Últimas indefectivações

sábado, 19 de setembro de 2020

FC Famalicão 1-5 SL Benfica: Só agora?


"A Crónica: Águias entram a golear
Depois da hecatombe grega, ansiava-se redenção benfiquista em Famalicão e assim houve. João Pedro Sousa tinha prometido uma equipa capaz frente ao novo Benfica, mas Jorge Jesus respondeu de forma pragmática colocando o melhor ataque em campo – Everton, Waldschmidt e Rafa endiabraram-se no apoio a Darwin e a equipa produziu o melhor futebol visto até agora. A primeira grande exibição encarnada surgiu da criatividade de um trio que, apoiados pela dupla Gabriel e Taarabt, forçaram a ingénua defensiva famalicense a erros múltiplos e provocaram variadíssimas vezes Zlobin, que não teve mãos a medir com tantas oportunidades a surgir á sua frente e que ao intervalo já levavas três nas suas redes.
Foi um Benfica em alta rotação aquele que surgiu no relvado de Famalicão, dominando o jogo a bel prazer desde o seu inicio. Vestidos de preto, houve luto á displicência de 3ª feira, enterrou-se a vergonhosa derrota no passado e construiu-se novas perspectivas de um futuro risonho, ainda que sem o principal objectivo da época. Rúben Dias e Verthongen trataram bem de Toni Martinez – vai cumprindo minutos enquanto espera pelos dinheiros vindos do Porto… – Almeida não teve problemas com Valenzuela e Jordão, interior que para aquele lado descaiu muitas vezes, e Grimaldo nem sequer ouviu falar de Lameiras, tal foi a disponibilidade ofensiva do espanhol e o espaço que teve para explorar a ala.
Jesus optou por Weigl e Pizzi no banco, talvez mensagem para o balneário de que não há lugares marcados, a mesma que Bruno Lage teve em tempos, sendo agora aceite de bom grado por jogadores sedentos de provar capacidades e ganhar lugar. Não se ressentiram das ausências os outros habituais titulares, o nível elevou-se mais do que é costume e a primeira parte foi de sentido único, com a primeira grande oportunidade a surgir aos oito minutos por intermédio do alemão Luca Waldschmidt: provocou transição rápida, recebeu de Everton e desbravou caminho, auxiliado pela desmarcação inteligente de Darwin, terminando com remate á rede lateral. Como primeiro grande aviso, percebeu-se logo ali as deficiências táticas do esquema de João Pedro Sousa e o Benfica, qual predador, focou-se nessa fraqueza.
O espaço provocado pela postura atrevida da equipa da casa foi aproveitada ao máximo pelos criativos encarnados, que esperavam pela iniciativa para dar o golpe aquando da recuperação. Usando e abusando da velocidade dos intérpretes, o Benfica chegou naturalmente á vantagem numa finalização cheia de classe de Waldschmidt, corria o minuto 18’. Demorou dois minutos a chegar o segundo, quando André Almeida preenche a ala direita e cruza atrasado, á espera do remate em arco de Everton – sem hipóteses. Moral em alta, a confirmação que o episódio na Grécia foi acidente de percurso e que existe poder de tiro na Luz, como também ficou demonstrado no 3-0, autoria de Grimaldo, em livre directo irrepreensivelmente batido por cima da barreira.
A segunda parte entrou com um Famalicão mais consciente dos seus próprios erros, que parecia tentar minimizar estragos. Porém, Rafa aproveita assistência de Everton aos 51’ para colocar o marcador em 4-0, após insistência dentro da grande área. Se a ideia dos famalicenses era limpar a imagem duma primeira parte inacreditável, começavam mal e pior ficariam aos 65’, quando Waldschmidt começa e acaba grande triangulação com Darwin Nuñez, dando assim inicio á descompressão benfiquista – até ao final foi controlo a toda a linha, num domínio que se tornou avassalador em certos momentos mas que não se traduziu no alargar da vantagem. Nem os gritos de Jorge Jesus nos últimos cinco minutos – “Bora lá fazer mais golos!” – colocaram em causa o relax encarnado, que foi brincando ao bom futebol e aproveitando para tirar o máximo de prazer do jogo, com tabelinhas, fintas e toques de classe como ingredientes duma exibição com elevada nota artística frente ao FC Famalicão.

A Figura
Éverton CebolinhaWaldschmidt teve estreia de sonho, fez dois golos e assinalou exibição de encher o olho, mas o brasileiro é jogador de outros andamentos, não sendo descabido considerar que cada minuto cumprido na Liga Portuguesa seja um… desperdício – exige outro nível, outros adversários, outros companheiros. Qualidade técnica dos predestinados, visão, velocidade de ponta e inteligência muito acima da média entregam-lhe a qualidade diferenciada que justificam outros voos. 

O Fora de Jogo
Rafa SilvaMarcou pelo segundo jogo consecutivo, mostrou bons pormenores, mas no cômputo geral continua sem demonstrar o rendimento que teve noutras fases mais fulgurantes do ponto de vista físico. É notório que ainda não se encontra ao seu melhor nível e passa por aí a menção ao seu nome. Desconcentrado em vários momentos, ainda não é o melhor Rafa de 2018-19 – e, quando aí chegar, será definitivamente dono do lugar á direita do ataque.

Análise Táctica - Famalicão
Quanto ao FC Famalicão, João Pedro Sousa entrou como habitualmente, no seu 4-2-3-1 que a defender se transforma muitas vezes em 4-4-2, com Guga a fazer de terceiro médio a acompanhar Tony Martinez na pressão aos centrais encarnados. Valenzuela cumpriu o lado esquerdo e Lameiras á direita, com Gustavo Assunção a ditar ordens no centro acompanhado por Bruno Jordão. Aquando da recuperação de bola, o alvo era Tony Martinez, segurando o esférico e variando o flanco rapidamente, aproveitando a velocidade e capacidade técnica dos alas.

XI Inicial
Zlobin (2)
Jorge Pereira (1)
Riccieli (3)
Babic (2)
Verdonk (1)
Lameiras (3)
Assunção (3)
Jordão (2)
Valenzuela (2)
Guga (3)
Toni Martínez (2)
Subs Utilizados
Ibrahim (2)
Patrick William (2)
Del Campo (1)
Matheus Clemente (-)
Walterson (-)

Análise Táctica - SL Benfica
Jesus á sua imagem, com Gabriel a assumir as tarefas mais defensivas do meio-campo e Waldschmidt a fazer o papel de 9,5. Grande preponderância nas alas – Almeida e Grimaldo muito solicitados, sem grande oposição já que Jorge Pereira e Verdonk assinaram exibições muito cinzentas, justificando substituição ao intervalo. Everton conduzia a maioria das transições, com Darwin muito disponível na procura da profundidade e nos apoios frontais.

XI Inicial
Vlachodimos (5)
André Almeida (6)
Rúben Dias (6)
Verthongen (6)
Grimaldo (7)
Gabriel (7)
Taarabt (8)
Rafa (7)
Waldschmidt (8)
Everton (8)
Darwin (6)
Subs Utilizados
Pizzi (5)
Carlos Vinicius (5)
Nuno Tavares (6)
Weigl (-)
Diogo Gonçalves (-)"

Cadomblé do Vata (Fama...)


"1. Vamos lá começar por falar da pergunta que todos fazemos há 1 mês... Lucaschmidt... é assim que JJ trata o nosso Bomber Germânico.
2. O investimento foi alto, as expectativas são elevadas, mas temos que ter calma com a exigência... da minha parte, sou comedido e só peço mais 33 resultados destes no campeonato.
3. Apreciem bem o futebol de Everton no SL Benfica este ano... vai ser o único dele por cá.
4. Um golo de livre directo do Grimaldo é uma daquelas coisas que acontece uma vez por época... é pena termos desperdiçado este trunfo logo na primeira jornada.
5. Olho para a camisola amarela e lilás do Odysseas e depois vejo este equipamento todo preto e penso... será que ninguém reparou como isto ficava brutal na nossa baliza?"

Rescaldo...

Vermelhão: Goleada...

Famalicão 1 - 5 Benfica


Se na terça-feira na Grécia nem tudo foi 'mau' (na exibição), hoje apesar dos golos, também não devemos retirar muitas ilações, porque as variáveis da partida foram bastante diferentes: hoje, foi o Benfica que estava a vantagem por estar mais 'rodado'; hoje, o Fama como é habitual, não jogou de bloco baixo (como fez o PAOK), tentando sempre sair a jogar, com bola no pé, e com bastantes jogadores, permitindo ao Benfica, nos momentos de recuperação de bola, saídas rápidas, com espaços...

