesa, Emmanuel Eboue, ex-internacional da Costa do Marfim e ex-jogador do Arsenal, foi o último a confessar os efeitos nefastos da doença. 
Segundo Eboue, 36 anos, a sua depressão despontou quando, em 2016, foi banido dos relvados por um ano pela FIFA, por se recusar a pagar um valor que devia a um ex-agente. Como consequência de não poder jogar, o jogador foi dispensado pelo Sunderland.
Sem clube, com as finanças tremidas, pois tinha acabado de se divorciar, Eboue caiu numa espiral negra e sofreu mesmo de pensamentos suicidas. “Às vezes, trancava-me no meu quarto por três ou quatro dias. Perguntava-me: ‘O que resta?’”, contou.
“Ainda hoje tomo antidepressivos para me ajudar por ainda tenho um longo caminho pela frente. Mas aqui estou, na esperança que outros possam aprender alguma coisa da minha experiência”, revelou o jogador.
A doença mental acabou por afastar Eboue dos relvados definitivamente. “Estar fora do futebol durante um ano partiu-me o coração”, contou.
Para piorar, o ex-jogador do Arsenal estava tão envergonhado da sua situação e momento que atravessava, que começou mesmo a mentir aos filhos. Saía de casa durante o dia e dizia que ia treinar. “Os meus filhos perguntavam-me sempre quando é que ia regressar aos relvados, por isso quando saía de casa de manhã fingia que ia trabalhar”, disse.
“Sem os meus filhos saberem, eu andava pela rua e regressava a casa quando eles já estavam na cama. Não queria que me perguntassem porque é que não me viam na televisão”, explicou."

A sociologia do Desporto

"As ciências sociais e humanas são um conjunto de disciplinas, diversas e heterogéneas, que têm por objecto de estudo diversos aspectos da realidade humana: sociologia, economia, antropologia, psicologia, história, arqueologia, geografia, demografia, ciências políticas, linguística, etc. As ciências humanas e sociais, que se colocam em oposição às ciências ditas “exactas” (por vezes, ciências “duras”), devido ao seu estatuto epistemológico específico, procuram estudar as culturas humanas, a sua história, as suas realizações, os seus modos de vida e os seus comportamentos individuais e sociais. A sociologia pode-se definir, resumidamente, como o estudo científico dos comportamentos, das acções e das práticas das pessoas no seio das organizações ou das estruturas sociais: família, escola, empresas, etc.
A sociologia do desporto interessa-se pelo funcionamento da realidade desportiva. Ela procura analisar as relações existentes entre o desporto ou a forma genérica das actividades físicas e desportivas da sociedade. O seu objecto de estudo abrange uma realidade complexa, pois o desporto compõe-se de um amplo “mosaico” de actividades, de funções, de espaços, de empregos, entre outros.
A sociologia do desporto visa descrever o desporto enquanto fato social, a explicar a realidade desportiva composta de acções, de práticas e de comportamentos e compreender as interacções que se estabelecem entre esta pluralidade desportiva e as organizações ou estruturas sociais.
Há muito tempo que as ciências sociais e humanas são reconhecidas como disciplinas científicas. A sociologia do desporto, considerada como sendo uma área de conhecimento de maior relevância e interesse, pelo seu lento despertar, estará ainda à procura do seu próprio terreno, das teorias e de paradigmas. Isso nada espanta, na medida em que a “sociologia parece caracterizar-se por uma constante e incessante pesquisa dela própria” (Aron, 1967, apud Boaventura, 2002, p. 159).
Para Haumont, Levet e Raymond (1987), a sociologia do desporto contempla três fases. A primeira de 1950-1964 é marcada pelo aparecimento de obras, versando sobre o tema do desporto. A segunda fase de 1964/65-1972 diz respeito à institucionalização da disciplina, nomeadamente com a criação do Conselho Internacional do Desporto e Educação Física (ICSPE) e do “International Council for Sociology of Sport” (ICSS), que veio a integrar-se na Associação Internacional de Sociologia (AIS). A terceira fase, que se estende até à actualidade, é caracterizada pela diversificação de grupos de trabalho, investigações e publicações. Segundo os autores, apesar dos progressos, a “maturidade disciplinar” ainda foi verdadeiramente atingida."

O efeito Ronaldo - Qual é realmente?

"Vi o jogo de Portugal – Holanda, na Praça da Liberdade, na cidade do Porto, entre milhares de Portugueses que ali, como em outra tantas cidades, vilas e freguesias, espalhadas pelo mundo e como no estádio, apoiaram, vibraram e celebraram mais uma grande conquista.
Cristiano Ronaldo joga muito “à bola”, marca muitos golos, enche estádios, “dispara” as audiências, ganhou e continua a ganhar muitos Campeonatos e Taças, como a de ontem, tem milhões de seguidores nas redes sociais, é notícia sistematicamente nos jornais e televisões, foi e é o melhor do mundo do Futebol.
Tudo isto é fantástico, mas será este verdadeiramente o seu impacto. Qual é realmente o efeito Cristiano Ronaldo

