Últimas indefectivações

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Jonas e as experiências

"Jonas não é, na verdade, aquele ponta de lança para jogar mais fixo. Mas será que o são Raúl Jiménez ou Seferovic?

muito que se percebia que Jonas pudesse transformar-se num problema para o treinador do Benfica, desde logo porque o treinador do Benfica nunca foi, ao longo de dez anos de carreira, defensor do 4x4x2, e porque Jonas não tem - e é verdade que não tem - exactamente o perfil de ponta de lança ideal para o 4x3x3.
Percebia-se que, para Rui Vitória, era Jonas o jogador que o impediria de adoptar o preferido 4x3x3 e, por outro lado, o obrigaria a manter no Benfica o 4x4x2 com que Jorge Jesus tinha devolvido o sucesso à equipa.
Até esta época, Rui Vitória foi sobrevivendo ao problema. E bem. Muito bem, aliás. Tão bem que foi campeão duas vezes, as suficientes para o Benfica conseguir o seu primeiro tetra.
Mas esta época a coisa complicou-se. Continua Rui Vitória a demorar algum tempo a acertar com a equipa - mais coisa, menos coisa, como também sucedeu nas duas épocas anteriores... - mas parece ter-se agravado a dúvida entre o 4x4x2 e o 4x3x3. E de repente, Jonas, que é reconhecidamente um dos dois melhores jogadores da equipa (a par, potencialmente de Salvio) passa até a ser prescindível, como aconteceu nos dois jogos da Liga dos Campeões com o Manchester United, numa clara ideia de Rui Vitória experimentar o 4x3x3 - no qual Jonas, para  treinador, não teria alegadamente lugar - como tentativa de travar a mais evidente vulnerabilidade da linha média - com Fejsa e Pizzi - em confrontos de maior exigência. Que, por esta altura, o Benfica possa precisar de, nalguns jogos, ter mais um jogador na linha média - porventura por considerar o treinador que a equipa está com mais dificuldades a defender... - é coisa que até parece aceitável.
Mais difícil de compreender é que fosse Jonas o jogador a sacrificar. De tal forma, que o próprio treinador fez em Guimarães o que nunca tinha feito: jogar pela primeira vez com Jonas como único avançado, no 4x3x3!
Conduziu Rui Vitória o Benfica ao título nos dois últimos anos e isso já ninguém lhe tira. Mas a verdade é que, mesmo nessas duas épocas, demorou sempre o técnico encarnado demasiado tempo a acertar com o chamado onze base, como facilmente se pode verificar pelo andar das carruagens nos dois últimos campeonatos.
Como se vê, repete-se o cenário esta temporada. Dúvidas evidentes na escolha de um onze mais base - como é normal em todas as equipas -, e mais recentemente alguma hesitação até na opção quanto ao sistema. Qual é a ideia que dá? A de que o Benfica ainda anda em experiências nesta altura do campeonato, quando já se passaram praticamente três meses de competição.
De experiência em experiência, parece Rui Vitória, porém, ter concluído que mesmo numa solução de 4x3x3 pode Jonas ser o único avançado, porque Jonas é, em qualquer circunstância, o melhor dos avançados encarnados mesmo não sendo o avançado com o tal perfil de ponta de lança mais posicional, como, na verdade, também não parecem sê-lo quer Jiménez quer Seferovic. Ou não é assim?
O único ponta de lança mais ponta de lança que o Benfica tinha era Mitroglou e deixou-o partir. E, portanto, como Mitroglou não tem, agora, nenhum.
De experiência em experiência, ver-se-á quanto tempo mais continuará Rui Vitória à procura das melhores soluções para eventualmente conseguir repor o Benfica na luta pelo título. Nos dois últimos anos, foi sempre a tempo de ganhar. Mas agora, parece já um pouco maior o risco de acertar... tarde de mais!

'Penalty'
Longa entrevista de Filipe Vieira à BTV. Globalmente saiu-se bem. Foi determinado e deixou garantias. Negou tentativas de corrupção (e foi credível!) e fez acusações a adversários. Mas não negou os emails. Nem assumiu o erro de algumas práticas. Fez mal.

Livre Directo
Na mesma longa longa entrevista do presidente do Benfica ficou a saber-se que Rui Vitória será o treinador do Benfica até 2020 aconteça o que acontecer e sejam os resultados os que forem. Não será, pois, pela instabilidade do treinador que a equipa jogará melhor ou pior.

Livre Indirecto
Disse o presidente do Benfica que tirando três jogadores a equipa do Benfica é a mesma da época passada. Lembrou Ederson, Nélson Semedo e Lindelof. Mas esqueceu-se de Mitroglou. E quatro em onze é, apesar de tudo, muita gente, sr. presidente. Ou não?"

João Bonzinho, in A Bola

PS: Mas quais são as práticas, que o presidente tinha que negar?!!!
Esta gente continua a 'moer' em cima de manipulações, descontextualizadas... É preguiça, falta de inteligência, ou má vontade?!!!!

A avaliação do trio de comentadores da entrevista de Vieira

"1. Qual foi o melhor momento de Luís Filipe Vieira na entrevista à BTV?
2. E o momento menos bom?
3. Em sua opinião, qual foi a frase mais marcante do presidente do Benfica?
4. Em resumo, que mensagem fica desta entrevista de duas horas e meia?

Leonor Pinhão
1. Poderá não soar bem ouvir o presidente do Benfica afirmar repetidamente que o nome do clube saiu "manchado" do caso dos emails mas trata-se, certamente, de um argumento de importância processual em função de tudo o virá a ser decidido pelos tribunais civis. Questões de indemnizações. Lá mais para a frente.
2. A explicação de que houve um tempo – o tempo dos emails divulgados – em que os clubes tinham o direito de reclamar as notas atribuídas aos árbitros terá sossegado todos os benfiquistas que não gostam de ver o nome do seu clube envolvido em delinquências mas vem com quatro longuíssimos meses de atraso.
3. Duas: "Não há corrupção no Benfica" e "quando a polícia foi a nossa casa recebi, entre muitas, uma mensagem que me sensibilizou muito que foi a do Pedro Proença. Apreciei e quando estiver com ele pessoalmente vou-lhe dizer, apesar de não termos apoiado a sua candidatura para a presidência da Liga."
4. O Seixal é o presente e o futuro. Rui Vitória é o treinador. O que será da direcção do FC Porto se não ganharem este campeonato? Voltou a haver capangas no futebol. Os árbitros sentem-se coagidos. O Benfica não teme a justiça. O treinador e o presidente do Sporting não se falam. Vamos lá chegar. Toca a unir.

Pedro Adão e Silva
1. O tom distendido e o registo pedagógico com que Vieira abordou os temas. Acima de tudo, a forma directa e sem rodeios com que falou dos emails: ficou claro o propósito de quem tem levado a cabo esta campanha – ocultar os próprios falhanços e condicionar o ambiente em torno do futebol – e, fundamental, a segurança com que afirmou que o Benfica não tem nada a temer.
2. A contradição entre, por um lado, o realismo de quem afirma que o Benfica não pode entrar em megalomanias financeiras e tem de apostar na formação e, por outro, que é possível ser campeão europeu com jogadores do Caixa Futebol Campus (desde logo quando, actualmente, o clube tem inclusive dificuldades em segurar os jovens jogadores que forma).
3. "Não há, nem nunca haverá corrupção no Benfica. Volto a repetir: não há corrupção no Benfica"
4. O Benfica não vai alterar o rumo estratégico definido: seja na afirmação da marca, na vertente financeira e na política desportiva. Com tudo o que isso pode implicar nos resultados da equipa de futebol, que, convém nunca esquecer, é o alfa e o ómega do Benfica.

António Cunha Vaz
1. O anúncio da expansão do Centro de Estágio do Seixal e da construção de outras infraestruturas de relevo como o Centro de Alto Rendimento, o hotel e o Colégio. Outro aspecto positivo foi o de ter-se disponibilizado para se sentar à mesa seja com quem for para resolver questões relacionadas com as suspeitas na arbitragem.
2. O pior momento ocorreu quando deu explicações sobre o que se passou na polémica AG, realizada recentemente. Disse: "Tirando a parte da cadeira, foi uma assembleia à Benfica. Não estou nada arrependido daquilo que disse na AG."
3. "Quero que o Benfica tenha um título europeu. Eu acredito que vou ser campeão europeu com os nossos miúdos da formação. "
4. Ficam três mensagens: há infraestruturas e outros projectos que não estarão concluídos neste mandato, o que indica que Vieira se vai candidatar de novo; que qualquer jogador formado no Benfica será retido o máximo de tempo possível, a partir de agora; a redução da dívida financeira para um valor próximo dos 150 milhões de euros."

