Últimas indefectivações

sábado, 11 de agosto de 2018

Começa hoje

"Inicia hoje a edição 2018/19 do campeonato português. Porto, Benfica e Sporting ainda não têm os plantéis selados, mas, pelo menos no Dragão, ficou assente que Marega não sai já para o West Ham. Ao mesmo tempo, a novela-Jonas ainda não conheceu o seu epílogo. Na Luz, os adeptos anseiam pelo desfecho da história que envolve o melhor intérprete do elenco, enquanto o rumor do retorno de Ramires também alimenta o sonho benfiquista. O Benfica é o clube anfitrião para o primeiro jogo do campeonato. Receber o Vitória, agora treinado por Luís Castro, é um desafio ainda mais difícil por se realizar ensanduichado pelos embates com o Fenerbahçe.
Fazendo um pequeno parêntesis acerca da terceira pre-eliminatória da Liga dos Campeões, convenhamos que o apuramento do Benfica para a fase dos play-off ainda não está garantida. O Benfica foi bem superior aos turcos na Luz, sobretudo na segunda parte. Não ter sofrido golos em casa é um trunfo para o Benfica, mas Rui Vitória também deve ter percebido que Cocu foi a Lisboa sem particular ambição, na esperança de jogar todas as fichas em Istambul, já com Souza no meio-campo, André Ayew no lado direito do ataque e também Soldado na frente em vez de Alper Potuk. O Benfica até pode vir a exaltar mais as situações de contra-ataque no estádio Şükrü Saracoğlu, mas a capacidade para o Fenerbahçe se lançar para o ataque deverá ser bem superior à da primeira mão. Irá Jonas a jogo na Turquia?
Gostei da forma como o Porto se bateu com o Aves, na Supertaça, em Aveiro. As lesões de Brahimi e de Tiquinho até podiam ter sido mais nocivas, mas Corona jogou bem, numa noite em que era obrigatório não sentir a falta de Marega. Até porque o Benfica ainda está sem Krovinovic (deve voltar a jogar em Setembro) e porque o papel de Jonas está indefinido, parece-me que o Porto, mesmo com as baixas de Marcano e de Ricardo, é o candidato ao título que menos adulterou a sua forma de querer dominar o adversário. Potência, agressividade, chegadas rápidas à frente e equilíbrio total nas coberturas são factores que mantêm fortalecido o Dragão para esta época. Continuando Casillas na baliza, é meio caminho andado para a equipa não perder estabilidade.
Para além disso, Otávio continua a ser visto como uma unidade importante para assegurar dinâmicas na passagem do corredor direito da zona média para o centro. Tanto ele como Herrera movem-se bastante bem na recepção na meia-direita, ajudando a que um dos atacantes (Marega ou André Pereira) se projete com mais espaço na aproximação à grande área, onde Aboubakar já está à espera da bola. Simultaneamente, na outra faixa, Alex Telles e Brahimi fazem uma dupla formidável. Sérgio Conceição aguarda a disponibilidade de Danilo para o meio-campo, mas Sérgio Oliveira tem mais uma meta de afirmação e não vai ser fácil tirar-lhe o lugar do onze.
O Sporting é o clube sobre o qual mais pontos de interrogação se colocam. Depois do pesadelo em Alcochete e mediante os sucessivos tumultos directivos, não tem havido muito sossego em Alvalade. De qualquer forma, alguns danos foram minimizados, logo constatados nos regressos dos três B: Bruno Fernandes, Battaglia e Bas Dost. Peseiro não fez o grosso da pré-época com o ponta de lança holandês e veremos de que modo é que a bola lhe vai chegar. As combinações entre Nani e Bruno Fernandes prometem elevar o padrão técnico leonino, mas terá de haver iniciativa para possibilitar cruzamentos para aproveitar o recurso de jogo aéreo de Bas Dost. Jefferson, no lado esquerdo, é uma excelente unidade para o efeito. Mathieu lidera cada vez melhor o eixo defensivo e digamos que a baliza não fica mal entregue a Viviano, autor de um erro inusitado contra o Marselha, que, aliás, não retrata o guarda-redes toscano. O percurso na Sampdoria deu-nos a conhecer um guarda-redes pouco extravagante, mas muito regular na protecção da baliza. É tudo menos aquilo que mostrou naquele instante contra o OM.
Peseiro orienta, hoje, uma equipa bem mais competitiva do que aquilo que o cenário de múltiplas rescisões sugeria para a época 2018/19. Ainda assim, estão, neste momento, um degrau abaixo de Porto e Benfica. Talvez depois do fecho do mercado de Verão possamos ser mais conclusivos, sobretudo se se concretizar a chegada de Diaby para o ataque. A montante, seria sensato procurar um médio-centro credenciado e com bom controlo de bola, para que o Sporting ultrapasse a barreira da etapa inicial de construção. O pós-William vai conhecer, agora, os seus efeitos."

Benfiquismo (CMXVI)

Mister e Master...!!!

Vermelhão: Susto...

Benfica 3 - 2 Guimarães


Grande primeira parte... e não foram só os golos. A equipa pressionou, trocou a bola... e até demonstrou capacidade criativa no último terço, algo que nos jogos da pré-temporada não aconteceu... É óbvio que este Guimarães é a equipa mais 'fraca' que defrontamos ultimamente (excepto Napradek e Setúbal), mas notou-se confiança... e melhor entrosamento. Sendo que o Gedson movimentou-se melhor nas situações de ataque organizado, dando mais linhas de passe ofensivas!

As excepções, foram somente duas: cabeceamento para boa defesa do Odysseias (após domínio com o braço dum jogador adversário)  e mau passe de Jardel, que deu em nova grande defesa do Odysseias e bola no poste...!!!
Estas distracções, não podem acontecer...
No segundo tempo, com 3-0, que podiam e deviam ser mais, entrámos com intenção de controlar o jogo, a baixa velocidade, e a verdade é que até às substituições 'resultou'! O jogo estava 'morto', não criámos muito perigo, mas o Guimarães também não...
O problema das substituições, deveu-se a uma opção declarada de começar a 'preparar' o jogo da próxima Terça em Istambul!!! Os jogadores que saíram, foram aqueles que se pensou precisarem de 'descanso' para a Champions: Cervi e Fejsa... Enquanto o jogo desta noite, dava indicações que o Pizzi e até o Gedson estavam a perder 'gás'... que o próprio Salvio já não defendia, as primeiras opções para sair foram outras...
O Alfa vai provavelmente 'levar' com as críticas em cima, mas não foi só culpa dele...
O MVP é fácil: Pizzi... Mas tanto o Salvio como o Gedson foram importantes nos golos. Aliás o Salvio e o Grimaldo têm sido dos melhores neste início de época. Hoje o Cervi não marcou, mas jogou melhor do que no jogo contra o Fener!!!
Como já afirmei antes, o Gedson melhorou bastante hoje. Ainda faltam alguns pormenores, ainda perde a bola infantilmente, ainda comete alguns erros de decisão, mas defensivamente a boa pressão após perda de bola que o Benfica faz, deve-se muito a ele... e ofensivamente, já percebe qual o espaço que deve ocupar...
Odysseias bem... vão dizer que ele largou uma bola para a frente que não devia, mas o remate era difícil...

Com 3-0 estava a ser um jogo 'brilhante', o  'susto' até pode ser útil para todos entenderem que o caminho ainda é longo... Cada jogo será uma batalha!


sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Alvorada... do Ricardo

Benfiquismo (CMXV)

Vai começar...

Enquanto o sol se punha em Fall River...

"O Benfica foi a primeira equipa portuguesa a visitar os Estados Unidos. Em 7 de Agosto de 1957, defrontou uma frágil selecção da Nova Inglaterra, recheada de emigrantes lusos, e fez como nos jogos da escola: mudou aos cinco e acabou aos dez.