E sim, as alterações no onze também ajudaram: o Luca e o Darwin, deram outro capacidade ofensiva, tanto em velocidade, como em força e mesmo da capacidade de guardar a bola no pé, em progressão! A entrada do Gabriel também deu outro velocidade nas variações de flanco... além de ter 'poupado' ao Adel muitos quilómetros 'para trás', pois o marroquino assim não é obrigado a 'pegar' na bola, em todas as nossas saídas de bola...

Quando as 'coisas' correm bem, até parece que todos os jogadores jogam bem... O cansaço e respectiva substituição do Grimaldo é totalmente normal, num jogador que praticamente não fez a pré-época! A 'despromoção' do Vinícius para 3.º avançado, só se compreende, pela mais que provável 'venda'!!!

A nossa qualidade ofensiva melhorou bastante esta época. Para quem tinha dúvidas, hoje o Everton e o Luca provaram que são grandes contratações... e o Darwin, apesar do golo não ter aparecido, demonstrou que vai encaixar com uma luva na equipa... Com mais rotinas, entre todos estes jogadores, vamos melhorar bastante...

Defensivamente, tivemos bastantes dificuldades em parar a saída de bola controlada pelo Famalicão. A equipa tem um défice físico em várias posições, é muito importante não perdermos duelos defensivos, no meio-campo e nas laterais, pois isso expõem em demasia a nossa defesa: estilo passa a bola, não pode passar o jogador!!!
A quantidade de passes 'fáceis' errados, também parece persistir... hoje, nos primeiros minutos, irritaram!!!

Creio que o 'barulho' vai acalmar nos próximos tempos, e o Jesus vai ter tempo para fazer evoluir a equipa! A próxima paragem para as Selecções, vem numa altura inoportuna, pois vamos perder novamente muitos jogadores...

PS: Em relação ao que se passa fora das quatro linhas, só uma coincidência: não me recordo do grupo Impresa tão interessado nas eleições do Benfica, desde do ano, em que 'conseguiram' eleger o Vale e Azevedo!!! E curiosamente, também havia um Rangel pelo meio!!!

Grave foi perder o campeonato


 "Vencer é, neste momento, o único ponto na agenda do Benfica. Por isso temos de começar hoje, em Famalicão, a ganhar o campeonato

A derrota na Grécia foi péssima e deixa marcas. Fazer conta que não há consequências é próprio de irresponsáveis nos quais não me incluo. Haverá consequências anímicas, que a equipa saberá rapidamente resolver, e outras financeiras que irão notar-se em Junho do próximo ano, caso não haja capacidade para atenuar esta perda.
Esta derrota é má e não é péssima porque houve sete exercícios de gestão positivos de forma consecutiva. Os adeptos têm que perceber que fazer as coisas bem, atenua-se as consequências de quando algo corre mal.
A Liga Europa não é a Liga dos Campeões e não é o palco que o Benfica deseja, mas é onde agora tentaremos minimizar os danos.
Mas sejamos justos, mais grave que perder este jogo nestas condições, foi perder o último campeonato que aqui nos trouxe a este jogo e por isso temos hoje que começar a ganhar o campeonato que logo começa em Famalicão. Ao contrário de um jornal que fazia manchete com o Benfica «precisa de vender» eu defendo que o Benfica «precisa de vencer». Podemos rentabilizar da melhor forma, aqueles que por agora não são determinantes para vencer. Mas vencer é neste momento o único ponto da agenda do Benfica. Pode o ruidoso anti-Benfica estrebuchar, mas a agenda do clube está com um ponto único na ordem de trabalhos: vencer. São de toda a utilidade os que quiserem ajudar e de toda a inutilidade os que não perceberem o ponto.
Não podemos ser empurrados para uma situação onde se coloca em causa o valor de jogadores agora chegados, nem muitos de inegável qualidade que já tínhamos, o processo qualitativo que Jorge Jesus quer e vai demora sempre algum tempo e temos que ir vencendo enquanto essa qualidade vai crescendo.
Vamos para a Liga Europa e isso é péssimo, mas também só clubes óptimos é que acham essa realidade péssima.
Começa em Famalicão uma caminhada que terá altos e baixos, sucessos e alguns percalços, mas que todos os benfiquistas esperam que termine com a (re)conquista do título. Uma prova de regularidade, de capacidade contínua, onde o talento e experiência de Jorge Jesus será motivo suficiente de ânimo. Eu acredito (mesmo sendo pessimista por temperamento) que este será ano de muitas vitórias e títulos.
Em tempo de pandemia tenho receio de infecção de vírus, mas não tenho medo dos inimigos infecciosos contra os quais já há muito foi descoberta a vacina nos laboratórios da Luz."

Sílvio Cervan, in A Bola

Branco...

E o fair play jornalístico?

"O aforismo sobejamente conhecido, popularizado em inglês, no news is good news (não haver notícias é boa notícia) há muito que caracteriza, na perfeição, a relação entre a comunicação social e os consumidores de notícias. Só é notícia o que está mal. E se nada está, mal, o ciclo noticioso tem de continuar a ser alimentado de alguma forma. A transformação do sector nos últimos 25 anos, nomeadamente a acentuada redução das receitas, agudizou esta tendência. E o tratamento dado ao último relatório e contas apresentado pela  SAD do Benfica é, na melhor das hipóteses, só mais um exemplo paradigmático deste contexto.
Sob qualquer prisma, deve-se reconhecer as magníficas contas apresentadas. Resumidamente: Segundo maior lucro da história, o sétimo consecutivo; Reforço dos capitais próprios muito para lá do capital social. Aumento do activo; Queda do passivo na ordem dos 10%; Endividamento financeiro aquém dos 100 milhões de euros, o mais baixo da década; Dívida líquida a atingir um mínimo histórico; Recorde de receitas (quase 300M€); Rendimentos operacionais, sem atletas, que bateriam o máximo anterior não fosse a pandemia; Etc.
Perante isto, o que foi destacado na comunicação social? O cumprimento, à risca, de uma recomendação da UEFA no âmbito do fair play financeiro. Vou repetir: o cumprimento de uma recomendação! E nem valerá a pena mencionar que, nos restantes indicadores e recomendações, a situação da SAD do Benfica é exemplar. Isto num país que tem um clube intervencionado pela UEFA e outro que, não fossem os perdões da banca, desculpem, a reestruturação da dívida bancária, se calhar já nem existiria. E ambos estão falidos tecnicamente há vários anos, um mero pormenor.
Necessidade ou agenda?"

João Tomaz, in O Benfica

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Golpe duro


"Nada correu como queríamos. Está perdido o acesso à Liga dos Campeões no primeiro jogo oficial da versão 2020/2021 da equipa de futebol masculino do Sport Lisboa e Benfica. Uma hora antes da partida, a constituição da equipa dava sinal de uma equipa de ataque, com um banco recheado. A primeira parte mostrou uma superioridade clara. A segunda metade, não. A eficácia do jogo do PAOK foi fundamental para esta eliminação, mas que sirva também de aprendizagem para a dura época que temos pela frente.
Nos onze que começaram e no banco se suplentes, uma nota: dá gosto ver tantos nomes de qualidade, artistas portugueses e estrangeiros, profissionais que se querem de mão-cheia com a camisola da águia vestida. Este é um plantel com várias soluções, com jogadores que se adaptam a diferentes posições ao longo do jogo. São jogadores, com maior ou menor experiência, que além de talentosos têm de ser inteligentes, saber de táctica cumprir ordens, ajudar o colega do lado.
Infelizmente, em Salonica, essa qualidade não fez a diferença. Hoje, sexta, quando for dado o primeiro toque de bola no campeonato desta ano, espero - esperamos - uma resposta clara, com profissionalismo, entrega, alegria de jogar, golos e vitórias para alcançar os objectivos que temos pela frente."

Ricardo Santos, in O Benfica

Desiludido agora para não sofrer no futuro


"Então, Benfica? Se é para isto, prefiro que a pandemia obrigue a uma nova interrupção no futebol. O que é que estás a fazer fora da Liga dos Campeões? Isto é o mesmo que ver o Papa fora do Vaticano ou a Teresa Guilherme fora do Big Brother. Não faz sentido. Não é o começo que esperávamos, sobretudo depois da pré-época e dos reforços cuja qualidade me parece evidente. O primeiro objectivo da temporada falhou. Se abordar a questão com um olhar negativo, é verdade que tenho de confessar alguma vontade de falecer. Até é enorme, na verdade. Porém, não faz parte de mim chorar sobre o leite derramado. Prefiro encarar esta desilusão com a com a confiança extrema de que, desta vez, vamos ganhar a Liga Europa. Assim até iniciamos a competição desde o princípio, porque chegando por via do terceiro lugar da Liga dos Campeões traz sempre um sabor amargo. Desta forma, a amargura fica já digerida (bem, talvez lá mais para o final do mês, se iniciarmos o campeonato como deve ser).
Os fracassos devem ser assumidos, a eliminação da Liga dos Campeões foi uma desilusão, mas pelo menos já sei que não ficarei tão desanimado se uma segunda vaga de covid-19 levar ao cancelamento da Champions deste ano.
Nessa noite está de volta o campeonato português, e o Benfica tem de dar uma resposta à altura. Exijo isso como sócio, adepto e como alguém que está a pensar em apostar 20 euros na vitória do Glorioso. Seja como for, tenho plena consciência de que o Benfica, tal como no final da época anterior, começará esta liga em desvantagem. Enquanto os benfiquistas estiverem longe das bancadas, a maior força do clube continuará ausente."

