Últimas indefectivações
segunda-feira, 25 de março de 2013
Porque gosto eu do Jorge Jesus
"Não consigo deixar de celebrar um homem que ganha 2,4 milhões de euros por ano e continua a gostar de comer uma boa cabeça de garoupa.
HÁ quem tenha a opinião de que, nos tempos modernos, um bom treinador de futebol tem de ser conhecedor do jogo e dos jogadores, culto, preocupado com a imagem, capaz de comunicar em várias línguas, capaz de lidar com facilidade com as novas tecnologias às quais deverá chamar ferramentas e ainda saber escolher as equipas multidisciplinares necessárias à preparação da equipa.
Não contrario a ideia de que o treinador de futebol tenha de ter cada vez mais conhecimento e, por isso, tenha óbvias vantagens em ter uma base de sustentação escolar que melhor o capacite de lidar com as mais diversas e complexas competências necessárias ao entendimento do jogo e ao relacionamento com os jogadores.
Mas, como em tudo na vida, há excepções à regra. Uma delas, talvez, mesmo, uma das mais exuberantes, é Jorge Jesus.
Eu, confesso, sou fã do treinador e do homem. Não consigo deixar de gostar de um ser humano que despreza a moda e se está nas tintas para os padrões sociais em voga.
Percebe-se que não o faz de uma forma estudada e hipócrita, mas por modo de ser, por personalidade, por privilegiar uma forma genuína de viver, como se nada verdadeiramente o tivesse mudado, lá por se tornar rico e famoso.
Ouve-se Jorge Jesus numa conferência de imprensa e pode-se assinalar as frases de muito duvidosa pureza sintáctica mas o que não se pode é deixar de reconhecer uma vivacidade e uma naturalidade no discurso, que não resiste a esquemas de comunicação traçados a régua e esquadro por uns quantos comissionários de serviço.
Claro que há sempre quem aproveite o impacto da clareza nua e crua para atingir, numa única canelada, o homem e o treinador.
Ainda assim, não o vejo espumar de raiva. Às vezes inquieta-se e irrita-se, mas passa-lhe, como se a vida fosse também como um jogo de futebol, onde as coisas que acontecem lá dentro, não devem passar cá para fora.
E, lá fora, é o mundo, onde Jorge Jesus se sente, visivelmente, menos confortável.
Não deixo de pensar muitas vezes no caso de Jorge Jesus para tentar entender o sucesso da excepção que ele representa. Pergunto-me se será, apenas e só, uma imensa intuição. Uma capacidade quase sobrenatural para entender, no jogo, o que quase ninguém entende ou vê. Um dom inimitável pata formar jogadores, fazê-los crescer, criá-los e moldá-los no que têm de melhor.
É difícil dizer, aliás, que Jorge Jesus seja o protótipo do autodidacta.
Claro que é atento em quem confia, como tem vindo a ser o caso curioso e especialmente interessante do professor Manuel Sérgio, um dos raríssimos filósofos mundiais do futebol e da vida. Mas isso não faz de Jorge Jesus um autodidacta a não ser no sentido em que ouve para aprender e para melhor conhecer.
Mas não há, em Jesus, uma prática de auto-formação de estudo bibliotecário, de procura própria da investigação do novo. Há, isso sim, uma paixão vivida, sem intervalos, pelo futebol.
Ver jogos, ver jogadores, ver lances, estudar as pedras no tabuleiro da relva real dos estádios de todo o mundo, o que a televisão lhe proporciona a cada momento, é o ponto essencial de estudo e de evolução do treinador.
E isso basta? - perguntará, legitimamente, o académico de pestanas queimadas por anos e anos de leituras de compêndios.
Que outras provas teremos para dar que não sejam as dos resultados desportivos?
E por essas, basta. Pode ser estranho, pode ser quase inexplicável, mas tem bastado.
Pode não bastar para o Manchester United, para o Real Madrid, para o Bayern de Munique, agora, do cultíssimo e antimourinhista Guardiola, não se sabe se sim ou se não, mas o que se sabe é que tem bastado para a realidade concreta do futebol português. E não é uma realidade menor, por muito que alguns dela mal digam. É uma realidade ímpar e, reconheça-se, emergente no contexto internacional, sobretudo ao nível dos grandes clubes, como é obviamente o caso do Benfica.
«Last but not least» como diriam os britânicos, a verdade é que não consigo deixar de celebrar um homem que ganha 2,4 milhões de euros por ano e continua a gostar de comer uma boa cabeça de garoupa..."
