Últimas indefectivações

terça-feira, 22 de maio de 2012

Os números de uma farsa

"Terminado que está o Campeonato Nacional de Futebol, a desilusão reina entre os benfiquistas. O principal objectivo da época não foi atingido. O título voltou a fugir-nos, depois de se insinuar, durante semanas, no nosso horizonte.
Perante a decepcionante realidade, diferentes tipos de reacção de observam. Uns choram as lágrimas da sua genuína amargura. Outros procuram exorcizar frustrações, disparando culpas para cima de quase toda a gente. É a natureza humana que, particularmente no mundo da bola, onde todos as emoções são levadas ao extremo, se manifesta nas suas melhores, e piores, facetas.

Um Campeonato manipulado
Cabe agora aos cronistas dissecar os motivos que levaram a este desfecho. Houve erros próprios, que não podemos iludir, e que deveremos saber corrigir dentro da nossa casa, com serenidade, e sem pressões nem dramatismos exagerados. Mas há uma verdade que nenhum observador isento poderá esquecer: este Campenato foi, em larguíssima medida, manipulado pelas arbitragens, que nos momentos decisivos nos puxaram pelos pés, levando outros ao colo.
É assim há mais de vinte anos. Já estamos de certo modo habituados. Tão habituados que até achamos normal, e exigimos aos nossos profissionais que se sobreponham a esse obstáculo - como se ele não existisse, como se ele não fosse suficientemente opaco para os impedir de chegar mais longe, e de nos oferecer mais alegrias.
O Futebol é sempre analisado em cima dos resultados. Quem ganha, leva tudo. Para quem perde, fica apenas a desilusão, e por vezes a revolta. O FC Porto foi campeão, e é isso que vai constar nos arquivos da história. Poucos se irão lembrar das portas e travessas por onde este título passou. Ninguém irá reconhecer mérito aos perdedores, mesmo sendo eles, neste caso, apenas vítimas de uma perseguição ignóbil e desenfreada.

Os factos
Resta-nos a memória. E para isso deixo aqui um número: 24. Vinte e quatro penáltis por marcar a favor do Benfica. Em 24 ocasiões, os árbitros não viram, ou não quiseram ver, infracções dentro da área dos nosso adversários. É demais, para uma só época, para tão só trinta jornadas.
Deixo aqui a referência a todos esses lances. Dariam para um filme. O filme de uma mentira. Não nos deixemos enganar por ela.
2.ªJ, c/Feirense: agarrão a Nolito;
4.ªJ, c/Guimarães: corte com a mão junto à linha de fundo, com o resultado zero a zero;
5.ªJ, c/P. Ferreira: falta sobre Aimar, aos 44', derrube a Matic, e corte com a mão;
10.ªJ, f/Braga: falta sobre Luisão na sequência de um canto;
17.ªJ, f/Feirense: corte com a mão, falta sobre Rodrigo, e empurrão a Javi;
19.ªJ, f/Guimarães: pontapé no pé de Rodrigo;
20.ªJ, f/Académica: corte com a mão de Cedric, aos 7 minutos, e rasteira a Aimar aos 57 minutos;
22.ªJ, f/P. Ferreira: agarrão a Jardel logo no início, derrube a Bruno César, e duas faltas sobre Nélson Oliveira nos minutos finais;
24.ªJ, f/Olhanense: empurrão a Javi, agarrão a Cardozo, e corte com a mão de Toy;
26.ªJ, f/Sporting: rasteira a Gaitán logo no primeiro minuto, e agarrão a Luisão ainda na primeira parte;
28.ªJ, f/Rio Ave: empurrões a Cardozo e Saviola, ambos nos últimos dez minutos.

São estes os lances que referi, 17 dos quais ocorridos a partir do momento em que nos viram com cinco pontos de vantagem. Não são todos claros. Alguns seriam passíveis de diferentes interpretações. Mas muitos - seguramente bem mais de metade -, constituíram erros grosseiros de quem tinha por missão fazer cumprir as regras. E, juntamente com outros lances (fora-de-jogo de Maicon, penálti de Emerson em Braga, etc) desvirtuaram o Campeonato, fabricando um campeão que não merecia sê-lo.
Não adianta queixarmo-nos do treinador, das opções tácticas, ou dos falhanços deste ou daquele jogador. Muito menos dos dirigentes, e de uma ou outra contratação. Em condições normais, com verdade desportiva, teríamos sido campeões, com este treinador, com este plantel, e com esta Direcção. E essa é uma verdade que jamais poderemos ignorar na hora de fazer o balanço a esta triste temporada."

Luís Fialho, in O Benfica

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O ingénuo 'olimpismo'

"Com o final da época desportiva completa-se mais um ciclo na vida de Clube e, por consequência, na própria carreira do Jornal 'O BENFICA'.
Mais do que lambermos as feridas próprias, agora é tempo de se fazerem os balanços, as sínteses e os relatórios. Sem piedade nem condescendências e sem nenhuns falsos optimismos.
Devemos começar por nós mesmos, dentro de casa; usando um impenitente espírito crítico, mesmo quando e onde tínhamos saído vencedores, já que aí as nossas responsabilidades terão aumentado, por força das vitórias e das marcas atingidas.
Com consciência analítica mais apurada ainda, nas áreas em que nos deixámos vencer, ou fomos batidos por adversários que desportivamente nos superaram. Ou então, escancarando à claridade do dia a nossa mais contundente indignação e um mais vigoroso protesto, relativamente àqueles que traíram a nossa boa-fé, ao se revelarem displicentes e manhosas no uso das nossas valências e da grandeza do Benfica para seu benefício pessoal ou de grupos. É preciso que, de uma vez por todas, passemos a denunciar - em vez de lhe darmos corda - os idiotas úteis que ainda há bem pouco tempo nos pediram mercê e apoio, para, logo depois, se continuarem a revelar sem vergonha, ao serviço dos mesmos que lhes estabeleceram a perversidade e a corrupção como modelos de vida.
Sem tréguas, eles podem abanar e abanam; mas depois, servindo-se de desavergonhados capazes e de estratagemas canalhas, quase sempre acabam por se levantar e serem dados como vencedores. Podem usar máscaras, mas sabemos bem quem são esses mandaretes. Aonde estão e como agem. E não podemos continuar a ignorá-los.
Nestas circunstâncias, não podemos conceder-lhes por mais tempo o nosso ingénuo 'olimpismo'.
E neste fim de época desportiva, depois de procedermos ao cuidadoso inventário de todos os erros próprios (e muitos foram, de novo), perante contumazes adversários como estes 'lobos' que se dissimulam de 'borregos', teremos de recorrer a novas estratégias de relação negocial.
Sem equívocos.
(...)"

José Nuno Martins, in O Benfica

Políticas

"From: Domingos Amaral
To: Luís Filipe Vieira

Caro Luís Filipe Vieira
Na semana passada, escrevi aqui que o Benfica tinha de atacar o “sistema” de forma agressiva e permanente, pois só assim diminuiria o poder do FC Porto no futebol nacional. Ora, uma das formas de o fazer é aproveitar as consequências dos atos políticos do FC Porto. Quer exemplos? O FC Porto atacou publicamente, e de uma forma quase insultuosa, o atual presidente da Liga de Clubes, por discordar das suas propostas. Uns dias depois, o mesmo FC Porto interpôs um recurso jurídico que na prática impede o “alargamento” da Liga a 18 clubes, medida que tinha sido aprovada pela maioria dos clubes nacionais. E ontem, mais dois exemplos. O FC Porto apresentou uma queixa contra o Marítimo, pedindo a despromoção do clube; e no mesmo dia o presidente Pinto da Costa faltou à cerimónia de condecoração de Jorge Mendes, que é apenas o melhor empresário de futebol do Mundo. Já viu as inimizades, os ressentimentos, as faltas de cortesia que o FC Porto colecionou nestas últimas semanas? Já viu que nada no futebol português se altera contra a vontade imperial do FC Porto? Contudo, isto gera oportunidades políticas ao Benfica. Mais do que discutir as questões de fundo (o alargamento, blá, blá, blá), o que é importante é perceber que há novos aliados a conquistar. O Império Azul abriu o flanco e a sua exibição de poder musculado pô-lo de mal com o presidente da Liga; com a maioria dos clubes, cujo desejo sabotou: com o Marítimo; e até com Jorge Mendes e o Governo que o condecorou, que foram desprezados publicamente. É muita malta incomodada. E, nesta guerra perpétua, os inimigos dos nossos inimigos, nossos amigos são.
PS: Já conversou com o canal ESPN por causa das transmissões televisivas dos jogos? Pode ser uma alternativa..."