O Benfica está na América de Norte, a disputar mais um daqueles torneios que sempre fizeram parte da sua história. Por isso, nada como dar, hoje, uma vista de olhos sobre a primeira vez que o clube da águia viajou até aos Estados Unidos, em Agosto de 1957.
Festa em Fall River, pois claro. Cidade do estado de Massachusetts, com uma enorme colónia de emigrantes portugueses, na sua maioria originários dos Açores.
Terra que deu, igualmente, aos Estados Unidos alguns dos seus jogadores de futebol mais famosos, como John Souza e Ed Souza, irmãos, Billy Gonsalves (assim mesmo, com o nome truncado), considerado por muitos como o melhor de todos os tempos, ou Bert Patenaude, o autor do primeiro hat-trick numa fase final de um Campeonato do Mundo.
Nova Inglaterra: a divisão geográfica não é oficial, mas é o território que engloba os estados de Massachusets, Vermont, New Hampshire, Rhode Island e Connecticut. Como se constata, não foi por acaso que o Benfica defrontou nesse seu primeiro jogo nos EUA uma selecção da Nova Inglaterra. Uma selecção muito ad hoc, entenda-se: basicamente composta por luso-americanos, ansiosos por se medirem em campo frente ao campeão de Portugal.
A coisa resolveu-se com simplicidade: 10-0. Cinco na primeira parte e cinco na segunda, tal e qual os jogos da escola primária, só que com balizas a sério.
Pela primeira vez uma equipa portuguesa apresentava-se nos Estados Unidos. Pouco tempo antes tinha por lá passado o Vasco da Gama, do Brasil, com sucesso aceitável, diga-se de passagem.
Os norte-americanos podiam estar-se um bocado nas tintas para o 'football association', preferindo desportos como o futebol americano, o basebol ou o basquetebol, mas não deixavam de sentir uma forte curiosidade pelo jogo inventado pelos ingleses e que fascina todo o mundo.

Dez-a-zero!
Estavam 15 mil pessoas em redor do relvado. Queriam ver gente como Costa Pereira, Palmeiro, Coluna, Cavém ou José Águas. E viram.
Vamos e venhamos: os jogadores do Benfica souberam honrar briosamente as camisolas. Não olharam para as debilidades do adversário com sobranceria, nem pretenderam transformar o encontro num número circense com cada um a fazer o seu truque. Deitaram mãos à obra e desataram a acumular golos para gáudio dos muitos portugueses presentes.
Os seleccionadores da Nova Inglaterra pouco mais tinham para dar do que entusiasmo. Deram-no. Foram até ao fim da sua capacidade física.
Coluna foi o primeiro a marcar, logo aos 10 minutos, com um pontapé de longe, bem colocado. Seria ele a abrir o dique.
Oito minutos mais tarde, Caiado fez o 2-0 graças a um lance individual e, aos 27 minutos, Águas elevou-se lá no alto, como tantas vezes na sua elegância distinta, e cabeceou para o terceiro golo. Logo em seguida, repetiu a proeza. E um tal de Jorge Bernardo, atarantado por tudo o que via suceder na sua frente, atrapalhou-se ao ponto de meter a bola na sua própria baliza.
Era tempo de mudar de campo.
As redes de ambas as balizas seriam tratadas por igual.
Salvador entendeu que estava na altura de fintar meia equipa da Nova Inglaterra e foi o que fez. Depois do último drible, cara a cara com o guarda-redes Nogueira, disparou fulminante.
A goleada ganhava uma forma arredondada.
Pegado, Azevedo e Salvador puseram o marcador em 9-0.
E, à beirinha do final, Palmeiro apontou um golo soberbo, talvez o melhor do desafio.
A tarde do dia 7 de Agosto terminava em beleza.
Encantados por verem os seus campeões ao vivo, os membros da colónia lusitana cumularam-nos com gentilezas. O Benfica abria uma nova porta e passaria, desde aí, a ser vista frequente dos Estados Unidos, tal como hoje em dia se comprova. A América do Norte podia não ser um dos centros entusiásticos do futebol, mas sabia acolher os grandes nomes.
E, em 1957, já o Benfica era um dos maiores da Europa."

Afonso de Melo, in O Benfica

À boleia...!!!

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Futebol transatlântico

"Mês e meio de uma jornada pioneira que deu a conhecer aos portugueses muito mais do que o futebol brasileiro

No Verão de 1913, a convite do Botafogo Football Club, dezasseis 'footballers portuguezes' atravessaram o oceano Atlântico rumo ao Brasil. Era a 'primeira excursão de projecção internacional organizada pela Associação de Futebol de Lisboa' e da equipa faziam parte oito jogadores 'encarnados'.
A 26 de Junho, partiram de Lisboa: Henrique Costa, Carlos Homem de Figueiredo, Cosme Damião, Artur José Pereira, Álvaro Gaspar, Luís Vieira, Paiva Simões, José Domingos Fernandes, jogadores do Benfica, e ainda Eduardo Luís Pinto Basto, Carlos Sobral e Boaventura Belo, do CIF, e Amadeu Cruz, António e Francisco Stromp, Cândido Rosa Rodrigues e João Bentes do Sporting.
A recepção 'foi simplesmente maravilhosa, inesquecível, (...) A cada dois jogadores foi posto um automóvel às ordens e um «cicerone» que nos levou a todos os lugares de interesse turístico e de diversão existentes'. Para assistir aos desafios luso-brasileiros, disputados no Rio de Janeiro e em São Paulo, 'afluiu um público entusiasta' vindo 'de todas as partes do Brasil'.
Cosme Damião, que 'assumia não só a responsabilidade da equipa, como também desempenhava as funções de preparador físico, treinador e «capitão»', tentou que tantas atracções não desencaminhassem os atletas, mas, à hora de recolher, 'após a «revista»', que era feita pelo próprio, 'alguns (...) ludibriavam-no, saindo do quarto com os sapatos na mão para não serem pressentidos, e vá de frequentar o «clubs» nocturnos até altas horas'. Ainda assim, não decepcionaram e frases como 'os portuguezes jogaram admiravelmente' foram recorrentes na imprensa local.
Na hora da despedida, alguns jogadores 'encarnados' foram abordados pelo Botafogo para aí permanecer. 'Ofereceram-me até um bom lugar numa fábrica de lanifícios a ganhar (...) dez vezes mais do que auferia nos CTT (...) Porém, (...) as saudades da família (...) não permitiram que eu ficasse', conta José Domingos Fernandes. Luís Vieira, pelo contrário, aceitou e 'por lá se manteve durante três anos'. Os restantes atracaram em Lisboa cerca de mês e meio depois, a 12 de Agosto.
Símbolo dessa jornada pioneira, encontra-se exposto na área 18 - 'E Pluribus Unum' do Museu Benfica - Cosme Damião o bastão oferecido pelo Botafogo Football Club a Cosme Damião."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

Diana... finalmente!

À terceira foi mesmo de vez, na prova dos 400m livres a Diana Durães conseguiu atingir a Final, depois de dois 9.ºs lugares, nos 800m e 1500m...
Não fez o seu melhor tempo (4m12s41), mas ser Finalista num Europeu de Natação, é algo muito raro na história do desporto português!



Também em Glasgow, a Melanie Santos, ficou em 10.º lugar no Europeu de Triatlo... Foi um bom resultado, mas podia ter sido melhor...!!!

Alvorada... do Martins

Pontos de interesse no jogo do Benfica

"O primeiro jogo oficial da época trouxe algumas sugestões interessantes para se conhecer melhor a realidade do Benfica. Desde logo, a novidade de uma vitória internacional. Não se pode propriamente considerar uma vitória benfiquista na Champions, mas, ainda assim, uma vitória frente a uma equipa com qualidade de Champions. E isso é uma boa novidade, depois da época internacional deplorável e até angustiante que o Benfica fez no ano passado.
Segundo apontamento digno de registo, o facto do Benfica ter conseguido não sofrer golos numa eliminatória equilibrada e que pode ser decidida por golos marcados fora de casa. O resultado de 1-0 não é, evidentemente, um resultado confortável, mas é um resultado que admite passar os cinquenta por centro de hipóteses de sucesso e coloca o adversário em posição bem mais insegura.
Terceira nota, que nos pareceu importante: a excelente segunda parte do Benfica, não tanto na capacidade ofensiva, onde continuou a faltar poder de concretização, mas onde já não faltou capacidade de pressionar e de atacar a bola no primeiro terço do campo defendido pelo opositor. E isso é algo que se saúda numa equipa que, na época passada, se limitava a marcar com os olhos e a deixar ao adversário total liberdade na primeira fase de construção do seu jogo.
Aspecto mais negativo: começa a ser indigente o aproveitamento do Benfica, no seu jogo ofensivo. Questão séria para resolver e que pode aconselhar à mudança do actual 4x3x3, que é muito pouco dinâmico. Será que Rui Vitória terá um plano B, com um 4x4x2 para adversários mais frágeis?"

