Últimas indefectivações

terça-feira, 13 de março de 2012

Crime

"O alargamento da Liga portuguesa é um crime contra o futebol. E também contra o país. Mais uma vez os chamados clubes profissionais avançam para o abismo, ignorando a situação catastrófica da economia, a falta de recursos e a necessidade de regulação e estratégia. Quando todos os portugueses encolhem, procurando sobreviver, o futebol alarga, com perigo de rebentar – se esta decisão for homologada nas instâncias superiores.

Clubes sem público, equipas sem orçamento, competição sem impacto – eis a sequência estrutural da atividade futebolística em Portugal, recomendando, pelo contrário, mais concentração, mais pragmatismo financeiro e melhor adequação mediática. O espetro futebolístico nacional, o tamanho do país e a influência da grave crise económica e social recomendariam uma redução da Liga para 10, no máximo 12 clubes, respeitadores das boas práticas de gestão e de limitações quantitativas e qualitativas ao recurso a jogadores estrangeiros.

Com esta viciação descarada das regras do campeonato em curso, protegendo-se os piores ao desfecho da despromoção, os clubes voltam a glorificar essa incontornável tendência para nivelar por baixo. Fazer com que as piores equipas do ano não desçam de divisão é um atentado contra a moral desportiva, mais um passo atrás na formação das novas gerações de adeptos, cada vez mais convencidos de que só a vitória interessa, a qualquer preço.

A redução para 16, em 2006, decidida no Conselho Nacional de Desporto e aprovada pela Federação Portuguesa de Futebol, apesar de não acompanhada pela prometida regulação da utilização de jogadores estrangeiros nem pelo controlo financeiro, ajudou nas últimas seis temporadas a uma subida relativa dos índices competitivos internos, entre os clubes realmente estruturados, com mais equipas envolvidas na discussão dos primeiros lugares.

O atual ranking nas provas da UEFA, à beira de passar a ter três equipas na Liga dos Campeões, é uma das consequências positivas da redução do campeonato, ao deixar mais tempo aos clubes principais para prepararem as suas participações internacionais. Portugal nunca teve tantas equipas envolvidas nas provas europeias no segundo semestre da época como nos últimos quatro anos.

O alargamento não vai estancar a diáspora do jogador português, que se viu forçado a procurar conforto noutras zonas muitos anos antes de o Governo ordenar a emigração em massa aos nossos jovens. Não vai diminuir a atividade do presidente do Sindicato para minimizar os efeitos dramáticos do abuso sistemático do não pagamento de salários no tempo devido. Não vai aumentar o bolo de receitas publicitárias e de direitos de imagem, nem diminuir a terrível invasão cultural do futebol espanhol e inglês, através de centenas de horas de televisão, nos hábitos do português comum.

O alargamento, de facto, é só mais um sinal do regresso da malta dos xitos aos bons tempos do velho “Sistema”, que se mostra cada vez mais pujante e completamente restabelecido do susto das ameaças da Justiça."


Um líder

"From: Domingos Amaral
To: Jorge Jesus

Caro Jorge Jesus
Uma das principais doenças dos benfiquistas é, na hora da derrota, criticarem mais os erros próprios que os alheios. Na sexta da semana passada e nos dias seguintes, o que se ouvia mais eram críticas a ti, pelas supostas más decisões que tomaste; críticas a Emerson, que era péssimo e sem qualidade para o Benfica; e até críticas a Artur, por ter saído mal! A raiva e a frustração primeiro viraram-se para dentro, para o autoflagelamento.
Em vez de, como deviam, se virarem para fora. Na verdade, o Benfica portou-se bem e só as más decisões de Proença e dos auxiliares nos derrotaram. Não fomos vencidos pelo FCP mas pelos árbitros! A raiva não devia ser dirigida contra os nossos, mas sim contra quem nos prejudicou gravemente.
Graças a ti, ao teu discurso no fim do jogo, e também graças à excelente condução da equipa contra o Zenit, a partir de terça-feira já a maior parte dos benfiquistas não só voltara a acreditar no Benfica, como também já tinha aberto os olhos e percebido que só perdemos o jogo com os azuis porque fomos escandalosamente roubados.
O teu grande mérito esta semana foi teres sabido ser líder. A raiva profunda que sentíamos foi conduzida por ti no bom sentido, primeiro contra os verdadeiros responsáveis pela derrota, Proença e “sus muchachos”, e depois tornando-a numa estratégia inteligente que nos levou à vitória sobre o Zenit.
E de repente, o que acontece? O FC Porto empata em casa e, se amanhã ganharmos, estamos de novo em cima deles. Viram, gente de pouca fé, que afinal não está tudo acabado?"