Deseja ir ao Fundo da Questão? Qual poderá se realmente a razão do efeito Cristiano Ronaldo?
Certo dia, na ilha da Madeira, uns amigos contaram-me que saltava as vedações do campo, durante a noite para treinar. Mais tarde e ainda uma criança, deixou o conforto do seu lar e, para continuar a evoluir, rumou à Academia do Sporting. Ou seja, o então menino Ronaldo tinha um sonho, mas para além de sonhar, acreditava que era possível e fazia algo para o tornar realidade.
No famoso jogo Sporting C.P. vs. Manchester United, embora jovem, foi arrojado, corajoso e “foi para cima” das estrelas. A exibição foi marcante ao ponto dos próprios jogadores do United pedirem a sua contratação, na viagem de avião de regresso, ao famoso Treinador Alex Ferguson. O jovem Ronaldo demonstrou coragem, atrevimento e iniciativa, que permitiram transformar o sonho, o treino, a preparação e a crença numa enorme transferência. Já em Manchester, depois de assinar um bom contrato, podia se dar por satisfeito. Contudo, pelo que sei, não foi isso que aconteceu. Contratou uma série de especialistas, para cuidarem dos pequenos grandes detalhes, para continuar a evoluir. Poderia Ronaldo relaxar? Podia. Foi isso que aconteceu? Não. Investiu atenção e esforço em tudo o que o podia tornar ainda melhor e também por isso, continuou a crescer.
Podemos pensar que toda esta jornada foi “um mar de rosas”. Terá sido? Qual foi a atitude de Ronaldo perante as várias comparações, as críticas, os seus erros – também os tem e ainda bem, faz parte da natureza humana. A mesma que evidenciou durante a final do jogo de ontem ou na final do Europeu. Recordo Cristiano no chão, a borboleta, a substituição, mas também a sua contribuição na linha lateral, juntamente com o timoneiro Fernando Santos. Na manhã que antecedeu a reviravolta do jogo com o Atlético, Ronaldo disse na TV que iam passar a eliminatória. Era fácil? Não. Possível? Sim. Qual foi o seu foco? Na possibilidade, na esperança. Ontem, quando fazia um remate e a bola não entrava, surgiram grandes planos de Ronaldo no ecrã gigante da Praça da Liberdade. Qual foi a expressão? Um sorriso. Que lição de humanidade estava por trás daquele sorriso? Termos uma atitude positiva perante os percalços.
Terminado o jogo, fui comer e regressei ao palco da Praça, para receber e homenagear os conquistadores. A determinada altura, já com a equipa na varanda da Câmara Municipal do Porto, Ronaldo passou a palavra a um dos jogadores e, ao fazê-lo, disse “o homem do jogo” e o Gonçalo Guedes falou. A mensagem que retenho é que Ronaldo impressiona os outros, pela sua dedicação e esforço, nos treinos. O que é que isto pode representar? Que mesmo os melhores têm de se preparar e esforçar, que os melhores dão o exemplo, que os melhores apreciam os outros, que os melhores partilham a Glória, que os melhores conseguem criar um ambiente positivo e com isso tornarem tudo melhor.

Admira Cristiano Ronaldo?
Se admira Cristiano Ronaldo, então poderei ter uma boa notícia, a do seu “verdadeiro” efeito. 
Quando olhamos ao espelho, o que vemos? Agora imagine que olhava para o espelho e o espelho reflectia o Cristiano Ronaldo.
Admirámos as pessoas que reflectem o que admirámos em nós. Por isso, ao reflectirem o que gostámos em nós, essas pessoas recordam-nos o que temos de positivo, de bom. Essas pessoas “oferecem-nos” um espelho e ao ver o que admirámos em nós através desse espelho, ligamo-nos ao nosso melhor. Ao vê-los é como se estivéssemos a ver o nosso melhor num espelho.
Por isso, ao sonhar, ao acreditar, ao estar atento a todos os detalhes para tornar possível o que deseja, ao esforçar-se para fazer acontecer o que sonha, ao atrever-se e ter iniciativa, ao ter um atitude positiva perante os percalços e ao criar uma ambiente positivo, que trona todos melhor, o verdadeiro efeito dos “Cristianos Ronaldos” poderá ser relembrar-nos que temos tudo isso, é ligar-nos com o nosso melhor.
Como poderá ser o futuro se todos - pais, professores, treinadores, líderes ou jovens e adultos, das diferentes profissões - nos ligarmos ao nosso melhor, em tudo o que fazemos?
Parabéns Portugal."

Luisão in the USA !!!

Benfiquismo (MCCIV)

Esta correu mal!!!

João "Betinho" Gomes: uma grande referência que todos deviam conhecer

"Extremo disse na última semana adeus à Selecção Nacional

João "Betinho" Gomes anunciou a sua retirada da Selecção Nacional de basquetebol. Aos 34 anos, a gestão da sua carreira desportiva aconselha-o a abdicar da equipa das quinas numa lógica de economia de esforço que lhe permitirá jogar mais umas épocas ao alto nível e com qualidade. A verdade é que nas últimas convocatórias a sua participação já não havia sido regular, tendo em conta as lesões que o foram apoquentando.
João Roberto Correia Gomes, nascido na ilha do Fogo, em Cabo Verde, e cujo pai era conhecido por "Beto" e daí ele ter ficado para sempre, e orgulhosamente, como o "Betinho", começou a jogar no nosso país em 2002, no FC Barreirense. Em termos de clubes, a sua trajectória incluiu Benfica, Breogán e Andorra (Espanha), e ainda Trento (Itália), clube que ajudou a terminar em 5º lugar a Lega Basket Série A na época corrente. O ano de 2007 foi muito importante para o "Betinho". Primeiro, foi convidado para o Eurocamp de Treviso onde chamou a atenção de algumas equipas da NBA e esteve às portas de ser uma escolha do Draft desse ano. Tal não veio a acontecer, por muito pouco, mas nunca deixou que isso lhe subisse à cabeça e apresentou-se nesse verão pronto para discutir a vaga de naturalizado com o Carlos Andrade na selecção que, pela primeira vez na história, tinha conseguido o apuramento para uma fase final.
Eu, que tive o privilégio de assistir a essa "luta" pela vaga de naturalizado, considero-a, simultaneamente, dos momentos mais belos e mais injustos que alguma vez vivi na modalidade. Belo, pela forma como o "Betinho" e o "Carlão" trabalhavam, se entregavam, se ajudavam, verdadeiros irmãos que constituíram um exemplo para todos. Injusto porque o Carlos devia ser considerado pela FIBA português tal como a sua irmã e, pese embora todos os esforços realizados, esse "erro" só foi corrigido anos mais tarde. No momento da decisão pesou uma lesão contraída pelo Carlos no último estágio que acabou por dar a oportunidade ao "Betinho" de fazer parte de um momento histórico para o nosso basquetebol.
Dessa geração de ouro, tão bem liderada pelo major Valentyn Melnychuck, entretanto já se retiraram o Miguel Minhava, o Sérgio Ramos, o Paulo Cunha, o Francisco Jordão, o Filipe da Silva, o Jorge Coelho, o Paulo Simão, o Élvis Évora, o Miguel Miranda e o João Santos. O Mário Fernandes ainda joga na Liga embora já não faça parte dos planos do seleccionador nacional Mário Gomes. E o miúdo da altura - o "Betinho" - era até agora o último representante desse tão inesperado quanto brilhante 9º lugar em Espanha.
Ainda assim, mesmo para muita gente que acompanha o basquetebol, o "Betinho" é um ilustre desconhecido. Não só porque porque tem estado emigrado nos últimos anos mas, principalmente, porque não se cultivam referências por cá. É que a generalidade das pessoas não gostam de desporto, nem da modalidade basquetebol. As pessoas gostam apenas do seu clube. E ponto. Haverá melhor exemplo que o da Ticha Penicheiro que entrou este fim de semana, quase incógnita, para o Women"s Basketball Hall of Fame? Ah pois é... não é do Benfica, nem do FC Porto, nem do Sporting..."