Campeão

"O Benfica voltou a ser o campeão das assistências. A expectativa em torno da prestação da equipa de Futebol profissional, uma chama imensa que resiste à crise financeira, uma grande campanha de markting, levaram à Luz, entre o Campeonato e a Taça da Liga, mais de 722 mil espectadores. O Benfica tem os jogos com mais público da época e ainda contribuiu para as melhores lotações em casa dos adversários. Confirma-se: sem o Benfica não há Futebol espetáculo nem Futebol negócio.
'TACUARA'
Num ano fraco em títulos, Óscar Cardozo, o 'Tacuara', ganhou a Bola de Prata. O paraguaio marcou ao Setúbal um golo raro, cheio de movimento para tirar adversários da frente e, perante o facto, nem que inventassem um penálti para o Lima. Não sei se Cardozo estará de saída. Sei que, a ir-se embora, deixará no Benfica marcas difíceis de igualar. Mas também a convicção de que poderia ter marcado mais.
TRIBUTO
De acordo com os jornais, o árbitro Proença é a escolha da UEFA para apitar a final da Liga dos Campeões. Trata-se de um tributo de M. Platini aos árbitros portugueses, na pessoa do autor do mais decisivo erro de arbitragem do Campeonato: a validação do golo com o qual o FC Porto venceu o Benfica na Luz e arrancou para o título. A eleição de Proença explica as escolhas dos árbitros que apitaram os jogos do Benfica com o Chelsea, em Lisboa como em Londres.
PLAY-OFF
O Benfica conquistou no Porto uma vitória que é bom prenúncio para o título de Basquetebol. Apesar das baixas na equipa, o Benfica calou as bancadas das Antas, e também a claque da SportTv, trazendo uma vitória para o play-off que segue agora em casa. Espero bem que num ambiente 'à Benfica'."

João Paulo Guerra, in O Benfica

Opinião, réplica, resposta... (e mais uma resposta!!!)

"Presidentes
Sendo o futebol um fenómeno de massas, e sendo estas propensas a reacções epidérmicas, não se estranha que, após uma derrota – mesmo que induzida por factores alheios -, a contestação floresça, atingindo naturalmente as figuras cimeiras dos emblemas derrotados. O Benfica, como maior clube português, não escapa a esses fenómenos, e as últimas semanas têm-no demonstrado. As minorias contestatárias não têm poupado ninguém, evidenciando com isso os efeitos do desalento e da frustração, mais do que qualquer ponderação sensata. O presidente Luís Filipe Vieira tem sido um dos alvos, a meu ver de forma totalmente injusta, e até ingrata.
O Benfica é de todos os sócios, e ninguém está acima do seu escrutínio. Não podemos, porém, confundir a crítica construtiva, com uma ilusória subversão dos factos. Deixemos de lado todo um património de recuperação institucional, de construção de infra-estruturas, de profissionalização e credibilização do clube, de dinamização de projectos de grande relevo, que tem de ser creditado ao nosso presidente. Ignoremos, por momentos, também as ocorrências que têm condicionado a verdade desportiva. Limitemo-nos a falar de resultados.
Só quatro presidentes, dos muitos que a história do Benfica já conheceu, foram mais vezes campeões de futebol do que o actual: Borges Coutinho, João Santos, Maurício Vieira de Brito e Adolfo Vieira de Brito. Com mais um título, Luís Filipe Vieira igualaria estes três últimos, ficando apenas atrás de Borges Coutinho (que ostenta a impressionante marca de sete campeonatos). E se considerássemos todas as competições futebolísticas, Luís Vieira estaria já destacado na 2ª posição com sete troféus, contra 10 do mesmo Borges Coutinho. No que respeita ao eclectismo, apenas João Santos e Luís Filipe Vieira alcançaram títulos europeus em duas modalidades distintas. João Santos, Luís Filipe Vieira e Borges Coutinho, foram também os únicos a triunfar em campeonatos de sete diferentes modalidades.
São apenas alguns números, que convém não ignorarmos."

Luís Fialho, in O Benfica




"Absurdos, falácias e Benficas
Os números dão para tudo, até para serem manipulados. Há verdades e verdades. Umas mais do que outras. Tal como as mentiras.

Gostar ou não gostar eis a questão
Eu não gosto de indexar os títulos conquistados pelo Clube a ninguém, mesmo aos jogadores. Para mim os jogadores, treinadores e restante grupo de trabalho contribuem para a sua conquista. Mas não é cada um deles que o conquistou. Todos contribuem, uns mais do que outros, mas isso é outra questão.
Ainda mais absurdo é indexar as conquistas de títulos a seccionistas, dirigentes ou presidentes. Aos jogadores e treinadores enquanto componentes de um colectivo que iniciam e terminam uma competição ainda é aceitável. Mas, que fazer de competições iniciadas num mandato e terminadas noutro mandado? Pertencem a “quem”?Não podem pertencer aos dois… se não as contas não batem certas! Os dirigentes (em particular os presidentes da Direcção) criam as condições para o Benfica conquistar. É para isso que estão dirigentes, porque ninguém é dirigente. O que há são associados, que durante determinado período, estão dirigentes.

O que importa é o Benfica
É o Benfica que conquista, através das condições criadas pelos dirigentes e do desempenho de jogadores e treinadores. É nestes pressupostos que se construiu o“Glorioso”. Durante muito tempo foi tradição no Clube não atribuir títulos a ninguém, ainda que se agradeça o contributo de todos. Eu como conheço, um pouco da história do Clube, revejo-me nesses (e partilho esses) princípios.
O “problema”começou quando outros clubes sem a cultura do nosso começaram a conquistar mais do que nós e a criar o seu presidente como protagonista atribuindo-lhe títulos conquistados. A tendência foi para os media divulgarem esses valores, continuarem a propagá-los e os benfiquistas começarem a “presidencializar” os títulos do Benfica. Tal como fazem os andróides, se bem que estes 30 anos sejam um tempo infindável, por isso sem comparação com outras presidências, até com as de outros clubes. Afirmar que Pinto da Costa é o presidente do futebol português com mais títulos de campeão nacional, ultrapassando Borges Coutinho, é uma falácia, pois Borges Coutinho “apenas” foi presidente durante oito anos. Como é possível comparar oito com 30 anos?!

Primeiro os factos…
O que é válido para a comparação entre Borges Coutinho e Pinto da Costa também o é para a comparação entre presidentes do “Glorioso” com mandatos temporais diferenciados. Repito que é um absurdo atribuir títulos a um presidente, cujo início de competição ocorreu numa presidência e o seu final numa outra. Mas, a fazê-lo há que estabelecer um critério: o título é atribuído ao presidente em cujo mandato o clube se sagrar campeão, mesmo que seja apenas numa jornada, a última em que se conquistou o título. É absurdo… é! Mas, o “problema” está na ideia de indexar títulos aos presidentes, cujas eleições e tomadas de posse ocorrem durante o desenrolar das competições.

… depois os argumentos
E o número de anos nas presidências não contam?! Podem-se comparar títulos conquistados entre presidências com um ano e outras com dez?! É justo?! É correcto!? Valem o quê?!
Por absurdo, um presidente pode tornar-se o "mais titulado do Benfica", com sete títulos de campeão - "ultrapassando" os seis de Borges Coutinho -, mesmo que o clube conquiste um título de cinco em cinco épocas, se estiver na presidência do "Glorioso" durante 36 anos! Ridículo! De pequeno clube!

QUADRO 1

Tabelas para todos os gostos
Num clube grandioso e que se considera (e bem...) o maior e melhor de Portugal o que deve preocupar os dirigentes (mas também os associados) é porque não se ganha mais do que os outros, se isso ocorrer em períodos longos. Se somos maiores e melhores não há razão para não sermos os mais titulados. Se não ganhamos mais é porque algo está mal. E há que mudar o que está mal para ficar bem. Seja no "interior" (alterando) seja no "exterior" (forçando). Ser incapaz é o pior que pode acontecer a quem se considera o melhor. Porque passa a ser motivo de chacota.
Num clube mítico como o "Glorioso" podemos olhar para os sucessos com alegria e para os insucessos com preocupação. Porque estamos vacacionados para vencer e conquistar. Só nos tornámos míticos porque acumulámos ao longo da história "riqueza" em títulos e troféus, alguns apenas ao alcance dos melhores, grandeza em adeptos, respeito pelos simpatizantes de outros clubes nacionais e reconhecimento internacional (resultantes das conquistas).
Podemos destacar os sucessos (que são maioritários), mas também os insucessos (que por escassos) merecem reflexão.

Presidentes com “mais campeonatos”
Os principais dirigentes de um clube, são os presidentes da Direcção, porque têm funções executivas. São o principal motor dos sucessos (se continuados, e não episódicos, revelam brilhantismo), tal como a principal fonte dos fracassos (se continuados, e não episódicos, revelam incapacidade).
O presidente Borges Coutinho é há muito - desde 1977 - aquele, em cujos mandatos (prefiro pensar assim... porque os Órgãos Sociais não se reduzem ao presidente), se conquistou mais títulos de campeão nacional, com dois tricampeonatos, em quatro mandatos bienais (oito épocas). Segue-se depois Adolfo Vieira de Brito, com três mandatos repartidos por dois períodos: o primeiro com dois mandatos anuais e o segundo com a estreia do mandato bienal. Quatro anos... quatro títulos. Depois é seguir o quadro.

QUADRO 2

Há dois dirigentes, que enquanto presidentes da Direcção, nunca perderam qualquer campeonato, se bem que em situações distintas, Félix Bermudes com um mandato anual e Adolfo Vieira Brito. Segue-se o enorme Borges Coutinho (seis conquistados e dois perdidos, que correspondem a 75 por cento). Depois é seguir o quadro.