Objectivamente (lamaçal)

"Ainda há muita gente que acredita na transformação (e regeneração) do Futebol português, quer pela abstinência dos habituais tubarões, quer pela reciclagem dos velhos hábitos que vão dando títulos aos tradicionais batoteiros! Desenganem-se! Esta gente não abdica. Não larga o «bem-bom» e não está a fim de deixar que a seriedade impere nos bastidores, mesmo depois de apanharem um grande susto com o processo «Apito Dourado». De pouco serviu. Os anos vão passando, os tribunais vão recebendo recursos e mais recursos e os processos vão sendo arquivados sem castigos para os vigaristas e corruptos. E a dança continua agora mais refinada!

Quem viu o último Benfica - FC Porto ficou com a nítida sensação que estávamos nos anos 80/90 e o árbitro, em vez de ser «FIFA» Proença, era António Garrido ou José Silvano!

Quem viu aquilo - e foi todo o Mundo - não tem dúvidas em corroborar a minha insistente e velha teoria que o cancro do Futebol são os árbitros. Eu defendo, há muito, uma parceria da FIFA com Bill Gates para inventarem qualquer coisa que tire essa rapaziada dos campos de Futebol!

Eu quero ir à bola e estar descansado na bancada. Quando a minha equipa perder é porque não jogou bem, ou porque falhou muitos golos, ou porque teve azar! Estou cansado de ver a minha equipa perder por «ERROS HUMANOS» dos árbitros! Não quero. Estou cansado de tantos erros dos seres humanos que apitam jogos de Futebol. Principalmente... porque se enganam sempre contra a minha equipa.

Não sei o que hei-de fazer. São muitos anos a levar com isto e já não tenho paciência para andar sempre a desculpar os erros humanos que prejudicam quase sempre a mesma equipa. Pelo menos, nos últimos 30 anos os humanos que erram são tão esquisitos!..."


João Diogo, in O Benfica

segunda-feira, 12 de março de 2012

FC P(roença)

"Até depois da recente exibição frente ao Zenit, tão convincente, apetece perguntar o que se passou com o Benfica nos últimos embates. Foi a derrota em Guimarães, foi o empate com a Académica, foi o desaire caseiro com o FC Porto. Em algum desses jogos, o colectivo 'encarnado' esteve em plano inferior ao dos seus opositores? Não esteve. Cometeram-se erros? Também é verdade. Ainda assim, oito pontos perdidos não era apenas um cenário improvável, constituiu uma enorme injustiça.

Já em Coimbra, a equipa de arbitragem prejudicou o Benfica de forma indecorosa em dois lances, ademais na véspera do confronto, tido por decisivo, frente ao FC Porto. E no jogo da Luz? O escândalo foi gigantesco. Entre outras decisões, sempre em prejuízo da nossa turma, o golo da vitória portista é anedótico.

Como é possível que tenha sido validado? Pode ou não pode falar-se em premeditação? Pode ou não pode falar-se em roubo?

Luís Filipe Vieira tem razão. Proença não tem condições para apitar o Benfica. Erra sempre, é um desastre. E ainda coloca aquele ar arrogante e não menos insuportável. Proença goza com o Benfica e goza há já muitos anos. Quem não recorda, na véspera do Natal de 2001 (já lá vai mais do que uma década!) daquela gatunice colossal no Bessa, jogo em que o Proença não viu duas penalidades escandalosas cometidas sobre Simão Sabrosa e Mantorras? Inclusive, foi na sequência dessa derrota que Toni acabou por ser dispensado da liderança técnica. O Proença e o Benfica são incompatíveis. O Benfica já percebeu. Demorará muito até que o néscio do Proença também perceba?"


