Últimas indefectivações

segunda-feira, 26 de março de 2018

Chama Imensa... Avençados!

As Regras dos Jogos... Critérios!!!

Olimpicamente..., lá vamos cantando e rindo...

"Acabou de ser publicado neste mês de Março o relatório “Special Eurobarometer - Sport and Physical Activity - 2018”. Do relatório a primeira coisa que resulta é que, entre 28 países, Portugal, em matéria de actividade física e desporto, deixou de ser uma vergonha nacional para passar a ser uma vergonha internacional. E porquê? Porque, a par da Grécia e da Bulgária, ocupa o último lugar do ranking europeu relativo à actividade física e desporto.
Mas o que é que isto interessa se Governo, na sua competência, no mesmo mês de Março de 2018, resolveu organizar uma cerimónia com pompa e circunstância no Centro de Alto Rendimento do Jamor (12-03-2018) presidida pelo próprio Primeiro-ministro acompanhado do Ministro da Educação e do Secretário de Estado da Juventude e Desporto onde anunciou ter determinado que o Comité Olímpico de Portugal deverá ganhar duas medalhas olímpicas nos próximos Jogos que se realizarão no ano de 2020 em Tóquio. E, com mais de dois anos de atraso, na presença do infeliz presidente Comité Olímpico de Portugal (COP), anunciou a afectação de 18 milhões de euros ao programa do Ciclo Olímpico de Tóquio que, em boa verdade, começou há cerca de dois anos no dia 22 de Agosto de 2016.
Ora bem, com o Governo a debitar em matéria da exclusiva responsabilidade do COP (confira-se a Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto bem como a Carta Olímpica), o que se pode depreender é que, através de um admirável “toque de magia política”, mostrou o seu descontentamento relativamente ao actual modelo de desenvolvimento do desporto pelo que, perante o “país desportivo”, transformou o COP num Comité de Alta Competição, quer dizer, numa simples repartição da tutela político-administrativa, encarregue de gerir a logística do estuporado programa de preparação olímpica para os JO de Tóquio (2020).
O problema é que a situação em que o desenvolvimento do desporto se encontra já não se resolve com medidas mais ou menos avulsas no sentido de corrigir o modelo falhado instituído em 2004-2005 à revelia do Sistema Desportivo, ao tempo dos Governos de Durão Barroso (XV) e do de Santana Lopes (XVI).
E porquê?
Porque o actual modelo de desenvolvimento:
(1º) No que diz respeito ao vértice da pirâmide de desenvolvimento do desporto, considerando os resultados das Missões Olímpicas, tem vindo a produzir resultados cada vez mais medíocres;
(2ª) No que diz respeito à base do vértice da pirâmide de desenvolvimento do desporto, desde 2004, tanto o crescimento do número de praticantes como o número de clubes, têm vindo, a diminuir. 
Relativamente aos JO, apesar dos extraordinários recursos financeiros aplicados na preparação olímpica, os resultados têm sido cada vez piores: Três medalhas nos JO de Atenas (2004); Duas medalhas nos JO de Pequim (2008); Uma medalha de prata nos JO de Londres (2012); Uma medalha de bronze nos JO do Rio de Janeiro (2016). Nestes termos, tudo leva a crer que a Missão portuguesa aos JO de Tóquio 2020 virá de lá com zero medalhas. Quantos mais desastres olímpicos vão ser necessários cumprir até que o poder político compreenda que tem de mudar de rumo é a pergunta que fica por responder.
Relativamente aos praticantes desportivos de base, aos clubes e aos financiamentos, ao cabo de três Ciclos Olímpicos, considerando as estatísticas oficiais dos últimos 20 anos, a Situação Desportiva revela-se preocupante para não dizer alarmante.
Até 2004-2005, considerando os três Ciclos Olímpicos (1996; 2000; 2004), o crescimento total de praticantes foi de 59%. A partir de 2004-2005, considerando os resultados dos três Ciclos Olímpicos (2004; 2008; 2012) o crescimento de praticantes foi de 30 %. Se considerarmos o último Ciclo Olímpico (2012-2016) o crescimento de praticantes abrandou para 13%. Mas, se corrigirmos os números apresentados pela FP de Natação que, no período que decorreu entre 2012 e 2016, apresentou um inacreditável e inaceitável aumento de 40704 (quarenta mil setecentos e quatro praticantes) a situação revela-se bem pior. Se subtrairmos os 40707 praticantes ao número de praticantes apresentado em 2016 nas estatísticas oficiais chegamos à conclusão que o Ciclo Olímpico do Rio de Janeiro teve uma quebra de 3% de praticantes o que nunca aconteceu desde 1974. 
Suspeitamos que resultados do “Erobarometer-2018” acabem por não traduzir por defeito a verdadeira mediocridade da Situação Desportiva nacional.
E porquê?
Porque a situação do número de praticantes ainda se agrava mais se considerarmos o que está a acontecer até aos juniores. O crescimento de 1996 a 2004 foi de 75% e o de 2004 a 2012 foi de 47%, quer dizer, a partir de 2004, deu-se decréscimo de 28% no crescimento de praticantes. Se, por Ciclo Olímpico, observarmos os números de 2004 a 2016 verificamos que tem vindo a acontecer uma diminuição progressiva do aumento do número de praticantes: 2004 (41%); 2008 (27%); 2012 (16%); 2016 (13%). Quer dizer, a formação desportiva no Sistema Desportivo português caminha para a estagnação.
Relativamente à situação das mulheres, como referiu Maria José Carvalho “a taxa de mulheres no desporto está na idade da pedra” (O Jogo, 2018-03-18). De facto assim é. Se cruzarmos os dados do INE/PORDATA com os do IPDJ verificamos que a referida taxa não chega aos 5%. Entretanto, o actual modelo de desenvolvimento desencadeado em 2004-2005 está a destruir a pouca prática desportiva de base que, entre as mulheres, ainda vai acontecendo. De 1996 a 2004 o crescimento da prática desportiva das mulheres foi de 134%; de 2004 a 2012 foi de 66%; e de 2012 a 2016 foi de 24%. Se considerarmos as mulheres até juniores de 1996 a 2004 verifica-se um crescimento de 134%; de 2004 a 2012 um crescimento de 72%; e de 2012 a 2016 um crescimento de 22%. Isto significa que, também nas mulheres o crescimento de novas praticantes tem vindo a desacelerar com as estuporadas políticas públicas que privilegiam um programa de preparação olímpica que, para além dos resultados absolutamente miseráveis nos JO, está a destruir o desporto nacional que ainda existe.
Quanto aos clubes, de 1996 a 2004, o seu crescimento foi de 7%. De 2004 a 2012 o crescimento foi de -4% e, de 2012 a 2016, o número de clubes cresceu 1%.
Entretanto, o olímpico centralismo burocrático que, em 2004-2005, tomou conta do desporto nacional, para além de estar a destruir vários desportos e respectivas Federações como o boxe, o halterofilismo, as lutas amadoras ou, entre outras, a esgrima, também está a destruir clubes. Actualmente, o número de praticantes desportivos que alimentam as Federações Desportivas não ultrapassa os 10% da população ente os 15 e os 64 anos de idade e, de 2008 e 2016, aconteceu uma quebra de 8% de clubes.
Quanto ao financiamento, enquanto de 1996 a 2004 cresceu 23%, de 2004 a 2012 cresceu 8% e de 2012 a 2016 cresceu 2%. O corte mais drástico no apoio financeiro às Federações Desportivas aconteceu em 2013 com um corte de 22% que resultou nos piores resultados de sempre nos JO do Rio de Janeiro (2016). Mas, enquanto os recursos para as Federações Desportivas têm vindo a decrescer, em contra partida, como se fosse possível “fazer omeletas sem ovos” os recursos atribuídos ao COP têm vindo a aumentar com resultados cada vez mais miseráveis. Em conformidade, começa a perceber-se que a tendência vai ser a de construir Missões Olímpicas com “portugueses de plástico” em prejuízo de outros, genuinamente feitos praticantes e campeões em Portugal que, como, recentemente, referia Nelson Évora (Sapo-desporto, 2018-03-06), são “enterrando vivos”.