Pedro Soares, in O Benfica

Tão nervosos...


"O mundo está de pernas para o ar, e não pára de nos surpreender.
Um grupo de gangsters lançou, desde há três anos, uma nuvem sobre o Benfica e sobre o seu presidente. Muitos alimentaram-na e navegaram sobre ela. Dava audiências a uns. Dava jeito a outros. Jornais e televisões queixam-se das redes sociais, mas, quando lhes convém, seguem-nas e seguem o que de pior elas têm.
Agora, pasme-se, exigem que todos se sintam condicionados por essa campanha negra. No fundo, querem que toda a gente seja obrigada a acreditar nas mentiras que construíram.
Não! Luís Filipe Vieira não está condenado por nenhum crime. E é o mais ganhador e empreendedor presidente da história do nosso clube, sendo, pois, natural que congregue apoios, desde os mais ilustres aos mais anónimos associados.
O primeiro-ministro e o presidente da Câmara de Lisboa, como qualquer outro sócio, têm todo o direito de expressar a sua posição, numa eleição que respeita só aos benfiquistas - e não a políticos demagógicos, colunistas de jornais, ou comentadores televisivos pouco ou nada independente. Era o que faltava se um cargo político obrigasse alguém a renunciar à sua vida, às suas paixões e ao seu clube. Era o que faltava se todos tivessem de seguir, em rebanho, a nuvem de calúnias que alguns pretenderam transformar em verdades universais.
Uma parte do nervosismo que se tem visto por aí prende-se com a luta político-partidária. Essa, embora saibamos como funciona, não nos diz respeito.
A outra parte é a percepção de que a mentira que criaram, afinal, talvez não tenha enganado tanta gente como esperavam. E isso deixa-os doentes."

Luís Fialho, in O Benfica

Pedro Rocha


"O que todos temíamos aconteceu - Pedro Rocha partiu. Mas deixou-nos uma fantástica equipa de atletismo. Verdadeiro mestre na arte de criar campeões, destacava-se pela sua capacidade em detectar jovens talentosos que treinava como ninguém. Em 2012, a prof. Ana Oliveira lançou-lhe o desafio de abraçar o projecto do SL Benfica, e a sua competência confirmou-se. Se a nossas equipas de atletismo atingiram a hegemonia da modalidade nesta década, devemo-lo em grande parte à sua sagacidade. Especialista no fundo e no meio-fundo, destacou-se também como técnico nacional da Federação Portuguesa de Atletismo. Graças à sua visão e capacidade, ganhámos mais de 30 títulos nos seniores, e nas camadas jovens perdi a conta às conquistas. Pelas suas mãos passaram alguns dos melhores atletas da actualidade. Destaco os grande feitos de 2012 e 2013, anos em que a nossa equipa de juniores se sagrou campeã europeia de corta-mato. Desse lote sobressaíram Samuel Barata, Rúben Silva, Adrião Rodrigues, Bruno Varela, Miguel Borges, Hélder Costa, Rúben Pessoa, Miguel Marques e André Pereira. Também sob sua orientação, conquistámos vários campeonatos nacionais de pista coberta e ao ar livre. O seu último grande feito foi o decacampeonato, no passado dia 15 de Agosto, em Lisboa, no qual sobressaiu o fenomenal Samuel Barata. O Pedro partiu com apenas 54 anos e deixa-nos um enorme legado e um imenso vazio. Voltar a ganhar sem ele vai ser mais difícil. Tenho a certeza de que o seu nome será imortalizado pelo SL Benfica. À sua família, aos seus amigos, aos seus colegas e aos seus atletas, apresento as minhas sentidas condolências."

Pedro Guerra, in O Benfica

More tham Football


"Nenhum de nós passa indiferente pelos tempos conturbados que atravessamos. Foi quase como se, de repente, a humanidade acordasse de um qualquer entorpecimento e redescobrisse o óbvio: apesar de a sociedade ser cada vez mais virtual e cada vez mais nos podermos e devermos relacionar à distância, na verdade o mundo é feito de pessoas reais, e são essas que valem. Os estádios perderam o bruaá e o frémito dos adeptos, mas o futebol não se deixará diminuir por esta adversidade, está lá! Está lá, feito de e para pessoas reais. Está lá, feito de e para pessoas reais. Está lá como sempre, mas parece mais desapaixonado a quem assiste. As transmissões repovoam com muita imaginação e edição os sons e as dinâmicas do estádio, mas tudo isso mostra ser pouco para quem assiste e muito pouco para quem joga. Faltou-nos isso, a todos, é incontornavelmente assim. Mas todas as ramificações sociais do futebol permanecem intactas, num estado mais ou menos latente conforme os limites que a pandemia lhes impõe. A paixão colectiva resiste, adensa-se e adia-se, molda-se à realidade dos dias, recua mesmo por vezes, forçada pelo desânimo, mas redobra em vigor a cada novidade que pulsa no desporto-rei. E nesta dialética contínua em que todos vivemos entre comportamento e risco, vamos ganhando espaço no mundo real, físico, das três dimensões, dos cheiros e dos abraços saudosos, dos apertos de mão de cortesia que em menos de um mês migraram para os cotovelos sem dó nem piedade. Não nos deixaremos abater porque essa massa humana, feita de pessoas reais, a que Desmond Morris chamou um dia 'tribo do futebol', está bem intacta e vivente. Ela é um dos cimentos da sociedade em que vivemos, quer se queira, quer não, e leva o futebol a fazer coisas pela vida e pelas vidas que são inexplicáveis para quem nele veja apenas uma bola, uma baliza e um chuto. Porque não tenhamos ilusões: dizer que o futebol é mais que futebol não é um exercício de retórica balofa, o futebol é, isso sim, muito mais que o futebol. Senão, veja-se o que fazem os clubes por essa Europa fora: More tham Football!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Fazer a nossa parte


"1. Claro que dói. Evidentemente que dói. Mas 'isto' é o futebol, e precisamos de voltar à terra e ao cenário em que vivemos e reconhecer que a mais adequada atitude que podemos adoptar numa circunstância tão dura como a da derrota de terça-feira na Grécia não é senão a da serena análise que Jesus assumiu no fim do jogo.
2. Realmente, o que define o jogo do futebol são os golos, e nessa noite os nossos adversários marcaram mais um golo do que nós. Eles ganharam.
3. Ao fim de escassas cinco semanas de preparação, esse é o triste registo que fica do primeiro jogo oficial que disputámos nesta época, sendo que, se nós próprios deixássemos, a derrota poderia, infelizmente, deixar marca para toda a temporada. Ou mais ainda.
4. Desde logo, porque nos próximos tempos não podemos alimentar a legítima ilusão de cumprir o mesmo desígnio de, pelo menos, disputar pela décima primeira temporada consecutiva a fase de grupos da maior competição europeia.
5. Será então por isso que vamos ficar derrotados e de cabeça baixa para o resto da época? Evidentemente que não. Por isso, evidentemente que os Benfiquistas não alinham na conversa de chacha do jornalismo militante da Impresa, das comadrices da Cofina ou da informação já quase submersa da Global, que começaram logo com o mesmíssimo bota-abaixo dos que há décadas padecem das dores de cotovelo.
6. Como se viu, nem o contexto em que a pré-qualificação foi neste ano disputada (numa só mão; fora de casa, apesar da condição de 'cabeça de série' que inutilmente a UEFA nos atribuía; e também, por exemplo, sem que a conjuntura covid tivesse recomendado aos organizadores de Nyon a utilização de cinco substituições que irá manter-se nas suas competições ao longo dos meses...), a verdade é que nem a própria equipa já havia completado a assimilação dos processos técnico-tácticos e dos índices físicos que o Treinador naturalmente lhe quererá imprimir para os esplendores da alta competição.
7. No grande Futebol, nada, nunca, está ganho, como se viu. Essa lição serena igualmente nos chegou (e para mim, de certo modo, inesperadamente...) no apreciável registo de sensatez que Jorge Jesus soube imprimir às suas conclusões em Salonica, ao deixar implícito que, muitas vezes, é a partir das mais imprevisíveis derrotas que se preparam as mais saborosas vitórias.
8. A vida continua. E agora, a começar por nós, temos de continuar sem desânimo, a fazer a nossa parte para que os atletas sintam o nosso respeito e, sobretudo, a nossa confiança neles, já hoje, sexta-feira, em Famalicão - apenas cerca de setenta e duas horas depois da Grécia e com uma longa viagem pelo meio.
9. O resto - venha de onde vier -, para já, é só conversa mole. Pior: é a conversa de chacha do costume, dos mais rasteiros antibenfiquistas."