QUADRO 3
 
Presidentes com “mais campeonatos perdidos"
Como os quadros (e os números) permitem realçar valores como a "história do copo" - meio cheio ou meio vazio, conforme as expectativas e vontades -, num clube como o Benfica que em 1993/94 conquistou o 30.º título em 60 edições da competição, podemos ver as presidências do lado do insucesso, que neste momento não é de 50/50, mas de 41/69, ou seja, 32 conquistados e 46 perdidos. O presidente com mais insucesso é o actual (Luís Filipe Vieira), com sete, seguindo-se Ferreira Bogalho (quatro). Seguem-se vários presidentes, é só ver o quadro seguinte.

QUADRO 4

Há seis presidentes que passaram pelo Benfica não conquistando qualquer campeonato nacional. Depois, com 78 por cento (apenas 22 por cento de sucesso) aparece Luís Filipe Vieira, com dois títulos em nove presenças na principal competição do futebol português.

QUADRO 5

Num clube glorioso como o nosso, o "problema" de um presidente do Benfica não é quantos campeonatos conquistou. É quantos campeonatos impediu o Benfica de ganhar!
Houve até presidentes – Manuel Conceição Afonso e Júlio Ribeiro Costa, pelo menos –que alegaram como, um dos motivos para não se recandidatarem, o facto de: por falta de jeito, incapacidade de dirigir ou perseguições pessoais externas ao Clube, mas com reflexos do futebol do Benfica, não terem capacidade – apesar da dedicação – para dirigir o Clube no sentido de conquistar competições. E, segundo a sua opinião, não podiam colocar “interesses pessoais” (ser presidente do Benfica) acima dos interesses do Clube. Campeonato ou competição perdida, nunca mais conseguirá ser conquistada. Foi-se! A próxima já é outra! Outros tempos!
Comentadores, paineleiros, escribas e afins. Do "contra" ou "prós". Não devemos ser "mais papistas que o Papa"! É preciso cuidado porque por vezes o feitiço vira-se contra o feiticeiro.

Alberto Miguéns

NOTA: Dos outros títulos e modalidades, nem vale a pena comentar, porque havia que definir "títulos" (os únicos comparáveis são o campeonato nacional e a Taça de Portugal).
Que modalidades, por género e escalões?
Outro absurdo, com falácia pelo meio..."

Alberto Miguéns, in Em Defesa do Benfica (ver os Quadros no blog Em Defesa do Benfica)




"Em Defesa do Benfica
Em resposta a um artigo que escrevi no jornal “O Benfica”, onde chamava a atenção para o facto de Luís Filipe Vieira, ao contrário do que possa parecer aos mais desatentos, figurar já entre os presidentes que mais conquistas desportivas alcançaram para o clube, Alberto Miguéns, benfiquista que muito prezo, apresentou no seu blogue um texto onde, com critérios diferentes, chegava a números, também eles, ligeiramente diferentes, procurando depois, a partir deles, extrair outras conclusões.
O critério que segui foi simples: verifiquei as datas de entrada e saída de cada presidente no site oficial do clube, conferi quem estava em funções a cada mês de Maio (fim dos campeonatos), e assim segmentei os títulos ganhos pelo Benfica.
Os números a que cheguei são os que se seguem:
BORGES COUTINHO 7 títulos (1969, 1971, 1972, 1973, 1975, 1976 e 1977)
JOÃO SANTOS 3 títulos (1987, 1989 e 1991)
ADOLFO VIEIRA DE BRITO 3 títulos (1964, 1965 e 1968)
MAURICIO VIEIRA DE BRITO 3 títulos (1957, 1960 e 1961)
LUÍS FILIPE VIEIRA 2 títulos (2005 e 2010)
Há mais quatro presidentes do Benfica com dois títulos conquistados, mas Luís Filipe Vieira é o único que ainda pode melhorar a sua conta, pelo que será lícito destacá-lo aqui em 5º lugar.

O que eu disse no artigo do jornal foi basicamente que, com mais um campeonato ganho (que bem poderia ter sido este…), o actual presidente do Benfica ficaria apenas com Borges Coutinho à sua frente. E lembrei também que, a par de João Santos, era ele o único a conseguir títulos europeus em duas modalidades distintas (este em Hóquei e Futsal, aquele em Hóquei e Atletismo), e juntamente com o mesmo João Santos e com Borges Coutinho, os únicos a vencer campeonatos de sete modalidades diferentes (Vieira já foi campeão absoluto de Futebol, Andebol, Basquetebol, Voleibol, Futsal, Atletismo e Judo).
Alberto Miguéns considera que os títulos devam ser atribuídos, não aquando da última jornada, mas aquando da jornada da conquista matemática do título. É um critério respeitável (embora dê bastante mais trabalho…), que permite retirar um título a Borges Coutinho e outro a Maurício Vieira de Brito, adicionando-os a Adolfo Vieira de Brito e a Joaquim Ferreira Bogalho. Não é isso que ele pretende demonstrar, mas o certo é que, por este critério, Luís Filipe Vieira seria, não um dos quintos, mas um dos quartos presidentes com mais campeonatos de futebol ganhos na história do Benfica - teria então à sua frente apenas Borges Coutinho, Adolfo Vieira de Brito e João Santos, por esta ordem, como mais triunfadores. Em suma, o seu diferente critério não traria conclusões muito diferentes do sentido geral daquelas que eu tirei.
Mas o meu amigo Alberto Miguéns defende também que esta é uma estatística que não resulta rigorosa quanto ao mérito de cada um em cada título. Não podia estar mais de acordo com ele, e digo desde já que, da minha parte, não estou em condições para avaliar os méritos de cada presidente do Benfica de 1977 para trás, coisa que só ele, com todo o imenso conhecimento que tem da história do Benfica, poderá fazer. O balanço que fiz apenas pretendia desmistificar a ideia de que Luís Filipe Vieira é um presidente perdedor, pois no balanço global ganhou mais do que muitos outros.
Também concordo em absoluto com ele quando diz que os títulos não são dos presidentes. De facto não são. São do Benfica e dos benfiquistas. Mas um mau presidente não conquista títulos, e infelizmente, o Benfica já teve exemplos disso.
Alberto Miguéns termina dizendo que Luís Filipe Vieira foi o presidente que perdeu mais campeonatos. Não contesto os seus números, nem me darei ao trabalho de fazer as contas. Mas, se os méritos dos que ganham são por vezes condicionados por circunstâncias diferentes, os que perdem também têm atenuantes diferentes. E todos nos lembramos em que Benfica pegou Vieira. De resto, pelas mesmas contas, Fernando Martins perdeu tantos campeonatos como Vale e Azevedo, e os serviços prestados por um e por outro ao Benfica não têm ponta por onde comparar.
Uma coisa é certa. Nos dois campeonatos que ganhou, o mérito de Vieira (e naturalmente de jogadores e técnicos que ele escolheu) é inegável.
Por fim, Alberto Miguéns termina afirmando que “não devemos ser mais papistas que o papa”. Ora, defender um presidente em funções não é sinónimo de “ser mais papista que o papa”, nem de “lambe-botismo”. Como cada um é livre de criticar o presidente, eu também me sinto livre para o defender (era o que mais faltava, não poder fazê-lo à minha vontade). Não por ele (com quem tenho uma relação meramente circunstancial), muito menos por mim (que não recebo um cêntimo do clube, nem de ninguém a ele ligado) mas pelo Benfica, e por achar que, não existindo no terreno qualquer alternativa credível a esta gestão, todo o clima de contestação que alguns procuram agora alimentar apenas serve para fazer sorrir… Jorge Nuno Pinto da Costa."

Luís Fialho, in Vedeta da Bola



"Resposta

Caro Luís Fialho,

Ser Benfiquista - e conhecer a história do Clube - moldou-me a personalidade, aprendi a ser tolerante e acatar, democraticamente, as críticas. Não sei como seria se não aprendesse o B-A-BA do Benfiquismo.
Se aceitar, hoje à meia-noite, de 19 para 20, coloco este seu texto como entrada principal do blogue. Eu gostaria. Aceita? Quer retirar alguma consideração mais pessoal? Ou pode entrar como está?