Vítor Serpa, in A Bola

Tiros de partida

"O Benfica garantiu uma vantagem curta, mas importante, sobre o Fenerbahçe

1 - O Benfica deu um passo importante no caminho que os encarnados esperam poder levar à entrada na fase de grupos da Champions e ao pote de ouro que aguarda do outro lado dos play-offs. É verdade que a diferença mínima, até por definição, é demasiado curta para autorizar qualquer tipo de descontração, mas marcar e não sofrer nos jogos disputados em casa é uma espécie de fórmula resolvente para este tipo de eliminatórias: afinal, agora serão os turcos a ter de assumir as despesas do jogo e os encarnados têm argumentos para cobrar esse esforço. Depois, sendo verdade que, tal como Rui Vitória sublinhou, não há equipas perfeitas em Agosto - e o Benfica esteve longe da perfeição - o facto é que, em termos de ritmo e preparação, o Fenerbahçe parece ainda não ter passado de Julho, o que se pode revelar decisivo. A confirmar para a semana, em Istambul.

2 - Mesmo que a entrada de Castillo para o lugar de Ferreyra tenha demonstrado que Rui Vitória tem soluções para mexer no sector ofensivo, abanando jogos que ameaçam ficar estagnados, o facto é que continua a faltar golo ao ataque do Benfica - o que torna Jonas num tema simultaneamente incontornável e desconfortável. Luís Filipe Vieira tratou ontem de passar esse desconforto para o jogador. Segundo o presidente encarnado, o Benfica não pretende vender ninguém, os encarnados estão satisfeitos com Jonas, o brasileiro tem mais um ano de contrato e, sabe O Jogo, o clube até pretende renovar com ele, tornando-o no jogador mais bem pago do plantel. Por outras palavras, Jonas só sai se quiser, se o assumir publicamente e se arranjar quem pague a transferência. Batata quente nas mãos do brasileiro."

Retrocesso no VAR?

"Não contávamos voltar tão cedo às questões do Vídeo-Árbitro (VAR) mas, ao tomarmos conhecimento das "recomendações" do Conselho de Arbitragem para aplicação na época que agora se inicia, exige que o façamos.
Todos estamos recordados da análise que os dirigentes máximos do Futebol fizeram no final do recente Campeonato do Mundo, congratulando-se pelos excelentes resultados obtidos na aplicação do VAR, apesar de ter sido utilizado pela primeira vez a esse nível e por muitos Árbitros que não tinham qualquer experiência anterior.
Entre as vantagens assinaladas, foi dado especial destaque ao significativo aumento do número de penaltis assinalados, sendo tal assumido como um considerável avanço na procura da verdade desportiva.
Eis senão quando o Conselho de Arbitragem (CA) resolve fazer um conjunto de "recomendações" aos seus Árbitros, com vista a criar maior uniformidade nos critérios de aplicação das leis.
Pegando na notícia de um jornal diário, entre outras doutas asserções, o CA recomenda que seja evitada "a banalização dos penaltis".
Não se percebe exactamente onde se pretende chegar, mas salta à vista que algum Árbitro que tenha o azar de ser forçado a assinalar, no exacto cumprimento da lei, vários penaltis no mesmo jogo, tem a folha feita, como se costuma dizer.
É lamentável que assim seja até porque, depois da avaliação feita ao VAR no Mundial, tínhamos esperança de ver substancialmente reduzido o número de agarrões nas áreas, nomeadamente em situações de bola parada.
Quanto a nós, pelo contrário, torna-se imperativa a aplicação das regras: "agarrão = penalti", em caso de falta defensiva, com exibição de cartão (amarelo ou vermelho); "agarrão = livre", para falta ofensiva, com eventual exibição de cartão; e, nos casos de mútuo agarrão em que não seja possível definir de forma clara o principal infractor, interrupção do jogo e, eventualmente, amostragem de cartão amarelo a ambos. Será esta a única forma de reduzir a "sinistralidade" (!) dentro das áreas… 
Para além deste pormenor, nas restantes recomendações destacadas na notícia citada, há a manifesta intenção de reforçar a autoridade dos Árbitros, designadamente na avaliação subjectiva de algumas faltas: seja pela destrinça da mão na bola/bola na mão, da força excessiva na falta cometida (ou não), reacção a falta marcada, ou no pedido de recurso ao VAR (punido com amarelo), entre outros casos. 
Sem termos tido acesso à totalidade das "recomendações" não podemos deixar de reiterar o que deixámos escrito no artigo que aqui publicámos no passado dia 25 de Julho, nomeadamente no que concerne às excessivas demoras (dos guarda-redes, lançamentos laterais, marcação das barreiras e das faltas, substituições e outras).
Da mesma forma, também pelo que entendemos estar a ser uma progressiva aproximação à aplicação da cronometragem exacta, uma vez que o progressivo aumento dos tempos de descontos irá conduzir à inevitabilidade daquela medida.
Aliás, temos assistido a tomadas de posição de vários comentadores televisivos (incluindo antigos árbitros), que cada vez mais vêm assumido posições condizentes com as que aqui temos defendido; entre outras, por exemplo, a penalização dos guarda-redes com 2.º amarelo por reincidência nas perdas de tempo – o que, como referimos, nunca vimos acontecer…"

A Volta começou de cacilheiro

"No dia 26 de abril de 1927, os ciclistas alinharam-se no Marquês: os fortes vestiam de negro, os fracos de verde, os militares de vermelho...

Abril de 1927 - dia 26, terça-feira. A primeira edição da Volta a Portugal estava na estrada. Na estrada e no rio, mas já lá vamos. «Prova desportiva de violência», destacava a imprensa, alguma dela invejosa. Invejosa porque a ideia saíra do bestunto de Raul Oliveira, do jornal Os Sports, e era o seu periódico a organizar a prova a meias com o Diário de Notícias. De tal forma invejosos, acrescente-se, que no mês seguinte O Sporting, sedeado no Porto, avançou para a estrada com outra Volta, embora mais modesta.
A brincadeira ficou tão cara aos organizadores que só voltou a haver nova edição em 1931 por falta de verbas disponíveis.
A primeira etapa começou em festa. No Marquês de Pombal, os concorrentes alinhavam por cores correspondentes à sua categoria: de preto, os mais fortes; de verde, os mais fracos; de vermelho, os militares, fossem eles fracos ou fortes. A caravana percorreu a Baixa por entre o entusiasmo popular e foi em ritmo de passeio até ao Cais do Sodré. Atravessou o Tejo num vapor da Parçaria, como chamava o povo aos então cacilheiros da Parceria dos Vapores Lisbonenses, e iniciou a primeira etapa em Cacilhas para a terminar em Setúbal.
Uma festa!
22 dias de competição à volta do país: Lisboa-Setúbal; Setúbal-Sines; Sines-Odemira; Odemira-Portimão; Portimão-Faro; Faro-Beja; Beja-Évora; Évora-Portalegre; Portalegre-Castelo Branco; Castelo Branco-Guarda; Guarda-Torre de Moncorvo; Torre de Moncorvo-Bragança; Bragança-Vidago; Vidago-Braga; Braga-Porto; Porto-Coimbra; Coimbra-Caldas; Caldas-Lisboa.
Volta mais volta era difícil.
Dois dias de descanso: em Vidago e nas Caldas da Rainha.
1.958,5 quilómetros a percorrer.
Era obra!