Se existe conclusão a tirar do actual modelo de desenvolvimento do desporto em que numa perspectiva de “galinha dos ovos de ouro” são colocados competências e recursos no COP sem que exista um pensamento estratégico devidamente sistematizado a fim de alimentar a base do Sistema Desportivo é o de que os resultados, tanto a nível da elite como a nível da base, estão em profunda degradação. Tudo leva a crer que, a continuarem as actuais políticas, o desporto nacional atingirá um estado caótico de estagnação ou até regressão imediatamente após os JO de Tóquio (2020). Seria bom que os dirigentes políticos e desportivos compreendessem que a conquista de medalhas Olímpicas para um país, tal como Saladino disse após o cerco e conquista de Jerusalém (1187), podem significar tudo e podem significar nada. Pergunto: O que é que significam para a qualidade de vida da população medalhas olímpicas se elas não se traduzirem na melhoria quantitativa e qualitativa da prática desportiva a nível da qualidade de vida dos cidadãos? O valor das medalhas olímpicas, para além daquilo que, em termos pessoais, significa para os atletas e suas famílias, em termos sistémicos o seu valor depende das Políticas Públicas que, a partir delas, possam ser desenvolvidas a fim de provocar desenvolvimento a montante do Sistema Desportivo. Ora, o que está a acontecer desde 2004-2005 é um desinvestimento a montante do Sistema Desportivo Federado a fim de reforçar a jusante um projecto de desenvolvimento completamente falhado que tem produzido resultados desastrosos. E tanto assim é que, quanto mais a análise entrar dentro das Federações Desportivas, mais se concluirá que, algumas delas, já estão em estado de regressão ou, até, “morte lenta”. Apesar disso, as Federações Desportivas, salvo as devidas excepções, não se manifestam desde logo porque, muitas delas, não funcionam em função das necessidades dos praticantes desportivos mas dos interesses sociopolíticos dos próprios dirigentes.
Qualquer decisão quanto ao número de medalhas olímpicas só pode ter significado ser for equacionada no âmbito do conceito de Nível Desportivo. Por exemplo, consideremos os JO do Rio de Janeiro (2016) e dois países diametralmente opostos, a Coreia do Norte e a Finlândia. Ora bem, a Coreia do Norte ganhou sete medalhas olímpicas e a Finlândia só ganhou uma. Todavia, enquanto a Coreia do Norte não tem qualquer tipo de prática desportiva de base que se note e o desporto de alto rendimento sempre foi utilizado pelo país como um instrumento de diplomacia ao serviço do regime, na Finlândia, o desporto é das actividades mais importantes das crianças e os jovens. De uma maneira geral, 90% da população pratica actividade física ou desporto, pelo menos, duas vezes por semana e 50% da população mais de quatro vezes. Para além de tudo o mais não passa cabeça de nenhum finlandês que o Governo do país possa utilizar o desporto enquanto instrumento de marketing da sua ação político nem que o seu Comité Olímpico Nacional esteja obcecado por medalhas olímpicas em vez de estar preocupado em desenvolver o desporto e os valores propugnados pelo Olimpismo. Independentemente de, no quadro teórico do conceito de Nível Desportivo, se poder arguir que se a Coreia do Norte tem medalhas a mais e praticantes de base a menos e que a Finlândia tem praticantes a mais e medalhas a menos (não considerando as dos JO de Inverno), o que é facto é que, qualquer pessoa, com um mínimo de bom senso, prefere o modelo de desenvolvimento do desporto finlandês ao norte-coreano. De resto, existem países como a Dinamarca que apresentam elevado nível desportivo precisamente pela relação eurítmica que estabelece entre praticantes de base e praticantes de elite.
Em 2004-2005, alguns dos nossos dirigentes desportivos e políticos, à margem das Federações Desportivas e da generalidade das organizações que interagem no mundo do desporto, através de um contrato programa entre a Administração Pública (representada por José Manuel Constantino) e o COP (representado por Vicente Moura) com a cobertura política de Hermínio Loureiro (Secretário de Estado do Desporto), através de uma “transvaza financeira” das Federações Desportivas para o COP, resolveram optar por um modelo de desenvolvimento que ao focalizar-se no alto rendimento, sem equacionar a prática desportiva de base está mais próximo do modelo Norte-coreano ou chinês do que do modelo de desenvolvimento nos países do Norte da Europa onde se procura atingir um equilíbrio eurítmico entre a base e o topo da pirâmide de desenvolvimento. Em conformidade, os números impressos nas estatísticas oficiais do IPDJ traduzem uma Situação Desportiva desde há catorze anos em profunda degradação.
Seria bom que o Governo começasse a perceber no “buraco” em que o desporto se encontra. Portugal até pode ganhar três ou quatro medalhas em Tóquio (2020), por exemplo à custa de atletas “portugueses de plástico”, ou de atletas que nem sequer vivem em Portugal. Todavia, não é por isso que, em matéria de desenvolvimento do desporto, vai deixar de ser um país com um desporto na mais profunda regressão. E aos olhos dos demais países um país subdesenvolvido onde, salvo as devidas excepções, dirigentes há que estão mais interessados no “dress code” das festarolas paralelas aos eventos desportivos do que nas condições de vida e de treino dos atletas. Acresce que alguns dirigentes desportivos, por “falta de mundo”, fazem-se transportar em “topos de gama” com motorista. Trata-se do atavismo de uma miséria ancestral, que não se compadece com o facto de, tanto na base como no vértice da pirâmide de desenvolvimento, as carências serem gritantes de injustiças, muitas vezes, mais por uma congénita má administração dos recursos existentes do que por escassez de recursos públicos postos à disposição. Por exemplo, na Holanda, um país que tem uma taxa de actividade físico desportiva de 59% e ganhou 19 medalhas olímpicas (8,7,4) no Rio de Janeiro (2016), dizia Rentes de Carvalho (Observador, 2016-03-16), “… não há carros de luxo. Quem tem carros de luxo são os traficantes de droga e as prostitutas e os parolos. As pessoas normais têm um utilitário”.
Se a cerimónia presidida por António Costa no Centro de Estágio da Cruz Quebrada significou o desencadear de uma mudança de paradigma acabando com a irresponsabilidade que foi a institucionalização do modelo de desenvolvimento do desporto desencadeado em 2004-2005, quer dizer, se significou da parte do Governo a assunção de que quem tem autoridade democrática para gerir o alto rendimento desportivo no quadro das Políticas Públicas de onde deve decorrer a Missão Olímpica é o Governo, só nos podemos regozijar uma vez que se começa a salvar o Ciclo Olímpico de Paris (2024) uma vez que o de Tóquio (2020) já está perdido. Se, pelo contrário, tal cerimónia só significou mais um malabarismo de marketing político que, de uma maneira geral, os Governos do PS bem como do PSD-CDS têm demonstrado a máxima competência, infelizmente confirmam-se as palavras de Vítor Serpa (A Bola, 2018-03-24) quando diz que a classe política portuguesa entende que a problemática do desporto “deve ser entregue a gente que não suspeita, sequer, da sua própria ignorância”. Então, a cerimónia do Centro de Estágio da Cruz Quebrada foi um hino à irresponsabilidade e ignorância e ao subdesenvolvimento para onde o desporto nacional, de há catorze anos a esta parte, está a caminhar."