Faço apenas os seguintes comentários {acrescentei o ponto 4 (parte) e 5}:
1. Utilizei uma digitalização do seu texto no jornal O Benfica (que identifiquei), mas não fiz depois qualquer referência ao seu nome, pois nada havia de pessoal. O objectivo foi clarificar a quantificação de títulos: ganhar dois vale sempre ganhar dois, ou três ou quatro em valor absoluto, mas quantos anos de "esforço" para isso?
2. Uma presidência não se inicia quando se ganham eleições, mas sim quando se toma posse do cargo. Há dirigentes eleitos que não chegam a tomar posse, sendo necessário efectivar os suplentes. Há tomadas de posse um mês depois de eleições. Até tomar(em) posse o(s) dirigente(s) eleito(s) não exercem os cargos;
3. Não tenho qualquer dúvida acerca do seu Benfiquismo (a 100 por cento), sem segundas intenções. Por isso tenho muita consideração por si, como sabe;
4. Os anos eleitorais, desde a década de 80, se não estivermos a ganhar, são sempre "complicados". Mas não se pode "matar" a discussão acerca do Clube. Gostava de voltar a ver eleições como nos anos 60 e 70 em que se discutia o futuro, traçavam estratégias e não se entendiam as eleições como um factor negativo, do tudo ou nada. LFV devia acarinhar as alternativas, ouvir as propostas e mostrar que é o que tem melhores soluções para o Clube. LFV não pode ser, não se pode transformar, num eucalipto que mata a vida associativa. E quando ele se for embora? Fica um vazio? Nem ele, nem nenhum dirigente, seja agora ou no futuro;
5. A minha colaboração com o Benfica data do verão de 1993, quando Jorge Brito pediu alguém – eu fui um dos associados indicados - que pudesse rapidamente ajudar o Clube a organizar iniciativas, utilizando a História do Clube, em colecções de postais com legendas históricas, no verso. Fui depois colaborando com vários presidentes, em particular nas publicações do Clube – Manuel Damásio e Vale Azevedo (se bem que saísse do jornal semanal então transformado em revista mensal, em Março de 2000, por pensar que estavam a desvirtuar a Cultura Benfiquista). Sempre graciosamente, como não podia deixar de ser. Quando o presidente Manuel Vilarinho se propôs reactivar o jornal, em 28 de Fevereiro de 2001 (a revista foi suspensa em Agosto de 2000) fui contactado por Carlos Calado/ Luís Lemos para fazer uma página de história no Jornal. Acedi, mas disse que só colaborava se fosse de graça. Aceitaram e colaborei. Quando o jornal passou a ser “explorado” pela ACV (Cunha Vaz) em reunião indiquei que só continuava de fosse remunerado (500 euros mensais, que era o valor mais baixo - assim o exigi, por não fazer parte da redacção - pago a um colaborador permanente, a recibo "verde"! Verde!) porque nunca aceitaria estar a trabalhar de “borla” para um sportinguista, “ainda por cima” no… Benfica (já vem de “longe” a fobia por SCP’s no “Glorioso”). Era humilhante. ACV compreendeu e aceitou. Se não aceitasse eu saía. Quando o nosso Semanário voltou para a SAD, pedi para fazer apenas a página 31 (história), para passar a ser feita, novamente, graciosamente, pois entretanto passara a fazer, também, a página 15. Disseram-me que não, a 15 era importante e a SAD não queria ninguém a trabalhar sem ser remunerado. Pensei sair, mas alegaram que a presença no Jornal e Benfica TV era “muito importante” para o Clube. Como o contrato era anual, ao 2.º ano (depois da ACV deixar a exploração) disse que não renovava – fosse importante ou não – ficando apenas a fazer a página 31 (história), isto porque fui censurado na página 15, pelo Pedro Guerra que alterou um título sem nada me dizer, só me apercebendo depois do jornal impresso. Na edição de 17 de Dezembro de 2010, eu escolhi e escrevi: 2-0! Com Xistra é Goleada! Pois o que saiu e fica para a eternidade é: Uma vitória segura e suada. Um título "amaricado"! E no final da época saiu uma capa com "Xistrados"! Coerência!
Como se sabe acabei a minha colaboração - a escrever, porque continuo com prazer a fornecer informações e estatísticas - no jornal, em Maio de 2011, como tinha começado em Fevereiro de 2001: a fazer a página de história… de borla. Como eu gostaria que tivesse sido sempre! Quanto à Benfica TV! Fui eu (e o António Melo) que quisemos acabar com o “Em Defesa do Benfica”. Não foi o contrário… No Benfica nunca fui “despedido”. Fui eu, sempre, que me "despedi". Mas, também nunca deixei que me “colocassem na prateleira” (onde estão muitos!) mesmo que para isso não se importassem de pagar mais. NUNCA. Na minha Vida Benfiquista mando eu. Por que o Benfica, para mim, não é um modo de vida… o Benfica é o meu Clube. Com muito orgulho. Desde que tenha saúde e emprego, agora, estou nas minhas “Sete Quintas”: pago as quotas, tenho um lugar no estádio (sócio fundador, que comprei em 2003, com a totalidade do dinheiro recebido do editor da colecção de cromos, foi troca-por-troca, nem discuti o valor, disse: faço a caderneta pelo valor – tenho a ideia que ainda nem se sabia quanto custava - do lugar como sócio fundador, pois se não fosse a colecção não teria dinheiro para ser sócio fundador) e nos pavilhões (quota modalidades), ou seja, é para isto que quero o Benfica: um sítio para pagar as quotas e outro(s) para ver a(s) bola(s). E ocupando menos tempo no Jornal e Benfica TV, tenho mais tempo livre para fazer o que mais gosto: pesquisa para a História do Benfica… de borla. Um dia - hoje, amanhã ou depois... - o Clube vai lucrar com a “Base de Dados” (futebol, modalidade e um diário do “Glorioso”) que tenho (talvez única no Mundo) e que vou actualizando, dia-a-dia. Espero que seja útil ao Benfica! E dou-a ao Clube… de borla! Mas… só quando sentir que quem está do outro lado, do lado de dentro do Clube, tem categoria para isso, e não a vai utilizar em proveito próprio. Ai, ai, quando eu contar algumas histórias (acerca do "proveito próprio")…

Saudações Benfiquistas
..."

Alberto Miguéns, in Em Defesa do Benfica

Por qué não te callas?

"1. Há uns tempos, o rei de Espanha, cansado com os apartes do presidente da Venezuela, gritou para este, numa reunião de alto nível: por qué no te callas? A frase ficou célebre e tem sido mais vezes usada.
Apetece dirigi-la agora (mais uma vez...) ao presidente do FC Porto que, num País onde a justiça funcionasse, estaria irradiado do desporto (pelo menos...) mas continua, dia após dia, a alimentar guerras. De cada vez que fala do seu clube (ou às vezes nem isso), tem que meter o Benfica e os seus dirigentes ou profissionais ao barulho. Por que não te calas?
2. Vitória natural sobre o V.Setúbal e vitória merecida de Cardozo na luta pelo 1.º lugar na lista dos melhores marcadores do campeonato. Deu o 1.º golo, falhou várias oportunidades, algumas por manifesto azar, outras por menor inspiração, mas acabou por ter o merecido prémio com um golo com o pé... direito.
Foi a nossa (pequena) alegria futebolistica do fim-de-semana...
3. O árbitro, Pedro Proença, foi convocado pela UEFA para dirigir a final da Liga dos Campeões.
Parabéns! Mas, mistério!, porque será que ele, por cá, falha tanto nos jogos do Benfica? O ter-se assumido como benfiquista, há uns anos, tem-no, certamente, condicionado. É a única explicação possível...
4. Já o tenho escrito mas, de vez em quando, convém relembrar... e incentivar os benfiquistas a fazer o mesmo: eu prefiro sempre os produtos que patrocinam o Benfica. Dá-me muito gozo receber chamadas da ZonTV Cabo (e ultimamente têm sido várias...) e poder dizer que me escusam de tentar convencer a regressar enquanto não tiverem Benfica TV. Tenho comprado sapatos Adidas, lá em casa só entra Sagres e já tenho dito em restaurantes que prefiro esta cerveja por patrocinar o Benfica. Só ponho gasolina na Repsol e tenho cartão de crédito Benfica, da Caixa. Não custa nada preferir esses produtos... Quanto à agência funerária Servilusa, trata-se de uma boa (e original) ideia, mas prefiro pensar nela só lá mais para diante..."

Arons de Carvalho, in O Benfica

8º encontro Geração Benfica



Mais um dia para recordar para muitas crianças que tiveram o privilégio de pisar do relvado da Catedral...

