Últimas indefectivações

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Gaitán

"Osvaldo Nicolás Fabián Gaitán é o jogador mais talentoso a jogar em Portugal. Da Argentina, nesta década, aliás, passaram pelo seu e meu clube, o Benfica, jogadores inesquecíveis: Aimar, Saviola, Garay, Enzo Pérez, Di Maria e Sálvio.
Sempre gostei da escola argentina: jogadores tecnicamente evoluídos, capacidade de conjugar o individual e o colectivo, fisicamente do grande combatividade e que, regra geral, se adaptam bem à genética futebolística do Benfica.
Sobre Gaitán está quase tudo dito. Uma coisa é o actual Benfica com ele, outra bem diferente seria jogar sem o seu perfume. Por isso, em vez de se gastarem milhões com risco elevado, mais vale pagar a Nico o suficiente para aliar o gosto de estar no Benfica com a legítima aspiração a, aos 27 anos, querer tirar partido da fase mais determinante da sua carreira.
Gaitán é um jogador inteligente, prodigioso, todos o sabemos. Mas - visto de fora - parece ser um rapaz com cabeça, discretíssimo, tímido, sereno, quase anti vedeta, sem adereços estúpidos, correcto entre colegas e com adversários. Um senhor na linha do inesquecível Pablo Aimar e de Saviola. Justíssimo o Prémio Reconhecimento 2015 atribuído pelo embaixador da Argentina Jorge Arguello (também pensador e escritor e de quem recebi, sensibilizado, o seu recente livro Diálogos sobre Europa) que, na sua intervenção, disse: «Um dos seus segredos é a magia que mostra com a bola os pés; outro é a conduta, a seriedade, o esforço, o compromisso e o fair play. Este prémio representa o reconhecimento pelo comportamento dentro e fora de campo, mas também dentro e fora da Argentina."

Bagão Félix, in A Bola

Benfica - formação: passagem de testemunho

"Ter uma equipa competitiva não significa gastar milhões em estrangeiros e finalmente temos um treinador que aposta nos jovens

E se «todo o mundo é composto de mudança» - como diria Camões - o estranho seria que no Benfica (neste caso, na sua Formação) isso não acontecesse.

Caixa Futebol Campus
1. Tratou-se de um projecto estruturante da ideia de um Benfica virado para a formação, como, durante anos, foi prometendo quem se candidatava ao futuro do Clube.
Sonhando, prometido, adiado,... o Centro de Estágio ou de Formação do Benfica, inaugurado a 22 de Setembro de 2006, é um dos nossos orgulhos, que exibimos a quem pergunta sobre o que queremos.
É uma das pedras de toque de uma política desportiva seguida com rigor, de acordo com uma estratégia, com objectivos bem definidos.
Uma referência ao nível da formação, quer pela sua filosofia, quer pela sua organização.
Fazendo com que o nosso centro do Seixal seja um verdadeiro exemplo, um modelo a seguir.
Sendo fonte de inspiração de alguns clubes europeus, de quem recebe os maiores elogios a cada visita feita às nossas instalações.
O grau de profissionalismo com que se trabalha no Seixal levou a que o Benfica, nos últimos 5 anos, tenha conquistado 6 títulos nacionais dos escalões de formação (contra 4 do Porto e 3 do Sporting).
Ou, para citar outro exemplo, na época de 2014/15, 50 atletas desses mesmo escalões tenham tido a honra de representar Portugal (contra 22 do Porto e 27 do Sporting), bem longe do equilíbrio existente entre os 3 grandes, na época de 2010/11 (35, 34 2 33, respectivamente).
Ou, na época em curso, dominar a lista de jogadores convocados para a selecção sub-19, que terá a responsabilidade de nos representar, a todos nós, no apuramento para o Euro 2016.
São 10 os nossos jogadores!
É, por isso, digno de um merecido elogio mais do que merecido o trabalho e esforço que o clube tem feito nas camadas jovens.

Armando Jorge Carneiro
2. Armando Jorge Carneiro foi, até há bem pouco tempo, Director Geral da Formação do Sport Lisboa e Benfica.
Foi uma das primeiras decisões a que fui chamado a votar quando fui eleito Administrador da SAD do Benfica.
Fi-lo conhecendo, há muito e bem, Armando Jorge Carneiro.
Hoje, na hora da sua saída, poderemos dizer dele que foi quem deu um impulso decisivo a essa formação do Benfica - que inclui, nos últimos tempos, a responsabilidade pela equipa B - com a força e a convicção de que, num futuro não muito distante, poderemos alimentar, outra vez o sonho de ter um plantel só com jogadores portugueses.
Difícil?
Quase diria impossível, mas se não o tivermos em mente, nunca conseguiremos, pelo menos, aproximar-mos desse desígnio...
Para podermos alimentar a esperança de um dia podermos voltar a repetir... «nem todos os portugueses são do Benfica, mas todos os jogadores do Benfica são portugueses».
Foi com Armando Jorge Carneiro que se começou a modificar - com frutos visíveis - a política de recrutamento das camadas mais jovens.
Hoje, com a recolha dos frutos da mudança operada, é importante continuar o desenvolvimento desse trabalho.
Porque esse é o caminho!
Obrigado, Armando,... por aquilo que deste ao Benfica, pela disponibilidade e pela simpatia de, a cada momento, teres sempre uma palavra de optimismo, até quando sabíamos ser... Quase impossível o que se pedia.

Os que deviam estar a jogar na equipa principal...
3. Recentemente, do Seixal, saíram alguns jogadores que poderiam (e deveriam) estar na equipa principal de futebol, e não estão...
Todos nos lembramos de João Cancelo, Bernardo Silva, Ivan Cavaleiro, André Gomes...
As primeiras grandes promessas do Caixa Futebol Campus, que estão agora a espalhar magia pelos palcos internacionais!
Podiam, como tantos outros, ter passado ao lado de uma grande carteira... pela falta de oportunidades dadas por quem lhes devia ter dado todas!!!
Só para (re)lembrar os mais distraídos, na época de 2013/14, e a título de exemplo, André Gomes fez 23 jogos pela equipa principal - segundo o Almanaque do Benfica -, 7 dos quais no campeonato nacional... e entrou, pelo menos, 4 vezes ao minuto 90 (Rio Ave vs. Benfica, da 11.ª jornada; Benfica vs. Marítimo, da 16.ª jornada; Braga vs. Benfica, da 25.ª jornada e Benfica vs. Paris Saint-Germain, para a LC) e 3 vezes ao minuto 89 (Paços Ferreira vs. Benfica, da 19.ª jornada; Benfica vs. Sporting para a Taça de Portugal e Benfica vs. Rio Ave para a Taça da Liga)...
Seria preciso ter um grande estofo (diria eu... made in Seixal) para sobreviver à tanta tentativa de destruição de carácter como jogador.
E, como ele, tantos outros!

