Últimas indefectivações

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Não vi mas também não gostei

"Será que a Selecção tem cozinheiro? Tem? Então a culpa é do cozinheiro. No Benfica também temos cozinheiro: o Talisca já engordou cinco quilos.

NÃO fizemos um mau jogo disse Paulo Bento.
Lamento, e lamento muito sinceramente, mas não usufruo do grau mínimo de legitimidade para desancar com os meus argumentos impiedosos a supracitada análise do nosso seleccionador nacional devido a uma razão nada complicada. É que não vi o jogo.
Não ver é um direito que a todos assiste e que não menoriza ou, pelo menos não deveria menorizar, os que dele (do direito) não prescindem em certas e bem determinadas ocasiões. Como esta, justamente.
Portugal contra a Albânia não era grande programa, admita-se sem complexos. O cartaz só não era fraquíssimo para quem não anda nestas coisas. E ainda são algumas privilegiados.
Mas para os outros, os que andam forçosamente nestas coisas mas com consciência plena dos factos, e ainda são muitos, fazia arrepiar só a ideia de que o cair da noite do primeiro domingo do sempre admirável mês de Setembro pudesse vir a ser importunado por um acontecimento tão insuficientemente exótico como um Portugal - Albânia.
E se fosse ao contrário? Se em vez de um Portugal - Albânia marcado para Aveiro, antes fosse um Albânia - Portugal agendado para Tirana?
Com o devido respeito pelas duas federações em contenda, ia das ao mesmo.
Mas, sendo o jogo no estrangeiro e sabendo-se que as excursões para fora do país provocam sempre formigueiros em qualquer tipo de comitivas, não se poderia antecipar um Albânia - Portugal prometedoramente mais atractivo do ponto de vista da qualidade das emoções? Não, de modo algum. Sò os ingénuos acreditam numa coisa destas.
Cá ou lá, a coisa tinha todos os ingredientes para estar condenada à partida.
Começou mal a campanha de qualificação da Selecção portuguesa de futebol para a fase final do Europeu de 2016, evento para o qual ainda falta imenso tempo? Sim!
Começou pessimamente. Mas pior teria começado para mim, egoistamente falando, se tivesse de ver esse mesmo jogo de que me escapei, muito decididamente, atravessando a fronteira para a Espanha sem pinga de remorso.
Remorsos? Nada, nem um bocadinho. Mas onde é que as exóticas festas da Senhora das Angústias de Ayamonte ficam alguma vez atrás, no domínio das mais básicas expectativas, de um Portugal-Albânia ou de um Albânia-Portugal, seja em que modalidade for?
Devo dizer, em abono da verdade, que estava o jogo precisamente no seu intervalo e ainda estava eu em terras portuguesas. Mais precisamente numa estação de serviço à beira da estrada. Foi aí que ouvi em fundo, e sem querer, o som vindo do minúsculo aparelho de televisão que para lá está a um canto a fazer companhia ao gasolineiro nas horas mortas, que devem ser incontáveis daqui até ao próximo verão.
A televisãozinha estava sintonizada na RTP que transmitiu o jogo como é deu dever. Conto-vos então o que ouvi no momento em que liquidava a despesa sob um cheiro intenso e inebriante a gasolina.
«Chegamos ao intervalo e em termos de ocasiões, uma para Portugal, zero para a Albânia».
Foi este (e num tom enfadado) o modo como o comentador de serviço resumiu os primeiros quarenta e cinco minutos do tal desafio internacional.
E pensei com grande tranquilidade: «Deve estar a ser bonito, deve».
O homem ou adivinhou os meus pensamentos ou terá reparado num franzir de sobrolho que me escapou e logo se dispõe a dar-me razão sem eu lhe pedir:
- Não está a perder nada de especial, não senhora.
E disse-o com bonomia que é o que ser quer. Segui viagem.
Meia hora depois, sentada à mesa com um grupo de bons amigos na esplanada da Puerta Ancha na já mencionada cidade de Ayamonte, perante a excelência de tudo o que se me deparava, afligiu-me um rebate de consciência muito característico de quem na infância frequentou a catequese.
Foi maior a preocupação do que o arrependimento, convenhamos. Mas a perspectiva de uma derrota da Selecção portuguesa frente à selecção albanesa, resultado indiscriminadamente exótico, obrigava-me por isso mesmo, e por razões morais, a ter visto o jogo sobre o qual toda a gente, dos amadores aos profissionais, iria falar durante a semana.
E eu, no fundo, considerei-me e considero-me uma profissional, anda que sem nada para dizer sobre o assunto albanês.
Vi o jogo? Honestamente, não, não vi.
Não vi mas também não gostei.
Pronto. É o mais longe que me posso permitir em termos do comentário profissional, do tipo intelectualmente honesto predominante.
E, sem ter visto o jogo, o que escrever?
Poderia, nas circunstâncias difíceis em que me encontrava, optar por uma de duas soluções para uma saída airosa tendo em vista a crónica desta quinta-feira.
A primeira era desancar à tripa forra no seleccionador nacional. Para dizer mal do Paulo Bento e deixar toda a gente satisfeita nem é preciso ver jogos da Selecção que ninguém dá conta. Mas não será fácil de mais, quase ignóbil, desancar no seleccionador goleado por 1-0 pela Albânia num jogo que nem vi?
A propósito desta questão moral lembrei-me de uma frase que nunca me saiu da cabeça lida num romance de Conrad - «... aquela cobardia peculiar da respeitabilidade» - e logo se me afastou essa ideia tristíssima de me fazer consensual às custas de um pobre diabo caído em desgraça.
A primeira solução ficou, portanto, imediatamente arrumada.
A segunda solução era cumprir a crónica desta quinta-feira sem considerações sobre o jogo da Selecção ou sobre qualquer outro jogo ou evento desportivo, ou mesmo escândalo judicial, considerando eu, do meu imbatível lugar sentado numa esplanada espanhola, que não havia nada de mais contundente, espirituoso e urgente para os leitores de A BOLA do que conhecer o menu proposto pela casa juntando-lhe eu a minha muito pessoal descrição sábia e vaporosa de uns quantos pratos que me mataram a fome.
É isso, é isso queremos! - gritam os leitores que, francamente, já preferem não importa que assunto a ter de ler mais uma página de alto a baixo a descansar no Paulo Bento.
Ganhou, portanto, a segunda solução. Cá vai. Da exibição do nosso renovado meio campo nada sei nem quero saber. Mas naquela hora de domingo à noite em Ayamonte podia garantir-vos que o tataki du atún con wasabi y encurtido de jengibre ganhava de largo a qualquer prato confeccionado pelo cozinheiro da Selecção Nacional.
E agora interrogo-me: será que a Selecção tem cozinheiro? Tem? Ah, então a culpa, está visto, é do cozinheiro. Há que substitui-lo com urgência. La vida es demasiado corta para beber vino malo, reza o cardápio da Puerta Ancha na contracapa. E reza muito bem. Por alguma razão já foram campeões do mundo.