As lesões e as selecções

"Como é natural, as maiores equipas portuguesas têm vários jogadores nas selecções nacionais de diferentes países. A equipa do Sporting foi a que teve mais seleccionados para os jogos da selecção portuguesa com o Egito e a Holanda: Rui Patrício, Fábio Coentrão, William Carvalho, Bruno Fernandes e Gelson Martins. O Benfica teve um: Rúben Dias. E o FC Porto não teve nenhum.
Mas os problemas começaram logo a seguir à convocatória. Fábio Coentrão alegou dores musculares – e, embora os médicos não lhe descobrissem qualquer lesão, foi dispensado. William Carvalho apresentou-se, mas nos exames clínicos chumbou – sendo igualmente dispensado. E Gelson esteve em dúvida até à véspera do jogo.
Quanto a Rúben Dias, nem se apresentou: o Benfica informou a federação de futebol da indisponibilidade física do jogador para actuar na selecção.
E o FC Porto, não fazendo parte deste filme, viu dois jogadores seus, que haviam sido convocados para duas outras selecções – o argelino Brahimi e o mexicano Herrera –, regressarem à base pelo mesmo motivo: lesões impeditivas de irem a jogo.
Esta quantidade de lesões impressiona. E não quero crer que sejam simuladas: os jogadores, regra geral, têm orgulho em actuar pelas selecções dos seus países. Coentrão, por exemplo, depois de vários anos afastado em consequência de épocas fracassadas em Madrid, veria neste regresso à selecção nacional o corolário de uma recuperação notável ao serviço do Sporting. Se alegou problemas físicos, foi mesmo porque não se sentia em condições.
E o mesmo vale para Rúben Dias, para quem a estreia na equipa nacional selaria uma época excepcional em que, vindo da equipa B do Benfica, rapidamente se impôs na equipa principal, a ponto de ser convocado por Fernando Santos. Se pudesse jogar, mesmo com algum sacrifício, não hesitaria um segundo.
Ora, excluídas as simulações, estamos perante um problema que faz pensar: a que se deverão tantas lesões, tanto desgaste físico? É sabido que os jogadores jogam hoje muito mais jogos do que antigamente. Mas isso não explica tudo.
Um dos problemas consiste, a meu ver, na intensidade dos treinos. Os treinos dos clubes grandes são muito duros – e os jogadores que não se esforcem ao máximo são preteridos. Assim, os treinos tornam-se “jogos a sério”, pois ninguém quer ficar para trás. E isso leva a um desgaste acrescido e até a lesões (um jogador do Sporting, Daniel Podence, estragou a época com uma fractura contraída num treino).
Mas, aqui, ocorre uma pergunta: tendo em conta essa intensidade nos treinos, os jogadores dos clubes grandes deveriam correr o dobro dos outros – e não é assim. Nos jogos entre grandes e pequenos não se vê um abismo do ponto de vista físico: o desnível não é, pelo menos, perceptível à vista desarmada.
Assim, os jogadores desgastam-se em nome de quê? Alguma coisa nesta matéria não está bem explicada…"

Foi você que pediu um Abel Ferreira?!