... e os que poderiam não estar (para já), mas estão
4. Ao invés, porque - ainda é também como diria Camões - «mudam-se os tempos, mudam-se as vontades», jogam hoje, na equipa principal jovens que, não obstante as suas reconhecidas capacidades e qualidades técnicas, se não fossem as vendas dessa primeira fornada, teriam mais dificuldades em se fixarem nessa mesma categoria.
Mas não ficaram e, como em tudo na vida, é preciso ter sorte...
Que isso nos sirva de lição, não deixando, nunca, nas mãos de um homem, o destino de todos nós, do que sonhamos, do que pensamos para a formação do Benfica.
É, por isso, tempo de reparar os erros, aprender com o passado e ser (mais) competentes no presente, para não comprometermos o futuro...

Nuno Gomes
5. E esse futuro, hoje mesmo já presente, chama-se Nuno Gomes.
Será a ele a quem competirá dar seguimento e melhorar, em tudo  que for possível, o trabalho desenvolvido pelo seu antecessor.
Contará, para isso, por certo com o apoio de Luís Filipe Vieira, bem como com a ajuda preciosa de Domingos Soares de Oliveira.
Mas, contará, essencialmente, com o que representa ter estado... 12 épocas ao serviço do Benfica!
Pela experiência de quem jogou ao mais alto nível, por tudo aquilo que foi e representou em campo e por ser um dos que sabe o que realmente é o Benfica, só poderá ser o homem certo no lugar certo.
Tudo isto a acrescentar ao carácter extraordinário, à personalidade cativante e à simpatia que transmite, de que me apercebi desde que assumiu funções na organização profissional do Benfica.
Nuno Gomes terá um grande desafio pela frente: continuar a formar jogadores para a equipa principal - e não para equipas de segundo plano - e, sobretudo, começar a colocar os jovens jogadores nas selecções... onde têm que chegar, entrar e ficar com 18 anos de idade e não com 26 ou 27, como tem acontecido nestes últimos tempos...
Porque, não faltando potencial, importa manter o foco... gerar ideias e competitividade, para que os jogadores que formarmos possam ser devida e finalmente aproveitados no plantel principal.
Como sempre foi suposto...
Agora, e mais do nunca - já que todas as condições estão reunidas, por termos, finalmente, um treinador que não tem medo (e repugnância) em apostar nos mais jovens - resta continuar o bom trabalho desenvolvido no Seixal e... elevar a fasquia.
Porque esse é o caminho!
Apesar de se tratar de um novo ciclo da nossa formação, estou convicto que Nuno Gomes irá dar continuidade ao excelente trabalho feito no Seixal e que ajudará a construir uma equipa, com jogadores da formação de distinta qualidade... que poderá vir a ser Campeã Europeia (perdoem-me os pessimistas de sempre, mas não me canso de pensar que se não o desejar, nunca terei hipóteses de o festejar...).
Ter uma equipa competitiva não significa investir milhões em jogadores estrangeiros.
Dependerá de uma equipa técnica coerente, com capacidade para criar um grupo coeso, rigoroso e competente.

Como dependerá, também - e para além do próprio discurso - da existência de um plantel equilibrado, onde seja possível enquadrar e dar a devida oportunidade aos nossos jovens da formação e, sobretudo,... acreditar neles!
E Nuno Gomes sabe disso!
Porque acredito que não deixará de ser o que sempre foi: um jogador e um grande capitão à Benfica!"


Rui Gomes da Silva, in A Bola

Luisão aponta o norte

"Sem ser brilhante, mas longe de ser medíocre, o Benfica conquistou mais uma vitória europeia. Está às portas do apuramento, muito graças à união dos jogadores em torno do técnico. Importa realçar o papel de Luisão após a derrota traumática. Um grito de revolta que pode ser decisivo para toda a época.
Nenhum treinador alcança sucesso sem a ânsia de vencer dos seus comandados. À vontade individual de brilhar precisa sobrepor-se, em muitos momentos do jogo, o desígnio colectivo de conquista. Quando cada jogador olha mais para si do que para os movimentos pedidos pela harmonia da equipa, está criado o abismo onde cairá a hipótese de vitória e, com ela, os maiores momentos de brilho individual.
Veja-se o que está a passar Mourinho no Chelsea. Alguma corda se partiu na orquestra antes afinada. Muitas vezes, uma mera decisão imponderada ou injusta torna um ambiente saudável num pantanal onde todos se enterram até chegar um novo líder. Veremos os próximos capítulos do inferno do Chelsea, que tornarão óbvia a incapacidade de Mourinho dar a volta ao balneário ou mostrarão um volte-face que devolva a equipa aos triunfos.
Voltemos ao Benfica, o jogo de ontem mostrou a união que reina na relva. Os jogadores sararam as feridas da dura derrota frente ao Sporting e demandam o futuro tendo Luisão como bússola. Ontem, o capitão decidiu o jogo e, num gesto claro, exigiu respeito. Mas só pode exigir respeito quem se faz respeitar. E, nisso, o grande capitão tem sido exemplar. Para felicidade de Rui Vitória."

O génio faz sempre parte da solução

"Jonas é uma espécie de reserva espiritual de um futebol que nos foge por entre os dedos. Em vez de ser protegido há quem exija a sua cabeça. É preciso ter lata! Ou ser ignorante. Ou as duas coisas ao mesmo tempo.

muita rua naquele futebol de mentira e picardia, aceleração e travagem, instinto e saber; nele concentram-se os traços do malandro comprometido com a causa e que, na hora certa, é capaz da solução personalizada que, afinal, esteve sempre no seu horizonte. Jonas é hoje um craque maduro orientado por sonhos da adolescência e pelo estilo depurado de quem sobreviveu em menino com a bola nos pés. É um mago que gera simpatia pelo estilo e resolve todos os problemas ao contrário do que sugere, de tal forma que, muitas vezes, até os companheiros se perdem. No início dos anos 90, ao serviço do Boavista, Manuel José dizia que João Vieira Pinto, então com 20 anos, que não podia apenas tomar decisões: tinha de anunciá-las com a subtileza de um gesto ou de um olhar cúmplice, sob risco de ninguém o entender. 'Pensas dois ou três segundos à frente e isso pode ser uma dificuldade acrescida para nós', explicava um dos treinadores mais titulados da história do futebol português.
Jonas é um dos melhores jogadores da Liga e um referência do Benfica, ao serviço de quem apontou 39 golos em pouco mais de um ano. O seu perfil futebolístico remete para um modelo de jogo em posse e ataque posicional, preferencialmente num sistema de 4x4x2 (e não em 4x3x3); se a máquina emperra por qualquer motivo, a solução não é abdicar de um génio em nome da táctica mas adaptá-la à melhor forma de potenciar a prestação de um dos expoentes máximos da equipa. Jonas não se realiza na solidão de lutas inglórias com os defesas nem satisfaz a geometria do passe longo; precisa de alguém próximo para consolidar o rendilhado das criações inverosímeis porque os deslocamentos mais amplos e constantes danificam-lhe o instinto goleador. E isso é rouba-lhe armas com exerce na área: onde o tempo passa num estalar de dedos, introduz pausas sem fim; na zona que potencia a ansiedade, a ele baixam as pulsações.
Por todos os motivos, Jonas é um avançado com argumentos para ser letal na zona de finalização, porque os efeitos do seu jogo imaginativo e concreto podem ser devastadores: um simples drible pode criar um latifúndio; os contactos físicos multiplicam as faltas, os cartões e estimulam agitação que também conta para desestabilizar. Em certos contextos tem de ocupar terrenos mais recuados, ocupando espaços importantes para o equilíbrio da equipa. Sente-se menos à vontade, porque se afasta da baliza e fica obrigado a viver segundo códigos de conduta mais rígidos que os espíritos livres e inventivos têm dificuldade em cumprir - longe da área precisa de cumprir regras, fazendo o que deve e não o que sente. Mas nada justifica pô-lo em causa no primeiro grão na engrenagem. De resto, a facilidade com que a recriminação atinge estrelas como Jonas suscita desde logo uma revolta: que raio de desporto é este em que os melhores são postos em causa e os funcionários, como há milhares por aí, são defendidos com unhas e dentes?
Os artistas têm por hábito escandalizar os espíritos mais tacanhos; põem a nu os preconceitos de algumas considerações e suscitam a discussão se merecem liberdade para dar largas ao talento ou se devem seguir o rebanho e serem iguais aos outros. É uma ideia peregrina considerar que uma das razões para o parcial insucesso do Benfica em 2015/16 é um dos seus maiores expoentes; que a máquina tem andado aos solavancos pela presença de um dos seus dois jogadores de nível mundial (o outro é Gaitán). Jonas é um espécie de reserva espiritual de um futebol que nos foge entre os dedos. Em vez de ser protegido como génio manietado num conjunto que não dá saída ao seu futebol de vistas largas, há quem exija a sua cabeça como responsável por muito do que o Benfica não tem conseguido fazer. É preciso ter lata! Ou ser ignorante. Ou as duas coisas ao mesmo tempo.