João Malheiro, in O Benfica

Mau cheiro

"O que mais me indignou na derrota do Benfica contra a equipa das Antas foi o elogio do patrão do emblema que ganhou, com um golo irregular validado por um árbitro que erra sempre para o mesmo lado. Cheiro-me mal. Porque, na verdade, o que ficou provado naquele jogo não foi o »Benfica não deixa de ser uma grande equipa por ter perdido com o Porto». O que se provou foi que o Porto não passou a ser uma grande equipa por ter ganho ao Benfica com um golo irregular. De maneira que aquele elogio, em cima do nojo que foi o resultado martelado, causou-me vómitos.

Li a notícia e senti como que o braço tentacular de um ser gelatinoso a dar palmadinhas viscosas nas costas dos benfiquistas. O que quer o indivíduo? Uma trégua na vozeraria excessiva e incendiária? Uma pausa para mudança de adereços, de guarda-roupa e de cenário, surgindo o sujeito na cena seguinte no papel de cavaleiro da boa ordem, senhor da honra e campeão do fair play? Um compromisso, do género 'eu continuo a comer o bolo mas serei mais magnânimo na distribuição das migalhas?' Um golpe de mão para camuflar as pedras de um jogo de xadrez que desabou do tabuleiro, com Vítor Pereira salvo pela corda do gong, Vilas Boas e Paciência despachados a destempo e Jesus, do outro lado das águas, seguindo pelo caminho das pedras?

O Sistema continua. A baba da lisonja que pinga das palavras da personagem não muda nada. É apenas mais uma artimanha, um ardil, uma tramóia. Ou mera flatulência."


João Paulo Guerra, in O Benfica

Ganhar, ganhar...

"1. Têm sido semanas terríveis, em parte por culpa própria, em parte por culpas alheias (campo impraticável na Rússia, arbitragens 'impraticáveis' em Coimbra e contra o FC Porto), em parte, ainda, pelos imponderáveis do Futebol. Estamos com três pontos (e meio...) de atraso, quando deveríamos estar, pelo menos, com dois pontos de vantagem sem falhas de arbitragem (vitória em Coimbra, empate com o FC Porto). Agora, resta-nos ganhar o que há para ganhar daqui em diante, jogo a jogo, acabando com esta malapata e esperando que outros também e venham a sentir.

2. Estou a escrever antes do encontro com o Zenit e por isso mantenho-me no confronto com o FC Porto. Os protestos portistas por causa do jogo ter sido à sexta-feira foram ridículos. E mais ainda se se fizeram contas: os jogadores do Benfica somaram mais tempo nas selecções que os do FC Porto, conte-se todos eles ou apenas aqueles que foram titulares na jornada anterior. Mais importante: nenhum desses titulares portistas jogou mais que 45 minutos e Witsel 58 minutos. Gostaria de perguntar àqueles que se apressaram a fazer eco das críticas portistas se queriam que os 11 (ou 14) jogadores do Benfica (e não apenas 3 ou 4) jogassem com o Zenit dois ou três dias depois de defrontar o FC Porto...

3. Declaração do insuspeito Fernando Madureira, líder dos Super Dragões, ao JN: 'Nos outros anos, ficávamos divididos, porque metade do nosso ficava na parte de baixo do estádio e a outra na parte de cima. Agora vamos poder ficar todos juntos e isso é bom'. Tudo decorreu sem problemas (e o autocarro do FC Porto viajou e esteve em Lisboa continuando intacto...) e, afinal, a caixa de segurança não é nenhum papão, como quiserem fazer crer os responsáveis do Sporting, antes e depois do jogo.

4. Surgiu agora a ideia de que os árbitros deveriam boicotar o Benfica como fizeram ao Sporting, em função das declarações do treinador e do presidente. Simplesmente, há uma grande diferença que querem esquecer: o Sporting pressionou João Ferreira (e o 'bandeirinha', Pais António) antes do jogo, não o criticou depois. E foi por isso que ele se recusou a arbitrar."


Arons de Carvalho, in O Benfica

domingo, 11 de março de 2012

Vitória à Benfica !!!