Certezas e denúncias

"Apesar da constipação, Vieira mostrou estar em boa forma. Foi preciso esperar que ‘aquecesse’, mas chegada a hora dos emails, foi genuíno na indignação – "não há nem nunca houve corrupção no Benfica" – e exigiu celeridade da justiça. Depois, fez denúncias. Graves. Desde as "ameaças dos capangas identificados com o FC Porto" aos insultos dirigidos aos árbitros por um presidente (Bruno de Carvalho, pelo que se deduziu). Um clima que Vieira considera que até condiciona o Conselho de Arbitragem nas nomeações.
Na onda da revolta, ficou uma promessa relevante: a total disponibilidade para se sentar ao lado dos presidentes dos clubes rivais. Decididamente, uma boa solução, embora creio já ter perdido o seu timing.
Vieira deu garantias: irá preparar um sucessor; não vai vender jovens pérolas; a formação é aposta irreversível; Vitória cumprirá o contrato até ao fim e Jorge Mendes continuará a ser parceiro do Benfica. O futuro dirá até que ponto as inabaláveis convicções podem sofrer algum... abalo.
O Record associa-se à campanha solidária promovida pela FPF, no âmbito dos dois jogos particulares da Selecção, para ajudar aqueles que foram atingidos pelos incêndios. A nossa gratidão à federação pelo desafio lançado que é uma oportunidade para todos ajudarmos."

Pois...

"Seja nas redes sociais, rádio, TV o jornais, contamos com a presença de inúmeras figuras (...) que mais não são do que figurantes.

Continua em ebulição o futebol português. Desta feita, por causa do VAR (videoárbitro). Pelo VAR ou pelo ar, após cada jornada da Liga profissional, sucedem-se os impropérios, as ofensas as suspeições, as piadas de mau gosto, tudo servido para os rivais se atacarem e enfraquecerem cada vez mais. Queixas, participações, denúncias, providências, demandas, tudo no melhor estilo. São as gentes cá do meu bairro mas sem o contributo dos geniais António Silva e Vasco Santana, os quais, ao contrário dos comediantes (?) de hoje, tinham graça, tinham mesmo muita graça. Um verdadeiro Pátio das Cantigas no pior sentido do termo. O bom senso, e equilíbrio, a honestidade intelectual, nada disso interessa. O importante é inflamar a massa adepta, fazendo-a persistir na ideia dos tais hediondos moinhos de vento que só a visão dos iluminados alcançam.
Por isso, é proibido defender a lucidez,  raciocínio, a coragem de perguntar, de questionar, proibição essa que, no fundo, já contém a premonição do fracasso ao sobrar da esquina. Pelo sim pelo não, há que rodear de justificações os malogros que se avizinham. Como sempre acontece no panorama político nacional e internacional, também no futebol pátrio o segredo não está na resolução estrutural dos problemas mas na perpetuação do estado de guerrilha constante que tudo esconde. Como dizia Zeca Afonso... o que faz falta é animar a malta... Para tanto, seja nas redes sociais, rádio, televisão ou jornais, contamos com a presença de inúmeras figuras e figurinistas que, em muitas circunstâncias, mais não são do que verdadeiros flagrantes. Não admita, pois, que mesmo nos casos em que as denúncias apresentadas estejam ser (ou tenham sido) alvo da atenção judicial, algumas das partes envolvidas ou os seus representantes (não confundir com paus mandados) não se coíbam de tecer considerações violadoras da legalidade estabelecida por estatuto ou regulamento, na esperança de que tais juízos sem juízo possam influenciar ou atacar o veredicto final. No fundo, o verdadeiro propósito é esconder ou camuflar a realidade, traduzida no facto de os chamados grandes serem sempre beneficiados em detrimento dos pequenos. Por agora, seguiremos o conselho da dupla Ary dos Santos e Fernando Tordo cantando: Nós vamos pegar o mundo pelos cornos da desgraça e fazer da tristeza graça."

Abrantes Mendes, in A Bola

PS: Este mito urbano dos grandes serem sempre beneficiados e os pequenos sempre prejudicados, realmente só bate certo com dois dos tais grandes!!!

Fartos!

"Os árbitros estão fartos deste ambiente, afirmou o presidente do Conselho de Arbitragem numa entrevista a este jornal. A dado passo, avisa que se chegou ao extremo e que é preciso mudar. Depois do presidente da FPF ter sido muito claro em relação ao clima de violência que se vive no futebol português, e o presidente da APAF ter concedido uma entrevista em que refere ameaças sérias e árbitros e a si próprio, esta terceira manifestação pública de desagrado com esta situação de violência, seja verbal, psicológica ou física, não pode ser mais uma e cair no esquecimento. Tem que ser levada a sério por todos. A começar pelo poder político.
Espero que não aconteça nada de mais grave, porque grave é o clima que se vive neste momento. Estamos a contribuir para que uma tragédia possa surgir de um dia para o outro. Nem que seja pela nossa passividade e silêncio. Neste quadro, não posso concordar que o presidente do CA diga que, e passo a citar, «(...) nada vai influenciar o meu trabalho ou o dos árbitros». Difícil de acreditar. As equipas de arbitragem estão condicionados, tal como os restantes agentes com interferência directa no jogo, jogadores e treinadores. Não é igual estar num jogo com níveis de agressividade verbal e psicológica extremos, com milhares de espectadores, ou dirigir um jogo com mil e poucas pessoas no estádio. Os problemas estão identificados, ou pelo menos a maioria dos problemas. Os debates sucedem-se, sempre entre acusações e insultos, as soluções propostas é que são escassas. Estas passam por todos, mas mesmo por todos. Ninguém está excluído, incluindo os mais visados.
Um bom jogo de futebol precisa sempre de três boas equipas. Não há bons jogos sem bons intervenientes, sejam jogadores ou árbitros. Caso não se altere a estrutura da competição, e dos competidores, não se vai conseguir elevar a fasquia. Esta é a questão estrutural que ninguém quer assumir."

José Couceiro, in A Bola

O VAR e as alianças

"Alianças nem com mostarda. Entendo que se há boas relações institucionais entre os clubes, os presidentes se devem sentar lado a lado, agora, alianças nem vê-las. Uma coisa é a civilidade que deve nortear o comportamento dos dirigentes para que o clima seja saudável e arejado, outra, empurrar para trás algumas rivalidades sanguíneas quando está em discussão a indústria e o negócio. Diferente é uma política de alianças, sejam elas estratégicas ou puramente tácticas pelo momento que se vive.
Cada clube tem a sua identidade e deve orgulhosamente só patentear os seus valores e a sua história, ter poder para influenciar, escolher o momento para tirar o pé e serenar, bem como outro momento em que é preciso ser feroz e agressivo na defesa dos seus interesses. Tal como os treinadores fazem ‘mind games’, também todos sabemos que há tempos em que se deve carregar no botão dos factores envolventes que podem condicionar o desfecho de uma partida. Porém, guerra aberta todos os dias da semana é contraproducente e banaliza o efeito das mensagens que devem ser nevralgicamente cirúrgicas e quanto a alianças anti-natura já sabemos que estão condenadas à nascença, ainda mais quando a classificação da Liga é competitiva. Por isso está morta a aliança Sporting-Porto.
Que se desiludam as carpideiras contra os meios tecnológicos que toda a gente de bom senso já percebeu que o VAR pode ajudar a verdade desportiva. Vai haver erros, também suspeitos do costume, mas este é um caminho de pedras daquelas que se vão guardando para construir um castelo, como diria Fernando Pessoa. As polémicas são uma constante, não há descanso nem com jogos de Selecção e, por vezes, enterram-se rapidamente jogos espectaculares, verdadeiros hinos ao futebol, sob uma cortina de ferro de declarações avulsas que espelham a insensatez de quem dirige as coisas e ganharia imenso em estar calado.
A FPF gasta um milhão de euros no VAR e já renovou por mais um ano a aposta. Cabe agora melhorar diversos aspectos, especialmente quanto à comunicação da explicação das decisões. Vamos ao râguebi e ao futebol americano que usam semelhante tecnologia e vemos que a virtude é que o árbitro que lidera a equipa comunica para todo o estádio, claramente, depois de ver e ter ouvido a restante equipa que se encontra na sala de observação. E é aqui que em Portugal ainda se falha nestes primeiros passos. Há a paragem do jogo, a consequente decisão, mas quem está na bancada não sabe o que motivou tal veredicto. Para além do mais têm acontecido problemas técnicos que não podem ocorrer, omissões na divulgação dos relatórios que devem ter critérios uniformes e não serem exibidos consoante os caprichos de quem manda e, por último, em caso de incompetência expressa não pode haver pudor em punir e castigar quem erra grosseiramente. Com estas melhorias, o VAR veio para ficar."