- Quando chegou, a custo zero, oriundo do Valência. Jonas já tinha passado pela selecção brasileira. Não era um qualquer.
- A dupla com Lima revelou-se absolutamente decisiva para a conquista do título em 2014/15. O entendimento foi perfeito.
- Com Rui Vitória não perdeu o jeito de fazer golos - é o melhor marcador da equipa. Mas ainda não atingiu o máximo.

(...)
As várias lições de Fabiano Soares
O Estoril deu notável demonstração de qualidade na visita ao líder da Liga
Fabiano Soares surpreendeu pela estratégia em Alvalade. O treinador brasileiro recusou-se a especular, assumiu que estava ali para discutir a vitória e jogou de igual para igual com o poderoso Sporting. Foi arrojado sem ser suicida; ambicioso sem ser arrogante; arriscado sem ser inconsciente. Defendeu a integridade da equipa, valorizou os seus jogadores e mostrou que há futebol em Portugal para lá dos grandes.

CR7 já admite o fim da linha
O que já conseguiu em meia dúzia de épocas no Bernabéu é inacreditável
Ronaldo verbalizou por fim a evidência que outros já tinham detectado: pode estar no fim a passagem pelo Real Madrid, que qual deu os melhores anos da carreira. Em Chamartín, CR7 entrou na história como goleador máximo do clube; tornou-se um dos melhores de sempre e bateu os recordes do clube mais ganhador da história do futebol. Mais incrível ainda é perceber que tanto parece não ter sido suficiente."


quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Jogadores e adeptos exemplares

"O Sporting Clube de Portugal (assim digo para não melindrar quem se zanga por - sobretudo lá fora - dizerem «Sporting de Lisboa», apesar de, às vezes, os mesmos - até em contextos oficiosos - se referirem ao meu clube, desdenhosamente, como o Carnide) venceu, com mérito, o Benfica.
Todavia, Jesus empatou: ganhou como técnico do SCP e perdeu porque «o Benfica não mudou nada, as ideias são todas minhas». Isto com uma «estrutura» que vale zero, com a excepção de Rui Costa (a propósito, por que razão, foram sondadas outras pessoas para acompanhar Jesus para Alvalade?).
Mas, fora estas quezílias escusadas, a piromania floral não chegou aos jogadores e aos adeptos dos dois rivais. Grande lição deram a todos os fala-barato.
Já contra o Estoril, estranhei o silêncio do presidente do SCP sobre o claríssimo fora-de-jogo que precedeu o penalty que selou a vitória leonina (creio que já vão em 5, contra 1 do SLB e 0 do FCP). O silêncio é de ouro, diz o povo. E, no futebol, vale pontinhos. Claro que a culpa é do kit do Benfica. Pressões do SCP sobre nomeações de árbitros são simplesmente afagos amistosos: o árbitro de Alvalade havia sido acusado - antes do jogo, evidentemente - de, como 4.º árbitro, ter penalizado o líder leonino no relatório que deu origem à sua suspensão. A maníaca obsessão contra os árbitros e afins até já chegou - creio que ineditamente - até ao hóquei, Bruno de Carvalho, a tudo atentíssimo, antes do SLB-SCP acusou um dos árbitros de ser do Benfica. O resultado foi 9-0. Creio que por causa desse parcialíssimo juiz. De outro modo, teria sido 9-1.
Haja paciência!"

Bagão Félix, in A Bola

Vitória na Suíça...

Nafels 0 - 3 Benfica
20-25, 21-25, 12-25

Regresso à Europa, com nova vitória. Depois do magnifico trajecto do ano passado, esta vitória acaba por ser natural...
De referir que o André Lopes não jogou, porque foi pai, e nem esteve presente no Pavilhão, apesar de fazer parte da ficha oficial do jogo!!! O Zelão também não foi a jogo...

Acreditar até ao fim...

Benfica B 3 - 2 Portimonense


Esta equipa ultimamente não tem jogado tão mal como os resultados parecem transparecer... Hoje, voltámos a ter dificuldades em traduzir no marcador, a qualidade superior no jogo...
Isto não quer dizer que tudo tem corrido bem... pessoalmente por exemplo, não tenho gostado da atitude do Vítor Andrade.
O Portimonense apostou na pressão (a.k.a porrada!!!), e passe longo para a velocidade dos avançados. De início resultou, e até marcaram o primeiro golo... mas depois o Benfica tomou conta do jogo, deu a volta ao marcador, justamente (grande jogada no 1.º golo), e podia ainda ter marcado mais...
Com um 'chouriço' enorme no principio da 2.ª parte os Algarvios empataram (2-2), o Benfica continuou a assumir o jogo, mas o Portimomense voltou a ser perigoso no contra-ataque... O festival de 'pau' também continuou com o Dino a ser um autêntico saco de pancada!!! Isto com a total impunidade concedida pelo famoso Rui Silva!!!
E quando tudo parecia que ia acabar empatado, num contra-ataque perfeito o Dino concluiu da melhor forma o cruzamento do Nuno Santos.