UMA vez sem exemplo a falar de comida, é verdade, mas não por falta de assunto, nem por temor reverencial, muito menos por gula, Deus me livre, antes por deliberada falta de comparência, tal como ficou justificado.
No entanto, o tema alimentar, devo confessar, persegui-me durante a semana e coloco-o mesmo no cume da minha montanha de atenções neste primeiro terço de Setembro. E pelas melhores e mais felizes razões.
Então não é que o nosso Talisca, dizem os jornais já engordou cinco quilos em massa muscular desde que aterrou no Estádio da Luz? No Benfica, ao menos, temos cozinheiro."

Leonor Pinhão, in A Bola

Fellini 8 1/2

"Era um jovem quando nos anos 60 do século passado vi o filme de Fellini 8 1/2, por sinal bem difícil de descodificar. Veio o notável realizador italiano à minha memória, quando surgiu uma nova e sofisticada aritmética (tabuada) no futebol. As posições dos jogadores deixaram de ter nomes substantivos para se lhe aporem números significantes. Não me refiro à numeração nas camisolas, que essa deixou de ter qualquer sentido, excepto se ligada a alguma tradição ou até superstição.
Estou a falar de outros números que enquadram posições e movimentos. Ouve-se dizer que um certo jogador é um puro 8, mas pode adaptar-se a ser um bom 6 e, em caso de emergência, até um 3. Assim como são raros os bons 10 para  assistir os 9. Fala-se agora de Jonas para o Benfica, com uma interessante referência: não é bem um 9, nem um 10: é um 9,5. Confesso que não conheço as suas capacidades. Mas ser um número fraccionado é o mesmo que dizer que não é inteiro? Será 9 por excesso e 10 por defeito? Já agora, sendo o 1 o guarda-redes haverá alguns que só são 0,5?
Também ouço dizer, de vez em quando, que certo jogador é, por exemplo, um falso 6. Quer dizer que é um número imaginário?
Ainda a propósito dos novos algarismos, recordo a sagaz explicação de Jorge Jesus durante o jogo em Londres contra o Totteham. Ganhava o Benfica gloriosamente por 3-1 e dirigindo-se ao seu colega inglês fez o gesto com os dedos indicando 3 (golos, claro). Mas, na conferência de imprensa, mais cauteloso, explicou-se: «Estava a dizer Luisão, number 3» que, por acaso, veste a camisola n.º 4. Mas que para Jesus ocupa a posição 3. Ou seja, um número primo no SLB, evidentemente."

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Há dias de sorte !!!

Hoje foi um dia de sorte (dentro do 'azar'), o nosso Franco Jara, safou-se de um aparatoso acidente de viação, sem mazelas...

Noutro local, um dos maiores corruptos portugueses - no mundo do futebol -, um dos grandes 'pais' do famoso sistema, finou-se!!! Conheci-o pessoalmente... na última vez que o vi, fugiu!!! Porque não quis ser confrontado, com alguém que o conhecia de gingeira... os cobardes são assim, são perigosos quando 'negoceiam' nos recantos escuros, mas a consciência é tramada, e mais tarde ou mais cedo, a vergonha acaba por lhes 'conquistar' a cara!!! As excepções são os 'sortudos' que nos últimos dias ficam com Alzheimer, e esquecem-se de toda a porcaria que fizeram...!!!
Infelizmente, deixou muitos seguidores...

Chamem o médico!

"Como já vem sendo regra, a Selecção começou mal o apuramento para uma fase final. É mesmo o pior começo, superando os anacrónicos 4-4 contra cipriotas.
Nunca um apuramento se apresentou, à partida, tão acessível. O sorteio bafejou-nos com um grupo de 5 (e não 6) equipas, das quais são apuradas as duas primeiras directamente e - imagine-se! - a terceira ainda tem um play-off, num Europeu que, pela primeira vez, vai contar com um número exorbitante e injustificado de 24 selecções. No nosso grupo estão as as acessíveis Dinamarca e Sérvia e as generosas Albânia e Arménia...
Sem Ronaldo, Portugal é uma equipa vulgar. Aliás, foi Ronaldo que nos pôs no Brasil numa exibição soberba em Estocolmo. A Selecção, para utilizar uma imagem popular, «não é peixe, nem é carne». Talvez «ovos mexidos, mas sem sal». Presa por egos, tatuagens, penteados e conversas. Os velhos já jogam com o estatuto de aposentação antecipada, os novos são lançados aos soluços sem uma linha estratégica pensada. Alguns dos debutantes são-no em função de factores que fogem ao racional do puro futebol. Ser seleccionado passou a ser uma vulgaridade. Há jogadores que se tornam internacionais porque mudam de um clube secundário para um grande (veja-se Licá e Josué, no ano passado) ou porque vão para a estranja (como o duo ex-setubalente Vezo e Horta).
O discurso já não mobilizador. Antes, é cansativo, repetitivo, sem chama.
No fim da indigna derrota diante de uns medíocres albaneses, lembrei-me da substituída equipa médica que acumulou as culpas do desastre por terras de Santa Cruz. Afinal, a culpa no domingo não foi do médico. De quem terá sido agora?"

Bagão Félix, in A Bola

A entrevista que parece não ter existido !!!

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

A noite dos príncipes mal educados...

"Em Junho de 1960, o Mónaco, vencedor da Taça de França, visitou o Estádio da Luz para um jogo amigável. Vitória encarnada por 1-0, que podia ter sido por quatro ou cinco e um episódio caricato que indignou a imprensa da época.

