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sexta-feira, 12 de junho de 2026

Mundial 2026: o sonho de 48 Nações


"Esta quinta-feira começa o Mundial. E há algo de mágico num Campeonato do Mundo que nenhuma outra competição consegue replicar.
Durante um mês, o planeta parece falar a mesma língua. As diferenças desaparecem. Os fusos horários deixam de importar. Das ruas da Cidade Invicta até aos cafés de Buenos Aires, das avenidas de Casablanca aos bairros de Tóquio, milhões de pessoas acordam, adormecem e sonham ao ritmo de uma bola.
E este Mundial traz-nos uma novidade histórica. Pela primeira vez, 48 seleções chegam à maior montra do futebol. Quarenta e oito bandeiras. Quarenta e oito hinos. Quarenta e oito histórias diferentes. Algumas carregam o peso da tradição. Outras chegam apenas com a coragem de quem ousou acreditar.
É por isso que o Mundial continua a ser especial. Não é apenas uma competição. É uma caderneta de sonhos.
A Argentina chega como campeã do mundo, ainda protegida pela aura de Lionel Messi. Talvez seja o último grande capítulo internacional do génio argentino. Depois de conquistar finalmente o troféu mais desejado em 2022, Messi já não joga para provar nada a ninguém. Joga apenas para desfrutar. E isso pode torná-lo ainda mais perigoso. Defender um título mundial é uma das tarefas mais difíceis do futebol, mas os argentinos sabem que enquanto houver Messi, haverá esperança.
Portugal vive outra história emocional.
Cristiano Ronaldo continua a perseguir o único troféu que falta à sua carreira incomparável. Campeão europeu, duas Ligas das Nações, vencedor de tudo o que havia para vencer a nível de clubes e dono de praticamente todos os recordes de golos imagináveis, Cristiano sabe que um Mundial teria um significado diferente. Seria o final perfeito de uma das maiores carreiras da história do desporto.
Mas Portugal não é apenas Cristiano. É uma geração extraordinária de futebolistas, com o melhor meio-campo do planeta do futebol. João Neves, Vitinha, Bruno Fernandes, Bernardo Silva… Palavras para quê? Temos talento espalhado por todos os setores do campo. É qualidade técnica, maturidade tática, experiência e ambição. O sonho português não vive apenas nos pés do seu capitão. Vive num país inteiro que acredita que chegou realmente a hora.
E depois existe a França.
Talvez nenhuma seleção reúna tanto poder ofensivo. A profundidade do talento francês parece quase injusta. Mbappé, Michael Olise, Dembelé, Cherki, Barcola, Doué… É inacreditável a quantidade de opções de atletas fora de série. Jogadores capazes de decidir jogos em poucos segundos. A França mistura juventude, talento, velocidade, força física e uma cultura competitiva construída ao longo de décadas. É difícil olhar para qualquer lista de favoritos e não encontrar os franceses nos primeiros lugares.
No entanto, os Mundiais raramente pertencem apenas aos favoritos. A verdadeira beleza desta competição está nas surpresas. E as minhas "seleções surpresa" para uma campanha acima das expectativas são as seguintes: Marrocos com o seu incansável capitão Hakimi, o Japão alicerçado no incrível talento de Takefusa Kubo, Ritsu Doan e Kamada, e a Noruega de Haaland, Aursnes, Odegaard e companhia. Já no lote dos grandes favoritos, continuo a colocar Argentina, França, Portugal e Espanha num pequeno degrau acima do restante pelotão.
Mas, na verdade, sempre existiu uma Croácia que ninguém esperava ver numa final. Marrocos que desafia todas as previsões. Uma Coreia do Sul capaz de eliminar gigantes.
Agora, com 48 participantes, as possibilidades multiplicam-se. Há seleções estreantes que chegam sem o peso da pressão e com uma vantagem preciosa. A liberdade de sonhar. Para muitos jogadores, apenas ouvir o hino nacional num Mundial já representa a realização de uma vida inteira. E quando uma equipa joga sem medo, pode tornar-se perigosíssima.
É precisamente aí que nascem as histórias que recordamos décadas mais tarde. O Senegal do Mundial 2002, por exemplo. Que chegou aos quartos de final da competição e que pelo caminho venceu a poderosa França. Quem se lembra do guarda-redes Tony Silva? Ou de Cissé e Diouff na frente? E do golo de Bouba Diop logo no primeiro jogo da seleção senegalesa? Memórias futebolísticas que ficam para sempre.
Porque nós não nos lembramos apenas dos campeões.
Lembramo-nos do avançado desconhecido que marcou o golo impossível. Do guarda-redes que travou uma potência mundial. Da pequena nação que fez um país inteiro acreditar que o impossível era apenas uma palavra. Cabo Verde e Curaçau são bons exemplos disto. Dois estreantes em Campeonatos do Mundo e muitos sonhos bem vivos para a competição que se segue.
Talvez seja isso que torna o Mundial diferente de tudo o resto. Durante algumas semanas, deixamos de falar sobre probabilidades e estatísticas. Falamos sobre esperança. E a esperança não respeita rankings.
Em 2026, quarenta e oito seleções chegam com o mesmo sonho. Algumas sabem que têm qualidade para levantar a taça. Outras sabem que as hipóteses são reduzidas. Mas todas partem do mesmo ponto. A crença de que algo extraordinário pode acontecer, conseguindo encher os habitantes do seu país de pura felicidade.
No fim, apenas uma seleção será campeã do mundo. Mas o verdadeiro vencedor será sempre o futebol. Porque enquanto houver um Mundial, haverá uma criança a imaginar-se na final. Haverá uma cidade inteira a parar para ver um jogo de futebol. Haverá uma família abraçada num sofá pequeno. Haverá um país a acreditar que este pode ser o seu ano.
E talvez seja precisamente por isso que continuamos a amar este torneio."

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