"1 - Não se fala muito nele. Diria que faz a carreira em pezinhos de lã... Mas começa a ser impossível não reparar em Abel Ferreira, por muito que o treinador do Braga prefira adoptar um estilo low profile. Não se trata apenas de constatar os resultados (que são muito bons). O que mais impressiona é a qualidade de jogo da equipa do Braga. Pode argumentar-se: "Ah!... mas o Braga tem um excelente plantel." OK, é verdade. Mas isso não significa, por si só, que os resultados sejam bons. É obrigatório que o trabalho diário seja muito bem feito. E, seguramente, o trabalho de Abel Ferreira terá muita qualidade. A sete jornadas do fim do campeonato, o Braga está no quarto lugar, com 21 pontos de vantagem sobre o quinto (Rio Ave) e apenas quatro pontos de desvantagem para o terceiro (Sporting)... E no próximo fim-de-semana há um Braga-Sporting! Um duelo que pode ser decisivo na luta pelo terceiro lugar. Se o Braga vencer, vai lutar com o Sporting até ao fim. Se a vitória sorrir à equipa de Alvalade, os leões vão continuar a perseguir o segundo lugar (continuo a pensar que o título é uma miragem para a equipa de Jorge Jesus). Curiosamente, o empate é um resultado que não interessa nem ao Braga nem ao Sporting. Prevejo por isso um grande jogo na próxima jornada do campeonato. Não vai ser fácil para a equipa de Jorge Jesus defrontar este Braga, que tem uma das melhores ideias de jogo do campeonato. E o mérito é de Abel Ferreira, que, curiosamente, já orientou a equipa B do Sporting!... E não saiu lá muito bem de Alvalade...
2 - A minha música da semana vai mais uma vez para Jonas. Continuo a pensar que é possível que o avançado do Benfica chegue aos 40 golos no campeonato! A sete jornadas do fim, Jonas já leva 31!... É dos melhores avançados que vi actuar em Portugal... e é o melhor que vi jogar com a camisola do Benfica. (Infelizmente, nunca vi jogar Eusébio.) A música para Jonas é uma adaptação do tema dos Bee Gees "How Deep Is Your Love." Fica assim para o Jonas: "Ele já marcou mais um grande golo... Seu nome é Jonas, marca a toda a gente... Matador, brasileiro, de águia ao peito... Tem que ir para o escrete... Não vejo outro jeito!..."
3 - Estamos na recta final do campeonato. Há apenas 21 pontos em jogo. O FC Porto ainda pode chegar aos 91 pontos! (Seria um novo recorde...) O Benfica ainda pode atingir os 89 pontos... e o Sporting pode chegar, no máximo, aos 86. Isto, obviamente, partindo do princípio de que ganham os pontos todos que ainda estão em jogo. Seja como for, uma coisa é clara: o novo campeão nacional terá uma pontuação muito elevada. Acredito que iremos ter um campeão nacional com mais de 85 pontos. Ou seja, o nosso campeonato continua a ser muito desequilibrado. Basta ver a diferença entre o quarto e o quinto!... 21 pontos é demasiado! É como se existissem dois campeonatos! Um onde só cabem quatro clubes... e o outro, comandado pelo Rio Ave, onde estão as restantes 14 equipas. Há o campeonato dos ricos e o campeonato dos pobres!... Quase não há classe média.
4 - Dois jogadores têm-me impressionado na II Liga: Kalindi e Gustavo. Curiosamente ou talvez não, ambos jogam no Penafiel, a equipa que lidera o campeonato e aquela que eu mais gosto de ver jogar. Parabéns ao Armando Evangelista pelo excelente trabalho que está a fazer em Penafiel. Mas voltando aos dois craques, Kalindi é um lateral-direito de muita qualidade, que defende e ataca muito bem. Não é alto, mas é uma verdadeira moto a acelerar no flanco direito. Teria lugar na maior parte das equipas da I Liga. Quanto a Gustavo, é um médio de muita classe. Uma espécie de 8,5! Pode jogar a 8 mas tem qualidade suficiente para jogar a 10. Joga sempre de cabeça levantada e impressiona pela qualidade técnica. É genro de Rivaldo, o que, sendo apenas uma curiosidade, não deixa de ser engraçado, porque Gustavo joga mesmo muito à bola. O craque está emprestado pelo Portimonense ao Penafiel... e é impossível que os algarvios não tenham já percebido o tesouro que têm ali. E, depois, Gustavo não é aquele típico jogador muito habilidoso que se agarra à bola... Este brasileiro joga simples, mas com grande categoria. Ah!... e é perigosíssimo nas bolas paradas. Cresceu imenso sob o comando de Armando Evangelista. Fixem os nomes destes dois brasileiros: Kalindi & Gustavo. São craques."

Benfiquismo (DCCLXXXVIII)

Nada tosco!!!!

domingo, 25 de março de 2018

Bons sinais

Benfica 86 - 68 Corruptos
23-24, 13-14, 21-8, 29-22

Excelente 2.ª parte, defendemos muito bem, ao contrário do que tem sido habitual. Provou-se que quando os jogadores estão motivados, sabem defender...!!!
Mesmo sem o Todic e o Barroso (lesionados) conseguimos uma vitória confortável, voltando a confirmar a minha expectativa que vamos encontrar a Oliveirense na Final!!!
Claramente o melhor jogo do Pitts... jogador com características completamente diferente do Sanders!