Dificilmente outro clube vive com as vantagens deste Mónaco que cabe ao Benfica defrontar para a Liga dos Campeões.
Association Sportive de Monaco Football Clube: fundado em 1924, joga na liga francesa já que o Principado do Mónaco não está filiado na UEFA. Mas, ao contrário dos seus adversários de França, beneficia das facilidades fiscais de um paraíso do jogo. Uma injustiça sentida no seio do campeonato francês e que tem levado a acesas discussões.
Deixemo-las. É lá com eles... Mas assim se compreende mais facilmente os negócios de gente como Dimitri Rybolovev, patrão russo dos monegascos.
A história europeia do Mónaco é pobrezinha. Duas finais das competições da UEFA frente aos felizardos Werder Bremen e FC Porto, na Taça das Taças e na Taça dos Campeões, e viva o velho! Oficialmente, nem um jogo com o Benfica, pelo que assistimos a uma estreia.
O que nos faz viajar hoje até 1960. 16 de Junho 1960.
O Mónaco veio a Lisboa, ao Estádio da Luz, defrontar os encarnados num encontro particular. Que tal falarmos deles? Em termos de embates entre ambos é do melhor que se arranja. Nesse ano, os rapazes do Principiado tinham conquistado a Taça de França. No ano seguinte seriam campeões. Tinham alguns nomes que fizeram história no futebol gaulês. Ora vejam: George Casolari - defesa que cumpriu onze épocas no clube; o médio Henry Biancheri; Michel Hidalgo - figura do grande Satde de Reims e que, mais tarde, como treinador levou a França ao título de campeã da Europa em 1984; Raymond Kaelbel - central com 35 internacionalizações, titular no Mundial de 1958, no qual a França atingiu o terceiro lugar. Enfim, gente de inegável qualidade.

Um atendado à «delicatesse»
Mas a imprensa da época, não poupou críticas aos monegascos. O domínio do Benfica foi tão intenso, tão continuo, que, a despeito do ritmo do encontro, ficaram os portugueses a dever a si mesmo mais um rosário de golos. José Augusto, Santana, Águas, Coluna e Cavém formavam a linha ofensiva. Santana e Coluna eram adjectivados de infortunados, tais as oportunidades perdidas. Fernando Soromenho, um dos nomes grados da imprensa da altura, sublinhava: «O Benfica ganhou muitíssimo bem, além de que em todas as circunstâncias soube vincar um aprumo e uma compostura que contrastou sobremaneira com a inexplicável má-criação dos monegascos que atingiu as raias do cúmulo quando um suplente (por sinal Carlier, que fora substituído no princípio do segundo tempo), entrou em campo sem autorização do árbitro e foi interferir numa jogada de ataque da sua equipa. O mais curioso é que o citado elemento saiu do banco onde costumam sentar-se os dirigentes e o treinador. Uma tristeza que se lamenta e que é um atentado contra a proverbial 'delicatesse'. A cena, inédita, era digna de uma fita cómica, que bem poderia ter intérprete, por exemplo, Fernandel. As gargalhadas das plateias seriam idênticas às que ecoaram ontem no Estádio da Luz».
O Benfica ganhou como já se percebeu. Por 1-0, golo de Santana aos 26 minutos. «A diferença de quatro ou cinco bolas estaria mais certa», insistia o mesmo Soromenho. Só que o vento do futebol nem sempre bafeja com a fortuna aqueles que por ela porfiam. Ficaram os jogadores encarnados a dever golos a si próprios e ao público que acorreu ao estádio. Na segunda parte, a troca de Águas por Torres e de Coluna por Mendes não aprimorou a dinâmica do conjunto. O Mónaco, esse, desiludiu em jogo e em compostura. Um grupo de «príncipes» mal educados estragou a noite de Lisboa.
Já se passaram 54 anos sobre o episódio. Outro Mónaco está à beira de visitar a Luz. E as estórias continuam a iluminar a História."

Afonso de Melo, in O Benfica

sábado, 6 de setembro de 2014

Arranque...

Benfica 29 - 23 Xico Andebol

Jogo agradável, mas ainda é cedo para tirar ilações. Tal como na pré-época, tivemos um Benfica em constante rotação (parece ser aposta do treinador...), com muitos minutos dados aos nossos jovens... com o Flávio Fortes na minha opinião a destacar-se. No próximo sábado vamos defrontar o Sporting, perdemos com eles na pré-época, num jogo com muita, mas mesmo muita rotação da nossa parte, vamos ver qual será a estratégia na próxima semana...

Com os bons resultados da nossa Formação, nas últimas épocas, acaba por ser normal a aposta nos jovens da casa, e parece que o treinador está sintonizado com esse objectivo (e não podemos esquecer os vários jogadores emprestados a clubes da I Divisão), mas como é óbvio os resultados que todos desejamos, não vão aparecer imediatamente... As minhas expectativas são baixas, continuamos a ter problemas na 1.ª linha, os jogadores Espanhóis, são essencialmente defensores, acabam por substituir no plantel o Inácio Carmo e o Álvaro Rodrigues... vamos ver como a equipa vai evoluir durante a época. Gostei de ver várias jogadas de laboratório durante a partida, em contraste com alguns turnovers 'parvos'...

A boa notícia, é que este ano a decisão vai ser disputada num Play-off (finalmente), e assim vamos ter tempo para melhorar... suspeito que a aposta internacional dos Corruptos (e assim poden 'descomprimir' na 1.ª fase) , tenha ajudado a FPA tomar esta decisão!!!
Diga-se que a 'aposta' internacional dos Corruptos tem duas vertentes: as competições Europeias, e a quantidade absurda de jogadores não-portugueses no plantel!!!

Supertaça Futsal Feminino

Golpilheira 2 - 6 Benfica

Excelente inicio de época, das nossas meninas, que depois de uma Fase Final do Campeonato mal jogada o ano passado, depois de algumas saídas importantes no defeso, acabámos por começar da melhor forma esta nova época... Parabéns...

"A Benfica TV dá dinheiro"

 "(...)
A Benfica TV é obra sua?
Não, porque já existia. O mérito é de quem a criou antes. É do presidente do Benfica que a decidiu fazer, do Domingos Soares de Oliveira que a implementou, da direcção que lá estava e continua a estar. O meu posicionamento em relação à Benfica TV deve ser visto como uma atitude de total disponibilidade sempre que a Benfica TV ou a direcção necessitarem de mim para alguma coisa. Houve uma altura em que precisou bastante de mim, que foi a fase do relançamento do canal, sobretudo no que dizia respeito à renegociação com as redes de distribuição. Essa foi a actividade mais intensa, era a questão crucial, era o ponto mais importante para resolver.

