Últimas indefectivações

quinta-feira, 12 de março de 2020

Pedrinho

O Benfica oficializou hoje a contratação do Pedrinho. Médio-ofensivo vindo do Corinthians, que vai reforçar a equipa na próxima época. Na minha opinião, chegou 1,5 mês 'atrasado'!!! Devia ter 'entrado' na 'janela' de Janeiro...!!! Desconheço as 'complicações' que ocorreram nas negociações, mas nem o jogador beneficiou deste 'atraso' já que neste arranque de época no Brasil, tem tido alguns 'problemas'...!!!

Bom jogador, baixinho, driblador, rápido, gosta do um-para-um, joga de preferência na direita com o pé canhoto, mas pode jogar em qualquer posição no apoio ao ponta-de-lança...também me parece ser lutador e tacticamente disciplinado (comparando com outros jogadores brasileiros da mesma zona do terreno). Um Rafa, com melhor capacidade de 'proteger' a bola no drible...!!!

Temos poucos jogadores com estas características no plantel... Mas vamos ter que esperar, para verificar se a adaptação será fácil...



De que valem os milhões, se não formos campeões?

"Excelentíssimos membros da Direcção e da Sociedade Anónima Desportiva,
Numa fase em que chegamos à reta final de mais uma época desportiva, é imperativo, na minha modesta opinião, começar a fazer um balanço sobre o desempenho do SL Benfica na presente temporada.
No momento em que escrevo esta carta, constato que perdemos os sete pontos de vantagem que tínhamos para o segundo classificado, FC Porto, tendo os mesmos assumido a liderança do campeonato após um mês de Fevereiro completamente inenarrável para um clube com a dimensão do Benfica.
Gostaria de saber como é que é possível que um clube que respira uma saúde financeira invejável tenha preparado a época da maneira que preparou, sendo que o fruto dessa gestão é agora visível para todos os benfiquistas. Foi mais uma época vergonhosa a nível europeu, mais uma época a ser eliminados da Taça da Liga, podemos ter hipotecado o campeonato no mês de Fevereiro e, para variar, lá conseguimos chegar à final da Taça de Portugal. O plantel apresenta lacunas graves, especialmente no sector defensivo.
No entanto, preocupa-me o facto de que a Direcção apenas se preocupe com os resultados financeiros e que use os mesmos para se defender das críticas relativas à má gestão desportiva. Os craques vão saindo e os responsáveis teimam em não reforçar a equipa nas zonas em que esta fica mais desfalcada.
O plantel apresenta inúmeras lacunas, especialmente no sector defensivo, sendo o caso mais flagrante o dossiê sobre a lateral direita. Desde a saída de Nélson Semedo, em 2017, que o Benfica não comprou nenhum jogador para assumir o lado direito da defesa encarnada, sendo que os jogadores que por lá têm passado são atletas que já se encontravam no clube – e que não cumprem os requisitos para serem indiscutíveis num XI titular de uma equipa como o Benfica.
Termino esta carta com um simples pedido, excelentíssimos membros da Direcção: deixem de gerir o Benfica como se de uma empresa se tratasse, e comecem a focar-se na conquista de títulos, pois é isso que alimenta um clube de futebol e os seus adeptos.
Porque, no fim de contas, meus caros, de que valem os milhões, se não formos campeões? 
Cumprimentos,
Um sócio preocupado."

FC Porto SAD em falência técnica.

"A FC Porto SAD terminou o 1° semestre de 2019/2020 com um prejuízo de -51.85 Milhões de Euros.
No meio deste descalabro financeiro, quanto irá Pinto da Costa e a tropa-fandanga (Adelino Caldeira, Fernando Gomes e Reinaldo Teles) receber até ao final de 2019/2020?
Ninguém sabe.
O que sabemos é que esta mixórdia de dívidas levará obrigatoriamente à venda de vários jogadores da SAD, como Alex Telles, Marega, Otávio, Soares, Aboubakar, Sérgio Oliveira, Danilo, entre outros. Traduzindo em números, terão de realizar aproximadamente 100 milhões de euros em mais valias, ou cerca de 130 milhões brutos para amparar a falência financeira.
Como consequência dos prejuízos sucessivos ao longo dos anos, os artigos 35º e 171º do Código das Sociedades Comerciais são aplicáveis.
O artigo 35° indica que quando metade do capital social se encontra perdido, deve proceder-se de imediato à convocatória de uma assembleia geral e, desse modo, deixar para deliberação:
a) A dissolução da sociedade;
b) A redução do capital social para montante não inferior ao capital próprio da sociedade, com respeito, se for o caso, do disposto no n.º 1 do artigo 96.º;
c) A realização pelos sócios de entradas para reforço da cobertura do capital.
Perguntamos se já foi realizada a respectiva assembleia geral e qual a decisão da mesma? Supomos que não, uma vez que estamos em Portugal.
Dando seguimento à nossa análise minuciosa relativamente à situação da FC Porto SAD, verificámos que esta é tão grave que o relatório revela os seguintes factos:
1 - Novos financiamentos: «financiamentos concluídos ao longo do mês de Janeiro que possibilitarão um acréscimo de disponibilidade a rondar os 30 milhões»;
2 - Problemas de tesouraria: «A acumulação de défices de exploração desencadeou constrangimentos de tesouraria circunstanciais»;
3 - Renegociação de prazos de vencimento de dívidas correntes.
Como se isto por si só não fosse suficientemente grave, o FC Porto admite também ter prémios e gratificações dos jogadores, além dos seus direitos de imagem, em atraso:
- Prémios de competições pendentes de processamento: 9,5 milhões de euros;
- Direitos de imagem a liquidar: 523 mil euros.
Duas perguntas surgem quando analisamos estas dívidas relacionadas com valores por pagar aos seus jogadores:
1- Em relação à FC Porto SAD, haverá um tratamento especial em relação aos direitos/prémios no que a impostos diz respeito, ou seguiremos o (bom) exemplo de outros países?
Através do artigo que a revista Sábado adiantou, tomámos conhecimento de inúmeras buscas em várias SADs por suspeitas de crimes fiscais. O Record revela que a Autoridade Tributária reclama 21 milhões de euros aos dragões. Sendo isso verdade, significa que a SAD terá que constituir uma provisão de igual montante, agravando ainda mais o resultado financeiro da época! É preciso recordar que a justiça espanhola, recentemente, actuou com uma mão pesada precisamente por fugas ao fisco. 
Estamos, portanto, curiosos em ver o desfecho das buscas efectuadas à FC Porto SAD e aos vários jogadores do FC Porto.
2- Haverá um outro motivo para, em apenas 6 meses, pagar mais de 4 milhões de euros em direitos de imagem?
Ao dissecarmos o relatório, verificámos que a rubrica “Fornecimentos e serviços externos” contém um montante de 4,1 milhões de euros em direitos de imagem de atletas. O “Settlement Agreement” assinado em 2017 com a UEFA, aquando do incumprimento do fair-play financeiro, é claro:
a) The obligations set out in the Settlement Agreement require the Club to achieve defined break-even results, limit the aggregate cost of its employee benefits expenses (...);
b) The Club agrees that for the Reporting Period ending in 2018 and for the Reporting Period ending in 2019, the employee benefit expenses to revenue ratio and finance costs are restricted (...).
Em português, isto significa que o FC Porto concordou limitar e restringir os custos com o pessoal. Ora, se os direitos de imagem não aparecem na rubrica “Custos com o pessoal”, mas antes em “Fornecimentos e serviços externos”, quererá isto dizer que esta terá sido uma das formas que o FC Porto encontrou para contornar as restrições do Fair-play financeiro impostas pela UEFA? 
Recordamos que em 2014/2015, ao longo de 12 meses, a FC Porto SAD pagou apenas 601 mil euros em direitos de imagem. No entanto (e quiçá por magia), 5 anos mais tarde - em meros 6 meses - o valor aumentou cerca de 7 vezes, ou seja, para 4,1 milhões de euros.
Em suma e de forma clara e sucinta, a SAD do FC Porto quebrou vários artigos de normas e directivas financeiras da UEFA, desde o artigo 53° ao artigo 68°. Mais, em 2018/2019, de acordo com a UEFA, apenas cumpriu parcialmente com os objectivos definidos, pelo que outro novo incumprimento poderá significar um castigo pesado, como exclusão de competições europeias. Não há como enganar nem há artigos do “O Jogo” que desmintam a informação que aqui adiantamos. São factos.
Com o FC Porto com a corda na garganta, cabe ao Presidente do SL Benfica garantir que a desastrosa época de 2017/2018 não se repita, pois há muito em jogo."