Vítor Serpa, in A Bola
Tribunal à portuguesa (2)
"A lei que aprovou o Tribunal Arbitral do Desporto pode ser vista ainda como uma oportunidade: nela estará a forma como se compõe a lista dos juízes-árbitros que decidirão os recursos e os conflitos.
Ainda será sempre isso que se discute: o estofo e a independência de quem decide, de forma que possamos ter garantias de salubridade na resolução dos litígios; de forma, portanto, que deixemos de ter aberrações (sob a forma de “acórdãos” de “conselhos de justiça”) sobre insultos a jornalistas acreditados, assistentes de recinto desportivo, prescrições e suspensões de processos, proibições temporais, entre outros temas, a entrar sucessivamente no lote das ininteligibilidades metódicas.
A lei desenha um esquema curioso para o número máximo de 40 árbitros, que terão de ser “juristas de reconhecida idoneidade e competência” e “personalidades de comprovada qualificação científica, profissional ou técnica na área do desporto”. Primeiro propõem-se nomes a cargo de várias entidades: 5 para as federações olímpicas, 5 para as federações não olímpicas, 5 para a Confederação do Desporto de Portugal, 2 para as federações com provas profissionais e mais 2 para a liga respectiva 1 árbitro para cada uma das associações de jogadores, treinadores e árbitros das provas profissionais, 2 para a Comissão de Atletas Olímpicos, 2 para a Confederação Portuguesa das Associações dos Treinadores, 2 para outras associações de classe reconhecidas, 1 para a Associação Portuguesa de Direito Desportivo e 5 para o Comité Olímpico de Portugal. Depois, os nomes vão ao crivo do “Conselho de Arbitragem Desportiva” (CAD), que assume justamente a função de receber essas propostas e aprovar uma lista final, na qual indica ainda o número restante de árbitros. A este CAD assiste o poder de recusar árbitros e de devolver, nesse caso, as propostas à procedência. E, depois de estar a funcionar o TAD, o CAD pode até excluir árbitros por “incapacidade”. Um órgão, portanto, que fiscalizará a qualidade dos árbitros e que, nessa tarefa, não deverá ter em conta a norma mais absurda da lei: “Pelo menos metade dos árbitros designados devem ser licenciados em Direito” (!!!).
Para que este procedimento de escolha correspondesse a um novo ciclo, falta o óbvio: instituir na(s) lei(s) a possibilidade de recrutar, nomeadamente através de comissão de serviço ou requisição, professores universitários e magistrados, sem prejuízo para a sua carreira. Assim elevaríamos (pelo menos em princípio) o nível desejado e faríamos ingressar (com limpidez) no TAD os juízes dos tribunais. Ainda vamos a tempo?"
Não é que não acredito nisto?
"1. Quinta-feira, o Conselho de Ministros aprovou uma proposta de lei que estabelece o regime jurídico do combate à violência, ao racismo, à xenofobia e à intolerância nos espectáculos desportivos, de forma a possibilitar a realização dos mesmos com segurança. Reza o comunicado oficial, entre outros aspectos, que a proposta promove uma maior responsabilização dos promotores dos espectáculos desportivos, agravando-se o regime sancionatório, nomeadamente pela possibilidade de recurso à punição directa, solução que é decalcada das melhores práticas internacionais. Revêem-se as responsabilidades individuais dos adeptos e as regras relativas à possibilidade da interdição de acesso a recintos, bem como o regime aplicável aos grupos organizados de adeptos e à sua relação com os clubes, associações e sociedades desportivas.
2. Na mesma reunião aprovou-se, na generalidade, uma alteração ao regime de policiamento de espectáculos desportivos realizados em recinto desportivo e de satisfação dos encargos com o policiamento de espectáculos desportivos em geral. Esta alteração determina que os espectáculos desportivos integrados em competições desportivas de natureza profissional, como tal reconhecidas nos termos da lei, devam sempre, obrigatoriamente, ser objecto de policiamento. Quanto a este último texto ele representa mais um acto de uma trágico-comédia normativa do Governo e insere-se, por outro lado, num beco sem saída a que tinha chegado a segurança nas competições profissionais de futebol. A ver vamos se desta o Governo acerta e não repete o espectáculo que iniciou com a publicação do “novo diploma” sobre o policiamento, em parte afastado posteriormente por “instruções administrativas”.
3. No que respeita à “lei da violência”, ainda a aprovar pela Assembleia da República, conseguimos fazer um prognóstico antes do fim do jogo, quanto à sua ineficácia. Como é possível adiantá-lo sem conhecer o texto da proposta? Eis, no essencial, a minha explicação.