Paços de Ferreira 1 - 2 Benfica



A saga continua... Se alguém continua com dúvidas sobre a premeditação criminosa das arbitragens nos jogos do Benfica, espero que ao fim de 5 jogos consecutivos (ou 6 !!! porque na Feira também tivemos vários prejuízos, apesar de um dos erros ter sido em nosso beneficio) a ser constantemente penalizados (Nacional, Guimarães, Académica, Corruptos, Paços), ninguém pode acreditar em coincidências. Recordo que esta nova saga começou no momento onde um treinador de ocasião resolver entregar as faixas ao Benfica!!!

Hoje, começamos bem, com algumas alterações no onze, criámos várias oportunidades de golo, com é habito, falhámos...!!! E na primeira verdadeira chance o adversário marca, completamente contra a corrente do jogo. Por esta altura, já tinha ficado um penalty por marcar por falta sobre o Jardel, além disso ficou bem marcado o critério do árbitro: onde basicamente, valia tudo para travar os jogadores do Benfica!!! O Benfica teve dificuldades em reagir, mas perto do fim da 1ª parte, não foi marcado um dos mais escandalosos penalty's de sempre da história do Futebol, logo de seguida várias entradas assassinas dos jogadores do Paços, passaram impunes, a mensagem estava dada!!! O Jesus mexeu na equipa ao intervalo, curiosamente começamos mal, não conseguíamos parar os 'contras' do Paços, o meio-campo andava perdido. Enquanto os nossos jogadores estavam intimidados, os Pacenses estavam com a confiança toda, peito cheio, pois sabiam que tinham as costas protegidas... O Artur, o poste e o desacerto dos Pacenses salvou o Benfica, nesta altura... Pouco depois, contra a corrente do jogo, após uma excelente jogada do Nélson, o Gaitán marcou. Quase a seguir o Bruno 'matou' o jogo, com um livre directo extremamente competente (quando todos, inclusive o Cássio, esperava pelo remate do Cardozo!!!)... as entradas assassinas dos homens de 'amarelo' continuaram... a 'pastilha' estava a dar as últimas, e se calhar por isso, as marradas não cessavam, sendo que o Bruno César - talvez por ser o mais 'redondo' - ia sendo a principal vitima!!! Resultado: dois 'raivosos' para a 'rua'!!! Expulsões que só pecaram por tardias...

Vitória importantíssima do Benfica, não vai ser nada fácil, mas ainda estamos na luta, as armas são desiguais, vamos ter os jogos da Champions para 'atrapalhar', mas não podemos desistir... Enquanto a semana passada após a vergonhosa vitória Corrupta na Luz, alguns dos seus fiéis tarecos vomitaram que tinha sido uma Vitória à Porto!!! E por acaso até foi!!! Pois bem, hoje, contra tudo e todos, o Benfica venceu, hoje foi uma vitória à Benfica!!!

Tal como no jogo com o Nacional na Luz, com uma arbitragem vergonhosa, conseguimos ganhar. Alguns julgam que temos a obrigação de vencer sempre estas partidas, mesmo com todos estes obstáculos, realisticamente afirmo: podemos ganhar alguns, mas concerteza que não vamos ganhar todos, é humanamente impossível vencer sempre estas jogos, podemos contratar os melhores jogadores do mundo, os melhores treinadores, e não vamos conseguir durante 30 jornadas ultrapassar todos estes xitos... isto enquanto os nossos adversários são levados de padiola, como por exemplo aconteceu esta semana em Braga.

Mais uma...


Benfica 3 - 1 Sp. Espinho

25-22, 25-17, 17-25, 25-23

Péssimo indicador..


Ovarense 96 - 78 Benfica

21-21, 20-22, 29-15, 26-20


Não vi o jogo, mas o resultado é muito preocupante. A equipa parecia querer melhorar nas últimas partidas, a entrada do Norris foi positiva (aliás foi só o melhor marcador da equipa), mas perder por 18 pontos é demasiado mau... Podemos nos queixar dos quase 60% do adversário nos triplos (foram 14 !!!!), mas esta equipa não pode sofrer quase 100 pontos numa partida da Liga Portuguesa... Hoje, perdemos qualquer esperança em ficar em 1º lugar na fase regular, e se não têm cuidado, ainda podemos perder o 2º !!!