José Nuno Martins, in O Benfica

Entrar a ganhar


"Já faltam poucas horas para Benfica e Famalicão darem o pontapé de saída da Liga NOS 2020/21. A partida está agendada para hoje, sexta-feira, às 19 horas, em Famalicão. Entrar a ganhar é o objectivo que todos temos para o jogo que marca a estreia da nossa equipa no Campeonato.
Esta será a primeira etapa de uma longa caminhada que se deseja de regresso ao título. Nas sete temporadas anteriores, sagrámo-nos campeões nacionais cinco vezes. Ganhar voltou a ser a norma no Benfica, pelo que os desaires, neste contexto, tornam-se ainda mais pesarosos e difíceis de aceitar. 
Recuperar o ceptro do futebol português é, assim, o nosso desígnio, e é com esse intuito que se tem vindo a trabalhar afincadamente, se promoveu o regresso de Jorge Jesus e se reforçou a equipa com atletas de indiscutível qualidade, juntando-se a vários atletas que já se sagraram campeões de águia ao peito.
Pela frente teremos, hoje, a equipa-sensação da época passada. Apesar da ausência da Primeira Divisão desde 1994, os famalicenses conseguiram alcançar o quinto posto da classificação final, merecendo os muitos elogios que a generalidade dos analistas lhes dedicou. Apostados em repetir a proeza, serão certamente um adversário muito difícil de ultrapassar.
O histórico de confrontos entre Benfica e Famalicão é amplamente vantajoso para as nossas cores (14 vitórias, três empates e uma derrota em competições oficiais), mas, se considerarmos somente os jogos disputados no reduto adversário, verifica-se maior equilíbrio, com cinco triunfos, três empates e uma derrota benfiquistas. Na época passada disputámos duas partidas em Famalicão, sendo que ambas se saldaram por um empate a uma bola.
Conforme afirmou Jorge Jesus, ontem, na conferência de imprensa de antevisão à partida, "não há outra história para quem é jogador ou treinador do Benfica, é sempre para ganhar. (...) Abrir com chave de ouro é o que nos interessa"."

À procura de rumo?


"O SL Benfica falhou a presença na edição deste ano da Champions League, ao perder com o PAOK, num jogo que foi decidido a uma mão, devido à pandemia que se abateu no mundo inteiro. E é mesmo de uma pandemia que estamos a falar, uma vez que um pouco antes do COVID-19 já se começava a afigurar que algo não estaria certo naquilo que tinha sido operado no início de 2019 e que nos levou à conquista de um campeonato e de uma goleada ao Sporting na Supertaça. O que veio depois daí foi sucinto, mas no fundo, a consequência de uma ausência de estratégia desportiva que norteia a principal modalidade do clube.
Apesar da saída de Jorge Jesus em 2015, o Benfica ainda conseguiu dois campeonatos com Rui Vitória e outro com Bruno Lage, sendo que os outros dois foram conquistados por um FC Porto que de talento ou qualidade ao nível de jogadores se cinge a uma mão cheia deles e pouco mais. O Benfica, quando poderia ter sido, ou pelo menos, tentado a ser penta abdicou de investir na construção das falhas que já existiam num plantel, que se pensou na altura em que todas as soluções estariam no Seixal.
No Seixal, está muita qualidade, e isso é um facto! Mas não é uma qualidade que permita ao clube apostar de olhos fechados para dar uma estabilidade que não consegue com jogadores no primeiro ano de sénior. É sempre preciso acrescentar experiência, para que os imberbes que vêm do Benfica Campus possam crescer e aprender diariamente com os mais velhos. E ao longo do tempo isso foi passando e a melhoria que se exigia para a equipa não chegava. Na época passada, o investimento mudou de lado e começou a ser mais notório, mas a escolha do mesmo trouxe sempre dúvidas. Ninguém questiona a qualidade Julian Weigl, por exemplo, mas seria mesmo necessário ter o internacional alemão, quando temos Florentino? Não poderiam ter sido aproveitados os milhões gastos junto do Borussia Dortmund em dois laterais com qualidade?
E é aqui que se nota que o Benfica parece perdido e que procura um rumo. De quem será a responsabilidade de não se ter investido num plantel, que ao longo dos anos, foi sendo delapidado em qualidade?
O Benfica, hoje em dia, como que parece que se está a juntar nuns cacos, que mais dia, menos dia, se iriam juntar no chão. Os desequilíbrios dos plantéis eram uma realidade e ninguém tinha a coragem de dar um murro na mesa ou tentar mostrar que a solução não era aquela que se pensava que seria.
Pior… Se Bruno Lage não tem apostado em João Félix, provavelmente a extraordinária metade da época 2018/2019 não teria o fim que teve, mostrando mais uma vez que a estratégia adoptada nunca foi a melhor.
E o que é preciso mudar? Que rumo tem de ter a equipa profissional do Benfica para que realmente a hegemonia seja uma realidade? Porque brincar com os números pode ser espectacular, mas dizer que o Benfica ganhou 5 dos últimos 8 campeonatos é o mesmo que dizer que dos últimos 3, só ganhou 1, ou que nos últimos 10 ganhou os mesmos 5. Confusos? Confuso é pensar que numa equipa desportiva que tem (ou deveria ter) como principal objectivo ganhar as competições em que se encontra, prefira enaltecer os resultados financeiros e esteja dependente deles para encontrar sustentabilidade, através da venda de activos. É certo que ganhou algumas vezes neste processo, mas o dinheiro gasto em contratações duvidosas, para não lhe chamar outra coisa, foi surreal. A quantidade de jogadores que assinou contrato com o clube e que nem sequer vestiu a camisola encarnada é inconcebível para um clube que deveria ter cuidado melhor da sua planificação e estratégia.
E isso demonstra que, ao mesmo tempo em que houve episódios destes, não se foi cuidando do que era necessário, que era o de reforçar a equipa em posições onde havia efectivamente lacunas. E isto foi acontecendo, ao longo dos anos. E ao longo dos anos, estes hábitos e vícios foram-se mantendo e acumulando na gestão diária do clube.
A qualidade foi diminuindo e não houve o cuidado de precaver o futuro de forma a manter uma estabilidade necessária para o tão desejado crescimento europeu que tanto era / foi apregoado. E é esse o principal problema e falta de rumo do Benfica. O que é que se quer? O que é que se pretende? Que tipo de estratégia se tem para o futebol profissional do Benfica? Obviamente, que a resposta ideal e óbvia é “Ganhar”. Mas para ganhar, terá de ser de forma sustentada e para isso são necessárias criar bases que permitam esse crescimento e se quisermos chamar, dinâmica.
Dinâmica de vencer, de compreender que tipo de estratégia é necessária e que decisões tomar. A aposta no Seixal será para manter, como é óbvio, mas não poderá ser o turbilhão dos miúdos estarem 6 meses a 1 ano e depois serem vendidos como se de mercadoria se tratassem, sem que tenham hipótese alguma de vestir a camisola na equipa principal, para depois, passados anos, se lamentarem e dizerem que querem acabar a carreira no “clube do coração”.
Tem de haver comprometimento com o clube e aguentá-los o máximo, porque sabemos que o mercado não perdoa. E Ruben Dias tem sido o melhor exemplo do que se escreveu mais acima. E quantos mais “Rubens Dias” o Benfica aguentar, maior compromisso existe e o sonho se pode realizar.
Mas para isso acontecer, o paradigma tem de mudar, e este ano, curiosamente com o mesmo treinador que saiu em 2015, isso começa paulatinamente a acontecer. Vertonghen é um bom exemplo e Cavani poderia ter sido outro. E é com estes exemplos que as equipas crescem, aliando qualidade a irreverência e experiência a talento.
É olhar para a estrutura do Benfica e ver onde se tem falhado e corrigir. É não estar dependente de uma pessoa que quer, pode e manda. É explicar que não é assim que funcionam as organizações de sucesso e se o Benfica quer ser A empresa de sucesso desportivo que o clube tem de ser, terá de funcionar como um todo e não como um individual. Porque, “de todos, um”. Era este o rumo que eu gostava que fosse discutido, mas acima de tudo, exigido e efectuado. E neste momento, e infelizmente, não vejo nenhum dos três desejos a ser concretizado."