Vitória em Tires

Tires 3 - 7 Benfica

Obrigação cumprida, com um resultado seguro, chegámos aos 0-6, permitimos 3 golos ao adversário, mas garantimos a qualificação para a Final Eight da Taça de Portugal que se vai disputar em Gondomar...
Ainda com o Hemni a ser expulso perto do fim!!!

Mensagem de apoio a Rui Vitória, provavelmente o melhor treinador do mundo

"Faltam 7 finais para a conquista do penta e eu não sou o Guilherme Cabral.
Não sei editar vídeos, não tenho jeito para palestras motivacionais e, acima de tudo, já não consigo olhar para este campeonato com lirismo. Certo, toda a gente espera que vocês se superem, que extrapolem os limites da condição humana, que ultrapassem a adversidade quando já ninguém achar que é possível, que sejam metaforicamente propulsionados por milhões de adeptos para um título que só pode ser vosso e de mais ninguém, e que façam isso tudo ao som de uma música excessivamente dramática. Ufa. Juro que não sei como é que o Guilherme consegue.
Bem, este texto dirige-se ao nosso treinador.
Ele não me conhece e dificilmente irá ler isto, mas para efeitos de estilo eu vou dirigir-me a Rui Vitória como se ele ligasse peva ao que eu escrevo. Olá, Rui. Finalmente, não é? Parece que andamos desencontrados há anos. Eu a tentar dirigir-te a palavra e dar-te um abraço, tu a afastar o olhar porque não me conheces de lado nenhum.
Enfim. Não sei se podemos tratar-nos por tu e não vou descobrir nos próximos minutos, portanto vou assumir que andámos juntos na escola. Eu sou um dos ignorantes que ao longo das últimas quase três temporadas disse à boca cheia que o Benfica não tinha o melhor treinador do mundo. Não é lirismo, não senhor. E também não estou a exagerar.
Em primeiro lugar, sim, sou um bocado ignorante. Em segundo, tu és de facto um dos melhores treinadores do mundo. Quem disser o contrário que peça ao Guardiola para treinar o City na próxima época sem o David Silva, o De Bruyne ou o Sané e sem um tostão para os substituir. Peçam ao Zidane para levar o Real Madrid à conquista de mais uma Champions sem o Ronaldo, o Modric ou o Bale. Peçam ao Jorge Jesus para treinar o Sporting sem o Rui Patrício. Ou peçam ao Sérgio Conceição para ganhar ao Boavista sem o Wagner. Logo vemos o que acontece. Boa sorte.
Confesso que estou ansioso. Acordo todos os dias a pensar nisto. Não sei quanto aos outros benfiquistas, mas eu já cancelei todos os planos para os fins-de-semana de 5/6 e 12/13 de maio. Continuo indeciso. O meu coração balança entre a possibilidade de celebrar o título em Alvalade na penúltima jornada e a bonita imagem de mais um título conquistado em nossa casa. Sim, eu sei que estou a pôr a carroça à frente dos bois, mas fica só entre nós.
Sendo tu tão benfiquista como os benfiquistas, sei que também já sonhaste com isso algumas vezes. 
Quanto aos críticos, não ligues. A malta diz mal porque quer sempre mais e também porque às tantas se torna cansativo passar quatro anos a elogiar toda a gente. O que é demais enjoa. Precisamos de algum drama. Eu, tu, até o próprio, de certa forma todos precisámos daquele frango do Varela. Fez-nos ver que o maior clube do mundo é afinal feito de humanos e que esses extraordinários membros da espécie também cometem erros. Faz parte. É formativo. A receita não é a mesma sem os condimentos. São o sal e a pimenta que fazem tudo saber melhor no fim.
Além disso, tu sabes como é a sina dos clubes maiores e de quem os comanda. No Benfica não chega ganhar por um a zero. Muda aos sete e meio, acaba aos quinze, e o Jiménez entra a 25 minutos do fim. Siga. Quem disser que tudo isto é lirismo não merece subir comigo à estátua do Marquês em maio.
Mas sabes que mais? Se não acontecer, não será o fim do mundo. Vou ser gozado por meia dúzia de amigos portistas ou sportinguistas que vão ler isto e esperar pacientemente pela oportunidade de me esfregar as palavras na cara - provavelmente mais portistas do que sportinguistas. A vida continua. Saúdinha é que é preciso.
Penso que falo por muitos mais benfiquistas quando te digo isto: aconteça o que acontecer, estamos muitíssimo gratos pelo teu tempo ao serviço do Benfica. Deste-nos dias incrivelmente felizes, tu e os jogadores. Isso, meu caro Rui, não é lirismo nenhum. É a beleza poética dos factos.
É prosa em verso, tal como esta época que tantas vezes me/nos pareceu inapelavelmente perdida e agora está mais perto do que nunca de ser uma memória linda. Se já aconteceu, pode muito bem voltar a acontecer. Tu que o digas.

P.S. - Eu sei que não é o fórum adequado, mas enviei um e-mail ontem e ninguém me respondeu. No próximo fim-de-semana vêm aí uns primos meus da Alemanha e eles queriam ver o jogo com o Vitória. Não tem que ser na tribuna. Pode ser para o piso 3. Se alguém te perguntar, diz que o retorno esperado é o meu benfiquismo até morrer. Sei lá, vê tu como achares melhor."

Palavra de ordem

"Em poucos dias, Luís Filipe Vieira teve duas intervenções públicas. Na gala, foi o elogio do Benfica, relevando os méritos do projecto e de uma forma de estar: "não ganhamos contra ninguém". Omitiu as polémicas e evitou atacar os rivais. Nos Açores, deu um passo à frente, sem se ‘esticar’.
O "dar tudo pelo penta" é a palavra de ordem de Vieira. Daí o desafio à onda vermelha. O foco está na mobilização de acordo com a velha máxima do contra tudo e contra todos que em momentos difíceis é sempre uma ideia aglutinadora e que a conjuntura aconselha. Neste contexto, Vieira recorreu à equipa de futebol – particularmente a Jonas – como exemplo do grau de compromisso e solidariedade que existe no Benfica.
As polémicas ficaram-se por duas ideias-chave: o clube nunca deixa ninguém para trás (Paulo Gonçalves) e as vitórias foram alcançadas no campo e de forma limpa. Se esta última declaração é a que todos esperam ouvir, já relativamente a Gonçalves fica a posição determinada e inabalável: Vieira não o vai deixar cair. Nos ataques a FC Porto e Sporting, nada de novo. Será que da próxima Vieira voltará a subir de tom?
Júlio Mendes foi reeleito. Vitória apertada e nova prova de confiança. Depois da austeridade e da estabilidade, será o tempo do investimento."

