Últimas indefectivações

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

CD Tondela - SL Benfica

"Oitava jornada. Esta semana com um FC Porto - Famalicão que poderia deixar o Benfica numa liderança isolada. O Tondela surpreendeu com uma defesa com cinco homens. O Benfica trocou Taarabt pelo lesionado Rafa, Pizzi pelo Gedson e Almeida pelo T. Tavares em relação ao jogo com o Lyon. Chegámos à vitória numa bola parada. Umas notas sobre o jogo.
1. Jogo. O Tondela jogou com um bloco fechado, a defender com 11 homens atrás da linha da bola. O Benfica manteve os problemas que já conhecemos. Centrais a não intervir na construção, obrigando os médios a baixar e criando um fosso enorme entre Gabriel-Florentino e Adel Taarabt-Seferovic.
2. Rúben Dias e Ferro. Para mim os dois melhores em campo. Rúben Dias seguro como sempre. Ainda fez meia dúzia de cortes bastante bons. Ferro não tão seguro, mas com o golo da vitória num mau momento da defesa do Tondela que marcando individualmente deviam ter dado maior atenção ao Ferro.
3. Adel Taarabt. Teve um jogo apagado. Não jogou nem a médio centro, nem a avançado. Naquela posição tem que aparece entre linhas e conseguir combinações com alguém (extremos, Seferovic ou um dos médios), ao mesmo tempo que atrai um defesa e desorganiza a linha defensiva do Tondela. Mas a bola nunca entrou nele porque havia sempre pelo menos três jogadores do Tondela (os dois médios centros e o ponta de lança) entre o Taarabt e os nossos dois médios.
4. Franco Cervi. É o perfeito retrato do Benfica actual. Jogador claramente abaixo da média que é titular porque há uma falta de alternativas gritante e dentro dos jogadores abaixo da média este é o que corre mais. A bola não chega aos nossos avançados porque os jogadores que deveriam conseguir os desequilíbrios não os conseguem. Nesta altura preferia ver Grimaldo + Nuno Tavares na ala esquerda do que o Cervi.
5. Odysseas Vlachodimos. Jogo habitual dele. Tem duas defesas espectaculares. Mas depois quando vem uma bola cruzada treme que nem varas verdes.
6. Chiquinho. Entrou bem, o facto do Tondela ter mexido no sistema de jogo ajudou. Conseguiu dois remates. Num deles acho que poderia ter feito mais. Estava num 2 para 1 e poderia ter passado ao Seferovic em vez de rematar. Não foi uma exibição memorável da nossa parte. Vem sendo a tendência ultimamente e agora com a lesão do Rafa só se vai agravar.
Não foi um dia trágico porque o Tondela também não soube fazer melhor. O verão lamentável onde voltámos a vender jogadores de boa qualidade e não resolvemos os problemas que tínhamos, tendo até criado mais problemas, está cada vez mais à mostra. É o Benfica que temos."

Benfica After 90 - Tondela...

Benfiquismo (MCCCXXXVI)

Cara lavada!

Vermelhão: três pontos...

Tondela 0 - 1 Benfica


Neste momento, aquilo que podemos esperar do actual Benfica são os três pontos. E este jogo não foi 'diferente'. Com todas as dificuldades ofensivas que temos tido (e vamos continuar a ter), a chave para as vitórias, será a nossa consistência defensiva...! E hoje tirando alguns minutos na 1.ª parte, onde o Odysseas fez duas grandes defesas, fizemos o suficiente... Mesmo com algumas perdas de bola no meio-campo suicidas (com o Gabriel em destaque)!!!

A ausência do Rafa tem várias 'consequências'! Hoje, por exemplo, o Tondela 'resolveu' defender o jogo interior, o Benfica neste momento não tem extremos rápidos, os nossos Alas 'desequilibradores' são os nossos Laterais(!!!), isso facilita o plano de jogo adversário...
Aliás, o 'encaixe' no sistema de 3 Centrais do Tondela foi um dos nossos problemas nas transições defensivas, por falta de marcação nos laterais adversários...
Até entrámos bem nos primeiros minutos, chegámos com perigo à área do Tondela várias vezes, mas aqueles dois 'contras' dos Tondelenses 'assustaram' os nossos jogadores e com o golo do Ferro (de Canto), acabámos por entrar em 'modo gestão'!!! E temos que reconhecer, que o Odysseas acabou por ter uma 2.ª parte, relativamente 'tranquila'!!!

A subida do Taarabt para 2.ª avançado foi a grande novidade táctica, e não resultou! Com o Lyon, eu tinha colocado o Taarabt nesta posição quando o Rafa se lesionou, mas os Franceses davam muito espaço entre-linhas, algo que os Tondelas do Tugão nunca dão ao Benfica... O Taarabt, para fazer a diferença, quando recebe a bola, tem que ter opções de passe 'para a frente'!!!
A grande novidade 'positiva' do dia, foi o regresso do Chiquinho, e dos minutos que esteve em campo, foi notório o impacto do Chiquinho na melhoria da tomada de decisão no nosso ataque. O Chiquinho, nas recepções orientadas, nos passes, e até nos remates, tem claramente 'faro' de golo... é o único jogador no plantel que pode fazer de Félix ou Jonas, e a sua ausência tem sido demasiado sentida... Se tudo correr bem, sem o Rafa, vai ser o nosso 'pivot' ofensivo na série de jogos complicados que vamos ter pela frente!!!

A dupla Gabriel/Tino também teve muitas dificuldades. Recordo que o ano passado, o Tino só começou a jogar após a lesão do Gabriel. Com a lesão do luso-brasileiro na Supertaça em Agosto, os dois têm tido poucos minutos juntos! Um dos 'problemas' é que ambos gostam de ir 'à queima', e quando são ultrapassados, abrem um 'buraco' nas costas! É necessário melhor coordenação na 'marcação'...

Quem 'gosta' da nova companhia é o Grimaldo!!! Com o Cervi, o espanhol fica com mais 'espaço' para arriscar nas subidas... o problema são as transições defensivas!
O Macron teve um jogo relativamente fácil, tenho a certeza que nos próximos dias muito se vai falar das faltas do Florentino! Admito que em 'teoria' o Tino podia ter visto um 2.º amarelo, mas o critério durante o jogo foi consistente, para as duas equipas, perdoou vários cartões ao Tondela... e já agora no Amarelo do Tino, existe uma falta claríssima sobre o Grimaldo que não é assinalada!

Com novo jogo na Quarta e outro no próximo Sábado, ambos na Luz, contra duas equipas que 'sabem' jogar à bola, quando querem, o normal seria esperar alguma 'rotação', mas com este 'tipo' de vitórias, à justa, com exibições cinzentas, não me parece que vamos ter muitas alterações, provavelmente nenhumas... A existir, talvez lá na frente!!!

domingo, 27 de outubro de 2019

Mais uma...

Benfica 3 - 0 Leixões
25-12, 25-15, 25-16

Segunda vitória em dois dias, antes da 2.ª mão da Champions na Terça...

Vitória na Madeira...

Marítimo 0 - 5 Benfica


Mais uma goleada, mas os golos demoraram a aparecer! 0-1 ao intervalo, num golaço da Clóe e depois numa sequência de bolas paradas, em pouco tempo, chegámos ao 0-5!!!