Semanada...


"1. Os erros não são novos. O Benfica está fora da Champions League depois de perder o jogo contra o PAOK. Revi o jogo com mais atenção, acho que até fizemos uma primeira parte boa. Não estamos tão dependentes dos cruzamentos como o ano passado - o que é um alívio. Mas também não estamos assim tão diferentes. Tivemos boas combinações que normalmente pararam em Seferovic ou na organização defensiva do PAOK, que nunca conseguimos demonstrar. O suíço é muito lutador e por isso é que a primeira aposta do novo treinador pelo terceiro ano consecutivo, mas para combinar com Everton, Pizzi e Pedrinho, não estou convencido que seja a melhor opção. Acabámos por perder o jogo por causa de dois contra-ataques. O defesa esquerdo do PAOK entrou pelo nosso meio campo a dentro e uma vez que passou a linha de médios e encontrou a linha defensiva desorganizada foi tudo muito fácil para ele. Já no ano passado tínhamos imensos problemas na transição defensiva. Estes erros não são novos. Fica a ideia de que JJ não viu os jogos do Benfica.
2. O que mudar? O nosso meio campo e os nossos laterais são um grupo de bons rapazes. Têm que ter mais atitude. Acho que Gilberto tem que ser titular, pela combatividade que pode trazer à equipa e que André Almeida não tem demonstrado desde há um ano. Acho que um meio campo com Florentino e Weigl perde algum poder de fogo no ataque, mas daria as coberturas necessárias à equipa para não estar constantemente a sofrer golos de contra-ataque. Florentino não é um jogador que faça muitas faltas, mas recupera muitas bolas. E num ataque com todas as opções que JJ tem, a ausência de Taarabt é possível de contornar. O que não é possível contornar é sofrer tantos golos em contra-ataque.
3. Quem vender? É a pergunta que temos que fazer agora. O Benfica vai estar vendedor nos próximos dias porque se não terá um problema de liquidez algures a meio da temporada. Estamos a falar de um problema que pode mesmo chegar até a não ter capacidade de pagar salários, como eu demonstrei na quarta-feira. Na minha opinião, e visto que também poderemos ter um problema com o Fair-Play Financeiro também, o Benfica deveria tentar vender jogadores cujo o valor contabilístico já esteja muito amortizado - de maneira que as mais-valias fossem maiores - e jogadores que tivéssemos já soluções no plantel para tapar as suas saídas. Esses jogadores, na minha opinião, são Chiquinho, Cervi, Rafa ou Pizzi, e Gabriel. Todos têm mercado. A venda de quatro deles poderia resultar num encaixe de 50-60 milhões. E neste momento temos mais do que soluções no plantel para que eles saiam. No caso dos avançados ficaríamos com Everton, Pedrinho, Jota, Diogo Gonçalves, Waldschmidt, Gonçalo Ramos, Pizzi ou Rafa (aquele que não vendêssemos) e poderíamos sempre incorporar algum dos miúdos da equipa B como o Úmaro Embaló ou o Tiago Dantas. No caso de Gabriel, vai ser o quarto médio de uma equipa onde só jogam dois de cada vez. Não faz sentido, na minha opinião, vender Rúben Dias visto que não temos uma alternativa credível. Nem faz sentido vender Carlos Vinícius, porque é um jogador que tem um book-value muito alto (14 milhões) e como tal as mais-valias que uma venda poderia dar não seriam muito significativas para aquilo que teríamos que gastar para arranjar um avançado de qualidade. Relembro que para o resultado líquido, um dos parâmetros que a UEFA olha no Fair-Play Financeiro, apenas contam as mais-valias e não o valor total da venda.
4. Políticos na Comissão de Honra de Luís Filipe Vieira. Para ser sincero eu nem entendo bem a necessidade de uma Comissão de Honra. Entendo que candidatos desconhecidos precisem de uma espécie de Comissão de Honra que lhes dê credibilidade e visibilidade. Não percebo o que é que uma Comissão de Honra acrescenta a Luís Filipe Vieira. Acho que ninguém iria votar em Luís Filipe Vieira porque António Costa (ou outro qualquer) o apoiava. Acho também que é essencial que exista um distanciamento entre o mundo político e o mundo do futebol. Não é uma questão de ser o PS ou o PSD ou outro partido qualquer. Havia políticos de todas as facções na Comissão de Honra de Luís Filipe Vieira. Ainda bem que saíram. E só espero que tenham aprendido a lição. Isto já tinha acontecido na Comissão de Honra de Pinto da Costa e já na altura tinha dado confusão. Esta é, para mim, a pior parte disto tudo. Eles já sabiam que ia dar confusão e tudo isto foi em vão. A Comissão de Honra não dá votos.
5. A Liga NOS é a segunda Liga Europeia com mais faltas por jogo. Todas as semanas duas equipas entram em campo para serem assaltadas à mão armada por três homens vestidos normalmente de preto. É essencialmente isto. Os árbitros portugueses são os segundos árbitros da Europa que mais faltas apitam por jogo. Piores que os portugueses só os sérvios. No top10 de quem apita MAIS faltas estão também as Ligas da Bulgária, Roménia, Grécia, Polónia e República Checa - só Ligas de Topo, como podem ver. No Top10 de quem apita MENOS faltas estão Ligas como a Premier League, Bundesliga, Liga Holandesa, Sueca, Dinamarquesa e Norueguesa. Portugal tem excelentes jogadores. Provavelmente mais perto da Liga Francesa (tirando o PSG) do que muitos pensam. Tem excelentes treinadores. Tem excelentes projectos e por consequência excelentes dirigentes - mais em clubes do meio da tabela do que nos três grandes, na minha opinião. Mas não tem excelentes árbitros. Os árbitros estragam o futebol português. Não vamos crescer como Liga enquanto se apitarem tantas faltas, porque estão constantemente a parar o jogo e só estragam o espetáculo. É um assalto à mão armada.
6. Atenção ao Silvestre Ferreira. Silvestre Ferreira é um ala da equipa de Futsal que regressou este ano ao Benfica depois de um empréstimo ao Elétrico. Talvez seja muito prematuro dizer, mas gostei mesmo muito do que vi num dos jogos desta pré-época, onde marcou três golos. Acho que pode ser mais uma boa surpresa da equipa de Futsal. Pode ser um jogador para ficar no clube durante muito tempo e quiçá ser capitão. Estejam atentos. Também gostei de Fits. Parece mais o Fits antes de vir para o Benfica. A tomar mais iniciativa e a demonstrar o seu talento técnico. E gostei do Jacaré, um pivot clássico. A equipa de Futsal promete.
7. Basquetebol em suspenso. Já o Basquetebol parece ter tido alguns casos positivos de covid-19 e ficou suspenso. O Campeonato só começa daqui por um mês, mas esta paragem não deve ajudar.
8. Fim-de-semana importante no Voleibol. Este fim-de-semana, o Voleibol Feminino joga contra o SC Espinho a eventual subida para a Primeira Divisão. Já o Voleibol Masculino poderá ganhar a Supertaça, o primeiro título da temporada."

Fever Pitch - João, Pedro & Miguel... Trio!

O Brinco do Baptista #53 - Brinco Fantasy Football

Fever Pitch - João & Rui... Itália!

Antevisão...

Vitória em Portimão...

Portimonense 0 - 1 Benfica
Nóbrega

Kokubo; Cruz, Nóbrega, Bajrami, Montóia; Jocu, Neto(Nascimento), Bernardo(Azevedo); Samu(Tomé), Serginho(H. Pereira); H. Araújo(Paciencia)

Vitória, num relvado muito complicado, num jogo onde falhámos demasiados golos... e acabámos por terminar com uma vantagem mínima perigosa.

