Últimas indefectivações

domingo, 8 de abril de 2018

Central de problemas!

"1 - Não é fácil uma equipa resistir a tantos erros individuais como aqueles que o Sporting cometeu em Madrid. Coates e Mathieu tiveram falhas infantis e ofereceram dois golos ao Atlético de Madrid. Fábio Coentrão e Bas Dost viram cartões amarelos de uma forma perfeitamente absurda e vão ficar fora do jogo da segunda mão. Montero falhou um golo nos últimos segundos do jogo de forma escandalosa. Tudo isto é verdade, mas a reacção do presidente do Sporting é inadmissível. Bruno de Carvalho não é um adepto!... Não é um comentador!... Bruno de Carvalho é o presidente do Sporting, mas não se comportou como tal. O que o líder leonino escreveu nas redes sociais é muito grave. Pior ainda é Bruno de Carvalho não ter a noção da gravidade daquilo que escreveu. Não me recordo de uma situação parecida. O que está a acontecer em Alvalade já entra no domínio do surreal! Não consigo imaginar os efeitos que isto possa ter, mas não serão seguramente efeitos positivos. O Sporting continua a ter uma capacidade de se autodestruir que não é vulgar. Depois disto, e depois das proporções que isto ganhou, penso que Bruno de Carvalho não tem condições para continuar na presidência do Sporting. Ele até pode continuar a pensar que o que disse não teve gravidade! Mas teve. Foi muito grave. Foi tão grave que eu penso que não tem conserto.

2 - A minha música da semana vai para Cristiano Ronaldo pelo formidável golo que marcou em Turim. De que planeta vieste, Cristiano?! Um verdadeiro ET do futebol. Para o CR7 fica a canção dos Queen "Bicycle Race".
"Bicycle, bicycle, bicycle... I want to ride my bicycle... I want to ride my bike... I want to ride my bicycle... I want to ride it where I like..."

3 - Pastéis de Nathan foi aquilo que o Porto provou em Belém! Atenção a este brasileiro emprestado pelo Chelsea ao Belenenses: Nathan tem apenas 22 anos e é um belíssimo jogador. Eu não estava, no entanto, à espera de que o Porto perdesse no Restelo. Nas últimas três jornadas, os dragões perderam seis pontos e abandonaram a liderança do campeonato. Claro que o plantel é muito curto e, com lesões e castigos, Sérgio Conceição vê-se aflito para gerir a equipa. Seja como for, não contava com dois trambolhões seguidos. Já aqui o tinha escrito, o FC Porto era, pela qualidade que vinha apresentando, o meu favorito à conquista do campeonato, mas estas duas derrotas, em Paços de Ferreira e no Restelo, podem mudar muita coisa. Vamos ver a resposta que a equipa vai dar nas próximas jornadas. A começar já pelo jogo de hoje no Dragão, frente ao Desportivo das Aves... E depois, claro, na jornada seguinte, na Luz, contra o Benfica. A ausência de Danilo Pereira, logicamente, complica ainda mais as contas a Sérgio Conceição. O Porto não tem um jogador com características parecidas com as do campeão europeu. Herrera e Sérgio Oliveira fazem uma boa dupla, mas não é a mesma coisa. Com a matéria-prima que tem à disposição, muito tem feito o treinador do Porto. Sérgio Conceição faz omeletes com poucos ovos! E quando, ainda por cima, se partem alguns dos melhores ovos... Não se pode pedir tortilha.

4 - Escrevo esta crónica sem saber como ficou o jogo entre o Vitória de Setúbal e o Benfica. Um jogo muito importante para a equipa de Rui Vitória, na jornada que antecede o clássico de dia 15 entre Benfica e Porto. Tenho neste momento esta convicção: se os encarnados ganharem estes dois jogos, serão pentacampeões nacionais. Mas claro, não sei sequer se o Benfica ganhou no Bonfim. Confesso que não acreditava que as águias pudessem estar a voar tão alto neste campeonato! Aliás, fui dando conta disso nestas minhas crónicas ao domingo, mas nunca me escondo e se no final tiver de dar a mão à palmatória, cá estarei, com a humildade de sempre, a reconhecer que estava errado. Para já, este Benfica surpreendeu-me pela positiva!... Mas como terá ficado o jogo em Setúbal?! Vai ser jogo a jogo, batalha a batalha... E atenção à possibilidade de o campeonato se decidir pelo número de golos marcados e sofridos. O campeão vai ganhar ao sprint. Há apenas dois candidatos: Benfica e Porto. O Sporting, apesar da derrota na Cidade dos Arcebispos, até podia ter ressuscitado na Páscoa... Mas os leões matam-se a eles próprios! Agora foi o presidente a dar vários tiros na equipa! O leão ficou ferido de morte... E já dificilmente se levanta."

Da bicicleta

"Naquele golo no Mundial de 38 que levou a que se dissesse que era preciso esfregar os olhos para se ver o que era a magia negra, Leónidas ficou, todo ele, metido, sublime, na frase em que Galeano o sintetizou: tinha o tamanho, a velocidade a malícia do mosquito. Mas não, não foi ali, assim, que se criou o pontapé de bicicleta, Galeano também o contou:
- Foi Ramon Unizaga que inventou a jogada, no porto de Talchuano: com o corpo no ar, de costas para o chão, as pernas disparavam a bola para trás, num repentino vai-vém de tesoura.
Unizaga fora pequenino do País Basco para o Chile, lá se fez jogador de futebol e a chalaca imaginou-a para defender a não para atacar - pois era defesa:
- Numa ocasião, árbitro assinalou-me falta, alegando que podia matar o adversário. Disse-lhe que outros a tinham aceite, pôs-me fora de campo, o caso acabou comigo à bofetadas com ele.
Se Unizaga inventou a chalaca, David Arellano internacionalizou-a (e fê-la arma de ataque). Em 1927, o Colo Colo lançou-se a digressão pela Europa. No Porto, misto do FC Porto-Salgueiros ganhou-lhe por 2-1. Em Lisboa, bateu por 4-2 misto Benfica-Sporting. Por 2-1 voltou a perder em Setúbal com o Vitória que ganhara o Campeonato de... Lisboa. Saltaram os chilenos para Espanha, por lá Arellano fez o que não fizera por cá: golo à Unizaga. Os espanhóis chamaram-lhe la chilena. No jogo seguinte, em Valladolid, no fecho de mais um pontapé em pirueta, um defesa caiu sobre ele, enfeixou-lhe os joelhos como espadas no peito, causando-lhe a peritonite que o matou.
História feita, não sou capaz de dizer que a mais bela bicicleta da humanidade tenha saído dos pés de Ronaldo em Turim mas que ele é o Maior Atleta a Jogar Futebol de Sempre e o Maior Futebolista Europeu de Todos os Tempos - sim.

PS: Consegui o que queria: não falar do insano autogolo que vi marcado em pontapé de triciclo (infantil) de Lisboa para Madrid - no Facebook. E ainda mais destrambelhado foi o outro, de mais perto e depois (que podia ter acabado pior...)."

António Simões, A Bola

PS: Esta obsessão em comparar jogadores de eras diferentes, dizendo que um é melhor do que o outro, é ridícula!