Sentença...

"Após a condenação e o pagamento no valor de 2 milhões de euros do FC Porto, FC Porto SAD, Porto Media e Francisco J. Marques pelo Tribunal da Comarca do Porto devido à divulgação dos e-mails do Sport Lisboa e Benfica, ficámos a saber alguns factos interessantes.
Ficou-se a saber que a Justiça Portuguesa considera que:
- Os jornalistas inquiridos, inteiramente credíveis para o Tribunal, revelam que os seus critérios de interesse público são bem mais rigorosos que os do Futebol Clube do Porto e assumem uma motivação bem diferente.
Ou seja o que para uns é jornalismo, para outros é lógica concorrencial.
- Diogo Faria é identificado como alguém cuja isenção e descomprometimento com o objecto da causa é escasso.
Ou seja, aos olhos do Tribunal, Diogo Faria não é imparcial, neutro nem isento.
- Os e-mails foram deliberadamente truncados. Fizeram construções, extrapolações e nalguns casos "truncagens" que transcendem o teor literal desses elementos.
Ou seja, a verdade não foi contada pelo Futebol Clube do Porto e o seu rebanho. A verdade revela-se, aliás, bem incompleta, de modo a fazer chegar ao público apenas o que querem.
- Apesar do Futebol Clube do Porto e do seu rebanho pretenderem demonstrar que os e-mails demonstram de forma evidente e sem qualquer dúvida a prática de vários crimes, o Tribunal concluiu que estes não podem demonstrar o cometimento de qualquer crime. Até porque um meio de prova isolado e nalguns casos com palavras ambíguas e polissémicas, não é suficiente para uma condenação penal e civil.
Ou seja, ainda não foi provado que o Sport Lisboa e Benfica cometeu quaisquer crimes, mas a trupe do Calor da Noite continua a insistir na debanda.
- A maior parte do conteúdo dos e-mails é interpretado de forma distinta.
Ou seja, não são um meio claro, inequívoco dando lugar a diferentes interpretações.
E é esta a jogada do Futebol Clube do Porto e dos seus acólitos. Uma jogada fomentada no desespero total e baseada em mentiras, deturpações e desinformação. O motivo é claro: apontar o dedo para o telhado dos outros enquanto a própria casa está a arder.
Nós sabemos bem aquilo que se passa dentro dos pilares do Futebol Clube do Porto e, apesar da nossa equipa ter andado menos participativa (também merecemos férias), prometemos e garantimos que em breve voltaremos ao trabalho e continuaremos a expor um por um dos verdadeiros bandidos que controlam o desporto português.
Para finalizar, queremos dar os parabéns à Selecção Nacional por mais um título ganho e agradecer à claque ilegal da Selecção Nacional pelo excelente apoio que têm dado à nossa Selecção desde o Euro 2016. Muito bem Fernando Gomes ao disponibilizar apoio aos elementos dos Super Dragões e da Juventude Leonina de forma a criarem a claque ilegal da Selecção Nacional."


"Benfica multado em mais de 61.000€"

"O Senhor Meirim continua a sua perseguição ao SL Benfica. Desta feita, é uma multa de valores astronómicas por declarações proferidas na publicação digital News em que se constata e denuncia erros de arbitragem favoráveis ao #portoaocolo.
Punição com base no artigo 112.º do Regulamento Disciplinar da LPFP, que refere "lesão da honra e reputação dos órgãos da estrutura desportiva e dos seus membros”
O que pretende o CD? Que o SL Benfica fique calado perante os sucessivos roubos em beneficio do FC Porto? Trata-se de uma mera manobra provocatória e de intimidação? Alertar para erros de arbitragem - nalguns casos reconhecidos pelo próprio Conselho Arbitragem - é lesar honra e reputação?
E mais importante, porque razão todo o tipo de comunicações por parte do porta-voz do crime organizado não origina nenhum processo? Tem carta branca para criticas à arbitragem e perpetuar todo o tipo de calunias e insinuações no seu programa semanal? Ai sim, são cometidos ataques de honra e reputação a diversos agentes e competidores.
E até quando vai continuar a fingir que a tarja insultuosa da claque legalizada Super Dragões, que até já mereceu abertura de inquérito pelo MP, não existe? 
Sr Meirim, um fantoche da Torre das Antas.
Uma vergonha!"

Futebóis

"Se há uma fronteira difícil de cruzar essa é aquela que divide o futebol de Portugal e do Brasil, no sentido de quem vai daqui para lá. Que me recorde, nunca um jogador português, com o mínimo de nomeada, conseguiu vingar no futebol brasileiro.