Uma pausa energética

"Ora aí está uma boa paragem nas competições oficiais de clubes. As razões serão imensas, mas na minha óptica quatro são fundamentais: a pausa começa por ser energética, pois os clubes podem aproveitar quase três semanas sem Liga – a Taça de Portugal permite ainda aos mais poderosos dar oportunidade a jogadores que continuam na penumbra – para recuperar profissionais que têm estado de baixa e que em determinados emblemas são preponderantes; o tão criticado VAR, em muitas situações com razão, passará, também, por muitos dias sem estar debaixo do fogo intenso dos que se sentiram, directa ou indirectamente, prejudicados; a Selecção de sub-21 tem tudo para recuperar da derrota frente à Bósnia diante de romenos e suíços; Fernando Santos tem nos jogos com Arábia Saudita e EUA hipótese de perceber se alguns dos não habituais que escolheu para a dupla operação – Adrien não pode estar excluído! -podem aspirar, independentemente da concorrência, a entrar no lote para a Rússia, casos concretos de Manuel Fernandes, Ricardo Ferreira, Ricardo Pereira ou Gonçalo Guedes. Concluindo: posso estar enganado, mas nunca estive tão convencido de que esta paragem, não sendo obra de deuses, não podia ter sido mais providencial.
Nunca, em questões de desporto, o Ministério Público andou tão atarefado. Com a certeza de que as suas decisões tudo clarificarão, a única coisa que se lhe pede é que seja célere e contribua para que regresse, pelo menos, a paz de espírito tão necessária. A intervenientes directos e meros adeptos."

Mais futebol e menos polémica

"Com a qualificação para o próximo Mundial já garantida, a Selecção Nacional aproveitará os jogos particulares com a Arábia Saudita e EUA para testar novos jogadores e avaliar a prestação de alguns nomes que poderão vir a ser soluções preciosas no futuro. Uma pausa nas competições internas que, espera-se, poderá ajudar a arrefecer o quente clima de guerrilha que se começa a alastrar pelo futebol português.
O foco cada vez maior em polémicas está a retirar espaço àquilo que mais interessa: o jogo jogado dentro de campo e as suas principais estrelas: jogadores e treinadores. Um cenário em que são os directores de comunicação dos clubes e os comentadores televisivos a terem o papel principal nos escaparates, a fomentar discussões e controvérsias, é indício de que as coisas não estão no sítio certo ou, pelo menos, não são como deveriam ser.
Valham-nos estes momentos em que joga a Selecção para podermos respirar futebol e falar daquilo que verdadeiramente interessa. E sobre Portugal, é bom recordar que Fernando Santos, no espaço de dois anos, encabeçou um processo de renovação do grupo, tendo conseguido manter sempre um nível competitivo alto, comprovado com a conquista do Euro’2016, qualificação directa para o Mundial’2018 e a prestação honrosa na última Taça das Confederações.
Ao núcleo duro da Selecção foram sendo acrescentados novos elementos que, neste período, ganharam experiência internacional e espaço cada vez maior nas contas do seleccionador. Jogadores como William Carvalho, João Mário, André Gomes, Danilo Pereira, Cédric Soares, Raphael Guerreiro, Bernardo Silva e André Silva, entre outros, são hoje peças importantes para a equipa e conquistaram o seu lugar junto de outros elementos mais experientes.
Mas este é um processo que nunca está terminado, pelo que o trabalho de renovação é constante. E, nesse sentido, o seleccionador tenta perceber, dentro do quadro de jogadores que tem à sua disposição, quais aqueles com quem pode contar no imediato, mas também no futuro. E estas partidas ‘amigáveis’ são propícias para se começar a integrar e avaliar novos elementos.
Neste ‘casting’ constam 8 atletas que nunca foram internacionais A e alguns jovens que começam a dar os primeiros passos na Selecção principal. Após o Mundial’2018, o trio normalmente escolhido para o centro da defesa terá idades acima dos 34 anos – Pepe (35), Bruno Alves (36) e José Fonte (34) – pelo que se torna importante encontrar alternativas que possam vir a suceder aos atuais titulares. Deste modo, os agora convocados Ricardo Ferreira e Edgar Ié podem vir a ser duas das apostas a médio prazo e será importante vê-los em acção. Por seu lado, Ricardo Pereira e Kévin Rodrigues podem alargar o leque de opções para as laterais.
Além disso, há jogadores em excelente momento de forma nos seus clubes que veem premiado o seu rendimento. São os casos de Rúben Neves, Bruno Fernandes, Rony Lopes, Gonçalo Guedes e Bruma, que poderão mostrar que podem ser opções para o seleccionador e, quem sabe, ganhar um lugar nos eleitos que vão à Rússia no próximo verão.
Os jogos de hoje (Arábia Saudita) e terça-feira (EUA) terão também um carácter solidário de apoio às vítimas dos incêndios recentes e é bom que o futebol, enquanto modalidade seguida por milhões de pessoas, assuma este papel mobilizador na sociedade. E também aqui é dado o exemplo de como este desporto deve fomentar o respeito e a cordialidade, algo muito diferente do que se está a ver nas competições internas.

O Craque -- Um reforço a sério
Neste momento, e depois de o vermos em actuação, já se pode afirmar que Marcos Acuña é um dos melhores reforços da temporada na liga portuguesa. A influência do internacional argentino no futebol do Sporting foi imediata. É um dos jogadores nucleares da equipa leonina. Jogador aguerrido, que não dá uma bola como perdida, com boa técnica e posicionamento, tem sido muito influente no último passe e também no capítulo da finalização. O médio ofensivo/extremo vai agora parar por lesão e Jorge Jesus terá de encontrar maneira de minimizar o impacto da sua ausência.

A Jogada -- Boa entrada no Champioship
Depois da saída do FC Porto, Nuno Espírito Santo assumiu o ‘risco’ de treinar o Wolverhampton, equipa do Championship (segundo escalão inglês), uma prova extremamente competitiva com vários clubes a lutarem pela subida à Premier League. Com 16 jornadas decorridas e a liderança isolada na competição, a experiência do técnico tem sido positiva e a candidatura à promoção parece possível. Numa equipa onde conta com 7 jogadores portugueses, Nuno está no bom caminho para se poder vir a juntar a José Mourinho e Marco Silva na liga inglesa.

A Dúvida -- Krovinovic: será ele a solução?
Foi um dos jogadores em destaque no futebol português ao serviço do Rio Ave, na época passada, e agora que deu o ‘salto’ para o Benfica, depois de um natural período de adaptação. Filip Krovinovic parece estar preparado para assumir um papel importante no meio-campo do Benfica. A estreia a titular frente ao V. Guimarães deixou sinais positivos e, face à dinâmica que o médio croata pode trazer às águias e à melhoria de uma qualidade de jogo que não tem aparecido na equipa do Benfica, poderá a solução passar por este jogador?"

A criatividade de Federer

"Se falarmos apenas dos aspectos puramente técnicos do jogo e do que Roger Federer é capaz de fazer, não há muito mais a acrescentar ao que tem sido referido nos últimos 15 anos. É o maestro da orquestra. Por muitas vezes que se dê e por muitos argumentos que possam ser invocados, é relativamente fácil explicar as razões que têm levado o mundo do ténis a dizer que o suíço é, de facto, o melhor jogador de sempre.
Geralmente esta ‘eleição’ congrega muitas outras valências. E é precisamente por isso que, por vezes, se eternizam os debates acerca de Rod Laver, campeão nos anos 60, o último jogador a conquistar o Grand Slam, em 1969. Federer aportou ao ténis outra dimensão e através da tecnologia é possível recordar o que poucas pessoas imaginariam. Estamos a falar de exibições, cujas imagens percorreram o mundo. A primeira das quais aconteceu em maio de 2007 quando Rafael Nadal e Roger Federer se defrontaram num campo, onde metade era em terra batida e a outra em relva. Tudo isto porque Federer estava sem perder um jogo em relva há cinco anos (48 vitórias seguidas) e Nadal não cedia um jogo no pó de tijolo há 3 anos (72 triunfos consecutivos). Era a combinação perfeita. E Federer, sem qualquer desprimor, aceitou por reconhecer o papel que estava destinado ao espanhol no futuro. 
Volvidos 10 anos, eis que Federer continua a surpreender. O suíço aceitou o desafio de Andy Murray e foi jogar a Glasgow, cidade onde nasceu o britânico bicampeão olímpico. Nada de anormal se não fosse o facto de Federer ter jogado com um kilt. Só alguém com a classe do suíço e profundo conhecer da história do ténis aceitaria tal desafio. Um campeão em toda a linha."