Espero que a lesão do Lindelof não seja grave, mas pareceu... O Rebocho e o Dawidowicz são claramente os jogadores mais competitivos desta equipa! O Berto continua a adaptação à lateral direita... O Teixeira continua a agarrar-se demasiado à bola... Defendi muitas vezes (ainda nos Juvenis), que o Dino devia ser 'trabalhado' a ponta-de-lança, mas hoje tem pouco cabedal para a posição, jogar com tantos criativos, e depois não ter ninguém na área é problemático... mesmo assim, é óbvio que o Dino tem faro de golo, e isso faz-nos esquecer as infantilidades que ele continua a cometer no resto do jogo!!!

Sofrer de mais vencendo 'na raça'

"Enorme vontade de ganhar levou o Benfica à conquista de 3 pontos preciosos, pois colocam-no tão-só a niquinho de apuramento para o primeiro grande objectivo na Champions: oitavos-de-final. Mais €5.5 milhões a somar aos 16.5 já contabilizados.
Triunfo na base da raça, tendo esta conseguido sobrepor-se a momentos em que também veio ao de cima défice de qualidade, sobretudo na definição e na concretização de ataques. Neste último aspecto, daria imenso jeito ponta de lança mais eficaz do que Jiménez (ontem) e Mitroglou (ausente por lesão) têm sido. Não a única zona ainda por acertar agulhas, note-se; o  meio-campo é outra. Na maior parte dos jogos nesta temporada, Rui Vitória optou por dois médios centrais quase lado a lado, não um claramente mais defensivo (vulgo n.º 6) e outro mais à frente (vulgo n.º 8). Daí deficiências na cobertura aos defesas-centrais e, sobretudo, na construção ofensiva. Ontem, estando Samaris castigado e Fejsa lesionado, Talisca como n.º 8 (ensaio feito dias antes em Aveiro, perante o Tondela). Algum progresso nas saídas para ataque, mais dificuldades em rápida recuperação da bola e na cobertura da retaguarda. Curioso: percebeu-se, na substituição de Jonas por Pizzi, não avançando Talisca, que Rui Vitória não vê em Pizzi o n.º 8 a que Jorge Jesus recorreu após perda de Perez.
(...)"

Santos Neves, in A Bola

PS: É raro, mas desta vez até concordo com o Santos Neves, com três ressalvas: o Mitro não tem sido muito perdulário; não acho que a equipa perdeu capacidade de recuperação de bola com o Talisca... o André fez um excelente jogo, mais 'solto' na sua posição, e o Talisca até jogou em terrenos mais subidos, pressionando mais cedo...; quando o Pizzi entrou, o Talisca subiu mesmo para 2.º avançado, mas foi por pouco tempo, devido à expulsão do Nico.

Fly Luz

Aspirina Europa !!!

Benfica 2 - 1 Galatasaray


E estamos praticamente nos Oitavos-de-final. Matematicamente, ainda não lá chegámos, mas muito sinceramente não acredito na vitória deste Galatasaray em Madrid...

Como é infelizmente habitual, existe sempre a tendência para desvalorizar os adversários do Benfica na Europa, então quando o Benfica ganha, são todos toscos...!!! É verdade que o Galatasaray, tal como o Benfica desinvestiu, mas mesmo assim tem alguns jogadores que fazem a diferença... sendo que um deles é o guarda-redes... hoje acabou por salvar a sua equipa várias vezes!!!
Tendo em conta todos os condicionalismos, jogámos relativamente bem. Sem o Samaris (tem sido quase sempre o nosso melhor jogador!!!), sem o Mitroglou (que é mais 'matador' do que o Jiménez)... além do Fejsa (que seria a primeira opção para o lugar do Samaris), além do Salvio... Tudo isto somado, mais o desaire no último jogo na Luz, conseguimos controlar bem o jogo, e só na parte final, é que recuámos para defender o 2-1, com menos um jogador... no resto da partida, jogámos quase sempre no meio-campo adversário... e só algumas distracções/dualidade de critério arbitral, permitiram alguns contra-ataques semi-perigosos ao Gala...

Pessoalmente, acho que tivemos um pouco melhor na pressão alta, mas continuámos a definir mal os ataques perigosos: ou os passes saem mal, ou os jogadores tropeçam na bola, aquele último (às vezes penúltimo) passe, sai demasiadas vezes mal... Se calhar por isso, os dois golos surgiram de lances de bola parada. Voltámos a perder muitos minutos com o Nico na direita, já com os Lagartos isso aconteceu. Ocasionalmente trocar com o Gonçalo é normal, mas o Nico deve recuperar rapidamente a faixa esquerda, onde é muitíssimo mais perigoso...
Não existe uma explicação única, mas pessoalmente uma das razões que observo, para a menor eficácia defensiva deste Benfica, está no posicionamento defensivo dos Extremos... deixando muitas vezes os laterais sozinhos, e dando pouco apoio aos médios-centros... Em jogos com domínio territorial, como o de hoje, este pormenor é menos evidente, mas em jogos repartidos, com muitas transições ataque/defesa pode ser decisivo.
O Luisão esteve nos três golos!!! No final não gostei daquela 'tirada' pessoal... o Jonas acabou por ter uma mensagem mais colectiva... mas já perdi a conta, aos golos decisivos do nosso Capitão!!! Agora, as hesitações do Luisão na defesa, continuam... hoje, por acaso, esteve mais agressivo, mas é óbvio que os anos vão pesando nas pernas. Isto da minha parte, não é uma falta de respeito, é uma constatação...
O Talisca tem pouca tolerância no 3.º anel, injusta acho eu... Também me irrito quando ele perde a bola infantilmente, mas é o nosso único médio, com capacidade de passe acima da média. Nem o Samaris tem a capacidade de passe do Talisca. Os passes tensos para alas que ele faz, são essências nos desequilíbrios ofensivos...
Uma nota de elogio ao André Almeida, que hoje a fazer aquilo que ele faz bem, pressão, marcação, compensações, esteve muito bem... deixando o ataque para o Talisca!!! Outro elogio para o Eliseu, que regressou com uma boa exibição... outro dos mal amados.
Uma constatação: o Júlio César continua a sofrer golos de Alemães!!! Felizmente, nem o Atlético nem o Astana têm Alemães no plantel!!!
Já não basta os apitadeiros no Tugão, moerem-nos o juízo... Chegados à Europa, levamos com apitadeiros da mesma laia!!! Isto, já é demais... Em Istambul, num jogo parecido, tivemos um critério disciplinar tipicamente descrito como: caseiro!!! Quinze dias depois, na Luz, levamos com um Sérvio, que se calhar pensava estar em Istambul...!!! Um critério disciplinar absolutamente ridículo, com claro prejuízo para o Benfica... até, naquelas bolas divididas, que saem das quatro linhas, prensadas, a decisão saiu sempre ao Visitante...!!! A continuar com árbitros caseiros nos jogos fora, e árbitros anti-caseiros nos jogos em casa, isto não será fácil!!!

Tenho que admitir que tenho alguma dificuldade de 'encaixar' bancadas semi-vazias em jogos da Champions na Luz... mas pronto!!! Por outro lado, o público fiel da Luz, parece-me cada vez mais 'adulto'... Não 'entrámos' em campo, mas o apoio à equipa, especialmente após a expulsão do Gaitán, foi essencial para a vitória, disso tenho poucas dúvidas...