As notícias do seu impacto na Benfica TV foram sobrevalorizadas?
O que o mercado e a opinião pública podem ter a certeza é que sempre que a Benfica TV necessitar de mim, seja para o que for, eu estarei lá. Essa é a melhor resposta.

Houve duas ideias recorrentes na opinião pública. Numa primeira fase, que o José Eduardo Moniz iria ser o homem que iria relançar a Benfica TV, com os jogos do Benfica, com as contratações que fez...
Ajudei a convencer algumas pessoas disso, sim.

E depois, numa segunda fase, que houve um afastamento seu dessa pasta. É verdade? Foi afastado progressivamente ou esvaziaram-lhe as funções?
A Benfica TV não precisa da minha intervenção, pela simples razão de que ela corre normalmente. Tem a sua programação, que já estava delineada, houve alguns acertos que foram feitos em função da análise da realidade no momento. Tem bons profissionais, tem um modelo, que não tem segredos, que está em andamento, que factura bem, que tem boas audiências no universo que serve, que obteve um conjunto de assinantes notável em muito pouco tempo, que fez excelentes acordos com as redes de distribuição e que está a espalhar-se para outros países.

O modelo de negócio é completamente sustentável?
Muito sustentável. A BTV ganha dinheiro, é altamente rentável, e é uma coisa de que os sócios do Benfica se podem orgulhar.

A Benfica TV foi uma promessa eleitoral de Luís Filipe Vieira. O Benfica faz mais dinheiro com o exclusivo dos seus jogos em casa do que fazia com o acordo que tinha com a Olivedesportos. Fará hoje cerca de 18 a 20 milhões de euros, segundo alguns analistas.
Não lhe vou dizer o valor exacto, mas faz muito mais do que esse valor que mencionou.

Chega aos 22 milhões de euros/ano, a última proposta da Olivedesportos proposta pelo Benfica?
Faz muito mais do que isso. A Benfica TV não só tem resultados superiores à oferta que recebeu como proporciona ao Benfica uma coisa extraordinária e que não tem preço, que é independência e autonomia. As pessoas estão a desvalorizar este aspecto. O Benfica é soberano relativamente às suas decisões e ao que é dele. Isso, não há mais nenhum clube em Portugal que se possa gabar.

Como é que vê a chegada do Sporting a este negócio?
Com naturalidade. Não me impressiona nem deixa de me impressionar.

O presidente Bruno de Carvalho já disse que o modelo que o Sporting quer não passa por ter os jogos de futebol na sua televisão.
Não vai levar a mal responder-lhe assim, mas eu preocupo-me com aquilo que se passa dentro da minha casa. Dentro da casa dos outros não me interessa nada.

E como é que vê o facto de o FC Porto ter exercido a opção de compra do Porto Canal à Media Luso? 
Podia responder-lhe da mesma forma que respondi à pergunta anterior. Acho que isso significa apenas que o modelo existente anteriormente não era um modelo que satisfizesse os dirigentes do FC Porto.

Portanto, acredita que o Porto Canal vai acabar por deixar de ser um canal generalista, como sempre disse ser, e passar a ser um canal de clube como o Benfica e o Sporting têm?
Não quero tecer considerações sobre isso. Não conheço suficientemente bem o dossier para fazer comentários.

A Benfica TV tem condições para entrar num leilão de jogos, por exemplo, da Champions?
Respondo-lhe com uma pergunta: Alguém esperaria que a Benfica TV comprasse a Liga inglesa? O futuro é um livro aberto.

Mas a expansão da Benfica TV passa por aí?
A Benfica TV quer proporcionar aos seus espectadores o melhor produto que houver disponível no mercado, desde que tenha condições financeiras para proceder à aquisição desse produto. Ninguém comete loucuras, fazem-se estudos de viabilidade e se, balanceadas as coisas, perceber que é uma aposta válida, é óbvio que qualquer produto que se encontre no mercado é apetecível.

Os direitos da Liga Europa e a Liga inglesa serão renegociados em 2015 e 2016. A BTV vai a jogo?
Há tantas coisas que o mundo do desporto proporciona. É só uma questão de se estar atento.

A BTV será mais do que uma televisão de clube. Quer ser assumidamente um canal de desporto?
A BTV é uma televisão de que o Benfica se orgulha e de que os benfiquistas se podem orgulhar.

Só os benfiquistas? A mudança de semântica de nome foi para piscar o olho a portistas e sportinguistas? 
Parece-me uma coisa óbvia. É uma sigla que sintetiza o que a televisão é. Olhando para o ecrã, você verifica que Benfica TV é um logótipo muito grande. Se colocar BTV é mais pequeno.

Mas já era grande há quatro anos, quando foi lançada. As coisas evoluem, há aprendizagens que se fazem. Se um sportinguista e um portista se sentir menos incomodado com isso, ainda melhor. Na nossa casa recebemos bem toda a gente.

Já viu a Sporting TV?
Não, não vi. Não posso comentar porque não vi.

Por convicção benfiquista?
Porque não me lembrei. Não sou sectário, não tenho essas visões restritivas da realidade e do público.
(...)"

Entrevista a José Eduardo Moniz (vice-Presidente do SL Benfica), por Nuno Azinheira, in Jornal de Notícias

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Pontos perdidos com equipa banal