4. Coube ao Decreto-Lei nº 339/80, de 30 de Agosto, concretizar as primeiras medidas tendentes a conter “a curto prazo” (como afirmava) a violência nos recintos desportivos. Esse diploma veio a ser alterado pela Lei n.º 16/81, de 31 de Julho e, mais tarde, pelo Decreto-lei n.º 61/85, de 12 de Março. Sucede-lhes o Decreto-Lei n.º 270/89, de 18 de Agosto. Depois veio a Lei n.º 38/98, de 4 de Agosto. Depois (II) a Lei n.º 16/2004, de 11 de Maio. Depois (III) a Lei n.º 39/2009, de 30 de Julho. Agora, algures no tempo próximo, uma lei “nova” em 2013.
5. Todas as leis anteriores foram apresentadas, em manifesta propaganda política, como encerrando um ponto final miraculoso nesta matéria. Sempre de acordo com as melhores práticas internacionais. Todavia, sempre “morrendo”, alguns anos depois, por não lograrem atingir os objectivos a que se propunham. É desta? Não, claro que não. Enquanto não se cortar a seiva negra que liga os clubes às claques, bem podem fazer periodicamente novos diplomas. Enquanto o Estado – e toda a Administração Pública – não fiscalizar rigorosamente o cumprimento da lei – de qualquer lei, velha ou nova – e omitir-se do exercício dos seus poderes/deveres, eu acertarei sempre."
domingo, 24 de março de 2013
Atitude
Benfica 75 - 63 Guimarães
14-11, 18-11, 24-16, 16-19
Eu compreendo, que uma equipa, que durante a maior parte da época, não tem adversários à altura, acaba por facilitar em alguns jogos, não será fácil encontrar a motivação durante a semana... mas o discurso que são profissionais, ganham bem, têm que respeitar a camisola que vestem, também é válido...
A vitória de hoje não vinga a derrota da semana passada, porque simplesmente a Taça já foi !!! Mas prova que com outra atitude, tudo se torna mais fácil...
Dito isto, este Vitória pode ser um adversário duro de roer nos Play-off's o Ivan Almeida é jogador (hoje só marcou 25 pontos!!!), creio mesmo que é o melhor marcador do Campeonato... Foi pena a equipa ter 'desligado' no 4.º período porque podíamos mesmo ter dado uma cabazada monumental, com possivelmente o Vitória a marcar 'metade' dos pontos da semana passada!!!
Triatlo...
Em Alpiarça, o João Silva estreou-se com a camisola do Benfica, vencendo naturalmente a primeira prova do Nacional de Clubes da temporada de 2013. Este foi só um ensaio, pois o nível do João é outro... o objectivo são as provas da Taça do Mundo:
João Silva (1.º), Pedro Mendes (5.º)(sub-23), Pedro Gaspar (7.º)(Jun.), Alexandre Nobre(10.º)(Jun.), Francisco Machado (11.º)(Jun.), Rafael Domingos (25.º)(Jun.), Nuno Nogueira (32.º)(Jun.), Bruno Pereira (34.º)(sub-23), João Gabriel (38.º)(Cadete), Nuno Laurentino (53.º).
Óptima semana
"1. Excelente a semana passada. Chegámos (mais uma vez!) aos quartos-de-final de uma competição europeia - na qual somos apontados como um dos favoritos - e aumentámos para quatro pontos a vantagem na I Liga, passando a ser os principais candidatos. Muito bom mas... ainda nada ganhámos. Dei por mim a pensar: fiquei mais satisfeito com os quatro pontos de vantagem nacionais do que com a passagem europeia. Claro que sonho em regressar às finais europeias, mas a prioridade deve continuar a ser o Campeonato. E, neste, temos mais cinco finais antes da ida ao Dragão. Não nos podendo esquecer que, muitas vezes, é em casa, nos jogos aparentemente mais fáceis que tudo se deita a perder. Gostei muita da equipa em Guimarães (nem parecia que havia jogado três dias antes em Bordéus) mas... há que continuar assim!
2. Bordéus dista 1150 Km de Lisboa. O Benfica meteu no estádio cerca de 10 mil portugueses, a larga maioria emigrantes de França e países limítrofes (Paris fica a 600 Km). Que outro Clube no Mundo conseguiria isso? Merecida prenda deu a nossa equipa ganhando o jogo e passando a eliminatória.
3. A justiça neste País é o que é. A justiça desportiva não é melhor. Eu ia a escrever que era inacreditável a decisão que salva o FC Porto da desclassificação na Taça da Liga mas, pensando bem, qual a surpresa? O que vem acontecendo de há 30 anos para cá? Enfim, é mais do mesmo. Tal como não causa surpresa a declaração do presidente do FC Porto, colocando em dúvida a continuação do clube na prova. Claro que tinha que mostrar desprezo por uma competição que nunca ganhou. Mas, é óbvio, vai aparecer a jogo e vai tentar ganhar o troféu. Mesmo que depois menospreze o triunfo. Já todos o conhecemos bem...