Corolários lógicos

"1. Esta semana lembrei-me que o “Estado-governo-legislador” queria introduzir um regime de arbitragem profissional nas modalidades desportivas. Nomeou uma comissão e recebeu um estudo. Parece que o meteu na célebre gaveta da inação. Desolado e impotente, Vítor Pereira, presidente do Conselho de Arbitragem e o grande dinamizador de um modelo de “árbitro” desenhado em moldes de exclusividade, avança na FPF com o que pode dentro da estrutura que domina e com o apoio, pelo menos, dos árbitros internacionais. Teremos uma experiência-piloto de semiprofissionalismo para os árbitros de 1.ª categoria, com algumas das regras e princípios que o “Estado-governo-ausente” meteu no grande armário das omissões. Lembrei-me que quem porfia talvez alcance. Num outro tempo que não este, claro.
2. Esta semana lembrei-me que o principal campeonato profissional de futebol acaba sem que processos disciplinares – a existirem – contra treinadores por declarações censuráveis sobre árbitros se resolvam antes de terminar a última jornada. Em 29 de janeiro de 2012, um treinador de um clube grande disse: “Se quiserem encomendar as faixas de campeão, se quiserem levar a outra equipa ao colo que a levem, podem fazê-lo. O resumo é este: a nossa equipa má, o adversário digno e a equipa de arbitragem vergonhosa”. A 2 de março, o treinador de um outro clube grande afirmou, na sequela de um lance determinante para um jogo: “Se o árbitro assistente não assinalou, não foi porque não viu, foi porque não quis”; “Saímos derrotados também porque o auxiliar permitiu que isso acontecesse”. Hoje é 20 de maio e nada aconteceu em termos disciplinares – se é que vai acontecer –, para processos que – repito, a existirem no gabinete do imprevisível Conselho de Disciplina da FPF – se decidem em menos de um mês. Já passaram, respetivamente, quase 4 meses e 2 meses e meio; a haver castigos, talvez se cumpram na instância de férias dos infratores. Esta semana lembrei-me que, há não muito tempo, havia uns pasquins que estampavam cronogramas com a duração de cada uma das fases de um processo disciplinar e exigiam celeridade a quem já demonstrara abundantemente que a celeridade não era uma miragem… Noutro tempo, claro.
3. Esta semana lembrei-me que, em julho de 2008, a Académica de Coimbra e a Braga SAD receberam, de comum acordo, um “mandato” da assembleia geral da Liga de Futebol Profissional para liderarem em conjunto uma comissão de clubes destinada à revisão do Regulamento Disciplinar. Ficaram de entregar esse trabalho até dezembro de 2008. Até hoje nada foi entregue. Em janeiro de 2012, um jogador da AAC em fim de contrato desentendeu-se com o clube acerca da sua transferência para Inglaterra e abandonou um hotel no Porto. O caso foi para a PJ e o jogador foi afastado até ao fim da época. Por estes dias, o presidente da AAC (que hoje regressa garbosamente ao palco do Jamor) informou que a Braga SAD lhe enviou um fax a comunicar a contratação desse jogador, sendo esse desfecho o “corolário lógico”. Percebemos que ambos os clubes, ainda que por fax, começaram, tanto tempo depois, a “trabalhar” em conjunto!"

domingo, 20 de maio de 2012

Somar e... dividir?

"O Benfica acabou de perder o título nacional, qualquer coisa que se desenhava há já dois meses, altura em que a equipa claudicou numa fase decisiva (Guimarães, Coimbra, recepção ao FC Porto), para mais na posse de cinco pontos de avanço, significativa margem de conforto. Admitia-se mais no plano competitivo? Certamente que sim. E também se admitia desempenhos arbitrais com isenção? Talvez que não se admitisse, mas pelo menos desejava-se que assim fosse...
Nos últimos dias, o presidente do FC Porto tem-se multiplicado em declarações. Invariavelmente, visa o Benfica. Incríveis não são os disparates que profere. Incrível é que haja benfiquistas que não percebam a intenção. Numa altura em que Jorge Jesus termina a temporada algo fragilizada, o líder do clube das riscas azuis tem o desplante de dizer que é o nosso treinador quem está a segurar a Direcção do Benfica. É assim tão difícil descortinar o objectivo? O fito é dividir, é confundir, é baralhar. O PC detesta o Benfica, o PC não gosta (ainda que diga que sim) de Jesus. O PC gosta é dele e de azucrinar o Benfica.
O homem, armado em virgem, até disse, estes dias, que o FC Porto deve muito à Democracia, que agora não há compadrios. Como é possível semelhante desplante? Como é possível omitir tudo o que se tem passado, nos últimos anos, no Futebol nacional? Compadrio? E também subserviência, também vassalagem, também corrupção.
O Benfica só ganha se somar e se não se deixar dividir. Pior ainda é se a divisão é provocada pelo mais fanático dos seus opositores. Se todos sabemos quem é, o que falta para ignoramos, todos nós, os seus disparates, as suas baboseiras, as suas provocações?"

João Malheiro, in O Benfica

PS: Dentro do mesmo tema Somar/Dividir sou obrigado denunciar a vergonhosa campanha que se vai passeando pelo Gloriosasfera contra todos aqueles que de alguma forma não atacam a actual Direcção do Benfica!!! Ou é o Fialho, ou é o D'Arcy, ou é o Boloposte... hoje o alvo foi o António Pedro Vasconcelos, todos aqueles que não seguem a 'linha' dos demagógicos, mentirosos em alguns casos, cobardes e ofensivos ataques a LVF, são imediatamente apelidados de vendidos, putas... entre outras coisas!!! Já não existe muita paciência para esta constante falta de respeito, contra todos aqueles que contrariam as suas fantasias pornográficas... Quando aparentemente para esta gente, a liberdade de opinião, só é válida quando os argumentos são os seus... pouco tenho a acrescentar, mas recordo uma argumentação recente:
Num dos post's do Boloposte, onde defendia que até aparecer uma alternativa credível votaria Vieira, nos comentários, apareceu um iluminado que disse qualquer coisa parecida: "...eu até julgava que tu (boloposte) eras uma pessoa inteligente..."!!! Pois, eu também faço parte dos 'burros'...!!!

Oráculo


Só tenho um reparo ao Luís Afonso: além da ausência do Benfica, os Corruptos também não jogaram!!!

Oportunidade perdida... mas ainda é possível...


Benfica 65 - 74 Corruptos
14-12, 16-20, 15-20, 20-22

Não acompanhei o jogo, de vez enquanto deixavam-me mudar de canal (a 'comédia' no Jamor estava interessante!!!), para saber como é que estava o marcador... O sentimento de desilução é grande, mas também tenho fé que a vitória é possível no 5º jogo, mas temos que marcar pontos, não é possível acabar jogos com percentagens de 31% nos lançamentos de 2 e de 3 !!! Além disso voltámos a perder a luta nos ressaltos...

Iniciados - Fase Final - 6ª jornada

Benfica 0 - 1 Corruptos

Este era o jogo da consagração, o Benfica já tinha garantido o título, com toda a justiça... Por isso mesmo o jogo foi 'calmo', o Benfica teve mais a bola, criou mais oportunidades, mas não foi dos melhores que vi esta equipa fazer esta época... Muito perto do final do jogo, num livre, os Corruptos marcaram aquele que foi o golo da nossa derrota... Infelizmente sou obrigado a referir mais uma vez a forma como os miúdos dos Corrutpos festejaram o golo e depois a vitória no jogo. A culpa nem é deles, a culpa é dos javardos dos treinadores e directores que os educam daquela forma... existem alguns Benfiquistas que invejam esta maneira de se estar no desporto, que se queixam de que nas equipas do Benfica, não se vê as mesmas reacções, mas eu tenho muito orgulho em que no meu Clube não se ensine este tipo de comportamento terrorista, mafioso a miúdos... algo que é a negação total daquilo que deveria ser a prática desportiva...

Apesar da derrota de hoje, os nossos miúdos e os nossos técnicos estão de Parabéns pela excelente época, coroada com o título máximo...

PS: A formação do Benfica acabou esta época - a nível Nacional, porque nos Campeonatos Distritais, ainda temos alguns títulos para ganhar -, com o título nos Iniciados, o 2º lugar nos Juniores, e o 3º nos Juvenis. Podia ter sido melhor? Podia. Nos Juvenis a equipa jogou muito abaixo das suas potencialidades, nos Juniores jogámos melhor que seria de esperar, e se não fosse os habituais factores externos (apitadeiros) até teríamos vencido... mas em todos os escalões tivemos na luta pelo título até à última jornada, algo que infelizmente recentemente (pré-Seixal), não acontecia...
Para o ano, podendo ainda haver saídas e entradas, arrisco uma previsão: somos claramente favoritos nos Juniores; nos Juvenis não somos os principais favoritos, mas podemos fazer uma surpresa; nos Iniciados vamos precisar de reforços, o Madiu não ganha jogos sozinho...

Juvenis - Fase Final - 6ª jornada

Sporting 2 - 0 Benfica

Matematicamente ainda era possível chegar ao título, o Guimarães até começou por ajudar marcando dois golos no Olival, mas pouco tempo antes do intervalo os Lagartos marcaram... Na segunda parte os Corruptos acabaram por ganhar por 5-2, e o Benfica acabou por sofrer mais um golo... e assim perder inclusive o 2º lugar, ficando em desvantagem no confronto directo com o Sporting!!!

Uma Fase Final muito má, uma quebra de rendimento desta equipa, que não era esperada, a ausência do Ronny não pode explicar tudo... o Bruno Lage é um treinador competente, já provou isso, mas desta vez não conseguiu o objectivo... os 'treinadores de bancada' podem sempre afirmar que os jogadores que ficaram no banco seriam melhores, mas isso, são os tais prognósticos no final do jogo, mesmo assim arrisco: se calhar os Juvenis de 1.º ano, utilizados como titulares nesta equipa, 'taparam' o lugar a outros que deveriam ter jogado?!!!

sábado, 19 de maio de 2012

Vamos a eles !!!