Por lá andaram, sem uma notoriedade por aí além, o histórico Rogério "Pipi" e Fernando Peres, tal como Paulo Madeira e Jacinto João, entre muito poucos outros. Do mesmo modo, não me consta que tenha tido algum dia um sucesso marcante qualquer treinador ido de Portugal. Paulo Bento e dois outros colegas são disso a evidente prova. Jorge Jesus, ao assumir agora a sua aposta no Flamengo, corre assim um elevado risco.
Pode dizer-se que, até hoje, o Brasil não levou muito a sério o futebol português. Eusébio nunca, por lá, fez a menor sombra a Pelé e Ronaldo tem ali a sua grandeza bastante relativizada, podem crer. Portugal foi subindo no "ranking" da FIFA, mas isso nunca nos fez ascender em proporção na consideração futebolística brasileira. Ser isso justo ou não é completamente indiferente.
Por muitos anos, o Brasil, incontestável potência mundial na matéria, olhou Portugal como um país de segunda linha nesse domínio, lendo os escassos êxitos internacionais dos nossos clubes como fogachos esporádicos, sem sustentação no tempo. O mesmo vale para as selecções. Espanha, Inglaterra, Itália e Alemanha eram e são os seus verdadeiros competidores europeus, da mesma forma que a Argentina o é na vizinhança geográfica. E não me venham falar dos nossos 3-1, em 1966, ou dos 2-0 em Wembley, em 2007. Como embaixador, eu "sofri" 6-2 em Taguatinga, em 2008! No total, são 13 vitórias para o Brasil e quatro para nós. Ponto. E, em futebol, apenas o que é parece.
Para cá, o Brasil exportou desde bastante cedo muitos seus jogadores - excelentes, razoáveis ou medíocres -, os melhores em mero "stop over" para outra Europa. E também uns poucos treinadores com real mérito, de Yustrich a Otto Glória, de Marinho Peres a Scolari. Pode dizer-se que o futebol português deve bastante ao Brasil e que o futebol brasileiro apenas nos deve o acolhimento aqui dado aos seus.
Jorge Jesus, cuja qualidade técnica não está em causa, é um treinador com um perfil que se tem prestado a alguma exploração mediática menos simpática. O Brasil, onde alguma ácida lusofobia teima em persistir em certos meios, é um terreno para fácil exploração dessa sua fragilidade. Assim, estou em crer que ou a sua passagem pelo Flamengo se converte num grande sucesso ou acabará por ser um imenso fracasso, sem nada de permeio."

terça-feira, 11 de junho de 2019

O estranho caso de Mr. Hagan (Parte II)

"À 11.ª jornada, a seis pontos do líder Sporting, as multidões crucificavam o inglês de poucas palavras. O presidente Borges Coutinho defendeu-o. Os jogadores também. O Benfica foi campeão com três pontos de avanço e bateu os leões por 5-1 na Luz.

Jimmy Hagan foi, na verdade, uma figura muito especial da história do Benfica. Esta época ouvimos muito falar deles por causa dos mais de cem golos marcados pela equipa de Bruno Lage (mais Rui Vitória) no campeonato nacional, algo que também fez parte da vida do inglês na Luz.
Três vezes consecutivas campeão nacional, uma delas concedendo somente dois empates durante, todo o campeonato, esperar-se-ia, se calhar, mais universalidade de opiniões em redor do que fez. Não sei se a sua brusca saída, em conflito com grandes figuras do balneário da época, se a sua passagem pelo Sporting (onde não se deu muito bem), se o ódio que alimentou, ou que muitos jornalistas alimentaram por ele, contribuíram em conjunto para que a sua imagem fosse abalada. Mas que foi, foi. Facto é facto. E passados todos estes anos, Mr. Hagan, um tipo de poucas palavras e muito acção, é ainda uma daquelas personagens que merece reflexão, salvo opinião em contrário, mas aqui deixo a minha.
Hagan chegou a Portugal sem nenhum currículo especial que o indicasse como futuro grande campeão, mas veio sob os auspícios do presidente Borges Coutinho que se sentia muito seguro da sua opção. Como vimos a semana passada, não foi o mau início da prova em 1970 que fez Borges Coutinho mudar de ideias. Ele tinha fixado um número que ficara para os registos do futebol em Inglaterra: com Hagan no comando, o Peterborough United tinha sido promovido ao futebol profissional com o recorde de 134 golos marcados numa época. E, com uma frase, arrumou a questão da possibilidade de Hagan vir a ter o lugar em risco ao fim da décima jornada: 'Se vai ficar até ao final da época? Nem sei o que vai acontecer daqui a dez minutos, quanto mais daqui a sete meses'...

Convencendo os jogadores
A sobrecarga dos exercícios físicos em detrimento de uma maior preparação técnica e táctica, terão, no início, posto muitos dos jogadores de pé atrás com o treinador inglês. Mas, a pouco e pouco, houve quem mudasse de ideias. Reparam no que disse, entretanto, António Simões: 'Devo esclarecer que tenho modificado o meu ponto de vista em relação a uma intervenção pública que tive recentemente e na qual declarava que não via que treinadores ingleses pudessem trazer algo de novo para o Benfica. Mr. Hagan é uma pessoa extremamente disciplinada. Toda a gente sabe que os ingleses gostam de tudo a horas, de tudo na ordem. Afirmo com toda a certeza de que os pontos que levamos de atraso para o primeiro lugar não são, de forma alguma, responsabilidade de Mr. Hagan'.
O Benfica acabara de perder chocantemente em Faro, com Malta da Silva a ser expulso. Depois, 0-2 em Setúbal.
O povo não estava contente. Como poderia estar?
E Simões: 'Toda a gente sabe que tínhamos um prémio especial de cinco contos se ganhássemos em Setúbal. Perdemos. Não ganhámos um tostão. Foi por não gostamos do técnico? Cabe na cabeça de alguém que, por não gostarmos de um técnico, percamos jogos? Temos provado com o nosso trabalho que estamos com o treinador. Mas sofremos de um estado de espírito terrível: ter de ganhar! Um estado de excitação, nervosismo e intranquilidade que nos leva a perder oportunidades que não se perderiam noutra situação. Não é verdade que o treinador não queira ouvir as nossas opiniões. Ainda na véspera do jogo de Setúbal, discutimos todos os planos pré-estabelecidos. Ele não percebe apenas de preparação física, como já vi escreverem por aí, e a marcação de José Maria e Jacinto João não foi obra do acaso. Deixemo-nos disso: não vamos dizer que o técnico não dá tácticas e que os jogadores não gostam dele e o ambiente é mau. Não é realmente bom, mas pela simples razão de que chegámos à 11.ª jornada a seis pontos do guia. Não andamos por aqui com muita vontade de brincadeiras. É natural. Temos é de trabalhar fortemente o aspecto psicológico'.
No final o Benfica seria campeão. Com mais três pontos do líder que à jornada 11 levava seis de avanço: o Sporting. Demorou dez jornadas a apanhar o seu rival e a passar para o comando. Na Luz venceu os leões por 5-1!
Borges Coutinho tinha levado a sua avante: 'Se sentisse que Hagan não servia para o Benfica já o tinha tirado. E nem todos os treinadores servem para o Benfica'."