Primeiro de amarelo
Quirino de Oliveira era atleta do Clube Atlético de Campo de Ourique. Foi ele o vencedor da primeira etapa e, portanto, o primeiro camisola amarela da história da Volta a Portugal. O seu combate ombro a ombro com António Augusto de Carvalho, do Carcavelos, e vencedor da prova, ficou por muitos anos no imaginário de todos os que seguiram a Volta com entusiasmo e pertinácia. Diga-se, pelo caminho, que a competição só teve três camisolas amarelas: Quirino, Carvalho e Nunes Abreu, do Leixões, na etapa 15.ª, entre Braga e Porto.
Quirino de Oliveira ver-se-ia atraiçoado pela estrada a caminho de Moncorvo: depois de seis etapas envergando a amarela, uma queda dolorosa fê-lo ser ultrapassado por António Augusto de Carvalho. De forma decisiva. Acabaria em terceiro.
O vencedor da primeira Volta a Portugal gastou 79 horas e 8 minutos para cumprir o percurso.
Só três ciclistas ficaram a menos de uma hora do primeiro: Nunes de Abreu (a 9 minutos e 31 segundos); Quirino de Oliveira (a 19 minutos e 6 segundos); e Santos de Almeida, do Benfica (a 34 minutos e 18 segundos). O quinto classificado, Aníbal Firmino, do Carcavelos, terminou a anos-luz - uma hora, 25 minutos e 58 segundos.
Dos 38 ciclistas que se tinham enfileirado no Marquês de Pombal, naquele dia 26 de Abril, 26 chegaram a Lisboa depois de percorrerem o país de lés-a-lés. Apenas 12 desistiram, o que, para as dificuldades da época, se pode considerar mais do que razoável. O Carcavelos ganhou por equipas e o Sporting ficou em segundo. António Marques, do Carcavelos, foi o melhor dos fracos; o telegrafista João Francisco foi o primeiro dos militares.
«À partida das Caldas, a conquista do primeiro lugar estava verdadeiramente circunscrita a três corredores: Augusto Carvalho, Nunes de Abreu e Quirino», desfiava um dos jornais lisboetas no dia 16 de maio. E continuava, esclarecendo uma regra muito particular: «Os cerca de 2000 quilómetros do circuito foram divididos em 18 etapas - a última das quais Caldas-Lisboa. Até à 17ª, os corredores, de etapa para etapa, partiram ‘em linha’, tomando-se a cada um o tempo gasto. Na 18.ª, porém, partiram distanciados uns dos outros de harmonia com os tempos obtidos nas etapas anteriores».
Não deixaria de provocar confusão.
Entre as Caldas da Rainha e Lisboa estabeleceu-se um percurso que cumprisse exactamente 100 quilómetros. Santos Almeida seria o vencedor com um tempo histórico . partiu às 12 horas, 11 minutos e 44 segundos e chegou às 15 horas e 44 minutos. Tempo gasto: 3 horas, 32 minutos e 16 segundos, menos 7 minutos e 23 segundos do que o grande vencedor Augusto Carvalho.
Batera o recorde nacional dos 100 quilómetros.
«Lançou-se a semente à terra. Dentro de poucos anos a Volta a Portugal pode tornar-se uma prova modelar, como a Volta à França», orgulhava-se Raul Oliveira que tinha feito parte da comitiva do Tour de 1919 e, desde então, não desistiria sem ver algo de parecido acontecer em Portugal.
Os ciclistas só voltariam às estradas nacionais em 1931, como já vimos. Surgiria aí a rivalidade mais famoso de toda a história velocipédica portuguesa, a que opôs José Maria Nicolau, do Benfica, a Alfredo Trindade, do Sporting. E que fez com que o povo se apaixonasse definitivamente pela Volta a Portugal."

Pagar para ver futebol na TV

"Fui assinante da TV Cabo, agora sou da Nos, sempre tive a Sport TV, nunca por acesso ilegal, como muitos amigos e conhecidos meus se gabam. Acho que se deve pagar para ver jogos de futebol, mas o que é demais é moléstia. Tudo custa dinheiro e são as leis do mercado.
Todavia, não faz sentido nenhum, ter que pagar mais do que já pago (à volta de 30€). A Sport TV perdeu os direitos de transmissão da Liga dos Campeões, Liga espanhola, Liga francesa, mas também os jogos das Ligas belga e escocesa e a Youth League.
A partir de 15 de Agosto, em virtude de haver um novo canal de conteúdos exclusivamente desportivos, estou mesmo a ver que vai sobrar para quem gosta de ver futebol em casa. Como tenho a Sport TV na Nos vou ter que pagar mais para poder ver a Liga dos Campeões.
A Liga espanhola, agora que Ronaldo saiu do Real Madrid, não me interessa e não me importo de não ver, mas na Liga dos Campeões quero ver alguns jogos, tendo à cabeça a Juventus com Ronaldo. 
Li, no Record, que a Eleven Sports pôs a Liga dos Campeões na Nowo, mas espera um acordo com as outras operadoras. Espero que cheguem a acordo, para que os assinantes da Sport TV não terem que pagar mais, para verem o que gostam e o que tinham acesso até agora.
Apercebo-me que é a primeira vez que a Sport TV enfrenta uma concorrência a sério. Anteriormente a BTV teve o exclusivo da Premier League e isso obrigou muitos fãs a ter que desembolsar um adicional de 10€, mas a Sport TV recuperou a Premier League. Mas, desta vez, não é brincadeira perder a Liga dos Campeões, todavia, não se pode estar a pagar tanto para ver jogos de futebol, qualquer dia voltamos todos ao café das redondezas para ver futebol. Por um lado, era bom para conversar e comunicar-se um pouco mais. Como é habitual, vão começar as falcatruas para ter o sinal de emissão a preços baixos ou de borla.
O que eu sei é que para já, apenas os clientes da Nowo terão acesso à generalidade dos jogos daquelas competições. Eu não sou cliente Nowo, mas quero ter acesso ao que tinha anteriormente na Sport TV pelo mesmo preço. Não aceito ter que pagar mais, ou a Sport TV deve baixar o preço, pois a sua oferta ficou amputada.
A concorrência do mercado, deveria funcionar para favorecer o consumidor, e não, para prejudicar e aumentar os preços. Por este andar, para ver todo o desporto relacionado com futebol terei que gastar mais de 50€ por mês. Vá lá, que na Sport TV posso ver outras modalidades como Fórmula1, MotoGP, Ténis, NBA, etc., mas não se justifica continuar a pagar 30€ sem a Liga Espanhola e a Liga dos Campeões.
Acho que deveria existir um pacote de desporto igual em todas as operadoras com o mesmo preço independente de ser da Vodafone, Meo ou Nos.
Mas, neste momento, a Eleven estará no ar a partir de 15 de Agosto na Nowo, por 9,99 euros."

Benfiquismo (CMXIV)

No pelado... em Sines!!!

Lanças... Início

A UEFA ao serviço (abjecto) dos poderosos

"Portugal, com as costumeiras guerras do alecrim e manjerona, deixou de estar na pegada dos grandes e não se vê como lá voltará

Escrevo este texto, horas antes do primeiro jogo oficial do Benfica. Quando for lido, já se saberá o desfecho do encontro contra o Fenerbahçe e as expectativas quando à 3.ª pré-eliminatória para acesso ao play-off para a fase de grupos da Champions.