A semana das Galas

"Recados, mensagens e apelos. Discursos emocionados, esperançados e prometedores. Palavras vindas de um palco, que precisam, agora, de ter repercussões no futebol português.
Numa semana em que param os campeonatos, e regressam as selecções, sobra tempo para a realização de galas, conferências e eventos recheados de pensamentos construtivos, de gente com valor, mas que rapidamente se diluem e esquecem na polémica seguinte.
José Peseiro, actual técnico do Vitória de Guimarães, disse quase tudo. O clima actual "roça a vergonha", com a permanente mancha de suspeição lançada sobre jogadores, árbitros, treinadores e toda a indústria que rodeia o futebol.
O apelo feito pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, durante a 3.ª Gala das Quinas de Ouro é de louvar. O país dos campeões da Europa, de Cristiano Ronaldo, José Mourinho, entre tantos outros, tem aqui a oportunidade perfeita para apanhar boleia desses portugueses de excelência e fazer crescer o seu próprio campeonato.
Em vez disso, somam-se as denúncias anónimas e insinuações de jogos comprados. A corrupção, claro está, não pode ser perdoada. Se existe, se foi tentada, os responsáveis têm de ser punidos.
Mas os representantes dos clubes portugueses (nomeadamente dos chamados três grandes) têm a obrigação de falar apenas com provas. De unir em vez de dividir. E, acima de tudo, de respeitar os profissionais da modalidade. Se não o fizerem, as boas intenções nunca passarão das galas."

Por culpa de Cruijff nunca iremos chegar demasiado tarde ou cedo de mais

"Houve um mar imenso, encrespado, de jogadores banais. Não há nada de mal nisso. Se não fossem esses não haveria os outros. Não jogam sozinhos, é assim tão simples.
Admirámos uns quantos lendários, entre os quais Maradona, Pelé, Eusébio, Ronaldo-Fenómeno, Van Basten, Zizou, Platini e Di Stéfano.
E outros que ainda estão a caminho da lenda, apesar de ser certo que lá cheguem sem muito mais esforço, como Messi e Cristiano.
Houve um oceano, um dos maiores, de grandes jogadores que fracassaram a mandar a partir do banco.
Alguns, sim, poucos, atingiram patamares semelhantes àqueles a que subiram com a bola colada ao pé, como Kaiser Beckenbauer.
É verdade que grandes treinadores têm o mérito de fazer parte do mapa das estrelas, depois de abandonada a condição humana de futebolista fracassado lá em baixo na Terra. Mourinho, Brian Clough, Ferguson e Capello, todos bons exemplos.
Outros tornaram-se técnicos-filósofos, e aí teremos sempre o velho Bielsa. Sentado numa geleira, a olhar de queixo apoiado na mão fechada para o centro do relvado.
Claro que Guardiola está no nosso coração como revolucionário-experimentalista. E houve quem pregasse uma nova doutrina ao longo dos tempos. O catenaccio de Helenio Herrera, o pressing alto de Sacchi, il albero (a árvore) de Ancelotti ou o totalvoetbal de Michels.
Houve jogadores de talento que não quiseram ganhar raízes no banco, e ficaram-se pela oratória e retórica. Valdano escreveu livros. Doutor Sócrates foi um futebolista de intervenção, mesmo depois de deixar a carreira.
Antes de todos eles e no meio de todos deles está Cruijff. Filósofo, revolucionário, experimentalista, grande treinador, enorme jogador. Foi completo. O maior de todos, sem ter sido maior do que cada um deles.
Deixou-nos a finta, que a minha geração viu João Vieira Pinto perpetuar nos relvados portugueses. O penálti de dois pais, que não era dele, mas que tornou famoso e vive ainda nos dias de hoje. Recordamos um golo impossível, de ginasta, todo no ar, de perna esticada, frente ao Atleti. A arrancada fatal na abertura da final de um Campeonato do Mundo, com Vogts a ter de ir-lhe às pernas, sem misericórdia.
Como treinador, um Dream Team, com Koeman, Guardiola, Bakero, Michael Laudrup, Stoichkov e Romário. Como ideólogo, tanto mais. É a alma do Barcelona do passado, presente e futuro, cravada mais profunda do que o próprio tiki-taka.
Foi Barça de Rijkaard, Barça de Guardiola. E, por consequência, é dele a Espanha campeã do mundo e da Europa. Está na génese de um Bayern que deixou de ser só espírito de luta e que se quer avassalador, mas que ainda o tem como Yin e Yang, mentor e inimigo, porque deverá ser o Barça o seu maior rival na Champions. Está na Mannschaft alemã, campeã do mundo.
É respirado em todos os corredores do Ajax. do futebol holandês. Vive no Arsenal de Wenger. Nas ideias de Bielsa. De Hiddink. Também de Klopp. Já viveu, pasme-se, nas de Van Gaal. No Milan de Sacchi, já aqui falámos dele.
Cruijff não precisou de ser o melhor jogador ou o melhor treinador, embora tenha andado sempre no topo, para ser o futebol himself. O senhor futebol.
Arte. Poesia. Ataque. Cultura. Procura de espaços. Posse. Velocidade. O melhor do jogo. É arte, mas com vitória. Uma não existia sem a outra. Não fazia sentido.
Como disse Vic Buckingham, foi uma bênção para o futebol. Um Pitágoras com botas, escreveu David Miller.
- Don't run so much, Football is a game you play with your brains!
Não seremos mais felizes sem ele, mas nunca esqueceremos o seu legado. É verdade que ele podia ter-vos explicado melhor, mas não era para que entendessem de imediato.
- If you're not there, you're either too early or too late.
Na verdade, Cruijff não morreu. Resolveu a equação, viu antes que a porta abria para fora. Tornou-se eterno. E já não temos por que chegar demasiado tarde ou demasiado cedo. Ele estará sempre lá, no grande círculo, com um chupa-chupa no canto da boca. Até sempre, Johan."