Afonso de Melo, in O Benfica

O talismã dos minutos finais

"Sempre que Mantorras ia para aquecimento, o público vibrava como se de um golo se tratasse

A alegria do futebol está no golo. Nenhuma grande defesa é tão festejada como um golo, mesmo o pior gera uma enorme explosão de contentamento. Como tal, os avançados costumam ser os predilectos dos adeptos. Mantorras fazia parte desse grupo, juntando, ainda, uma postura semelhante ao futebol que se pratica na rua ou no recreio de uma escola. Alegre, de pés coordenados e ao ritmo do bailado do corpo, enfrentava os defesas que lhe aparecessem à frente. Sem receio de quem fosse, passava por um, dois, três. Classe em movimento. Quando marcava, festejava como ninguém, corria como se o campo não fosse terminar, dançava e na sua cara via-se a mesma de um garoto que sente pela primeira vez a sensação de marcar um golo.
Na época 2000/01, o angolano, com apenas 19 anos, vinha a realizar uma excelente temporada ao serviço do Alverca e foi considerado uma das revelações do Campeonato Nacional. O Benfica antecipou-se à concorrência e garantiu a contratação de Pedro Mantorras, sendo o primeiro reforço para a temporada seguinte.
A boa prestação do avançado na pré-época valeu-lhe a titularidade. 'O seu jogo alegre, movimentando-se entre os defesas, numa atitude de não se preocupar com eles, antes pelo contrário, tornou-o imbatível nas jogadas de um para um', e fez com que rapidamente fosse um dos jogadores preferidos dos adeptos. Na 3.ª jornada, realizou uma das melhores exibições da sua carreira. Na recepção ao Vitória de Setúbal, o Clube até começou a perder, mas Mantorras operou a reviravolta, ao apontar os três golos do triunfo por 3-2. Deu ainda um recital de toda a sua qualidade, empolgante e com um reportório vasto de fintas que, aliadas à sua velocidade, permitiram que ultrapassasse os adversários com enorme facilidade. O angolano foi uma das peças-chave da equipa ao longo da competição, sendo o melhor marcador dos 'encarnados' no Campeonato Nacional.
A enorme criatividade do avançado resultou em inúmeras entradas duras ao longo da competição acabando por se lesionar gravemente no joelho. Nas duas épocas seguintes, participou em muito poucos jogos. Condicionando fisicamente, Mantorras voltou a ser determinante na época 2004/05. Percebendo as suas limitações, tornou-se exímio a rentabilizar o tempo de jogo. Partia do banco e 'agitava' o encontro. O momento de euforia acontecia assim que ia para aquecimento. O angolano foi decisivo na conquista do Campeonato Nacional. Encarado como 'talismã do Benfica', marcou o golo da vitória nos últimos minutos na 27.ª jornada, frente ao Marítimo, e na 30.ª jornada, contra o Estoril. Desta forma, os 'encarnados' festejaram o título 11 anos depois.
Saiba mais sobre esta conquista na área 6 - Campeões Sempre do Museu Benfica - Cosme Damião."

António Pinto, in O Benfica

Sabe quem é? Crucifixo (e eternidade) - Fernando Santos

"Despedido, levaram-no a cursilho da Cristandade, a vida mudou-se-lhe; Atrás do pinheiro, Hagan apanhou-o

1. Por meados de 1971 fora dos juniores do Benfica para o Estoril e por lá jogando terminou (seis anos depois) o curso de engenharia electrotécnica e telecomunicações. Pouco era o que ganhava - casando-se, para comprar casa no Cacém teve de pedir à Caixa um empréstimo e outro a amiga da mãe (a mobília pagou-a a prestações). Ao nascer-lhe a filha, para ter dinheiro de que precisava, tornou-se o que não era: profissional - no arranque da época de 1979-1980, o Marítimo ofereceu-lhe três vezes mais do que o Estoril lhe dava e ele foi para o Funchal.

2. Jogava a lateral-esquerdo - e no Marítimo esteve um ano apenas. Numa viagem a Espanha, os pais foram assaltados num semáforo - partiram-lhes os vidros, a pedra atingiu a mãe na cabeça. A ela, caso criou-lhe situação de stress pós-traumático - e, ao ouvir do psiquiatra que o facto de ele estar longe o agravava, regressou ao Estoril.

3. Como o presidente do Estoril, Benito Garcia, era dono do Hotel Palácio, aceitou-lhe proposta numa condição: que lhe arranjasse emprego no hotel como engenheiro. Para se dedicar ao emprego, às vezes, nem sequer podia treinar com a equipa - e não deixava de treinar, mais tarde nem que tivesse de ser só um bocadinho.

4. De treinar não gostava muito: «De uma vez, fui ao campo, deu duas voltas ao campo - e parei. Pedi ao roupeiro que, se o treinador perguntasse lhe dissesse que eu já treinava. Quando ia a entrar no duche, apareceu, o Hagan: «O senhor não treina? Ouvindo-me dizer que sim, explodiu: Não, que eu estar no pinheiro e ver senhor dar duas voltas. Come on! Estive, por isso uma hora a subir e a descer escadas». (revelou-o em entrevista ao Sol).

5. Continuando como engenheiro no Hotel Palácio, ao deixar de ser jogador - outro destino agarrou: o que o atirou à eternidade. Em entrevista a A Bola, Rogério Azevedo perguntou-lhe: 10 de Janeiro de 1988 foi o seu primeiro jogo como treinador, lembra-se? A resposta saiu-lhe torcida: «Recordo-me mais do último jogo como jogador-treinador: empatámos com o FC Porto nas Antas, para a Taça, frente à equipa que tinha conquistado a Taça dos Campeões, a Taça Intercontinental e a Supertaça Europeia. Depois, no desempate, perdemos 1-2 na Amoreira, com dois golos de Rui Barros e falhámos penálti. O processo para começar a treinar foi muito rápido, nem me lembro do primeiro jogo...»

6. Esse seu primeiro jogo como treinador foi na Amoreira, contra o Barreirense, na 16.ª jornada do Nacional da II Divisão - e acabou 1-1: «Ser treinador foi coisa que me apareceu por acaso.Sugeri ao presidente do Estoril convidar para o cargo o António Fidalgo, meu afilhado de casamento, mas ele só aceitou na condição de eu o ajudar, como adjunto. Fez uma época fantástica, indo para o Salgueiros pediram-me no Estoril para ficar uns seis meses - e fiquei seis anos...»