1. Começo por analisar a absurda e cada vez mais elitista formulação desta competição. Em 2018/19, teremos 32 equipas na fase de grupos, assim divididas:
- O campeão da Liga dos Campeões (1).
- O campeão da Liga Europa (1).
- Os 4 primeiros classificados das federações do 1.º ao 4.º lugar no ranking da UEFA: Espanha, Alemanha, Inglaterra e Itália (16).
- Os 2 primeiros classificados das federações no 5.º e 6.º lugar: França e Rússia (4).
- Os campeões das federações classificadas do 7.º ao 10.º lugar: Portugal, Ucrânia, Bélgica e Turquia (4).
- Os 4 sobreviventes do chamado e penoso 'caminho dos campeões' das federações desde 11.º do ranking (Áustria) até à última 55.ª (Kosovo) que disputam 4 eliminatórias prévias!
- Os 2 sobreviventes do estranhamente apelidado 'caminho da liga', que resultarão de 3 eliminatórias, nas quais 6 equipas jogam a primeira delas e as vencedoras se encontram depois com os vice-campeões de Portugal, Ucrânia e Bélgica e os 3.ºs classificados da França e Rússia.
Ou seja, da Espanha, Alemanha, Inglaterra e Itália teremos 17 clubes (se acrescentarmos a forte probabilidade do vencedor da Liga Europa ser de um destes países), o que corresponde a 53% das presenças. A alteração produzida permite que um lugar secundário numa destas ligas (a 4.ª posição) tenha entrada imediata, ao mesmo tempo que o vice-campeão de Portugal (país campeão europeu) tenha de disputar duas eliminatórias com equipas de igual calibre. Em termos de planeamento de uma época, imagine-se o que, já com a bola a correr, significará estar dependente de poder ou não alcançar 40 ou mais milhões de euros, que é a inexplicável diferença entre estar na Liga dos Campeões ou ir competir na mísera Liga Europa. E, evidentemente, há os clubes que aguardam o desfecho destas duas eliminatórias para depenar os relegados para a Liga Europa que se veem obrigados a vender atletas a preços bem mais convidativos para os 'abutres'.
Bela e justa UEFA: já não basta a desigualdade no dinheiro distribuído que torna as diferenças crescentemente não reversíveis, o subtil (às vezes, nem isso) favorecimento dos tubarões, as 'migalhas' distribuídas a 49 das 55 federações, o fechar de olhos aos poderosos quanto a negócios obscenos e as duvidosa legitimidade, e eis que agora se reforça a Europa do futebol dividido-a categoricamente em anéis e velocidades estanques e intransponíveis.
Assim, lenta, mas inexoravelmente, deixámos de ter boas equipas holandesas, checas, escocesas, romenas, búlgaras, sérvias e de outros países que estão condenados ao degredo uefeiro. Entretanto, Portugal, com as costumeiras guerras do alecrim e manjerona, deixou de estar na pegada dos grandes e não se vê como lá poderá voltar. Assunto que, só por si, deveria pôr os clubes - sobretudo os chamados grandes - a redefinir estratégias porque o 'bodo aos pobres' tem os dias contados, a não ser para o campeão. Na Liga Europa, até tento perceber o entusiasmo nas últimas jornadas do nosso campeonato para ver quem fica num lugar pomposamente chamado 'europeu'. E depois? Gasta-se dinheiro com uma ou duas eliminatórias e acabou-se  'sonho europeu'. Ainda agora vimos o que aconteceu ao Rio Ave perante uma equipa ignora e de difícil memorização.

2. Embora muitos negócios ainda venham a passar pela ponte do defeso, absurdamente prolongado por cá (lá fora já há federações que os reduziram, como a inglesa) e já com 3 ou 4 jornadas do campeonato disputadas, escrevo, sobre as primeiras impressões do Benfica 2018/19.
Uma pré-época - como se convencionou chamar aos jogos que são antes de serem a 'sério' - que me pareceu positiva. Desde logo, porque não se jogou contra equipas do Luxemburgo ou da terceira divisão, mas sim contra formações de valia em torneios prestigiados. Depois, porque no seu início já foram integrados novos jogadores, quer contratados, quer promovidos. Terceiro, porque o planeamento das viagens e dos estágios foi adequado. Pena, no entanto, que para a 'Eusébio Cup', depois de uma época em que absurdamente não teve lugar e uma anterior jogada em Monterrey no México, tenha sido inventada uma absurda sobreposição com a última ronda da competição que o Benfica disputava. Tenho para mim que a Taça em honra desse grande jogador e benfiquista que foi Eusébio da Silva Ferreira deveria ser todos os anos disputada no seu Estádio da Luz, com todas as honras e simbolismo. Assim é lamentável...
Como já afirmei, escrevo antes do primeiro jogo a doer. E, também, diante da saga Jonas que vai para as Arábias, de manhã sem dores nas costas e fica na Luz, de tarde com as costas doridas. Por favor, decidam-se!
Do que gostei mais o do que mais dúvidas me suscita?
Em primeiro lugar, quanto ao titular da baliza, acho que as dúvidas foram dissipadas: o alemão de nome grego Odysseias Vlachodimos é o que mais garantias parece dar, ainda que tenha de provar poder aproximar-se de um tipo de guarda-redes que dá mesmo pontos. Uma equipa com a ambição do Benfica precisa de um guardião que faça a diferença. Infelizmente, depois de Oblak, Júlio César e Ederson (ainda hoje não 'engulo' a sua prematura saída com retorno financeiro relativamente reduzido), a equipa anda à procura de um substituto à altura. Svilar tem boas características, mas ainda um longo caminho a percorrer. Quanto ao greco-alemão, a ver vamos...
As principais boas surpresas acabaram por vir de quem menos se esperaria: Alfa Semedo e Gedson Fernandes. Dois jovens que não enganam e que, se não se deslumbrarem, podem ser muito úteis, como titulares ou suplentes, ao longo de uma extensa temporada.
Dos que vieram de fora, o mais rotulado Facundo Ferreyra ainda está longe do que dele se espera, embora o sistema de jogo mais usado não o tenha ajudado até agora. O chileno Nicolas Castillo pode ser um bom elemento, sobretudo em jogos de ataque constante e de intensidade física mais prevalecente. Com ou sem Jonas? Sinceramente receio que, sem ele, não haja, de imediato, sucedâneo para o toque de classe (e inteligência) do melhor jogador encarnado dos últimos anos.
Quanto aos defesas-centrais, Lema nunca o vi jogar, Conti tem 'pinta', mas é ainda algo ingénuo para o ritmo deste lado do planeta. Por tudo isto, Rúben Dias é fundamental ao lado de Jardel e, espero, que a sua quase obrigatória transferência para outros voos, aguarde pelo menos um ou dois anos.
Em boa promissora forma estão André Almeida (que, todavia, continua a ser pouco valorizado). Salvio (se não sair), Pizzi e Fejsa. Aguardo uma maior integração de João Félix que, estranhamente, foi ainda pouco utilizado e de Jota que merece ser gradualmente integrado na equipa principal. Zivkovic tem tido o problema de poder fazer várias posições, o que não é a melhor solução para o atleta. E falta um dos melhores reforços que é o croata Krovinovic que, em condições normais, terá lugar no onze inicial.
Uma nota final para referir quanto me continuam a intrigar situações de jogadores contratados que nem sequer uma vez passaram pelos balneários da Luz. Que é feito, por exemplo, de um sueco de nome Erdal Rakip contratado em Janeiro e logo remetido para um clube inglês e que, neste início de época, 'ninguém' sabe dele? Ou do atleta vindo do V. Setúbal, João Amaral, que foi contratado num dia e vendido no outro para a Polónia, sem que nada de bom (ou de mau) tivesse provado? E outros que me dispenso aqui de citar. Que razões ou justificações para estas transumâncias e que nacional para este tipo de scouting?

Contraluz
- Confusão: Distinguir o 'camisola amarela' na Volta a Portugal de outros ciclistas igualmente amarelados é coisa para especialistas. Por que razão se permite a existência de formações equipadas de amarelo, quando dantes, amarelo só havia um: o primeiro da classificação e mais nenhum!
- Lamentável: A SportTV vai deixar de transmitir os jogos da Champions e a Liga espanhola (coisa pouca...) e tem o desplante de achar que o preço a cobrar pelos seus canais se deve manter. Não oferece nada em troca, mas deixa de pagar por aquelas competições. Só os assinantes pagam o mesmo. Em condições normais de mercado, mereceria uma justa consequência dos ainda assinantes. Deplorável!"

Bagão Félix, in A Bola

Alvorada... do Gonçalves

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Sabe quem é? De carrinha para os treinos - Rui Vitória

"10 dias após morte dos pais num acidente, o destino mudou-se-lhe; Padre pô-lo a caminho do paraíso

1. A mãe era escriturária, o pai era soldador - e tinha sido guarda-redes do Alverca. Pela mão dele ganhou a paixão pelo futebol. «Começávamos de manhãzinha, voltávamos à hora de almoço a casa, comíamos -  e às três da tarde regressávamos ao campo. Viámos os escalões todos do Alverca - e aos 9 anos também eu fui jogar».

2. João Alves e Platini, Zidane e Rui Costa foram os ídolos que se lhe agarram ao fascínio. Até aos 17 anos mostrou-se sempre bom aluno - e, de um instante para o ouro, derrapou no destino: «Cheguei ao 12.º ano, estava, então, a treinar nos juniores e a jogar nos seniores do Alverca. Decidi armar-me em futebolista apenas - e chumbei. Foi uma lição».