4. Alguns No Name Boys (com a conivência dos outros) lançaram mais alguns petardos na jornada 21 da Liga e o Benfica foi multado em 7650 euros, valor que corresponde às quotas mensais de 765 sócios. Neste Campeonato já vão 89.328 euros, ou seja, estiveram 7444 sócios a pagar para as 'brincadeiras' desses meninos. Lamentável."
Arons de Carvalho, in O Benfica
Objectivamente (mau perder)
"No clube das riscas azuis e brancas quando as coisas andam mal todos são culpados menos um. Aliás, agora, menos dois, porque o suplente-efectivo Antero também já está imune e chocou ver os super-maus-dragões insultarem toda a comitiva... menos P da C e o anunciado sucessor!
Não haveria nada de anormal em tudo isto se não viesse de novo à memória alguns «apertões» que estes mesmos super-maus deram em tempos de Argel a Co Adriense, de Paulo Assunção a Del Neri ou Yuran a Mourinho, (que envolveu também cenas de ciúmes com a bela «ragazza» da Ribeira)!
Isto tudo no espaço de três semanas, no tal clube-modelo onde tudo se faz com rigor, DISCIPLINA, profissionalização e sabedoria!
Como é possível este coro de indignação só pelo facto de a equipa de futebol fraquejar um pouco nas exibições e nos resultados e onde até então o expoente máximo dos goleadores Jackson Martinez - intocável - ter falhado uns penaltis e daí ter dado uma folgazinha de quatro pontos ao Glorioso SLB!
A velha máxima de que não estão habituados a perder, não cola! Isso não pode servir de desculpa para as arruaças e os maus-exemplos das claques que passam sempre para outros irmãos do norte estes «feitos»! Pelos vistos, há muita gente a aprender com o tal clube exemplar!
Mas estes cânticos entoados à entrada do Dragão não foram a única crítica forte ao «grupo». Também os cronistas do reino azul, como MSTavares, rebentaram autenticamente com os eleitos de Vítor Pereira! O treinador-campeão, afinal já não presta - e Varela (p. exemplo) já é coxo -, que salta do Santa Clara da 2.ª Divisão para o clube que é crónico campeão - sem o merecer, acrescento eu!
O descontrole desta gente é irritante!
Não sabem perder nem ganhar! A arrogância das vitórias transforma-se em violência nas derrotas!
Muito mau para quem quer ser exemplo do clube de rigor, etc, etc."
João Diogo, in O Benfica
Roques e aliados
"Foi esta semana. Na placidez doméstica, desfruindo emocionalmente o bom momento do nosso Benfica, um zapping televisivo fez-me esbarrar os olhos e magoar os ouvidos nos vários programas sobre futebol, de registos semelhantes, com protagonistas também semelhantes, com ressabiamentos ainda semelhantes.
O FC Porto viveu a sua semana horribilis, meteu a bola da sobranceria ao saco, a equipa até foi recebida, no regresso do Funchal, com impropérios e petardos por adeptos furiosos.
Os comentadores azuis, em desespero, viram penáltis ou não viram penáltis, em tudo o que foi sítio, de acordo com as conveniências. Até se esqueceram que, frente ao Málaga, no Dragão, a considerada exibição transcendente apenas rendeu um golo, por sinal obtido em fora-de-jogo.
Como deu jeito ignorar que a turma espanhola apontou um tento limpo, não validado pelo juiz da contenda.
O Sporting conseguiu ganhar, de forma tangencial, ainda que continue posicionado na segunda metade da tabela.
O complexo antibenfiquista faz dos seus comentadores autênticos sequazes do FCP, cujo eventual triunfo na liga nacional serviria de refrigério àqueles traços doentios de pequenez relativamente ao nosso Clube.
De um lado, os roques; do outro lado, os aliados.
Por essas e por outras é que, a páginas tantas, optei pela Benfica TV; ouvindo o meu amigo Fernando Chalana.
E o que concluí? Aquilo que, há uns tempos, deixei em letra de forma numa das minhas publicações.
No Futebol, a bola são os jogadores e os treinadores, o resto são, um ror de vezes, bolas fora."
João Malheiro, in O Benfica
sábado, 23 de março de 2013
Melhores...