7. 100 contos por mês foi o primeiro ordenado como treinador. «Que acabaram por ser reduzidos quase a zero, anos mais tarde, porque parte desse dinheiro era ajudas de custo e prémios e o Fisco considerou que fazia parte do meu salário e tive de pagar tudo com retroactivos. Só comecei a ganhar dinheiro no último ano no Estoril, com Filipe Soares Franco na presidência. Aí sim, o vencimento já se equivalia ao hotel, eram sete/oito mil contos por ano».

8. Levou o Estoril à I Divisão, por lá o manteve durante três anos - e, em Março de 1994, despediram-no (ponto Carlos Manuel no seu lugar): «Fui para a rua e pensei: acabou-se o futebol!» Vendo-o amargurado pela chicotada, casal amigo que o visitara em casa, desafiou-o a ir a um retiro do Movimento dos Cursilhos da Cristandade: «Fui para pôr a cabeça em ordem, pensei que era uma boa oportunidade e, olha: encontrei Cristo. Foi a maior sorte da minha vida: descobrir que, afinal, Cristo vive em nós».

9. O resto é o que se sabe. Passou para o Estrela da Amadora, de lá saltou para o FC Porto - e depois de ter sido, por lá, o Engenheiro do Penta, andou em brilho pela Grécia. Em menor brilho cruzou Alvalade e a Luz. Após nova passagem em fulgor pela Grécia, tornou-se seleccionador de Portugal. Ganhou o Euro 2016 (de crucifixo no bolso) e a Liga das Nações deu-lhe, em fervor ainda mais eternidade."

António Simões, in A Bola

Sabe quem é? A dormir no carro... - Jovic

"Antes de chegar ao Benfica, a ameaça de que passaria a jogar em «cadeira de rodas»; Da cidade-mártir à noite má

1. Foi em Bijeljina que a Guerra da Bósnia estoirou - quando Arkan Raznatovic (que fora chefe de claque no Estrela Vermelha) se lançou a «limpeza étnica» (que ele considerava «defesa dos sérvios bósnios»). As suas milícias fuzilaram os bósnios que não fossem sérvios queimaram-lhes casas e propriedades, confiscaram-lhes dinheiros e bens, destruíam monumentos e mesquitas. Mortos foram mais de 1000, muitos dos que escaparam à chacina, a ela escaparam por aceitarem ser deportados ou fugirem. (E só a partir de 2012 5000 desses bósnios não sérvios puderam, enfim, regressar a Bijeljina, que era já o que é: Bósnio e Herzegovina).

2. Quando ele, o Luka, nasceu em Bijeljina (por finais de 1997), Milan, o pai, acabara de chegar ao Sartid Smederevo (fora para lá do Partizan). Do Sartid saltou, depois para o Vojvodina - e, aventurou-se à Rússia, Chernomerets, Rostov e Saturn Ramenskoye. Era defesa, o seu adeus ao jogo deu-se em meados de 2004 no Saturn - e já tinha percebido, então, o dom que Luka tinha nos pés.

3. Ao Milan, o futebol não lhe dera riqueza. Por isso, a família vivia, modesta nas suas posses, por Batar, a 14 quilómetros de Bijeljina - quando Tomislav Milicevic, olheiro do Estrela Vermelha, se encantou com Luka e logo pediu ao pai que o deixasse ir para lá jogar (oito anos não tinha ainda...)

4. O primeiro ordenado de Luka foi de 50 euros - e mais 17 por viagem para treino ou jogo. Belgrado ficava a mais de 100 quilómetros de Batar - e Milan contou-o: «Vários vezes deixei de fazer viagem para não gastar o dinheiro que me davam para a gasolina. Ficávamos no carro, à espera do treino seguinte, do jogo. Estacionava à porta do estádio, Luka deitava-se no banco de trás para dormir, tapava-o com mantas e eu punha-me a fumar para que ele não tivesse mais frio...»

5. A cada ano que passava, maior era o seu fulgor. Para evitar salto para o Partizan, o Estrela Vermelha prometeu mais um bónus a Milan: 50 euros por cada golo que Luka marcasse - e ele continuou a marcá-los a fio. «Todos já olhavam para o Messi e o Ronaldo, eu gostava do Ibrahimovic, mas o meu ídolo já era Falcao». (E sim, o fascínio viera-lhe do que vira Falcao fazer no FC Porto - e não muito depois já lhe chamavam Falcao da Sérvia).

6. Com 16 anos, 5 meses e 5 dias, abriu-se-lhe a primeira equipa do Estrela Vermelha. Dois minutos após pisar o relvado, cumpriu, de fogacho, a sua sina: fez golo ao Vojvodina. Meses depois, Milan recebeu carta que dizia: «Se não nos deres o dinheiro que queremos, partimos as pernas ao teu filho, vai ter de jogar numa cadeira de rodas». Não, não lhes deu o dinheiro - investigação policial descobriu, num abrir e fechar de olhos, os dois chantagistas e atirou-os para a prisão.

7. Esfanicado em crise financeira, o Estrela Vermelha vendeu-o ao Benfica por 600 mil euros - e pouco jogou: «Não estava nos meus planos deixar Belgrado tão cedo. Nem sequer queria sair, saí obrigado. Não foi fácil, não estava mentalmente preparado...»

8. Com o destino a tocar-lhe a ponta dos dedos, Luka deixou-o fugir numa noite má: «Mitroglou marcava em praticamente todos os jogos, quando não marcava, ainda havia o Jiménez. A certa altura, estava o Mitroglou em má forma e o Jiménez lesionado - e eu fiz a melhor semana de treinos na equipa principal. Marcava à esquerda, à direita, tudo o que tentava, marcava. Colocava a bola entre as pernas de todos. A dois dias do jogo, o treinador colocou-me a treinar entre os titulares. No final do treino, o Rui Costa disse que aquele sim era eu, só tinha de manter o nível. Decidi ir à Baixa, só vim embora depois da meia-noite, responsáveis do Benfica viram-me e já não fui convocado...»