Cristiano Ronaldo ou o exuberante minimalista

"É tempo de felicidade para Cristiano Ronaldo, como é habitual nesta altura da temporada. Ele afina-se como ninguém quando chegam as semanas decisivas, as que decidem os grandes títulos e marcam o palmarés dos jogadores. Duas explosivas actuações frente ao París Saint Germain e à Juve devolveram-lhe toda a notoriedade que perdeu nos últimos meses de 2017. Ganhou a Bola de Ouro, mas o Real Madrid defraudava na Liga e Cristiano atravessava uma insólita seca goleadora. Falou-se de declínio e de conflito com o clube, que não desejava pagar a Cristiano o mesmo dinheiro de Messi, 40 milhões de euros anuais. O debate alcançou uma magnitude desconhecida até agora. De algumas tribunas jornalísticas catalogou-se Cristiano Ronaldo como um problema para o Real Madrid. O debate ficou, no entanto, totalmente sufocado. O dianteiro português recuperou a tempo todo o seu esplendor: alveja as balizas, a sua actividade é constante e a sua ambição contagia toda a equipa. O Real Madrid, que há dois meses estava a 21 pontos do Barça na Liga espanhola, tornou-se no principal favorito para conquistar a Liga dos Campeões. A razão é simples: Cristiano Ronaldo voltou a entrar em ebulição.
Nunca há dificuldade em justificar a importância de Cristiano Ronaldo no Real Madrid. As estatísticas estão sempre do seu lado. Marcou pelo menos um golo em cada uma das últimas 10 partidas da Liga de Campeões. É o máximo goleador da prova (104 golos com o Real Madrid e 16 com o Manchester United) e ganhou três das últimas quatro edições da Liga dos Campeões. Nem sequer ficou um rasto da sua surpreendente debilidade na primeira volta da temporada: apenas marcou um golo nos seus primeiros 61 remates. Nas últimas semanas deu a volta a todos os números. Cristiano Ronaldo apontou 18 golos nos últimos 61 remates à baliza.
Sob qualquer perspectiva, os seus números são assombrantes. É um martelo estatístico, mesmo agora, com 33 anos, uma idade que convida a pensar na retirada dos jogadores. As estatísticas mostram-no tão activo como nos seus melhores anos, mas a sua hierarquia explica-se melhor pela qualidade dos seus golos. Em Turim, marcou um golo tão extraordinário que, em termos de dificuldade, beleza e precisão, discute com a célebre virada de Zinedine Zidane na final de Glasgow 2002, frente ao Bayer Leverkusen. Não há suficientes adjectivos para elogiar a sua "chilena", nem tão pouco o seu primeiro golo num remate com a parte exterior do pé direito que surpreendeu Buffon, que sensibilizou os defesas italianos e os 40 mil adeptos da Juve.
É, aliás, conveniente precisar a natureza dos golos. Cristiano Ronaldo marcou-os a um toque, no primeiro aproveitando a velocidade e a astúcia para adiantar-se à defesa italiana. Do segundo já se disse tudo: é um alarde de potência, agilidade e precisão. O melhor do atleta e do futebolista reuniram-se numa "chilena" memorável. Os dois golos mostram um jogador num perfeito estado físico, um rematador implacável e o melhor avançado centro do Mundo.
Em Turim, viu-se mais do que nunca o percurso de Cristiano Ronaldo como futebolista. O extremo potente e habilidoso do Sporting ampliou o seu raio de acção a toda a frente de ataque no Manchester United e ampliou mais o cenário no Real Madrid. Houve três ou quatro anos de Ronaldo em que ameaçava o golo desde qualquer zona do campo. Essa zona de influência reduziu-se nos dois últimos anos. Transformou-se num voraz avançado centro, menos influente no jogo, mas insuperável como rematador.
O seu percurso como futebolista mostra o aproveitamento máximo do seu tremendo potencial, expresso numa ambição sem limites e num inteligência para adaptar-se às necessidades de cada posição. Nos seus primeiros anos, acusava-se Cristiano Ronaldo de barroco. Gostava tanto da bola que pretendia monopolizá-la. Era um regateador impertinente. A sua rapidíssima progressão permitiu-lhe converter-se num goleador de magnitude histórica, sem abandonar o seu fascínio pela bola. A Cristiano não lhe agradava estar na área. Queria desfrutar da bola. Isso era mais visível quando arrancava de trás, preferencialmente desde o lado esquerdo. Não era fácil pensar neste clínico Cristiano Ronaldo, transformado num minimalista do remate. É tão crucial como sempre no Real Madrid, mas o seu exercício de reconversão fez-nos descobrir um futebolista fascinante. Tantos anos depois, Cristiano Ronaldo derivou para um dianteiro insólito: o exuberante minimalista."

A magia e o lodo fora de jogo

"Uma impulsão de 1,41 metros e um golo marcado de bicicleta, num gesto perfeito em que o pé de Cristiano Ronaldo atingiu os 2,38 metros. Não é a matemática do lance que explica a maré de notícias sobre o polémico mas incontornável nome do futebol mundial: nada menos do que 23 160 artigos online, em apenas três dias, um pouco por todo o Mundo e sem contar com os milhares produzidos em Portugal.

As contas são apenas mais um dado a comprovar o momento único vivido pelo jogador na semana passada. Um momento de magia, que vale mais do que parece. Naqueles segundos rápidos em que a bola voa para o fundo da baliza de Buffon, e em que o estádio da Juventus emudece para logo a seguir se levantar a ovacionar o mago, é como se um lance bastasse para nos reconciliar com o futebol.
Já passaram vários dias, mas aquele golo em Turim ficará para a história. Como ficaram outros de Pelé, de Maradona, Cruyff, Rummenigge ou Bobby Charlton. Porque no fim de contas é isso que vale, a excelência dentro das quatro linhas. Como se de tempos a tempos fosse preciso um momento invulgar para lembrar que nada do que tem intoxicado o espaço público sobre a Liga portuguesa é futebol. Nem e-mails, nem lavagem de roupa suja nas redes sociais, nem presidentes a bradar contra jornalistas, contra adeptos, contra outros clubes ou contra os seus próprios jogadores.
O futebol sobrevive a casos de polícia, de política e de má educação e cabe-nos exigir que sejam tomadas medidas para que o lodo fique sempre fora de jogo. O futebol é talento, suor, festa rija nas bancadas. E trabalho, doses monumentais dele. Porque para chegar ao topo, um futebolista tem de treinar intensamente, cumprir horários que a maioria na sua idade não consegue respeitar, fazer sacrifícios e saber que mesmo assim terá de contar ainda com uma ponta de sorte.
A lição de Ronaldo (questões pessoais à parte) é a sua capacidade de trabalho. Treinou sempre obsessivamente, mesmo quando os colegas paravam. A comprovar que o talento não chega. Cultiva-se e dá trabalho. Será inadmissível permitirmos que a magia seja ofuscada pelo barulho daquilo que não é futebol. Dirigentes desportivos, políticos com poder para legislar, justiça no que for da sua esfera, adeptos na responsabilidade própria e na que devem exigir aos respectivos clubes: a tarefa é gigantesca e precisa de todos."

Benfiquismo (DCCCI)

...à boleia!!!

Rúben e Martin Lula King: "Se o meu crime é dar felicidade a milhões e ajudar a ganhar o penta, esse crime eu cometi" (...)

"Bruno Varela
Não sofria golos em jogos oficiais há 44 dias. Retomarei a análise da sua exibição assim que conseguir assimilar este facto.