Uma semana - três jogos

"Os que gostam, de verdade, de futebol terão uma tarde/noite de prazer e de dor. Sim o futebol é paixão e é desilusão

1. Hoje é um verdadeiro domingo gordo em termos de futebol doméstico. Os que gostam, de verdade, de futebol, terão uma tarde/noite de prazer e de dor. Sim o futebol é paixão e é desilusão, é muito prazer e intensa dor. Teremos VAR, decerto. E esperamos bons jogos e bons golos. Numa semana teremos três jogos por clube para a nossa principal Liga! Tudo arranca, em termos de grandes, em Tondela no início da tarde e tudo termina em Alvalade já a noite de novo horário irá adiantada. O Benfica sabe que, com ou sem nota artística, tem de chegar às cinco da tarde na denominada liderança provisória da Liga. E ver - ou escutar - as incidências no e do Dragão onde o surpreendente Famalicão tudo fará para acentuar o qualificativo de equipa surpresa desta edição da Liga NOS. E para terminar o primeiro domingo com mudança de hora o Sporting defrontará um Vitória de Guimarães que na passada quinta-feita quase surpreendida, em Londres, um aristocrático Arsenal. E para amanhã fica o Sporting de Braga depois de uma saborosa vitória em Istambul. O Benfica de Bruno Lage, com Rafa em ausência prolongada, tem quatro jogos determinantes. Onde o colectivo se tem de impor e onde o talento individual se tem de evidenciar. Hoje frente a um Tondela sempre aguerrido e depois na Luz os confrontos, nada fáceis, frente a Portimonense e a Rio Ave, bem liderado por um sagaz treinador, Carlos Carvalhal. E depois a decisiva deslocação a Lyon onde se decidirá a permanência na Liga dos Campeões. Não esquecendo nós de enaltecer, tal como a UEFA fez, a simbólica e sugestiva atitude do Benfica que no jogo no Estádio da Luz frente ao Lyon utilizou nas camisolas, de forma inovadora e pioneira, a mensagem da campanha Equal Game, campanha que visa promover os valores da igualdade no futebol contra o racismo, o sexismo e a pobreza. Está este Benfica de parabéns! E nos quatro jogos que irá disputar não faltará apoio à equipa e onde o verdadeiro benfiquista - que também sabe reconhecer aquele outro que pensa diferente! - assume cada jogo com total paixão e sofrendo com o clube do seu coração. E sabendo que não tem outro clube que tanto o faça vibrar e sofrer e sabendo, também, que nos novos tempos da nova indústria do futebol há que dizer ao neoliberalismo que nos condiciona que há gente que resiste e sabe dizer não! Ou seja que é livre! E a liberdade é dizer sim, quando importa e dizer não quando a consciência o determina!

2. Os jogos da semana que ora termina das competições europeias de clubes permitiram que Portugal, no ranking da UEFA, atingisse o sexto lugar e ultrapassasse a Rússia. Sabemos que se no final da presente época desportiva mantivermos este honroso lugar, Portugal terá mais uma equipa na Liga dos Campeões na sua edição de 2012/2022. Também sabemos que no que concerne à presente época desportiva (2019/2020) estamos no quinto lugar de uma possível tabela. A Holanda, no nono lugar no ranking, te um coeficiente de 7,000, nós de 5,700 e a França - no quinto lugar actual no ranking global - 4,833. E até ultrapassamos a Itália - a quarta classificada! - que tem um coeficiente esta época de 5,500. São boas notícias para o futebol português, para a sua competitividade e para um necessário acréscimo de visibilidade no que respeita à nossa Liga, e num momento em que se anunciam revoluções no futebol mundial e europeu. Em termos de futebol mundial a FIFA acaba de anunciar para Junho de 2021, um novo Mundial de clubes, diria que um super Mundial de clubes que terá vinte e quatro equipas! Por ora, e até alá, mantém-se, e no Catar, e em Dezembro de 2019 e 2020, o Mundial com sete clubes e onde, este ano, o renascido Flamengo ambiciona, legitimamente, chegar! A decisão, está tomada e a FIFA responde à UEFA e à sua Liga dos Campeões. E joga na China para efeitos de receitas globais, onde entram a publicidade e os direitos televisivos. E, aqui, nada como acompanhar essa experiência inovadora que é o Canal 11 e os expectantes exclusivos televisivos. Em termos europeus as Federações holandesa e belga dão pública nota do aprofundamento do estudo acerca da possível criação de uma Liga conjunta e até se anuncia um nome provável que resulta das primeiras letras de cada um dos dois Estados: BeNeLiga! O futebol, nas suas estruturas neoliberais, está mesmo a mudar. Mas convém não ignorar o povo. Cada vez mais exigente e que, como se vê nos dias de  hoje, sabendo que pode reclamar, manifestar-se, até assobiar! De Santiago do Chile a Paris, de Barcelona a Hong Kong, de Londres a Beirute! E na China... nada. Talvez a escolha da FIFA não seja assim... inocente! Nada mesmo!

3. Na passada sexta feira o Estádio da Luz, o novo, celebrou 16 anos. Recordo o momento inicial. Na presença de Jorge Sampaio, Presidente da República, o Benfica derrotou o Nacional de Montevideu e com dois golos de Nuno Gomes venceu o emblemático clube do Uruguai. O pontapé de saída foi, naturalmente, do saudoso Senhor Eusébio da Silva Ferreira. Permitam três notas. Desde logo, e perante vozes que defendiam um estádio municipal em Lisboa, o esforço de muitos e, em especial, o músculo financeiro de Luís Filipe Vieira, Manuel Vilarinho, Humberto Pedrosa, José Guilherme e Vítor Santos. Depois, o que em boa hora será enaltecido na próxima quinta-feira, a dedicação e o empenho totais de Mário Dias, o verdadeiro arquitecto da nova Luz. Sei bem que ali passou milhares de horas e que se entregou, de alma e coração, - como o seu filho Mário sempre me referenciou, tal como a meu querido filho Alexandre, eles que são da geração de 84! - ao projecto da sua vida e do seu clube do coração. E, por último, e por ser justo, ao engenheiro jurídico que também lutou pela construção da nova Luz, o Dr. João Correia. Basta recordar que uma renhida Assembleia-Geral deliberou a destruição do velho estádio e a edificação de um novo estádio. Houve um conjunto de associados que requereram uma providência cautelar de suspensão de deliberações sociais tentando, em consequência, impedir o início dos trabalhos de demolição. A luta foi dura. Bem dura. Já que se eles ganhassem a providência cautelar a obra não se iniciaria já que estaria em causa o crime de desobediência. A obra arrancou. O músculo financeiro dava garantias efectivas. A engenharia jurídica ganhou. Tenho para mim que todos merecem ser reconhecidos. E saudades. Para já envio um abraço apertado ao Mário Dias. Sei bem o que lutou por um projecto e que luta pela Vida. Sei bem! Mas também sei que há benfiquistas, benfiquistas de sempre, que não perderam a memória e não permitem, nem permitirão, que haja uma revisão da história ou uma limpeza em fotografias!

4. (...)"

Fernando Seara, in A Bola

Sobre o optimismo e a hipocrisia

"Eis, portanto, a definição que proponho: pessimista como aquele que maltrata o futuro

Investigando um pouco estas duas palavras, tão utilizadas em contextos políticos e desportivos

Sobre a palavra hipócrita
1. A palavra grega hypokrinein era a palavra utilizada para designar os actores na antiga Grécia. Actor que fingia em palco ser uma pessoa que não era. Mas ali, na Antiga Grécia, não tinha um sentido negativo: hypokrinein era aquele que conseguia ser outros, fingir ser outros. Uma grande qualidade, sob um certo ponto de vista: aquele que consegue ser outros.
Porém, com o tempo, esta palavra ganhou uma conotação negativa. Hipócrita já não é alguém com grandes capacidades para parecer outro: mais velho ou mais novo, mais contente ou mais triste. Um actor masculino, por exemplo, que conseguia fingir em palco ser uma mulher - um fingimento extremo, muito valorizado nas várias épocas.
O actor pode ser visto, portanto, como um hipócrita profissional; alguém que treina e ensaia para ser cada vez um melhor hipócrita. No fundo, para fingir cada vez melhor, como escreve Pessoa, até «fingir a dor que deveras sente».
Agora, então, hipócrita é aquele que não consegue ser o que é. Hipócrita deixa de ser uma qualidade a mais: conseguir ser outros, para ser algo que não se tem: não consegues ser tu próprio. Tens essa falta.
Na antiga Grécia, o actor em palco, o hypokrinein, fazia hipocrisias (ou seja, fingia ou fazia coisas falsas). Era pago ou louvado ou aplaudido por fazer bem coisas falsas ou por dizer palavras que não eram as suas. Hipocrisia é agora, nestes tempos, dizer palavras de uma outra pessoa, e não de si próprio, agir com gestos de outros e não de si próprio. Estar, em suma, na vida parecendo estar em palco. Um palco falso.