Entrada demolidora !!!


Belenenses 0 - 6 Benfica


Ao fim de 11 minutos já havia 0-4, e o jogo estava decidido... depois demos alguns espaços mas o Marcão resolveu!!! Na próxima Quarta-feira jogamos na Luz, a meia-final da Taça de Portugal com o Freixieiro...

sábado, 10 de março de 2012

Amanhã hà mais...



Ac. Espinho 0 - 3 Benfica

25-27, 22-25, 19-25

Juniores - Fase Final - 5ª jornada

Leiria 1 - 4 Benfica


Benfica.............12
Braga.................12
Sporting..............9
Guimarães...........7
Nacional..............7
Corruptos............6
Leiria..................4
Setúbal...............1

Mais um tiro no pé !!!



ABC 22 - 21 Benfica



Quando tudo parecia bem, lá aparece mais um resultado negativo, quando não se esperava... só não foi totalmente desastroso porque os Corruptos empataram na Madeira, mas mesmo assim perdemos uma oportunidade para encurtar a diferença... O próximo jogo é na Luz, novamente com os Lagartos, e com estas 'brancas' a margem de erro é nula...

sexta-feira, 9 de março de 2012

Javi renova por mais 4 anos, até 2018...

... e eu fico muito, mas mesmo muito feliz!!! E o Javi também...!!!

Obstáculos intransponíveis

"O Benfica fez o que podia na Liga dos Campeões e fez que podia no campeonato. Com Howard Webb no jogo da Liga tínhamos ganho ao FC Porto, com Pedro Proença e a equipa dele a arbitrar o jogo da Champions tínhamos sido eliminados. Há obstáculos intransponíveis.

O FC Porto será um provável campeão, num título que se deve a Proença, em Braga e na Luz se fez um campeão. Campeão sem brilho, injusto e imoral, mas ainda assim campeão. Há mérito do FC Porto nas arbitragens de Pedro Proença e há demérito do Benfica, que mal teve cinco pontos de avanço no jogo da Feira, passou a ser prejudicado em todos os jogos que lhe sucederam. O Benfica respeita os árbitros, mas os árbitros não respeitam o Benfica. O FC Porto não respeita os árbitros mas estes respeitam-no. Como bem ensinou Maquiavel, temem-no, o que ainda é mais eficaz. Passou a valer tudo como na década de 90. Vítor Pereira, que presumo já não ser treinador do FC Porto, sairá como Carlos Alberto Silva. Campeão e a jogar mal. Derrotado pelo inexistente APOEL, pelo limitado Zenit, e goleado pelo lento mas categorizado Manchester City, mas campeão no campeonato de Proença. Vítor Pereira é o novo Carlos Alberto Silva. Proença é o novo Calheiros. Tomasi di Lampedusa bem nos ensina que é preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma, ainda assim é preciso um Garibaldi. O Benfica não pode, contudo, desistir e tudo deve fazer para evitar perder mais pontos, pontos esses que depois irão alimentar um discurso justificativo da forma como se fez um campeão.

Na Liga milionária estar no sorteio de dia 16 já é um feito. Real Madrid e Barcelona não estão ao nosso alcance. Com Milan ou Bayern seria difícil. Com Chelsea, Marselha, Nápoles ou Inter haveria eliminatórias equilibradas, onde tudo poderá acontecer. Com o APOEL, seria vitória quase garantida, só equipas limitadas perdem com os simpáticos cipriotas."


Sílvio Cervan, in A Bola

O que eu quero dizer ao Rodrigo

"Saímos da Luz de coração apertado porque a vantagem se transformou em desvantagem, pouco expressiva mas nem por isso menos preocupante, sobretudo numa fase tão crucial do Campeonato. Foi um grande jogo de futebol e o Benfica merecia ter ganho. Mas a verdade é que não ganhou. E isso dói e deixa-nos frustrados, principalmente porque se registaram imperdoáveis erros de arbitragem.

A história repete-se. Quando jogam contra o Benfica, todas as equipas se agigantam, porque a adrenalina sobe e a responsabilidade aumenta. Até o Porto, que tem feito uma temporada sofrível e errática, conseguiu estar na Luz ao nível das suas melhores noites. Porque tinha o Benfica pela frente e estava a jogar na casa mítica do adversário, onde tudo adquire um significado redobrado.