9. Vivia a angústia da «oportunidade perdida» na Luz quando Fredi Bobic, o director desportivo do Eintracht Frankfurt propôs, sagaz, envolvê-lo no negócio da transferência de Seferovic para o Benfica. Foi de Luka o golo (de calcanhar) que pôs o Eintracht na final da Taça (ganha ao Bayern) - e de Korbel ouviu-se: «Nunca vi jogador de 20 anos com a sua qualidade. Lembra Yebosh e Cha Bum-kum com o físico do Gerd Muller». A eliminação do Benfica passou por ele a depois de marcar a Bundesliga com 5 golos nos 7-1 ao Dusseldorf - o Real contratou-o por 60 milhões de euros (deles cabendo 168 milhões ao Benfica)."

António Simões, in A Bola

Félix e os números

"À medida que os dias de mercado avançam, parece cada vez mais claro que dificilmente João Félix será jogador do Benfica na próxima época. Há muita gente com muito dinheiro interessada no jovem de 19 anos e, as recentes declarações de Luís Filipe Vieira aos sócios, na última assembleia geral, colocando a decisão nas mãos do jogador e da família, indicam que o próprio Vieira já começou a abrir caminho para mentalizar os adeptos dos encarnados para a saída do mais promissor futebolista da formação dos encarnados.
Apesar das permanentes injecções de dinheiro que o futebol europeu tem levado nos últimos anos, a verdade é que ainda estamos longe de imaginar que seja possível que alguém pague 120 milhões de euros por um miúdo de 19 anos do campeonato português, com apenas 90 minutos na Champions, cinco meses como titular no Benfica e uma internacionalização A. Se isso acontecer, como todos os responsáveis do clube têm garantido, será um negócio absolutamente excepcional.
Qualquer valor que faça de João Félix o futebolista mais caro de sempre a sair de Portugal teria de ser considerado, realisticamente, bom para o Benfica. Mas, depois de tantas garantias de que não sairá por menos de 120 milhões, será bem mais difícil conquistar as massas através dos números."

Porque devemos contratar atletas para as nossas empresas

"Quando me perguntam qual é o segredo para ser atleta olímpico, eu respondo que é o mesmo para ser médico olímpico, advogado olímpico, jardineiro olímpico… ser melhor do que no dia anterior. 

Perseverança
Quando a equipa está a perder ao intervalo, os atletas procuram formas para dar a volta ao resultado. 
Quando a performance não é ideal, dedicam tempo extra até atingirem o objectivo pretendido, conduzidos pela determinação de atingirem as suas metas.
Se pensarmos numa empresa, os melhores da equipa são os que arranjam soluções para os problemas, tal como os atletas fazem num intervalo de um jogo em que estão a perder.

Gestão de tempo
Desde crianças, os melhores atletas aprendem a lidar com um número de prioridades elevado, incluindo a escola, o desporto e as actividades sociais. Conseguem equilibrar a sua agenda, entre trabalhos de casa, testes, treinos, viagens e competições. Estas skills são essenciais para produzir resultados, tal como nas empresas, em que os melhores conseguem gerir o tempo e os prazos superando as expectativas muitas vezes.

Capacidade de aprender com o erro
Ninguém gosta de perder, no desporto esta é uma realidade presente na vida de qualquer atleta. É um sentimento que se torna familiar muitas vezes e que acaba por ser aceite no bom sentido, isto porque, em vez de desistir, o atleta procura trabalhar o erro e melhorar para ser melhor no dia seguinte. Muitas vezes quando tudo parece correr mal, o melhor é mesmo reflectir no que está errado, reagrupar a equipa e aplicar as aprendizagens resultantes do erro para seguir em frente, isto, faz com que a nossa capacidade de lidar com adversidade melhore significativamente aumentando automaticamente a nossa confiança.

Responsabilidade individual
Tal como numa equipa, numa empresa, todos temos o nosso papel, cada um deve fazer a sua parte para que a equipa seja bem sucedida, basta assistir a um jogo de futebol para percebermos quando um jogador pede desculpa ao colega por ter cometido um erro, por ter falhado aquele passe, por não ter rematado quando devia, reconhecendo instintivamente que podia ter feito melhor, numa empresa esta capacidade é chave para uma cultura e espírito de equipa saudáveis, eliminando o habito de “apontar o dedo” quando alguém comete um erro.

A equipa sempre em primeiro lugar
Por muito que todos tenhamos objectivos individuais, estes estão sempre em segundo lugar, aprendemos a abdicar daquele final de semana, daquela festa, daquela ida ao cinema porque assumimos um compromisso em que um todo depende do nosso comportamento individualmente. Nas empresas, muitas vezes, ficar até mais tarde para ajudar a resolver um problema de um colega é um comportamento contagioso que pode criar benefícios em qualquer organização.

Estudamos o jogo
Como dizia Kobe Bryant, “I love the game“, e o que Kobe fazia era estudar o jogo, os adversários, as equipas e forma como jogavam, trabalhando a sua criatividade para que pudesse surpreender os adversários, descobrindo muitas vezes capacidades que nem ele sabia ter, algo que deve estar associado a qualquer organização, a constante busca de novos produtos, novos mercados, inovação e sustentabilidade.

Aceitação da crítica
Não é possível chegar longe no desporto sem termos a capacidade de ser treinados, aprender a ser criticado é um processo que deve passar por todas as carreiras desportivas, conseguir aceitar a mesma sem que ela prejudique a nossa atitude é fundamental para melhorar a nossa performance. Numa empresa os lideres saberem que podem dar feedback honesto, e que esse mesmo feedback não vai interferir na capacidade de produção, mas sim motivar a uma melhoria das tarefas que devem ser realizadas, fará com que essa mesma liderança se torne mais fácil.

Capacidade de decisão de risco
Em muitas situações os atletas são obrigados a tomar decisões determinantes em milésimas de segundo, sabem que independentemente das consequências vão ter que decidir. Essa capacidade para estar disponível e aceitar as consequências da mesma decisão é um fenómeno que está associado às empresas mais bem-sucedidas, a capacidade de decidir perante o risco correndo o risco de falhar, não sendo assombradas por esse mesmo medo.
Quando me perguntam qual é o segredo para ser atleta olímpico, eu respondo que é o mesmo para ser médico olímpico, advogado olímpico, jardineiro olímpico… ser melhor do que no dia anterior, ter uma empresa bem-sucedida resultará exactamente da mesma maneira, ter equipas compostas por membros que estejam constantemente disponíveis para melhorar no dia seguinte, como estão os atletas…sempre!"