ABC 20 - 26 Benfica
Começamos muito bem (1-4), mas rapidamente perdemos a vantagem, com as exclusões e com os livres de 7 metros (os primeiros 8 golos do ABC, 5 foram de 7 metros!!!), ao intervalo 10-10... No início da 2.ª parte abrimos uma boa vantagem, e nunca mais permitimos a aproximação do ABC, até os árbitros deixarão de empurrar os de casa para 'cima', apesar de continuarem a ser permissivos com o ABC a defender: o Carneiro tem uma entrada aos 6 metros, remata, falha, mas sofre uma falta clara, com o jogador do ABC dentro da área, e o árbitro dá livre de 9 metros!!! A exclusão do Álvaro Rodrigues foi absurda!!! O 1.º 7 metros a favor do Benfica é num lance, onde existe realmente falta, mas o Costa mesmo assim marca golo... sendo assim, golo anulado, e 7 metros (o Tavares não falhou!!!)... As armas não são iguais, temos que ser muito melhores...
Susto
Os Tigres 4 - 6 Benfica
Mais uma vitória arrancada nos últimos segundos - 2 minutos para ser mais exacto!!! -, num jogo que se esperava um pouquinho mais fácil...
Juniores - 6.ª jornada - Fase Final
Corruptos 2 - 1 Benfica
Acabámos por perder o jogo nos últimos minutos, num jogo onde valeu tudo... a roubalheira foi tão grande, que até difícil fazer a 'contabilidade': pontapés de baliza transformados em cantos (o 1.º golo Corrupto nasce assim!!!); agressões (num 2.º golo Corrupto existe uma agressão a um jogador do Benfica); cortes com os braços, impunes, foram muitos; simulações Corruptas constantemente, sempre atendidas (excepto um pedido de penalty, tão escandaloso que nem este árbitro conseguiu marcar!!!); enfim uma autêntica macacada...
Corruptos..........13
Sporting.............11
Braga.................10
Benfica..............8
Setúbal...............7
Guimarães...........5
Nacional.............4
Rio Ave..............3
sexta-feira, 22 de março de 2013
Juiz Feijão
"O juiz Phantly Roy Bean (Feijão, à portuguesa) foi uma das figuras mais extraordinárias do velho Oeste americano. Acho que já falei aqui dele, mas não se perde nada em trazer de volta a estas páginas as peripécias de tamanho personagem. Juiz de Paz em Val Verde County, no Texas, Feijão tornou-se um administrador autoritário da justiça, entitulando-se vaidosamente como «A Lei a Oeste de Pecos».
Também temos um Feijão neste País de favas. E juiz. Dizem que Feijão da Trofa. Surgindo na televisão, grandiloquente, a avaliar uma trampolinice barata, tratou de esfregar na lama toda a magistratura. Que faz correr Feijão?
Geralmente, estes juízes de vão de escada, com uma carreira atrás de si capaz de envergonhar o menos competente dos oficiais de diligências, movem-se pela visibilidade. Dois minutos de espaço num telejornal qualquer provocam-lhes espasmos de prazer. Uns convites para assistirem a uns joguinhos de bola no camarote das Antas transforma-nos em julgadores baratos de saloon mancumunados com os pistoleiros sem escrúpulos.
É esta a sua vida-vidinha. Não têm pactos com a Justiça nem com a sua consciência. Limitam-se a ser trapos, usados, sujos, atirados para o balde dos desperdícios quando deixam de ser úteis ao Madaleno. Volta e meia entram-nos pela casa adentro, através da televisão: enquanto vomitam umas porcarias, fixamos-lhe os nomes. E convém fixá-los: nada pior do que um juiz que está do lado do criminoso.
O nosso Feijão não cabia em si de orgulho. Cumpriu a ordem. Talvez receba como prémio uma palmada no pescoço. Depois, como todos antes dele, será corrido a pontapés na boca."
O nosso Feijão não cabia em si de orgulho. Cumpriu a ordem. Talvez receba como prémio uma palmada no pescoço. Depois, como todos antes dele, será corrido a pontapés na boca."
Afonso de Melo, in O Benfica
Boa aspirina...
Benfica 6 - 3 Braga
Depois da semana atribulada, a vitória era ainda mais importante.. como é óbvio, não houve tempo para se observar mudanças, mas a atitude da equipa foi um excelente sinal. As perdas de bola, em zonas proibidas, continuam ser um dos principais problemas da equipa, hoje, o Bruno Coelho teve em especial evidência nesse 'campo'...
Depois dum início tremido, com os golos, o jogo pareceu sempre controlado, mas para isso muito valeu a espectacular exibição do Marcão. Em Braga para a Taça temos que jogar melhor, principalmente a defender.