Benfiquismo (DCCLXXXVII)

Senhor...

A geração dos Cristianos Ronaldos

"Actualmente em Portugal existem dezenas de escolas de futebol, que colocam milhares de jovens a praticar desporto. Este tem sido um espaço valioso de desenvolvimento da modalidade, que permitiu não só aumentar a popularidade do jogo como educar milhares de crianças, pessoal e desportivamente. No entanto, existe uma grande pedra nesta engrenagem. Seja pelo mediatismo da modalidade ou pela “prometida” ascensão social, o certo que raras vezes, estas múltiplas escolas fogem ao epíteto da formação de “campeões”. E ao analisarmos posturas e discursos, de treinadores, pais e atletas, fica a questão: será que os jovens podem apenas jogar futebol pelo prazer do jogo e da prática desportiva, ou jogar futebol implica mesmo ter de tentar ser jogador profissional?
Diversos estudos têm analisado a relação entre o número de atletas que se encontram a treinar numa modalidade durante um longo período de tempo (mais de 3 anos) e aqueles que atingem o alto rendimento. Os valores encontram-se entre os 0,3% e os 0,012%, sendo este último valor correspondente às academias dos clubes da Premier League em Inglaterra. Na análise mais positivista, estamos a falar de 1 em cada 300 atletas. Um valor extremamente reduzido, principalmente se tivermos em consideração o facto de todos estes atletas já terem sido alvo de uma selecção prévia. Perante este cenário, e sendo o futebol a modalidade com maior número de praticantes federados no nosso país (cerca de 175000, dos quais aproximadamente 80% têm mais de 18 anos), urge reflectir acerca da missão decorrente da existência destas escolas de futebol e da sua praxis diária.
É inegável que a pressão e ambição dos pais é um grande problema, levando a que muitos espaços onde a prática desportiva deveria ser o principal objectivo, sejam transformados temporariamente em laboratórios de alquimia, a tentar transformar “pés de chumbo em pés de ouro”. Mas não se pense que os únicos culpados são os pais. Quando são os treinadores ou coordenadores os primeiros a promover e permitir que crianças de 10-11 anos fiquem jogos inteiros no banco ou que permaneçam largas temporadas sem serem sequer convocados, são estes que claramente estão a potenciar e perpetuar o problema.
A investigação demonstra que entre os 11-16 anos de idade as diferenças maturacionais entre os jovens podem ser extremamente acentuadas, sendo esta uma enorme condicionante na forma como a prática dos jovens atletas deve ser estruturada e operacionalizada. Refira-se igualmente que este factor é salientado por diversos autores, como sendo fundamental na identificação de talentos. Assim sendo, seja pela imprevisibilidade associada ao crescimento e maturação dos jovens, seja pela “improbabilidade estatística” de sabermos se estamos na presença de um futuro jogador profissional de futebol, os profissionais nesta área devem procurar garantir que o jogo é para todos e deve ser jogado por todos. Quem conduz a prática deve analisar e prever todos os cenários de treino e competição, assegurando-se que a formação dos jovens e a sua auto estima não é colocada em causa por satisfações pessoais ou incompetências momentâneas.
O papel e a importância das escolas de futebol na nossa sociedade é evidente, assim sendo, haja a coragem e capacidade de assumir que o seu objectivo último nunca deverá ser formar “campeões”, mas sim, continuar a promover um espaço onde a prática desportiva de qualidade se desenvolve e onde as diferentes capacidades e ambições dos jovens praticantes vão encontrar o seu espaço de concretização.
Nem todos os jovens que entram no comboio do futebol, querem ou têm de chegar à última estação! A estação “Cristiano Ronaldo”!"

sábado, 24 de março de 2018

Curta

Benfica 3 - 2 Corruptos

Vantagem curta para o jogo da 2.ª mão, depois de 4 'bolas paradas' desperdiçadas (3 Livres Directos; e 1 penalty)!
Fizemos uma boa 1.ª parte, mas o 2.º tempo foi fraquinho...