Vitória na Hungria...

Sopron  65 - 78 Benfica
23-18, 15-24, 11-18, 16-20

Primeira vitória, e logo fora. Já o ano passado triunfámos na Finlândia, contra a equipa mais acessível do grupo, portanto no pior dos cenários, podemos repetir o trajecto do ano passado!!! Este Sopron perdeu na 1.ª jornada em Antuérpia... Só amanhã, teremos o Cibona-Antuérpia, para aferir quem será o nosso grande adversário pela qualificação...
Não assisti ao jogo, mas pelos números, tenho que destacar obviamente o Cook, que nestes últimos jogos subiu consideravelmente as percentagens; e também tenho que destacar o Radic, que no seu 2.º jogo pelo Benfica, não só marcou 14 pontos, como dominou as tabelas com 13 ressaltos!!!
Nas estatísticas colectivas três observações: dominámos os ressaltos (25/43); pela negativa 'ganhámos' nos Turnovers (8/16) e 'perdemos' nos Roubos de Bola (10/3)!!!

Só dois ?!!!

Benfica 2 - 0 Galatasaray


Pois, desta vez os números foram mais modestos... as várias ausências em relação ao jogo de Istambul, explicam alguma coisa, mas mesmo assim o desperdício foi muito...
Acabou por ser interessante, pelos minutos dados a alguns jogadores que chegaram à pouco tempo ao Seixal: Martin, Zidane e Loria...
Estamos matematicamente qualificados, 4 jogos, 12 pontos, mas ainda não garantimos o 1.º lugar, algo fundamental, porque ficar em 2.º obriga a mais uma eliminatória... o último jogo, a recepção ao Atlético de Madrid vai ser fundamental...

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Elogio da derrota

"«O futebol é uma chatice. É um pretexto para as pessoas estarem juntas, para os pais e os filhos não terem de enfrentar o grande silêncio.» Disse-o ao 'Público' Sérgio Oksman realizador de 'O Futebol', que passou há dias no DocLisboa. O filme, esse, é desconcertante: conta a história de um pai e de um filho apartados vai para duas décadas que combinam reencontrar-se no Brasil, para assistir ao Mundial.
Ao longo de 70 minutos, não se vê uma única bola em movimento ou um jogador. A câmara fixa pai e filho a acompanharem jogos em cafés, do lado de fora do estádio e até num hospital. O que conta é a sugestão de que a fragilidade dos laços familiares e dos afectos paternais tem nos jogadores e no jogo formas de aproximação sentimental. O futebol para enfrentar a ausência e o grande silêncio.
Desculpem-me o regresso à derrota do Benfica às mãos do Sporting, mas estive em Alvalade nos 7-1 e sei que não devemos contornar as experiências traumáticas, temos de enfrentá-las. Neste trauma que ainda está bem vivo, a meio do jogo, o meu filho, que nos anos que leva de bancada da Luz nunca havia visto nada assim, disse-me, meio a medo, "não quero estar aqui". Expliquei-lhe que não se abandona as bancadas antes do fim.
É uma questão de princípio e uma experiência formativa. Sem a sensação singular de vivermos as derrotas e de deixarmos que elas se entranhem, não sofreríamos da mesma forma pelo nosso clube. Mais importante, com as vitórias e os abraços emocionados nos golos, está claro, quebramos o silêncio, aproximamo-nos. Já nas derrotas dolorosas, aprendemos a sofrer em conjunto. O que faz muita falta no resto da vida que fica fora dos estádios."

Espírito Santo e as almas penadas

"Guilherme, o negro Guilherme, levantou-se como um fantasma assustador e sôfrego por entre os gansos. O Benfica vencia o Casa Pia por 13-1 e ele marcava golos e golos: nada menos de nove!

A época de 1937/38 teve, para o Benfica, os seus altos e baixos, tal como os alcatruzes da nora da vida. Campeão Nacional, com os mesmos pontos que o FC Porto, perdeu o Campeonato de Lisboa para o Sporting, tal como o Campeonato de Portugal - derrota na final frente aos leões do Lumiar.
Mas fiquemo-nos pelo Campeonato de Lisboa. Prova iniciada em 1906 duraria até 1947, ininterruptamente e cheia de confrontos formidáveis entre os principais clubes da velha capital do império.
Vamos ater-nos à prova da época acima sublinhada. Disputada por Benfica, Sporting, Belenenses, Carcavelinhos, União de Lisboa e Casa Pia.
Pois bem: já desvendámos o nome do campeão, escrito a letras verdes.
Quanto aos 'encarnados', tinham nomes de brilho intenso: Albino - Francisco Alves Albino, magro, fino, resistente como um vime -; o duro e intratável Gaspar Pinto; o grande guarda-redes Augusto Amaro; Alfredo Valadas - o pontapeador emérito; o terrível Rogério Sousa e Guilherme Espírito Santo... Era aqui que queria chegar.
Guilherme Espírito Santo cometeu nesse campeonato de Lisboa uma proeza digna de ficar aqui neste registo semanal de histórias com as quais esgoto a paciência dos mais serenos leitores.
Dia? 5 de Dezembro de 1937.
Estávamos na 8.ª jornada. As coisas não corriam por aí além.
O início fora voluptuoso: oito golos marcados no Campo de Santo Amaro ao União de Lisboa - 8-0. Espírito Santo assinara três deles; Rogério outros tantos.
As vitórias prolongaram-se: 2-1 ao Carcavelinhos na 2.ª jornada (dois golos de Valadas); 4-1 ao Casa Pia, na 3.ª jornada (mais três golos de Espírito Santo); 3-2 nas Salésias, ao Belenenses, na 4.ª jornada (dois golos de Espírito Santo; derrota frente ao Sporting (0-1), na 5.ª jornada; e nova vitória na 6.ª jornada, a primeira da segunda volta, perante o União de Lisboa (5-4), num jogo em que o Benfica recuperou de um surpreendente 0-4 aos 50 minutos da contenda.
Perder com o rival de Alvalade deixava as ´águias' na corda bamba. Havia que ganhar, ganhar e ganhar até que chegasse o momento da desforra, agendado para a última jornada.
Não foi o que aconteceu. No Estádio da Tapadinha, o Carcavelinhos, que ainda não era Atlético, impôs-nos um empate frustrante: 0-0.
Era agora necessário esperar por um tropeção do adversário mais directo.
O jogo seguinte do Benfica era frente ao Casa Pia, no Campo das Amoreiras.
Ficaria registado na lenda negra de Espírito Santo.