"Com muito respeito pelo Sporting e a sua história, e por muito que me custe admitir, o Benfica perdeu dois pontos com uma equipa banal no domingo. O Sporting é uma equipa com um bom treinador, mas um discurso desadequado à sua realidade. Não me parece com argumentos de candidato ao título e não me parece perto de Benfica e FC Porto. O Benfica perdeu dois pontos, por isso percebo a alegria sportinguista pelo empate na Luz, no fundo o Benfica fez igual à Académica e quase igual ao Arouca.
O FC Porto ao manter Jackson, fez o essencial para ser um enorme candidato ao título nacional. Jackson é decisivo num campeonato como o português. As hipóteses do Benfica dobravam se Jackson tivesse saído.
Verdade que as chances do FC Porto também aumentavam muito se Enzo não ficasse no Benfica. Foi excelente o esforço feito para o manter. Fiquei muito satisfeito com a permanência do argentino e aguardo para ver os médios grego e italiano no sistema táctico do Benfica. A escassez de recursos ficou muito menor com estas chegadas.
Jorge Jesus foi ao Fórum Internacional de Treinadores realçar uma ideia óbvia, e de elementar bom sendo: os campeonatos devem começar com os plantéis fechados. Assim havia respeito pelo trabalho dos técnicos, pelos adeptos e verdade desportiva.
O Benfica tem agora argumentos para disputar todas as provas nacionais, que diga-se, são todas suas. A loucura neste defeso europeu fez clubes gastarem milhões e ficarem mais fracos. Com metade desse dinheiro o Benfica seria campeão europeu. O futebol ainda vê milagres, embora a tendência seja de perda de capacidade dos clubes portugueses a nível internacional. Hoje ser adepto do Real Madrid e ter chama deve ser difícil. Gastar dinheiro não é sinónimo de ficar melhor mas há quem gaste tanto, que não ganhar nada parecerá ridículo.
Em semana de Portugal-Albânia, boa sorte para uma Selecção muito renovada."

Sílvio Cervan, in A Bola

Palma Cavalões

"Fechou o mercado de transferências. Isto é uma boa notícia para os adeptos do futebol e uma péssima notícia para os jornalistas desportivos. Os adeptos de futebol gostam de notícias e procuram-nos nos jornais desportivos. Os jornais desportivos gostam de especulações e detestam notícias. A notícia, normalmente traz associado um facto. As 'notícias' nos jornais desportivos baseiam-se em especulações encomendas de empresários/clubes, boatos infundados e uma incompetência militante em não conseguir destrinçar o ruído da mensagem. Ou seja, o adepto procura saciar a sede de notícias em água inquinada. Como resultado, surge uma progressiva, galopante e preocupante ausência de confiança no jornalismo desportivo, colocando-o num patamar idêntico ao da imprensa cor-de-rosa da coscuvilhice de cabeleireiro.
Só assim se explica que nenhum dos jornais (e foram todos!) desportivos nacionais tenha pedido desculpa por ter enganado repetidamente os leitores sempre que garantiram (e fizeram-no durante meses) a venda de Gaitán Enzo e, inclusivamente, Luisão. O Enzo foi diariamente 'vendido' ao Valência (cujo treinador teve repetidamente atitudes parolas de um pato-bravo do futebol ao serviço do novo-riquismo bacoco). Gaitán foi semanalmente 'vendido' ao Mónaco e Luisão foi garantido durante um mês inteiro na Juventus.
A realidade desmentiu os 'factos' inventados pelos três jornais desportivos diários nacionais.
Perante isto, conclui-se que os 'Palma Cavalões' do jornalismo actual continuam a ser feitos daquilo que Eça adjectivava como 'canalha', 'vil bolinha de matéria pútrida!...' e 'chouricinho de pus!'. Nada mudou nem mudará."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Culpas e desculpas

"1. O presidente da Federação Portuguesa de Futebol qualificou de incompetente a participação de Portugal no Campeonato do Mundo de Futebol, realizado no Brasil, entre os dias 12 de Junho e 13 de Julho. Não teriam sido precisos dois meses de inquéritos internos para chegar a conclusão que entra pelos olhos dentro com a força da luz do Sol.
A culpa da evidente incompetência mantem-se mais ou menos solteira, embora o departamento médico tenha fornecido uns noivos para o acompanharem ao altar.
Figura mediática do futebol português, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol assume-se acima das responsabilidades que deverá assumir.

2. Em Alvalade, por seu lado, toda a gente pede desculpas. A sinceridade do acto de contrição pouco importa.
É uma prática que conduz, tal como na vida católica e apostólica, ao arrependimento e à redenção.
Teria o seu quê de edificante, não fosse a pobreza do argumento de tal película com tão pouco de bíblica.
Quanto à proverbial e deplorável grosseria do messias de pacotilha que engendra tão desavergonhado argumento, essa não tem desculpa.
A obtusidade vem-lhes, certamente, do berço. Os bigorrilhas de nascença não são perdoáveis: são inimputáveis."

Afonso de Melo, in O Benfica

Um a um

"1-Um erro individual impediu o Benfica de alcançar a sétima vitória consecutiva em Dérbis para o Campeonato disputados em casa, permitindo ao Sporting voltar a marcar na Luz – algo que não sucedia desde 2006-07.
O espectáculo foi grandioso (dentro e fora das quatro linhas), e a nossa equipa mostrou fulgor. Mas em jogos desta natureza, um simples detalhe pode fazer a diferença. Não adianta crucificar Artur, que noutras ocasiões já foi herói. É manifesto o seu défice de confiança, e cabe-nos também a nós, adeptos, ajudá-lo a readquirir a tranquilidade necessária para superar este momento menos bom, e regressar aos níveis revelados em 2011 e 2012.
Em Alvalade, na segunda volta, com Artur ou sem Artur, recuperaremos os pontos agora perdidos.
2-Finalmente encerrou o “mercado”. Dos últimos dias, uma nota de tranquilidade, e um motivo de preocupação.
A nota de tranquilidade prende-se com as permanências de Enzo Perez e Nico Gaitán, tão somente os dois melhores jogadores do último Campeonato. O Presidente prometeu que só sairiam pela cláusula de rescisão, e cumpriu a palavra dada. Como ninguém bateu as cláusulas, eles aí estão, incorporando a espinha dorsal do Campeão Nacional, e desmentindo as teses mais catastrofistas. Juntamente com Sálvio, formarão o núcleo duro do nosso futebol criativo. Continuaremos a ouvir Tango na Luz.
O motivo de preocupação reside no centro do ataque, onde me parece que as saídas de Cardozo e Rodrigo não ficaram devidamente colmatadas, e para onde se esperava um reforço de peso. É de realçar que nos quatro jogos oficiais já realizados (seis, se contarmos com a Taça de Honra), nenhum avançado benfiquista marcou qualquer golo. O futebol faz-se de golos, e sem eles não adianta jogar bonito ou empolgar plateias. Lima é um excelente ponta-de-lança, mas atinge normalmente os seus picos de forma em fases mais adiantadas das épocas (já foi assim no ano passado), e as alternativas não parecem à altura das exigências. Oxalá a realidade venha a dissipar este meu receio."