André Almeida
Depois da paixão louca por um lateral surpreendentemente eficaz que soma tantas assistências como Grimaldo e Salvio juntos, assistimos hoje ao regresso de Almeidinhos, o defesa algo intranquilo e dado ao erro não forçado que estava melhor no banco de suplentes ou a fazer comentários bem humorados nos posts dos colegas. Por outro lado, a minha confiança em André Almeida é tal que já me convenci da intencionalidade de tudo isto. Elogie-se por isso a excelente gestão de esforço que quase nos custava 2 pontos.

Rúben Dias
Voltou a fazer uma exibição dura mas leal, aquele tipo de adjectivos que os adeptos dos adversárias gostam de utilizar quando têm na sua equipa um central sarrafeiro, pouco dado a poesias, e tremendamente eficaz. Já Rúben Dias é um criminoso e merece prisão perpétua. No dia em que o prenderem, meus amigos, espero que o Rúben reúna alguns milhares de apoiantes no Estádio da Luz e diga alto e bom som que nem Martin Lula King hoje em São Bernardo de Campo: “meus amigos, se o meu crime é tornar milhões de pessoas mais felizes, retirá-las dos escombros de anos de derrotas, e ajudar a tornar a maior instituição deste país um digníssimo pentacampeão, então sim, esse crime eu cometi.”

Jardel
Agora que já se regulamentou a utilização de drones em Portugal, é preciso decidir o que vamos fazer em relação a Jardel. É certo que por enquanto só há um jogador com esta capacidade de perturbar o espaço aéreo português, mas é sempre assim que estes fenómenos começam. Também diziam que a cantera do Seixal não formava ninguém de jeito e vejam o que aconteceu.

Grimaldo
77 minutos a ouvir uns tipos quaisquer na bancada pedirem o regresso de Eliseu ou insistirem que até eles faziam melhor. Muita paciência teve ele para não abandonar o relvado mais cedo.

Pizzi
Joga mais parado do que muita gente a correr. A sério. Literalmente. Felizmente joga num clube de gente bem formada capaz de compreender que os futebolistas também têm dias menos bons, senão já teria sido insultado, suspenso e finalmente reintegrado no plantel.

Fejsa
Feito. Até p’ra semana, amigos!

Zivkovic
Profundidade e inteligência quanto baste para justificar a sua presença no centro do terreno a fazer o que tão bem sabe, linhas rectas e triângulos com os colegas Cervi e Grimaldo (que hoje mais pareceram quadrados, como diz o outro). Infelizmente Rui Vitória discordou e eu já aprendi que não se deve discordar dele.

Rafa
Assistência para golo e abnegação quanto baste para justificar a presença em campo durante os 90 minutos. Infelizmente Rui Vitória discordou e eu já aprendi que não se deve discordar dele.

Cervi
Os mais atentos sabem que não utilizo estes textos para apoiar causas sociais, mas desta vez parece-me que o tema se justifica. A utilizadora @vermelhinha do Twitter apela a todos os adeptos do Benfica para que publiquem algo nas redes sociais com o hashtag #QueremosOCerviBebado. Este movimento cívico visa essencialmente a obtenção do pentacampeonato para que Franco Cervi possa voltar a beber sem moderação em direto na BTV. Vamos a isto, benfiquistas. Todos juntos seremos poucos. Fora isso, foi uma exibição morninha, ao contrário da cerveja que ele vai beber daqui a umas semaninhas no Marquês.

Jiménez
Tal como Rui Vitória, foi injustamente subvalorizado por imbecis como eu. Tal como Rui Vitória, se continuar assim arrisca-se a ter uma estátua algures no Estádio da Luz. Hoje não foram quinze minutos à Benfica. Foram noventa à Jimenez. Marcou mais dois golos, o segundo decisivo para as nossas aspirações. De pénalti. Aos 92 minutos. A uma semana de recebermos o FC Porto. Jimenez não quer saber das estatísticas, nem da adversidade, nem do autocarro e muito menos parece querer saber da pressão. Aliás, parece sentir-se melhor quanto mais adversas forem as circunstâncias. Ficam por isso algumas sugestões para o próximo fim de semana: calcem-lhe umas chuteiras sem pitons, ponham-lhe uns pesos nos tornozelos, coloquem meia dúzia de adeptos do FC Porto atrás do banco de suplentes a insultar a mãe dele, e, muito importante, posicionem alguns snipers no piso 3 a apontarem as suas miras na direcção da sua testa, e verão se ele não entra em campo aos 75’ destinado a selar a nossa vitória rumo ao penta.

Seferovic
A sua entrada em campo foi um apelo à capacidade de superação dos colegas, que a partir daí jogaram em inferioridade numérica. Motivos desconhecidos levaram-no a recuar várias vezes no terreno para assumir a construção do jogo ofensivo da equipa. Teria sido cómico se não estivéssemos empatados no momento em que isto aconteceu.

Salvio
Mais um dia no escritório, que no caso de Salvio é a lavoura. Pegou ao serviço munido de um sonho e uma enxada e só de lá saiu depois de cavar o pénalti mais saboroso dos últimos tempos.

Samaris
Juro-vos pela minha saúde que, instantes antes de perceber quem iria entrar em campo para substituir, disse a uns amigos “epá, não quero saber, metam o Samaris e ele que acerte em todos os que conseguir”. Felizmente não chegou a ser necessário e todos ganhámos com isso: os atletas, os adeptos, os dirigentes, enfim, o futebol português, mas, ainda mais importante do que isso, o Benfica."

Um Azardo Kralj, in Tribuna Expresso

Cadomblé do Vata

"1. Antes de mais: Jonas lesiona-se no aquecimento? Querem-me dizer que a estrutura que está 10 anos à frente da concorrência, não mete o Pistolas numa redoma desde o apito final de um jogo e o silvo inicial do outro?
2. A vitória do SLB foi um castigo merecido para a arrogância do Couceiro... queria-nos humilhar roubando pontos ao Glorioso com o Luis Filipe em campo.
3. Os golos do Jimenez valeram 3 pontos, a liderança isolada e evitaram que o nosso Presidente arrasasse a equipa no Facebook... oh desculpem... clube errado...
4. Mais uma semana a dormir no primeiro lugar faz-me bem à saúde... o topo do pódio é tão confortavel como uma cama do Hilton... o segundo posto é um sofá cama na Pensão Estrelinga. O 3° lugar são pedras da calçada atropeladas por uma manada de bisontes.
5. A segunda parte chegou a ser preocupante com um regresso inexplicável ao chutão para a cabeça dos 2 troncos lá na frente... regressão maior, só se a indústria automóvel cagasse (ainda mais) de alto para o ambiente e voltássemos à gasolina Super e Normal."

Vermelhão: Sofrimento...