Semana (in)tensa

"Exceptuando Vlachodimos, terá convergido, em muitos titulares, a má forma

1. Sete dias passaram entre o momento em que escrevo a minha anterior crónica. E, em tão curto tempo, tanto coisa se passou no nosso futebol.
Começo pela vasta operação levada a cabo pelas autoridades judiciárias e fiscais, chamada Fora de Jogo, sobre eventuais práticas ilícitas nos principais clubes. Espero que, no fim, saia vitoriosa a ética desportiva, doa a quem doer. Mas, neste momento, em que nada sabemos, concordo com as críticas sobre a circunstância habitual, mas ilegítima de, antes de tudo e de todos, haver câmaras de televisão alertadas para estar à boca de cena. É uma prática que não enobrece as autoridades, ainda por cima em semanas difíceis de alegadas ilegitimidades ou ilegalidades no seu seio.

2. O Sporting mudou pela enésima vez de treinador no mandato do actual presidente, mas inovando no modo como o fez, num Portugal sempre diferente e que permite trocas de técnicos entre competidores directos, a meio da época. Quanto ao valor pago (com IVA serão 12,3 milhões!), só posse percebê-lo pela fezada messiânica e pela folgada situação financeira do clube, sobretudo depois de tudo ter feito para vender, por um valor inferior, o seu melhor ponta-de-lança dos últimos anos, Bas Dost. Como, com ironia, dizia um amigo meu, ao transferir-se de Braga para o Sporting, Rúben Amorim abdicou em definitivo da possibilidade de conquistar o terceiro lugar no Campeonato. E sendo o SC Braga o principal concorrente dos leões ao habitual terceiro lugar do pódio, os bracarenses já ganharam 20 milhões a 0 (os 10 milhões e os 10 que o SCP deixa de ter, fora o IVA).

3. Foram conhecidas, também, as contas dos três grandes relativas ao primeiro semestre da temporada e reportados a 31.12.2019. Será talvez assunto a que volte. Por ora, fica este quadro, que quase dispensa comentários:

Situação em 31 Dez. 2019
- milhões de euros
                                                                              SLB  -  FCP    - SCP
Activo .....................................................  609    -  358    -  283
Passivo ..................................................... 385    -  445    -  304
Activo/Passivo ........................................... 158%   -  81%    -  93%
Resultados ................................................. 104    -  -52    -    3  
Capital Próprio ........................................... 223    -  -87    -  -21
Capital Social ............................................. 115    - 112,5  -  67
Excedente
(deficiência de CP em relação ao CS) ................ +94%  - -77% - -31%

Como se vê, o Benfica tem uma posição bem positiva, que até agora jamais havia alcançado. Já o FC Porto e o SC Portugal encontram-se em situação muito negativa. A pior é a do FCP - Futebol SAD: capital social de 112,5 milhões de euros e capitais próprios de 87 milhões negativos, pelo que aquele já foi consumido em mais de metade (77,33%). Por isso, passou a estar sujeito ao estatuído no artigo 35.º do Código das Sociedades Comerciais, que reza assim:
1. (...) Quando metade do capital social se encontra perdido (...) devem (...) os administradores requerer prontamente a convocação de assembleia geral, a fim de nela se informar os sócios da situação e de estes tomarem as medidas julgadas convenientes.
2. (...)
3. Do aviso convocatório da assembleia geral constarão, pelo menos, os seguintes assuntos para deliberação pelos sócios:
a) A dissolução da sociedade;
b) A redução do capital social para montante não interior ao capital próprio da sociedade (...);
c) A realização pelos sócios de entradas para reforço da cobertura do capital.
Estas informações oficiais coincidem com a passagem do FCP para líder do campeonato. Por isso, naquelas bandas, no pasa nada... E; ao contrário, as boas contas do SLB são relevantíssimas, mas como e passou de 1.º para 2.º pouco interessam aos adeptos. O costume no nosso pobre futebol caseiro, com as consequências que, mais tarde ou mais cedo, virão.

4. O Conselho de Disciplina multou o Vitória de Guimarães em 714€ (!), pelo comportamento de parte dos seus adeptos no jogo Marega (embora esclarecendo que essa verba não estava relacionada com os insultos racistas), na mesma semana em que foi conhecida a decisão disciplinar francesa de castigar com 6 meses o português Gelson Martins (Mónaco). Assim se vê a diferença para o que, por aqui, se passa, com clubes a auto-regulamentarem-se corporativa e defensivamente e, depois, a queixarem-se disso mesmo.

5. Por fim, o meu clube, que liderava a classificação, mesmo depois de ter desperdiçado 6 dos 7 pontos de avanço. Nos últimos 8 jogos para várias competições, dos quais 4 na Luz, o Benfica obteve uma única vitória, 4 empates e 3 derrotas, 10 golos marcados e 12 sofridos. Estranho desempenho para uma equipa que parecia segura, tendo tido 16 jogos consecutivos no campeonato em que foi cem por cento vitoriosa. Na minha opinião, em duas das derrotas (Porto e SC Braga), o Benfica não jogou mal e poderia até ter conseguido melhores resultados. Mas, a partir daí, as paupérrimas exibições justificaram os empates e a derrota na Ucrânia. Em Famalicão, conseguiu-se, é certo, o objectivo de chegar à final da Taça de Portugal, com um empate muito sofrido. Na semana passada, foi o que se viu, e é difícil encontrar justificação para tão pronunciada descida de desempenho colectivo. Em Setúbal, repetiu-se uma actuação claramente insuficiente. Exceptuando Vlachodimos, terá convergido, em muitos titulares, a má forma física e mental. Não entendo como, tão subitamente, desaba sobre a equipa uma tristeza, uma lentidão, uma previsibilidade, uma penosidade face a adversários acessíveis. Sei quanto a ausência de dois jogadores pode ter contribuído para isso. André Almeida está léguas à frente ao miúdo Tomás Tavares que, de facto, não tem ainda condições para ter titular do Benfica. Confiemos a formação e felicitamos os seus resultados, mas nem oito, nem oitenta. Acrescem a má forma de Ferro e também de Grimaldo, obrigado a jogar sempre por falta de concorrência. No meio-campo, falta, infelizmente por razões de saúde, o seu cérebro: Gabriel. Dava estabilidade, densidade, capacidade vertical ao jogo e um melhor entrosamento no espaço entre a defesa e os jogadores do meio-campo, que mais ninguém assegura. Se exceptuarmos Taarabt (e pusermos de parte a sua voluntariedade, por vezes, inconsequente e gerando contragolpes dos adversários), ninguém, actualmente, consegue verticalizar os movimentos e criar desequilíbrios.
A notável primeira volta dissimulou alguns problemas do actual plantel. Passado o romance do guarda-redes (felizmente, concluiu-se que Vlachodimos merece ser o escolhido), descurou-se a necessidade de ter quatro centrais à altura do clube, numa época que é muito longa, tendo em atenção a fase naturalmente descendente de Jardel. Na zona central do meio-campo, já houve todas as combinações possíveis, entre Florentino, Taarabt, Gedson, Gabriel, Samaris, Weigl e até Pizzi e Chiquinho, mas nenhuma se fixou e estabilizou naquela zona determinante. No ataque insisto no erro que foi ter deixado sair Salvio. Boa decisão tem-se revelado a entrada de Vinícius. No entretanto, Seferovic tem sido uma sombra do da época transacta. Rafa esteve vários meses fora de combate e tarda em estar em pleno. De Zivkovic, já nem falo, tal é a chulice com que recebe o ordenado mensal. Cervi é de uma vontade indomável, mas o Benfica precisa de mais categoria (e recordo que esteve para ser dispensado por troca com um tal de Caio Lucas, vindo lá das Arábias).