Liga NOS


"O jogo do Benfica no reduto do Famalicão, agendado para amanhã, sexta-feira, dia 18, às 19 horas, marcará o início da 87.ª edição do Campeonato Nacional, em que o Benfica procura conquistar o seu 38.º título nacional, o sexto em oito temporadas.
Na contabilidade dos títulos, o Benfica lidera com 37, enquanto FC Porto, 29 vezes, Sporting, 18, Belenenses e Boavista, uma cada, foram os restantes campeões nacionais na já longa história da Primeira Divisão de futebol, iniciada em 1934/35.
A presente edição da Liga tem algumas novidades relativamente às anteriores, destacando-se o número de equipas que terão acesso às competições europeias na época seguinte e a alteração do modelo de promoções/despromoções.
Fruto do sexto lugar de Portugal no ranking europeu de clubes, o campeão e vice-campeão voltarão a ter presença garantida na fase de grupos da Liga dos Campeões (o Benfica ocupou uma das duas primeiras posições em 66 das 86 edições). O terceiro classificado terá também a oportunidade de chegar a essa fase da prova máxima do futebol europeu, tendo de disputar duas eliminatórias. O vencedor da Taça de Portugal participará na Liga Europa, sendo que os 4.º e 5.º classificados da Liga NOS integrarão a Liga Conferência, que estreará em 2021/22.
Relativamente às subidas e descidas, último e penúltimo classificados serão despromovidos à LigaPro e o antepenúltimo classificado terá de disputar um play-off, em duas mãos, com o terceiro classificado da LigaPro para adquirir o direito de participar na Primeira Divisão na época seguinte.
Outra novidade da Liga NOS será a participação de dois clubes do Algarve, algo que já não acontecia desde 2010/11. O Portimonense, desta feita, será acompanhado pelo Farense, que havia participado, pela última vez, na Primeira Divisão, em 2001/02.
Serão três os clubes da região de Lisboa (Benfica, Sporting e Belenenses, SAD), haverá um representante da Associação de Futebol de Viseu, o Tondela, o Marítimo e o Nacional, da Madeira, o Santa Clara, dos Açores, e os restantes clubes distribuem-se entre as associações do Porto (Boavista, FC Porto, Paços de Ferreira e Rio Ave) e Braga (Braga, Famalicão, Gil Vicente, Moreirense e V. Guimarães).
Uma curiosidade sobre a Liga NOS 2020/21 será saber quem sucederá a Vinícius como melhor marcador. Na temporada passada, o nosso avançado foi o máximo goleador, com 19 golos, depois de Seferovic e Jonas, nas duas épocas anteriores. O Benfica é o clube com mais líderes do ranking de goleadores em cada temporada, destacando-se Eusébio, vencedor deste prémio individual sete vezes, o máximo em Portugal. Segue-se, entre os benfiquistas, José Águas, melhor marcador em cinco edições. 
Com a ambição de sempre, partimos para este Campeonato com um único objectivo: ganhar o 38!"

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Benfica Podcast #378 - Zivkovic Squared

Comunicado...


"Depois de assistir nos últimos dias a uma das campanhas mais hipócritas e demagógicas de que tenho memória, entendo ter chegado o momento de reagir.
Vivemos tempos em que a justiça passou a ser feita no Facebook, nas redes sociais e nos media. Tempos em que os juízes foram substituídos por jornalistas e comentadores que, num registo de excessos, sem conhecimento dos factos, mas com a cumplicidade de quem os vai parcialmente alimentando com o único objectivo de contaminar a percepção pública, vão minando o espaço mediático. Tempos em os jornais preanunciam condenações e em que líderes partidários e políticos mais populistas, propositadamente, esquecem um dos princípios básicos em que se assenta o nosso Estado de direito. Tempos em que falta seriedade e rigor. Tempos em que, quando a justiça finalmente chega, já não há justiça. Tempos em que o bom-nome e a reputação das pessoas se perdem na avalancha mediática que atropela qualquer presunção de inocência.
Nos últimos quatro dias, António Costa, Fernando Medina e muitos outros foram atacados de forma incompreensível e torpe, não pelo apoio que enquanto sócios do Sport Lisboa e Benfica entenderam dar-me, como já o tinham feito em 2012 e 2016 sem que se tenha assistido a qualquer tipo de alarido, mas, precisamente, pela percepção pública que, de forma concertada, os media foram ‘construindo’, deturpando e usando como catalisador de uma campanha populista de difamação.
Repito o que já disse, estou de consciência tranquila e, se for condenado, no futuro, em algum dos processos de que nestes dias tanto se fala, serei o primeiro a tomar a iniciativa, saindo pelo meu pé da presidência do Sport Lisboa e Benfica.
É tempo de os líderes partidários, e alguns dos políticos que mais se indignaram nestes dias, estarem mais preocupados em combater a tendência de transformar em sentença transitada a notícia de uma suspeita ou de uma acusação judicial.
A presença numa comissão de honra esgota-se aí, não se prolonga para lá da eleição. Foi assim no passado e seria também assim nesta janela eleitoral. Como é meu dever, tenho de agradecer a todos os benfiquistas que até agora decidiram manifestar-me o seu apoio, mas não posso permitir que instrumentalizem o Sport Lisboa e Benfica e a minha comissão de honra em lutas políticas que nada têm que ver com o Clube a que presido e a cuja presidência serei recandidato. Não posso tolerar que este clima difamatório se prolongue, nem que seja aproveitado para atacar de forma indevida o carácter e a seriedade de quem se limitou a expressar-me, enquanto sócio, o seu apoio.
Nesse sentido, e agradecendo a todos a disponibilidade manifestada, tomei a iniciativa de retirar da minha comissão de honra todos – todos – os titulares de cargos públicos, sejam autarcas, deputados ou membros do Governo. É triste que, 46 anos depois do 25 de Abril, se tenha de censurar quem livremente decidiu manifestar-me o seu apoio, mas o populismo e a demagogia dos dias de hoje obrigam-me a fazê-lo de forma a terminar com uma polémica injustificada e profundamente hipócrita."

Nota à comunicação social


"O Sport Lisboa e Benfica informa que a actividade das equipas seniores de basquetebol está suspensa desde o passado dia 10 de Setembro e assim continuará até indicação articulada com as autoridades de saúde locais e com o departamento médico do Clube, após terem sido registados casos de COVID-19.

Na sequência de suspeitas de infecção, o Sport Lisboa e Benfica suspendeu de imediato a realização de treinos na quinta-feira da semana passada das equipas de basquetebol (masculina, feminina e Sub-22) e accionou o seu plano de contingência para avaliação e controlo de infecção por COVID-19, sempre em estreita coordenação com as autoridades de saúde.
Todos os casos identificados estão a ser devidamente monitorizados, não apresentando à data qualquer critério de gravidade clínica. Os restantes elementos estão igualmente a ser acompanhados para o caso de ser necessário actuar. Face a esta situação, a edição deste ano do Torneio Internacional de Basquetebol masculino já não terá lugar.
Sublinhar que o Sport Lisboa e Benfica implementou desde a primeira hora todas as medidas preconizadas pelas autoridades de saúde, nomeadamente as normas e orientações da DGS nesta matéria, e conta com uma equipa multidisciplinar dedicada à prevenção e mitigação de risco de contágio por COVID-19, pelo que permitiu identificar e isolar prontamente todos os casos suspeitos."

A diferença de uma parte para a outra, e os equívocos – Taarabt, Vertonghen e momentos pressão / de fechar espaços


"No programa “Futebol Total” (#canal11futeboltotal no Twitter) no Canal 11, o Pedro Bouças analisou o jogo do Benfica em Salónica perante o PAOK.
Do equívoco sobre os momentos de pressão / fechar espaço da linha média, às dificuldades gritantes de Taarabt sem bola até ao erro de Vertonghen."

O Benfica chumbou. E agora?