Setúbal 1 - 2 Benfica


Não foi bonito, mas deu 3 pontos!!! Depois da 'euforia' com a liderança isolada, passei a semana toda a 'acalmar' Benfiquistas, nada está ganho, o caminho para o Penta está repleto de dificuldades, e armadilhas... Hoje, não era preciso ser um génio para perceber que o jogo iria ser complicado: o Benfica o ano passado, não conseguiu ganhar a este Setúbal para o Campeonato, treinado pelo Couceiro. Este ano já tínhamos tido um jogo 'desgraçado' da Taça da Liga em Setúbal!!! Semana toda a chover, o campo ia estar pesado...
Para complicar as coisas, ficámos sem o Jonas a poucos minutos do início da partida!!! Eu escrevi na crónica do jogo do Guimarães, que me pareceu ver o Jonas com movimentos 'estranhos'... aparentemente o problema é nas costas, hoje, as dores foram mais fortes... Mas, tão importante como a ausência do Jonas em campo, com a respectiva titularidade do Jiménez, quando chegámos aos 60 minutos, não tínhamos o Jiménez no banco, para fazer a substituição 'revigoradora'!!! E curiosamente foi mais ou menos na altura da 1.ª substituição, o pior momento do Benfica em campo...!!!
Além da vitória, a outra boa notícia, foram os 'não amarelos' do Jardel e do Fejsa!!! Sendo que agora, o Rúben também está à 'bica'!!! Com os dois Centrais à bica, é óbvio, que não podem levar Amarelo no mesmo jogo!!! E com o Veríssimo ou o Soares Dias na próxima jornada, não vai ser fácil!!!
Já que estamos no tema: inacreditável nomeação do Godinho para o jogo de hoje, depois da 'merda' que fez em Braga, foi premiado com mais um jogo do 'título'!!! Isto só pode significar que o Fontelas 'gostou' do golo mal anulado ao Braga a semana passada!!!
Hoje, fartou-se de perdoar Amarelos aos Setubalenses, só mostrou a um Avançado, a Defesa e o Meio-Campo do Vitória, tiveram 'via verde' para dar pau... Mas como é óbvio o 'tema' vai ser o suposto 2.º Amarelo ao Rúben...
O penalty é claro, o parvo do Luís Filipe 'meteu' as mãos no Salvio, o Toto tetraliza depois, mas a falta existe... No golo anulado ao Jardel, o fora-de-jogo é milimétrico, mas parece existir (não é fácil definir o momento do passe, porque o corpo do Jiménez e do defesa do Vitória, 'tapam' o ângulo!)...
Começamos o jogo a perder, levámos algum tempo a assumir o jogo, mas os últimos 25 minutos da 1.ª parte foram todos nossos... O 1-1 ao intervalo, já era curto... O 2.º tempo começou 'mole', e entre os 60 e os 70 minutos tivemos os nossos piores minutos.
As substituições, com as alterações tácticas, não resultaram... Como já escrevi faltou o 'efeito' Jiménez a saltar do banco!!! Mas como é normal, enquanto as nossas alterações foram sempre ofensivas, o Setúbal quando começou a 'rodar', recuou... e acabou por 'dar' a iniciativa ao Benfica... e voltámos a ser felizes!
Independentemente da avaliação à exibição, só o Benfica 'podia' ter ganho este jogo: dominámos a posse de bola, a diferença no número de ataques e remates foi grande, o Setúbal só 'assustou' durante um período de 10 minutos... Eu sei que se farão outras análises, dando a ideia que o jogo foi equilibrado, mas não foi...!!!


O MVP só pode ser o Jiménez, que de regresso à titularidade, muitos meses depois, marcou os dois golos... e participou em muitos outros ataques, com remates perigosos! É impossível não gostar do Raúl... O Zivo e o Cervi para mim estiveram bem, o Rafa esteve apagado, mas o cruzamento para o 1.º golo é meio-golo...
Notou-se que o Fejsa esteve 'condicionado', e isso influenciou muito a recuperação de bola, com impacto em todos os sectores...
Negativamente: o Grimaldo não esteve nos seus dias...!!!
Neste momento somos líderes com 4 pontos de vantagem. Amanhã, poderemos só ter 1 ponto, mas no próximo jogo na Luz, o adversário está obrigado a ganhar! Pode parecer um pormenor, mas não é... O facto destas duas últimas partidas (Vitórias...!!!) não terem sido espectaculares, não quer disser nada. A dinâmica do jogo com os Corruptos, será completamente diferente...


Uma das grandes 'vantagens' da vitória desta noite, é que agora - nos próximos dias... -, vamos poder apreciar a palhaçada esverdeada, com os 3 pontos no bucho!!! Um dos meus maiores receios, é que existisse, hoje, alguma descompressão, fomentada pelas distracções do Babalu!!! É muito importante, jogadores, treinadores, dirigentes e também os adeptos, não ligarem muito ao que se passa no Sanatório da 2.ª Circular... O principal inimigo é outro!!!

Estamos na Final...

Benfica 3 - 0 AA Espinho
25-15, 25-11, 25-15

Mrdak(13), Zelão(13), Honoré(13), Winters(8), Lopes(8), Violas(1), Gaspar, Vinhedo, Filip, Dusan; Casas, Gentil

Amanha pelas 18h30 vamos ter a Final esperada da Taça de Portugal, Benfica - Castêlo da Maia (também derrotou o Leixões por 3-0)!
Hoje, o jogo teve pouca história... mas amanhã temos que jogar concentrados, porque o Castêlo tem uma boa equipa...

PS1: Hoje, em Melres, o Fernando Pimenta sagrou-se Decacampeão Nacional de Canoagem de Fundo em K1. O João Ribeiro terminou em 2.º...
No sector feminino, a 'história' repetiu-se: Teresa Portela ganhou, e a Joana Vasconcelos ficou em segunda!

PS2: Gostei de ver hoje de manhã a 'pequenada' a correr na Luz, amanhã temos os graúdos!!!

Vitória em Vila do Conde...

Rio Ave 3 - 5 Benfica

Jogo complicado, até porque a meio da semana a Selecção nacional fez 2 jogos com a Sérvia, com vários jogadores do Benfica (a marcarem praticamente todos os golos da Selecção), sendo assim a equipa chegou a esta jornada, 'cansada'!
Destaque para a estreia do André Correia, como titular na baliza (o Roncaglio esteve no banco)!

Empate em Penafiel...

Penafiel 1 - 1 Benfica B


Marcámos primeiro, mas pouco depois um auto-golo do Kalaica, empatou o jogo. O 2.º tempo foi bastante motivado, com o Penafiel a festejar 2 golos anulados e com um visitado a ser expulso, deve ter sido quentinho...!!!

Juniores - 6.ª jornada - Fase Final

Benfica 1 - 1 Braga
Duk

Biai; Pinheiro, Álvaro, Loureiro, N. Tavares; Vukotic, D. Tavares (Capitão, 92'), Pinto; Jota, Santos (Félix, 90'); Duk (Nóbrega, 56')

Mantemos a liderança, agora com 3 pontos sobre o Sporting, num um jogo onde chegámos à vantagem a jogar com 10, mas depois nos últimos minutos não conseguimos aguentar os 3 pontos! A presença do Félix no banco também explica alguma coisa...

Juvenis - 1.ª jornada - Fase Final

Belenenses 0 - 0 Benfica

Monteiro; Ferreira, Penetra, Saldanha, Tavares (Brazão, 74')); Jocu, Ronaldo (Bernardo, 63'), Cunha (Gouveia, 55'); Jair, Ramos; Gomes

Nunca é fácil jogar neste suposto campo de futebol de 11 no Restelo, mais parece um recinto de Futsal!!! Mas desta equipa espera-se mais...

Eliminação...

Corruptos 9 - 2 Benfica

O que se passou hoje foi grave. Entrada suicida no jogo, com um 6-0 em poucos minutos... Horrível, contra-ataques constantes e falta de atitude de alguns jogadores...!!! Já se sabia que a vantagem de 1 golo era curta, mas...
Espero que a cabeça da equipa ainda esteja nos títulos em disputa esta época, e não nas transferências!!!