6. Pizzi: um jogador que muito aprecio e que é o barómetro da equipa. Se ele joga bem, a equipa também, se ele está apagado, a equipa ressente-se. Pizzi: o marcador dos penáltis. Longe de mim, crucificar um excelente profissional, que já me deu muitos momentos de alegria. Estou solidário com ele e sei quanto sofre quando desperdiça uma grande penalidade. Nestes dois últimos jogos em que o Benfica beneficiou de quatro penáltis, só um foi convertido (ou dois, se contarmos com uma recarga). Creio eu e pensará ele que se não tivesse falhado o 1-0 contra o Moreirense e o 1-2 no Bonfim, estaríamos ainda na liderança.
Sei que é fácil falar depois de tudo acontecer. Mas bastava olhar para Pizzi para ver quão tenso tem estado nas marcações. Um segundo penálti no mesmo jogo pelo mesmo jogador, em momentos delicadíssimos da época, é sempre um momento de enorme pressão. Seja como na Luz, depois de ter falhado o primeiro, ou em Setúbal após ter convertido a primeira ocasião. Isto não quer dizer que não haja confiança na marcação por Pizzi, mas talvez tivesse sido prudente ter mudado de marcador da segunda falta.
Aliás, este campeonato pode ficar marcado pelas penalidades falhadas. As do Benfica, as do FCP, na derrota contra o Braga, que, se convertidas, provavelmente teriam dado a vitória aos portistas (e, para contrariar o que atrás referi, neste caso até mudaram de marcador no segundo penálti...). E até a do ex-portista e agora portimonense Jackson Martínez, que, pela sua reacção imediata, são se terá maçado muito com tal falhanço.

7. Soares Dias, o iluminado, no penálti contra o Benfica no Dragão e na indiferença diante de agressão de Pepe. Soares Dias, o infiel, no penálti que não marcou a favor do Porto contra o Rio Ave. No 1.º caso, um silêncio ensurdecedor, no 2.º caso um berro ordinário do tamanho da Torre dos Clérigos."

Bagão Félix, in A Bola

É sempre o mesmo

"Pela proximidade dos jogos (Benfica-Moreirense e FC Porto-Rio Ave) deu muito nas vistas. Não me refiro aos erros dos árbitros, mas ao aproveitamento que deles se faz

Na jornada 23, o Benfica recebeu e empatou com o Moreirense a um golo, enervando os seus adeptos com medíocre desempenho. No entanto, por volta do minuto 61, explicou o antigo árbitro e comentador Pedro Henriques, em A Bola TV, que ficara um penálti por marcar a favor da águia. Na conferência de imprensa, Bruno Lage deu a seguinte resposta: «Nunca comentei lances e não será agora, que estamos sem vencer».
A propósito do mesmo lance, em oito linhas, escreveu Duarte Gomes, no seu espaço O árbitro de A Bola, o seguinte: «Rosic pisou, com o pé direito, o pé esquerdo do recém-entrado Dyego Sousa (...). Ficou pontapé de penálti por assinalar favorável à equipa visitada».
... E o Benfica perdeu a liderança, o árbitro realizou um «trabalho globalmente positivo», ainda segundo Duarte Gomes, mas o penálti que devia ter sido marcado e não foi depressa se varreu para debaixo do tapete.
Na jornada 24, o FC Porto recebeu e empatou com o Rio Ave, oferecendo aos seus adeptos uma actuação esforçada, mas pouco clarividente. No entanto, à passagem do minuto 56, Pedro Henriques, no programa de televisão A Bola de Sábado, identificou e fundamentou, com a clareza explicativa que o distingue dos restantes, um penálti por assinalar a favor do dragão.
Na conferência de imprensa, Sérgio Conceição deu o espectáculo que todos viram. Utilizou um discurso com ar esgazeado. Ao falar com falou e ao descarregar a sua ira na figura do árbitro, por acaso o mesmo que dirigiu o último FC Porto - Benfica, apenas reforçou a opinião de Justiça que, em entrevista à SIC, considerou que o futebol vive em ambiente de suspeição permanente e generalizada.
Sobre o mesmo lance, com direito a título («Erro com influência»), escreveu Duarte Gomes na edição de domingo, em A Bola (pág. 16), o seguinte: «Aderlan, já na sua área, chegou tarde e derrubou Marega (...). A infracção foi clara e óbvia (...). Soares Dias seguiu a trajectória do remate e terá, por isso, perdido esse instantâneo. Competia ao VAR dar-lhe a ajuda que se exigia».
... E o FC Porto não foi capaz de distanciar-se do Benfica em 100 minutos, mas o seu treinador foi célere em proclamar que o árbitro teve influência no resultado.
Duas situações idênticas no período de uma semana, envolvendo os dois candidatos ao título, dois resultados e dois lapsos idênticos, embora com tratamentos diferentes, a indicar que há erros de segunda (o da Luz) e de primeira (o do Dragão): sem importância no caso do Benfica, como se nenhuma influência pudesse ter no resultado final, escandaloso no caso do FC Porto, ou até mais do que isso, como se pode intuir do desatino de Conceição.
Dúvida minha: sei de práticas antigas e de vícios enraizados, mas será que insinuar, intimidar e fazer? Quero acreditar que não, mas o treinador do FC Porto deve pensar que sim. De outro modo não teria dito o que disse antes e depois do jogo com o Rio Ave. Ou será que, na perspectiva de especialistas e similares, erros na não marcação de penáltis são para esquecer se o lesado for o Benfica e, por outro lado, justificam tamanha gritaria se o prejudicado for o Porto? Ou porque o treinador de um é urbano no trato e coerente na palavra e o treinador de outro ferve em pouca água e quanto a coerência é consoante o jeito que lhe dá?
Há dois pesos e duas medidas, mas desta vez, pela proximidade dos jogos, deu muito nas vistas. Não me refiro, em concreto, aos erros de arbitragem, mas, sim, ao ignóbil aproveitamento que deles de faz. Olha-se em redor, e é sempre o mesmo.

A crise de resultado no Benfica é evidente, tendo esgotado o estado de graça de Bruno Lage e a paciência dos adeptos.
Sérgio Conceição deveria estar-lhe grato (à crise encarnada), pois foi nela que respaldou para no espaço de três jornadas chegar a líder isolado, prazer que neste campeonato ainda não tivera oportunidade de desfrutar. O que suscita, porém, outra questão e que tem a ver com a deficiente capacidade afirmativa portista em face da pronunciada e demorada quebra benfiquista. De aí, o descontrolo provocado pela empate diante do Rio Ave, impeditivo da descolagem esperada e que corresponderia a uma vantagem que daria ao Porto irrecusável conforto. Enquanto o Benfica andar a fazer de conta, Conceição terá a situação controlada, mas estes apagões nas equipas aparecem tal como desaparecem, quando menos se espera...
Com 30 pontos em discussão e, na teoria, com o calendário menos problemático, será altura de Bruno Lage começar a ver filmes para adultos e deixar-se de conversas inócuas e de comportar-se como paizinho dos jogadores a quem tudo se perdoa; aliás, os mesmos erros de Rui Viória e que conduziram à perda do título em 2018 e à sua saída meia dúzia de meses depois.
Lage precisa de inverter a situação fazendo o que tem de ser feito, que é pôr a equipa a ganhar, exigindo-lhe mais coragem e aplicação. A qualidade do plantel não é a desejável, mas é suficiente para não facilitar um centímetro que seja nas dez jornadas por disputar. O problema é que o próprio treinador tem-se enredado nos equívocos por ele gerados, contribuindo para que o colectivo pareça mais fraco do que na realidade é.
A lesão de Gabriel representa um dano irreparável, mas talvez com menos Taarabt se descortine solução com mais cabeça e se recupere a estabilidade que tem faltado. Além de, aproveitando como último exemplo o jogo no Bonfim, lage deve colocar ponto final na iniludível pouca disponibilidade de alguns elementos em tarefas de sacrifício: se querem ter bola é preciso lutar por ela e não temer nem os duelos, nem os contactos físicos."

Fernando Guerra, in A Bola

PS: O principal erro do Benfica - Moreirense, nem foi o penalty sobre o Dyego, foi o golo anulado ao Pizzi: Duarte Gomes e Pedro Henriques reconheceram nas suas crónicas que nenhuma imagem demonstrou que a bola tivesse tocado no 'braço' do Pizzi, sendo assim, é inexplicável como é que o VAR inverteu a decisão da validação do golo, tomada em campo...
Também é fácil dizer que os jogadores não podem temer os contactos físicos, quando são agredidos repetidamente durante 90 minutos, sem qualquer consequência disciplinar para os adversários!

Novas de medida de prevenção e contingência

"No âmbito das medidas preventivas e de contingência à propagação da COVID-19, e na sequência do processo de rigoroso acolhimento e implementação das decisões e recomendações provenientes da Direcção-Geral da Saúde e demais organismos e entidades oficiais, a Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD e o Sport Lisboa e Benfica informam sobre o conjunto de novas medidas que hoje foram determinadas:
1 – Todos os jogos das modalidades seniores femininas e masculinas que se realizem nas instalações do SL Benfica, até data a comunicar oportunamente, serão realizados à porta fechada;
2 – Todas as actividades desportivas dos escalões de formação de todas as modalidades (incluindo as Escolas de Futebol) serão suspensas até data a comunicar. Reiteramos que sempre que se justifique actualizaremos toda a informação."