A arbitragem foi o costume: uma desgraça!!! Penalty descarado sobre o César não assinalado... O primeiro cartão ao César é um absurdo... o critério dos 4 segundos nas reposições de bola uma autêntica vergonha... a 6.ª falta do Braga na 1.ª parte, só não foi marcada, porque eles não quiseram... Num jogo, onde os jogadores do Benfica sofreram várias entradas violentas, acabou por ser o César expulso!!! O que prova a 'embirração' das equipas de arbitragem com o César, creio que é a 4.ª expulsão esta época!!!
A fronteira entre o êxito e o fracasso
"A vitória em Guimarães foi importante para quem aspira a ser campeão nacional no fim da época. Mas a euforia mediática gerada por uns míseros quatro pontos de vantagem é deslocada da realidade.
Bem o treinador e presidente que de forma sensata colocaram água na fervura. Festejos planfletários levarão a que não se ganhe nada no fim da época, uma atitude competitiva e profissional poderá fazer desta uma época ímpar. A fronteira entre o êxito e o fracasso é muito ténue e a visão mediática é sempre feita apenas em função dos resultados.
O Benfica está a fazer uma época óptima, mas o FC Porto também tem feito um dos melhores campeonatos dos últimos anos. Só a incapacidade de reconhecer os méritos do Benfica faz com que se menorize a prova dos portistas.
Em Guimarães vimos um Benfica menos exuberante e mais seguro e controlador dos destinos do jogo. Foi um Benfica com menor nota artística mas com menor exposição ao erro. Para chegar ao êxito também é importante saber fazer esta parte do percurso. 21 pontos dos quais teremos que conquistar 18. De nada interessa o campeonato dos ses... Nesse campeonato o Benfica poderá dizer que sem erros de Xistra em Coimbra e em Braga e já era campeão ou que sem a asneira de Artur na Luz contra o FC Porto e já estava resolvido.
Mas do lado portista não haverá adepto que não clame por um avançado que não falhe penaltis decisivos. Jackson já deve quatro pontos aos azuis e brancos, e quatro pontos já é um lanho grande a precisar de curativo.
No fundo Xistra prejudicou tanto o Benfica como Jackson o FC Porto. Este FC Porto lutará com o Benfica até ao fim, e qualquer clube poderá vencer. Pela tradição recente o FC Porto era favorito, pelo futebol jogado o Benfica leva vantagem.
Desejo sorte ao Sporting com as eleições de amanhã mas, pelo andar da carruagem, não antevejo nada de muito bom."
Sílvio Cervan, in A Bola
PS: O Cervan enganou-se, o Xistra só nos apitou em Coimbra, na Luz com o Braga foi o Soares Dias... a Xistralhada em Braga foi em Março de 2011 !!!
A opinião e a realidade
"Minutos antes de começar o jogo entre o Bordéus e o Benfica, na SICN, uma dupla de comentadores (Rui Santos e Ribeiro Cristóvão) entretinha-se a imaginar debilidades no plantel do Benfica. Jogar com a dupla de centrais Roderick e Jardel foi o ponto de partida para garantir profecias de desgraça que, mais do que opiniões, pareciam desejos de catástrofe. Um deles, o menos afoito na crítica, ouviu o parceiro de comentários dizer que o jogo que se seguiria confirmaria a sua agoirenta tese. Tudo isto alicerçado num chorrilho de superficialidades e lugares comuns debitados com a presunção e a ousadia da ignorância.
No final do jogo, e perante aquele aborrecimento de ver a realidade desmentir a fábula produzida na lucubração do pré-jogo, um deles, o que tem menos tempo de carreira e mais tempo de antena, apressou-se a dizer que, apesar da vitória do Benfica em Bordéus, a sua tese vingaria, sem dúvidas, no próximo jogo contra o Guimarães. E assim, entre a birrinha por ter sido desmentido pela realidade e a certeza de que a sua razão apenas fora adiada uns dias, lá se despediu o mais encarapinhado dos dois comentadores de serviço.
Para azar do dito cidadão, coube-lhe ter de comentar em directo a vitória do Benfica, por quatro golos, em Guimarães. Mais uma vez, a realidade ultrapassara o douto vaticínio da criatura. Onde menos de setenta e duas horas antes vaticinara pecados quase via agora virtudes e acabou por desdizer o que dissera como se nunca o tivesse dito. Fê-lo com a mesma convicção, o mesmo sorriso, a mesma ausência de contraditório e com o mesmo respeito pelo código deontológico que, óbvia e semanalmente, exibe.