Luís Fialho, in O Benfica

Diz-se por aí... (derby)

"Foi qualquer coisa de extraordinário ver os adeptos sportinguistas abandonarem o Estádio da Luz. Saíam vitoriosos, confiantes, cheios de si mesmo por terem conseguido, ao final de umas tantas épocas desportivas, marcar um tento.
No entanto, ao contrário do que se possa pensar, o erro de Artur - que pode, efectivamente, acontecer a qualquer jogador em qualquer circunstância - nada mudou em termos de prestação de ambas as equipas e de prognóstico para o Campeonato.
O Benfica mostrou um futebol de classe, um fortíssimo Eliseu, um inspirado Gaitán e um sempre motivado Salvio, fundamental na elevação do nível de toda a equipa. O Sporting evidenciou um Adrien que parece cada dia mais desgastado e um Nani que não se encontrou e dificilmente se encontrará neste Sporting. É verdade que, como equipa, o Sporting revelou-se mais afiando, mas continua a ser um colectivo para se superar pontualmente e a nível interno, com extremas fragilidades defensivas, sem qualquer possibilidade de uma ambição credível ao título e, muito menos a qualquer título europeu.
Aliás, a alegria e o entusiasmo com que os leões abandonavam a Luz, emitindo gritos de vitória e hasteando bandeiras euforicamente, são a expressão fidedigna disto mesmo: o Sporting vai lutar pelo 3.º ou 4.º lugar. E Bruno Carvalho terá de continuar, provavelmente, a fazer o papel de treinador e a sentar-se na cabine da equipa técnica, junto ao relvado.
O Benfica tem de continuar a jogar este futebol, que confere magia à Liga e uma alegria autêntica aos milhões de adeptos por todo o mundo: dos potentes remates de Talisca, à liderança de Luisão, passando pelas combinações extasiantes entre Salvio e Gaitán, é por este caminho que renovaremos o triplete.
Como dizia um grande teórico do futebol, os resultados por vezes apenas permitem fazer prognósticos. Mas a magia constante com a bola nos pés garante a concretização dos sonhos."

André Ventura, in O Benfica

Encarnado é o vermelho-amor

"À hora a que escrevi esta crónica, ainda o mercado de transferências não fechou e são intermináveis as horas para que se inicie o clássico de Lisboa. Não obstante um e outro desfecho, os quais desejo ardentemente que sejam favoráveis às minhas pretensões de adepto e sócio benfiquista, há uma realidade que não deverá merecer-nos dúvidas: o Benfica tem equipa para revalidar o título.
É bem verdade que durante a temporada tive temores, dúvidas e até algumas angústias. Confesso. Aquietei-me, contudo, quando pensei que mantemos uma base sólida de grandes jogadores, mas também o mesmo treinador e equipa técnica, o mesmo sistema de jogo e, sobretudo, a mesma Direcção.
A estrutura directiva, encabeçada pelo Presidente Luís Filipe Vieira, é um garante de benfiquismo. O amor expresso que estes nossos representantes têm pelo Clube leva-me a crer que tudo farão para manter a hegemonia futebolística que o Benfica tem demonstrado nos últimos anos. Um campeão não se constrói com um punhado avulso de bons jogadores (embora ter bons jogadores ajude muito!). Tão determinante quando estes é a estrutura profissional para o futebol, que no caso do Benfica é do melhor que há nível planetário. Esta Direcção tem demonstrado que é seríssima nos deveres e obrigações mas astuta e apaixonada para voltar a criar um grande Benfica!
Em suma, uma grande Direcção, um bom treinador, excelsas condições de trabalho, magníficos e inigualáveis adeptos, são condições suficientes para que a tal base sólida de grandes jogadores que constituem o actual plantel do Benfica lute pelo título.
E, pensando assim, sou hoje um homem descansado, tanto quanto o cortador de relva do Estádio do Bessa!"

Carlos Campaniço, in O Benfica

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Artur e as lesões propriamente ditas

"Se Jesus defendesse serem os padecimentos da mente tão reais quanto os padecimentos do físico, não hesitaria em lançar Júlio César na segunda parte do 'derby'.