Não tendo nós um harém, podemos aproveitar o conhecido fetiche de pés da cultura árabe e oferecer-lhes Bernardo Silva

"José Sá
Tenho esperança que a titularidade de José Sá na selecção acentue a polémica em torno da situação do Casillas, se possível ao ponto de provocar mais uma reacção inflamada de Sérgio Conceição numa conferência de imprensa e, quem sabe, provocar danos suficientes ao grupo que levem o FC Porto a perder pontos na visita ao Desportivo das Aves. Que foi? Não deixa de ser uma honra para o jogador. 

Ricardo Pereira
É um jogador com um ar invulgarmente sério, ou seja, não tem ar de futebolista. Antes de tocar na bola já nos parece ler bem o lance, ou pelo menos com a cordialidade que pauta a acção dos grandes homens. Passeia-se no relvado com a competência de quem por acaso é futebolista, mas podia ser um bolseiro da Fundação Champalimaud. Por exemplo, João Cancelo é um bom jogador mas comporta-se em campo como se o a sua única preocupação fosse esconder a bola num paraíso fiscal. Não sei se é do cabelo.

Kevin Rodrigues
Porque todos os jogos deviam ter um Kevin Rodrigues. É aquele jogador que ninguém sabe quem é, excepto um Luís Freitas Lobo de trazer por casa que ninguém sabe muito bem porque é que está a ver o jogo connosco, só sabemos - porque ele nos disse entretanto - que já viu umas coisas no YouTube e sabe que Kevin Rodrigues é bom no jogo interior. Quando assim for, resta-nos acompanhar essa pessoa à saída.

Edgar Ié
Porque se marcar dois golos os desportivos poderão fazer um trocadilho há muito aguardado pelos adeptos: Portugal volta a dançar o Ié-Ié.

Rúben Dias
O que foi? Nunca viram um defesa de nível mundial antes? Não foi convocado? Deixem-se de preciosismos. Eu também não sei escrever e isto foi publicado no Expresso.

Manuel Fernandes
Porque é o mais próximo que estaremos de um anti-jogador moderno nesta selecção. A sua página oficial no Facebook, com 233 mil fãs, foi actualizada duas vezes nos últimos dois anos. Estranhamente, as suas preocupações têm-se cingido à prática da modalidade. Esteve num exílio russo a aprimorar o seu futebol. Provavelmente divide casa com Edward Snowden. Talvez isso explique que Fernando Santos não se lembrasse sequer da existência deste craque. Raramente ouvimos falar dele, a não ser quando os desportivos precisam que alguém a residir na Rússia diga umas banalidades sobre um atentado em Moscovo ou a pré-eliminatória de uma equipa portuguesa. Esperemos que isso mude. Tem o futebol, a conduta pública e o cabelo certo para nos levar longe. 

Bruno Fernandes
Porque é o melhor jogador português dos últimos tempos. Os sportinguistas ofendem-se sempre com as piadas, portanto resolvi falar a sério.

João Mário
É o único flop na presente época em condições de ajudar a equipa nacional, e o único flop que ninguém percebe como é que pode ser um flop, dada a importância do seu contributo na selecção. Devíamos fazer uma lista dos maiores flops na elaboração de onzes de flops. Talvez nos surpreendêssemos. Bom, acho que são caracteres suficientes. Não ser titular indiscutível do Inter é um nadinha criminoso. Faça-se justiça.

Bernardo Silva
Porque os adeptos da Arábia Saudita vieram de muito longe e merecem ser bem tratados. Não tendo nós um harém para lhes oferecer, podemos aproveitar o conhecido fetiche de pés da cultura árabe e oferecer-lhes Bernardo Silva.

Gonçalo Guedes
Simples. Na ausência de Cristiano Ronaldo precisamos de um jogador que esteja ao nível de Messi. Calma, não é o que estão a pensar. É mais do que isso. Gonçalo Guedes tem tantas faltas sofridas na Liga Espanhola como Messi, mas enquanto Messi sofre uma falta a cada 43 minutos, GG7 sofre uma falta, estão preparados?, a cada 29 minutos. INCHEM. E ainda não falámos da qualidade do futebol em si, porque aí então, meus senhores…

André Silva
Porque sem ele nos arriscamos - bastante - a marcar menos golos do que a Arábia Saudita. Desculpem a excessiva racionalidade deste argumento."

Esta fotografia fez-me ganhar o dia

"Antes de mais, leitor, convido-o a olhar devagarinho para esta fotografia que aqui publico. Não tenha pressa, a foto merece ser saboreada lentamente. Com toda a calma do mundo.
Pela legenda dá para perceber duas coisas: foi tirada no norte de Portugal e em 1992.
Não me custa, porém, acreditar que aqueles miúdos jogam à bola num dia de chuva no descampado ao lado da escola, do lado direito de quem entra.
O muro com a rede delimita uma parte do campo e tão longe como a imaginação deles conseguir chegar fica a linha que delimita a parte oposta.
As linhas pouco importam, portanto.
Há quatro pedras a marcar as balizas e o resto é espaço para correr.
Ao lado está a escola caiada de branco, com janelas em madeira e portões de ferro nas extremidades, que dão acesso a um pequeno átrio com chão em tijolo por onde se passa para entrar na sala de aula. 
Lá dentro o chão é em madeira antiga, tem um estrado encostado à parede e um quadro de ardósia enorme destaca-se por detrás da secretária da professora.
Da janela em madeira e com vidros quadrados veem o sol, a chuva e aquele campo, que é como casa deles: o sítio onde querem estar quando não os obrigam a estar noutro sítio.
Naquele pedaço de terra batida, irregular e enlameado, não há magoas nem invejas, não há preocupações nem cansaços, não há ansiedades nem irritação.
Tudo é alegria pura.
Não há necessidade de ser melhor do que ninguém, não há medo de errar, não há receio de defraudar quem quer que seja. Não há obrigações, não há responsabilidades, não há vergonhas ou embaraços. Não há desânimos nem vulnerabilidades.
Naquele campo o coração fica cheio e até o peito começa a cantar.
De amor.
Ali nada é pela medida do possível, é tudo desmedido: a chama, o entusiasmo, a aventura, a ousadia, o encantamento, até a impetuosidade. Naquele terreno, como naquela fotografia, há uma carga de paixão que entulha a alma daqueles miúdos e os faz correr.
Porque isso é tudo o que interessa: correr atrás da bola, chutá-la, fazer um golo e sair a correr com um braço no ar, como os jogadores a sério fazem sempre que marcam na televisão.
Os colegas não perderão tempo a abraçá-lo, rapidamente continuarão a jogar, mas aquele momento vivido praticamente sozinho vai valer pelo dia todo.
Não há chuva, não há lama, não há poças de água nem castigos da mãe que censurem aqueles momentos de contentamento. A alegria que significa correr atrás da bola e chutá-la com toda a valentia, toda a energia e todo o sentimento do mundo compensam tudo: a molha, o frio e o castigo. 
No fim do dia, quando aqueles miúdos se deitarem na cama, vão ter a alma cheia e a cabeça a fervilhar com sonhos de novas correrias, novos remates, novas alegrias.
Esta fotografia diz-me tudo isto, mas diz-me mais. Diz-me que no início todos nós começámos a amar o futebol por aquilo que é essencial nele.
Porque nos enche de felicidade."

Benfiquismo (DCLIII)

Talento perdido...!!!

Luís Filipe Vieira

Com uma semana de atraso, aqui fica a entrevista de Luís Filipe Vieira, comemorando os 14 anos como Presidente do Benfica. Recomendo a 3.ª parte!!!


quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Manual de como difamar, sem razão qualquer...

"Direito de resposta: Miguel Lucas Pires
"Juiz" do Tribunal Arbitral do Desporto reage à notícia da Sábado

Ex.mo Senhor
Director da Revista Sábado,
Ao abrigo do direito de resposta, consagrado no art.º 24.º da Lei de Imprensa, venho exercer o meu direito de resposta, exigindo a imediata publicação do seguinte texto na página electrónica da v/ publicação e que se motiva pela notícia constante do link abaixo http://www.sabado.pt/portugal/detalhe/juiz-do-tribunal-arbitral-do-desporto-apanhado-a-pedir-bilhetes-ao-benfica?ref=HP_DestaqueaRasgar:

1. Eu a minha família somos amigos do Prof. Fernando Seara há décadas a esta parte, mais precisamente desde a data em que o Prof. Fernando Seara trabalhou e foi colega do meu Tio, Francisco Lucas Pires.
2. Por força dessa amizade, desde há muitos anos a esta parte que solicitei regularmente ao Prof. Fernando Seara bilhetes para jogos do Benfica e da seleção nacional, para mim, para familiares meus e até para amigos meus.
3. Em alguns casos tais bilhetes eram pagos por mim, noutros casos eram oferecidos pelo Prof. Fernando Seara.
4. Inversamente, quando se realizavam jogos em Coimbra, nomeadamente entre a Académica e o Benfica, cabia-me a mim retribuir a cortesia e adquirir os bilhetes para o Prof. Fernando Seara.
5. Em suma, os bilhetes que constam da notícia (tais como outros) foram solicitados a um amigo de longa data que, apesar da minha insistência, sempre se recusou aceitar que eu procedesse ao pagamento dos mesmos.
6. No que diz respeito aos bilhetes em causa, do texto do sms por mim enviado a solicitar os bilhetes em causa (que a seguir transcrevo) consta a indicação expressa da minha intenção de efetuar o pagamento dos mesmos, o que apenas não aconteceu devido à insistência e firme oposição do referido Prof. Fernando Seara: "Caríssimo, ficaria muito grato de me pudesse arranjar 5 bilhetes (3 adultos e duas crianças) para o jogo de 6.ª feira, se possível para um local calmo. Mas, insisto, faço questão de pagar! Muitíssimo obrigado! Abraço".
7. Sempre desconheci qual a proveniência dos bilhetes que o Prof. Fernando Seara me oferecia, nomeadamente se eram comprados pelo Prof. Fernando Seara (em nome da enorme gratidão que sempre demonstrou pela pessoa do meu tio Francisco Lucas Pires) ou se, pelo contrário, eram oferecidos e, nesta última hipótese, por quem (dirigentes ou não do Benfica).
8. No caso concreto, os bilhetes destinaram-se ao meu Pai, ao meu irmão, ao meu sobrinho a um amigo, aproveitando a vinda a Portugal do meu irmão e do meu sobrinho (que vivem no estrangeiro).
9. À data dos factos (Abril de 2017), o Prof. Fernando Seara não desempenhava nenhum cargo no Sport Lisboa e Benfica.
10. Conforme resulta do exposto:
a) os bilhetes em causa não foram solicitados a nenhum dirigente, funcionário, atleta ou treinador do Sport Lisboa e Benfica;
b) quando solicitei os bilhetes a um amigo de longa data, desconhecia como este iria obter os mesmos bilhetes (se comprando se solicitando-os a alguém do Sport Lisboa e Benfica);
c) quando solicitei os bilhetes, fiz menção da minha intenção de pagar os mesmos; e
d) o beneficiário dos bilhetes em causa nem sequer fui eu próprio, mas sim familiares meus;
11. Por isso, não está em causa qualquer violação do Estatuto Deontológico dos Árbitros do TAD (mormente do seu art.º 3.º, n.º 4).
12. Acresce que não sou, nem nunca fui, sócio, dirigente, funcionário ou accionista do Sport Lisboa e Benfica ou das diversas empresas do seu universo empresarial.
13. Nunca celebrei, nem mesmo no âmbito da minha actividade profissional, qualquer contrato de prestação de serviços com o Sport Lisboa e Benfica ou alguma das diversas empresas do seu universo empresarial.
14. Acresce, ainda, que à data dos factos (Abril de 2017), não exercia funções de árbitro em nenhum processo em que fosse parte o Sport Lisboa e Benfica ou alguma das diversas empresas do seu universo empresarial, ou algum jogador, treinador, dirigente ou funcionário.
15. Desde a data dos factos e a até à presente data, não exerci funções de árbitro em nenhum processo em que fosse parte o Sport Lisboa e Benfica ou alguma das diversas empresas do seu universo empresarial, ou algum jogador, treinador, dirigente ou funcionário.
16. Estes mesmos esclarecimentos foram enviados ao jornalista antes da publicação da notícia, o qual, faltando à verdade e sem qualquer elemento que o comprove, intitula o artigo "juiz apanhado a pedir bilhetes ao Benfica".
17. Quando muito e embora seja igualmente espúrio e abusivo, o título da notícia poderia ser "juiz apanhado a pedir bilhetes para jogo do Benfica", o que é substancialmente distinto. Em face do exposto exijo:
a) a publicação deste esclarecimento/direito de resposta com o mesmo destaque dado à notícia em causa; e
b) a imediata eliminação da notícia das plataformas electrónicas ou, no mínimo, a alteração do respectivo título para "juiz pede bilhetes para jogo do Benfica".

Mais informo que irei fazer seguir esta comunicação por carta registada com aviso de recepção e que me reservo outro direito de resposta logo que tome conhecimento integral da notícia que irá ser publicada na edição impressa da v/ revista.
Reservo-me, ainda, o direito de desencadear os procedimentos legalmente previstos para assacar a responsabilidade civil e criminal da parte da vossa publicação.
Melhores cumprimentos
Miguel Lucas Pires

Nota da Direcção: O professor Lucas Pires foi contactado previamente à publicação da notícia. A Sábado transcreve na sua edição impressa os esclarecimentos pertinentes aí prestados"

Miguel Lucas Pires, in Sábado

Alvorada... do Zé Nuno

As mil guerras do Sporting

"De manhã, uma resposta dura ao presidente do Sp. Braga. À hora do almoço, uma pequena provocação ao FC Porto, com quem ainda há pouco tempo se assinavam comunicados em conjunto. A meio da tarde, uma ‘rajada’ ao Benfica, para não se perder o hábito dos últimos anos. E já pela noite dentro, um acerto de contas com Paulo Pereira Cristóvão.
O plano de comunicação digital do Sporting é suficientemente largo para contemplar todos estes alvos de uma só vez. No mesmo dia, o leão é capaz de desafiar o eterno rival de Lisboa (Benfica), o aliado estratégico (FC Porto), o adversário da última jornada (Sp. Braga) e ainda um seu antigo vice-presidente (PPC). De fora ficam, desta vez, o presidente da Federação, o presidente do Conselho de Disciplina, os empresários, a Doyen, Octávio Machado, o West Ham e por aí fora. Não será demasiado?
Com este cenário de guerra a tomar conta dos últimos dias, e com uma ida do presidente à Web Summit pelo meio, Jorge Jesus foi quem ficou a ganhar. Foi da forma que ninguém procurou saber a razão porque o Sporting viu meia equipa ir parar ao departamento médico com problemas musculares e, assim, também ninguém fez muitas perguntas sobre a incapacidade que o leão demonstrou para responder, em campo, a um Sp. Braga de qualidade superior."

Jonas e mais dez

"1. O V. Guimarães-Benfica, do último domingo, e o emergir do talento de Krovinovic, fez recuperar um debate que se pensava encerrado desde as primeiras semanas da ‘era Rui Vitória’ na Luz. A questão é complexa, mas até se adequa a todos as equipas com caudal ofensivo assinável que actuem em 4x3x3 (ou 4x1x4x1, se quisermos) e não disponham de um ponta-de-lança de raiz como elemento mais avançado. No Benfica é que talvez não se abordasse o tema de forma contínua desde os tempos de João Vieira Pinto...
Jonas tem de ser intocável. Trata-se ainda, e de forma indiscutível, do melhor jogador do Benfica. E nem sequer é necessário recorrer à estatística – em que esmaga no item mais importante, o dos golos – para se chegar a essa óbvia conclusão. Basta assistir aos jogos. Desta forma, e Rui Vitória cedo percebeu isso, terá de ser o sistema táctico a adaptar-se ao seu jogador mais importante e não prescindir dele em detrimento de um substituto menos competente. Salvo qualquer problema de ordem física, haverá assim de encontrar mais 10 jogadores para completar o onze.
Na Luz, e frente a adversários que baixam o bloco defensivo, reconhecendo implicitamente a sua inferioridade, Jonas deve fazer parceria com um homem de área, Jiménez preferencialmente, no habitual 4x4x2. Nas ocasiões em que é necessário robustecer o meio-campo, como em Guimarães e, certamente, no Dragão, manda a lógica e a sensatez que o brasileiro seja o elemento mais avançado, surgindo-lhe, neste 4x3x3, o apoio através dos alas ou do elemento do miolo com ‘mais chegada à área’.

2. Face ao plantel de que o Benfica dispõe, não restam grandes dúvidas quanto aos sistemas tácticos a utilizar... e poucas mais restam quanto à titularidade de Krovinovic, jogador que tanto pode actuar no miolo como até nas alas, à semelhança, por exemplo, de João Mário. Num 4x3x3, a presença do jovem croata é mesmo indiscutível. Num 4x4x2 tem Pizzi – que, curiosamente, descaído para os flancos também garante jogo interior – como concorrente. Actualmente, e face ao momento de forma do internacional português, o ex-Rio Ave tem tudo para ser o eleito de Rui Vitória. Que Pizzi derive para as alas ou para o banco de suplentes já é uma questão a esgrimir entre o outrora intocável titular do Benfica e os muitos extremos que a equipa ostenta.

3. Nos últimos dias, o ruído em torno dos casos de arbitragem e não só, cresceu de tal forma que acabou com qualquer réstia de esperança relativamente à pacificação do futebol português. É impossível. Os dirigentes não estão interessados nisso, nem nunca estiveram, até porque esta é uma forma de branquearem eventuais insucessos. Mas haverá um dia em que já ninguém lhes liga nenhuma. E eu já não ligo há muitos anos."