Pessimismo e ditaduras
2. Um filósofo francês, Deleuze, falando dos regimes políticos ditatoriais diz algo muito interessante: «Os que arriscam a própria vida geralmente pensam em termos de vida, e não de morte ou amargura». E continua: «Os resistentes são, na variedade, grandes viventes». E Deleuze diz ainda, falando de prisões políticas, que nunca ninguém foi colocado na prisão «pelo seu pessimismo». Em termos políticos, só os optimistas são presos, diz Deleuze. os optimistas são os que conseguem ver um futuro melhor e por isso põem em causa o presente.
Uma ficção. Pensar numa prisão para optimistas e uma prisão para pessimistas.
Uma prisão onde só estejam optimistas - uma utopia e uma distopia ao mesmo tempo. Os melhores, os optimistas, estão presos ou, de outro ponto de vista: só os optimistas cometem crimes.

Optimismo uma definição
3. Parece que na antiga Roma, os optimi eram, de entre os aristocratas, aqueles «capazes de encontrar soluções»; e pessimus eram os homens «cruéis, criminosos». Além de não encontrarem soluções, criavam outros problemas graves.
Uma boa definição de optimista, portanto: aquele que encontra soluções ou pelo menos as procura. Aquele que acorda e diz: é necessário encontrar uma saída.
Uma hipótese, pois, etimológica: péssimo e pessimista, origem comum. Péssimo virá dali: homem péssimo, homem cruel. Pessimista, portanto, podemos dizer que é um cruel em relação ao dia seguinte. Eis uma síntese possível.
Eis, portanto, a definição que proponho: pessimista como aquele que maltrata o futuro, tortura o futuro. Pessimista deveria ser portanto preso por maltratar não uma pessoa ou um objecto mas aquilo que não ocupa espaço, mas é essencial: o tempo. Um pessimista maltrata o tempo que aí vem, o tempo que falta - o bem mais precioso dos seres vivos. Maltrata o seu próprio tempo futuro e o futuro tempo dos outros.
O optimista, e a palavra está perto da palavra óptimo, o optimista é o que trata bem os seus dias, o tempo que aí vem, o dia seguinte. O que não vê da janela (que abre sempre para aquilo que aí vem) aquilo que é péssimo, mas sim o que é óptimo. Vejo vir na minha direcção, o óptimo - eis o optimista.
Canalizar a sua bondade para o tempo: optimista.
Canalizar a sua maldade para o tempo: pessimista.
Mas, claro, sobre estes assuntos há infinita janelas e pontos de vista."

Gonçalo M. Tavares, in A Bola

Lei da Segurança no Desporto (III)

"Outra das alterações introduzidas pela Lei n.º 113/2019 diz respeito à figura do gestor de segurança, no novo artigo 10.º - A Compete ao promotor do espectáculo desportivo designar um gestor de segurança. A falta de designação implica, enquanto a situação se mantiver, a impossibilidade de serem realizados espectáculos desportivos no recinto desportivo. O gestor de segurança é o representante responsável por todas as matérias de segurança do clube, associação ou sociedade desportiva.
Compete-lhe, em concreto, o preenchimento de um relatório sobre o espectáculo desportivo, o qual é obrigatório nas competições desportivas de natureza profissional e, nos demais espectáculos desportivos, sempre que forem registados incidentes, que deve depois ser remetido à APCVD, ao PNID, à força de segurança territorialmente competente e ao organizador da competição desportiva, no prazo de 48 horas a contar do final do espectáculo desportivo.
Deve possuir formação específica adequada, a qual corresponder:
a) nos recintos desportivos com lotação igual ou superior a 15000 espectadores, ou onde se realizem competições profissionais ou cujo risco seja considerado elevado, à formação de director de segurança, nos termos previstos no regime jurídico da segurança privada;
b) nos recintos desportivos com lotação máxima inferior a 15000 espectadores e onde não se realizem competições profissionais cujo risco seja considerado elevado, à formação organizada pela APCVD e ministrada pelas forças de segurança e pela ANPC.
Esta formação específica do gestor de segurança deve ser obtida no prazo de um ano a contar da data da entrada em vigor desta lei."

Marta Vieira da Cruz, in A Bola

Reflexões sobre o desporto

"O mês de Outubro de 2019 foi rico em reflexões sobre a educação física e o desporto. Nos dias 10, 11 e 12 realizou-se o 8.º Congresso Internacional de Artes Marciais e Desportos de Combate, na Escola Superior de Educação, do Instituto Politécnico de Viseu. Estiveram presentes investigadores e docentes de vários países: Japão, Malásia, Polónia, França, Espanha, EUA, por exemplo. Os resumos das comunicações foram publicados num “Abstract book”, procurando dar a conhecer os trabalhos a outros interessados.
Nos dias 25 e 26 a Sociedade Científica de Pedagogia do Desporto, a propósito do seu 10.º aniversário, promoveu o 8.º Congresso Científico de Pedagogia do Desporto, em parceria com a Escola Superior de Educação, do Instituto Politécnico de Coimbra. Debateu-se “o papel dos profissionais do desporto na educação para os valores”. Este evento foi, igualmente, pautado por excelentes comunicações e os resumos foram publicados no “Journal of Sport Pedagogy & Research”. Estes espaços de encontro, de reflexão e de partilha de conhecimento permitem reforçar o papel e o valor do desporto nas sociedades. Ele é a perpétua criação dos homens e das mulheres que o praticam e que o organizam. Como fato social, ele exerce uma influência muito importante na vida dos cidadãos. É um fenómeno de ambição mundial, que “atenua” as pluralidades culturais para as transferir para valores internacionalmente reconhecidos. Ele é consumidor de tempo e produtor de imagens. Mas, para que haja desporto, é necessário que o lazer tenha um lugar na existência e nos valores sociais dos indivíduos.
Da minha parte, estive presente e fui orador (entre outras tarefas) nos dois congressos. Procurei, como diriam alguns dos meus amigos franceses, “apporter ma pierre à l’édifice”, reconhecendo, porém, a minha nulidade em muitas matérias desportivas."

Benfiquismo (MCCCXXXV)

No outro lado do Mundo...!!!

A empregada cose e o Pizzi resolve

"A empregada cose. Foi esta a resposta que obtive quando, há cerca de 40 anos, fui mandada pelo chefe de redacção de "A Bola" entrevistar os fundadores da primeira claque oficial de um clube de futebol. Como qualquer novidade que se preze, despertou curiosidade no público o aparecimento engalanado e ruidoso de um grupo de educandos do exclusivo Colégio São João de Brito, em Lisboa, que passara a acompanhar a equipa de futebol do Sporting sob a égide presidencial da família Rocha ao som de batuques e sob o estandarte da prontamente chamada juventude Leonina. "A empregada cose", foi, portanto, a resposta que obtive quando questionei um dos fundadores do garrido e bem aprumado grupo de adeptos. Pretendia saber sobre quem recaíam na simpática organização as responsabilidades da manutenção e conservação das bandeiras e das faixas dando-se o caso de alguma se sujar, estragar ou rasgar. A empregada cose. Ah, pronto, se a empregada cose, não há que recear quanto aos cuidados práticos a dispensar ao material. Esta coisa, esta novidade de "ter" uma claque não é para quem quer, é para quem pode, terão concluído, tal como eu, os leitores que dispusessem nem que fosse de um bocadinho de consciência social naquela já tão distante passagem da década de 1970 para a década de 1980, no século passado. tranquilizem-se, leitores de hoje, que não vou maçar ninguém elaborando uma teoria intrincada sobre como as organizações que nasceram elitistas e com todo o conforto podem, em determinados contextos, evoluir muito desfavoravelmente para organizações lapidares de rua, reféns da delinquência do mais alto coturno e do populismo do mais baixo coturno. Mas. de facto, são coisas que acontecem e que dão que contar. Ou não dão? 
Muito a custo, o Benfica lá conseguiu ganhar, finalmente, um jogo a contar para a liga dos Campeões. Os 3 pontos arrecadados no jogo de quarta-feira com o Olympique Lyon permitem agora avaliar o Benfica como um pretendente forte na luta por um lugar na Liga Europa e como um pretendente frágil na discussão a quatro pelos dois lugares do Grupo G que garantirão a qualificação para os oitavos-de-final da prova. Ainda assim, a vitória sobre os franceses para além de manter viva uma tradição - o Benfica costuma ser feliz com franceses na Luz - , devolve à equipa de Bruno Lage a certeza de que só depende de si para chegar onde quer na mais importante competição internacional de clubes. "Basta-lhe" ganhar os três jogos em agenda até Dezembro e a coisa resolve-se. Resumidamente, o Benfica precisa de cometer três pequenas proezas para seguir em frente na Liga dos Campeões, o que, tendo em conta a valia dos adversários e a pouca substância do futebol exibido pelos campeões nacionais na corrente temporada, não é salvo - conduto garantido, antes pelo contrário. Mas sempre é qualquer coisa. É melhor, muito melhor que zero."

