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quarta-feira, 8 de abril de 2026

António Simões, a promessa com brilho de estrela


"O EXTREMO TEVE UMA ASCENSÃO METEÓRICA E AFIRMOU-SE NUMA EQUIPA REPLETA DE TALENTO

Quando observamos uma constelação, à primeira vista dificilmente distinguimos as estrelas mais jovens. Com o tempo, estas tornam-se evidentes: giram mais velozmente, exibem campos magnéticos intensos e irradiam energia com particular fulgor. Assim emergiu Simões no firmamento encarnado.
Em janeiro de 1960, o jornal O Benfica entrevistou a mais recente contratação da equipa de juniores. Dias depois, confirmou que “as suas qualidades de futebolista correspondiam ao que dele nos dissera com entusiasmo José Valdivielso, que o fez estrear” na 1.ª jornada do Campeonato Distrital, frente ao Belenenses. O extremo entrou na segunda parte e precisou de apenas 8 minutos para inaugurar o marcador. Rendidos à evidência, os jornalistas deram um título sugestivo: “Simões – uma nova estrela?”
Era ainda um núcleo pré-estelar, mas já uma verdadeira onda de choque. Imprimia verticalidade ao lado esquerdo do ataque benfiquista, provocando colisões sucessivas nas defesas adversárias, que superava com dribles desconcertantes. Nessa temporada, sagrar-se-ia campeão distrital e nacional. Na época seguinte, afirmou-se como protoestrela de uma equipa que revalidou o título distrital, merecendo a promoção à equipa de honra em 1961/62.
Em janeiro de 1962, contava apenas 5 jogos na equipa de honra. Contudo, após a expulsão de Cavém frente ao Beira-Mar e a poucos dias de receber o Sporting, Béla Guttmann foi perentório: “Simões tinha 99% de possibilidades” de ser titular.
No último treino antes da partida, realizou uma exibição memorável: “Precioso nos dribles, perigoso a rematar, rapidíssimo nas fugas e, muito em especial, desconcertante na maneira de servir os companheiros na melhor altura e para o sítio ideal.” O 1% que faltava dissipou-se. Guttmann deixou de ter dúvidas ao assistir ao comportamento do jovem nesse treino.
Num encontro de elevada exigência, o extremo “dominou os seus nervos, jogando com a descontração de um veterano, de tal modo que Hilário não foi capaz de o dominar. Faltou-lhe um golo, que esteve à beira de marcar por duas vezes”. A sua prestação havia sido inequívoca: “Foi, para nós [jornal O Benfi‑ ca], o melhor jogador do Benfica.” Era o início da fusão nuclear.
Conquistou definitivamente o lugar no onze. A partir do flanco esquerdo, com a bola colada aos pés, transformava o futebol físico e intenso numa expressão estética: “Suave, artística, bela” e profundamente eficaz. Acrescentou velocidade e fantasia a uma equipa que voltaria a conquistar a Europa e a vencer a Taça de Portugal. O jornal Diário Popular, por indicação do prestigioso Ricardo Ornelas, elegeu-o Jogador do Ano. Confirmava-se a premonição, nascera uma estrela para integrar a constelação encarnada.
Saiba mais sobre este excecional futebolista na área 23 – Inesquecíveis, do Museu Benfica – Cosme Damião."

António Pinto, in O Benfica

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