3. Ter jogado no Alverca na II Liga, com Mário Wilson a treinador - foi o seu pináculo como futebolista, os demais clubes por onde cirandou foram o Fanhões, o Vilafranquense, o Seixal, o Casa Pia, o Alcochetense. «Só não fui um bocado mais longe porque, na altura, havia em mim a preocupação de fazer o curso de Educação Física».

4. De um instante para o outro, mudou-se-lhe o futuro - no dia 1 de Outubro de 2002. «Tinha 32 anos, era médio-centro do Alcochetense, desafiaram-me para treinador do Vilafranquense. Não era normal jogador da terceira divisão ser convidado para treinar na segunda. Nesse mesmo domingo também me convidaram para treinar o Alcochetense. Como tinha falado meia hora mais cedo o Vilafranquense, foi para lá que fui. Abandonei como jogador - e continuei a dar aulas».

5. Dias antes, a 21 de Setembro, os pais morreram-lhe num acidente de automóvel. «A minha mão viva preocupada, sempre a perguntar-me: 'O que é que vai acontecer quando deixares de jogar, como é que vais alimentar a tua paixão pela bola?' Eu dizia-lhe: desde que me deem uma equipa de juniores para treinar já fico satisfeito! Fui eu que os levei para a cova, acompanhei-os até ao fim no caixão - e estejam onde estiverem, hão de estar sempre a torcer por mim, cada passo que dou, cada sucesso que atinjo, naturalmente que é para eles».

6. Logo nesses primeiros tempos de treinador no Vilafranquense apanhou drama diferente (que se repetiu): «Houve momentos em que entrámos em campo com uma faixa a reivindicar ordenados. Os salários eram muito baixos, havia jogadores que já nem tinham dinheiro para ir ao treino, deixaram de jogar - eu tinha de dar resposta à situação, apreendi ali».

7. O Benfica convidou-o para seu treinador de juniores - ficou a 15 minutos de ser campeão (um arbitragem polémica em jogo contra o Sporting de Paulo Bento levou-lhe o sonho). Na época seguinte, decidiu largar o posto, sem ter clube à vista - e, na semana seguinte, António Pereira, o padre que era presidente do Fátima, desafiou-o para lá...

8. De manhã continuava a dar aulas de EF em Alverca - e ao fim da tarde ia a Fátima treinar: «Tinamos uma Ford Transit, apanhava grupo de jogador de Lisboa, o Marinho, o Saleiro, outros mais, e íamos todos juntos na carrinha e voltávamos. Assim eliminámos o FC Porto da Taça da Liga, ganhámos ao Sporting...» (Em dia de jogo, o autocarro não podia fazer marcha-atrás com jogadores e treinadores lá dentro, uma vez obrigou-os a sair, dizendo: «Não gosto de recuar, comigo é sempre para a frente» - e outra superstição se lhe viu: virar as costas à baliza quando um jogador seu estivesse a marcar penalty).

9. Saltou para o Paços de Ferreira - e foi à final da Taça da Liga, perdeu-a para o Benfica de Jorge Jesus, por 2-1.

10. O V. Guimarães foi buscá-lo - e no primeiro dia adeptos invadiram o treino em agreste manifestação, contou-o: «Quando vi aquilo pensei: 'Era disto que precisava. Estou num clube grande'. Ia atrás dos jogadores no túnel, ouvi 'Ó mister, já estão ali a bater no Faouzi' - era eu a querer entrar e eles a voltarem para trás, porque andava tudo engalfinhado. Depois-se foi o colapso financeiro apareceram os salários atrasados...»

11. Com os jogadores sem receberem ordenados durante seis meses (e dizia-se que alguns já ameaçava faltar-lhe dinheiro para comida) ganhou a Taça de Portugal ao Benfica de Jesus - e o resto é o que se sabe..."

António Simões, in A Bola

Grande Ricardo...

Ricardo dos Santos, está na final dos 400m do Europeu de Berlim!
O jovem Benfiquista, depois de ter batido o recorde nacional nas qualificações, voltou a bater o recorde nacional nas Meias-finais, conseguindo ser repescado por tempos para esta Final histórica!!!
O potencial do Ricardo foi reconhecido cedo, mas as últimas épocas têm sido madrastas com várias lesões, e tempos abaixo do esperado... Com o 45,14s de hoje, voltou a ser possível levar o recorde nacional para a casa dos 44s!!! Não espero novo recorde na Final de sexta-feira, mas... sem lesões o Ricardo vai lá chegar!!! Na Final, o Ricardo 'parte' com o 7.º melhor tempo das Meias-finais, portanto as aspirações são baixas... ainda por cima numa prova, onde quase todos os finalistas, fizeram as suas melhores marcas do ano...


Ontem, o Tsanko Arnaudov, obteve o 9.º lugar na Final do Peso: 20,33m. Ao contrário das qualificações, a Final foi muito competitiva, com várias atletas a ultrapassar os 21 metros... O 9.º lugar acaba por ser um mal menor, numa época marcada por uma lesão que 'sabotou' a evolução do Tsanko...

O José Pedro Lopes, nas Meias-finais dos 100m, fez 10,40s ficando no 21.º lugar no geral. A 'vitória' foi a qualificação para as Meias-finais...

O Pedro Isidro, terminou os 50 Km Marcha, no 24.º, com 4h11m44...

O André Pereira estreou-se nos grandes campeonatos, com uma má prova nos 3000 Obstáculos, com 8:55.63m, longe do seu melhor...

O Samuel Barata não terminou a prova dos 10000m. Foi uma época muito longa do Samuel... no futuro, se o objectivo for fazer um resultado interessante num campeonato de Verão, a gestão de Inverno terá que ser diferente...

PS: Parabéns à Inês Henriques, pelo Ouro nos 50 Km Marcha... e já agora, parabéns ao Rui Oliveira, pela Prata, na prova de Eliminação no Ciclismo de Pista...!!!

Uma águia bipolar

"Benfica com'pouca baliza' (e não só) na primeira parte. Tudo foi diferente após o intervalo, e o resultado até peca por escasso

Muito curto
1. O primeiro jogo oficial da época para o Benfica foi uma espécie de primeira mão da meia-final de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões (se passar, defrontará na final o PAOK ou o Spartak de Moscovo), com estádio cheio e ambiente fantástico, aspecto muito importante para os jogadores. O Benfica apresentou-se no seu 4x3x3 habitual, sem surpresas em relação ao onze esperado, e até entrou bem, com um lance em que parece haver penálti sobre Cervi (e com castigo máximo e expulsão, a história do jogo poderia ter sido outra) - faço aqui um parêntesis para vincar que numa competição tão importante, que envolve tantos milhões, é incrível não haver árbitro de baliza nem (sobretudo) VAR. Apesar dessa ameaça logo no arranque, a primeira parte foi equilibrada. O Benfica, ofensivamente, foi pouco intenso, pouco móvel, pouco agressivo, pouco veloz, com poucos envolvimentos e com pouca baliza, colocando pouca gente em zona de finalização (Pizzi, em particular, muito recuado) e com circulação de bola muito estéril. O Fernerbahçe, equipa com qualidade e experiência, conseguiu controlar bem o ataque encarnado e levar muitas vezes o jogo, em posse, para o meio-campo adversário, mesmo sem causar perigo face ao comportamento defensivo das águias, que nunca estiveram em risco. Praticamente não houve oportunidades.

Quem os viu
2. Após o intervalo comprovou-se o que já se tinha visto na pré-época: um Benfica bipolar, com duas caras, naquilo que é capaz de apresentar em campo entre uma parte e outra (seja da primeira para a segunda, como foi o caso, ou da segunda para a primeira). Em tudo aquilo em que tinha sido pouco, o Benfica foi mais, do ponto de vista ofensivo: mais intensa, mais móvel, mais agressiva, mais veloz, mais desinibido, mais criativo, com mais envolvimentos e combinações, com mais baliza, com mais risco, com mais vertigem, mais gente a surgir na área adversária - Pizzi, sobretudo, ganhou metros, apareceu mais na frente, o próprio Gedson também (mostrou, mais uma vez, que é um projecto muito interessante de jogador), mesmo que o Benfica nunca tenha conseguido impor, no corredor central, a envolvência que demonstrou nos corredores laterais. E Rui Vitória esteve bem ao lançar Castillo por Ferreyra, já que a equipa precisava ali de uma referência mais vincada (até do ponto de vista físico), capaz de abrir mais espaços. Quando o Benfica marca, já estava dono e senhor do jogo, sentindo o adversário cada vez mais frágil. Estratégia ou impotência do Fenerbahçe? Pareceu o segundo caso, com muito mérito de um Benfica soltinho e com óptima condição física que levou por completo o jogo para o meio-campo do adversário, obrigando-o a praticamente só defender. A vantagem é curta mais importante, acabando o resultado por pecar até por escasso. Por aquilo que fizeram na segunda parte (apesar das poucas oportunidades de parte a parte), os homens da Luz mereciam mais um golo.