Presidente na Terceira

A mente sã já não é mais aquela coisa

"O IPDJ é o organismo estatal incumbido de velar pela aplicação daquele preceito imorredouro – "uma mente sã num corpo são". Num extravasamento das suas funções, o dito IPDJ condenou o playboy automobilístico Fernando Madureira a uma sanção que o interditou de frequentar recintos desportivos por um período de seis meses sem que houvesse mês algum em que Fernando Madureira não fosse visto a frequentar todo o tipo de recintos desportivo. A sua presença, ainda que interdita, foi providencial para que se evitasse uma catástrofe no Estoril quando antecipou o colapso, previsto para o ano de 2098, de uma bancada de betão. Veio agora o Tribunal de Pequena Instância do Porto dar razão ao esperável recurso de Madureira.
Ao IPDJ deu-lhe para gostar de poder castigar o presidente da claque do FC Porto a propósito de um cântico desgraçado sobre a tragédia da Chapecoense contendo uma referência vocal igualmente infeliz para o emblema de um rival. Também não deixa de ser verdade que não faltam cânticos desgraçados e de todas as cores nos nossos recintos o que só vem provar que a "mente sã" é já um atributo de minorias enfezadas. Faça-se, então, a justiça de reconhecer que nem o IPDJ, nem Madureira, nem o Tribunal do Porto podem vir a ser acusados de comportamento errático neste transe. Cumpriram-se as respectivas vocações. Errático, de facto, acaba por ser o comportamento do Porto, o clube de Madureira.
No instante do flagrante musical, o FCP correu oficialmente a "demarcar-se" da cantoria em causa apelando à claque para "que o apoio se mantenha dentro dos limites do bom senso". No recente instante da absolvição judicial apressou-se oficialmente o mesmo FCP a festejar a derrota civil de quem "se rege" pela "perseguição ao FC Porto e às figuras a ele directa ou indirectamente associadas", referindo-se à Mouraria em peso, obviamente. E é nisto que estamos.
O presidente do Benfica anunciou a redução de 100 milhões de euros no passivo do clube. Não andasse o Benfica a oferecer bilhetinhos – 2 milhões de euros espatifados com borlistas, alertou Domingos Soares de Oliveira! – e poderia reduzir o seu passivo em 102, 104 ou mesmo 106 milhões de euros, quem sabe há quantos anos esta pedinchice dura? Já o vizinho Sporting vai gastar a mesma verba – 2 milhões – com a intratável Doyen, decidiu o tribunal. Vale-lhe, ao Sporting, não haver borlas em Alvalade. O dinheiro está disponível. Isto é fazer bem contas.
O anúncio da redução do passivo, o espírito fraternal de Jonas, a homenagem a Nené, as palavras da capitã da equipa de futsal foram momentos altos da festa de aniversário do Benfica. Mas o que terá causado maior euforia entre os adeptos foi o momento em que ficaram a saber que o Rúben Dias tem um irmão mais novo, igualzinho a ele e que também é defesa-central. É que o mais velho para além de estar lesionado já está no "radar do Arsenal", garante a comunicação social. É tudo tão rápido."

Os educadores das cabeças para cima

"A maioria dos políticos portugueses que falam e legislam sobre educação física e desporto não suspeita, sequer, da sua própria ignorância.

Nunca consegui perceber por que razão a classe política portuguesa entende que o tema da educação física e do desporto deve ser entregue a gente que não suspeita, sequer, da sua própria ignorância. É um insondável mistério. Talvez que, no seu todo, a classe política ache, de facto, o assunto inevitável, mas entediante. Tem uma suave consciência de que é politicamente correcto dizer-se que o desporto faz bem à saúde, coisa que o próprio desporto, divertido, se encarrega de colocar em dúvida e, no alto rendimento, até mesmo de desmentir. Porém, intimamente, acha que a vida devia ser exactamente como o Eça a propunha na sua visão mais sonhadora: viver numa quinta com as traseiras para o Chiado, para ter sempre ao pé a salvação de um refúgio na comodidade da civilização urbana.
Recentemente, a comissão de Educação e Ciência da Assembleia da República reuniu-se para discutir a recorrente questão de saber se deve, ou não, a educação física contar para nota, ou seja, deve ou não a disciplina ser valorizada para contar para a média final do secundário e para acesso ao ensino superior. Não há consenso sobre a matéria, mas há uma indicação de que sim, a educação física deve voltar a ter uma existência formal.
Curiosamente, aqui, o regime manifesta-se plural. O Bloco de Esquerda apresentará uma proposta com essa conclusão, o PC apoia e o CDS também. No meio fica o PS, que sobre esta matéria nunca soube verdadeiramente o que pensar e o que fazer, e o PSD, que está disposto a votar contra.
O alarme não surge, porém, desta particularidade fascinante da criação de uma nova e mais curiosa geringonça para aprovar a maioridade da educação física nas escolas secundárias. Vem da inqualificável argumentação de quem se propõe aprovar e de que se propõe rejeitar.
Por simples pudor prefiro não referir os nomes dos deputados que foram escolhidos pelos seus partidos para penosamente afirmarem o seu desconhecimento, a sua total ignorância sobre o assunto que pretendem legislar.
Vejamos o que nos dia o PSD na explicação do seu anunciado voto contra: diz, pela voz do deputado eleito para dar uma explicação pública, que a educação física «é fundamental, quer para o crescimento físico quer intelectual dos nossos alunos». Bom, mas sendo fundamental, o que pode então levar o PSD a votar contra? O senhor deputado dá uma explicação piedosa: porque «há um conjunto de alunos que na prática não valoriza a disciplina de educação física». O leitor pode pensar que estamos a brincar com assunto sério, mas infelizmente não estamos.
E por que razão o CDS é a favor? Bom, a argumentação consegue suplantar o do representante do PSD em delírio e ignorância. Diz a senhora deputada do CDS que «percebemos e subscrevemos o princípio de que a escola não pode educar apenas da cabeça para cima». Daí, dizemos nós em conclusão legítima, deve passar a educar também da cabeça para baixo.
Admite-se, assim, o ser humano com a complexidade de um pequeno prédio com rés-do-chão e primeiro andar. No piso de cima, a cabeça, suponho que numa única assoalhada; no piso de baixo o corpo, os bracinhos, as perninhas, em assoalhadas mais numerosos. A cabeça e o corpo são, pois, vizinhos. O que se pretende é que se deem bem e que saibam, em conjunto, cuidar do prédio em favor do senhorio que é cada um de nós.
O que ouvimos e lemos é alarmante. A decisão final aponta para uma proposta correcta, mas, pelo que se vê, por mero acaso político. Mas falta compreender e por isso ficará a faltar o essencial: revolucionar a disciplina de educação física, numa perspectiva de adequando conhecimento científico.

A discussão e o unanimismo
É positiva a iniciativa do Sporting de discutir o futuro do futebol, convidando gente qualificada. Faz mal, o Sporting em sujeitar um evento tão importante para o futebol português à dimensão de feita de aldeia. O acontecimento merecia mais e teria mais, não fora a desastrada política interna de comunicação que afasta e agride o livre pensamento e os livres pensadores. É que não faz sentido exigir o unanimismo bruniano e, depois, gastar esforço e dinheiro na pluralidade. Como se o Sporting fosse o todo e não fosse a parte.
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

Benfiquismo (DCCLXXXVI)

O Costa !!!

Uma Semana do Melhor... Guimarães!