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quarta-feira, 8 de abril de 2026

Cheirinho a balneário


"A ciência estima que existam mais de 160 mil espécies de moscas no planeta. E só estamos a falar das catalogadas, porque a comunidade científica especializada no tema acredita que sejam mais de um milhão de espécies. Isto equivale a 170 quatrilhões destes pequenos seres a voar sobre a Terra, o que dá qualquer coisa como 17 milhões de moscas por cada ser humano. É muita mosca. 
Cada uma delas pode viver até um máximo de 30 dias, se não chocarem de frente com uma raqueta que dá choques ou com um daqueles assadores de moscas que estão a cair em desuso nos restaurantes portugueses. Ou seja, no seu ciclo de vida, cada mosca não tem muito vagar para perder tempo, dedicando-se quase em exclusivo à sobrevivência e procriação. Como se alimentam de matéria orgânica em decomposição, lixo e excrementos (entre outras coisas), é normal vê-las em redor de elementos e realidades pouco aconselháveis. E, quando morrem, rapidamente há outra mosca que vai ocupar o seu lugar e fazer exatamente o mesmo que a sua antecessora fazia.
No passado fim de semana, assistimos a mais um degradante episódio no desporto português. Um cheiro intenso no balneário da equipa visitante no pavilhão Dragão Arena fez com que dois elementos tivessem de ser submetidos a tratamento hospitalar. As velhas práticas da década de 1990 continuam a estar na moda na cultura e na forma de ser dos dirigentes do FC Porto. Aquilo que se apresentava como uma alternativa a anos de suspeição, corrupção, violência e incitamento ao ódio é, afinal, apenas mais um exemplo da eterna substituição das moscas. O instinto natural fala- -lhes mais alto, não conseguem romper com as tradições mais conspurcadas do seu ADN. É como se precisassem disso para sobreviver social e desportivamente. É uma forma de estar que não surpreende, mas que continua impune. Pelo menos, no espaço do seu pequeno quintal. Até ver… tique, taque, tique, taque."

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