Benfica Podcast #357 - Quaranteamed

As Águias #56 - Últimas...

Play: Futsal... Taça da Liga...

Única prioridade conter o Covid-19

"Só decisões extraordinárias podem resolver problemas extraordinários e é nesta proporcionalidade que radica a aceitação de todas as medidas que estão a ser colocadas em prática para conter o Covid-19, à escala global.
O desporto, agregador de massas e veículo potencial de propagação do novo coronavírus, tinha, forçosamente, de ver com as suas manifestações limitadas e a sensação que fica é a de que medidas mitigadoras, como fazer jogos à porta fechada, serão, em breve, substituídas pela suspensão de competições, até estarem repostas condições de segurança para a saúde pública.
E não valerá muito a pena clamar contra incómodos e prejuízos, porque em causa está um bem superior. A economia, na qual o dinheiro nunca desaparece, passa, quanto muito, de uns para outros, encontrará, como sempre, o seu caminho para sair da espiral negativa provocada, desta feita, por uma pandemia (em 2008 o vírus chamou-se Lehman Brothers...) e os espíritos lúcidos devem chegar-se à frente e, com o pragmatismo do Marquês de Pombal depois do terramoto, preparar o day after desta crise.
Numa altura destas, a única coisa realmente importante é o que nos une e nos pode ajudar a recuperar a normalidade, tão cedo quanto possível. E é perante a dimensão desta ameaça que nos apercebemos, cristalinamente, como são ridículas e pequenas as guerras de alecrim e manjerona que ocupam larga fatia do espaço mediático do desporto português. Mas já Einstein os topava à légua: «Duas coisas são infinitas, o Universo e a estupidez humana. E ainda não estou absolutamente certo quanto à primeira»."

José Manuel Delgado, in A Bola

Cadomblé do Vata (Inter-Turmas!!!)

"Venci uma vez o Torneio Inter Turmas de Futebol de 5 da C+S de Almancil. Aconteceu no 9º ano e na verdade, o mérito deve ser atribuído a quem no início do ano escalonou as turmas. Juntaram numa só sala o Moita, o Landim, o Miguel, o "Jorinho", o Flavinho, acho que o Fábio, talvez o Acácio e mais uns quantos que à distância de quase 25 anos, não recordo e a partir daí, era só uma questão de iniciar o torneio. Não só éramos melhores, como também mais velhos, portanto foi natural que tenhamos vencido a final contra a equipa do Alentejano e do Pelé, que salvo erro tinha na baliza o Francisco, que podia ser o "Chico Gordo" mas não era.
Os jogos inter turmas não ocorriam apenas sob a oficialidade do torneio. Aconteciam durante todo o ano nos intervalos, horas de almoço ou faltas de professores. Mas debaixo da organização dos professores de Educação Física era diferente. utilizávamos os balneários para trocar de roupa e tomar banho no fim, o jogo era cronometrado, as balizas tinham redes e grande número de alunos acorriam ao cimentado que atravessava dois campos de basquetebol para assistir à partida, formando um anel humano em redor do rectângulo mágico, com as raparigas de ambas as turmas rivais, a fazerem o papel de histéricas de serviço, entre 3 cigarradas às escondidas.. Durante 1 hora os imberbes jogadores que lá dentro corriam, chutavam, defendiam e festejavam golos "à profissional", tinham os olhos da escola em cima deles... e sorviam alegremente cada segundo de atenção.
O futebol à porta fechada são jogos no intervalo das 10h20 às 10h35. Umas corridas rápidas, meia dúzia de pontapés, um guarda redes improvisado que nem ao chão vai, um resultado que ninguém vai apontar e uma angústia final de terminar a tempo de chegar à sala antes do 2º toque. Só não é mais estúpido, porque nos relvados profissionais, os atletas não correm o perigo de se cruzar com matulões de Reebok Pump nos pés, a jogar ao 31 no garrafão da tabela de basquete."

quarta-feira, 11 de março de 2020

COVID-19 e algumas ideias

"Os jogos do campeonato vão ser realizados à porta fechada, o que faz todo o sentido. Mas é possível acrescentar medidas em cima desta para precaver situações complexas.

O anúncio de que as partidas dos campeonatos profissionais se vão realizar sem adeptos nas bancadas por questões de saúde pública é lógica e aplaude-se. É verdade que os números do novo coronavírus em Portugal ainda são residuais (e muito), mas o exemplo italiano deve ser olhado com preocupação. O que se percebe é que a doença está sob controlo quando há condições para isso. Ou seja, quando o número de infectados começa a disparar, os hospitais começam a ter problemas em mantê-la sob controlo devido à falta de meios, e nesse caso a situação passa a ser alarmante.
É por isso perfeitamente natural que se opte por evitar grandes aglomerados de adeptos nos estádios portugueses, e aplaudem-se também as medidas concretas no Campeonato de Portugal (com jogos também à porta fechada). A saúde pública assim o exige, e como se sabe, mais vale prevenir que remediar.
No entanto, parece-me pertinente abordar sucintamente mais duas questões relacionadas com este assunto.
Li nas redes sociais um militante de um partido político (que eu muito respeito e valorizo) fazer uma sugestão que eu subscrevo na íntegra: para «compensar» o facto de os jogos serem à porta fechada e sem adeptos, a SportTV poderia ter a iniciativa de transmitir os mesmos em sinal aberto. E defendo-o por dois motivos: primeiro, porque se pede, e bem, um conjunto de «sacrifícios» aos cidadãos portugueses, apelando à colaboração para evitar um cenário como o de Itália. E, por isso, ficaria bem a um dos principais players do futebol português mostrar que também está do lado dos adeptos nesta fase de alguma indefinição e receio social.
Ao mesmo tempo, é evidente que, ao fechar os jogos ao público, poderá existir uma concentração acima do habitual de adeptos em cafés, bares e restaurantes, numa tentativa de não deixar de ver o jogo da sua equipa. É expectável que nos jogos dos três grandes, de clubes como o Vitória (Guimarães e Setúbal), Boavista, Braga ou Marítimo, nas respectivas cidades exista também uma procura acima do habitual em espaços comuns para assistir aos jogos. E esse é um cenário que deve ser precavido: a colaboração do detentor dos direitos de transmissão seria fundamental e nobre.
Ao mesmo tempo, não me parece descabido optar por adiar os jogos para as próximas semanas. É verdade que os riscos seriam mais baixos, mas uma competição sem adeptos é uma competição entristecida, com pouca chama, e nas imagens daqueles jogos à porta fechada, ficaria evidente uma ferida que resulta de uma preocupação generalizada com a saúde de todos - e também com a memória a apontar para o que se passa em Itália e noutros países. Se for necessário adiar o Euro 2020 para o próximo ano, de forma a permitir paragens nos campeonatos, assim seja. Volto a frisar, o futebol será sempre a coisa mais importante… entre as coisas menos importantes. Sem alarmismos, sem histeria, mas a olhar objectivamente para o que poderá ter corrido mal noutros pontos do globo, e estar um passo à frente. Todos compreendem, seguramente.

PS - partilho aqui um documento muito completo, elaborado por vários especialistas da Organização Mundial de Saúde, que analisaram de forma detalhada e aprofundada os doentes com COVID-19, de forma a fazer um retrato mais preciso desta doença. Aqui fica o link para download e leitura: 
https://www.who.int/docs/default-source/coronaviruse/who-china-joint-mission-on-covid-19-final-report.pdf"

O país de Ali Babá e os 40 ladrões

"Este país da bola faz-me lembrar, às vezes, as Noites da Arábia! Só que, em vez de camelos e árabes de cimitarra em riste, temos carros da GNR transportando polícias de Glock à cintura, e inspectores do Fisco! Uma autêntica invasão aos "tabernáculos" de presidentes, agentes e jogadores!