O fim do bandeirinha?

"Todas as roturas são polémicas.Nunca acreditei que a implementação do VAR (video assistant referee sigla em inglês) não fosse um exercício de trapézio (e em alguns casos sem rede), mas ele veio para ficar (em Portugal, pelo menos mais uma época) e ainda bem. Voltar atrás colocaria o futebol à condição de disco de vinil: é giro, mas coisa de colecção. De revivalistas.
O problema não está no VAR, antes na forma como se ainda olha para ele. Comparando, é como se fossem os taxistas do aeroporto a gerir a frota da Uber: uma tecnologia nova com vícios velhos. O futuro, creio, não passará por ter juízes de árbitro de régie; o futuro poderá passar por uma nova categoria de VAR: analistas com qualificações que vão muito para lá da experiência na relva.
E há uma categoria em risco: os auxiliares. Tendo os árbitros a recomendação de esperar que a jogada decorra mesmo quando é levantada a bandeira de fora de jogo para dar tempo ao VAR de se pronunciar, fará sentido que daqui a uns anos continue a haver os bandeirinhas?
Ou pelo menos terem a função de assinalar o offside? A tecnologia está cada vez mais avançada e a que existe hoje já daria para resolver a questão do fora de jogo. O leitor conhece aqueles minicoletes que os jogadores usam por debaixo das camisolas? Pois eles emitem um sinal de GPS. Ora, bastaria uns ajustes de software e que a bola usasse um chip (como na tecnologia da linha de golo) e facilmente observaríamos em tempo real se o pontinho azul (o jogador que recebesse a bola) estaria à frente da linha de pontinhos vermelhos (a defesa) que surgiriam no monitor do videoárbitro, além das imagens. O auxiliar até poderia continuar em campo, mas outras funções, deixando o poder do digital funcionar. É apenas uma ideia, outras poderão e deverão surgir. Porque a criação do VAR deu início a uma nova era: a da fiscalização menos humana no futebol."

Fernando Urbano, in A Bola

Velhas guerras, novos guerreiros

"Boa e esclarecedora entrevista do presidente do Conselho de Arbitragem, Fontelas Gomes, na edição de ontem de A Bola. Ao mesmo tempo directa e... preocupante.
Directa, porque não foge à atribuição de responsabilidades, acusando os presidentes dos principais clubes do clima de guerra civil em que vive o futebol português, de resto, juntado-se à posição do presidente da FPF, Fernando Gomes; preocupante, porque deixa perceber que os árbitros estão tão fartos de serem joguetes nas mãos de gente irresponsável que, muito provavelmente, irão, em breve, tomar uma posição de força e parar, pelo menos, os campeonatos profissionais.
Aparentemente quietos e calados continuam os poderes públicos, apesar dos avisos laranja. Trata-se, afinal, de um outro tipo de incêndios onde, por norma, os políticos também não se querem queimar.

Bruno de Carvalho tem, agora, um novo e difícil adversário pela frente. As denúncias apresentadas na Procuradoria-Geral pelo antigo vice-presidente do Sporting, Pereira Cristóvão, são suficientemente graves para o Ministério Público ter iniciado a respectiva investigação. Entretanto, a troca de acusações entre ambos demonstra que estamos apenas no início de uma longa e desgastante batalha entre lutadores que sabem usar o mesmo estilo de combate.
O problema maior para o presidente do Sporting é que numa guerra sem tréguas sai sempre mais a perder quem tem uma posição institucional a defender. Pelo menos, enquanto Bruno de Carvalho não puder vir a público provar que a justiça lhe dá razão."

Vítor Serpa, in A Bola

É possível salvar o futebol português?

"Num dos grandes jogos da Premier League do fim-de-semana, o City-Arsenal, houve um golo em claro fora de jogo e um penalty a favor da equipa de Manchester que levantou sérias dúvidas. No fim do jogo, o treinador do Arsenal foi contundente nas críticas ao árbitro. Os analistas deram-lhe razão em parte, mas sublinharam a grande superioridade da equipa de Guardilola e o tema, nos média, morreu ali. Não houve dirigentes emproados – e ainda por cima cheios de telhados de vidro – directores de comunicação no Facebook ou no Twitter, horas infindáveis de discussão na TV, imagens a andar para trás e para a frente com especialistas de pacotilha, quanto mais adeptos aos gritos a falarem de cátedra.
Em Portugal é o que se sabe. Andamos neste patético frenesim e, como explicou sem nada mais poder fazer com as ferramentas de que dispõe o Presidente da Federação, há um clima de ódio instalado que é hoje o perigoso e talvez fatal pano de fundo do nosso futebol.
Não é necessário ser adivinho para antecipar que com o caso dos emails escancarado nos jornais, porque a Justiça acha que assim está bem, com este rastilho do caso lateral da transferência de Lucho González e agora com a ‘investigação’ a Bruno de Carvalho a tensão vai disparar. A Justiça tem que trabalhar, pena que não o saiba fazer em recato.
Chegámos a um beco sem saída? Num momento em que o futebol português dá cartas nas Selecções das diferentes categorias, e em termos globais em matéria de organização e inovação, seria uma extrema ironia, mas a situação interna é crítica e a recente ação de Fernando Gomes, tão desprezada pelos clubes de topo, deve ser entendida como um alerta geral. Ir ao Parlamento é melhor do que não ir, mas não chega. Gomes lá esteve e qual foi a consequência? Falou, por exemplo, da questão dos programas de televisão e - aqui d’el Rei - os programas são magníficos, a liberdade de programar é sagrada (ai sim?) e a ERC (esse ser ainda vivo) "não recebeu queixas". Tudo impecável.
O ano passado voltaram a morrer adeptos. O ambiente esta época, mesmo com o advento do VAR, continua irrespirável e estamos longe da fase decisiva da época em que os nervos estarão mais à flor da pele.
O poder político, e ninguém tem a autoridade do Presidente da República, deveria intervir no futebol. Exercer uma magistratura de influência, fazer um trabalho invisível, por um lado, e dinamizar, com a Federação e com a Liga, uns Estados Gerais que refundassem a indústria. Fernando Gomes, que já vai ficar na história do futebol português, podia dinamizar esta ideia ou outra, até melhor.
O tempo é agora porque o que se seguirá será complicado. É tão evidente que seria capaz de escrever, sem grande margem de erro, dez situações que ocorrerão nos próximos meses se nada for feito. Bom, escreverei apenas a primeira e não deixo de lamentar o meu pessimismo. Nada será feito para já, pelo menos até que algo de grave volte a acontecer. Estamos em Portugal.

A camisola polémica
Espanha, como outros países, apresentou oficialmente a camisola com que jogará no Mundial da Rússia no próximo ano. Foi uma acção concertada de uma das marcas – neste caso a Adidas – e as camisolas, como é habitual, são esteticamente semelhantes. A Espanhola, por exemplo, tem traços parecidos com a alemã. Isto seria um não assunto se às riscas, muito finas, do equipamento espanhol não fossem azuis (cor da república num estado monárquico) se nos jogadores escolhidos não constasse um único do Barcelona e se o poder político não tivesse feito da camisola da selecção (!) um assunto de estado. Este estado de coisas decorre da situação da Catalunha que é já hoje, a seguir ao desemprego, o segundo tema que mais preocupa os espanhóis. O futebol, que tem servido de palco aos independentistas e também em plano mais reduzido aos defensores da unidade do estado, está a ser vítima da estupidez ou simplesmente da mesquinhez dos políticos.

Abel Ferreira
provou que é um bom treinador e se António Salvador o apoiar - tenhamos memória - pode ser um técnico de longa duração em Braga, capaz de fazer do clube finalmente campeão. É um grande desafio. Abel podia ter ganho o jogo de Alvalade e é duro empatar no último minuto num lance ilegal, mas, se fosse frio na análise, também teria que dizer que o Braga não foi apenas prejudicado. E que o empate está certo. A saída do Sporting em condições injustas não lhe podem toldar a lucidez. 

Pedro Martins
Sendo um dos melhores treinadores portugueses, Pedro Martins tarda em acertar o passo esta época. A equipa tem muitas fragilidades, como se voltou a ver contra o Benfica. Depois de uma temporada de alto nível é urgente mudar o estado das coisas em vez de atirar as culpas para a arbitragem, como no caso da putativa expulsão de Svilar. Pedro é capaz de mais e melhor."