Vi muita tristeza nos rostos de quem foi para a Luz com o coração a transbordar de esperança. Eu sei que nada está perdido, mas também sei que ficou um pouco mais longe de estar ganho, já que, quem vence, fortalece o ânimo e agarra-se com unhas e dentes à vantagem.

Não nutro especial simpatia pelos cronistas que transformam familiares em personagens dos seus textos, mas aqui concedo-me uma breve excepção. Tenho um neto chamado Rodrigo que é um ferrenho benfiquista, que frequenta uma escala de Futebol e que está sempre ansioso por ver o seu homónimo em campo. Os seus olhos brilham quando o outro Rodrigo joga, exibe o seu excepcional talento e consegue marcar. Mas, desta vez, isso não aconteceu. O meu Rodrigo continua a acreditar que o outro Rodrigo, o nosso brilhante Rodrigo, vai ser mesmo campeão. E eu também. Mas há alturas em que as certezas de um avô não chegam para dar alegria a um neto que só vê águias voando em círculos no céu dos sonhos por cumprir.

O Benfica tem o melhor grupo de jogadores do Campeonato (desculpem mas nunca da palavra 'plantel'), um grande treinador e uma poderosa base de apoio espalhada pelo País e pelo Mundo. É aí que reside toda a diferença. Desculpem lá, mas tem de ser!"


José Jorge Letria, in O Benfica

Faltou

"Sexta-feira à noite, o jogo terminara, o nosso Benfica perdera, em casa, o clássico. Para muitos terminaram também as ilusões quanto à possibilidade de sermos campeões. Uns revoltados, outros angustiados, outros tantos a exigir cabeças, mas todos irmanados na dor. É sempre assim, já Torga o escrevera a respeito de outras justas, também elas alfa e ómega de um vão quotidiano, “Vitorioso, cobrem-no de flores; derrotado, abatem-no impiedosamente”.

Como sempre, em ritual, após a reunião no nosso Estádio, em torno do nosso Benfica, segue-se a reunião de amigos à mesa do jantar. Nesse altar ouve-se a pluralidade das vozes do benfiquismo. Nos momentos da vitória são os sorrisos que enquadram a refeição em que também partilhamos os despojos de guerra. São momentos de plenitude. Nos momentos de derrota, a pluralidade de vozes ecoa a ausência. Já nada é pleno, cheio, e em tudo se nota a falta. Nessa sexta-feira, não havia vitoriosos para cobrir de flores, restava o abate. E na pluralidade de vozes ecoava a falta: “faltou vergonha ao árbitro”; “faltou atitude”; “faltou um defesa esquerdo eficiente”; “faltou um Gaitan menos displicente”; “faltou a visão a um fiscal de linha”; “faltou um treinador que se transcenda nos momentos verdadeiramente decisivos”; “faltou uma equipa de arbitragem que não nos tivesse prejudicado vergonhosamente; “faltou o calor do público durante algumas fases do jogo”; “faltou estratégia à Direcção para lidar com o problema da arbitragem em Portugal”; “faltou o sistema sonoro no 3º Anel”; “faltou sorte”; “faltou um Artur mais perto do Artur e mais longe do Roberto”; “faltou Benfica ao Benfica”… E assim, entre vozes famintas de vitória, se foi conjurando um rosário de faltas que saltavam entre o tom resignado e o indignado, entre o encolher de ombros e o punho cerrado.

Ainda com os ouvidos cheios dessas vozes, dessas faltas, acabei o jantar sabendo que nenhum dos presentes faltaria ao próximo jogo."