E procuram o quê? Não será melhor perguntar ao Rui Pinto? E, como agradecimento, conservá-lo atrás das grades?
Operação Fora de Jogo. Boa malha, este título!
Nesta última semana houve grandes momentos de alta comédia: - O discurso de Jorge Jesus em "portunhol". Hilariante! Grande cómico! - O palavreado de alguns "paineleiros" sobre o golo anulado pelo offside dos 3cm! Dizia um: "Acho que o limite devia ser 15cm!". Dizia o outro: "Então, e se acontecer aos 16, discutimos 1 cm? - O Sporting-Aves vi na televisão, em casa. Foi de adormecer. Mais eficaz do que dois Valium! O jogo foi salvo pelo seu momento pornográfico! Luís Fernando agarra Wendel pelos calções, e este fica com os genitais à mostra! Já estou a ver André Ventura a propor, no Parlamento, um novo decreto-lei: "Srs. deputados: aquele badalo do jogador do Sporting foi uma indecência para os nossos olhos, muito mais grave do que ver um cigano a fazer striptease! Proponho cuecas de alumínio para os jogadores do Sporting!
O presidente do meu clube bateu o recorde mundial de contratação de treinadores para uma equipa de futebol no mais curto espaço de tempo: Peseiro, Tiago Fernandes, Kaiser, Leonel Pontes, Silas e Rúben Amorim! Varandas deve estar já a preparar uma lista de 10 treinadores para a próxima temporada!
Agradeço a Luís Filipe Vieira o seu afecto demonstrado ao Sporting Clube de Portugal, ao proferir, no seu discurso, a frase do leão: Esforço, Dedicação (esqueceu-se de Devoção) e Glória! Depois do F. C. Porto e do Alverca, nunca pensei que L.F.V. fosse uma melancia ao contrário: vermelha por fora, verde por dentro. O autor daquele texto já deve ter sido despedido.
Depois de semanas e meses a levar com a Rosa Grilo, de manhã à noite, agora é o coronavírus e o regresso do Jorge Jesus ao Benfica. Já não sei qual é o maior vírus, se a Grilo, se o Jesus, se o Corona!"

Fechar as portas sem correr os taipais

"Numa medida esperada, Portugal alinhou pela Europa e tomou a decisão de realizar à porta fechada todos os jogos dos campeonatos profissionais.

Claro que há factos relevantes na actividade desportiva deste começo de semana. Desde logo o regresso da Liga dos Campeões Europeus marcado fortemente pelo afastamento da competição da equipa comandada por José Mourinho, ficando apenas por se saber que consequências advirão de tão desastrosa participação.
Do mesmo modo, e ainda no tocante à Champions, o embate de logo à noite em Liverpool, onde o Atlético de Madrid vai lutar pela sua sobrevivência na prova. Partindo em vantagem para o jogo, ainda que escassa, e dada a fragilidade aparente na equipa de Klopp, a reaparição de João Félix pode vir a tornar-se num bom tema para o resto da semana.
Para além disto, e de mais um punhado de questões pouco relevantes, são os efeitos do Coronavírus que absorvem todas as preocupações, também da actualidade desportiva.
Numa medida esperada, Portugal alinhou pela Europa e tomou a decisão de realizar à porta fechada todos os jogos dos campeonatos profissionais.
Numa altura em que essas provas entram em fase de decisão, a medida pode originar grandes perturbações de ordem diversa. De forma célere, já ficou assente, sem surpresa, quem poderá estar nos jogos que vão ter lugar já no próximo fim-de-semana. Um número restrito, compreensivelmente. 
Quanto aos prejuízos, são vários, em especial de ordem económica. E atingindo, sobretudo, os clubes de menor dimensão que estariam à espera das receitas nos desafios nos seus estádios frente às equipas grandes, sempre o salvatério financeiro da maior parte deles.
Veremos por quanto tempo vai ser necessário continuar com as medidas agora adoptadas.
As datas começam a escassear e, não se pode esquecer, temos no horizonte o Campeonato da Europa, com o risco de não ser possível concretizar."

VAR: ajuda à arbitragem ou à arbitrariedade?

"O VAR é para ajudar e não para estragar. Para dar mais transparência e não mais opacidade ao processo de decisão. O Benfica já viu um golo anulado por 4cm e o FC Porto por 3cm. É fim do futebol.

muito pouco tempo atrás não haveria ninguém que imaginasse que um jogo de futebol pudesse estar 6 minutos parado para se apurar um fora de jogo. Para quem, como eu, jogou e vê futebol há muitos anos, o facto de serem necessários 6 minutos para se confirmar se existiu ou não fora de jogo seria razão mais do que suficiente para se concluir que não houve fora de jogo.
Era uma regra que tinha como principal objectivo evitar que os jogadores se colocassem, como se dizia, “à mama”. Para estas pessoas é muito difícil aceitar que um jogador seja considerado nessa condição quando está 3cm à frente de um adversário. E mesmo que fossem 30 centrimetros, ou, até, 1 metro.
As tecnologias (VAR) vieram para ajudar e aperfeiçoar a arbitragem. Para mostrar imagens de lances que os árbitros não puderam ou não conseguiram ver, ou imagens que os sentidos humanos, no caso a visão, não conseguem discernir em quaisquer circunstâncias. E ainda bem que vieram.
Mas, como se costuma dizer, há limites para tudo, até para a tecnologia. Estamos a falar de imagens registadas a 24 frames por segundo! Para se definir uma linha é necessário optar por um deles. Penso que ninguém terá dúvida nenhuma de que quer no frame anterior quer no frame seguinte ao escolhido a percepção será a de que a bola ainda estará “colada” a bota do jogador que rematou ou fez o passe. Qual escolher?
Os 3 centrímetros podem não significar rigor ou verdade. Pelo contrário, podem significar uma opção, uma arbitrariedade. Em quaisquer dos casos a opção não é escrutinável pelo público, a menos que o VAR passe a divulgar os vários frames e, consequentemente, explique a sua escolha. Que absurdo, louvado seja Deus!
O futebol é mesmo mal governado. Com honrosas excepções, é governado por pessoas que, talvez por serem demasiado apaixonadas por ele, ficam com o espírito toldado, o que os leva a maltratá-lo.
Não seria de bom senso definir uma margem de segurança? Uma margem que permitisse o esclarecimento em 30 segundos? Que não exigisse recorrer à unidade de medida “frame”?
Veja-se, entre muitos outros que se poderiam dar de outras modalidades, este exemplo do andebol. É uma modalidade de que gosto muito e que acompanho com regularidade. Há muito tempo que tinha a percepção de que quando os pontas rematam do canto já têm um pé no chão. Por curiosidade, dei-me ao trabalho de, parando e avançando imagens do meu televisor (recorrendo aproximadamente aos frames), de verificar a minha teoria. Não há dúvida nenhuma: na esmagadora maioria desses remates quando a bola sai da mão do jogador já o pé está no chão, portanto em violação da área dos 7 metros. 
A diferença é que quem governa esta modalidade tem bem mais bom senso do que os seus colegas do futebol e, portanto, tratam bem melhor da sua paixão. Como estamos a falar de fracções de segundo, no andebol dá-se uma margem de segurança. Caso contrário, como iriam decidir? Recorrer ao VAR sempre que um ponta remata do canto? Trinta ou quarenta vezes por jogo? A seis minutos por cada remate?
O VAR é para ajudar e não para estragar. Para dar mais transparência e não mais opacidade ao processo de decisão. O Benfica já viu um golo anulado por 4cm e o FC Porto por 3cm. Não duvidem que com 10 ou 12 minutos de espera ainda vamos assistir a foras de jogo de 1cm e … ao fim do futebol."

Corrupção no Futebol

"Está a ser julgado a antiga glória do futebol alemão, um dos poucos na história do futebol que ganhou o campeonato mundial como jogador e como treinador, Franz Beckenbauer na qualidade de presidente do Comité organizador do Campeonato do Mundo de 2006. Ninguém está acima da Lei.