""És presidente de um clube? A tua equipa de futebol está a passar um mau bocado? Nada temas! NovoCiclo2020 tem a solução ideal para ti, uma fórmula imbatível: vai buscar um treinador que já te deu resultados, compra um defesa central experiente, dois extremos brasileiros, um avançado uruguaio para os 20 minutos finais e...bom e é isso. Vais ver que resulta!".
Ah, se fosse assim tão simples. Só que conseguir bons resultados no futebol é bastante mais complexo. Tanto que Luís Filipe Vieira a esta hora deve estar a dizer aos seus botões "o que mais preciso de fazer? Fui buscar Jesus, gastei 80 milhões em reforços e a equipa nem passou da 3ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões?" É como aquele estudante que chumbou no exame e fica surpreendido porque passou a noite inteira anterior a estudar. Esquece-se é que durante o semestre pouco se aplicou e fez os trabalhos todos em cima do joelho. É o que se passa no Benfica actual. Os erros acumularam-se nos últimos três anos e o virar do barco vai demorar tempo. Não há soluções milagrosas. Nem com um Jesus no comando.
O Benfica está num ciclo de tal forma negativo que é difícil saber por onde começar. As críticas são justas para todos: para os jogadores porque continua a ser difícil entender a falta de atitude e garra com que estão a enfrentar os encontros. Repare-se no 2º golo do PAOK: André Almeida recupera a passo lento, Vinícius não faz a falta para parar o contra-ataque, Taarabt marca com os olhos, Weigl está alheado, Grimaldo está mal posicionado e toda a defesa está descompensada. Isto num jogo que valia 40 milhões de euros para o clube. Recorde-se que no último jogo oficial tinham perdido um troféu importante jogando contra uma equipa em inferioridade numérica desde os 38 minutos.
Jorge Jesus também tem que arcar com responsabilidades neste vexame. Chegou com a soberba habitual a prometer uma equipa que ia arrasar e a jogar o triplo e após um mês de trabalho, poucas diferenças se notam. Voltou a insistir em jogadores que já há muito não deviam ser titulares do Benfica: falo de André Almeida (se Gilberto não lhe tira o lugar, porque foi contratado?) e Seferovic. É preciso dar-lhe tempo e a sua competência é indesmentível, mas falhou no primeiro e importantíssimo objectivo para o qual foi contratado.
E o que dizer de Vieira? Que depois de anos de desinvestimento em busca de contas no verde e para abrir espaço a vendas de jogadores formados localmente, fez uma inversão de 180º graus na política desportiva, num período de imensa instabilidade com a Covid-19, de perda de receitas brutal e em que nem a Liga dos Campeões era garantida? Quer-nos mesmo fazer crer que nada tem a ver com as eleições? Torna-se difícil de acreditar. Se no passado exercício, inflacionado com a venda de 126 milhões de João Félix, o Benfica apresentou um lucro de 40 milhões, como vai ser neste exercício, sem tal venda astronómica, com o dinheiro já gasto em reforços e sem as receitas da Champions (e por enquanto de bilheteira)? Ninguém duvida que esta equipa precisava de investimento, mas fazer num mês o que devia ter sido doseado em três anos e neste timing...
Por mais que Luís Filipe Vieira desejasse que este período fosse de bonança e de "no pasa nada", a realidade está-lhe a dar uma valente estalada e aproximam-se semanas de intenso debate eleitoral. Os Benfiquistas têm uma decisão a tomar que é absolutamente fulcral para o futuro do clube: eleger para um 5º mandato um presidente que tem óbvios méritos na recuperação material, financeira e desportiva do Glorioso desde o início do século, mas que se encontra envolto em processos de tribunal que estão a manchar o nome do clube (como este nunca foi manchado) e que por mais anos que passe nunca parece conseguir manter o clube no paraíso desportivamente desejado (e por isso a necessidade de anunciar constantemente "novos ciclos", que mais não são que novas tentativas). Ou então eleger um novo presidente, que provavelmente passará por João Noronha Lopes ou Rui Gomes da Silva. Dois candidatos bastante diferentes que nas últimas semanas têm aumentado as suas campanhas, apresentando ideias e tentando entrar nas luzes da ribalta, mas que precisarão de carregar mais a fundo no pedal, se querem ganhar as eleições. O Benfiquista, principalmente o Benfiquista com 50 votos, é muito conservador e o medo do desconhecido continua a assustá-lo. Até Vale e Azevedo teve 38% dos votos no seu último dia e ainda os estatutos do clube não estavam tão enviesados em favor do líder residente como nos dias de hoje.
Se dúvidas houvesse, o jogo de ontem voltou a reforçar que o Benfica está numa encruzilhada gigantesca da sua História e a decisão tem de ser tomada: os Benfiquistas querem mais do mesmo do que têm tido nos últimos 20 anos, com o que houve de bom e de mau, ou querem algo de novo? Que poderá ser melhor ou pior do que têm tido. Volto ao aluno que tem o exame pela frente e neste caso os alunos são os sócios: estudem. Perguntem. Reflictam. Informem-se. Apliquem-se. Saibam e entendam bem os rumos que o clube pode seguir daqui a um mês e votem em consciência. Não podemos falhar. Juntos temos que voltar a levar o Benfica ao topo. É a nossa obrigação como guardiões do maior clube Português."

Quando o mercado é uma boa notícia


"Liga importa bons nomes, e não é só nos grandes

Quaresma no V. Guimarães, Gaitán no Sp. Braga, Rami, Angel Gomes e Javi Garcia no Boavista, Daniel Fuzato no Gil Vicente, Jaume Grau no Tondela, Martín Calderón e Lucas Silva no P. Ferreira, Ryotaro Meshino no Rio Ave, enfim, o último mercado tem sido bem animado.
Os clubes portugueses, fora dos três grandes, têm aparentemente trabalhado bem e enchem-se de expectativas para a próxima temporada. A verdade é que há na Liga uma natural subida das exigências, o que se torna ainda mais fascinante num ano marcado pela crise pandémica.
O próximo campeonato promete valer a pena e os clubes mais pequenos, ou pelo menos os clubes que não os três grandes, fazem crescer as expectativas.
Tudo aponta que haja mesmo nos jogos pequenos cada vez mais motivos de interesse.
Numa altura em que as gerações mais novas crescem habituadas a ver verdadeiras dream-teams na Liga dos Campeões, é bom fazer notar que dentro de portas também vai havendo cada vez mais entusiasmo. Pelo menos é um bom sinal para o futuro do nosso campeonato.
Agora que role a bola."

João Mário e Jorge Jesus: O possível reencontro


"Num mercado onde o SL Benfica já investiu uma avultada quantia para reforçar o seu plantel, tendo em vista uma grande época 2020/2021, o nome de João Mário tem sido também constantemente associado ao clube encarnado.
Neste caso, seria o reencontro entre João Mário e Jorge Jesus, depois de terem coexistido na época de 2015/2016, representando o Sporting CP, numa temporada onde os leões conquistaram a Supertaça e bateram-se até à última jornada taco a taco com o eterno rival SL Benfica pela conquista da Primeira Liga.
A luta acabou por pender para o lado encarnado, mas nessa época João Mário foi um dos melhores jogadores do campeonato, o que acabaria por lhe valer uma ida, no início da época 2016/2017, para o FC Internazionale Milano pela verba recorde de 40 milhões de euros, a maior transferência de sempre dos leões na altura (apenas superada, há uns meses, pela venda de Bruno Fernandes ao Manchester United FC).
Naquela altura, víamos um João Mário que actuava preferencialmente partindo do corredor direito, variando o seu jogo pelo centro do terreno, em zonas mais interiores, onde fazia uso da sua excelente capacidade técnica, visão de jogo, passe e inteligência, sendo muito importante no esquema montado por Jorge Jesus, mas também em movimentos no lado direito, aproveitando a velocidade e cruzamentos para assistir os avançados leoninos, com destaque óbvio para Islam Slimani.
No final da época, o médio português fez parte da histórica campanha da selecção portuguesa, concluída com a vitória na final do Europeu de 2016 frente à França, onde foi titular e um elemento que garantiu sempre equilíbrio e confiança no modelo do técnico Fernando Santos.
A partir daí, teve uma enorme dificuldade em voltar a mostrar todo o seu futebol de forma permanente e regular como acontecera nessa fase. As passagens por FC Internazionale Milano, West Ham United FC e FK Lokomotiv (as duas últimas por empréstimo em 2017/2018 e 2019/2020, respectivamente) foram todas experiências falhadas e que nunca permitiram a evolução e afirmação do atleta, tal como se previa em idades mais jovens.
Algumas lesões pelo meio, durante os períodos mencionados, assim como a enorme instabilidade e incerteza quanto ao seu futuro a curto/médio prazo podem ainda ser apontados como outros factores que não potenciaram uma integração total e efectiva em novos clubes, com objectivos e sistemas diferentes nos respectivos países e campeonatos.
Com 27 anos, mais de 40 aparições na selecção nacional e um valor de mercado na ordem dos 13 milhões de euros (dados Transfermarkt), João Mário é visto com bons olhos por Jorge Jesus, ainda mais se olharmos ao pormenor para a posição de médio centro dentro das opções no plantel do SL Benfica: neste momento, Taarabt parece ser o único capaz de desempenhar as funções desejadas pelo exigente modelo de Jorge Jesus, contudo, o marroquino de 31 anos certamente não terá pedalada para uma época inteira.
Assim sendo, actualmente, Gabriel e Pizzi não demonstraram o suficiente para jogar naquela posição, isto analisando os jogos particulares disputados pelo clube da Luz.
Com João Mário, as águias ganhariam um jogador polivalente, com capacidade para jogar a médio centro, na direita e até como segundo avançado, se bem que, nas últimas duas posições, o SL Benfica conta nos seus quadros com jogadores como Rafa, Pizzi, Diogo Gonçalves ou o recém contratado Luca Waldschmidt, daí a carência não ser tanta como se verifica na posição 8.
Veremos se o regresso a Portugal e o reencontro com o técnico Jorge Jesus, treinador que conseguiu retirar o melhor rendimento e qualidade do médio português, realmente acontecerão."