Vitória sobre o líder...

Benfica B 1 - 0 Nacional


O Nacional tem poucas alterações em relação à equipa do época anterior, que disputou a I Liga, estavam em 1.º lugar antes desta jornada, e têm de facto alguns jogadores experientes/manhosos e fisicamente 'desenvolvidos'! O Benfica tem feito uma época de transição, introduzindo muitos jogadores com pouca experiência a este de nível, depois da 'sangria' de jogadores que 'subiram' à equipa A!!! Talvez por isso, o facto do Nuno Tavares e do David Tavares terem sido titulares, juntando-se ao Svilar (e ao Morato) tornou este 11 mais consistente... mesmo sem o Umaro.

Não foi um jogo espectacular, mas foi competitivo, com muitos duelos e com uma intensidade bastante interessante para a realidade do Tugão! O resultado foi justo, o jogo foi equilibrado, mas principalmente depois do 1-0 fomos superiores... e poderíamos e devíamos ter marcado o segundo golo, que nos teria dado algum descanso!!!

Tivemos ainda o regresso do Daniel dos Anjos... espero que o Nuno Tavares não se tenha lesionado.

Como não podia deixar de ser, arbitragem horrível... logo nos primeiros minutos dois penalty's por marcar a favor do Benfica! Inacreditável como o Nacional acabou o jogo sem um único Amarelo!!!

sábado, 26 de outubro de 2019

Dezena...

Benfica 10 - Tigres de Almeirim

Bons sinais, em três jornadas sofremos 1 golo e temos feito poucas faltas, bastante diferente das últimas épocas. Ainda é cedo para avaliar com segurança as 'melhorias' na equipa, porque os adversários têm sido acessíveis, mas os indicadores são positivos...

PS: Destaque para a goleada das meninas em França, no primeiro jogo Europeu da temporada, com um 1-17, contra o Noisy Le Grand!!!

Vitória...

Benfica 3 - 0 Viana
25-19, 25-20, 25-20

Zelão(13), Gaspar(12), Japa(12), Honoré(9), Guerreiro(7), Pinheiro(2), Théo, Lopes, Wolfhi, Rapha; Casas

Vitória esperada, numa altura de calendário 'carregado', com novo jogo amanhã e a 2.ª mão Europeia a meio da semana... Altura ideal, para todos jogarem!

Derrota...

Corruptos 87 - 79 Benfica
16-14, 26-21, 30-24, 15-20


Tem sido um início de temporada muito irregular, com jogadores a 'entrarem' ou a 'sair' de lesões, boa ou má atitude defensiva... e agora com jogos Europeus pelo meio...
Mas acabou por ser um jogo 'típico' do Benfica: com os Triplos a não 'entrarem', 'salve-se' o Micah!!!

No Basket, com o play-off final, tudo é relativo... somando a esta exibição um Betinho e um Hollis a 100%, temos valores individuais para sermos melhores que o adversário, mas...

Os 5 melhores momentos que vivi no Estádio da Luz

"Já apanhei poucos jogos da década de 90 mas poucos não foram os momentos que tenho vivido no Estádio da Luz, e não só, desde o ano 2000. Numa altura que tem faltado emoção e grandes vitórias ao Sport Lisboa e Benfica, numa altura em que as bancadas passam a maioria dos jogos em sofrimento pela monotonia de um futebol cada vez menos apaixonante, decidi relembrar-me de grandes momentos que já passei nas bancadas a apoiar o Sport Lisboa e Benfica.
Este é um top momentos no Estádio da Luz vividos de forma muito pessoal e com uma pequena excepção à Luz. Um top 5 que poderia muito bem estar distribuído por um top 10, 15 ou 20.

1. Meia Final, Taça da Liga no Dragão – Este jogo é a excepção nesta lista. Não se passa no Estádio da Luz mas sim no Estádio do Dragão. A 27 de Abril de 2014 o Sport Lisboa e Benfica deslocou-se ao Estádio do Futebol Clube do Porto para disputar um lugar na final da Taça da Liga. Fomos poucos para as bancadas pois era um jogo menor no contexto que o clube vivia. O Sport Lisboa e Benfica iria ali voltar em algumas semanas para o campeonato e Jorge Jesus levava uma equipa secundária para a disputa do jogo. Um clássico menor que mais complicado se tornou com a expulsão de Steven Vitória ao minuto 32. E aí começou a história deste jogo. Parecíamos uma pequena aldeia de gauleses a resistir ao poderio do Império Romano. Conseguimos aguentar o nulo, ir a penaltis e eliminar o Futebol Clube do Porto. Um jogo menor que se transformou numa luta incrível e em festejos sem igual. Jorge Jesus no meio de todos nós a vibrar com aquele pequeno enorme feito. E um cântico que ficou para a memória “Voltaremos voltaremos, voltaremos outra vez, voltaremos ao Dragão, festejar o trinta e três”. Uma noite memorável.

2. Benfica 1 – 0 Sporting, Golo do Luisão – A 14 de Maio de 2005 o Sport Lisboa e Benfica recebeu e venceu o Sporting Clube de Portugal naquele que foi o jogo do título após um jejum de 11 anos. Aos 83 minutos um livre longo do Petit colocou a bola pelo ar na área leonina e aí, numa imagem mítica que ficou para a história, Luisão bate Ricardo nas alturas e com a bola na rede catapulta o Sport Lisboa e Benfica para o título de campeão nacional. Uma festa inesquecível. Desde esse momento até ao apito final e nas horas que se seguiram foi uma brutal festa entre todos os benfiquistas. Os corredores da Luz ainda hoje vibram com a emoção desse momento.

3. Benfica vs Porto, Eusébios – A 23 de Janeiro de 2014 o Sport Lisboa e Benfica recebia o Futebol Clube do Porto debaixo de um tremendo luto. Uma semana de homenagens ao falecido Pantera Negra, uma semana de comoção nacional pela partida de Eusébio. Após tributos nas ruas, no Estádio da Luz e em pleno cemitério, o SL Benfica recebeu e venceu o FC Porto. Foi uma vitória do e para o Eusébio. A união naquele estádio em torno daquele nome é inesquecível. Penso que nunca nas bancadas senti os jogadores tão… transcendentes. O SL Benfica dos 11 Eusébios.