O mundo do futebol com as suas regras próprias, com os seus silêncios, com os contratos internacionais assinados em países ultra liberais, com as entidades (empresas, fundos e outros veículos), detentoras das acções da SAD e dos direitos dos jogadores, sediadas em offshores, com uma multitude de agentes, e intermediários comissionistas, com toda uma imensa circulação de dinheiro por paraísos fiscais, constitui-se como um campo em que medraram das mais feias e persistentes ervas daninhas da corrupção, da fraude e da concorrência desleal.
Em alguns países a justiça organiza-se para combater os fenómenos criminosos do submundo futebolista, noutros a corrupção reina impune mesmo quando as provas são públicas e claras – quem não se lembra das gravações associadas ao caso Apito Dourado? Esta semana começaram na Suíça, os processos contra os principais responsáveis da poderosa Federação Alemã de Futebol acusados de usar a corrupção e a fraude para conseguirem os votos necessários para ganhar a organização em 2006 do Campeonato do Mundo de Futebol. Recordemos que a Alemanha venceu a votação para país organizador apenas por um voto, tendo a África do Sul ficado em segundo lugar.
No banco dos réus sentam-se Urs Lins o antigo secretário-geral da FIFA, os antigos presidentes da Federação Alemã de Futebol (DFB) Wolfgang Niersbach e Theo Zwanziger e ainda o antigo secretário-geral da DFB Horst R. Schmidt.
Num processo separado está a ser julgado a antiga glória do futebol alemão, um dos poucos na história do futebol que ganhou o campeonato mundial como jogador e como treinador, Franz Beckenbauer na qualidade de presidente do Comité organizador do Campeonato do Mundo de 2006. Ninguém está acima da Lei.
Na Alemanha os mesmos indivíduos estão acusados de crime de fraude fiscal.
Em causa está um saco-azul de quase 7 milhões de euros que oficialmente teria sido usado para pagar a cerimónia de abertura do Campeonato mas que suspeita a justiça teria servido para comprar votos. 
Uma Justiça cega, que não olha a títulos nem a cargos, é importante para combater a corrupção e a fraude. Um processo a seguir pelas autoridades judiciais portuguesas. Para saber como organizar uma acusação sólida, bem fundamentada, condenar os prevaricadores: E não os deixar descansados sabendo de ante mão que nada nunca lhes acontecerá, como num país à beira-mar plantado."

Música...!!!

Tribuna de Honra - 24.ª jornada...

O contributo do desporto para inclusão social

"Como categoria de análise sociológica e filosófica, a noção de vulnerabilidade é complexa. Nas últimas décadas, esta noção conheceu uma certa projecção, partindo das ciências biomédicas e ambientais (a gestão de riscos naturais), para ganhar, progressivamente, o campo das ciências sociais e, mais amplamente, no discurso político-mediático, prestando-se a uma certa confusão. A vulnerabilidade corresponde a uma fragilização. A noção de grupos vulneráveis faz referência a questões sociais, relacionadas com: a idade, o sexo, a condição social económica, a etnia, a condição física, a condição psicológica, entre outras. No âmbito das vulnerabilidades, encontramos a exclusão social e a pobreza.
O desporto tornou-se uma espécie de “palavra mágica” em todos os domínios. Ele é chamado a contribuir no processo de inclusão social. Mas, não existem resultados tangíveis sobre a integração e/ou inserção social pelo desporto. Certos autores avançam que o poder de integração através do desporto e das actividades físicas é real. Outros autores consideram que é mais simples e menos oneroso ocupar os jovens do que se dedicar a resolver o verdadeiro problema da pobreza, do desemprego e de outros défices em modelos de identificação. O desporto destinado a ocupar os jovens, no sentido de evitar que eles façam asneiras, encontra-se incluído nas estratégias de prevenção destinadas à “ineficácia”, nomeadamente no quadro da “regulação da delinquência”. Apesar de existir um consenso geral sobre as potencialidades do desporto na criação de redes de sociabilidades, a exclusão no desporto continua a manifestar-se. As políticas desportivas europeias têm definido orientações para a promoção do desporto inclusivo, nomeadamente com o financiamento de projectos. Em termos académicos, o tema é marginal. É um novo campo de investigação. Em forma de conclusão, podemos atribuir três estatutos ao desporto:
1) O desporto como finalidade em si. Certos profissionais consideram que o desporto não visa lutar contra o desemprego ou os problemas de saúde. Ele é considerado como uma prática cultural que importa que todos tenham acesso. E aqui pode-se falar de inclusão pelo desporto mais do que inclusão social pelo desporto.
2) O desporto como um meio de captar o público. Neste caso, os profissionais fazem do desporto um instrumento, e não uma finalidade, permitindo um compromisso com o acompanhamento social necessitando de outros suportes. Pode ser utilizado pelos trabalhadores sociais junto de públicos jovens problemáticos.
3) O desporto como uma ferramenta de transformação do indivíduo. Esta perspectiva, mais ambiciosa, consiste em levar o indivíduo a praticar uma modalidade desportiva, susceptível de o transformar. Esta transformação pode incidir sobre:
a. O seu lugar social. Trata-se de integrar ou de inserir (o desporto pode inserir profissionalmente);
b. As disposições sociais. Trata-se de educar, de socializar (o desporto pode ajudar na reconstrução da autoestima, na relação com as regras, normas);
c. A conformidade com o que se espera do mundo social. Aqui, trata-se de controlar ou disciplinar (o desporto pode ajudar na luta contra o desinteresse profissional (temos as corridas promovidas pelas empresas, reforçando a coesão das equipas)."

Prevenção

"Ontem, como se sabe, foi decretado que os jogos da 25.ª jornada das competições profissionais de futebol sejam disputados à porta fechada.
Além da inibição da presença de público nos estádios, a Liga decidiu manter a suspensão do cumprimento inicial de aperto de mãos entre as equipas e equipa de arbitragem e não autoriza a presença de crianças a acompanhar a entrada das equipas no relvado.
O acesso aos estádios será restrito a jogadores, equipas técnicas e equipas de arbitragem, órgãos sociais dos clubes, pessoas com funções técnicas relacionadas com a organização do jogo, num máximo de 100 (por exemplo, apanha-bolas, pessoal de manutenção do campo, limpeza, piquetes), delegados da Liga e das equipas, directores de campo, segurança e imprensa com funções em jogo, médico do controlo antidoping e emergência médica, bombeiros, autoridades de segurança pública e privada, elementos da Liga, representantes dos órgãos de comunicação social e elementos necessários para garantir a transmissão radiofónica e televisiva em directo dos jogos.
A realização das conferências de Imprensa pré e pós-jogo fica ao critério dos clubes, uma vez que não estão regulamentadas.
Também o Sport Lisboa e Benfica, na sequência das recomendações e decisões da Direcção-Geral de Saúde, das Federações e Ligas das diferentes modalidades desportivas, adoptou medidas de prevenção e contingência que divulgámos ontem em comunicado, mas que importa recordar:
1 - Adiamento da corrida “Benfica – António Leitão” programada para dia 5 de Abril para data a anunciar oportunamente e suspensão imediata das suas inscrições;
2 - Encerramento dos complexos de Piscinas e Ginástica sediados no Estádio da Luz;
3 - Suspensão das visitas ao Estádio da Luz, Museu Benfica Cosme Damião e Benfica Campus, no Seixal, por tempo indeterminado;
4 - Suspensão de todos os eventos empresariais e institucionais nas instalações do Estádio da Luz;
5 - Realização à porta fechada, de acordo com as indicações da Liga Portugal, do próximo jogo SL Benfica-Tondela referente à 25.ª jornada, bem como dos jogos das equipas de Futebol de Sub-23 e Equipa B;
6 - Não realização das conferências pré e pós-jogo, por parte do treinador Bruno Lage, relativas a esse jogo, sendo que apenas fará declarações à BTV, na sexta-feira, e na “Flash Interview”, no sábado, logo após o final do jogo;
7 - Suspensão temporária de toda a actividade desportiva dos escalões de formação de futebol, cujas competições foram suspensas pela Federação Portuguesa de Futebol e Associação de Futebol de Lisboa;
8 - Suspensão imediata da venda em bilhética para todas as competições e modalidades;
9 - Adopção de medidas que garantam todos os direitos sobre eventuais ressarcimentos de ingressos já adquiridos sobre actividades e jogos das diferentes modalidades suspensos ou realizados à porta fechada.
Tendo em conta o que se está a passar, todas estas medidas de prevenção e contingência constituem-se como um bem necessário para a saúde de todos, sem alarmismos e com elevado sentido de responsabilidade."

Benfiquismo (MCDLXVIII)

Paris!!!