PS: Mais uma vez, os nossos adeptos foram totalmente desrespeitados pelas autoridades, nada de novo aqui, também...

A importância da capacidade de abstracção

"Não era suposto ver-se o Benfica no 1.º lugar nesta altura do campeonato. Nem nesta altura, na verdade, nem em nenhuma altura. Era suposto ver a equipa do Benfica soçobrar, condicionada, como não poderia deixar de estar, perante a campanha de dissolução permanente concertada no Hotel Altis pelos altos (baixos) comandos da comunicação dos rivais e pelas, isso sim, preocupantes surtidas do Ministério Público ao Estádio da Luz. Independentemente de como o campeonato se venha a resolver, não deixa de ser notável a capacidade de abstracção da equipa face ao ambiente supremo de hostilidades em torno do emblema tetracampeão. Por estas razões tão devastadoras para o ânimo geral, nunca serão suficientes as palavras de gratidão dos benfiquistas para os seus técnicos, capitães e jogadores que nos vêm entretendo, e frequentemente deliciando, com uma campanha à altura dos pergaminhos do Benfica dentro das quatro linhas do campo.
Esta noite é em Setúbal que o Benfica joga o seu destino. Se não respeitar o adversário, se não correr mais e se não lutar mais do que o adversário, dificilmente o Benfica sairá vencedor. Vêm estas generalidades a propósito da discussão sobre a utilização de Fejsa hoje com o Vitória Futebol Clube. O sérvio, como é do conhecimento geral, pode falhar o jogo seguinte – com o FC Porto no Estádio da Luz – no caso plausível de ver esta noite um cartão amarelo.
Há quem entenda que a Fejsa deveria ser poupada a deslocação ao Bonfim de modo a garantir a sua presença no próximo clássico. Discordo. O campeonato joga-se jornada a jornada e o jogo com o Vitória é, neste momento, mais importante do que a recepção ao FC Porto. Não duvidando de que o Benfica, sem Fejsa e com muita aplicação, poderá vencer os seus jogos com Vitória e com o FC Porto – o Paços de Ferreira e o Belenenses, ambos sem Fejsa, já venceram este ano a equipa de Conceição… – seria uma desconsideração à equipa setubalense retirar esta noite o sérvio do onze titular do Benfica. E quem diz Fejsa, diz Jardel, que se encontra exactamente na mesma situação disciplinar. Carrega, Benfica. Carrega a sério, Benfica.
Dizem os aritméticos que o Sporting se despediu da luta pelo título em Braga e são capazes de ter alguma razão, tendo em conta a ânsia com que o presidente do clube vem reclamando palco num infindável cacharolete de afrontas, de vaticínios clínicos fatais e de desconsiderações múltiplas, não poupando nem criancinhas minhotas nem tradições do hemiciclo parlamentar nem os seus próprios jogadores. Tudo serve e servirá como factor de distracção. Ei-lo que se faz ‘aparecer’ em infantis montagens fotográficas como responsável no momento de glória de Ronaldo em Turim para logo se fazer desaparecer como responsável nos momentos inglórios da sua equipa em Madrid. Triste e velhíssima cartilha a sua. A capacidade de abstracção dos sócios e adeptos do Sporting perante isto não deixa de ser também notável."

Ousadias da existência

"Deu-se o acaso de, numa semana, o FC Porto perder no Restelo e o Benfica jogar hoje no Bonfim, estádios clássicos de Belenenses e V. Setúbal, clubes  que, mais do que quaisquer outros, têm enfrentado problemas existenciais nas últimas décadas. Primeiro, porque andaram em tempos numa primeira linha; segundo, porque pela vizinhança alimentaram competição com Benfica e Sporting que também os fez crescer. Assim, merecem interpretação duas coisas: a forma como Silas, depois de vencer o FC Porto, falou ao coração dos belenenses dizendo «isto não é uma ponte, é o Restelo!». Segundo, a decisão do Vitória de, pela primeira vez, proibir adornos do visitante nas bancadas centrais.
Acho bem. E acho bem porque estes clubes (há outros claro) perderam tudo: estatuto, dinheiro, sonhos de campeão, adeptos. No sorvedouro moderno parecem sentir-se cada vez mais obstáculos no caminho dos grandes, constrangidos a escolher entre serem rivais ou aliados deste ou daquele. E quando os adeptos da casa dizem Restelo ou Bonfim parece sentir-se, neles, um impulso da história. A casa é o que lhes resta na comparação com os grandes e vê-la, um dia, terminantemente fácil, invadida, será o fim dessa identidade emocional.
Talvez, com mais tempo, clubes como o Belenenses e o Vitória não possam evitá-lo. Talvez os grandes com que se comparam nem tenham culpa dos caminhos que as sociedades/economias, traçaram. Jogos como estes, em todo o caso, enleiam forças regeneradoras, quase a possibilidade de um título que não se ganha por jornadas, antes por combate, como no boxe. Como se o Belenenses pudesse roubar um troféu ao Porto ganhando-lhe só uma vez. Ou o Vitória ao Benfica. É essa presença caseira, de combate único, o que lhes resta de uma velha nobreza. A última ousadia é existir."

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

Os políticos, enfim, movem-se...

"Como a intervenção espontânea e obsessiva de Bruno de Carvalho na Assembleia da República se tornou numa dádiva de valor inestimável.

Um dia inteirinho de pesada e demasiada estrutura programática na belíssima e digna sala do senado, na Assembleia da República, só para se falar de desporto. Desta vez, não do desporto prazenteiro, bem sucedido e pronto à homenagem com fotografia de família, mas do desporto visto através de um dos seus problemas mais preocupantes: a violência.
Demorou a preocupação parlamentar, tardou a responsabilização política, surpreendeu a desvalorização do governo mas, enfim, a política, com todo o seu carrego de análises de prós e do contra, acabou por entender ser melhor mover-se do que, mais tarde, vir a sofrer o dissabor de ser apontada a dedo na eventual responsabilidade, por inacção e desleixo, de uma qualquer tragédia nacional provocada em recinto desportivo ou seus arredores.
O acontecimento, traduzido em forma de conferência pública, acabaria por ter um efeito inesperadamente conclusivo: Por duas razões essenciais: a primeira, pela responsabilidade efectiva, que foi totalmente assumida por muitos dos participantes que tiveram o respeito que é devido à grande casa da democracia e de todo o povo português, estruturando as suas intervenções, enriquecendo-as com uma argumentação assente no conhecimento e apresentando conclusões objectivas; a segunda, mais imprevista, mas não menos importante para a análise e futura decisão política, pela espontânea intervenção do presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, que ofereceu, em directo e ao vivo, uma visão clara do que está, verdadeiramente, no cerne da questão do quadro de violência verbal em que assenta um inquietante clima de conflito global, que deforma consciências, vandaliza as emoções clubísticas, tornando-as cegas de tão extremas, que arrasa qualquer conceito de valor e ideal desportivo, que penetra e mobiliza as hordas mais sectárias dos adeptos mais violentos e que usam os clubes como escudos da sua obscura acção.
Sem querer, Bruno de Carvalho conseguiu transmitir ao evento a natureza de uma realidade que, por norma, não é expectável encontrar num cenário tão formal. E essa foi a inestimável dádiva que o presidente do Sporting a todos ofereceu, naquele seu modo directo, rude e sem filtro, que usa para atirar argumentos e verdades únicas à cara de todos os que se atrevem a discordar ou, pura e simplesmente, a não dizer sim.
Evidentemente que a constante e quase obsessiva intervenção do presidente do Sporting pode ter soado a uma intolerável incontinência a quem está habituado a uma certa lógica de formalismo comportamental, mas teve, em si mesma, a extraordinária virtude de toda a gente, mesmo gente que apenas teria uma leve ideia do que verdadeiramente estava em causa, perceber, com rigor, de que estávamos todos, ali, a falar.
Quando Bruno de Carvalho anunciou que «toda a gente só estava ali porque existem clubes» e reformulou qualquer tese científica da essência nuclear do desporto; quando proclamou que só faltava os jornalistas «exigirem carro com motorista» para irem trabalhar para os estádios; quando se insurgiu contra o presidente da Federação, da Liga, da APAF; quando duvidou de pertinência do ministério público e do Conselho Superior da Magistratura; quando atacou a qualidade e oportunidade de intervenção das forças de segurança, que tinham apresentado números e factos de incidentes, Bruno de Carvalho, embora sem o suspeitar, tornou-se uma figura imprescindível para que o sector político, menos conhecedor das razões que verdadeiramente preocupam o universo desportivo, pudesse, enfim, entender a realidade em toda a sua dimensão.
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