Benfica Podcast - Best Of 18/19 - Part I & II

Mister's das palavras!!!

Benfiquismo (MCCVII)

Tripla...

Final empatada...

Oliveirense 74 - 81 Benfica
22-21, 16-15, 15-17, 21-28

Agora, vamos ter dois jogos na Luz para potencialmente decidir este Campeonato, que em Dezembro parecia totalmente perdido!!!

Defensivamente estivemos bem... mesmo sabendo que não podemos 'pressionar' muito senão dá logo falta, mesmo levando constantemente com faltas contra, em situações claras de faltas ofensivas, os jogadores têm mantido a 'calma'...!!!
Ofensivamente, hoje tentamos não exagerar nos Triplos, mas a 'tentação' é forte demais!!! Além disso, continuamos com uma quantidade absurda de Turnovers absurdos!!! Estivemos bem nos ressaltos ofensivos, foram decisivos!!!

Apesar das dificuldades, creio que com o Travante e o Coleman 'controlados' temos tudo para ganhar os dois jogos na Luz. Mantendo a concentração defensiva, mesmo com todas as outras deficiências, temos hipóteses... Até porque não acredito que na Luz, o critério absurdo arbitral se vai manter!!!

PS: Parabéns às nossas meninas do Andebol que garantiram hoje a subida à I Divisão. Um projecto que arrancou esta época.

Semear ventos, colher tempestades...

"O FC Porto vai dar guarida a quem praticou diz o tribunal, uma 'deturpação selectiva dos textos' e uma 'omissão nitidamente dolosa'?

A sentença proferida na última sexta-feira, que condenou a FC Porto SAD e um funcionário ao pagamento de dois milhões de euros, mais juros, ao Benfica, representou a primeira resposta dos tribunais ao caso dos emails. Outras se seguirão. Tal como tenho feito até aqui, manter-me-ei fiel ao princípio de acreditar na Justiça, que tem tempos e modos muito próprios, que devem ser respeitados.
Não obstante, algumas coisas, relevantes, que resultaram da sentença tornada pública há três dias, merecem análise, comentário e cuidada ponderação.
A primeira, irrefutável, é a circunstância de vários emails roubados ao Benfica terem sido truncados, alterando-lhes o sentido, de forma deliberada, pensada e criminosa. Se, no entender de quem o fez, as provas contra o clube da Luz eram tão esmagadoras, porquê este comportamento?
E, a reboque desta circunstância, surge uma pergunta, inevitável, de longo alcance: O FC porto revê-se nesse comportamento, subscreve os actos de quem, segundo o juiz, praticou uma «omissão nitidamente dolosa, cirúrgica e inteligente», que «desvirtua totalmente o sentido dessa comunicação»? Porque, ainda citando o acórdão, «esta deturpação selectiva do texto é pior do que uma mentira, pois, essa é facilmente posta em causa, a deturpação é bem mais difícil de detectar e nunca porá em causa a primeira impressão já criada».
A segunda tem a ver com os limites que foram ultrapassados, o mais evidente, o da violação da privacidade das comunicações, uma das bases de confiança na vida em sociedade, seguindo-se a evidente concorrência desleal e, para  terminar, a mais soez de todas, a intrusão na vida privada, de que Domingos Soares de Oliveira e a família foram as principais vítimas. Mas será bom lembrar que há outros processos a correr, movidos por quem se sentiu ofendido, alguns deles baseados em emails adulterados, que em breve saltarão para a ribalta...
Só em nome de uma estratégia feita de desespero é possível conceber que valesse tudo, de forma tão despudorada.
Os próximos capítulos apontam para a entrada em cena da Liga de Clubes, Federação Portuguesa de Futebol, CMVM, Autoridade da Concorrência e investigação criminal, num processo multifacetado e definidor do futuro, a que a UEFA não ficará alheia...

Ás
Fernando Santos
Um nome para a história do futebol português. Os dois títulos que conquistou acabaram com o país do quase, quase em 1966, quase em 1984, quase em 2000, quase em 2004, quase em 2006, quase em 2012... Com Fernando Santos, Portugal, menos romântico e mais pragmático, inscreveu o nome entre os maiores.

Ás
Fernando Gomes
Apostou na excelência, na qualificação, na importância dos recursos humanos, e ganhou. A FPF deixou de ser o parente pobre do futebol português e passou a brilhar com luz própria, mostrando que a competência faz a diferença. As selecções de futebol são o orgulho de Portugal, falta assumir maior protagonismo no resto...

Ás
Gonçalo Guedes
O pontapé mais importante de uma carreira de que há ainda muito a esperar. Faz parte dos jovens turcos que um dia hão de pegar no testemunho entregue pela geração-Ronaldo e assumir os destinos da Selecção Nacional. Ontem, no momento-Éder que protagonizou no Dragão, não teve medo de assumir a responsabilidade.

'We Are The Champions'
Trinta e cinco meses, mesmo um dia, depois da jornada gloriosa do Stade de France, Portugal mostrou ao mundo que a conquista do Europeu não foi obra do acaso. Com uma Selecção em processo de rejuvenescimento - metade dos campeões da Liga das Nações não estiveram em França - ficam garantias de que Portugal vai permanecer entre a elite do futebol mundial. Uma palavra especial para Cristiano Ronaldo, único titular nas três finais da Selecção, de quem se espera que se mantenha de quinas ao peito pelo menos até ao Catar.

Temos todas as condições para grande Mundial
«A FPF e a RFEF vão começar o processo de análise acerca da hipótese de apresentar candidatura conjunta ao Mundial de 2030»
Comunicado FPF e RFEF
A organização Ibérica do Mundial de 2030 seria uma oportunidade fantástica de rentabilizar, modernizando equipamentos já existentes, e de dinamizar, num evento que envolve futebol e turismo, a economia de Portugal e Espanha. E se o impacto económico de seis dias de Liga das Nações, com três selecções forasteiras, foi de 150 milhões de euros...

Caricatura de França humilhada na Turquia
Campeões do Mundo e vice-campeões da Europa, os franceses fizeram figura de corpo presente na Turquia e perderam, sem apelo nem agravo, perante uma selecção que já vi melhores dias. A boa notícia é que já não basta agitar nomes e enviar as camisolas para ganhar jogos. Um aviso à navegação."

José Manuel Delgado, in A Bola