Benfica 67 - 66 Corruptos
20-17, 13-9, 14-15, 20-25

Só falta mais uma!!! Só falta mais uma!!! Só falta mais uma!!! Esta época em 7 jogos contra os Corruptos vencemos 5 (sempre com lesões), portanto temos agora dois jogos para vencer um... estatisticamente, temos tudo para triunfar...
Hoje, como acontece muitas vezes nestas finais, o jogo foi muito mal jogadinho!!! Percentagens horríveis!!! Mas com muita intensidade, com muita luta... e alguma cabeça fria!!! O que era totalmente escusado (mais uma vez), foi o horrível último minuto, onde quase perdemos uma vantagem de 10 pontos (tal como tinha acontecido no 2º jogo)!!! Se para vencer, é 'obrigatório' sofrer desta maneira, eu não me importo de amanhã voltar a sofrer da mesma forma, mas por favor, existe maneiras mais saudáveis de vencer títulos!!! Preocupem-se em não prejudicar ainda mais a saúde cardíaca dos adeptos!!! Tal como no 2º jogo a mistura entre, a nossa descompressão, alguma aselhice, e os 'apitos' pode ser perigosa (hoje o Carreira não fez falta nenhuma nos últimos segundos, que deu 3 lançamentos livres...!!!), não vale a pena arriscar. Mas já agora, o melhor é chegar ao último minuto com uma vantagem superior a 10 pontos!!! 
Tenho que registar que mais uma vez o velhinho Heshimu foi o melhor marcador, o Doliboa mesmo discreto nos pontos, foi muito importante nos ressaltos... Para amanhã  a mesma dose de suor, com mais alguns ressaltos (já que hoje, tivemos surpreendentemente menos, que o adversário...!!!), e com um bocadinho de mais inspiração no momento do lançamento... Nós até temos equipa para ir ganhar ao antro Corrupto (mesmo com os 'esquemas' mafiosos dos Mafiosos!!!), mas celebrar o título na Luz, junto dos nossos adeptos, tem outro sabor, temos que 'matar' o Campeonato amanhã!!!

Em todas as frentes...!!!

Benfica 8 - 5 HC Braga

Vitória difícil, após termos estado em desvantagem por duas vezes ainda na 1ª parte, chegámos ao intervalo a vencer por 3-2. No segundo tempo entrámos com mais velocidade, e rapidamente aumentámos a vantagem, um um inspiradíssimo Sérgio Silva (grande golo à meia volta...). Quando tudo parecia decidido, um livre directo e um penalty de rajada contra o Benfica fez com que o Braga voltasse a acreditar, mas o Viana marcou o 8º, e o jogo acabou...

Estamos nos Quartos-de-final da Taça de Portugal, onde a maior parte dos adversários são de divisões secundárias, mas nós vamos defrontar o Paço de Arcos... mas agora o mais importante é a Final 8 da Champions, o nosso primeiro adversário é o Valdagno (sexta-feira), não será fácil, mas temos que acreditar...

Vitória... q.b. !!!

Benfica 6 - 1 Fundão

Resultado enganador, o Benfica hoje não fez um grande jogo, acho mesmo que antes do Fundão empatar (1-1) houve mesmo algum desleixo... A equipa sentiu o 'toque' e rapidamente fez o 3-1 com dois grandes golos, o Fundão arriscou cedo a estratégia 5 para 4 (ainda na primeira parte!!!) e o Benfica aproveitou para dilatar o resultado, com alguma sorte pelo meio (por exemplo no 4º golo, o Fundão falha de forma escandalosa - seria o 3-2 -, com a baliza aberta, e 2 segundos depois o Benfica faz o 4º golo!!!)...
Vamos defrontar os Leões de Porto Salvo nas Meias-Finais, que eliminou o Freixieiro também em dois jogos, o jogo em Porto Salvo vai ser muito complicado, temos que jogar muito melhor do que fizemos hoje, o adversário tem bons jogadores, rápidos e fisicamente bastante aptos...

Um péssimo 4.º lugar no Campeonato


Madeira SAD 27 - 26 Benfica

Acabou o suplicio... esta equipa manteve durante a época, a inconsistência dos últimos anos, com a agravante de nas várias Taças nacionais ter sido eliminada prematuramente, ao contrário do que aconteceu nas épocas anteriores... a participação Europeia acabou por ser o melhorzinho da época. Nestas últimas jornadas, já sem objectivos a equipa não conseguiu dar outra imagem aos sócios, alguns jogadores menos utilizados jogaram mais, e se calhar deviam ter jogado mais durante o resto da época!!! O único ponto positivo de mais este desaire, é que para o ano vamos disputar a Taça Challenge, prova onde teremos reais hipóteses de triunfar...
Já foram anunciadas várias contratações nos jornais, só do ABC parece que são 3 jogadores!!! Por exclusão de partes, parece que alguns jogadores já têm a porta de saída aberta, alguns com muitos anos de casa, mas as decisões tem que ser tomadas sem sentimentalismos... Só comento contratações oficializadas, mas deixo aviso: precisamos de laterais ofensivos, que marquem golos, que façam a diferença, principalmente para a Esquerda... A equipa não pode continuar a depender exclusivamente da inspiração do Carneiro...

PS: Não posso de estranhar que hoje, o Madeira SAD tenha beneficiado de 7 livres, de 7 metros, e o Benfica tenha beneficiado de 1 !!! Pronto tá explicado, os apitadeiros foram a dupla Nicolau/Caçador !!!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Da flatulência...

" 'Da flatulência dos dinossauros' podia ser o nome pomposo de um tratado com centenas de páginas, assinado por cientistas de renome. Os dinossauros, dizem eles, contribuíram para o aquecimento global graças à sua enorme capacidade para produzir gases. Ora, não é preciso ser cientista, nem sequer nenhuma espécie de génio, para perceber que o que se passou há vários milhões de anos continua a repetir-se nos dias de hoje, embora os dinossauros sejam em quantidade muito mais escassa. Apesar de tudo, há um dinossauro, o Madalenus Corruptossauros, que não se exime à emissão de qualquer coisa como 520 milhões de toneladas de gases por ano, com a particularidade de a fazer não apenas pela via natural utilizada pelos seus antepassados lá do Mesozóico, como igualmente pela boca de cada vez que a inconsciência lhe ordena que solte as suas jumentadas.
O fedor que solta é hediondo e, ainda assim, há quem se deleite na absorção do metano. O Copiador-de-Livros- Alheios solta boçalidades de contentamento; o Baladeiro-de-Tiques-Estranhos ensaia um dó de peito de meter dó; e Merceeiro-Aldrabão esvoaça nas suas asas aborboletadas. Só não entendem que o Dinossauro Cretiníssimo está nas vascas de agonia. O chulé que exala pelas narinas, a cada dolorosa contracção dos pulmões, provém de um cérebro caliginoso e pútrido; as palavras entarameladas que balbucia, aqui e além procurando uma rima popularucha, são inescrutáveis de tão estúpidas. Mas, indiferente, a corte de sabujos roja-se beijando o chão que ele pisa. Os Homenzinhos-de-Cócoras precipitam-se submissos a cada flato desse Madalenus Corruptossaurus que ameaça infectar com a sua decomposição todos aqueles que o rodeiam. Bajulam-no felizes, na sua condição de vermes, à espera de uma recompensa de flausinas baratas. E assim se extinguirão todos, para nosso alívio, encerrados nesse microcosmo tinhoso atacado pelo efeito de estufa podre."

Afonso de Melo, in O Benfica

Cardozo contra a injustiça

"Dos 20 golos que Cardozo marcou este ano na Liga, talvez o último, no último minuto contra o V. Setúbal, tenha sido aquele que deu mais gozo. Foi um festejo de raiva, um festejo contra a injustiça.
Cardozo participou em menos partidas que o concorrente, jogou menos jogos completos que o Lima, e muito menos minutos. Todos os itens lhe eram desfavoráveis, menos o facto de ser melhor que o concorrente.
Cardozo tem os melhores números como avançado no Benfica de quase 30 anos e mesmo assim há uma relação ambivalente com a massa associativa.
No Benfica apreciam sempre mais um jogador que finta um, finta dois e chuta ao lado, do que um que não finta ninguém e mete a bola na baliza.
O último golo de Cardozo foi o mandar às favas os seus detractores, primeiro porque estava cansado, exausto de fazer um bom jogo e correr quilómetros, quando dizem que joga parado, depois porque é marcado com o pé direito quando dizem que só chuta com o esquerdo e por fim porque tira dois defesas do caminho quando dizem que não sabe fintar. Enfim dez segundos para desmontar várias teorias.
No Benfica só quando não o tiverem vão chorar pela sua ausência. Qual foi o último a ganhar a Bola de Prata? Rui Águas há 20 anos (1991). Qual foi o último a ganhar duas Bolas de Prata? Eusébio há quase 40 (1973 a última).
Nené, Mats Magnusson, Jordão ganharam uma Bola de Prata e muitos outros não ganharam nenhuma, Cardozo já ganhou duas. Os números arrasam os detractores de Cardozo.
Cardozo não é o melhor avançado do mundo, gostaria mais de ter Mário Gomez ou Van Persie, mas não são muitos aqueles que trocava pelo nosso paraguaio.
Se ninguém pagar muito dinheiro por ele, que fique de águia ao peito a marcar golos e a dar títulos. Este ano, marcou ao FC Porto na Luz o golo decisivo, no jogo que deu o único título colectivo que conseguimos: a Taça da Liga."