4. Benfica 1-0 Porto – A 20 de Dezembro de 2009 o Sport Lisboa e Benfica recebeu e venceu o Futebol Clube do Porto. Foi um jogo já recheado de uma renovada paixão à volta dos jogos do SL Benfica. O primeiro ano de Jorge Jesus, o primeiro ano deste novo ciclo e o primeiro ano do término da hegemonia azul e branca. Uma noite que nunca mais me esqueci. Chovia a potes, o granizo batia no relvado e nas nossas caras e nós de pé ali atrás da baliza sem nos recolhermos, a vivermos aquele temporal, aquele golo do Saviola e aquele vitória com todos os jogadores. A emoção de um vitória com todo o esforço e sofrimento que aquele rival e temporal nos submetiam.

5. Benfica-Porto, Golo de André Gomes – A 16 de Abril de 2014 o Sport Lisboa e Benfica recebia o Futebol Clube do Porto para disputar um lugar na final da Taça de Portugal. Depois de uma derrota por 1-0 no Estádio do Dragão o SL Benfica chegou ao minuto 80 a vencer por 2-1 mas em desvantagem na eliminatória. É aí que se dá o furacão de emoção nas bancadas da Luz. O André Gomes recebe a bola no bico da área, de costas para a baliza domina de peito, passa a bola por cima do Fernando e finaliza sem hipóteses para o guardião portista. 3-1, festa por toda a Luz e eu só me lembro de estar a correr ao som de gritos de “GOLO” pelos corredores do estádio."

Antevisão...

A substituição mais difícil

"Dificilmente poderia ser dada a Bruno Lage uma notícia pior do que a lesão de Rafa, que irá estar ausente da competição por um período que pode atingir os quatro meses. É o jogador mais desequilibrador do plantel do Benfica, como mostram os 25 dribles bem-sucedidos que já soma na Liga, um registo do qual nenhum outro futebolista se aproxima. Na equipa encarnada, os segundos classificados do ranking de dribles (Taarabt e Grimaldo) somam... dez.
Por ironia do destino, esta grave lesão aconteceu no jogo em que Rafa foi colocado numa posição central, de apoio ao ponta-de-lança, onde rendeu muito enquanto durou. Tendo em conta os problemas que o Benfica tem mostrado para encontrar uma resposta eficiente no ataque, a aposta no camisola 27 poderia ser uma solução interessante, mas que agora não poderá ter continuidade.
É mais um desafio para Lage, que vê pela terceira vez esta época um titular indiscutível forçado a paragem prolongada, depois de Florentino e Gabriel. O técnico tem ao seu dispor um plantel vasto e de qualidade, mas será obrigado a arranjar soluções para fazer esquecer o jogador mais difícil de substituir. É também para isso que lá está. E até agora não se pode dizer que tenha corrido muito mal ao Benfica."

As Águias #46 - Taça e Champions

Saudades da Casinha?!!!


Cadomblé do Vata (VARes!!!)

"Vi ontem Bertrand do Southampton resignado a olhar para o ecrã gigante, onde passava o lance que lhe valeu a expulsão. Hoje assisto ao Inglaterra - Nova Zelândia em rugby, e ouço o árbitro explicar aos ingleses as razões (que honestamente não entendo nada) que o levaram a anular dois ensaios com recurso a imagens colocadas a rodar nos ecrãs gigantes do estádio... Portugal foi pioneiro no descobrimento do VAR, mas enquanto noutros países e modalidades já nele navegam com porta aviões, nós continuamos a passear pela ferramenta com caravelas e naus."

Caso Alverca-Sporting: jurista explica decisão do Conselho de Disciplina

"Como é sabido o processo disciplinar teve origem na queixa apresentada pela Sporting Clube de Portugal - Futebol SAD, alegando que em virtude de ter sido expulso no fim-de-semana anterior ao jogo da Taça de Portugal, o jogador Luan estaria suspenso preventivamente até à emissão da decisão disciplinar (que só foi decidida no dia seguinte ao jogo), ao abrigo do artigo 38.º do Regulamento Disciplinar da FPF. A decisão que suspende o jogador Luan por dois jogos, por força do disposto no artigo 40.º do mesmo regulamento, seria sempre na competição em que a infracção a sancionar teria resultado; por isso, a sanção aqui em causa seria sempre cumprida no Campeonato de Portugal e nunca na Taça de Portugal.
Assim a solução adoptada pelo pleno da Secção Não Profissional do Conselho de Disciplina da FPF, teria sempre de ter em conta, como teve, que o castigo seria sempre a cumprir no jogo seguinte do Campeonato de Portugal. Isto com base numa interpretação restritiva da norma constante do artigo 38.º do RDFPF (que, aliás, fez), que previa a suspensão preventiva do jogador até à emissão da decisão disciplinar, de acordo com o espírito na qual a mesma teria sido elaborada. 
Ora vejamos:
Como aqui a sanção em causa é em jogos oficiais e não por período de tempo isso impede, nos termos do referido artigo 40.º, que o jogador seja utilizado em jogos oficiais realizados pelo clube durante o período de suspensão. Justifica-se pela necessidade de "tutela da eficácia sancionaria, de molde a impedir que o jogo da mesma competição imediatamente seguinte àquele onde foi praticada a infracção pudesse ser jogado por quem o RDFPF não pretendia que nele alinhasse".
Inexiste portante motivo para o qual o jogador não pudesse ser utilizado em competição diferente daquela em que seria sancionado, motivo pelo qual a suspensão preventiva não poderia impedir o jogador Luan de ser utilizado na Taça de Portugal, mas unicamente no Campeonato de Portugal, caso não tivesse ainda saído a decisão final."