O prejuízo de Salónica


"Se a Benfica SAD nada fizer até à data de fecho da janela de transferências de verão, pode registar resultados negativos históricos de, aproximadamente, -140M€! E enquanto isso, Jesus diz que lhe falta um avançado e Luís Filipe Vieira tem eleições de daqui a um mês…

O sucesso financeiro e desportivo de qualquer SAD, e do controlo de gestão do Benfica em particular, tem por base a estrutura de receitas e despesas do ano anterior, os objectivos da época futura e as contingências expectáveis do meio envolvente. Se gerir é (também) antecipar cenários (financeiros) futuros, então também nós podemos reflectir sobre o que aí vem.
Em 19/20 o Benfica registou um resultado líquido positivo de 41M€, suportado por 145M€ de rendimentos com transacção de jogadores e 140M€ de receita operacional (UEFA + TV + Bilhética + Marketing). Em destaque para os excelentes resultados financeiros da época passada estiveram a receita com a venda de João Félix ao Atlético de Madrid (91.4M€), e a participação na UEFA Champions League (49M€). Pois bem, 20/21 ainda agora começou e já se percebeu que vai ser um exercício muito difícil…
No que concerne à receita operacional, aos 140M€ têm de ser já deduzidos 35% da não participação na UEFA Champions League (-49M€) e 1M€, aproximadamente, por cada jogo não realizado em casa (em virtude da pandemia COVID-19). Uma excelente campanha na Liga Europa (1/4° ou 1/2ª finais) pode permitir cerca de 15M€ de receita. Relativamente às transferências de jogadores, o investimento em Darwin Nuñez (24M€), Ewerton (20M€), Pedrinho (18M€), Luca Waldschmidt (15M€) e a ausência de vendas faz com que, actualmente, o saldo seja -78M. Comparado com o saldo de 19/20 de +126M€, a diferença para o ano transacto é de 204M€. Se considerarmos que a mudança de paradigma do futebol do Benfica, assente anteriormente na aposta na formação e actualmente na contratação de jogadores estrangeiros, comporta um aumento da folha salarial, prevê-se que os 86M€ de 19/20 venham a aumentar substancialmente em 20/21.
Ou seja, à presente data, entre compras de jogadores, não participação na Liga dos Campeões e aumento da folha salarial da Benfica SAD, é possível estimar que receita anual venha a descer dos 285M€ para os 105M€, e a despesa anual venha a aumentar de 191M€ para 243M€. A dúvida que emerge é como irá o Benfica garantir os pressupostos do fair-play financeiro em 20/21 relativos (i) ao limite máximo de 60% da folha salarial vs. receita operacional e (ii) ao limite mínimo de resultado anual de -15M€?
Se vender jogadores já era obrigatório antes da tragédia grega de Salónica, hoje então importa fazê-lo sem contratar ninguém para os seus lugares. Pois só assim se poderá equilibrar o saldo de transferências, estancar o aumento da folha salarial, e mitigar o estrago da receita não angariada na Liga dos Campeões. Isto poderá levar a nova aposta na formação substituindo, por exemplo, Rúben Dias, Gabriel e Vinicius por Ferro, Florentino e Gonçalo Ramos.
O all-in desta época desportiva pode vir a ter consequências dramáticas. Se a Benfica SAD nada fizer até à data de fecho da janela de transferências de verão, pode registar resultados negativos históricos de, aproximadamente, -140M€! E enquanto isso, Jesus diz que lhe falta um avançado e Luís Filipe Vieira tem eleições daqui a um mês…"

Devemos confiar nos hackers?


"Num estado democrático de direito, a investigação de irregularidades é uma actividade exclusiva de pessoas devidamente autorizadas, que respondem perante entidades reconhecíveis e competentes e em cumprimento da legislação vigente

Vivemos tempos socialmente conturbados em que, cada vez mais, uma parte substancial dos cidadãos desconfiam da capacidade e da independência das autoridades para fazer cumprir a lei e para penalizar os inerentes incumprimentos, em especial no que respeita aos poderosos líderes dos mais diversos sectores.
Neste âmbito, têm surgido vários hackers que se autodenominam de whistleblowers e que se procuram revestir do papel de vigilantes, como que super-homens dos tempos modernos, procurando justificar o hacking com a alegada necessidade de agir ilicitamente para tornar públicas as mais diversas suspeitas de fraude ou corrupção. Mas será isto verdade? Será isto ético?
Antes de mais, importa perceber o que é um hacker. Um hacker é um indivíduo que possui capacidades informáticas muito acima da média do comum dos cidadãos e que as utiliza para ultrapassar as barreiras de segurança implementadas para indevidamente aceder a servidores e, desta forma, entre outras coisas, obter acesso ilegítimo à informação que qualquer pessoa / entidade aí armazena, podendo a informação ter natureza pessoal, confidencial, ou ser sujeita a algum tipo de sigilo legal.
Adicionalmente, importa olharmos para as possíveis motivações de um hacker, uma vez que, tradicionalmente, este tipo de actividade tem como único objectivo o aproveitamento financeiro da pessoa/ entidade hackeada. Assim, o hacker exige receber valores (frequentemente em forma de criptomoeda não rastreável) em troca de manter o acesso dos hackeados à própria informação ou darespetiva não destruição ou não divulgação.
Ainda assim, o hacker vigilante alega que faz a actividade de hacking como forma de serviço público, procurando divulgar informação alegadamente comprometedora contra pessoas/ entidades, através da comunicação social, de modo a que as autoridades se sintam obrigadas a realizar a inerente investigação/ acusação que, de outra forma, não fariam. Para tal, exigem ser tratados como whistleblowers, tendo protecção legal contra ameaças de terceiros e contra o sancionamento das actividades ilegais que realizaram. 
Qual será a verdade? Analisemos os dados que temos disponíveis…
Antes de mais, e independentemente da origem das suspeitas identificadas, parece-me natural que as autoridades investiguem de forma imparcial e cabal todas as situações, de modo a separar os falsos testemunhos das reais irregularidades.Logo, sendo um hacker sancionado ou não, o fruto do seu “trabalho” deve ser utilizado para que as situações sejam devidamente investigadas e julgadas pelas autoridades competentes, antes de serem consideradas verdadeiras pela comunicação social e pela sociedade.
No que respeita à existência de hackers vigilantes, sou da opinião que, tal como não devem existir super-heróis tipo super-homem a agredir fisicamente pessoas suspeitas de terem cometido crimes, muito menos antes de serem julgados, não devem existir pessoas que sejam autorizadas ou desculpadas após terem vasculhado informações às quais não têm direito de acesso, mesmo que com alegadas motivações altruístas.
Adicionalmente, nada nos garante que estas motivações altruístas sejam verídicas, uma vez que a divulgação de informação privada sempre foi uma das armas que um hacker tem ao seu dispor quando os hackeados não cumprem as suas exigências. Nada nos garante que uma pessoa que queira ter o estatuto de whistleblower não tenha, no passado, procurado chantagear uma ou mais pessoas/ entidades hackeadas.
Sobre a atribuição do estatuto de whistleblower a um hacker também me parece completamente injustificado, já que este estatuto visaproteger denunciantes de situações irregulares com que se depararam de forma involuntária e no decorrer das normais actividades do seu dia-a-dia (sem cometer qualquer crime). Logo, um hacker que deliberadamente procura vasculhar informação alheia (muitas vezes durante largos anos), com motivações desconhecidas, deve ser tratado de uma forma diferenciada.
De igual modo, considerando a sensibilidade de uma investigação de irregularidades, o acesso a dados sensíveis deve ser uma actividade exclusiva de pessoas devidamente autorizadas, que respondam perante entidades competentes e actuem em cumprimento da legislação vigente (o hacking não é uma opção para as autoridades).
Por fim, o argumento mais relevante para que a actividade de um hacker seja devidamente penalizada é a não criação de antecedentes legais que motivem o aparecimento de outros hackers ou a divulgação de informação privada indevidamente obtida quando as pessoas/ entidades hackeadas não cumprem exigências financeiras.
Importa realçar que, mesmo que um hacker tenha acedido a informação que, numa situação específica, lhe pareça relevante para a sociedade, importa realçar que a informação a ser hackeada amanhã pode ser a sua informação pessoal, com a qual pode vir a ser chantageado. Se tiver a percepção de que as autoridades não dispõem de capacidade e/ ou independência para fazer cumprir as leis a que todos estamos sujeitos, deve procurar exigir ao estado que esta situação seja alterada de imediato, o que promove a segurança de todos.Os alegados fins altruístas não justificam a utilização de quaisquer meios, em especial num estado democrático de direito."