sábado, 7 de abril de 2018

Do surreal

"Se tem ainda alguma noção da realidade (as últimas horas legitimam as dúvidas), até Bruno de Carvalho terá já percebido que foi longe de mais. Foram muitas, ao longo de cinco anos em que nunca pareceu perceber que há enorme diferença entre o que pode dizer como adepto e aquilo que pode dizer como presidente, as vezes que pisou o risco. Desta vez ultrapassou todos os limites. Não há, em Portugal, precedentes de um presidente criticar em público, de forma tão veemente e personalizada como BdC fez poucos minutos depois da derrota em Madrid, os seus próprios jogadores. Mas não se ficou por aí. Face à reacção - estaria mesmo à espera que se calassem? - do plantel, decidiu anunciar a suspensão de 19 futebolistas (veremos se não serão mais...), partindo para uma guerra que não se vislumbra como pode ganhar.
Há duas hipóteses que podem explicar o comportamento de BdC:
a) faz parte de uma estratégia, sendo que a única que faz sentido é querer que o treinador (Jesus, que se sabe estar no lado dos jogadores, não pode demorar muito mais a afirmá-lo em público) assuma uma posição que lhe permita despedi-lo, sem olhar para as consequências para o final de uma época que não estava perdida;
b) não tem qualquer noção da gravidade do que disse na noite de quinta-feira.
São, ambas, muito graves.
Feito o estrago, o que se segue? Hipóteses:
1) Bruno de Carvalho demite-se;
2) reconhece o seu erro e pede desculpas aos jogadores:
3) os jogadores engolem o sapo e voltam atrás;
4) BdC marca eleições (ou uma AG...) e espera que os sócios voltem a legitimar uma atitude sem legitimação possível.
Uma coisa é certa: nesta guerra interna (mais uma) inventada por Bruno de Carvalho não haverá vencedores. Mas há, já, um perdedor claro: o Sporting, que como presidente devia defender acima de todos os interesses, inclusive os seus próprios."

Ricardo Quaresma, in A Bola

Um ataque inaceitável

"Surreal. Absurdo. Inacreditável. A crise que se precipitou em Alvalade provoca reacções de espanto e incredulidade. Mas também de indignação pela situação em que fica um clube da grandeza e do prestígio do Sporting. O que está a acontecer é um ataque a uma instituição que merece maior respeito.
É um ataque interno e, por isso, incompreensível e inaceitável. O Sporting está na agenda do dia por evidente falta de bom senso e equilíbrio emocional. Motivos que deveriam resistir a impulsos irreflectidos ou ataques de fúria que mais parecem ser acessos de loucura.
O resultado e as incidências do jogo de Madrid, por muito frustrante e desesperantes que tenham sido, não podiam descambar numa situação que coloca o Sporting em estado de sítio. A reacção de Bruno de Carvalho após a derrota com o At. Madrid foi um ataque tão inoportuno quanto fulminante. Em vez de respirar fundo, descarregou a raiva com a autoridade que o cargo lhe confere mas sem sentido de responsabilidade.
As consequências são imprevisíveis e os danos podem ser irreparáveis. Faz lembrar o verão quente do FC Porto, em 1980, quando Pedroto e o plantel foram solidários com Pinto da Costa. O único que saiu a perder foi o clube."

BdC acabou

"As épocas têm, dizem os fazedores de perfumes, um certo l"air du temps ou, dizem os filósofos, um Zeitgeist - um não sei o quê que as define. Receio que a atual tenha isto: de repente, aparecem uns excessivos que arregimentam multidões em assembleias gerais de clubes ou em eleições políticas, apesar de as suas bizarras palavras parecerem implorar para que não sejam escutadas. Para muitos, as palavras esquisitas dos excessivos é gritante. Mas a verdade é que muitos outros continuam fascinados com o autor de sucessivos tweets estúpidos sobre política ou de posts loucos no Facebook sobre futebol. Diga-se, porém, que gente desvairada sempre houve e clientela para ela também. O que é próprio na nossa época é ela dispor de altifalantes tão poderosos que ainda não conhecemos suficientemente o tamanho dos seus efeitos. É mau, porque os boquirrotos chegam de repente e espalham-se longe. Mas - é a boa notícia do dia! - talvez seja bom porque a força dos tweets e dos posts acaba por iludir os excessivos e expõe as suas fraquezas.
Bruno de Carvalho subiu e cimentou-se graças à sua agressividade contra adversários internos e externos. Definir-se rudemente em relação ao "outro" faz aliados. É que andamos todos sempre à procura do "outro" para sabermos quem somos e se alguém nos ajuda a encontrá-lo, seguimo-lo. O problema é que esse método, propulsado pela eficácia das redes sociais, corta o demagogo do seu contacto com a realidade. E isso torna-se rapidamente notório.
Bruno de Carvalho tem insultado muito mais os seus adversários do que agora fez aos seus futebolistas. Mas, pois é, estes Ruis Patrícios e Williams de Carvalhos são o coração, a razão e a causa que levaram os iludidos a perdoar o tom e a desrazão do presidente. O combate excessivo aos "outros" esquecia-se; já a beliscadura injusta aos futebolistas foi sentida, mesmo pelos apoiantes do presidente, como um ataque ao seu próprio "eu" de sportinguista.
As derrapagens de Bruno de Carvalho eram constantes e variadas, mas desculpadas pelo l"air du temps. Já esta derrapagem contra os seus futebolistas agrediu algo que vai para lá da aragem dos tempos. E a ironia é esta: os holofotes do Facebook e do Twitter que têm iluminado a carreira de Bruno de Carvalho mostram-no agora com uma nitidez que o vão apagar num instante."

Resgatar a ligação aos animais de estimação: um exercício de antropomorfismo ou de reumanização?