Sei o que não fizeste o Verão passado

"Podemos justificar o futebol paupérrimo que o Benfica tem apresentado com equívocas tácticos, erros estratégicos, com lesões e declínio de forma de alguns jogadores-chave. Certamente, todos estes factores têm contribuído para as más exibições e piores resultados. Contudo, a explicação de fundo é outra.
Tal como aconteceu na época em que o Benfica perdeu o penta, o planeamento desta temporada foi descuidado e, uma vez mais, deixou entrever alguma soberba na política desportiva. Só isso pode explicar que, numa fase decisiva não exista solução alternativa, minimamente competitiva, para nenhuma das cinco posições da defesa. Se é assim com campeonato e Taça, imagine-se o que seria se fosse para levar a sério a tão propalada ambição europeia. Como bem demonstram os extraordinários resultados financeiros, o problema não é falta de recursos. Logo, terá de ser outro.
Há, desde logo, um padrão. Nas últimas temporadas, de cada vez que o Benfica perde um jogador fundamental, demora-se demasiado tempo a encontrar um substituto. No ano do tetra saíram Ederson, Lindelof e Nélson Semedo e foi preciso esperar pela temporada seguinte para contratar Vlachodimos, ainda não se contratou um substituo para a lateral direita e nos centrais recorreu-se, com sucesso desigual, à formação. Aliás, o padrão é mesmo esse: o Benfica olha para o Seixal primeiro. E faz bem em fazê.lo. Só que não pode ficar paralisado quando manifestamente não há na formação jogadores de qualidade prontos para a equipa principal.
Ainda mais extravagante é a directriz não escrita que recomenda que nunca, em circunstância alguma, se invista significativamente em defesas (a excepção na última década foi Morato - que claramente ainda não está preparado para outros voos). Ora, não é necessária particular astúcia para se compreender que contratar defesas não só era necessário desportivamente como, aliás, até é um investimento que recompensa financeiramente (pense-se nas vendas de David Luíz, Lindelof e Nélson).
Além do mais, este ano, contra todas as evidências, não se procurou um substituto para Jonas e João Félix (dois jogadores determinantes na manobra ofensiva). De facto, o Benfica investiu quase 40 milhões em De Tomas e Vinícius, avançados de perfil bastante diferente. Só que, entretanto, Lage manteve o sistema que dependia de Félix (e, antes dele, de Jonas). A consequência tem sido evidente: não mais o Benfica se encontrou em organização ofensiva e estamos em Março e já foram testadas todas as possíveis combinações possíveis do meio-campo para a frente.
Como o último fim de semana deixou claro, o título está completamente em aberto. Mas, como ficou também evidente, o Benfica não lidera este campeonato porque não soube ou, pior, não quis planear a época no Verão."

Será que ele estava a falar do penalty sobre o Dyego?!!!

Perdeu a voz !!!

"Depois de um ataque directo e despropositado de Luciano Gonçalves, presidente da APAF, ao Sport Lisboa e Benfica, por este sugerir – árbitros estrangeiros - algo que está previsto no regulamento, temos o mesmo líder, em silêncio absoluto, sobre as graves declarações do FC Porto e seu presidente.
Feitas as contas, nada de novo.
A vassalagem de sempre perante o #PortoaoColo. Afinal, é o poder que nunca deixou de ser!"

Luís Bernardo dixit...

"Jogo com o Tondela à porta fechada
“O Benfica e a Benfica SAD têm estado a acompanhar a todo o momento as recomendações da Direcção-Geral de Saúde (DGS), da Liga e Federações das diversas modalidades, e têm vindo a implementar as acções para irem de encontro às recomendações, nomeadamente – soube-se nas últimas horas – desta recomendação da realização da próxima jornada à porta fechada. É o que está a ser trabalhado para sabermos quem pode ou não estar presente, em termos profissionais e não público, pois isso é impossível, mas também estamos a analisar o processo de ressarcir quem comprou o bilhete previamente ou os detentores de Red Pass para que possamos dar toda a informação nas próximas horas. Estamos a falar de futebol e das outras modalidades, porque temos diversas situações. Temos as competições suspensas nas próximas duas semanas – camadas jovens –, os jogos adiados e os jogos à porta fechada. Estamos, ainda, em reuniões para perceber se, em termos preventivos, deveremos adoptar medidas mais restritivas.”
“Consequências há sempre: financeiras e outras. A prioridade para toda a comunidade é criarmos medidas de contingência para que o vírus não se alastre. Grandes concentrações podem motivar isso. Temos de estar conscientes da gravidade da situação, mas sem alarmismo. Ainda assim, temos de tomar as medidas adequadas definidas pela DGS, pela Liga e pelas federações, porque todos os clubes têm de obedecer às regras das entidades que supervisionam as competições.”

Suspensão da venda de bilhetes
“De imediato, foi suspensa a venda de bilhetes para os jogos aqui [Estádio da Luz] realizados. Cada clube adotará as suas medidas, por forma a satisfazer as recomendações. Em relação a outras medidas, nas próximas horas vão ser analisadas para se tomarem decisões. Tendo em conta a dimensão do Benfica, a tempo e horas, os próprios Recursos Humanos adoptaram um conjunto de procedimentos adequados por forma a evitar a propagação. Até agora não há casos conhecidos.” 

Contas históricas da Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD
“Efectivamente há um resultado extraordinário de 104,2 milhões de euros [lucros], que vem na sequência de um trabalho realizado a médio/longo prazo, e que ao longo dos anos tem permitido ciclos de resultados positivos do ponto de vista financeiro. É claro que este semestre beneficiou da venda histórica de João Félix. De qualquer maneira há aqui um trajecto muito sólido. O Benfica marca pela diferença e esperamos que outros clubes – nomeadamente os nossos rivais – possam aproveitar o nosso exemplo para adoptar medidas de médio/longo prazo que lhes permita recuperar da situação mais difícil em que se encontram. Ao nível do futebol português, já se vê clubes, que não têm a dimensão dos grandes, a realizar um trabalho profundo e estruturante, de médio/longo prazo e sem entrar em loucuras, que lhes permite ter bons resultados. O efeito prático destes bons resultados é aquilo que permite, em termos de estrutura, ao nível de infraestruturas, de Recursos Humanos e de qualidade de plantel, fazer outros investimentos e encarar o futuro com muito optimismo.”
“Isto está assente num plano estratégico desde há 15 anos que teve várias fases. Uma 1.ª fase de recuperação do Clube, uma 2.ª fase de consolidação e agora uma 3.ª fase de expansão do Clube. Isto vai permitir ao Benfica ter outra capacidade de resposta, até em termos internacionais. A solidez que isto permite para o Clube encarar o futuro é que é de salientar. Ainda esta semana teremos oportunidade de anunciar, em termos de infraestruturas, os próximos investimentos.”

Muita confiança para as 10 “finais” da Liga NOS
“No Benfica encaramos este momento com muita exigência. Temos noção que estamos a passar uma fase muito difícil em termos de resultados e exibições. É nestes momentos que temos de encarar os problemas de frente e assumir os próprios erros, e, a partir daí, com a exigência que se pede a um clube como o Benfica, olhar para o futuro com confiança. Temos muita confiança nesta equipa de trabalho, treinadores e jogadores, que, no passado, deram provas inequívocas, através de resultados – basta lembrar a Reconquista –, da capacidade de superação, de dar uma reposta positiva e de conquistar títulos para o Benfica. É bom não esquecer que este foi o grupo que alcançou resultados históricos. Nada é apagado de um momento para o outro, mas não podemos pôr a cabeça debaixo da areia. Este ciclo de jogos tem sido terrível. Acredito perfeitamente, como todos os Benfiquistas, que este grupo de trabalho, pela qualidade que tem, pela união que tem, saberá dar uma resposta. O título está em aberto, faltam 10 jornadas, cada ronda vai ser uma final para nós e para o nosso mais directo competidor, como já tivemos oportunidade de ver neste fim de semana, que foi rico em estados de alma.”