As leituras de Jorge Jesus

"Recebo do Brasil, de amigos meus que por lá deixei, pelos dois anos que lá vivi e pelos vinte e tantos que assiduamente o frequentei – recebo do Brasil notícias de amigos meus, irmanados na mesma admiração incontida pelo (meu amigo também) Jorge Jesus, hoje treinador do Flamengo do Rio de Janeiro. Fui seu adjunto, no Sport Lisboa e Benfica, durante 13 meses; com ele, conversei, sem contar o tempo, acompanhado pelo meu amigo-irmão Homero Serpa e, depois, quando Deus chamou o Homero à sua presença, saudosos da companhia de um ser humano de referência. O Jorge Jesus, como a sua vida copiosamente o assinala, é uma pessoa de uma bondade instintiva. Não lhe faltam críticos mordazes, pelo seu português canhestro, que não prima pela beleza formal da frase, mas ninguém o pode acusar de uma deslealdade, designadamente em relação a um familiar e amigo. O culto que mostra, pelos seus pais, chega a ser comovedor. Quando escrevi o meu livro Crítica da Razão Desportiva, em 2012, a dedicatória, ofereci-a ao Jorge Jesus: “No tumulto da feira de vaidades, que é o futebol, encontrei um homem honesto, sincero e leal para com a honestidade, a sinceridade e a lealdade alheias. E,. sobre o mais, encontrei um treinador de futebol que ressuma e irradia humildade, pois que, sendo um Mestre na sua profissão, é capaz de ultrapassar legítimos egoísmos e preconceitos e escutar e conviver e liderar o trabalho interdisciplinar que hoje distingue o departamento de futebol do Sport Lisboa e Benfica. Porque sou um dos seus adjuntos e portanto um dos seus admiradores e amigos, aqui deixo o meu pobre e sincero preito”. Escrito há sete anos, esta dedicatória continua actual: porque o Jorge Jesus é um Mestre, como treinador de futebol, como pode provar-se com larga cópia de exemplos; porque é o homem com a rara bondade que sempre lhe conheci.
A nossa tão duradoura e continuada amizade recíproca não me cega a uma crítica imparcial, mas julgo-me habilitado (e digo isto, com a necessária autocrítica, ou seja, com a presença constante dos meus limites) a completar, sem chocantes lacunas, o que dele se diz e convictamente se afirma. E volto ao meu livro Crítica da Razão Desportiva (sou autor de 50 livros e opúsculos, sobre o desporto e a motricidade humana): “Quando o Jorge Jesus passa, nos estádios, ou noutros lugares públicos, sócios e simpatizantes do Benfica (e até muitos dos amantes do futebol) erguem-se em borborinho respeitoso. O Luís Miguel Pereira, da SportTV e um erudito no que ao futebol diz respeito, cintilante de chiste e de satisfação (é mesmo benfiquista) já me disse: “O Jorge Jesus, não há dúvidas, faz milagres” (…). Porque tem fundamentos científicos do futebol, que os seus colegas de profissão não têm? Nesse aspecto, julgo que não sabe mais do que os outros. Mas todos os grandes treinadores desportivos que conheci não se distinguiam pela sua epistemologia crítica, em relação às modalidades em que trabalhavam (…). Ora, para mim, a síntese dos vários saberes, que convergem na prática do futebol, só a podem fazer os que sabem o que é o futebol, como actividade humana porque, em qualquer actividade humana tudo está em tudo. Enfim, o futebol é vida e, porque a cultura é a aliança do saber e da vida, necessário se torna viver o futebol, para que alguém possa imbuir-se de uma cultura do futebol” (pp. 71/72). E viver o futebol e senti-lo e amá-lo – ninguém, mais do que o Jorge Jesus, salvo melhor opinião, o faz. E, porque só se sabe aquilo que se vive, o Jorge Jesus sabe muito (muitíssimo) de futebol e está a fazer o milagre (para os olhos de quem sabe ver) de transformar onze jogadores, excepcionais do ponto de vista técnico mas abúlicos, desunidos, descrentes, numa equipa de força e convicção inabaláveis, de irresistível vontade, que não teme cotejo com qualquer equipa de futebol, brasileira ou não - uma equipa em que as qualidades competitivas significam, antes do mais, competência e honestidade profissional.
Maurice Blondel, na sua principal obra, que tenho em tradução castelhana e eu ouso traduzir, assinala: “Nunca se resolve qualquer problema da vida, sem vivê-lo. E uma teoria e um discurso, com os verdadeiros padrões da eloquência, nunca dispensam a experiência e a prática. A ciência sublinha que a prática não pode nunca dispensar-se”. A própria filosofia só é fiável, quando teoriza, em trabalho interdisciplinar com a prática, ou seja, em poucas palavras: partindo da prática. O erro de alguns estudiosos do futebol situa-se na convicção que é possível “saber” teorizando tão-só. Como desde criança tenho vivido muito próximo do futebol e escutado, com atenção e respeito, alguns dos seus principais intérpretes portugueses (e brasileiros e espanhóis); porque fui dirigente, durante quase trinta anos, de um clube de futebol (de 1964 a 1992) – bem cedo senti a necessidade de enxertar, na minha visão de espectador e de estudioso, as reflexões de jogadores e treinadores de futebol, quero eu dizer: dos “práticos” que me acolheram… “para aprender comigo” (dizem eles, por generosa simpatia), para aprender com eles (digo eu, porque é justo e verdadeiro dizê-lo, sem reticências, ou rodeios). No meu périplo, por vários treinadores de futebol, julgo não tombar em erro grave, ao adiantar que foi de “J.J.” que mais ensinamentos colhi. E porquê? Porque sabia mais do que os seus colegas de ofício? Francamente, não sei se sabia mais, se sabia menos, mas o que sabe é de um modo diferente que o sabe e não tem medo de parecer diferente e de manifestar, com frontalidade, que não aceita o nivelamento universal de um certo fraseado que alguns comentadores e jornalistas, por via de regra, utilizam. Ele é ele e a sua circunstância! Para projectos semelhantes, “J.J.” não carreava os mesmos materiais de construção. Pela excessiva confiança no que tem? Pela certeza, que a prática lhe dava, que… quem não pratica não sabe! Foi com Jorge Jesus que mais aprendi? Aprendi isto, antes de tudo: a prática é o critério da verdade! E reforcei a minha crença, nas eternas palavras de Cristo: “Pelos seus frutos os conhecereis”.
Até aqui, neste artigo, nada mais fiz do que salientar as qualidades de Jorge Jesus, um treinador de futebol pouco votado à reflexão especulativa, mas de uma invulgar competência porque radica a sua profissão numa prática que é, afinal, um obsessivo amor pelo futebol. Tem defeitos? “Errare humanum est”. Mas da síntese, entre as muitas qualidades que tem e um ou outro defeito que não pode deixar de ter, nasce um treinador de futebol que faz maravilhas com a sem vaidade de quem pratica banalidades. É um inovador, assim o afiançam os seus jogadores. E Tostão antigo e extraordinário jogador de futebol (hoje, médico oftalmologista e comentador televisivo) observa: “O Flamengo tem um sistema tático mais ousado do que o das grandes equipas europeias. Jorge Jesus é um treinador que gosta de correr riscos”. E adita o jornalista Plínio Fraga, na revista do Expresso, de 2019/10/19: “Tostão acredita que a principal característica do futebol moderno é a marcação no campo do adversário, para a recuperação da bola sem falta. Jogaram assim grandes equipas do passado, como a selecção holandesa de 1974 e jogam assim hoje o Manchester City e o Liverpool”. O meu amigo e prestigiado jornalista brasileiro, Juca Kfouri, como um crente não teme dizer: “Eu corto o braço, se o Flamengo não for heptacampeão brasileiro”. Um dia, se bem me lembro, Jorge Jesus obtemperou a uma insistente pergunta minha: “Não sente mesmo a necessidade de ler um romance de grande beleza e fascínio? Como o Eça, ou o Saramago, por exemplo?”. Ele suspirou, como se se preparasse para uma longa exortação e afirmou: “Eu não leio livros, mas leio, constantemente, o corpo dos meus jogadores e o dos jogadores adversários. E leio ainda as suas movimentações tácticas”. E sorridente rematou: “Como vê, passo a vida a ler… não nos livros, mas no comportamento de pessoas que são jogadores de futebol”. Jorge Jesus, com 66 anos de idade – um dos maiores treinadores do mundo, não tenham dúvidas. Ocorre-me o celebérrimo pensamento de Hegel: “A ave de Minerva só levanta voo ao entardecer”."

Benfiquismo (MCCCXXXIV)

Nas Austrálias!!!

Uma Semana do Melhor... com o Imortal Bastos!

Jogo Limpo... Seara, Guerra, António & Coelho

3.ª Jornada da Liga dos Campeões: A águia ainda sonha em voar alto

"Concluiu-se mais uma jornada da Liga dos Campeões e mais uma vez os craques da bola não desiludiram o adepto do futebol. Reviravoltas ao cair do pano, hat-tricks, recordes batidos, golos de tirar o chapéu e a vitória do representante português. Tudo isto em apenas dois dias de futebol. Destaco, portanto, os melhores momentos desta semana europeia, começando pela vitória suada do Sport Lisboa e Benfica.

Pizzi coloca o Benfica na luta pelos “oitavos”
O Benfica estava em apuros, depois de ter perdido os dois primeiros jogos e chega ao 3.º jogo com zero pontos. Esta vitória era importantíssima para as águias se manterem na luta e para mostrar aos adversários que afinal o Benfica está lá para alguma coisa. A conquista dos três pontos foi crucial, visto que os encarnados ainda têm as deslocações a Lyon e a Leipzig, para além da recepção ao Zenit, ou seja, dois jogos fora dos três que restam.
O Benfica foi feliz logo no início da partida, quando aos quatro minutos, Cervi descobre Rafa que com um tiro insere a bola dentro da baliza do português Anthony Lopes. O Benfica esteve bem na primeira parte e controlou o jogo, tendo ainda mais duas oportunidades para fazer golo até ao apito para o intervalo. Grimaldo fez um grande jogo e foi fulcral com um corte “in extremis” seguido de um remate de Cornet. Salvo Grimaldo, também Tomás Tavares realizou uma bela partida e mostra a Bruno Lage que pode perfeitamente tomar conta do lugar de André Almeida na ala direita.
A segunda parte já não foi tão bem conseguida pelo Benfica e o Lyon estava a criar mais perigo. O golo do empate foi da autoria de Memphis Depay aos 70 minutos da partida e soam os alarmes no Estádio da Luz. O Lyon continuou a ameaçar e Vlachodimos foi obrigado a intervir, salvando as águias de mais um desaire.
Perto do término do encontro, Pizzi veste a capa de herói e, depois de ter enviado uma bola ao ferro de Anthony Lopes, aproveitou no minuto seguinte uma oferta do guarda-redes português, seguida de uma má reposição de bola, e faz o segundo golo do Benfica aos 85 minutos, dando assim a vitória aos encarnados. O Benfica venceu desta maneira o primeiro jogo desta edição da prova e sente-se mais confiante para disputar os restantes jogos.