Apoio 'ilegal' a claques

"1. "Claques ilegais" ou apoio ilegal a "claques"?
Estes conceitos têm sido muito confundidos, mas, juridicamente relevante, por ser regulado e sancionado pela Lei contra a Violência no Desporto (Lei nº 39/2009, de 30/07, alterada pela Lei nº 52/2013, de 25/07), é o apoio qu "e seja prestado por clubes ou sociedades desportivas a grupos organizados de adeptos (vulgarmente conhecidos por "claques"), cujo próprio registo e o dos seus membros não tenha sido devidamente efectuado junto do Instituto Português do Desporto e da Juventude.
A qualquer grupo organizado de adeptos não pode ser imposta a sua constituição como associação com personalidade jurídica, nem a qualquer pessoa pode ser imposta a sua filiação nessa mesma associação, sob pena de violação do principio constitucional da liberdade de associação, pelo que não são as "claques", propriamente ditas, que se encontram à margem da lei.
O que não é permitido é a atribuição de qualquer apoio por parte do promotor do espectáculo desportivo (clube ou sociedade desportiva), nomeadamente através da concessão de facilidades de utilização ou cedência de instalações, apoio técnico, financeiro ou material, a qualquer grupo organizado de adeptos que não cumpra os requisitos e as exigências da lei.

2. Quais as consequências do apoio "ilegal"?
O apoio às "claques" deve ser objecto de protocolo com o clube, a celebrar a cada época desportiva, sendo disponibilizado à força de segurança e ao IPDJ, mas traduz-se também nas obrigações de manter um registo sistematizado e actualizado dos membros das "claques", de lhes reservar, nos recintos desportivos, uma ou mais áreas específicas, ou na limitação de ceder ou vender bilhetes às "claques" em número superior ao dos seus membros registados.
O incumprimento destas obrigações ou qualquer forma de apoio a "claques" que não se adaptem às exigências legais pode determinar, entre outras consequências, se houver coragem para tal por parte do IPDJ, a realização de espectáculos desportivos à porta fechada."

Lanças... Web e o lamaçal !!!

Os dois sítios em que o futebol português é suportável

"O futebol acontecia-me todos os dias. Com a cor laranja no horizonte, a bola a bailar com os pés, a fazer da terra pó, um campo de pequenas planícies e montes mínimos, irregular, portanto, com relva aqui e ali, e com as camisolas poeirentas também dos ídolos Ronaldo, Messi, Neymar.
O futebol acontecia-me todos os dias pelo canto do olho quando ia para casa, dentro de um carro com o ar condicionado no máximo para a humidade não me consumir.
E acontecia ao mesmo tempo que uma vaca pastava ali ao lado, os cães vadiavam e as crianças brincavam numa estrada demasiado ocupada e perigosa para quem conduz, quanto mais para quem faz dela recreio.
O futebol acontecia-me todos os fins de tarde no seu estado mais puro em Comoro… e perdia o brilho nas madrugadas de Díli.
Era aí que se transformava em tudo o resto: televisão, negócio, rivalidade, Real Madrid-Barcelona, FC Porto, Sporting e Benfica. E desconfortável. Não só pelo meu ridículo sofá, mas pela exigência de se acordar às 3, 4 ou 5 da manhã, estar 90 minutos em frente ao televisor (se fôssemos ver apenas um jogo), dormir de novo e ir trabalhar no dia seguinte, se a partida era ao domingo ou de Champions. Se não era, provavelmente, no dia seguinte, repetir-se-ia a coisa.
Tornava-se quase desesperante quando a programação não permitia estar cómodo e ver um jogo pelo televisor. Piorava, portanto, quando se tinha de fazer streaming, num sítio em que carregar um vídeo de três minutos do Youtube significava, por vezes, ter de ir fazer o jantar. E reparem que esta ideia de obrigação é propositada.
Que dizer quando, a juntar à madrugada, à humidade corrosiva (mesmo de noite!), aos 1MB de wi-fi que não chegam e obrigam a mudar para uma pen 3G, ainda se tem de vir para o alpendre para ver se o raio do satélite nos dá alguma paz durante 90 minutos.
O futebol das madrugadas de Timor-Leste era incómodo, desconfortável, mas tinha algo de valor inegável: terminava quando o árbitro apitava.
Para além da conversa ocasional no café durante uns poucos minutos, na manhã depois, o futebol das madrugadas era uma coisa sã no dia seguinte, não tinha um prolongamento inflamado nas redes sociais, porque, pura e simplesmente, era desperdiçar muito tempo a carregar um vídeo em que três pessoas berram e gesticulam e inquinam argumentos, quando esse tempo era necessário para se ver outros golos, outros campeonatos…ou fazer-se o jantar.
O futebol português acontecia-me todos os dias em Díli, Timor-Leste. Sem jornais impressos, apenas a ler este em que escrevo, sem programas de TV para ver de seguida.
A diferença horária, a velocidade de megabytes, e uma ou outra escolha pessoal eliminaram o ruído, a poluição, e deixaram o essencial.
Com todas as insónias causadas e dores de cabeça consequentes, foi o momento em que mais apreciei a nossa Liga nos últimos anos. Mesmo aqueles que procuravam saber o que achava referiam-se ao que se passava em campo.
E aí, no relvado, o futebol português tem beleza e ideias se as soubermos ver.
É aí, no relvado, também, um de dois sítios em que o futebol português é suportável.
O outro é bem longe daqui. É o mais longe que se puder."

Benfiquismo (DCLII)

Selecção... 1922 !!!

Redirectas LV - Seguem O Dinheiro


A propaganda oficial continua. E as pessoas compram-na como sendo um dado adquirido. Foi isto que mais uma vez nos veio dizer Domingos Soares de Oliveira:  

“É difícil competir pois os jogadores seguem o dinheiro.”

Eu pergunto, se é assim porque recusou Raúl Jiménez ir para a China criando um mal estar visível na SAD do Benfica que deixou de ver 50 milhões de euros (menos COMISSÕES) entrarem nos cofres? Porque os jogadores seguem o dinheiro? Porque se recusou Jonas? Porque se recusou Mitroglu? Recusaram todos. E a SAD do Benfica ficou de mãos a abanar.
Este tipo de frases, entre outras, que Domingos Soares de Oliveira proferiu, e que, Luís Filipe Vieira vem repetindo de uma forma verdadeiramente infeliz (“tivemos que os deixar ir”), caem por terra quando a realidade nos mostra algo completamente diferente.
E quando assim é, o discurso perde toda a credibilidade.
Se nos recordamos, Luís Filipe Vieira viajou à China e depois andou pela Europa do futebol a bater de porta em porta até que o PSG lá concordou em pagar o preço de tabela para contratar Gonçalo Guedes. E lá estava Luís Filipe Vieira todo sorridente tirando a foto de família.
E o que nos diz Gonçalo Guedes agora?
“o presidente ... falou-me da importância dos jogadores jovens serem vendidos para outros grandes clubes...”
Faltou dizer para o Gonçalo não contar isso a ninguém que é segredo. O que o Gonçalo tem de falar é que saiu do Benfica em busca do rastro do dinheiro. Quem segue o dinheiro afinal?

Eu não sei quanto a vocês companheiros mas, histórias para embalar meninos já tenho eu a minha quota-parte. E, quem conta uma, conta mil. É preciso acontecer o quê mais, para se perceber que existe um discurso que não é consentâneo com a realidade? É que milhões há muitos...
Podia ficar aqui o dia todo a dissertar sobre isto. Eu só pergunto uma coisa: o futuro melhor guarda-redes do mundo já tem destino ou o Jorge Mendes ainda não falou com a malta dos 30 milhões? É que ser o futuro melhor do mundo não é para todos. O Messi por exemplo foi contratado aos 9 anos.
“As grandes estrelas podem chegar em breve aos 300, 350 milhões” 
( Domingos Soares de Oliveira)

Se não fosse para chorar daria para rir...

Pelo Benfica Sempre!

Redheart

Redirectas:

Redirectas LIV - Ponto De Partida

VARinha mágica e farinha 33 (VAR fora-de-jogo)

"O que teria dito Domingos se o oponente fosse o Benfica e não tivessem sido assinalados dois 'penalties' contra o Belenenses?