Pedro F. Ferreira, in O Benfica

A hora de Nélson Oliveira

"Vi Nélson Oliveira jogar pela primeira vez na Fase Final do Mundial de Sub-20 e fiquei impressionado com a sua velocidade, pujança física, criatividade e espírito de sacrifício. Há muito tempo que não via um jogador tão jovem a evidenciar qualidades já tão amadurecidas e inequívocas. Em boa parte, por causa dele lamentei que o título não viesse para Portugal. Toda a equipa o merecia, mas ele foi um elemento decisivo para um êxito no qual muito poucos quiseram acreditar desde o início. Costuma ser assim em Portugal: só quando o comboio já vai adiantado na viagem é que se começa a acreditar que chega ao destino, e ainda por cima a horas. Agora tenho-o visto jogar com as cores do nosso Benfica e não me equivoco se disser que, se não houver contrariedades e imponderáveis, estamos em presença de um dos maiores jogadores portugueses e internacionais desta década, que será a da sua consagração e triunfo.

Nélson Oliveira é um ponta-de-lança natural, possante e inspirado, com sentido de golo e um poder concretizador invulgares. Jorge Jesus sabe-o bem e está a abrir-lhe o caminho para que a sua posição se consolide, e o mesmo está agora a acontecer com Paulo Bento na Selecção Nacional, cujas portas acabam de lhe ser franqueadas. Por isso acredito que Nélson veio para ficar e que vai ter uma palavra importante a dizer ainda nesta época do Benfica, ajudando a fazer esquecer estas pequenas derrapagens que custaram cinco preciosos pontos num momento em que não se pode dar a mínima margem de manobra à má sorte, sobretudo quando se tem a melhor equipa do Campeonato e se está a praticar, de longe, o melhor futebol.

E é justamente quando o cansaço começa a pesar nos músculos que é preciso trazer sangue novo, ainda por cima nacional e da melhor lavra. Nélson Oliveira tem no rosto, mesmo olhando-o à distância, a determinação dos campeões e sabe que as grandes oportunidades só se têm uma vez na vida. A dele chegou agora e não vai ser esbanjada."


José Jorge Letria, in O Benfica


PS: Esta crónica foi escrita antes dos jogos com os Corruptos e o Zenit.

Maxi Pereira. Um campeão sul-americano à conquista da Europa

"Muslera é guarda-redes do Galatasaray, mas nunca mais se ouve falar dele depois de defender a baliza do Uruguai na Copa América. Lugano é o central do Paris SG, mas nunca mais se ouve falar dele depois de capitanear o Uruguai na Copa América. Forlán é o avançado do Inter, mas nunca mais se ouve falar dele depois de decidir a final da Copa América a favor do Uruguai com dois golos ao Paraguai. Mas afinal digam-nos lá o nome de um uruguaio que continue a fazer boa figura na Europa depois de conquistar a América do Sul em Julho do ano passado?

A resposta é simples e está mais perto de si do que imagina. Chama-se Maxi Pereira. O lateral fala a língua de Octávio Machado – trabalho, trabalho, trabalho – e é uma fonte inesgotável de energia. É campeão sul-americano pelo Uruguai na tarde de 24 de Julho e voa para Montevideo para participar na festa do título. Passa um dia, dois... e decide voltar a jogar futebol. Pelo Benfica, com o Trabzonspor, para a primeira mão da 3.a pré-eliminatória da Liga dos Campeões. De Montevideo a Lisboa (não) é um tirinho. É uma viagem de 11 horas.

E então? Maxi aterra na Portela na manhã do dia 27, todo sorridente, e vai para a Luz, onde entra a 27 minutos do fim, a tempo de participar na vitória por 2-0. Começa aqui a odisseia do Benfica na Europa (12 jogos, seis vitórias, cinco empates e uma derrota). E também a de Maxi nas Eurotaças (11 jogos, porque falha a recepção ao Otelul Galati, quando o feliz destino do Benfica nos oitavos--de-final já está mais que traçado).

Como se isso fosse pouco, Maxi é o homem de quem se fala. É verdade que Nélson Oliveira marca o 2-0 e é o primeiro português de um clube nacional a marcar depois de Fábio Coentrão em Novembro de 2010 (4-3 vs. Lyon, na Luz), mas o fenómeno Maxi é o mais relevante na noite da qualificação do Benfica para os quartos-de-final. À conta do seu golo (1-0, após brilhante toque de calcanhar de Witsel), não só o Benfica se coloca à frente na eliminatória como o uruguaio volta a marcar ao Zenit depois de o ter feito em Sampetersburgo, na primeira mão.