Robert Lewandowski, o homem que não para de marcar e bater recordes
O avançado do Bayern de Munique está numa forma de outro mundo e não consegue parar de fazer golos. Vai já no 12.º jogo seguido a faturar, sendo que nesses 12 jogos apontou 17 golos. E mais, marcou em todos os jogos que disputou pelos bávaros, à excepção do primeiro, que foi a Supertaça Alemã.
Lewandowski, aos 31 anos, está a fazer o melhor arranque de temporada da sua carreira e promete continuar nesta forma por mais tempo. É um dos elementos fundamentais para o sucesso da equipa esta época e é muito graças a ele que os alemães têm três vitórias em outros tantos jogos na Liga dos Campeões.
Actualmente, é possivelmente o melhor avançado do mundo e está bem encaminhado para conquistar a sua primeira Bota de Ouro, prémio que distingue o melhor marcador da Europa na temporada, contando apenas golos para o campeonato.
De destacar que com os golos ao Olympiacos ultrapassou Raúl González na lista dos melhores marcadores de sempre da Liga dos Campeões, ocupando agora a 5.ª posição nessa lista.

Mbappé, o menino de ouro na elite europeia
A qualidade de Kylian Mbappé é indubitável nos dias de hoje. É um craque da cabeça aos pés e parece que já anda no mundo do futebol há muitos anos. O que sobressai mais é a confiança e o à vontade que tem dentro de campo, ou então a facilidade com que faz golos, ou a explosão repentina que faz levar dois ou três adversários pela frente, ou a técnica para driblar os adversários. Na verdade, são tantas qualidades que nem sei qual é a que sobressai mais.
Mbappé não pisava os relvados desde agosto devido a lesão, voltou recuperado há três semanas atrás, mas não totalmente, fez apenas meia hora contra o Bordéus e contra o Galatasaray, voltou a lesionar-se e falhou a partida contra o Angers. Volta a jogar duas semanas depois, em casa do Nice, entrou aos 83 minutos e o que fez com tão pouco tempo de jogo? Marcou um golo e ofereceu outro a Icardi. Para a Liga dos Campeões voltou a não ser opção de início por Tuchel, até estar completamente bom e entrou aos 52 minutos. Precisou apenas de 31 minutos para marcar três golos ao Club Brugge. 
Kylian Mbappé, com 20 anos e 306 dias, tornou-se no jogador mais jovem de sempre a marcar um hat-trick na Liga dos Campeões, superando Lionel Messi, na altura com 21 anos e 288 dias. 
Geralmente, quando estes jovens jogadores demonstram qualidade, fazem de imediato comparações a Ronaldo ou dizem que vai ser o próximo Messi. Mbappé sempre procurou ser ele mesmo e fazer com que daqui a pouco tempo, já digam a um miúdo: “Vais ser o próximo Mbappé”. A verdade é que sempre questionaram quando Messi e Ronaldo quebrassem de rendimento e tivessem de passar o testemunho a outro jogador quem seria? A resposta pode ser esta. Os números falam por si e o francês aos 20 anos já tem mais hat-tricks do que Ronaldo e Messi juntos com essa idade.

Sterling e o gosto que tomou pelo golo
Raheem Sterling foi possivelmente o jogador que mais evoluiu desde a chegada de Pep Guardiola e este ano tem uma função acrescida, visto que Sané se lesionou no início da temporada e o treinador espanhol, que tanto gosta da rotação, é obrigado a utilizar Sterling mais vezes do que o esperado.
O inglês tinha acabado de fazer 180 minutos pela selecção inglesa, nos dois jogos realizados. Chega a Manchester e não descansa contra o Crystal Palace, no jogo em que apontou uma bela assistência para David Silva. Sai o onze contra o Atalanta e está Sterling outra vez nos escolhidos de Guardiola. Na primeira parte, já tinha feito uma assistência e ganho um pénalti para Aguero marcar. Na segunda parte, em 11 minutos fez três golos e resolveu praticamente sozinho a partida, levando nota 10 e a bola para casa.
Sterling está numa forma soberba e esta época em 13 jogos, já soma 12 golos e cinco assistências ao serviço do Manchester City. Pela selecção nos últimos quatro jogos, leva outros tantos golos.

Paulo Dybala, La Joya é novamente o herói de Turim
Desde a chegada de Ronaldo que Dybala apagou-se um bocado da Juventus e quebrou o seu rendimento. Embora isso tenha acontecido, o argentino era geralmente opção para o antigo treinador Massimiliano Allegri. Atualmente, é estranho pensar que Dybala não é opção assídua para o novo treinador, Maurizio Sarri. É estranho quando se lê que um jogador como Dybala teve a sua primeira titularidade pela Juventus esta época dia 21 de Setembro, um mês depois de começar a época. Tudo isto não é normal, ainda para mais quando se fala de um jogador com a qualidade de Dybala, que já deu tantas alegrias ao octacampeão italiano.
É curioso reparar que quando o argentino joga mais tempo a Juventus até faz exibições melhores, e que mesmo quando entra, em tão pouco tempo, consegue fazer alguma coisa especial. Dybala joga contra a Spal e faz uma grande assistência para Ronaldo. Dybala joga 8 minutos contra o Leverkusen e faz outra assistência para Ronaldo. Dybala joga de início contra o Inter e marca um golo. E esta semana? Dybala volta a ser titular, desta vez contra o Lokomotiv de Moscovo e a Juventus está a perder por uma bola a zero em casa. Dybala aos 77 e 79 minutos resolve a partida com dois golos, um deles um tiro fora de área de tirar o chapéu e outro com uma finalização fantástica de primeira.
Este jogador é dotado de uma qualidade acima do normal e Sarri deve entender que é possível juntar Dybala a Ronaldo, aliás, Cristiano só tem a ganhar com isso. Isto porque vê-se quando ele joga que realmente faz a diferença no jogo da Juventus. Para além disso, como bom profissional que é, nunca se viu Dybala chateado ou a reclamar com o facto de jogar menos. Esperou pela sua oportunidade e pode ser que tenha enchido finalmente as medidas a Sarri."

Não basta?

"Golo do Pizzi contra o Lyon só está ao alcance dos predestinados. Poucos seriam capazes de fazer o mesmo que Pizzi