Esta ronda do campeonato foi, VARiavelmente eloquente. Refiro-me à apreciação do VAR, não se sabendo ainda se umas vezes é o vídeo do árbitro que interfere ou se é o árbitro do vídeo que determina. Um insondável VARómetro...
Nas últimas jornadas, o VAR virou VARinha. Primeiro, aVARiado nas Aves, assim permitindo o desenrolar de uma jogada irregular que acabou por terminar no terceiro golo do Benfica (todavia, recordo para os mais distraídos que o Benfica já estava a ganhar).
No FC Porto - Belenenses, juntou-se a fome com a vontade de comer: um VAR mais a arquiVAR do que o comproVAR e um árbitro VARíssimo, perdão Veríssimo, como de costume tão desastrado, quando vaidoso. Dois penálties cristalinos a favor dos azuis do Restelo por marcar, quando o resultado estava em branco. Protagonizados por um tal de Felipe que já no jogo contra o Leixões deveria ter sido expulso e nem um sumaríssimo ou coisa que o valha levou. O homem esquece que o jogo é com uma bola e atira-se ao oponente com impetuosos encostos de ombros, isto é com os braços que tem mais à mão. Tudo tão evidente que só posso imaginar que o VAR estivesse a saliVAR não sei o quê.
No Sporting - SC Braga, inventou-se uma nova forma de desactiVAR o VAR: é que o árbitro principal e o assistente não esperaram meio-segundo para justificar a existência do VAR. Assim o SC Braga marcou um golo limpinho, para o qual o VAR nada poderia fazer por subitamente interrompida a jogada por um apito xistrado. Curioso é que, em tese, o VAR existe para que os árbitros de campo não se precipitem e usem a cabecinha com conta, peso e medida. Curioso é também há uma semana, no Rio Ave, o fora-de-jogo (ainda que curto) do golo de Bas Dost ter passado com VAR. E ainda houve o penálti que dá o empate dos leões na última jogada da partida com o SC Braga. Patetice de Ricardo Horta, contudo precedida de uma falta clara de Doumbia sobre um defesa bracarense. Os mesmos que apontaram o dedo ao árbitro em Aves, são agora os mesmos que se calam perante uma situação que alterou o resultado final (ao contrário do jogo do Benfica).
Enfim, muita tinta já correu sobre o VAR e vai continuar a correr. As coisas aparentemente estão a correr pior do que se suporia no início. Sobretudo com aquela regra tentativvamente objectiva de o VAR só balbuciar quando não há margem para dúvidas. Pois é, mas esta suposta certeza não deixa de ter uma parte subjectiva, como já vimos, sobretudo, em situações de grande penalidade. Ou seja, para anular um penálti marcado pelo árbitro, o VAR tem de estar plenamente seguro da sua posição. Basta 1% de insegurança e nada muda (vide o golo claramente forçado do Sporting ao V. Setúbal no final dos 90m.). E para dizer ao árbitro para marcar um penálti por ele não assinalado, o VAR tem de estar 100% seguro (vide os lances do FCP - Belenenses). Entre as duas situações, vale tudo, isto é, manda o árbitro, com o VAR a não estorVAR.
Uma curiosidade: havia um sportinguista fardado, com o número 33 (como a farinha) que estava do lado contrário aos bancos e exactamente atrás do juiz de linha que subiu a bandeirinha na jogada do golo mal anulado ao SC Braga. A fazer o quê?

Europa e Selecção
Mais uma jornada europeia. Desta vez melhor para Portugal. Excelente o Vitória, valente o Sporting de Braga. O FC Porto ganhou e consolidou a aspiração a passar à fase seguinte, mas a resultado é algo enganador. O Sporting é, também esta época, o campeão europeu do quase. Quase ganhava ao Real Madrid e ao Dortmund no ano passado, quase ganhava ao Barcelona e à Juventus este ano. Um quase que não deu para ganhar ao SC Braga. Questão física? Cansaço mental? Já o Benfica continuou a sua penosa campanha europeia. Não me serve de consolação dizer que «jogámos benzinho» em Manchester e que o árbitro foi muito mau (um abalroamento sobre Pizzi na área inglesa e o primeiro penálti contra o Benfica inventado). Não gosto de resultados morais e muito menos de elogios de comiseração de Mourinho.
A propósito, porque é que há árbitros para quem a mesmíssima falta é assinalada se fora da grande área e não o é se dentro dela? Por exemplo, voltando aos penáltis destes últimos dias, o lituano que arbitrou em Manchester não marcaria a falta sobre o Pizzi se fosse a meio-campo? Ou se, no Dragão, Felipe tivesse abalroado os jogadores do Belenenses no círculo central? Claro que sim. Há árbitros que assinalam faltinhas de trazer por casa de forem fora da área. Mas dentro desta (e não para todos) só quase por requerimento...
Entretanto, vamos ter nova paragem de campeonato. Um jogo da Taça e mais dois joguinhos da Selecção contra as excitantes selecções saudita e americana. Uma ocasião para mais uns internacionais de momento. Registo, também, um ponto que é recorrente: basta um jogador passar a jogar num dos grandes ou, a nestes, passar a titular, para imediatamente ser seleccionado. Desta vez, foi José Sá, titular há... duas semanas. Nos três grandes estas internacionalizações-cometa são abundantes. Uma espécie de Farinha 33 que transforma estes craques.

Treinadores e adeptos
Neste momento, os três grandes são treinados por três treinadores portugueses (dado que, felizmente, já deixou de ser novidade) com ligações afectivas aos clubes que treinam. Rui Vitória, benfiquista no SLB; Sérgio Conceição, portista no FCP e Jorge Jesus, sportinguista no SCP. Aliás, já no ano passado, assim era, por Nuno Espírito Santo era o portista treinador dos portistas.
Acontece que estes três actuais técnicos, quando do lado oposto ao seu clube do coração, foram sempre profissionais de grande dignidade e discernimento. Quem não se lembra de Jorge Jesus no Benfica, mesmo contra o seu clube de eleição? E de Sérgio Conceição no V. Guimarães a contrariar o que lhe ia no coração de portista? Ou Rui Vitória a vencer o (seu) Benfica numa final da Taça de Portugal?
Confesso que os admiro por isso. Ou melhor dito, porque imaginando-me numa das suas posições, não me julgaria capaz de jogar (ou treinar) contra o meu Benfica. Bem sei que é a voz de um adepto que apenas enfrenta, por hipótese académica, tal situação. Seja como for, é bonito ver técnicos briosa e completamente profissionais. Ainda há coisas boas neste mundo do futebol incendiário.
Há um treinador que, porém, não seguirá tanto a regra, percebendo-se claramente nas declarações que não se consegue desligar dos seus amores clubistas. Falo de Domingos Paciência, um bom técnico, mas que tem olhos diferentes (ou cegos) para analisar jogadas quando defronta o FC Porto ou os rivais. Ainda não esqueci o que ele disse quando o Benfica venceu o campeonato 2010/11 numa luta acesa com o SC Braga, situação que creio nunca repetiria se o concorrente tivesse sido o FCP. Lembro-me, treinador da Académica, a dizer que não viu irregularidades claras que prejudicaram os estudantes contra o FCP. E agora no passado sábado, não viu, nem quis ver dois penáltis não marcados que prejudicaram o seu actual clube, Belenenses. «Não vi o lance! Já existe o VAR, se tivesse de agir, creio que teria agido...» Que bonomia e que santa compreensão! O que, nas mesmas circunstâncias, teria dito se o oponente fosse o Benfica?

Contraluz
- Palavra: Contemporizar
É assim que alguns dizem em vez de temporizar. É que contemporizar significa comprazer, condescender, transigir. Já temporizar quer dizer alongar, deter, retardar, atrasar, demorar. Ora quando jogador temporiza a bola ou o movimento estará a deter (a bola) ou a retardar (o passe) e não a comprazer-se ou a ser condescendente. Mas pronto, acabo por contemporizar este meu comentário, mesmo que sem temporizá-lo.
- Acção: Vestir (ou tentar vestir) um casaco ou parka aos jogadores que são substituídos
Passe-se nos jogos de equipas importantes (cá e lá). Não sei se o colaborador no banco de suplentes encarregado (será o 33?) dessa enorme tarefa faz mais alguma. Não sei se é por razões de prevenção de doença respiratória, ou coisa que o valha. Só sei que é uma modernice em forma de redoma para uns tantos intocáveis. Que, não raro, logo tiram o manto protector.
- Emoção: O apoio dos benfiquistas em Old Trafford
Comoventes aqueles minutos que se seguiram ao fim do jogo. Muitos provindos de países onde trabalham, exprimindo o seu indefectível amor ao clube. Mereciam mais..."

Bagão Félix, in A Bola

Vitória... sem golos sofridos!

Benfica 4 - 0 Turquel

Não foi uma exibição de encher o olho, mas aparentemente estamos mais consistentes defensivamente... Aliás, parece-me mesmo que o Pedro Nuno 'inventou' uma nova estratégia de rotação: uma 1.ª parte mais conservadora, dando descanso aos jogadores mais ofensivos, e terminar a 2.ª parte, com os 'fantasistas' em campo, com as pernas frescas...!!! E até agora, tem dado resultado...!!!
Prevejo, um problema com esta estratégia: com 0-0 ao intervalo, como aconteceu hoje, se o golo não aparecer cedo no 2.º tempo, vamos dando 'esperança' aos adversários, podendo tornar os finais das partidas demasiado 'apertados'!!! Sendo que o ano passado, utilizado outra estratégia, os finais emocionantes, foram vários...!!!