Sem 'matador'
3. Ferreyra não apareceu, Castillo mexeu com o jogo, mas, ainda assim, longe de poder fazer esquecer... Jonas. Sobretudo na segunda parte, com tanto volume de jogo ofensivo a chegar à área do Fenerbahçe, sentiu-se a falta do instinto matador do brasileiro e das suas movimentações.

Última nota: do meu ponto de vista, Cervi foi o melhor em campo, e não apenas pelo golo."

Vítor Manuel, in A Bola

Mais vale um pássaro na mão...

"Uma vitória tangencial, sem golos sofridos, foi o pecúlio do Benfica depois de 90 minutos de futebol calculista, frente ao Fenerbahçe. Bom resultado? Istambul, onde está prometida uma noite de roer as unhas à equipa de Rui Vitória, o dirá. Para já, os encarnados têm razões para acreditar na passagem ao play-off da Champions, apesar de ser sabido que o rendimento das equipas turcas em casa sobre exponencialmente. E essas razões fundam-se numa experiência internacional vasta (e muito positiva, se apagarmos o desastre da época passada), que poderá permitir a criação de mecanismos de controlo do jogo, no aproveitamento do esperado balanceamento atacante do Fenerbahçe e na qualidade individual de alguns jogadores do Benfica, que tem na geringonça da esquerda (Grimaldo e Cervi) um argumento muito forte.
Do jogo de ontem resultou claro que Rui Vitória preferiu um pássaro na mão a dois a voar. Quando optou pela troca directa de Ferreyra por Castillo (dois jogadores que parecem exemplarmente complementares), o sinal que enviou para dentro e fora do campo foi sintomático e só o futuro dirá se tomou a opção mais aconselhável. Para já, respeitável calculismo do treinador do Benfica deu para este um a zero que permite algum optimismo. Mas ficou no ar muitas dúvidas quanto à escolha do 4x3x3 (na versão peso-pluma apresentada no que vai desta época) para enfrentar uma temporada que será essencialmente jogada em ataque continuado e não na exploração de espaços.
PS - Parabéns a Inês Henriques por mais um ouro, desta feita europeu, após 50 quilómetros de sofrimento..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Tem o que tem, joga com o que há

"Rui Vitória é o treinador que qualquer presidente gostaria de ter a liderar a sua equipa de futebol. Dele não sai uma dúvida, uma interrogarão, uma brisa de pensamento que possa ser confundida com a mais leve crítica ao desempenho da administração. Tem o que tem, joga com o que há. Dele não se ouve um reparo, um sinal de inquietação, um sopro de desilusão por qualquer desejo incumprido.
«Estamos preparados» - assegura o treinador a horas do início de um jogo que, apesar de competitivamente tão precoce, pode marcar uma época. Há várias maneiras de entender a afirmação, tão peremptória ela é, mas nenhuma se deve confundir com falta de sentido de responsabilidade. Acontece, apenas, que Rui Vitória é um treinador prático e um homem pragmático. Não vale a pena esperar dele a impetuosidade emotiva de Sérgio Conceição, ou a gestão política da palavra de um José Mourinho. Vitória é o que o povo chama de pão pão, queijo queijo e aquela canção brasileira que fala do não adianta chorar parece sido feita para ele.
Os jornalistas podem insistir com perguntas que poderiam causar perturbação em qualquer treinador à beira de um jogo decisivo e depois de um ensaio geral inquietante da sua equipa. O discurso não difere de qualquer outro, em vésperas de um qualquer jogo e de um qualquer adversário. No fundo, todos os jogos são difíceis e todos os adversários têm virtudes. O que importa é que a equipa esteja preparada e Rui Vitória garante que sim. Preparada para jogar. Depois de verá se preparado para ganhar."