Alheio a estas piruetas, o plantel do nosso Benfica segue em primeiro lugar no campeonato, preparando-se para enfrentar um outro plantel equilibradíssimo e recheado de Olegários, Xistras e Proenças. Atentos, à espera e à espreita, estão os do costume, os que aproveitam o tempo extra do jogo para poderem espetar a faca que vão, semanalmente, afiando, entre sorrisos e desejos mascarados de opiniões."
Pedro F. Ferreira, in O Benfica
À beira do zero
"Ainda há pouco tempo o treinador portista empolava as qualidades do seu 'Barça das Antas', mas anteontem aterrou em Pedras Rubras ao som de petardos e de impropérios de adeptos.
O futebol é ingrato. Ainda há pouco tempo Vítor Pereira gabava a beleza do futebol praticado pela sua equipa e cantava o prazer que dava aos seus jogadores a posse de bola e a circulação mágica que com ela faziam.
Ainda há pouco tempo o treinador portista empolava as qualidades do seu Barça das Antas, mas em cerca de três semanas viu desmoronar-se o castelo de fantasia e aterrou em Pedras Rubras ao som de petardos e de impropérios adequados à fase desconfortável vivida pela franja menos tolerante de adeptos do dragão.
Ainda há pouco tempo Vítor Pereira valorizava as suas proezas na UEFA. Recordou que na Champions residia o FC Porto e não enxergava nenhum outro inquilino português. Mas o futebol é ingrato, insisto, e num instante foi-se diluindo a excessiva euforia portista, principalmente a partir do empate em Alvalade, não pelo resultado em si, porque empatar na casa do leão, independentemente do seu estado se saúde, nunca poderá ser olhado como um desfecho negativo para qualquer visitante, mas pela impotência relevada pelo dragão para se libertar dos grilhões com que Jesualdo Ferreira o manietou. Foi desde aí que nuvens de preocupações começaram a roubar espaço à esperança que iluminava o caminho de Vítor Pereira
Em cerca de três meses viu-se afastado da Taça de Portugal, excluído da Liga dos Campeões e, sequência de dois empates na Liga, colocado quatro pontos abaixo do Benfica e, por isso, na dependência de terceiros. Ou seja, se confirmar-se a ameaça de desistência da Taça da Liga disparada pelo presidente portista, como em termos de Campeonato, a sete jornadas do fim, o quadro não é entusiasmante, o FC Porto corre o risco de ficar à beira do zero quanto a mais conquistas (além da Supertaça, claro). Não se trata de uma afirmação, como é óbvio, antes de uma dedução sugerida pela lógica da coisa, ou não?...
PARECE cada vez mais próxima a necessária mudança de ciclo no futebol português. A infalível organização portista vai apresentando sintomas de cansaço e as virtudes que muitos apregoavam, e alguns apregoam, vão fazendo menos sentido. Aliás, sem entrar na discussão dos meios para atingir os fins, creio que o domínio azul e branco sobrevive por absurda distracção do treinador/cientista, que na época transacta perdeu desajeitadamente o título para o FC Porto. Como diz o povo, à primeira todos caem (e já estou a abrir uma excecção para ele: duas quedas), à segunda só cai quem quer, e se é vontade de Jesus prolongar a sua ligação ao Benfica deve saber muito bem que a condição essencial para poder alimentar o processo negocial é ser campeão nacional. Isto sou eu a falar, note-se. Apesar de não possuir o dom de pensar pela cabeça de Luís Filipe Vieira, julgo ser esta premissa uma evidência. No entanto, como aqui escrevi há uma semana, mesmo que ela se concretize, falta conhecer qual o entendimento do presidente benfiquista acerca de matéria tão sensível.
IZMAILOV e Liedson: que papel desempenham, afinal, no plantel do dragão? Foi imenso o alarido provocado por estas contratações no mercado de inverno, mas até hoje de efeitos discretíssimos. O primeiro estreou-se na Luz, com o Benfica, para impressionar, a 13 de Janeiro, e desde lá tem alinhado a espaços sem que se vislumbre benefícios inquestionáveis com a sua aquisição. Pelo contrário, tudo leva a crer que o FC Porto foi amigo do Sporting ao livrá-lo de um peso financeiro e de um incómodo social. Sobre Liedson, o caso é ainda mais intrigante: soma 38 minutos de utilização. Fantástico! Dois exemplos claros da (des)afinação da máquina portista, antes eficaz, agora soluçante. As presenças do presidente no treino para dar sinal de autoridade e no balneário para arrefecer o ambiente só servem para empurrar Vítor Pereira para a porta de saída. Sendo um treinador do regime, e aceitando esse rótulo desde sempre, deixou-se esvaziar."
Fernando Guerra, in A Bola
PS1: Fernando Guerra é dos poucos jornaleiros Benfiquistas com espaço para dar a sua opinião nos jornais... mas o seu trauma anti-Jesus é difícil de explicar!!!