OK, e quem é o último lateral (direito ou esquerdo, tanto faz) de um clube nacional a fazer isso? Ora bem... deixa cá ver... é o Maxi. Nãããããã. Sim senhor, Maxi Pereira marca no 1-1 com o Marselha e no 2-1 em Marselha, também nos oitavos-de-final, mas da Liga Europa em 2009/10. É um repetente, portanto.
E antes do Maxi Pereira de 2010? Há quem diga Pietra, outro benfiquista, em 1976/77. Ele marca de facto ao B 1903 Copenhaga na Luz (1-0) e na Dinamarca (1-0), mas joga como médio-direito. Em ambos os jogos, o lateral é António Bastos Lopes. Voltamos então à estaca zero e repetimos a pergunta: quem é o lateral goleador antes de Maxi? A resposta vem de Alvalade. É Pedro Gomes em 1971/72, com o Rangers. Em Glasgow, faz o 2-3 definitivo. Em Lisboa, marca o 3-2 que dita o prolongamento. Ambos aos 87 minutos! Isto é que o Maxi já não consegue. Mas ainda vai a tempo."


O Benfica e o "sistema"

"Luís Filipe Vieira estava convencido de que, finalmente, o Benfica controlava o “sistema”. Não controla. O apoio à candidatura de Fernando Gomes à presidência da FPF foi dado no pressuposto de uma lógica de dissidência.

Luís Filipe Vieira apoiou o ex-administrador do FC Porto e, por arrastamento, o “ex-futuro” nomeador dos árbitros (Vítor Pereira). Adivinhava-se um compromisso tácito: ausência ou moderação nas críticas supostamente em troca de nomeações coerentes e arbitragens não penalizadoras. Parecia estar tudo a correr maravilhosamente, tão bem que até se falou de “levar o Benfica ao colo”, quando -- num momento crucial do campeonato -- apareceram as primeiras arbitragens comprometedoras, coroadas com um golo do FC Porto obtido de forma irregular (fora de jogo descarado de Maicon).

Num ápice, o “compromisso tácito” transformou-se em “compromisso trágico”. Foi a gota de água e a prova de que afinal o (velho) “sistema” ainda funciona e está de boa saúde.

Fernando Gomes não se arrisca. Nem como presidente da Liga nem como presidente da Federação. Gere os silêncios, independentemente do grau de ruído que se manifeste em seu redor.

O futebol português nos últimos anos consolidou a caracterização de matriz oligárquica através do poder de certas entidades, pela influência de rostos visíveis mas também de eminências pardas, especialistas nos jogos de bastidores. Foram algumas dessas eminências pardas que asseguraram a eleição de Fernando Gomes como presidente da FPF, mais ou menos indiferentes às alterações suscitadas por força da lei.

É neste quadro que emerge uma figura, que teve o alento e a perspicácia de construir um monopólio à custa da fraqueza dos clubes e de quem lhe atapetou o caminho.

A agência de viagens, os adiantamentos feitos aos clubes à luz dos acordos em torno dos direitos televisivos, o posicionamento accionista junto das principais SAD do futebol português, as alavancas do marketing e da publicidade, as dinâmicas dos patrocinadores e a marcação abundante no território da comunicação social fazem parte da mesma lógica de poder. Quem não perceber isto, não percebe nada.

Não é fácil contrariar a força tentacular e, neste momento, principalmente num quadro de crise geral e de contracção do tecido económico também no futebol, só o Benfica poderia arriscar-se a fazê-lo.

Talvez o Benfica não queira afinal um sistema justo, mas apenas um sistema protector. A verdade, porém, é que, seja por uma razão, seja por outra, o Benfica nunca vai conseguir impor o contraciclo se se dispuser a alimentar este “jogo de sombras”.

A negociação dos direitos televisivos não pressupõe apenas um acordo de natureza financeira. O que está em causa, igualmente, é a lógica de poder que esteve na base da afirmação do seu grande rival.

É verosímil que o Benfica ainda se ponha de acordo com a Olivedesportos, mas está visto que este “sistema” não lhe serve.

Luís Filipe Vieira não pode deixar de ter consciência disso. Mas... terá coragem e fôlego para alterar, finalmente, os pressupostos que estão na base do “sistema” do futebol português?"