COM simpatia, humanidade e devoção, os comentadores do Benfica TV, estação que transmitiu o derby da Luz, não cessaram de vislumbrar qualidades e talento, em suma, apetência para o lugar, em todas as intervenções do nosso guarda-redes depois daquele seu fatídico lapso que resultou no golo do empate do Sporting.
As subsequentes fífias, e foram algumas, passaram pudicamente sem criticismo e as mais simples operações do guardião foram profusamente elogiadas como se tratassem de acções só ao alcance de um predestinado.
Ao contrário de Artur, de facto um predestinado, os comentadores da Benfica TV cumpriram com o seu trabalho missionário sem mácula. E, mais do que uma vez ao longo da emissão, alertaram para a necessidade de «dar moral», de «recuperar o ânimo», de «fazer esquecer», enfim, de tratar com carinho o guarda-redes que só podia estar a passar um mau bocado, mentalmente de rastos, depois de ter oferecido o golo a Slimani.
Como eu os compreendo, os comentadores da Benfica TV. Com 70 minutos ainda por jogar era da maior conveniência a tal benesse caritativa de «dar moral» a Artur ainda que ele não os pudesse ouvir.
O que Artur ouviu, de facto, ouvimos todos nós. Os que foram ao estádio e os que ficaram em casa em frente ao televisor. A crueldade do público, dos vermelhos e dos verdes, manifestou-se ininterruptamente a cada intervenção do guarda-redes do Benfica. E mesmo quando, bem perto do fim do jogo, Artur fez, efectivamente uma grande defesa salvando o empate, esgotado de tanto o achincalhar, o público afecto ao Benfica reagiu com um fleumático «era o mínimo exigível» que não antecipa nada de bom na relação entre o guarda-redes e os adeptos.
Neste arranque da temporada de 2014/2015, e estando frescas as memórias de Oblak, as similitudes do presente caso Artur com o caso Roberto, não tão distante assim, são tantas que nem vale a pena perder tempo a apontá-las.
A questão é que o Benfica, que luta para conquistar títulos, não pode recair no logro auto-infligido de ter um guarda-redes que é um caso, ou não é? Basta que a bola ronde a sua área para que o público se arrepele de nervos e para que os seus colegas de equipa, solidários, entrem em colapso orgânico perdendo o discernimento e o resto.
Foi isto que se viu no domingo na Luz.
E a tal ponto que mesmo alguns benfiquistas que se exasperaram com a contratação de Júlio César por ter sido o guarda-redes mais batido do último Mundial, quase exigiam, quando chegou o intervalo, que Jorge Jesus deixasse Artur no duche e fizesse a equipa regressar ao relvado com o titular da selecção do Brasil entre os postes, o que não veio a suceder, no mínimo por razões humanitárias.
O treinador do Benfica fez valer na sua decisão a corrente da antipsiquiatria que se recusa a definir os males morais e mentais como doenças propriamente ditas, enfim, como males do corpo. E, por isso, Artur continuou em campo até ao fim do jogo e, não é demais repetir, até salvou o resultado à beira do fim.
Se Artur se tivesse aleijado fisicamente num braço, numa mão, numa perna seria naturalmente substituído, tal como aconteceu na temporada passada quando, em Dezembro, caiu desamparado em Olhão magoou um ombro e cedeu o lugar a Oblak que não mais largou a posição até à última final da brilhantíssima época.
Se o treinador do Benfica concordasse com a corrente que defende serem os padecimentos da mente tão reais quanto o são os padecimentos do físico, não teria hesitado em lançar Júlio César na segunda parte do derby considerando que Artur, de facto, estava tão magoado quanto o está, por exemplo, Rúben Amorim. 
Podemos divagar tempos infinitos sobre este assunto. Há até quem acredite que Artur está mais lesionado do que Ruben Amorim. Sobre o tema, podemos mudar as vezes que quisermos de opinião. Jorge Jesus, por ser o treinador, é que não hesitou e Artur regressou depois do intervalo à baliza do Benfica.
Postas como estavam as modas, o treinador não quis correr o risco de, no mesmo jogo, queimar dois guarda-redes, o que seria duplamente lastimável.
Analisados os factos com frieza, é esta a minha opinião sobre o caso Artur no seu esplendor. Não será, certamente, uma opinião abalizada. Aliás, agradeço que nem me falem mais em balizas.

NICO GAITÁN vem desenvolvendo o hábito de marcar golos ao Sporting mas, de facto, neste aliciante pormenor, Nico Gaitán ainda não é nenhum Óscar Cardozo. Embora para lá caminhe, isto se permanecer mais alguns anos no Benfica, obviamente.
No domingo à noite muitos devem ter sido os benfiquistas assobiadores do Cardozo que tiveram saudades do paraguaio que tinha o condão de perturbar Rui Patrício, só de o ver por perto. Sem Cardozo em campo, o guarda-redes do Sporting assinou uma atuação consistente e, por diversas vezes, salvou a sua equipa de situações de muito apuro.
Não me entendam mal. O Cardozo, a quem os benfiquistas muito devem mesmo contrariados, saiu na altura certa, pelo preço certo. Na sua última temporada entre nós, recorde-se, pouco fez de relevante para além de um hat-trick a Rui Patrício (lá está!) numa eliminatória ainda precoce da Taça de Portugal, troféu que o Benfica viria a ganhar.
Mas que ao Benfica faz falta não o Cardozo mas um Cardozo, ai isso faz. Vai ter de ser inventado, ai isso vai.

PELAS mesmas razões, depreende-se, os adeptos do AC Milan estão tão chocados com a saída do jovem Bryan Cristante para o Benfica como os adeptos do Benfica estão chocados com a saída do jovem Bernardo Silva para o Mónaco.
Aguardemos serenamente pelos resultados práticos destas duas operações. Para depois termos opinião. 

COMEÇOU Setembro. Até ao fim do ano vão quatro meses. Setembro, Outubro, Novembro e Dezembro. O Enzo Pérez sairá em Janeiro. Já percebemos. Não é preciso repetir e repetir e repetir.

AGORA um bocadinho de literatura. A propósito de Bella Guttmann e do episódio da sua inóspita saída do FC Porto mal tinha o mítico treinador acabado de festejar nas Antas o título de campeão nacional de 1958/1959.
Guttmann deu um título nacional ao FC Porto e, surpreendentemente, mudou-se para o Benfica, a conselho médico, na urgência de fugir à humidade da cidade Invicta. Terá sido por causa do reumatismo que afligia a mulher do treinador que o Benfica acabou por receber em Lisboa o húngaro que lhe marcou uma era ao sol.
No Porto, naturalmente, a justificação do esposo dedicado nunca foi aceite como razoável. Antes pelo contrário, a desculpa da humidade foi interpretada como insultuosa artimanha para a deserção. E com bastos motivos para tal, convenhamos.
Por causa da humidade… onde é que já se viu uma coisa destas?
E é aqui que entra o prometido bocadinho de literatura. No volume II das suas Memórias, o escritor Raúl Brandão, recordando as circunstâncias da morte do poeta Guerra Junqueiro, avança com este pormenor: «Foi então que o médico interveio, aconselhando-o a mudar-se, durante algum tempo, para Lisboa, porque a humidade do Porto lhe estava a prejudicar a saúde.»
Ora aqui está outro conselho clínico da mesma índole do que fez viajar Bella Guttmann do Porto para Lisboa no ano de 1959. Que se saiba, não sofreu revezes na Capital a saúde da mulher do treinador húngaro. Já da saúde e do estado de espírito de Guerra Junqueiro não se poderá dizer a mesma coisa.
Para mais esclarecimentos voltemos às Memórias de Raúl Brandão:
«Trouxeram-no para Lisboa para casa da filha e do genro, mas ele, frequentemente, dizia:
- Levem-me para o Porto! Quero morrer no Porto!»
Não levaram o poeta para o Porto. Morreu em Lisboa num dia de Julho de 1923.
Ao contrário de Guerra Junqueiro, Bella Guttmann voltaria ao Porto, provavelmente já viúvo, mas ainda muito saudável, com a provecta idade de 73 anos para treinar, na temporada de 1973/1974 o emblema de que desertara catorze anos antes.
Tal como Guerra Junqueiro, Guttmann também não morreu na Invicta mas foi aí que acabou, sem glória, a sua gloriosa carreira."