Pés em fogo do negro insaciável
Do lado casapiano alimentava-se esperanças fundadas no nulo da Tapadinha, apenas cinco dias antes.
E a primeira meia-hora do desafio fez com que essas esperanças se consolidassem na firmeza com que os gansos se defendiam das bicadas de um 'águia' pouco enérgica.
Logo aos seis minutos, António Wiza bate Augusto Amaro e causa surpresa.
O Benfica está perro de movimentos no seu ataque. Demora a impor um ritmo forte e, até fazê-lo, conta com a oposição do guarda-redes Armando Jorge.
Xavier e Valadas, ausentes, são saudosamente recordados por um público recalcitrante. Navalhas é um ponta-direita intermitente.
Mas ergue-se a sombra negra de Guilherme Espírito Santo. Poucos como ele até hoje tiveram tão leve agilidade. Pairava sobre a grande área do adversário, ameaçando primeiro, cumprindo em seguida a promessa inquebrável do golo.
Aos 38 minutos faz o empate. Um minuto depois, coloca o Benfica em vantagem.
O intervalo regista a diferença curta, inquietante.
Ninguém poderia sequer adivinhar o que estaria para vir.
A galhardia dos gansos duraria pouco.
Os golos jorraram como champanhe numa taça do mais límpido cristal.
Espírito Santo faz 3-1; Rogério Sousa 4-1.
A velocidade do avançado do Benfica é caprichosa e assassina. As movimentações atacantes são opressivas e desfazem por completo uma defesa suave como algodão-doce.
Espírito Santo aumenta para 5-1, para 6-1 e para 7-1.
Até onde irá a sua ansiedade? Que fim terá essa voracidade de golos que o enlouquece, dançando sobre opositores derrotados, os pés em fogo disparando mortíferos remates quase todos imparáveis?
Agora sim, os espectadores das Amoreiras estão contentes. Ainda não sabem que o Campeonato de Lisboa lhe fugirá e que, daí a quinze dias, o Benfica não conseguirá mais do que um empate (2-2) frente ao Sporting. Vivem o momento e a alegria dos golos que não cessam.
Por breves momentos, Espírito Santo parece saciado.
Baptista faz o 8-1 e Eduardo Oliveira o 9-1 e o 10-1.
Números redondos. O jogo caminha para o seu final. Completamente arrasados, os homens do Casa Pia já nem saem do seu próprio meio-campo, agarrados aos destroços de uma fortaleza em ruínas desde o minuto 37.
Mas Guilherme, o negro Guilherme, ergue-se ainda como aqueles príncipes etíopes de rancho que povoavam as prosas de Nelson Rodrigues. Volta à carga, sanguinário e sôfrego.
Marca mais um: 11-1. E outro: 12-1. E outro ainda: 13-1.
É o relógio que o manda finalizar o massacre. O fim chega. Não há tempo para mais pontapés certeiros e devastadores.
Espírito Santo é para os gansos mais que um espírito: é um fantasma. Assustador. E eles não passam de almas penadas para os quais os três apitos finais são o som aconchegante de um alívio."

Afonso de Melo, in O Benfica 

Festa rija e strip-tease

"Carlos Tavares atleta que se vestia de mulher e animava os bailes de Carnaval do Clube.

Ao longo de décadas o Sport Lisboa e Benfica organizou festas de Carnaval que promoviam o convívio, num ambiente informal, de sócios, atletas e colaboradores do Clube. Essas festas consistiam sobretudo em dois bailes - um baile de variedades e um baile da pinha -, antecedidos por um jantar, e tinham o propósito de angariar fundos para as secções desportivas e para as infraestruturas do Clube.
A partir de meados dos anos 70, os bailes passaram a realizar-se no restaurante do estádio. À decoração com grinaldas de papel e serpentinas juntava-se 'o melhor conjunto musical', 'a alegria das marchas brasileiras' e 'as maiores surpresas', proporcionando 'festa rija até às 6 da manhã'. Toda a gente de divertia 'à farta no «Carnaval da Luz»'.
Durante vários anos, houve uma presença constante nesses carnavais, 'uma «brazuca», das «muito boas»' que brindava o público com um show de strip-tease. Antes do início do espectáculo, as suas peças de roupa eram leiloadas pelos presentes. Depois, 'ao som de compassos langorosos', ia 'sendo «descascada», que é como quem diz despojada das suas numerosas vestes, no meio do maior «suspense» e gargalhadas'. Quando o número de peças de roupa ia escasseando, a verdade ia-se revelando: 'Quando saltou o «soutien» (...) não havia nada... de condição feminina. A «brasa», de cabeleira ruiva e tão postiça como tudo o resto, era um homem': o atleta 'encarnado' Carlos Tavares.
Carlos Simões Tavares (1941-2011), campeão nacional de corta-mato (1964), 3000m obstáculos (1965, 1970 e 1971) e 1500m (1966 e 1967) e recordista nacional de 1500m (1968), ano após ano, brindava o Carnaval do Benfica com os seus 'fabulosos espectáculos de «strip-tease» - para todas as idades'. O pândego atleta era 'figura indispensável em qualquer sítio onde haja alegria', 'a sua vivacidade e alegria eram contagiantes e, só de olhar para ele, o riso saía espontâneo'.
No Museu Benfica - Cosme Damião, na área 3. Orgulho eclético, está exposto o troféu do Campeonato Nacional de Pista, conquistado pela equipa do Benfica 13 de Agosto de 1967. Nessa prova, Carlos Tavares auxiliou a conquista colectiva ao vencer a prova de 1500m."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Lixivia 9 (Benfica e Corruptos -1 jogo)

Tabela Anti-Lixívia:
Sporting......... 23 (+2) = 21
Benfica........... 15 (-5) = 20
Corruptos....... 18 (+2) = 16

Em Aveiro tivemos mais uma arbitragem incompetente e medrosa, mas como o Benfica resolveu o assunto com 4 batatas, acabou por não ter influência no resultado.
Nos últimos tempos têm-se acentuado a tendência, para nos jogos do Benfica, os apitadeiros usarem a estratégia de não mostrar cartões nos primeiros 60 minutos, aos nossos adversários, aconteça o que acontecer!!! Neste jogo, aos 4 minutos, já tinha saído o primeiro amarelo para o Benfica, e ao intervalo já tínhamos os dois Centrais com amarelos!!!
Mas não só no critério disciplinar, o Luís Tinoco, marcador de livres do Tondela, foi provavelmente o jogador com mais tempo de antena na televisão, costuma ser assim nos jogos contra o Benfica... a quantidade de livres laterais contra o Benfica, é por norma, assustadora, mesmo em jogos desequilibrados!!!
Fábio Veríssimo é a nova coqueluche da AF Leiria, veio substituir o Benquerença na I Liga, é altamente incompetente... nos próximos anos, vamos ter que o aturar muitas vezes, tem tudo para ser um dos maiores ladrões do Tugão!!!!