Vítor Serpa, in A Bola

Quem 'matou' a mudança? Suspeito n.º 3

"“Já era treinador há alguns anos e enfrentava uma situação difícil” referia o famoso Treinador Brad Wooden ao Detective da brigada de crimes empresarias, Peter Colombo.
Brad Wooden levava mais de 30 anos como treinador, era senhor de uma estatura média, na sua juventude tinha sido um jogador mediano, prematuramente deixou de jogar, cedo começou a treinar e o seu trajecto revelava uma resiliência notável. Presentemente, o treinador Brad Stevens figurava na história do desporto profissional como um dos melhores, senão mesmo o melhor treinador de todos os tempos. Contudo, não tinha sido sempre assim e era sobre um grave e transformador momento que estava a falar.
“Mas o que é que aconteceu de relevante” – perguntou ansiosamente o Detective Colombo.
“Ainda como jogador” – dizia o Treinador Wooden – “tinha tido um treinador que não clarificava as regras. No início da época, os jogadores estavam muito satisfeitos, iam testando o pulso ao treinador, com o tempo os treinos não tinham ritmo, começávamos a ficar algo insatisfeitos e, a meio da época, acabava por resultar em anarquia e maus resultados. Os mesmos atletas que inicialmente gostavam da liberdade, acabavam a queixarem-se ou a tentarem “apanhar o fogo” sozinhos. A sua intenção era a melhor: dar liberdade para os jogadores expressarem todo o seu potencial, mas paradoxalmente os resultados da dedução das regras foram péssimos. Aquela experiência tornou clara que a ausência de normas que regulassem o comportamento das equipas não funcionava. Detective Colombo conheceu algum professor ou treinador que não clarificasse as regras?”
“Sim” – respondeu o Detective Colombo e continuou – “na escola tive um Professor que acreditava que a Educação vinha de casa e esperava que os alunos importassem para a aula as boas práticas de relação e de trabalho, que tinham aprendido em casa. Porém, os alunos eram muito diferentes e provinham de diferentes famílias e contextos. Assim, repetíamos nas aulas o que de bom e o que de menos bom tínhamos “aprendido” em casa. Infelizmente, a diferença entre os contextos familiares e sociais acabava por condicionar o bom funcionamento desta perspectiva, aliás provocava os mesmos maus resultados que a dedução do seu treinador.”
“Exacto Detective Colombo, por isso” – continuava o Treinador Wooden – “quando comecei a treinar a ausência de regras não era uma opção, pois não conduzia aos resultados desejados. Pelo que, antes das épocas iniciarem, começava a lembrar-me das situações que tinham provocado problemas nas equipas em que tinha jogado e estabelecia regras para punir os atletas que causassem esses problemas. Lembro-me de dizer aos meus atletas que tinha sido um jogador “traquinas” e que o que quer que pensassem fazer, que prejudicasse a equipa, eu já tinha feito e isso não iria ser permitido. Assim, impunha as regras aos Jogadores e às Equipas, com a intenção de obter os melhores resultados. Comecei a observar que impor as normas funcionava no imediato, no curto-prazo, com organização e concentração. Contudo e com o tempo, criava problemas de relação, justiça, conflitos e, no final, alguns jogadores queriam abandonar a equipa. O que parecia ser uma solução no imediato, acabava por comprometer os resultados no médio e longo-prazo. Impor as regras oferece aos jogadores uma estrutura, contudo eles também sentem pouca margem para errarem e com isso: uns reagem não tentando, de forma a evitarem repreensões e consequentemente ficam eles e as equipas aquém do que são capazes; enquanto outros confrontam os Treinadores, desviam toda a sua energia para o confronto interno, em vez da disputa com os adversários externos, que é o que nos interessa, e as equipas e os jogadores acabam por jogar abaixo das suas capacidades.”
O Detective Colombo de imediato averiguou - “por que razão é que muitos Treinadores fazem isso?”.
“Julgo que como eu, acreditam que a organização é necessária para o sucesso das equipas” – retribui o Treinador Wooden e continuou – “por isso é que eu estava numa situação difícil: sabia que a ausência de regras ou esperar que todos fossem educados gerava resultados catastróficos e compreendia que impor as regras provocava igualmente desenlaces trágicos. Umas e outras produziam múltiplos problemas nas equipas: ou haviam queixas de que os treinadores não tinham pulso; ou as disputas dentro das equipas eram frequentes e, com isso, os dirigentes recorriam com frequência às “chicotadas psicológicas”, que não só não resolviam os problemas, como provocavam a repetição destas situações desastrosas. Não tinha uma alternativa com o melhor dos dois mundos: a liberdade e a estrutura reguladora. Este era o meu problema como treinador: ter um sistema de regulação dos comportamentos que oferecesse simultaneamente liberdade e estrutura.”
“Estou em crer que hoje não tem esse problema?” – indagou o Detective Colombo baseando-se nos excelentes resultados do Treinador Wooden e do que os jogadores que nos últimos anos treinou diziam dele e continuou – “o que é que faz de diferente, agora?”.
“Comecei a observar outros treinadores de qualquer modalidade, passei a estudar a forma como os líderes podiam influenciar as regras das equipas e fiz várias formações abordando estas temáticas. Percebi que conhecia perfeitamente três formas de estabelecer as regras das equipas: deduzidas – quando as regras não são explicitadas e os jogadores vão testando até onde podem ir; importadas – quando as regras não são estabelecidas e espera-se que os jogadores importem para o treino as regras aprendidas em casa; e impostas – quando os treinadores impõem regras, muitas vezes punindo o que não deve acontecer. Porém, também descobri uma quarta alternativa que funcionava e funciona” referia o Treinador Wooden, quando o telemóvel toca e o Treinador atende a chamada, depois de perguntar se o Detective não se importava.
A chamada devia ser importante, pois o Treinador Wooden afastou-se do Detective Colombo. Enquanto isso, o Detective Colombo estava curioso e pensava – “qual é a alternativa que o famoso Treinador Wooden descobriu e que funciona?”.
O Treinador Wooden desliga o telemóvel e regressa. “Estava a dizer” – começou o Treinador Wooden – “que às normas impostas, deduzidas ou importadas, temos a opção de induzir normas funcionais, que permitem disponibilizar uma estrutura que potencia simultaneamente a regulação e a liberdade, os resultados e a boa relação, entre as pessoas que Treinam e as pessoas que Jogam. Mudei, passei a induzir normas funcionais e os resultados não podiam ter isso melhores. Os jogadores tinham uma estrutura reguladora que permitia a liberdade com responsabilidade. Os resultados quer imediatos, quer a médio e longo-prazo foram excecionais. Os jogadores passaram a gostar e a querer ficar no Clube, só começaram a sair por motivos plenamente justificáveis. Quando o faziam, passaram a recordar-nos como a sua casa Mãe, a terem saudades e regressarem ao nosso convívio, no final das épocas. Hoje, sou frequentemente apontado como um dos melhores treinadores, mas se não tivesse mudado a forma de influenciar as regras e normas das equipas, passando a induzi-las, nunca ou muito dificilmente teria conseguido os resultados que consegui, nomeadamente a repetição de bons resultados, época após época.”
“História fantástica de mudança” - pensava o Detective Colombo, ao mesmo tempo que se interrogava, questionou o Treinador Brad Wooden – “mas como é que isso poderá estar a “matar” a mudança no Clube?”. “Detective observe os treinos das várias modalidades e dos diferentes escalões etários e, infelizmente, encontrará a resposta” – respondeu o Treinador Brad Wooden.
A conversa tinha sido muito enriquecedora e nos dias seguintes o Detective seguiu a sugestão do Treinador Wooden e no final tinha descoberto mais um suspeito e estava na hora de falar com o Presidente do F.C. Galácticos, o Sr. Mark Angie, o que aconteceu depois de ligar e marcar uma reunião com a sua competente secretária, a Sra. Judy Burlington.
“Presidente Angie, depois de falar com o Treinador Brad Wooden, seguir a sua sugestão e observar treinos de várias equipas, mas também de verificar a forma como vários departamentos do Clube estão a funcionar, suspeito que a forma como as normas ou regras estão a ser estabelecidas poderá a estar a “matar” a mudança” – disse o Detective Colombo.
O Detective Colombo explicou tudo o que conversou e observou e no final o Presidente Angie rematou - “e se o Clube conseguisse melhorar a forma como os diferentes sectores estabelecem as regras de funcionamento? Imagine-se como poderá ser o Clube se todos os departamentos passassem a induzir normas funcionais, em vez de as deduzir, importar ou impor” – ao que o Detective Colombo rematou – “como poderão ser as experiências e resultados das pessoas que estão nas Escolas, nas Empresas, nas Fábricas, (…), se as regras de funcionamento resultassem de normas funcionais induzidas?”"

Benfiquismo (CMXIII)

Golo

Vermelhão: sabe a pouco...

Benfica 1 - 0 Fenerbahçe


Primeiro jogo oficial da época, com uma vitória escassa... percebendo que nestas eliminatórias é muito importante não sofrer golos em casa, principalmente quando se joga a 1.ª mão em casa, o Benfica não entrou no jogo 'arriscando' tudo... e só na 2.ª parte, acabámos por sufocar o adversário, principalmente após a entrada do Castillo... Que como eu tinha escrito após a derrota com o Lyon: neste 433 o Castillo é muito mais útil do que o Ferreyra, já que o Chileno não se esconde, dá linhas de passe, ganha os duelos físicos... enquanto o Argentino é mais o típico avançado 'mamão'!!!

Defensivamente não tivemos problemas, o Fener também arriscou 'pouco' ou mesmo nada... o remate mais perigoso foi já nos descontos! Os maiores 'problemas' foram mesmo umas bolas mal perdidas por nós na 1.ª fase de construção...!!!

A necessidade de outro médio no plantel é óbvia. O Krovi só irá regressar lá para Outubro, mas até lá, além dos jogos da Champions, temos jogo com os Lagartos e com os Corruptos!!! O Pizzi hoje foi obrigado a recuar, para organizar o ataque... nunca aparecendo na zona onde se sente mais confortável: na meia-lua!!! Deixando o Benfica com pouca gente no último terço...

O Gedson, tem sido muito criticado (o meu parceiro de bancada não pode com ele...!!!), usam o álibi da falta de experiência! É verdade que o Gedson toma decisões erradas, tem algumas hesitações irritantes... mas actualmente é um autêntico 'bombeiro' naquele meio-campo!!! Os 'buracos' tácticos que o Benfica 'abre' durante o jogo, tem sido o Gedson a tapá-los: nas laterais, nas costas do Pizzi, e até nas costas do Fejsa... O Sérvio, nunca foi um 6 posicional, vai muitas vezes à queima, e quando perde o duelo deixa o meio-campo desguarnecido... tem sido o puto a safar o Benfica nessas ocasiões!!! E além disso, é o nosso jogador mais agressivo na pressão alta...

O Cervi marcou o golo, mais uma vez deu tudo em campo, mas foi das 'piores' exibições do Benfica!!! O Zivko na esquerda dá mais à equipa... e em Istambul até o Rafa poderá/deverá ser hipótese!!!

Não sei se o Salvio está a jogar para a 'renovação' ou para a 'venda', mas tem sido o Toto e o Grimaldo os nossos desequilibradores nas Alas... Bom início de época, para ambos!

Mais um 'presente' envenenado enviado pela UEFA! Este Bielorrusso, habituado à extremamente 'competitiva' Liga do seu país, veio fazer mais uma daquelas actuações anti-caseiras como só no Estádio da Luz acontecem!!! Inacreditável, a cumplicidade com o anti-jogo Turco... além da forma como não marcou, propositadamente, faltas a favor do Benfica nos últimos 20 metros, incluindo o penalty sobre o Cervi...!!!

Estatisticamente, o 1-0 na 1.ª mão é um bom resultado... Este Fener está ao nosso alcance, e nem o ambiente deveria assustar, mas temos que ir para Istambul à procura do golo fora...

105x68... Pré-Champions...

Alvorada... do Lemos