Leonor Pinhão, in A Bola

Um bom campeonato

"Por 4 meses, não haverá mudanças nos plantéis. Ora, aí está uma boa notícia.
A BOLA, na sua edição de ontem, apresentou o «plantel definitivo para a temporada 2014/15» do Benfica, Sporting e Porto. Apenas um reparo: com o mercado a reabrir em Janeiro, talvez devesse ficar melhor plantel definitivo até 31.12.14.
O Benfica estará tendencialmente menos forte que o ano passado, mas continua a ter um grupo que pode acalentar ser campeão, principal objectivo desta época. Das saídas, lamento as de Oblak, ora suplente no Atlético de Madrid, Garay vendido ao desbarato para a estepe russa, Markovic que bem poderia ter ficado mais um ano e Rodrigo que fazia uma dupla demolidora com Lima. Aliás, bastava no domingo passado ter Oblak e Rodrigo, e teria vencido com naturalidade o seu rival de Lisboa. Nas entradas, no meio de muitos equívocos, saliento Júlio César, Eliseu que, em forma, compensa a saída de Siqueira, Talisca que tem enorme potencial e Tiado ex-Bebé. Aguardo com expectativa, as prestações de Samaris, Lisandro e Cristante. As principais dificuldades resultam de não haver um avançado de craveira para além do Lima e (como se viu no derby), o banco ser bastante inferior ao de 1013/14. É preciso ter em conta que o campeonato tem 34 jornadas, que somadas a todas as outras competições ultrapassam os 50 jogos.
Sobre os rivais, parece óbvio que o Porto se reforçou em quantidade e qualidade, numa política completamente oposta à do ano passado e que o Sporting mantém um meritório plantel, ainda que, agora, com exigências competitivas que não tinha no ano passado.
Um bom campeonato, pois, em perspectiva."

Bagão Félix, in A Bola

PS: Esta crónica do Bagão, teve uma reposta na Gloriosesfera, no Eusébios e Djalós, escrito pelo Jony, recomendo a leitura.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Os 25 da Champions

O Benfica anunciou os 24 inscritos para a 1.ª fase da Liga dos Campeões. A UEFA exige que 4 jogadores sejam Formados no Clube (Paulo Lopes, Sílvio, Nelson Oliveira), e que 4 sejam Formados no País onde o Clube está Federado (Eliseu, Almeida, Bebé, Pizzi)... sendo assim sobram 17 lugares para os 'estrangeiros'!!! Como só temos 3 jogadores Formados no Clube na lista... apesar da UEFA permitir 25 jogadores, só inscrevemos 24.
Com as lesões prolongadas do Fejsa, e do Amorim era esperada as suas não inscrições. Sendo assim, ainda tinhamos 2 'estrangeiros' a mais... como o tempo de recuperação do Sulejmani ainda não é conhecido, também era esperada a sua não inscrição. Sendo assim faltava 1... e a fava acabou por sair ao Jara (que por acaso neste momento também está a recuperar de uma lesão!!!).
A 'chamada' do Sílvio poderá ser um sinal que a recuperação está próxima, mas com a lesão do Amorim, não temos mais nenhum Português para incluir na Lista, assim, não inscrever, ou inscrever o Sílvio, era a mesma coisa!!!
Recordo que esta é a Lista A, existe também a Lista B, onde normalmente estão os jogadores Portugueses na Formação...
Em Janeiro, após a conclusão da 1.ª Fase, esta Lista poderá ser alterada. Espera-se que nessa altura o Fejsa e o Sulejmani estejam recuperados... o Amorim é quase seguro que ainda estará indisponível.
ADENDA: Não sei se repararam mas houve uma alteração em relação aquilo que tinha sido publicado inicialmente: o Rúben Pinto também foi inscrito, completando assim os 4 jogadores formados no Clube. E assim a lista A do Benfica na Champions tem 25 jogadores...

Guarda-redes: Paulo Lopes, Artur e Júlio César;
Defesas: Sílvio, Maxi Pereira, Luisão, Jardel, Lisandro, César, Eliseu e Benito;
Médios: Almeida, Talisca, Cristante, Enzo PérezSamaris e Rúben Pinto;
Alas: Salvio, Pizzi, Gaitán, Ola John
Avançados: Bebé, Nelson Oliveira, Lima e Derley.

ADENDA:
Foi hoje (5/9) conhecida a Lista B dos jogadores do Benfica para a Campions. Assim, aos 25 iniciais temos que acrescentar mais 11:
Guarda-redes: Varela, Miguel Santos;
Defesas: Lindelof, Cardoso, Nunes, Alfaiate, Rebocho;
Médios: Teixeira, Rochinha, Hélder Costa;
Avançados: Guedes.

No intervalo do mercado... há jogos

"É natural que se diga (com alívio) que acabou o período de transferências, empréstimos, comodatos, usucapitões e transumâncias no futebol. Por isso, talvez se possa clamar «viva o dia 1 de Setembro» (este ano, curiosamente 2/9), dia da libertação face a empresários verdadeiros e camuflados, agentes, pais e conselheiros de jogadores, abutres disfarçados, fundos inquinados, manobras suspeitas, fintas ao fair-play da UEFA. Agora, meninos sosseguem as cabeças e joguem futebol!
Acontece que este armistício mercantil dura apenas quatro meses. Em Janeiro, depois de mais um Natal, com ou sem boxing day, lá vem outra janela escancarada de um excitado mercado. Aliás, ontem A BOLA já o pré-anunciava relativamente à parte II da novela Enzo Pérez.
Direi quase que não há mercado de transferências entre jogos. Há jogos entre mercado de transferências. Neste interim, há cláusulas a reverter, promessas a cumprir, monos a despachar, comissões a voar. Execrável este espectáculo que os poderes do football association (tão deslocada, hoje em dia, esta última palavra...) permitem, acalentam, sustentam e promovem. Tudo em nome da mercadoria, seja ela fungível ou fingível. Acabou o romantismo no futebol. Aumentaram escandalosamente as diferenças entre tudo e todos. Entre clubes, proprietários, jogadores, técnicos e todo o séquito que vive do idealismo dos associados que pagam as suas quotas (onde ainda as há). Mas não nos iludamos. Por detrás deste espectáculo grandioso para um reduzido número de talentos, sortudos e oportunistas, há o futebol dos pobres, de uma maioria que não é notícia."

Bagão Félix, in A Bola