uma nova realidade mediática que ainda não percebi se é positiva ou negativa. Com o progressivo desaparecimento dos nossos adversários, fica apenas para grande motivo de análise e comentário o Benfica e o AntiBenfica. Dois grandes do panorama desportivo nacional e com vários representantes na comunicação social. Os benfiquistas feridos de um amor pelo seu emblema, os antibenfiquistas cegos pelo ódio e um ressentimento de quem outrora também tinha emblemas próprios.
É neste contexto que analisam a prestação europeia do Benfica da última década, chegando à conclusão de que tem sido muito fraca. O Benfica, durante dez anos, classificou-se consecutivamente para a fase de grupos da Liga dos Campeões mas isso não basta. Nos últimos 10 anos o Benfica tem duas finais europeias, uma meia-final, chegou várias vezes aos quartos de final mas isso não basta. Na última década, mesmo na Liga dos Campeões, chegou aos quartos de final, não havendo nenhuma outra equipa portuguesa a fazer melhor. Ainda assim é pouco e talvez haja alguns momentos em que eu também concorde e exija mais. Se um dia ganharmos a Liga dos Campeões esses artistas vão querer a Taça Libertadores, porque a realidade não lhes estraga as narrativas.
Vencemos os franceses do Lyon, que não perdiam um jogo fora da Liga dos Campeões há três anos, e estamos na luta por uma difícil qualificação. Há outros que só estão na Champions nos delírios jornalísticos das capas de alguns jornais, numa esquizofrenia deliciosa.
No Benfica ganhar é um hábito imperativo, qualquer coisa fora desta realidade é uma inaceitável notícia. O golo de Pizzi é um grande golo só ao alcance de jogadores predestinados. O erro do guarda-redes do Lyon podia cair nos pés de muitos jogadores, mas poucos fariam o que fez o Pizzi. Já agora a melhor defesa também foi de Ody, a melhor jogada também foi do Benfica, a maior oportunidade também foi uma bola ao poste de Pizzi e o vencedor também foi justo. É importante que o Benfica se mantenha na Europa para o AntiBenfica continuar com representantes.
Vencemos o Cova da Piedade para a Taça de Portugal, estamos no sorteio de segunda-feira mas importante mesmo é domingo na difícil deslocação a Tondela o Benfica vencer. Não preocupam nada alguns comentários, preocupa muito a lesão do Rafa. Não preocupam nada estatísticas manipuladas, preocupam muito jogos de três em três dias.

PS - Este Sporting parece a Catalunha, todos têm direitos e opinião e ninguém tem uma solução."

Sílvio Cervan, in A Bola

Nulo, que soube a pouco...

Marítimo 0 - 0 Benfica


Com o jogo da Youth League na Terça, com algumas lesões, tivemos um 11 com várias alterações, mas mesmo assim, o resultado acabou por ser injusto... Não fizemos um grande jogo, mas mais do que o suficiente para vencer... o Marítimo também criou algumas oportunidade, mas o Benfica foi sempre mais perigoso!

O Paulo Bernardo, depois de um início de época, a recuperar de uma lesão grave, está a atingir níveis altos, hoje, só faltou mesmo o golo...!!!

O Tomás Domingos regressou hoje, após longa ausência... mas a ausência do Bernardo Silva, é um mistério! O Bernardo tem sido convocado para a Selecção de sub-19, joga na Selecção, mas no Benfica, esta época, não tem praticamente minutos, em qualquer escalão (e pode jogar em 3 equipas)!!!

Sequeira Andrade

"Sempre que alguém morre, recordo-me do prof. Agostinho da Silva, num dos episódios do Conversas Vadias, a interromper Miguel Esteves Cardoso para o informar de que 'não pode garantir que vamos morrer', e logo acrescentar, assumindo essa hipótese como muito provável, que 'não há dúvida de que temos visto os outros morrer'. Na morte de outrem constatamos a nossa própria mortalidade, e desta vez coube a João Sequeira Andrade, aos 91 anos, recordar-nos dessa (tomada por garantida) inevitabilidade.
O senhor Sequeira Andrade de velho tinha apenas o aspecto e a idade. A jovialidade do seu pensamento, a argúcia do seu raciocínio, a vastidão da sua cultura, o acentuado interesse pelo quotidiano e a constante perspectivação do futuro estavam bem patenteados nas interessantíssimas cartas dirigidas ao seu dilecto 'amigo' Pancrácio, as quais me fez o favor de me as dar a conhecer. Foram 250, e a última iniciava com a despedida do autor, cuja paixão por atletismo se fez notar também no anúncio que ninguém desejaria ler, o de que estaria a chegar à meta da sua vida. Poucas vezes tive o prazer de com ele me relacionar pessoalmente, mas de todas, sem excepção, guardo boas recordações. A simpatia, a educação e o sentido de humor apurado eram constantes. E mais ainda o benfiquismo e a cultura benfiquista, que eu já havia conhecido dos tempos em que colaborou com o jornal O Benfica e que tão bem evidenciados eram nas cartas ao Pancrácio.
Enquanto interessado em aprofundar os meus conhecimentos sobre a história do Benfica, não tenho quaisquer dúvidas de que o contributo de João Sequeira Andrade foi inestimável, e que para sempre o admirarei e estarei agradecido. Até sempre!"

João Tomaz, in O Benfica

Orgulho feminino

"Fomos mais de 12 800 nas bancadas da Luz, no sábado passado. Não houve recorde absoluto de assistência num jogo de futebol feminino em Portugal, mas, em termos de partidas oficiais, este foi o encontro com mais adeptos presentes. Fica a partida de solidariedade por Moçambique no topo das assistências, mas fiquei com a certeza de que será por pouco tempo.
Aquilo a que se assistiu no estádio e nas imediações da Catedral foi uma chapada de luva branca em quem vê o futebol como inimizade, violência e guerra. havia de tudo: famílias inteiras, casais, grupos de amigas e de amigos, adolescentes, crianças, adultos, seniores. Bastava olhar à volta ou ver as imagens transmitidas pela televisão.
Camisolas e cachecóis de ambos os clubes e respeito foram notas dominantes numa tarde histórica que terminou com uma vitória do SL Benfica, tão clara quanto justa.
Claro que, em quase 13 mil pessoas, também houve meia dúzia de acéfalos que continuam a insultar clubes, adeptos e futebolistas rivais, mas a forma como foram abafados pelos restantes espectadores é uma nota que tenho todo o gosto em destacar. O SL Benfica está na vanguarda da mudança de mentalidades no futebol português e para isso precisa de todos nós - adeptos, sócios e simpatizantes que respeitam as diferenças sem que isso afecte a sua paixão pelo clube.
Nesta homenagem à igualdade de género que foi o primeiro jogo oficial do futebol feminino do Glorioso no Estádio da Luz poderíamos ter sido ainda mais nas bancadas. Sim, há outros compromissos que não podem esperar, mas da próxima vez, vocês (os que não estiveram presentes) lembrem-se de que elas merecem. Jogam como ninguém em Portugal, sentem a camisola como poucos e trabalham exemplarmente todas as semanas. Têm dúvidas? Depois da brilhante época passada, esta equipa é líder do campeonato com três pontos de avanço sobre o segundo classificado, tem 41 golos marcados e nenhum sofrido. Em quatro jogos..."

Ricardo Santos, in O Benfica

A liderança pode esperar mais uns dias

"Quarenta anos depois, o campeonato está de volta. Esta pausa deu-me tempo para repousar, limpar o seu quarto, ser pai, organizar o armário da roupa por cores e ainda ser avô. É muito bem pensado da parte da Liga dar este alargado descanso aos adeptos, mas sobretudo aos jogadores. Assim, houve tempo suficiente para o Rafa recuperar daquela tendinopatia no adutor à esquerda, lembram-se? Por outro lado, agora com 66 anos acredito que seja mais difícil para o Rafa recuperar a melhor forma, mas estou convencido de que aquela velocidade assombrosa não desaparece assim de repente em quatro décadas.
Vai arrancar a jornada número 8, e isto de não estar na liderança é angustiante. O lugar do Benfica é no topo da classificação, qualquer outro posto causa uma sensação estranha, nem dá bem para explicar o que é. Tipo aqueles enjoos que uma pessoa nem sabe se são causados pela fome, pelos stress ou pelos debates intermináveis acerca da capacidade de Bruno Lage para elevar a qualidade de jogo da equipa. Não escondo: estou desejoso de ver o Benfica no 1.º lugar. Em todo o caso, não me importo nada de aguardar pela 9.º jornada. Não há problema se o Famalicão se mantiver no topo no final desta ronda. Quem esperou estes quarenta anos também espera mais uma semaninha.
Embora a maioria dos adeptos ache graça à decadência de outros clubes, eu não consigo encontrar motivos de diversão nesses casos. Há um emblema em particular cuja história exige uma participação permanente na luta pelo título - o leitor sabe bem de quem estou a falar. A eliminação da Taça por uma equipa de escalão inferior foi a gota de água, pelo que eu gostaria de deixar aqui registado o meu apoio: força, Tottenham!"

Pedro Soares, in O Benfica