Sílvio Cervan, in A Bola

PS: Na última semana os blog's Benfiquistas desde Pequeninos e a Tertúlia Benfiquista publicaram algumas estatísticas bastante esclarecedoras sobre o nosso 'Tacuara':

1. Melhores goleadores do Benfica em jogos oficiais:

2. Melhores goleadores do Benfica em jogos do Campeonato:


3. Melhores goleadores do Benfica nas competições Europeias:


4. Os totais:

Objectivamente (Euro's)

"Neste final de época, um pouco decepcionante para os benfiquistas, temos de nos congratular com a chamada de três dos nossos atletas para o Euro 2012, mesmo não sendo titulares indiscutíveis no Glorioso. Eduardo, Nélson Oliveira e Carlos Martins estão entre os eleitos para a maior prova do Futebol Europeu e esperamos que dêem provas de toda a sua capacidade, proporcionando aos portugueses grandes alegrias. Tanto Carlos Martins como Nélson Oliveira estão a passar por momentos de excelente condição psicológica. Carlos pela grande notícia que, com a graça de Deus lhe salvou o filho, Gustavo, de graves problemas de saúde, e Nélson pela oportunidade única de estar no maior palco europeu a marcar golos como fez no Mundial da Colômbia. Eduardo tem um lugar que não permite tanta competitividade com os seus companheiros, mas a confiança que nele depositou o seleccionador é entusiasmante.
Para este Euro 2012 o único lamento da minha parte é a convocatória do pior árbitro internacional português do último ano, Pedro Proença. É escandalosa a escolha de um árbitro que teve interferência directa na escolha do campeão português por erros crassos contra um dos candidatos ao título. Escandalosa mais a nível interno onde os «dirigentes» que aconselham a UEFA e a FIFA a escolherem estes «experts» da arbitragem o fazem em função do seu comportamento em competição. E nós já vimos a favor de quem foi... E, claro, assusta-me ainda mais quando vejo este figurão a ser nomeado para dirigir a final da Liga dos Campeões depois de há dezenas de anos ter tido também esse privilégio o ex, ou actual colaborador do FC Porto, António Garrido!
Que coincidência! Depois de tantos anos de ausência de uma nomeação para a final da Liga dos Campeões aparecer Pedro Proença para substituir... António Garrido!
A euforia entre os portistas como MSTavares é tanta que escreveu na sua crónica da 'A BOLA' Pedro Proença, 1 - Benfica, 0!!!"

João Diogo, in O Benfica

Objectividade e subjectividade

"Cardozo tem a supina ousadia de fazer bem algo que se pode medir em números. Marcar golos é uma daquelas coisas objectivas, substantivas, que tanto irritam a cultura lusitana, a cultura de quem busca o adjectivo fácil. Isso, nos dias que correm, é uma ousadia. A eficácia de Cardozo não se compadece com a retórica. Está simplesmente lá, manifesta-se de forma simples e limpa. É uma eficácia que se pode quantificar em golos, à qual se pode atribuir um número. A Cardozo não se atribuiu o nome de um qualquer super-herói da BD, deram-lhe o cognome paraguaio de uma vara alta e desajeitada ao sabor do vento. E lá vai Cardozo conseguindo sobreviver entre paradoxos: quanto mais golos marca, mais criticado é; quantos mais sorrisos de alegria provoca com os seus golos, mais insistem os relatadores radiofónicos em acentuar o facto de sorrir pouco e parecer sempre triste; quanto mais substantivo é o seu jogo, mais adjectivo e redondo se constrói o coro das críticas. Objectivamente, Cardozo é um bom ponta de lança porque marca muitos golos.
Mutatis mutandis, passamos para o reino da subjectividade. Para agrado do Chelsea, que costuma jogar em tons de azul, Proença, diz-se, apitará a próxima final da Champions. Essa anunciada nomeação não branqueia nem mascara tudo o que de pernicioso esse árbitro tem feito ao futebol nacional. Da mesma forma que as conquistas internacionais da Juventus não permitem que se escamoteie o que de sujo aquele clube fez em Itália. Tal como as conquistas internacionais do FCP não permitem limpar a nódoa do que se ouviu nas escutas do Apito Dourado. A ser o Proença a apitar a dita final, confirma-se apenas como o sucessor de Garrido… com tudo o que esta sucessão encerra."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Proença nas pisadas de António Garrido

"Começa-se a desenhar um quadro de treinadores principais para a próxima Liga que é um mimo regimental

NUMA festa na Afurada, o presidente do FC Porto dirigiu-se à multidão tranquilizando-a: «O tempo do fascismo e dos campeonatos decididos por decretos para os clubes da capital já acabou», disse.
Entenda-se como metáfora esta coisa dos campeonatos decididos por decreto em favor do Benfica e do Sporting. De outra maneira são a mentirola.
Mas o presidente do FC Porto meteu água à farta nesta sua tirada sobre a História do Futebol Português. Se, para Pinto da Costa, a ligação dos clubes aos regimes se mede pelo número de títulos conquistados, então é caso para podermos orgulhosamente afirmar que o Benfica só foi - espetacularmente - o clube do regime naquele curtíssimo período entre 25 de Abril de 1974 e 25 de Novembro de 1975.
O título de campeão nacional conquistado pelos vermelhos - o Salazar proibiu que se dissesse vermelhos, cheirava-lhe a comunas - na época de 1974/1975 é a prova disso mesmo. Um ano de regime igual a um título. 100 por cento de eficácia e tudo porque Salgueiro Maia era benfiquista, obviamente.
No entanto, Pinto da Costa tem razão quando refere que esse tempo «acabou». E sem dúvida que o FC Porto é - espetacularmente - o clube do regime que nasceu a 25 de Novembro de 1975 e que vigora até hoje, com duas intervenções do FMI e os piores índices da Comunidade Europeia no que respeita a matérias sensíveis como educação,justiça, canto coral, fruta e pescas, etc...
E não nos venham a dizer que a culpa disto é do 25 de Abril.
De 1935, quando se começou a disputar a prova, até ao 25 de Novembro de 1975, o FC Porto tinha conquistado apenas 5 títulos nacionais. Com o regime instaurado a 25 de Novembro de 1975, o FC Porto somou 20 títulos nacionais, o que é obra para continuar certamente, pelo menos enquanto durar o regime em vigor e o país não entrar em bancarrota.
Se continuarmos a seguir o raciocínio de Pinto da Costa e a medir as ligações aos regimes em função dos títulos conquistados, verdade seja dita que o Sporting foi o clube mais prejudicado quer com o 25 de Abril de 1974 quer com o 25 de Novembro de 1975.
Até 1975, o Sporting tinha 14 títulos. O Estado Novo foi pródigo para o Sporting, que ia na frente das contas, até à chegada de Eusébio ao Benfica.
E depois da era Eusébio, que terminou também em 1975, e depois do curtíssimo PREC e com o extenuado Estado A Que Isto Chegou que veio a seguir, os leões somaram apenas 3 títulos em 38 anos.
Têm razão, por isso, para estar aborrecidos os nossos amigos e vizinhos de Alvalade.

NO regime político em vigor, temos visto isso pelas contas públicas e os seus figurões, é fulcral a arte de saber encostar às instituições gente de confiança. E não nos venham dizer que a culpa é da democracia que tem as costas largas mas não tanto.
No regime futeboleiro em vigor, salvaguardando as diferenças, também é muito importante essa arte de encostar gente de confiança às instituições. Aliás, começa-se a desenhar um quadro de treinadores principais para a próxima Liga que é um mimo regimental.

GARAY já está de férias. Merecidas. Foi a partir do momento em que o defesa argentino de lesionou, em São Petersburgo, no jogo da primeira mão da eliminatória com o Zenit, que o Benfica entrou em colapso no campeonato. Quando Garay se viu forçado a sair da equipa, o Benfica tinha 5 pontos de avanço sobre o FC Porto. Quando Garay regressou, quase dois meses depois, já o caldo estava mais do que entornado. Estava, aliás, entornadíssimo.
Garay fez muita falta à equipa e, muito particularmente, fez imensa falta a Luisão que, sem o colega argentino ao lado a dar-lhe descanso, se viu em grandes apuros competitivos que nem sempre conseguiu iludir da forma mais brilhante.
Garay está, portanto, de férias e falou à imprensa do seu país para dizer que o Benfica «é um clube incrível» e que não se arrependeu minimamente de ter trocado o Real Madrid, campeão de Espanha, pelo Benfica, melancólico vice-campeão português.
Também Roberto Mancini, o italiano que levou o Manchester City a campeão de Inglaterra, 44 anos depois do seu último título, resolveu dedicar algumas palavras de extrema simpatia ao Benfica, comparando-o ao Real Madrid em termos históricos e mitológicos e anunciando, de alguma forma surpreendentemente, que não gostaria de terminar a sua carreira sem ser campeão em Portugal pelo Benfica.
Estes mimos caiem sempre bem. Sobretudo como paliativos quando a época terminou em tons cinzentos como aconteceu este ano na Luz.
Sempre são dois estrangeiros de reputação  internacional a vir dizer que o Benfica é incrível.
Felizmente o que eles não sabem, por serem estrangeiros e já estarem de férias, é que o Benfica é tão incrível, tão incrível que chega ao ponto de insensatamente confundir os seus 200 mil e tal sócios e amantes como meros clientes de uma linha de produtos comerciais, sequiosos de bónus e de cupões de descontos. E, assim, sendo, vai daí, na ressaca do campeonato, foi-lhes formalmente anunciada disponibilização de mais um serviço a preços reduzidos.
Está feito e assinado um protocolo com a agência funerária que oferece aos sócios do clube funerais a preços do Pingo Doce no Dia do Trabalhador-
Brutal!
Brutal estupidez de quem trata publicamente os benfiquistas, que terminaram o campeonato mais mortos que vivos, como potenciais e obrigados fregueses de um serviço funerário que, mais cedo ou mais tarde, virá a calhar. E, pior ainda, pondo-os à mercê das inevitáveis piadas dos adversários, encantados com a escolha da ocasião para tal anúncio de exéquias baratas.
Mas no Benfica não há ninguém com sensibilidade, inteligência e autoridade para evitar estas anedotas que transformam a massa associativa do maior clube português numa base de dados para uso comercial?
Mas no Benfica não há ninguém que, por exemplo, seja mesmo do Benfica e entenda que não é este o momento apropriado para anunciar protocolos com agências funerárias quando ainda nem se fez a missa do sétimo dia do Campeonato?
Fiquem sabendo, benfiquistas: a parte comercial do nosso clube funciona às mil maravilhas, o que demonstra competência no respectivo departamento. Já o objecto da Sociedade está em mutação, ao que parece. Deixou de ser futebol, a competição, as conquistas. Passou a ser a fidelização de 200 mil e tal clientes a serviços alheios e distante do objecto desportivo.
Que tristeza. E eu que julgava que nós, benfiquistas, até éramos imortais. Mas somos apenas incríveis, pronto. Já é qualquer coisa.