"Nos últimos tempos tem surgido informação nos diferentes canais de comunicação que merece alguma reflexão no que respeita este tema.
Dos avanços legislativos referentes à penalização dos maus-tratos ou à presença de animais em espaços públicos (restaurantes) que, desde logo, fez surgir uma vaga de fervorosa celebração ou contestação (junto dos defensores ou opositores mais fundamentalistas); às notícias do abandono de mais de 40 mil animais em 2017 (sendo eutanasiados cerca de metade); ou às manifestações de apoio espontâneo (muito raras anteriormente) em situações em que um animal se encontra em risco na via pública (muito recentemente, por duas ocasiões, um numero alargado de condutores parou de circular enquanto um animal não era resgatado e colocado em segurança).
De uma forma mais ou menos frequente, o tema tem estado presente no nosso quotidiano - por boas e menos boas razões.
De facto, a causa animal tem cada vez mais defensores (poucos ainda, para as necessidades que tem). mas, tal como todas as outras causas de solidariedade, só vê justificada a sua existência porque, na realidade, como indivíduos, muitos de nós falhamos, no que respeita ao sentido comunitário vigente (em todas as suas vertentes – direccionada para crianças, idosos, animais, precaridade e tantas outras que poderiam ser enumeradas).
Mas não, este não pretende ser um artigo de censura... muito pelo contrário, pretende ser um artigo de alerta, pois, na realidade, não estamos a falhar com eles (animais), estamos a falhar connosco próprios e com as gerações que se avizinham (e que, curiosamente, serão os prestadores de cuidados quando a nossa geração envelhecer).
Senão, vejamos.
Em 2014, a curta metragem animada "The Present", dirigida e co-escrita por Jacob Frey e co-escrita com Markus Kranzler, ganhou 60 prémios de vários festivais de cinema e ganhou aclamação da crítica dos especialistas.



De uma forma muito intuitiva, e tocando uma enormidade de temas distintos que poderiam ocupar uma imensidão de artigos (como, por exemplo, o "treino" em comportamentos aditivos que os nossos jovens fazem, via jogos e redes sociais - e sua implicação na destruição de qualquer capacidade empática, com claras repercussões numa série de áreas, nomeadamente, na intensificação de comportamentos de alienação, agressividade e isolamento social), esta curta-metragem ilustra como um jovem inicia o seu processo de restruturação de auto-estima, através da ligação a um ser vivo. 
Quem foi, afinal, resgatado?
De facto, existem já uma imensidão de estudos que reportam que o suporte social é um pilar crítico e bem-estar físico e psicológico de cada um de nós, traduzindo-se numa maior centração em nós próprios, como indivíduos e na nossa vida.
Estudos mais recentes identificam que o relacionamento com um animal complementa esta nossa experiência social (não "competindo", sequer, com a mesma - por outras palavras, numa vida equilibrada é suposto balancearmos a presença de amigos, pessoas significativas e animais).
Neste âmbito, não só se encontra cientificamente comprovado que a coexistência com um animal resulta numa eficaz alavanca para lidarmos eficientemente com eventos de vida stressantes, mas também, que a mesma tem efeitos significativos, tais como:
- consolidação de auto-estima;
- redução da presença de fenómenos afectivos, como depressão e ansiedade;
- redução da sensação de isolamento e solidão;
- menor percepção de doença física e consequente menor visita a médicos;
 - estilo de vida mais saudável (melhor qualidade cardíaca);
- percepção subjectiva de felicidade mais elevada.
(National Center for Health research, USA 2015) 
Por tudo isto, por uma razão de mais saúde e mais qualidade de afectos, das nossas crianças aos nossos seniores, passando por nós próprios, a integração de um animal no nosso quotidiano traduz-se, a médio/longo prazo, numa imensidão de benefícios e ganhos que contribuem decisivamente para elevação do nosso bem-estar.
Então, qual a razão de tanto abandono?
Pelo desafio que trazem aos limites da nossa paciência ou tolerância ao erro (quando roem ou estragam alguma coisa, quase sempre por inconsistência das regras estabelecidas pelos donos), a nossa incapacidade em nos comprometermos emocionalmente com alguma coisa a médio/longo prazo, por não sabermos lidar com a nossa própria frustração, sensação de incompetência e ausência de “resultados” a curto-prazo (ex: o controlo dos esfíncteres ser adquirido “de um dia para o outro”, não respeitando sequer, questões de maturação biológica), entre outras.
Acima de tudo, por uma profunda ausência de consciência de que, ao "desistirmos" deles estamos, na realidade, a desistir de nós próprios... como pessoas e como modelos para as gerações que nos observam.
É que, de facto, a integração (responsável) de um animal em contexto familiar traduz-se, invariavelmente, num exercício de construção de responsabilidade, cooperação (entre todos os elementos do agregado), empatia e afectos que, só por si, se traduz numa enorme oportunidade de treino de (imprescindíveis) competências de vida."

Benfiquismo (DCCC)

Todos juntos...

Uma Semana do Melhor... de Manto Sagrado!

Não há Vitórias, nem vitórias, fáceis

"É bíblico que o caminho do triunfo é o caminho das pedras. Vai ser muito difícil, e cheio de obstáculos, o percurso do Benfica até ao fim.

A Semana Pascal teve de tudo. Houve quem, em Sábado de paixão, na esperança da ressurreição, acabasse emulado, nos ditos, nas atitudes e no campo.
Houve que, já em oitavas, na esperança da reconquista da liderança, acabasse por perdê-la com estrondo.
É bíblico que o caminho do triunfo é o caminho das pedras. Só esse caminho leva ao verdadeiro êxito e tem verdadeiro valor. Vai ser muito difícil, e cheio de obstáculos, o percurso do Benfica até ao fim. Nem o maior optimista, quanto mais eu, desconfiado por natureza, e pessimista por vocação, acreditava que estaria a escrever esta crónica, hoje, na liderança.
Quem diz e escreve que o Benfica não ganhou nada, engana-se, porque já venceu a Supertaça e já conquistou o direito de lutar pelo título de campeão nacional até ao fim. Não estou nada optimista, até porque como sempre digo, ser optimista dá-me azar.
O Porto perdeu três pontos, perdeu Danilo, mas estará na luta até ao fim. Vai ser título disputado ponto a ponto quem se vangloriar de favorito está a um passo do precipício, como se tem visto nos rivais mais fanfarróes.
Concentração, rigor, humildade, entrega total e qualidade de jogo são os ingredientes necessários para o que falta da época.
Rui Vitória sabe que o que nunca falta são os adeptos a empurrar, ajudar e apoiar. Esses estão sempre garantidos, a gritar dá-me o 37. Fomos muito fortes e estáveis emocionalmente quando estávamos atrás, temos que ser sólidos agora que passámos para a liderança. Soubemos manter a calma quando os adversários jogavam jogos de 50 dias, quando lideravam por cinco pontos, quando marcavam sete minutos depois da hora, temos que ter nervos de aço, agora que chegámos ao sítio onde queremos estar daqui a 540 minutos.
Não fizemos grande jogo contra o Vitória de Guimarães, mas fizemos o suficiente para obter justa e importante vitória, com mais dois golos de Jonas e a obra prima de Jiménez.
Este é o momento para dizer que é de Vitória em Vitória. Não há Vitórias fáceis, nem vitórias fáceis.
O V. Setúbal, carrasco oficial na última época, vai ser campo de ratoeiras. Temos que vencer no Bonfim, porque não faltam seis jogos. Falta o Bonfim, e mais cinco."