Arbitragem e a crítica desajustada do FC Porto
“Foi uma intervenção desajustada, injusta e muito artificial [entrevista de Pinto da Costa ao Porto Canal]. Desajustada, porque, se verificarmos o campeonato da época passada, o FC Porto foi beneficiado – é unânime e reconhecido – em 10 pontos. Já nesta temporada, todas as análises levam a demonstrar que, no equilíbrio existente entre ganhos e perdas, o FC Porto é a equipa mais beneficiada. Tem cerca de sete pontos a mais. Inclusive, a forma como se apurou para a final da Taça de Portugal, em que ganhou ao Santa Clara e ao Académico de Viseu graças a erros de arbitragem. É perfeitamente desajustada esta intervenção, mas isto obedece a uma estratégia que vem dos adeptos, passa pelos jogadores, treinador e agora o presidente. É uma pressão constante sobre as arbitragens simbolizada nos bonecos pendurados no Estádio do Dragão [antes do FC Porto-Benfica]. É uma pressão constante antes, durante e depois dos jogos. Isto visa condicionar as equipas de arbitragem. 
Por outro lado, é injusta porque… é preciso ter uma grande lata para falar de Artur Soares Dias. O FC Porto não tem razões de queixa de Artur Soares Dias e é estranho que só tenha acordado porque Artur Soares Dias não esteja a ter uma época feliz. Está a ter uma época negativa. Em termos internacionais, basta recordar o Real Madrid-PSG. No campeonato grego, ainda muito recentemente, teve uma actuação infeliz e para a Liga NOS basta recordar três momentos: no Santa Clara-Benfica não marcou um penálti claro sobre o Cervi, no Moreirense-FC Porto validou um golo completamente ilegal ao FC Porto e invalidou um golo legal ao Moreirense, que desvirtuou o resultado do jogo, no último FC Porto-Benfica, o penálti é procedido de falta do Soares [sobre Ferro], há as agressões de Pepe e do Marega ao Adel [Taarabt]. Aí houve silêncio. Agora é que houve revolta de que o Artur Soares Dias e o Vasco Santos [VAR no FC Porto-Rio Ave] os prejudicaram. Falam dos três centímetros [golo anulado por fora de jogo de Soares], mas o Benfica também teve um golo anulado por quatro centímetros [no P. Ferreira-Benfica] e não falou. Neste jogo, contestam um eventual erro num penálti. No Benfica-Moreirense foi consensual para a Comunicação Social que houve uma grande penalidade para o Benfica aos 61 minutos, e o Benfica não fez grande barulho porque considerou que a exibição não tinha sido particularmente feliz e entendemos que não era o momento ideal para nos desculparmos com a arbitragem.
E é artificial. Porquê? António Oliveira, reconhecido adepto do FC Porto, disse que poderia estar em causa, em virtude dos resultados financeiros, a presença do clube nas competições europeias. Não sei se é verdade. O que é verdade é que os resultados financeiros são complicados. A avaliação feita pelos analistas e sócios com intervenção pública vai no sentido de considerar que a gestão deixa muito a desejar. O futuro do clube está hipotecado e, nesta altura, interessa sempre criar factos que permitam desviar as atenções. Ainda sobre arbitragem… depois do clássico, que foi uma das poucas vezes em que falámos sobre a arbitragem porque tínhamos razões de queixa, o FC Porto disse que essa intervenção teve a ver com o facto de o Benfica sentir que a equipa não estava tão bem. Se usarmos a mesma argumentação, o Benfica pode dizer que Pinto da Costa fez esta intervenção sobre a arbitragem porque sente que o FC Porto não está assim tão bem preparado para as 10 finais que faltam. Tudo se pode dizer, mas é totalmente injustificado.”
“Esta é uma estratégia desde há muitos anos do FC Porto. Não vale a pena regressarmos aos tempos dos anos 1980 e 1990. Mesmo recentemente, há uma procura do clube em justificar as suas falhas. É natural que o adversário jogue mais em alguns jogos. Mas o FC Porto utiliza sempre: levanta suspeitas sobre os jogadores das equipas adversárias que cometem erros; levanta suspeitas sobre o empenho das equipas, basta lembrar o SC Braga, que vinha sempre perder à Luz, mas nesta época até ganhou, o que é natural; levanta suspeitas sobre as arbitragens. O que é verdade é o seguinte: nunca se ouviu o treinador do Benfica falar em problemas de união ou unidade. É claro que há problemas no FC Porto. Seja as contas ou união, e é preciso criar o inimigo externo – o Benfica ou as arbitragens – para desviar as atenções do que se passa lá dentro.”

Medidas de contigência

"No âmbito das medidas preventivas e de contingência à propagação da COVID-19, e na sequência das recentes recomendações e decisões provenientes da Direcção-Geral da Saúde, Federações e Ligas das diferentes modalidades desportivas, a Sport Lisboa e Benfica – Futebol SAD e o Sport Lisboa e Benfica informam que estão a ser desde já implementadas uma série de medidas e acções extraordinárias, de que destacamos:
1 - Adiamento da corrida “Benfica – António Leitão” programada para dia 5 de Abril para data a anunciar oportunamente e suspensão imediata das suas inscrições;
2 - Encerramento dos complexos de Piscinas e Ginástica sediados no Estádio da Luz;
3 - Suspensão das visitas ao Estádio da Luz, Museu Benfica Cosme Damião e Benfica Campus, no Seixal, por tempo indeterminado;
4 - Suspensão de todos os eventos empresariais e institucionais nas instalações do Estádio da Luz;
5 - Realização à porta fechada, de acordo com as indicações da Liga Portugal, do próximo jogo SL Benfica-Tondela referente à 25.ª jornada, bem como dos jogos das equipas de Futebol de Sub-23 e Equipa B;
6 - Não realização das conferências pré e pós-jogo, por parte do treinador Bruno Lage, relativas a esse jogo, sendo que apenas fará declarações à BTV, na sexta-feira, e na “Flash Interview”, no sábado, logo após o final do jogo;
7 - Suspensão temporária de toda a actividade desportiva dos escalões de formação de futebol, cujas competições foram suspensas pela Federação Portuguesa de Futebol e Associação de Futebol de Lisboa;
8 - Suspensão imediata da venda em bilhética para todas as competições e modalidades;
9 - Adopção de medidas que garantam todos os direitos sobre eventuais ressarcimentos de ingressos já adquiridos sobre actividades e jogos das diferentes modalidades suspensos ou realizados à porta fechada.
Informamos também que, desde o primeiro momento, foi definido e implementado um rigoroso plano de prevenção e emergência, convergente com todas as recomendações de boas práticas definidas pelas autoridades e entidades competentes para todo o universo profissional nas mais variadas áreas do Clube.
Sempre que se justifique actualizaremos a divulgação sobre todas as acções, medidas e iniciativas em curso."

[FR] Bistrot Benfica - Le coronavirus joue à guichet fermé

Eliminação precoce e gestão sem Europa

"A 27 de Fevereiro consumou-se o Sport Lisboa e Brexit, com as águias a voarem para fora da Europa, depois de mais uma eliminação. A derrota na Ucrânia, aliada ao empate na Luz, ditaram a saída dos encarnados das competições europeias, num processo menos demorado, mas mais doloroso do que o próprio e original Brexit.
A eliminação precoce (julgava existir remédio para isso, mas afinal é para algo parecido) não estaria, por certo, nos planos da estrutura benfiquista. No entanto, há um ponto positivo a retirar da situação: a gestão do plantel torna-se menos exigente (a esse nível, a outros níveis não está nada fácil gerir aquilo). Isto porque, na verdade, o plantel encarnado não estava sequer próximo do exigido para que Bruno Lage pudesse fazer uma gestão adequada, caso as águias disputassem duas competições nos próximos tempos.
Daqui em diante (com onze partidas até final da época), a preocupação única é escolher verdadeiramente os melhores. A escassez de competições significa que não há necessidade de gerir o esforço, e a escassez de soluções no plantel significa que não há expectativas individuais para gerir. A situação na baliza benfiquista é o exemplo perfeito disto. O SL Benfica decidiu atacar a segunda metade da época sem uma opção viável de recurso para a posição de guarda-redes.
Com uma competição apenas em disputa, salvo qualquer lesão de Vlachodimos, torna-se mais fácil gerir a posição: a escolha recairá, inevitavelmente, no grego em todos os jogos. O mesmo se passa em relação às laterais. Atacar duas competições com apenas Grimaldo, André Almeida e Tomás Tavares como opções seria potencialmente um descalabro. A falta de centrais é ainda mais clamorosa e até o meio-campo, agora sem Gabriel, aparenta necessitar de soluções que não se encontram no plantel.
Na frente de ataque poderia residir o caso mais bicudo, no respeitante à gestão de expectativas, uma vez que são três os avançados que quererão o seu espaço no onze. Contudo, a lesão de Seferovic e uma fase menos positiva de Vinícius vieram provar que três candidatos ao posto mais avançado do sistema de Bruno Lage poderão não ser muitos, ainda que reste apenas uma competição de longa duração para tentar vencer.
Ainda assim, Bruno Lage terá que ter pulso e capacidade de liderança para explicar a jogadores como Florentino que não terão (muitas) oportunidades e o porquê de ser disso mesmo. Todavia, a infeliz – mas merecida – eliminação precoce das competições europeias redunda, indubitavelmente, numa teórica melhor e facilitada gestão de plantel. Infelizmente, os mais recentes jogos têm demonstrado o completo e preciso contrário."