No Alvalixo, mais do mesmo: antes do jogo já os Lagartos criticavam a nomeação (nada de novo, desde do tempo do Dias da Cunha que esta táctica é recorrente); durante o jogo, mais uma vez, os Lagartos vencem o jogo com uma decisão errada da equipa de arbitragem... tudo normal!!!
O fora-de-jogo é óbvio, e ao contrário do que tem sido dito, este não é daqueles foras-de-jogo difíceis de ajuizar, nem pelo contrário... a bola está no lado contrário do fiscal-de-linha, e um passe 'lento', a linha defensiva está fixa, até tinha a linha da grande área para se poder guiar... Não marcou, porque na 1.ª parte os Lagartos já tinham protestado alguns foras-de-jogo, e desta vez não tiveram coragem de levantar a bandeirola!!!
Sobre esses foras-de-jogo da 1.ª parte, recordo que o mais 'escandaloso', realmente foi mal marcado... mas, nesse lance existe uma falta do Teo sobre um defesa do Estoril, portanto se por acaso fosse golo, teria sido outro na consequência de uma ilegalidade!!!
Pouco antes do penalty mal assinalado, o Mano tocou na bola, com o braço, na área do Estoril. Como já expliquei muitas vezes, pessoalmente, tento levar à letra o que diz na Lei do Jogo. Eu sei que em Portugal, costuma-se marcar este tipo de lances, e por isso na Tabela, considero que os Lagartos foram prejudicados. Mas continuo a defender que o critério que se usa para analisar estes lances é errado, pois não existe um acto Deliberado por parte do Mano para jogar a bola com o braço: tem dois colegas à sua frente, ambos ameaçam o corte, mas falham, a bola ainda bate no chão, ganha velocidade, e acidentalmente vai ao braço... Mas, pronto...

Uma nota para o adiamento do jogo dos Corruptos na Madeira:
Os regulamentos até podem justificar o adiamento (dormir no Funchal ou no Porto Santo, não ia fazer grande diferença...), mas aquilo que esteve aqui em causa, foram três coisas: o árbitro Bruno Paixão; a lesão do Brahimi; e o jogo dos Corruptos em Israel na próxima Quarta-feira... se houvesse boa-fé no processo, o jogo até podia ter sido adiado para Domingo à tarde, e ainda restariam as 72 horas regulamentares para o jogo da Champions.... qualquer outra justificação é treta...!!!
Não conheço totalmente os regulamentos, mas como o jogo foi adiado na véspera, não houve ficha de jogo, e portanto penso que os Corruptos vão poder alterar a convocatória do jogo, e vamos ver se será desta que o Bruno Paixão volta a apitar um jogo dos Corruptos - quase 4 anos depois!!!

Anexos:
Benfica
1.ª-Estoril(c), V(4-0), Tiago Martins, Nada a assinalar
2.ª-Arouca(f), D(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, (1-2), (-3 pontos)
3.ª-Moreirense(c), V(3-2), Jorge Ferreira, Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
4.ª-Belenenses(c), V(6-0), Bruno Paixão, Nada a assinalar
5.ª-Corruptos(f), D(1-0), Soares Dias, Prejudicados, (-1 ponto)
6.ª-Paços de Ferreira(c), V(3-0), Rui Costa, Beneficiados, (3-1), Sem influência no resultado
8.ª-Sporting(c), D(0-3), Xistra, Prejudicados, (3-3), (-1 ponto)
9.ª-Tondela(f), V(0-4), Veríssimo, Nada a assinalar

Corruptos
1.ª-Guimarães(c), V(3-0), Veríssimo, Nada a assinalar
2.ª-Marítimo(f), E(1-1), Hugo Miguel, Nada a assinalar
3.ª-Estoril(c), V(2-0), Duarte Gomes, Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
4.ª-Arouca(f), V(1-3), João Capela, Nada a assinalar
5.ª-Benfica(c), V(1-0), Soares Dias, Beneficiados, (+2 pontos)
6.ª-Moreirense(f), E(2-2), Vasco Santos, Nada a assinalar
7.ª-Belenenses(c), V(4-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
8.ª-Braga(c), E(0-0), Soares Dias, Nada a assinalar

Sporting
1.ª-Tondela(f), V(1-2), Xistra, Prejudicados, Beneficiados, (0-1), Sem influência no resultado
2.ª-Paços de Ferreira(c), E(1-1), Manuel Oliveira, Nada a assinalar
3.ª-Académica(f), V(1-3), Bruno Esteves, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Rio Ave(f), V(1-2), Hugo Miguel, Nada a assinalar
5.ª-Nacional(c), V(1-0), Veríssimo, Beneficiados, Impossível contabilizar
6.ª-Boavista(f), E(0-0, Soares Dias, Nada a assinalar
7.ª-Guimarães(c), V(5-1), Rui Costa (Hélder Malheiro), Nada a assinalar
8.ª-Benfica(f), V(0-3), Xistra, Beneficiados, (3-3), (+2 pontos)
9.ª-Estoril(c), V(1-0), Jorge Ferreira, Prejudicados, Beneficiados, (1-0), Sem influência no resultado
8-ª jornada


Épocas anteriores:

domingo, 1 de novembro de 2015

Invenciveis !!!

Madalena 0 - 3 Benfica
21-25, 15-25, 15-25

A única nota destaque, foi um parcial bastante negativo a meio do 1.º Set, que ainda assustou... de resto, tudo normal!
A aventura Europeia começa na Quarta-feira na Suíça...

Falemos do Benfica

"O Benfica tem de respirar fundo perante os múltiplos ataques que o tentam condicionar. E tem, tão só, de tomar nota de todos eles...

1. Falemos do Benfica, sim. Aqui e agora. Não da derrota face ao Sporting nem da vitória, clara, em Aveiro, frente ao Tondela. Nem sequer dos novos jogadores, como o Clésio ou do reiterado virtuosismo do Carcela. Falemos, sim, do Benfica e da sua estratégia. O Benfica resolveu combinar experiência - que tem o seu preço elevado - com uma aposta nos talentos que a sua Academia do Seixal indiscutivelmente bem evidencia. O Benfica sabe bem que os tempos da alta burguesia terminaram. E sabe-o antes de qualquer maioria negativa proclamar a ocupação do poder. O Benfica sabe bem que Futebol Clube do Porto e Sporting são, hoje em dia, aliados tácticos, parceiros na Liga, siameses na combinação entre a fama e o falar. O Benfica deve recordar, tão só, Pablo Picasso quando disse que «a tragédia quando somos famosos é que se tem de devotar imenso tempo a mantermo-nos famosos»! E como Picasso sabia o que era a fama! E também a tragédia! E perante aquela necessidade, que em alguns é quotidiana e em outros tem momentos semanais, o Benfica deve ser selectivo nas suas opiniões e nas suas críticas. O Benfica, e bem, deve assumir o silêncio que perturba em vez dos sons que confundem. O Benfica, e bem, deve chutar para canto e assobiar para o lado. Como perturba o silêncio e o assobio sem destinatário. Mas sem prejuízo da legitimidade de alguns benfiquistas deixarem sair, na sua voz alta ou com a sua alta voz, o que lhes vai mesmo no fundo da sua alma imensa. O Benfica sabe que já perdeu jogos importantes e que alcançou vitórias entusiasmantes, como a de Madrid. O Benfica sabe que a aliança de contrários o tentará perturbar. O Benfica sabe bem que «a bola não admite truques, só efeitos sublimes» . Mas o Benfica sabe bem que esta época está cheia de truques. Uns, poucos, novos e outros, muitos, bem velhos. Mas como nos diz Joseph Joubert «a velhice apenas priva os homens inteligentes das qualidades inúteis à sua sabedoria» ! Todos sabemos bem que o «tempo do dinheiro fácil» terminou. Mesmo que alguns não nos digam e outros não o saibam! Até para os chineses está mesmo mais difícil agora que até terminou a política do «filho único»! Sabemos bem que, com ou sem fair play financeiro europeu, há aquele momento, sempre aborrecido, em que é preciso fazer contas. E apresentar essas contas. No futebol e na política, diria eu. Já que, como escreveu Albert Ferrasse, e a propósito do râguebi, prefere «os golpes baixos no râguebi aos golpes baixos da política». E sabendo tudo isto o Benfica tem de respirar fundo perante os múltiplos ataques que o tentam condicionar. Que pretendem que reaja! Tem, tão só, de tomar nota de todos eles, de reagir nas instâncias próprias, de exigir que as instâncias competentes cumpram as suas atribuições e responsabilidades no tempo próprio, de os registar para memória futura e de assumir que está atento a tudo e a todos. Mas o Benfica sabe bem que na próxima terça feira tem um jogo decisivo na Liga dos Campeões e que uma vitória é meio caminho andado para os oitavos de final de uma competição que gera importantes receitas e proporciona relevante visibilidade. E sabendo tudo isto, como sabe, o Benfica sabe que «não há grandeza onde não há verdade». E a verdade e a grandeza combinam-se. E tudo o que «faz a grandeza dos reis na terra também faz o perigo». É este o desafio do Benfica. Neste tempo e com todas as suas concretas circunstâncias. Que o marcam, rodeiam e, até, o condicionam!