Sílvio Cervan, in A Bola

Líderes

"Não foi necessária perspicácia apurada para perceber, mal o Belenenses derrotou o FC Porto, que nas horas e dias seguintes seriam muitos os benfiquistas, em particular nas redes sociais, que se desmultiplicariam em apelos à humildade e relembrariam quase desesperadamente que o penta ainda está por alcançar. Se subscrevo que a humildade genuína nunca fez mal a ninguém e que os títulos só se conquistam quando são efectivamente conquistados, já não acompanho a necessidade dos apelos.
Se há características indubitavelmente atribuíveis à nossa equipa de futebol são a crença em si própria e o comprometimento com os objectivos do clube. Não é agora, na liderança, que estas se revelaram, mas antes, há alguns meses, quando os resultados conseguidos estiveram aquém do expectável e exigível e a equipa (estrutura, técnicos e jogadores) soube tornar-se imune às circunstâncias e definiu desde cedo, para si mesma, que cada jogo seria uma final.

Essa forma de estar, bem comunicada para o exterior e evidentemente assimilada no seio da equipa, demonstrou ser a que melhor serviu os interesses da equipa e não há qualquer indício de que venha a ser alterada só porque, a seis jornadas do término do campeonato, finalmente regressou à única posição consentânea com as nossas aspirações: Líderes!
Não é a primeira vez que esta equipa técnica e estes jogadores se encontram neste contexto. A fórmula é simples: Ganhar!

E, para ganhar, nada mais será necessário que manter o nível desde que, em Braga, no início de segunda volta, a equipa começou a calar os arautos da desgraça e os detractores profissionais. A deslocação a Setúbal será mais uma final...
Confio na nossa equipa!"

João Tomaz, in O Benfica

A luta é sempre a dois

"E um dos dois é sempre o SL Benfica. Pode variar o adversário, mas é o Glorioso quem está sempre na disputa. Na primeira metade do século XX e até ao fim da década de 1950 andou o Sporting CP a traçar a sua história sem nunca se distanciar do nosso clube. E depois foi desaparecendo, tornando-se cada vez menos presente nas conquistas dos campeonatos nacionais em Portugal. E da década de 1980 até ao inicio do século XXI foi a vez de o FC Porto fazer frente às conquistas encarnadas. Uma ou outra vez com mérito, mas na maior parte dos casos alicerçado numa política de ameaça, coacção e caminhos sombrios que levaram a uma pena por corrupção demasiado leva para toda a sujidade em que os seus dirigentes se envolveram. De 2000 para cá, o que se assiste é que há dois clubes com capacidade organizativa para chegar ao título no futebol profissional, há outro que continua a viver do passado e dos delírios de um dirigentes que rege a sua conduta pelos likes no Facebook e há uma outra equipa que se prepara para conquistar o terceiro lugar no pódio, o SC Braga.
Não vai ser estranho que, em menos de uma década, estejamos a ver três na luta no futebol, mas para já isso não acontece. Os investimentos avultados em jogadores medíocres no futebol e em plantéis envelhecidos nas modalidades vai ter um preço: o abandono. A norte, já vimos isso com as derrotas no basquetebol, mas sendo um clube com menos representatividade, o FC Porto sabe manter-se no seu lugar, sem divagações.
E nós, qualquer que seja a modalidade, estamos presentes. Neste momento, uma vez mais, a luta é a dois, e não podemos dar tréguas ao adversário. Estamos prontos!"

Ricardo Santos, in O Benfica

Aleluia, aleluia

"Paz neste campeonato e a todos que nele moram - aleluia, aleluia! Alegremo-nos todos porque o Benfica ressuscitou -aleluia, aleluia! Que a bênção do Benfica ressuscitado assista a este campeonato e que nele haja sempre Jonas e Jiménez, Zivkovic e Cervi, Fejsa e Jardel - aleluia, aleluia! Mas que bela Páscoa, esta. O cabrito estava bem saboroso, as amêndoas deliciosas e o Benfica voltou à liderança - aleluia! Que mais poderia eu pedir? Ninguém me ofereceu um ovo Kinder - o que registei com algum desagrado - mas não se pode ter tudo.
O Benfica é líder isolado a seis jornadas do fim. Nada mau para uma equipa de jogadores incompetentes, comandados por um treinador incapaz. O caminho para o objectivo tão desejado ainda é longo e espinhoso, no entanto, boa parte dos especialistas estimava que por esta altura o pódio estivesse completamente do avesso. É um momento triste para os aficionados de música: abrimos a persiana e vemos uns artistas atrás dos outros a guardarem a viola no saco. Quem acompanha este espaço semanal onde partilho as minhas ideias - muito obrigado pelas dezenas de mensagens que tenho recebido - sabe que nunca duvidei do valor deste plantel para chegar ao penta. Agora, sendo o cenário bem mais simpático do que há uns meses, a confiança é naturalmente maior. Todavia, não gostei rigorosamente nada do que se passou com a águia Vitória, que numa atitude irreflectida e leviana fugiu do Estádio da Luz.
O Benfica é líder e atravessa a melhor fase da época, contudo a Vitória precipitou-se: ainda é manifestamente cedo para ir para o Marquês. É melhor alguém alertar o André Rodrigues, responsável das águias do Benfica, para tomar uma medida vital: manter a águia em jejum durante o dia de hoje. Como castigo pela fuga, mas também enquanto estratégia para o jogo de amanhã, em Setúbal. Não faço ideia se faz parte da alimentação da águia, mas esfomeada que remédio terá ela a não ser devorar chocos fritos."

Pedro Soares, in O Benfica

O próximo jogo

"Faça chuva ou faça sol, Rui Vitória tem mantido inalterado o seu discurso desde que chegou à Luz: jogo a jogo, e as contas fazem-se no fim. Não é uma derrota do FC Porto, ou do Sporting, que altera esta perspectiva, que é a dele, a da equipa, e a do clube. O que interessa é o próximo jogo, neste caso em Setúbal (por sinal, bem difícil). Triunfo a triunfo, chegaremos certamente ao nosso grande objectivo.
Este pragmatismo tem sido um dos segredos do sucesso. Além de focar os jogadores naquilo que verdadeiramente interessa, transmite-lhes força mental, e retira-lhes a ansiedade nos momentos de maior pressão. Isso percebeu-se nas temporadas anteriores, quando houve que gerir vantagens pontuais curtas, e levá-las até à meta do título.
No Bonfim, perante um adversário difícil, motivado (vem de uma robusta vitória fora de casa), e bastante bem orientado, teremos de entrar com tudo, e com todos. Esta é, neste momento, a nossa final. Apenas esta poderemos ganhar neste sábado. Ficarão, depois, a faltar mais cinco.
Já estamos na frente, e isso é importante para reforçar a confiança, e para entusiasmar os adeptos. Mas nada está ganho, como nada estará na próxima segunda-feira, ou na seguinte. Só no dia 13 de Maio de conhecerá o campeão. Mantendo os pés no chão, e enfrentando cada jogo como uma final, o campeão será o Benfica.

PS: Certamente por coincidência, desde que alguém falou em eventuais facilitismos de adversários do FC Porto, este começou a perder jogos e pontos. À mulher de César (o outro) não basta ser séria. Aqui não basta parecer que haja mais do que um acaso. Mas lá que parece..."

Luís Fialho, in O Benfica