PS2: Engraçado como o Mito da organização infalível, é sempre posto em causa quando, desportivamente, as coisas correm mal aos Corruptos... basta algumas Proençadas, e a Organização perfeita, volta a ser infalível independentemente de tudo o resto...!!!
Das religiões...
"É a velha sina: no futebol não há nada mais fácil do que arranjar-se um bode expiatório que deixe ficar à sua sombra dezenas de falsos inocentes a assobiar para o ar. Por isso, sem espanto, nos últimos dias, me apercebi de linha (cruel) a enrodilhar-se, fugaz, na tese de que quando o FC Porto ganha, ganham todos, quando o FC Porto falha, falha o Vítor Pereira. (Se contra o Marítimo as substituições foram feitas ao deus-dará - a equipa de arranque não, era a que eu faria. E não foi ele que falhou o penalty, como já falhara com o Olhanense, nem foi ele que escorregou para o empate do Suk...)
Não, para mim, a questão da sua culpa, não é a sua culpa, é a sua circunstância, tem a ver com o futebol ser o que é: um jogo onde o treinador pode construir uma equipa ou uma ideia na cabeça - mas só alguns jogadores conseguirem levá-la, à equipa e à ideia, mais adiante. É o que sucede com Moutinho. (Ou antes, diferente, com Hulk) Com ele, toda a equipa joga a entender melhor o jogo, as suas peripécias, os seus alçapões, a equivocar-se menos com a bola, os seus ritmos, os seus caprichos. (Por isso é que sem ele em Alvalade o FC Porto perdeu o tino, sem ele em Málaga o FC Porto perdeu o carácter, sem ele no Funchal o FC Porto talvez tenha perdido o destino.)
Não querendo fazer de Vítor Pereira responsável principal pelo que suspeito que acontecerá: o Benfica ser campeão (o que seria injusto, sobretudo para o Benfica) - há, contudo, crença a que não fujo: que sem Moutinho, Vìtor Pereira teria de ser menos ortodoxo para compensar o não o ter tido quando o não teve (e não foi). E que sem Moutinho o que se viu foi que Vítor Pereira não é o que Jorge Jesus é: treinador sagaz que não se prende a um sistema como a uma obsessão e faz evangelho da ilusão (ou não) de que só se vence com a alma além da fé. E sim, eu acho: não é por ter caído na tentação do disparate que Vítor Pereira pode acabar a penar no purgatório, chegando lá, ironicamente, apenas com uma Taça da Liga em sua salvação (ou não) - é por não ter sido dessa religião de Jesus (e não ser tão subversivo como ele, o Jesus é...)"
António Simões, in A Bola
Benfica tentado a ganhar tudo
"O Benfica tem o campeonato na mão e o maior desafio de Jorge Jesus será o de evitar a euforia do «está quase». Daí que o discurso do treinador do Benfica, após o jogo de Guimarães, tenha sido inteligente, fazendo questão de lembrar que nada nem ninguém poderá garantir que esta diferença de quatro pontos para o FC Porto se mantenha até ao Dragão.
Será, no entanto, difícil controlar a ansiedade dos benfiquistas que, de repente, vêem a sua equipa como natural favorita a conquistar o título, à beira de ser finalista da Taça de Portugal e ainda com a legítima ambição de vencer uma final europeia.
Dirão os prosaicos que um grande clube se arrisca a ganhar todas as provas em que entra. Não é bem assim. Mesmo numa fase adiantada das três competições julgo que o Benfica só por milagre as poderia ganhar, a todas. A pressão psicológica aliada ao natural desgaste físico (apesar de Jesus ter vindo a gerir muito bem a época) não deixará de se fazer sentir.
Pode acontecer que ed tanto querer ganhar, ou de tanto ser obrigado a querer ganhar, o Benfica ainda possa poder o essencial das oportunidades que aparentemente se lhe oferecem? Pode! O futebol não é, porém, uma ciência exacta e admito que seja impossível, perante a espantosa perspectiva histórica, que o Benfica possa, agora, abdicar de lutar em qualquer uma das três frentes. Os pessimistas lembrarão que quem tudo quer tudo perde, mas os optimistas haverão de contrapor que quem não arrisca não petisca.
NOTA FINAL - Estranha (falta de) reacção do FC Porto no Funchal. Do meu ponto de vista, muito pior do que em Málaga. A equipa pareceu triste e insegura, demasiado longe de Jackson Martínez e com muita gente cansada. Que João Moutinho volte depressa!"
Vítor Serpa, in A Bola
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