FAZENDO fé nos noticiários, o árbitro português Pedro Proença foi escolhido pela UEFA para dirigir a final da Liga dos Campeões já este sábado. O jogo é em Munique, entre o Bayern e o Chelsea. Mais um jogo entre vermelhos e azuis para Proença apitar. E os vermelhos jogam em casa. Quer-me parecer que vai ganhar o Chelsea com um golo do Paulo Ferreira, em posição irregular, no período de descontos.
Pelo parte que me toca, tudo bem. Estou pelo Chelsea. Por causa do David Luíz e do Ramires obviamente.
Não é, no entanto, a primeira vez que um árbitro português apita uma final da mais importante prova de clubes da UEFA. Em 1980, coube a António Garrido, outro compatriota nosso, dirigir a final da Taça dos Campeões Europeus (era assim que se chamava) entre o Nottingham Forest e o Hamburgo. Ganharam os ingleses e não houve casos de arbitragem. É caso para dizer, perante esta mais recente nomeação da UEFA, que Pedro Proença segue as pisadas de António Garrido.
E Garrido continuou em grande no futebol nacional e internacional depois de pendurar o apito. Até passou a colaborar informalmente com uma grande instituição do desporto nacional. Foi mais um encosto regimental da nossa História.
Curiosamente, dizia-se, na altura, que António Garrido era um sportinguista de gema. Tal como se diz hoje que Pedro Proença é um benfiquista dos sete costados.
São factos. Vamos lá ver até onde é que vai Pedro Proença neste seu seguir das pisadas de António Garrido. A estrada é longa."

Leonor Pinhão, in A Bola

Cinco em um

"1. Desde o Apito Dourado que não me lembro de um campeonato tão escandalosamente condicionado pelas arbitragens. Se, no início, o Sporting teve razões de queixa, a partir do último terço o Benfica foi descaradamente “prejudicado”, na razão inversa em que o FC Porto foi beneficiado. Na última jornada até se inventou um penálti a favor do Braga, que iria tirar a Cardozo o troféu do melhor marcador, não fora o paraguaio, em cima do minuto 90, ter tido o justo prémio para a sua persistência.
2. O desfecho do Apito Dourado, apesar de ter havido árbitros castigados, permitiu ao FC Porto desvalorizar a condenação desportiva do Apito Final (perda de 6 pontos, não contestados, e castigo de 2 anos ao seu presidente) e levou a que se tivesse mantido o clima de suspeição generalizada sobre os árbitros, em que por vezes paga o justo pelo pecador. Há excelentes árbitros em Portugal, mas o facto de terem reacções corporativas sempre que a honorabilidade de um deles é posta em causa (veja-se o que se passou com os ataques do Sporting a João Ferreira) impediu-os, nessa altura, de separar o trigo do joio e de contribuir para o saneamento da arbitragem em Portugal.
3. O chefe do FC Porto, ébrio de entusiasmo por um título que lhe caiu do céu, chamou ao Benfica “o clube do fascismo”. Ele sabe que é uma calúnia. Grave. Mas, tal como Jardim, na sua ilha, acha que pode dizer o que quer porque pensa, como Goebbels, que “uma mentira muitas vezes repetida torna-se verdade”. Eu prefiro pensar, como Lincoln, que se “pode enganar toda a gente durante algum tempo e alguma gente durante todo o tempo, mas não se pode enganar toda a gente durante todo o tempo”. Não há por aí um portista honesto que lhe diga: “Por que não te calas?!”
4. Roberto foi eleito o melhor guarda-redes da liga espanhola em 2011/12.
5. O “Sol” revela que Jesus é o melhor treinador português que passou pelo Benfica, e o 4º, entre portugueses e estrangeiros, com melhores resultados dos últimos 40 anos, à frente de Eriksson e ligeiramente atrás de Baroti e de Mortimore."

António Pedro Vasconcelos, in Record

PS: Este regresso do António Pedro Vasconcelos, às contribuições desportivas regulares, é uma excelente notícia para a causa Benfiquista...

Melhor marcador

"O troféu de melhor marcador tem algum prestígio: nele figuram alguns dos grandes goleadores portugueses e os melhores estrangeiros que por cá passaram. Assim, o desempate entre Cardozo e Lima era um dos atrativos da última jornada.
O Benfica jogava em Setúbal – e aos 90 minutos Cardozo estava a zero, apesar de ter rematado 11 vezes e atirado uma bola à barra. Mas nesse momento veio o prémio: Saviola passou, Cardozo recebeu, tirou o guarda-redes da frente, insistiu, tirou um defesa da frente, chutou com o pé direito e marcou.
Metade deste golo foi de Jesus. Vendo a floresta de pernas em que se tornara a área do Vitória, Jesus recuou a equipa para dar espaço na frente ao paraguaio. E na parte final meteu Saviola, que joga com Cardozo de olhos fechados. E foi assim que o golo surgiu: espaço na área, bola em Saviola – e o resto é sabido.
Em Alvalade, até aos 87 minutos Lima também não marcara. Só que nesse minuto fatídico ele acorreu a um centro, lançou-se para o chão, ganhou um penálti – e marcou-o. O duelo pelo cetro de melhor marcador reacendia-se. E acabou decidido pelo regulamento, com Cardozo a ganhar por ter menos tempo de jogo.
Chegado aqui, pergunto: o que teria sucedido se Cardozo não tivesse marcado em Setúbal? Lima seria o melhor marcador com um penálti inventado. E o que não diriam os benfiquistas se, depois de terem perdido com o FC Porto com um golo em fora-de-jogo, Cardozo perdesse o título de melhor marcador com um penálti falso?
Os jogos hoje decidem-se por detalhes. Ora, nesses detalhes, as decisões dos árbitros podem ter um papel decisivo."

O árbitro (II)

"Como qualquer adepto (parcial) tenho os meus árbitros preferidos. Esta época elejo a sociedade Benquerença & Proença.
Olegário - nome de origem teutónica significando, obviamente, poderoso - com a sua pose erecta calcorreando o relvado como quem está em jeito de ballet iniciático, jamais deixa que lhe  subtraiam o papel do verdadeiro artista- Deleita-se logo com o proémio verbal aquando da moedinha ao ar, ri-se com sarcasmo e exibe uns quadrilaterozinhos coloridos com o pundonor orgástico da sentença. Estes são mesmo os seus momentos dilectos. Tem ainda outra estável característica: é perito em ver o que ninguém vê e não ver o que toda a gente vê. Problema de miopia, astigmatismo ou - em função de certas cores - de daltonismo? Ou talvez mesmo de fotofobia por sensibilidade excessiva à Luz? Sugiro que, na reforma, Olegário vá viver para Presidente Olegário que é o nome de um município brasileiro de Minas Gerais. Assentava-lhe que nem uma luva (ou apito).
Proença sempre impecavelmente penteado, despenteia-se com facilidade na ânsia de consumar a ideia de que um jogo, por regra, não deve acabar contra onze. Escolhe com rigor matemático os seus auxiliares e afaga com ternura comovente os campeões. Aqui exprime mais benquerença do que o dito. Nos jogos decisivos, sofre do síndroma de Estocolmo e erra sempre contra o lado que supostamente será do seu agrado pessoal. Afortunadamente, a UEFA não liga aos clamorosos erros domésticos e, por isso, vai estar - com compreensível orgulho - no sábado em Munique e também no Euro-2012. Lá fora, transfigura-se e liberta-se da síndroma de Estocolmo. Que seja feliz!"

Bagão Félix, in A Bola

PS: Ontem, não tive a oportunidade de ler A Bola, por isso não transcrevi a crónica do Bagão Félix, aparentemente o tema também foi a arbitragem... Se alguém tiver acesso à crónica, nem que seja através de um link, agradecia a indicação.