2. Ontem assisti(mos) a um extraordinário espectáculo desportivo. A Nova Zelândia (re)conquistou o título de campeã do Mundo de râguebi e fez história nesta modalidade cada vez mais atractiva e sedutora. Foi uma vitória justa e categórica. Mostrou a razão de ter, desde 2009, a liderança do râguebi mundial. Decerto querendo-a manter até 2019, data da realização, no Japão, do próximo Mundial. Um Mundial, este de Inglaterra, com emoção e muita competição. Com vontade e talento. Muita solidariedade e sofrimento. Com credibilidade e com muita coragem. E o reconhecimento, no final, do capitão australiano da justiça da vitória dos All-Blacks foi um hino ao desporto contemporâneo. Esta final do Campeonato do Mundo de râguebi terminou um mês e meio de intensa competição que esgotou os estádios ingleses, que atraiu muitos milhões de telespectadores, que mostrou a útil combinação entre as decisões dos árbitros nos lindos relvados e a necessária ajuda - ouvida e escutada por todos - do vídeo árbitro. E mostrou este Mundial que são bem verdadeiras aquelas palavras que nos dizem que «o râguebi é um jogo para cavalheiros de todas as classes, mas nunca para um mau desportista de qualquer classe». Vimos jogadas extraordinárias, momentos de força singulares, instantes colectivos impressionantes, pontapés frios e teleguiados. Vimos paixão nas bancadas. E sentimos, na final, o respeito total pelo árbitro principal, Nigel Owens. Um galês conhecido e reconhecido. Ele que abraçou a arbitragem após ter falhado uma penalidade decisiva num jogo de um campeonato escolar e de ter escutado o professor dizer-lhe, decerto que a sorrir, que «teria mais sucesso como árbitro» ! Ele que assumiu publicamente a sua homossexualidade e que disse: «É impossível arbitrar um jogo de oitenta minutos sem fazer pelo menos um erro. Mas aprendemos com os erros. E ao fazer isso melhoramos e aceitamos o facto de que não há nada de errado em cometer erros na vida.» Permitam-me uma sugestão à nossa Liga de futebol e aos seus principais patrocinadores. Ou, até, aos seus promotores. Convidem o Nigel Owens para vir fazer uma conferência - ou um seminário - a Portugal. E abram as portas do grande auditório onde, porventura, a concretizem. E acreditem, como o antropólogo americano Alfred Crawley - que morreu em 1924 - que «as diferenças tácticas entre o futebol e o râguebi, com as suas variantes, são: no primeiro, a bola é um míssil; no último, os homens são mísseis»! Como alguns de nós tivemos o privilégio de ver em muitos jogos deste Mundial!"

Fernando Seara, in A Bola

Palavra e acção

"No que respeita a palavra e acção, o desporto - e, em particular, o futebol - evoluiu muito cá no burgo. Nem sempre para melhor, é certo. A 'palavra', com a infindável panóplia de meios para ela se difundir e a variedade de personagens para se radicar no espaço público, é um instrumento de combate e manipulação por excelência. A 'acção', com os múltiplos instrumentos legais, institucionais e corporativos para se expressarem tomadas de posição e decisões em cada momento é um instrumento de reivindicação de interesses e de poderes. Os tabuleiros e os intervenientes são múltiplos. Os desafiadores de outrora pretendem ser os 'estadistas' do presente; os desafiadores de hoje pretendem ser os 'estadistas' de amanhã; os protagonistas alteram-se; os representantes disseminam-se; as instituições remexem-se.
Confuso? É entre palavras e acções que se enquadram denúncias para efeitos disciplinares, procedimentos negociais para a contracção de jogadores e a obtenção de receitas, confrontos com órgãos federativos, processos judiciais para avaliação das condutas de dirigentes e treinadores. É entre palavra e acção que entrará em cena o Direito (desportivo e não só): 'ofertas' legítimas ou não a agentes desportivos; obrigações de correcção e diligência no relacionamento entre esses mesmos agentes; exigibilidade e licitude da supervisão e coordenação dos dirigentes da FPF e da Liga junto de árbitros observadores e delegados aos jogos; esferas de protecção da honra e da reputação de clubes e 'SAD' atingidas por declarações dos concorrentes; averiguação do cumprimento do dever de lealdade dos treinadores no decurso e após a cessação dos seus contratos de trabalho; eventuais responsabilidades pré-contratuais pela frustração das legítimas expectativas das partes envolvidas em negócios potencialmente rentáveis para os clubes.
Confuso? No meio de tanta poeira, feita de gritaria nas televisões e de milhares de caracteres na imprensa escrita, tudo depois se resumirá, no dia próprio, às conclusões do Direito.

PS: O Governo a sair do '4 de Outubro' poderia ter a coragem de criar um Ministério do Desporto - como um ministério para a política e acção desportivas. Para já ficou-se aquém. Já era tempo de, com essa forma superior, assumir a reforma da administração público-institucional nesta área (a começar pelo CND e pelo IPDJ) e corporizar a sério os poderes públicos do Estado, desde a escola até ao alto rendimento. E, com isso, traduzir o que o desporto é para a estratégia de um país."

sábado, 31 de outubro de 2015

Indiscutível...

Benfica 5 - 2 Barcelos

Jogo decidido logo de entrada, com o Benfica rapidamente a chegar ao 3-0. A partir daí a história do jogo foi a gestão do ritmo por parte do Benfica, os Livres Directos falhados pelo Benfica e a porrada dada pelo Barcelos!!!